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Observação de Práticas Clínicas Supervisionadas em Fisioterapia Responsável pelo Conteúdo: Prof. Me. Danilo Cândido Bulgo Revisão Textual: Maria Cecília Andreo Fisioterapia e Promoção da Saúde Fisioterapia e Promoção da Saúde • Estudar os fundamentos históricos da Promoção da Saúde, procedimentos metodológicos que embasam a Fisioterapia enquanto ciência e profissão, bem como dos princípios sobre os quais se alcança sua prática nos níveis de atenção em saúde. OBJETIVO DE APRENDIZADO • Evolução Histórica da Promoção da Saúde; • Objetivos do Desenvolvimento Sustentável: Agenda 2030; • Práticas Fisioterapêuticas em Promoção da Saúde, Humanização e Acolhimento. UNIDADE Fisioterapia e Promoção da Saúde Contextualização Nesta unidade, você estudará os conceitos fundamentais para compreender a evo- lução da conceituação em saúde, bem como identificar os principais marcos históricos referentes ao cenário que abrange a promoção da saúde. Essa temática é fundamental para sua futura rotina enquanto profissional da fisioterapia, pois, ao atuar amparado nos princípios da promoção da saúde, é possível identificar, incluir e priorizar um aten- dimento que visa atenção integral aos mais variados pilares que acercam a sociedade contemporânea. Vamos iniciar nossa unidade? Boa leitura! 8 9 Evolução Histórica da Promoção da Saúde O m ovimento voltado para a promoção da saúde teve seu início no Canadá, em meados de 1974, com a divulgação do conhecido I nforme Lalonde, sofrendo grande in- fluência de cunho político, técnico e econômico para enfrentar os aumentos do custo da saúde da época. Esse foi o primeiro documento oficial a receber denominação perante os conceitos de promoção da saúde. Os preceitos desse documento se destacaram no conceito de “campo da saúde” e começaram a inserir os chamados “determinantes de saúde”. Esse conceito considera a decomposição do campo da saúde em quatros abrangentes componentes da saúde: a biologia humana (genética e função humana); o ambiente (natural e social), o estilo de vida (comportamento individual que afeta a saúde) e a organização dos serviços de saúde (BRASIL, 2002). Apesar de existir uma busca por evolução no cenário de saúde, essa abordagem tinha a ênfase voltada para a transformação dos estilos de vida, com foco na ação em nível individual, adotando-se uma perspectiva comportamental e preventivista. Nesse paradigma, existiram diversas opiniões adversas e inúmeras críticas, principalmente por negligenciarem o contexto político, econômico e social, visto que muitos culpavam as vítimas e responsabilizam determinados grupos sociais por seus problemas de saúde, cujas causas encontram-se fora de seu controle (ROBERTSON, 1998). O Informe Lalonde teve grande influência em relação às políticas sanitárias de outros diversos outros países, como a Inglaterra e os Estados Unidos, estabelecendo as bases para a conformação de um novo paradigma formalizado na União Soviética, onde acon- teceu a Conferência Internacional de Cuidados Primários de Saúde de Alma-Ata, em 1978, e tinha como base e fundamentação o slogan Saúde para Todos no ano 2000 e a Estratégia de Atenção Primária de Saúde. Leia a Declaração de Alma-Ata na íntegra. Disponível em: https://bit.ly/3dW8fe1 A C onferência Internacional sobre Cuidados Primários De Saúde destaca: A saúde estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não sim- plesmente a ausência de doença ou enfermidade – é um direito humano fundamental, e que a consecução do mais alto nível possível de saúde é a mais importante meta social mundial, cuja r ealização requer a ação de muitos outros setores sociais e econômicos, além do setor saúde. (BRASIL, 2002, p. 1) 9 UNIDADE Fisioterapia e Promoção da Saúde Figura 1 – Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde Fonte: Wikimedia Commons Desse modo, com o início dessa movimentação em prol da promoção da saúde, a década de 1980 foi fundamental para disseminar ainda mais esse modelo de atenção. Em 1986, na cidade de Ottawa, no Canadá, foi realizada a Primeira Conferência In- ternacional sobre Promoção da Saúde, em que 35 países se reuniram para estabelecer alguns eixos norteadores importantes