Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

ESTUDOS PERICIAIS DE INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE 
 
 
 
 
 
 
 
Sumário 
 
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 3 
1.1 O risco de doenças laborais ................................................................. 6 
1.2 O risco e o meio ambiente do trabalho ................................................ 7 
2. RISCO NO AMBIENTE DE TRABALHO: INSALUBRIDADE E 
PERICULOSIDADE ............................................................................................ 9 
2.1 Norma Regulamentar 16 (NR16) ....................................................... 17 
3. O TRABALHO EM CONDIÇÕES INSALUBRES E PERIGOSAS .................... 24 
4. NORMAS LEGAIS ACERCA DO TRABALHO EM CONDIÇÕES DE 
INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE ........................................................ 30 
5. PERÍCIA DE INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE ................................... 32 
6. GUIA PARA ELABORAÇÃO DE LAUDO TÉCNICO ........................................ 39 
7. LEGISLAÇÃO BASE DA PERICIA – INSALUBRIDADE .................................. 42 
8. LEGISLAÇÃO BASE DA PERÍCIA – PERICULOSIDADE................................ 51 
9. REFERÊNCIAS ................................................................................................ 65 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
O meio ambiente do trabalho e sua importância no direito contemporâneo 
são inegáveis. Neste sentido a Organização Internacional do Trabalho – OIT, em 
concomitância com o Direito Humanitário e à Liga das Nações tiveram um papel 
importante na contribuição no processo de internacionalização não só dos direi-
tos humanos como também das condições de trabalho e de bem-estar daqueles 
países que ratificaram suas convenções. A Convenção Internacional do Traba-
lho nº 148, realizada em Genebra, trouxe no seu arcabouço importantes contri-
buições no tocante a adoção de propostas relativas ao meio ambiente laboral. 
Nela se verificam pontos importantes quanto à questão da contaminação atmos-
férica, dos ruídos e vibrações, aplicáveis a todas as categorias. Nesses locais, 
“o estado de saúdes dos trabalhadores deverá ser objeto de uma vigilância gra-
tuita com intervalos apropriados e exame médico prévio e periódico” (BARROS, 
Alice Monteiro de. 2010, p. 1068). O Brasil, ratificou a mesma em 1982 e a pro-
mulgou através do Decreto nº93.413/86. A OIT também trata do meio ambiente 
do trabalho na Convenção 155 ao estabelecer nos seus artigos 3º, alínea “a” e 
4º item 2, sobre a saúde, que não abrange tão somente as ausências de enfer-
midades ou afecções, mas também os elementos que podem afetar a saúde 
física e mental que estejam diretamente relacionados com a segurança e higiene 
no trabalho; bem como da política de prevenção dos danos e acidentes deriva-
dos por consequência do trabalho. Não pode ser deixado de elencar outras tan-
tas importantes convenções da OIT ratificadas pelo Brasil: 
Convenção 115 – proteção contra radiações ionizantes –; 
Convenção 127 – peso máximo de cargas –; 
Convenção 136 – proteção contra os riscos ocasionados pelo benzeno; 
Convenção 139 – prevenção e controle de riscos profissionais provocados 
por substâncias cancerígenas no local de trabalho –; 
 
 
Convenção 148 – proteção contra os riscos provenientes da contaminação 
do ar, de ruído e de vibrações no local de trabalho –; 
Convenção 152 – segurança e higiene nos trabalhos portuários; 
Convenção 155 – segurança e saúde dos trabalhadores e meio ambiente 
do trabalho e o Protocolo de 2002 a respeito do tema –; 
Convenção 159 – reabilitação profissional e emprego de pessoas deficien-
tes –; 
Convenção 161 – serviços de saúde e segurança no trabalho –; 
Convenção 162 – utilização do asbesto (amianto) com segurança –, 
Convenção 170 – utilização de produtos químicos no trabalho. 
Importante destacar que os incisos XXII e XXIII do artigo 7º da CRFB, tra-
zem importantes direitos dos trabalhadores em termos de meio ambiente do tra-
balho. Igualmente no inciso VIII do artigo 200 da Lei Maior, quando trata do sis-
tema único de saúde, contempla a importância da proteção ao ambiente laboral, 
fazendo menção ao meio ambiente do trabalho. Também o artigo 6º, quando 
elenca os direitos básicos do cidadão, bem como o artigo 225, que assegura a 
todos um meio ambiente ecologicamente equilibrado, essencial à sadia quali-
dade de vida, impondo ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo 
e preservá-lo. Diante do princípio da ubiquidade inserido na Lei nº6.938/81, que 
trata da Política Nacional do Meio Ambiente, não temos como pensar em meio 
ambiente de maneira desassociada e restrita, pois é necessário que toda a so-
ciedade esteja engajada em prol de sua preservação. Nesse sentido, este prin-
cípio traz a ligação do direito ao meio ambiente saudável e seus valores para 
com o desenvolvimento da sociedade, que é responsável pelo bem estar social, 
psíquico e econômico de todo ser humano. Desse modo, o meio ambiente do 
trabalho não fica ausente de análise, pois não se pode pensar apenas na em-
presa e no ambiente de trabalho. 
Há que se ter em mente a necessidade de termos condições de uma vida 
aprazível fora da empresa, pois ela também influenciará nas consequências de 
 
 
eventual acidente no local de trabalho. Todas as cautelas devem ser pensadas, 
não adianta só que a empresa dê todo o conforto, salubridade, segurança e equi-
pamentos de proteção, a fim de que tudo flua da melhor forma possível, se o 
entorno está degradado e fazendo adoecer a sociedade. O meio ambiente do 
trabalho é considerado como meio ambiente artificial especial, uma vez que in-
serido dentro do universo de determinada atividade laborativa, pouco importando 
se a mesma é remunerada, subordinada e sua valoração econômica. Esse es-
paço urbano habitável constituído de edificações feitas pelo homem, seja ele nas 
cidades ou no campo tem igual importância assim como o meio ambiente natural 
e cultural. Para tanto, há necessidade de que o ambiente aonde o mesmo é de-
sempenhado tenha o devido equilíbrio como objetivo, sem se olvidar da salubri-
dade, segurança e ausência de agentes comprometedores de sua integridade e 
incolumidade física e psíquica. 
Raimundo Simão de Melo (2010), ensina que a CRFB nos seus artigos, 
XXIII, 21, XX, 182 e 225, trazem no seu bojo o devido tratamento sobre os es-
paços fechados e equipamentos públicos, destacando sua importância no que 
tange a sadia qualidade de vida e dignidade da pessoa humana, esta última pre-
vista no inciso III do artigo 1º. O meio ambiente do trabalho nada mais é do que 
o local onde o cidadão consegue obter os meios necessários para prover seu 
sustento, e quiçá de sua família, sempre em harmonia com o equilíbrio com o 
ecossistema e está intimamente ligado ao meio ambiente em geral, pois poderá 
afetar a saúde, a segurança e o bem estar das populações, quando por exemplo, 
houver necessidade da utilização de produtos químicos e no caso de dejetos 
ecologicamente perigosos. Rodolfo Camargo Mancuso (1996), ressalta que 
“quando aquele habitat se revele inidôneo a assegurar as condições mínimas 
para uma qualidade de vida do trabalhador, aí se terá uma lesão ao meio ambi-
ente do trabalho”. A CRFB, no seu artigo 200, VIII, demonstra o quão importante 
é o ambiente onde se desenrola a vida do trabalhador, pois estabelece que é 
uma das atribuições do Sistema Único de Saúde colaborar na proteção daquele 
ambiente laboral. No meio ambiente do trabalho devem estar protegidos quais-
quer tipos de trabalhadores, sejam eles com vínculo empregatício, autônomos, 
avulsos, eventuais, etc. 
 
 
Na Consolidação das Leis do Trabalho encontramos os artigos 154 a 201 
que tratam da segurança e medicina do trabalho, atribuindo às Delegacias Re-
gionais do Trabalho a orientarem, fiscalizarem e adotarem medidasàs partes, que têm direito de discuti-lo de maneira adequada. En-
tretanto os laudos periciais produzidos através de transcrições das informações 
constantes nos PPRA's e PCMSO's tendem a terem informações destoantes da 
realidade fática dos elementos de risco encontrados no ambiente de trabalho, 
porquanto tomam como modelo as informações fornecidas unilateralmente pelos 
empregadores. Assim, o direito da parte discutir adequadamente o laudo pericial 
firmado em dados extraídos do PPRA e do PCMSO, sem assistente técnico no-
meado, por sua vez, é drasticamente lenificado. 
É possível afirmar, por isso, que o laudo pericial, prova fundamental para o 
convencimento do juiz, elaborado com base em informações prestadas unilate-
ralmente pela empresa, fere a imparcialidade e a isonomia no processo do tra-
balho. Ainda, deve ser considerado que, se a avaliação das condições de insa-
lubridade e periculosidade no ambiente de trabalho e nas atividades laborais de-
pendesse unicamente da interpretação de informações constantes no PPRA e 
no PCMSO, a partir da análise comparativa com os limites máximos de exposi-
ção aos elementos de riscos estabelecidos nas NR's 15 e 16 do Ministério do 
Trabalho, o perito técnico seria dispensável ao processo trabalhistas. Caso a 
constatação de insalubridade e periculosidade no ambiente de trabalho depen-
desse única e exclusivamente da verificação das informações constantes no 
PPRA e no PCMSO e do simples fornecimento de EPI's, essa análise poderia 
ser feita sem o parecer de um técnico com habilidades e conhecimentos especí-
ficos, porquanto análise de documentos é atividade elementar da advocacia e 
da magistratura. 
Lamentavelmente são produzidos incontáveis laudos periciais na Justiça 
do Trabalho inadequados à finalidade de avaliar a realidade fática dos elementos 
nocivos à saúde e integridade do trabalhador na atividade laboral e no ambiente 
de trabalho, entretanto que lastreiam decisões judiciais com implicações negati-
vas na vida de trabalhadores desassistidos de assistente técnico. Por conse-
guinte, tem-se como consequência o descumprimento de preceitos fundamen-
tais ligados ao direito a um processo justo e imparcial, tais como os princípios 
fundamentais do devido processo legal e do contraditório. 
 
 
Os princípios constitucionais processuais do acesso à justiça, do devido 
processo legal e do contraditório na produção da prova pericial de insalu-
bridade e periculosidade 
O princípio da proteção judiciária, também chamado de princípio da inafas-
tabilidade do controle jurisdicional, de acordo com a nomenclatura empregada 
por José Afonso da Silva (2008, p. 430), constitui em verdade, a principal garan-
tia dos direitos subjetivos. A máxima do princípio da inafastabilidade do controle 
jurisdicional, ou do acesso à justiça, está representada pelo predicado do art. 5º, 
XXXV, da Constituição de 1988, que declara: “a lei não excluirá de apreciação 
do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. O texto do inciso XXXV estabe-
lece duas garantias, a primeira está relacionada com o monopólio da jurisdição 
pelo Poder Judiciário; a segunda garantia corresponde ao direito de invocar a 
atividade jurisdicional sempre que se tenha uma lesão ou ameaça a direito indi-
vidual ou coletivo. Quanto ao devido processo legal, Fredie Didier Jr. (2011, p. 
47) afirma que suas concretizações, verdadeiros corolários de aplicação deste 
princípio, estão previstas na Constituição e estabelecem o modelo constitucional 
do processo brasileiro. Dentre os corolários do devido processo legal, inclusive, 
encontra-se o acesso à justiça previsto no inciso XXXV do art. 5º. O autor sus-
tenta que “não é lícito, por exemplo, considerar desnecessário o contraditório ou 
a duração razoável do processo, direitos fundamentais inerentes ao devido pro-
cesso legal” (DIDIER, 2011, p. 47). 
Dirley da Cunha (2010, p. 704) apresenta o devido processo legal, em li-
nhas restritivas, como “a exigência da abertura de regular processo como condi-
ção para a restrição de direitos”. O entendimento do autor aparenta-se com a 
literalidade do inciso LIV do art. 5º da Constituição, que dispõe: “ninguém será 
privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”. Doravante, 
o inciso LV do art. 5º, da Constituição, garante “aos litigantes, em processo judi-
cial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório 
e ampla defesa, com meios e recursos a ela inerentes”. O processo, segundo 
Fredie Didier (2011, p. 56), é um procedimento estruturado no contraditório. Este 
princípio, por seu turno, deriva do devido processo legal e é reflexo do princípio 
 
 
democrático na estruturação do processo. “Democracia é participação, e a par-
ticipação no processo opera-se pela efetivação da garantia do contraditório. O 
princípio do contraditório deve ser visto como exigência para o exercício demo-
crático de um poder” (DIDIER, 2011, p. 56). 
O contraditório deve ser analisado pelos aspectos formal e material. O di-
reito à participação do processo é o sentido formal do contraditório, e a efetiva 
interferência no processo, o poder de influência, perfaz a dimensão material 
deste princípio constitucional processual. Nesse sentido, Didier (2011, p. 56) 
doutrina com proficiência: A garantia da participação é a dimensão formal do 
princípio do contraditório. Trata-se de ser ouvido, de participar do processo, de 
ser comunicado, poder falar no processo. Esse é o conteúdo mínimo do princípio 
do contraditório (…). Há, porém, ainda, a dimensão substancial do princípio do 
contraditório. Trata-se do “poder de influência”. Não adianta permitir que a parte 
simplesmente participe do processo. Apenas isso não é o suficiente para que se 
efetive o princípio do contraditório. É necessário que se permita que ela seja 
ouvida, é claro, mas em condições de poder influenciar a decisão do magistrado. 
(Didier, 2011, p. 56) Assim, indaga-se: qual o poder de influência do reclamante, 
hipossuficiente, desassistido de assistente técnico, a respeito das conclusões 
“técnicas” do laudo pericial? Os laudos periciais têm sido indiscriminadamente 
acatados nas decisões judiciais, ou se têm avaliado sua idoneidade e imparcia-
lidade como prova determinante de um direito postulado? 
Defende-se o entendimento de que o magistrado deve adotar elementos 
criteriosos mínimos acerca da tecnicidade do laudo pericial apresentado pelo 
perito judicial. Do mesmo modo, os pontos de impugnação suscitados pelas par-
tes acerca dos critérios técnicos adotados ou não pelo perito nomeado, devem 
ser amplamente discutidos, esclarecidos e considerados como elementos capa-
zes de influenciar a decisão do magistrado, sob pena de grave violação ao prin-
cípio constitucional processual do contraditório. Ademais, a utilização de prova 
pericial que constrói a percepção “técnica e imparcial” dos fatos a partir de ele-
mentos e informações pré-constituídas unilateralmente pelo empregador, como 
nos casos da utilização dos indicadores dos PPRA's e PCMSO's sem constatar 
 
