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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO 
DEPARTAMENTO DE TEORIA DA ARTE E MÚSICA 
LICENCIATURA EM MÚSICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
MAÉLI LIQUER DE OLIVEIRA 
 
 
 
 
 
PROCESSOS E ESTRATÉGIAS DE ATUAÇÃO DOCENTE NO PROJETO DE 
MUSICALIZAÇÃO “ORQUESTRA INFANTIL DE BARRO BRANCO.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
Vitória, ES 
2019 
 
 
MAÉLI LIQUER DE OLIVEIRA 
 
 
 
 
PROCESSOS E ESTRATÉGIAS DE ATUAÇÃO DOCENTE NO PROJETO DE 
MUSICALIZAÇÃO “ORQUESTRA INFANTIL DE BARRO BRANCO.” 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado 
ao Departamento de Teoria da Arte e Música da 
Universidade Federal do Espírito Santo como 
requisito parcial para obtenção de título de 
graduação em Licenciatura plena em Música. 
 
 
Aprovado em:___/___/______. 
 
 
 
Banca Examinadora 
 
_____________________________________ 
Professor Dr. Alexandre Siqueira de Freitas 
Presidente da banca – Orientador 
 
____________________________________ 
Professor Dr. Potiguara Menezes 
Membro 
 
____________________________________ 
Professor Dr. Victor Neves 
Membro 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico esta monografia a Deus que é a minha fonte 
de inspiração e gratidão. A Ele toda honra, pois, é 
minha força, meu amparo e minha vitória. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As vozes de um milhão de anjos não poderiam 
expressar, tudo o que sou, e espero ser, eu devo tudo 
a Ti. A Deus seja a glória. 
(Andraé Crouch) 
 
 
AGRADECIMENTO 
 
Agradeço a Deus pelo fôlego de vida, pelo extremo zelo que sempre teve 
comigo, por Sua sabedoria que é inesgotável e porquanto anelo estar com Ele para 
sempre e saber que assim será. 
Aos meus pais, Geraldo Peixoto de Oliveira e Luzia Liquer de Oliveira eu quero 
externar a minha gratidão por todos os dias de incessantes orações, pela educação 
que me deram, pelo amor e carinho que sempre depositaram em mim, por todos os 
conselhos e correções, pela força e coragem, por inúmeros sacrifícios e investimentos 
que fizeram para que eu chegasse até aqui e por serem meus exemplos de fé, vida e 
trabalho. Mãe e pai, eu vos amo imensamente, sou sequência da história de vocês, 
amor verdadeiro que nunca acaba. De todas as entrelinhas vocês são os melhores 
espaços, de cada verso poético vocês são as mais belas melodias. Não se corrompe, 
nem se envaidece, nossa ligação é além do natural, é Deus a viver em nós. 
 Aos demais da família, minha irmã Kéren e meu cunhado Valdemar, agradeço 
por serem verdadeiros companheiros nessa jornada, apoiadores do meu trabalho, 
parceria fiel para qualquer momento e alicerce em horas decisivas. 
A minha amada Igreja Cristã Maranata de Barro Branco, que foi o local que me 
oportunizou vivências musicais desde o meu nascimento, me dando a oportunidade 
de amar a música e o louvor a Deus, aos meus irmãos em Cristo que oraram por mim, 
me incentivaram e me ajudaram de alguma forma, muito obrigada. 
Aos meus amigos e colegas gratulo pela compreensão durante minha ausência 
social e pelo apoio manifestado a mim nos momentos difíceis. 
E, por fim, não menos importante, aos meus professores da UFES que 
contribuíram diligentemente na minha formação, em especial ao meu orientador, Dr. 
Alexandre Siqueira de Freitas pelo excelente trabalho realizado, pelo carinho e por 
minuciosos detalhes observados e revisados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
 
Essa pesquisa intenciona analisar as propostas e estratégias de 
atuação docente no projeto de musicalização infantil da Igreja 
Cristã Maranata de Barro Branco, no município de Serra, estado 
do Espírito Santo, e visa compreender a importância da 
educação musical na rotina das crianças e adolescentes do 
projeto de musicalização. Os dados e informações coletados 
têm o propósito de apresentar os processos de aprendizagem 
que ocorrem no projeto. Esse trabalho também ambiciona 
ressaltar características do projeto, refletir sobre os processos 
de aprendizagem musical para que seja possível aprimorá-lo. 
 
