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90% dos homens com 80 anos de idade ou mais apresentam evidências histológicas dessa condição, 81% têm sinais ou sintomas relacionados com a HPB, 10% desenvolvem retenção urinária aguda e 50% permanecem assintomáticos o resto da vida. Há uma desaceleração natural do crescimento da próstata com o envelhecimento, portanto, é dito que os sintomas da HBP decorrem da disfunção dos detrusores vesicais e não necessariamente do volume prostático. Além disso, o jato urinário perde força a partir dos 55 anos. Essa doença tem como fatores de risco a idade avançada, histórico familiar e a presença de hormônios androgênios. Há uma hipertrofia dos lobos lateral/medial da próstata, portanto, acarretando em sintomas obstrutivos, como redução do jato urinário, hesitação, constrição abdominal, gotejamento e esvaziamento incompleto e intermitente; e sintomas irritativos, como noctúria, alternância de frequência, urgência de micção, disúria e incontinência. 95% dos casos de neoplasia em homens correspondem ao adenocarcinoma de próstata, ela é mais incidente em idade avançada (50 anos ou mais). 13% dos tumores são indolores e assintomáticos. Aproximadamente 9% de todos os cânceres prostáticos e 45% dos casos diagnosticados abaixo dos 55 anos de idade podem ser atribuídos à suscetibilidade genética, caracterizada pela presença de um alelo autossômico dominante. Os fatores de risco são: > 50 anos, hereditariedade, raça negra, ingestão exacerbada de gorduras saturadas, cigarro, andrógenos. Em 64% dos casos, o câncer é local, 13% é regional e 20% é metastática, sendo que nestes últimos, há sinais e sintomas. Também chamada de osteoartrite ou osteoartrose, a doença articular degenerativa é a enferemidade musculoesquelética mais comum em pessoas > 65 anos. Ela é caracterizada por insuficiência da articulação e uma patologia que tem seu curso evolutivo passível de modificação, ou seja, viável para tratamento e prognostico. Além da idade, entre os fatores de risco há a hereditariedade, predisposição genética, traumas, estresse recorrente, ocupações, obesidade (gera principalmente osteoartrite de joelho), alterações morfológicas ou bioquímicas da articulação. A cartilagem articular é composta por fluido intersticial, MEC (colágeno II, elastina, fibronectina e complexos polissacarídeos) e células/condrócitos (produzem a matriz), sendo que 70% dela é água, componente que aumenta quando há osteoartrite. A MEC é responsável por garantir reversibilidade às deformidades e elasdticidade, visto que a cartilagem articular tem a função de absorver impactos e possibilitar deslizamento suave entre as extremidades ósseas justapostas. Assim, é importante que a MEC seja remodelada constantemente através de enzimas autolíticas e a ação dos condrócitos. Estas células não apenas produzem a MEC como também produzem enzimas proteolíticas, como as metaloproteinases (MMP), principalmente as MMP-1, MMP-3, MMP-8 e MMP-13, além de agrecanases e ADAMTS (desintegrina + MMP + trombospondina-4 e 5). Também, os condrócitos atraem IL-1, TNF e TGF. Complexos Polissacarídeos: proteoglicanos, com agrecano, biglicano, decorina, ancorina e fibromodulina. Para que ocorra a osteoartrite, o processo de remodelação é alterado, causando desequilíbrio entre formação e destruição da MEC, visto que a sua degradação é muito mais acentuada, promovendo aumento NEOPLASIAS OSTEOARTICULARES de água, perda de proteoglicanos e colágeno II. No líquido sinovial, os novos elementos que são sintetizados são mecanicamente inferiores aos originais e, portanto, são mais suscetíveis às lesões. A situação altera a função dos condrócitos por conta de aumento das citocinas pró-inflamatórias, o que causa produção de proteinases, catepsina e metaloproteinases, componentes que degradam a MEC, adelgaçando a cartilagem e deteriorando a sua qualidade mecânica. O osso subcondral desenvolve microfraturas por conta de um metabolismo ósseo alterado, causando endurecimento e perda da reversibilidade à compressão, bem como os osteoblastos liberam fator de crescimento de insulina e ativador de plasmina. Assim, o QC é de inicio insidioso (anos) e ocorre mais em mãos, coluna e articulações de carga, de modo que os pacientes sentem dor mecânica nas articulações, ou seja, melhora em repouso e piora em movimento (oposto de artrite reumatoide). Também, enfermos podem ter alargamento ósseo com redução de movimentos articulares, rigidez matinal ou após muito tempo de inatividade. A osteoartrite pode ser: A. coxofemoral – pontos dolorosos em glúteo ou na região inguinal, podendo irradiar-se por dentro ao longo da musculatura adutora da coxa na face interna, ou externamente pelo tensor da fáscia lata até o joelho; B. de joelhos – mais incidência entre mulheres; C. de mãos; D. de pés; E. de ombros; F. na coluna cervical e lombar – pode envolver vias nervosas, artéria vertebral, articulações, esôfago ou medula e a dor varia com a área acometida. doença sistêmica progressiva que leva a uma desordem esquelética, caracterizada por força óssea comprometida, predispondo a um aumento do risco de fratura. As fraturas de corpos vertebrais e de quadril são as complicações mais graves. Ela pode ser primária, que não tem causa definida, ou secundária, que é justamente o contrario. O pico de massa óssea é atingido entre adolescência e 35 anos, sendo maior nos homens e negros. Além disso, 70% da massa consequente da genética e o restante por conta da ingestão de cálcio, exposição ao sol, exercícios físicos e puberdade. Dentro da fisiopatologia, é inerente salientar que a estrutura óssea consiste de 80% osso compacto e 20% esponjoso. Além disso, contém osteocitos imersos em matriz colagenosa e mineralizada (na fase inorgânica, principalmente, por hidroxiapatita de fosfato de cálcio, e na orgânica por colágeno, proteínas e proteoglicanos), osteoblastos e osteoclastos. As duas últimas células estão no periósteo e endosteo, compondo também a matriz, a qual é rígida por conta dos minerais, e flexível graças às fibras de colágeno, sendo que na velhice, predomina a rigidez, o que propicia quedas e fraturas. Com isso, o osso necessita ser remodelado, processo que é realizado pelos osteoclastos (células derivadas dos monócitos) e osteoblastos (formando a Unidade Básica Multicelular/UBM) e que ocorre na face interna do osso. Assim, é fundamental conhecer o processo de formação dos osteoclastos (osteoclastogênese), de modo a compreender o potencial da remodelação óssea de um indivíduo. Os osteoclastos sofrem influência de interleucinas, TNF, TGF, PGDE2 e hormônios durante o processo de osteoclastogênese. Dentro da família dos TNF, existe o RANK (receptor ativador do fator nuclear kB), receptor presente nos préosteoclastos e que se ligam à RANKL (molécula da família dos TNF) , secretada pelos osteoblastos, para se tornarem osteoclastos ativos/maduros, os quais realizam a remodelação óssea. Quando a remodelação chega num limite, o corpo consegue controlá-la: os osteoblastos começam a secretar osteoprotegerina (OPG), que se ligam ao RANK, inibindo o amadurecimento dos pré-osteoclastos. ✓ Estrogênio: age sobre os osteoblastos, inibindo a secreção de RANK e aumentando a de OPG. ✓ Uso de corticosteroide, ativação de linfócitos T (artrite) e doenças malignas promovem osteoclastogênese, induzindo a perda óssea. ✓ O excesso de paratormônio propicia osteoporose por aumento de atividade osteoclástica e consequente retirada de fosfato e cálcio do osso para o sangue, bem como a atividade da membrana dos osteócitos se eleva, gerando a saída desses íons (calcemia). ✓ O excesso de calcitonina promove aumenta da ação osteoblastica, consequentemente, maior síntese da matriz óssea, o que atrai grandes quantidades de cálcio e fosfato para o osso, portanto, o tornam rígido. A osteoporose é uma doença assintomática, e geralmentee 20% de osso trabecular ou esponjoso, mais frágil, responsável pela função metabólica. Remodelação óssea É realizada justamente pelos osteoclastos e osteoblastos, eles coordenam fases de formação e reabsorção óssea, renovando o esqueleto e mantendo sua estrutura. Vai ocorrer na face interna do osso e é realizada por um conjunto celular, composto por osteoclastos na frente e justapostos com os osteoblastos atrás, formando a unidade básica multicelular. A!! A velocidade da destruição e reposição de osso velho ou danificado é determinada pelo número de UBM que está funcionando em dado momento. A!! Os osteoclastos são células diferenciadas da linhagem macrófago/monócito, multinucleadas, dirigidas para uma sequência de eventos, que inclui proliferação, diferenciação, fusão e ativação. Esses eventos estão sob controle de hormônios e citocinas locais, juntamente com o microambiente ósseo. Esse tipo celular possui um receptor de RANKL, que é uma citocina essencial para a osteoclastogênese já que promove a ativação dos osteoclastos e promove sua sobrevivência por meio de supressão de apoptose. A!! Os efeitos do RANKL são bloqueados pela osteoprotegerina (OPG), a qual atua como antagonista do RANKL. LOGO, o que vai determinar a ação dos osteoclastos é o equilíbrio entre RANKL e OPG que, por sua vez, são regulados pelas citocinas e hormônios. A!! Deficiência de estrogênio, uso de corticosteróide, ativação das células T (artrite reumatoide e outras) e doenças malignas (mieloma e metástase) alteram a relação RANKL/OPG, promovendo a osteoclastogênese, acelerando a reabsorção óssea e induzindo a perda óssea. UM RETROSPECTIVO PARA ENTENDER MELHOR: Na infância, o esqueleto aumenta de tamanho por crescimento longitudinal, o qual cessa com o fechamento epifisário por volta dos 20 anos e por aposição de novo tecido ósseo nas superfícies externas do córtex. Esse processo é conhecido como modelação. Com a chegada da puberdade, aumenta a produção dos hormônios sexuais, com consequente maturação óssea, sendo alcançado o máximo de massa e densidade óssea na fase adulta jovem. Uma vez alcançado o pico de massa óssea, o processo de remodelação torna-se a principal atividade metabólica do esqueleto. O resultado final é a reposição óssea em igual quantidade da absorvida, mantendo a massa constante. Após os 30 anos, em vários locais do esqueleto, o processo de reabsorção e reposição não se faz na mesma proporção, predominando a fase de reabsorção, devido ao aumento da atividade osteoclasto ou por diminuição dps osteoblastos, sendo mais marcante na mulher pós-menopausa. FATORES DE RISCO Podem ser divididos em fatores de risco maiores e menores. Clinicamente, o que se observa é um somatório dos fatores de risco do passado e do presente, incluindo tanto a genética quanto o estilo de vida. A ocorrência de uma fratura é um importante fator de risco para futuros episódios. Por isso, o objetivo clínico é prevenir a primeira fratura. Fatores de risco importantes são a perda de peso e a nutrição. Eu tô só mencionando aqui porque eu lembrei de um episódio de GREYS que uma moça acaba fraturando algum osso por causa de um impacto muito besta. Foram ver como estavam a estrutura óssea dela pra averiguar né, e aí viram que pareciam os ossos de uma idosa. Daí todo mundo fica sem entender pq ela malha, faz muito exercício… E quando vai ver no passado ela era obesa, e isso justificava a fragilidade óssea dela, pq ela fez uma dieta muito restritiva e perdeu sei lá mais de 40 quilos. Quanto à nutrição, esse é um ponto essencial na perda óssea relacionada com a idade. Os principais pilares do osso (cálcio, proteína e fósforo) têm recebido maior atenção. A má absorção do cálcio instala-se gradualmente com o avançar da idade. A redução na absorção do cálcio parece ser devida à queda de vitD com a idade. Além disso, os receptores da vitamina D estão em menor número na mulher idosa e na pós-menopausa. A!! Nos idosos, a síntese cutânea da vitamina D é bem menor quando comparada com os jovens devido ao envelhecimento da pele. Soma-se o fato de permanecerem mais em casa e, quando saem, cobrirem mais seus corpos com roupas, constituindo-se em um grupo de risco para deficiência de vitamina D. Um dos principais fatores de risco, como eu já mencionei lá em cima, vai ser o gênero. Essa diferença reside em dois fatores principais: 1 - o tamanho dos osso masculinos é frequentemente maior que dos ossos femininos. Isso contribui para a maior frequência de fratura osteoporótica nas mulheres. 