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TCC Neuropsicopedagogia - concluído

Artigo acadêmico sobre funções executivas e a BNCC na Educação Infantil. Apresenta revisão bibliográfica e discussão sobre a contribuição das Neurociências e da Neuropsicopedagogia para estimular funções executivas, relacionando documentos oficiais (RCNEI, DCNEI, BNCC) e referências teóricas.

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AS FUNÇÕES EXECUTIVAS E A BNCC: CONTRIBUIÇÕES DAS 
NEUROCIÊNCIAS PARA A PRÁTICA NEUROPSICOPEDAGÓGICA NA 
EDUCAÇÃO INFANTIL1 
Francisca Nágila Silva Gadelha2 
Thaís Helena Ellery de Alencar3 
RESUMO 
O trabalho de pesquisa que este projeto se propõe a realizar insere-se no campo de 
conhecimento das Neurociências, voltando-se para o papel do Neuropsicopedagogo no 
desenvolvimento das funções executivas e práticas colaborativas no processo de ensino-
aprendizagem. Nesse caso, o tema apresenta interdisciplinaridade com a Base Nacional Comum 
Curricular (BNCC) a fim de que a criança desenvolva habilidades consistentes, mediada pelos 
cinco campos de experiências. A partir desta pesquisa, inúmeras indagações e questionamentos 
acerca da temática foram apresentados, buscando refletir sobre a importância das funções 
executivas no diálogo entre Neurociências e aprendizagem. Portanto, ressaltamos a presença da 
Neuropsicopedagogia como ferramenta de desenvolvimento e intervenção no currículo da 
Educação infantil. Assim, foi realizado um estudo bibliográfico acerca do tema, em torno dos 
documentos oficiais (Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil/RCNEI, 1998; 
Diretrizes curriculares nacionais para a Educação Infantil/DCNEI, 2009; Base Nacional 
Comum curricular/BNCC, 2017) e, a partir disso, discorreremos a respeito da importância do 
estímulo das funções executivas para um desenvolvimento eficaz dos aprendentes. Os 
principais teóricos que embasaram esta pesquisa foram: Lakatos e Marconi (2003), Freire 
(2010), Fonseca (1989), Ratey (2001), Muniz, Silva e Coutinho (2013), dentre outros. 
Palavras-chave: Funções executivas. Neurociências. Neuropsicopedagogia. Ensino e 
aprendizagem. 
 
1 Artigo apresentado como requisito parcial para obtenção da aprovação do Título de Especialista em 
Neuropsicopedagogia Clínica e Institucional da Faculdade do Vale do Jaguaribe – FVJ/2021 
2 Professora Especialista em Ensino da Língua Inglesa. Psicopedagoga e Psicomotricista Clínica e Institucional. 
E-mail: professora.nagilasilvagadelha@gmail.com 
3 Orientadora. Professora Mestra vinculada a Faculdade do Vale do Jaguaribe – FVJ. E-mail: 
thatylena@yahoo.com.br 
 
2 
 
ABSTRACT 
THE EXECUTIVE FUNCTIONS AND THE BNCC: CONTRIBUTIONS OF 
NEUROSCIENCES TO NEUROPSICOPEDAGOGICAL PRACTICE IN EARLY 
CHILDHOOD EDUCATION 
The research work that this project proposes to performing is part of the field of knowledge of 
Neurosciences, focusing on the role of the Neuropsychopedagogist in the development of 
executive functions and collaborative practices in the teaching-learning process. In this case, 
the theme presents interdisciplinarity with the Common National Curriculum Base (BNCC) in 
order that the child develops consistent skills, mediated by the five fields of experience. Starting 
from this research, innumerable inquiries and questions about the theme were presented, 
seeking to reflect about the importance of executive functions in the dialogue between 
Neurosciences and learning. Therefore, we highlight the presence of Neuropsychopedagogy as 
a development and intervention tool in the Early Childhood Education curriculum. Thus, a 
bibliographic study on the theme was perfomed, based on official documents (National 
Curriculum Reference for Early Childhood Education/RCNEI, 1998; National Curriculum 
Guidelines for Early Childhood Education/DCNEI, 2009; Common National Curriculum 
Base/BNCC, 2017) and, based on this, we will discuss the importance of stimulating executive 
functions for an effective development of learners. The main theorists who supported this 
research were: Lakatos and Marconi (2003), Freire (2010), Fonseca (1989), Ratey (2001), 
Muniz, Silva and Coutinho (2013), among others. 
Keywords: Executive Functions. Neurosciences. Neuropsychopedagogy. Teaching and 
learning. 
 