para o planeta. Após essa conferência, foi apre- sentado um documento com algumas intenções, que tinha em sua essência diversos aspectos para atingir o que foi preconizado na Declaração de Alma-Ata, que era a Saúde para Todos no Ano 2000 e anos subsequentes. Assim, após a Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, foi originada a Carta de Ottawa, considerado o mais importante documento no que tange aos conceitos de promoção da saúde. Afinal, após conhecer os principais marcos históricos que auxiliaram na conceituação da promoção da saúde, qual seria sua definição? Segundo a Carta de Ottawa (1986, p. 1), a promoção da saúde é definida como: É o nome dado ao processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior par- ticipação no controle deste processo. Para atingir um estado de completo bem-estar físico, mental e social os indivíduos e grupos devem saber iden- tificar aspirações, satisfazer necessidades e modificar favoravelmente o meio ambiente. A saúde deve ser vista como um recurso para a vida, e não como objetivo de viver. Nesse sentido, a saúde é um conceito positivo, que enfatiza os recursos sociais e pessoais, bem como as capacidades físicas. Assim, a promoção da saúde não é responsabilidade exclusiva do setor saúde, e vai para além de um estilo de vida saudável, na direção de um bem-estar global. E, nesse sentido apontado na Carta de Ottawa, existem alguns pré-requisitos para ter uma boa saúde, destacando os conceitos de: paz, habitação, educação, alimentação, renda, ecossistema estável, recursos sustentáveis, justiça social e equidade. 10 11 Outro fator fundamental estabelecido para promover a saúde são as ações comunitá- rias na tomada de decisão, na definição de estratégias, ferramentas e na sua implemen- tação, visando subsídios para aumentar os benefícios das condições de saúde. Faz-se necessário incentivar a participação popular, bem como enaltecer o poder das comuni- dades – a posse e o controle dos seus próprios esforços e destino. O desenvolvimento das comunidades é feito sobre os recursos humanos e materiais nelas existentes para intensificar a autoajuda e o apoio social e para desenvolver sistemas flexíveis de reforço da participação popular na direção dos assuntos de saúde. Isso neces- sita um total e contínuo acesso à informação, às oportunidades de aprendizado para os assuntos de saúde, assim como apoio financeiro adequado (CARTA DE OTTAWA, 1986). Figura 2 – Empoderamento social Fonte: Getty Images A seguir, vamos identificar, de maneira sucinta, a s principais estratégias elucidadas na Carta de Ottawa, 1986: • Inserção de políticas públicas saudáveis: a promoção à saúde inclui, além dos cuidados de saúde, outros determinantes, como: renda, prote- ção ambiental, trabalho e agricultura. A saúde deve estar na agenda de prioridades dos políticos e dirigentes em todos os níveis e setores, que devem tomar consciência de suas decisões e responsabilidades. A Carta de Ottawa sugere ações legislativas, fiscais e organizacionais visando à diminuição das desigualdades sociais e à melhoria da qualidade de vida da população. Sugere, também, a adoção de uma postura intersetorial para a formulação de políticas públicas e sua ação sobre o setor saúde; • C riação de ambientes favoráveis à saúde: propõe a proteção do meio ambiente e a conservação dos recursos naturais como parte da estratégia de promoção à saúde. Para que isso ocorra, sugere ações que objetivem o monitoramento de mudanças das áreas tecnológicas, trabalho, produção de energia e urbanização, que interferem na saúde da população; 11 UNIDADE Fisioterapia e Promoção da Saúde • Reorientação dos serviços de saúde: recomendaque a reorientação dos serviços de saúde deva voltar-se na direção de um enfoque na saúde, e não na doença, que apontem para a integralidade das ações de saúde. Propõe, para isso, mudanças na formação dos profissionais e nas atitu- des das organizações dos serviços de saúde; • Reforço da ação comunitária: implementação de ações e recursos existentes na comunidade e que possam intensificar a autoajuda e o apoio social necessários ao desenvolvimento da participação popular nos assuntos de saúde, o empoderamento comunitário; • Desenvolvimento de