2 - sabe-se que a diminuição da massa esquelética é primariamente causada pela queda dos hormônios gonadais dependente da idade. Então a queda brusca dos hormônios durante a menopausa está relacionada com a redução de massa óssea, enquanto, nos homens, o decréscimo é gradual. O sedentarismo também é fator de risco! Durante a atividade física há aumento do fluxo sanguíneo para os ossos, trazendo os nutrientes necessários, o que favorece sua formação. A!! Os pacientes confinados ao leito podem perder até 1% de osso trabecular por semana O tabagismo é outro fator de risco para OP. Os fumantes têm de 10 a 30% menos conteúdo mineral ósseo do que os não fumantes. O mecanismo não está claro, mas admite-se que seja multifatorial. DIAGNÓSTICO E MONITORAMENTO Como em outras patologias, o diagnóstico da osteoporose é feito pela história clínica, exame físico e exames subsidiários. Geralmente a osteoporose é pouco sintomática, às vezes só se manifesta por uma fratura. A dor dorsolombar é queixa comum; o espasmo muscular é a principal causa dos sintomas. Na história deve ser inquirida a idade da menopausa, presença de fator familiar, hábitos alimentares, atividade física, uso de café, cigarro ou álcool. No exame físico pode-se verificar deformidade da coluna; deve-se incluir dados de peso e altura, para acompanhamento. Os exames subsidiários utilizados são os laboratoriais e de imagem; os primeiros geralmente são normais na osteoporose primária. → Exames laboratoriais Os exames laboratoriais normalmente se mostram normais na osteoporose, o objetivo de pedir esses exames na verdade é observar se há fatores secundário determinantes para a perda de massa óssea mesmo na ausência de sinais e sintomas clínicos. Atualmente, a dosagem de vitamina D sérica tem sido incorporada a esse arsenal diagnóstico devido à grande prevalência de deficiência na nossa população. → Biomarcadores ósseos Os biomarcadores ósseos são produtos da degradação do osso, liberados para a circulação ou urina. São derivados de atividade osteoblástica e/ou osteoclástica durante as fases de formação e reabsorção óssea. A velocidade de formação ou degradação da matriz óssea pode ser determinada pela medida dos componentes da matriz óssea liberados na circulação durante a remodelação. O problema aqui é que nenhum desses marcadores é específico de osteoporose, eles podem ser muito influenciados por outros fatores como o ciclo circadiano, a precisão dos testes, etc. Por isso a gente não usa esse parâmetro aqui pra diagnóstico. Mas eles podem ser úteis em algumas situações: • Determinação do risco de fratura • Determinação da resposta terapêutica a alguns agentes antirreabsortivos • Identificação dos indivíduos com alto turnover ósseo, para predizer perda óssea rápida. Há boa correlação dos biomarcadores em relação à predição de fraturas. Altos níveis de biomarcadores de reabsorção estão associados a maior risco de fratura de quadril e vértebras, e a diminuição, decorrente de tratamento medicamentoso, leva à redução desse risco. → Radiografias convencionais A sensibilidade e a precisão das radiografias simples para determinar baixa massa óssea são fracas. As radiografias só mostrarão as alterações decorrentes da OP quando a perda de massa óssea atingir aproximadamente 30%. Então o diagnóstico então obtido é bastante tardio,e a prevenção das fraturas torna-se mais difícil. As radiografias devem ser solicitadas como mais um exame complementar, visando estabelecer a presença de fraturas vertebrais. Estão indicadas também nos indivíduos que perderam altura de maneira significativa e injustificada (radiografias de coluna torácica e lombar AP e perfil em ortostase) para confirmar a presença de fraturas em outros locais. As alterações que podem ser achadas são: - Radiolucência ou radiotransparência aumentada, traduzida como osteopenia - Afinamento da cortical - Desaparecimento primário das trabéculas horizontais, com persistência das verticais - Reabsorção óssea subperiosteal, com irregularidade da superfície óssea externa, é encontrada principalmente no hiperparatireoidismo primário ou secundário - Nas vértebras, perde-se inicialmente o “bojo” central, formado de osso trabecular, mais ativo metabolicamente do que o invólucro vertebral, formado de osso cortical. A vértebra passa a apresentar um aspecto de “moldura de quadro”. A!! Na presença de fratura por baixo impacto, independente da DMO, o paciente deverá ser considerado como osteoporótico. → Técnicas que medem a densidade óssea Elas podem diagnosticas as perdas ósseas, avaliar o risco de fratura e constatar resposta ao tratamento. DENSITOMETRIA ÓSSEA: é um termo usado para os métodos que são capazes de medir a quantidade de osso em uma área ou volume definido. Mede a densidade óssea, em valores absolutos (g/cm2 ), em todo o esqueleto ou em regiões específicas, comparando-os às curvas de normalidade, estabelecendo o diagnóstico precoce da doença, o nível de gravidade e o risco de fratura óssea. A densitometria óssea avaliada pela técnica DEXA é ainda hoje o padrão-ouro no diagnóstico da OP!!! A escolha do local de análise dependerá basicamente do tipo de OP que se esteja estudando, da idade do paciente, do tipo histológico de osso envolvido em cada caso e da presença de alterações morfológicas ou artefatos. Assim, mulheres na pós-menopausa apresentam perda basicamente de osso trabecular e devem ter a coluna lombar bem avaliada, assim como o fêmur proximal. Em indivíduos idosos, o fêmur proximal sempre será avaliado. A coluna lombar, se acometida por doença degenerativa, pode dar resultado falso-negativo para a osteoporose. O ideal é que se realize esse exame em todas as mulheres na perimenopausa!! → Biopsia óssea Sua indicação principal é a realização do diagnóstico diferencial das doenças osteometabólicas. O fragmento ósseo é retirado 2 cm abaixo da crista ilíaca anterossuperior. TRATAMENTO → Medidas preventivas não farmacológicas - Adequada nutrição - Bons hábitos de vida, incluindo exercícios físicos, evitando alcoolismo e tabagismo - Controle do ambiente para prevenção das quedas. Todos os consensos de osteoporose recomendam uma ingesta de 1.500 mg de cálcio para mulheres após a menopausa sem terapia estrogênica e 1.000 mg para os homens e mulheres em terapia estrogênica, diariamente, devendo ser aumentada para 1.500 mg/dia após os 65 anos!! Os exercícios mais benéficos para a estimulação óssea no idoso são realizados com carga, como a marcha, e contra a resistência, como a musculação leve. Alguns exercícios específicos, visando alongar a musculatura peitoral e fortalecer a musculatura paravertebral e abdominal, dão suporte à coluna e parecem ser benéficos nas pacientes com tendência à hipercifose dorsal. A atividade física deve ser realizada pelo menos 3 vezes/semana, em dias alternados, durante, no mínimo, 30 min. Caminhadas podem ser feitas diariamente, por um período de 40 min. Olha coloquei essa tabela mas ela é muito controversa. Leite e derivados não são uma boa fonte de cálcio → Medidas farmacológicas Vários são os agentes, cientificamente comprovados, que atuam sobre o metabolismo ósseo, porém nem todos são úteis para o tratamento. Citaremos aqui apenas os fármacos capazes de cumprir sua função, testados em estudos controlados e fidedignos. A primeira grande questão é: quem deverá ser tratado? Deve-se avaliar: • Fatores maiores de risco clínico • Baixa massa óssea • Marcadores ósseos elevados Deve-se chamar atenção para: • Mulheres com OP pós-menopáusica • Mulheres com fraturas atraumáticas e baixa DMO • Mulheres com T-score de DMOsão específicas. Inicialmente, é assintomática, dificultando a realização do diagnóstico. Com o avanço da clínica, o paciente se queixa de fraqueza muscular, especialmente proximal, marcha anserina, sensação de fadiga e humor deprimido, antecedendo a dor óssea difusa. Ocorrem deformidades esqueléticas no eixo axial, levando à cifose, escoliose e alterações na caixa torácica, pelve e ossos longos. Observa-se dificuldade para levantar-se de cadeiras e subir escadas. Devido à hipocalcemia, pode surgir tetania, com parestesia e cãibras nas mãos e ao redor dos lábios. Quando o comprometimento é grave, o paciente pode exibir marcha cambaleante com base alargada. DIAGNÓSTICO É feito pela clínica e exames radiológicos e laboratoriais. Apesar da fraqueza óssea que é característica dessa doença, o exame radiológico pode ser normal mostrando até maior densidade em algumas áreas pela formação de calos ósseos. Pode-se observar também osso amolecido que deformam-se facilmente. O disco intervertebral deslocado, deformando as vértebras, tornando-as uniformemente bicôncavas, lembrando vértebras de peixe. As pseudofraturas denominadas zonas de Looser são os achados patognomônicos. Constituem-se em faixas descalcificadas, rodeadas por tecido ósseo mais denso, perpendicular à superfície óssea e bilaterais e simétricas, correspondendo anatomicamente às artérias nutridoras A atividade paratireoidiana estimulada pode acarretar reabsorção de osso subperióstico dos metacarpos ou falanges. A calcemia tende a ser baixa, assim como a calciúria, devido à diminuição da absorção desse íon. O hiperparatireoidismo instalado estimula a reabsorção tubular renal de cálcio, baixando os níveis séricos do fósforo. Entretanto, em alguns casos podemos encontrar fósforo e/ou cálcio séricos elevados. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Nos pacientes com fraturas espontâneas e compressão vertebral, devemos fazer a diferença entre a OP e a osteomalacia. Embora a proporção de osteoide mineral seja mais alta na osteomalacia do que na OP, não existe técnica não invasiva para medir esse parâmetro. A distinção entre elas só é possível por meio de biopsia, quando a osteomalacia é moderada ou grave. TRATAMENTO O tratamento preventivo da deficiência de vitamina D pode ser alcançado por adequada exposição ao sol e suplemento da própria vitamina. Preconizam-se, pelo menos, 400 UI (10 mg) VO; porém, nos pacientes confinados, utilizam-se 1.000 UI/dia. Para os portadores de má absorção intestinal, prescrevem-se de 25.000 a 100.000 UI/dia de vitamina D2. Todos os pacientes deverão receber suplementação diária de sais de cálcio, por via oral, com as refeições. Recomenda-se 1 a 1,5 g de cálcio elementar de carbonato de cálcio ou 0,4 a 0,6 de cálcio elementar de citrato de cálcio. SARA LIANA CRUZ – MEDUNIME 2020.2 (BDF) OBJETIVO: DISCORRER SOBRE AS CAUSAS, FATORES DE RISCO, COMPLICAÇÕES, MEDIDAS DE PREVENÇÃO E OPÇÕES TERAPEUTICAS DAS QUEDAS E FRATURAS EM IDOSOS. Obs.: eu fiz tudo isso baseado em diversos artigos, acrescentando informações de um em outro, etc. e tentei manter uma ordem, pra ficar melhor o entendimento e não ter tantas repetições. INTRODUÇÃO visão geral sobre as quedas em idosos. O equilíbrio é resultado da interação harmônica de diversos sistemas do corpo humano: vestibular, visual, somatossensoial e musculoesquelético. Com o processo de envelhecimento, esses sistemas podem sofrer perdas funcionais que dificultam o funcionamento e a execução da resposta motora responsável pela manutenção do controle da postura e do equilíbrio corporal, o que, por sua vez, pode gerar prejuízos funcionais para o idoso em decorrência de quedas e aumentar os níveis de morbidade e mortalidade nessa população, como consequência de um fratura. O processo de envelhecimento populacional, inclusive, é verificado não só pela estrutura demográfica, mas pelas consequências na sociedade e no sistema de saúde, devido aos incidentes de quedas a qual os idosos estão suscetíveis e vulneráveis (houve aumento da população idosa entre os anos de 1997-2007 e associado a isso, o aumento dos índices de mortalidade por queda → dessa maneira, o fator queda na terceira idade é considerado um problema de saúde pública, por conta da grande incidência de hospitalização na população acima de 60 anos). A queda é entendida como o contato não intencional com a superfície de apoio, obtida como resultado de uma mudança de posição do indivíduo para um nível inferior da posição inicial que se encontrada, sem a existência de acidente inevitável ou fator intrínseco determinante e sem perda de consciência. → episódios de desequilíbrio que levam o idosos ao chão. A queda pode resultar ainda em consequências físicas, funcionais e psicossociais. Lesões teciduais graves e fraturas (principalmente de fêmur) trazem custos em internações e reabilitação desses idosos que na grande maioria não conseguem retornar ao estado funcional anterior a queda, limitando a mobilidade, tornando-se parcial ou totalmente dependente para atividades básicas e instrumentais de vida diária. A etiologia da queda é multifatorial, resultante da interação entre fatores predisponentes e precipitantes, que podem ser intrínsecos e extrínsecos. Os fatores intrínsecos são aqueles relacionados ao próprio indivíduo (redução da função dos sistemas que compõem o controle postural, doenças, transtornos cognitivos e comportamentais, apresentando incapacidade em manter ou para recuperar o equilíbrio, quando necessário. Os fatores extrínsecos, por sua vez, são aqueles relacionados ao ambiente, tais como iluminação, superfície para deambulação, tapetes soltos, degraus altos ou estreitos, piso escorregadio, objetos e/ou