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Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos - UNICEPLAC Curso de Farmácia Trabalho de Conclusão de Curso O PAPEL DO FARMACÊUTICO NA DESPRESCRIÇÃO DA FARMACOTERAPIA EM PACIENTES IDOSOS Gama-DF 2019 GISELE MARIA DOS SANTOS SILVA O PAPEL DO FARMACÊUTICO NA DESPRESCRIÇÃO DA FARMACOTERAPIA EM PACIENTES IDOSOS Artigo apresentado como requisito para conclusão do curso de Bacharelado em Farmácia pelo Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos – Uniceplac. Orientador(a): Prof(a). Fernanda Cerqueira Barroso Oliveira Brasília-DF 2019 GISELE MARIA DOS SANTOS SILVA O PAPEL DO FARMACÊUTICO NA DESPRESCRIÇÃO DA FARMACOTERAPIA EM PACIENTES IDOSOS Artigo apresentado como requisito para conclusão do curso de Bacharelado em Farmácia pelo Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos – Uniceplac. Gama, 30 de maio de 2019. Banca Examinadora Fernanda Cerqueira Barroso Oliveira Orientador Alcidésio Sales De Souza Júnior Examinador Fabio Henrique Vieira Soares Examinador O PAPEL DO FARMACÊUTICO NA DESPRESCRIÇÃO DA FARMACOTERAPIA EM PACIENTES IDOSOS Gisele Maria dos Santos Silva 1 Fernanda Cerqueira Barroso Oliveira 2 Resumo: A terapêutica com múltiplos medicamentos tem o potencial de trazer benefícios ao indivíduo, porém pode causar danos irreversíveis ao paciente em especial pessoas idosas. O objetivo deste trabalho é discutir a polifarmácia em idosos e o papel do farmacêutico na desprescrição medicamentosa. Na revisão literaria utilizou-se artigos em português e inglês que apresentaram em sua discussão considerações a respeito do papel do farmacêutico na desprescrição. Como consequência do envelhecimento, os idosos são os que mais apresentam problemas de saúde; consequentemente, os que mais consomem medicamentos e que mais apresentam reações adversas e interações medicamentosas. A desprescrição, reduz substancialmente desfechos clínicos negativos, hospitalização e, até a morte. O farmacêutico tem papel fundamental no processo de desprescrição de medicamentos. Por meio de orientações ao paciente e aos demais envolvidos no processo terapêutico, este profissional tem contribuido de forma positiva para a redução da polimedicação e para a melhora no tratamento do paciente. Palavras-chave: Desprescrição; Polifarmácia; Reações Adversas; Interação Medicamentosa; Atenção Farmacêutica;Idosos. Summary: Multi-drug therapy has the potential to bring benefits to the individual, but can cause irreversible damage to the patient especially the elderly. The objective of this work is to discuss polypharmacy in the elderly and the role of the pharmacist in the drug prescription. In the literary review articles were used in Portuguese and English that presented in their discussion considerations regarding the role of the pharmacist in the deprescription. As a consequence of aging, the elderly have the most health problems; consequently, those who consume drugs the most and who present the most adverse reactions and drug interactions. Deprescription substantially reduces negative clinical outcomes, hospitalization, and even death. The pharmacist plays a fundamental role in the process of drug prescribing. Through counseling to the patient and to the others involved in the therapeutic process, this professional has contributed in a positive way to the reduction of the polymedication and to the improvement in the treatment of the patient. Keywords: Deprescription;Polifarmacia;Adverse reactions;Drug interaction;Pharmaceutical attention; elderly. 1 Graduando(a)Gisele Maria Dos Santos Silva do Curso Farmácia, do Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos – Uniceplac. E-mail: xxxx@gmail.com. 2 Orientador(a) Fernanda Cerqueira Barroso Oliveira do Curso Farmácia, do Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos – Uniceplac. E-mail: xxxx@gmail.com. 5 1 INTRODUÇÃO Há muitos anos o envelhececimento era considerado um privilégio entre as populações dos paises desenvolvidos, hoje tornou-se regra até mesmo entre as nações mais pobres do mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) o mundo alcançará a marca de 2 bilhões de idosos em 2050. Este fenômeno universal origina-se pelo declinio da taxa de fecundidade e mortalidade (DUARTE “e Col”, 2015). De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , a expectativa média de vida da população brasileira deverá aumentar, passará dos atuais 75 anos para 81 anos. Com isso a população idosa do Brasil ultrapassará a marca dos 58 milhões, representando pouco mais de 26% do total de brasileiros (OLIVEIRA et al,. 