habilidades pessoais: capacitar as pessoas para “aprender através da vida” e se “preparar para todos os estágios” é uma das estratégias prioritárias da nova promoção à saúde. Apoia, também, o desenvolvimento pessoal e social mediante a divulgação de informa- ção, educação para a saúde e intensificação das habilidades vitais. Vamos ampliar o conhecimento sobre a Carta de Ottawa? Leia a carta completa. Disponível em: https://bit.ly/2MD2aYQ A Declaração de Alma-Ata foi um grande marco em relação às Conferências Interna- cionais sobre Promoção da Saúde. No entanto, não é possível esquecer que, por meio da Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, outros movimentos foram organizados no mundo, até os dias atuais, em razão da ampliação das ações em saúde, com a inserção de novos elementos e avanços significativos nas políticas de saúde em diversos países. Confira a seguir alguns outros movimentos que tiveram grandes propostas para melhorar a saúde como um todo: • I Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde em Ottawa (1986); • II Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde em Adelaide (1988); • III Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde em Sundsvall (1991); • Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde de Bogotá (1992); • Primeira Conferência de Promoção da Saúde no Caribe, em Porto da Espanha (1993); • IV Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde em Jacarta (1997); • Rede de Megapaíses para Promoção da Saúde, Suíça (1998); • V Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde na Cidade do México (2000); • III Conferência Latino-Americana de Promoção da Saúde e Educação para a Saúde, em São Paulo (2002); • VI Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde em Bangkok (2005); • Conferência Internacional de Saúde para o Desenvolvimento, em Buenos Aires (2007). 12 13 É importante destacar que cada evento realizado visava a busca por determinadas melhorias, sem se esquecer do que foi preconizado pela Carta de Ottawa. Assim, cada evento lutava em prol de condições justas para a sociedade no geral. Explore mais sobre a Promoção da Saúde e seus benefícios. Disponível em: https://youtu.be/IoidCnquqoM No cenário brasileiro, esses eventos influenciaram o movimento da reforma sanitária nacional, com a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), que, a partir de 1988, por meio da promulgação da atual Constituição Federal, garantiu o acesso à saúde, mediante um sistema unificado, passando a ser um direito social (BRASIL, 2014). Por meio da Lei 8.080/1990, o SUS foi instituído, tendo como princípios e diretrizes: universalidade de acesso em todos os níveis de assistência à saúde; igualdade na assis- tência, sem preconceitos e privilégio de qualquer gênero; integralidade da assistência; participação social; e descentralização político-administrativa. Outro marco importante foi o Decreto nº 7.508, de 20 de junho de 2011, que regulamenta a Lei nº 8.080/1990 e dispõe sobre o planejamento, a assistência à saúde e a articulação interfederativa. No final do século XX, o modelo biomédico começou a ser revisto, o que impulsionou o movimento da promoção da saúde em nível nacional e internacional, resultando na in- fluência da Reforma Sanitária Brasileira. Nesse período, o governo aprova, em 2006, por meio da Portaria nº 648, a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), caracterizando Atenção Básica como um “conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrangem a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde” (BRASIL, 2006, p. 1). Você já leu sobre a Política Nacional de Atenção Básica? Leia na íntegra essa importante política. Disponível em: https://bit.ly/3r8bz9H Em 2006, a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) reafirma as estratégias elaboradas na Carta de Ottawa. A PNPS traz em sua essência diretrizes como integrali- dade, equidade e intersetorialidade na construção da cidadania e de ambientes saudáveis (BRASIL, 2006). A PNPS a barca ações públicas que vão além da ideia de cura e reabilitação, inserindo as diretrizes e ações para promoção da saúde em harmonia com os princípios basais do SUS, como o Pacto pela Saúde, pela Vida e em Defesa do SUS e sua Gestão e em todas as esferas de governo. Em 2012, o Ministério da Saúde reafirma a PNAB, modernizando considerações na política e inserindo novos elementos referentes à Atenção Básica na ordenação das Redes de Atenção, reafirmando a ideia de “realizar assistência integral aos indivíduos e famílias em todas as fases do desenvolvimento humano: infância, ado- lescência, idade adulta e terceira idade, priorizando o que já fora afirmado na PNAB (2006): promover, prevenir, tratar e reabilitar a saúde humana” (BRASIL, 2012, p. 45). 