móveis em locais inadequados, escadas e rampas sem adaptações. A importância de identificar os fatores de risco para quedas em idosos está na possibilidade de planejar estratégias de prevenção, reorganização ambiental e de reabilitação funcional. Nesse contexto, faz-se necessário a abordagem multiprofissional para eficiência das estratégias propostas, a fim de minimizar o risco de quedas e, consequentemente, evitar a dependência e diminuir a morbidade e a mortalidade dos idosos. Deve-se criar planos de cuidados que envolvam medidas de prevenção aos fatores de risco, em atenção às quedas, baseado no vínculo com o idoso, familiares e cuidadores, gerenciando práticas educacionais para que sejam desenvolvidas na QUEDAS E FRATURAS EM IDOSOS SARA LIANA CRUZ – MEDUNIME 2020.2 (BDF) orientação quanto ao risco de quedas, bem como, aos seus familiares para preveni-las. FATORES RELACIONADOS A QUEDAS EM IDOSOS Segundo Relatório Global de Organização Mundial da Saúde sobre Prevenção de Quedas na Velhice, as ocorrências de quedas são resultadas da interação de fatores de risco, tendo como principais refletidos na diversidade de determinantes de saúde que, direta ou indiretamente, afetam o bem-estar. Como vimos, esses fatores de risco podem ser intrínsecos ou extrínsecos, → FATORES INTRÍNSECOS - De modo geral, as mudanças nos sistemas musculoesquelético, neuromuscular e sensorial são os grandes responsáveis pelos elevados índices de quedas na população idosa comprometendo o controle postural, a mobilidade funcional e o déficit de equilíbrio nos mesmos. - Idade: em um estudo que fez um teste de equilíbrio em um hospital com alguns idosos, percebeu-se que quanto maior a idade, mais eventos de queda são associados, devido à redução na qualidade e na quantidade das informações necessárias para controle postural eficiente. - Redução da acuidade visual: a visão é um componente importante para o equilíbrio. - Diminuição da força muscular; - Alterações osteomioarticulares; - Artrite; - Atrofia óssea: no caso das mulheres, a fragilidade óssea é ainda influencia pala menopausa. - Doenças relacionadas a idade: osteoporose, hipertensão,diabetes, déficits de vitamina D são algumas das morbidades que podem comprometer e fragilizar a estrutura de um ser humano. → idosos com maior número de doenças também aumentam a probabilidade de ocorrência de quedas, pois comprometem a capacidade de julgar uma queda e proceder à ação corretiva, bem como geram enrijecimento das articulações, limitações de mobilidade, diminuição da autonomia, diminuição do desempenho da marcha e de equilíbrio em níveis indesejáveis. - Desorganização dos processos centrais (SNC) → declínio cognitivo causa limitações como diminuição de capacidade de memória, coordenação, raciocínio, desorientação espacial. - Demência - Fragilidade do organismo e do equilíbrio vai diminuindo com o passar dos anos. - Sarcopenia é vista como o principal fator responsável pela redução da capacidade funcional do idoso que ocasiona diminuições da força muscular, no equilíbrio, na flexibilidade e na resistência aeróbia, dificultando a realização de tarefas simples do dia a dia como caminhas, subir escadas e carregar pequenos objetos. - Uso de medicamentos: alguns podem provocar sonolência, alteram equilíbrio, a tonicidade muscular e provocam hipotensão, alguns diuréticos fazem o idoso levantar à noite para urinar e facilita quedas e consequentes fraturas. Drogas mais frequentes relacionadas às quedas são: sedativos/hipnóticos, antidepressivos, diuréticos, anti-hipertensivos, vasodilatadores, anti-inflamatórios não esteroides, analgésicos, digitálicos e medicação tópica ocular. - Sedentarismo: leva o indivíduo a acelerar as perdas funcionais de forma mais rápida. - No sexo feminino é mais prevalente o risco de quedas por conta não só de fatores fisiológicos (osteoporose que pode ser causa pela baixa de estrogênio, maior risco para doenças crônicas), mas também pela exposição das mulheres aos serviços diários, → FATORES EXTRÍNSECOS - Superfície escorregadia: é o fator de risco com maior índice de ocorrência de acidentes domiciliares, aumenta a chance de queda e de fratura do fêmur, acidente comum e recorrente entre os idosos. - Presença de tapetes; - Mobiliário doméstico inadequado e mal posicionado (objetos desordenados); - Armários difíceis de alcançar; - Iluminação inadequada; - Interruptores inacessíveis; - Falta de corrimão nas escadas; - Degraus inadequados e sem sinalização ou sem piso antiderrapante; - Falta de barras de apoio nos banheiros; - Assentos sanitários de altura inadequada; - Camas de alturas inadequadas; - Cadeias de alturas incorreta e sem apoiadores laterais; SARA LIANA CRUZ – MEDUNIME 2020.2 (BDF) - Hábitos perigosos como subir em escadas móveis para alcançar armários altos; descer escadas carregando um objeto pesado ou deslocar-se rapidamente para o lado → COMPORTAMENTO IMPRUDENTE DOS IDOSOS está associado ao risco de quedas, estudos mostram dentre essas atitudes de risco estar em sala escura, não utilizar iluminação noturna e subir em banco para alcançar objetos. - Uso de calçados inadequados, - Estudos mostram que os principais locais de queda são no próprio local de moradia, em lugares importantes como cozinha e escadas (em primeiro lugar), seguidos pela sala, banheiro, quarto e quintal e, por último, corredor (conforme estudo realizado). - Falta de conhecimento sobre os riscos e a vulnerabilidade às quedas tanto por parte dos idosos como dos familiares, bem como outros traumas é também uma das causas – e devem ser orientados (medida de prevenção); - Problemas dos ambientes públicos: calçadas quebradas ou irregulares, iluminação pública insuficiente em locais como praças e ruas. - Fatores de risco socioeconômico identificados na literatura incluem baixa renda, pouca educação, habitação inadequada e a falta de interação social (falta rede social de apoio). → um estudo inclusive demonstrou uma associação entre a última renda recebida e o tipo de moradia. Os sujeitos com maiores rendas tiveram melhores desempenhos no teste de equilíbrio e menos episódios de quedas. Indivíduos com maior renda provavelmente tem mais acesso a recursos médicos e mais conhecimento sobre a prevenção de alterações corporais o que, direta ou indiretamente, pode levar à melhora de sua capacidade física. Em relação ao tipo de moradia, idosos que moravam em apartamentos tiveram melhor desempenho funcional (no teste de equilíbrio) do que aqueles que moram em casas – no estudo em questão, foi observado que os que viviam em apartamento tinham maiores rendas mensais, voltando a questão do conhecimento e acesso a saúde anteriormente citados. CONSEQUÊNCIAS DAS QUEDAS - É a sexta causa de morte na faixa etária de pessoas com 65 anos; - 5% das quedas resultam em lesões graves e ocasionam mais de 200 mil hospitalizações por fraturas de quadril a cada ano. - 64% das quedas ocasionam fratura (independente da região). A fratura é uma interrupção óssea ocasionada por um impacto de magnitude variável, que acarreta um significativo choque ao indivíduo idoso, comprometendo de forma negativa a independência da pessoa e pode leva-la a óbito. - As fraturas que incidem nos idosos são colo do fêmur, fraturas de quadril e fraturas proximais do úmero. As fraturas do fêmur proximal são as mais graves ocorridas, e requerem hospitalização e tratamento cirúrgico, e apresentam alto risco de morbidade e letalidade, sendo mais significativo em mulheres acima de 70 anos. - Os principais fatores citados na literatura que antecedem a mortalidade após a fratura são a idade, as comorbidades, o estado cognitivo, o tempo de espera entre a fratura e a cirurgia e o tipo de anestesia utilizada na realização desta. Algumas complicações apresentadas após as intervenções cirúrgicas também contribuem para o óbito, sendo que as principais são as infecções, seguidas de pseudoartrose e trombose venosa profunda. - Após realização do procedimento cirúrgico para correção da fratura (principalmente no caso das proximais de colo de fêmur), menos de 50% dos sobreviventes conseguem deambular sem ajuda e apenas 40% podem realizar a atividades da vida diária de forma independente, devido à redução na força muscular, o que torna vulnerável a novas quedas e com risco de sofrer uma fratura de quadril. - As fraturas têm como complicações mais comuns a infecção do trato urinário, trombose venosa profunda, parada cardiorrespiratória, hipotermia, constipação, confusão mental, distúrbios hidroeletrolítico, sepse e edema agudo de pulmão. Ademais, as complicações ortopédicas associadas a esse evento clínico englobam a infecção nos locais de trauma, necrose óssea, escaras de decúbitos, limitação à deambulação e dor. - Dependência, perda de autonomia, confusão, imobilização e depressão são consequências devido à ocorrência de quedas. - Entre as consequências mais relevantes, além do risco de fratura e de morte, é o medo da repetição do evento, que pode acarretar restrição nas atividades com consequente declínio da saúde, aumentando o risco de institucionalização. SARA LIANA CRUZ – MEDUNIME 2020.2 (BDF) - Sobre esse medo da repetição da queda, vale ressaltar ainda que não está relacionado somente ao medo de novas quedas, mas sobretudo, ao de machucar-se, ser hospitalizado, sofrer imobilizações, ter declínio de saúde, tornar-se dependente de outras pessoas. O medo de cair tem uma relação direta com a restrição nas atividades de vida diária e atividades sociais. Após a queda, a maioria dos idosos restringem as atividades funcionais de vida diária, como vestir-se, tomar banho e até locomover-se. EXTRA: AVALIAÇÃO DO RISCO DE QUEDA EM IDOSOS In Tratado de Geriatria e Gerontologia - Para avaliar o risco de queda em idosos, é necessário fazer testes de equilíbrio e mobilidade. - Testes de equilíbrio e mobilidade então incluídos no processo de avaliação geriátrica ampla (AGA) que visa a avaliação do paciente em vários domínios, sendomais comumente incluídos o físico (médico), o mental, o social, o funcional e o ambiental. - Para facilitar a avaliação geriátrica, são usados instrumentos capazes de detectar sinais de demência, delirium, depressão, efeitos colaterais medicamentosos, fragilidade, déficits visuais e auditivos etc., bem como de grandes síndromes geriátricas e perda do equilíbrio e da capacidade funcional. Esses instrumentos também são úteis para predizer prognóstico, tolerabilidade ao tratamento e riscos de morte e incapacidade. O conjunto dos instrumentos de avaliação – procedimentos, regras e técnicas – tem como meta avaliar o idoso de forma global. ➔ EQUILÍBRIO MOBILIDADE E RISCO DE QUEDAS Com o envelhecimento, o aparelho locomotor sofre importantes modificações. Por isso, a avaliação marcha e do equilíbrio são partes essenciais da AGA. É importante que, dentro do exame clínico tradicional, uma avaliação neurológica básica seja realizada, inclusive a pesquisa do sinal de Romberg para avaliação do equilíbrio: o indivíduo em posição ereta, pés unidos e olhos fechados, sendo que a positividade do teste ocorre quando há oscilações corpóreas e risco de queda em qualquer direção. O equilíbrio e a mobilidade são fundamentais para uma vida independente, sendo também avaliados por testes, dentre os quais destacamos os apontados a seguir. ❖ GET UP AND GO: Teste de levantar e andar - É realizado com o paciente levantando-se de uma cadeia reta e com encosto, caminhando três metros, voltando, após girar 180º, para o mesmo local e tornando a sentar-se. Assim, é possível avaliar seu equilíbrio sentado, durante a marcha e a transferência. - Pode ser interpretado como: 1. Normalidade; 2. Anormalidade leve; 3. Anormalidade média; 4; anormalidade moderada; 5. Anormalidade grave. Sendo que escore de 3 e mais pontos indica risco aumentado de quedas. ❖ TIMED GET UP AND GO: teste de levantar e andar cronometrado - Variante do teste anterior, mas mede o tempo de realização da tarefa. - Avaliação do tempo se dá da seguinte maneira: Tempo menor ou igual a 10 s indica que o paciente é independente, sem alterações; Entre 11 e 20s indica independente em transferências básicas, com baixo risco de quedas; Maior ou igual a 20s indica um paciente dependente em várias atividades de vida diária e na mobilidade, com alto risco de quedas. ❖ TESTE DE EQUILÍBRIO DE MARCHA - É fundamental para avaliar a instabilidade postural e a alteração de marcha, fatores que aumentam o risco de quedas. - Deve ser aplicado em indivíduos frágeis e no Brasil recebe o nome de Perfomance Oriented Mobility Asssessment (POMA). - A presença de sarcopenia interfere no equilíbrio e na mobilidade e consequentemente na predisposição à quedas. Portanto, faz-se necessária a identificação desse quadro. - É feita através da Escala de avaliação do equilíbrio e da marcha de Tinetti. SARA LIANA CRUZ – MEDUNIME 