2014). De acordo com a legislação brasileira, idoso é o individuo que possui mais de 60 anos (IBGE, 2015). Embora seja considerado um grande feito da humanidade, o aumento do tempo de vida tem gerado grandes desafios as autoridades governamentais, isto porque a população em sua maioria não tem envelhecido com saúde devido a diversos fatores como por exemplo a queda na qualidade de vida. Este fato suscita no aumento da procura por serviços de saúde, bem como pelo consumo de medicamentos. A partir daí surge um grande problema, o uso exacerbado de fármacos, o que denominamos de polifarmácia que segundo WHO (2004) é a “designação usada para descrever doentes sujeitos a terapêutica com múltiplos medicamentos”. A polimedicação é mais comum entre os idosos devido ao grande número de patologias associadas ao envelhecimento. É neste grupo da população aonde mais ocorre as interações medicamentosas e as reações adversas, muitas vezes agravando o estado clínico do paciente, em alguns casos, ocasionando o óbito do mesmo. A partir daí surge a importância da desprescrição medicamentosa que de acordo com Romero et al (2018), consiste numa “avaliação sistemática dos riscos e benefícios potenciais de cada fármaco para determinado doente, considerando a sua condição clínica e prognóstico vital” (ROMERO et al. 2018). Na desprescrição os processos de Beers e Stopp/Start são ferramentas fundamentais que auxiliam o farmacêutico na tomada de decisão em relação a escolha da medicação. Os critérios de Beers consiste em uma lista de fármacos considerados potencialmente inapropriados (MPI) para idosos por ineficácia ou alto risco de eventos adversos (AMERICAN GERIATRICS SOCIETY, 2015). Já o procedimento Stopp tem como propósito suprir eventuais deficiências dos critérios de Beers. Este critério compreende os medicamentos considerados potencialmente inapropriados (MPI) e os 6 potencialmente omitidos (MPO) considerados essenciais ao tratamento e preservação da saúde do paciente idoso, Start (ROSA et al., 2016). O papel do farmacêutico na desprescrição é verificar toda a medicação do doente; obter uma lista precisa de todos os medicamentos utilizados diariamente, avaliar o estado fisico e comportamental do paciente; avaliar adesão, analisar interacões, efeitos adversos; pontuar metas de atenção e objetivos do tratamento, considerando a relação entre a expectativa de vida e o tempo até o benefício; sugerir a retirada de fármacos inapropriados e que causam danos mais graves, ajustando doses ou introduzindo outros fármacos necessários; detectar ressurgimento dos sintomas ou agravamento da doença de base, avaliar adesão a desprescrição. O presente artigo tem como objetivo trazer para discussão a polimedicação em idosos dando ênfaseas reações adversas assim como as interações medicamentosas visto a vulnerabilidade desses pacientes. O mesmo pretende ainda discutir sobre as possíveis ações do farmacêutico na desprescrição medicamentosa, bem como advertir sobre a importância do uso racional de fármacos. 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Envelhecimento O envelhecimento é um “processo de diminuição orgânica e funcional, não decorrente de doença, e que acontece inevitavelmente com o passar do tempo” (ERMINDA, 1999, p. 43). Segundo LEITE et al, (2012, p.366), “o envelhecimento resume-se num processo dinâmico, no qual ocorrem alterações morfológicas e fisiológicas em todo o organismo”. Além dessas visões, podemos considerar também o conceito de Rosa e Camargo (2014) que dizem que: Envelhecimento é um processo sequencial, individual, cumulativo, irreversivel, não patologico, de deterioração de um organismo maduro e próprio a todos os membros de uma espécie, de maneira que o tempo torne- os menos capazes de fazer frente ao estresse do meio ambiente e, portanto, aumente sua possibilidade de morte (ROSA CAMARGO, 2014, p. 72). Conclui-se portanto que o envelhecimento é um processo natural do homem que ocorre de forma progressiva e irreversivel, não patologico que ao longo do tempo provoca diversas alterações no sistema funcional do individuo. 