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O PAPEL DO FARMACÊUTICO NA PREVENÇÃO DO USO ABUSIVO DO CLONAZEPAM Antônio Carlos Martins dos Santos¹; Nome completo do orientador(a)² ¹ - Discente do curso de Farmácia da Universidade Unama – Marabá /PA 2 - Docente do curso de Farmácia da Universidade Unama – Marabá /PA E-mail para correspondência: a.carlosg82@gmail.com RESUMO Introdução: O clonazepam pertence à categoria dos benzodiazepínicos e é utilizado no tratamento de convulsões, transtornos de ansiedade, crises de pânico e episódios depressivos. A proposta é expor os perigos relacionados ao consumo exagerado desse medicamento. Métodos: Trata-se de revisão literária, com base de dados do PubMed, Science Direct e Scientific Electronic Library Ontine (ScriELO), Portal de Periódicos CAPES/MEC ,Agência Nacional de Vigilância Sanitária-ANVISA, Ministério da Saúde (MS) , Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Resultados. estudo realizado em publicações e referências para compreender de que maneira os profissionais da saúde podem atuar visando a mitigação ou resolução desse problema..Discussão. Constatou-se o uso do Clonazepam tem crescido nos últimos anos, porém, apesar de sua segurança devido ao elevado índice terapêutico, ao baixo risco de toxicidade e à frequência rara de overdoses, seu uso prolongado pode resultar em questões como tolerância, dependência e até crises de abstinência ao interromper o tratamento. Considerações Finais. Assim, considera-se fundamental a atuação do farmacêutico, que possui a formação e o conhecimento necessários para reduzir a utilização do clonazepam, em colaboração com a equipe multidisciplinar. A compreensão dos efeitos desse fármaco como um agente gerador de dependência, juntamente com a elaboração e implementação de estratégias adequadas, pode desempenhar um papel importante na prevenção e redução de consequências adversas, além de informar os pacientes sobre os riscos associados aos possíveis efeitos colaterais e altas taxas de dependência. .Palavras-chave: Clonazepam. Atenção Farmacêutica. Dependência ABSTRACT Introduction: Clonazepam belongs to the benzodiazepine category and is used to treat seizures, anxiety disorders, panic attacks, and depressive episodes. The aim is to expose the dangers associated with excessive consumption of this medication. Methods: This is a literary review based on PubMed, Science Direct, and Scientific Electronic Library Online (ScriELO), CAPES/MEC Periodicals Portal, National Health Surveillance Agency (ANVISA), Ministry of Health (MS), Virtual Health Library (VHL). Results: A study was carried out in publications and references to understand how health professionals can act to mitigate or resolve this problem. Discussion. It was found that the use of Clonazepam has increased in recent years. However, despite its safety due to its high therapeutic index, low risk of toxicity, and rare frequency of overdoses, its prolonged use can result in issues such as tolerance, dependence, and even withdrawal symptoms when treatment is interrupted. Final Considerations. Therefore, the role of the pharmacist, who has the necessary training and knowledge to reduce the use of clonazepam, in collaboration with the multidisciplinary team, is considered essential. Understanding the effects of this drug as an addictive agent, together with the development and implementation of appropriate strategies, can play an important role in preventing and reducing adverse consequences, in addition to informing patients about the risks associated with possible side effects and high rates of addiction. Keywords: Clonazepam. Pharmaceutical Care. Addiction mailto:a.carlosg82@gmail.com INTRODUÇÃO O número de incidência de doenças como depressão, transtorno de pânico e ansiedade está em alta devido a diversos motivos, como questões econômicas, sociais e culturais (Zorzanelli et al., 2019). Esses números são bastante significativos, especialmente entre as mulheres que enfrentam uma sobrecarga de tarefas e, consequentemente, o esgotamento físico e mental causado pela combinação de afazeres domésticos e profissionais pode ser um fator contribuinte para o