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O PAPEL DO FARMACÊUTICO NA PREVENÇÃO DO USO ABUSIVO DO 
CLONAZEPAM 
 
Antônio Carlos Martins dos Santos¹; Nome completo do orientador(a)² 
¹ - Discente do curso de Farmácia da Universidade Unama – Marabá /PA 
2 - Docente do curso de Farmácia da Universidade Unama – Marabá /PA 
 
E-mail para correspondência: a.carlosg82@gmail.com 
 
RESUMO 
Introdução: O clonazepam pertence à categoria dos benzodiazepínicos e é utilizado no tratamento de 
convulsões, transtornos de ansiedade, crises de pânico e episódios depressivos. A proposta é expor 
os perigos relacionados ao consumo exagerado desse medicamento. Métodos: Trata-se de revisão 
literária, com base de dados do PubMed, Science Direct e Scientific Electronic Library Ontine (ScriELO), 
Portal de Periódicos CAPES/MEC ,Agência Nacional de Vigilância Sanitária-ANVISA, Ministério da 
Saúde (MS) , Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Resultados. estudo realizado em publicações e 
referências para compreender de que maneira os profissionais da saúde podem atuar visando a 
mitigação ou resolução desse problema..Discussão. Constatou-se o uso do Clonazepam tem crescido 
nos últimos anos, porém, apesar de sua segurança devido ao elevado índice terapêutico, ao baixo risco 
de toxicidade e à frequência rara de overdoses, seu uso prolongado pode resultar em questões como 
tolerância, dependência e até crises de abstinência ao interromper o tratamento. Considerações Finais. 
Assim, considera-se fundamental a atuação do farmacêutico, que possui a formação e o conhecimento 
necessários para reduzir a utilização do clonazepam, em colaboração com a equipe multidisciplinar. A 
compreensão dos efeitos desse fármaco como um agente gerador de dependência, juntamente com a 
elaboração e implementação de estratégias adequadas, pode desempenhar um papel importante na 
prevenção e redução de consequências adversas, além de informar os pacientes sobre os riscos 
associados aos possíveis efeitos colaterais e altas taxas de dependência. 
.Palavras-chave: Clonazepam. Atenção Farmacêutica. Dependência 
ABSTRACT 
Introduction: Clonazepam belongs to the benzodiazepine category and is used to treat seizures, anxiety 
disorders, panic attacks, and depressive episodes. The aim is to expose the dangers associated with 
excessive consumption of this medication. Methods: This is a literary review based on PubMed, Science 
Direct, and Scientific Electronic Library Online (ScriELO), CAPES/MEC Periodicals Portal, National 
Health Surveillance Agency (ANVISA), Ministry of Health (MS), Virtual Health Library (VHL). Results: A 
study was carried out in publications and references to understand how health professionals can act to 
mitigate or resolve this problem. Discussion. It was found that the use of Clonazepam has increased in 
recent years. However, despite its safety due to its high therapeutic index, low risk of toxicity, and rare 
frequency of overdoses, its prolonged use can result in issues such as tolerance, dependence, and even 
withdrawal symptoms when treatment is interrupted. Final Considerations. Therefore, the role of the 
pharmacist, who has the necessary training and knowledge to reduce the use of clonazepam, in 
collaboration with the multidisciplinary team, is considered essential. Understanding the effects of this 
drug as an addictive agent, together with the development and implementation of appropriate strategies, 
can play an important role in preventing and reducing adverse consequences, in addition to informing 
patients about the risks associated with possible side effects and high rates of addiction. 
 
