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Prévia do material em texto

Professora Esp. Emelise Bordim de Carvalho
DA TERAPIA OCUPACIONAL
HISTÓRIA E FUNDAMENTOS 
REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença 
DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto 
DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel
COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá
COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco
COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling 
 Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
 Caroline da Silva Marques 
 Eduardo Alves de Oliveira
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
 Hugo Batalhoti Morangueira
 Vitor Amaral Poltronieri
ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
DE VÍDEO Carlos Firmino de Oliveira 
 Carlos Henrique Moraes dos Anjos
 Kauê Berto
 Pedro Vinícius de Lima Machado
 Thassiane da Silva Jacinto 
 
 FICHA CATALOGRÁFICA
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
C331h Carvalho, Emelise Silva Bordim de
 História e fundamentos da terapia ocupacional / Emelise Silva
 Bordim de Carvalho. Paranavaí: EduFatecie, 2023.
 87 p. : il. Color.
 1. Terapia ocupacional. 2. Terapeutas ocupacionais. I. Centro 
 Universitário Unifatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. 
 III. Título.
 
 CDD: 23 ed. 615.8515
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas dos bancos de imagens 
Shutterstock .
2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
https://www.shutterstock.com/pt/
AUTORA
Professora Esp. Emelise Bordim
 ● Especialista em Educação especial e transtorno do Espectro Autismo
 ● Bacharel em Terapia Ocupacional pela Universidade Católica Dom Bosco, 
Campo Grande - MS.
 ● Formação Internacional em Integração Sensorial pela Clasi.
Ampla experiência como reabilitação neurológica, Reabilitação de mão.
A cinco anos em experiencia com Transtorno do espectro Autista e Integração sensorial.
4
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
Seja muito bem-vindo(a)!
Prezado(a) aluno(a), se você se interessou pelo assunto desta disciplina, isso já é 
o início de uma grande jornada que vamos trilhar juntos a partir de agora. Proponho, junto 
com você construir nosso conhecimento sobre os conceitos da história e dos fundamentos 
da Terapia ocupacional.
Além de conhecer seus principais conceitos e definições vamos explorar as mais 
diversas curiosidades sobre a nossa profissão. 
Na unidade I, começaremos a nossa jornada pela história da Terapia Ocupacional 
no Mundo, a história da terapia ocupacional no Brasil, os diferentes movimentos precursores 
da Terapia Ocupacional e os conceitos de Laborterapia, Praxiterapia e Ergoterapia.
Já na unidade II, vamos ampliar nossos conhecimentos na emergência das 
diferentes perspectivas teórico-metodológicas em Terapia Ocupacional, desde aquelas 
relacionadas à vertente médica da TO.
Ao Período da constituição da profissão nas décadas de 70 e 80, iremos explanar 
as áreas de atuação da origem a atualidade e descobrir o papel da Terapia Ocupacional em 
várias vertentes e em diferentes áreas de atuação.
Depois, nas unidades III e IV, vamos tratar especificamente Conceitos básicos 
da terapia ocupacional; Bases filosóficas e teóricas da prática; Estruturas de referência 
da terapia ocupacional; as especialidades da terapia ocupacional, e os ambientes para 
prática, Introdução ao estudo da atividade humana; Processo terapêutico ocupacional; 
Procedimentos parciais de avaliação do recurso de atividade; Atividades produtivas e de 
trabalho, atividades de reinserção social.
Aproveito para reforçar o convite a você, para junto conosco percorrer esta jornada 
de conhecimento e multiplicar os conhecimentos sobre tantos assuntos abordados em 
nosso material. Esperamos contribuir para seu crescimento pessoal e profissional. 
Muito obrigado e bom estudo!
SUMÁRIO
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Plano de Estudos
 ● História da Terapia Ocupacional no mundo;
 ● História da terapia ocupacional no Brasil;
 ● Movimentos precursores da Terapia Ocupacional;
 ● Conceito de Laborterapia, Praxiterapia e Ergoterapia.
Objetivos da Aprendizagem
 ● Proporcionar ao estudante o acesso ao material histórico sobre a Terapia 
Ocupacional;
 ● Fornecer leituras históricas sobre a terapia ocupacional no Brasil;
 ● Conceitualizar os meios de sua atuação;
 ● Aplicar os conhecimentos adquiridos em sua pratica acadêmica por meio 
dos estudos;
1UNIDADEUNIDADE
HISTÓRIA DAHISTÓRIA DA
TERAPIATERAPIA
OCUPACIONALOCUPACIONAL
Professora Esp. Emelise Silva Bordim de Carvalho
7UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
INTRODUÇÃO
 
Caro aluno, essa proposta do estudo, surge da compreensão de que é necessário 
buscar diferentes interconexões históricas que levaram à chegada da terapia ocupacional 
como profissão, bem como entender os movimentos que favoreceram a criação dos primeiros 
programas de formação profissional. Sendo está uma tarefa de extrema relevância para o 
entendimento da atual configuração do campo da terapia ocupacional. 
Sendo assim, é necessário entender os processos históricos de criação da terapia 
ocupacional, mais especificamente da formação profissional, nos diferentes países. Para 
isso, precisamos conhecer e compreender o conceito, a demanda histórica e identificar 
a necessidade os primeirose na independência do cliente em relação às atividades de 
vida diária, trabalho e lazer.”
Fonte: OLIVEIRA, A. Z. Terapia Ocupacional. IESB Centro Universitário, 2022. Disponível em: https://www.iesb.br/cursos/
terapia-ocupacional/ Acesso em: 10 jan. 2023.
https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/carreira/terapia-ocupacional-tudo-o-que-voce-precisa-saber
https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/carreira/terapia-ocupacional-tudo-o-que-voce-precisa-saber
https://www.iesb.br/cursos/terapia-ocupacional/
https://www.iesb.br/cursos/terapia-ocupacional/
41UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro aluno, quando falamos em compreender a história e a evolução da 
terapia ocupacional como profissão, objetivamos a formação de personalidades e 
identidades profissionais. 
As pesquisas de Piaget nos mostram, à exemplo do que Codó (1986) e Engels (1990) 
discutem e nos apresentam, que antes de pensar existia o fazer: é fazendo, agindo sobre 
o mundo que se diferenciam a consciência e o pensamento. É a partir da experiência, da 
ação, do fazer, que nós desenvolvemos e aprendemos a pensar e não o contrário. Por isso, 
nosso instrumento de trabalho – a atividade – é tão rico e fundamental no desenvolvimento 
de nossas ações terapêuticas.
Quando falamos da história da terapia ocupacional, sempre iniciamos partindo do 
pressuposto de a ocupação e a atividade servem para tratar, porem temos que salientar que 
a história da terapia ocupacional, só começa depois que ela e entendida e reconhecida como 
profissão. Antes disso só representam tentativas de compreensão de como a ocupação foi 
usada ao longo da história no tratamento de indivíduos acometidos por males físicos ou mentais. 
Diante disso, devemos ressaltar o valor do trabalho como agente modificador do 
planeta, onde determina o aparecimento da linguagem, o desenvolvimento manual e as 
manifestações socioculturais.
 
42UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
MATERIAL COMPLEMENTAR 
LIVRO
Título: Fundamentos da pratica em terapia ocupacional.
Autor: Rosemary Hagedorn.
Editora: medica Panamericana.
Sinopse: "Fundamentos para a Prática em Terapia Ocupacional" 
é um guia fácil de acompanhamento das teorias, modelos e 
estruturas de referência que respaldam a prática da terapia 
ocupacional. Não expõe ao leitor o que pensar e o que fazer, 
mas ao invés disso, oferece um guia de como pensar e como 
fazer as escolhas mais apropriadas. A compreensão da teoria 
que fundamenta a terapia ocupacional moderna é difícil para 
muitos estudantes. Nesta obra, Rosemary Hagedorn simplifica 
as complexidades e apresenta a informação ao leitor de uma 
maneira de fácil compreensão e assimilação. Como seus 
predecessores, esta terceira edição oferece uma introdução 
inestimável a todos os estudantes de terapia ocupacional e 
fornece atualização útil para aqueles que já estão na prática.
FILME/VIDEO
Título: TERAPIA OCUPACIONAL – PROFISSÃO
Ano: 2019.
Sinopse: Entrevista com Ana Leite, Terapeuta Ocupacional 
pela UFPE, Mestre em Design e Ergonomia e Especialista em 
Neuropsicologia.
Link de acesso: https://youtu.be/i-eaK12mpdw 
FILME/VIDEO
Título: Método da Terapia Ocupacional Dinâmica (por Jô Bene-
tton)
Ano: 2019.
Sinopse: Neste vídeo, a terapeuta ocupacional Dra. Jô Benetton 
explica o que é a Terapia Ocupacional Dinâmica, os métodos 
que envolvem a técnica e os pacientes.
Link de acesso: https://youtu.be/DNYZY7xnbCM 
https://youtu.be/i-eaK12mpdw 
 https://youtu.be/DNYZY7xnbCM 
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Plano de Estudos
 ● Conceitos básicos da terapia ocupacional;
 ● Bases filosóficas e teóricas da prática;
 ● Estruturas de referência da terapia ocupacional;
 ● As especialidades da terapia ocupacional, e os ambientes 
para prática.
Objetivos da Aprendizagem
 ● Proporcionar ao aluno conhecimentos teóricos sobre a terapia 
ocupacional;
 ● Entender quais as estruturas e formas de atuação;
 ● Contextualizar as áreas especificas que o profissional pode estabelecer 
suas práticas.
UNIDADEUNIDADE
FUNDAMENTOSFUNDAMENTOS
DE TERAPIADE TERAPIA
OCUPACIONAL OCUPACIONAL 
Professora Esp. Emelise Silva Bordim de Carvalho3
44UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
INTRODUÇÃO
 Caros (as) alunos (as), estamos na terceira unidade e já conhecemos um 
pouco da história da profissão, e agora depois de conhecê-la, iremos dar a introdução aos 
conceitos, práticas e fundamentos da profissão.
 Ao decorrer da sua prática, ouvirá inúmeras vezes o questionamento, sobre o 
que é terapia ocupacional, qual o objetivo da profissão, e nesta unidade, independente da 
área de atuação, é o que buscamos te fazer compreender, mostrar-lhes a base teórica para 
que você como profissional, consiga elaborar a sua própria definição.
Bem como lhes mostrar a estrutura e o processo, que são a base teórica sobre a 
qual se constrói a prática, tendo como objetivo elucidar que não há uma conduta única, 
ou seja, não há uma receita pronta, mais sim uma base teórica que irá nortear a prática 
profissional. Visamos incentivá-los a criar uma identidade própria, a desenvolver e elaborar 
um raciocínio clínico, baseado na teoria. 
Cabe também lembrá-los que iremos intervir com pessoas, seres completos e 
complexos, que atuam e modificam o ambiente e a sociedade, seres dotados de sentimentos. 
E cabe a nós terapeutas ocupacionais, devolver-lhes, dentro do possível, promover, facilitar 
e apoiar a saúde e a funcionalidade destes indivíduos.
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45UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
 1 CONCEITOS BÁSICOS DA TERAPIA 
OCUPACIONAL 
TÓPICO
1.1 Estrutura e prática de terapia ocupacional
 Muitas vezes durante a sua jornada nesta profissão, tão singular e completa, você 
ouvirá questionamentos sobre o que é a terapia ocupacional, então iniciamos esta unidade, 
nos aprofundando nas definições e no que realmente é a prática da terapia ocupacional, 
passando ligeiramente sobre áreas de atuação e a base teórica que conduzem a prática 
profissional.
Precisamos entender a terapia ocupacional como uma profissão que, abrange 
desde a área da saúde, da educação, e a social, por compreender o sujeito como um ser 
complexo, um organismo biopsicossocial, pensante e funcional. 
Diante disso, conseguiremos criar nossa própria identidade profissional, 
independente da área de atuação.
O Coffito, Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, define a terapia 
ocupacional, como uma profissão de nível superior, que está voltada aos estudos, a 
prevenção e ao tratamento de indivíduos que possuem alterações, sejam elas cognitivas, 
perceptivas ou psicomotoras, decorrentes ou não de distúrbios genéticos, traumáticos e/ou 
de doenças adquiridas, através da atividade humana como base de desenvolvimento de 
projetos terapêuticos específicos, de acordo com sua complexidade. 
Outra definição de é dada pela A World Federation of Occupational Therapy (WFOT, 
2012) define Terapia Ocupacional(T.O.) como uma profissão que se empenha na promoção 
de saúde e bem-estar através das ocupações, tendo como primeiro objetivo a viabilização 
da participação nas atividades de vida diária.
46UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
Os terapeutas ocupacionais, dentro da sua habilitação, são capacitados a avaliar 
inter-relações e a vivência nos contextos e ambientes dos clientes. Para além disso, 
entendem que a participação das pessoas nas ocupações se liga à “conexão mente-corpo-
espírito” e, abarcando esses aspectos considera potencializador o olhar holístico, diferente 
do direcionado e isolado exclusivamente para a função humana (AOTA, 2015, p. 07).
Pensando na descrição do termo participação, a Associação Americana de Terapia 
Ocupacional (AOTA) o entende como o envolvimento ativo nas ocupações e/ou atividades 
significativas (AOTA, 2015, p. 04). 
Entende-se então que essa profissão tem como fundamento o desenvolvimento e 
a manutenção das habilidades e capacidades e funções essenciais a realização pessoal, 
uma vida produtiva para si e o meio onde se encontra. Seu princípio de interesse está 
naqueles fatores que que servem como barreira para seu desenvolvimento e das habilidades 
funcionais necessárias as atividades básicas do indivíduo, tanto aqueles fatores que 
concorrem, influencia e incrementam suas realizações (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007).
Conhecendo agora algumas definições da terapia ocupacional, vemos que 
os conceitos de ocupação e atividade são eixos centrais para a Terapia Ocupacional e 
continua se ressignificando conforme a demanda, ou seja, o país, a cultura e o contexto 
histórico. Estas definições em diferentes épocas nos mostram que independente da época, 
o objeto centralizador da terapia ocupacional é a ocupação humana, um indivíduo funcional 
e produtivo, sempre buscando o bem-estar e uma melhor qualidade de vida, para os 
indivíduos que são atendidos pela terapia ocupacional (FRANCISCO, 1988).
Nos últimos anos, os termos ocupação e atividade têm sido teorizados entre os 
terapeutas ocupacionais; algumas vezes, esses termos são usados entrelaçados desde 
e nem sempre há consistência na maneira como eles são usados. O uso terapêutico da 
ocupação e da atividade é considerado como um elemento único e central da prática profis-
sional da Terapia Ocupacional. Porém, ainda existem confusões sobre como estes termos 
são usados (LOPES, 1990).
De acordo com as várias definições e conceitos que nos são passados, trazem 
uma ideia de que a terapia ocupacional, tem como objetivo assumir o papel de promoção 
o homem. Surgindo então a pergunta, da visão, do profissional, o que significaria promover 
o homem. Sendo assim, podemos de maneira mais ampla dizer que, está promoção se dá 
através do desenvolvimento da personalidade e da funcionalidade ou potencialidades da 
capacidade humana (AOTA, 2015). 
Dado algumas definições de ocupação e a promoção do homem, iremos definir a 
estrutura e a pratica da terapia ocupacional, que é um documento oficial da Associação 
47UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
Americana de Terapia Ocupacional (AOTA), que é destinado a todos profissionais de tera-
pia ocupacional, estudantes e profissionais de outras áreas da saúde, que apresenta um 
resumo dos construtos que descrevem as práticas da profissão.
O propósito deste documento é fornecer uma base sobre a qual se constrói um 
conceito que fundamentam a pratica da profissão e constroem uma compreensão e uma 
visão comum dos princípios básicos da profissão, não sendo uma taxonomia ou modelo. 
Este rol deve ser utilizado em conjunto com conhecimento e evidências científicas dentro 
de cada área de atuação de escolha profissional. A clientela da Terapia Ocupacional, são 
normalmente classificados como:
 ● Pessoas: aqueles que estão envolvidos no cuidado do cliente;
 ● Grupos: coletivos de pessoas, ou seja, famílias, comunidades etc;
 ● Populações: grupo de indivíduos que convivem em mesmo ambiente como 
por exemplo, cidades e estados.
Esta estrutura é dividida em duas vertentes principais o domínio e processo, sendo 
o domínio definido pelas competências da profissão e as áreas de conhecimento e atuação 
de cada profissional. E o processo, sendo definido pelas atitudes desempenhadas pelos 
profissionais durante o exercício da profissão. embora cada um tenha sua própria definição, 
eles estão intrinsicamente ligados, com uma interação constante um com o outro, em sín-
tese, é através da atenção conjunta entre estruturas fisiológicas, conhecimento cientifico, 
rotina, habilidades e atenção voltada ao cliente como um ser funcional, que se dá a melhora 
no desempenho ocupacional (CAVALCANTI e GALVÃO, 2007).
A afirmação mais abrangente que descreve o domínio e o processo, em seu sentido 
mais amplo, seria a de que alcançar a saúde, bem-estar e participação na vida por meio do 
envolvimento na ocupação. 
1.2 Domínio
Todos os aspectos do domínio, servem para apoiar o envolvimento, a participação 
e a saúde, os profissionais de terapia ocupacional estão habilitados a avaliar os aspectos 
do domínio (descritos no quadro 1) e suas inter-relações descritas na gravura 1. Os pro-
fissionais, entendem a importância da relação, mente-corpo-espirito, e entendem o cliente 
como um ser biopsicossocial, entendendo a profissão como de uma maneira singular, única 
e valiosa. 
48UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
1.3 Ocupações
Saber sobre as ocupações são fundamentais para identidade e competência dos 
clientes, refere-se as atividades desenvolvidas pelo cliente, que ocorrem em contexto e 
são influenciadas pelas habilidades e padrões de desempenho, elas têm um propósito e 
podem resultar em vários efeitos. A ocupação é usada para significar tudo o que as 
pessoas querem, devem ou podem fazer seja ela de natureza física, social sexual... é todo 
o aspecto real do fazer, ser e se tornar humano, é o que torna o ser humano funcional e 
produtivo (AOTA, 2015).
Profissionais de terapia ocupacional reconhecem que saúde é apoiada e mantida quando 
os clientes são capazes de envolver-se em casa, na escola, em locais de trabalho e na vida 
comunitária. Assim os profissionais estão preocupados não só com as ocupações, mais também 
com variedade de fatores que fortalecem e tornam possível o envolvimento e a participação dos 
clientes em ocupações positivas que promovem a saúde ((FRANCISCO, 1988).
Os fatores de clientes são características, crenças e/ou capacidades individuais 
que influenciam no desempenho ocupacional. Fatores de clientes não deve ser confundido 
com habilidades de clientes, apesar um estar ligado e ser influenciado pelo outro, valores 
e crenças podem influenciar diretamente em como uma pessoa realiza determinada 
atividade. É através de do processo de observação continua dos clientes envolvidos em 
ocupações e atividade que o profissional será capaz de fazer adaptações e dar suportes em 
ambientes que favorecem o desempenho, e criam adaptações e modificações no ambiente, 
e cuidadosamente selecionar as melhores atividades, que promovam as participações do 
cliente (DE CARLO; BARTALOTTI, 2001).
Diversas abordagens têm sido usadas para definir o que são as habilidades de 
desempenho, ou seja, o desempenho ocupacional, que são definidos por alguns autores 
como ações dirigidas a objetivos observáveis estabelecidas em ocupações em atividades 
de vida diária, que envolvem habilidade motoras, de processo e interação social.
 Os conceitos que encandeiam o Desempenho Ocupacional (D.O) foram baseados 
na visão orgânica e fenomenológica, ou seja, desenvolvidos a partir de uma meta modelo 
que considera o sujeito em sua totalidade, apresentando uma filosofia holística, a qual 
afirma que o todo é indivisível (MACDONALD,1990). 
 As áreas do D.O (figura 1) mostra como as atividades cotidianas se relacionam, 
sendo elas as atividades desenvolvidas pelas pessoas, rotineiramente, que darãosignificado 
a sua vida e, farão parte da megamodelo economia, e da sociedade.
A classificação internacional de funcionalidade, incapacidade e saúde, cita que 
além disso, funções do corpo, como a mental, sensorial e a neuro motoras as funções 
49UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
relacionadas com o movimento são identificadas as capacidades que residem dentro 
da pessoa e convergem para as estrutura e contextos ambientais para emergir como 
habilidades de desempenho. Sendo assim, entendemos que a habilidade de desempenho 
é a capacidade do indivíduo em realizar uma ação no seu cotidiano (AOTA, 2015).
O indivíduo dentro de sua realidade, no seu cotidiano, ele tem seus hábitos, suas 
rotinas e seus rituais que são utilizados para em sua ocupação, ou atividades que estruturam 
sua vida diária, estes hábitos são os padrões de desempenho. O ambiente e o contexto são 
termos usados em conjunto muitas vezes, pois eles indicam o ambiente tanto físico, quanto 
o contexto social, que também devem ser considerado pelo terapeuta ocupacional, como 
por exemplo o espaço físico, são os locais onde serão realizados determinadas atividades 
ou intervenções, como por exemplo o ambiente hospitalar ou domiciliar, e o contexto, são 
menos tangíveis, mais impactantes na mesma proporção sendo levados em consideração 
as questões sociais, culturais, pessoais entre outras (GOBBI; MISSEL, 1998).
O papel do terapeuta ocupacional, conforme descrito na gravura 2, e estabelecer 
esta conexão entre todos os aspectos do estruturais do ser humano e estabelecer uma 
conduta terapêutica conhecendo toda esta estrutura, precisamos conhecer a teoria, 
a individualidade e a realidade de cada paciente para conseguir uma intervenção mais 
assertiva (PEDRETI; WA FARIY, 2005).
1.4 Processos em terapia ocupacional
50UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
O indivíduo, tem um processo de desenvolvimento ao nascer, crescer se desenvolver 
e envelhecer, que é inerente ao ser humano, ao se falar em processos de reabilitação temos 
que levar em consideração todo este contexto, que ocorre durante toda sua existência, 
bem como suas maturações fisiológicas, diante de todo essas mudanças que devemos 
estabelecer nossa conduta terapêutica, qual a abordagem, quais avaliações e reavaliações 
deverão ser aplicadas, bem como devera proceder com a alta (HIMENEZ, 2018).
O processo em terapia ocupacional se baseia em modificar, habilitar ou reabilitar 
por meio de atividades, tendo como objetivo, devolver a competência no desempenho 
e na capacidade de desenvolver distintos papeis do ser humano, adequada a sua fase 
de desenvolvimento e habilidades adquiridas. O terapeuta ocupacional deverá conhecer 
o processo de desenvolvimento natural do ser humano, e também conhecer o processo 
terapêutico, compreendendo que não se reabilita algo o paciente nunca teve como 
habilidade, e não se habilita algo que o indivíduo não terá capacidade de realizar (PEDRETI; 
WA FARIY, 2005).
Assim o processo de terapia ocupacional, nada mais é que, o caminho escolhido 
pelo profissional, ou seja as ações realizadas pelo profissional para tratar seu paciente, 
baseado na teoria que leva a prática, em síntese, seria o processo de anamnese, ou 
colher informações sobre a história de vida do indivíduo, avaliação utilizando protocolos 
estruturados ou não estruturados, plano de tratamento e conduta a ser abordada, o tratamento 
propriamente dito, a avaliação dos resultados e dos objetivos alcançados, e o resultados 
destas intervenções que levam a alta ou a continuidade do tratamento. (BATTISTEL, 2016).
Em síntese seria: 
ANAMNESE → AVALIAÇÃO → PLANO DE TRATAMENTO → TRATAMENTO → 
REAVALIAÇÃO → CONDUTA
 
