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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE ZEBELÂNDIA/RS Processo n.º: XXX Creoncia Patifúncia da Silva, já qualificada nos autos da ação penal em epígrafe que lhe move o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência, por seu procurador constituído, com fundamento no art. 581, inciso I, do Código de Processo Penal, apresentar RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO em face da sentença, a qual pronunciou a ré pela prática das condutas descritas no art. 121, § 2º, incisos II, III e IV do Código Penal Brasileiro. Requer-se que, após análise do juízo de retratação, nos moldes do art. 589 do Código de Processo Penal e o trâmite legal, sejam os autos encaminhados ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul para reforma da decisão recorrida. Nestes termos, pede deferimento. Zebelândia, 11 de novembro de 2024 Advogado xxx OAB xxx EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Processo n.º:xxx CREÔNCIA PAFÚNCIA DA SILVA, já qualificada nos autos da ação penal em epígrafe que lhe move o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência, por seu procurador constituído, com fundamento no art. 581, inciso IV, do Código de Processo Penal, apresentar RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO em face da sentença a qual pronunciou a ré pela prática das condutas descritas no art. 121, § 2º, incisos II, III e IV, do Código Penal Brasileiro, pelos seguintes motivos: I - DOS FATOS Segundo denúncia oferecida pelo Ministério Público, no dia 23 de julho de 2021, por volta das 23h, na localidade de Pau Fincado, distrito rural de Zebelândia/RS, CREÔNCIA PAFÚNCIA DA SILVA matou Ambrosina da Silva, conforme auto de necropsia, acostado aos autos, que anota como causa da morte: “insuficiência ventilatória de origem indeterminada”. A denúncia narra que CREÔNCIA colocou sua filha, recém-nascida, em um balde, a pretexto de esconder o nascimento da criança e a fim de matá-la, causando-lhe problemas respiratórios, ocasionando seu óbito. Ainda segundo a denúncia, CREÔNCIA: 1) praticou o crime por motivo fútil, pois queria esconder sua gravidez; 2) praticou o crime mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, pois esta recém-nascida, sem possibilidade físico-corporais de defesa; 3) praticou o crime mediante asfixia, pois colocou a vítima num balde, impedindo-lhe a respiração, matando-a; 4) praticou o crime mediante meio cruel, levando a vítima a extenso sofrimento pela falta de oxigenação até a morte. II - DO INTERROGATÓRIO DA RÉ A ré, quando interrogada, negou a prática do delito. Alegou que estava grávida, aos oito meses de gestação, sendo que no dia do fato começou a sentir tontura e dores nas costas. Diante disso, deitou-se na cama e deu à luz, sendo que o bebê nasceu roxo e com o cordão umbilical enrolado no pescoço, o qual não chorou. Relata que entrou em desespero. Esclarece que decorreu cerca de dez minutos do início das dores nas costas até o nascimento da criança. Alega que depois que o bebê nasceu, continuou sentindo dores e veio a desmaiar. Quando acordou, arrancou o cordão umbilical e foi ao banheiro pois ainda sentia dores e sangrava. O parto ocorreu entre dez e meia e onze horas da noite. Na época, residia com sua prima e com o esposo dela, os quais estavam em uma festa de aniversário no salão da Igreja. Não tinha telefone celular na época. Depois do nascimento da criança, salienta que entrou em desespero e sem saber o que fazer com o bebê, colocou o mesmo dentro do balde, o qual não respirava. Fez acompanhamento psicológico do ano de 2009 até 2012, quando frequentava o colégio. Escondeu de todos a sua gravidez. Não havia vizinhos próximo de sua casa. Refere que a vítima saiu sozinha e caiu no chão. Nega ter pegado a vítima depois do nascimento, sendo que somente pegou a AMBROSINA para colocá-la no balde. Não tentou desenrolar o cordão de seu pescoço porque ficou com medo de tocá-la. III - DAS TESTEMUNHAS A informante FILOMENA, prima da ré, disse que encontrou uma placenta dentro do boeiro do esgoto. Inicialmente, acreditou que se tratava da placenta de uma égua que havia dado cria nos fundos do pátio. Quando comentou o fato com a ré, a mesma disse: “a então procura que tem criança”. Diante disso, começou a procurar no boeiro, mas nada encontrou. Nesse momento, a ré cruzou os braços, tendo FILOMENA notado que CREÔNCIA não tinha mais barriga de grávida. Depois disso, comunicou o fato para sua tia e começou a procurar pela criança no quarto de CREÔNCIA, encontrando o bebê dentro de um balde. Todos residiam no mesmo imóvel. A ré estava grávida, mas não tinha contado o fato para a família, a qual negava que estivesse grávida. A acusada dizia que estava doente e não grávida. Residia há cerca de um mês com a ré. Destaca que a criança foi encontrada dentro de um balde no interior do quarto da ré, sendo que o balde estava embaixo de uma cadeira. Além da criança, dentro do balde estavam as roupas que CREÔNCIA estava vestindo e o lençol que estava na cama. O policial militar DURANGO MILITONCIOUS disse que foi despachado via rádio para atender a ocorrência, onde encontrou o corpo da criança. A ré, na ocasião, disse que a criança tinha nascido morta e por isso ela colocou a criança no local. IV - DA DECISÃO JUDICIAL Encerrada a instrução, após a apresentação de memoriais pelo MP e defesa constituída, sobreveio decisão judicial, prolatada em 22/10/2024, pronunciando CREONCIA PATIFÚNCIA DA SILVA como incursa nas sanções do artigo 121, § 2º, incisos II, III e IV, do Código Penal, a fim de submetê-la a julgamento perante o Tribunal do Júri. V - DOS FUNDAMENTOS DO RECURSO 1. Ausência de Provas Conclusivas: A decisão de pronúncia baseou-se em provas circunstanciais e depoimentos que não comprovam de forma inequívoca a autoria do delito pela ré. A versão apresentada pela ré, de que a criança nasceu morta, não foi devidamente refutada pelas provas dos autos. 2. Desconsideração das Condições Psicológicas da Ré: A ré apresentou histórico de acompanhamento psicológico e estava em estado de desespero no momento dos fatos, o que não foi devidamente considerado na decisão de pronúncia. 3. Inexistência de Motivo Fútil: A alegação de motivo fútil não se sustenta, uma vez que a ré estava em estado de desespero e sem condições de discernimento pleno no momento dos fatos. VI - DO PEDIDO Diante do exposto, requer-se a Vossa Excelência que, após análise do juízo de retratação, nos moldes do art. 589 do CPP e o trâmite legal, sejam os autos encaminhados ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul para reforma da decisão recorrida, com a consequente impronúncia da ré. Nestes termos, pede deferimento. Zebelândia, 11 de novembro de 2024 Advogado xxx OAB: xxx