Keywords: Clonazepam. Pharmaceutical Care. Addiction 
 
 
 
 
 
mailto:a.carlosg82@gmail.com
 
INTRODUÇÃO 
O número de incidência de doenças como depressão, transtorno de pânico e 
ansiedade está em alta devido a diversos motivos, como questões econômicas, 
sociais e culturais (Zorzanelli et al., 2019). Esses números são bastante significativos, 
especialmente entre as mulheres que enfrentam uma sobrecarga de tarefas e, 
consequentemente, o esgotamento físico e mental causado pela combinação de 
afazeres domésticos e profissionais pode ser um fator contribuinte para o 
desenvolvimento de quadros de depressão e ansiedade (Silva; Assumpção; 2018). 
O clonazepam tem a capacidade de atuar no sistema nervoso central, podendo 
inibir algumas funções do corpo. O Clonazepam atua potencializando o 
neurotransmissor Ácido Gama-Aminobutírico (GABA), que é o principal responsável 
por inibir e deprimir o sistema nervoso central. Quanto ao tempo que o medicamento 
leva para começar a fazer efeito, o Clonazepam, em média, pode demorar até 1 hora, 
dependendo de como é administrado, seja em comprimido, gotas ou sublingual, e 
varia o tempo que permanece no organismo, podendo ser de 12 a 40 horas, 
dependendo do metabolismo (Zorzanelli et al., 2019) 
O clonazepam atua de maneira suave na inibição de certas atividades do 
sistema nervoso, proporcionando um efeito sedativo suave, tranquilizante, 
anticonvulsivante e relaxante muscular, sendo disponibilizado em gotas e 
comprimidos(Silva; Assumpção; 2018). A quantidade recomendada varia conforme a 
condição médica e os efeitos observados no paciente, sendo aconselhável começar 
com doses baixas e aumentar gradualmente. A duração do tratamento é determinada 
pelo profissional responsável, que avalia a evolução do paciente (Pires; Paiva, 2021) 
Este fármaco tem propriedades que ajudam a reduzir a ansiedade, induzir o 
sono, prevenir convulsões e relaxar os músculos. No entanto, há uma preocupação 
especial devido ao seu alto potencial de causar tolerância, síndrome de abstinência e 
dependência. Além disso, ele é um dos medicamentos psiquiátricos mais comuns em 
todo o mundo, sendo a terceira substância mais usada por adultos e adolescentes 
americanos, seja por meio de prescrição médica ou de forma ilegal (Votaw et al., 2019) 
O excesso de medicamento, a interrupção repentina do tratamento ou a 
utilização sem orientação podem levar à dependência, tolerância ou efeitos colaterais 
provenientes da condição de saúde subjacente, como aumento da ansiedade, 
 
estresse e convulsões. Portanto, é essencial que o farmacêutico forneça orientações 
adequadas ao paciente sobre o uso apropriado (Gomes, 2021). 
Além disso, a utilização constante e excessiva dessas substâncias impacta de 
maneira relevante na qualidade de vida. Principalmente na execução e rendimento de 
tarefas diárias, uma vez que, o processo de absorção, distribuição, metabolização e 
eliminação pelo rim, em casos de doenças pré-existentes, acarreta danos 
permanentes (Costa et al., 2020). 
 Por isso, os profissionais recomendam terapias alternativas sempre que viável 
e apenas consideram o uso de remédios como última alternativa, levando em 
consideração a condição atual do paciente. Por isso, várias pessoas têm apreensão 
em utilizar tais medicamentos, principalmente por um longo período (Pereira; Alvim, 
2021). 
Com isso, o estudo possui o objetivo de apresentar os riscos associados ao 
uso excessivo do clonazepam. 
 
MATERIAIS E MÉTODOS 
O presente trabalho trata-se de uma revisão bibliográfica relacionada ao uso 
dos benzodiazepínicos com enfoque especial no fármaco clonazepam, que foi 
realizada através de levantamento de dados com dezoito referências bibliográficas no 
período de 2019 a 2023, utilizando-se como descritores: benzodiazepínicos, 
clonazepam, farmacêutico. Para tanto, a metodologia usada neste trabalho se deu, 
por meio de pesquisa bibliográfica sobre o uso abusivo do clonazepam e seus 
possíveis efeitos danosos. 
O levantamento de dados foi realizado por consultas em artigos científicos, nos 
últimos 05 (cinco anos), buscados através do sistema informatizado da Biblioteca 
Virtual de Saúde (BVS) que inclui outros bancos como o da Literatura Latino 
Americana de Ciências da Saúde (LILACS), que é índice bibliográfico da literatura 
relativa às ciências da saúde, publicada nos países daAmérica Latina e Caribe e 
Scientific Electronic Library Online (SCIELO), além do portal do Ministério da Saúde e 
portal da ANVISA . 
 Como critérios de inclusão foram selecionados os artigos que continham 
informações bibliográficas sobre o consumo de clonazepam e dados relevantes 
 