13 UNIDADE Fisioterapia e Promoção da Saúde A Política Nacional de Promoção da Saúde é fundamental no cenário de saúde nacional. Leia mais sobre essa política acessando o link a seguir. Disponível em: https://bit.ly/3b5r9xu Em 2014, essa política foi revisada em virtude da “impossibilidade de que o setor sani- tário responda sozinho ao enfrentamento dos determinantes e condicionantes da saúde”. Essa constatação induziu a aproximação do setor de saúde de outros setores não gover- namentais, incluindo o privado e a sociedade civil, e apontou as novas prioridades a cum- prir, entre elas a promoção da cultura, da paz e dos direitos humanos (BRASIL, 2014). Objetivos do Desenvolvimento Sustentável: Agenda 2030 Em consonância com os princípios da promoção da saúde, a Organização das Nações Unidas, em 2015, lançou o documento denominado Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que, em sua concepção, é composto de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas que compõem a Agenda Universal, visando a estimulação de ações para os próximos 15 anos em áreas de grande relevância para a humanidade e para o planeta (BRASIL, 2015). Figura 3 – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Fonte: itamaraty.gov.br A seguir, vamos identificar os principais aspectos acerca dos 17 Objetivos de Desen- volvimento Sustentável: • ODS 1 – Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares: Para a ONU, erradicar os mais variados tipos de pobreza se tornou um problema de ordem global, e esse é um grande desafio para o desenvolvimento sustentável. Assim, o Objetivo 1 da Agenda 2030 visa estabelecer condutas que construam parcerias que priorizem a mobilização de recursos para a elaboração de programas 14 15 e políticas que eliminem a pobreza, para que, assim, a população vulnerável possa adquirir condições mínimas de sobrevivência, sendo possível diminuir à metade a proporção de indivíduos que vivem em situação de pobreza; • ODS 2 – Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoraria da nutrição e promover a agricultura sustentável: A ONU aponta que cerca de 500 milhões de indivíduos estão em situação de desnutrição ao redor do mundo. Desse modo, o Objetivo 2 é que, até 2030, todos os países criem diversos progra- mas e políticas que possam elevar significativamente a produtividade dos pequenos agricultores, estendendo esse aspecto a mulheres e povos indígenas, de modo a elevar a renda do seu núcleo familiar; • ODS 3 – Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades:O Objetivo 3 da Agenda 2030 b usca a redução da mortalidade neonatal, da obesidade e a erradicação de doenças graves, como HIV, tuberculose e malária, mas também a conscientização em relação ao uso de álcool e outras drogas, visando também os aspectos que envolvem a saúde mental e a relevância de ações que abarquem o bem-estar psicológico e físico; • ODS 4 – Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos: O Objetivo 4 está relacionado aos níveis do sistema educacional, que vai desde o ciclo básico, que é a primeira infância, até a vida adulta, e tem metas para garantir que a educação seja acessível e viável a todos, sem discriminação de gênero. Em muitos países, o público feminino sofre em relação a esse tópico, sendo as mulheres as principais prejudicadas em seu desenvolvimento educacional, pois, quando comparadas aos meninos, a educação costuma não ser a principal prioridade. Em diversos países, muitas são obrigadas a abandonar os estudos em razão de casamentos e gestações precoces, ou seja, muitas culturas não priorizam a educação de meninas e mulheres; • ODS 5 – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas: O Objetivo 