 
Palavras-chave: educação musical; musicalização infantil; 
música em igreja. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
 
This research intends to analyze the purpose and strategies of 
teaching activities in musicalization process for children at the 
Christian Church Maranata of Barro Branco, located in the city of 
Serra, Espírito Santo state. It has as a target the comprehension 
of how important is the musical education in the daily activies of 
the children involved in the project. All data and information 
colected intends to present all learning process that takes place 
during the project. Also, this work has as a purpose to highlight 
the main project features and bring out a deep thinking about the 
musical learning processes and the tools to improve it. 
 
Keywords: musical education; childhood musicalization; 
religious music. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................8 
 
2. MÚSICA E SIGNIFICADO...............................................................................10 
 
3. A MÚSICA NA RELIGIÃO CRISTÃO-PROTESTANTE: BREVE 
HISTÓRICO................................................................................................................11 
 
4. ESTUDO DE CASO: PROJETO DE MUSICALIZAÇÃO “ORQUESTRA 
INFANTIL DE BARRO 
BRANCO.”..................................................................................................................14 
 
4.1 O projeto de musicalização “Orquestra Infantil de Barro Branco”..............................14 
4.2 Planejamento docente e fundamentação teórica.......................................................15 
4.3 Métodos e atuação docente.......................................................................................17 
 
5. RESULTADOS ALCANÇADOS......................................................................18 
 
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................19 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Muitos estudantes em cursos de música vivenciam ou vivenciaram o que a 
abordagem desse tema traz, que é o ensino de música em projetos sociais. A música 
é para todos. Todas as pessoas têm o direito de aprender e praticar música. 
Nessa pesquisa estará em foco o desenvolvimento da educação musical para 
crianças e adolescentes que não tiveram a oportunidade de ter um vínculo formal com 
alguma escola de música ou de ensino básico. Com esse projeto queremos afirmar 
que esse grupo de crianças e adolescentes podem ingressar em academias, 
instituições de ensino superior de música ou se tornar um profissional da área. 
A igreja é um desses espaços que oportunizam o ensino musical e vale 
ressaltar que a prática de música em igrejas tem uma base de significados culturais 
e que tem se aperfeiçoado cada vez mais. Muitas crianças e adolescentes têm se 
beneficiado da musicalização infantil e é importante que se dê espaço a esse tema 
para que se desenvolva propostas para um ensino de qualidade, no qual a música, 
na sua forma teórica e prática, seja valorizada coerentemente. 
A música é uma realidade dentro do universo religioso e tem ampla utilização 
em geral. Em igrejas evangélicas, especificamente, uma das funções dentro de seus 
ritos é o chamado louvor, isto é, uma afirmação e exaltação da crença adotada 
através da música. A expressão musical junto à manifestações religiosas resulta em 
um conjunto de conhecimentos, costumes e princípios. Nesse contexto, podemos 
evidenciar que as crenças e as práticas religiosas influenciam diretamente na 
performance e na educação musical. Essa é a realidade do projeto de musicalização 
infantilda Igreja Cristã Maranata de Barro Branco, que utiliza a música em sua função 
principal para cultuar, adorar e devotar a Deus. Contudo, também visa objetivos 
educacionais. 
Educar um indivíduo é um processo que requer cuidados e muita competência. 
É importante que o professor esteja em sintonia com todas as áreas que possam 
contribuir com seu trabalho, valorizando assim a interdisciplinaridade e buscando 
atender as especificidades de seus alunos. No desenvolvimento dessa pesquisa, 
vamos falar sobre a importância da educação musical, os processos de ensino aos 
alunos e a educação acompanhada pelo professor em conjunto com as famílias, 
amigos e comunidade. 
9 
 
