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� Tutoria - SP 2.1 - Vai voltar… SITUAÇÃO PROBLEMA SP 2.1 Vai voltar... Ambrósio, atualmente com 55 anos, teve há 20 dias, Covid-19 confirmada, já está bem, mas, continua com à redução da percepção do gosto e do odor dos alimentos. Uma anamnese mais pormenorizada evidenciou os sintomas já estiveram mais acentuados na primeira semana da doença com perda total do olfato e paladar. Disse que foi o primeiro sintoma que percebeu da doença e até foi por isso que o deixaram fazer o teste que confirmou o Covid-19. Hoje, está com consulta marcada com sua médica do trabalho, Dra. Clair, para falar deste incômodo: Ambrósio: Boa Tarde Dra. Clair, queria que a senhora me explicasse por que eu ainda estou com estes sintomas... É muito ruim não sentir gosto nem cheiro de nada...hoje já está um pouco, mas, muito pouco ainda..., Dra. Clair: Boa tarde Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 1 Ambrósio, tenha calma, você mesmo já está dizendo que já está sentindo alguma coisa. Desde que você referiu essa anosmia e ageusia que hoje já são hiposmia e disgeusia; fui rever o assunto na literatura e inteirei-me do problema das alterações da gustação e do olfato em pacientes com Covid-19, só posso lhe dizer: vai volta. Pior Ambrósio quando isso ocorre em paciente que fazem quimioterapias... Ambrósio com os olhos arregalados responde: Doutora, não entendi nenhuma dessas palavras que a senhora falou... Só compreendi que vai voltar... Dra. Clair pede desculpas a Ambrósio e explica com detalhes e em palavras que ele compreende, o que acontece para haver perda de paladar e olfato na Covid19 e nos pacientes que fazem quimioterapia. Ambrósio então diz: Agora sim Doutora, vou até saber explicar para todos o que me acontece e o melhor: que vai voltar.. Problemas e hipóteses Redução da percepção do gosto e cheiro dos alimentos, que passou a ter a perda total do gosto e cheiro. A Dr. Clair utilizou termos técnicos para explicar algo relativamente simples. QUESTÃO DE APRENDIZAGEM CONCEITOS Anosmia/Hiposmia Hiposmia: perda parcial do olfato; Anosmia: perda total do olfato Ageusia/Disgeusia Disgeusia: perda parcial do paladar; Ageusia: perda total do paladar Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 2 Caracterizar a bioeletrogênese. O que é? Como funciona? O que é? É a capacidade celular de gerar potenciais elétricos pela membrana plasmática. É a propriedade de algumas células de gerar e alternar a diferença de potencial elétrico da membrana. Como funciona? A membrana plasmática é constituída por uma dupla camada de fosfolipídios, interrompida de espaço em espaço por moléculas de proteínas. Na face externa, aparecem ramificações de glicídios (polissacarídeos) presos à proteína ou ao lipídio. A membrana facilita ou dificulta a passagem de certas substâncias (permeabilidade seletiva). Essa passagem se faz de duas maneiras: transporte passivo (sem gasto de energia) e transporte ativo (com gasto de energia). O transporte passivo se refere ao movimento cinético molecular de substâncias com ou sem auxílio de uma proteína carreadora específica. Sem gasto de energia, portanto a favor do gradiente Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 3 de concentração. São exemplos de transporte passivo: difusão simples e difusão facilitada. Na difusão simples a substância passa através dos poros da membrana, a favor do gradiente de concentração sem gasto de energia. Um exemplo, disto, é a bomba de Na+_ K. Na difusão facilitada a substância necessita de uma proteína carreadora específica para transportá-la. O transporte ativo é realizado com ajuda de uma proteína carreadora (como a difusão facilitada) só que contra o gradiente de concentração, havendo, portanto, gasto de energia ATP. Um exemplo, disto, é a Bomba de Na+_ K ATPase A Bomba de Na+_ K ATPase explica a diferença de concentração desses íons dentro e fora da célula. A concentração de sódio Na+) fora da célula é Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 4 maior do que em seu interior, ocorrendo o oposto com o potássio K. O esperado é que, por difusão, esses íons se movam até que as concentrações se igualem, dentro e fora da célula. Mas isso não acontece porque as células estão constantemente gastando energia para bombear o Na+ e o K em sentido contrário à difusão. Uma das funções dessa bomba é criar uma diferença de cargas elétricas entre os dois lados da membrana, que então fica positiva na face externa e negativa na face interna. Essa diferença de cargas é importante para os fenômenos elétricos que ocorrem nas células nervosas e musculares. Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 5 O Potencial de Repouso PR devido à predominância de proteínas no interior da célula, o meio intracelular se mantém carregado negativamente em relação ao meio extracelular que se mantém carregado positivamente. Esta diferença de potencial é chamada de PR. Podemos dizer que, a membrana está polarizada e ao ser estimulada, uma pequena região da membrana torna-se permeável ao Na+ (abertura dos canais de sódio). Como a concentração desse íon é maior fora do que dentro da célula, o Na+ atravessa a membrana no sentido do interior da célula. A entrada de Na+ é acompanhada pela pequena saída de K. Esta inversão vai sendo transmitida ao longo do axônio, e todo esse processo é denominado onda de despolarização. Os impulsos nervosos ou potenciais de ação PA são causados pela despolarização da membrana além de um limiar (nível crítico de despolarização que deve ser alcançado para disparar o PA. Os potenciais de ação assemelham-se em tamanho e duração e não diminuem na medida em que são conduzidos ao longo do axônio, ou seja, são de tamanho e duração fixos. A aplicação de uma despolarização crescente a um neurônio não tem qualquer efeito até que se cruze o limiar e, então, surja o potencial de ação. Por esta razão, diz-se que os potenciais de ação obedecem à "lei do tudo ou nada". Imediatamente após a onda de despolarização ter-se propagado ao longo da fibra nervosa, o interior da Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 6 fibra torna-se carregado positivamente, porque um grande número de íons Na+ se difundiu para o interior. Essa positividade determina a parada do fluxo de íons Na+ para o interior da fibra, fazendo com que a membrana se torne novamente impermeável a esses íons. Por outro lado, a membrana torna-se ainda mais permeável ao K. Devido à alta concentração desse íon no interior, muitos íons se difundem, então, para o lado de fora. Isso cria novamente eletronegatividade no interior da membrana e positividade no exterior – processo chamado repolarização, pelo qual se restabelece a polaridade normal da membrana. A repolarização normalmente se inicia no mesmo ponto onde se originou a despolarização, propagando-se ao longo da fibra. Após a repolarização, a Na+_ K ATPase bombeia novamente os íons Na+ para o exterior da membrana, criando um déficit extra de cargas positivas no interior da membrana, que se torna temporariamente mais negativo do que o normal. A eletronegatividade excessiva no interior atrai íons K de volta para o interior (por difusão e por transporte ativo). Assim, o processo traz as diferenças iônicas de volta aos seus níveis originais. Para transferir informação de um ponto para outro no sistema nervoso, é necessário que o PA, uma vez gerado, seja conduzido ao longo do axônio. Um PA iniciado em uma extremidade de um axônio apenas se propaga em uma direção, não retornando pelo caminho já percorrido. Uma vez que a membrana axonal é excitável ao longo de toda sua extensão, o PA se propagará sem diminuir. A velocidade com a qual o potencial de ação se Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 7 propaga ao longo do axônio depende de quão longe a despolarização é projetada à frente do PA, o que, por sua vez, depende de certas características físicas do axônio: a velocidade de condução do potencial de ação aumenta com o diâmetro axonal. Axônios com menor diâmetro necessitam de uma maior despolarizaçãopara alcançar o limiar do potencial de ação. Nesses axônios, a presença de bainha de mielina acelera a velocidade da condução do impulso nervoso. Nas regiões dos nódulos de Ranvier, a onda de despolarização "salta" diretamente de um nódulo para outro, não acontecendo em toda a extensão da região mielinizada (a mielina é isolante). Ocorre um movimento saltatório, e via de conseqüência, um aumento da velocidade do impulso nervoso. O percurso do impulso nervoso no neurônio é sempre no sentido dendrito ? corpo celular ? axônio. Descreva anatomicamente o sistema olfatório O sistema olfatório, uma intrincada rede de estruturas desde as células sensoriais na mucosa nasal até a interpretação cerebral dos odores, compõe a base para a compreensão dos distúrbios olfatórios. O órgão olfatório constituído por parte da