7 2.1.2 Consequências do Envelhecimento O envelhecimento traz significativos danos moleculares e celulares ao corpo do homem que por sua vez ao longo do tempo acarreta na perda gradual das reservas fisiológicas aumentando com isso a probabilidade de contrair diversos tipos de doenças. De acordo com Fiedler; Peres (2008), o envelhecimento gera mudanças em todos os orgãos do corpo, uma dessas alterações é a diminuição da capacidade funcional de forma geral. A capacidade funcional é o potencial apresentado pelo individuo para atuação de forma independente, ou seja, é a habilidade para o autocuidado. Em idades mais avançadas é natural que o individuo sofra redução em sua capacidade funcional devido a condição de saúde que resulta em limitações auditivas, motoras e intelectuais ocasionando a dependência nas atividades cotidianas. Outra consequência do envelhecimento é o surgimento de doenças crônico- degenerativas que aliadas a um conjunto de fatores, ocasionam a deteriorização progressiva da saúde do individuo. Estas doenças possui etiologia multifatorial: comportamento, meio ambiente e perfil genético. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), as chamadas doenças crônicas não transmissíveis são responsáveis por 63% das mortes no mundo (BRASIL, 2016). Para Mosegui et al., (1999); Rocha et al., (2008) a população idosa é mais sensivel aos efeitos adversos, interações medicamentosas e toxicidade. O quadro a seguir apresenta os principais fatores que elevam a vulnerabilidade do idoso aos fármacos. Quadro 1- Fatores que aumentam a vulnerabilidade do idoso aos fármacos. FATORES QUE AUMENTAM A VULNERABILIDADE DO IDOSO AOS FÁRMACOS Diminuição do funcionamento de órgãos, em especial nos fármacos eliminados Farmacocinéticos por via renal ou com primeira passagem hepática. Diminuição da massa muscular e aumento da massa gorda, que condiciona alterações na distribuição e acumulação. Aumento da sensibilidade aos medicamentos, em especial anticolinérgicos e os que Farmacodinâmicos afetam a função cognitiva. Alteração dos mecanismos homeostáticos. Défices visuais que condicionam dificuldade em ler as instruções ou rótulos dos Capacidade medicamentos. Funcional Défices auditivos que podem contribuir para problemas em compreender instruções verbais ou explicações. Capacidade Dificuldades em recordar novas instruções. Cognitiva Adesão deficiente condicionada por problemas de memória ou compreensão. Fatores Financeiros Custo dos medicamentos pode interferir na adesão. Fonte: Adaptado de Galvão (2016) 8 Segundo Loyola Filho “e col” (2005) os idosos são aqueles que mais manifestam problemas de saúde ligados a doeças cronico-degenerativas, consequentemente faz com que os mesmos procurem com mais freqüência os serviços de saúde pública, o que resulta entre essa população num aumento no consumo de medicamentos (LOYOLA FILHO “e col”, 2005). A partir daí surge um grande problema, a polifarmácia. 2.2 Polifarmácia Embora muitos autores definam a polifarmácia como sendo a terapêutica com mais de cinco medicamentos, não há de fato um concenso literal que concerne precisamente a quantidade de fármacos que caracterizem a polimedicação. Alguns a definem como o uso simultâneo de vários fármacos; outros só a consideram quando esses não têm indicação clínica clara ou então apenas com o uso de 2, 3, 4, 5, 7, 10 ou mais princípios ativos (LINJAKUMPU, et al., 2002; APARASU, MORT E BRANDT, 2005; WYLES E REHMAN, 2005). De acordo com Teixeira et al. (2001), estima-se que 60% dos medicamentos produzidos no Brasil são consumido pela população brasileira (23% da população) sendo os idosos os maiores consumidores. No que tange a prevalência estima-se que 1 (um) a cada 3 (tres) idosos consomem mais de um medicamento por dia. A comorbidade oriunda do envelhecimento é tido como fator determinante para a polimedicação. Segundo Rozenfeld (2003) a idade é pressagiadora do uso de medicamento (ROZENFELD, 2003). Os grupos farmacológicos mais consumidos normalmente consistem naqueles utilizados para o tratamento das doenças crônicas mais prevalentes na terceira idade, podendo-se destacar os cardiovasculares, os anti-reumáticos e os analgésicos (MIRALLES et al.,1998). É também prevalente o uso de medicamentos que atuam sobre o sistema nervoso central (bromazepam e antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina), diabetes mellitus (glibenclamida e metformina), medicamentos anti-hipertensivos (captopril, losartana), diuréticos (hidroclorotiazida), antiarritmicos (amiodarona), anti-infecciosos (antibacterianos, antifúngicos e antiparasitários), antialérgicos (histamin), gastrintestinais (ranitidina), antianêmicos (ácido fólico e seus derivados), anti-hemorrágico (etansilato), antiagregante plaquetário (ácido acetilsalicílico) e os medicamentos de ação sobre o sistema músculo-esquelético, entre outras (CASTELLAR et al., 2007) (FLORES et al., 2005). 