Teca de Alencar Brito (2003) fala que a exploração no universo musical feita 
por crianças é algo que depende de um orientador e precisa ser um processo 
cauteloso para garantir que o desenvolvimento musical infantil seja construído com 
sentimentos, experimentações, percepções, criatividade a fim de provocar na criança 
segurança para realizar qualquer tipo de atividade musical. Pensando nisso, vamos 
detalhar neste trabalho processos que visam atender tais necessidades. Nesta 
pesquisa, a educação musical será apresentada com todos seus preparos e aparatos 
para denotar uma linha metodológica de qualidade, tanto para as crianças quanto 
também uma experiência de qualidade de ensino para os docentes. 
Bem sabemos que a música é um direito de todos os estudantes do ensino 
básico, porém, sabemos nem todas as crianças, adolescentes e jovens têm ou 
tiveram contato com um ensino musical. Por isso, colocaremos em foco um projeto 
social que oportuniza esses indivíduos a terem contato com a música de uma forma 
mais palpável, como personagens principais e não apenas como espectadores. 
Quando entra-se em contato com a música de maneira superficial, as 
informações nem sempre são bem selecionadas. Por exemplo, no ensino de canto 
por meio de vídeoaulas, as pessoas querem um resultado satisfatório em curto prazo. 
Porém, não levam em conta que precisam de um acompanhamento em tempo real, 
pois um vídeo gravado não identifica as características vocais, seus possíveis 
problemas e não atende as especificidades de cada um ou do coletivo. A divulgação 
de um conhecimento por tutoriais na internet com a auto aplicação do indivíduo 
poderá acarretar sérios problemas1. Por isso, a supervisão e o acompanhamento de 
um profissional qualificado são muito importantes em qualquer ensino formal ou não-
formal de música. Técnicas pedagógicas estão sendo cada vez mais discutidas para 
que as aulas sejam prazerosas e didáticas e, como uma via de mão dupla, possa 
desenvolver o ensino-aprendizagem entre professores e alunos. 
 
[...] Nas condições de verdadeira aprendizagem, os educandos vão se 
transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber 
ensinado, ao lado do educador igualmente sujeito do processo. (FREIRE, 
1996, p. 26). 
 
 
1 Em alguns casos, no entanto, quando bem estruturados e realizados, processo de autoaprendizagem podem 
também obter resultados satisfatórios. 
10 
 
2. MÚSICA E SIGNIFICADO 
 
Quando falamos em significado, queremos saber qual o sentido e a importância 
que algo possui e como relações se estabelecem a partir deste princípio. A maneira 
que é imputado o sentido à alguma coisa pode se tornar inerente à construção de 
usos e costumes a um determinado grupo. Neste panorama, entenderemos o valor 
que a música detém na vida cultural e cotidiana das pessoas. 
A aprendizagem significativa, é mencionada por Moreira (1997) baseando-se 
em Ausubel (1978), e explica que são conhecimentos e experiência marcantes e, por 
vezes, são atualizadas com o decorrer do tempo. O processo educativo se dedica ao 
desenvolvimento do cognitivo, o afetivo e o psicomotor. A aquisição, a organização e 
a assimilação de significados devem estar estruturadas a partir de experiências diretas 
e indiretas, fazendo conexões com o ambiente, com as histórias culturais e com as 
pessoas. 
A música como uma forma de discurso contém ideias de nós mesmos e dos 
outros, sendo articuladas em formas sonoras, segundo Swanwick (2003, p.18) essas 
ideias são capazes de realizar estímulos sensoriais, emocionais e mentais, e que, em 
certas situações são utilizadas em ritos, crenças e celebrações, que revelam, de 
algum modo, quem somos e o ambiente no qual estamos inseridos. Na aquisição de 
experiência musical temos sons, notas, ritmos, expressões, movimentos, interações, 
sentimentos e sentidos, todos esses elementos geram valores que constituem uma 
arte que se insere em determinada cultura, como evidencia Swanwick (2003): “[...] 
Podemos ver que a música não somente possui um papel na reprodução cultural e 
afirmação social, mas também potencial para promover o desenvolvimento individual, 
a renovação cultural, a evolução social e a mudança.” (2003, p. 40). 
A presença da estética na música vem acompanhada de experiências que 
podem ser previstas ou não, de acordo com a sua significação particular, pode ser 
alcançada uma expectativa além do ordinário, pois o uso da música quando orientado 
adequadamente proporciona funções e valores que trarão sentido e características 
específicas a um determinado grupo. Cada cultura tem seu sotaque, sua diversidade, 
e é necessário valorizar e garantir que essas diversas facetas sejam preservadas, 
evitando a intolerância e o preconceito. Por isso, quando falamos de educação 
musical devemos atribuir a música como forma de conhecimento, troca de 
11 
 