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51UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
 2 BASES FILOSÓFICAS E TEÓRICAS 
DA PRÁTICA
TÓPICO
Iremos abordar de maneira mais superficial, as teorias que norteiam as práticas 
em terapia ocupacional, pois seria uma bastante conflitante tentar entender de maneira 
minuciosa sem compreender completamente sua aplicabilidade básica na profissão. A base 
da teoria tem como objetivo, nos ajudar a organizar o pensamento quanto a problemática 
dos pacientes e a intervenção escolhida, na terapia ocupacional utilizamos dois modelos, o 
reducionista ou o holista (MAXIMINO, 1997).
No modelo reducionista, entendemos o todo como a compreensão das partes, 
ele vê o indivíduo como partes divisíveis que podem ser analisados individualmente, 
entende os sistemas como rígidos e imutáveis, prevalece a perspectiva do passado para 
o presente e desconsidera a espiritualidade. Dentro do modelo holista, o todo não poderá 
ser compreendido isoladamente, sendo ele maior que soma das partes, podendo levar em 
consideração a espiritualidade, seus sistemas são adaptativos, e orienta-se do presente 
para o futuro (GIRARDI,1988).
Baseado nestes modelos que iremos desenvolver pensamentos e ideias que servem 
como bussolas para nortear as práticas da terapia ocupacional, e poderemos citar algumas 
teorias como a do modelo fisiológico, a cognitiva, a social a behaviorista entre tantas outras. 
Quadros de referências primárias são bases teóricas retirados de outras ciências básicas 
e emprestados, por assim dizer a terapia ocupacional, e o quadro de referência aplicada 
dizem respeito a utilização de referências para desenvolver teorias especificas da terapia 
ocupacional. E as abordagens serão desenvolvidas dentro de cada quadro aplicado, criando 
avaliações e práticas, que serão utilizadas em nossos pacientes (SILVA, 2017).
52UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
Estas teorias, quadros de referência e abordagens, elas possibilitam o foco no que 
precisa ser trabalhado, e permite a tomada de decisões terapêuticas diante do raciocínio 
clinico mais assertivo, auxiliando na prática que será exercida diante de determinada 
demando e explicar qual pratica adotada, em possíveis questionamentos (LOPES, 2010).
Tendo em vista a flexibilização do tratamento, baseado nesta ou naquela teoria, 
temos que entender a individualidade e peculiaridades de cada caso, para não nos tomarmos 
automatizados e sucumbir ao uso de formulas para orientar os planos de tratamento, para 
que estes não substituam o raciocínio clinico. 
O raciocínio clinico tão fundamental e utilizado pelos terapeutas ocupacionais, e é 
o processamento das teorias, elaborando o tratamento através das informações referentes 
aos casos. É tornar o conhecimento em ação. Na terapia ocupacional, temos dois quadros 
de referência primário (QRP), que se destacam, pois resultaram em quadros específicos da 
terapia ocupacional, o QRP fisiológico e o psicológico (LOPES, 2010).
Dentro do modelo fisiológico, muitos quadros de referência aplicadas foram 
desenvolvidos, dentre os mais importantes estão o QRA biomecânico, que, e o cognitivo-
perceptivo., que possuem um objetivo nas abordagens físicas (GIRARDI,1988).
Seguindo uma abordagem reducionista, temos o QRA biomecânico, que tem o foco 
nas incapacidades, sendo sua atuação é voltada para funções fisiológicas como ganho 
muscular, amplitude de movimento, sendo baseada no modelo reducionista o plano de 
tratamento é elaborado pelo profissional, sem a participação do paciente que atua apenas 
com a dedicação ao tratamento. No QRA cognitivo perceptivo, o foco é na recuperação de 
déficits cognitivos oriundos de lesões cerebrais, o terapeuta identifica o déficit, planeja e 
propõe o tratamento (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007).
Mesmo sendo oriundo de um QRP reducionista, o QRA neuro desenvolvimentista, 
apesar de considerar e o indivíduo, afetado por déficit, em sua totalidade, a abordagem é 
reducionista, utiliza-se abordagens como Bobath, Integração sensorial e ou Estimulação 
Sensorial, sendo também o terapeuta queelabora o plano terapêutico. Considerando os 
QRP psicológico e sua abordagem nas disfunções psicossociais, temos os QRAs que 
derivam e destacam deste modelo, dentre eles estão QRA comportamental ou behaviorista, 
QRA cognitivo comportamental e o humanista (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007).
O QRA behaviorista ou comportamental, é um modelo reducionista, que reduz o 
sujeito ao seu foco de atendimento, ou seja, seu comportamento, buscando sua compreensão 
pelas suas atitudes e comportamentos. Já no QRA cognitivo comportamental, nesta técnica 
entendemos o indivíduo além de suas estruturas fisiológicas e comportamentos, a uma 
visão mais ampla, que o compreende com sentimentos e pensamentos, e como estes 
53UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
sentimentos agem com o meio. Neste caso, às ações terapêuticas são desenvolvidas com 
a participação do paciente e tem características que envolvem o pragmatismo, socialização 
e melhora do humor (SILVA, 2017).
Na abordagem mais humanista, levamos em consideração o indivíduo e suas 
experiencias individuais, que tem como foco o paciente, em que o terapeuta guia o próprio 
indivíduo para as ações que geram repertorio para realização das atividades em seu 
cotidiano. Na visão holística, entendemos o paciente como um todo, um ser pensante 
produtivo e funcional, no qual suas ações diferem no mundo, um indivíduo complexo com 
sentimentos e pensamentos, em que em terapia, o conduzimos, sempre que possível, a 
ter controle em sua vida visando uma satisfação e realização pessoal (BATTISTEL, 2016).
 