9 2.2.1 Interações medicamentosas As interações medicamentosas são eventos clínicos que ocorrem quando dois ou mais medicamentos são administrados, concomitantemente, a um paciente. Isto pode ocorrer de forma independente ou interagirem entre si, alterando os efeitos de um fármaco pela presença de outro fármaco, alimento, bebida ou algum agente químico ambiental (GORZONI, 1995). 2.2.2 Reações adversas a medicamentos A reação adversa a medicamento (RAM) reflete uma resposta de um fármaco que seja prejudicial, não intencional, e que ocorra nas doses normalmente utilizadas em seres humanos para profilaxia, diagnóstico e tratamento de doenças, ou para a modificação de uma função fisiológica (OMS, 2005). 2.2.3 Iatrogenia De acordo com Lucchetti et al. (2014), iatrogenias são alterações patológicas criadas por efeitos colaterais dos medicamentos decorrentes de intervenções médica que resultam em efeitos prejudiciais à saúde do paciente. Prescrições inadequadas consequentemente ocasionam RAM, e para minimizar estes sintomas são prescritos mais medicamentos, configurando desta forma a cascata iatrogênica (LUCCHETTI et al., 2014) (SECOLI, 2010). Segundo Mosegui (1999) , os idosos constituem 50% dos multiusuários de medicamentos, e que é comum encontrar em suas prescrições a utilização de fármacos de uma mesma classe e sem valor terapêutico. 2.3 Interações farmacocinéticas e farmacodinâmicas em idosos Segundo (Ribeiro, 2009; Flores e Benvegnu, 2008), os idosos apresentam mudançasem suas funções fisiológicas que podem comprometer a eficácia da terapia farmacológica. De acordo com Katzung (2002), isso ocorre em função das alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas que podem intensificar, bem como prolongar os efeitos do medicamento. Assim, a farmacocinética associada com a idade avançada (envelhecimento) atua diretamente nos processo de absorção, distribuição, metabolismo e eliminação dos farmacos. Por sua vez a farmacodinâmica atua no aumento ou diminuição da sensibilidade do idoso aos 10 medicamentos. Ainda segundo Katzung (2002), o declinio da função renal configura-se como uma das mais importantes alterações da farmacocinética ligada ao envelhecimento, isso porque os fármacos são eliminados com menor frequência. Com isso há um aumento na concentração sanguínea. 2.4 Desprescrição Segundo Reeve et al, (2015) “deprescribing” é um termo que foi incorporado na literatura científica inglesa, desde 2003, mas pouco utilizado no Brasil. Embora não haja uma definição formalmente aceita, o termo vem ganhando força nos últimos anos. Desprescrição foi conceituada como sendo “um processo de retirada de medicação inapropriada supervisionada por um profissional de saúde com o objetivo de gerenciar a polifarmácia e melhorar resultados”, já para Scott e colaboradores (2015), a desprescrição resume-se em um processo sistemático de identificação e interrupção de fámacos , quando há danos existentes ou potencias que superam os benefícios. De acordo com Akiinbolade et al., (2016) desprescrição é um processo de otimização do regime terapêutico de um doente que consiste na cessação de fármacos potencialmente inapropriados ou desnecessários ao tratamento com o objetivo de gerir a polifarmácia, dar maior segurança ao paciente e otimizar os resultados. É um processo sistemático, contínuo, que consiste em identificar e descontinuar fármacos em circunstâncias em que os danos reais ou potenciais ultrapassam os benefícios reais ou potenciais, tendo em conta um conjunto de objetivos de cuidados individualizados. Dos vários estudos que abordam a desprescrição, a maioria demonstra que vários fármacos podem ser cessados sem qualquer consequência lesiva para o doente e alguns estudos demonstraram até benefícios importantes, como redução do risco de quedas (THOMPSON; FARRELL, 2013). A desprescrição tem sido muito empregada para reduzir a polifarmácia e, consequentemente, seus riscos associados. A prática consiste no processo de identificação e descontinuação de medicamentos desnecessários, inefetivos, inseguros ou potencialmente inadequados e envolve a colaboração entre profissionais e pacientes. No processo de desprescrição deve-se considerar tanto os benefícios quanto os danos do medicamento ao paciente, quais são os objetivos do tratamento com o medicamento em questão, expectativa de vida do paciente, bem como comodidade e preferências do paciente que possam contribuir para a adesão ao tratamento (MCGRATH et al., 2017). 