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Resenha Crítica: capítulo 4 Compreensão Clínica em Gestalt-terapia: pensamento diagnóstico processual e ajustamentos criativos funcionais e disfuncionais No livro “A clínica, a relação psicoterapêutica e o manejo em Gestalt-Terapia”, as autoras dissertam no Capítulo 4, a respeito do diagnóstico em Gestalt-Terapia e seus Ajustamentos Criativos Funcionais e Disfuncionais e o Pensamento Diagnóstico Processual. Uma vez que concebemos o homem como um todo e em constante processo de crescimento e desenvolvimento, o que inclui não apenas atenção a suas dificuldades e sofrimentos, mas também a suas possibilidades e potencialidades, faz-se necessária uma concepção de diagnóstico que contemple esses aspectos sem excluir os demais. Na psicoterapia, o diagnóstico deve ser entendido como a descrição e a compreensão de cada cliente em sua singularidade existencial, ou seja, é preciso compreender o que cada sintoma e queixa significam no contexto específico em que surgiram e no conjunto da vida da pessoa, bem como a que propósito serviram. O diagnóstico não deve ser vinculado a uma doença ou anormalidade, e sim ao modo de existir de alguém. A Gestalt-terapia tem uma concepção holística de Homem, o qual é concebido como ser biopsicossocial, o vê como o todo, sua subjetividade. A experiência é fruto da interação do indivíduo com o meio ambiente. É o processo de contato de boa qualidade que propicia que a interação indivíduo/ambiente seja nutritiva e que ocorram mudanças no campo relacional pessoa-ambiente, isto é, crescimento e desenvolvimento. O atendimento de necessidades ocorre por intermédio do ajustamento criativo, que é a capacidade de satisfazer às nossas necessidades de acordo, simultaneamente, com nossa hierarquia de necessidades e com as possibilidades no campo organismo/meio. Ou seja: é a capacidade de interagir de modo ativo com o ambiente na fronteira de contato, adaptando, quando necessário, a demanda das necessidades às possibilidades de atendimento do ambiente. Ajustamento criativo saudável implica o awareness (consciência) de nossas necessidades, bem como ser capaz de priorizá-las, de acordo com aquilo que Perls (1973) denominou de hierarquia de valores ou dominâncias e no Brasil convencionamos chamar de hierarquia de necessidades: quando diferentes necessidades ocorrem ao mesmo tempo, a pessoa atende à necessidade dominante primeiro. Sintetizando: considero o ajustamento criativo funcional um fenômeno interativo que ocorre na fronteira de contato e se refere à habilidade de se relacionar criativamente com o ambiente como indivíduo único, com vistas à expressão e ao atendimento de necessidades – mantendo, ao mesmo tempo, uma relação respeitosa com o outro em sua unicidade. Se a tentativa de expressar as necessidades de forma diferente falhar repetidamente, a fim de diminuir o conflito e manter a relação, dada a hierarquia de valores, a expressão de necessidades poderá ser distorcida ou até suprimida. O ajustamento, em vez de funcional, tornar-se-á disfuncional. Enfim, cabe afirmar que considero ajustamento criativo disfuncional um fenômeno interativo que ocorre na fronteira de contato e se refere à inabilidade e/ou impossibilidade de se relacionar criativamente com o ambiente. Ao longo do processo terapêutico, constantemente nos perguntamos o que está acontecendo e a serviço do quê e para quê. No pensamento diagnóstico processual, além de identificarmos os ajustamentos disfuncionais, devemos identificar os ajustamentos criativos funcionais, que nos remetem às possibilidades e potencialidades de nossos pacientes. O pensamento diagnóstico processual não precisa ser despersonalizante e nem tem relação com um rótulo limitante. Não se refere ao que a pessoa é, mas a como ela está a cada momento do processo terapêutico. Aquilo que o cliente nos traz no aqui e agora não é apenas seu presente imediato, a-histórico. O aqui e agora inclui o passado – que surge na forma de lembranças e experiências – e o futuro – que se apresenta na forma de projetos, anseios, planos. Assim, o pensamento diagnóstico processual implica compreender a relação da pessoa com sua história passada e presente, pois a configuração presente está relacionada a como a pessoa viveu suas experiências e a como elas a afetaram e ainda a afetam. O sintoma pode ser uma forma, às vezes dramática, de expressar uma necessidade muito profunda que, por alguma razão, não pôde ser expressa de outra maneira. Revela um dos muitos paradoxos humanos: o de que evitar o sofrimento gera sofrimento. De acordo com os autores, é importante ressaltar que não se pensa diagnosticamente com apenas um ou outro elemento; o caminho para o pensamento diagnóstico processual não é linear, nem igual com todos os clientes ou em todos os momentos do processo terapêutico. Todos esses elementos (os impactos, as omissões, as associações espontâneas, as repetições, os sintomas etc.) se entrecruzam e podem ocorrer ao mesmo tempo. São sinais que indicam possíveis relações figura/fundo e sugerem hipóteses diagnósticas que aguçam a observação e a discriminação do Gestalt terapeuta. Assim, o pensamento diagnóstico processual demanda uma atitude cuidadosa com o paciente, buscando por meio de uma relação respeitosa e amorosa genuína, resgatar sua possibilidade de se relacionar de forma autêntica e criativa com o ambiente, a fim de possibilitar o intercâmbio nutritivo no campo interacional e o resgate de seu lugar legítimo no mundo. Potencialidades e Limitações do Ajustamento Criativo Funcional: O ajustamento criativo funcional, ele favorece o ser, trazendo possibilidade de auto regulação para seu conforto ou benefício, de acordo com suas experiências passadas, adquiridas em relacionamentos, na parte profissional ou familiar, possuindo assim, um awareness no momento, como tomadas de decisão do seu aqui e agora, bem como, havendo também limitações de alguma experiências ou traumas, impossibilitando a criatividade para favorece-lo.