pensamentos, compartilhamento de situações e significados, tendo em vista que 
culturas não são solidificadas e que o papel do professor é fazer com que a música 
seja protagonista na sua missão, como por exemplo, transformar notas em melodias, 
melodias em estruturas e estruturas em experiências estéticas significativas, e 
também propiciar o progresso e melhoria, zelando pelo respeito, integridade e 
especificidades de culturas locais e funções sociais. 
 
3. A MÚSICA NA RELIGIÃO CRISTÃ-PROTESTANTE: BREVE HISTÓRICO 
 
É muito comum o uso da música em espaços religiosos, ela é utilizada como 
forma afirmativa de uma crença e também no desenvolvimento e equilíbrio espiritual. 
Dentre as funções que a música desempenha na religião, podemos citar que a música 
pode favorecer o bem estar emocional, acalmar o corpo, iluminar os pensamentos, 
nutrir o espírito, fortalecer as crenças e construir valores. “A música faz parte da vida 
social e individual, principalmente associada às festividades ao lazer, do trabalho, da 
sexualidade, da religião e da cura”. (Bréscia, 2003, p.29). 
 Podemos supor que, no período da Pré-história à Antiguidade, a música se 
preservava de forma orgânica, com uso de elementos da natureza, canto em grupo, 
movimentos corporais e fazia parte de rituais de agradecimentos aos deuses, pedidos 
de proteção e sobrevivência. 
 Após a morte de Cristo, por séculos, os cristãos foram perseguidos pelos 
imperadores romanos e isso comprometia a execução de música cristã. Mas, a partir 
do império de Constantino (313 d.C.), o cristianismo passou a ser tolerado e 
consequentemente, houve uma ascensão da igreja, que aos poucos passou a ter 
influência política e econômica na sociedade. Neste período Costa (2008) relata que 
o cântico cristão que era congregacional passou a ser sacerdotal, isto é, adoração 
feita somente por um grupo de sacerdote e segundo Kazihara (2016), o clero se 
aproveitava de atitudes que não estavam citadas na bíblia para benefício próprio, 
como, aumentar seu poder e riqueza. 
Na parte musical, a igreja católica então introduziu o cântico litúrgico como um 
meio de louvar a Deus e se comunicar com os fiéis. Porém, no início desse período, 
a música era entoada em coro uníssono e sem uso de instrumentos. Somente homens 
e meninos cantavam, asmelodias monofônicas executavam notas de alturas próximas 
e o ritmo seguia as prosódias das palavras latinas. 
12 
 