 
empiricamente a exposição do trabalhador a agentes nocivos à saúde e à inte-
gridade, bem como que deixa de cumprir com determinações previstas em leis, 
decretos, portarias e etc. que regulamentam a segurança e a saúde do trabalho, 
fere o princípio do devido processo legal. Logo, o acesso à justiça, não somente 
no sentido de poder levar à apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a 
direito, mas no sentido máximo da prestação jurisdicional que efetive a justiça, 
resta violado quando a atuação jurisdicional toma como fundamento determi-
nante a prova pericial constituída com parcialidade e em desconformidade com 
os preceitos técnicos estabelecidos pela normatização da segurança e medicina 
do trabalho. 
6. GUIA PARA ELABORAÇÃO DE LAUDO TÉCNICO 
Segundo Cardoso (2017, p. 46) não há um roteiro para a elaboração do 
laudo pericialpadrão. O que existem atualmente são convenções, geralmente 
embasadas em peritos experientes que desenvolvem livros e manuais voltados 
para perícias, ou ainda utilizam a NBR 13.752-Perícias de Engenharia na Cons-
trução Civil (TÉCNICAS, 1996) que prevê algumas atividades básicas que po-
dem ser aproveitadas para perícias diversas. Porém existem algumas divergên-
cias entre os autores no que se refere a conteúdo de um bom laudo. O estabe-
lecido é que o laudo técnico deve ser similar a uma sentença judicial e, de acordo 
com o artigo 489 do CPC, deve conter relatório, fundamentos e conclusão. Ainda 
segundo o Código de Processo Civil, no artigo 473, o mínimo exigido para o 
conteúdo de um laudo pericia é: expor o objeto da perícia; evidenciar o método 
ou análise cientifica utilizado pelo perito, mostrando referências bibliográficas já 
consolidada e aceitas por especialistas e ainda apresentação das respostas, de 
maneira mais clara possível, das perguntas realizadas pelo juiz, pelas partes e 
pelo órgão do Ministério Público. A seguir, é apresentado o guia desenvolvido 
para elaboração de um laudo técnico e as principais informações que devem 
conter em cada item, de acordo com pesquisas realizadas: 
a) Capa: a primeira folha do laudo pericial, deve conter inicialmente o título 
indicando o tipo de laudo que está sendo apresentado, ex: “Laudo Pericial 
de Periculosidade - Auxiliar em moinho”. Também deverá ser indicado a 
 
 
qual juiz, vara e região que o laudo pertence, bem como o número do pro-
cesso, o reclamante, reclamado. Juliano (2017) recomentar escrever na 
própria Capa um texto identificando o nome completo do perito, a formação, 
o número do CREA, uma breve descrição do orçamento utilizado para a 
realização da perícia. 
b) Sumário: contém um resumo em tópicos dos principais itens abordados 
dentro do laudo pericial. 
c) Identificação das Partes: é inserido os dados de quem está solicitando o 
trabalho e de quem será periciado. 
d) Objetivo da Perícia: Contém o motivo pelo qual está sendo realizado a 
perícia, ou seja, o que está sendo pedido nos autos, especificando qual tipo 
de perícia está sendo feita e o seu embasamento legal. 
e) Versão de ambas as partes: Deve conter os dados do reclamante e do 
reclamado, bem como os argumentos de ambas as partes. 
f) Considerações preliminares: Neste tópico será relatado informações de 
todos os documentos contidos nos autos, a data, hora, pessoas que acom-
panharam a vistoria bem como os elementos verificados no momento da 
vistoria. 
g) Atividade exercida pelo reclamante: Apresentação detalhada das ativi-
dades que exerce o reclamante. 
h) Local de trabalho: Descrição detalhada do local onde o reclamante 
exerce suas atividades. 
i) Metodologia do levantamento técnico de acordo com as NRs: Para cada 
estudo realizado no local periciado é necessário realizar uma descrição da 
metodologia aplicada bem como o embasamento legal que levou a realiza-
ção do estudo. 
j) Levantamento, exame das condições e ambiente de trabalho: Neste item 
contém os resultados encontrados nos estudos aplicados no item anterior, 
 
 
devidamente separados e explicados, assim como os levantamentos das 
condições de trabalho, uso ou não de EPI, etc. 
k) Avaliação das medidas de proteção: Neste item é colocado as informa-
ções sobre quais EPIs foram fornecimentos, se houve treinamento para uti-
lização, se as medidas de proteção atende a NR 15, por exemplo. 
l) Conclusão: De maneira imparcial, clara, direta e com embasamento nas 
normas técnicas será exposto o resultado final da perícia, explicando as 
condições analisadas pelo perito atendem a legislação atual ou não. 
m) Quesitos do reclamante: Descrever se houve algum levantamento rea-
lizado pelo reclamante. Em casos que houver deve ser esclarecida, por 
parte do perito, suas respectivas respostas. 
n) Quesitos da reclamada: Descrever se houve algum levantamento reali-
zado pela reclamada. Em casos que houver deve ser esclarecida, por parte 
do perito, suas respectivas respostas. 
o) Bibliografia: Deve conter todas as referências bibliográficas, utilizadas 
pelo perito para a realização da perícia. 
p) Encerramento: Deve conter o número de páginas que compõem o laudo, 
bem como a relação dos anexos. Deve conter ainda, o nome do responsá-
vel pelo laudo, profissão, número de registro e data de elaboração. 
q) Anexos: Por fim, o item anexo deve conter todas as informações neces-
sárias, que não foram colocadas no laudo, apenas referenciadas como fo-
tos, projetos, croquis, mapas, levantamento das atividades, cópia do CA 
dos EPIs utilizados, etc. 
Conforme explica Kempner (2013, p.12) os laudos podem não ser suficien-
tes para que o magistrado e as partes entendam o resultado pericial. De forma 
que o perito pode ser solicitado, na audiência, para prestar esclarecimentos, con-
forme é exposto no Código de Processo Civil. Além disso, é imprescindível que 
a perícia seja realizada por profissional com conhecimento técnico ou cientifico, 
 
 
da forma mais imparcial possível, em linguagem simples e coerência logica, com 
fundamentação técnica para a realização da conclusão. Cardoso (2017, p. 48) 
reforça que o perito não deve levantar questões alheias ao objeto pericial, pois 
isso pode ser interpretado como falta de imparcialidade, porém o perito deve 
levantar todos os riscos encontrados no ambiente laboral independente se o ma-
gistrado irá utilizar para a conclusão do seu julgamento, mesmo que estes não 
tenham sido citados nos autos. Seguindo o Código de Processo Civil, tanto o 
perito quanto o assistente podem utilizar vários meios para chegarem na correta 
conclusão de seus laudos, sendo estes meios especificados como: ouvir teste-
munhas, solicitação de documentação que estejam em poder das partes, de ter-
ceiros ou em repartições públicas, instruir laudo com planilhas, mapas, plantas, 
desenhos ou outros elementos necessários. 
7. LEGISLAÇÃO BASE DA PERICIA – INSALUBRIDADE 
 
A Legislação Brasileira através da Portaria nº 3.214, de 08 de junho 
de1978, do Ministério do Trabalho, em sua Norma Regulamentadora NR 15, es-
tabelece diversas atividades ou operações nos quais são apresentados anexos 
e tabelas com limites de tolerância. 
 
Anexo nº 1 - Limites de tolerância para o Agente Físico: RUÍDO 
O Anexo 01 da NR 15, estabelece limites de tolerância para exposição ao 
ruído contínuo e intermitente, correlacionando os níveis de ruído em dB(A) e os 
respectivos tempos de exposição máximos diários permissíveis, conforme o qua-
dro abaixo. Não é permitida exposição a níveis de ruído acima de 115 dB(A), 
para indivíduos que não estejam adequadamente protegidos. 
QUADRO 1 
Nível de ruído dB (A) Máxima exposição diária permissível 
85 8 horas 
86 7 horas 
87 6 horas 
88 5 horas 
89 4 horas e 30 minutos 
 
 
90 5 horas 
91 3 horas e 30 minutos 
92 3 horas 
93 2 horas e 40 minutos 
94 2 horas e 15 minutos 
95 2 horas 
96 1 hora e 45 minutos 
98 1 hora e 15 minutos 
100 1 hora 
102 45 minutos 
104 35 minutos 
105 30 minutos 
106 25 minutos 
108 20 minutos 
110 15 minutos 
112 10 minutos 
114 8 minutos 
115 7 minutos 
 
Ocorrem situações em que o empregado se expõe a diferentes níveis de 
ruído numa mesma jornada de trabalho. A Legislação Brasileira no item 6 do 
Anexo 1 da NR 15 diz: “Se durante a jornada de trabalho ocorrerem dois ou mais 
períodos de exposição a ruído de diferentes níveis, devem ser considerados os 
seus efeitos combinados, de forma que, se a soma das seguintes frações”: 
C1/T1 + C2/T2 + C3/T3 + ... + Cn/Tn 
Exceder a unidade, a exposição estará acima do limite de tolerância. Na equação 
acima Cn indica o tempo total em que o trabalhador fica exposto a um nível de 
ruído específico e Tn indica a máxima exposição diária permissível a este nível. 
O Equipamento utilizado para aferições: Medidor de nível de pressão sonora 
marcadoseBadge Cirrus CK 110A, com resposta lenta (SLOW) de acordo com 
cada caso de ruído contínuo ou intermitente. 
 
 
Procedimentos gerais de medição. 
• Identificar o Grupo Homogêneo de Exposição (GHE). 
• Ajustar preliminarmente os parâmetros do equipamento e sua calibração, com 
base nas instruções do manual de operação. 
• Manter o microfone do doseBadge dentro da zona auditiva do servidor. 
• Acompanhar toda movimentação do servidor no exercício de suas funções du-
rante todo o período de medição. 
• Inserir os dados avaliados em programa específico e gerar relatório. 
Anexo nº 3 - Limite de tolerância para exposição ao Agente Físico: CALOR 
Legislação 
Para o estudo da sobrecarga térmica o Anexo 3 da NR15 estabelece os Limites 
de Tolerância para exposição ao Calor. A exposição ao calor deve ser avaliada 
através do "Índice de Bulbo Úmido - Termômetro de Globo" (IBUTG) definido 
pelas equações que seguem: 
Ambientes internos ou externos sem carga solar: IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg 
Ambientes externos com carga solar: IBUTG = 0,7 tbn + 0,1 tbs + 0,2 tg 
Onde: Tbn = temperatura de bulbo úmido natural 
Tg = temperatura de globo 
Tbs = temperatura de bulbo seco. 
Quando as medições são em único ponto, para regime de trabalho intermitente 
com descanso no próprio local de trabalho (por hora), os limites tolerância serão 
definidos conforme expressa o quadro 2. 
 
 
 
O quadro 3 do Anexo 3 da NR: “Taxas de metabolismo por tipo de atividade” fixa 
os limites de tolerância correlacionando o máximo IBUTG médio permitido para 
respectivas taxas metabólicas médias encontradas nos ambientes de trabalho, 
para exposição ao calor em regime de trabalho intermitente com período de des-
canso em outro local (local de descanso). 
 
 
 
Se o trabalho é desenvolvido em mais de um ponto, são calculados o IBUTG 
médio e a Taxa de Metabolismo Média (M) a partir das medições dos IBUTG e 
M de cada ponto, como mostra as equações seguintes: 
IBUTG = ( IBUTG 1 x T1) + (IBUTG 2 x T2) + (IBUTG x T3) + ...+ (IBUTGn x Tn) 
/ 60 M = ( M1 x T1) + (M2 x T2) + (M3 x T3) + ...( Mn x Tn) / 60 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Instrumento Utilizado 
Para avaliar se o calor está ou não acima dos limites de tolerância foi utilizado o 
aparelho de medição INSTRUTHERM TGD-400. 
Procedimentos gerais de medição 
• Identificar o Grupo Homogêneo de Exposição (GHE). 
• Ajustar preliminarmente os parâmetros do equipamento e sua calibração, com 
base nas instruções do manual de operação. 
• Determinar o período de tempo que corresponda à condição térmica mais des-
favorável (60 minutos corridos), considerando-se as condições térmicas do am-
biente e as atividades físicas desenvolvidas pelo servidor. 
• Acompanhar toda movimentação do servidor no exercício de suas funções du-
rante todo o período de medição. 
• Inserir os dados avaliados em programa específico e gerar relatório. 
 
 
Anexo nº 5 - Agente Físico: RADIAÇÕES IONIZANTES 
A radiação ionizante é definida como aquela que tem energia suficiente para 
interagir com os átomos neutros do meio por onde ela se propaga. São proveni-
entes de materiais radioativos como é o caso dos raios alfa (α), beta (β) e gama 
(γ), ou são produzidas artificialmente em equipamentos, como é o caso dos raios 
X. Nas atividades e operações onde os trabalhadores possam ser expostos a 
radiações ionizantes, os limites de tolerância, os princípios, as obrigações cau-
sadas pela radiação ionizante, e controles básicos para a proteção do homem e 
do meio ambiente contra possíveis efeitos indevidos são as constantes da 
Norma CNEN-NE - 3.01, de julho de 1988. 
Instrumento Utilizado 
Para avaliar a presença ou não de radiações ionizantes foi utilizado o aparelho 
de medição Radalert – 100. 
Procedimentos gerais de medição. 
• Identificar o Grupo Homogêneo de Exposição (GHE). 
• Verificar a tela e anotar o valor mostrado. 
Anexo n° 6 – Agente físico: TRABALHO EM CONDIÇÕES HIPERBÁRICAS 
 São considerados trabalhos sobre condições hiperbáricas os efetuados em am-
bientes onde o trabalhador é obrigado a suportar pressões maiores que a atmos-
férica e onde se exige cuidadosa descompressão, além de trabalhos submersos. 
Anexo nº 7 - Agente físico: RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES 
A radiação não ionizante (parte da eletromagnética) é caracterizada por não pos-
suir energia suficiente para arrancar elétrons dos átomos do meio por onde está 
se deslocando, mas tem o poder de quebrar moléculas e ligações químicas. 
Dessa radiação fazem parte os tipos: radiofrequência, infravermelho e luz visível. 
São consideradas radiações não ionizantes as micro-ondas, ultravioletas e laser. 
Anexo nº 8 - Agente Físico: VIBRAÇÕES 
 
 
Caracteriza-se a condição insalubre caso seja superado o limite de exposição 
ocupacional diária a VMB correspondente a um valor de aceleração resultante 
de exposição normalizada (aren) de 5 m/s2. Caracteriza-se a condição insalubre 
caso sejam superados quaisquer dos limites de exposição ocupacional diária a 
VCI: a) valor da aceleração resultante de exposição normalizada (aren) de 1,1 
m/s2; b) valor da dose de vibração resultante (VDVR) de 21,0 m/s1,75. Para fins 
de caracterização da condição insalubre, o empregador deve comprovar a ava-
liação dos dois parâmetros acima descritos. As situações de exposição a VMB e 
VCI superiores aos limites de exposição ocupacional são caracterizadas como 
insalubres em grau médio. A avaliação quantitativa deve ser representativa da 
exposição, abrangendo aspectos organizacionais e ambientais que envolvam o 
trabalhador no exercício de suas funções. 
Anexo nº 9 - Agente Físico: FRIO 
As atividades ou operações executadas no interior de câmaras frigoríficas, ou 
em locais que apresentem condições similares, que exponham os trabalhadores 
ao frio, sem a proteção adequada, serão consideradas insalubres em decorrên-
cia de laudo de inspeção realizada no local de trabalho. Para a certeza da im-
portância do fator quantitativo na avaliação, será utilizado, por analogia, o con-
teúdo da NR-29, que disciplina as condições de saúde e segurança no trabalho 
portuário, estabelecendo, no seu item 29.3.16.2 a seguinte tabela de exposição 
máxima diária a condições de frio. 
 
 
 
Anexo nº 10 - Agente Físico: UMIDADE 
As atividades ou operações executadas em locais alagados ou encharcados, 
com umidade excessiva, capazes de produzir danos à saúde dos trabalhadores, 
serão consideradas insalubres em decorrência de laudo de inspeção realizada 
no local de trabalho. 
AGENTE QUÍMICO. 
Legislação 
“Trata especificamente sobre atividades e operações envolvendo agentes, con-
siderados insalubres em decorrência de inspeção de caráter QUALITATIVO re-
alizada no local de trabalho. Exclua-se desta relação às atividades ou operações 
com os agentes químicos constantes dos Anexos 11 e 12”. 
Conceituação 
Os agentes químicos são fatores ambientais causadores em potencial de doen-
ças profissionais e/ou do trabalho, devido a sua ação deletéria sobre o orga-
nismo humano. A avaliação de um agente químico é realizada no local de traba-
lho para que se faça o seu reconhecimento e sua posterior qualificação de 
acordo com NR 15. Do ponto de vista legal os agentes químicos são classifica-
dos de 3 (três) maneiras: a) Por limite de tolerância (LT) e inspeção no local de 
trabalho (Anexo 11) - Avaliação Quantitativa; b) Por limite de tolerância (LT) para 
poeiras minerais (Anexo 12) - Avaliação Quantitativa; c) Em decorrência de ins-
peção realizada no local de trabalho (Anexo 13) - Avaliação Qualitativa. 
Metodologia de Avaliação 
Utilizamos a legislação vigente e a Portaria 3214/78 do Ministério do Trabalho, 
considerando-se todas posteriores alterações até a presente data, para caracte-
rização das condições ambientais. 
AGENTE BIOLÓGICO. 
 