3 
 
1 INTRODUÇÃO 
O conceito de Neuropsicopedagogia numa breve revisão histórica é associado ao 
estudo das Neurociências e Educação. Pesquisas apontam que nos últimos anos, a 
Neuropsicopedagogia tem alcançado o devido reconhecimento da sua importância e 
aplicabilidade no contexto contemporâneo educacional. Ao longo dos anos, fez-se necessário a 
inserção de práticas colaborativas que ajudam a compreender a complexidade do 
funcionamento cerebral, estabelecendo um elo entre cérebro e comportamento. 
A Neuropsicopedagogia é uma ciência transdisciplinar, fundamentada nos conhecimentos da 
Neurociências aplicada à educação, com interfaces da Pedagogia e Psicologia Cognitiva que 
tem como objeto formal de estudo a relação entre o funcionamento do sistema nervoso e a 
aprendizagem humana numa perspectiva de reintegração pessoal, social e educacional. 
(SBNPp, Cap. II – art.10) 
A partir do século XXI, verificou-se a necessidade de fundamentar cientificamente 
as questões cognitivas, já exploradas nas áreas da Pedagogia e da Psicologia cognitiva. Até 
então, as orientações escolares eram desenvolvidas pelos profissionais da Pedagogia, 
Psicopedagogia e Psicologia escolar, o que, por diversas vezes, limitava as orientações, 
intervenções e o atendimento individualizado do aprendente. 
As Neurociências e, o conjunto de ações a partir da estimulação das áreas cerebrais são 
responsáveis pela aquisição de experiências, a intencionalidade da prática de atividades, 
colabora para que haja o desenvolvimento a curto e a longo prazo. Diante disso, retrata uma 
visão holística, apresentando diversas interfaces aos profissionais da educação e áreas afins. 
O trabalho a seguir, pretenderá estimular uma reflexão sobre a grande importância do 
estudo das Neurociências, tendo em vista o mundo globalizado e a evolução tecnológica da 
sociedade, sobretudo, dos aprendentes, faz-se necessário que tenhamos o conhecimento 
aprofundado do nosso cérebro, e que sejamos capazes de repensar comportamentos e práticas 
metodológicas, colaborando para a aquisição de novos conhecimentos. A introdução de novos 
processos na formação de professores e elaboração de estratégias para melhorar o ensino-
aprendizagem são norteadores de questões reflexivas. 
Este tema é de suma importância para a comunidade científica, pois trataremos 
reflexivamente temas atuais e bastante discutíveis na área educacional. Com este trabalho, 
objetivamos esclarecer os seguintes questionamentos: Por que o conhecimento do cérebro e das 
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Neurociências é importante no processo de ensino e aprendizagem? Qual o papel do 
Neuropsicopedagogo no processo de ensino e aprendizagem? Como estimular o 
desenvolvimento das funções executivas nos aprendentes a partir da Educação Infantil? Qual a 
importância da flexibilidade cognitiva, memória de trabalho e inibição para o sucesso social, 
acadêmico e profissional de um indivíduo? 
A Neuropsicopedagogia é uma atividade colaborativa para o desenvolvimento 
cognitivo, emocional e social dos indivíduos em nossa sociedade contemporânea. E por fim, 
enfatizará os instrumentos de Avaliação Neuropsicopedagógica mediante um estudo de caso, 
destacando os testes que poderão ser aplicados pelos profissionais afins das áreas de educação 
e saúde, visando propiciar uma Intervenção Neuropsicopedagógica eficaz a fim de colaborar 
para a aquisição de conhecimento e, propiciar a compreensão e a prática mediada de estímulos 
necessários para o processo de ensino e aprendizagem dos nossos aprendentes. 
A priori, a pesquisa bibliográfica é o passo inicial para qualquer tipo de pesquisa 
científica, definida como planejamento global no contexto da produção do conhecimento. A 
intenção deste estudo é uma pesquisa bibliográfica, que por sua vez, de acordo com Lakatos e 
Marconi, a pesquisa bibliográfica deva ser o ponto de partida para a construção de um trabalho 
científico por ser “[...] um apanhado geral sobre os principais trabalhos já realizados, revestidos 
de importância por serem capazes de fornecer dados atuais e relevantes relacionadoscom o 
tema” (LAKATOS e MARCONI, 2003, p.157). 
As relações entre a Neurociências e a BNCC, a fim de especificar os principais atributos 
e qualidades do objeto de investigação, logo, a pesquisa qualitativa é a abordagem que permitirá 
a discussão do tema deste estudo. De outro modo, a pesquisa qualitativa é de suma importância, 
pois, a partir dela, podemos mensurar os dados que não são numéricos. Sobre isso, Freire (2010) 
destaca que “não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino” (FREIRE, 2010, p. 29). 
Cabe evidenciar a importância do professor e sua ação pedagógica como facilitador, 
permitindo às crianças situações, estímulos variados e experiências concretas. Sob um olhar 
pedagógico e preventivo, colaborando para a formação do EU, integrando aspectos físicos, 
emocionais, afetivos, cognitivos e sociais da criança. 
2 CONTRIBUIÇÕES DAS NEUROCIÊNCIAS NO PROCESSO DE ENSINO E 
APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS 
5 
 