11 2.4.1 Processo de Desprescrição De acordo com Potter (2016), há diversos protocolos de desprescrição voltados aos pacientes idosos que apesar de possuírem detalhes e itens específicos, de modo em geral resumem-se em uma avaliação geral do caso clínico do paciente objetivando-se a identificação e descontinuação dos fármacos potencialmente inapropriados, bem como na prescrição e acompanhamento completo do caso não esquecendo dos potenciais riscos da prática. Scott e colaboradores (2015), propuseram um protocolo de desprescrição que compreende 5 passos: (1) verificar todos os fármacos que o doente está tomando atualmente e as razões para cada um deles; (2) considerar o risco global de dano induzido pelo fármaco em pacientes individuais na determinação da intensidade requerida da intervenção de prescrição; (3) avaliar cada fármaco em relação ao seu potencial benefício atual/futuro comparado com o potencial atual/futuro de dano; (4) priorizar os fármacos para descontinuação que tenham a relação benefício-dano mais baixa e menor probabilidade de reações de retirada adversas ou síndromes de recuperação da doença; (5) implementar um regime de descontinuação e acompanhar de perto os doentes para melhorar os resultados ou o aparecimento de efeitos adversos. Com o objetivo de reduzir iatrogenias criou-se listas onde os medicamentos foram organizados e classificados conforme os riscos e beneficios oferecidos aos pacientes. Entre estas listas estão os processos de Beers e Stopp / Start. 2.4.2 Critérios de Beers No procedimento de Beers objetiva-se identificar os medicamentos potencialmente inapropriados (MPI) aos idosos. Há portanto uma lista composta pelos medicamentos considerados improprios seja por sua ineficacia ou potencial risco de ocasionar efeitos adversos ao paciente (AMERICAN GERIATRICS SOCIETY, 2015). De acordo com Beers (1991), o “medicamento é considerado inapropriado quando os riscos de seu uso superam seus beneficios (BEERS, 1991). Segundo Soares et al, 2011; Stafford et al, 2011, os critérios de Beers é constantemente aplicado na terapêutica por ser fundamental no despiste de MPI, servindo portanto como uma ferramenta de prevenção para a prescrição destes em idosos. 12 A aplicação do referido procedimento permite não só maior controle dos fármacos utilizados, mas possibilita uma intervenção e prescrição médica mais cuidadosa de forma a reduzir as RAM em idosos melhorando os resultados terapêuticos dos doentes. 2.4.3 Critérios de STOPP/ START De acordo com Gallager et al (2008) os critérios Stopp permitem despistar, no tratamento, a presença de uma medicação potencialmente inapropriada, de fármacos duplicados bem como interações entre fármacos. Já o procedimento Star tem como finalidade identificar a omissão de determinado fármaco na prescrição médica que seria essencial para o sucesso do tratamento e preservação da saúde do idoso. Segundo ele, ambos devem ser usado em conjunto isto porque ambos permitem a recolha dos erros mais comuns nos tratamentos médicos. Segundo Spinewine (2007), os Critérios Stopp tem como objetivo identificar os fármacos considerados inapropriados para prescrição no idoso justificando o motivo da sua não adequação referenciando inclusive aspectos de dose, frequência e tempo de duração do tratamento. De acordo com Rosa et al (2016), os critérios Start definem quais são os fármacos que de acordo com a patologia apresentada pelo paciente, possui evidência cintifíca que possibilite a prescrição com segurança. De acordo com Holt et al. (2010), considera-se como inapropriado o medicamento quando utilizado sem necessidade ou de forma excessiva; quando usado em dose, esquema posológico ou duração terapêutica desadequados ou ainda quando há a omissão de um medicamento considerado necessário ao paciente. Abaixo segue a tabela com a listagem de MPI independentes do diagnóstico. Tabela 1: Medicamentos Potencialmente Inapropriados ao Idoso Independente de diagnóstico 13 Adaptado: American Geriatrics Society (2012) 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A revisão literária foi realizada seguindo os seguintes passos: identificação do problema e propósito da revisão; busca da literatura com definição de palavras-chave, base de dados e seleção dos artigos; avaliação do material obtido e fichamento. 