 
 Segundo o anexo nº 14 da NR-15, a relação das atividades que envolvem agen-tes biológicos, cuja insalubridade é caracterizada pela avaliação qualitativa: In-
salubridade de grau máximo Trabalho ou operações, em contato permanente 
com: 
• Pacientes em isolamento por doenças infectocontagiosas, bem como objetos 
de seu uso, não previamente esterilizadas; 
• Carnes, glândulas, vísceras, sangue, ossos, couros, pêlos e dejeções de ani-
mais portadores de doenças infectocontagiosas (carbunculose, brucelose, tuber-
culose); 
• Esgotos (galerias e tanques); e 
• Lixo urbano (coleta e industrialização). 
Insalubridade de grau médio 
Trabalhos e operações em contato permanente com pacientes, animais ou com 
material infecto-contagiante, em: 
• Hospitais, serviços de emergência, enfermarias, ambulatórios, postos de vaci-
nação e outros estabelecimentos destinados aos cuidados da saúde humana 
(aplica-se unicamente ao pessoal que tenha contato com os pacientes, bem 
como aos que manuseiam objetos de uso desses pacientes, não previamente 
esterilizados); 
• Hospitais, ambulatórios, postos de vacinação e outros estabelecimentos desti-
nados ao atendimento e tratamento de animais (aplica-se apenas ao pessoal 
que tenha contato com tais animais); 
• Contato em laboratórios, com animais destinados ao preparo de soro, vacinas 
e outros produtos; 
• Laboratórios de análise clínica e histopatologia (aplica-se tão-só ao pessoal 
técnico); 
 
 
• Gabinetes de autópsias, de anatomia e histoanatomopatologia (aplica-se so-
mente ao pessoal técnico); 
• Cemitérios (exumação de corpos); 
• Estábulos e cavalariças; e 
• Resíduos de animais deteriorados. 
8. LEGISLAÇÃO BASE DA PERÍCIA – PERICULOSIDADE 
 
A Legislação Brasileira através da Portaria nº 3.214, de 08 de junho de1978, do 
Ministério do Trabalho, em sua Norma Regulamentadora NR 16, estabelece di-
versas atividades ou operações consideradas perigosas. 
Atividades e operações perigosas com energia elétrica 
I. Têm direito ao adicional de periculosidade os trabalhadores: 
a) Que executam atividades ou operações em instalações ou equipamentos elé-
tricos energizados em alta tensão; 
b) Que realizam atividades ou operações com trabalho em proximidade, con-
forme estabelece a NR-10; 
c) Que realizam atividades ou operações em instalações ou equipamentos elé-
tricos energizados em baixa tensão no sistema elétrico de consumo - SEC, no 
caso de descumprimento do item 10.2.8 e seus subitens da NR10 - Segurança 
em Instalações e Serviços em Eletricidade; d) das empresas que operam em 
instalações ou equipamentos integrantes do sistema elétrico de potência - SEP, 
bem como suas contratadas, em conformidade com as atividades e respectivas 
áreas de risco descritas no quadro 6. 
II. Não é devido o pagamento do adicional nas seguintes situações: 
a) Nas atividades ou operações no sistema elétrico de consumo em instalações 
ou equipamentos elétricos desenergizados e liberados para o trabalho, sem pos-
sibilidade de energização acidental, conforme estabelece a NR-10; 
 
 
b) Nas atividades ou operações em instalações ou equipamentos elétricos ali-
mentados por extra baixa tensão; 
c) Nas atividades ou operações elementares realizadas em baixa tensão, tais 
como o uso de equipamentos elétricos energizados e os procedimentos de ligar 
e desligar circuitos elétricos, desde que os materiais e equipamentos elétricos 
estejam em conformidade com as normas técnicas oficiais estabelecidas pelos 
órgãos competentes e, na ausência ou omissão destas, as normas internacio-
nais cabíveis. 
III. O trabalho intermitente é equiparado à exposição permanente para fins de 
pagamento integral do adicional de periculosidade nos meses em que houver 
exposição, excluída a exposição eventual, assim considerado o caso fortuito ou 
que não faça parte da rotina. 
IV. Das atividades no sistema elétrico de potência - SEP. 
• Para os efeitos deste anexo entende-se como atividades de construção, ope-
ração e manutenção de redes de linhas aéreas ou subterrâneas de alta e baixa 
tensão integrantes do SEP: 
✓ Montagem, instalação, substituição, conservação, reparos, ensaios e tes-
tes de: verificação, inspeção, levantamento, supervisão e fiscalização; fu-
síveis, condutores, para-raios, postes, torres, chaves, muflas, isoladores, 
transformadores, capacitores, medidores, reguladores de tensão, religa-
dores, seccionalizadores, carrier (onda portadora via linhas de transmis-
são), cruzetas, relé e braço de iluminação pública, aparelho de medição 
gráfica, bases de concreto ou alvenaria de torres, postes e estrutura de 
sustentação de redes e linhas aéreas e demais componentes das redes 
aéreas; 
✓ Corte e poda de árvores; 
✓ Ligações e cortes de consumidores; 
✓ Manobras aéreas e subterrâneas de redes e linhas; 
✓ Manobras em subestação; 
✓ Testes de curto em linhas de transmissão; 
✓ Manutenção de fontes de alimentação de sistemas de comunicação; 
 
 
✓ Leitura em consumidores de alta tensão; 
✓ Aferição em equipamentos de medição; 
✓ Medidas de resistências, lançamento e instalação de cabo contrapeso; 
✓ Medidas de campo eletromagnético, rádio, interferência e correntes indu-
zidas; 
✓ Testes elétricos em instalações de terceiros em faixas de linhas de trans-
missão (oleodutos, gasodutos etc.); 
✓ Pintura de estruturas e equipamentos; 
✓ Verificação, inspeção, inclusive aérea, fiscalização, levantamento de da-
dos e supervisão de serviços técnicos; 
✓ Montagem, instalação, substituição, manutenção e reparos de: barramen-
tos, transformadores, disjuntores, chaves e seccionadoras, condensado-
res, chaves a óleo, transformadores para instrumentos, cabos subterrâ-
neos e subaquáticos, painéis, circuitos elétricos, contatos, muflas e isola-
dores e demais componentes de redes subterrâneas; 
✓ Construção civil, instalação, substituição e limpeza de: valas, bancos de 
dutos, dutos, condutos, canaletas, galerias, túneis, caixas ou poços de 
inspeção, câmaras; 
✓ Medição, verificação, ensaios, testes, inspeção, fiscalização, levanta-
mento de dados e supervisões de serviços técnicos. 
• Para os efeitos deste anexo entendem-se como atividades de construção, ope-
ração e manutenção nas usinas, unidades geradoras, subestações e cabinas de 
distribuição em operações, integrantes do SEP: 
✓ Montagem, desmontagem, operação e conservação de: medidores, relés, 
chaves, disjuntores e religadoras, caixas de controle, cabos de força, ca-
bos de controle, barramentos, baterias e carregadores, transformadores, 
sistemas anti-incêndio e de resfriamento, bancos de capacitores, reato-
res, reguladores, equipamentos eletrônicos, eletromecânico e eletroele-
trônico, painéis, para-raios, áreas de circulação, estruturas-suporte e de-
mais instalações e equipamentos elétricos; 
✓ Construção de: valas de dutos, canaletas, bases de equipamentos, estru-
turas, condutos e demais instalações; 
 
 
✓ Serviços de limpeza, pintura e sinalização de instalações e equipamentos 
elétricos; 
✓ Ensaios, testes, medições, supervisão, fiscalizações e levantamentos de 
circuitos e equipamentos elétricos, eletrônicos de telecomunicações e te-
lecontrole. 
QUADRO 6 
ATIVIDADES ÁREAS DE RISCO 
I. Atividades de construção, operação 
e manutenção de redes de linhas aé-
reas ou subterrâneas de alta e baixa 
tensão integrantes do SEP, energiza-
dos ou desenergizados, mas com 
possibilidade de energização aciden-
tal ou por falha operacional. 
a) Estruturas, condutores e equipa-
mentos de linhas aéreas de transmis-
são, subtransmissão e distribuição, in-
cluindo plataformas e cestos aéreos 
usados para execução dos trabalhos; 
b) Pátio e salas de operação de su-
bestações; 
c) Cabines de distribuição; 
d) Estruturas, condutores e equipa-
mentos de redes de tração elétrica, in-
cluindo escadas, plataformas e cestos 
aéreos usados para execução dos tra-
balhos; 
e) Valas, bancos de dutos, canaletas, 
condutores, recintos internos decai-
xas, poços de inspeção, câmaras, ga-
lerias, túneis, estruturas terminais e 
aéreas de superfície corresponden-
tes; 
f) Áreas submersas em rios, lagos e 
mares 
II. Atividades de construção, operação 
e manutenção nas usinas, unidades 
geradoras, subestações e cabinas de 
distribuição em operações, integran-
a) Pontos de medição e cabinas de 
distribuição, inclusive de consumido-
res; 
 
 
tes do SEP, energizados ou desener-
gizados, mas com possibilidade de 
energização acidental ou por falha 
operacional. 
b) Salas de controles, casa de máqui-
nas, barragens de usinas e unidades 
geradoras; 
c) Pátios e salas de operações de su-
bestações, inclusive consumidoras 
III. Atividades de inspeção, testes, en-
saios, calibração, medição e reparos 
em equipamentos e materiais elétri-
cos, eletrônicos, eletromecânicos e de 
segurança individual e coletiva em sis-
temas elétricos de potência de alta e 
baixa tensão. 
a) Áreas das oficinas e laboratórios de 
testes e manutenção elétrica, eletrô-
nica e eletromecânica onde são exe-
cutados testes, ensaios, calibração e 
reparos de equipamentos energiza-
dos ou passíveis de energização aci-
dental; 
b) Sala de controle e casas de máqui-
nas de usinas e unidades geradoras; 
c) Pátios e salas de operação de su-
bestações, inclusive consumidoras; 
d) Salas de ensaios elétricos de alta 
tensão; 
e) Sala de controle dos centros de 
operações. 
IV. Atividades de treinamento em 
equipamentos ou instalações inte-
grantes do SEP, energizadas ou de-
senergizadas, mas com possibilidade 
de energização acidental ou por falha 
operacional. 
a) Todas as áreas descritas nos itens 
anteriores. 
 
 
Atividades e operações perigosas com inflamáveis 
O assunto é tratado de acordo com a Norma Regulamentadora 16 - Ativi-
dades e operações perigosas, aprovadas pela portaria 3214 do MTB e a Norma 
Regulamentadora 20 – Líquidos combustíveis inflamáveis. As operações de 
transporte de inflamáveis líquidos ou gasosos liquefeitos, em quaisquer vasilha-
 
 
mes e a granel, são considerados em condições de periculosidade, com exclu-
são para o transporte em pequenas quantidades, até o limite de 200 (duzentos) 
litros para os inflamáveis líquidos e 135 (cento e trinta e cinco) quilos para os 
inflamáveis gasosos liquefeitos. São consideradas atividades ou operações pe-
rigosas, conferindo aos trabalhadores que se dedicam a essas atividades ou 
operações, bem como aqueles que operam na área de risco adicional de 10 (dez) 
por cento, as realizadas: 
 
Atividades Adicional de 10% 
a. na produção, transporte, processamento 
e armazenamento de gás liquefeito. 
Na produção, transporte, processamento 
e armazenamento de gás liquefeito. 
b. no transporte e armazenagem de infla-
máveis líquidos e gasosos liquefeitos e de 
vasilhames vazios não desgaseificados ou 
decantados. 
Todos os trabalhadores da área de ope-
ração. 
c. nos postos de reabastecimento de aero-
naves. 
Todos os trabalhadores nessas ativida-
des ou que operam na área de risco. 
d. nos locais de carregamento de navios-
tanques, vagões tanques e caminhões-tan-
ques e enchimento de vasilhames, com in-
flamáveis líquidos ou gasosos liquefeitos 
Todos os trabalhadores nessas ativida-
des ou que operam na área de risco. 
e. nos locais de descarga de navios-tan-
ques, vagões-tanques e caminhões-tan-
ques com inflamáveis líquidos ou gasosos 
liquefeitos ou de vasilhames vazios não-
desgaseificados ou decantados. 
Todos os trabalhadores nessas ativida-
des ou que operam na área de risco. 
f. nos serviços de operações e manutenção 
de navios-tanque, vagões-tanques, cami-
nhões-tanques, bombas e vasilhames, com 
inflamáveis líquidos ou gasosos liquefeitos, 
ou vazios não-desgaseificados ou decanta-
dos. 
Todos os trabalhadores nessas ativida-
des ou que operam na área de risco. 
 
 
g. nas operações de desgaseificação, de-
cantação e reparos de vasilhames não-des-
gaseificados ou decantados. 
Todos os trabalhadores nessas ativida-
des ou que operam na área de risco. 
h. nas operações de testes de aparelhos de 
consumo do gás e seus equipamentos. 
Todos os trabalhadores nessas ativida-
des ou que operam na área de risco. 
i. no transporte de inflamáveis líquidos e ga-
sosos liquefeitos em caminhão-tanque. 
Motorista e ajudantes. 
j. no transporte de vasilhames (em cami-
nhão de carga), contendo inflamável lí-
quido, em quantidade total igual ou superior 
a 200 litros, quando não observado o dis-
posto nos subitens 4.1 e 4.2 deste Anexo 
Motorista e ajudantes. 
l. no transporte de vasilhames (em carreta 
ou caminhão de carga), contendo inflamá-
vel gasosos e líquido, em quantidade total 
igual ou superior a 135 quilos 
Motorista e ajudantes. 
m. nas operação em postos de serviço e 
bombas de abastecimento de inflamáveis lí-
quidos. 
Operador de bomba e trabalhadores que 
operam na área de risco. 
 
 
De acordo com o item 4 do anexo 2 da NR16, não caracterizam periculosidade, 
para fins de percepção de adicional: 
a) O manuseio, a armazenagem e o transporte de líquidos inflamáveis em em-
balagens certificadas, simples, compostas ou combinadas, desde que obedeci-
dos os limites consignados no Quadro I, independentemente do número total de 
embalagens manuseadas, armazenadas ou transportadas, sempre que obede-
cidas as Normas Regulamentadoras expedidas pelo Ministério do Trabalho e 
Emprego, a Norma NBR 11564/91 e a legislação sobre produtos perigosos rela-
tiva aos meios de transporte utilizados; 
b) O manuseio, a armazenagem e o transporte de recipientes de até cinco litros, 
lacrados na fabricação, contendo líquidos inflamáveis, independentemente do 
 
 
número total de recipientes manuseados, armazenados ou transportados, sem-
pre que obedecidas as Normas Regulamentadoras expedidas pelo Ministério do 
Trabalho e Emprego e a legislação sobre produtos perigosos relativa aos meios 
de transporte utilizados. 
Atividades e operações perigosas com exposição a roubos ou outras es-
pécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pes-
soal ou patrimonial 
As atividades ou operações que impliquem em exposição dos profissionais de 
segurança pessoal ou patrimonial a roubos ou outras espécies de violência física 
são consideradas perigosas. São considerados profissionais de segurança pes-
soal ou patrimonial os trabalhadores que atendam a uma das seguintes condi-
ções: 
a) Empregados das empresas prestadoras de serviço nas atividades de se-
gurança privada ou que integrem serviço orgânico de segurança privada, 
devidamente registradas e autorizadas pelo Ministério da Justiça, con-
forme lei 7102/1983 e suas alterações posteriores. 
b) Empregados que exercem a atividade de segurança patrimonial ou pes-
soal em instalações metroviárias, ferroviárias, portuárias, rodoviárias, ae-
roportuárias e de bens públicos, contratados diretamente pela administra-
ção pública direta ou indireta. As atividades ou operações que expõem os 
empregados a roubos ou outras espécies de violência física, desde que 
atendida uma das condições do item 5.4.2, são as constantes do quadro 
abaixo: 
QUADRO 7 
ATIVIDADES OU OPERAÇÕES DESCRIÇÃO 
Vigilância patrimonia Segurança patrimonial e/ou pessoal na pre-
servação do patrimônio em estabelecimen-
tos públicos ou privados e da incolumidade 
física de pessoas. 
 