Partindo do pressuposto de que cérebro é a porção mais importante do sistema 
nervoso, atuando na interação do organismo com o meio externo, além de colaborar e 
coordenar suas funções internas. A dimensão construtiva e coconstrutiva 
(VALSINER, 1988) do ser humano envolve relações entre o cérebro, o corpo e os 
ecossistemas (DAMÁSIO, 1995). 
Discorreremos acerca do cérebro como órgão da cognição, visto que, tem a 
funcionalidade de captar e armazenar uma quantidade imensurável de informações, de 
imediato, ou instantaneamente, sendo capaz de manipulá-la, não somente em termos 
de passado, mas também adequá-la a situações cotidianas inéditas, em termos de 
futuro. 
Para Luria (1980b, 1977ª,1975ª, 1970, 1969), o cérebro humano é o produto, 
filogenético e ontogenético, de sistemas funcionais adquiridos em vários milhões de 
anos, ao longo do processo sócio-histórico da espécie humana. A priori, 
apresentaremos as Neurociências, campo científico que se dedica ao estudo do sistema 
nervoso. Na educação, busca compreender como ou cérebro aprende e como se 
comporta nas situações de aprendizagem. 
A cognição emergida da manipulação micromotora (FONSECA, 1989b), 
transformada na sua representação pela linguagem, dotou o ser humano da capacidade 
de raciocínio e resolução de problemas, e com todas essas habilidades, aprendeu a 
aprender e criou o fenômeno civilizacional. 
A neurociência cognitiva tem como escopo, em especial, as capacidades 
mentais mais complexas, como a linguagem e a memória, sendo que essa última tem 
sido indicada como um dos principais alicerces da aprendizagem humana (Izquierdo, 
2002; Lent, 2001; Assmann, 2001; Ratey, 2001). Diante do exposto, faz-se necessário, 
compreender como o cérebro aprende e como se dá o processo de aprendizagem, a fim 
de proporcionar novas propostas pedagógicas para os profissionais da educação e áreas 
afins. 
Aprender a refletir, raciocinar e utilizar essas estratégias cotidianamente para 
a solução de problemas é certamente, o objetivo que almejamos para adaptarmos as 
novas gerações para aprender a aprender, melhor e de forma flexível, é uma 
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necessidade fundamental da educação e, provavelmente, a tarefa mais relevante da 
escola atual. 
Segundo Malloy-Diniz et al., a Neuropsicologia é um dos ramos da 
Neurociência que se preocupa com a complexa organização cerebral, que trata da 
relação entre cognição e comportamento e a atividade do SNC em condições normais 
e patológicas; sendo assim, a Neuropsicologia é de natureza multidisciplinar, e que 
permite a elaboração de um estudo prático do cérebro, contribuindo para práticas 
diagnósticas e interventivas, a fim de facilitar o funcionamento cerebral e a motivação 
da aprendizagem do aprendente. 
As Neurociências e, o conjunto de ações a partir da estimulação das áreas 
cerebrais são responsáveis pela aquisição de experiências, a intencionalidade da 
prática de atividades, colabora para que haja o desenvolvimento a curto e a longo 
prazo. Diante disso, retrata uma visão holística, apresentando diversas interfaces aos 
profissionais da educação, saúde e áreas afins. 
Área de estudo das Neurociências na qual objetiva a análise dos processos 
cognitivos, potencialidades pessoais e perfil sócio–econômico, a fim de construir 
indicadores formais para a intervenção clínica frente aos educandos com padrões de 
baixo desempenho e que apresentam disfunções neurais, devido à lesão neurológica 
de origem genética, congênita ou adquirida. (ROTTA Apud COSENZA:2010) 
Segundo Ratey (2001), ao aprendermos tudo o que podemos acerca do cérebro, 
ao conhecer como ele faz o que faz, passamos a nos tornar mais responsáveis pela 
maximização de nossas forças e pela minimização de nossas fraquezas, preparando-
nos para participar do processo de construção do saber e do mundo. 
De acordo com pesquisas recentes, a estimulação ambiental é extremamente 
importante para o desenvolvimento do sistema nervoso das crianças. Sabemos que, 
uma criança estimulada em um ambiente empobrecido ou indevidamente estimulada 
apresentará, mais tarde, uma menor quantidade de conexões sinápticas e, 
consequentemente, um cérebro que necessita de maiores estímulos para atingir a 
aprendizagem eficaz. 
Nessa perspectiva, Conforme Fonseca: "O professor tem o dever de preparar 
os estudantes para pensar, para aprender a serem flexíveis, ou seja, para serem aptos a 
sobreviver na nossa aldeia de informação acelerada (Fonseca, 1998, p. 315)". A forma 
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como o cérebro responde aos estímulos ensinados pelos docentes, evidencia-se a 
importância do conhecimento pelos educadores, visto que, a Neurociência solitária não 
responderá à demanda de aprendizagem, necessitando do olhar investigativo do corpo 
docente. 
Em síntese, muitas discussões apontam a vantagem da estimulação precoce das 
crianças, é de suma importância para o desenvolvimento de um sistema nervoso mais 
complexo. O sistema nervoso é extremamente plástico no início da vida, a educação 
infantil destaca-se por ser a fase ideal para o aprendizado satisfatório de muitas 
habilidades. 
O cérebro, a aprendizagem e a Neurociência estão interligadas no que se refere 
à aprendizagem. Muniz, Silva e Coutinho (2013) afirmam que o conhecimento da 
neurociência quando aplicado à área da educação e utilizado como base para a pesquisa 
educacional leva a uma nova abordagem, a qual denomina Neuroeducação. 
A plasticidade neuronal é uma capacidade permanente do sistema nervoso, 
refere-se mais especificadamente a alterações celulares envolvendo os neurônios. Já a 
plasticidade cerebral indica reorganizações de funções estruturais cerebrais. Este 
circuito neuronal é, portanto, a unidade funcional do sistema nervoso, e também do 
cérebro (Lent, 2008). Portanto, faz-se necessário conhecer a Neurociência e o processo 
interdisciplinar que fundamenta e fortalece a aprendizagem. 
Como os estados mentais são obtidos a partir de diferentes padrões de 
atividades neurais, a aprendizagem é alcançada por meio de conexões neurais, 
podendo ser fortalecida ou não, de acordo com a qualidade da intervenção pedagógica 
(Relvas, 2012). Para que o cérebro aprenda, faz-se necessário um ambiente calmo e 
acolhedor para exposição de ideias e discussões, consolidando o desenvolvimento 
cerebral. Aprender por meio da experiência fortalece as funções cerebrais dos 
indivíduos. 
3 O DESENVOLVIMENTO DAS FUNÇÕES EXECUTIVAS NA EDUCAÇÃO 
INFANTIL 
As funções executivas são habilidades relacionadas à capacidade das pessoas de se 
empenharem em comportamentos orientados a objetivos, ou seja, à realização de ações 
8 
 