relacionados ao tema. Após isso, realizou-se uma análise minuciosa para organizar 
as informações e definir o foco do estudo. 
RESULTADOS 
Com base na literatura, considerou-se 12 estudos relevantes para a construção 
dos resultados e discussão sobre o uso clonazepam, como também as atribuições do 
farmacêutico no uso consciente do medicamento. Os resultados serão apresentados 
no Quadro 1, com autor/ano da obra, título, métodos e resultados relevantes: 
Quadro 1 – Distribuição dos estudos incluídos segundo autoria, Autor /ano de 
publicação, título, métodos e a base de dados 
Autor /ano Título Métodos Principais 
Resultados 
Silva; 
Assumpção; 
2018). 
Relação 
entre violência 
psicológica e 
depressão em 
mulheres: revisão 
narrativa. 
pesquisa 
bibliográfica 
Os principais 
fatores 
desencadeadores de 
abuso. Alguns estudos 
apontam 
características da 
mulher que sofre abuso 
e entre elas estão 
pensamentos 
negativos, dificuldades 
em lidar com as 
emoções e autoestima 
prejudicada. 
Lopes, 2019 Efeitos do 
clonazepam sobre 
as respostas 
defensivas medidas 
em ratos submetidos 
ao labirinto em T 
elevado 
pesquisa 
bibliográfica 
Resultados 
prévios da literatura 
mostram que drogas 
clinicamente eficazes 
no tratamento do 
transtorno do pânico, 
como antidepressivos 
tricíclicos (ex: 
imipramina e 
clomipramina) e 
inibidores seletivos da 
recaptação de 
serotonina (ex: 
fluoxetina e 
escitalopram), 
aumentam a latência 
de fuga no LTE, 
sugerindo efeito do tipo 
panicolítico. Entretanto, 
em relação aos 
benzodiazepínicos de 
alta potência, também 
 
amplamente utilizados 
na clínica para o 
tratamento do 
transtorno do pânico, 
os dados em relação ao 
LTE permanecem 
desconhecidos 
Campos, et 
al 2023). 
Clonazepam 
e os riscos da 
automedicação 
pesquisa 
bibliográfica, 
exploratória e 
descritiva 
Os dados 
encontrados reforçam o 
fato do uso abusivo de 
medicamentos 
abranger além dos 
usuários, os médicos 
que prescrevem ou 
renovam a receita e os 
farmacêuticos que 
fazem a dispensação 
do medicamento. 
Faria, et al 
2019). 
Benzodiazepí
nicos 
revendo o 
uso para o desuso 
Revisão da 
literatura 
Estudos 
incluídos nesta 
pesquisa apontam a 
necessidade de um 
controle mais rigoroso 
quanto às indicações e 
uso correto desses 
agentes 
psicofarmacológicos. 
Assim sendo, é 
relevante a capacitação 
dos profissionais 
prescritores com o 
intuito de dirimir a 
frequência do seu uso 
crônico e 
indiscriminado. 
Machado, et 
al 2020 
Avaliação 
da dispensação de 
benzodiazepínicos 
em uma drogaria 
em tempos de 
pandemia covid 19 
na cidade de 
uberaba-mg 
Revisão 
da literatura 
Entre os fatores 
que podem ter 
colaborado para o 
aumento das vendas 
podemos citar a 
portaria número 
357 de 24 de março de 
2020 que aumentou o 
número de meses 
permitido para 
dispensação 
dos benzodiazepínicos 
e autorizou a entrega 
domiciliar dos 
medicamentos desta 
classeterapêutica. 
Podemos supor 
também que a 
 