 
Segurança de eventos Segurança patrimonial e/ou pessoal em es-
paços públicos ou privados, de uso comum 
do povo. 
Segurança nos transportes coletivos Segurança patrimonial e/ou pessoal nos 
transportes coletivos e em suas respectivas 
instalações. 
Segurança ambiental e florestal Segurança patrimonial e/ou pessoal em 
áreas de conservação de fauna, flora natu-
ral e de reflorestamento. 
Transporte de valores Segurança na execução do serviço de 
transporte de valores. 
Escolta armada Segurança no acompanhamento de qual-
quertipo de carga ou de valores. 
Segurança pessoal Acompanhamento e proteção da integri-
dade física de pessoa ou de grupos. 
Supervisão/fiscalização Operacional Supervisão e/ou fiscalização direta dos lo-
cais de trabalho para acompanhamento e 
orientação dos vigilantes 
Telemonitoramento/telecontrole Execução de controle e/ou monitoramento 
de locais, através de sistemas eletrônicos 
de segurança. 
 
Atividades perigosas em motocicleta 
As atividades laborais com utilização de motocicleta ou motoneta no desloca-
mento de trabalhador em vias públicas são consideradas perigosas. Não são 
consideradas perigosas, para efeito deste anexo: 
 
 
 a) a utilização de motocicleta ou motoneta exclusivamente no percurso da resi-
dência para o local de trabalho ou deste para aquela; 
b) as atividades em veículos que não necessitem de emplacamento ou que não 
exijam carteira nacional de habilitação para conduzi-los; 
c) as atividades em motocicleta ou motoneta em locais privados. 
d) as atividades com uso de motocicleta ou motoneta de forma eventual, assim 
considerado o fortuito, ou o que, sendo habitual, dá-se por tempo extremamente 
reduzido. 
Atividades e operações perigosas com radiações ionizantes ou substân-
cias radioativas 
 
Atividades Área de Risco 
1. Produção, utilização, processamento, 
transporte, guarda, estocagem e manuseio 
de materiais radioativos, selados e não sela-
dos, de estado físico e forma química quais-
quer, naturais ou artificiais, incluindo: 
Minas e depósitos de materiais radioativos. 
Plantas-piloto e Usinas de beneficiamento 
de minerais radioativos. Outras áreas su-
jeitas a risco potencial devido às radiações 
ionizantes 
1.1. Prospecção, mineração, operação, bene-
ficiamento e processamento de minerais radi-
oativos. 
Lixiviação de mineiras radiativos para a 
produção de concentrados de urânio e tó-
rio. Purificação de concentrados e conver-
são em outras formas para uso como com-
bustível nuclear. 
1.2. Produção, transformação e tratamento 
de materiais nucleares para o ciclo do com-
bustível nuclear. 
Produção de fluoretos de urânio para a 
produção de hexafluoretos e urânio metá-
lico. Instalações para enriquecimento iso-
tópico e reconversão. Fabricação de ele-
mento combustível nuclear. Instalações 
para armazenamento dos elementos com-
bustíveis usados. Instalações para o retra-
tamento do combustível irradiado. Instala-
 
 
ções para o tratamento e deposições, pro-
visórias e finais, dos rejeitos radioativos 
naturais e artificiais. 
1.3. Produção de radioisótopos para uso em 
medicina, agricultura, agropecuária, pesquisa 
científica e tecnológica. 
Laboratórios para a produção de radioisó-
topos e moléculas marcadas. 
1.4. Produção de Fontes Radioativas Instalações para tratamento de material ra-
dioativo e confecção de fontes. Laborató-
rios de testes, ensaios e calibração de fon-
tes, detectores e monitores de radiação, 
com fontes radioativas. 
1.5. Testes, ensaios e calibração de detecto-
res e monitores de radiação com fontes de 
radiação. 
Laboratórios de ensaios para materiais ra-
dioativos Laboratórios de radioquímica. 
1.6. Descontaminação de superfícies, instru-
mentos, máquinas, ferramentas, utensílios de 
laboratório, vestimentas e de quaisquer ou-
tras áreas ou bens duráveis contaminados 
com material radioativos. 
Laboratórios para descontaminação de pe-
ças e materiais radioativos. Coleta de rejei-
tos radioativos em instalações, prédios e 
em áreas abertas. Lavanderia para roupas 
contaminadas. Transporte de materiais e 
rejeitos radioativos, condicionamento, es-
tocagens e sua deposição. 
1.7. Separação isotópica e processamento 
radioquímico. 
Instalações para tratamento, condiciona-
mento, contenção, estabilização, estoca-
gem e deposição de rejeitos radioativos. 
Instalações para retenção de rejeitos radi-
oativos. 
1.8. Manuseio, condicionamento, liberação, 
monitoração, estabilização, inspeção, reten-
ção e deposição de rejeitos radioativos. 
Sítios de rejeitos. Instalações para estoca-
gem de produtos radioativos para posterior 
aproveitamento. 
2. Atividades de operação e manutenção de 
reatores nucleares, incluindo: 
Edifícios de reatores. Edifícios de estoca-
gem de combustível. 
2.1. Montagem, instalação, substituição e ins-
peção de elementos combustíveis. 
Instalações de tratamento e estocagem de 
rejeitos radioativos. 
 
 
2.2. Manutenção de componentes integrantes 
do reator e dos sistemas hidráulicos mecâni-
cos e elétricos, irradiados, contaminados ou 
situados em áreas de radiação. 
Instalações para tratamento de água e rea-
tores e separação e contenção de produ-
tos radioativos. Salas de operação de rea-
tores. Salas de amostragem de efluentes 
radioativos. 
2.3. Manuseio de amostras irradiadas. Laboratórios de medidas de radioativos. 
2.4. Experimentos utilizados canais de irradi-
ação. 
Outras áreas sujeitas a risco potencial às 
radiações ionizantes, passíveis de serem 
atingidas por dispersão de produtos volá-
teis. 
2.5 Medição de radiação, levantamento de 
dados radiológicos e nucleares, ensaios, tes-
tes, inspeções, fiscalização e supervisão de 
trabalhos técnicos. 
Laboratórios semiquentes e quentes. Mi-
nas de urânio e tório. Depósitos de mine-
rais radiativos e produtos do tratamento de 
minerais radioativos. 
2.6 Segregação, manuseio, tratamento, acon-
dicionamento e armazenamento de rejeitos 
radioativos. 
Coletas de materiais e peças radioativas, 
materiais contaminados com radioisótopos 
e águas radioativas. 
3. atividades de operação e manutenção de 
aceleradores de partículas, incluindo: 
Áreas de irradiação de alvos. 
3.1. Montagem, instalação substituição e ma-
nutenção de componentes irradiados ou con-
taminados. 
Oficinas de manutenção de componentes 
irradiados ou contaminados. 
3.2. Processamento de alvos irradiados. Laboratórios para tratamento de alvos irra-
diados e separação de radioisótopos. 
3.3. Experimentos com feixes de partículas. Laboratórios de testes com radiação e me-
didas nucleares. 
3.4. Medição de radiação, levantamento de 
dados radiológicos e nucleares, testes, inspe-
ções e supervisão de trabalhos técnicos. 
Áreas de tratamento e estocagem de rejei-
tos radioativos. 
3.5. Segregação, manuseio, tratamento, 
acondicionamento e armazenamento de rejei-
tos radioativos. 
Laboratórios de processamento de alvos 
irradiados. 
 
 
4. Atividades de operação com aparelhos de 
raios-X, com irradiadores de radiação gama, 
radiação beta ou radiação de nêutrons, inclu-
indo: 
Salas de irradiação e de operação de apa-
relhos de raios-X e de irradiadores gama, 
beta ou neutrons. 
4.1. Diagnóstico médico e odontológico. Laboratórios de testes, ensaios e calibra-
ção com as fontes de radiação descritas. 
4.2. Radioterapia. 
4.3. Radiografia industrial, gamagrafia e neu-
tronradiografia. 
Manuseio de fontes. 
4.4. Análise de materiais por difratometria. Manuseio do equipamento. 
4.5. Testes ensaios e calibração de detecto-
res e monitores e radiação. 
Manuseio de fontes amostras radioativas. 
4.6. Irradiação de alimentos. Manuseio de fontes e instalações para a ir-
radiação de alimentos. 
4.7. Estabilização de instrumentos médico-
hospitalares. 
Manuseio de fontes e instalações para a 
operação. 
4.8. Irradiação de espécimes minerais e bio-
lógicos. 
Manuseio de amostras irradiadas. 
4.9. Medição de radiação, levantamento de 
dados radiológicos, ensaios, testes, inspe-
ções, fiscalização de trabalhos técnicos. 
Laboratórios de ensaios e calibração de 
fontes e materiais radioativos. 
5. Atividades de medicina nuclear. Sala de diagnósticos e terapia com medi-
cina nuclear. 
5.1. Manuseio e aplicação de radioisótopos 
para diagnóstico médico e terapia. 
Enfermaria de pacientes, sob tratamento 
com radioisótopos. 
 Enfermaria de pacientes contaminados 
com radioisótopos em observação e sob 
tratamentode descontaminação. 
5.2. Manuseio de fontes seladas para aplica-
ção em braquiterapia. 
Área de tratamento e estocagem de rejei-
tos radioativos. 
5.3. Obtenção de dados biológicos de pacien-
tes com radioisótopos incorporados. 
Manuseio de materiais biológicos contendo 
radioisótopos ou moléculas marcadas. 
 
 
5.4. Segregação, manuseio, tratamento, 
acondicionamento e estocagem de rejeitos 
radioativos. 
Laboratórios para descontaminação e co-
leta de rejeitos radioativos. 
6. Descomissionamento de instalações nucle-
ares e radioativas, que inclui: 
Áreas de instalações nucleares e radioati-
vas contaminadas e com rejeitos. 
6.1 Todas as descontaminações radioativas 
inerentes. 
Depósitos provisórios e definitivos de rejei-
tos radioativos. 
6.2. Gerenciamento dos rejeitos radioativos 
existentes, ou sejam; tratamento e acondicio-
namento dos rejeitos líquidos, sólidos, gaso-
sos e aerossóis; transporte e deposição dos 
mesmos. 
Instalações para contenção de rejeitos ra-
dioativos. Instalações para asfaltamento 
de rejeitos radioativos. Instalações para ci-
mentação de rejeitos radioativos. 
7. Descomissionamento de minas, moinhos e 
usinas de tratamento de minerais radioativos. 
Tratamento de rejeitos minerais. Repositó-
rio de rejeitos naturais (bacia de contenção 
de rádio e outros radioisótopos). Deposi-
ção de gangas e rejeitos de mineração. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9. REFERÊNCIAS 
 
AREOSA, João. Riscos e acidentes de trabalho: inevitável fatalidade ou ges-
tão negligente? Sociedade e Trabalho nº 19/20, 2003. 
ALEGRE, Carlos. Acidentes de trabalho e doenças profissionais. Coimbra: 
Almedina, 2001. 
BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. 9. ed. São Paulo: 
Ltr, 2013. 
CONFEA. Decreto n°345 de 27 de julho de 1990. Dispõe quanto ao exercício 
por profissional de Nível Superior das atividades de Engenharia de Avalia-
ções e Perícias de Engenharia. Brasília, 1990. 
CONFEA. Decreto n°325 de 27 de novembro de 1990. Dispõe sobre o exercí-
cio profissional, o registro e as atividades do Engenheiro de Segurança do 
Trabalho, e dá outras providências. Brasília, 1987. 
DOUGLAS, Mary; WILDAVSKY, Aaron. Risco e Cultura. Um ensaio sobre a 
seleção de riscos tecnológicos e ambientais. Rio de Janeiro. Elsevier Campus, 
2012. 
MACHADO, Sidnei. O direito à proteção ao meio ambiente de trabalho no 
Brasil; os desafios para a construção de uma racionalidade normativa. E-book. 
Biblioteca Ltr Digital. Disponível em: ... acesso em 13 de fev. de 2014. 
MELO, Raimundo Simão de. Direito Ambiental do trabalho e a saúde do tra-
balhador: responsabilidades legais, dano material, dano moral, dano estético, 
indenização pela perda de uma chance, prescrição. São Paulo. LTr Editora Ltda., 
2010. 
MIRANDA, C.R. – Inspeção do Trabalho, Epidemiologia e Segurança e Sa-
úde no Trabalho. In: A importância da Inspeção do Trabalho – Trabalhos Pre-
miados. Brasília (DF) : Sindicato Nacional dos Agentes da Inspeção do Trabalho 
(SINAIT), 1999. 
 
 
MOURA, M.A. – Um olhar coletivo. Revista Proteção, 40-43, maio de 1998. 
MTE – MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. SSST - Secretaria de Se-
gurança e Saúde no Trabalho. Legislação de Segurança e Saúde no Traba-
lho. Brasília, 1999. 
MTE – MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. SSST - Secretaria de Se-
gurança e Saúde no Trabalho. Norma Regulamentadora nº 7: nota técnica. 
Brasília: MTb, SSST, 1996. 34 p. 
NETO, G. R.; VASQUES, M. R. A.; FILHO, N. R. Laudos periciais de insalu-
bridade. 2005. 32 p. Monografia para obtenção do título de Especialista no 
Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Engenharia de Segurança do Traba-
lho, Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG, São Mateus do Sul-PR, 
2005. 
REGO, Raquel; FREIRE. João. Segurança e saúde no trabalho: que sentido 
para as mudanças em curso? Revista Organização e Trabalho. Nº 25. Oeiras: 
Celia Editora, 2001. 
SILVA, M. S. Análise das impugnações periciais e aspectos relativos às pe-
rícias de insalubridade e periculosidade na justiça do trabalho. 2017. 56 p. 
Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Engenharia de Segu-
rança do Trabalho, Universidade do Sul de Santa Catarina, Florianópolis, 2017. 
SAAD, I.F.S.D. & Giampaoli, E. – Programa de Prevenção de Riscos Ambien-
tais – NR-9 Comentada. 4º edição. ABHO: São Paulo, 1999.de preven-
ção e proteção do meio ambiente do trabalho; aplicação de penalidades; obriga-
ções das empresas ao cumprimento das normas de segurança e medicina do 
trabalho; obrigações dos trabalhadores a cumprir as normas de segurança, im-
plementa das pelas empresas. Além desses importantes artigos, não podemos 
deixar de mencionar a Portaria nº3.214/77 do Ministério do Trabalho, que regu-
lamenta o meio ambiente do trabalho por meio de 30 (trinta) normas regulamen-
tares relativas à medicina e segurança do trabalho(,) e a Portaria nº 598 de 2004 
que trata sobre as normas relacionadas com instalações e serviços em eletrici-
dade. Merece registro, outrossim, a atuação do Ministério Público na promoção 
do meio ambiente de trabalho hígido, mediante a propositura de ações coletivas 
perante a Justiça do Trabalho, bem como lançando mão de instrumentos extra-
judiciais, como inquéritos civis, procedimentos preparatórios e termos de ajuste 
de conduta. Como bem ressaltado por Evanna Soares (2004, p. 243): 
“o meio ambiente do trabalho constitui uma das prioridades de atuação 
do ramo do Ministério Público focalizado, com adoção das medidas ju-
diciais já conhecidas e de providências extrajudiciais tendentes a pro-
piciar um ambiente laboral seguro e saudável, em sintonia com os con-
ceitos elaborados pela Organização Internacional do Trabalho, Orga-
nização Mundial da Saúde, Constituição da República e legislação or-
dinária respectiva brasileira”. 
 