voluntárias, independentes, autônomas, auto-organizadas e direcionadas para metas específicas 
(Gazzaniga, Ivry &Magun, 2006; Sullivan, Riccio & Castillo, 2009). 
À partida, o cérebro é o órgão mais importante do nosso corpo, é responsável pelas ações 
voluntárias e involuntárias do mesmo, desde o bater do coração, respiração até as ações que 
podemos controlar, como comer,falar, brincar, entre outras. (Goldenberg, 2002), Tais funções 
são plenamente desenvolvidas apenas no ser humano e têm como principal base neurológica o 
córtex pré-frontal. Estudos recentes relacionados ao cérebro demonstram que a capacidade de 
desenvolvimento cerebral começa quando somos crianças e que, quanto mais estímulos 
dedicarmos, mais neurônios nascerão, melhorando a capacidade cognitiva. 
Consenza (2009), a educação deve dialogar com as Neurociências, pois, viabiliza o 
desenvolvimento de novos conhecimentos, definidos como comportamentos. Os 
comportamentos dependem do cérebro e a aquisição de novos comportamentos é um importante 
objetivo da educação, e nelas, estão presentes as experiências vivenciadas pelos indivíduos. 
Os neurônios utilizam o oxigênio que respiramos e trocam substâncias químicas, a partir 
disso, ocorre a motivação para que se obtenham respostas e ambientes enriquecidos de 
estímulos, daí ressaltamos a importância dos recursos materiais, atividades físicas e alimentação 
adequada desde a infância, pois, o desenvolvimento dessas funções pode ser analisado ao longo 
do crescimento humano, iniciado mais especificadamente, por volta dos 12 meses de vida e, 
estendendo-se aproximadamente até os 20 anos idade. 
De acordo com (Huizinga, Dolan & van der Molen, 2006), ao longo do 
desenvolvimento, as crianças tornam-se gradativamente capazes de controlar as suas ações e 
pensamentos, características que têm sido associadas ao amadurecimento do funcionamento 
executivo. Fonseca (2014), segundo as neurociências, as crianças e os jovens em situação das 
primeiras aprendizagens simbólicas precisam especialmente treinar capacidades de inibição e 
de memória de trabalho, para o que se torna óbvio aprimorar precocemente, digamos já na pré-
escola, tais capacidades executivas, conativas e cognitivas. 
O interesse pelas funções executivas tem crescido e, diante disso, ressaltamos que essas 
funções são relevantes à aprendizagem, ao comportamento adaptativo e equivalente à regulação 
emocional. A habilidade de controle do próprio comportamento, cognição e emoção e, claro, 
ser capaz de autorregular a sua atuação diante das exigências cotidianas e situação de 
9 
 