desenvolvimento de quadros de depressão e ansiedade (Silva; Assumpção; 2018). O clonazepam tem a capacidade de atuar no sistema nervoso central, podendo inibir algumas funções do corpo. O Clonazepam atua potencializando o neurotransmissor Ácido Gama-Aminobutírico (GABA), que é o principal responsável por inibir e deprimir o sistema nervoso central. Quanto ao tempo que o medicamento leva para começar a fazer efeito, o Clonazepam, em média, pode demorar até 1 hora, dependendo de como é administrado, seja em comprimido, gotas ou sublingual, e varia o tempo que permanece no organismo, podendo ser de 12 a 40 horas, dependendo do metabolismo (Zorzanelli et al., 2019) O clonazepam atua de maneira suave na inibição de certas atividades do sistema nervoso, proporcionando um efeito sedativo suave, tranquilizante, anticonvulsivante e relaxante muscular, sendo disponibilizado em gotas e comprimidos(Silva; Assumpção; 2018). A quantidade recomendada varia conforme a condição médica e os efeitos observados no paciente, sendo aconselhável começar com doses baixas e aumentar gradualmente. A duração do tratamento é determinada pelo profissional responsável, que avalia a evolução do paciente (Pires; Paiva, 2021) Este fármaco tem propriedades que ajudam a reduzir a ansiedade, induzir o sono, prevenir convulsões e relaxar os músculos. No entanto, há uma preocupação especial devido ao seu alto potencial de causar tolerância, síndrome de abstinência e dependência. Além disso, ele é um dos medicamentos psiquiátricos mais comuns em todo o mundo, sendo a terceira substância mais usada por adultos e adolescentes americanos, seja por meio de prescrição médica ou de forma ilegal (Votaw et al., 2019) O excesso de medicamento, a interrupção repentina do tratamento ou a utilização sem orientação podem levar à dependência, tolerância ou efeitos colaterais provenientes da condição de saúde subjacente, como aumento da ansiedade, estresse e convulsões. Portanto, é essencial que o farmacêutico forneça orientações adequadas ao paciente sobre o uso apropriado (Gomes, 2021). Além disso, a utilização constante e excessiva dessas substâncias impacta de maneira relevante na qualidade de vida. Principalmente na execução e rendimento de tarefas diárias, uma vez que, o processo de absorção, distribuição, metabolização e eliminação pelo rim, em casos de doenças pré-existentes, acarreta danos permanentes (Costa et al., 2020). Por isso, os profissionais recomendam terapias alternativas sempre que viável e apenas consideram o uso de remédios como última alternativa, levando em consideração a condição atual do paciente. Por isso, várias pessoas têm apreensão em utilizar tais medicamentos, principalmente por um longo período (Pereira; Alvim, 2021). Com isso, o estudo possui o objetivo de apresentar os riscos associados ao uso excessivo do clonazepam. MATERIAIS E MÉTODOS O presente trabalho trata-se de uma revisão bibliográfica relacionada ao uso dos benzodiazepínicos com enfoque especial no fármaco clonazepam, que foi realizada através de levantamento de dados com dezoito referências bibliográficas no período de 2019 a 2023, utilizando-se como descritores: benzodiazepínicos, clonazepam, farmacêutico. Para tanto, a metodologia usada neste trabalho se deu, por meio de pesquisa bibliográfica sobre o uso abusivo do clonazepam e seus possíveis efeitos danosos. O levantamento de dados foi realizado por consultas em artigos científicos, nos últimos 05 (cinco anos), buscados através do sistema informatizado da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) que inclui outros bancos como o da Literatura Latino Americana de Ciências da Saúde (LILACS), que é índice bibliográfico da literatura relativa às ciências da saúde, publicada nos países daAmérica Latina e Caribe e Scientific Electronic Library Online (SCIELO), além do portal do Ministério da Saúde e portal da ANVISA . Como critérios de inclusão foram selecionados os artigos que continham informações bibliográficas sobre o consumo de clonazepam e dados relevantes relacionados ao tema. Após isso, realizou-se uma análise minuciosa para organizar as informações e definir o foco do estudo. RESULTADOS Com base na