Nesse contexto, reveste-se de especial importância a Lei nº7.347/85, que 
disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados, também 
ao meio ambiente, e constitui instrumento eficaz para a preservação dos direitos 
dos trabalhadores a um meio ambiente com qualidade como prevê o artigo 225 
da CRFB. Realizado este breve introito, passemos agora à questão dos riscos 
de doenças laborais no ambiente do trabalho, sob a ótica da insalubridade e da 
periculosidade. 
1.1 O risco de doenças laborais 
 
As doenças profissionais adquiridas pelo empregado durante sua atividade 
laborativa, quando exposto a agentes nocivos, não são meras fatalidades, mas 
resultados de causas objetivas. O risco caracteriza-se por ser uma possibilidade, 
 
 
mas nunca uma certeza de que um evento futuro acontecerá. Risco não se con-
funde com perigo, tem-se por este último a possibilidade de um dano insuscetível 
de antecipação possível. Beck afirma que vivemos em uma sociedade de riscos. 
Nesta sociedade algumas questões são suscitadas como a prevenção, a tenta-
tiva de controle, legitimação e distribuição dos riscos que estão associados as 
novas expressões sociais e políticas, acrescenta ainda que na atual “moderni-
dade avançada” a produção de riqueza é sistematicamente acompanhada da 
produção de riscos (BECK, 1992, p. 19). A gestão do risco ou risk management 
é uma ferramenta de atuação privilegiada para combater as nossas múltiplas 
fragilidades organizativas e institucionais e consequentemente, se não neutrali-
zar, pelo menos diminuir os riscos no meio ambiente laborativo. 
Isto se torna importante quando se considera ambientes insalubres e peri-
gosos. Nesses ambientes, o risco sempre está presente, e por esta razão, todo 
empregado que trabalhe nessas condições recebe um adicional ao seu salário, 
que irá variar de acordo com a natureza (insalubre ou perigoso) e a intensidade 
de exposição ao agente nocivo. Os percentuais na insalubridade variam entre 
10%, 20% ou 40% sobre o salário mínimo enquanto que na periculosidade o 
percentual é de 30% do salário contratual. Observou-se que em ambas as situ-
ações o empregado está exposto a riscos, e, portanto, não se discute o recebi-
mento dos percentuais. Observou-se também que em ambas as situações o em-
pregado está exposto a fatores psicológicos que colocam sua integridade física 
em situação de risco. Contudo, também se observou que os empregados que 
estão sujeitos a agentes insalubres, desde o primeiro dia de trabalho, já se en-
contra exposto ao agente nocivo, e sofre as repercussões em sua saúde física, 
podendo gerar sequelas por toda sua vida. Já os empregados que estão sujeitos 
a agentes periculosos, apesar do risco, não estão em contato direto com nenhum 
agente nocivo que possa macular sua integridade física; isto só irá ocorrer se 
acontecer um evento danoso. Diante destes aspectos, indaga-se se os percen-
tuais atribuídos na insalubridade e na periculosidade estão adequados, frente a 
natureza da atividade laboral que o empregado exerce. 
1.2 O risco e o meio ambiente do trabalho 
 
 
 
Diante destes aspectos, indaga-se se os percentuais atribuídos aos adici-
onais de insalubridade e periculosidade estão adequados, frente a natureza da 
atividade laboral que o empregado exerce. Os riscos estão presentes nas ativi-
dades laborais e são a origem das doenças profissionais. A não observância de 
métodos de controle para evitar ou amenizar as causas das doenças podem 
causar consequências nefastas tanto para o empregado quanto para o empre-
gador. Neste sentido, o estudo do risco nas atividades laborativas toma grande 
escopo. A segurança e condições de trabalho devem ser uma reponsabilidade 
partilhada entre os sujeitos envolvidos, isso abrange não apenas ao empregador, 
mas, o empregado também. A análise de risco é seguramente uma das formas 
mais eficazes para entender e afastar a sinistralidade do meio ambiente do tra-
balho. Baixas qualificações acadêmicas e sócio profissionais e a falta investi-
mento em novas tecnologias muitas vezes são utilizadas para justificar índices 
de sinistralidade. Todos os acidentes de trabalho têm suas causas passíveis de 
explicação, são fatos objetivos e, não fenômenos de infortúnio. 
As suas consequências são capazes de influenciar diretamente a produti-
vidade das empresas, tanto de forma qualitativa e quantitativa, inclusive quanto 
aos seus custos de forma direta ou indireta. Neste sentido, Carlos Alegre expõe 
que: “Trata-se, sempre, de um acontecimento não intencionalmente provocado 
(ao menos pela vítima), de caráter anormal e inesperado, gerador de consequên-
cias danosas no corpo e na saúde, imputável ao trabalhador, no exercício de 
uma atividade profissional, ou por causa dela, de que é vítima um trabalhador” 
(ALEGRE, 2000, p. 35). “O perfil do trabalhador sinistrado é um indivíduo do sexo 
masculino, de baixo nível de escolaridade, trabalhador por conta de outrem e de 
uma certa antiguidade na empresa. O trabalho de pé e em espaço restrito é o 
mais associado à sinistralidade laboral, assim como a variabilidade das tarefas 
ao longo da jornada ou do ano, a execução de tarefas repetitivas e monótonas 
em posições dolorosas ou fatigantes. Também aparecem associados à sinistra-
lidade a flexibilidade de horários, o regime de turnos rotativos e uma duração de 
trabalho superior a 40 horas semanais. 
No que diz respeito às condições psicossociais, a maior autonomia e res-
ponsabilidade do desempenho das tarefas parece associar-se a um menor risco 
de sinistro laboral ou de doença profissional” (REGO e FREIRE, 2001, p. 29). 
 
 
Segundo os supracitados autores, resta demonstrado que quanto mais fatigante 
o trabalho, maior a exposição aos mais diferentes tipos de sinistralidades que 
podem ocorrer no ambiente laborativo e, portanto, maior o risco de exposição a 
agentes nocivos. Outro importante aspecto são as pessoas envolvidas neste tipo 
de trabalho, geralmente pessoas com baixa escolaridade são as que mais se 
sub-
me-
tem a 
traba-
lhos 
fati-
gan-
tes, 
pois, 
os 
que 
estu-
dam 
mais procuram melhores colocações no mercado de trabalho. 
2. RISCO NO AMBIENTE DE TRABALHO: INSALUBRIDADE E 
PERICULOSIDADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Antes de adentrarmos especificamente na repercussão das consequências 
do risco no ambiente de trabalho, faz-se mister avaliar o significado de risco. A 
palavra risco é definida comoa probabilidade de ocorrência de um determinado 
acontecimento, incluindo todas as suas representações e simbolismos sociais. 
Risco tem sempre a noção de incerteza e probabilidade ligada a seu evento. A 
noção de risco também não se confunde com a de perigo, pois para esta o acaso 
costuma ser mais generoso, isto é, tornam-se incalculáveis as possibilidades fu-
turas de um evento acontecer. Sobre este aspecto, Giddens aponta que: “A no-
ção de risco, devo acentuar, é inseparável das ideias de probabilidade e de in-
certeza. Não se pode dizer que alguém enfrenta um risco quando o resultado da 
ação está totalmente garantido. (...) As culturas tradicionais não dispõem do con-
ceito de risco porque não precisam dele. Risco não é o mesmo que acaso ou 
perigo. O risco refere-se a perigos calculados em função de possiblidades futu-
ras. Só tem uso corrente numa sociedade orientada para o futuro, uma socie-
dade que vê o futuro precisamente como um território a ser conquistado ou co-
lonizado” (GIDDENS, 2000, pp. 32 e 33). Sob esse prisma aprofunda-se a pes-
quisa quanto à análise dos adicionais de periculosidade e insalubridade pagos 
aos trabalhadores que exercem sua atividade laborativa expostos a agentes no-
civos, suscetíveis a riscos dos mais variados possíveis. 
De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho, em seus artigos 189 
ao 197 é definido o que é atividade insalubre e perigosa, respectivamente, dentre 
outras disposições, abaixo destacam-se alguns dispositivos de maior relevância 
para a discussão deste trabalho. Art. . 189 - Serão consideradas atividades ou 
operações insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de 
trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limi-
tes de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do 
tempo de exposição aos seus efeitos. Art. 192. O exercício de trabalho em con-
dições insalubres, acima dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério 
do Trabalho, assegura a percepção de adicional respectivamente de 40% (qua-
renta por cento), 20% (vinte por cento) e 10% (dez por cento) do salário-mínimo 
da região, segundo se classifiquem nos graus máximo, médio e mínimo. Art. 193. 
São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamen-
tação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aquelas que, por sua 
 
 
natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentuado em virtude de ex-
posição permanente do trabalhador a: 
I - inflamáveis, explosivos ou energia elétrica; 
II - roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissio-
nais de segurança pessoal ou patrimonial. 
§ 1º - O trabalho em condições de periculosidade assegura ao empregado 
um adicional de 30% (trinta por cento) sobre o salário sem os acréscimos resul-
tantes de gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa. Art.194 
- O direito do empregado ao adicional de insalubridade ou de periculosidade ces-
sará com a eliminação do risco à sua saúde ou integridade física, nos termos 
desta Seção e das normas expedidas pelo Ministério do Trabalho. Como pode 
ser observado na leitura desses dispositivos, o pagamento de adicionais de in-
salubridade e periculosidade está diretamente ligado ao potencial de risco a que 
o trabalhador está exposto. Mas, a pretensão deste estudo é ir além da análise 
dos riscos quanto ao pagamento de tais adicionais. Isto porque, estar exposto a 
riscos não significa a materialização de um evento danoso à saúde, física ou 
psicológica. É o que passaremos a estudar. A análise e o cálculo de riscos pas-
sam por construir estimativas potenciais sobre as perdas e/ou ganhos que pos-
sam surgir em razão de determinados eventos futuros. A interpretação de risco 
percorre a seara de uma possibilidade da ocorrência de um evento, que está 
sempre presente, mas da qual não se tem certeza. 
Em razão desta incerteza, o ser humano procura prever e colocar os acon-
tecimentos vindouros sob seu domínio através de certa regulação ou normaliza-
ção e eventos futuros. Porém, no plano da realidade, controlar eventos futuros 
está longe do alcance humano, isto porque, por mais que o homem tente se 
precaver de possíveis eventos, eles sempre serão incertos, não há certezas, até 
mesmo pela própria natureza humana, o fator erro deve sempre ser considerado. 
O que existem são probabilidades. Então, o máximo que o ser humano consegue 
aferir é uma alta ou baixa probabilidade de um evento acontecer, mas ainda as-
sim, apenas uma probabilidade. No dizer de Guibentif: “Um risco é a possibili-
dade de um dano, que por ser antecipadamente definido e avaliado de maneira 
 
 
precisa, quanto às suas causas e à sua amplitude, aparece como ligado a uma 
decisão de quem faz a apreciação antecipada. (...) Um perigo é a possibilidade 
de um dano insusceptível (sic) de antecipação possível. A concretização deste 
dano, nesta circunstância, apenas pode ser imputada a fatores (sic) externos” 
(GUIBENTIF, 2002, pp. 251-252). Quando introduzimos o objeto da insalubri-
dade e da periculosidade presente na CLT, o elemento risco pode ser facilmente 
identificado na tipificação do artigo. Significa dizer que para um trabalhador re-
ceber os adicionais de insalubridade ou periculosidade é requisito essencial que 
a sua atividade laborativa esteja expondo-o a um risco. 
Observa-se também que este risco deve ser avaliado, e dependendo da 
sua intensidade ou probabilidade, o empregado terá direito ao pagamento de um 
valor proporcional ao risco que supostamente esteja sendo exposto. Assim po-
demos brevemente pensar em alguns aspectos. Em ambas as situações, como 
falado anteriormente, tanto na insalubridade quanto na periculosidade, o fator 
risco encontra-se presente. Mas o fato é que quando o empregado está exposto 
ao fator insalubridade, este fator já se encontra presente no meio em que ele 
está laborando, de forma real. Quando por exemplo um empregado recolhe lixo 
urbano, o contato com agentes nocivos à saúde é iminente. Vale lembrar que a 
utilização de equipamentos de proteção individual (EPI’s) nem sempre é sufici-
ente para neutralizar o dano à saúde humana. Isto é, o empregado está sempre 
em contato real com o risco de contaminação ou de causar qualquer dado a sua 
saúde física e até mesmo psicológica. Utilizando ainda o exemplo do empregado 
que recolhe lixo urbano, o contato com resíduos cujo descarte foi feito de forma 
incorreta, como seringas usadas que podem perfurar sua pele, pode causar 
transtorno psicológico, ante a possibilidade de contaminação e ainda as seque-
las que poderão repercutir durante toda sua vida. 
Já o empregado exposto à periculosidade, apesar do risco estar sempre 
presente, não tem contato direto com nenhum agente nocivo a sua saúde até 
que o evento danoso passe a acontecer no plano da realidade, isto é, o empre-
gado recebe adicional apenas pelo risco a que está exposto, ainda que nunca 
ocorra evento danoso à sua saúde. Por exemplo, um motociclista tem direito a 
adicional de periculosidade em razão do risco de sofrer um acidente ao pilotar 
motocicleta. Fato é que se ele nunca sofrer este acidente, terá recebido adicional 
 
 
de periculosidade durante todo período que laborou sem nunca ter sofrido ne-
nhum dano a sua saúde. Significa dizer que o recebimento do adicional fica no 
âmbito da esfera psicológica, não rompendo a esfera da realidade dos fatos. A 
discussão que se propõe não é o recebimento ou não de adicional de insalubri-
dade ou de periculosidade, mas o fato de que o trabalhador efetivamente em 
contato com agentes nocivos à sua saúde, expondo-se ao risco de sequelas por 
toda a vida, receberá adicional de insalubridade em percentuais de 10%, 20% 
ou 40%sobre o salário mínimo, enquanto aquele que está apenas potencial-
mente exposto à periculosidade, perceberá adicional de 30% sobre seu salário 
contratual, pelorisco da possibilidade de acontecer um evento no plano da rea-
lidade, mas que, enquanto não acontecer, não romperá a barreira do plano ima-
ginário, sem que haja qualquer prejuízo para sua integridade física. 
É certo que empregados que ocupam atividades laborativas desta natu-
reza, sujeitas ao pagamento de adicionais de insalubridade e periculosidade, não 
exercem atividades laborativas como a maioria das pessoas e, portanto, se faz 
necessário o pagamento desses adicionais, que de certa forma são compensa-
dores dos riscos aos quais estão expostos. Neste sentido Meleiro diz que: “En-
tendemos então, por riscos no trabalho, qualquer ameaça para a integridade fí-
sica ou psíquica do trabalhador resultante de um desvio, ainda que mínimo, da-
quilo que se considere como trabalho normal” (MELEIRO, 1985, p.13). O ques-
tionamento que se levanta é que temos de um lado, pessoas que estão real-
mente em contato com agentes nocivos à saúde, que poderão sofrer sequelas 
por toda a vida, os detentores de insalubridade, e de outro os que estão expostos 
ao risco, mas, que enquanto o evento futuro não acontece, não há qualquer re-
percussão na sua saúde física, os detentores da periculosidade. Vale lembrar 
que o fator psicológico da exposição do risco, está presente nos dois casos, mas 
apenas em um, o da insalubridade, o empregado já sofre os efeitos danosos a 
sua saúde desde o primeiro dia de trabalho em contato com o agente nocivo, o 
que de fato não ocorre com o exposto a periculosidade. 
O questionamento que se levanta é quanto aos percentuais pagos a título 
de insalubridade e periculosidade. Neste ponto a análise não parte do paga-
mento ou não dos adicionais, mas sim se eles estão sendo pagos com o funda-
mento e a proporcionalidade corretos. Fato é que independente do risco a que o 
 
