Prévia do material em texto
173 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS ENFERMEIRO CAPÍTULO VII DA RESPONSABILIDADE CIVIL E ADMINISTRATIVA Art. 20. Sem prejuízo da aplicação das penas previstas nesta Lei, os responsáveis pelos danos ao meio ambiente e a terceiros responderão, solidariamente, por sua indenização ou reparação integral, independentemente da existência de culpa. Art. 21. Considera-se infração administrativa toda ação ou omissão que viole as normas previstas nesta Lei e demais disposições legais pertinentes. Parágrafo único. As infrações administrativas serão punidas na forma estabelecida no regulamento desta Lei, independentemente das medidascautelaresdeapreensãode produtos, suspensão de venda de produto e embargos de ativi- dades, com as seguintes sanções: I – advertência; II – multa; III – apreensão de OGM e seus derivados; IV – suspensão da venda de OGM e seus derivados; V – embargo da atividade; VI – interdição parcial ou total do estabelecimento, ativida- de ou empreendimento; VII – suspensão de registro, licença ou autorização; VIII – cancelamento de registro, licença ou autorização; IX – perda ou restrição de incentivo e benefício fiscal conce- didos pelo governo; X – perda ou suspensão da participação em linha de finan- ciamento em estabelecimento oficial de crédito; XI – intervenção no estabelecimento; XII – proibição de contratar com a administração pública, por período de até 5 (cinco) anos. Art. 22. Compete aos órgãos e entidades de registro e fisca- lização, referidos no art. 16 desta Lei, definir critérios, valorese- aplicarmultasdeR$2.000,00(doismilreais)a R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), proporcionalmente à gravidade da infração. § 1oAs multas poderão ser aplicadas cumulativamente com as demais sanções previstas neste artigo. § 2oNo caso de reincidência, a multa será aplicada em do- bro. § 3oNo caso de infração continuada, caracterizada pela per- manência da ação ou omissão inicialmente punida, será a res- pectiva penalidade aplicada diariamente até cessar sua causa, sem prejuízo da paralisação imediata da atividade ou da inter- dição do laboratório ou da instituição ou empresa responsável. Art. 23. As multas previstas nesta Lei serão aplicadas pelos órgãos e entidades de registro e fiscalização dos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Saúde, do Meio Ambiente e da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Pre- sidência da República, referidos no art. 16 desta Lei, de acordo com suas respectivas competências. § 1oOs recursos arrecadados com a aplicação de multas se- rão destinados aos órgãos e entidades de registro e fiscalização, referidos no art. 16 desta Lei, que aplicarem a multa. § 2oOs órgãos e entidades fiscalizadores da administração pública federal poderão celebrar convênios com os Estados, Dis- trito Federal e Municípios, para a execução de serviços relacio- nados à atividade de fiscalização prevista nesta Lei e poderão re- passar-lhes parcela da receita obtida com a aplicação de multas. § 3oA autoridade fiscalizadora encaminhará cópia do auto de infração à CTNBio. § 4oQuando a infração constituir crime ou contravenção, ou lesão à Fazenda Pública ou ao consumidor, a autoridade fiscali- zadora representará junto ao órgão competente para apuração das responsabilidades administrativa e penal. CAPÍTULO VIII DOS CRIMES E DAS PENAS Art. 24. Utilizar embrião humano em desacordo com o que dispõe o art. 5odesta Lei: Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. Art. 25. Praticar engenharia genética em célula germinal hu- mana, zigoto humano ou embrião humano: Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Art. 26. Realizar clonagem humana: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Art. 27. Liberar ou descartar OGM no meio ambiente, em desacordo com as normas estabelecidas pela CTNBio e pelos órgãos e entidades de registro e fiscalização: Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. § 1o(VETADO) § 2oAgrava-se a pena: I – de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço), se resultar dano à propriedade alheia; II – de 1/3 (um terço) até a metade, se resultar dano ao meio ambiente; III – da metade até 2/3 (dois terços), se resultar lesão corpo- ral de natureza grave em outrem; IV – de 2/3 (dois terços) até o dobro, se resultar a morte de outrem. Art. 