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54UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
 3 ESTRUTURAS DE REFERÊNCIA DA 
TERAPIA OCUPACIONAL 
TÓPICO
3.1 Modelos e abordagens em terapia ocupacional
A prática da Terapia Ocupacional é marcada por diferentes modelos e técnicas 
de intervenção, modificados ao longo de sua história como decorrência das diferentes 
concepções de homem, saúde, doença e atividade, assumidas concomitantemente pelas 
ciências que a embasaram. Sendo assim, sua prática ainda está em constante modificação, 
de acordo com às necessidades humanas de cada período histórico vivenciado, ocorrendo 
modificações até os dias atuais (LOPES, 2010).
Entendendo o indivíduo em suas particularidades e em suas totalidades, como um 
ser ativo, a terapia ocupacional, quando se fala em reabilitação irá pensar nos aspectos 
biológicos que são inerentes ao ser humano que nasce, cresce, evolui, envelhece e morre, 
sem nos esquecermos de que o ambiente e o desenvolvimento pessoal também irão 
contribuir para suas ações. Assim, compreendemos que a terapia ocupacional utiliza a 
ocupação humana, ou seja, tem como seu objeto de estudo a ação humana. 
É de extrema importância caro estudante, a compreensão do desenvolvimento 
natural do paciente, para que o processo terapêutico tenha um papel assertivo, e como 
já citado anteriormente, não se reabilita o que o paciente nunca teve como habilidade, 
nem ter a intenção de desenvolver uma habilidade, que o paciente não terá condições de 
desenvolver (LOPES, 2010).
55UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
Sendo assim, surgem, a partir de 1970, em países estrangeiros, os modelos de 
Terapia Ocupacional, que teriam como objetivo avançar nos fundamentos, para unificar a 
busca da cientificidade e identidade, resgatando e criando uma identidade, que segregasse 
do modelo médico. 
No mundo, existem atualmente uma série de modelos em uso na prática e na pes-
quisa, tais como: Canadian Model of Occupational Performance and Engagment-CMOP-E, 
Modelo de Ocupação Humana e o modelo do processo baseado no problema, são estes 
os que mais tem relevância e os que serão mais comumente citados dentro da graduação.
No modelo do Processo baseado no problema, aborda-se a grosso modo, o 
“problema”, ou seja, o indivíduo e seu desempenho ocupacional, buscando habilitar ou 
reabilitar, uma capacidade, que o indivíduo já tinha para realizar determinada ação 
e atualmente já não possui mais. Atividades estas que possuem significado para ele, o 
paciente, e que afetem o seu desempenho ocupacional. Podendo ser de origem de 
educação, reabilitação desenvolvimento ou adaptação (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007).
Dentro deste modelo, o da reabilitação, em determinado momento a pessoa poderia 
desempenhar tal tarefa, e por algum motivo, hoje já não é mais capaz de desempenhá-la de 
maneira eficiente, talvez por motivo de doença, trauma ou amputação, cabe ao terapeuta 
ocupacional, diante deste cenário, buscar reabilitá-lo, levando-o a ter uma vida funcional, 
mais próxima da sua realidade. Para isto, muitas vezes utilizando de adaptações no 
ambiente, quanto adaptações físicas, com uso de muletas, cadeira de rodas e até mesmo 
com indicações de órteses e próteses.
Este modelo apresenta algumas premissas tais como, a pessoa pode recuperar 
sua autonomia, através de alguma compensação, seja ela uma adaptação, ou órtese 
ou prótese, alguma adequação em ambiente. A motivação para reabilitação, está ligada 
a valores, cultura e papeis desempenhados pelo indivíduo. Devemos sempre levar em 
consideração o histórico familiar e o contexto familiar. Nosso raciocínio clínico deve focar no 
ambiente, na capacidade funcional e no desempenho ocupacional do indivíduo e sempre 
verificar a adequação dos dispositivos indicados (KIELHOFNER; BURKE, 1990).
No modelo da ocupação humana, amplamente divulgado e defendido por Gary 
Kiehlofner, que se baseia, no ser humano como um indivíduo ativo e funcional, que participa 
e altera o ambiente. Desta forma, entendemos a ocupação humana como um sistema que 
interage com o ambiente, e está sempre em constante movimento, mudando e adequando-
se a essa interação, que são baseadas pelas vontades e volições inerentes ao ser humano, 
que o levam a querer explorar e dominar o mundo. Esta interação e o que organiza o 
comportamento humano, e estas. 
56UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
O sistema com sua força inata na interação com o ambiente organiza o 
comportamento humano. O ambiente é aqui conceituado como objetos externos, pessoas 
e eventos que influenciam a ação do sistema. As informações são organizadas em 
subsistemas e tornam possível o comportamento que possa satisfazer as demandas do 
mesmo. Portanto, o sistema muda e é mudado pelo ambiente, cada um modela o outro. 
O homem cria seu ambiente físico e simbólico e aprende a agir competentemente nele 
(KIELHOFNER e BURKE, 1990). 
Sendo assim, as características de uma pessoa e o ambiente externo estão 
ligados em um todo dinâmico. E a ocupação reflete a influência das pessoas e do meio 
ambiente. O modelo canadense de desempenho ocupacional, como o próprio nome já diz, 
foi desenvolvida por pesquisadores canadenses, com o intuito de ser referência como guia 
para nós terapeutas ocupacionais, baseando-se na prática centrada no cliente. 
Sua estrutura teve como aspecto estruturador o desempenho ocupacional, sendo 
seu foco principal, o desempenho nas áreas de autocuidado, trabalho e lazer, levando 
em consideração seu desenvolvimento e o contexto no qual está inserido, bem como os 
componentes de desempenho (físico, mental, sociocultural e espiritual), o ambiente, o 
estágio de desenvolvimento, os papéis na vida e a motivação do sujeito, deve-se então, o 
terapeuta ocupacional, abranger todos estes aspectos e entender a relação entre cada um 
deles, numa visão de sujeito complexo e funcional. (LAW; et al., 2009).
Temos ainda que compreender algumas áreas de desempenho e papeis de atuação, 
o COPM por exemplo é uma medida individualizada, realizada através de entrevista 
semiestruturada, em que o sujeito pontua as atividades mais importantes em seu cotidiano 
que se encontra em dificuldade (LAW; et al., 2009).
Esta medida, baseia-seem três áreas de desempenho ocupacional:
 ● Atividades de autocuidado (cuidados pessoais, mobilidade funcional e funcio-
namento na comunidade);
 ● Atividades produtivas (trabalho remunerado ou não, manejo das tarefas do-
mésticas, escola e brincar);
 ● Atividades de lazer (ação tranquila, recreação ativa e socialização).
O objetivo da avaliação e direcionar o tratamento e a atuação do terapeuta 
ocupacional, facilitando a elaboração de um plano terapêutico e uma intervenção mais 
assertiva, bem como, por ser uma entrevista nos mostra qual a percepção do paciente em 
relação a sua dificuldade, o que facilitara a nossa conduta terapêutica. 
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57UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
 4 AS ESPECIALIDADES DA TERAPIA 
OCUPACIONAL, E OS AMBIENTES 
PARA PRÁTICA
TÓPICO
 Durante os últimos anos, a Terapia Ocupacional, vem galgando espaço e se 
tornando cada vez mais reconhecida. Assim sendo, faz-se necessária a compreensão, das 
áreas de atuação e o seu papel a ser desempenhado em cada área.
Deste modo, o terapeuta ocupacional é um profissional, membro da equipe 
interdisciplinar de assistência à saúde, cujo foco é auxiliar o indivíduo a desenvolver ou 
restaurar habilidades e melhorar sua adaptação para desempenhar as atividades que ele 
deseja e precisa, considerando seus potenciais, limitações e sua história pessoal. Este 
profissional se aperfeiçoa para exercer sua profissão dentro das diversas especialidades 
tais como: Saúde Mental, Distúrbios do Desenvolvimento Infantil, Reabilitação Funcional dos 
Membros Superiores, Neurologia, Gerontologia, Educação Especial, Tecnologia Assistiva, 
Saúde do Trabalhador, Oncologia, dentre outras (MACDONALD, 1990).
Dentre os locais em que o terapeuta ocupacional pode atuar estão: hospitais 
gerais e especializados, clínicas especializadas, ambulatórios, projetos sociais oficiais, 
instituições de ensino superior, órgãos de controle social, unidades básicas de saúde, 
instituições geriátricas, escolas e creches, empresas, oficinas terapêuticas, centros de 
convivência, centros de reabilitação, instituições penais, serviços substitutivos em saúde 
mental (COFFITO, 2022).
O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, também coloca como 
áreas de especialização, reconhecidas como: 
58UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
 ● Terapia Ocupacional Em Acupuntura;
 ● Terapia Ocupacional Em Contextos Hospitalares;
 ● Terapia Ocupacional Em Contextos Sociais;
 ● Terapia Ocupacional Em Contexto Escolar;
 ● Terapia Ocupacional Em Gerontologia;
 ● Terapia Ocupacional Em Saúde Da Família;
 ● Terapia Ocupacional Em Saúde Mental.
Diante de cada área de especialidade e atuação, podemos descrever que nos 
contextos sociais, nós, terapeutas ocupacionais iremos atuar em instituições asilares e 
prisionais. Quanto aos contextos hospitalares, a atuação do terapeuta ocupacional, baseia-
se em proteção, promoção e prevenção da saúde, bem como em cuidados paliativos, em 
ambiente intra e extra-hospitalar.
Em relação a gerontologia, o terapeuta atua em instituições asilares, em cuidados 
aos idosos, em todos os aspectos que tange a pessoa idosa desde o lazer até as atividades 
cotidiana, adaptação e ambiente e mobiliário. A atuação do terapeuta ocupacional em saúde 
da família, consiste em uma visão mais generalista do processo de saúde e doença, sendo sua 
principal função é desenvolver ações que promovam a saúde (ANDRADE; FALCÃO, 2017). 
Visto o quão amplo é o campo de atuação da terapia ocupacional, vale ressaltar que 
diante da nossa atuação, estamos lidando com seres completos, complexos e funcionais, 
dotados de sentimentos e esperanças. 
59UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
Na trajetória do TO houve a busca por atendimentos junto com equipe multidisciplinar, 
independente da patologia atendida em uma perspectiva integral de prevenção, promoção 
em saúde e reabilitação. A reabilitação não se restringe mais à avaliação funcional e à 
recuperação das incapacidades, mas elas precisam dar sentido nas interações reais do 
sujeito em seu cotidiano. Os recursos de avaliação são parte da estratégia de intervenção 
isso redimensionou as práticas profissionais que buscou o compromisso com a diversidade 
dos processos terapêuticos experiência dos e a multiplicidade dos espaços vividos, a partir 
das necessidades cotidianas considerando a realidade sociocultural coletiva (DE CARLO, 
2001; MOREIRA; 2017). Os recursos de avaliação são parte da estratégia de intervenção, 
mas a estratégia não se resume aos recursos e avaliações terapêutico-ocupacionais.
Fonte: DE CARLO, M. P.; BARTALOTTI, C. C. Terapia Ocupacional no Brasil: fundamentos e 
perspectivas. São Paulo - Ed. Plexus. 2001
Em 1917, um pequeno grupo de médicos, enfermeiros, arquitetos, Assistentes 
Sociais, secretárias e professores de artes e trabalhos manuais. Reuniram-se com o 
pensamento de que a ocupação favorece de modo considerável sua função na cura e 
na saúde. Esse encontro registra a criação da National Society for the Promotionof 
Occupational Therapy (NSPOT) e é o que hoje é chamado de American Occupational 
Therapy Association ou (AOTA). Essa reunião marcou as origens da profissão de TO, criou-
se uma escola formadora de TO vinculada à universidade, firmando-se como área própria. 
Com o surgimento de mais escolas em todo país, levou-se a oficialização dos currículos. 
Estabelecendo padrões de formação e consolidação dos fundamentos da profissão e sua 
organização.
Fonte: MEDEIROS, M. H. R. Terapia ocupacional um enfoque epistemológico e social. São Carlos: 
EdUFSCAR, 2001.
60UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Espero que esta unidade tenha servido para se fazer entender, que mesmo tendo 
um documento que norteia a profissão, ele não é uma receita única, o terapeuta ocupacional 
usará destas teorias para definir e elaborar e sua conduta. 
Sabendo que existem várias teorias e bases filosóficas, que nos mostram várias 
diretrizes a serem seguidas, mais que o raciocínio clínico do terapeuta deverá sempre ser 
levado em consideração, como por exemplo, dentro de uma abordagem humanista, você 
poderá usar o método Bobath, visando sempre o bem estar do seu paciente, entendendo 
como um ser humano participativo e funcional, dotado de emoções.
Sendo está uma disciplina bastante densa, meu objetivo principal, foi trazer uma 
síntese dos pontos principais, numa tentativa de incentivá-los a buscar mais conhecimentos 
e conhecer um pouco mais sobre as teorias e bases filosóficas que norteiam a prática. 
61UNIDADE 3 FUNDAMENTOS DE TERAPIA OCUPACIONAL
MATERIAL COMPLEMENTAR 
LIVRO 
Título: Terapia Ocupacional
Autores: Cláudia Pedral e Patrícia Bastos.
Editora: Rúbio
Sinopse: O terapeuta ocupacional utiliza recursos terapêuticos 
e atividades diversas para promover a autonomia de indivíduos 
que têm dificuldade de integrar-se à vida social em razão de 
problemas físicos, mentais ou emocionais. Terapia Ocupacional 
– Metodologia e Prática, que chega à segunda edição, aborda 
amplamente esses procedimentos, inerentes à atuação. Nesta 
edição ampliada e revista, a obra apresenta um Glossário que 
elucida os termos de significado mais específico e aborda dois 
novos temas: o quebra-cabeça como recurso terapêutico e a 
possibilidade psicoterapêutica inerente à Terapia Ocupacional 
– a chamada Psicoterapia Ocupacional. Este livro traz uma nova 
metodologia para a aplicação teórica e prática de conhecimentos 
em Terapia Ocupacional, com base em estudos do renomado 
professor Rui Chamone e no desenvolvimento de um campo 
metodológico para intervenção nas diversas áreas de atuação 
da Terapia Ocupacional.
 
VÍDEO
Título: Desempenho ocupacional no modelo de ocupação hu-
mana. MOHO- por Dr Daniel Cruz.
Ano: 2020.Sinopse: Nessa conversa o Prof. Dr. Daniel Cruz (UFSCar) con-
vida a Profa. Dra. Clarice Ribeiro (UFPB), para discutir sobre o 
Modelo Canadense de Desempenho Ocupacional e Engajamen-
to. Um bate papo rico, respeitoso, motivador.
Link de acesso: https://www.youtube.com/watch?v=7wLxA-
v96kM0 
https://www.youtube.com/watch?v=7wLxAv96kM0 
https://www.youtube.com/watch?v=7wLxAv96kM0 
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Plano de Estudos
 ● Introdução ao estudo da atividade humana;
 ● Atividade humana na vida adulta e melhor idade;
 ● Processo terapêutico ocupacional;
 ● Procedimentos parciais de avaliação do recurso de atividade;
 ● Atividades de vida diária e atividades de vida prática;
 ● Atividades produtivas e de trabalho, atividades de reinserção 
social.
Objetivos da Aprendizagem
 ● Proporcionar ao aluno conhecimentos sobre os fundamentos e história 
da terapia ocupacional;
 ● Relacionar ao aluno quais os acontecimentos históricos frente aos dias 
atuais da profissão;
 ● Orientar o aluno quanto a sua área de atuação;
 ● Abranger por meio do conteúdo histórico o surgimento da profissão.
4UNIDADEUNIDADE
ATIVIDADEATIVIDADE
HUMANAHUMANA
Professora Esp. Emelise Silva Bordim de Carvalho
63UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
INTRODUÇÃO
Nos módulos anteriores, caro (a) aluno (a), revisamos a história e evolução da terapia 
ocupacional, bem como sua base e seus fundamentos, para uma melhor compreensão 
do que é a nossa profissão, em seguida abordamos os fundamentos e as técnicas da 
nossa profissão, sabendo que não existe um roteiro prático, tampouco uma receita, mas 
alguns pilares nos quais podemos e devemos nos nortear, lembrando que cada terapeuta 
irá escolher a abordagem mais assertiva para com seu paciente.
E sempre pensando nesta abordagem, neste módulo iremos explanar, sobre a 
atividade humana, sendo este o objeto de estudo da Terapia Ocupacional. Algumas atividades 
humanas são ação terapêuticas privilegiadas e fazem parte do atendimento ocupacional, 
sendo assim um elemento centralizador e orientador da construção do processo terapêutico 
se forma neste campo.
Este trecho compõe uma concepção de terapia ocupacional amplamente difundida 
no Brasil, orientando, inclusive, a definição brasileira da profissão junto à Federação Mundial 
de Terapeutas Ocupacionais. Sendo assim, neste módulo buscaremos a compreensão, da 
atividade humana e seu uso processo terapêutico. Toda nossa concepção de homem é 
aquela de um organismo que se mantém e se equilibra no mundo de realidade e efetividade 
por estar em vida ativa e em uso ativo, isto é, usando, vivendo e agindo sobre seu tempo 
em harmonia com sua própria natureza e sobre a natureza ao seu redor.
 Essa visão de homem enquanto indivíduo para a ocupação também foi reconhecido 
que o ser humano contribui com sua parte de produtividade para sobreviver. O homem 
possui uma necessidade fundamental de ocupar-se, a atividade mantém o equilíbrio do 
corpo, através do ritmo de trabalho, descanso, lazer e sono, como vocês verão ao longo 
desta apostila.
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64UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
 1 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA 
ATIVIDADE HUMANA
TÓPICO
 Os termos atividade e ocupação são frequentemente utilizados na literatura da Tera-
pia Ocupacional, mas ainda se observa uma inconsistência no uso e definição destes termos, 
o que pode se refletir na formação e na prática profissional. Para entendermos a utilização da 
atividade humana e ocupação, como objeto de estudo, primeiramente temos que entender 
quais são as definições e sua utilização, e o contexto histórico ao qual está inserido. 
Não obstante, a atividade seja um tema constitutivo da Terapia Ocupacional 
brasileira, observa-se ainda uma falta de consistência conceitual sobre o assunto. Um 
exemplo disso é a coexistência de diferentes concepções sobre as atividades e a utilização 
simultânea de diferentes termos (como cotidiano, ocupação, fazer, práxis, entre outros), 
sem o esclarecimento da relação existente entre eles (CRUZ, 2018).
A centralidade das atividades humanas para os processos terapêuticos ocupacionais 
no contexto brasileiro é reconhecida a partir da década de 1990, ainda que coexistam 
outros termos ou qualificadores das atividades e mesmo diferentes compreensões sobre 
um mesmo termo na discussão dos instrumentais e/ou objetos de estudo da profissão ao 
longo do tempo.
Para compreendermos melhor, esta prática da utilização da atividade humana, 
faremos uma breve revisão histórica, começando com os primeiros cursos de terapia 
ocupacional no final da década de 40, e início da década de 70, este foi o primeiro movimento, 
junto aos doentes mentais, prática inserida por Pinel, que propunha o tratamento da 
Moral, e em seguida, já em meados dos anos 60, o tratamento dos incapacitados físicos 
65UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
institucionalizados, em que buscava-se através da trabalho, recreação e exercício físico, 
como meio de desenvolvimento e readaptação do homem à sociedade (SILVEIRA, 2002).
Alguns autores supõem que, até meados da década de 1970, a terapia ocupacional 
buscava legitimar seu projeto social, sempre de acordo com o discurso internacional 
predominante, que era sempre destacado, para a reinserção produtiva e funcional dos indivíduos 
incapacitados, definindo seu papel profissional baseando-se em técnicas paramédicas. 
Tendo em vista que um modelo médico reducionista marca a compreensão sobre 
a profissão, vinculando-a aos meios/instrumentos/recursos de intervenção terapêutica, ou 
seja, a limitam e condicionam à utilização de ocupações ou atividades terapêuticas visando 
ao tratamento de doenças, disfunções ou sintomas. 
Neste mesmo período o uso dos termos atividade e ocupação como contexto de 
reabilitação. Em meados de 75 em sua dissertação de mestrado, surge com a significação 
das atividades. Sendo estes os primeiros passos para um segundo movimento, no qual 
surgem novas reproduções e contradições das práticas em terapia ocupacional e as 
primeiras mobilizações relacionadas às demandas sociais. E neste cenário, podemos 
ressaltar a dimensão das atividades como meio/instrumento/ferramenta/recurso e sua 
aplicabilidade para minimizar ou suprimir alguma falta, aplacar ou curar doenças, sintomas 
ou incapacidades (FRANCISCO, 1988).
A narrativa de conceito de atividade humana começava a ser utilizado por terapeutas 
ocupacionais. Isso porque o [...] conceito de atividade possibilita à terapia ocupacional acesso 
à toda manifestação humana. Coloca sob seu domínio: o cotidiano nas necessidades de 
autocuidado e automanutenção, a capacidade de criação e produção, o lazer, a brincadeira 
infantil, a necessidade de instrumentos para a adaptação.
Considerando um dos primeiros livros nacionais, “Terapia Ocupacional”, Francisco 
(1988), neste exemplar ele analisa os modelos relacionados à atuação profissional, em 
que essa ocupação ou atividade, teria como tese uma natureza ocupacionaldas pessoas, 
no qual consideraríamos o lazer uma preparação para o trabalho ou funcionalidade, 
segmentando e estruturando a vida, em atividades de vida diária em uma lógica social, com 
incentivo à produtividade; a atividade como exercício, dependente de roteiros minuciosos 
de análise e protocolos de adaptação e graduação, teria o modelo biomédico reducionista 
como orientação; a atividade como expressão teria como referências a psicodinâmica e 
a psicanálise; e, contrapondo com tais recursos terapêuticos, a atividade humana como 
criação e transformação.
66UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
Em meados de 1990, surge um movimento, partindo de Maria Caníglia, no qual 
busca-se criar um conhecimento próprio, que envolve o sujeito e o objeto de estudo da 
profissão, no “significado da atividade humana”. Ela sugere uma mudança na etimologia 
da profissão - praxiterapia - pois traduziria melhor sua atuação pela e para práxis, como 
uma referência mais adequada, ou seja, a ciência da atividade humana. Dedica-se ao ser 
humano em atividade, visando a práxis, que é a atividade humana em sua completude 
teórica e prática (LAW, M. et al, 2000).
Para uma compreensão diversificada e mais conceitual sobre a atividade humana 
devemos agregar o valor histórico, coletivo e a interdependência de processos geracionais. 
Enquanto repertório cultural, recupera e constrói valores, símbolos, sentidos, significados 
e depende da oralidade e da artesania que produzem saberes experenciais. Ao ampliar 
a percepção sobre sua constituição e seus valores, contribui para a conscientização dos 
modos de produção, consumo e descarte e do impacto da produtividade na natureza e na 
vida (SILVEIRA, 2002).
Diante do processo histórico, vemos como sempre a atividade humana vem sendo o 
objeto de estudo da terapia ocupacional, sempre se moldando de acordo com as demandas 
sociais, tendo em vista o desenvolvimento biopsicossocial e funcionalidade do indivíduo, 
porém apenas para referencial de conceituação, não existe ocupação sem atividade e 
vice-versa, já que a ocupação diz respeito aos papéis desempenhados no cotidiano, e tais 
papéis envolvem a realização de atividades (WILLARD, 2013).
Outros autores utilizam atividade humana, a definição de ocupação, porém, ambas 
são descritas como inseparáveis, a atividade relaciona-se com a fundamentação e a prática 
da Terapia Ocupacional, enquanto a ocupação associa-se mais, à ideia de trabalho e aos 
papéis ocupacionais. 
Por outro lado, os termos atividade e ocupação também se comunicam entre si, 
visto a similaridade de categorias para ambos os conceitos. 
Nota-se, por fim, que as conceituações estão ancoradas em diferentes referenciais 
teóricos, o que é compatível com a literatura abordada, a qual aponta para a coexistência 
de uma multiplicidade e variedade de concepções.
Várias definições de ocupações são descritas na literatura e podem acrescentar a 
compreensão deste eixo central, como por exemplo:
“Atividades da vida cotidiana, nomeadas, organizadas e com determinado 
valor e significado pelos indivíduos e pela cultura. A ocupação e tudo que as 
pessoas fazem para se ocupar, inclusive cuidar de si mesma ... desfrutando 
a vida... e contribuindo para construção econômica e social de suas 
comunidades” (LAW, et al, 1997, p. 120).
67UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
O termo ocupação ou atividade humana, refere-se as atividades de vida diária de 
um indivíduo, nas quais as pessoas se envolvem e participam, como seres atuantes e 
funcionais. Lembrando que estas atividades como visto no modulo anterior, ocorrem em 
um determinado contexto, e são diretamente influenciadas pelo contexto de fatores de 
cliente e habilidades de desempenho, sendo os fatores de cliente, por exemplo sua crença, 
seu corpo, funções corporais e habilidades de desempenho, como o próprio nome já diz, 
habilidades motoras de processo e interação social. 
Sendo assim, as ocupações tem um propósito, significado e utilidade, podem 
envolver múltiplas atividades para sua conclusão e resultar em vários efeitos e resultados. 
Identificamos uma ampla gama de ocupações classificadas como Atividades de Vida Diária 
(AVD), Atividades Instrumentais De Vida Diária (AIVD), descanso e sono, educação, trabalho, 
brincar, lazer e participação social, que serão explanados e aprofundados posteriormente 
no tópico 3, desta apostila.
Quando os profissionais de terapia ocupacional se deparam com um cliente, eles 
identificam os vários tipos de atividades, ou ocupações nas quais o indivíduo está inserido, 
sozinho ou aos pares, num contexto complexo e multifatorial.
As ocupações contribuem para uma vida bem equilibrada e funcional.
Alguns profissionais usam termos como atividades e ocupação de forma indistintas, 
para descrever a participação em atividades, de vida diária, tanto ocupação quanto atividade 
são utilizados como intervenções por profissionais. Sendo a participação em ocupações os 
resultados finais das intervenções, e os profissionais utilizam ocupações durante o processo 
de intervenção como um meio para o fim.
 
