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m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Acromegalia e Incidentaloma Hipofisário 2ENDOCRINOLOGIA APRESENTAÇÃO: PROF. MARIA TEREZA GUERRA Estrategista, Seja bem-vindo(a) ao curso de Endocrinologia e Metabologia do Estratégia MED. Cientes das obrigações que um estudante de Medicina tem ao longo do curso, nossa metodologia foi cuidadosamente pensada para trazer a você o resultado desejado da maneira mais eficiente possível, ou seja, colocaremos a sua disposição todas (e somente) as armas de que precisa para vencer as batalhas que escolher. Todo conhecimento pode ser importante para a vida de um(a) médico(a), mas a prova não é a vida. É uma simulação criada pela mente do examinador. Como toda mente tem seus padrões, preferências e hábitos, estudamos as provas de cada instituição para orientá-lo(a) da maneira mais correta possível, por meio de um conteúdo teórico completo, mas escrito em linguagem direta e didática. Basta dominar todo esse conteúdo para entrar na Residência Médica dos sonhos? Não. A prova não é uma livre demonstração de conhecimento; é, acima de tudo, uma competição na qual suas chances de sucesso são diretamente proporcionais ao seu treino. Fazer questões de prova não lhe trará somente ganhos cognitivos, mas também lhe proporcionará autoconhecimento e tranquilidade, duas coisas fundamentais para qualquer competidor. Nisso também nos diferenciamos, pois disponibilizamos um completo e atualizado banco de questões comentadas, alternativa por alternativa, m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Acromegalia e Incidentaloma Hipofisário 3ENDOCRINOLOGIA @estrategiamed /estrategiamed t.me/estrategiamed Estratégia MED @ dramariaterezaguerra porque reconhecer o errado também ensina o certo. Entender o estilo de cada instituição é essencial para calcular o que é previsível, mas também estamos atentos aos assuntos que, eventualmente, podem ganhar notoriedade por acontecimentos sociais, econômicos e epidemiológicos. Disponibilizaremos questões inéditas, quando necessário, para que você não seja surpreendido(a), e nossos simulados contemplarão essas apostas. Uma vez apresentado o curso, permita que me apresente. Realizei a Residência de Clínica Médica no Real Hospital Português de Beneficência em Pernambuco – RHP, onde trabalho até hoje como Endocrinologista. Já a Residência Médica de Endocrinologia e Metabologia, fiz no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira – IMIP, hospital-escola da Faculdade Pernambucana de Saúde – FPS, onde fui tutora de 2018 a 2020. Para mim, é uma grande honra ter permanecido nos locais em que obtive minha formação como especialista, por isso aqui vai mais uma dica: a Residência Médica não é apenas um período de formação, é o momento no qual você entrega seu cartão de visitas a seus preceptores, colegas e demais funcionários do hospital. Você passará alguns anos em uma carga horária de 60 horas semanais, sendo avaliado não só do ponto de vista técnico e cognitivo, mas também será bastante observado no tocante ao comprometimento, ética e cordialidade. Costumo dizer que é uma “entrevista de emprego que dura de 2 a 5 anos”. A seguir, um resumo do meu histórico de aprovações em concursos: • Aprovações em provas de Residência Médica: ◊ SES-DF 2013 – Clínica Médica (Hospital Universitário de Brasília – HUB-UNB). ◊ SES-PE 2013 – Clínica Médica (RHP). ◊ SES-PE 2015 – Endocrinologia e Metabologia (IMIP). • Aprovações em Concursos Públicos: ◊ Ministério Público do Estado de Pernambuco 2018 – Analista Ministerial - Área Medicina (1ª colocada). ◊ Prefeitura da cidade do Recife 2014 – Médico Clínico Geral Plantonista (1ª colocada). ◊ Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região 2018 – Analista Judiciário - Área Especializada – Medicina (2ª colocada). ◊ Tribunal Regional Federal da 5ª Região 2017 – Analista Judiciário - Apoio Especializado - Medicina (3ª colocada). ◊ Ministério Público da União 2013 – Analista do Ministério Público da União – Área de atividade: Medicina – Especialidade: Clínica Médica. ◊ EBSERH / UFPE 2014 – Médico – Clínica Médica. Feitas as devidas apresentações, desejo-lhe bons estudos. Se surgir alguma dúvida ao longo do caminho, estarei no fórum para compartilharmos aprendizados e experiências sobre a especialidade mais linda da Clínica Médica. Cordialmente, Professora Maria Tereza Guerra m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://t.me/estrategiamed https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw?app=desktop https://www.instagram.com/dramariaterezaguerra/ https://www.instagram.com/dramariaterezaguerra/ http://www.ebserh.gov.br/web/hub-unb m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 4 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA SUMÁRIO 1.0 ACROMEGALIA 6 1.1 FISIOLOGIA DO HORMÔNIO DO CRESCIMENTO 6 1.1.1 SECREÇÃO E AÇÕES HORMONAIS 6 1.1.2 OUTROS REGULADORES 8 1.2 EPIDEMIOLOGIA E ETIOLOGIA 9 1.3 APRESENTAÇÃO CLÍNICA 10 1.3.1 ALTERAÇÕES COMPRESSIVAS 10 1.3.2 ALTERAÇÕES METABÓLICAS 12 1.3.3 ALTERAÇÕES SOMÁTICAS 13 1.4 DIAGNÓSTICO 17 1.4.1 QUEM DEVE SER INVESTIGADO 17 1.4.2 COMO INVESTIGAR 17 1.5 TRATAMENTO 22 1.5.1 METAS TERAPÊUTICAS 22 1.5.2 MEIOS TERAPÊUTICOS 22 2.0 INCIDENTALOMA HIPOFISÁRIO 26 3.0 LISTA DE QUESTÕES 29 4.