 
empregado possa estar sendo submetido, no caso da periculosidade ele sempre 
receberá um adicional de 30%, bastando que sua atividade seja definida como 
perigosa, sem que necessariamente haja qualquer dano a sua saúde. Já nos 
casos de pagamento de adicional de insalubridade, o empregado, desde o seu 
primeiro dia de trabalho já está em contato com agente nocivo a sua saúde, po-
dendo trazer severas consequências para sua vida após anos de exposição, re-
cebe apenas um percentual de 10% ou 20%, percentual menor do que o pago 
na periculosidade (além de ser o percentual do adicional de insalubridade sobre 
o salário mínimo, enquanto que o adicional de periculosidade é percentual sobre 
o salário base), que frise-se já está fazendo mal a sua saúde desde o primeiro 
dia de trabalho. A exceção está para o empregado que recebe adicional de in-
salubridade de 40%, superando o de periculosidade de 30%, mas nesses casos 
o empregado deve estar exposto a um agente extremamente nocivo para sua 
saúde, sendo, portanto, o risco de contaminação e de sequelas igualmente bas-
tante acentuado. 
Mais preocupado do que trazer respostas, o presente estudo tem maior 
preocupação em levantar tal questionamento, principalmente inspirado na pes-
quisa de Mary Douglas que ao analisar a gênese do risco procurou trazer um 
caráter relativo. Um viés antropológico é suscitado na medida em que se pode 
perceber risco a partir de uma perspectiva cultural. O que se pretende é questi-
onar os fundamentos para o pagamento dos adicionais de insalubridade e peri-
culosidade, e apenas isto. Certo de que questionamentos são mais produtivos 
do que respostas. Neste sentido, Douglas e Wildasvsky pensaram que: “Na sua 
gênese o risco tende a assumir um caráter relativo, sendo tomado como “simu-
lações coletivas” (DOUGLAS E WILDASVSKY, 1982, p.186). Nesta perspectiva 
das chamadas “simulações coletivas” o risco é devido a fatores sóciosimbólicos 
específicos de cada sociedade, isto se deve em razão de determinados agentes 
sociais que tendem a destacar determinados riscos e ignorar outros. Questiona-
se ainda o ponto referencial que atribuiu aparentemente maior valor social, ou 
simbólico, a quem pratica trabalho perigoso, do que a quem pratica trabalho in-
salubre. O fator histórico social que fixou o percentual em 30%, em 1977 estaria 
até hoje cumprindo sua finalidade? O pagamento deste adicional estaria ade-
quado se comparado ao pagamento dos adicionais de insalubridade, sendo que 
 
 
nestes o empregado já está exposto ao agente nocivo a sua saúde desde o pri-
meiro dia de trabalho, sujeito a sequelas durante toda a vida? Relativizar os pos-
tulados é preciso. 
Insalubridade 
As atividades que tipificam o adicional de insalubridade foram definidas 
pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conforme previsto no art. 190 da CLT, 
porquanto expõem os trabalhadores a agentes físicos, químicos ou biológicos 
nocivos à saúde. Embora o texto do art. 192 da CLT tenha estabelecido o adici-
onal de insalubridade para a exposição aos agentes nocivos acima do limite de 
tolerância (critério quantitativo), a caracterização da insalubridade se dá também 
por avaliação qualitativa, como nos casos de insalubridade por exposição a 
agentes biológicos, que independe de adequação a limite de tolerância (critério 
qualitativo). Nesse sentido, a caracterização e a classificação da insalubridade 
decorre de perícia, conforme estabelecido no art. 195 da CLT. O trabalho que 
exponha o empregado a condições insalubres, ainda que intermitentemente, 
deve ser remunerado com o acréscimo do adicional de insalubridade, conforme 
entendimento fixado pelo Súmula nº 47 do TST. Assim, o labor que implique em 
insalubridade, nos termos fixados pela Portaria nº 3.214/78 do Ministério do Tra-
balho e Emprego, será remunerado com o acréscimo de 10%, 20% ou 40% so-
bre o salário mínimo, correspondente à insalubridade em graus mínimo, médio 
e máximo. 
 Segundo a Norma Regulamentadora 15, da Portaria nº 3.214/78, do Minis-
tério do Trabalho, quando o trabalhador está sujeito a mais de um agente nocivo, 
deve ser considerado apenas o fator de insalubridade em maior grau. Entretanto 
Alice Monteiro de Barros (2013, p. 623-624) entende ser aplicável um adicional 
de insalubridade para cada agente nocivo a que está exposto o trabalhador, haja 
vista o múltiplo risco gerado à saúde do empregado e o baixo estímulo para que 
o empregador elimine os agentes nocivos do ambiente de trabalho. Ademais, 
segundo a autora, a Portaria extrapola o limite da lei, que não proíbe a cumula-
ção de mais de um adicional de insalubridade, bem como é anterior à edição da 
Lei nº 7.394, de 1985, que prevê o adicional de risco de vida e insalubridade”, 
logo, não poderia regulamentá-la. Salienta-se, ainda, que o fornecimento do 
 
 
Equipamento de Proteção Individual (EPI) aprovado pelo órgão competente do 
Poder Executivo pode eliminar o agente agressivo gerador do adicional de insa-
lubridade, conforme a Súmula nº 80 do TST. Contudo, para a elisão do pedido 
de insalubridade não basta o fornecimento de EPI, deve ser considerado tam-
bém o uso efetivo (Súmula nº 289 do TST) e a substituição dentro do prazo de 
validade do Equipamento de Proteção Individual. 
Periculosidade 
Perigo, em sentido etimológico, é “situação que ameaça a existência ou 
interesses de uma pessoa” (SEGUIER, 1925, p. 863). Através do significado de 
perigo é possível identificar o risco ou ameaça a que se expõe o trabalhador 
sujeito às condições periculosas, conforme a definição trazida pela Norma Re-
gulamentar 16 do Ministério do Trabalho, diversamente da insalubridade. Con-
forme leciona José Augusto Rodrigues Pinto (2007, p. 424-425), a insalubridade 
é insidiosa e lenta em seus resultados, enquanto que a periculosidade, por sua 
natureza, é uniforme, de impacto instantâneo e dispensa graduação indenizató-
ria. O adicional de periculosidade é assegurado aos empregados que trabalham 
em contato permanente ou intermitente com explosivos ou inflamáveis, em con-
dições de risco acentuado, conforme art. 193 da CLT. Aostrabalhadores que 
desempenhas suas atividades laborais nas condições descritas na lei e compro-
vado através de perícia, deve ser pago o adicional de periculosidade no percen-
tual de 30% sobre o salário base. 
 A Lei nº 7.369/85 estendeu a periculosidade aos trabalhadores que exer-
cem atividade no setor de energia elétrica, em contato com sistemas elétricos de 
potência. De igual maneira, a Portaria nº 518 do Ministério do Trabalho abarcou 
a atividade laboral que expõe o empregado a radiações ionizantes como ativi-
dade de risco. A aplicabilidade da Portaria nº 518 do MTE foi pacificada pela 
Orientação Jurisprudencial nº 345 da SDI-I do TST. Por fim, a Lei 12.704/12 am-
pliou o rol de atividades perigosas para incluir os profissionais de segurança pes-
soal ou patrimonial expostos a roubo ou outras espécies de violência. 
 
 
 2.1 Norma Regulamentar 16 (NR16) 
As Normas regulamentadoras (NR), de responsabilidade do Ministério do 
Trabalho e Emprego (MTE), regulam a segurança e saúde do trabalho. A não 
observação de tais regras e disposições legais sobre a segurança e saúde do 
trabalho podem resultar na aplicação de penalidades ao empregador. Têm cará-
ter obrigatório e devem ser aplicadas pelas empresas públicas e pelos órgãos 
da administração direta e indireta, pelos órgãos dos poderes Legislativo e Judi-
ciário que possuem empregados regidos pela CLT e pelas empresas privadas 
(NR 16, 2019). Dentre as normas regulamentadoras temos a NR 15, que regula 
as atividades e operações insalubres. No entanto, o tema deste trabalho é dire-
cionado a NR16, norma que define as atividades e operações perigosas, bem 
como recomenda a prevenção e utilização de equipamentos necessários à pro-
teção do trabalhador (NR 15 e NR 16, 2019). A Norma Regulamentadora 16 trata 
das atividades laborais e operações que apresentam Periculosidade para o em-
pregado. Segundo ela, Periculosidade é a definição ou situação daquilo que é 
considerado arriscado ou perigoso para a vida de acordo com a regulamentação 
do MTE (NR 16, 2019). 
Quando o trabalhador é exposto a uma permanente situação de risco de 
morte definidas como perigosa pela legislação tais como, contato com substân-
cias inflamáveis, explosivos, energia elétrica, radiação ionizante ou substâncias 
radioativas, denominamos estas situações de Periculosidade (NR 16, 2019). O 
Adicional de Periculosidade é um valor pecuniário que é devido aos empregados 
que ficam expostos à Periculosidade durante a jornada de trabalho. Tais ativida-
des periculosas estão contidas e definidas na NR 16 do MTE. Vários são os 
exemplos de trabalhadores nestas condições como, por exemplo, os frentistas 
de postos de combustível, operadores de distribuidoras de gás, trabalhadores 
no setor de energia elétrica, trabalhadores de usinas nucleares, fabricantes de 
explosivos, entre outros definidos na NR16 (NR 16, 2019). Para que se caracte-
rize a atividade de Periculosidade é necessário que a atividade seja atestada 
através de laudo técnico, emitido por Engenheiro de Segurança do Trabalho ou 
por Médico do Trabalho. Outro requisito necessário para a caracterização da 
Periculosidade se refere a riscos imediatos aos quais um trabalhador se expõe, 
colocando-se em risco iminente para a sua segurança e integridade física. Ou 
 
 
seja, implica em contato imediato com agentes que podem causar acidentes gra-
ves capazes de levar à morte, lesão corporal com mutilação parcial ou definitiva 
(NR16, 2019). 
Em relação à percepção do Adicional de Periculosidade, a NR 16, em seu 
texto, regulamenta no caso de o trabalhador se expor, tanto aos riscos de Peri-
culosidade, quanto de Insalubridade, este pode optar pelo Adicional que lhe for 
mais vantajoso, pois eles não são cumulativos. No entanto, há uma semelhança 
entre os institutos; os adicionais somente serão devidos ao trabalhador enquanto 
este realizar atividades nas áreas perigosas ou exposto a agentes insalubres. 
Quando tais atividades não apresentarem mais riscos, o trabalhador não mais 
terá o direito a receber o Adicional (NR 16, 2019). De acordo com a NR16, são 
consideradas atividades e operações perigosas as constantes nos anexos da 
referida norma conforme se segue: No anexo 1 (um), a NR16 regula operações 
e atividades com explosivos; também as áreas adjacentes são consideradas 
como sendo de risco, em razão da quantidade de material armazenada. Empre-
gados de mineradoras, por exemplo, que manuseiem explosivos, fabricantes de 
fogos de artifícios e munições, dentre outros, estão inseridos nesta situação (NR 
16, 2019). Em relação ao anexo 2 (dois), são referidas as atividades e operações 
com substâncias inflamáveis, líquidos ou gasosos. Além da delimitação da área 
de risco em relação à quantidade de material, especifica também as capacidades 
máximas para os diferentes tipos de embalagens. 
Nesse grupo estão inseridos frentistas, petroquímicas, usinas produtoras 
de etanol, refinarias (NR 16, 2019). Recentemente, no ano de 2014, foi acres-
centado a NR 16 o anexo 5, que trata sobre as atividades perigosas em motoci-
cleta. O anexo é enfático em seu diploma, segundo o qual não se inserem, como 
atividades perigosas, os deslocamentos de motocicleta da residência do empre-
gado para o trabalho, ou o inverso. Também não são consideradas perigosas as 
atividades com motocicleta com tempo extremamente reduzido ou em locais pri-
vados ou de forma fortuita, ou seja, atividades eventuais (NR 16, 2019). A Norma 
Regulamentar (NR16), em seu item 16.2 define que: [...] o exercício de trabalho 
em condições de Periculosidade assegura ao trabalhador a percepção de Adici-
 
 
onal de 30% (trinta por cento), incidente sobre o salário, sem os acréscimos re-
sultantes de gratificações, prêmios ou participação nos lucros da empresa (NR 
16, 2019). A título comparativo, a NR 15, que dispõe sobre Insalubridade, deter-
mina que os adicionais sejam pagos baseados no salário mínimo vigente na re-
gião, que pode ser maior ou igual ao salário mínimo regional, em percentuais 
que podem ser de 10%, 20% ou 40% do mínimo legal, de acordo com os níveis 
de exposição aos agentes insalubres (NR 15, 2019). 
O Adicional de Periculosidade integra o salário do empregado, bem como 
a remuneração de férias e décimo terceiro salário. É responsabilidade e obriga-
ção do empregador providenciar os laudos que atestem a Periculosidade, ou 
não, de um ambiente, e delimitar as áreas a que seus efeitos estão presentes 
(NR 16, 2019). Caso essa definição não esteja clara é possível que ela seja 
identificada em ação proposta na Justiça do Trabalho, através da reclamação de 
trabalhista ou proposta por meio do sindicato que represente os trabalhadores. 
Neste caso, caberá ao juiz do trabalho nomear perito para determinar qual é a 
real situação do estabelecimento empresarial e indicar através de laudo pericial 
se o reclamante faz jus aos valores de Periculosidade (NR 16, 2019). O Adicional 
de Periculosidade é devido a todos os trabalhadores que entrem, circulem e 
exerçam atividades nas áreas de risco. Em situações em que os empregados 
exerçam atividades, sem contato direto ou próximo ao material perigoso, faz-se 
necessário a delimitação da área de trabalho para confirmar se a atividade está 
dentro ou fora da área determinada. Caso afirmativo, deve-se pagar ao empre-
gado o Adicional de Periculosidade. No entanto, em caso negativo, o pagamento 
 
 
não é obrigatório (NR 16, 2019). Conforme quadro número 1 (um) do anexo 1 da 
NR 16, são considerados perigosas as seguintes atividades (NR16, 2019): 
 
O quadro número 2 (dois) da NR 16 mostra as faixas, de estocagem e dis-
tância, a serem consideradas, conforme o material encontrado no local (NR16, 
2019). 
 