pandemia possa ter 
influenciado o aumento 
de mudanças 
comportamentai
s na população 
gerando o aumento na 
demanda por 
tratamentos com estes 
medicamentos. 
Gonçalves, 
2019 
Benzodiazepí
nicos : malefícios 
relacionados à 
prática da 
automedicação e à 
falta de orientação 
adequada em saúde 
Revisão da 
literatura 
As duas 
principais indicações 
terapêuticas relatas 
incluem tratamento de 
ansiedade e insônia e, 
em ambos os casos, o 
tempo de uso é maior 
do que o estabelecido 
como adequado pela 
literatura sendo este, o 
maior motivo do uso 
inadequado desses 
medicamentos. 
Clonazepam e 
Diazepam são 
apontados como os 
representantes da 
classe mais prescritos 
na clínica. Além disso, 
adultos e idosos fazem 
uso desses 
medicamentos em 
maiores proporções 
quando comparados à 
faixas etárias menores. 
Cunha, 
2022 
A 
farmacoterapia dos 
medicamentos 
psicotrópicos: 
Sertralina e 
Clonazepam 
Revisão da 
literatura 
Os 
psicotrópicos da classe 
do ISRS e 
benzodiazepínicos, 
como a sertralina e 
clonazepam, são 
fármacos muito 
utilizados por serem 
eficazes no tratamento 
de variados transtornos 
mentais, com ênfase na 
ansiedade e 
depressão, muitas 
vezes sendo os 
fármacos de primeira 
escolha para tais 
doenças, devido maior 
segurança para o 
doente, mesmo 
 
havendo riscos de 
efeitos adversos e 
interações. 
Santos 
Júnior et al. (2022), 
Uso abusivo 
e indiscriminado de 
benzodiazepínicos 
por atuantes da área 
da saúde: uma 
revisão narrativa 
Revisão 
Bibliográfica 
Assim, 
inúmeros são os 
malefícios do uso de 
benzodiazepínicos 
quando usado sem 
indicação médica, pode 
se citar a dependência 
química e o possível 
mascaramento de uma 
doença mais grave que 
pode estar ali por trás. 
Assim, é importante a 
elaboração de mais 
trabalhos como este 
para que alerte as 
pessoas sobre como é 
arriscado usar 
medicamentos sem 
realmente ter uma 
indicação clínica. 
Senra et al., 
2021 
Efeitos 
colaterais do uso 
crônico e 
indiscriminado de 
benzodiazepínicos: 
Uma revisão 
narrativa 
 
revisão 
narrativa 
Foram 
encontrados também 
fortes indícios de 
relação entre o uso 
prolongado destes 
medicamentos e o 
desenvolvimento de 
demências. Em idosos 
existe ainda o risco de 
quedas devido à 
sonolência. Outro dado 
relevante é a 
ocorrência de amnésia 
anterógrada. 
Fegadolli, 
Varela e Carlini 
(2019), 
Uso e abuso 
de 
benzodiazepínicos 
na atenção primária 
à saúde: práticas 
profissionais no 
Brasil e em Cuba 
estudo 
exploratório 
descritivo 
quantitativo 
A pouca 
apropriação das 
questões da saúde 
mental pelos 
profissionais da 
atenção primária, a 
fragmentação do 
cuidado, a sobrecarga 
de trabalho com temas 
considerados 
prioritários, as 
deficiências na 
disponibilidade de 
recursos terapêuticos e 
o pouco investimento 
em formação 
 
específica contribuem 
para o uso não 
adequado de 
benzodiazepínicos 
Debastini; 
Coqueiro, 2018 
Análise de 
Prescrições Médicas 
de medicamentos 
regulados pela 
Portaria federal 
344/1998, 
dispensados em 
uma drogaria no 
interior da Bahia 
estudo 
exploratório 
descritivo 
quantitativo 
Numa drogaria, 
o profissional 
farmacêutico, é o 
responsável por todas 
as atividades inerentes 
a dispensação dos 
medicamentos e é 
necessário que ele 
esteja atento a todas as 
informações contidas 
na prescrição, para que 
o paciente siga as 
instruções e 
orientações do seu 
tratamento. E 
Mendonça, 
Carvalho; 2005 
o consumo 
de 
benzodiazepínicos 
por mulheres idosas 
estudo 
exploratório 
descritivo 
quantitativo 
as concepções 
dadas pelas mulheres 
idosas entrevistadas, 
que o consumo e a 
dependência de 
benzodiazepínicos são 
singulares e não se 
restringem a uma 
relação biológica de 
seus efeitos, mas 
incluem a influência de 
fatores culturais e 
sociais. 
Fonte: Próprio autor 
 