mucosa nasal e glândulas olfatórias é o órgão do sentido especializado na função do olfato. Para o odor chegar ao córtex cerebral e se tornar consciente outras estruturas anatômicas e muitas conexões são necessárias. A via de condução do odor tem início na região olfatória da cavidade nasal e segue até o córtex Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 8 cerebral. Nessa via aferente iremos encontrar: receptores e nervo olfatório, bulbo olfatório, trato olfatório e estrias olfatórias. O olfato humano distingue milhares de compostos voláteis devido aos quimiorreceptores na região olfatória da cavidade nasal, ocupando uma área de 2,0 a 2,5 cm². Com cerca de 50 milhões de células receptoras, cada uma com 8 a 20 cílios e imersas em uma camada mucosa de 60 µm, esses neurônios interagem apenas com substâncias voláteis solúveis em muco. Renovando-se a cada 4060 dias, as ramificações axonais alcançam o bulbo olfatório, formam glomérulos e se conectam às células mitrais, ampliando a sensibilidade do sinal olfatório enviado ao cérebro O nervo olfatório é um dos doze pares de nervos cranianos e representa o primeiro deles I par craniano). Trata-se de um nervo aferente especial que é responsável por conduzir informações sensoriais relacionadas ao olfato. Possui uma estrutura complexa, sendo composto por múltiplos filetes nervosos que atravessam a lâmina cribriforme do osso etmoide, localizada no teto da cavidade nasal. O n. olfatório é um nervo atípico, considerado uma projeção do SNC ou um trato nervoso exteriorizado do rinencéfalo. Além disso, o “nervoˮ olfatório não tem uma organização padrão, ou seja, um tronco nervoso em forma de cordão ou fita. Ele é constituído, na verdade, por várias pequenas fibras nervosas que se agrupam em pequenos feixes para cruzar a lâmina Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 9 cribriforme do osso etmoide, conduzindo informações olfatórias para o bulbo olfatório dentro da caixa craniana. Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 10 Fisiologia do sistema olfatório Os axônios das células do bulbo olfatório formam o trato olfatório, que é responsável por conduzir os sinais ao córtex cerebral - córtex sensitivo primário e amigdalas, para que possamos identificar e sentir os odores. Além disso, a comissura anterior possui fibras que conectam os bulbos olfatórios ao núcleo olfatório anterior. O trato olfatório é uma estrutura importante para o nosso sentido do olfato. Ele está localizado na face inferior do lobo frontal e tem cerca de 3 a 3,5 cm de comprimento. Esse trato é composto por axônios das células mitrais e tufosas do bulbo olfatório, que formam o trígono olfatório, ou seja, a área de expansão do trato olfatório que se divide em estrias olfatórias. De acordo com os estudos, nosso cérebro possui três tipos de estrias olfatórias: medial, lateral e intermédia. A estria olfatória lateral é a mais desenvolvida de todas e contém a maioria das fibras que transportam informações olfatórias para diferentes regiões do cérebro, como o giro para-hipocampal, o uncus, áreas pré-amigdalóides e pré-piriforme A estria olfatória medial, por sua vez, é mais fina e curta e apresenta fibras que atravessam a comissura anterior e Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 11 vão em direção ao bulbo olfatório do lado oposto. Essas informações olfatórias são transmitidas para diferentes áreas do cérebro, como o sistema límbico, o hipotálamo e o tálamo, o que é fundamental para o comportamento e as emoções humanas. O bulbo olfatório é reconhecido como o centro de codificação da identidade olfatória. A partir dele, a informação olfatória é direcionada ao córtex olfatório primário através do trato olfatório. O córtex olfatório primário abrange grandes áreas do lobo temporal ventral, sendo o córtex piriforme seu principal componente. Além disso, a informação olfatória é distribuída extensivamente por todo o cérebro. Nesse contexto, destaca-se o córtex orbitofrontal, considerado como córtex olfatório secundário. Pesquisas recentes apontam o envolvimento do tálamo na identificação olfativa, no processamento hedônico, no controle e atenção olfatória Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 12 Descreva anatomicamente o sistema gustativo Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 13 Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 14 Fisiologia do sistema gustativo Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 