literatura, considerou-se 12 estudos relevantes para a construção dos resultados e discussão sobre o uso clonazepam, como também as atribuições do farmacêutico no uso consciente do medicamento. Os resultados serão apresentados no Quadro 1, com autor/ano da obra, título, métodos e resultados relevantes: Quadro 1 – Distribuição dos estudos incluídos segundo autoria, Autor /ano de publicação, título, métodos e a base de dados Autor /ano Título Métodos Principais Resultados Silva; Assumpção; 2018). Relação entre violência psicológica e depressão em mulheres: revisão narrativa. pesquisa bibliográfica Os principais fatores desencadeadores de abuso. Alguns estudos apontam características da mulher que sofre abuso e entre elas estão pensamentos negativos, dificuldades em lidar com as emoções e autoestima prejudicada. Lopes, 2019 Efeitos do clonazepam sobre as respostas defensivas medidas em ratos submetidos ao labirinto em T elevado pesquisa bibliográfica Resultados prévios da literatura mostram que drogas clinicamente eficazes no tratamento do transtorno do pânico, como antidepressivos tricíclicos (ex: imipramina e clomipramina) e inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ex: fluoxetina e escitalopram), aumentam a latência de fuga no LTE, sugerindo efeito do tipo panicolítico. Entretanto, em relação aos benzodiazepínicos de alta potência, também amplamente utilizados na clínica para o tratamento do transtorno do pânico, os dados em relação ao LTE permanecem desconhecidos Campos, et al 2023). Clonazepam e os riscos da automedicação pesquisa bibliográfica, exploratória e descritiva Os dados encontrados reforçam o fato do uso abusivo de medicamentos abranger além dos usuários, os médicos que prescrevem ou renovam a receita e os farmacêuticos que fazem a dispensação do medicamento. Faria, et al 2019). Benzodiazepí nicos revendo o uso para o desuso Revisão da literatura Estudos incluídos nesta pesquisa apontam a necessidade de um controle mais rigoroso quanto às indicações e uso correto desses agentes psicofarmacológicos. Assim sendo, é relevante a capacitação dos profissionais prescritores com o intuito de dirimir a frequência do seu uso crônico e indiscriminado. Machado, et al 2020 Avaliação da dispensação de benzodiazepínicos em uma drogaria em tempos de pandemia covid 19 na cidade de uberaba-mg Revisão da literatura Entre os fatores que podem ter colaborado para o aumento das vendas podemos citar a portaria número 357 de 24 de março de 2020 que aumentou o número de meses permitido para dispensação dos benzodiazepínicos e autorizou a entrega domiciliar dos medicamentos desta classeterapêutica. Podemos supor também que a pandemia possa ter influenciado o aumento de mudanças comportamentai s na população gerando o aumento na demanda por tratamentos com estes medicamentos. Gonçalves, 2019 Benzodiazepí nicos : malefícios relacionados à prática da automedicação e à falta de orientação adequada em saúde Revisão da literatura As duas principais indicações terapêuticas relatas incluem tratamento de ansiedade e insônia e, em ambos os casos, o tempo de uso é maior do que o estabelecido como adequado pela literatura sendo este, o maior motivo do uso inadequado desses medicamentos. Clonazepam e Diazepam são apontados como os representantes da classe mais prescritos na clínica. Além disso, adultos e idosos fazem uso desses medicamentos em maiores proporções quando comparados à faixas etárias menores. Cunha, 2022 A farmacoterapia dos medicamentos psicotrópicos: Sertralina e Clonazepam Revisão da literatura Os psicotrópicos da classe do ISRS e benzodiazepínicos, como a sertralina e clonazepam, são fármacos muito utilizados por serem eficazes no tratamento de variados transtornos mentais, com ênfase na ansiedade e depressão, muitas vezes sendo os fármacos de primeira escolha para tais doenças, devido maior segurança para o doente, mesmo havendo riscos de efeitos adversos e interações. Santos Júnior et al. (2022), Uso abusivo e indiscriminado de benzodiazepínicos por atuantes da área da saúde: uma revisão narrativa Revisão Bibliográfica Assim, inúmeros são os malefícios do uso de benzodiazepínicos quando usado sem