5 viabiliza a igualdade de gênero, erradicação de qualquer forma de violência contra meninas e mulheres, visando que tenham os mesmos incentivos e oportunidades educacionais, profissionais e também no que tange à participação política de meninos e homens, bem como o igual acesso a serviços de saúde e segurança; • ODS 6 – Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e sanea- mento para todos: A ONU aponta que existe uma escassez de água em todo o planeta e isso afeta mais de 40% da população mundial. A fim de garantir que todas as pessoas tenham acesso à água potável, esse objetivo visa uma gestão mais res- ponsável acerca dos recursos hídricos, incluindo a implementação de saneamento básico em todas as regiões vulneráveis e a proteção dos ecossistemas relacionados à água, como rios e florestas; • ODS 7 – Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço aces- sível à energia, para todos: Atualmente, cerca de 15% da população mundial não tem acesso à energia elétrica. Assim, além de aumentar o número de usuários, é necessário que a energia fornecida seja limpa e de baixo custo, para não que não existam prejuízos ao meio ambiente durante a sua produção e não haja dificuldades de acesso pelas pessoas de baixa renda e em situação de vulnerabilidade; 15 UNIDADE Fisioterapia e Promoção da Saúde • ODS 8 – Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e susten- tável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos: É notório que se evoluiu no que se refere a diversos fatores importantes em relação ao trabalho humano. No entanto, em pleno século XXI, ainda existe trabalho escravo. Além desse grave problema, o desemprego tem uma vertente crescente, afetando prin- cipalmente os jovens sem formação. Esse objetivo tem como prioridade apoiar “o empreendedorismo, criatividade e inovação, e incentivar a formalização e o cres- cimento das micro, pequenas e médias empresas, inclusive por meio do acesso a serviços financeiros”; • ODS 9 – Construir infraestrutura resiliente, promover a industrialização in- clusiva e sustentável e fomentar a inovação:A Agenda 2030 prevê entre suas metas que os países elevem os incentivos para as pesquisas científicas, o acesso à internet de maneira democrática e também promovam uma maior democratização no acesso às novidades tecnológicas de produção, para que os países de menor desenvolvimento possam ter um crescimento na sua capacidade produtiva; • ODS 10 – Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles: Quanto à redução das desigualdades, não se trata apenas de promover melhor distribuição de renda entre as nações ou de romper com os privilégios comerciais de nações ricas em relação às mais pobres. Quando se fala em reduzir desigualdades, deve-se pen- sar também em estreitar os laços entre as pessoas que ocupam os territórios do pla- neta, sejam elas nativas ou imigrantes. A xenofobia é um problema grave, causador de diversas violências, e que faz com que várias pessoas se vejam marginalizadas e com menos oportunidades somente por serem de um território ou etnia diferente; • ODS 11 – Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis: Conforme aponta a ONU, existirá em todo o planeta 41 megalópoles com mais de 10 milhões de habitantes. Ademais, o ritmo acelerado de ocupação urbana atual, além de não ter uma estrutura inclusiva, pois nem todos os indivíduos têm acesso à moradia, é extremamente desorganizado, o que faz com que nem todas as pessoas estejam inseridas em espaços inadequados, seja por serem áreas de risco de desabamentos e alagamentos, seja por sofrerem com a falta de saneamento básico, iluminação, entre outras condições de infraestrutura. Desse modo, uma das metas da Agenda 2030 é que todos os países viabilizem uma urba- nização inclusiva e sustentável, e a capacidade para o planejamento e a gestão par- ticipativa, integrada e sustentável dos assentamentos humanos, em todos os países; • ODS 12 – Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis: Na atu- alidade, consome-se muito mais recursos naturais do que o ideal. Isso tem como consequência o fato de que, nos próximos anos, a humanidade poderá sofrer não só com a ausência dos recursos hídricos, mas também com a falta de outros