 Aos poucos, instrumentos como o órgão e a orquestra de cordas começaram 
a ser inseridos nas missas, acompanhando as vozes do coro polifônico como 
demonstra Toledo (2009): [...] “A orquestra e o órgão atuam como um 
acompanhamento das vozes do coro. O órgão é praticamente a redução das cordas 
que dá suporte harmônico para o coro com algumas interferências contrapontísticas.” 
(2003, p.42). Essa maneira de executar a música cristã dificultava a compreensão da 
congregação e a tornava inacessível aos fiéis. Por essa complexidade, somente coros 
instruídos e bem preparados podiam entoar os cânticos litúrgicos. 
No período que depois ficou conhecido como Renascimento, ocorreu a reforma 
protestante, tendo seu início a partir de um manifesto em 31 de outubro de 1517, no 
qual Martinho Lutero (1483-1546) pregou na porta da igreja de Wittenberg suas 95 
teses. Outros nomes, como Calvino (1509-1564) e Knox (1505-1570), também 
romperam com o catolicismo e isso culminou na independência religiosa de boa parte 
da sociedade que não concordava com a forma que a igreja católica conduzia seus 
interesses religiosos, sociais e econômicos. 
Lutero era poeta e músico, ele traduziu as escrituras do latim para o alemão, 
facilitando a congregação no entendimento da palavra de Deus e expondo em suas 
músicas a sua própria interpretação das escrituras sagradas. Ele organizou a música 
congregacional adotando o estilo do canto coletivo harmonizado a 4 vozes, incluindo 
estruturas melódicas e rítmicas mais fáceis em comparação com as músicas que a 
igreja católica impusera aos fiéis. Fundamentado em Hustad (1986), Costa (2008) cita 
que Martinho compôs hinos para evidenciar as principais ênfases da doutrina luterana: 
batismo, comunhão, penitência e os dez mandamentos.” (Costa, 2008, p.7) 
 No século XVII, grupos protestantes e seus respectivos líderes tinham o 
objetivo de tornar a música um instrumento de ensino das doutrinas bíblicas, utilizando 
elementos como poesias da época, estilos de canções populares e diversos tipos de 
instrumentos foram inseridos na música religiosa deste período, segundo Baggio 
(1997). 
Com o decorrer do tempo e o enfraquecimento da igreja de Roma, o movimento 
cristão-protestante se difundiu em diversos países, o que acabou culminando na 
adesão à reforma religiosa por várias denominações. A partir do século XIX, por 
exemplo, grupos pioneiros como presbiterianos, batistas e metodistas se 
denominaram evangélicos por praticarem os mandamentos e o que acreditam ser 
verdades contidas na bíblia e se reuniram em acampamentos para adotarem um novo 
13 
 
estilo musical que permitiria criar com liberdade melodias atraentes, refrão repetitivo 
e harmonia simples. Eram tocadas e cantadas inicialmente em escolas bíblicas 
dominicais para o público infantil. Porém, esse estilo também foi aderido por jovens e 
adultos da congregação que exploravam o universo do improviso em seus hinos e 
canções e esse estilo ainda é visto atualmente em algumas igrejas evangélicas. 
Após muitos anos de conflitos e disputas territoriais praticados por 
colonizadores pelo mundo, a música evangélica se estabelece no Brasil ao longo do 
século XIX com referenciais anglicanos e luteranos em seus cânticos, tendo como 
língua o inglês e o alemão, respectivamente, e, a partir de 1850, seus cânticos 
passaram a ser entoados em português como relata Costa (2008) baseando-se em 
Silva (1996). 
Após o reconhecimento legal assegurado aos protestantes em 1890 por um 
decreto do governo republicano, como diz Kazihara (2016), várias denominações 
evangélicas se ramificaram, as músicas passaram a ser cantadas em português e 
algumas tradições europeias perpetuaram fronteiras e gerações de forma a se 
adequar à contemporaneidade. 
 
Apesar do grande esforço da igreja católica em se fortalecer, a igreja evangélica teve um 
crescimento significativo durante o período republicano pois, com a liberdade religiosa, 
intensificou-se as atividades missionárias estrangeiras. Desde este momento o país 
recebeu inúmeras denominações evangélicas trazidas por esses missionários. (Kazihara, 
2016, p. 17). 
 
 Em 1950, o movimento de pentecostalismo ganhou força entre diversas 
denominações evangélicas e atribuiu grande relevância à música e aos novos gêneros 
musicais como os “corinhos de fogo” e as ministrações durante o louvor. Essa 
demanda de novos estilos e da inserção dos mandamentos bíblicos na música da 
igreja evangélica, tinha por objetivo a formação de grupos de instrumentistas e 
cantores voluntários (ministério de louvor) dentro das igrejas para conduzir o canto 
congregacional dos cultos evangélicos e, segundo sua crença, cumprir a missão de 
levar o evangelho a toda criatura, servindo e obedecendo a Deus motivados pelo amor 
fraternal segundo Witt (1995). 
 