aprendizagem diária é fundamental para que o aprendente possam se engajar em sociedade e 
adaptar-se diante das demandas diárias. 
Quando há a falha de maturação das funções executivas, o aprendente pode 
experimentar uma série de dificuldades que remetem ao fracasso social, acadêmico e 
profissional. Enfatiza-se que os aprendizes possam receber os estímulos necessários enquanto 
estão em fase de desenvolvimento, ou seja, na infância, pois a remediação/ reabilitação dos 
déficits ocorrerá de maneira gradual. 
Silveira (2004, p.1) em seu artigo “O funcionamento do cérebro no processo de 
aprendizagem” cita experiências da neuroanatomista americana, Dra. Marian Diamond, 
executadas com ratos mostrando que os animais criados com estímulos (brinquedos) obtiveram 
um desenvolvimento do córtex cerebral com maior número de células nervosas do que os 
demais ratos sem a devida estimulação e, acredita-se que o mesmo aconteça conosco, os seres 
humanos. 
Compreendemos que o cérebro, a Neurociência e a aprendizagem estão entrelaçados no 
que se refere à forma como o cérebro responde aos estímulos ensinados e por meio dos saberes 
e ações dos educadores na escola e demais ambientes de ensino e aprendizagem. A educação e 
Neurociência estão na base do processo interdisciplinar, favorecendo a ação educativa, 
permitindo diagnósticos precoces e acima de tudo, oportunizando diferentes abordagens 
pedagógicas, visando a aprendizagem eficaz. 
De acordo com Goldberg (2001), as funções executivas coordenam e integram o 
espectro da tríade neurofuncional da aprendizagem, onde estão conectadas com as funções 
cognitivas e conativas. As brincadeiras lúdicas, na fase da educação infantil, promovem o 
desenvolvimento através da realidade de cada aluno e nos remete à afetividade, desencadeando 
a ação de que o cérebro registra e aprende. 
Mas o que é aprendizagem? Segundo Relvas em seu artigo “Cérebro aprende pelo afeto 
e emoção (s.d., p.1), “A aprendizagem é um mix de memória, atenção, concentração, interesses, 
desejos, estímulos intrínsecos (neurotransmissores/hormônios) e extrínsecos (informações 
externas do ambiente que permeiam a mente e o cérebro. 
As funções executivas exercem grande impacto sobre a capacidade do indivíduo de 
aprender novas informações (BODROVA; LEONG, 2007). Apesar dos profissionais 
10 
 
