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João Marcos S. Moura │ UnP 2024.2 Dispneia • Dispneia é a sensação de dificuldade ou desconforto para respirar. • Pode ser crônica (duração superior a 4 semanas) ou aguda. • Em termos gerais, é uma incapacidade de respirar confortavelmente. Fisiopatologia da Respiração • Centro respiratório no bulbo, controlando a ventilação de forma involuntária. • Quimiorreceptores (O2 e CO2 no plasma): o Centrais no cérebro. o Periféricos no arco aórtico e seio carotídeo. • Mecanorreceptores nos pulmões: Detectam distensão do pulmão e ajudam a desencadear a respiração. • Receptores irritantes: Protegem contra substâncias nocivas aspiradas, provocando tosse e dispneia. • Sistema nervoso central: Estímulos psicogênicos como a ansiedade podem também causar dispneia. • Músculos da Respiração o A ventilação é realizada pela bomba ventilatória (caixa torácica, intercostais, diafragma). o A pressão negativa no tórax permite a entrada de ar nos pulmões. Trocas Gás-Exposição • As trocas gasosas ocorrem entre os alvéolos e os capilares pulmonares. • Doenças que afetam a barreira alvéolo-capilar prejudicam a troca de oxigênio e CO2. Interação entre Sistema Cardiovascular e Respiratório • Insuficiência cardíaca e doenças cardíacas podem diminuir o débito cardíaco, afetando a ventilação. • Edema pulmonar (cardiogênico) pode ser causado pela pressão diastólica final elevada no ventrículo esquerdo, levando a extravasamento de transudato nos alvéolos, prejudicando a troca gasosa. • Arritmias: Diminuição do débito cardíaco em casos de taquicardia ou bradicardia extremas. #03 Abordagem dos Principais Sintomas em Cardiologia: Dispneia João Marcos S. Moura │ UnP 2024.2 Causas Comuns de Dispneia 1. Sistema Cardiovascular: o Insuficiência cardíaca (principal causa). o Síndrome coronária aguda (equivalente isquêmico, pode ocorrer com dor torácica e dispneia). o Arritmias: Falha no fornecimento de oxigênio aos tecidos. 2. Sistema Respiratório: o Bronquopneumonia. o DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica). o Tromboembolismo pulmonar (TEP). o Asma e infecções de vias aéreas superiores (comuns no ambiente ambulatorial). 3. Causas Neuropsiquiátricas: Ansiedade, transtornos psicogênicos podem afetar a respiração. Classificação de Dispneia • Dispneia Aguda: Início repentino e 04 semanas Dispneia – Termos específicos • Ortopneia: Dispneia ao deitar-se (decúbito dorsal). O paciente sente dificuldade em respirar minutos após deitar. • Dispneia Paroxística Noturna: Dispneia que ocorre horas após deitar, acordando o paciente com a sensação de sufocamento. • Trepopneia: Dispneia ao deitar-se de um lado, geralmente associada a doenças pulmonares unilaterais, como derrame pleural. • Bendopneia: Dispneia ao inclinar o tronco para frente, comum em insuficiência cardíaca devido ao aumento da pressão intracavitária. Avaliação Clínica • Anamnese: Importante avaliar a duração, gatilhos, fatores de melhoras/piora e síntomas associados (como tosse, febre), histórico de doenças cardiovasculares, tabagismo, exposição ambiental e medicações. João Marcos S. Moura │ UnP 2024.2 • Exame Físico: o Pulmonar: Expansibilidade torácica, percussão (timpanismo, maciez), crepitações e sibilos pulmonares (indicativos de doenças obstrutivas como asma, DPOC). o Cardiovascular: Avaliação de sopros cardíacos, turgência jugular (indicativa de insuficiência cardíaca), refluxo hepatojugular, terceira bulha (indicativa de insuficiência cardíaca). Exames Complementares • Oximetria de Pulso: Avalia a oxigenação do sangue. • Gasometria Arterial: Avalia a insuficiência respiratória: o Tipo 1: Hipoxêmica (PO2 50). • Radiografia de Tórax: Essencial para diagnóstico diferencial (no pronto-socorro, por exemplo). • Eletrocardiograma (ECG): Usado principalmente para descartar causas cardíacas; valor preditivo negativo importante. • US Pulmonar: à beira leito, diferenciação de causas. • BNP e NT-proBNP: Diferenciação de causas cardíacas. Radiografias 1. Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC): o Pulmão expandido. o Cúpulas diafragmáticas retificadas. o Área cardíaca normal ou ligeiramente reduzida. 2. Pneumonia: Consolidação no lobo médio (direito). 3. Pneumotórax: o Ausência de vasculatura na periferia do pulmão. o Coração e mediastino deslocados para o lado direito. o Linha de pneu motórico observada. 