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União Estável 1) Conceito: o código civil/16 só reconhecia o casamento religioso e relações extraconjungais eram chamadas de concubinas. A CF/88 estabelece o conceito geral de entidade familiar, alargando o conceito e incluindo a proteção aos relacionamentos além do casamento. As uniões entre homem e mulher reconhecidas como essa entidade foram chamadas de união estável e reconhecidos também vínculos monoparentais. A lei 8971/94 assegurou os direitos a alimentos e sucessão e a lei 9278/96 abrangeu mais, não quantificando prazo de convivência e admitindo como estáveis as relações entre os separados de fato, bem como reconheceu o direito real da habitação e gerando a presunção de esforço comum em relação a títulos onerosos durante a convivência. O código trata da união estável em 4 artigos (1723 a 1726) - é reconhecido o vínculo de afinidade entre os conviventes e mantido o poder familiar a ambos os pais, sendo que a dissolução da união não o altera em nada. Aos companheiros são admitidos alimentos e o direito de instituir bens de família e admitida curadora. O direito à adoção é condicionada à prova da estabilidade familiar (não exigida em casamentos) - Casamento x união estável: o casamento se constitui com chancela estatal, a união estável não tem início estabelecido e nasce de consolidação do vínculo de convivência, compreendimento mútuo, entrelaçar de vidas a patrimônios 2) Características (1723): convivência pública, contínua e duradoura estabelecida com o objetivo de constituição de família. Apesar de não haver lapso temporal mínimo, a relação não deve ser efêmera e circunstancial. - efeitos pessoais: emancipação de menor, presunção de paternidade e estado civil. Não produz efeitos em relação a terceiros - Estado civil: não tem elemento objetivo mas nem por isso deixa de produzir consequências jurídicas desde sua constituição. Findada a união por morte, o outro tem todo o direito de se identificar como viúvo e deve-se constar na certidão de óbito que vivia em união estável. - reflexos no patrimônio: os bens adquiridos durante o relacionamento fazem com que surja um estado de mancomunhao 3) Impedimentos: os impedimentos são os mesmos previstos no art. 1521 sobre o casamento. Entretanto, se a uniao ainda assim ocorre não há o que se fazer 4) Deveres (art. 1724): lealdade, respeito, assistência e guarda e sustento dos filhos, porém não existe presunção pater est, podendo o pai exigir ação declaratória de paternidade. 5) Efeitos patrimoniais: os companheiros podem firmar pacto de convivência estipulando o que quiserem. Quando em silencio incide o regime da comunhão parcial de bens (todos os bens são considerados frutos do trabalho comum) e instala-se a chamado mancomunhão, devendo ser partilhado em metade quando dissolução do vínculo. Aquele que adquire bem, ainda que em nome próprio não é titular exclusivo, seguindo a presunção juris et de jure, que não admite prova em contrário exceto em exceções de incomunicabilidade (1659 e 1661 do CC): bens recebidos po herança, por doação ou mediante sub-rogação legal. Ao convivente que quiser livrar da divisão determinado bem durante o período de convívio, cabe prova de alguma das exceções legais, sendo que em face da presunção da comunicabilidade, incumbe a quem alega comprovar a exclusão do patrimônio da partilha. O direito de propriedade se fraciona também em consequência do condomínio que exsurge ex vi legis, ou seja, o titular nominal do domínio não pode aliená-lo pois se trata de bem comum, sendo necessária a concordância do companheiro. A união estável leva à perda da disponibilidade dos bens adquiridos - não se pode exigir consentimento do companheiro para a concessão de fiança ou aval e a realização de doações. Em relação à penhora, as mesmas exigências feitas aos cônjuges devem existir na união estável. Recaindo sobre bem imóvel é indispensável a intimação do companheiro do executado. Da mesma forma, incidindo sobre o bem indivisível, a meação do companheiro alheio à execução recai sobre o produto da alienação do bem, o que não obsta o uso de embargos de terceiros (CPC 674 a 680) - independente do nome de quem esteja registrado o bem, ele responde pelas dívidas particulares dos companheiros. - não reconhecida a existência a união estável, mas comprovada a aquisição de bens durante o vínculo, o convivente tem direito indenizatório correspondente À metade do seu valor, a não ser que fique comprovada sub-rogação - a cessação de vida em comum é o que finda a união estável e os efeitos patrimoniais. É dispensada a chancela judicial para a sua extinção. Adquiridos bens de forma parcelada ou através de financiamento, a fração do bem paga durante a vigência da união estável deve ser partilhada. Presumem-se adquiridos bens móveis existentes à época da dissolução da união, salvo prova em sentido contrário. - um dos efeitos da união estável é impedir o decurso do prazo da prescrição entre os cônjuges - ocorrida a locação de vem no período de convívio, o vínculo locatício persiste com relação a quem permanece no imóvel, ainda que ele não tenha sido o firmatório do contrato (Lei 8245/91 art. 12) 6) Reflexos sucessórios: o cônjuge é herdeiro necessário e figura no terceiro lugar na ordem de vocação hereditária, herdando o companheiro apenas depois dos parentes colaterais de quarto grau. Quanto À concorrência sucessória, quando concorrido com ascendentes e descendentes, o direito do companheiro se limita aos bens adquiridos onerosamente na vigência da relação. Com relação aos colaterais até quarto grau, o companheiro faz jus a 1/3 da herança. - o direito real de habitação, concedido pela jurisprudência, é concedido ao companheiro por meio da lei 9278/96 7) contrato de convivência: a convivência que impõe o regime condominial em face da presunção de esforço comum à sua constituição. Existe no entanto a possibilidade de os conviventes, a qualquer tempo, regularem de forma que quiser as questões de patrimônio, inclusive efeito retroativo às deliberações. Por meio de um contrato escrito (1725 CC), um instrumento pelo qual os sujeitos de uma união estável promovem regulamentações quanto aos reflexos da relação. Pode conter disposições ou estipulações dispersas, instrumentalizadas em conjunto ou separadamente em negócios jurídicos diversos, desde que contenha manifestação bilateral de vontade. Apesar de não significar a união estável, já que para isso o art. 1723 deve ser cumprido, é um forte indício de existência. Entretanto, quando tiver a manifestação unilateral de vontade não tem condão de prova nem de começo e nem de fim. - está sujeito a condição suspensiva: sua eficácia depende da caracterização da união e não da vontade manifestada no contrato. O regime de bens pode ser alternado a qualquer tempo, por instrumento público ou particular e sem motivos. O stj não permite efeito retroativo à modificação. - o contrato de convivência pode ter deliberações sobre a vida comum, previsões de natureza pessoal e de convivência. Não cabem deliberações sobre direito sucessório ou renúncia a alimentos. 8) Conversão em casamento: constituição recomenda que a lei facilite a conversão da união estável em casamento. A união pode se converter em casamento mediante pedido dos companheiros ao juiz e assento no registro civil. A transformação serve para estabelecer seu termo inicial, possibilitando a fixação de regras com efeito retroativo. A conversão so é possível se não existir impedimento para o casamento.