indicação médica, pode se citar a dependência química e o possível mascaramento de uma doença mais grave que pode estar ali por trás. Assim, é importante a elaboração de mais trabalhos como este para que alerte as pessoas sobre como é arriscado usar medicamentos sem realmente ter uma indicação clínica. Senra et al., 2021 Efeitos colaterais do uso crônico e indiscriminado de benzodiazepínicos: Uma revisão narrativa revisão narrativa Foram encontrados também fortes indícios de relação entre o uso prolongado destes medicamentos e o desenvolvimento de demências. Em idosos existe ainda o risco de quedas devido à sonolência. Outro dado relevante é a ocorrência de amnésia anterógrada. Fegadolli, Varela e Carlini (2019), Uso e abuso de benzodiazepínicos na atenção primária à saúde: práticas profissionais no Brasil e em Cuba estudo exploratório descritivo quantitativo A pouca apropriação das questões da saúde mental pelos profissionais da atenção primária, a fragmentação do cuidado, a sobrecarga de trabalho com temas considerados prioritários, as deficiências na disponibilidade de recursos terapêuticos e o pouco investimento em formação específica contribuem para o uso não adequado de benzodiazepínicos Debastini; Coqueiro, 2018 Análise de Prescrições Médicas de medicamentos regulados pela Portaria federal 344/1998, dispensados em uma drogaria no interior da Bahia estudo exploratório descritivo quantitativo Numa drogaria, o profissional farmacêutico, é o responsável por todas as atividades inerentes a dispensação dos medicamentos e é necessário que ele esteja atento a todas as informações contidas na prescrição, para que o paciente siga as instruções e orientações do seu tratamento. E Mendonça, Carvalho; 2005 o consumo de benzodiazepínicos por mulheres idosas estudo exploratório descritivo quantitativo as concepções dadas pelas mulheres idosas entrevistadas, que o consumo e a dependência de benzodiazepínicos são singulares e não se restringem a uma relação biológica de seus efeitos, mas incluem a influência de fatores culturais e sociais. Fonte: Próprio autor DISCUSSÃO A taxa de incidência de enfermidades como depressão, transtornos de pânico e ansiedade tem crescido por diversos motivos, incluindo fatores econômicos, sociais e culturais. Esse aumento é especialmente significativo entre as mulheres, que enfrentam uma jornada dupla de trabalho. O desgaste físico, mental e o estresse gerados pela conciliação de tarefas domésticas e profissionais podem ser determinantes para o desenvolvimento de depressão e ansiedade (Silva; Assumpção; 2018). O Clonazepam O clonazepam age como um modulador do GABA, um neurotransmissor que inibe a atividade sináptica, regulando a abertura dos canais de cloreto (Cl-). Isso permite a entrada de cargas negativas nas células, resultando em uma redução da despolarização e inibindo as sinapses. Embora seja comumente encontrado em forma de comprimidopara administração oral, existem também opções injetáveis e líquidas disponíveis (Lopes, 2019). De acordo com Campos, et al .,(2023), o clonazepam é um remédio poderoso, apresentado em forma de comprimidos ou gotas, que pode ser administrado por via sublingual ou oral. Trata-se de um fármaco de ação rápida que possui riscos associados, incluindo a possibilidade de dependência. No Brasil, esse medicamento ocupa a segunda posição em vendas, o que não é surpreendente, já que o país registra alguns dos maiores índices de ansiedade globalmente. (Campos, et al 2023). Segundo Faria, et al .,(2019), os benzodiazepínicos são fármacos empregados como ansiolíticos e sedativos no tratamento de condições convulsivas, além de distúrbios de ansiedade, crises de pânico e depressão. Eles são vendidos mediante prescrições médicas de uso controlado, que devem ser mantidas nas farmácias em conformidade com a legislação vigente. Um dos medicamentos mais famosos dessa classe é o clonazepam (Faria, et al 2019). No estudo de Machado, et al .,(2020),no ano de 2020, houve um crescimento considerável nas vendas de benzodiazepínicos psicotrópicos em comparação com o ano anterior. Esse aumento pode ser atribuído a diversos fatores, sendo um dos mais relevantes o impacto da pandemia