DISCUSSÃO 
 
A taxa de incidência de enfermidades como depressão, transtornos de pânico 
e ansiedade tem crescido por diversos motivos, incluindo fatores econômicos, sociais 
e culturais. Esse aumento é especialmente significativo entre as mulheres, que 
enfrentam uma jornada dupla de trabalho. O desgaste físico, mental e o estresse 
gerados pela conciliação de tarefas domésticas e profissionais podem ser 
determinantes para o desenvolvimento de depressão e ansiedade (Silva; Assumpção; 
2018). 
 
 
 
O Clonazepam 
 
O clonazepam age como um modulador do GABA, um neurotransmissor que 
inibe a atividade sináptica, regulando a abertura dos canais de cloreto (Cl-). Isso 
permite a entrada de cargas negativas nas células, resultando em uma redução da 
despolarização e inibindo as sinapses. Embora seja comumente encontrado em forma 
de comprimidopara administração oral, existem também opções injetáveis e líquidas 
disponíveis (Lopes, 2019). 
De acordo com Campos, et al .,(2023), o clonazepam é um remédio poderoso, 
apresentado em forma de comprimidos ou gotas, que pode ser administrado por via 
sublingual ou oral. Trata-se de um fármaco de ação rápida que possui riscos 
associados, incluindo a possibilidade de dependência. No Brasil, esse medicamento 
ocupa a segunda posição em vendas, o que não é surpreendente, já que o país 
registra alguns dos maiores índices de ansiedade globalmente. (Campos, et al 2023). 
Segundo Faria, et al .,(2019), os benzodiazepínicos são fármacos empregados 
como ansiolíticos e sedativos no tratamento de condições convulsivas, além de 
distúrbios de ansiedade, crises de pânico e depressão. Eles são vendidos mediante 
prescrições médicas de uso controlado, que devem ser mantidas nas farmácias em 
conformidade com a legislação vigente. Um dos medicamentos mais famosos dessa 
classe é o clonazepam (Faria, et al 2019). 
No estudo de Machado, et al .,(2020),no ano de 2020, houve um crescimento 
considerável nas vendas de benzodiazepínicos psicotrópicos em comparação com o 
ano anterior. Esse aumento pode ser atribuído a diversos fatores, sendo um dos mais 
relevantes o impacto da pandemia de coronavírus na saúde mental das pessoas. O 
período pandêmico gerou altos níveis de estresse e ansiedade, juntamente com o 
medo de perder entes queridos ou de colocar em risco a própria vida, além dos 
desafios relacionados à sobrevivência e à adaptação ao distanciamento social. 
Os autores afirmam que o alprazolam e o clonazepam se tornaram dois dos 
medicamentos mais utilizados para tratar ansiedade e depressão, possivelmente 
explicados pelo seu preço acessível. Apesar de ter um custo inferior, o clonazepam 
pode ser até 50% mais barato que o alprazolam. Em média, este medicamento está 
disponível por cerca de R$10,99 (Machado, et al 2020). 
 
Segundo Soares, ( 2022), o fármaco, popularmente chamado de rivotril, é 
comumente indicado para lidar com transtornos de ansiedade. Contudo, vale ressaltar 
que ele também pode ser utilizado no tratamento de epilepsia, convulsões, agitação 
intensa, assim como em casos de vertigem e problemas de equilíbrio (Soares, 2022). 
Após ser administrado por via oral, se espalha de maneira veloz por todo o organismo. 
Seu mecanismo de ação consiste principalmente em bloquear a atividade elétrica 
anômala no cérebro. Isso provoca um aumento na diminuição da atividade neuronal, 
resultando em sedação e um relaxamento muscular para o indivíduo (Gonçalves, 
2019) 
Sendo assim, o clonazepam é frequentemente indicado para adultos que 
apresentam distúrbios do humor, sendo especialmente sugerido no início do 
tratamento da depressão. Além disso, essa medicação é benéfica para pessoas que 
sofrem de transtornos de ansiedade, incluindo ansiedade social, ansiedade 
generalizada e síndrome do pânico (Cunha, 2022). 
 