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 30 5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS: “O ANJO FRANCÊS” 31 6.0 LISTA DE IMAGENS E TABELAS 33 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 5 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA PÉROLAS DA AULA Aqui, mostrarei quais são aqueles pontos da aula que você deve buscar como uma pedra preciosa e guardar como uma joia. Mergulhe no tema de mente aberta e volte à superfície com as seguintes preciosidades: • Acromegalia: » Apresentação clínica da doença. » Exames laboratoriais úteis na investigação diagnóstica. • Incidentaloma hipofisário: » As três perguntas a que devemos responder frente a um incidentaloma hipofisário. » Que exames laboratoriais e imagenológicos devemos solicitar na avaliação inicial e no acompanhamento dessas lesões. APRESENTAÇÃO DA AULA PESO DOS TEMAS DA AULA Fisiologia do eixo hipotálamo - hipófise n = 109 questões Hiperprolac nemia Hipopituitarismo Acromegalia Incidentaloma hipofisário 2,75% 12,84% 47,71% 20,18% 16,51% Estrategista, As doenças da hipófise respondem por apenas 2% do quantitativo das questões de Endocrinologia (109 questões). Dentro desse pequeno número de questões, acromegalia é o segundo tema mais recorrente e incidentaloma hipofisário é um tema abordado em apenas duas questões. No gráfico a seguir, ilustramos a participação de cada tema no módulo de Hipófise. Sendo assim, nossa abordagem irá pautar-se pela assertividade e pela otimização do seu tempo. Leia o tópico Pérolas da aula para acertar sua bússola e bons estudos! Cordialmente, Professora Maria Tereza Guerra m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 6 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA 1.0 ACROMEGALIA CAPÍTULO 1.1 FISIOLOGIA DO HORMÔNIO DO CRESCIMENTO 1.1.1 SECREÇÃO E AÇÕES HORMONAIS A acromegaliaé uma síndrome clínica decorrente da hipersecreção de hormônio do crescimento (GH). Em até 95% dos casos, decorre de um tumor hipofisário secretor de GH. Na minoria dos casos, resulta de distúrbios hipotalâmicos ou de neoplasias periféricas que tenham a capacidade de secretar GH ou GHRH (hormônio liberador do hormônio do crescimento). O GH é produzido pelos somatotrofos e pelos mamossomatotrofos da adeno-hipófise, sob estímulo do GHRH e sob controle inibitório da somatostatina. É secretado em picos, predominantemente durante o sono, e possui meia-vida curta, de aproximadamente 14 minutos (FIGURA 01). Seus níveis basais alcançam o ápice na puberdade e, a partir de então, declinam 50% a cada sete anos de vida. Na hipófise: ◊ Somatotrofos produzem GH ◊ Lactotrofos produzem prolactina ◊ Mamosomatotrofos produzem GH e prolactina A grelina também estimula a secreção de GH. No módulo de Obesidade, falamos com mais detalhes sobre esse peptídeo gastrointestinal, mas, de antemão, saiba que ele estimula o apetite e contribui para um balanço energético positivo (ou seja, induz ao ganho de peso). FIGURA 01: Padrão de secreção do hormônio do crescimento ao longo do dia. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 7 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA O GH atua através da ligação ao seu receptor hepático e sua ação preponderante é a estimulação à síntese hepática do fator de crescimento semelhante à insulina-1 (IGF-1), um fator de crescimento e diferenciação celular. O IGF-1 será o responsável pela efetivação dos principais efeitos tróficos associados à secreção de GH e, além disso, pela inibição direta do somatotrofo e pela estimulação à secreção hipotalâmica de somatostatina, fecha uma alça de feedback negativo e inibe a secreção de GH (FIGURA 02). FIGURA 02: Eixo GH/IGF-1. Podemos dizer que o GH age de forma direta (pela ligação aos seus receptores nos tecidos periféricos) e indireta (pela ação do IGF-1). As principais ações do binômio GH/IGF-1 são: • estímulo ao crescimento linear pela ação trófica nas placas epifisárias; • lipólise e oxidação lipídica; • estímulo à síntese proteica; • contrarregulação, ou seja, antagonismo às ações da insulina; • aumento da reabsorção renal de fosfato, água e sódio. Em suma, o GH é um hormônio trófico, anabólico, antagonista da insulina e indutor da quebra de gordura. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 8 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA 1.1.2 OUTROS REGULADORES Para além dos quatro reguladores principais (GHRH, somatostatina, grelina e IGF-1), a secreção de GH é influenciada por uma série de interferentes, sumarizados na TABELA 01. Analise todos os influentes com atenção, pois será um conhecimento útil quando abordarmos o diagnóstico da acromegalia. TABELA 01 Reguladores da secreção do hormônio do crescimento Fatores estimuladores Fatores inibitórios GHRH Grelina Hipoglicemia Jejum e desnutrição Refeições de elevado teor proteico Estrogênio Dopamina Agonistas alfa-adrenérgicos Antagonistas beta-adrenérgicos Somatostatina IGF-1 Hiperglicemia Leptina Obesidade Glicocorticoides m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 9 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA 1.2 EPIDEMIOLOGIA E ETIOLOGIA Estamos falando de uma doença rara, cuja incidência anual varia de 6 a 8 casos por milhão de pessoas, com média de idade, ao diagnóstico, de 40 a 45 anos. Entretanto, um estudo de rastreio populacional ativo, realizado em um ambiente de atenção básica, sugeriu que a prevalência real pode andar em torno de 1000 casos para cada milhão de pessoas. Ou seja, talvez a doença seja bem mais comum do que imaginamos. As principais causas de acromegalia são os adenomas hipofisários secretores de GH (somatotropinomas), que correspondem a, aproximadamente, um terço dos adenomas hipofisários funcionantes (produtores de hormônios). Há outras