14 O estudo ocorreu no periodo de janeiro a maio de 2019. Os critérios utilizados foram: artigos em português e inglês publicados nos anos de 1992 a 2018 que apresentassem em sua discussão considerações a respeito do envelhecimento e sua consequências; polifarmácia e o papel do farmacêutico na desprescrição em pacientes idosos, assim como suas possiveis ações. Para a realização da busca eobtenção do material, foram utilizadas palavras-chave como: Desprescrição; Idoso; Polifarmácia; Reações Adversas; Interação Medicamentosa; Atenção Farmacêutica ao Paciente Idoso e Cuidado Farmacêutico. Durante a busca foram identificados diversos artigos nas seguintes bases: Scielo (Scientific Eletronic Library OnLine), Pubmed e Bvs (Biblioteca Virtual em Saúde). Dos vários artigos identificados, 8 foram selecionados, utilizando como critério de inclusão artigos que apresentassem no resumo os termos: Idoso, desprescrição e farmacêuticos. Posteriormente foram realizadas diversas leituras analiticas do conteudo onde verificou-se que os mesmos respondiam a questão norteadora da presente revisão. A partir dai submetidos a analise temática. 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS Após análise dos contéudos selecionados verificou-se que apesar de pouco conhecida, a desprescrição vem ganhando espaço entre os profissionais de saúde não somente pelo seu beneficio clínico e econômico, mas devido as melhorias geradas no estado de saúde do paciente idoso. E que embora a terapêutica com multiplos medicamentos tenha o potencial de trazer consideráveis benefícios ao individuo, a mesma pode causar danos irreversíveis ao paciente. A desprescrição, especialmente em pessoas idosas, reduz substancialmente desfechos clínicos negativos, como riscos de queda e hospitalização. Segundo Reeve et al (2014), entre os potencias danos da desprescrição podemos citar as reações adversas de abstinências de drogas. Retirada de um fármaco pode resultar em uma resposta fisiológica, denominada “reação de abstinência”. Isso pode ser prevenido (ou minimizado) diminuindo a dose antes da retirada da medicação (desmame). Verificou-se que a retirada de medicamento sem planejamento pode resultar na alteração farmacocinética e farmacodinâmica de outros fármacos tomados pelo paciente; também podemos citar o retorno de uma condição médica; a falta de sintomas de uma condição pode indicar que a medicação está funcionando ou que a condição subjacente foi resolvida. Pode ser apropriado testar a retirada da medicação para determinar qual desses dois cenários está ocorrendo e, portanto, se 15 a medicação estava proporcionando um benefício ou não. Mais preocupante é o potencial que a descontinuação tem de afetar negativamente e irreversívelmente a condição médica. Esta é uma preocupação com os inibidores da acetilcolinesterase (como por exemplo,donepezil) na doença de alzheimer. A duração ideal do uso dos seus inibidores é desconhecida, o que o torna alvo de uma desprescrição. Alguns dados, mostraram que após a interrupção do uso de donepezil, os escores cognitivos de pacientes com demencia leve a moderada cairam abaixo dos niveis basais pré-tratamento e não retornaram a esses níveis apesar da reintrodução do seu uso. Isso pode refletir a progressão natural da doença, porém, e pode ser menos preocupante em pacientes com demência grave, entre os quais o donepezil seria alvo de desprescrição (REEVE et al., 2014) Reeve (2015), realizou uma revisão descritiva onde foram identificados os cinco passos essenciais para o processo de desprescrição centrado no paciente, conforme descrito na figura seguir: Figura 1: Os 5 passos do processo de desprescrição Fonte: Adaptado de Reeve e “Col” (2015) Passo 1: Realização de histórico abrangente de medicação contendo uma lista completa de todos os medicamentos que o paciente toma regularmente, incluindo todos os medicamentos prescritos e não prescritos. Cada medicamento deve incluir a dose, frequência, formulação, via de administração, duração do uso e indicação. Quaisquer alergias, intolerâncias e reações adversas a medicamentos devem ser documentadas. Passo 2: Identificar medicamentos potencialmente inadequados, ou seja, fármacos que estão fornecendo mais danos potenciais 16 do que benefícios. Passo 3: Determinar se a medicação pode ser interrompida e priorizar. Se mais de uma medicação potencialmente inapropriada for identificada para a deprescrição, é melhor que sejam retiradas sequencialmente. Decidir qual medicamento cessar primeiro nem sempre será claro. Passo 4: Planejar e iniciar a retirada da medicação. Passo 5: Monitoramento, suporte e documentação do processo que levou a essa conclusão, a esse resultado. 