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N O Ç Õ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U C IO N A L 301 � Competência legislativa A competência legislativa como o próprio nome já nos remete é a competência para elaborar leis, clas- sificada em competência privativa, concorrente, resi- dual e local, são atribuições que tratam da edição de normas gerais e abstratas. � Competência privativa: é a competência da União para legislar sobre determinados assun- tos de interesse nacional, com a edição de nor- mas de interesse processual, normas de direito material e administrativo. PROCESSUAL MATERIAL ADMINISTRATIVO Normas de processo civil, processo pe- nal e processo do trabalho. Normas de direito civil, comercial, penal, político- -eleitoral, agrário, marítimo, aeronáu- tico, espacial e do trabalho. Demais matérias, como requisições civis e militares, tempo de guerra, trânsito, transpor- te etc. Art. 22 da CF Privativa Da União Como memorizar? Os incisos do art. 22 da CF fazem menção à legis- lar, privativa e delegável. Fique atento! Cabe delegação aos Estados e DF, mediante lei complementar sobre questões específicas. Art. 22 Compete privativamente à União legislar sobre: I - direito civil, comercial, penal, processual, eleito- ral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; II - desapropriação; III - requisições civis e militares, em caso de iminen- te perigo e em tempo de guerra; IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão; V - serviço postal; VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos metais; VII - política de crédito, câmbio, seguros e transfe- rência de valores; VIII - comércio exterior e interestadual; IX - diretrizes da política nacional de transportes; X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, aérea e aeroespacial; XI - trânsito e transporte; XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia; XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização; XIV - populações indígenas; XV - emigração e imigração, entrada, extradição e expulsão de estrangeiros; XVI - organização do sistema nacional de emprego e condições para o exercício de profissões; XVII - organização judiciária, do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios e da Defenso- ria Pública dos Territórios, bem como organização administrativa destes; XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de geologia nacionais; XIX - sistemas de poupança, captação e garantia da poupança popular; XX - sistemas de consórcios e sorteios; (grifo nosso) Veja Súmula Vinculante nº 2: É inconstitucional a lei ou ato normativo Estadual ou Distrital que dispo- nha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias. XXI - normas gerais de organização, efetivos, mate- rial bélico, garantias, convocação, mobilização, inatividades e pensões das polícias militares e dos corpos de bombeiros militares; XXII - competência da polícia federal e das polícias rodoviária e ferroviária federais; XXIII - seguridade social; XXIV - diretrizes e bases da educação nacional; XXV - registros públicos; XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza; XXVII - normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obe- decido o disposto no art. 37, XXI, e para as empre- sas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, § 1°, III; XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defe- sa marítima, defesa civil e mobilização nacional; XXIX - propaganda comercial. Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste arti- go. (grifo nosso) Delegável: Deve ocorrer por lei complementar federal, editada pelo Congresso Nacional. Obs.: Tam- bém contempla o Distrito Federal. (Art. 32, § 1º da CF.) Não confunda a competência exclusiva da União com a competência privativa da União: EXCLUSIVA ART. 21 DA CF PRIVATIVA ART. 22 DA CF Administrativa Legislativa Indelegável Delegável � Competência concorrente: tem fundamento no art. 24 da CF, dispõe que a União (que se limita a estabelecer normas gerais), os Estados e o Distrito Federal (normas suplementares) podem legislar concorrentemente. Atente-se: Os Municípios não foram contemplados com essa possibilidade. Em relação ao Art. 24, da CF, considere: Concorrente Entre: z União: normas gerais z Estados/DF: normas suplementares Art. 24 Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: I - direito tributário, financeiro, penitenciário, eco- nômico e urbanístico; II - orçamento; III - juntas comerciais; IV - custas dos serviços forenses; V - produção e consumo; 302 VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação; X - criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas; XI - procedimentos em matéria processual; XII - previdência social, proteção e defesa da saúde; XIII - assistência jurídica e Defensoria pública; XIV - proteção