causas bastante raras de acromegalia, tais como: • secreção excessiva de GHRH por tumores hipotalâmicos; • secreção ectópica de GHRH por tumores neuroendócrinos (tumores carcinoides ou câncer de pulmão de pequenas células); • secreção ectópica de GH por tumores neuroendócrinos. TABELA 02 Causas de acromegalia Mecanismo Etiologias Excesso de GH de origem hipofisária Adenoma hipofisário (95% dos casos) • Somatotropinoma (GH) • Mamossomatotropinoma (GH e Prolactina) • Adenomas pluri-hormonais (GH, Prolactina, TSH e ACTH) Carcinoma hipofisário Síndromes familiares • Neoplasia endócrina múltipla tipo 1 • Acromegalia familiar • Síndrome de McCune-Albright • Complexo de Carney Excesso de GH de origem extra-hipofisária Tumor de ilhotas pancreáticas Linfoma Iatrogênica (GH exógeno) Excesso de GHRH (Respondem por menos de 2% das causas de acromegalia) Fonte central • Hamartoma hipotalâmico • Coristoma • Ganglioneuroma Fonte periférica • Carcinoide brônquico • Tumor de ilhotas pancreáticas • Câncer de pulmão de pequenas células • Adenoma adrenal • Carcinoma medular da tireoide • Feocromocitoma TSH: hormônio estimulante da tireoide. ACTH: Hormônio adrenocorticotrófico. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 10 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA Quando a hipersecreção de GH acontece antes do fechamento das placas epifisárias (crianças e adolescentes), observa-se um quadro de gigantismo. Acromegalia é um diagnóstico exclusivo de pacientes com placas de crescimento inativas (fechadas). 1.3 APRESENTAÇÃO CLÍNICA Atenção redobrada a partir de agora! Vamos entrar no tópico mais importante da aula. Estamos falando de uma doença insidiosa cujo tempo médio entre o primeiro sintoma e o diagnóstico é de 12 anos. Quando uma suspeita de acromegalia chega ao consultório, é prática comum solicitarmos algum documento de identificação com foto do paciente para compararmos com as feições atuais. A diferença de fácies costuma ser notória, mas pacientes e familiares acabam por não percebê-la devido à progressão lenta da doença. Podemos dividir a apresentação clínica da acromegalia em três categorias de sinais e sintomas: • alterações compressivas; • alterações metabólicas; • alterações somáticas. 1.3.1 ALTERAÇÕES COMPRESSIVAS Nessa categoria, temos os sinais e sintomas que são explicados pela simples existência física do tumor e que podem ser observados em outros tipos de massas hipofisárias. Ao diagnóstico, até 80% dos pacientes já terão macroadenomas (tumor hipofisário com diâmetro ≥ 10 mm) e alguns adenomas podem se estender para as regiões parasselares e supra-selares. Quanto maior o tamanho do tumor, maior a chance de o paciente apresentar sintomas compressivos, como cefaleia e defeitos de campos visuais (hemianopsia bitemporal, devido à compressão do quiasma óptico). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 11 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA AS RELAÇÕES DA HIPÓFISE FIGURA 03: Nessa ilustração, em plano coronal, podemos observar as íntimas relações da hipófise com o quiasma óptico, o seio cavernoso e as artérias carótidas internas. Ainda não chegamos na parte de diagnóstico imagenológico, mas consideramos que a correlação radiológica será mais bem aproveitada neste momento da aula. Assim, você poderácomparar a ilustração da FIGURA 03 com as imagens radiológicas a seguir: IMAGEM 01: Planos coronal (à esquerda) e sagital (à direita) de uma ressonância nuclear magnética de sela túrcica. Evidenciado um macroadenoma secretor de GH de 2,3 cm em seu maior diâmetro. Outros achados dignos de nota são: ◊ infradesnivelamento do assoalho selar para o interior do seio esfenoidal (sela alargada); ◊ haste hipofisária rechaçada para cima; ◊ compressão do quiasma óptico e do assoalho terceiro ventrículo. Fonte: Acervo pessoal da professora m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 12 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA Outro efeito compressível possível é a interferência na secreção dos demais hormônios hipofisários, ou seja, o somatotropinoma cresce a ponto de prejudicar a funcionalidade das demais populações celulares da hipófise. Isso ocorre com mais frequência com os gonadotropos e por isso não é raro que homens e mulheres portadores de acromegalia tenham hipogonadismo hipogonadotrófico associado. Aliás, vamos relembrar como a deficiência de gonadotrofinas (FSH e LH) se manifesta em cada sexo, pois é um detalhe abordado em algumas questões de prova. Hipogonadismo no homem • Disfunção erétil • Perda da libido • Rarefação dos pelos faciais • Diminuição do volume testicular Hipogonadismo na mulher • Irregularidade menstrual • Fogachos • Atrofia e ressecamento vaginal Em até 30% dos casos, os pacientes terão hiperprolactinemia associada, o que poderá se justificar por duas razões: “efeito haste” ou produção tumoral de prolactina. • “Efeito haste” – a liberação de prolactina encontra-se sob inibição tônica da dopamina (derivada dos neurônios dopaminérgicos do hipotálamo). Os tumores perisselares que afetam as vias dopaminérgicas podem anular a inibição dopaminérgica sobre os lactotrofos, o que se traduz em hiperprolactinemia. Tal fenômeno é chamado de “efeito haste” porque decorre do desvio da haste hipofisária pelo efeito de massa causado pelo tumor. • Produção tumoral de prolactina – quando o tipo celular responsável pelo excesso de GH é um mamossomatotropo, o adenoma hipofisário secretará prolactina, para além do GH. Como distinguir se a hiperprolactinemia se origina do “efeito haste” ou de uma hipersecreção tumoral? A história clínica e a propedêutica imagenológica certamente ajudarão nessa definição, mas uma dica laboratorial útil para essa distinção será a seguinte: » no “efeito haste”, a prolactina costuma ser inferior a 200 ng/mL. Deficiências de TSH e ACTH ocorrem com menos frequência que o hipogonadismo e a hiperprolactinemia. 