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68UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
 2 ATIVIDADE HUMANA NA VIDA 
ADULTA E MELHOR IDADE
TÓPICO
 Sabemos que a terapia ocupacional tende a beneficiar pessoas de todas 
as faixas etárias, desde o bebê, até o idoso, e aqueles que tenham alguma limitação ou 
incapacidade de realizar atividades do dia a dia.
Pense no seu dia a dia, e você vai perceber que ele é composto de uma série de 
atividades que precisam de diferentes habilidades, cabe ressaltar que a terapia ocupacional, 
não é apenas um tratamento para reabilitação, mas pode ser usada também para prevenção, 
com ações que envolvem as áreas da saúde, educação e também o contexto social. 
Pensar em cotidiano é entender que ele é construído dia a dia, com as atividade 
individuais e tão singulares das quais o indivíduo participa e que saúde se caracteriza pela 
possibilidade de viver, apesar da presença ou ausência de doença, deficiência ou limitações 
quando algo de qualquer natureza, seja ela um acontecimento (acidente), ou uma situação 
(deficiência) ou doença, leva a impossibilidade da vivência cotidiana, a retomada deste 
processo, a maioria das vezes necessita de auxílio profissional, muitas vezes ao alcance 
da terapia ocupacional, no processo de reabilitação deste indivíduo, para a reconstrução de 
seus afazeres e sua reinserção social (MOREIRA, 2008). 
Quando falamos em atividade humana ou atividade de vida diária nos referimos 
também a atividade humana na adolescência e infância. Sempre devemos englobar qualquer 
fase da vida devido as necessidades de diferentes em cada fase de nossa vida. Ao lidar 
com infância e adolescência, temos que estar atentos aos marcos de desenvolvimento e 
termos um bom raciocínio clinico, pois teremos que avaliar nuances de desenvolvimentos.
69UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
Os objetivos da terapia é que as atividades sejam instrumentos de comunicação e 
validação expressão dos indivíduos, nas quais, a relação entre 3 elementos é fundamental 
que são, o terapeuta, o paciente e as atividades. O processo deve favorecer ao indivíduo, a 
integração de conteúdos dissociados e buscando sempre valorizar os aspectos saudáveis, 
que favoreçam a criação de elementos facilitadores da inserção social.
 
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70UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
 3 PROCESSO TERAPÊUTICO 
OCUPACIONAL 
TÓPICO
Como já citamos nas apostilas anteriores, entendemos por processos em Terapia 
Ocupacional, a entrega centrada no cliente de serviço de terapia ocupacional, ou seja, é a 
prestação de serviços, o qual inclui, em síntese, o processode avaliação, a intervenção de 
acordo com os objetivos traçados, após o raciocínio clínico do profissional, baseado nas 
atividades e ocupações do cliente.
O processo de terapia ocupacional baseia-se em 4 quatro grandes áreas:
1. Visão geral do processo e aplicabilidade dentro do domínio da profissão. 
2. Avaliação: que é o passo inicial de uma intervenção, neste processo de 
avaliação, traçamos o perfil ocupacional, que consiste em identificar a história 
ocupacional, experiencias, padrões, interesses, necessidades entre outros, 
identifica-se o porquê da busca pelo atendimento de terapia ocupacional, e as 
necessidades individuais, as barreiras e as prioridades. Traça-se também a análise 
do desempenho ocupacional: onde as maiores dificuldades e os problemas ou 
possíveis problemas são identificados. Resultados alvo são identificados.
3. Processo de intervenção: é o plano que irá guiar o tratamento desenvolvido 
após a avaliação, baseado em teorias e evidencias. Metas e resultados alvos 
são estabelecidos, há implementação da intervenção, onde os resultados são 
monitorados e documentados.
4. Processo do resultado alvo: é o resultado final desejado no processo de 
intervenção, é usado para avaliar o programa de serviço ou estabelecer novos alvos.
71UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
Para facilitar descrevemos o processo como linear, mais ao contrário, ele é fluído e 
dinâmico, fazendo com que o profissional e o cliente possam estar revendo seus resultados 
identificados e mudar o plano global, e desenvolver novos objetivos. Independente da 
prática adotada pelo terapeuta, algumas vezes o indivíduo não será o foco exclusivo da 
intervenção, é necessário muitas vezes contextualizar a situação, como por exemplo 
quando uma criança em risco, precisamos priorizar também os pais e familiares (LAW, M. 
et al, 2000).
Os profissionais sempre utilizam referenciais teóricos, modelos e evidências 
disponíveis sobre a eficácia da intervenção, para orientar seu raciocínio clínico. Sempre 
buscando uma intervenção mais assertiva.
 
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72UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
 4 PROCEDIMENTO PARCIAIS DE 
AVALIAÇÃO DO RECURSO DE 
ATIVIDADE 
TÓPICO
A análise da atividade, é um recurso amplamente utilizado por terapeutas 
ocupacionais, que tem como objetivo, compreender as demandas de atividades especificas 
para cada cliente, ou seja, a análise da atividade é um processo que a Terapia Ocupacional 
utiliza para compreender a relação entre sujeito, ambiente e terapeuta para que se possa 
perceber qual a melhor atividade no processo de intervenção terapêutica.
Os terapeutas ocupacionais realizam a análise da atividade ou ocupação, para 
compreender e adequar, de acordo com as estruturas e funções do corpo, analisam as 
habilidades e padrões de desempenho e para determinar as demandas necessária da 
intervenção. Devido a isso é fundamental que o terapeuta ocupacional esteja apto para 
fazer a análise da atividade, tenha compreensão de como fará o tratamento, sendo que 
desta forma entenderá os múltiplos aspectos que compõem o cotidiano do sujeito. De uma 
maneira geral, isto significa que, o terapeuta ocupacional precisa conhecer as atividades, 
estudá-las, observar seus componentes, as técnicas, os movimentos, as habilidades e as 
capacidades envolvidas (GASPAR, 2013).
Atividades e demandas ocupacionais são componentes que o terapeuta ocupacional 
deve levar em consideração na elaboração do raciocínio clinico, que são consideradas 
barreiras ou facilitadoras do processo, sendo exemplos de demanda, a relevância e para 
o cliente, os objetos a serem utilizados, as demandas espaciais (ambiente físico), as 
demandas sociais, o tempo, as funções corporais.
73UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
O processo da análise da atividade determina uma intervenção terapêutica, pois, 
a partir desta se pode compreender o sujeito de acordo com a sua subjetividade em seu 
cotidiano. A análise da atividade resulta de um processo de diferentes etapas, pois, a partir 
desta se construirá o raciocínio terapêutico, no qual o terapeuta deve ter o olhar, a escuta e 
a atenção terapêutica desde o início do processo (FRANCISCO, 1988).
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74UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
 5 ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA E 
ATIVIDADES DE VIDA PRÁTICA
TÓPICO
 Nos próximos parágrafos farei um resumo para exemplificar, cada item, e facilitar 
a compreensão e abordagem, do que são as atividades que são abordadas na prática da 
terapia ocupacional, conforme citamos no tópico anterior. 
As atividades de vida diária, ditas AVDs, são atividades dirigidas e orientadas para 
o autocuidado e autonomia também podem ser chamadas de atividades básicas de vida 
diária (ABVDs), ou atividades pessoais de vida diária (APVDs), sendo estas fundamentais 
para convivência social, garantindo sobrevivência e o bem-estar. 
Alguns exemplos destas atividades são: 
 ●Banho: que descrevemos como manusear utensílios, ensaboar-se, enxaguar-se e 
manter e trocar as posições para o banho. 
 ●Vestir: habilidades para escolher as roupas e acessórios necessários de acordo 
com a ocasião, e clima. Manusear as peças, vestir e despir, executar ganchos e 
fechos, retirar e colocar órteses e próteses, se necessário).
 ●Deglutir/comer: atividades que envolvem diretamente a alimentação, colocar e 
manter o alimento a boca e deglutir, diferente da atividade de alimentação, que 
envolve colocar a comida no utensilio e trazer até a boca. 
 ●Mobilidade funcional: mover de posição durante a realização de suas atividades, 
como sair da cama, transferência para cadeira de rodas, incluindo a deambulação 
funcional.
75UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
Já as atividades instrumentais de vida diária, compreende aquelas que que servem 
de apoio as atividades de vida diária e muitas vezes necessitam de mais interação e 
autonomia. São exemplos delas: 
 ●Cuidados com o lar: obter, cuidar e manter bens pessoais, da casa e do ambiente, 
e isto inclui manutenção dos ambientes.
 ●Cuidar do outro: supervisionar, cuidar e fornecer cuidado para outros.
 ●Dirigir e mobilidade na comunidade: mover pela comunidade, planejando-se e 
utilizando transporte público ou privado, caminhar e locomover através de sistemas 
de transporte.
 ●Fazer compras: preparar a lista, deslocar-se, transportar e realizar pagamentos, 
utilizar equipamentos eletrônicos. 
Como dito anteriormente são atividades que complementam as atividades diárias e 
são necessárias para autonomia do indivíduo.
Quando nos referimos a atividades de descanso e sono, estamos falando sobre 
a obtenção de descanso e sono reparadores, fisiologicamente necessários para o 
envolvimento em outras atividades. 
São atividades que envolvem o descanso, ou seja, identificar a necessidade de 
relaxar, diminuir o envolvimento em atividades físicas e a preparação para o sono, que são 
práticas ou rotinas que tornem confortável a prática de dormir, que envolvem até mesmo a 
pregação do indivíduo e do ambiente.
No que se refere a atividades de educação, estamos falando atividades que 
envolvem aprendizado e a participação do indivíduo no contexto educacional, ou seja, a 
participação em meios acadêmicos, ou não acadêmicos. E quando citamos o trabalho, 
estamos referenciando ao trabalho ou esforço, fazer moldar, organizar serviços ou processos, 
ocupações que são comprometidas com ou sem remuneração. Inicia-se na capacidade e 
intenção da busca pelo emprego, seu desempenho e preparação para aposentadoria (LAW, 
M. et al, 2000).
Já o brincar é toda aquela atividade, seja ela espontânea ou estruturada, que gera 
satisfação, alegria e entretenimento. Existe o brincarlivre e exploratório, o qual consiste em 
atividades que envolvem o brincar livre, o processo lúdico, jogos, o brincar construtivo e o simbólico. 
Lazer é toda aquela atividade não obrigatória que é intrinsicamente motivada 
e realizada durante o tempo livre, ou seja, o tempo não comprometido com ocupações 
obrigatórias, tais como trabalho, autocuidado e sono (CRUZ, 2018).
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76UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
 6 ATIVIDADES PRODUTIVAS E DE 
TRABALHO, ATIVIDADES DE 
REINSERÇÃO SOCIAL
TÓPICO
A atuação do terapeuta ocupacional nesta área social, está voltada para avaliação, 
prevenção e tratamento de pessoas que tenham impedimento de ordem física mental e ou 
social, para executar satisfatoriamente tarefas e funções que a integrem completamente 
em sociedade.
A Terapia Ocupacional da seguinte forma: A Terapia Ocupacional é a arte e a 
ciência de orientar a participação de indivíduos em atividades selecionadas para restaurar, 
fortalecer e desenvolver a capacidade; facilitar a aprendizagem daquelas habilidades 
e funções essenciais para a adaptação e produtividade; diminuir ou corrigir patologias, 
promover e manter a saúde. São fundamentais o desenvolvimento e a conservação da 
capacidade durante toda vida, para que os indivíduos passem a executar com satisfação 
para si e para os outros, aquelas tarefas e papéis essenciais a uma vida produtiva e ao 
domínio de si e do meio ambiente (CANÍGLIA, 2013).
Podemos salientar que, ao lidar com adultos impedidos de participar do contexto 
social, a terapia ocupacional tem como objetivo a reinserção social deste paciente, pensando 
nele como um ser ativo e atuante, dentro de suas limitações sejam elas físicas, culturais ou 
cognitivas. Os terapeutas ocupacionais durante todo processo terapêutico de atendimento 
traçam alguns objetivos, estes devem ser levados em consideração todo o contexto do 
atendimento como:
 ● Favorecer relações interpessoais e grupais; 
 ● Favorecer o indivíduo a adquirir o respeito a si próprio; 
 ● Elevar pragmatismo; 
 ● Estimular a reabilitação física;
77UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
 ● Fazer indicação de dispositivos caso necessário, tanto para o uso de órtese 
e prótese, quanto dispositivos para deambulação e adequação do ambiente entre outros. 
A terapia ocupacional atua no cotidiano destas pessoas, buscando ampliar e retomar seu 
repertório de atividades com vistas à maior participação social e consequente diminuição 
ou interrupção do uso de álcool ou outras drogas.
O terapeuta ocupacional, ao identificar a necessidade de se criar estratégias para 
a inclusão de novos e diversos saberes em seu contexto de atuação, a terapia ocupacional 
passa, então, a ser “credenciada” como partícipe neste cenário de práticas interdisciplinares; 
sua contribuição se revela a partir do momento em que, ao longo de sua história, o processo 
terapêutico ocupacional rompe com uma prática diretiva com foco na doença e incorpora 
novas tecnologias oriundas de outros campos do conhecimento, para além da saúde, 
empodera os usuários nas tomadas de decisões sobre seu PTS, democratiza a assistência 
atuando extramuros, e desloca seu foco da doença para a promoção de saúde mental e 
reinserção social (GOBBI; MISSEL , 1998).
O terapeuta Ocupacional, busca através de atividades grupais, oficinas, rodas 
de conversa, visitas domiciliares, acompanhamento terapêutico, estratégias de cuidado 
interdisciplinar e intersetorial, projetos de geração de renda e outros, criando espaços de 
experimentação e aprendizagem, explorando reflexões e subjetividades que os aproximam 
de seus territórios e das relações de conflitos e afeto nele presentes.
Neste contexto de reinserção social, os terapeutas devem enriquecer reestruturar, 
integrar, reintegrar e fortalecer, os sentimentos da vida dos indivíduos, utilizando diversas 
abordagens e atividades sejam elas expressivas, sejam elas artísticas, corporais ou 
educativas, visando ao favorecimento da reconstrução da cidadania e da reinserção social, 
visando a melhora/retornada das relações familiares e sociais, e que devem ir além de 
uma abordagem exclusivamente individual e minimalista, mas considerando o coletivo e a 
comunidade ao longo do processo de cuidado (GASPAR, 2013).
Diante de todo exposto, fica claro que um dos papéis da terapia ocupacional, é a 
reinserção social do indivíduo, em seu campo social, familiar ou de trabalho. Tendo em vista 
sempre suas atividades, ocupações e seu campo de interesse.
78UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
Vale a leitura deste recorte do site do Crefito 14, no qual eles nos informam de 
mais uma possível conquista tanto da terapia ocupacional, quanto dos nossos colegas 
fisioterapeutas. A autonomia para alguns diagnósticos e práticas.
Para saber mais acesse o link abaixo: https://www.crefito14.org.br/noticias/noticias-nota-aos-pro-
fissionais-de-fisioterapia-e-terapia-ocupacional-2022-07-04 
Sabemos o quanto a terapia ocupacional existe, devido a isso trouxe a vocês uma 
informação relevante no processo de formação, a Profissão da Terapia Ocupacional (TO) 
surgiu nos primeiros anos do século XX, sendo que a ideia da ocupação ou da diversão de 
qualquer espécie já era vista como benéfica para os doentes na história da humanidade.
Fonte: Francisco (1988, p. 50).
https://www.crefito14.org.br/noticias/noticias-nota-aos-profissionais-de-fisioterapia-e-terapia-ocupacional-2022-07-04 
https://www.crefito14.org.br/noticias/noticias-nota-aos-profissionais-de-fisioterapia-e-terapia-ocupacional-2022-07-04 
79UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caros futuros colegas de profissão, neste módulo apresentado, busquei apresentar 
para vocês, futuros terapeutas, a história e pilares da nossa profissão, e assim favorecer 
com que cada um de vocês, independente da abordagem que utilizem, saibam o caminho 
a percorrer.
A Terapia ocupacional, não se resume apenas a tratar a doença ou aumentar a 
vida, trata-se de qualidade de vida, de resgate de individualidade de entender o indivíduo 
como todo, como ser ativo, produtivo e funcional, trata-se de um ser humano, dotado de 
sentimentos e crenças. 
Também pontuamos neste volume, que vários são os caminhos, ou as especialidades 
que podemos escolher trilhar, mas sempre, devemos estar atentos que estamos lidando 
com pessoas e famílias, e sempre devemos ter empatia e reforço que temos de buscar 
melhorar a qualidade de vida de nossos pacientes.
Espero, sinceramente ter contribuído de maneira significativa, neste processo de 
formação, proporcionando e compartilhando conhecimento.
Até a próxima oportunidade!
 
80UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
Título: Atividades Humanas & Terapia Ocupacional
Autora: Carla Regina Silva
Editora: HUCITEC
Sinopse: Este livro primeiro livro, ATIVIDADES HUMANAS 
& TERAPIA OCUPACIONAL, nasce do sonho e do trabalho 
coletivo de compartilhar reflexões, experiências e processos 
de formação dos terapeutas ocupacionais e pesquisadores que 
compõem o grupo de pesquisa Ahto. O grupo tem o propósito 
de investigar, produzir e experimentar as potencialidades na 
relação entre as atividades humanas e a Terapia Ocupacional. 
Nesse caminho, tecemos composições com os campos da 
história e da epistemologia, dos saberes e fazeres plurais, 
da formação engajada e das aprendizagens significativas. 
Conscientes de nosso compromisso ético-político, buscamos 
reafirmar a potência dos sujeitos e coletivos com os quais 
compartilhamos produções de vida.
LIVRO
Título: Cotidiano, atividade humana e ocupação.
Autora: Mariana Moraes Salles e Thelma Simoes Matsukura
Editora: EDUFSCAR 
Sinopse: Este segundo livro, focaliza a Terapia Ocupacional 
sob a perspectiva do cotidiano e do fazer humano em sua 
complexidade, onde diferentes ângulos e abordagens se 
reúnem em um diálogoamplo, multifacetado e dinâmico. Assim, 
para compor este panorama, adotamos como linha condutora 
o campo da saúde mental, e foram convidados profissionais 
reconhecidos, terapeutas ocupacionais pesquisadores, de 
diferentes regiões do país, para contribuírem enquanto autores, 
o que agregou valor na qualidade e amplitude de reflexões 
aqui apresentadas e que devem muito contribuir tanto para 
formação graduada e continuada como para as pesquisas em 
expansão no campo da terapia ocupacional brasileira. 
81UNIDADE 4 ATIVIDADE HUMANA
FILME/VÍDEO 
Título: O modelo de ocupação humana e participação 
ocupacional
Ano: 2020
Sinopse: Este vídeo do CREFITO 3, fala sobre o modelo da 
ocupação humana e a participação ocupacional, além de 
assuntos relacionados a área de Atuação: Disfunção física em 
adultos Reabilitação das doenças neurológicas Tecnologias 
para a reabilitação Modelo de ocupação humana História e 
fundamentos de Terapia Ocupacional no Brasil Pesquisa e 
formação em Terapia Ocupacional.
Link de acesso:
https : / /www.bing.com/searchq=O+modelo+de+ocu-
pa%C3%A7%C3%A3o+humana+e+participa%C3%A7%-
C3%A3o+ocupacional+video&cvid=a01e13af313b4e7386b-
1f887ce45d4de&aqs=edge..69i57.3711j0j1&pglt=43&FOR-
M=ANNTA1&PC=U531 
FILME/VÍDEO 
Título: Terapia ocupacional e integração sensorial
Ano: 2016.
Sinopse: Este vídeo fala sobre a abordagem de integração 
sensorial, com a palestrante Dra. Sandra Cristina Pizzocaro 
Volpi 
Link de acesso: https://www.youtube.com/watch?v=CN3eeA-
Q4woQ 
https://www.bing.com/searchq=O+modelo+de+ocupa%C3%A7%C3%A3o+humana+e+participa%C3%A7%C3%A3o+ocupacional+video&cvid=a01e13af313b4e7386b1f887ce45d4de&aqs=edge..69i57.3711j0j1&pglt=43&FORM=ANNTA1&PC=U531 
https://www.bing.com/searchq=O+modelo+de+ocupa%C3%A7%C3%A3o+humana+e+participa%C3%A7%C3%A3o+ocupacional+video&cvid=a01e13af313b4e7386b1f887ce45d4de&aqs=edge..69i57.3711j0j1&pglt=43&FORM=ANNTA1&PC=U531 
https://www.bing.com/searchq=O+modelo+de+ocupa%C3%A7%C3%A3o+humana+e+participa%C3%A7%C3%A3o+ocupacional+video&cvid=a01e13af313b4e7386b1f887ce45d4de&aqs=edge..69i57.3711j0j1&pglt=43&FORM=ANNTA1&PC=U531 
https://www.bing.com/searchq=O+modelo+de+ocupa%C3%A7%C3%A3o+humana+e+participa%C3%A7%C3%A3o+ocupacional+video&cvid=a01e13af313b4e7386b1f887ce45d4de&aqs=edge..69i57.3711j0j1&pglt=43&FORM=ANNTA1&PC=U531 
https://www.bing.com/searchq=O+modelo+de+ocupa%C3%A7%C3%A3o+humana+e+participa%C3%A7%C3%A3o+ocupacional+video&cvid=a01e13af313b4e7386b1f887ce45d4de&aqs=edge..69i57.3711j0j1&pglt=43&FORM=ANNTA1&PC=U531 
https://www.bing.com/searchq=O+modelo+de+ocupa%C3%A7%C3%A3o+humana+e+participa%C3%A7%C3%A3o+ocupacional+video&cvid=a01e13af313b4e7386b1f887ce45d4de&aqs=edge..69i57.3711j0j1&pglt=43&FORM=ANNTA1&PC=U531 
https://www.youtube.com/watch?v=CN3eeAQ4woQ 
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BEZERRA, W. C; TRINDADE, R. L. P. Gênese e constituição da terapia ocupacional: em 
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MEDEIROS, Maria Heloisa da R. Editorial.programas de formação profissional, para contextualizar e 
elencar com as demandas atuais.
A Terapia Ocupacional veio para preencher uma lacuna, no tratamento de indivíduos 
que por vários motivos, não são capazes de viver uma vida ativa e integrada a sociedade. A 
profissão tem como objetivo prevenir e sanar este tipo de dificuldade, o tratamento realiza-
se através de uso especifico de atividades selecionadas e graduadas.
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8UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
 Apesar de não haver registros formais sobre a Terapia Ocupacional na antiguidade, 
há referências ao longo da história do Homem, que apontam para a importância da ocupação 
como processo terapêutico. O homem da antiguidade já utilizava o trabalho como forma de 
atendimento as pessoas portadoras de deficiência mental, a ideia de que a “diversão” e a 
ocupação de qualquer espécie seriam benéficas para aos doentes, é apontada há muitos 
anos na história da medicina (FRANCISCO, 2011).
Como por exemplo, em 2000 a.C., há evidências de que os egípcios utilizavam 
música e jogos para alívio do humor melancólico, em pacientes depressivos e ainda nesta 
época, a ocupação não era encarada como processo terapêutico, com orientação e pres-
crição, eram apenas entretenimento que se demonstrou eficaz na recuperação da saúde
Hipócrates, em 220 a.C. relativizava a ligação entre o físico e a mente e recomendava 
a luta greco-romana, a equitação, o trabalho atividades físicas. Galeno, o médico grego 
em 127 a.C, escreve “a ocupação é o melhor remédio da natureza e é essencial para 
proporcionar a felicidade humana”. (CAVALCANTI, 2007).
 Já no final do século XVII, coincidindo com o início do desenvolvimento dos 
hospitais, a ocupação foi usada como método de tratamento em alguns países como 
Inglaterra, Franca, Itália e América. Na Itália, achava-se que o trabalho moderno combinado 
com diversão era garantia para meio de cura (CANÍGLIA, 2003).
 E em 1795, o Dar Philipe Pinel, médico francês, após a Revolução Francesa teve 
acesso as instituições asilares que tratavam doenças mentais, e encontrou grades e celas 
e pacientes acorrentados e camisa de forças, insatisfeito com a situação ele revoluciona 
 1 HISTÓRIA DA TERAPIA 
OCUPACIONAL NO MUNDO
TÓPICO
9UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
e liberta os pacientes e inicia o tratamento com a ocupação com atividades manuais e 
jardinagem, ele aconselha o uso da ocupação em seus relatórios, valorizando a importância 
da atividade/ocupação humana, associando ao tratamento da moral, afirmando ainda 
que: “o trabalho executado com rigor é o melhor método para a boa moral e disciplina”, 
prescrevendo exercícios físicos e trabalhos manuais. Começa então, a ser difundida, uma 
proposta terapêutica tendo uma maior aceitação a partir do século XIX (WILLARD, 2013).
O médico, Benjamim Rusch, em 1798, atuante em um hospital psiquiátrico 
prescreveu, atividades manuais como fiação, costura e também jardinagem como medida 
terapêutica para pacientes com transtornos mentais. Também como consequência das I e 
II Guerras, e o aumento significativo dos números de soldados incapazes seja pela neurose 
pós-guerra, ou mesmo pelas amputações e disfunções físicas, surge a necessidade de 
um tratamento mais especifico, assim a terapia ocupacional ganha destaque com o uso de 
dispositivos, métodos e técnicas com analise de movimentos associados a incapacidades 
físicas (MOREIRA, 2008).
E como consequência do pós-guerra o desenvolvimento da Terapia Ocupacional 
na Inglaterra foi ganhando destaque, na área de reabilitação físicas, com a criação de 
departamentos de Terapia Ocupacional nos hospitais militares, pois era necessário reabilitar 
os jovens militares que ficaram incapacitados durante a guerra. A ideia de trabalho para 
tratamento de reabilitação, foi mais enfatizada durante a primeira guerra. E entre 1900 
e 1929 com a mudança no mundo e na medicina, tivemos a origem formal da terapia 
ocupacional, sendo implantado em 1906 o professor de arte nos hospitais psiquiátricos 
(HAGEDORN, 2003).
 Diante deste cenário em 1906, a enfermeira chefe do hospital de Boston nos 
Estados Unidos, chamada Susan Tracey, inicia uma formação destinada a estudantes de 
enfermagem, com título de “ocupação para doentes”, e algum tempo depois por volta de 
1910 publica os estudos e resultados alcançados em formato de livro. Também em 1908, 
inicia em Chicago, um curso de treino ocupacional para preparar as enfermeiras que iriam 
atuar em instituições voltadas para tratamentos em saúde mental foi criado na Chicago 
Scholl of Civics and Philanthropy (CAVALCANTI, 2007).
Em 1915, foi criada a primeira escola para lecionar Terapia Ocupacional em Chicago, 
nos Estados Unidos da América. E logo no ano de 1921 foi aprovado o padrão mínimo 
para de formação e o credenciamento dos cursos foi iniciado em 1938. Posteriormente em 
1930, a Dra. Elisabeth Casson, implementou na Dorset House Psyquiatric Nursing Home, 
em Bristol, a primeira escola de treino em Terapia Ocupacional na Europa, após o contato 
10UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
com as escolas americanas de New York e Boston. Na Inglaterra, em 1936, se forma a 
associação de terapeutas ocupacionais (AOT) (HAGEDORN, 2003).
Mais somente nos países mais afetados pela Segunda Guerra Mundial (1939- 1945), 
que se implantaria a Terapia Ocupacional, isto porque o trabalho deveria ter um papel 
relevante na reabilitação e reinserção social dos soldados feridos, através da reaprendizagem 
das atividades, que foram nomeadas de atividades da vida diária e artesanais. Diante disto, 
acreditava-se que a ocupação ajudava na melhora das incapacidades e reinserção gradativa 
do indivíduo a sociedade. Neste modelo, surgia ocupação ligada ao modelo médico e o maior 
desafio era criar atividades elaboradas individualmente de acordo com o perfil individual do 
paciente, buscando uma maior adesão ao tratamento (FRANCISCO, 2008).
A institucionalização da terapia ocupacional, ocorreu entre 1906 e 1938, com a 
oferta do curso de formação, seguida da organização da categoria em 1917, que foi chama-
da de Sociedade Nacional Para Promoção Da Terapia Ocupacional, logo depois mudando 
para Associação Americana De Terapia Ocupacional (AOTA). Sendo assim Tracy, foi uma 
das primeiras terapeutas ocupacionais fundadoras da AOTA e Eleanor Clarke Sangle, foi 
por 8 anos diretora da primeira escola de terapia Ocupacional, situada em Chicago (FRAN-
CISCO, 2008).
Em 1952, foi criada a Federação Mundial de Terapeutas Ocupacionais (www.wfot.
org). Desta organização fazem parte associações de terapeutas ocupacionais de todo o 
mundo. A terapia ocupacional, em síntese foi criada a partir de duas vertentes, a ocupação 
de doentes crônicos em hospitais de longa permanência com base em programas recreati-
vos, laborterápicos e restauração da capacidade funcional de dos incapacitados físicos em 
programas multidisciplinares de reabilitação (WILLARD, 2013).
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11UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
 2 HISTÓRICO DA TERAPIA 
OCUPACIONAL NO BRASIL 
TÓPICO
No Brasil, a terapia ocupacional iniciou sua intervenção nos anos 40, com doentes 
mentais e na década seguinte, com incapacitados físicos, objetivando a remissão dos 
sintomas patológicos e a reabilitação social e reinserção profissional e autonomia deste 
indivíduo. Para isso, utilizou o trabalho, a recreação e o exercício como forma de tratamento 
e readaptação do individua para sociedade, enxergando-o como um ser biopsicossocial 
(SHIMOGUIRI, 2017).
A vinculação destas 3 formas de atividades humanas numa abordagem terapêutica 
em respostasCad. de Terapia Ocupacional da UFSCar, ano 
IX vol.9 nº 1, São Paulo, janeiro/junho/2001.
MINAYO in GUTIERREZ, Denise Machado Duran; MINAYO, Maria Cecília de Souza. 
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PEDRETI. L; WA FARIY. M. B. Terapia ocupacional: capacidades praticas para as disfun-
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SHIMOGUIRI, A. F.D. T; COSTA-ROSA, A. Do tratamento moral à atenção psicossocial: a 
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Koogan Editora, 2013.
WILLARD, H. S. Willard & Spackman. Terapia Ocupacional. 11. ed. Rio de Janeiro: Gua-
nabara Koogan, 2011. 
87
CONCLUSÃO GERAL
 
Prezado (a) aluno (a),
 
Neste material, busquei trazer para você os principais conceitos a respeito da 
história e Fundamentos da Terapia Ocupacional no Mundo e no Brasil. 
Para tanto, este material teve como objetivo, explanar um pouco da história da 
terapia ocupacional e sua evolução ao longo dos anos, e como ela vai ganhando espaço e 
se adaptando as mais diversas demandas do ambiente. 
Ressaltamos também os maiores movimentos que influenciaram diretamente na 
construção da profissão e sua identidade.
É a partir da experiência, da ação, do fazer, que nós desenvolvemos e aprendemos 
a pensar e não o contrário. 
Quando falamos da história da terapia ocupacional, sempre iniciamos partindo do 
pressuposto de a ocupação e a atividade servem para tratar, porem temos que salientar 
que a história da terapia ocupacional, só começa depois que ela e entendida e reconhecida 
como profissão.
Pontuamos neste volume, que vários são os caminhos, ou as especialidades que 
podemos escolher trilhar, mas sempre, devemos estar atentos que estamos lidando com 
pessoas e famílias, e sempre devemos ter empatia e reforço que temos de buscar melhorar 
a qualidade de vida de nossos pacientes. 
Espero, sinceramente ter contribuído de maneira significativa, neste processo de 
formação, proporcionando e compartilhando conhecimento. 
 
Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigada!
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	Site UniFatecie 3: 
	Botão 11: 
	Botão 8: 
	Botão 9: 
	Botão 10:as demandas sociais especificas constituem historicamente a terapia 
ocupacional. Na Europa, a institucionalização da profissão ocorreu de forma mais gradativa 
no início do século XX, no Brasil, ocorreu entre 1948 e 1980 (MOREIRA, 2008). 
No Brasil a utilização da ocupação como alternativa terapêutica, ligada a vinda da 
família Real portuguesa, que reestruturou a o serviço de psiquiatria brasileiro principalmen-
te após independência. Em 1852, no Rio de Janeiro se deu início o uso das ocupações 
como forma de tratamento com a fundação do Hospital D. Pedro II. E Juliano Moreira em 
1911, criou a colônia para mulheres onde o trabalho era a terapêutica, fazendo com que 
o tratamento pela ocupação tivesse maior reconhecimento e recebesse um impulso (DE 
CARLO; BARTALOTTI, 2001).
A partir da inauguração do hospital Juqueri, no Rio de Janeiro, os médicos Franco 
da Rocha e Pacheco deram início a um tratamento denominado “praxiterapia”, que seria 
a utilização terapêutica do trabalho, distribuindo-se tarefas de complexidade crescente, 
terapia ocupacional. E no Nordeste brasileiro, quem introduziu a ocupação terapêutica foi, 
Ulisses Pernambucano, em 1931. (HAGEDORN, 2003).
12UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
Em 1940, com as novas diretrizes e leis protecionistas criadas pelo movimento de 
reabilitação, dos quais faziam parte Nações Unidas (ONU), Organização Internacional do 
Trabalho (OIT) e a Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura 
(UNESCO) que propunham implantação de serviços específicos para essa população, 
surge no Brasil novos programas para incapacitados físicos. Pois enquanto outros países, 
estavam voltados para a reabilitação pós-guerra, o Brasil ocupava-se com as doenças 
crônicas, deficiências congênitas e doentes ocupacionais, então, surgiu a partir desta 
demanda a terapia ocupacional no Brasil (CANÍGLIA, 2003).
 Por volta de 1940, Nise da Silveira, que atuava no Centro Psiquiátrico Nacio-
nal, opôs-se aos tratamentos como eletrochoque e lobotomia, pois para ela a vida psíquica 
deveria ser pensada como processo constante de interação com aquilo que cerca cada ser 
humano, melhorando sua qualidade de vida (SHIMOGUIRI, 2017). 
E para isso, Nise cria o centro de terapia ocupacional, que no início era apenas 
centro de treinamento em saúde mental, em 1956 cresce à reabilitação física, se tornando 
de nível universitário em 1961, pela lei de currículo mínimo, com a duração de 3 anos. O 
reconhecimento da profissão foi promulgado somente em 1969. Nesta mesma época, 
em 1940, a sociedade civil com apoio do Rotary Internacional criou entidades para pessoas 
com deficiências físicas e mentais, dentre as quais estão as APAES (associação de pais e 
amigos dos excepcionais) e as sociedades Pestalozzi, devido ao grande surto de poliomielite 
(CAVALCANTI, 2007).
Em 1951, a ONU enviou para a América Latina emissários responsáveis para achar 
um local para ser implementado um Centro de Reabilitação, ficando escolhido o hospital 
de Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em que o local já 
usava a laborterapia desde a década de 40. E foi então a partir deste centro que se inicia a 
formação profissional (CAVALCANTI, 2007).
Em 1957, começam os primeiros cursos com ênfase na área física, que tinham 
como objetivo, a reabilitação e desenvolver as capacidades residuais, em São Paulo no 
instituto de reabilitação da faculdade de medicina da USP e no Rio de Janeiro. Em 1963, 
foi aprovado o currículo do curso de fisioterapia e terapia ocupacional da ABBR no Rio de 
Janeiro. E finalmente, em 1969, foi reconhecido como curso superior, sendo oficializado 
apenas em 1971, já em 1975, foi criado o conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, 
o COFITO (CREFITO, 2022).
O Sindicato da categoria, em conjunto com a fisioterapia, foi criado em 1980 e em 
1983, o MEC amplia para 4 anos o curso de graduação e aumenta para 3240 horas. Logo 
no ano de 1994, foi organizada a ABRATO, Associação Brasileira de Terapia Ocupacional. 
13UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
A terapia ocupacional surgiu então, basicamente de dois movimentos, a ocupação 
dos doentes crônicos em hospitais de longa duração com base em programas recreativos e 
laborterápicos, e a da necessidade da restauração física e mental do pós guerra, com programas 
de reabilitação multidisciplinares. Ao trabalhar a clientela que sofre de acometimento orgânico, 
enfoca primordialmente a restauração física, que busca atingir o máximo da capacidade motor, 
sem perder de vista os demais objetivos da terapia ocupacional física, que são o treinamento 
de hábitos de trabalho e o treinamento vocacional (CAVALCANTI, 2007).
Vários termos foram empregados para indicar a Terapia Ocupacional, como por 
exemplo a ergoterapia da escola francesa, a laborterapia, praxiterapia, entre outros. A 
terapia ocupacional é uma forma de tratamento e desenvolvimento que abrange várias 
áreas: física, psíquica e social, este tratamento é feito através de atividades previamente 
elaboradas, sendo elas artísticas, intelectuais físicas, educacionais e recreativas com 
objetivos específicos, que ajudam o paciente a obter o máximo da sua capacidade, 
contribuindo assim para sua reintegração na comunidade (CAVALCANTI, 2007).
Diante de todo histórico, vimos que a TO, está intimamente ligada a reabilitação 
do indivíduo, através de atividades, considerando as necessidades especificas de cada 
caso, mais tendo sempre em mente o indivíduo como um biopsicossocial, vendo-o como 
um todo, desde sua carga genética até seus padrões culturais e sociais. Ela busca através 
das atividades propostas uma resposta física ou mental adequada, com objetivo de torna-lo 
mais produtivo e funcional.
 
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14UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
 3 MOVIMENTOS PRECURSORES DA 
TERAPIA OCUPACIONAL 
TÓPICO
Nos séculos XVII e XVIII, acreditava-se que todos os indivíduos que padeciam 
de alguma incapacidade, como velhos, prostitutas, indigentes, loucos ou deficientes 
eram considerados ameaças à sociedade e assim deveriam ser isolados da sociedade, 
afastando-os de seu convívio social. Eles eram colocados em instituições fechadas para 
tratamento, mais o que se via era apenas isolamento e exclusão, protegendo a sociedade 
contra a desordem dos chamados diferentes (MOREIRA, 2008).
Nestes asilos estavam os marginalizados sociais, não reconhecidos ainda como 
doentes, que sofriam ações punitivas, dentro de um sistema carcerário. As correções e 
punições, indiferente da condição do indivíduo ou do seu delito fosse este, por exemplo, 
um desvio familiar ou indisciplina militar, eram semelhantes pois ali, todos eram reunidos 
no mesmo estabelecimento, pois estavam sob o mesmo estatuto legal, enquadrados como 
insanos. As exigências disciplinares e corretivas não tinham intenção de diagnóstico ou 
tratamento médico (BEZERRA, 2013).
Em algumas destas instituições, haviam agentes institucionais que defendiam a 
reestruturação da instituição asilar, e defendiam a criação de espaços médicos, separando 
os internos de acordo com sua patologia. Estes asilos e instituições tinham objetivo muito 
mais, do que espiritual, que buscavam a salvação da alma do indivíduo e a sua própria, do 
que a promoção da saúde (MOREIRA, 2008).
Até que o hospital e seu funcionamento se reorganizavam e começavam a funcionar 
com critérios médicos, surge no início do século XIX a medicina hospitalar e o processo 
15UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
terapêutico como conhecemos hoje. E apesar de se manterem no estigma do isolamento 
social, começam as propostas terapêuticas, e então o médico assume a responsabilidade 
pela organização hospitalar. Já no século XIX, com as sanções médicas e os tratamentos, 
os diagnósticosvindos da experiência médica separam os doentes dos “marginais”, que até 
então eram tratados indistintamente. Diante disto, o francês J.P. Goubert traz esclarecimentos 
sobre a transformação nos atendimentos médicos de seu país (CAVALCANTI, 2007).
O tratamento da Moral, base do tratamento asilar, não preconizava a cura, mas sim o 
recondicionamento do doente para impedir a desordem, através de normas de conduta e de 
técnicas coercitivas. Nesta escola do tratamento da Moral, o que se pregava era a modificação 
do comportamento com a correção de hábitos não errados e a criação e manutenção de 
hábitos saudáveis, visando a normalização dos comportamentos. Neste contexto, era inserida 
as Atividades de Vida Diária (AVD), consideradas normais, realizadas em um ambiente alegre 
e de apoio para uma vida saudável. Uma das estratégias também utilizadas era o trabalho 
como recurso terapêutico (laborterapia) que visava a ressocialização e tinham cunho rentável, 
tanto para o paciente como para a instituição (CAVALCANTI, 2007).
Foi prescrito e orientado pelos médicos, sendo núcleo central do tratamento da 
Moral, determinando a relação estreita até hoje conservada, entre psiquiatras e terapeutas 
ocupacionais. Com a implantação do racionalismo experimentalista e da escola do 
pensamento científico, o enfoque do tratamento da doença, passa a ser o cérebro humano 
invés do ambiente, substituindo a filosofia humanitária que apoiava o tratamento da moral, 
no qual entrou em declínio no século XIX, buscando razões anatômicas, bioquímicas ou 
endócrinas para a doenças (CAVALCANTI, 2007).
 Baseando-se na teoria da psicobiologia e as relações entre padrões de 
hábitos e doença mental, propõe-se que o homem seja visto como um organismo complexo 
(biológico, psicológico e social), trazendo o enfoque do tratamento de volta para os padrões 
de comportamento e estilo de vida, dando menos atenção ao cérebro em si. A metodologia 
baseava-se em utilização ativa e intencional do tempo (FRANCISCO,2008).
 Inicia-se então o movimento de reabilitação, que veio da crescente 
preocupação com a prevenção de ocorrências e recorrências de doentes e incapacitados 
pela guerra. Este tratamento baseava-se em reabilitar e reinserir socialmente o indivíduo, 
restaurando sua capacidade metal e competência, tornando-o produtivo e funcional, através 
dos treinos de autocuidados, e padrões sociais.
 Luís Cerqueira e Ulisses Pernambucano percursores da terapia ocupacional 
no Brasil, partiram do princípio do Tratamento – ativo, que tinha como ideia de que a ‘vida é 
atividade, principio que rege tanto a vida corporal como mental, dado que o homem nunca 
16UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
permanece sem fazer nada; se ao faz algo útil, faz algo inútil”. Divergindo assim que o 
tratamento no leito, que diminuía a atividade física e mental (FRANCISCO, 2011).
Diante disso, podemos afirmar que o uso das atividades como recurso terapêutico, 
como prática médica, vem demonstrado na literatura desde os tempos antigos, mais 
realmente descrita e registrada a partir do século XX, no qual aceitou-se que a saúde e 
bem estar do indivíduo, está diretamente atrelada as suas experiencias diárias, sejam elas 
físicas, mentais ou socias. 
Como profissão da área da saúde e categoria profissional, a terapia ocupacional, está 
diretamente ligada ao pós-guerra, que provocou inúmeros incapacitados e neuróticos, sendo 
os programas ainda, dirigidos por médicos, que supervisionavam as enfermeiras e assistentes 
sociais, que posteriormente se tornariam terapeutas ocupacionais (HAGEDORN, 2003).
 Naquela época, davam preferência as mulheres para exercer a profissão, devido 
as suas características maternais e maior empatia, que eram necessárias para tratamento 
dos doentes mentais. Nas décadas de 30 e 40, com o maior conhecimento na área da saúde 
e também sobre as patologias de um modo geral, surge a necessidade de intervenções mais 
adequadas, surgindo a necessidade de a terapia ocupacional alcançar o status cientifico, pois 
no tratamento pela ocupação era considerado não cientifico (HAGEDORN, 2003).
 A profissão começa a abordar novas técnicas de tratamento, diante de novas 
demandas que vão surgindo, conforme se tornam mais complexas busca-se a melhor e 
mais assertiva forma de tratamento, sendo desenvolvida assim novos recursos técnico e 
tecnologias mais eficazes, bem como novos dispositivos e adaptações. Apesar da crise 
econômica nos Estados Unidos, que faz com que aumente o número de escolas, isso 
faz com que seja elaborado padrões mínimos para os cursos), com isso ocorre uma 
expansão da profissão, principalmente na reabilitação física, logo depois surgem os 
serviços especializados e hospitais gerais e instituições asilares, que ao longo do tempo se 
transformam e entidades de reabilitação (CAVALCANTI, 2007).
 No Brasil, as primeiras instituições surgem na segunda metade do século XIX, 
com a fundação de hospitais para atender deficientes físicos, visuais e doentes mentais. 
Bastante influenciado pela vinda da família real portuguesa, que impulsiona a reestruturação 
do tratamento psiquiátrico, que se inicia com o uso da do trabalho como tratamento, no 
Hospício D Pedro I. Outro incentivador da profissão, foi a criação do Hospital Juqueri, que 
recebia pacientes do Brasil todo, chegando a ter até 1000 pacientes, em que se utilizava o 
tratamento pelo trabalho, chamado praxiterapia (WILLARD, 2013).
No século XX, com Nise da Silveira e Juliano Moreira, baseando no tratamento da 
moral, baseados no tratamento da Moral, também utilizam a ocupação como recurso. 
17UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
E já na década de 40, introduz no Brasil, decorrente do movimento internacional 
de reabilitação, implanta-se os programas específicos para esta população, ou sejam 
os incapacitados pela guerra. Fazendo assim, com que no Brasil, que antes utilizava a 
ocupação, como objetivo terapêutico nos hospitais psiquiátricos, implante-se a reabilitação 
física nos cursos de formação e na profissão (SILVEIRA, 2002).
No hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, na década de 40, já 
utilizava, o programa de laborterapia afim de reduzir os efeitos da hospitalização de longos 
períodos. Na década de 1950, a terapêutica ocupacional no Brasil, era tida como qualquer 
tipo de ocupação ou trabalho utilizado na reabilitação dos incapacitados. nesta época já 
havia o reconhecimento, da profissão, visto que financeiramente era melhor reabilitar e 
reinserir o indivíduo no mercado de trabalho (WILLARD, 2013).
Até meados de 1963, a terapia ocupacional, atuante na reabilitação física era 
responsável somente, por tratar membros superiores e técnicas em atividades de vida 
diária. A partir de 1959, inicia a formação de técnicos de alto padrão em fisioterapia e 
terapia ocupacional, com curso oferecido por 2 anos.
Em 1970, impulsionado pela necessidade de uma identidade profissional, fez com 
que esse período se reconhece novos trabalhos como, Fidler, Azima, A. J. Ayres, entre 
outros, destacando-se no Brasil Jô Benetton, que se dedicou a abordagem psicodinâmica 
na terapia ocupacional.
 
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18UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
 4 CONCEITO DE LABORTERAPIA, 
PRAXITERAPIA E ERGOTERAPIA
TÓPICO
 Para alguns autores, os três principais, e devemos conhecer e diferenciar 
cada conceito, para assim, buscar uma conduta mais assertiva.
I) ERGOTERAPIA: 
É uma técnica e não um método, que utiliza a ocupação dos doentes mentais sob 
forma de atividades físicas e particularmente como atividades manuais, como meio de 
readaptação. Utiliza o trabalho como tratamento, amplamente utilizados, em colônias 
e instituições asilares, com aqueles que em estado crônico, subsistem de lucidez e saúde 
físicasuficientes. Situa-se na mesma base do tratamento da Moral. É indispensável nos 
estados agudos suscetíveis de cura, favorecendo a preservação mental e reinserção 
social. No dicionário, o Método de tratamento por meio da realização de trabalhos manuais, 
ou outros, de acordo com a capacidade e a preferência dos doentes, em geral do foro 
psiquiátrico (CREFITO, 2022).
II) LABORTERAPIA
É um conceito que se baseia, na vida produtiva, no ser funcional e atuante na 
sociedade. Em síntese, seria uma ciência que busca orientar o indivíduo em atividades 
selecionadas, que tem como objetivo restaurar e desenvolver habilidades, e funções 
essenciais à vida. Diminuindo patologias e promovendo a saúde, conservando a capacidade 
para que os indivíduos possam durante a vida executar seu papel, e aquelas atividades 
essenciais para uma vida produtiva e funcional. 
19UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
A TO e laborterapia, são métodos terapêuticos que utilizam a ocupação pelo 
trabalho, como forma de tratamento, objetivando a cura, deixando em segundo plano o 
produto obtido pela ocupação, ou seja, a laborterapia, utiliza o trabalho, como recurso 
terapêutico, visando não o que se produz, mais a reinserção social, e tendo em vista o 
indivíduo como um ser atuante e funcional (Rev. Bras. T. O. 2022).
III) PRAXITERAPIA
Originada da expressão práxis, ou seja, ação ou atividade. Na concepção de alguns 
autores a praxiterapia é o que está mais próximo, no conceito de terapia ocupacional, pois, 
não está ligada ao produto final e sim na satisfação e da ação moral que se encontra 
no conceito de ocupação. Já para outros autores a praxiterapia é qualquer atividade ou 
trabalho em que o indivíduo se ocupa, ou seja, exercício, emprego, modo de vida, portanto, 
qualquer ação física, ou apenas intelectual.
Sendo assim o trabalho é considerado, também uma forma de ocupação o que 
significa que, nem toda ocupação e um trabalho.
 Resumindo:
Ergoterapia = técnica;
Praxiterapia = ação, atividade ou ocupação;
Laborterapia = exercício, aprendizagem.
No dicionário, a Técnica psiquiátrica de tratamento usada, geralmente, com pacien-
tes crônicos hospitalizados, e que consiste na utilização terapêutica do trabalho, distribui-se 
em tarefas de complexidade crescente na terapia ocupacional.
20UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
 A prática da Terapia Ocupacional está baseada em conceitos que se reconhecem:
 ● Atividade do ser humano (necessidade);
 ● Privação da ação na vida gera infelicidade;
 ● Ocupando-se através das atividades o indivíduo explora suas potencialidades, 
ou seja, percepção cognição, motricidade e sensibilidade, entre outras.
O produto final da atividade é secundário, o indivíduo é um cliente, ser humano, 
produtivo e funcional. O qual se fortalece, através de recursos terapêuticos para reabilitá-los. 
O objetivo maior da terapia ocupacional é, e sempre será o paciente. A terapia ocupacional, 
trabalha, combinando as necessidades específicas de caso, mas sempre tendo em mente o 
indivíduo como um todo, através de atividades buscando uma resposta adaptativa adequada.
Fonte: CONCEITO de Terapia Ocupacional, 2013. Disponível em: https://conceito.de/terapia-ocupacional Acesso em: 10 dez. 2022.
Segundo Meyer, psiquiatra americano, a “nossa concepção de homem é aquela 
de um organismo que se mantem e se equilibra no mundo de realidade e efetividade por 
estar em vida ativa e em uso ativo, isto é usando, vivendo e agindo sobre seu tempo em 
harmonia com sua própria natureza e sobre a natureza ao seu redor”.
Fonte: TILLICH, P. A concepção de homem na filosofia existencial. Revista da Abordagem Gestáltica, vol. 16, Goiânia, 2010. 
Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-68672010000200014 Acesso em: 10 jan. 2023.
https://conceito.de/terapia-ocupacional
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-68672010000200014 
21UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Prezado aluno,
Este material teve como objetivo, explanar um pouco da história da terapia 
ocupacional e sua evolução ao longo dos anos, e como ela vai ganhando espaço e se 
adaptando as mais diversas demandas do ambiente. Ressaltamos também os maiores 
movimentos que influenciaram diretamente na construção da profissão e sua identidade.
Baseado neste processo agrupador e na falta de um tratamento amplo e humanizado, 
a TO, visa integrar o indivíduo, no intuito de ajudá-lo na conquista de seu meio familiar, 
profissional e social, de acordo com suas potencialidades, utilizando para atividades e 
recursos terapêuticos.
A evolução da profissão, surge da necessidade percebida pelos profissionais, de 
se trabalhar a reintegração familiar e social destes pacientes, resgatando ao máximo suas 
potencialidades, desvinculando-se gradativamente do contexto hospitalar, evitando futuras 
reinternações, além de desenvolver a sua autonomia e funcionalidade. E a grande certeza 
de que a ocupação traz benefícios para o homem e principalmente para o homem doente, 
é reconhecida pela medicina a muito tempo.
22UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
MATERIAL COMPLEMENTAR 
LIVRO
Título: Terapia Ocupacional
Autor: Willard e Spackman.
Editora: medica Panamericana.
Sinopse: O delimita o campo e a disciplina acadêmica emergente 
da ciência ocupacional, discute as funções dos terapeutas 
ocupacionais e assistentes de terapia ocupacional e o processo 
de raciocínio clínico. Delimita abordam a aliança terapêutica e a 
análise de atividades, assuntos preliminares para a intervenção 
da terapia ocupacional. Delineiam os princípios de avaliação e 
tratamento. Finalmente discutem as questões relacionadas ao 
trabalho no sistema de cuidados de saúde, a ética, a pesquisa, 
nossa herança histórica e os desafios para o futuro.
 