4.1 Papel do Farmacêutico na Desprescrição De acordo com Claumann (2003), o farmacêutico é quem viabiliza o medicamento afim de prevenir, melhorar, tratar e curar doenças. A atuação farmacêutica não tem como objetivo intervir no diagnóstico ou na prescrição medicamentosa uma vez que esta é atribuição exclusiva do médico. O papel do farmacêutico visa contribuir para que o paciente receba a melhor terapia medicamentosa, ou seja, garantir uma farmacoterapia racional, segura e custo-efetiva. Estudos apontam que a intervenção farmacêutica por meio de orientações e ações educativas ao paciente, acompanhante, familiar, cuidador, medico prescritor e demais profissionais envolvidos sobre regime terapêutico tem trazido beneficios significativos ao paciente idoso. Este suporte e aconselhamento tem permitido um melhor relacionamento entre os profissionais de saúde e paciente, bem como tem tornado a terapia mais eficaz uma vez que tem capacitado o paciente para lidar com os efeitos indesejados dos medicamentos, contribuindo expressivamente para adesão o tratamento (ANDRADE, 1999). No processo de desprescrição o papel do farmacêutico é: 1. Verificar todas os medicamentos que o paciente está tomando atualmente e as razões para cada um; 2. Considerar o risco global de dano induzido por drogas em pacientes individuais na determinação da intensidade necessária de uma intervenção desprescrição; 3. Avaliar cada fármaco por sua elegibilidade para ser interrompido adotando como critério: a) Nenhuma indicação válida b) Parte de uma cascata de prescrição c) Dano real ou potencial de um medicamento superar claramente qualquer benefício potencial d) A doença e/ou o medicamento de controle dos sintomas é ineficaz ou os completamente resolvido e) A medicina preventiva é improvável conter todo o benefício paciente-importante sobre o tempo restante do paciente f) Os medicamentos estão impondo uma carga de tratamento inaceitável; 4. Priorizar medicamentos para descontinuação; 5. Implementar e monitorizar o regime de descontinuação do medicamento (SCOTT et al., 2015) 17 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Embora o prolongamento da vida seja um feito louvavel do homem, o aumento no tempo de vida é sinonimo de preocupação e grandes desafios não apenas ao desenvolvimento econômico, mas de sustentabilidade social e do sistema de saúde. Como as pessoas idosas estão mais suscetiveis as doenças crônicas degenerativas, o aumento no número de idosos presupõe em um maior consumo de medicamentos. O Brasil esta entre os maiores consumidores de medicamentos do mundo com tendência a ocupar as primeiras posições devido ao constante aumento da expectativa de vida. Observa-se a partir de então o surgimento da polifarmácia. Logo, observa-se a importância da problemática como necessária de discussão e avanços contínuos no que se refere a politerapia e o uso racional de medicamento, assim como a importância e efetiva participação farmacêutica no processo de desprescrição nestes pacientes. O processo de desprescrição é uma metodologia que está sendo implementada, vem ganhando adeptos em vista dos relevantes resultados gerados aos pacientes. Sugere-se maior participação e orientação por parte do profissional farmacêutico a todos os envolvidos no regime terapêutico apresentando os riscos da polimedicação e automedicação. REFERÊNCIAS AMERICAN GERIATRICS SOCIETY. Beers Criteria Update Expert Panel. American Geriatrics Society 2015 Updated Beers Criteria for PotentiallyInappropriate Medication Use in Older Adults. Journal of the American Geriatrics Society, 2015. AKINBOLADE, Olusola et al. Deprescribing in advanced illness. Progress in Palliative Care, 2016. ANDRADE, Marcieni Ataide de; Silva, Marcos Valério Santos da; Freitas, Osvaldo de. Assistência farmacêutica como estratégia para o uso racional de medicamentos em idosos. Pública. Rio de Janeiro, v. 15, n. 2, p. 55-63, 1999. APARASU, Rajender R.; Mort, Jane R.; Brandt, Heather. 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