2020.2 (BDF) - O paciente deve estar sentado em uma cadeira sem braços, e as seguintes manobras são testadas: (Melhor visualização da escala ao final do doc). ❖ AVALIAÇÃO DE SARCOPENIA - Mensuração da massa muscular pode ser feita por meio de métodos antropométricos e/ou da bioimpedância e/ou densitometria corporal total. O desempenho muscular é avaliado principalmente pela velocidade da marcha e pelo teste do levantar e andar cronometrado (já citado) e a força muscular é avaliada principalmente pela força de preensão palmar. ❖ VELOCIDADE DE MARCHA - É medida pelo tempo, em segundos e milésimos de segundo, que o indivíduo leva para percorrer 4m. o cálculo é feito pela média de três tentativas (normal tem que ser maior que 0,8m/s) e avalia o desempenho muscular. ❖ CIRCUNFERÊNCIA DA PANTURRILHA - Medida mais sensível e mais utilizada para avaliar a massa muscular em idosos (normal é maior ou igual a 31cm). ❖ FORÇA DE PREENSÃO PALMAR - Se relaciona a força total do corpo; - É utilizado o dinamômetro manual modelo Jamar e é realizada com o indivíduo sentado com ombro aduzido e neutramente rodado cotovelo flexionado a 90°, antebraço em posição neutra e o punho entre 0° e 30° de extensão e 0° a 15° de desvio ulnar. O resultado é a média de três medidas realizadas no membro dominante com intervalo de 60 s entre cada medida. Os escores normais não apresentam consenso na SARA LIANA CRUZ – MEDUNIME 2020.2 (BDF) literatura; podemos utilizar para mulheres ≥ 20 kg e para homens ≥ 30 kg segundo o EWGSOP e 16 e 26 kg segundo o FNHI. Importante observar que os diversos instrumentos que avaliam o equilíbrio nos idosos apresentam particularidades e limitações distintas, portanto a aplicação conjunta de vários instrumentos avalia melhor o equilíbrio dos idosos. REFERÊNCIAS: OLIVEIRA, Adriana Sarmento de et al. Fatores ambientais e risco de quedas em idosos: revisão sistemática. Rev. bras. geriatr. gerontol., Rio de Janeiro, v. 17, n. 3, p. 637-645, set. 2014. Disponível em . Acesso em 08 nov. 2020. https://doi.org/10.1590/1809- 9823.2014.13087. FILHO, José Elias, et al. Prevalência de quedas e fatores associados em uma amostra comunitária de idosos brasileiros: uma revisão sistemática e meta-análise. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 35, n. 8, jun. 2018. Disponível em: http://cadernos.ensp.fiocruz.br/csp/artigo/836/prevalencia -de-quedas-e-fatores-associados-em-uma-amostra- comunitaria-de-idosos-brasileiros-uma-revisao-sistematica- e-meta-analise. acessos em 08 nov. 2020. http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00115718. dos Santos, M. F., Santana, V. S., Duarte, S. S., & Bezerra, S. A. (2019). IDOSOS HOSPITALIZADOS POR FRATURAS: UM OLHAR SOBRE A ESTRUTURA FAMILIAR E OS ASPECTOS SOCIAIS. Interfaces Científicas - Humanas E Sociais, 7(3), 93- 102. https://doi.org/10.17564/2316-3801.2019v7n3p93- 102 MEDEIROS, E. N., et al. Determinantes do risco de quedas entre idosos: um estudo sistemático. Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental [S.I], v. 6, n. 5, p. 111-120, 2014. Disponível em: https://www.sumarios.org/artigo/determinantes-do-risco- de-quedas-entre-idosos-um-estudo-sistem%C3%A1tico Acesso em 08 nov. 2020. 1. 2. 3. 4. 5. capaz de avaliar essas condições. Em 2003, ele foi adaptado para ser utilizado na população brasileira institucionalizada, recebendo o nome de Performance Oriented Mobility Assessment (POMA) Brasil, ainda carecendo, entretanto, de validação clínica, devendo ser aplicado em indivíduos frágeis (Tinetti, 1986; Gomes, 2003). A presença de sarcopenia (ver Capítulo 91) interfere no equilíbrio e na mobilidade e consequentemente predispõe a quedas. Portanto, faz-se necessária a identificação deste quadro. O Consenso Europeu elaborado pelo European Working Group on Sarcopenia in Older People (EWGSOP) define que o diagnóstico de sarcopenia é feito com a presença de diminuição da massa muscular associada a baixa função muscular (desempenho e/ou força muscular reduzidos) (Cruz-Jentoft et al., 2010). Quadro 15.1 Escala de avaliação do equilíbrio e da marcha de Tinetti. Equilíbrio Avaliação Pontuação O paciente deve estar sentado em uma cadeira sem braços, e as seguintes manobras são testadas: Equilíbrio sentado Escorrega 0 Equilibrado 1 Levantando Incapaz 0 Usa os braços 1 Sem os braços 2 Tentativas de levantar Incapaz 0 Mais de uma tentativa 1 Única tentativa 2 Assim que levanta (primeiros 5 s) Desequilibrado 0 Estável, mas usa suporte 1 Estável sem suporte 2 Equilíbrio em pé Desequilibrado 0 Suporte ou base de sustentação > 12 cm 1 6. 7. 8. 9. 10. 11. Sem suporte e base estreita 2 Teste dos 3 tempos (examinador empurra levemente o esterno do paciente, que deve ficar de pés juntos) Começa a cair 0 Agarra ou balança (braços) 1 Equilibrado 2 Olhos fechados (mesma posição do item 6) Desequilibrado, instável0 Equilibrado 1 Girando 360° Passos descontínuos 0 Passos contínuos 1 Instável (desequilíbrios) 0 Estável (equilibrado) 1 Sentando Inseguro (erra distância, cai na cadeira) 0 Usa os braços ou movimentação abrupta 1 Seguro, movimentação suave 2 Escore do equilíbrio /16 Marcha Avaliação Pontuação Início da marcha Hesitação ou várias tentativas para iniciar 0 Sem hesitação 1 Comprimento e altura dos passos a. Pé direito Não ultrapassa o pé esquerdo 1 Ultrapassa o pé esquerdo 0 Não sai completamente do chão 1 Sai completamente do chão 0 b. Pé esquerdo 12. 13. 14. 15. 16. ■ Não ultrapassa o pé direito 1 Ultrapassa o pé direito 0 Não sai completamente do chão 1 Sai completamente do chão 1 Simetria dos passos Passos diferentes 0 Passos semelhantes 1 Continuidade dos passos Paradas ou passos descontínuos 0 Passos contínuos 1 Direção Desvio nítido Desvio leve ou moderado ou uso de apoio 0 1 Linha reta sem apoio (bengala ou andador) 2 Tronco Balanço grave ou uso de apoio 0 Flexão dos joelhos ou dorso, ou abertura dos braços enquanto anda 1 Sem flexão, balanço, não usa os braços e nem apoio 2 Distância dos tornozelos Tornozelos separados 0 Tornozelos quase se tocam enquanto anda 1 Escore da marcha /12 Escore total /28 Interpretação: quanto menor o escore, maior é o problema; escoreque promovem escorregões; limpar imediatamente qualquer líquido, gordura ou comida que tenham sido derramados no chão; armazenar comida, louça e demais acessórios culinários em locais de fácil alcance; as estantes devem estar bem presas à parede e ao chão para permitir o apoio do idoso quando necessário; não subir em cadeiras ou caixas para alcançarar mários que estejam no alto; no piso, utilizar cera que, após a aplicação, não deixe o piso escorregadio; a bancada da pia deve estar a 80 a 90 cm do chão para permitir uma posição mais confortável ao se trabalhar. • Na escada: não deixar malas, caixas ou qualquer tipo de bagunça nos degraus; interruptores de luz devem estar instalados tanto na parte inferior quanto na parte superior da escada. Uma opção é instalar detectores de movimento, que fornecerão iluminação automaticamente; a iluminação deve possibilitar a visualização desde o início até o fim da escada, assim como das áreas de desembarque; remover os tapetes que estejam no início ou no fim da escada. Caso opte por aplicar carpete fixo na escada, selecionar um que tenha cor sólida (sem desenhos ou muitas formas), que não impeça a visualização nítida das bordas dos degraus; colocar tiras adesivas antiderrapantes em cada borda dos degraus; instalar corrimão por toda a extensão da escada e em ambos os lados. Os corrimãos devem estar a uma altura de 76 cm acima da escada. • Na sala e no corredor: organizar os móveis de maneira a deixar o caminho livre para que se possa circular sem ter que ficar se desviando muito; manter mesas de centro, portarevistas, descansos de pé e plantas fora da área de passagem; instalar interruptores de luz na entrada das GABRIELA CARVALHO BISPO - 2020 dependências, a fim de que não haja necessidade de andar no escuro até que se consiga ligar a luz. Interruptores que brilham no escuro podem ser úteis; deixar sempre o caminho. livre de obstáculos; manter fios de telefone, fios elétricos e de ampliação fora das áreas de trânsito, mas nunca debaixo de tapetes; não deixar extensões cruzarem o caminho; reorganizar a distribuição dos móveis; colocar nas áreas livres tapetes com fita adesiva de dupla face ou com a parte de baixo não deslizante; não sentar em cadeira ou sofá muito baixos. Consertar imediatamente as áreas em que o carpete esteja desgastado; remover peitoril de porta maior que 1,3 m. GABRIELA CARVALHO BISPO - 2020 REFERÊNCIAS: KANE, R.L. et al. Fundamentos de geriatria clínica. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. TOMASSO, A.B. et al. Guia prático de geriatria. Ed. Guanabara Koogan: SBGG, 2017. GABRIELA CARVALHO BISPO - 2020o primeiro sinal é a fratura, que representa o agravamento da doença, sendo as mais freqüentes as da coluna lombar, colo do fêmur e 1/3 médio do rádio. Contudo, deve-se observar no paciente a estatura, peso corporal, se há hipercifose dorsal, abdômen protuso, deformidades esqueleticas ou sinais fisicos de doenças associadas a osteoporose (ex.: artrite reumatoide, hipertireoidismo). Para complementar pesquisa, fazem-se necessários exames laboratoriais e densitometria ossea. Já na prevenção, é importante o exercicio fisico, dieta rica em cálcio (Mg, Zn, vit K e C), exposição solar, prevenir quedas, usar medicamentos. A sua incidência é crescente com a idade e apresenta alta mortalidade, com perda importante da qualidade de vida. O DM tipo I ocorre mais em jovens e é 10% dos casos, enquanto o DM II se apresenta em indivíduos > 45 anos e representa 90% dos casos. Desse modo, cabe aqui falar do tipo II que é atrelado à deficiência de insulina e tem como fatores de risco sobrepeso, antecedente família, HAS, colesterol HDL de 35 mg/dL, triglicerídeos de 150 mg/dL, histórico de DM gestacional ou macrossomia, SOP em mulheres, doenças cardiovasculares. O grande problema é que 50% dos portadores de DM II não sabem que são, porque tende a ser assintomática, além de que alguns casos são pré-diabéticos (hiperglicemia intermediária), logo, é importante enfatizar que diabéticos têm glicemia de jejum >/= 126 e TTG >/= 200, entretanto pré-diabéticos têm glicemia de jejum entre 110 e 125 e TTG entre 140 e 199. Os portadores de DM têm poliúria, polidipsia, polifagia e perda involuntária de peso, mas podem também ter fadiga, fadiga, letargia e etc. No idoso, o DM é decorrente de doença intercorrente, de uma manifestação de complicação, de exames de revisão. ✓ A poliúria no idoso muitas vezes não é pensada como DM e sim como hipertrofia prostática, cistites e incontinência urinária. É mais frequente em idosos de 65 a 74 anos e do sexo feminino nos idosos são mais frequentes as dislipidemias secundárias a hipotireoidismo (principalmente nas mulheres), diabetes mellitus, intolerância à glicose, síndrome nefrótica, obesidade, alcoolismo ou uso de medicamentos, como diuréticos tiazídicos e bloqueadores beta-adrenérgicos não seletivos. Esses indivíduos apresentam discretas elevações de triglicerídeos, colesterol LDL e colesterol total. A obesidade, HAS e DM II são fatores de risco para a dislipidemia, assim como é mais prevalente em mulheres pós-menopáusicas. A dislipidemia é considerada um fator de risco para inúmeras doenças, como as cerebrovasculares, cardiovasculares, psiquiátricas. Nas Instituições de Longa Permanência, cerca de 50%, dos residentes são portadores de algum problema psiquiátrico, sendo que os quadros demenciais são os mais comuns seguidos por problemas comportamentais e depressão. Embora a maioria das pessoas idosas possa ser considerada mentalmente saudável, elas são tão vulneráveis aos distúrbios psiquiátricos quanto os mais jovens. é uma doença que afeta aproximadamente 5% dos idosos aos 65 anos de idade e 20% daqueles com 80 anos ou mais. A demência é uma síndrome clínica decorrente de doença ou disfunção cerebral, de natureza crônica e progressiva, na qual ocorre perturbação de múltiplas funções cognitivas, incluindo memória, atenção e aprendizado, pensamento, orientação, compreensão, cálculo, linguagem e julgamento. Todas as demências têm em comum um grave prejuízo nas atividades de vida diária (profissional e social) e na habilidade de aprender novas informações, sendo elas as principais causas de incapacidade e dependência na velhice, bem como motivo de atendimento de urgência. As síndromes demenciais são caracterizadas pela presença de declinio progressivo na função cognitiva, com maior ênfase na perda de memória, e interferência nas atividades sociais e ocupacionais. Contudo, só podem ser definidas quando o diagnostico de delirium for afastado, desse modo: ✓ Delirium: inicio agudo, dura dias/semanas, curso flutuantes, desorientação intensa e precoce, atenção muito alterada, alucinações são frequentes, ansiedade, irritabilidade, hiper/hipoativo. ✓ Demência: tem inicio insidioso, duração crônica, curso normal, desorientação tardia, atenção pouco alterada, alucinações são raras, lábil, psicomotricidade preservada. Alterações metabólicas Transtornos psiquiátricos ✓ Transtorno Cognitivo Leve (TCL): caracterizada por queixa de memoria, déficit de memoria indicado por testes, funções cognitivas gerais normais, atividades socio-ocupacionais intactas, ausência de demência. Porém, apesar de não ser uma demência, há um risco maior para a desenvolver nos portadores de TCL. Após a demência ter sido escolhida como diagnostico, é importante defini-la como reversível (HPIA – ataxia + demência + IU, deficiência de vitamina B12, hipotireoidismo, pelagra/déficit de niacina, hematoma subdural, demência por traumatismo craniano) ou irreversível/degenerativas (Alzheimer, doença vascular, demência frontotemporal, demência por corpúsculos de Lewy e etc). MINAYO, M C s. Problemas de saúde e vulnerabilidade da população idosa. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 21, n. 11, p. 354-366, nov. 2016. referência João Victor Cedraz de Menezes – 2020.2 ADENOCARCINOMA DE PRÓSTATA O adenocarcinoma de próstata tem elevada importância devido a sua alta incidência e prevalência em todo o mundo e sua potencialidade em ser precocemente diagnosticado e tratado de forma curativa. Depois dos canceres dermatológicos, é o câncer mais comum em indivíduos do sexo masculino, sendo umas das principais causas de morte em homens. INCIDÊNCIA E PREVALÊNCIA A maioria dos diagnósticos desse tipo de câncer tem sido em uma faixa etária que se estende de 45-89 anos, tendo como idade média 72 anos. A detecção precoce de casos de câncer da próstata tem sido mais frequente devido não só à conscientização populacional no que se refere à prevenção como também à eficácia dos métodos de rastreamento, em especial o toque retal, associado à dosagem sérica do antígeno prostático específico (PSA). Evidências estatísticas sugerem que aproximadamente 19,8% dos homens acima de 50 anos de idade desenvolverão esse câncer ao longo da vida. Sua incidência aumenta com a idade, atingindo 50% dos indivíduos com 80 anos e aproximadamente 100% dos homens com 100 anos de idade ou mais. Estima-se que 13% desses tumores têm caráter indolente, assintomático, não configurando causa de óbito nos seus portadores. ETIOLOGIA O crescimento do câncer da próstata depende assim da perda do equilíbrio entre a proliferação e a morte celular programada geneticamente. Em condições normais, estima-se um tempo de turnover celular de cerca de 500 dias. O surgimento de lesões precursoras do câncer, como lesões intraepiteliais (PIN), envolve aumento nos ritmos de proliferação e de morte celular, abrindo caminho para mutações genéticas, redução posterior da morte celular programada e consequente elevação da replicação celular displásica. Aproximadamente 9% de todos os cânceres prostáticos e 45% dos casos diagnosticados abaixo dos 55 anos de idade podem ser atribuídos à suscetibilidade genética, caracterizada pela presença de um alelo autossômico dominante. Os genes supressores de tumor, principalmente os genes p21, p53 e Rb, durante o processo de envelhecimento, tendem a perder suas funções, favorecendo replicação desordenadas, disfunções na metilação do DNA celular, inativação da glutationa s-transferase, com posterior elevação do aumento da oxidação intracelular, culminando com o surgimento do câncer. Mutações nos receptores andrógicos das células prostáticas nas hormônios-dependentes como nas hormônio-independentes também parecem influenciar no surgimento de células neoplásicas. Transformações nos fatores de crescimento intraprostáticos também geram uma estimulação indevidade crescimento e proliferação celular. Foram descritas ações pró-neoplásicas na ação patológica de substâncias como peptídios neuroendócrinos, fatores de crescimento derivados de plaquetas epidérmicos, assim como fatores de crescimento provenientes de células ósseas. FATORES DE RISCO Idade : a prevalência do câncer da próstata aumenta com a idade. Após os 50 anos, tanto a incidência como a mortalidade se elevam exponencialmente. A probabilidade de se desenvolver o câncer de próstata abaixo dos 39 anos de idade é muito pequena,culturais, sociais e psicológicos. FISIOPATOLOGIA Os corpos cavernosos contêm os chamados espaços lacunares onde o sangue se acumula após o relaxamento da sua musculatura lisa. O fluxo sanguíneo para os corpos cavernosos é trazido pelas artérias peniana e cavernosa. A própria tumescência peniana comprime as vias de drenagem venosa, o que impede o escoamento do sangue e ajuda na manutenção da ereção. A inervação parassimpática, que vem dos plexos sacrais, é responsável pelo processo de ereção, enquanto os nervos da cadeia simpática, ao liberarem norepinefrina, levam à vasoconstrição e à perda da ereção. O relaxamento da musculatura lisa é regulado por um mensageiro químico intracelular o GMP, que estimulado pelo óxido nítrico, que, por sua vez é liberado em terminações nervosas parassimpáticas. Com isso, as células musculares lisas dos corpos cavernosos se contraem e o fluxo de sangue é reduzido, o que leva à perda da ereção. Todo esse mecanismo depende do funcionamento adequado da inervação peniana, das artérias e de uma anatomia peniana intacta. Danos nessas estruturas podem causa disfunção erétil. Por exemplo, traumas em atividades cotidianas, como ciclismo, ou irradiação em tratamentos de tumores. Além disso, outras situações podem ser associadas a DE: obstrução do fluxo arterial por doença aterosclerótica, anormalidades anatômicas causadas por patologias. Modificações estruturais das moléculas de colágeno relacionadas com o processo de envelhecimento podem aumentar a vulnerabilidade da anatomia peniana a essas doenças. FATORES DE RISCO E CAUSAS DE DISFUNÇÃO ERÉTIL A DE é causada, 80% das vezes, por patologia orgânica, sendo que a etiologia mais comum é vascular. Fatores de risco para doença vascular (hipertensão, tabagismo, dislipidemia) estão presente com frequência em pacientes com DE. O inverso também é verdadeiro, ou seja, a prevalência de DE é mais alta entre homens com esses mesmos fatores de risco, mesmo que eles não tenham sinais clínicos de doença vascular. Além disso, parece que a DE é um marcador de patologia cardiovascular nos seus estágios iniciais, muitas vezes antecedendo por vários anos eventos catastróficos como acidente vascular encefálico (AVE) ou infarto agudo do miocárdio e também ocorrendo provavelmente antes que haja doença vascular obstrutiva peniana importante. As doenças endócrinas mais comumente associadas à DE são o hipogonadismo, as doenças da tireoide João Victor Cedraz de Menezes – 2020.2 (hipo ou hiper), a hiperprolactinemia e o diabetes melito. As insuficiências renal e hepática são patologias sistêmicas metabólicas que causam DE. A hipertrofia prostática benigna também está associada a dificuldades com ereção. Doenças neurológicas são comumente associadas à DE entre idosos. As mais importantes são a neuropatia relacionada com o diabetes melito, sequelas de AVE e o mal de Parkinson. A prostatectomia radical, assim como outros procedimentos cirúrgicos menos extensos envolvendo órgãos da região pélvica masculina, pode causar dano neurológico e DE. A DE é muitas vezes de origem multifatorial, mesmo entre aqueles com menos de 60 anos. De maneira geral, podemos afirmar que patologias vasculares e hipogonadismo são as causas mais comuns no grupo com mais do que 60 anos, enquanto depressão e problemas conjugais são mais importantes no grupo com menos do que 60 anos TRATAMENTO Não aprofundei muito aqui. Mas varia conforme a etiologia, se essa for identificada. No entanto, as intervenções que visam modificar o estilo de vida são muito importantes. Estas incluem exercício físico, mudanças na dieta, perda de peso, cessação do tabagismo e ingesta de álcool moderada. Em relação à atividade física devem ser recomendados exercícios aeróbicos de intensidade moderada, feitos regularmente, por cerca de 30 min na maioria dos dias da semana, ou cerca de 150 min por semana. CONSTIPAÇÃO INTESTINAL Constipação intestinal é uma expressão usada para descrever a dificuldade de eliminar fezes associada a um conjunto de sinais e sintomas. Comumente observa-se a diminuição da frequência nas evacuações e do volume de fezes, em geral com consistência endurecida e sensação de evacuação incompleta, plenitude, desconforto abdominal ou necessidade de manobras facilitadoras para a saída do bolo fecal. A todos esses sintomas, associam-se também hiporexia, anorexia, náuseas e vômitos. Apenas ¼ de todos os pacientes que se consideram constipados têm menos de três evacuações por semana. Evacuações diárias não são, necessariamente, indicativas de normalidade da função intestinal. A frequência normal de evacuação tem grande variabilidade individual. O intervalo usual é de 1 a 3 vezes/dia a 3 vezes/semana. Entretanto, menos de 3 vezes/semana pode ser considerado normal se isso não representa uma mudança da frequência habitual de evacuação e não está associado a desconforto. A incidência cumulativa de constipação intestinal crônica é mais elevada em idosos quando comparados à população mais jovem (aproximadamente 20%). Essa incidência pode ser explicada por uma série de fatores extrínsecos ao cólon, como o sedentarismo, a redução na ingestão de fibras e líquidos, as alterações hormonais. Uma possível causa para distúrbios do trânsito seria a redução dos neurônios do plexo mioentérico associada ao envelhecimento. No entanto, pouco é conhecido sobre a regulação do trânsito colônico em idosos e eventuais modificações desta em relação a faixas etárias mais jovens. João Victor Cedraz de Menezes – 2020.2 O diagnóstico correto de constipação intestinal deve, portanto, fundamentar-se na avaliação criteriosa de parâmetros que compreendam não somente a frequência das evacuações, mas também as características das fezes produzidas e alguns sinais e sintomas de grande relevância. A constipação intestinal pode ser considerada crônica quando essa condição persistir por pelo menos 3 meses e cujo surgimento tenha ocorrido há pelo menos 6 meses. É importante salientar que os sintomas associados à constipação intestinal no paciente idoso impactam significativamente a qualidade de vida desses pacientes e apresentam potencial para provocar ou acelerar declínios funcionais. DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA – DPOC A DPOC é definida como uma doença evitável e tratável, caracterizada por limitação crônica e progressiva ao fluxo aéreo, associada a uma resposta inflamatória crônica e exacerbada nas vias respiratórias a partículas e gases. Geralmente é diagnosticada em indivíduos de meia-idade ou idosos com história de tabagismo prévio, cuja sintomatologia não pode ser atribuída a outras patologias, como bronquiectasias ou asma brônquica. É uma patologia comum, afetando mais de 5% da população e levando a grande morbimortalidade. Estabelecer um correto diagnóstico desta enfermidade é de extrema importância, uma vez que o tratamento adequado pode reduzir os sintomas, a frequência e a gravidade das exacerbações, melhorar o status clínico, a qualidade de vida e a capacidade de exercício e prolongar a sobrevida. A DPOC representa um problema crescente de saúde pública, cuja prevalência varia conforme a definição utilizada e pelos hábitos relacionados ao consumo do tabaco. O principal fator de risco é o tabagismo, tornando-a uma enfermidade prevenível e tratável, com tempo de latência de 20 a 30 anos. João Victor Cedraz de Menezes – 2020.2 PATOLOGIA No passado, a terminologia “bronquite crônica” e “enfisema” era aplicada. Embora esta divisão didática seja utilizada, ambos os aspectos clínicos e patológicos são encontrados nos pacientes com DPOC. As alterações patológicas da DPOC predominam nas vias respiratórias, porém alterações também são vistas no parênquima e na vasculatura pulmonares. Enfisema é caracterizado pela destruição das paredes dos alvéolos, levando ao aumento anormal dos espaços aéreos distais ao bronquíolo terminal (bronquíolorespiratório, ductos e sacos alveolares e alvéolos) e perda da elasticidade pulmonar. Existem 3 subtipos de enfisema, o centrolobular, o panacinar e parasseptal. A bronquite crônica é definida pela presença de tosse produtiva persistente, por 3 meses em 2 anos consecutivos, em que outras causas de tosse crônica, como, por exemplo, bronquiectasias, foram excluídas. É caracterizada por inflamação crônica (presença de linfócitos T CD8+, neutrófilos e macrófagos-monócitos CD68+ nas vias respiratórias), hiperplasia das glândulas produtoras de muco localizadas entre a membrana basal e a placa cartilaginosa das vias respiratórias centrais e aumento do número de células caliciformes presentes no epitélio das vias respiratórias. Também são observadas alterações vasculares em pacientes com DPOC, observa-se hiperplasia da íntima e hipertrofia e hiperplasia da musculatura lisa as artérias pulmonares de pequeno calibre, secundárias à vasoconstrição hipóxica crônica. A destruição dos alvéolos observada no enfisema leva a perda do leito capilar relacionado a estas áreas. Estas alterações resultam em aumento da resistência vascular pulmonar, remodelamento vascular e hipertensão arterial pulmonar irreversível. