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Os AINEs (anti-inflamatórios não esteroides) são usados para aliviar dores leves a moderadas, como dores de cabeça, musculares e cólicas menstruais, além de controlarem a inflamação em doenças como artrite e osteoartrite. Também ajudam na redução da febre e na dor pós-operatória. O cetorolaco é eficaz para dor aguda, e o ibuprofeno é amplamente utilizado por seu perfil de segurança. O diclofenaco, com ação anti-inflamatória intensa, é indicado para dores severas, com precaução em pacientes cardiovasculares (Lacerda et al., 2024). Os AINEs atuam principalmente inibindo a ação das enzimas ciclooxigenase (COX), que são responsáveis pela produção de prostaglandinas, substâncias que desempenham um papel central nos processos inflamatórios e na sensação de dor. Existem duas isoformas da COX: a COX-1 e a COX-2. A COX-1 está envolvida na produção de prostaglandinas que protegem a mucosa gástrica, ajudam na função renal e na agregação plaquetária. Já a COX-2 é mais relacionada à inflamação e dor. Os AINEs podem ser seletivos para uma dessas enzimas, mas a maioria dos medicamentos dessa classe inibe ambas as isoformas, o que pode levar a uma série de efeitos adversos, especialmente no trato gastrointestinal. O bloqueio da COX-1, por exemplo, compromete a produção das prostaglandinas protetoras da mucosa gástrica, o que aumenta o risco de lesões no estômago (Sandoval et al., 2017; Kummer, 2002). Os efeitos adversos mais comuns dos AINEs incluem problemas gastrointestinais, como dor abdominal, náusea e úlceras, além de efeitos renais, como retenção de líquidos e insuficiência renal. O uso prolongado pode afetar o fígado, aumentando o risco de hepatite. Também podem ocorrer reações cutâneas e alérgicas graves, como anafilaxia. Além disso, podem prejudicar a função plaquetária e aumentar o risco de sangramentos, especialmente em quem usa anticoagulantes. É importante seguir as orientações médicas e evitar o uso prolongado desses medicamentos (Romaine, 2021). Os efeitos adversos gastrointestinais dos AINEs são preocupantes, variando de irritação gástrica a úlceras, sangramentos e perfuração. Isso ocorre pela inibição da COX-1, que reduz a produção de substâncias protetoras da mucosa gástrica. Pacientes com histórico de problemas gástricos ou que usam medicamentos irritantes, como corticosteroides, têm maior risco. O risco aumenta com o uso excessivo, especialmente em idosos e pessoas com doenças pré-existentes. O uso de medicamentos protetores gástricos, como inibidores da bomba de prótons, pode ajudar, mas o acompanhamento médico é essencial (Castel-Branco et al., 2013). Os anti-inflamatórios não esteroidais são medicamentos amplamente utilizados e eficazes no controle da dor e da inflamação, sendo fundamentais no manejo de diversas condições clínicas. No entanto, seu uso inadequado pode resultar em sérios efeitos adversos, especialmente no sistema gastrointestinal. O nutricionista, ao atender pacientes que fazem uso frequente desses medicamentos, deve estar atento aos sinais de complicações gastrointestinais e orientar sobre os riscos envolvidos no uso indiscriminado de AINEs. É fundamental que a população esteja consciente dos perigos associados a esses medicamentos e que busquem sempre a orientação de profissionais de saúde para garantir um tratamento seguro e eficaz. REFERÊNCIAS CASTEL-BRANCO, M. M. et al. As bases farmacológicas dos cuidados farmacêuticos: o caso dos AINEs. Acta Farmacêutica Portuguesa, v. 2, n. 2, p. 19-27, 2013. KUMMER, Carmen Luize; COELHO, Tereza Cristina RB. Antiinflamatórios não esteróides inibidores da ciclooxigenase-2 (COX-2): aspectos atuais. Revista Brasileira de Anestesiologia, v. 52, p. 498-512, 2002. LACERDA, Dhiego Alves et al. Uso de analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) na sala de emergência: Indicações terapêuticas e precauções. 2024. ROMAINE, Adriane Pessoa; LOUREIRO, Fernanda Freire; DA SILVA, Francisca Vitória Menezes. Reações adversas no uso de Anti-inflamatório não esteroidais (AINES) no Brasil: uma revisão sistemática adverse reactions to nonsteroidal Anti-Inflammatory drugs (NSAIDS) in Brazil: a systematic review. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 6, p. 54653-54661, 2021. SANDOVAL, Alline Correia et al. O uso indiscriminado dos anti-inflamatórios não esteroidais (AINES). Revista Cientifica da Faculdade de Educação e Meio Ambiente, v. 8, n. 2, p. 165-176, 2017.