LIVRO
Título: Mania de Liberdade
Autor: Nise da Silveira.
Editora: FioCruz.
Sinopse: “O livro Mania de Liberdade é extremamente oportuno, 
pois cobre uma injusta lacuna na história da psiquiatria rebelde 
brasileira. Trata-se de um importantíssimo resgate de uma 
figura ao mesmo tempo central e marginal. Central porque 
personificou uma corajosa rebeldia perante a psiquiatria 
dominante nos anos 1940”.
23UNIDADE 1 HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL
FILME/VÍDEO 
Título: Daniel Marinho-100 anos da Terapia Ocupacional
Ano: 2017.
Sinopse: Embora a Terapia Ocupacional reconheça suas raízes 
em tempos tão distantes quanto a época da Grécia Antiga, 
um marco temporal - a oficialização da AOTA (ainda NSPOT na 
época), em 17 de março de 1917 - tornou-se referência histórica 
para terapeutas ocupacionais de todo o mundo. Neste vídeo, 
Dr. Daniel Marinho conta um pouco da história da profissão e 
faz um relato sobre os preparativos para as comemorações do 
centenário da Terapia Ocupacional, que ocorrerá em evento no 
final de março de 2017, nos Estados Unidos.
Link de acesso: https://www.youtube.com/watch?v=VYfOK_3s-
r5s 
 
FILME/VÍDEO 
Título: Nise: O Coração da Loucura
Ano: 2016.
Sinopse: Nos anos 1950, uma psiquiatra contrária aos 
tratamentos convencionais de esquizofrenia da época é isolada 
pelos outros médicos. Ela então assume o setor de terapia 
ocupacional, onde inicia uma nova forma de lidar com os 
pacientes, pelo amor e a arte. “Não se cura além da conta. Gente 
curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de 
loucura. Vou lhes fazer um pedido: vivam a imaginação, pois 
ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca 
convivi com pessoas muito ajuizadas” (Nise da Silveira).
 
https://www.youtube.com/watch?v=VYfOK_3sr5s 
https://www.youtube.com/watch?v=VYfOK_3sr5s 
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Plano de Estudos
 ● A emergência das diferentes perspectivas teórico-
metodológicas em Terapia Ocupacional, desde aquelas relacionadas 
à vertente médica da TO;
 ● Período da constituição da profissão nas décadas de 70 e 80;
 ● Áreas de Atuação da origem a atualidade;
 ● O papel do terapeuta ocupacional nas diferentes áreas de 
atuação;
Objetivos da Aprendizagem
 ● Compreender sobre sua área de atuação;
 ● Proporcionar conhecimentos teóricos sobre formas de atuação;
 ● Conceituar o papel do terapeuta ocupacional em suas áreas de atuação;
 ● Entender qual seu papel frente a área clinicar e/ou escolar.
2UNIDADEUNIDADE
A PROFISSÃOA PROFISSÃO
DO TERAPEUTADO TERAPEUTA
OCUPACIONAL OCUPACIONAL 
Professora Esp. Emelise Silva Bordim de Carvalho
25UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
INTRODUÇÃO
 Caros alunos (as), após compreendermos um pouco sobre a história da 
terapia ocupacional, entendemos que ela surge de uma demanda médica e social, visto 
que, era necessária uma nova modalidade de tratamento, no qual buscasse não somente 
a cura mais a reinserção social e a funcionalidade do indivíduo. 
Vimos também que ao longo da história a terapia ocupacional vai se adequando e 
remodelando. Então, nesta unidade, estudaremos como as vertentes médicas contribuem 
para a evolução da terapia ocupacional, compreenderemos a formação da profissão, as 
áreas de atuação e papel do terapeuta ocupacional. 
 E por fim, aprenderemos que a terapia ocupacional é uma forma de tratamento 
que envolve as áreas físicas, psíquica, social e cognitiva, sendo sempre realizados através 
de atividades adequadas e previamente elaboradas, tendo sempre em mente o indivíduo 
como um todo.
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26UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
 1
A EMERGÊNCIA DAS DIFERENTES 
PERSPECTIVAS TEÓRICO-
METODOLÓGICAS EM TERAPIA 
OCUPACIONAL, DESDE AQUELAS 
RELACIONADAS À VERTENTE 
MÉDICA DA TO 
TÓPICO
Como já dissemos na unidade I, a terapia ocupacional surgiu de dois processos, a ocupação 
de doentes mentais em hospitais de longa duração e a reabilitação no pós-guerra, por ser, por 
muitos anos submissa ao ato médico, pois era reconhecida como uma subdisciplina pautada 
na medicina, as atividades eram prescritas pelos médicos, os terapeutas ocupacionais eram 
apenas os que administravam as atividades. Em meados de 1969, com a tecnificação e a 
o conhecimento da sociedade, a profissão ascende a nível superior, emancipando-se da 
medicina, e mesmo com essa ruptura a profissão foi significativamente influenciada pelos 
modelos e correntes médicas (CAVALCANTI, 2007).
Sendo assim, o início formal da profissão se dá as práticas intimamente ligadas ao 
uso das atividades com finalidade terapêuticos, mesmo que de modo simples. Desse modo, 
evoluiu-se no processo de edificação de um novo significado para a ocupação humana no 
que tangia na cura a cura dos infortúnios não só a da mente como do corpo, e em conta 
disso, criar uma nova profissão (GORDON, 2011).
Portanto, a compreender melhor as correntes filosóficas acerca do que é valido 
e cientifico, ou não acerca das questões que norteiam a terapia ocupacional, tendo em 
vista que o campo de atuação permeia a ciência da saúde, social e humana, a partir de 
referenciais da biofísica, bioquímica, cinesiológico e neurológico (GORDON, 2011).
Precisamos então conhecer e compreender as correntes as formas de tratamento 
baseadas nos movimentos médicos e sua evolução. O tratamento do humanitário da moral, 
que ocorreu por volta de 1800, que teve ascensão em com a revolução francesa e seu 
declínio no século XIX, no qual propunha a suspensão de punições corporais, do uso de 
27UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
grilhões e a retirada dos alienados das prisões, construindo-se assim os asilos. Neste 
momento, as atividades tem objetivo pseudoterapêutico, em ambientes que tinham como 
objetivo afastar os indivíduos da sociedade quase que em cárcere, buscando a ordem 
pública (DE CARLO; BARTALOT TI, 2001).
 Nestes asilos, iniciam-se as ocupações terapêuticas com oficinas ainda com formas 
sutis de punições. Portanto, como uma terapêutica, a laborterapia traria, supostamente, a 
capacidade do alienado mental, o retorno de sua racionalidade e funcionalidade, através 
de hábitos ditos saudáveis e a reorganização de seu comportamento e a reestruturação 
de sua rotina, sendo assim, a doença que causava divergências entre a razão e atitudes 
antissociais e problemáticas, poderiam ser modificadas pela ocupação ou pelo trabalho 
(GASPAR, 2013). 
O Tratamento Moral firmou o trabalho, acreditando que o ócio era desorganizador e 
a laborterapia desempenhava uma função corretiva e disciplinar. E nesta contextualização 
de ocupação e rotina estruturada, e esta dinâmica passa a ser extremante valorizada em que 
consolida a terapia ocupacional como ciência na área de saúde mental. Cabe ressaltar neste 
período dois nomes de grande importância, Phillipe Pinel e Willian Tuke. Eles trouxeram 
a ideia de que os indivíduos mentalmente desorganizados, tinham capacidade cognitiva 
e que organizando e reestruturando sua rotina poderiam ser reinseridos em sociedade, 
ou seja, objetivavam normalizar o comportamento dos sujeitos mediante hábitos de vida 
saudáveis, assim corrigindo comportamentos inadequados. Dando uma maior ênfase as 
atividades de vida diária (AVD).
FIGURA 1 - PHILIPPE PINEL
 
Fonte: Philippe Pinel (1745-1826).
28UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
Na metade do século XIX, inicia-se a corrente reducionista, que baseava as doenças 
as alterações anatomopatológicas e bioquímicas do cérebro, baseando-se em estudos 
cerebrais para explicar as perturbações. Esta ocupação terapêutica que esteve vinculada 
ao tratamento da moral, que teve seu declínio no século XIX, retorna e continua até o 
início do século XX, quando inicia a corrente organicista baseada na etiologia anatômica e 
bioquímica da doença (DE CARLO; BARTALOT TI, 2001).
A corrente organicista inicia-se em meados dos anos 60, em que surge a psicanálise. 
O organicismo representa uma tendência do pensamento que constrói sua visão do 
mundo sobre um modelo orgânico e tem origem na filosofia idealista. Essa filosofia dizia 
que a ocupação de doentes tinha como objetivo a redução de sintomas clínicos, assim 
a terapia ocupacional, neste momento assume uma perspectiva em que às atividades 
profissionalizantes ficam pouco utilizadas e prioriza-se as atividades que minimizam 
comportamentos inadequados, atividades expressivas e construtivas (FRANCISCO,1988).
Temos por exemplo, a grosso modo, pacientes agressivos deveriam fazer atividades 
que envolvam argila para descarregar impulsos agressivos, bem como os depressivos 
deveriam participar de grupos recreativos para estimular a socialização. E para cada tipo 
de sintoma, era determinado um tipo de tratamento (HAHN, 1995).
No positivismo, o doente passa a ser objeto de estudo clínico e cirúrgico, no qual se 
investigam as alterações encefálicas e biológicas que seriam responsáveis pelas condutas 
dos doentes mentais. Baseado nas ideias de que toda e qualquer ciência é humana porque 
resulta das atividades humana de conhecimento, passa a utilizar o homem comoobjeto 
de pesquisa, tratando-o como uma coisa natural e experimentável, em que seu objetivo 
principal era a respeitabilidade cientifica.
As teses principais do positivismo são, em primeiro lugar, a ciência é o único 
conhecimento possível, e o método da ciência e o único valido. Em segundo lugar, define que 
o método da ciência é puramente descritivo, no sentido de descrever os fatos e correlacionar 
com os resultados. E finalizando, em terceiro lugar, sendo o método da ciência o único 
valido, deverá ser estendido a todos os campos da atividade humana (HAHN, 1995).
O positivismo foi considerado por alguns autores, como uma filosofia que de um 
lado apoia o experimentalismo sistemático e de outro lado considera anticientífico todo o 
estudo de causas finais. A concepção positivista tornou-se uma das correntes filosóficas 
mais influentes nas ciências humanas (GIRARDI,1988).
A corrente reducionista adota o método cientifico, a ciência da vida. Neste modelo, 
o conceito de saúde e doença são caracterizados por um equilíbrio de forças físicas e 
psíquicas. Reconhece a dinamicidade da saúde/doença, privilegia o ser vivo como alvo de 
29UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
ação da saúde e identifica as várias interferências sobre o organismo, como por exemplo, 
os agentes nocivos e o meio ambiente. Dentro da corrente reducionista, podemos identificar 
três modelos básicos que os terapeutas ocupacionais utilizariam, o modelo cinesiológico, o 
psicanalítico e o neurológico, os quais abordaremos de forma resumida, pois aprofundaremos 
na próxima unidade.
O modelo cinesiológico consiste na reabilitação física, em que mobiliza, reforça e 
coordena segmentos corporais, e promove a estabilidade psicológica através do ajustamento 
as limitações. O modelo psicanalítico, tem suas estratégias voltadas às experiências 
agradáveis, dando ao paciente repertório para lidar com suas limitações, seus sentimentos 
e dominar alguns problemas. O modelo neurológico ou de integração sensorial, é baseado 
em estratégias sensoriais que interferem no processo intelectual (FRANCISCO,1988).
A concepção de homem inerente a essa corrente é a de um indivíduo biopsicossocial, 
ou seja, constituído de elementos físicos, biológicos, psicológicos e sociais. 
O cérebro (analisado isoladamente) sai do foco, e agora busca-se compreender 
como se organiza o comportamento das pessoas, baseado no seu estilo de vida: 
organização pessoal da rotina, organização social em que esse indivíduo está inserido 
(seu papel social), e diante dessa perspectiva, a atuação será baseada no uso ativamente 
intencional do tempo, de modo a organizar o comportamento das pessoas, por meio da 
divisão desse tempo entre atividades relacionadas ao trabalho, lazer, repouso e sono (DE 
CARLO; BARTALOTTI, 2001).
Essa visão do indivíduo, como um organismo completo e complexo emerge da 
teoria da Psicobiologia, proposta por Adolf Meyer, sendo que a partir desta logica, a 
doença mental, não será mais vista de maneira isolada, nem organismo do homem será 
visto, como causador das doenças, mas a correlação entre eles. E isso irá fundamentar 
o trabalho de Terapeuta Ocupacional. Esse modelo proposto por Meyer, irá influenciar 
diretamente na formação dos profissionais, desde as primeiras escolas, visto que irão se 
basear nos conceitos de o agir de maneira intencional, é capaz de organizar e reorganizar o 
comportamento. Este pensamento nos mostra a importância de Meyer para esta profissão 
(DE CARLO; BARTALOT TI, 2001).
30UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
FIGURA 2 – ADOLF MEYER 
 