de coronavírus na saúde mental das pessoas. O período pandêmico gerou altos níveis de estresse e ansiedade, juntamente com o medo de perder entes queridos ou de colocar em risco a própria vida, além dos desafios relacionados à sobrevivência e à adaptação ao distanciamento social. Os autores afirmam que o alprazolam e o clonazepam se tornaram dois dos medicamentos mais utilizados para tratar ansiedade e depressão, possivelmente explicados pelo seu preço acessível. Apesar de ter um custo inferior, o clonazepam pode ser até 50% mais barato que o alprazolam. Em média, este medicamento está disponível por cerca de R$10,99 (Machado, et al 2020). Segundo Soares, ( 2022), o fármaco, popularmente chamado de rivotril, é comumente indicado para lidar com transtornos de ansiedade. Contudo, vale ressaltar que ele também pode ser utilizado no tratamento de epilepsia, convulsões, agitação intensa, assim como em casos de vertigem e problemas de equilíbrio (Soares, 2022). Após ser administrado por via oral, se espalha de maneira veloz por todo o organismo. Seu mecanismo de ação consiste principalmente em bloquear a atividade elétrica anômala no cérebro. Isso provoca um aumento na diminuição da atividade neuronal, resultando em sedação e um relaxamento muscular para o indivíduo (Gonçalves, 2019) Sendo assim, o clonazepam é frequentemente indicado para adultos que apresentam distúrbios do humor, sendo especialmente sugerido no início do tratamento da depressão. Além disso, essa medicação é benéfica para pessoas que sofrem de transtornos de ansiedade, incluindo ansiedade social, ansiedade generalizada e síndrome do pânico (Cunha, 2022). O papel do farmacêutico no uso indiscriminado do clonazepam Segundo Gonçalves, (2019), o farmacêutico é um especialista envolvido no cuidado dos pacientes. Entre suas funções, destaca-se a organização das intervenções farmacêuticas e a comunicação dentro de um sistema que conta com a participação de diversos profissionais, o que pode trazer uma contribuição significativa, tanto de forma individual quanto em grupo, para o uso consciente e adequado de medicamentos (Gonçalves, 2019). De acordo com Machado, et al .,(2020),as responsabilidades da profissão incluem a organização das intervenções farmacêuticas e a comunicação entre diversos envolvidos em um sistema, o que pode trazer significativas contribuições, tanto em âmbito pessoal quanto coletivo, para a utilização adequada de medicamentos( Machado, et al 2020). De acordo Silva; Assumpção,(2018), o farmacêutico, em seu papel profissional, deve possuir conhecimentos, habilidades e comportamentos que o habilitem a se unir à equipe de saúde e a interagir com os pacientes e a comunidade. Essa integração é fundamental para promover a qualidade de vida, especialmente no que diz respeito à otimização da terapia medicamentosa e ao uso consciente dos medicamentos. A organização das intervenções farmacêuticas e a comunicação entre os diversos envolvidos têm um grande potencial de influenciar positivamente, tanto de forma individual quanto coletiva, o uso racional de medicamentos (Silva; Assumpção; 2018). De acordo com Santos Júnior et al. (2022), Vários fatores influenciam o uso excessivo de benzodiazepínicos (BDZs) no manejo dos transtornos de ansiedade (TAs). De acordo com a literatura especializada, a administração de BDZs para TAs deve ser restringida a um curto prazo, normalmente entre duas semanas e um mês, com o objetivo de prevenir a formação de dependência da substância. Esse intervalo tem a finalidade de aliviar os sintomas e possibilitar que a medicação principal (normalmente inibidores seletivos de recaptação de serotonina - ISRS ou inibidores de recaptação de serotonina e norepinefrina - IRSN) comece a ter efeito. Por outro lado, em certas situações, os indivíduos, apesar de receberem a orientação médica, decidem não parar de utilizar os benzodiazepínicos. Após um extenso período de uso, a suspensão do medicamento provoca uma síndrome de abstinência, levando o usuário a manter o tratamento. Além disso, com o surgimento da tolerância, a pessoa tende a elevar progressivamente a dose para contrabalançar a redução dos efeitos (Senra et al., 