 
 
 
Conclui-se que as atividades, que não forem relacionadas no Quadro 1 
(um), do Anexo 1 (um), dentro da faixa de limite de segurança, pode ser consi-
derada perigosa, econsequentemente obrigatório o pagamento de Adicional de 
Periculosidade (NR 16, 2019). Ainda em relação ao quadro, se a distância entre 
o armazenamento de 3.000 kg de material explosivo e outro ambiente da em-
presa for, por exemplo, de 100 metros, este ambiente estará fora da área de 
risco e, assim, ausente a necessidade do pagamento de Adicional de Periculo-
sidade para os empregados lotados nesse prédio (NR 16, 2019). É responsabi-
lidade da empresa delimitar a área de risco e impedir o ingresso de pessoas não 
autorizadas a áreas restritas, conforme regra descrita na NR 16. Não raro, há 
empregados de empresas, cujas atividades são caracterizadas como perigosas, 
que buscam o Judiciário com o fim de fazer valer seus direitos aos adicionais, 
contra seus empregadores, como no caso de terem acesso, ainda que eventual, 
a ambientes em que outros funcionários recebiam Adicional de Periculosidade 
(NR 16, 2019). O órgão SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Se-
gurança e em Medicina do Trabalho) é uma equipe de profissionais da saúde 
que fica dentro das empresas para proteger a integridade física dos trabalhado-
res. É este órgão que delimita as áreas de risco do ambiente de trabalho dentro 
da empresa (NR 16, 2019). 
O adicional de insalubridade é um direito concedido ao trabalhador em fun-
ções nas quais esteja exposto a agentes nocivos à saúde no ambiente de traba-
lho e tem como fundamento básico o princípio da dignidade humana, buscando 
a proteção da integridade do trabalhador. É um direito constitucional pelo qual 
os trabalhadores, de modo geral, têm garantidas melhores condições do meio 
de trabalho, com objetivo de evitar condições que agridem a saúde. O valor atri-
buído ao adicional de insalubridade é coerente com a classificação do nível in-
salubre, podendo ser mínimo, médio ou máximo, conforme apurado e declarado 
por um perito, engenheiro ou médico do trabalho, devidamente registrados no 
MTE. O direito aos adicionais em discussão está contido nos direitos sociais 
considerados de segunda dimensão ou geração, os quais contemplam os direi-
tos sociais, culturais, coletivos e econômicos, orientados pelos princípios consti-
tucionais da igualdade da pessoa humana, do valor social e individual do traba-
 
 
lho, da livre iniciativa, da justiça social e da ordem social. Sobre o assunto, Ar-
ruda (1998) esclarece que: Dos direitos fundamentais, os direitos sociais são os 
que guardam maior relação com as questões econômicas, tanto em nível estru-
tural como em nível conjuntural e talvez por isso sejam os mais ameaçados e 
suscetíveis de interferências dos fatores econômicos dominantes no País. 
A Constituição de 1988 instituiu, na forma de direito mínimo do trabalhador 
urbano ou rural, o direito ao recebimento de um adicional por trabalhadores en-
volvidos em atividades consideradas insalubres. O art. 7°, XXIII, onde é tratada 
a insalubridade, deve ser entendido de forma harmônica ao inciso XXII do 
mesmo artigo, onde se apresenta a necessidade de redução dos riscos do tra-
balho por meio de normas da saúde, higiene e segurança: Art. 7º São direitos 
dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua 
condição social: [...] XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de 
normas de saúde, higiene e segurança; XXIII - adicional de remuneração para 
as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei (CF, 1988 apud 
ARRUDA, 1988, p.103). O MTE é o órgão regulamentador das atividades insa-
lubres, o que é feito pelo art. 190 da CLT e Súmula 194 STF, através da edição 
de Portarias Ministeriais por meio das NR que estabelecem os parâmetros e as 
instruções relativas à saúde do trabalhador e sua segurança no trabalho (NAS-
CIMENTO, 2007). 
A fim de definir quais agentes e condições são insalubres ou o nível relativo 
ao adicional, o MTE utiliza as Normas Regulamentadoras elaboradas por ele 
próprio. Entretanto, a CLT, mais especificamente no artigo 191, admite a possi-
bilidade de neutralizar ou eliminar a insalubridade, deixando de ser pago o citado 
adicional. Esta possibilidade pode concretizar-se, por exemplo, através da utili-
zação de Equipamentos de Proteção Individual - EPI, que, comprovadamente, 
neutralizem os efeitos oriundos dos agentes ou das condições insalubres. A clas-
sificação geral feita pela NR 15 para fins de insalubridade estabelece os seguin-
tes graus ou níveis, definidos em seus anexos, a partir de critérios quantitativos 
e qualitativos. Os critérios quantitativos orientam que é configurada insalubridade 
os casos em que a concentração do agente de risco estiver acima dos limites de 
 
 
tolerância estabelecidos em outros anexos da mesma NR 15, que podem ser 
resumidos da seguinte maneira: 
a. 1 e 2 - ruído continuo, intermitente e impacto (grau médio); 
b. 3 - calor (grau médio); 
c. 5 - radiações Ionizantes (grau máximo); 
d. 8 - vibrações (localizadas ou de corpo inteiro), com base nos critérios 
adotados pelas Normas ISO (grau médio); 
e. 11 - agentes químicos (graus mínimo, médio e máximo, conforme o 
agente); 
f. 12 - poeiras minerais, sílica livre e amianto (grau máximo). 
Os critérios qualitativos determinam que a insalubridade deve ser caracte-
rizada por uma avaliação pericial que comprove a exposição ao risco, por meio 
de inspeção da situação laboral. A perícia é realizada através de análise dos 
agentes constantes nos anexos comentados: 
a. 6 - trabalho sob condições hiperbáricas (grau máximo); 
b. 7 - radiações não ionizantes (grau médio); 
c. 9 - frio (grau médio); 
d. 10 - umidade excessiva (grau médio); 
e. 13 - agentes químicos para os quais ainda não existem limites de tole-
rância adotados; 
f. 13 - Benzeno; 
g.14 - agentes biológicos. 
É essencial enfatizar que o adicional de insalubridade não é de natureza 
indenizatória, mas sim, salarial, uma vez que seu objetivo é a remuneração do 
 
 
trabalho prestado sob condição comprovadamente insalubre, sendo tomado 
como instrumento de compensação ao empregador. Sobre o tema o TST instrui 
que: O adicional de insalubridade, caso pago em caráter habitual, integrará, se-
gundo enuncia a Súmula 139 do TST, a remuneração do trabalhador, no que 
concerne ao cálculo das demais verbas (aviso prévio, férias, 13º salário, FGTS, 
indenização), à exceção dos descansos semanais remunerados e feriados, 
tendo em vista que já estão inclusos no pagamento mensal do referido adicional. 
Enfatize-se que, de acordo com a Súmula 289 do TST, o mero fornecimento de 
EPI ao trabalhador não retira do empregador a responsabilidade pelo pagamento 
desse adicional. Nesse caso, ainda que o equipamento adequado de proteção 
individual seja fornecido, será pago o adicional de insalubridade caso a perícia 
técnica constate que tal equipamento é insuficiente para a proteção do trabalha-
dor (BONAVIDES, 2014). Dos esclarecimentos feitos sobre esses dois adicio-
nais, na qual um será devido ao trabalhador que laborar na presença de agentes 
nocivos a sua saúde e o outro, quando laborar em condições insalubres, fre-
quentemente existem discussões jurisprudenciais acerca da possibilidade ou 
não de um mesmo empregado acumular o recebimento dos dois benefícios, as-
sunto, este, que será apresentado no capítulo seguinte. 
3. O TRABALHO EM CONDIÇÕES INSALUBRES E PERIGOSAS 
 
O contrato de trabalho pressupõe que uma das partes, em regra empre-
gado, será subordinada a outra, entretanto, esta condição não estabelece pode-
res ilimitados de mando, eis que as partes mantêm-se vinculadas as normas 
trabalhistas que asseguram o trabalho em condições que garantem, entre outras, 
a saúde e a integridade do trabalhador. No entanto existem, algumas atividades 
que por si só produzem efeitos nocivos ao ser humano, estas são chamadas de 
atividades de risco. Quando empregado e empregador concordam em executar 
tarefas deste tipo, deverão ser tomadasdiversas medidas. Mesmo com a prote-
ção, nenhuma atividade fica isenta de riscos, por isso os trabalhadores que exe-
cutam tarefas perigosas e ou transita por área comprovadamente insalubre ou 
perigosa tem proteção legal, e faz jus ao adicional de periculosidade, insalubri-
dade ou penosidade, conforme o caso. O presente capítulo tem como objetivo 
 
 
fazer uma breve exposição sobre estes adicionais, trazendo informações do tra-
balho em condições especiais na história, conceituando e analisando as normas 
legais acerca do trabalho nessas condições. Juntar o útil ao agradável é o ideal, 
e realizar com prazer é o que todos almejam. Segundo Ricardo Antunes (2000) 
“o ato de produção e reprodução da vida humana realiza-se pelo trabalho[...] o 
ser humano tem ideado, em sua consciência, a configuração que quer imprimir 
ao objeto do trabalho, antes de sua realização”. 
 
Nota-se que a atividade laboral nem sempre está voltada para a auto reali-
zação, muitas vezes o ser humano trabalha, única e exclusivamente para rece-
ber o salário no final do mês, para assim garantir seu sustento. Então o mínimo 
que se espera é que este trabalhador ao menos possa exercer suas atividades 
em boas condições de trabalho, garantindo seu direito a saúde. A Constituição 
Federal de 1988 em seu artigo 6º garante o direito de saúde a todos. E com o 
objetivo de prevenir doenças ocupacionais e acidentes, em seu art. 7º, XXVIII, 
assegura aos trabalhadores melhores condições de trabalho no que tange à sa-
úde, higiene e segurança. Segundo Barros (apud MARQUES, 2001, p.36) a sa-
úde tem grande importância e deve ser protegida: Quando o empregado é admi-
tido pelo empregador, leva consigo uma série de bens jurídicos (vida, saúde, 
capacidade de trabalho, etc), os quais deverão ser protegidos por este último, 
com adoção de medidas de higiene e segurança para prevenir doenças profissi-
 
 
onais e acidentes no trabalho. O mínimo para um trabalhador manter uma con-
dição de vida digna é justamente a conservação da sua saúde. Conforme já 
mencionado a proteção legal do trabalhador teve grande relevância somente 
após a criação da OIT (1919), quando se buscava melhores condições de traba-
lho. 
Para Chistiani Marques (2001, p. 25) condições de trabalho: [...] é um termo 
um tanto genérico, mas que significa tratar do sistema organizativo, do conteúdo 
das atividades e das solicitações no trabalho com a finalidade de melhorar a 
produção de bens ou realizar a prestação de um serviço. Existem condições es-
peciais de trabalho, que prejudicam a saúde ou a integridade física do ser hu-
mano. O que determina o enquadramento como atividade exercida em condi-
ções especiais é a presença do agente nocivo no ambiente de trabalho e a efe-
tiva exposição do trabalhador a ele no exercício de sua atividade. A Portaria n. 
3.214 do Ministério do Trabalho, de 8 de junho de 1978, aprovou as normas 
regulamentadoras relativas à segurança do trabalho, chegando hoje ao número 
de trinta e seis. As mais importantes destaca César Reinaldo Offa Basile (2009, 
p. 117): NR2 (inspeção prévia), NR5 (comissão interna de prevenção de aciden-
tes), NR6 (equipamentos de proteção individual - EPI), NR7 (programas de con-
trole médico de saúde ocupacional), NR9 (programas de prevenção de riscos 
ambientais), NR15 (atividades e operações insalubres) e NR16 (atividades e 
operações perigosas). As empresas devem observar obrigatoriamente as nor-
mas regulamentadoras, diante de qualquer descumprimento a fiscalização que 
é exercida por analistas fiscais do trabalho é lavrado auto de infração com apli-
cação de multa administrativa. 
O trabalho insalubre 
Atividades insalubres são aquelas que expõem os empregados com habi-
tualidade a agentes nocivos à saúde acima dos limites legais permitidos, con-
forme está explícito no artigo 189 da CLT: Art.189. Aquelas, que por sua natu-
reza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes 
nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza 
e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos. (BRA-
SIL,2014) As condições de trabalho insalubres encontram-se elencadas na 
 
 
Norma Regulamentadora nº 15, da Portaria nº. 3.214/1978 do Ministério do Tra-
balho e Emprego, a qual descreve quais agentes químicos, físicos e biológicos 
são prejudicais a saúde do trabalhador, e estabelece os limites de tolerância do 
organismo a essas agressões. Conforme Norma Regulamentadora nº 15 são 
considerados como trabalho insalubre as atividades sob as seguintes condições: 
ruído contínuo ou intermitente, ruídos de impacto, exposição ao calor, radiações 
ionizantes, trabalho sob condições hiperbáricas, radiações não ionizantes, vibra-
ções, frio, umidade, agentes químicos cuja insalubridade é caracterizada por li-
mite de tolerância e inspeção no local de trabalho, poeiras minerais, agentes 
químicos, agentes biológicos. 
Quando se fala em limites de tolerância, significa dizer que é “a concentra-
ção ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo 
de exposição ao agente, que não causará danos à saúde do trabalhador, durante 
a sua vida laboral” (subitem 1.5, NR15). Em relação à competência para aprovar 
o quadro de atividades insalubres, o artigo 190 da CLT destaca que: Art. 190. O 
Ministério do Trabalho aprovará o quadro das atividades e operações insalubres 
e adotará normas sobre os critérios de caracterização da insalubridade, os limi-
tes de tolerância aos agentes agressivos, meios de proteção e o tempo máximo 
de exposição do empregado a esses agentes. (BRASIL, 2014) A caracterização 
da insalubridade far-se-á por meio de perícia de um médico do Trabalho ou En-
genheiro do Trabalho, com registro no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). 
A exposição eventual a agentes insalubres não descaracteriza o pagamento do 
adicional de insalubridade conforme prevê a Súmula 47 do TST “O trabalho exe-
cutado em condições insalubres, em caráter intermitente, não afasta, só por essa 
circunstância, o direito à percepção do respectivo adicional”. 
Como a legislação estabelece quais os agentes considerados nocivos à 
saúde, não será suficiente somente o laudo pericial para que o empregado tenha 
direito ao respectivo adicional é preciso que a atividade apontada pelo laudo pe-
ricial como insalubre esteja prevista na relação oficial elaborada pelo Ministério 
do Trabalho, tal como definido pela NR-156. O empregado que trabalha em con-
dições insalubres pode fazer horas extras, neste caso, a hora extra é calculada 
somando a parte fixa do salário com o adicional de insalubridade ou periculosi-
 
 
dade, dividindo-se pelo número de horas trabalhadas no mês. A jornada de tra-
balho nessas condições deveria ser reduzida, considerando que a exposição 
prolongada a agentes agressivos pode causar danos irreparáveis à saúde do 
trabalhador (BARROS, 2012). No caso de incidência do trabalhador a mais de 
um fator insalubre, apenas será considerado o de grau mais elevado para efeito 
de acréscimo salarial, como veremos no decorrer deste capítulo. A seguir será 
analisado o adicional de periculosidade que também é objeto deste estudo. 
O trabalho perigoso 
O trabalho considerado perigoso é aquele onde o empregado desenvolve 
uma atividade perigosa, e está causa risco a sua vida ou a sua incolumidade 
física. A CLT traz em seu artigo 193 uma definição completa do que é uma ativi-
dade perigosa: Art. 193. São consideradas atividades ou operações perigosas, 
na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, 
aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentu-
ado em virtude de exposição permanente do trabalhador a I - inflamáveis, explo-
sivos ou energia elétrica II - roubos ou outras espécies de violência física nas 
atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial.( BRASIL, 2014)As atividade e operações perigosas encontram-se enumeradas na NR nº 167 da 
Portaria nº. 3.214/1978 do Ministério do Trabalho e Emprego, sendo caracteri-
zadas pelo contato permanente com inflamáveis e explosivos. A exposição com 
interrupções do trabalhador a algum desse fatores de perigo não afasta o paga-
mento do adicional, conforme dispõe a Súmula 364, do TST: Súmula 364 do TST 
- Tem direito ao adicional de periculosidade o empregado exposto permanente-
mente ou que, de forma intermitente, sujeita-se a condições de risco. Indevido, 
apenas, quando o contato dá-se de forma eventual, assim considerado o fortuito, 
ou o que, sendo habitual, dá-se por tempo extremamente reduzido. 
O trabalhador somente terá direito ao recebimento do adicional de pericu-
losidade se preenchido algumas condições pré-estabelecidas pelo Ministério do 
Trabalho, portanto a atividade deverá, obrigatoriamente, expor o trabalhador ao 
contato permanente com determinada atividade perigosa, que além de perigosa, 
cause risco acentuado ao trabalhador a ponto de, em caso de acidente, lhe tirar 
a vida ou mutilá-lo. E ainda, que esta atividade esteja definida em Lei, ou como 
 
