Prévia do material em texto
Fármacos Cardiotônicos Por Naty Neves 2019.1 São utilizados para o tratamento da Insuficiência Cardíaca Congestiva, reduzindo sua mortalidade. Fisiopatologia e fármacos atuantes na ICC: Classes Funcionais da ICC Diuréticos São usados para tratamento sintomático do aspecto congestivo. Reduzem o volume sanguíneo e consequentemente a pré-carga. De alça Furosemida, Bumetanida (são fármacos de curta duração e retenção de Na+ de rebote que ocorre com níveis de fármaco em estado subestacionário torna uma dosagem igual ou superior a 2/dia uma estratégia de tratamento aceitável quando se usa esses agentes, desde que seja possível a monitoração diária adequada do peso corporal e dos níveis sanguíneos de eletrólitos) e Torsemida. Além de aumentar a excreção de Na+ e água, também aumenta excreção de K+, particularmente em níveis de aldosterona altos, como costuma ser na ICC. Tiazídicos Monoterapia restrita. Eficaz quando combinado a diuréticos de alça em pacientes refratários à monoterapia deste. Estão associados a maior grau de perda de potássio por redução do volume hídrico em comparação com os diuréticos de alça. Efeitos adversos: Hiponatremia, hipocalemia e alcalose metabólica hipoclorêmica Poupadores de potássio Os diuréticos poupadores de K+ inibem os canais de condutância de Na+ nas células epiteliais renais ou são mineralocorticoides. São agente diuréticos fracos, mas antigamente eram usados para atingir uma redução de colume com perda renal limitada de K+ e Mg2+. A espironolactona ou eplerenona são recomendadas em todos os pacientes sintomáticos (apesar do tratamento com IECA e betabloqueador) com Fração de Ejeção ≤ 35%, para reduzir a mortalidade e a hospitalização por IC. Vasodilatadores Apenas a combinação hidralazina-dinitrato de isossorboda, iECA e BRA aumentam a sobrevida de maneira demonstrável. Nitroprussiato de sódio Eficaz na redução da pressão de enchimento ventricular e na resistência vascular sistêmica. Reduz a pré-carga e a pós- carga. Efeito adverso mais comum é a hipotensão. Aumenta o débito cardíaco e paralelamente aumenta o fluxo sanguíneo renal, melhorando tanto a filtração glomerular quanto a eficácia diurética. Hidralazina Reduz carga ventricular direita e esquerda, reduzindo a resistência vascular pulmonar e sistêmica. Isso resulta em um aumento do volume sistólico anterógrado e redução do estresse da parede ventricular na sístole. Frequentemente utilizada em pacientes com ICC com disfunção renal e intolerantes à iECA por ser eficaz na redução da resistência vascular renal e no aumento do fluxo sanguíneo renal. É inferior ao iECA para redução da mortalidade na ICC grave. Adesão difícil. Inotrópicos Digitálicos Competitivo com K+ na bomba de Na+/K+ Ao competir com o K+ na bomba de sódio e potássio, há um acumulo de Na+ dentro da célula. Esse acúmulo vai prejudicar o funcionamento do trocador NCX, fazendo com que o Ca2+ pare de sair, ou até mesmo inverte sua ação, expulsando Na+ da célula e trazendo mais cálcio para o meio intracelular. Assim, mais Ca2+ é acumulado no retículo sarcoplasmático pela SERCA 2, possibilitando maior liberação desse cátion na próxima despolarização, aumentando a contratilidade da célula miocárdica, obtendo, portanto, o efeito inotrópico positivo. Efeitos Eletrofísicos: Reduz a automaticidade e aumenta o potencial de membrana em repouso diastólico máximo nos tecidos atriais e no nodo AV. Isso ocorre por aumento do tônus vagal e de inibição da atividade do SN simpático. Além disso, a digoxina prolonga o efeito refratário efetivo e reduz a velocidade de condução no tecido do nodo AV. Coletivamente, estes podem contribuir para uma bradicardia sinusal, parada sinusal, prolongamento da condução AV ou bloqueio AV de alto grau. Aumenta o intervalo PR e causa um infradesnivelamento de ST, os quais mostram uma digitalização eficiente. Efeitos adversos: Em concentrações mais altas, os glicosídeos cardíacos podem aumentar a atividade do sistema nervoso simpático que influencia a automaticidade do tecido cardíaco, mudança associada à gênese das arritmias atriais e ventriculares. A elevação do nível intracelular de cálcio e do tônus simpático aumentam a taxa espontânea de despolarização diastólica, bem como provocam pós-despolarização tardia; juntos eles reduzem o limiar de geração de um potencial de ação propagado e predispões a arritmias ventriculares malignas. Os digitálicos apresentam elevada meia-vida, fato que deve fazer com que tenhamos maior cuidado em evitar a