 
 
14 
 
4. ESTUDO DE CASO: PROJETO DE MUSICALIZAÇÃO “ORQUESTRA 
INFANTIL DE BARRO BRANCO” 
 
4.1. O projeto de musicalização “Orquestra Infantil de Barro Branco.” 
 
 A Orquestra Infantil de Barro Branco é um trabalho voluntário de musicalização 
desenvolvido por duas estudantes de Licenciatura em Música da Universidade 
Federal do Espírito Santo, uma delas a autora desta pesquisa. O projeto é realizado 
na Igreja Cristã Maranata, situada no bairro Barro Branco, no município de Serra, 
estado do Espírito Santo, e tem por missão oferecer a experimentação de 
instrumentos musicais, iniciação ao canto coral e noções de teoria musical. 
Com base no capítulo anterior, podemos supor que a prática musical nas igrejas 
evangélicas era realizada majoritariamente por jovens e principalmente por adultos, 
no entanto este projeto nasceu de um desejo de musicalizar as crianças e 
adolescentes da igreja local onde as docentes congregam, com o objetivo de que eles 
sejam participantes ativos nos cultos, e também torná-los instrumentistas atuantes e 
protagonistas de seu próprio repertório (que é cuidadosamente selecionado). 
O projeto teve início em abril de 2019 e foi feito um planejamento entre as 
docentes e o pastor da igreja para que o trabalho fluísse de forma que atendesse as 
expectativas dos pais, das crianças, da congregação e das docentes, tendo em vista 
que este é o primeiro projeto musical realizado com as crianças e adolescentes da 
igreja local e levando-se em conta que é um trabalho realizado por duas docentes em 
qualificação. O planejamento do projeto foi desenvolvido com o objetivo de que as 
crianças e adolescentes pudessem ter o ensino básico de teoria e prática musical, 
tendo em vista que todo o aprendizado deve ser colocado em prática o mais rápido 
possível devido a demanda da igreja. 
O cronograma do planejamento dividiu-se em duas fases. A primeira fase 
contou com aulas de teoria musical e práticas para cada naipe e também prática em 
conjunto. A segunda fase foi direcionada para ensaios e, consequentemente, para a 
apresentação e execução dos louvores aprendidos. 
Neste projeto, participam aproximadamente 15 crianças e adolescentes, entre 
membros da igreja e visitantes assíduos, na faixa etária de 6 a 15 anos. O repertório 
utilizado é de domínio autoral da igreja, denominada evangélica protestante. O intuito 
é unir simultaneamente o canto coral infantil com a orquestra de instrumentos de 
15 
 
musicalização, fazendo com que a prática musical seja incentivada no cotidiano das 
classes participantes do projeto. 
Os instrumentos de musicalização utilizados são: flauta transversal, teclado, 
escaleta, ukulele, flauta doce, violino, bongô, meia lua e ganzá, e são divididos de 
acordo com o interesse de cada participante, sendo alguns deles compartilhados a 
cada apresentação. 
 
4.2. Planejamento docente e fundamentação teórica 
 
 Considerando o conteúdo lecionado pelas educadoras de música, é importanteressaltar que as aulas entram no planejamento como centro de ensino aprendizagem 
dos alunos e das educadoras, de forma criativa, buscando ações, desenvolvendo 
pesquisas e alternativas para superar as dificuldades e estabelecer significados 
transformadores a partir do contato direto com a educação musical, como pensa 
Bordignon (2014). 
Minha parceira de trabalho contribui dizendo que “nosso objetivo como 
docentes é fomentar a musicalização infantil através do canto coral e da 
instrumentalização. Temos a pretensão de efetivar a experimentação musical para 
crianças e adolescentes através de estudos teóricos e práticos que permitam aos 
educandos explorar as habilidades corporais e cognitivas, a criatividade, a 
concentração, a disciplina e a prática de conjunto.” 
 O acompanhamento no desenvolvimento educacional do aluno precisa estar 
presente no planejamento, para que haja reflexão de aspectos positivos e negativos, 
possibilitando aos docentes a revisão de práticas e propostas pedagógicas que levem 
a um excelente resultado, como cita Vasconcellos (2006). 
 