e integração social das pessoas por- tadoras de deficiência; XV - proteção à infância e à juventude; XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias civis. § 1º No âmbito da legislação concorrente, a competên- cia da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. § 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplemen- tar dos Estados. § 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. § 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. As regras de aplicação da competência concor- rente estão relacionadas no § 1º ao 4º do mencionado dispositivo, que determina que a União limitar-se-á a estabelecer normas gerais, entretanto não exclui a competência suplementar dos Estados. Ainda, inexis- tindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exer- cerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. Por conseguinte, consagra o tex- to constitucional que a superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei esta- dual, no que lhe for contrário. REPARTIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS E AS DECISÕES FRENTE AO CORONAVÍRUS – ADI 926/2020 Em março de 2020 determinado partido político ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 6341) para questionar a Medida Provisória (MP) 926/2020 – autoria do Governo Federal, que dispõe sobre medidas para o enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente do coronavírus 2020. Os legitimados da ADI sustentaram que a redis- tribuição de poderes de polícia sanitária introduzida pela MP na Lei Federal 13.979/2020 interferiu no regi- me de cooperação entre os entes federativos. Ainda, alegaram que essa centralização de competência esvazia a responsabilidade constitucional de esta- dos e municípios para cuidar da saúde, dirigir o Sistema Único de Saúde e executar ações de vigi- lância sanitária e epidemiológica. Assim, ao apreciar o caso em tela, o Ministro Mar- co Aurélio, em decisão monocrática, considerou que a redistribuição de atribuições pela MP 926/2020 não afasta a competência concorrente dos entes fede- rativos, ou seja, entendeu que a distribuição de atri- buições prevista na Medida Provisória não contraria 20 Decreto Nº 10.344, de 11 de Maio de 2020 a Constituição Federal, pois as providências não afas-taram atos a serem praticados pelos demais entes federativos no âmbito da competência comum para legislar sobre saúde pública (artigo 23, II da CF). SAÚDE – CRISE – CORONAVÍRUS – MEDIDA PROVISÓRIA – PROVIDÊNCIAS – LEGITIMAÇÃO CONCORRENTE Surgem atendidos os requisitos de urgência e neces- sidade, no que medida provisória dispõe sobre pro- vidências no campo da saúde pública nacional, sem prejuízo da legitimação concorrente dos Estados, do Dis- trito Federal e dos Municípios. (ADI 6341, rel. Min. Mar- co Aurélio, decisão em 24.03.2020, DJe em 26.03.2020) Entenda o caso: Considerou o Ministro do STF que com fundamento no art. 23, II da CF que dispõe da competência de todos os entes cuidarem da saú- de e assistência pública. É oportuno mencionar tam- bém o art. 198, inciso I da CF. Vejamos os dispositivos mencionados. Art. 23 É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de defi- ciência; (grifo nosso) Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acor- do com as seguintes diretrizes: I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo; (grifo nosso) Por exemplo, em 11 de maio de 2020 o Presidente da República definiu como serviço essencial as acade- mias, salões de beleza e barbearias. Entretanto, com base no entendimento do STF e o art. 23 da CF expli- cado acima, cada estado poderá optar por receber e implantar as regras contidas no Decreto do Presiden- te, ou seja, cada Governador poderá entender por não receber este decreto e decidir por não aplica- -lo em seu estado, sempre observando o princípio da proporcionalidade e o princípio da supremacia do interesse público sobre o particular20. z Competência residual A competência residual é a competência dos Esta- dos membros para se organizarem, consagrada art. 25 da CF. Em relação ao Art. 25, da CF, considere: � Competência Residual: Estados Organizam-se e regem-se, assim fazendo a sua própria consti- tuição estadual e leis observando os princípios da CF/88. Art. 25 Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição. § 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição. § 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás cana- lizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação. § 3º Os Estados poderão, mediante lei complemen- tar, instituir regiões metropolitanas, aglomera- ções urbanas e microrregiões, constituídas por N O Ç Õ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U C IO N A L 303 agrupamentos de municípios limítrofes, para inte- grar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum. z