 O papel do farmacêutico no uso indiscriminado do clonazepam 
 
Segundo Gonçalves, (2019), o farmacêutico é um especialista envolvido no 
cuidado dos pacientes. Entre suas funções, destaca-se a organização das 
intervenções farmacêuticas e a comunicação dentro de um sistema que conta com a 
participação de diversos profissionais, o que pode trazer uma contribuição 
significativa, tanto de forma individual quanto em grupo, para o uso consciente e 
adequado de medicamentos (Gonçalves, 2019). 
De acordo com Machado, et al .,(2020),as responsabilidades da profissão 
incluem a organização das intervenções farmacêuticas e a comunicação entre 
diversos envolvidos em um sistema, o que pode trazer significativas contribuições, 
tanto em âmbito pessoal quanto coletivo, para a utilização adequada de 
medicamentos( Machado, et al 2020). 
De acordo Silva; Assumpção,(2018), o farmacêutico, em seu papel profissional, 
deve possuir conhecimentos, habilidades e comportamentos que o habilitem a se unir 
à equipe de saúde e a interagir com os pacientes e a comunidade. Essa integração é 
fundamental para promover a qualidade de vida, especialmente no que diz respeito à 
otimização da terapia medicamentosa e ao uso consciente dos medicamentos. A 
 
organização das intervenções farmacêuticas e a comunicação entre os diversos 
envolvidos têm um grande potencial de influenciar positivamente, tanto de forma 
individual quanto coletiva, o uso racional de medicamentos (Silva; Assumpção; 2018). 
De acordo com Santos Júnior et al. (2022), Vários fatores influenciam o uso 
excessivo de benzodiazepínicos (BDZs) no manejo dos transtornos de ansiedade 
(TAs). De acordo com a literatura especializada, a administração de BDZs para TAs 
deve ser restringida a um curto prazo, normalmente entre duas semanas e um mês, 
com o objetivo de prevenir a formação de dependência da substância. Esse intervalo 
tem a finalidade de aliviar os sintomas e possibilitar que a medicação principal 
(normalmente inibidores seletivos de recaptação de serotonina - ISRS ou inibidores 
de recaptação de serotonina e norepinefrina - IRSN) comece a ter efeito. 
Por outro lado, em certas situações, os indivíduos, apesar de receberem a 
orientação médica, decidem não parar de utilizar os benzodiazepínicos. Após um 
extenso período de uso, a suspensão do medicamento provoca uma síndrome de 
abstinência, levando o usuário a manter o tratamento. Além disso, com o surgimento 
da tolerância, a pessoa tende a elevar progressivamente a dose para contrabalançar 
a redução dos efeitos (Senra et al., 2021). 
Segundo Fegadolli, Varela e Carlini (2019), um fator que agrava o uso 
indiscriminado de benzodiazepínicos (BDZs) é a frequência com que esses fármacos 
são prescritos na atenção primária à saúde. Médicos que trabalham nesse nível de 
atendimento frequentemente indicam BDZs como a principal forma de tratamento para 
pacientes que relatam problemas relacionados à saúde mental, muitas vezes sem 
fornecer a orientação adequada sobre como interromper o uso após um certo tempo, 
o que acaba contribuindo para o abuso desses medicamentos. 
Sobre o assunto, Santos Júnior et al. (2022),defendem que as recomendações 
fornecidas pelo farmacêutico são fundamentais, uma vez que, em diversas 
circunstâncias, os pacientes vão à farmácia em busca de um benzodiazepínico sem 
receber orientações adequadas acerca da prescrição médica, como a duração do 
tratamento, potenciais efeitos adversos e o risco de dependência. Isso torna a atenção 
farmacêutica essencial para prevenir o uso inadequado. 
Dessa maneira, uma maneira pela qual esse profissional pode ajudar a diminuir 
o uso excessivo de benzodiazepínicos é através da supervisão da distribuição deste 
tipo de medicamento. A receita de classe B1, que é necessária para a liberação dos 
 