 
no caso da radiação ou substancias ionizantes, definida em portaria expedida 
pelo Ministério do Trabalho. Além do adicional de periculosidade previsto na 
CLT, a Lei n. 7.369/85, institui, aos trabalhadores que laboram em setor de ener-
gia elétrica, com sistema elétrico de potência ou com equipamentos e instala-
ções elétricas similares, que evidenciam condições de risco, um adicional de 
30% sobre o salário que recebem. (BARROS, 2010). A súmula nº 361 estabelece 
que: [...] o trabalho exercido em condições perigosas, embora de forma intermi-
tente, dá direito ao empregado a receber o adicional de periculosidade de forma 
integral, porque a Lei nº 7.369, de 20.09.1985, não estabeleceu nenhuma pro-
porcionalidade em relação ao seu pagamento. Recentemente, foi sancionada a 
lei que reconhece como atividades perigosas as profissões de motoboy, moto 
taxista, moto frete e de serviço comunitário de rua. A lei acrescenta o parágrafo 
4° ao artigo 193 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O Projeto de Lei 
2865/2011 adiciona 30% ao salário das profissões de moto taxista, motoboy, 
moto frentista e de serviço comunitário de rua por considerá-las perigosas. 
O Trabalho penoso 
Destaca-se como atividades penosas aquelas que causam cansaço, des-
gaste, fadiga, demanda excessiva de força física e mental. São os casos inter-
mediários, nem insalubres, nem perigosos, mas que podem ensejar ao trabalha-
dor doenças e até a morte. No conceito de Marques (2001.p. 61): O conceito de 
trabalho penoso é indicativo para se estabelecer se haverá ferimento a dignidade 
humana do trabalhador, bem como identificar se o meio ambiente de trabalho 
está inadequado, e ainda, verificar a existência permanente da atividade penosa, 
quando então serão estudados os limites, proibições e critérios remuneratórios. 
Para Douglas Marcus (2010) o trabalho penoso é aquele que pode ser definido 
como inadequado às condições físicas e psicológicas dos trabalhadores, provo-
cando incômodo, sofrimento ou desgaste à saúde do trabalhador no ambiente 
de trabalho. Já Marques (2001, p, 64) considera como trabalho penoso: [...] mo-
torista e cobrador de ônibus, motorista de táxi, empregados de serviços de lim-
peza ou conservação de bueiros, galerias ou assemelhados, enfermeiros e au-
xiliares de enfermagem, caixas e vigilantes de banco, cantor e locutor de rádio, 
entre outros tantos tratados pela jurisprudência em nossos tribunais. A Consti-
tuição Federal de 1988 em seu artigo 7º, XXIII, assegura aos trabalhadores o 
 
 
direito a receber o adicional de penosidade, porém não existe nenhuma lei ordi-
nária que define juridicamente as atividades penosas e nem o valor correspon-
dente a este adicional. 
4. NORMAS LEGAIS ACERCA DO TRABALHO EM CONDIÇÕES 
DE INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
A 
legisla-
ção 
traba-
lhista protege 
através de normas o trabalhador que executa suas funções em atividades insa-
lubres ou perigosas, de forma a amenizar o impacto destas atividades na saúde 
do trabalhador. O exercício de trabalho em condições insalubres e perigosas 
assegura a percepção de um adicional. Do ponto de vista trabalhista o adicional 
é um acréscimo salarial decorrente da prestação de serviços do empregado em 
condições mais gravosa. O adicional está ligado à determinada condição, a um 
fato gerador. Aquele que trabalha em condições normais recebe o normal, e 
aquele que trabalha em condições extraordinárias (as quais podem pôr em risco 
a saúde, a vida do empregado) recebe um adicional correspondente às adversi-
dades. Ressalta-se que trabalhador não recebe vantagens, é apenas uma ten-
tativa de compensação. A parcela do adicional é nitidamente contra prestativa, 
 
 
pois paga um plus em virtude do desconforto, desgaste ou risco vivenciados, da 
responsabilidade e encargos superiores recebidos, do exercício cumulativo de 
funções. Como já mencionado, os adicionais de insalubridade e periculosidade 
tem como base legal o artigo 7º, inciso XXIII da Constituição Federal: Art. 7.º São 
direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria 
de sua condição social: XXIII — adicional de remuneração para as atividades 
penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei; (BRASIL, 2014). Regulamen-
tada também pelos art. 189 e seguintes da Consolidação das Leis do Trabalho 
e a Lei 6.514 de 1977, que alterou a CLT, no tocante a Segurança e Medicina 
do Trabalho, o que é regulamentado pela Portaria 3.214, por meio de Normas 
Regulamentadoras. 
Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego e controle 
dos riscos ambientais pela empresa – PPRA e PCMSO 
O art. 7º da Constituição Federal, nos incisos XXII e XIII, constituiu como 
direitos fundamentais dos trabalhadores urbanos e rurais a redução dos riscos 
inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança, bem 
como o adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres e pe-
rigosas, na forma da lei. Conforme os arts. 190, 193 e 200 da CLT, as definições 
de trabalhos insalubres e perigosos advém de normatização complementar do 
Ministério do Trabalho. Para regulamentar as atividades insalubres e perigosas, 
o MTE editou as Normas Regulamentadoras (NR's) através da Portaria nº 
3.214/78. O ordenamento federal dispõe hodiernamente de trinta e três Normas 
Regulamentadoras, destacando-se as NR's 15 e 16, que disciplinam a insalubri-
dade e a periculosidade, respectivamente, no ambiente de trabalho. Embora as 
NR's 15 e 16 criem a regulamentação do adicional de remuneração constitucio-
nalmente previsto para as atividades insalubres e perigosas, há que se falar no 
direito fundamental do trabalhador às medidas preventivas voltadas para a redu-
ção dos riscos do ambiente de trabalho. 
 Nesse sentido, a NR 9 determina que todos os empregadores e instituições 
que admitam trabalhadores como empregados elaborem e implementem o Pro-
grama de Prevenção dos Riscos Ambientais (PPRA), visando à preservação da 
 
 
saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconheci-
mento, avaliação e consequente controle da ocorrência de riscos ambientais 
existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho. O Programa de Pre-
venção dos Riscos Ambientais, conforme estabelecido no item 9.1.3 da NR 9, 
deve estar articulado com o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacio-
nal, previsto na NR 7, sendo estes partes integrantes do conjunto mais amplo 
das iniciativas da empresa no campo da prevenção da saúde e da integridade 
dos trabalhadores. Destaca-se, entretanto, que tanto o PPRA como o PCMSO 
são documentos emitidos unilateralmente pelo empregador, comumente elabo-
rados por empresa de monitoramento contratada paraessa finalidade. Por isso 
não existe controle efetivo e imparcial acerca da coerência entre as informações 
apresentadas nos PPRA's e PCMSO's e os riscos ambientais realmente identifi-
cados no ambiente de trabalho dos empregadores. 
5. PERÍCIA DE INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE 
 
 
 
 
 
 
 
Os processos na Justiça do Trabalho tratam de litígios que envolvem diver-
sas áreas do conhecimento humano e, muitas vezes, exigem análise auxiliar de 
especialistas técnicos, profissionais especializados com conhecimentos na ma-
téria debatida no processo. Nesse sentido, o art. 145 do CPC dispõe que 
“quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico, o juiz 
será assistido por perito, segundo disposto no art. 421.” Aponta-se a lição de 
 
 
Moacyr Amaral Santos (1995, p. 473) no tocante à finalidade do perito judi-
cial: Os peritos funcionam, pois, como auxiliares do juiz, que é quem lhes atribui 
a função de bem e fielmente verificar as coisas e os fatos e lhe transmitir, por 
meio de parecer, o relato de suas observações ou as conclusões que das mes-
mas extraírem. Como auxiliares do juiz e para funcionarem no processo, os pe-
ritos cumprirão leal e honradamente a sua função (Código de Processo Civil, art. 
422). 
 O Perito nomeado pelo Juízo está compromissado (art. 422 do CPC) e 
deve cumprir o ofício com diligência e presteza (art. 146 do CPC). Segundo Fer-
nandes José Pereira e Orlando Castello Filho (2012, p. 25), a função precípua 
do perito é assessorar tecnicamente o juiz e levar ao seu conhecimento as reais 
condições do ambiente de trabalho e das atividades do reclamante. Consoante 
a lição de Luiz Guilherme Marinoni (2011, p. 792-793), “O perito pode ter pre-
senciado o fato, mas sua função não é a de simplesmente relatá-lo, porém sim 
a de demonstrar a sua ocorrência – ou não – a partir de critérios eminentemente 
técnicos”. Conforme relatado nos tópicos anteriores, o PPRA e o PCMSO, pre-
vistos nas NR's 9 e 7, respectivamente, são documentos que se destinam ao 
controle dos riscos ambientais e prevenção dos danos à saúde do trabalhador, 
porém são emitidos unilateralmente pelo empregador e, muitas vezes, ao apre-
sentarem as medições dos agentes físicos, químicos e biológicos nocivos à sa-
úde dos empregados não retratam fidedignamente a realidade fática dos ele-
mentos de risco do ambiente de trabalho. 
 Nas perícias de insalubridade e periculosidade realizadas na Justiça do 
Trabalho a maioria absoluta dos laudos periciais emitidos pelos profissionais téc-
nicos nomeados pautam-se nas informações e medições dos agentes nocivos 
apresentadas no PPRA e no PCMSO. Logo, o laudo pericial de insalubridade ou 
periculosidade no ambiente de trabalho que não apresenta fundamento lógico 
com base na avaliação técnica da realidade dos fatos, mas apenas apresenta 
um relato das informações fornecidas unilateralmente pelo empregador através 
do PPRA e do PCMSO, não pode ser reputado válido ao fim que se destina. As-
sim, embora o perito seja compromissado e deva exercer seu múnus com dili-
gência e presteza e sua incumbência não se limite ao simples relato dos fatos, 
 
 
mas a demonstrar a sua ocorrência a partir de critérios técnicos, essa não é a 
realidade das perícias que visam a análise dos elementos de insalubridade e 
periculosidade na Justiça do Trabalho. Destaca-se, nesse contexto, a brilhante 
decisão interlocutória do Magistrado Fabrício Porto Magalhães, Juiz perante a 1ª 
Vara do Trabalho de Camaçari, Bahia, que no processo nº 0000477-
38.2012.5.05.0131 (Sindiquímica x White Martins), após o perito nomeado apre-
sentar o laudo pericial e as partes se manifestarem, determinou a realização das 
medições dos níveis de ruído, calor e agentes químicos a que estavam expostos 
os empregados no ambiente de trabalho. 
 Fernandes José Pereira e Orlando Castello Filho (2012, p. 35), ao desen-
volverem um manual prático para a elaboração de perícias técnicas, acertada-
mente afirmam: Durante ou após a inspeção do(s) local(ais) ou posto(s) de tra-
balho, ao qualificar-se os agentes necessários ao objeto da perícia e conhecer o 
“modus operandi”, passa-se a quantificar, ou seja, mensurar e/ou efetuar coletas 
dos agentes existentes, utilizando-se equipamentos de acordo com a metodolo-
gia constante da legislação vigente. A metodologia terá seu embasamento nos 
Anexos da NR-15 – “Atividades e Operações Insalubres” –, nos Anexos da NR-
16 – “Atividades e Operações Perigosas” –, da Portaria n. 3.214/78, e no Decreto 
93.412/86, do Ministério do Trabalho. Ainda deve observar os ditames das de-
mais Normas Regulamentadoras, de Portarias e Decretos, quando aplicáveis e 
por necessidades complementares. Por conseguinte, a prova pericial adequada 
para retratar a realidade dos fatos através de critérios técnicos regulamentados 
por Portarias e Decretos é aquela que adota procedimentos de apuração quan-
titativa e qualitativa dos agentes nocivos à saúde do trabalhador presentes no 
ambiente de trabalho. Ademais, a prova pericial deve distinguir “ambiente de tra-
balho” de “atividade”, posto que nem sempre as atividades exercidas em um 
ambiente insalubre, serão insalubres. É fundamental que o laudo pericial avalie 
as fichas de entrega de EPI's assinadas pelos trabalhadores, confirme a utiliza-
ção habitual no ambiente de trabalho, identifique os Certificados de Aprovação 
dos EPI's, para, finalmente, verificar as condições de estado de conservação, 
higienização e prazos de validade dos Equipamentos. 
 
 
O assistente técnico, a manifestação das partes acerca do laudo pericial e 
autilização do PPRA e do PCMSO como fundamento da conclusão pericial 
De acordo com o art. 431-A do CPC, “as partes terão ciência da data e local 
designados pelo juiz ou indicados pelo perito para ter início a produção da prova”. 
O art. 433 do CPC estabelece que o perito apresentará o laudo pericial em car-
tório no prazo fixado pelo juiz, pelo menos vinte dias antes da audiência de ins-
trução e julgamento. Como afirma Luiz Guilherme Marinoni (2011, p. 811) em 
consonância com Informativo 450, de outubro de 2010, do STJ, essa regra den-
sifica o direito fundamental ao contraditório, posto que viabiliza a manifestação 
das partes antes da instrução processual. Conforme o art. 852-H, § 6º, da CLT, 
que dispõe sobre as provas no rito sumaríssimo, resta claro que da apresentação 
do laudo pericial, as partes deverão ser intimadas para se manifestarem no prazo 
de cinco dias. 
A praxe no rito ordinário das ações trabalhistas consiste na intimação das 
partes para que apresentem o parecer do assistente técnico no prazo de 10 dias, 
conforme disposto no art. 433 do CPC. Não havendo assistente técnico nome-
ado, as partes devem se manifestar sobre o laudo pericial no prazo fixado pelo 
juiz. Não sendo fixado o prazo, as partes devem se manifestar no prazo de cinco 
dias, seja pela aplicação subsidiária do art. 185 do CPC, seja pela aplicação 
análoga do art. 852-H, § 6º, da CLT, às ações que tramitam pelo rito ordinário. 
Nesse contexto, deve ser ressaltado o fato de que em grande parte das ações 
trabalhistas que têm como objeto o pagamento do adicional de insalubridade 
e/ou periculosidade, os reclamantes são trabalhadores que tiveram o contrato 
de trabalho rescindido e, por isso, não têm condições para sequer prover o sus-
tento próprio e familiar, quanto mais para arcar com a contratação de um assis-
tente técnico. 
As manifestações sobre os laudos periciais apresentadas pelos patronos 
que representam os trabalhadores em juízo, por não serem um parecer técnico, 
muitas vezes sequer são detidamente apreciadas pelos magistrados. Todavia, 
consoante afirma Marinoni (2011, p. 793), “o juiz julga com base no laudo técnico 
e o jurisdicionado tem direito fundamental a um julgamento idôneo”. O conheci-
mento técnico esposado no laudo pericial não interessa somente ao juiz, mas 
 
 
principalmente

Mais conteúdos dessa disciplina