re- cursos, como alimentos, minerais, energia etc. Nessa perspectiva, a Agenda 2030 estabelece como uma das metas “reduzir substancialmente a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso”; • ODS 13 – Tomar medidades urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos: Apesar de termos conseguido avanços importantes na preservação do planeta, como frear o aumento do buraco na camada de ozônio, ainda estamos com um desempenho negativo em outras tarefas, como o aumento do desmatamento 16 17 e da poluição do ar, o que tem influência direta no aquecimento do planeta. De acordo com a ONU, se diversas medidas não forem elaboradas, a temperatura global poderá aumentar em até 3 graus até o fim do século 21. Por isso, uma das metas da Agenda 2030 é aumentar os investimentos dos países no desenvolvimento de tecnologias que permitam reduzir o desgaste do planeta; • ODS 14 – Conversar e usar sustentavelmente os oceanos, os mares e os re- cursos marinhos para o desenvolvimento sustentável: De acordo com a ONU, existem cerca de 13 mil pedaços de plástico em cada quilômetro quadrado dos oceanos. São dados gravíssimos e é necessário aumentar a conscientização quanto à poluição dos oceanos; • ODS 15 – Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade: Uma série de desastres ambientais vem ocorrendo em várias regiões do planeta, por meio de vazamentos de substâncias químicas, incêndios, entre outras ocorrências. Por isso, uma das metas do Objetivo 15 da Agenda 2030 é elevar a mobilização para reverter as consequências dessas degradações e prevenir novos desastres; • ODS 16 – Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir institui- ções eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis: Em seu Objetivo 16, a Agenda prevê que os países combatam a corrupção, a impunidade, as práti- cas abusivas e discriminatórias, a tortura, bem como todas as formas de restrição das liberdades individuais; • ODS 17 – Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável: Para que exista a concretização das metas propostas na Agenda 2030, é relevante que haja diversas relações depar- ceria e cooperação entre os países do mundo. Assim, é necessário que os países tenham melhores condições financeiras e auxiliem os “países em desenvolvimento a alcançar a sustentabilidade da dívida de longo prazo, por meio de políticas coor- denadas destinadas a promover o financiamento, a redução e a reestruturação da dívida, conforme apropriado, e tratar da dívida externa dos países pobres altamente endividados para reduzir o superendividamento”. Você percebeu como os ODS são importantes para nosso planeta? Amplie seu conhecimento assistindo ao vídeo. Disponível em: https://youtu.be/_3ejiX6AvLY Práticas Fisioterapêuticas em Promoção da Saúde, Humanização e Acolhimento A fisioterapia no cenário moderno não deve ser vista apenas como um processo para auxiliar na recuperação de lesões, essa perspectiva está ultrapassada. A tualmente, o profissional deve basear sua conduta fisioterapêutica voltada à promoção da saúde, 17 UNIDADE Fisioterapia e Promoção da Saúde conhecida também como fisioterapia preventiva, que, em sua essência, enfatiza seus esforços na prevenção, e não apenas na reabilitação, corroborando uma melhor quali- dade de vida aos mais variados grupos populacionais, tanto no âmbito individual quanto coletivo, sendo necessário observar o paciente como um todo, ou seja, o profissional deve priorizar o atendimento biopsicossocial e espiritual. Enquanto a fisioterapia focada na visão reabilitadora volta sua atuação, quase que exclusivamente, ao controle dos mais variados danos, ora buscando a cura de determina- das doenças que restringem a locomoção humana, ora reabilitando pessoas com diver- sos tipos de acometimentos e/ou patologias, e também no desenvolvendo da capacidade residual funcional de indivíduos que apresentam lesões irreparáveis de determinadas funções e estruturas corporais, o pensamento baseado na fisioterapia preventiva ganha espaço no cenário do cuidar e também incentiva a atuação no controle de risco, ou seja, no controle de fatores que potencialmente podem contribuir para o desenvolvimento de alguma doença. Nesse sentido, dois aspectos ganham