Fonte: The 100 Influential People of Occupational Therapy's History (www.otcentennial.org)
O primeiro manual de instrução da pratica de terapia ocupacional, surge em 1915, 
escrito por Willian Rush Duntom, indicado em especial para enfermeiras, que foi nomeado: 
“Terapia Ocupacional; uma prática para enfermeiras”.
Alguns anos depois, funda-se uma sociedade para divulgação da terapia ocupacio-
nal, presidida por George Barton, um antigo paciente que foi beneficiado pelos tratamentos 
da terapia ocupacional. Na segunda metade do século XX, surge a terapia ocupacional 
como profissão, na área da saúde (HAHN, 1995).
 Nesse contexto simultâneo à Segunda Guerra, e após o seu fim, que perpassa as 
décadas de 1940 a 1960, o Movimento Internacional de Reabilitação, advindo da premência 
da sociedade em relação a atendimentos no âmbito das disfunções físicas, irá influenciar 
significativamente a Terapia Ocupacional, uma vez que se aumenta a compreensão pública 
no que se refere aos benefícios dessa profissão. Esse aspecto torna-se fundamental para 
compreender a história da profissão no Brasil, uma vez que é exatamente nesse período 
que se terão os primeiros cursos de formação dos profissionais dessa área no país (DE 
CARLO; BARTALOT TI, 2001).
Outra característica histórica marcante, encontrado ainda hoje é a escolha de 
mulheres, em atuação, de acordo com a história por seu perfil materno e os benefícios 
que este aspecto poderia trazer aos acometidos de doenças mentais e na reabilitação 
física. Contextualizar as origens e os pensamento filosóficos, que fundamentam nossas 
ações, buscando não solucionar questionamentos, mas, apenas conhecer as metodologias 
utilizadas em nossa profissão como uma herança das ciências naturais (HAHN, 1995).
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31UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
 2 PERÍODO DA CONSTITUIÇÃO DA 
PROFISSÃO NAS DÉCADAS DE 70 E 
80
TÓPICO
Como dito e reforçado nos outros tópicos, a Terapia Ocupacional se constrói no 
mundo, a partir de diversos marcos históricos, os quais nos norteiam até os dias de hoje. 
Para alguns autores, o terapeuta ocupacional do passado era o próprio “médico”. 
Mais tarde, com as crescentes exigências da época, e à medida que as vantagens do trata-
mento se tornaram mais evidentes, fazendo com que fosse usado de modo mais amplo, ele 
[o médico] teve que pedir auxílio de outros especialistas, e o terapeuta ocupacional atual 
tornou-se aos poucos um trabalhador no campo da Medicina. Esse terapeuta ocupacional 
é agora um especialista treinado que, por meio de um estudo dos aspectos específicos de 
certas ciências [em especial as biológicas, humanas e sociais e da saúde], e dos métodos 
práticos de avaliação de capacidade, juntamente com uma análise dos elementos de um 
certo número de atividades (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007).
A literatura descreve que na Europa, a Terapia Ocupacional se institucionalizou 
como profissão durante a primeira metade do século XX, seu reconhecimento nos Estados 
Unidos se deu a partir da Primeira Guerra Mundial, na busca pela reabilitação dos homens 
feridos, no pós-guerra. Já no Brasil, esta ocorreu de 1948 a 1980, num contexto de grandes 
mudanças (GASPAR, 2013).
Nesses 20 anos, ou seja, na década de 60 e 70, a profissão passa por uma série 
de mudanças, a profissão desloca-se de um contexto estritamente hospitalar de atenção 
aos pacientes institucionalizados (crônicos), e inicia a sua contribuição para equipes 
multiprofissionais, seja em hospitais dia, ambulatórios de saúde mental, locais que buscam 
manutenção e prevenção de atenção secundária a saúde, em que os pacientes passam a 
ser clientes e usuários (GASPAR, 2013).
32UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
A década de 1970 apresentaria ainda características fundamentais referentes à 
Terapia Ocupacional no Brasil, através da criação do Conselho Federal de Fisioterapia 
e Terapia Ocupacional, por meio da Lei nº 6.316 de 17 de dezembro de 1975, e a partir 
disso, da organização regionalizada de unidades, designadas como Conselho Regional de 
Fisioterapia e Terapia Ocupacional – CREFITO (BRASIL, 1975), atualmente presentes em 
todo o Brasil. 
Além disso,foi uma década de profundo crescimento do espaço profissional no 
que se refere ao mercado de trabalho, bem como de grande estímulo e desenvolvimento 
de produções científicas na área da ciência ocupacional, sendo importante ressaltar aqui 
nomes como Anna Jean Ayres, Mar y Rei lly e Gary Kielhofner, em contexto mundial, e Maria 
José Benetton, em se tratando de produção nacional acerca dessa ciência (DE CARLO e 
BARTALOTTI, 2001).
Entre 1786 até 2000, a evolução da terapia ocupacional passa por diversos modelos 
e filosofias, desde o tratamento da moral, de ocupação, o modelo mecanicista e até mesmo 
o emergente e contemporâneo. É neste último modelo o paradigma contemporâneo, que 
define que os terapeutas podem atuar em qualquer situação que causem dificuldade ou 
alteração no desempenho ocupacional. Sendo sua intervenção voltada para o indivíduo, 
utilizando atividade e recursos terapêuticos, como meio de restaurar e reabilitar o 
desempenho ocupacional alterado (ANDRADE; FALCÃO, 2017).
Segundo De Carlo e Bartalotti (2001) a década de 70, representada por uma 
necessidade de abertura e democratização, e crescimento dos movimentos sociais, 
poderia ser considerada uma fase de grande aquecimento e fortalecimento, para a busca 
de definições, especificidades e construção da identidade da Terapia Ocupacional.
Coube as primeiras gerações de terapeutas ocupacionais, demonstrar a efetividade 
de suas ações, eles tinham a necessidade de desenvolvimento teórico e metodológico do 
século XX, que era imprescindível para a sobrevivência da profissão. Os primeiros cursos 
de terapia ocupacional no Brasil, era ministrado no Hospital das clinicas em São Paulo, 
instalado pelas Nações Unidas (ONU), e tinha a duração de 12 meses.
De Carlo e Bartalotti (2001), afirmam que somente em 13 de outubro de 1969, 
através do decreto-lei n.º 938, a profissão foi reconhecida como de nível superior; ficando o 
Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO), de acordo com o Art. 
1º, incumbido da fiscalização do exercício profissional. 
 Cria-se em meados da década de 70, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia 
Ocupacional, por meio da Lei nº 6.316 de 17 de dezembro de 1975, organizando-se também 
em unidades regionais intituladas de Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocu-
33UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
pacional (CREFITO), hoje presentes no Brasil inteiro. Neste mesmo período, na década de 
70, institui-se o sindicato da categoria, que luta por melhores condições de trabalho (reforma 
sanitária), que por consequência da origem ao SUS (sistema único de saúde).
Diante da criação de novas áreas de saúde e na busca da manutenção da profissão os 
profissionais, organizam a ABRATO (associação brasileira de terapia ocupacional), na década 
de 80, começam a discutir a necessidade de práticas com caráter preventivo e comunitário, 
promovendo a manutenção da saúde e não somente a reabilitação. Isso fez com que a procura 
por este tipo de atendimento aumentasse. (DE CARLO e BARTALOTTI, 2001, p. 38).
Para LANCMAN (1995, p. 58) os anos 80 foram marcados profundamente pelo 
conflito gerado com a falta de sistematização do conhecimento e a consequente indefinição 
de identidade da Terapia Ocupacional. E este movimento, no faz repensar a atividade 
terapêutica como centro do tratamento, e busca elaborar um novo conceito, destacando a 
atividade como recurso terapêutico, ressignificando que a intervenção terapêutica estaria 
voltada pra o indivíduo e suas reais necessidades, visando como um ser biopsicossocial.
Na década de 90 com as mudanças políticas e econômicas, e a descentralização 
dos manicômios e o movimento de desinstitucionalização, abre-se uma nova visão para 
os doentes mentais, e essa realidade faz com que apareça uma nova visão do terapeuta 
ocupacional, para o dia-dia destes indivíduos, desta forma, inicia-se a relação entre a 
profissão e o cotidiano (SILVEIRA, 2002).
perpassa atualmente por diversos paradigmas, para alcançar uma clínica também 
contextualizada, no qual se faz necessário repensar sempre o constante transitar entre 
interno e externo, dentro e fora, individual e coletivo, sujeito psíquico e representações 
sociais, trabalho de estruturação do sujeito e trabalho de reinserção social. 
Quando citamos que a vida é atividade e atividade, dado que o homem nuca 
permanece sem fazer nada, senão faz algo útil, faz algo inútil”, segundo Francisco (1988, p. 
35), entendemos que o ser humano tem uma natureza ocupacional, o que caracteriza como 
um ser ativo de potencial de construção e transformação, portanto, qualquer mudança ou 
situação que venha trazer algum prejuízo ou disfunção ao homem, pode ser considerado 
como consequência da ausência ou comprometimento de atividade ou ocupação, através 
das atividades relacionadas ao trabalho, de vida diária, de vida prática e de lazer.
Ao longo dos últimos 40 anos a profissão, não só vem definindo sua identidade 
como galgando novos campos de trabalho, sem perder seu contexto histórico social. 
Durante toda essa caminhada histórica o terapeuta ocupacional, foi se adequando aos 
diferentes movimentos de transformação que o leva a reinventar-se, neste perfil de 
34UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
multidimensionalidade em que vem se inserindo para responder as demandas refletidas 
pela atividade humana (MAXIMINO,1997).
Nesta mesma pluralidade, permite que novas abordagens aos terapeutas que po-
dem interagir em diversos contextos, desde a fina camada das intervenções comunitárias, 
até os avanços tecnológicos. Sempre em busca da garantia da qualidade de vida.
 
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35UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
 3 ÁREAS DE ATUAÇÃO DA ORIGEM 
A ATUALIDADE
TÓPICO
Segundo a literatura, as áreas de atuação da terapia ocupacional, estão distribuídas 
em diversos lugares, já que este adquire qualificação no decorrer do seu curso o que lhe 
dará uma variedade de campo de atuação, como serviços médicos em instituições, como 
hospitais gerais e especiais, clínicas e qualquer instituição dedicada a proporcionar serviços 
de reabilitação para incapacitados (GIRARDI, 2008).
Diante do que foi estudado e do contexto e evolução da profissão, podemos dizer 
que ela se desdobrou a partir de dois segmentos, um enquanto era uma prática médica e 
depois como profissão propriamente dita. Como prática paramédica, tinha como objetivo, 
a resolução dos problemas de ordem pratica dos indivíduos estando estes relacionados 
a suas incapacidades laborais, físicas ou mentais que os impedissem de realizar suas 
atividades de vida diária ou que interferissem em seu cotidiano (SILVEIRA, 2002).
Dado que a terapia ocupacional sempre esteve ligada as práticas medicas, é que 
no início do século XX alguns profissionais buscam definir o seu trabalho. Em 1917, houve 
a formação de um grupo multiprofissional, afim de conceituar a ocupação como um fator 
curativo, como visto em Hagerdon (1999).
Compreender a profissão e seu conceito, facilita e nos faz compreender quais 
as áreas de atuação de determinado profissional. O Conselho Federal de Fisioterapia e 
Terapia Ocupacional (COFFITO, 2019) define a Terapia Ocupacional como uma profissão 
de nível superior que tem sua atenção voltada a prevenir e tratar alterações de caráter 
cognitivo, afetivo, perceptivo e psicomotor, por meio de projetos terapêuticos específicos 
nas mais diversas esferas de atendimento (atenção básica, média e alta complexidade).
36UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
Cabe então ao profissional da área avaliar o paciente, de modo a identificar possíveis 
alterações em suas funções, levando em consideração aspectos como idade e fase do 
desenvolvimento em que esse sujeito se encontra,bem como questões pessoais, familiares 
e sociais, utilizando-se da Atividade Humana como processo produtivo, criativo, expressivo, 
lúdico e evolutivo na vida do paciente com suas funções práxicas comprometidas, de modo 
a favorecer a melhora na sua qualidade de vida. 
O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Oitava Região 
(CREFITO-8, 2019), entidade de normatização e fiscalização no âmbito do estado do 
Paraná, utiliza-se da mesma definição oferecida pelo Conselho Federal; logo, por meio da 
definição da profissão e do que é esperado dos profissionais dessa área, determina que 
as atividades de atuação do terapeuta ocupacional se estendem pelos campos da saúde e 
campos sociais, exercendo sua atividade em hospitais gerais, ambulatórios e consultórios, 
clínicas, projetos sociais, sistemas prisionais, instituições de ensino superior, creches e 
escolas, além de empresas e comunidades terapêuticas.
Sendo a terapia ocupacional uma profissão de nível superior, ela atua nos níveis 
biopsicossociais, na prevenção de doenças, promoção e manutenção da saúde. São elegíveis 
para atendimento e intervenção, todas as pessoas que possuem uma disfunção ocupacional, 
que interferem nas suas atividades de vida diária (CAROLO; BARTALOTTI, 2001).
O terapeuta poderá compor equipes multiprofissionais, médicas de reabilitação, 
educacionais e pedagógicas e outras. A área de atuação mais antiga conforme estudado 
na unidade anterior, é a de saúde mental, em instituições de longas permanências, foi 
se adaptando e modificando de acordo com as demandas atuais. Seguida depois pelo 
movimento de reabilitação do pós guerra, atualmente com uma gama muito maior de 
possibilidades de atuação.
A Federação Mundial de Terapeutas Ocupacionais (WFOT) afirma que os terapeutas 
ocupacionais são peritos em relação às Atividades de Vida Diária (AVD) e que adotam uma 
abordagem holística quando aplicam habilidades específicas com diferentes usuários em 
ambientes distintos; incluindo os contextos do lar/trabalho/lazer com o objetivo de melhorar 
o desempenho e compromissos dos usuários em suas atividades de vida diária.
Frente a isso, o conselho federal de fisioterapia e terapia ocupacional (COFFITO), 
relata que são áreas de atuação do terapeuta ocupacional os seguintes locais:
 ● Desempenho Ocupacional Cognitivo; 
 ● Desempenho Ocupacional Neuropsicomotor; 
 ● Desempenho Ocupacional Tecnologia Assistiva;
 ● Desempenho Ocupacional Psicossocial; 
37UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
 ● Desempenho Ocupacional Percepto-Cognitivo;
 ● Desempenho Ocupacional Senso-Perceptivo;
 ● Desempenho Ocupacional Psicoafetivo;
 ● Desempenho Ocupacional Psicomotor;
 ● Desempenho Ocupacional e Saúde do Escolar;
 ● Desempenho Ocupacional e Saúde do Idoso;
 ● Desempenho Ocupacional e Saúde da Mulher;
 ● Desempenho Ocupacional e Saúde do Trabalhador;
 ● Desempenho Ocupacional e Saúde do Indígena; 
 ● Desempenho Ocupacional e Contexto Asilar; 
 ● Desempenho Ocupacional e Contexto Prisional Desempenho Ocupacional e 
Geração de Renda; 
 ● Desempenho Ocupacional e Justiça e Cidadania; 
 ● Desempenho Ocupacional e Inclusão Laboral; 
 ● Desempenho Ocupacional e Liberdade Assistida; 
 ● Desempenho Ocupacional e Liberdade Condicional; 
 ● Desempenho Ocupacional e Seguridade Social; 
 ● Desempenho Ocupacional e Contextos Hospitalares.
Como já relatado anteriormente, a terapia ocupacional vem se remodelando ao 
longo dos anos, desta forma cria-se uma infinidade de áreas de atuação. Contudo, deve-
mos sempre pensar numa formação de qualidade e profissionais que buscam sempre se 
atualizar.
 
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38UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
 4 O PAPEL DO TERAPEUTA 
OCUPACIONAL NAS DIFERENTES 
ÁREAS DE ATUAÇÃO
TÓPICO
No tópico anterior, demos exemplos de áreas de atuação da terapia ocupacional, neste 
tópico iremos nos demonstrar um pouco mais sobre as áreas de atuação da profissão e da 
clientela atendida. Segundo a Associação Americana de Terapia Ocupacional (AOTA), a terapia 
ocupacional poderá atuar em hospitais, escolas, empresas, clinicas e entre outras possibilidades, 
mas para isso temos que compreender o que faz o terapeuta ocupacional (AOTA. 2015).
É um profissional da área da saúde, e sua intervenção consiste em avaliar o cliente, 
em busca de alterações no desempenho ocupacional, de acordo com sua idade, seu contexto 
e sua realidade, diante disso, está centrado nos aspectos físicos, psíquicos e sociais da 
atividade humana. O profissional tem uma formação generalista, com conhecimento nas 
áreas biológicas e humanas além de outras áreas especificas que são indispensáveis para 
uma formação adequada e o pleno desenvolvimento da profissão (CRUZ, 2018).
 A terapia ocupacional compreende que em qualquer etapa de seu 
desenvolvimento o ser humano, tem a necessidade de estar em movimento, em qualquer 
etapa de seu desenvolvimento, isso vai desde o autocuidado e sobrevivência (higiene e 
alimentação) até a sua produtividade (trabalho) e o seu lazer, e diante disto, temos como 
objetivo a busca incessante pela melhor qualidade de vida e independência dentro da 
capacidade e limitação de cada indivíduo.
39UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
Em uma visão mais ampla de reabilitação, cabe ao profissional de terapia ocupacional:
 ● Realizar atendimento terapêutico ocupacional individual ou em grupo;
 ● Avaliar a capacidade funcional do paciente por meio de testes específicos e 
seus diferentes contextos ocupacionais, e se necessário, orientar, intervir e realizar 
adequações;
 ● Utilizar métodos e técnicas da terapia ocupacional, sendo um deles a análise 
de atividade, tornando-a o mais efetiva e assertiva, favorecendo o máximo de 
independência e qualidade de vida para o indivíduo;
 ● Utilizar se necessário, tecnologia assistiva, tendo em vista um melhor desempenho 
ocupacional;
 ● Realizar, se necessário, adequação no ambiente e no mobiliário, também tendo em 
vista independência e acessibilidade;
 ● Avaliar e treinar atividades básicas de vida diária.
Na área física, temos a busca pela autonomia, independência e funcionalidade. 
 Neste contexto, compreendemos que, o papel do terapeuta ocupacional, 
está diretamente ligado a entender a profissão, o que dela se espera, a compreensão dos 
valores, crenças, teoria e habilidades da área de atuação.
40UNIDADE 2 A PROFISSÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
 Como muito se falou em várias áreas de atuação da terapia ocupacional, uma 
área que tem ganhado muito destaque é a de tecnologia assistiva. Visto que esta caminha 
de mãos dadas com os avanços da tecnologia. 
 Uma variedade de recursos e serviços que contribuem para proporcionar 
ou ampliar as habilidades das pessoas com deficiência e consequentemente, melhorar 
a autonomia e qualidade de vida, essa é uma das definições de tecnologia assistiva, que 
tem sido aliada dos terapeutas ocupacionais, que buscam sistematicamente a melhora na 
qualidade de vida de seus pacientes.
 Atualmente, existe uma gama de recursos, entre eles brinquedos, roupas 
adaptadas, computadores, órteses e próteses. O terapeuta ocupacional avalia a necessidade 
dos usuários, suas habilidades e receptividade quanto ao uso da adaptação. Sendo assim 
a tecnologia assistiva é mais um dos campos de atuação da terapia ocupacional. 
Vale a pena se informar!
Fonte: TERAPIA Ocupacional: tudo o que você precisa saber. Educamais Brasil, 2018. Disponível em: https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/carreira/
terapia-ocupacional-tudo-o-que-voce-precisa-saber Acesso em: 10 jan. 2023.
 “Terapia Ocupacional é a ciência que estuda a atividade humana e a utiliza 
como recurso terapêutico para prevenir e tratar dificuldades físicas e/ou psicossociais que 
interfiram no desenvolvimento

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