4. Insuficiência Cardíaca: o Cardioomegalia (aumento do coração). o Congestão pulmonar e velamento do seio costofrênico, indicando derrame pleural. João Marcos S. Moura │ UnP 2024.2 BNP e NT-proBNP • BNP (peptídeo natriurético tipo B) e NT-proBNP são biomarcadores cardíacos liberados pelo miocárdio em resposta ao estiramento das câmaras cardíacas. • Função: Induzem natriurese (eliminação de sódio e água) e vasodilatação, contrapondo-se à ação da angiotensina II e aldosterona. Uso clínico no diagnóstico diferencial da dispneia: Valores de corte na emergência • Descarta IC (insuficiência cardíaca): o BNP 400 pg/mL o NT-proBNP >900 pg/mL (ou >1800 pg/mL em idosos) • Valores intermediários: Necessitam de outros exames para esclarecimento, ex.: USG pulmonar. Ultrassom Pulmonar na Emergência 1. Exame USG Normal: o Linhas A: Linhas horizontais paralelas à pleura = pulmão normal o Sinal da praia (modo M): Representa o movimento pleural visceral e parietal normal Ultrassom Pulmonar na Emergência 2. Alterações no Ultrassom (anormal): o Linhas B: Linhas verticais perpendiculares à pleura, indicam edema alveolar (geralmente associado a edema pulmonar cardiogênico ou SARA). o Ausência de Movimento Pleural: Sinal da estratosfera ou código de Barres, sugerindo pneumotórax. o Consolidação Pulmonar: Indica pneumonia ou SARA, dependendo do tipo de consolidação (localizada ou difusa). o Derrame Pleural: Pode ser observado no ultrassom com a visualização do pulmão e do líquido acumulado, frequentemente associado à dispneia. João Marcos S. Moura │ UnP 2024.2 Importância dos Exames no Diagnóstico Diferencial • Radiografia: Auxilia na avaliação de condições como DPOC, pneumonia, pneumotórax e insuficiência cardíaca. • BNP e NT-pro-BNP: Útil para diferenciar causas cardíacas de outras origens de dispneia, como pulmonares ou metabólicas. • Ultrassom Pulmonar: Um exame rápido e eficaz para detectar sinais de edema, pneumotórax, consolidação pulmonar e derrame pleural, ajudando no diagnóstico de condições agudas respiratórias. Exames complementares na investigação da dispneia Além do BNP e ultrassom pulmonar, outros exames podem auxiliar no diagnóstico diferencial: • Raio-X de tórax: Avaliação inicial de doenças cardíacas e pulmonares. • Troponina: Indicada se houver suspeita de síndrome coronariana aguda. • Dímero D: Solicitado se houver suspeita de tromboembolismo pulmonar (TEP). • Prova de função pulmonar: Para DPOC, asma (sibilâcia) e outras doenças pulmonares crônicas (geralmente em contexto ambulatorial). • Ecocardiograma: Essencial para confirmar insuficiência cardíaca (IC). • Tomografia de tórax: Para casos duvidosos ou quando a radiografia não esclarece o diagnóstico. Avaliação inicial da dispneia na emergência (ABCDE) João Marcos S. Moura │ UnP 2024.2 A – Via aérea • Prioridade máxima em casos de estridor, edema de face ou queimaduras de vias aéreas. • Garantir via aérea definitiva se necessário. B –Ventilação • Fornecimento de oxigênio: o Cateter nasal: Aumenta a FiO₂ em ~3% por litro/min. o Máscaras faciais, CPAP/BiPAP: Para suporte ventilatório não invasivo. o Intubação se necessário. • Saturação de O₂ deve ser titulada, sem necessidade de manter 100%. C – Circulação • Avaliação de sinais de choque e perfusão. • Diagnóstico diferencial entre causas cardiogênicas e pulmonares da dispneia. Considerações sobre o BNP no diagnóstico da insuficiência cardíaca Quando o BNP é útil? • BNP elevado → Sugere insuficiência cardíaca. • BNP normal → Indica buscar outras causas (DPOC, obesidade, TEP, etc.). Resumo final da abordagem da dispneia 1. Fisiopatologia: Compreender o mecanismo respiratório (centro respiratório, bomba ventilatória, alvéolos). 2. Anamnese: Avaliar fatores de melhora/piora, por exemplo: o Ortopneia → Sugere IC. o Dispneia súbita com dor torácica → Pensar em TEP ou SCA. João Marcos S. Moura │ UnP 2024.2 3. Exame físico: o Cardiopulmonar: Estertores, sopros, ritmo cardíaco. o Sinais periféricos: Turgência jugular, hepatomegalia, edema. 4. Exames complementares: o Eletrocardiograma e radiografia de tórax sempre fundamentais. o BNP útil para diferenciar causas cardíacas e pulmonares. o Ultrassom pulmonar como ferramenta emergente na avaliação rápida. 5. Conduta emergencial: o Garantir via aérea e ventilação. o Titular oxigênio conforme necessidade. o Iniciar tratamento específico baseado na causa da dispneia.