A reflexão, portanto, é uma mediação no processo de transformação. Digamos assim, ela 
pode agir ‘através’ do sujeito. Para quem deseja a mudança resta, pois, a possibilidade de 
interagir com a intencionalidade dos sujeitos, favorecer a interação entre eles, de forma a 
que possam ter uma ação pautada numa nova concepção. (Vasconcellos, 2006, p. 11) 
 
A fundamentação teórica que baseou o trabalho desenvolvido pelas 
educadoras, foi dividido em duas partes, de acordo com o planejamento estipulado no 
16 
 
cronograma abaixo (quadro 1). O primeiro aporte teórico que foi aplicado na primeira 
fase do projeto, contou com materiais didáticos dos seguintes autores: 
 
 CIAVATTA. O passo. (2003) – Com princípios de inclusão e autonomia, 
desenvolve a musicalidade com a utilização do corpo, da criatividade, da 
cultura e do coletivo. 
 ALMADA. Arranjo. Harmonia funcional (2000; 2009) – Com métodos que nos 
trazem a reflexão do equilíbrio entre o simples e o complexo e a compreensão 
das funcionalidades dos procedimentos em estruturas musicais. 
 BRITO. Música na educação infantil (2003) – Com propostas pedagógicas que 
norteiam o desenvolvimento de atividades correspondentes às especificidades 
da educação infantil baseado em seus trabalhos e de pesquisadores como 
Koellreutter, Paynter, Schafer e Delalande. 
 
O segundo aporte teórico que foi aplicado na segunda fase do projeto, contou 
parcialmente com a tendência pedagógica do seguinte autor: 
 
 FREIRE. Pedagogia do oprimido (1987) - Que se baseia na teoria progressista, 
defendendo uma educação libertadora, antiautoritária, com diálogo aberto, que 
assegura o respeito, a ética, o combate à discriminação e à intolerância. 
 
As educadoras de música da Orquestra Infantil de Barro Branco planejaram um 
cronograma constando um prazo de 6 meses para que o projeto fosse aplicado, 
estabelecido a partir de uma reflexão sobre os processos de aprendizagem e listando 
as atividades a serem realizadas, sempre visando o desenvolvimento das crianças e 
adolescentes participantes. 
 Levando em consideração que o canto na Igreja Cristã Maranata é uma prática 
congregacional efetivada desde os anos iniciais da criança, todos os participantes 
tocam e cantam os louvores do repertório da Orquestra Infantil. 
A primeira fase foi organizada com o objetivo de aplicar o conteúdo teórico 
trazendo técnica básicas ao canto coral e fundamentação para o ensino de 
instrumentos. Ela também implicou no desenvolvimento de oficinas para o ensino dos 
instrumentos, e na propiciação de prática de conjunto para partilhar a linguagem 
musical proposta, respeitando as especificidades e o desenvolvimento de cada aluno. 
17 
 
A segunda fase está pautada em produzir ensaios com a Orquestra Infantil utilizando 
o repertório que foi selecionado pelas educadoras juntamente com o pastor da igreja 
local e realizar as apresentações durante os cultos do sábado (conforme descrito no 
cronograma). 
 
 
 
Quadro 1- Cronograma do projeto (2019) 
 
 
4.3. Métodos e atuação docente 
 
Inspirados numa proposta pedagógica de ensino freiriana, os métodos 
desenvolvidos pelas educadoras consideravam aspectos sociais, culturais, e 
humanos de cada aluno, abrindo espaço para a contribuição de cada participante da 
Orquestra Infantil de Barro Branco de forma ativa na construção de saberes, utilizando 
a linguagem do cotidiano e usufruindo do conhecimento como a peça que tem a 
potencialidade de transformar e incentivar a criatividade, a desenvoltura e as 
habilidades de cada indivíduo. 
Guedes e Leitão (2016) baseando-se em Paulo Freire, citam que “ao formular 
as bases da educação libertadora, fundamentada na teoria da ação dialógica, que 
substituiu o autoritarismo presente na escola tradicional, contribuiu para construir os 
princípios da educação comprometida com a humanização do ser humano e sua 
libertação. Essa concepção se materializa em atitudes, escolhas e relações 
empreendidas na prática pedagógica docente, em que os estudantes são vistos como 
sujeitos capazes de produzir conhecimento, à medida que são estimulados pelo 
exercício crítico e dialógico de refletir e estabelecer relações com os objetos de seu 
contexto social e político, compreendendo que é possível intervir e transformar a 
realidade.” (Guedes; Leitão, 2016, p.37) 
18 
 