15 Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 16 Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 17 Mecanismo de estimulação - transdução no receptor Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 18 As substâncias hidrossolúveis, portanto solúveis na saliva, entram em contato com as papilas gustativas daí penetrando pelos poros gustativos no espaço cheio de líquido onde estão mergulhados os pêlos gustativos dos receptores. O contato da substância estimulante com a membrana do receptor provocaria mudanças físicas na mesma, com alteração do seu potencial negativo de repouso (potencial de membrana), havendo assim uma despolarização no receptor. Esta alteração do potencial da célula gustativa é o potencial gerador. Existem evidências de que a molécula da substância estimulante entre em interação com moléculas receptoras localizadas em certos pontos da membrana sensorial. A molécula receptora protéica modificaria a sua estrutura, isto provocando modificação da permeabilidade da membrana com fluxo de íons, despolarização e formação do potencial gerador. O tipo de substância receptora em cada pêlo gustativo interage com os tipos de substâncias específicas que provocarão respostas naquele receptor particular. Esta interação entre a molécula estimulante e a molécula do receptor é a base da teoria estereoquímica do gosto. É importante lembrar que é apenas uma teoria, mas nos ajuda a compreender certos aspectos fisiológicos da estimulação gustativa. Não explica entretanto certos fatos como, por exemplo, porque as sensações gustativas variam quando a concentração de uma substância é mudada. Os potenciais geradores dos receptores geram impulsos nas fibras gustativas aferentes, cuja freqüência depende do potencial gerador e da Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 19 intensidade do estimulo. Os neurônios que coletam informações dos botões gustativos respondem de maneira semelhante mas respondem mais a um tipo de estimulação do que outro. Cada neurômo coleta informações de vários botões gustativos (convergência) por isso os neurônios respondem a todos os tipos de estimulação enquanto que em certos corpúsculos isto não acontece. Os neurônios dos receptores gustativos produzem uma freqüência pequena de descarga de impulsos que seria uma freqüência espontânea de repouso na presença de saliva e ausência de outra estimulação. A introdução de um estímulo específico determina um aumento na freqüência de descarga por um período curto. O estimulo permanecendo, os neurônios reduzem a freqüência de descarga a um nível mais baixo; sendo o estímulo removido, os neurônios voltam à sua freqüência de descarga inicial. Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 20 Quando o estímulo gustativo é aplicado, a freqüência de descarga das fibras nervosas aumenta rapidamente por uma fração de segundo e se adapta emseguida havendo declínio da resposta para um nível inferior e constante. Deste modo uma informação intensa chega no sistema nervoso central de início, persistindo uma informação mais débil até terminar o estímulo. Este declínio na resposta ocorre devido aos receptores e neurônios dos botões gustativos. Como explicar o fato de que a redução da sensação gustativa leva mais tempo que o declínio da resposta neuronal, ou seja, de vários segundos a vários minutos? O declínio da resposta neuronal de fração de segundo não explica esta redução. Outro aspecto importante a ser lembrado é que os neurônios continuam a produzir impulsos enquanto o estimulo persistir, entretanto nossa sensação gustativa para aquela substância chega a desaparecer dentro de poucos minutos. Estes fatos seriam explicados se ocorresse uma adaptação adicional pelo tálamo e córtex. Isto deve ocorrer, porém a natureza do processo é desconhecida. Em termos de importância biológica da adaptação gustativa poderíamos partir da consideração que substâncias doces são importantes para a nutrição e não são tóxicas e que substâncias amargas tendem a toxicidade, como é o caso de venenos. Focalizando a sobrevivência é importante reconhecer os dois tipos de substâncias inicialmente, continuar tendo a sensação não é importante. Sendo uma fruta doce, ela é boa para a saúde, se está amarga não é boa para a saúde, basta a sensação inicial para esta Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 21 informação. A mudança da sensação apenas quando ocorre variação na estimulação