intoxicação por esses fármacos. Além disso, eles apresentam uma janela terapêutica pequena, o que reitera a questão anterior. O grande risco dessa intoxicação é ocasionar arritmias ventriculares e atriais ectópicas, batimentos ectópicos e até mesmo parada cardíaca. Um antidoto eficaz para reverter essa situação imunoterapia com soro antidigoxina. Fenitoína e lidocaína são uteis para tratar as arritmias induzidas. Inibidor da fosfodiesterase 3 A fosfodiesterase 3 (PDE3) é uma enzima que degrada o AMPc. A anrinoma é um inibidor de fosfodiasterase 3 (PDE3), com o aumento do AMPc intracelular, ativando PKA, permitindo fosforilação de canal de Ca e possibilitando o maior influxo de cátion, há o aumento a contratilidade miocárdica (inotropismo positivo) e da velocidade de relaxamento (lusitropismo positivo). Além disso, esse fármaco também tem efeito vascular (vasodilatação venosa e arteriolar). Dessa forma, ele aumenta o DC, reduz pré e pós-carga. (efeito “inodilatador”) Eles são usados principalmente em ICC descompensada agudamente, entretanto, possui alguns efeitos colaterais: arritmias, trombocitopenia (maior risco com a inanrinona), náuseas, vômitos, alterações de enzimas hepáticas, toxicidade de medula óssea. Agonista B Aderenérgicos Aumenta a contratilidade (inotropismo), relaxamento e enchimento ventriculares (lusitropismo) e a frequência cardíaca (cronotropismo). Os agonistas adrenérgicos estimulam a via Gs- - adenilato ciclase – AMPc – PKA. Esta enzima (PKA), por sua vez, fosforila uma série de substratos que aumentam a concentração miocárdica de cálcio, aumentando a força de contração e a velocidade contrátil. Dentre esses substratos temos a fosforilação do canal de Ca2+ da membrana plasmática celular (aumento o influxo), da rianodina (canal de cálcio que media saída deste do retículo sarcoplasmático para o citoplasma da célula) – aumentando o fluxo de cálcio para o meio intracelular- e da fosfolambam (PLB). A fosfolanbam é inibidora da SERCA quando não fosforilada, ao ser ativada pela PKA, a PLB não inibe a SERCA e o influxo de cálcio para o retículo é possibilitado. Todos esses mecanismos são convergentes para o aumento de cálcio intracelular, aumentando a capacidade de contração da célula (aumento do inotropismo) Fármacos: Dopamina e Dobutamina. Efeitos indesejáveis Farmacocinética Usos terapêuticos Piora da angina, aumento de isquemia, tolerância Administração IV - Infusão contínua Sem necessidade de dose de ataque IC aguda - Emergência Arritmias: taquicardia t1/2 = 2,5 min IC severa refratária a agentes orais (-) Dobutamina Agonista alfa 1 Vasoconstrição (aumenta RVP) Inotropismo positivo Agonista beta 1 fraco Inotropismo positivo Agonista beta 1 Inotropismo positivo (+) Dobutamina Agonista parcial alfa 1 Agonista beta 2 Diminui RVP É importante notar, num primeiro momento, que o gráfico nos mostra a relação entre a pressão de enchimento ventricular (pré-carga – Stroke Volume) e o volume sistólico (desempenho ventricular, pressão de parede do ventrículo – Ventricular filling pressure). Vemos a linha verde (paciente normal) seguindo a Lei de Frank-Starling e a linha vermelha (paciente com ICC), indicando que neste, como há disfunção de ejeção, apesar de aumentarmos a pré-carga, o volume sistólico nãose eleva significativamente, fazendo com que haja aparecimento de sintomas congestivos. Para melhorar o cenário desses pacientes com ICC, há alguns fármacos que podemos lançar mão, como as classes dos diuréticos, dos inotrópicos positivos e dos vasodilatadores. É possível notar no gráfico que os diuréticos (D), como os de alça e os tiazídicos, melhoram os sintomas de congestivos a partir da redução da pré-carga dos pacientes na mesma linha de função ventricular. Já os inotrópicos positivos (I), como os glicosídeos cardíacos e a dobutamina, são capazes de deslocar os pacientes para uma curva de função ventricular superior, resultando em maior trabalho cardíaco para determinado nível de pressão de enchimento ventricular. Há diminuição dos sintomas pelo baixo DC, porém manutenção sintomas congestivos. Por fim, os vasodilatadores (V), como os inibidores de ECA e o nitroprusseto, também deslocam os pacientes para melhores curvas de função ventricular e ao mesmo tempo reduzem as pressões de enchimento cardíacas. Vale ressaltar que o melhor resultado é encontrado quando ocorrer associação dos fármacos e que este melhor quadro obtido não chega à linha de normalidade, porém melhor significativamente a qualidade de vida dos pacientes com ICC.