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Universidade Federal da Paraíba 
Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes 
Departamento de Psicologia 
Disciplina: Psicologia do Trabalho II 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEXTO 1: PSICOLOGIA DO TRABALHO: ASPECTOS HISTÓRICOS, 
ABORDAGENS E DESAFIOS ATUAIS 
 
 
 
 
 
Ana Carolina Lopes Santos de Oliveira 
 
 
 
 
 
 
João Pessoa - PB 
Fevereiro de 2025 
 
 
SUMÁRIO 
Introdução……………………………………………………………………...………………1 
O campo da Psicologia do Trabalho…………………………………………….…..…………1 
A emergência da Psicologia do trabalho…………………………………………...…1 
Abordagens das relações: psicologia e trabalho……………………………………………….2 
A psicologia no universo organizacional……………………………………………………...2 
As perspectivas da psicologia (social) o trabalho……………………………………2 
Abordagens clínicas do trabalho………………………………………………………………3 
Desafios e perspectivas………………………………………………………………………..3 
 
 
ORGANIZAÇÃO 
O texto é dividido em 5 títulos principais e 2 subtítulos que apresentam a Psicologia 
do Trabalho desde os seus aspectos históricos até os desafios e perspectivas enfrentados por 
essa vertente. Com isso, de maneira explicativa e pautada na literatura científica, o autor 
expõe brilhantemente as etapas e fases da psicologia do trabalho. 
 
SOBRE O AUTOR 
Luís Henrique da Costa Leão é Doutor em Ciências na área de Saúde Pública pela Escola 
Nacional de Saúde Pública. Professor Associado II da Universidade Federal Fluminense, 
docente permanente no Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade 
Federal de Mato Grosso e do PPG Saúde Coletiva da UFF. Visiting professor na Universidade 
de Padova, Italia (2019) e Universidade de Nottingham, Inglaterra (2019). Tem experiência 
na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Saúde do Trabalhador, atuando principalmente nos 
seguintes temas: teorias críticas e as relações saúde, trabalho e ambiente, trabalho escravo 
contemporâneo, vigilância em saúde do trabalhador, cadeias produtivas e saúde mental 
relacionada ao trabalho. Foi cordenador do PPGSC/ISC/UFMT (2016-2018), membro da 
Comissão de Avaliação de Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da CAPES - 
Qudriênio (2017-2020) e foi editor associado na área de Saúde do Trabalhador no periódico 
Ciência Saúde Coletiva (2015-2018), compôs o Conselho Editorial da EdUFMT (2020-2022) 
e é editor associado do periódico Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. Foi membro do 
Núcleo Gestor de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (2020-2023) da Associação 
Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). 
 
 
Introdução 
A Psicologia e o trabalho se relacionam como um campo desenvolvedor de saberes e 
práticas teóricas que auxiliam a vida das pessoas. Essa intersecção é repleta de nuances, 
evidenciando como as relações foram construídas ao longo do tempo com dificuldades, 
obstáculos, limites e faltas. Dessa forma, entende-se que a psicologia do trabalho busca 
compreender as dinâmicas trabalhistas e intervêm, criando estratégias para promover o 
bem-estar dos envolvidos. 
A história da psicologia do trabalho é marcada por transformações que variam 
conforme o contexto de cada época, logo, cenários políticos, econômicos e sociais desafiam a 
psicologia do trabalho e exige constantes revisões. 
 
O campo da Psicologia do Trabalho 
A psicologia do trabalho é multi e interdisciplinar, dessa forma, ela conversa com os demais 
campos de saberes, criando uma rede rica de conhecimentos que nos auxilia no entendimento 
de suas definições. A pluralidade apresentada pela psicologia do trabalho, demonstra diversas 
orientações teórico-metodológicas, com o objetivo de explicar como acontecem as relações 
de trabalho e como o ser humano se enquadra quanto ser que possui o trabalho como 
elemento central de suas vidas. 
 
A emergência da Psicologia o trabalho 
Enquanto no mundo acadêmico as temáticas como comportamento, inconsciente e 
fisiologia, evidenciavam o descobrimento de novos objetos de estudos, no campo prático, o 
trabalho servia como uma aplicação dos conhecimentos psicológicos. Acerca de tais fatos que 
ocorriam em paralelo, havia o reforço dado pela filosofia e sociologia, ao estabelecer o 
trabalho como uma categoria essencial para a formação do ser social, como aborda Marx, 
Engels e Durkheim. 
Mudanças como a Revolução Industrial, urbanização e avanço técnico trouxeram 
novas formas de organização social, cultural e trabalhista. Juntamente a isso, diversos 
problemas nas condições de vida, contexto ideal para as práticas psicológicas começaram a 
emergir, com destaque para a psicotécnica, que buscava eficiência no trabalho por meio de 
análises experimentais e desenvolvimento de habilidades. 
 
 
 
O interesse da psicologia industrial era investigar relações entre jornada, fadiga e 
produtividade, o seu foco principal era o lucro. Sua abordagem aplicava princípios para 
melhorar o desempenho no trabalho. 
 