Competência local É a competência atribuída aos Municípios consa- grada no art. 30 da CF. Os municípios podem legislar sobre temas da competência legislativa concorrente, desde que seja no interesse local e suplementando a legislação federal e estadual no que couber. Ex.: O município pode legislar sobre o tema de Pes- ca se atividade econômica pescaria for predominante no município, conforme o art. 30, I e II combinado com art. 24 § 2º da CF. Em relação ao Art. 30, da CF, considere: � Competência Legislativa Local: Temas de competência legislativa concorrentes desde que seja de interesse local. Art. 30 Compete aos Municípios: I - legislar sobre assuntos de interesse local; II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber; Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: [...] § 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplemen- tar dos Estados. É sempre bom lembrar que no art. 32 da CF, o legis- lador dispõe sobre o Distrito Federal, o qual o mesmo tem competência cumulativa, ou seja, a Lei Distrital pode ter conteúdo estadual e municipal. (Art. 32 § 1º, art. 147 e 155 da CF). Art. 32 O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios estabe- lecidos nesta Constituição. § 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as com- petências legislativas reservadas aos Estados e Municípios. § 2º A eleição do Governador e do Vice-Governa- dor, observadas as regras do art. 77, e dos Deputa- dos Distritais coincidirá com a dos Governadores e Deputados Estaduais, para mandato de igual duração. § 3º Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislati- va aplica-se o disposto no art. 27. § 4º Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do Distrito Federal, da polícia civil, da polícia penal, da polícia militar e do corpo de bom- beiros militar. z A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrária. z Regulamento de Uber (exemplo) deve ser fei- to através de lei federal, mas quem fiscaliza é o município, ora, compete à lei federal regulamentar transporte de pessoas que utilizam o aplicativo21. 21 Lei 13.640 de 26 de março de 2018. 22 ADI 4862/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.08.2016, DOU 07.02.2017. 23 ADI 1007/PE, Rel. Min. Eros Grau, julgado em 31.08.2005, DOU 16.03.2016. 24 RE 610221RG, rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 29.04.2010, DOU 20.08.2010. 25 Súmula Vinculante é decisão editada pelo STF, por reiteradas decisões em matéria constitucional. z STF considerou que lei estadual não pode isentar cobrança de estacionamento de estabelecimen- tos comerciais22. Da mesma forma considerou que lei estadual não pode alterar data de vencimento das mensalidades escolares23. z STF também já considerou que compete aos muni- cípios legislar sobre tempo de fila em banco. Tema de Repercussão Geral nº 27224. Por fim, vejamos algumas Súmulas vinculantes25 importantes sobre o tema abordado: Súmula Vinculante 2: É inconstitucional a lei ou ato normativo Estadual ou Distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias. Súmula vinculante 38: É competente o Município para fixar o horário de funcionamento de estabele- cimento comercial. Súmula vinculante 39: Compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros das polícias civil e militar e do corpo de bombeiros mili- tar do Distrito Federal. Súmula Vinculante 46: A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respecti- vas normas de processo e julgamento são de com- petência legislativa privativa da União. EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (CESPE-CEBRASPE – 2019) Com relação à organiza- ção do Estado e às funções essenciais à justiça, julgue o item subsecutivo: A forma federativa de Estado é cláusula pétrea, por- que a Constituição Federal de 1988 veda a possibili- dade de emenda constitucional tendente a aboli-la, não fazendo o mesmo em relação à forma de governo, que constitui princípio sensível da ordem federativa, podendo ser autorizada intervenção federal no ente federado que a desrespeitar. ( ) CERTO ( ) ERRADO As cláusulas pétreas estão relacionadas no § 4º do art. 60 da CF/88. Vejamos : “§ 4º não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais”.(grifo nosso) Resposta: Certo. 