1.3.2 ALTERAÇÕES METABÓLICAS Por ser um antagonista da insulina, o GH favorece o surgimento de resistência insulínica, hiperinsulinemia compensatória, diminuição da tolerância à glicose (em 50% dos casos) e diabetes mellitus (em 10%–15% dos casos). Pelo aumento da lipólise, alguns pacientes podem evoluir com hipertrigliceridemia, mas a alteração bioquímica mais frequente é a hiperfosfatemia, presente em 70% dos pacientes. O IGF-1 estimula a reabsorção renal de fosfato. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 13 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA 1.3.3 ALTERAÇÕES SOMÁTICAS Nesta categoria, podemos observar os sinais e sintomas decorrentes da ação trófica do binômio GH/IGF-1 nos mais variados tecidos (TABELA 03). TABELA 03 Acromegalia – sinais e sintomas somáticos (tróficos) Pele e partes moles • Fácies grosseira • Aumento do nariz e dos ossos frontais • Macrognatia (mandíbula aumentada) • Macroglossia (língua aumentada) • Diastemas (afastamento dos dentes) • Apneia obstrutiva do sono e rouquidão (decorrentes do crescimento dos tecidos moles da faringe e laringe) • Mãos e pés aumentados e edemaciados • Pele espessada e acentuação das pregas cutâneas • Papilomas cutâneos (skin tags) • Hiperidrose • Aumento da oleosidade cutânea • Hirsutismo e crescimento capilar aumentado • Síndrome do túnel do carpo (por compressão e edema do nervo mediano) Ossos e articulações • Artropatia hipertrófica dos joelhos, tornozelos, quadris, coluna vertebral e outras articulações • Disfunção temporomandibular • Lombalgia e cifose • Osteoporose decorrente do hipogonadismo Crescimento visceral (visceromegalias) • Tireoide • Coração • Fígado • Intestino redundante • Pulmões • Rins • Próstata • Glândulas salivares Doenças cardiovasculares • Hipertensão • Insuficiência cardíaca (em até 10%) • Hipertrofia ventricular esquerda • Cardiomiopatia • Doenças valvulares • Doença arterial coronariana • Doença cerebrovascular Efeitos colônicos • Neoplasias • Doença diverticular m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 14 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA Uma vez que você foi apresentado(a) às alterações somáticas sistematizadas na TABELA 03, vamos trazer imagens para ilustrar dois achados clínicos que já foram cobrados em prova e cujos termos não são autoexplicativos. IMAGEM 02: Mão normal à esquerda e “dedos em salsicha à direita”. Esse aspecto é conferido pelo crescimento dos tecidos moles e do edema em mãos. É comum os pacientes queixarem-se de que não conseguem mais inserir anéis ou que seus sapatos deixaram de servir. MAGEM 03: Até 45% dos pacientes acromegálicos apresentam papilomas cutâneos (skin tags) em tronco. Não está claro se essas lesões são decorrentes de efeitos diretos do IGF-1 ou se decorrem da resistência insulínica gerada pelo excesso de GH. O certo é que alguns estudos de série de casos relatam que há uma associação entre a presença de papilomas cutâneos e a existência de pólipos colônicos nos pacientes com acromegalia. CAI NA PROVA (HOSPITAL AUSTA – CENTRO MÉDICO RIO PRETO LTDA – 2019) Durante uma consulta médica em um posto de saúde, observa-se um paciente, masculino, 42 anos, apresentando diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica de difícil controle. Notamos a presença de fácies de característica grosseira, protuberância da mandíbula, lábios e sobrancelhas grossas e pavilhão auricular aumentado. A alteração semiológica NÃO esperada em um exame mais minucioso é: A) Dedos em salsicha. B) Aumento recente no número do tamanho dos calçados. C) Fisionomia modificada comparada com fotos prévias. D) Aumento considerável na estatura nos últimos meses. Fonte: Shutterstock Fonte: Shutterstock m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 15 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA COMENTÁRIOS: A questão descreve sinais semiológicos sugestivos de acromegalia em um paciente masculino de 42 anos, e devemos procurar a alternativa que traz algum sinal semiológico que não seja característico da doença ou que não tenha a possibilidade de acontecer no paciente em questão. Corretas as alternativas A, B e C. As três alternativas trazem dados compatíveis com a suspeita clínica de acromegalia. Incorreta a alternativa D. Um paciente acromegálico de 42 anos não evoluiria com crescimento estatural por uma simples razão: suas placas de crescimento estão fechadas desde a adolescência. (INSTITUTO NACIONAL DE TRAUMATOLOGIA E ORTOPEDIA – INTO – 2016) Paciente do sexo feminino, 48 anos de idade, procura médico da família por apresentar amenorreia, fogachos, sudorese e fortes dores articulares (pés, mãos e articulação temporomandibular) nos últimos seis meses. Refere diagnósticos recentes de hipertensão ediabetes, fazendo uso de metformina e losartan regularmente. Nega história familiar de hipertensão e diabetes mellitus. Não é tabagista ou etilista. Ao exame físico, apresenta índice de massa corporal de 24,0 kg/m², dedos de mãos e pés edemaciados e prognatismo. Qual o provável diagnóstico da paciente? A) Acromegalia. B) Síndrome de Cushing. C) Prolactinoma. D) Síndrome metabólica. E) Doença de Addison. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa A. O enunciado não poderia ser mais clássico, pois descreve vários estigmas somáticos e metabólicos da acromegalia. Além disso, nossa paciente apresenta-se com hipogonadismo, que pode ser decorrente da supressão da secreção de gonadotrofinas ou da hiperprolactinemia, que acompanha a acromegalia em 30% dos casos. Os diagnósticos recentes de hipertensão e diabetes mellitus reforçam ainda mais nossa principal suspeita diagnóstica. As demais alternativas andam longe de justificar a clínica apresentada pela paciente. Apesar de não serem temas deste livro digital, vamos relembrar rapidamente do que se trata cada uma dessas comorbidades. • A síndrome de Cushing é suspeitada na presença de sinais e sintomas sugestivos de hipercortisolismo: ganho de peso (de predomínio visceral), pletora, fácies em lua-cheia, alterações menstruais, redução da libido, hirsutismo, hipertensão, equimoses (estrias violáceas), letargia, depressão, giba dorsal, fraqueza muscular proximal e intolerância à glicose. • Prolactinoma é o adenoma hipofisário secretor de Prolactina. A hiperprolactinemia, em mulheres na pré- menopausa, causa hipogonadismo, com sintomas que incluem infertilidade, oligomenorreia ou amenorreia. Um sintoma bastante característico desse distúrbio é a galactorreia, entretanto a maioria das mulheres com hiperprolactinemia não o apresenta. • Vamos relembrar os critérios diagnósticos de síndrome metabólica pelo NCEP ATP III (National Cholesterol Education Program Adult Treatment Panel III) – ressaltando que o paciente ganha o diagnóstico se preencher pelo menos três dos cinco critérios: ◊ Circunferência abdominal ≥ 102 cm em homens e ≥ 88 cm em mulheres. ◊ Triglicerídeos ≥ 150 mg/dL ou tratamento medicamentoso para hipertrigliceridemia. ◊ Lipoproteína de alta densidade (HDL) 0,4 ng/mL RM de sela túrcica Aumentado ou Limítrofe GH após 75g de glicose DOSAR IGF-1 APRESENTAÇÃO CLÍNICA SUGESTIVA DE ACROMEGALIA ou CONJUNTO DE COMORBIDADES SUGESTIVAS DE ACROMEGALIA ou TUMOR HIPOFISÁRIO Diagnóstico excluído FIGURA 04: Investigação da suspeita clínica de acromegalia. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 19 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA Em algumas situações, o paciente pode ter dificuldades para produzir IGF-1 adequadamente; nesses casos, na suspeita de acromegalia, é mais prudente realizar o teste de supressão do GH, mesmo que o valor do IGF-1 venha normal. Situações que cursam com redução nos níveis séricos de IGF-1: • Hipotireoidismo • Desnutrição • Diabetes mellitus tipo 1 mal controlado • Insuficiência hepática • Insuficiência renal • Uso de estrogênio oral CAI NA PROVA (HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE – HCPA – 2013) Analise a tabela abaixo, que contém dados relativos à prevalência de manifestações clínicas de determinada doença, e a figura que reproduz o aspecto usual da fácies e da mão de pacientes acometidos (VER IMAGEM). Assinale a alternativa que preenche, CORRETA e respectivamente,as lacunas da frase a seguir: “A causa mais comum deste quadro clínico é a presença de um tumor _______. Para confirmar a etiologia, a avaliação hormonal deve incluir dosagem de _______, que se mostrará _______.” A) Hipofisário - GH (hormônio do crescimento) após sobrecarga oral de glicose - não suprimido. B) Hipotalâmico - IGF-1 (Insulin-like Growth Factor 1) - elevado. C) Hipofisário - GH à meia-noite - elevado. D) Hipotalâmico - GH após sobrecarga oral de glicose - suprimido. E) Hipofisário - IGF-1 - reduzido. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 20 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA COMENTÁRIOS: A imagem traz os dados de prevalência de uma série de manifestações clínicas de acromegalia: • aumento de extremidades; • alterações craniofaciais; • artralgias; • hiperidrose; • síndrome do túnel do carpo; • pólipo intestinal; • adenocarcinoma intestinal; • diabetes mellitus ou intolerância à glicose; • hipertensão arterial. Correta a alternativa A. Em 95% dos casos, a gênese do problema estará na hipófise, portanto, sobram as alternativas A, C ou E. Os dois exames laboratoriais que poderiam ajudar na investigação do caso são o IGF-1 (indicando rastreio positivo, se elevado) e o GH após sobrecarga oral de glicose (confirmatório quando não suprimido). (HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – HCFMRP-USP – 2018) Homem, 52 anos, refere hiperidrose e artralgia generalizada há 5 anos, galactorreia e disfunção erétil há 1 ano. Há 5 meses com cefaleia diária e alteração de campo visual. Diabetes mellitus e hipertensão arterial há 4 anos e síndrome de apneia obstrutiva do sono há 3 anos. Exame físico: peso = 92 kg; estatura = 1,85 m; circunferência abdominal = 113 cm; FC = 80 bpm; PA = 140 X 90 mmHg. Restante nas figuras abaixo. Qual é o exame que confirma a hipótese diagnóstica mais provável? A) Prolactina. B) GH (hormônio do crescimento). C) IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina 1). D) Testosterona. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 21 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA COMENTÁRIOS: Correta a alternativa C. Enquanto uma questão anterior trouxe um caso de hipogonadismo decorrente de acromegalia em uma paciente do sexo feminino, essa questão nos oferece uma oportunidade de fixarmos o quadro de hipogonadismo por acromegalia no sexo masculino, bem como outras alterações compressivas (hiperprolactinemia, cefaleia e alteração do campo visual). Além disso, o paciente tem hiperidrose, artralgia, apneia obstrutiva do sono e síndrome metabólica (diabetes mellitus, hipertensão arterial e circunferência abdominal aumentada). Mas, o examinador deseja saber que exame você solicitaria para confirmar nossa principal hipótese diagnóstica. O mais correto seria alguma alternativa que conjugasse a dosagem de IGF-1 com a dosagem de GH após sobrecarga oral de glicose, entretanto nenhuma alternativa contempla essa associação. Se você tiver que escolher entre uma dosagem basal de GH e uma dosagem basal de IGF-1, escolha sempre a segunda opção. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 22 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA 1.5 TRATAMENTO 1.5.1 METAS TERAPÊUTICAS Antes de mais nada, é preciso que você saiba quais são os alvos a serem perseguidos ao longo do tratamento da acromegalia, independentemente da opção terapêutica escolhida. No quadro abaixo, colocamos essas metas em destaque. Alvos terapêuticos do tratamento da acromegalia: • Normalização dos níveis séricos de IGF-1. • Redução do GH para níveis séricosse apresentem com sinais e sintomas leves de excesso de GH, pode-se optar por realizar um trial terapêutico com Cabergolina, desde que os níveis séricos de GH sejam inferiores a 1,3 mcg/L (lembre-se de que a Cabergolina é a medicação com menor potência de redução do IGF-1). Terapia farmacológica primária Há três situações específicas nas quais a abordagem cirúrgica deixa de ser a primeira escolha terapêutica e o tratamento farmacológico torna-se a primeira opção: • Adenomas extensos e impossíveis de serem manipulados devido ao íntimo contato com os seios cavernosos. • Paciente com status clínico que não permita a realização do procedimento ou recusa do paciente em submeter-se à cirurgia. • Quando o paciente possuir apresentação clínica que dificulte a indução anestésica ou a abordagem cirúrgica, por exemplo: edema laríngeo e macroglossia graves, apneia obstrutiva do sono grave e insuficiência cardíaca descompensada. Os mesmos princípios de ordem de preferência em relação às opções terapêuticas, já explicados no tópico anterior, aplicam-se aqui. Radioterapia – uma terceira linha terapêutica A radioterapia pode ser uma opção nos seguintes casos: • Intolerância ou falência da terapia medicamentosa. • Adenomas agressivos ou de comportamento atípico. • Recusa do paciente em submeter-se à cirurgia ou à terapia farmacológica de longo prazo. CAI NA PROVA (FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS – UFT – 2013) Paciente do sexo masculino, 42 anos, com queixa crônica de hiper- hidrose difusa, artralgias, fadiga e cefaleia. HAS diagnosticada há 10 anos e compensada com losartana 100 mg/dia. Ao exame físico, apresenta: IMC = 21. Face com acentuação dos malares, prognatismo e diastemas. Pele espessada com papiloma cutâneo em dorso e coxa direita. Quirodáctilos tipo “salsicha”. Hepatomegalia indolor discreta. Bócio difuso (2x VR). Exames iniciais: ecocardiograma = cardiomegalia com hipertrofia concêntrica de VE e FE = 78%; FAN = não reagente; USG abdome = hepatomegalia e esteatose leve. Ressonância crânio/sela turca com nódulo 1,5 cm hipocaptante em adeno-hipófise envolvendo seio cavernoso esquerdo e desvio de haste hipofisária. TSH = 2,1 mcUI/mL (VR = 0,35-4,2); T4L = 0,6 ng/dL (0,8-1,76); HGH basal = 20 ng/mL; prolactina = 30 ng/dL (VR até 16 ng/dL); IGF- 1 acima do VR para idade. O diagnóstico principal do caso clínico acima é: A) Macroprolactinoma funcionante. B) Incidentaloma hipofisário com hipotireoidismo primário. C) Somatotropinoma hipotalâmico. D) Acromegalia por macroadenoma hipofisário. E) Acromegalia por microadenoma hipofisário. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 25 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA COMENTÁRIOS: Temos um paciente com sinais e sintomas clínicos de acromegalia, GH basal “aparentemente” aumentado, IGF-1 acima do valor de referência e um tumor hipofisário com diâmetro superior a 10 mm. Antes de mais nada, saiba que a Diretriz Brasileira de Acromegalia, publicada em 2011, colocava a solicitação do GH basal como uma conduta diagnóstica correta (o que não é corroborado pela literatura médica vigente). Não há dúvidas sobre qual seria a principal hipótese diagnóstica, mas o examinador colocou algumas alternativas com termos semelhantes para confundir você. Vamos analisar uma por uma: Incorreta a alternativa A. O efeito de massa do macroadenoma está causando duas alterações hormonais adicionais: • Hipotireoidismo central (TSH inapropriadamente normal frente a um T4 livre baixo). • Hiperprolactinemia (provavelmente devido ao “efeito haste”). Portanto, trata-se de um macroadenoma, mas os níveis séricos modestos de prolactina não favorecem a hipótese diagnóstica de prolactinoma. Incorreta a alternativa B. O incidentaloma hipofisário é definido como uma lesão detectada em um estudo de imagem realizado por outros motivos que não sejam sinais e sintomas de doenças hipofisárias. Nesse caso, a imagem já foi solicitada pela suspeita de acromegalia, logo, por definição, o termo “incidentaloma hipofisário” é inadequado. Incorreta a alternativa C. Somatotropinoma é um sinônimo para “adenoma hipofisário produtor de GH”, ou seja, não existem somatotropinomas hipotalâmicos. Correta a alternativa D e incorreta a alternativa E. Trata-se de um macroadenoma hipofisário, uma vez que a lesão é superior a 10 mm. (FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS – UFT – 2013) Sobre o caso clínico