Na atuação docente, durante as aulas teóricas, buscou-se estabelecer um bom 
diálogo com os alunos, que traziam suas dúvidas, sugestões e curiosidades. As 
docentes explicavam o conteúdo e estimulavam a participação efetiva dos alunos. 
Com o objetivo de fixar os conteúdos, as educadoras deixavam atividades escritas a 
serem feitas em casa pelos estudantes. Vale lembrar que, com o objetivo de facilitar 
a apreensão dos conteúdos teóricos, foi utilizado também recursos como vídeos, 
imagens, músicas e alguns instrumentos musicais. Durante os ensaios, as docentes 
trabalharam o repertório com arranjos e harmonias de acordo com a fluência de cada 
criança e adolescente em seu instrumento e observaram o desenvolvimento de cada 
um, para que houvesse progressos contínuos e conjuntos com o grupo. 
 
5. RESULTADOS ALCANÇADOS 
 
 Levando-se em consideração todos os aspectos mencionados neste trabalho, 
podemos concluir que o uso da música em igrejas evangélicas sempre teve uma 
grande relevância na educação musical, não formal e informal, e na criação de 
significados culturais. No caso do projeto da Orquestra Infantil de Barro Branco, 
crianças e adolescentes tiveram a oportunidade de aprender técnicas vocais básicas 
e de participar de oficinas de instrumentos de musicalização infantil, tornando-os 
protagonistas de seus repertórios em apresentações semanais. 
 Tivemos três casos interessantes que demonstram o fruto do nosso trabalho. 
O primeiro é o caso de uma adolescente que não frequentava a igreja havia muito 
tempo e nós fizemos o convite a ela para que participasse conosco deste projeto e ela 
prontamente aceitou, com o objetivo de aprender o ukulele. Porém, ela não tinha o 
instrumento e nós emprestamos o nosso para que ela desse início as aulas. Com um 
mês de frequência na Orquestra Infantil de Barro Branco, ela ganhou por parte de sua 
mãe o instrumento e, consequentemente, a cobrança pelo investimento. Nós 
percebemos que isso a afetava diretamente na sua autoestima, pois ela se sentia 
muito pressionada. Por diversas vezes, tínhamos que auxiliá-la com conversas para 
que ela levasse aquele aprendizado com leveza. No decorrer do tempo, ela obteve 
resultados muito satisfatórios e hoje não coloca mais aquele peso que inicialmente foi 
imposto pela mãe. O segundo caso é o de um adolescente que sempre foi frequente 
nos cultos, porém apresentava um comportamento vulnerável. Mas, após a inserção 
19 
 
deste adolescente no projeto, a própria família nos contatoupara nos falar sobre a 
mudança e a disciplina que a música trouxe para ele. Realmente notamos que o 
interesse pela música aflorou o afeto e a gentileza no convívio dele conosco, com os 
amigos e com a família. O último caso a ser relatado é o de um casal de irmãos recém 
chegados no bairro, que foram inseridos no projeto. No início, apresentaram bastante 
agitação e dispersão de foco, mas nós persistimos em uma educação que respeita o 
tempo de cada criança e hoje essas crianças são as que mais se engajam no projeto. 
É visível a mudança desses alunos nos ensaios e cultos. 
Podemos concluir que a atuação dos docentes deve ser feita cautelosamente 
e de forma responsável, pois todos os processos geram resultados que podem ser 
positivos ou negativos. Portanto, o educador musical deve estar consciente do 
contexto de seus alunos, bem como suas especificidades e habilidades, garantir-lhes 
um ambiente acolhedor, que priorize o respeito, a coletividade, a empatia e que 
valorize desde os mais singelos aos mais grandiosos avanços. 
 
 
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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Considerações sobre a mobilidade de pedestres, no núcleo de serviços da Região 
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Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense, Niterói, 
2006. 
	6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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