28. Utilizar, comercializar, registrar, patentear e licen- ciar tecnologias genéticas de restrição do uso: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Art. 29. Produzir, armazenar, transportar, comercializar, im- portar ou exportar OGM ou seus derivados, sem autorização ou em desacordo com as normas estabelecidas pela CTNBio e pelos órgãos e entidades de registro e fiscalização: Pena – reclusão, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa. CAPÍTULO IX DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS Art. 30. Os OGM que tenham obtido decisão técnica da CT- NBio favorável a sua liberação comercial até a entrada em vigor desta Lei poderão ser registrados e comercializados, salvo ma- nifestação contrária do CNBS, no prazo de 60 (sessenta) dias, a contar da data da publicação desta Lei. Art. 31. A CTNBio e os órgãos e entidades de registro e fis- calização, referidos no art. 16 desta Lei, deverão rever suas deli- berações de caráter normativo, no prazo de 120 (cento e vinte) dias, a fim de promover sua adequação às disposições desta Lei. Art. 32. Permanecem em vigor os Certificados de Qualida- de em Biossegurança, comunicados e decisões técnicas já emi- tidos pela CTNBio, bem como, no que não contrariarem o dis- posto nesta Lei, os atos normativos emitidos ao amparo daLei no8.974, de 5 de janeiro de 1995. 174 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS ENFERMEIRO Art. 33. As instituições que desenvolverem atividades regu- ladas por esta Lei na data de sua publicação deverão adequar-se as suas disposições no prazo de 120 (cento e vinte) dias, contado da publicação do decreto que a regulamentar. Art. 34. Ficam convalidados e tornam-se permanentes os registros provisórios concedidos sob a égide daLei no10.814, de 15 de dezembro de 2003. Art. 35. Ficam autorizadas a produção e a comercialização de sementes de cultivares de soja geneticamente modificadas tolerantes a glifosato registradas no Registro Nacional de Cultivares RNC do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Art. 36. Fica autorizado o plantio de grãos de soja genetica- mente modificada tolerante a glifosato, reservados pelos produ- tores rurais para uso próprio, na safra 2004/2005, sendo vedada a comercialização da produção como semente.(Vide Decreto nº 5.534, de 2005) Parágrafo único. O Poder Executivo poderá prorrogar a au- torização de que trata ocaputdeste artigo. Art. 37. A descrição do Código 20 doAnexo VIII da Lei no6.938, de 31 de agosto de 1981, acrescido pela Lei no10.165, de 27 de dezembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte re- dação: Art. 38. (VETADO) Art. 39. Não se aplica aos OGM e seus derivados o disposto naLei no7.802, de 11 de julho de 1989, e suas alterações, exceto para os casos em que eles sejam desenvolvidos para servir de matéria-prima para a produção de agrotóxicos. Art. 40. Os alimentos e ingredientes alimentares destinados ao consumo humano ou animal que contenham ou sejam pro- duzidos a partir de OGM ou derivados deverão conter informa- ção nesse sentido em seus rótulos, conforme regulamento. Art. 41. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 42. Revogam-se aLei no8.974, de 5 de janeiro de 1995, aMedida Provisória no2.191-9, de 23 de agosto de 2001, e os arts.5o, 6o, 7o, 8o, 9o, 10e16 da Lei no10.814, de 15 de dezem- bro de 2003. Brasília, 24 de março de 2005; 184oda Independência e 117º da República. 41. CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR. Definição de Infecção Hospitalar: É qualquer infecção adquirida após a internação do pacien- te e se manifesta durante a internação ou mesmo após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimen- tos hospitalares. O assunto “Infecção Hospitalar”, torna-seobjeto de ações governamentais com a publicação das Portarias de Nº 196/83, 930/92 e 2.616/98 do Ministério da Saúde (MS) que normatizam e regulamentam medidas de prevenção e controle de infecção hospitalar. APortaria do M.S nº 196, de 24 de junho de 1983, instituiu a implantação de Comissões de Controle de Infecção Hospitalar em todos os hospitais do país, independentemente de sua natureza jurídica. Com a morte do então Presidente Tan- credo Neves em 1985 por infecção hospitalar, o tema adquire maior visibilidade. A Lei Federal 9.431, de 06 de janeiro de 1997, torna obriga- tória a manutenção de um programa de controle de infecções hospitalarespelos hospitais do País e a Portaria 2616/98 expediu em forma de anexos, diretrizes e normas para a prevenção e o controle de Infecções Hospitalares. 