é um processo econômico de recolher informações importantes, a continuação daquela estimulação não deve ser percebida ficando liberado o sistema nervoso para outras informações. Uma observação interessante a respeito da adaptação é a necessidade de se variar a estimulação ou limpar as áreas estimuladas com água ou vinho para facilitar a remoção de substâncias facilitando a sensação de novos sabores. Existem certos sabores que se reforçam alternando-se, daí, o clássico uso de peixe com vinho branco e carne com vinho tinto. Um alimento adocicado parece mais doce após uma sensação amarga e uma bebida ácida como suco de limão parece mais ácida após alimentos doces. Os impulsos gustativos dos dois terços anteriores da língua (papilas fungiformes) são conduzidos pelo nervo facial através da corda do tímpano. Os impulsos do terço posterior da língua (papilas circunvaladas) e faringe são transmitidos pelo nervo glossofaringeu. Principalmente em crianças, do palato mole, parede posterior da faringe epiglote os impulsos são transmitidos pelo nervo vago. As fibras gustativas fazem sinapse nos núcleos do trato solitário do bulbo. Os neurônios secundários vão terminar no tálamo ventral contralateral e formação reticular através do lemnisco medial, Os neurônios de terceira ordem entram em conexão com o córtex cerebral na região lateral do giro pós-central, na físsura de Sylvius. lobo parietal Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 22 Como é a interação desses sistemas? Os botões gustatórios presentes na boca nos permite sentir o sabor de cinco gostos básicos. Já o olfato nos ajuda a sentir o cheiro de milhões de Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 23 estímulos diferentes. O olfato tem papel primordial no comportamento alimentar, influenciando no apetite, na escolha e na ingestão dos alimentos. O sabor que percebemos quando comemos ou bebemos algo é proveniente de uma combinação entre o olfato e a gustação, denominado olfato retronasal. Na olfação retronasal, o fluxo de moléculas de odor proveniente da cavidade oral e da faringe entram pela parte de trás do nariz, através das estruturas chamadas coanas. Essas moléculas atingem o epitélio olfatório no momento em que há a movimentação da língua e da faringe durante a mastigação e a deglutição. O odor provoca uma resposta fisiológica em diferentes órgãos e sistemas que são responsáveis pela liberação de saliva, hormônios e enzimas digestivas. A relação intima entre os dois sentidos justifica a alteração gustatória (disgeusia) concomitante a uma hiposmia e anosmia. Fornazieri em um artigo relata que “não sentir bem o sabor dos alimentos indica na maioria dos casos uma alteração olfatória e não do paladar .ˮ Precisamente em 95% dos Quais/Como os fatores alteram/afetam os sistemas olfatório e gustativo? Doenças, orientações, recuperação) Segundo as causas: Fisiológicas: envelhecimento. Congênitas: síndrome de Kallmann (associação de anosmia com hipogonadismo hipogonadotrófico) ou anormalidades do desenvolvimento craniofacial. Adquiridas: rinossinusites, polipose nasal, rinites, exposição a tóxicos Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 24 (tetracloreto de carbono, benzina, nicotina, etc.), traumas, alterações endócrinas, distúrbios da nutrição, tumores, idiopáticos e drogas que diminuem a percepção olfatória, como cocaína e álcool. Segundo a localização: Intranasal: que impedem a passagem de partículas odoríferas até a zona olfatória, ou lesam as terminações nervosas olfatórias, como pólipos, hipertrofia acentuada dos cornetos, edema permanente da rinite alérgica crônica, atrofia de mucosa nasal, síndrome de Sjögren, uso de cocaína, benzocaína, radioterapia, doenças granulomatosas, estado pós-virais e rinossinusites Extranasal intracraniana: tumor de lobo frontal, anosmia congênita seletiva, trauma, atrofia difusa senil, meningite, oclusão vascular cerebral, esclerose múltipla, miastenia gravis, Parkinson, hidrocefalia, tabes dorsalis Extranasal extracraniana: geralmente associados a causas metabólicas ou doenças sistêmicas como síndrome de Turner, disautonomia familiar, DM, pseudohipoparatireoidismo, déficit de vitamina A, hipotireoidismo, hepatite, IRC, pós-laringectomia, síndrome de Kalmann. Segundo tipos de perdas: Condutiva: obstrução do fluxo aéreo nasal como na rinossinusite crônica, rinite alérgica, pólipos, tumores. Sensorioneural: dano ou disfunção nervosa como na perda pós-viral, trauma craniano, toxinas, distúrbios congênitos, demências, tumores. Quais os impactos sociais relacionados às falhas dos sistemas sensoriais? As falhas nos sistemas gustativo (gosto) e olfatório (cheiro) podem ter impactos sociais distintos, afetando a maneira como as pessoas Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 25 experimentam e interagem com o mundo ao seu redor. 