destaque no cenário que envolve a fisioterapia baseada na prática da promoção da saúde: a humanização e o acolhimento. No campo da atenção em saúde, o termo humanização tem sido utilizado com diferentes significa- dos e entendimentos. A humanização, por muitos anos, estava intrinsicamente voltada aos movimentos de cunho religioso, filantrópico e paternalista, tendo o seu conceito transformado no avançar dos últimos anos. Hoje em dia, é compreendida como a capacidade de proporcionar atendimento de qualidade, articulando os avanços tecnológicos, com acolhimento, melhoria dos ambien- tes de cuidado e das condições de trabalho dos trabalhadores. Humanizar vai ao encontro da possibilidade de uma mudança no cenário cultural da gestão e das práticas desenvolvidas nas instituições de saúde, caracterizando, assim, uma postura ética de respeito ao outro, de acolhimento do desconhecido, de respeito ao usuário, o mesmo passando a ser entendido como um cidadão, e não apenas como um consumidor de serviços de saúde (FORTES, 2004). Figura 4 – Acolhimento na prática profissional Fonte: Getty Images 18 19 Importante! Almeida Neto (et al., 2012) diz que a h umanização é um conjunto de fatores que tem por objetivo conciliar cuidados de saúde e tecnologia, incluindo o espaço físico e a satisfação da equipe e dos usuários. A humanização baseia-se na capacidade de falar e ouvir; de valori- zar o diálogo entre paciente e profissional, quando o paciente constrói sua história clínica. O fisioterapeuta deve, ao momento de prestação de serviços, ter sempre atitudes humanizadas em saúde, possibilitando uma visão mais integrada do paciente e do universo que o cerca e a identificação das reais necessidades e especificidades do seu quadro clínico. A equipe multiprofissional deve estar centrada em subsidiar uma assistência de exce- lência, humanizada e com acolhimento ao paciente e seus familiares. O profissional da fisioterapia tem um papel indispensável nessa conduta profissional, pois potencializa a promoção da saúde em uma visão ampliada no processo de cuidar. Nessa perspectiva, foi lançada, em 2003, a Política Nacional de Humanização (PNH), que tem como eixo norteador a busca por inserir os princípios do SUS no cotidiano dos serviços de saúde, produzindo transformações nos modos de gerir e cuidar. A Política Nacional de Humanização, conhecida também como HumanizaSUS, visa atuar a partir de orientações clínicas, éticas e políticas. Assim, essa Política tem a missão de: • Valorizar a dimensão subjetiva e coletiva em todas as práticas de atenção e gestão no SUS, fortalecendo o compromisso com os direitos de cidadania, destacando-se as necessidades específicas de gênero, étnico-racial, orientação/expressão sexual e de segmentos específicos (população negra, do campo, extrativista, povos indíge- nas, quilombolas, população em situação de rua etc.); • Fortalecer o trabalho em equipe, fomentando a transversalidade e a grupalidade; • Apoiar a construção de redes de saúde cooperativas, solidárias e comprometidas com a produção de saúde; • Viabilizar a autonomia e o protagonismo do ser humano e coletivos implicados na rede do SUS; • Estabelecer a corresponsabilidade desses seres humanos nos processos de gestão e atenção; • Fortalecer o controle social, com caráter participativo, em todas as instâncias ges- toras do SUS; • Democratizar as relações de trabalho e valorizar os trabalhadores da saúde, estimu- lando processos de educação permanente em saúde; • Valorizar a ambiência, com organização de espaços de trabalho saudáveis e acolhedores. Você sabia que existe uma Política Nacional De Humanização? Saiba mais lendo a Política. Disponível em: https://bit.ly/2Ocjvbg 19 UNIDADE Fisioterapia e Promoção da Saúde Desse modo, o enfoque da humanização abarca uma atenção integral pautada para o indivíduo e seu núcleo familiar, por meio de ações de equipes multidisciplinares, de- senvolvidas no âmbito da unidade de saúde, no ambiente domiciliar e na própria comu- nidade. A cada dia, discussões surgem acerca da relevância dos aspectos que envolvem a prática da humanização no atendimento em saúde, bem como sobre a necessidade de avaliar e tratar o indivíduo de uma forma global, não pontual. Dessa