benzodiazepínicos, tem um prazo de validade de 30 dias a contar da data da 
prescrição médica e é válida apenas na jurisdição onde foi emitida. A entrega desses 
medicamentos é restrita ao farmacêutico, que tem a permissão de oferecê-los para 
um tratamento que não ultrapasse 60 dias. (Debastini; Coqueiro, 2018). 
Para melhorar a conscientização sobre o uso e as interações medicamentosas, 
é fundamental contar com o suporte de uma equipe multidisciplinar para os pacientes, 
destacando o papel essencial dos farmacêuticos na dispensação adequada e 
conforme a legislação dos medicamentos. Desta forma o farmacêutico tem a 
responsabilidade de aplicar seu conhecimento e suas funções para informar os 
usuários sobre os perigos dos possíveis efeitos adversos, as elevadas possibilidades 
de dependência, assim como as dosagens terapêuticas e as doses impróprias 
(Mendonça, Carvalho; 2005). 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Dessa forma, conclui-se que a função do farmacêutico se torna essencial nesse 
cenário, demandando uma participação ativa na promoção do uso seguro e 
responsável dos medicamentos. Além disso, é fundamental que a informaçãosobre 
os riscos vinculados ao consumo excessivo de benzodiazepínicos seja amplamente 
compartilhada, com o intuito de aumentar a conscientização tanto da população 
quanto dos profissionais de saúde sobre os riscos envolvidos. 
O uso excessivo de clonazepam parece envolver não apenas os usuários, mas 
também os médicos que fazem a prescrição e os farmacêuticos que entregam o 
medicamento. A carência de informação e a falta de compreensão sobre as graves 
consequências do uso dessa substância por essas três partes (médicos, 
farmacêuticos e usuários) se somam a diversas outras questões relevantes nesse 
cenário. 
Portanto, para melhorar a conscientização sobre o uso do medicamento, é 
fundamental oferecer apoio interdisciplinar aos pacientes, destacando a importância 
da atuação dos farmacêuticos na dispensa apropriada e legal das prescrições. O 
farmacêutico deve aplicar seu conhecimento e suas responsabilidades para alertar os 
usuários sobre os riscos associados aos potenciais efeitos colaterais e à elevada 
probabilidade de dependência, além de lembrar sobre as dosagens terapêuticas e 
 
inadequadas, promovendo assim o uso responsável e, por consequência, 
aprimorando a qualidade de vida dos que utilizam o medicamento. 
É importante realizar estudos adicionais nesta área para avaliar o efeito do uso 
de clonazepam tanto globalmente quanto no Brasil. Além disso, é essencial 
desenvolver mais investigações no campo farmacêutico, ressaltando a relevante 
função do farmacêutico na promoção do uso consciente de benzodiazepínicos. Isso 
inclui a condução de pesquisas de campo que revelem a realidade do trabalho do 
farmacêutico em relação às orientações sobre a utilização desse medicamento. 
 
REFERÊNCIAS 
 
CAMPOS, Wendel Patente et al. Clonazepam e os riscos da automedicação. Revista 
Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, v. 7, n. 1, 2023.Disponivel em: 
https://revista.unipacto.com.br/index.php/multidisciplinar/article/view/1453 
 
COSTA, R. C. A, TEIXEIRA, D. A & DA SILVA, M. H. (2020), O uso indiscriminado de 
clonazepam e a importância da Assistência de enfermagem. Revista Saúde dos 
Vales.V.1 - N.1. Revistas institucional da UNIPAC- Teófilo Otoni – MG. 
https://revistas.unipacto.com.br/storage/publicacoes/2020/458_ 
o_uso_indiscriminado_de_clonazepam_e_a_importancia_da_assistencia_de_e.pdf 
 
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