2021). Segundo Fegadolli, Varela e Carlini (2019), um fator que agrava o uso indiscriminado de benzodiazepínicos (BDZs) é a frequência com que esses fármacos são prescritos na atenção primária à saúde. Médicos que trabalham nesse nível de atendimento frequentemente indicam BDZs como a principal forma de tratamento para pacientes que relatam problemas relacionados à saúde mental, muitas vezes sem fornecer a orientação adequada sobre como interromper o uso após um certo tempo, o que acaba contribuindo para o abuso desses medicamentos. Sobre o assunto, Santos Júnior et al. (2022),defendem que as recomendações fornecidas pelo farmacêutico são fundamentais, uma vez que, em diversas circunstâncias, os pacientes vão à farmácia em busca de um benzodiazepínico sem receber orientações adequadas acerca da prescrição médica, como a duração do tratamento, potenciais efeitos adversos e o risco de dependência. Isso torna a atenção farmacêutica essencial para prevenir o uso inadequado. Dessa maneira, uma maneira pela qual esse profissional pode ajudar a diminuir o uso excessivo de benzodiazepínicos é através da supervisão da distribuição deste tipo de medicamento. A receita de classe B1, que é necessária para a liberação dos benzodiazepínicos, tem um prazo de validade de 30 dias a contar da data da prescrição médica e é válida apenas na jurisdição onde foi emitida. A entrega desses medicamentos é restrita ao farmacêutico, que tem a permissão de oferecê-los para um tratamento que não ultrapasse 60 dias. (Debastini; Coqueiro, 2018). Para melhorar a conscientização sobre o uso e as interações medicamentosas, é fundamental contar com o suporte de uma equipe multidisciplinar para os pacientes, destacando o papel essencial dos farmacêuticos na dispensação adequada e conforme a legislação dos medicamentos. Desta forma o farmacêutico tem a responsabilidade de aplicar seu conhecimento e suas funções para informar os usuários sobre os perigos dos possíveis efeitos adversos, as elevadas possibilidades de dependência, assim como as dosagens terapêuticas e as doses impróprias (Mendonça, Carvalho; 2005). CONSIDERAÇÕES FINAIS Dessa forma, conclui-se que a função do farmacêutico se torna essencial nesse cenário, demandando uma participação ativa na promoção do uso seguro e responsável dos medicamentos. Além disso, é fundamental que a informaçãosobre os riscos vinculados ao consumo excessivo de benzodiazepínicos seja amplamente compartilhada, com o intuito de aumentar a conscientização tanto da população quanto dos profissionais de saúde sobre os riscos envolvidos. O uso excessivo de clonazepam parece envolver não apenas os usuários, mas também os médicos que fazem a prescrição e os farmacêuticos que entregam o medicamento. A carência de informação e a falta de compreensão sobre as graves consequências do uso dessa substância por essas três partes (médicos, farmacêuticos e usuários) se somam a diversas outras questões relevantes nesse cenário. Portanto, para melhorar a conscientização sobre o uso do medicamento, é fundamental oferecer apoio interdisciplinar aos pacientes, destacando a importância da atuação dos farmacêuticos na dispensa apropriada e legal das prescrições. O farmacêutico deve aplicar seu conhecimento e suas responsabilidades para alertar os usuários sobre os riscos associados aos potenciais efeitos colaterais e à elevada probabilidade de dependência, além de lembrar sobre as dosagens terapêuticas e inadequadas, promovendo assim o uso responsável e, por consequência, aprimorando a qualidade de vida dos que utilizam o medicamento. É importante realizar estudos adicionais nesta área para avaliar o efeito do uso de clonazepam tanto globalmente quanto no Brasil. Além disso, é essencial desenvolver mais investigações no campo farmacêutico, ressaltando a relevante função do farmacêutico na promoção do uso consciente de benzodiazepínicos. Isso inclui a condução de pesquisas de campo que revelem a realidade do trabalho do farmacêutico em relação às orientações sobre a utilização desse medicamento. REFERÊNCIAS CAMPOS, Wendel Patente et al. Clonazepam e os riscos da automedicação. 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