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Os pacientes suspeitos de DPOC queixam de sintomas respiratórias crônicos, que limitam as atividades diárias, particularmente a dispneia. Os achados clínicos que levam à suspeição de DPOC são idade avançada, hábito do tabagismo atual ou passado, início insidioso de dispneia com progressão lenta, sibilância, tosse crônica, João Victor Cedraz de Menezes – 2020.2 produção de expectoração. A tosse com expectoração mucoide pode preceder a dispneia na DPOC em vários anos, sendo geralmente matinal nas fases iniciais da doença. Os achados na doença avançada são aumento do diâmetro anteroposterior do tórax (tórax em tonel), rebaixamento do diafragma e hipersonoridade, manifestados pela percussão, evidenciando hiperinsuflação dinâmica, aumento do tempo expiratório e uso da musculatura acessória da respiração. As bulhas cardíacas podem estar hipofonéticas e a ausculta do tórax pode revelar diminuição do murmúrio vesicular, roncos, sibilos e estertores. A cianose pode aparecer na presença de hipoxemia. Edema dos membros inferiores, turgência jugular patológica e congestão hepática podem surgir no cor pulmonale. Pacientes com doença avançada podem adotar posturas que aliviam a dispneia, como a posição sentada levemente inclinada para frente, com braços apoiados e semiflexionados sobre a coxa. Pode-se verificar ainda a respiração por lábios cerrados, o uso de musculatura acessória da respiração, retração paradoxal dos espaços intercostais inferiores durante a inspiração e asterixe secundário a hipercapnia acentuada. COMORBIDADES DPOC está frequentemente associada a várias manifestações sistêmicas, que podem influenciar significativamente a qualidade de vida do paciente. Osteoporose, síndromes neuropsiquiátricas, doença cardiovascular disfunções musculoesqueléticas e baixo IMC são comorbidades frequentemente encontradas nos pacientes com DPOC. EXACERBAÇÕES DA DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA A exacerbação na DPOC representa um importante fator prognóstico. O risco de desenvolvimento de exacerbação correlaciona-se com idade avançada, presença de tosse produtiva, tempo de doença, história de antibioticoterapia prévia, hospitalizações no último ano relacionadas à doença, hipersecreção de muco, uso de teofilina, pior função pulmonar, presença de marcadores inflamatórios séricos em níveis elevados, presença de refluxo gastresofágico e comorbidades. As exacerbações podem ser acompanhadas de rinorreia, odinalgia, febre e opressão torácica. Pacientes com DPOC apresentam, em média, 1 exacerbação importante por ano, que pode levar a deterioração permanente da função pulmonar, e algumas exacerbações de menor magnitude, que não requerem intervenção terapêutica. As infecções respiratórias são consideradas as principais causas de exacerbações (aproximadamente 70%), embora os microrganismos comumente implicados possam ser identificados no escarro mesmo durante os períodos de estabilidade clínica. Os vírus rinovirus, influenza, parainfluenza e vírus sincicial respiratório, e bactérias como Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis são comumente implicados nas exacerbações. Poluição atmosférica por partículas de diesel, dióxido de enxofre, ozônio e dióxido de nitrogênio, embolia pulmonar, isquemia miocárdica, insuficiência cardíaca e broncoaspiração estão associados com maior incidência de hospitalizações. A avaliação e o manuseio das exacerbações dependem da gravidade. SARA LIANA CRUZ – MEDUNIME 2020.2 (BDF) OBJETIVO: ELUCIDAR AS DOENÇAS MAIS PREVALENTES QUE ACOMETEM OS IDOSOS (EPIDEMIOLOGIA, ETIOLOGIAS E MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS) DOENÇA DIVERTICULAR Consiste de: - Diverticulose: presença de divertículos assintomáticos no cólon. - Diverticulite: inflamação de um divertículo (manifestações associadas aos divertículos). - Sangramento diverticular Os divertículos são protusões saculares da mucosa através da parede muscular do cólon. A protusão ocorre em áreas de fragilidade da parede intestinal onde vasos sanguíneos podem penetrar. Medem geralmente entre 5 e 10mm; Com o passar dos anos a musculatura dos cólons vai perdendo a elasticidade e podem formar divertículos. A doença divercular do cólon é rara abaixo dos trinta anos de idade e atinge 30% da população na quinta década da vida e entre os 80 e 90 anos a incidência chega a ser acima de 70%. DOENÇA DIVERCULAR DO CÓLON É caracterizada pela herniação da mucosa através de defeitos na camada muscular da parede do cólon, acompanhada de espessamento muscular. Na maioria dos casos é assintomática, mas também pode estar associada a sintomas e complicações, como hemorragias e diverticulite aguda (quando há sinais evidentes de inflamação). TIPOS DE DOENÇA DIVERTICULAR - Pode ser simples, onde 75% não tem complicações; - E podem ser complicadas, 25% apresentam abscessos, fístulas, obstruções, peritonite ou sepse. EPIDEMIOLOGIA - A doença divercular é mais comum em pessoas mais velhas, com apenas 2 a 5% dos casos ocorrendo abaixo de 40 anos. Existe, ainda, uma prevalência da doença e o aumento da idade: afeta 65% daqueles com idade igual ou superior a 65 anos. Na maioria dos estudos publicados, a ocorrência entre homens e mulheres tem sido praticamente igual. ETIOLOGIA - Há vários elementos reunidos para explicar a gênese da DD, o que reflete a impossibilidade de se encontrar um único fator que possa justificar sua etiologia de maneira plena. - O aumento da incidência tem relação com a redução da ingestão diária de fibras que tem ocorrido desde os finais do século XIX e início do século XX, com a introdução de novas técnicas de moagem que vieram a retirar grande parte do conteúdo de fibras da farinha. → as fibras alimentares são agentes protetores contra a formação de divertículos e, consequentemente, da diverculite; as fibras insolúveis causam formação de fezes mais volumosas, que levam a uma efetividade reduzida nos movimentos de segmentação do cólon. O resultado disso é que a pressão intraluminal permanece próxima à normal durante a peristalse do cólon. - Observa-se o risco aumentado de desenvolvimento de DD associado à dieta rica em carne vermelha e gordura. - Causa funcional, como constipação. - Estresse - Dieta rica em alimentos industrializados, altamente refinados: os alimentos refinados e a dieta altamente pobre em resíduos podem afetar a pressão intracólica e ser estímulos para uma atividade muscular aumentada, não só por causa da ausência de massa, como também por prováveis distúrbios motores pré- existentes, ambos contribuindo para uma atividade muscular exagerada, como pôde ser comprovado pela espessura da parede docólon devida à hipertrofia das camadas circulares e longitudinais de suas DOENÇAS MAIS PREVALENTES EM IDOSOS SARA LIANA CRUZ – MEDUNIME 2020.2 (BDF) musculaturas31 que, aliás, precedem o aparecimento do divertículo. COMPLICAÇÕES A doença diverticular pode levar a algumas complicações, como: - Obstrução: diverticulite aguda pode levar à oclusão parcial do cólon por edema ou por compressão por abscesso; - Abscesso; - Perfuração; - Fístulas; - Hemorragia: A Doença Diverticular permanece a causa mais comum de sangramento gastrintestinal baixo maciço, responsável por 30 a 50% dos casos. Estima-se que 15% de todos os pacientes com diverticulose apresentarão sangramento em algum momento de suas vidas. A hemorragia geralmente é abrupta, indolor e de grande volume, sendo 33% maciças, exigindo hemotransfusão de emergência. A hemorragia diverticular é uma possível complicação da doença diverticular do cólon, ocorrendo em cerca de 10-30% dos idosos com diverticulose, e é a causa responsável pela maioria das hemorragias digestivas baixas em idosos (cerca de 40% dos casos), seguida pelas hemorragias provocadas por angiodisplasia (até 20% dos casos). NEOPLASIAS E DOENÇAS ORIFICIAIS ➔ DOENÇAS ORIFICIAS 1. HEMORROIDAS - As hemorroidas caracterizam-se por dilatações de veias do plexo hemorroidário existente no canal anal e podem ocorrer em ambos os sexos. Apresentam maior prevalência entre 45-65 anos, embora possam ocorrer em qualquer faixa etária. 50% da população acima de 50 anos apresenta algum grau de dilatação do plexo hemorroidário. - Os principais fatores que levam ao surgimento das hemorroidas são constipação intestinal, hábitos defecatórios errôneos, predisposição familiar, diarreia crônica, posição ortostática do ser humano. - Se classificam de acordo com a classificação (hemorroida interna, externa ou mista). - As hemorroidas internas podem ainda ser classificadas de acordo com a extensão do prolapso do mamilo hemorroidário, podem ser de 1º, 2º, 3º ou 4º grau. 2. FISSURAS ANAIS - É uma úlcera linear envolvendo a metade inferior do canal anal, em geral localizada na comissura posterior na linha média. A localização pode variar, mas cerca de 80% encontram-se na linha média posterior. - A causa exata das fissuras anais é desconhecida, mas muitos fatores parecem prováveis, como a passagem de fezes volumosas e duras, que pode ser o fator iniciante, dieta inapropriada, operação anal prévia, trabalho de parto laborioso e abuso de laxantes. Muitos autores têm assinalado pressões maiores que as normais no estado de repouso do canal anal e também fluxo sanguíneo anal reduzido na linha média posterior. Portanto, acredita-se que as fissuras anais são o resultado de hipertonia do esfíncter anal e isquemia mucosa subsequente. → pensar que no caso dos idosos a peristalse diminui, aumentando o risco para constipação e para fezes mais duras. 3. ABSCESSOS E FÍSTULAS PERIANAIS - Abscessos e fístulas perianais são considerados apresentação distinta de uma mesma patologia, os primeiros. - Abscesso perianal pode ser provocado por traumas locais, corpo estranhos, neoplasias locais, doença inflamatória intestinal, dentre outros. Inicia-se com uma obstrução das glândulas anais localizados na cripta anal (linha pectínea), essa secreção em contato com as fezes forma o abscesso perianal, com uma variedade de apresentações. - Acomete mais homens entre a quarta e a sexta década de vida. Inicia-se geralmente com dor local, de início súbito, com piora aos movimentos e esforço físico. Se não tratado, evolui com edema e rubor local. Febre pode ocorrer em pacientes com comorbidades, como diabetes ou abscessos maiores. - A fístula perianal é consequência de um abscesso formado nessa região, através da eliminação natural da secreção contida nesse abscesso por um orifício na região perineal. A fístula então é o resultado da cura espontânea do abscesso, comunicando a região interna do canal anal ou reto até a região externa. Nem SARA LIANA CRUZ – MEDUNIME 2020.2 (BDF) todo abscesso resulta em fístula, porém toda fístula já formada pode novamente infectar formando um novo abscesso. A principal queixa é a saída de secreção, seroa ou purulenta, pelo orifício externo da fístula, podendo estar associado a dor ou desconforto local, além de prurido anal. ➔ NEOPLASIAS → NEOPLASIA GÁSTRICA - O câncer gástrico (CG) é a segunda maior causa de mortes relacionadas com neoplasias. É considerada doença típica do idoso, com pico de incidência ocorrendo na sétima década de vida. No Brasil dados de 2008 e 2009 mostram o CG como a 3a neoplasia mais incidente no sexo masculino (atrás apenas de próstata e pulmão) e 5a no sexo feminino (atrás de mama, colo do útero, cólon/intestino e pulmão) - Estudos epidemiológicos demonstraram prevalência mais alta de infecção pelo H. pylori em pacientes com CG. Em idosos, a positividade dos testes para H. pylori está associada a aumento de até 8 vezes no risco de desenvolver CG. HIPERTENSÃO ARTERIAL NO IDOSO - A HA é a doença crônica não transmissível mais predominante entre os idosos. - Sua prevalência aumenta progressivamente com o envelhecimento, sendo considerada o principal fator de risco cardiovascular modificável na população geriátrica. - Existe uma relação direta e linear da PA com a idade, sendo a prevalência de HA superior a 60% na faixa etária acima de 65 anos. - O estudo de Framingham aponta que 90% dos indivíduos com PA normal até os 55 anos desenvolverão HA ao longo da vida. Além disso, mostra que tanto a PAS quanto a PAD, em ambos os sexos, aumentam até os 60 anos, quando a PAD começa a diminuir. Por outro