42. CÓDIGO DE ÉTICA DOS PROFISSIONAIS DE EN- FERMAGEM. Código de Ética profissional em Enfermagem RESOLUÇÃO COFEN Nº 564/2017 Aprova o novo Código de Ética dos Profis- sionais de Enfermagem O Conselho Federal de Enfermagem – Cofen, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973, e pelo Regimento da Autarquia, aprovado pela Resolução Cofen nº 421, de 15 de fevereiro de 2012. CONSIDERANDO que nos termos do inciso III do artigo 8º da Lei 5.905, de 12 de julho de 1973, compete ao Cofen elaborar o Código de Deontologia de Enfermagem e alterá-lo, quando ne- cessário, ouvidos os Conselhos Regionais; CONSIDERANDO que o Código de Deontologia de Enferma- gem deve submeter-se aos dispositivos constitucionais vigentes; CONSIDERANDO a Declaração Universal dos Direitos Hu- manos, promulgada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (1948) e adotada pela Convenção de Genebra (1949), cujos pos- tulados estão contidos no Código de Ética do Conselho Interna- cional de Enfermeiras (1953, revisado em 2012); CONSIDERANDO a Declaração Universal sobre Bioética e Di- reitos Humanos (2005); CONSIDERANDO o Código de Deontologia de Enfermagem do Conselho Federal de Enfermagem (1976), o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (1993,reformuladoem2000 e 2007), as normas nacionais de pesquisa (Resolução do Conselho Nacional de Saúde – CNS nº 196/1996), revisadas pela Resolu- ção nº 466/2012, e as normas internacionais sobre pesquisa en- volvendo seres humanos; CONSIDERANDO a proposta de Reformulação do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, consolidada na 1ª Con- ferência Nacional de Ética na Enfermagem – 1ª CONEENF, ocor- rida no período de 07 a 09 de junho de 2017, em Brasília – DF, realizada pelo Conselho Federal de Enfermagem e Coordenada pela Comissão Nacional de Reformulação do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, instituída pela Portaria Cofen nº 1.351/2016; CONSIDERANDO a Lei nº 11.340, de 07 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha) que cria mecanismos para coibir a vio- lência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do§ 8º do art. 226 da Constituição Federal e a Lei nº 10.778, de 24 de novembro de 2003, que estabelece a notificação compulsória, no território nacional, nos casos de violência contra a mulher que for atendida em serviços de saúde públicos e privados; CONSIDERANDO a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente; CONSIDERANDO a Lei nº. 10.741, de 01 de outubro de 2003, que dispõe sobre o Estatuto do Idoso; 175 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS ENFERMEIRO CONSIDERANDO a Lei nº. 10.216, de 06 de abril de 2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portado- ras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental; CONSIDERANDO a Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e re- cuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos ser- viços correspondentes; CONSIDERANDO as sugestões apresentadas na Assembleia Extraordinária de Presidentes dos Conselhos Regionais de Enfer- magem, ocorrida na sede do Cofen, em Brasília, Distrito Federal, no dia 18 de julho de 2017, e CONSIDERANDO a deliberação do Plenário do Conselho Fe- deral de Enfermagem em sua 491ª Reunião Ordinária, RESOLVE: Art. 1º Aprovar o novo Código de Ética dos Profissionaisde Enfermagem, conforme o anexo desta Resolução, para obser- vância e respeito dos profissionais de Enfermagem, que pode- rá ser consultado através do sítio de internet do Cofen (www. cofen.gov.br). Art. 2º Este Código aplica-se aos Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem, Auxiliares de Enfermagem, Obstetrizes e Parteiras, bem como aos atendentes de Enfermagem. Art. 3º Os casos omissos serão resolvidos pelo Conselho Fe- deral de Enfermagem. Art. 4º Este Código poderá ser alterado pelo Conselho Fe- deral de Enfermagem, por proposta de 2/3 dos Conselheiros Efetivos do Conselho Federal ou mediante proposta de 2/3 dos Conselhos Regionais. Parágrafo Único. A alteração referida deve ser precedida de ampla discussão com a categoria, coordenada pelos Conselhos Regionais, sob a coordenação geral do Conselho Federal de En- fermagem, em formato