Abordagens das relações: psicologia e trabalho 
Com o surgimento do capitalismo, o trabalho passou a ser entendido de forma 
puramente econômica e lucrativa. Nesse cenário, a força da mão de obra, como em cuidados 
domésticos, manutenção da família e atividades religiosas, perderam espaço para o trabalho 
assalariado que se tornou central na sociedade. 
A psicologia do trabalho, nesse momento, começou a impulsionar a produção 
econômica, buscando reduzir a fadiga e maximizar as capacidades humanas, alinhada ao 
pragmatismo e à lógica do trabalho assalariado. Entretanto, as mudanças, somadas ao avanço 
das ciências naturais e humanas, trouxeram novas perspectivas e formas de compreender o 
trabalho. (Braverman, 1987) 
 
A psicologia no universo organizacional 
A psicologia organizacional amplia o campo das observações e começa a analisar 
hospitais, sindicatos e ONGs, indo além da esfera industrial. Essa nova perspectiva traz temas 
como papel social, cultura e relações humanas, valorizando métodos de aplicação como 
entrevistas e observações. Também vai abordar temas como: recompensas, motivação e 
dinâmicas de grupo, interação entre necessidades individuais e demandas organizacionais 
gerais. (Schein, 1968) 
Além disso, ela começa a refletir sobre questões como liderança, cognição, emoções e 
cultura organizacional, além de áreas como gestão de pessoas, qualidade de vida no trabalho 
e saúde ocupacional foram incorporados aos temas trazidos à tona. Logo, essa abordagem 
busca entender os indivíduos, enfatizando a interação entre comportamento, para além da 
eficiência produtiva. 
 
As perspectivas da psicologia (social) do trabalho 
No Brasil, é possível ver o modelo de desgaste mental que emergiu naquela época, 
investigando os impactos do trabalho na saúde mental sob influências do 
materialismo-dialético e da medicina social latino-americana. Os autores da época buscaram 
analisar como o trabalho gera cargas físicas e mentais, enquanto psicólogos incentivaram a 
conscientização dos trabalhadores para fortalecer sua barganha frente ao capital. 
 
 
Fenômenos como gênero, trabalho informal, desemprego e alienação, passou a ser 
questionado em relação à hegemonia do modelo organizacional tradicional, além de temas 
como identidade, ideologia e economia solidária são explorados, destacando os impactos dos 
modelos produtivos na subjetividade. 
Assim, a psicologia social do trabalho propõe uma visão crítica, comprometida com a 
transformação social e a emancipação humana, priorizando as experiências e vivências dos 
trabalhadores em contextos reais. 
 
Abordagens clínicas do trabalho 
A clínica do trabalho representou uma importante perspectiva na psicologia do 
trabalho, ela vai além da atenção individual e foca na atividade como eixo central, 
compreendendo a relação entre subjetividade, saúde e dor. Essa abordagem distingue o 
trabalho idealizado do trabalho realizado e enfatiza a ação concreta dos trabalhadores, dessa 
forma, a constituição da visão do trabalho se pauta em uma atividade dinâmica,intersubjetiva 
e transformadora. 
Levando em consideração que o trabalho não se limita apenas à produção de 
resultados econômicos, a clínica da atividade foca no papel ativo dos trabalhadores na 
redefinição das tarefas prescritas. Essas abordagens consideram o trabalho como uma 
experiência subjetiva e coletiva, que integra emoções, razão e escolhas, moldando a 
identidade do trabalhador e sua relação com o ambiente. (Dejours, 2005) 
Essas perspectivas valorizam a participação ativa dos trabalhadores no processo de 
intervenção, promovendo o diálogo e a transformação no ambiente laboral, reafirmando o 
papel humano no centro das atividades, reconhecendo a complexidade e riqueza das 
experiências no mundo do trabalho. 
 
Desafios e perspectivas 
A psicologia do trabalho enfrenta diversos desafios, especialmente na construção de 
pesquisas interdisciplinares que abordem o trabalho em sua complexidade, sem se limitar a 
uma visão fragmentada. Um tema de bastante importância é o sofrimento no trabalho, 
violências psicológicas e os assédios, essas situações demandam a criação de novos 
dispositivos de atenção psicossocial com o objetivo de atender os trabalhadores e reduzir essa 
dor, como acontece nos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador. (Leão, 2012) 
Além disso, a condição do trabalho rural no Brasil é precária, há evidências de uso 
indevido e não supervisionado de agrotóxicos e casos de mortes por exaustão. Com isso, a 
 
 
psicologia do trabalho deve urgentemente direcionar sua atenção para essas questões, 
exigindo uma psicologia que considere também as repercussões sociais que reforçam essa 
exclusão. 
A psicologia do trabalho deve expandir os diálogos com áreas não tradicionais, 
intervenha e produza conhecimento no Brasil considerando as realidades locais e aspectos 
culturais, para evitar a reprodução acrítica de teorias que não correspondem ao contexto 
brasileiro. 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
Braverman , H. (1987). Trabalho e capital monopolista: A degradação do trabalho no século 
 XX. LTR. 
Dejours, C. O (2005). Fator humano. Editora FGV. 
Leão, L. H. da C. (2012). Psicologia do Trabalho: aspectos históricos, abordagens e desafios 
atuais. ECOS - Estudos Contemporâneos da Subjetividade, 2(2), 1-15. Recuperado de 
http://www.periodicoshumanas.uff.br/ecos/article/view/1008 
Schein, E. A. (1968) Psicologia organizacional. Clássica LCE Editora. 
 
http://www.periodicoshumanas.uff.br/ecos/article/view/1008

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