forma, o tratamento deveria estar associado aos aspectos físicos e psicológicos do indivíduo, e não apenas ao direcionamento para a disfunção apresentada. Vamos identificar alguns fatores importantes sobre a humanização e a não humani- zação em saúde: Quadro 1 Modelo Humanizado • Abordar o indivíduo e a família de maneira individualizada e especial; • Proporcionar uma visão diferenciada e baseada no acolhimento e empatia; • Cumprimentar, chamar pelo nome, olhar nos olhos e escutar o pa- ciente com atenção; • Demonstrar confiança, segurança e apoio para que o paciente com- preenda o que será proposto; • Seja acessível; • Respeite a intimidade, as crenças e os desejos do paciente e dos familiares; • Possibilite informações transparentes e proativas quanto ao quadro geral e os resultados obtidos, sempre levando em consideração o estado emocional dos pacientes e familiares; • Trate com dignidade o paciente, cuidador e os familiares; • Possibilite procedimentos que vão ao encontro das necessidades do tratamento. Modelo não humanizado • Tratamento apático entre pacientes e familiares; • Abordagem generalista com base no quadro geral ou diagnóstico, focando exclusivamente a patologia, e não o estado biopsicossocial e espiritual; • Desconsiderar ou ignorar medos, desejos, opiniões e crenças dos pacientes e seus familiares; • Focar exclusivamente o diagnóstico/tratamento/procedimento sem considerar as emoções do paciente; • Utilizar ideologias comparativas com frases do tipo “existem pessoas que estão piores” no lugar de atitudes acolhedoras (perceba que cada caso é um caso);• Ter postura de superioridade, menosprezando o paciente e sua fa- mília ou inibindo suas dúvidas; • Falar da situação do paciente como se ele não estivesse naquele momento próximo de você, profissional; • Possibilitar informações muito técnicas ou pouco esclarecedo- ras: lembre-se de ser acessível, cada pessoa tem um grau de infor- mação e compreensão; • Rotular os pacientes com base no diagnóstico; • Uma anamnese ou atendimento rápido e sem interesse é expressa- mente proibido, ouça o paciente e o familiar; • Estrutura e instalações precárias ou mal higienizadas. 20 21 Como qualquer outro profissional atuante na saúde, o fisioterapeuta necessita ter ciência e sensibilidade quanto à questão dos conceitos da humanização, visando o reco- nhecimento do ser humano na sua integridade e singularidade, tendo a consciência do seu papel diante daqueles pacientes que buscam em seu ofício alívio, melhora e até cura para diversas alterações que possam ocorrer em razão de alguma alteração patológica, ou até mesmo pela promoção de sua saúde, identificando suas reações psíquicas e a própria atitude perante a doença. O atendimento fisioterapêutico humanizado pode possibilitar melhores condições de recuperação para os usuários e, assim, priorizar uma fisioterapia baseada em evidência, uma ciência extremamente necessária no cenário de saúde e centrada no conhecimento técnico, científico, proximal ao ser humano, acolhe- dor e humanizado. Figura 5 – Humanização na prática clínica Fonte: Getty Images Vamos ver como o tratamento humanizado pode fazer toda diferença? Médico destaca a importância do atendimento humanizado. Disponível em: https://youtu.be/czpNjZi1UyU 21 UNIDADE Fisioterapia e Promoção da Saúde Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos História da Promoção da Saúde https://youtu.be/DJ2Bbbps5TM A história da saúde pública no Brasil – 500 anos na busca de soluções https://youtu.be/7ouSg6oNMe8 Determinantes Sociais da Saúde https://youtu.be/ii-fbpUy4iE Leitura A Declaração de Alma-Ata se revestiu de uma grande relevância em vários contextos https://bit.ly/3b5CYDH Cartas de Promoção da Saúde https://bit.ly/34CKb9H O seu município tem muito a ganhar com a contratação de fisioterapeutas! https://bit.ly/3r4ZLFn 22 23 Referências ALMEIDA NETO, A. B.; EVANGELISTA D. T. O.; TSUDA F. C., et al. Percepção dos familiares de pacientes internados em Unidade de terapia intensiva em relação a atuação da fisioterapia e a identificação de suas necessidades. Rev. Fisioter. Pesq., São Paulo, v. 19, n. 4, p. 332-338, 2012. BRASIL. Ministério da Saúde. 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