2. (CESPE-CEBRASPE – 2018) Acerca da organização político-administrativa do Estado, julgue os itens a seguir. I. O desmembramento de um município será determina- do por lei municipal, dentro do período determinado por lei complementar federal, e dependerá de consulta 304prévia, mediante plebiscito, às populações dos muni- cípios envolvidos, inexistindo a necessidade de divul- gação prévia de estudos de viabilidade municipal na imprensa oficial. II. Os estados podem incorporar-se entre si, mediante a aprovação da população diretamente interessada, por meio de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar. III. É permitida somente à União a criação de distinções entre brasileiros. Assinale a opção correta. a) Apenas o item I está certo. b) Apenas o item II está certo. c) Apenas os itens I e III estão certos. d) Apenas os itens II e III estão certos. e) Todos os itens estão certos. Conforme o § 3º do art. 18 da CF os estados podem incorporar-se, subdividir-se ou desmembra-se para se anexarem a outros mediante aprovação da popu- lação através do plebiscito e do Congresso por lei complementar. Referente Aos municípios, há necessi- dade de consulta prévia, mediante plebiscito às popu- lações dos municípios envolvidos, após divulgação dos estudos de viabilidade municipal, apresentados e publicados na forma da lei. Resposta: Letra B. 3. (CESPE-CEBRASPE – 2018) Conforme regras e inter- pretação da CF, julgue o item subsequente, relativo à autonomia municipal e intervenção de estado-membro em município. No âmbito de sua jurisdição, compete ao município a fixação do horário de funcionamento de estabelecimen- tos comerciais, uma vez que se trata de assunto de inte- resse local. ( ) CERTO ( ) ERRADO Entendimento conforme súmula vinculante nº 38 “É competente o Município para fixar o horário de fun- cionamento de estabelecimento comercial.” Respos- ta: Certo. 4. (VUNESP – 2018) Considerando os dispositivos da Constituição Federal que tratam da repartição de com- petências dos entes federados, se um Estado editar uma lei disciplinando o funcionamento do juizado de pequenas causas, essa lei será: a) inconstitucional, pois os Estados não podem legislar sobre essa matéria. b) constitucional, uma vez que essa matéria é de com- petência legislativa comum entre todos os entes federados. c) constitucional se ela se limitar a suplementar as nor- mas gerais da União existentes sobre a matéria. d) constitucional, porque os Estados podem legislar, pri- vativamente, sobre normas gerais nessa matéria. e) inconstitucional, uma vez que a competência para legislar sobre essa matéria é privativa da União. Conforme inciso X, do art. 24 da CF é competência concorrente da União e dos Estados legislar sobre criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas. Resposta: Letra C. 26 SILVA, op. cit, p. 665. 5. (VUNESP – 2019) Considerando a repartição de com- petências constitucionais, assinale a alternativa que aponta hipóteses de competência em que o Município pode suplementar uma lei de outro ente federativo. a) Explorar serviços de radiodifusão sonora, e de sons e imagens e sistemas de poupança, captação e garantia da poupança popular. b) Legislar sobre sistemas de consórcios e sorteios e seguridade social e sobre registros públicos. c) Fomentar a produção agropecuária e organizar o abaste- cimento alimentar e legislar sobre populações indígenas. d) Cuidar da saúde e assistência pública e proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência. e) Proteger o patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico e explorar os serviços locais de gás canalizado. Cuidar da saúde e assistência pública e proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência é hipótese de competência em que o Município pode suplementar uma lei de outro ente federativo, ou seja, é competência comum e tem previsão no inciso II do art. 23 da CF. Resposta: Letra D. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DISPOSIÇÕES GERAIS, SERVIDORES PÚBLICOS Noções de Administração Pública Segundo José Afonso da Silva (2017), adminis- tração pública é o conjunto de meios institucionais, financeiros e humanos destinados à execução das decisões políticas26. A Constituição Federal de 1988 estabeleceu regras gerais e preceitos específicos no Título III, Capítulo VII. São normas que tratam da organização, diretrizes, remuneração e atuação dos servidores, acesso aos car- gos públicos etc. Assim, a seguir passaremos a estudar as regras e preceitos específicos da Administração Pública. Natureza e Elementos O Título III, da Constituição Federal refere-se às nor- mas das orientações de atuação dos agentes administra- tivos, empregos públicos, responsabilidade civil etc..., ou seja, trata-se da administração de bens e interesse públi- co, assim, conclui-se que a administração pública tem natureza de “múnus público”. Por exemplo, os agentes públicos são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, morali- dade e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos, caso contrário o agente estará cometendo ato de improbidade administrativa sujeito as sanções e penali- dades previstas na Lei nº 8429/1992. Dica A palavra múnus tem origem no latim e signifi- ca dever, obrigação etc. O múnus público é uma obrigação imposta por lei, em atendimento ao poder público, que beneficia a coletividade e não pode ser recusado, exceto nos casos previstos