1. Socialização e Experiências Alimentares: O sistema gustativo desempenha um papel fundamental na apreciação dos alimentos e na socialização em torno das refeições. Indivíduos com perda de função gustativa podem enfrentar dificuldades em desfrutar de alimentos, o que pode impactar negativamente a qualidade de vida e a participação em eventos sociais centrados na comida. 2. Segurança Alimentar: A percepção do sabor é crucial para detectar alimentos estragados ou contaminados. A perda do sentido do paladar pode levar a um maior risco de ingestão de alimentos deteriorados, potencialmente resultando em problemas de saúde, como intoxicação alimentar. 3. Qualidade de Vida e Bem-Estar: A capacidade de saborear alimentos contribui significativamente para o prazer e o bem-estar geral. A perda do sentido do paladar pode levar a uma diminuição do prazer nas refeições e uma sensação de privação sensorial, afetando negativamente a qualidade de vida. 4. Integração Social e Autoestima: A participação em eventos sociais frequentemente envolve comida e bebida. Indivíduos com problemas no paladar podem se sentir excluídos ou deslocados em situações sociais onde a comida é o foco principal, o que pode impactar sua autoestima e autoconfiança. 5. Percepção de Ambientes e Segurança: O sistema olfatório desempenha um papel crucial na detecção de odores que podem sinalizar perigos, como vazamentos de gás, alimentos estragados ou incêndios. A perda do olfato pode resultar em uma menor capacidade de detectar esses sinais de alerta, aumentando os riscos à segurança pessoal e à saúde. 6. Interpretação deEmoções e Memórias: O olfato está intimamente Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 26 ligado à percepção de emoções e à formação de memórias. A perda do sentido do olfato pode afetar a capacidade de reconhecer e interpretar emoções em outras pessoas, bem como evocar memórias associadas a certos odores, o que pode ter implicações na comunicação e nas interações sociais Quais são os exames de imagem associados aos sistemas? (identificar estruturas e interpretação) Exames Complementares Como a rinoscopia anterior pode não detectar causas obstrutivas em até 51% dos casos, faz-se necessária a complementação do exame com a endoscopia nasal, cuja taxa de erro cai para 9%. A tomografia computadorizada com cortes finos dos seios paranasais até a base do crânio costuma ser solicitada na suspeita de deformidade nasal, tumores nasossinusais, pólipo e trauma. Já a ressonância nuclear magnética fica restrita aos casos de suspeita de invasão intracraniana por tumor nasossinusal, presença de outros déficits neurológicos ou se a história junto ao exame físico não sugerirem nenhuma causa. Esta permite avaliação do bulbo olfatório, tratos olfatórios e causas intracranianas de distúrbios da olfação. Estudos mostraram que pacientes com anosmia/hiposmia apresentam bulbos olfatórios com dimensões reduzidas. A tomografia por emissão de positrons mostra hipometabolismo nos córtex frontal e préfrontal em pacientes com anosmia pós-traumática. No futuro, Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 27 quando tornar-se uma tecnologia mais acessível, poderá ser útil na diferenciação entre lesão central e periférica. Diversos exames laboratoriais podem ser requeridos dependendo de alterações da história e exame físico. Os principais são: dosagem de hormônios tireoideanos, função adrenal, hemograma completo, glicemia de jejum, uréia, creatinina, teste alérgicos. Biópsias do neuroepitélio olfatório e processamento desse por hematoxilina eosina, imunoistoquímica ou microscopia eletrônica são usados essencialmente no âmbito experimental para que se estabeleça um maior entendimento entre alterações histológicas e diferentes manifestações clínicas. https://www.otorrinousp.org.br/imageBank/seminarios/seminario_75.pdf7 Ressonância Magnética Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 28 Raio X Tomografia Computadorizada Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 29 Tutoria SP 2.1 Vai voltar… 30