acima, assinale a alternativa INCORRETA: A) A adenomectomia transesfenoidal ou cirurgia de Debulking é aconselhável neste caso, podendo ser precedida ou complementada posteriormente com tratamento farmacológico. B) A hiperprolactinemia pode ser decorrente do “efeito haste”. C) Pode ocorrer hipopituitarismo parcial reversível por compressão da adeno-hipófise normal. D) Os papilomas cutâneos são marcadores da presença de pólipos colônicos. E) O tratamento farmacológico primário de escolha seria com agonista dopaminérgico tipo cabergolina. COMENTÁRIOS: O enunciado refere-se ao caso clínico da questão anterior. Correta a alternativa A. Quando os macroadenomas são adjacentes a alguma estrutura nobre, sugere-se o procedimento de debulking tumoral (retirada parcial do tumor) seguido da terapia farmacológica. Nesse caso, a lesão tem contato íntimo com o seio cavernoso esquerdo, ou seja, o ideal seria indicar a terapia farmacológica primária, para reduzir as dimensões do tumor, e só então indicar o debulking tumoral. Podemos dizer que a alternativa não está perfeita, mas não é de todo errada. Correta a alternativa B. Já percebemos o porquê de essa prolactina estar marginalmente aumentada: é uma consequência da compressão da haste hipofisária. Correta a alternativa C. Os tumores perisselares, por seus efeitos compressivos, podem causar prejuízo na síntese e secreção de qualquer série hormonal hipofisária, inclusive das gonadotrofinas. Correta a alternativa D. Como ressaltamos na IMAGEM 03, alguns estudos associam a presença de papilomas cutâneos à existência de pólipos colônicos em pacientes acromegálicos. Incorreta a alternativa E. As medicações de primeira escolha para o tratamento da acromegalia são os análogos da somatostatina e o pegvisomanto. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 26 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA 2.0 INCIDENTALOMA HIPOFISÁRIO Incidentaloma hipofisário (IH) é toda lesão hipofisária detectada em um exame de imagem realizado por outros motivos que não sejam sinais e sintomas associados a doenças hipofisárias. Frente a esse achado, precisamos fazer três perguntas: Há hipossecreção de algum hormônio hipofisário? Há hipersecreção de algum hormonio hipofisário? A anatomia da lesão ameaça estruturas adjacentes? INCIDENTALOMA HIPOFISÁRIO Há uma vasta discussão sobre que dosagens hormonais devemos solicitar frente a um IH. Alguns especialistas defendem que se deve solicitar uma avaliação hormonal completa dos eixos hipofisários independentemente da existência ou não de apresentação clínica compatível com disfunção hormonal. Outros opinam que os exames só devem ser requisitados na vigência de clínica compatível com distúrbio funcional da hipófise. A despeito dessa discordância, a avaliação dos eixos hormonais visa excluir duas possibilidades: hiposecreção e hipersecreção dos hormônios hipofisários. Caso o IH seja descoberto por uma tomografia computadorizada (TC), recomenda-se que o paciente seja submetido a uma RM, para melhor avaliação das características e da extensão da lesão. Se a RM mostrar indícios de que a lesão possui contato próximo com o quiasma ou os nervos ópticos, o paciente deve ser submetido à avaliação oftalmológica.A própria diretriz da Endocrine Society, publicada em 2011, reforça que a forma como os IHs devem ser avaliados é um tema que carece de consenso entre os especialistas, portanto faz sugestões bastante flexíveis. Logo, vamos prestigiar as recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), já que se trata de uma publicação mais recente e assertiva. Entretanto, entenda que essas recomendações não são universais ou absolutas, são apenas o ponto de vista dos neuroendocrinologistas mais respeitados do País. CAPÍTULO m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 27 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA TABELA 05 Avaliação diagnóstica dos incidentalomas hipofisários – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Avaliação laboratorial Solicitar inventário hormonal de todos os eixos hipofisários: • Prolactina • IGF-1 • ACTH e Cortisol • LH e FSH (+ testosterona para homens) • TSH e T4 livre Avaliação oftalmológica Solicitar em todos os casos cuja RM evidencie contato da lesão com as vias ópticas. Deve incluir: • Fundo de olho • Avaliação da motricidade ocular extrínseca • Acuidade visual • Campimetria Segundo a Endocrine Society, em determinados casos a indicação cirúrgica é mandatória, já em outros é uma possibilidade a ser considerada: TABELA 06 Indicações de cirurgia transesfenoidal nos pacientes com incidentaloma hipofisário – Endocrine Society Cirurgia indicada se… Cirurgia deve ser ponderada se… • Déficit de campo visual decorrente da lesão. • Outras anormalidades visuais ou neurológicas decorrentes do efeito compressivo da lesão. • Lesão contígua aos nervos ou quiasma ópticos. • Apoplexia hipofisária com distúrbios visuais. • Tumores secretores (exceto prolactinomas, já que o tratamento inicial de escolha para os tumores secretores de prolactina são os agonistas dopaminérgicos). • Crescimento clinicamente significativo da lesão. • Hiposecreção de alguma linhagem hormonal da hipófise. • Lesão próxima ao quiasma óptico em paciente com desejo de engravidar. • Cefaleia persistente. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 28 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA Caso o paciente não tenha indicação de cirurgia transesfenoidal, deve ser acompanhado periodicamente. A frequência das reavaliações dependerá do tamanho da lesão, tal como demonstrado na tabela a seguir. TABELA 07 Seguimento dos pacientes com incidentaloma hipofisário sem indicação cirúrgica – Endocrine Society Microadenoma (Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 31 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA CAPÍTULO 5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS: “O ANJO FRANCÊS” Observe as fotos abaixo com atenção e tente encontrar os estigmas de acromegalia: IMAGEM 04: Fácies típica de paciente acromegálico. Podemos identificar: • fácies grosseira; • espessamento cutâneo; • acentuação das pregas cutâneas; • macrognatia; • orelhas e nariz aumentados; • dedos em salsicha. Esse senhor é um célebre lutador que viveu o auge da carreira na década de 1940, o francês Maurice Tillet, mais conhecido como "The French Angel”. Tillet era um jovem de 17 anos quando começou a apresentar os primeiros sinais e sintomas de acromegalia, tendo sido diagnosticado aos 19 anos de idade. Concluiu a graduação em Direito, mas sua aparência física e as implicações da doença na sua fala levaram-no a optar por nunca exercer a profissão de advogado. Percorreu vários ofícios, ao mesmo tempo em que convivia com o preconceito pela sua condição física. Quando tinha 33 anos, foi descoberto por um lutador lituano aposentado que veio a se tornar seu treinador e melhor amigo. Quatro anos depois, em 1940, foi sagrado campeão mundial pela American Wrestling Association. Teve uma célebre e profícua carreira como lutador, fosse pela sua força incomum, fosse pela curiosidade que sua aparência despertava no público. Era conhecido pelo seu temperamento dócil e simpático, a ponto de colocar-se à disposição para estudos e aferições dos cientistas da época (a todos impressionava o fato de Tillet conviver há tantos anos com uma doença que reduzia em muito a expectativa de vida dos casos acometidos). Faleceu em 1954, aos 50 anos de idade, devido às complicações cardiovasculares desenvolvidas ao longo de 33 anos m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 32 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA de doença, apenas algumas horas depois de saber que seu melhor amigo falecera de câncer de pulmão. Contamos-lhe essa história por duas razões. • Em primeiro lugar, é um exemplo do que há de mais clássico na acromegalia não controlada: alterações somáticas peculiares e aumento da mortalidade cardiovascular. • Em segundo lugar, é uma história sobre resiliência, a história de alguém que tirou o melhor proveito possível dos estigmas de uma doença extremamente limitante, dos pontos de vista físico, psicológico e social. Ao fim e ao cabo, Estrategista, a raridade reside nas doenças, mas a preciosidade é inerente às pessoas. Espero que essa história tenha servido a você como ilustração técnica, mas, acima de tudo, como inspiração, para continuar seus estudos com otimismo e fé em sua capacidade de superação. Como parte do nosso time, você conta não somente com um, mas com vários treinadores especialistas e apaixonados pelo que fazem e ensinam. Uma equipe que vai vibrar não somente com seus resultados, mas, principalmente, com cada um de seus esforços diários. Parabéns pela conclusão de mais um livro digital e conte sempre conosco. Cordialmente, Professora Maria Tereza Guerra m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 33 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA CAPÍTULO 6.0 LISTA DE IMAGENS E TABELAS Figuras • FIGURA 01: Padrão de secreção do hormônio do crescimento ao longo do dia. • FIGURA 02: Eixo GH/IGF-1. • FIGURA 03: Ilustração, em plano coronal, das íntimas relações da hipófise com o quiasma óptico, o seio cavernoso e as artérias carótidas. • FIGURA 04: Investigação da suspeita clínica de acromegalia. Imagens • IMAGEM 01: Planos coronal (à esquerda) e sagital (à direita) de uma ressonância nuclear magnética de sela túrcica. Evidenciado um macroadenoma secretor de GH de 2,3 cm em seu maior diâmetro. • IMAGEM 02: Mão normal à esquerda e “dedos em salsicha à direita”. • IMAGEM 03: Papilomas cutâneos (skin tags) em tronco. • FIGURA 04: Fácies típica de paciente acromegálico. Tabelas • TABELA 01: Reguladores da secreção do hormônio do crescimento • TABELA 02: Causas de acromegalia • TABELA 03: Acromegalia – Sinais e sintomas somáticos (tróficos) • TABELA 04: Opções farmacológicas no tratamento da acromegalia • TABELA 05: Avaliação diagnóstica dos incidentalomas hipofisários – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia • TABELA 06: Indicações de cirurgia transesfenoidal nos pacientes com incidentaloma hipofisário – Endocrine Society • TABELA 07: Seguimento dos pacientes com Incidentaloma hipofisário sem indicação cirúrgica – Endocrine Society m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Maria Tereza Guerra| Curso Extensivo | Maio 2022 34 Acromegalia e Incidentaloma HipofisárioENDOCRINOLOGIA m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://med.estrategia.com 1.0 Acromegalia 1.1 FISIOLOGIA DO HORMÔNIO DO CRESCIMENTO 1.1.1 SECREÇÃO e AÇÕES HORMONAIS 1.1.2 OUTROS REGULADORES 1.2 EPIDEMIOLOGIA E ETIOLOGIA 1.3 APRESENTAÇÃO CLÍNICA 1.3.1 ALTERAÇÕES COMPRESSIVAS 1.3.2 ALTERAÇÕES METABÓLICAS 1.3.3 ALTERAÇÕES SOMÁTICAS 1.4 DIAGNÓSTICO 1.4.1 QUEM DEVE SER INVESTIGADO 1.4.2 COMO INVESTIGAR 1.5 TRATAMENTO 1.5.1 METAS TERAPÊUTICAS 1.5.2 MEIOS TERAPÊUTICOS 2.0 Incidentaloma hipofisário 3.0 LISTA DE QUESTÕES 4.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS: “O anjo francês” 6.0 LISTA DE IMAGENS E TABELAS