lado, a PAS segue aumentando de forma linear. - A alta prevalência de outros fatores de risco concomitantes nos idosos e consequente incremento nas taxas de eventos cardiovascular, bem como a presença de comorbidades, ampliam a relevância da HA com o envelhecimento. → POR QUE OCORRE HA NOS IDOSOS? (mesmo que eles tenham PA normal ao longo da vida) - O envelhecimento vascular é o aspecto principal relacionado à elevação da PA em idosos, caracterizado por alterações na microarquitetura da parede dos vasos, com consequente enrijecimento arterial. Grandes vasos, como a aorta, perdem sua distensibilidade e, apesar de os mecanismos precisos não estarem claros, envolvem primariamente mudanças estruturais na camada média dos vasos, como fratura por fadiga da elastina, depósito de colágeno e calcificação, resultando no aumento do diâmetro dos vasos e da EMI. - Clinicamente, a rigidez da parede das artérias se expressa como HSI, condição com alta prevalência na população geriátrica e considerada um FR independente para aumento da morbimortalidade CV. Outras consequências são o aumento da VOP e a elevação da PP. - Estima-se que 69% dos idosos com antecedente de IAM, 77% com antecedente de AVE e 74% com histórico de IC tenham diagnóstico prévio de HA. Apesar de os indivíduos nessa faixa etária serem mais conscientes de sua condição e estarem mais frequentemente sob tratamento do que os hipertensos de meia-idade, as taxas de controle da PA nos idosos são inferiores, em especial após os 80 anos. - O tratamento não medicamentoso deve ser encorajado em todos os estágios da HA e baseia-se na prática de um estilo de vida saudável. Apesar de ser simples e de aparente fácil adoção, encontra grande resistência, pois implica mudanças de hábitos antigos. - As principais orientações de MEV que comprovadamente reduzem a PA e minimizam o risco cardiovascular são: atividade física, abandono do tabagismo, diminuição do peso quando elevado e dieta balanceada (hipossódica, rica em frutas e verduras). Esse tipo de terapêutica é recomendado para os idosos, sendo benéfica a redução moderada de sal na dieta. Essa MEV é uma das mais bem estudadas como intervenção para o controle da PA; verifica-seque a redução da PA geralmente é mais significativa quando levamos em conta adultos mais velhos. - Os benefícios da atividade física regular nos idosos extrapolam em muito a redução da PA, pois propiciam melhor controle de outras comorbidades, reduzindo o SARA LIANA CRUZ – MEDUNIME 2020.2 (BDF) risco cardiovascular global. Além disso, é capaz de diminuir o risco de quedas e depressão, promovendo a sensação de bem-estar geral, melhorando a autoconfiança e a qualidade de vida HA SECUNDÁRIA EM IDOSOS Um aspecto que merece destaque é a possibilidade de HA secundária no idoso, cujas causas mais frequentes são estenose de artéria renal, síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono (SAHOS), alterações de função tireoidiana e uso de medicamentos que podem elevar a PA. Investigação de HA secundária em idosos pode ser necessária como parte do diagnóstico. REFERÊNCIAS SANTOS JUNIOR. J.C.M. Doença diverticular dos cólons. Aspectos clínicos, diagnóstico e tratamento. Revista brasileira de Coloproctologia, v. 21, n. 3, p. 158-166, 2001. MALACHIAS, M. V. B et al. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial: Capítulo 11 – Hipertensão Arterial no Idoso. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 107, n. 3, supl. 3, p. 64-67, set 2016. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi d=S0066-782X2016004800007&lng=en&nrm=iso Acesso em 08 nov 2020. https://doi.org/10.5935/abc.20160152. ISABELA FERREIRA VILAS BOAS – BDF MÓD 12 Referências: Tratado de Geriatria e Gerontologia OSTEOMALACIA x Trata-se de uma doença óssea generalizada, caracterizada pelo acúmulo de matriz não mineralizada ou osteoide no esqueleto por causa da deficiência de vitamina D. x A principal fonte de vitamina D se dá por meio da produção do seu precursor, o 7- deidrocolesterol. pela pele depois da exposição à irradiação ultravioleta x A vitamina D é considerada um pró- hormônio, e sua produção é devido a uma função endócrina da pele. x A dieta fornece menor quantidade de vitamina D, mas torna-se essencial quando a produção cutânea é limitada. x Uma vez formada na pele, entra na circulação e é convertida a 25-hidroxivitamina D no fígado, que, passando pelo rim, recebe sua segunda hidroxila, transformando-se em 1,25- di-hidroxivitamina D, a vitamina D ativa. x Na sua forma ativada, a vitamina D estimula a absorção intestinal de cálcio e fósforo, promovendo a mineralização óssea e agindo na função muscular. � FISIOPATOLOGIA A osteomalacia por deficiência da vitamina D ocorre principalmente pela falta de exposição à luz solar ou pelo aumento da pigmentação da pele. As pessoas negras têm maior risco porque a melanina absorve os raios ultravioletas B, diminuindo a fotoconversão da provitamina D3. � MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS As manifestações clínicas não são específicas. Inicialmente, é assintomática, o que dificulta a realização do diagnóstico. Com o avanço da doença, o paciente se queixa de fraqueza muscular, especialmente proximal, marcha anserina (marcha de pato, rotação exagerada da pelve), sensação de fadiga, humor deprimido, e por último, a dor óssea difusa. Ocorrem deformidades esqueléticas no eixo axial, levando à cifose (corcunda, curvatura da coluna), escoliose e alterações na caixa torácica, pélvis e ossos longos. Observa-se dificuldade para levantar-se de cadeiras e subir escadas. Devido à hipocalcemia, podem surgir efeitos na contração muscular, como tetania, parestesia e cãibras nas mãos e ao redor dos lábios. Quando o comprometimento é grave, o paciente pode apresentar marcha cambaleante, e pequenos traumas podem levar a fraturas. DOENÇA DE PAGET x A doença de Paget tem uma importância muito grande para a população geriátrica por ser a segunda causa mais comum de doença óssea. x Seus sintomas podem levar a importantes limitações físicas, bem como à perda de qualidade de vida nos indivíduos afetados. Ela pode ser responsável por dores crônicas nas costas, dores articulares, deformidades esqueléticas, perda de audição e compressão de nervos cranianos. DOENÇAS OSTEOARTICULARES EM IDOSOS OBJETIVO: EXPLANAR AS FISIOPATOLOGIAS E O QUADRO CLÍNICO DAS PRINCIPAIS DOENÇAS OSTEOARTICULARES NOS IDOSOS ISABELA FERREIRA VILAS BOAS – BDF MÓD 12 � FISIOPATOLOGIA O ponto de partida da doença de Paget é um aumento na reabsorção óssea. Isso ocorre em associação com uma anormalidade nos osteoclastos das áreas afetadas. Os osteoclastos pagéticos são mais numerosos e contêm mais núcleos do que os osteoclastos normais, com até 100 núcleos por célula. Em resposta ao aumento de reabsorção óssea, uma grande quantidade de osteoblastos são recrutados para as áreas pagéticas, onde ocorre uma rápida nova formação óssea e, devido à natureza acelerada do processo, surge um novo osso. Fibras de colágeno são dispostas a esmo, e não de forma linear, criando osso entrelaçado mais primitivo. A medula óssea fica infiltrada com excessivo tecido conjuntivo fibroso e por um número maior de vasos sanguíneos, o que explica o estado hipervascular do osso. � MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A doença de Paget afeta tanto homens como mulheres, com uma predominância um pouco maior nos homens. Raramente ocorre antes dos 25 anos; costuma se desenvolver a partir dos 40 anos, na maioria dos casos, e é mais comumente diagnosticada a partir dos 50 anos.. A doença de Paget pode ser monostótica, quando afeta apenas um único osso ou parte dele, ou poliostótica, quando envolve dois ou mais ossos. Os locais da doença são frequentemente assimétricos, sendo mais comum o comprometimento da pelve, do fêmur, do crânio e das vértebras. As lesões ósseas em geral são identificadas tardiamente. Os sinais e sintomas dependem, sobretudo, da localização do osso afetado e do grau de acometimento. Podem ocorrer sintomas osteoarticulares, neurológicos e gerais: x Osteoarticulares Dor óssea, que é a manifestação clínica mais comum. Descrita pelos pacientes como profunda, irritante, piorando à noite e em repouso. Provavelmente porque quando se está parado acontece um aumento da circulação periosteal, que causa um aumento da pressão intraóssea, que vai estimular as fibras dolorosas localizadas nos canalículos. Dor articular ou proximal à articulação, podendo ocorrer perda da cartilagem, o que leva à osteoartrite, ISABELA FERREIRA VILAS BOAS – BDF MÓD 12 mais frequente nos joelhos e nas articulações coxofemorais Alargamento ou aumento do volume da articulação decorrente da expansão óssea, ou mesmo de artrite Fratura dos ossos longos pela fragilidade óssea. Lombalgia decorrente de estenose (estreitamento dos vasos sanguíneos), fraturas vertebrais e outras alterações ósseas que podem comprimir raízes nervosas e desencadear dor Complicações dentárias Degeneração neoplásica do osso pagético, que é um acontecimento relativamente raro, com incidência de menos de 1%. Essa anormalidade tem um prognóstico grave. Tumores benignos de células gigantes, que podem ocorrer, também, no osso afetado pela doença de Paget. x Neurológicos Entre os sintomas neurológicos, encontram-se hipoacusia (perda da acuidade auditiva) em 50% dos pacientes, tinido (zumbido), alterações do olfato, complicações visuais, paralisia de nervos cranianos, hidrocefalia, síndromes do tronco cerebral e cerebelares. x Gerais São ainda sintomas da doença de Paget síndromes de insuficiência vascular, insuficiência cardiovascular, hipercalcemia e calcificação extraóssea. OSTEOARTRITE x A osteoartrite (OA), no passado conhecida como osteoartrose, é uma doença altamente prevalente principalmente na população acima dos 60 anos, e que leva a alterações na funcionalidade (ligadas à realização das atividades de vida diária). � FISIOPATOLOGIA A cartilagem articular normal é compostapor fluido intersticial, elementos celulares e moléculas da matriz extracelular. Cerca de 70% é constituída por água e essa porcentagem aumenta com a progressão da OA. As células presentes na cartilagem são os condrócitos, que sintetizam as moléculas que compõem a matriz cartilaginosa. Essas moléculas são os diferentes tipos de colágenos, principalmente o do tipo II, que, além de abundante, é específico da cartilagem; A cartilagem é composta, além de colágeno, de elastina e a fibronectina; e também de complexos polissacarídeos, dentre os quais, os proteoglicanos são os mais importantes, especialmente o agrecano. Essa composição é que confere à cartilagem suas propriedades de reversibilidade às deformidades e elasticidade. Sua função é absorver impactos sobre a articulação e permitir um deslizamento suave entre as duas extremidades ósseas justapostas. No indivíduo normal, os elementos da matriz são constantemente degradados por enzimas autolíticas e repostas por novas moléculas pelos condrócitos. Na OA este processo é alterado; consequentemente, há um desequilíbrio entre a formação e a destruição da matriz, pendendo para a destruição. Na OA, os condrócitos têm papel-chave no equilíbrio entre a produção e a degradação da matriz cartilaginosa. Eles são responsáveis pela síntese dos elementos da matriz extracelular, mas também pela ISABELA FERREIRA VILAS BOAS – BDF MÓD 12 produção das enzimas proteolíticas que a quebram, as metaloproteinases. Expressam ainda citocinas pró-inflamatórias, como a IL-1β e o TNF-α, e fatores de crescimento, como o TGF-β. Normalmente, a produção e a destruição da matriz encontram-se em perfeito equilíbrio. Quando fatores mecânicos (induzindo o aumento da expressão de citocinas inflamatórias) e biológicos atuam rompendo este equilíbrio, com predomínio da destruição, surge então a OA. Por isso ela é considerada como resultante da quebra desse equilíbrio. O processo pode ser iniciado por uma série de eventos que levam à alteração da função do condrócito, como os estímulos por citocinas próinflamatórias, e que, por meio de diferentes vias de sinalização intracelular levam à ativação de diferentes genes, de maneira errada. Com isso, os condrócitos liberam enzimas proteolíticas (proteinases neutras, catepsina e metaloproteinases), que degradam os elementos da matriz cartilaginosa, levando a um afinamento da cartilagem, a deterioração da sua qualidade mecânica, causando perda da força de tensão para suportar cargas, endurecimento e perda da reversibilidade à compressão. Além disso, produtos resultantes da quebra da cartilagem e dos proteoglicanos podem estimular a resposta inflamatória, perpetuando o ciclo destrutivo. � MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A OA apresenta início insidioso, lento e gradualmente progressivo ao longo de vários anos, principalmente nas articulações de carga, na