de Conferência Nacional, precedida de Conferências Regionais. Art. 5º A presente Resolução entrará em vigor 120 (cento e vinte) dias a partir da data de sua publicação no Diário Oficial da União, revogando-se as disposições em contrário, em especial a Resolução Cofen nº 311/2007, de 08 de fevereiro de 2007. Brasília, 6 de novembro de 2017. ANEXO DA RESOLUÇÃO COFEN Nº 564/2017 PREÂMBULO O Conselho Federal de Enfermagem, ao revisar o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem – CEPE, norteou-se por princípios fundamentais, que representam imperativos para a conduta profissional e consideram que a Enfermagem é uma ciência, arte e uma prática social, indispensável à organização e ao funcionamento dos serviços de saúde; tem como respon- sabilidades a promoção e a restauração da saúde, a prevenção de agravos e doenças e o alívio do sofrimento; proporciona cui- dados à pessoa, à família e à coletividade; organiza suas ações e intervenções de modo autônomo, ou em colaboração com ou- tros profissionais da área; tem direito a remuneração justa e a condições adequadas de trabalho, que possibilitem um cuidado profissional seguro e livre de danos. Sobretudo, esses princípios fundamentais reafirmam que o respeito aos direitos humanos é inerente ao exercício da profissão, o que inclui os direitos da pessoa à vida, à saúde, à liberdade, à igualdade, à segurança pessoal, à livre escolha, à dignidade e a ser tratada sem distin- ção de classe social, geração, etnia, cor, crença religiosa, cultura, incapacidade, deficiência, doença, identidade de gênero, orien- tação sexual, nacionalidade, convicção política, raça ou condição social. Inspirado nesse conjunto de princípios é que o Conselho Federal de Enfermagem, no uso das atribuições que lhe são con- feridas peloArt. 8º, inciso III, da Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973, aprova e edita esta nova revisão do CEPE, exortando os profissionais de Enfermagem à sua fiel observância e cumpri- mento. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS A Enfermagem é comprometida com a produção e gestão do cuidado prestado nos diferentes contextos socioambientais e culturais em resposta às necessidades da pessoa, família e co- letividade. O profissional de Enfermagem atua com autonomia e em consonância com os preceitos éticos e legais, técnico-científico e teórico-filosófico; exerce suas atividades com competência para promoção do ser humano na sua integralidade, de acordo com os Princípios da Ética e da Bioética, e participa como integrante da equipe de Enfermagem e de saúde na defesa das Políticas Pú- blicas, com ênfase nas políticas de saúde que garantam a univer- salidade de acesso, integralidade da assistência, resolutividade, preservação da autonomia das pessoas, participação da comuni- dade, hierarquização e descentralização político-administrativa dos serviços de saúde. O cuidado da Enfermagem se fundamenta no conhecimento próprio da profissãoe nas ciências humanas, sociais e aplicadas e é executado pelos profissionais na prática social e cotidiana de assistir, gerenciar, ensinar, educar e pesquisar. CAPÍTULO I DOS DIREITOS Art. 1º Exercer a Enfermagem com liberdade, segurança técnica, científica e ambiental, autonomia, e ser tratado sem discriminação de qualquer natureza, segundo os princípios e pressupostos legais, éticos e dos direitos humanos. Art. 2º Exercer atividades em locais de trabalho livre de ris- cos e danos e violências física e psicológica à saúde do trabalha- dor, em respeito à dignidade humana e à proteção dos direitos dos profissionais de enfermagem. Art. 3º Apoiar e/ou participar de movimentos de defesada dignidade profissional, do exercício da cidadania e das reivin- dicações por melhores condições de assistência, trabalho e re- muneração, observados os parâmetros e limites da legislação vigente. Art. 4º Participar da prática multiprofissional, interdiscipli- nar e transdisciplinar com responsabilidade, autonomia e liber- dade, observando os preceitos éticos e legais da profissão. Art. 5º Associar-se, exercer cargos e participar de Organiza- ções da Categoria e Órgãos de Fiscalização do Exercício Profissio- nal, atendidos os requisitos legais. Art. 6º Aprimorar seus conhecimentos técnico-científicos, ético-políticos, socioeducativos, históricos e culturais que dão sustentação à prática profissional.