coluna e nas mãos. O acometimento dos punhos, cotovelos e ombros são pouco frequentes, e a sua ocorrência deve sugerir outras causas. Os pacientes descrevem uma dor mecânica nas articulações envolvidas, isto é, a dor aparece quando se movimenta a articulação, desaparecendo ao repouso. Naqueles que apresentam as queixas há mais tempo, a melhora ao repouso pode não ocorrer, tornando-se presente tanto no repouso quanto na movimentação. Esse ritmo de dor diferencia as queixas da OA daquelas apresentadas pelos pacientes com artrite reumatoide (AR), em que a dor frequentemente melhora com a movimentação articular. Nos casos clássicos de OA, os pacientes queixam-se apenas de dor, sem relato de edema, eritema ou aumento da temperatura articular. Com o tempo, no entanto, os indivíduos acometidos pela OA podem apresentar alargamento ósseo e diminuição dos movimentos articulares. Rigidez matinal ou após período prolongado de inatividade também pode ocorrer. Além de queixas de crepitações e estalos durante a movimentação podem ocorrer e piorar com a perda progressiva de cartilagem. ATRITE REUMATOIDE x A artrite reumatoide é uma doença inflamatória sistêmica, autoimune e crônica, caracterizada pelo acometimento das articulações sinoviais (articulações de superfícies ósseas cobertas por cartilagem). A inflamação sinovial progressiva, associada à destruição da cartilagem e do osso marginal, pode levar a deformidades e, consequentemente, a uma redução na qualidade de vida e na capacidade física dos pacientes. � FISIOPATOLOGIA Por ser sistêmica, significa que ela pode afetar diversas partes do organismo (embora atinja principalmente as articulações); ISABELA FERREIRA VILAS BOAS – BDF MÓD 12 A causa ainda é desconhecida, mas sabe-se que é autoimune, ou seja, os tecidos são atacados pelo próprio sistema imunológico do corpo. A maioria dos cientistas concorda que a combinação de fatores genéticos e ambientais é a principal responsável. Foram identificados marcadores genéticos que provocam uma probabilidade dez vezes maior de manifestar a doença. No idoso, o envelhecimento do sistema imunológico e os fatores genéticos e hormonais têm papéis centrais na fisiopatologia da artrite reumatoide. Com a idade, ocorrem alterações no sistema imune que podem alterar a resposta a antígenos, como defeitos na apoptose, desequilíbrio entre as citocinas e deficiências no processamento de antígenos. Assim, a capacidade de produzir uma resposta imune protetora declina, enquanto a reatividade a autoantígenos aumenta. Outro aspecto a ser considerado é o de que o balanço entre hormônios sexuais possa ter influência na responsividade do sistema imune. Há um declínio na incidência da doença em mulheres após a menopausa, quando os níveis de estrogênio e progesterona diminuem, e níveis aumentados de androgênios são encontrados. Na artrite reumatoide, uma vez que o antígeno, ainda desconhecido, é apresentado ao linfócito T pelas células apresentadoras de antígeno, tem início a estimulação de macrófagos, monócitos e fibroblastos, com a liberação de citocinas. Devido à fatores genéticos, a membrana sinovial torna-se o alvo principal do processo inflamatório, sofrendo alterações que envolvem sua hiperplasia, hipertrofia, neoangiogênese, infiltração celular e fibrose tecidual, formando assim o chamado pannus, que invade e destrói a cartilagem articular e o osso subcondral. � MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A artrite reumatoide é caracterizada por dor e edema poliarticulares simétricos, principalmente nas pequenas articulações das mãos e dos pés. As articulações mais comumente acometidas são a segunda e a terceira metacarpofalangeanas, as interfalangeanas proximais das mãos, as metatarsofalangeanas, punhos, joelhos, cotovelos e ombros. Pode também haver queixa de dor em coluna cervical e em região de articulação temporomandibular. Nos indivíduos idosos, o número de articulações acometidas pode ser menor, e é mais frequente o envolvimento de grandes articulações, como os ombros. A rigidez matinal é descrita pelos pacientes como a dificuldade em abrir e fechar as mãos ao acordar. Quando a doença está em atividade, a rigidez é prolongada, geralmente superior a 1 h. Para fins de classificação, é dito que um paciente tem artrite reumatoide quando satisfaz pelo menos 4 dos 7 critérios básicos da artrite reumatoide. Esses critérios são compostos por quatro domínios, os quais são: acometimento articular, sorologia, duração dos sintomas e provas de atividade inflamatória. É feita a soma da pontuação de cada domínio, sendo necessário um resultado igual ou maior a 6 para um paciente ser classificado como portador de artrite reumatoide. 2- Elucidar o quadro clínico, fisiopatologia e tratamento das principais doenças osteoarticulares que predispõem fraturas. UMA BREVE REVISÃO DA FISIOLOGIA por GUYTON OSSO O (tecido ósseo é um sistema orgânico em constante remodelação, fruto dos processos de formação (pelos osteoblastos)e reabsorção (pelos osteoclastos). Contém uma matriz extracelular calcificada formada quando os cristais de fosfato de cálcio precipitam e se fixam a uma rede de suporte constituída de colágeno. A forma mais comum de fosfato de cálcio é a hidroxiapatita, Ca10(PO4)6(OH)2. Os ossos crescem quando a matriz é depositada mais rápido do que é absorvida. EQUILÍBRIO DO CÁLCIO Entrada: é o cálcio ingerido na dieta é absorvido intestino delgado. Somente cerca de 1/3 do cálcio ingerido é absorvido, e sua absorção é regulada hormonalmente. Saída ou perda de Ca2+: ocorre principalmente pelos rins, com uma pequena quantidade excretada pelas fezes. O Ca2+ ionixado é livremente filtrado no glomérulo e então reabsorvido ao longo do comprimento do néfron. A reabsorção hormonalmente regulada ocorre somente no néfron distal. A!! A homeostasia do fosfato é paralela à do Ca2+. O fosfato é absorvido no intestino, filtrado e reabsorvido nos rins e distribuído entre o osso, o líquido extracelular (LEC) e os compartimentos intracelulares. A vitamina D3 facilita a absorção intestinal de fosfato. A excreção renal é afetada tanto pelo PTH (que promove a excreção de fosfato) como pela vitamina D3 (que promove a reabsorção de fosfato). Três hormônios controlam o equilíbrio de cálcio Eles regulam o movimento do Ca2+ entre osso, rim e intestino. Hormônio da paratireoide: possui função principal de aumentar as concentrações plasmáticas de Ca2+ e atua no osso, no rim e no intestino. O estímulo para a liberação do PTH é a diminuição das concentrações plasmáticas de Ca 2+, monitorada por um receptor sensível ao Ca2+ (CaSR) localizado na membrana celular. O Ca2+ plasmático elevado causa um feedback negativo, regulando a secreção de PTH. → O PTH aumenta os níveis de Ca2+ plasmático de três formas: 1. Mobilizando o cálcio dos ossos: apesar de os osteoclastos serem um alvo lógico para o PTH, eles não possuem receptores para PTH. Os efeitos do PTH se dá por um conjunto de moléculas parácrinas, incluindo a osteoprotegerina (OPG) e o fator de diferenciação de osteoclastos, chamado de RANKL. 2. Aumentando a reabsorção renal de cálcio: o PTH aumenta simultaneamente a excreção renal do fosfato, reduzindo sua reabsorção. Os efeitos opostos do PTH sobre o cálcio e o fosfato são necessários para manter suas concentrações combinadas abaixo do nível crítico. 3. Aumentando indiretamente a absorção intestinal de cálcio: A absorção intestinal de cálcio é estimulada pela ação de um hormônio conhecido como 1,25-di-hidroxico- lecalciferol ou 1,25(OH)2D3, também conhecido como calcitriol ou vitamina D3. Calcitriol: O corpo forma calcitriol a partir da vitamina D que foi obtida pela dieta ou sintetizada na pele pela ação da luz solar sob os precursores formados a partir de acetil-CoA. A vitamina D é modificada primeiro no fígado e depois no rim para formar a vitamina D3 ou calcitriol. O calcitriol é o principal hormônio responsável por aumentar a absorção de Ca2+ a partir do intestino delgado. Além disso, o calcitriol facilita a reabsorção renal de Ca2+ e ajuda a mobilizar Ca2+ para fora do osso. A produção do calcitriol é regulada pelo próprio rim, por ação PTH quando as concentrações de Ca2+ estão diminuídas. Calcitonina: é terceiro hormônio envolvido no metabolismo do cálcio, um peptídeo produzido pelas células C da tireoide. Possui ações aposta ao PTH, é liberada quando as concentrações plasmáticas de Ca2+ aumentam. PEREIRA, S. R. V; MENDONÇA, L. M. C. Osteoporose e Osteomalácia. In: FREITAS, E. V. et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Grupo Editora Nacional, p. 2000- 20037, 2016. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5420448/ → The impact of fragility fracture and approaches to osteoporosis risk assessment worldwide. OSTEOPOROSE É uma doença osteometabólica, é crônica e é caracterizada principalmente pela baixa densidade óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo. O diagnóstico normalmente não ocorre no início de seu desenvolvimento, por ser uma doença assintomática, mas pode ser feito baseado na ocorrência de fraturas sem trauma significativo ou na baixa densidade mineral óssea medida pela densitometria óssea (DXA). É uma doença que predispõe a um considerável aumento de risco de fratura, à dor, à deformidade e à incapacidade física. A resistência óssea reflete a integração entre densidade e qualidade óssea, que, por sua vez é determinada por vários fatores: - microarquitetura trabecular interna, - taxa de remodelamento ósseo, - macroarquitetura, - acúmulo de microdanos, - grau de mineralização, - qualidade da matriz. CLASSIFICAÇÃO EPIDEMIOLOGIA: A prevalência da ocorrência dessa doença varia muito de acordo com muitos fatores. A epidemiologia dela não parece ser muito segura principalmente porque pra confirmar o diagnóstico precisa de exames e muitas vezes o que ocorre é que a pessoa acaba não sendo diagnosticada até que ocorra uma fratura. Além disso, sabemos também que aqui no Brasil, por causa da miscigenação e da grande disparidade no acesso à sistemas de saúde, fica difícil separar tipo “brancos tem mais que negros,” etc, pq a população periférica, que é em sua maioria negra, pode ser subnotificada. Enfim, o III National Health and Nutrition Examination Survey fez pesquisa nos estadunidenses, e descobriram que a prevalência de osteoporose em mulheres brancas e mexicanas é semelhante, e menor em mulheres negras. (Tratado) Isso é um pouco estranho porque a ocorrência de fraturas em mulheres negras é muito maior. (Curtis) Então as mulheres negras não sofrem tanto assim de osteoporose ou ela só não são diagnosticadas? Além disso, será que mulheres negras são mais expostas a atividades laborais mais propensas à ocorrência de fraturas numa faixa etária maior? Fica aí o questionamento. Aqui no Brasil as estatísticas oficiais mostram que depois dos 80 anos 1 a cada 3 mulheres e 1 a cada 5 homens vão ter fraturas relacionadas à osteoporose. (Ser mulher vai ser fator de risco pra fratura.) As fraturas de punho ocorrem com mais frequência por volta dos 50 anos, as vertebrais aumentam depois dos 60 anos, enquanto as fraturas de fêmur têm sua maior incidência a partir dos 70 anos. Para as mulheres brancas que não recebem intervenção contra a perda óssea, as rupturas serão observadas em 50% delas; 17% sofrerão fratura de fêmur proximal (FFP); e 30 a 40%, de vértebras. O tratado diz que é bem importante a epidemiologia principalmente por causa disso aqui em cima: através de intervenção médica é possível evitar inúmeros casos de fratura. Além disso a taxa de mortalidade para as mulheres com fratura de fêmur proximal (FFP) é quase de 20% nos 3 meses após o acidente; o número dobra para os homens. Aproximadamente 50% dos sobreviventes ficam dependentes para suas atividades da vida diária. FISIOPATOLOGIA O osso, como falamos na revisão lá em cima, tem todas aquelas peculiaridades. Seus três principais componentes são os OSTEÓCITOS, OSTEOBLASTOS e os OSTEOCLASTOS. Os osteócitos encontram-se embebidos em uma matriz proteica de fibras colágenas impregnadas de sais minerais, especialmente de fosfato de cálcio. A matriz possui uma porção orgânica: constituída de colágeno, proteínas e glicosaminoglicanos; e uma porção inorgânica: constituída principalmente de hidroxiapatita (fosfato de cálcio) e menores quantidades de outros minerais. Os osteoblastos e os osteoclastos estão no periósteo e no endósteo, formando a matriz óssea. As fibras colágenas dão elasticidade, e os minerais, resistência. Na infância, dois terços da substância óssea são formados por tecido conjuntivo. Na velhice, são os minerais que predominam. Essa transposição de conteúdo leva a menor flexibilidade e aumenta a fragilidade do osso. Na composição do esqueleto, há aproximadamente 80% de osso cortical ou compacto, com funções mecânica e protetora, portanto mais resistente,