conhecerem algumas abordagens predisponentes para o desenvolvimento das funções 
executivas, faz-se necessário compreender que os currículos escolares na Educação Infantil 
poderiam ser implementados, permitindo a eficácia das atividades e treinamentos das 
habilidades necessárias. 
De fato, há evidências que as crianças expostas a programas que visam o 
desenvolvimento dessas funções possuem mais ganhos e maturidade cognitiva. Estudos 
recentes também apontam que, já em idades precoces, em crianças pré-escolares, intervenções 
para promover desenvolvimento das funções executivas têm se mostrado eficazes, pois, a 
flexibilidade cognitiva na infância é um dos fatores responsável pela maturação cognitiva e, 
consequentemente, o aprendizado. 
Partindo dessa perspectiva, Meltzer e Bagnato (2010) ressaltam que a flexibilidade 
cognitiva também tem um papel fundamental na aquisição de competências matemáticas, 
estando relacionada à habilidade da criança em processar múltiplas representações de forma 
flexível. No Brasil, temos o Programa de Intervenção em Autorregulação e Funções Executivas 
ou PIAFEX. No entanto, a utilização da abordagem de maneira eficaz é escassa e, muitos 
profissionais da área educacional desconhecem a importância das abordagens 
Neuropsicopedagógicas 
As funções executivas podem e devem ser ensinadas a partir da infância. Evidências 
empíricas também suportam a noção de não-unitariedade das habilidades executivas (DIAS, 
2009) e apontam para três componentes principais que compõem tais funções: a flexibilidade 
cognitiva, o controle inibitório e a memória de trabalho (MIYAKE; FRIEDMAN; EMERSON; 
WITZKI; HOWERTER, 2000). 
Segundo os autores, Blair e Diamond (2008), Diamond e colaboradores (2007) e 
Duckworth e colaboradores (2009) ressaltam a importância de promover o desenvolvimento 
precoce das funções executivas, corroborando com a prontidão escolar, a partir da Educação 
Infantil e, perpetuando-se ao longo da vida estudantil dos aprendentes. 
4 PRÁTICAS NEUROPSICOPEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA O 
DESENVOLVIMENTO DAS FUNÇÕES EXECUTIVAS SEGUNDO À BNCC 
Partindo do pressuposto de que o estudo da Neuropsicopedagogia entrelaçado com as 
práticas do currículo Educacional Infantil atualmente, encontra o seu lugar, norteando práticas 
11 
 
que contribuirão para o desenvolvimento infantil. Entende-se que o conhecimento do 
funcionamento do cérebro é responsável pelos avanços nas questões da aprendizagem. Através 
do processo de neuroplasticidade cerebral é possível superar aprendizagens negativas e, 
intervenções podem ser realizadas de maneira eficaz. E, com o surgimento das Neurociências 
no último século, ampliam-se as possibilidades de compreensão sobre o aprender (Nóvoa, 2009) 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), promulgada em 1996, em 
conjunto com os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997), regulam o sistema 
educacional brasileiro de ensino e, estabelecem níveis, modalidades e diretrizes a fim de 
orientar docentes e profissionais da área de ensino, colaborando para a obtenção da 
aprendizagem com igualdade, equidade e qualidade. 
A Neuropsicopedagogia, interliga as Neurociências, Psicologia Cognitiva e Pedagogia 
a fim de propiciar aos professores e profissionais afins o melhor entendimento a 
compreenderem melhor como ocorre a aprendizagem no cérebro de uma criança,visto que, 
todo aprendizado ocorre na área cerebral. 
O educador trabalha com um material que é plástico e aberto a toda impressão, e tem 
de observar perante a si mesmo a obrigação de não moldar a jovem mente de acordo 
com suas próprias ideias pessoais, mas, antes, segundo as disposições e possibilidades 
do educando (FREUD, p.10, 1903). 
O papel da Neuropsicopedagogia é contribuir com a Educação, proporcionando 
estratégias para facilitar ou ajudar na realização de atividades, fornecendo subsídios para 
superar as dificuldades através da metodologia diferenciada, criando um elo entre o aprendente, 
as funções cognitivas, executivas e metacognitivas. Estudos comprovam que funções 
executivas afetadas podem ser obstáculos à aprendizagem. 
Desse modo, os profissionais necessitam rever os seus conceitos de aprendizagem e 
sua forma de atuação, pois, ressalta-se novas formas de estímulos e atuação com o intuito de 
desenvolver novas formas de aprender e, proporcionar o acompanhamento individualizado. É 
possível identificar cada vez mais dificuldades ou altas habilidades neste processo. (Engel de 
Abreu et al., 2014). 
Em concordância com a homologação da Base Comum Nacional Curricular (BNCC), 
em 2017, um documento normativo que define o conjunto de aprendizagens fundamentais que 
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todas as crianças devem desenvolver na educação básica, consoante aos marcos legais regidos 
pela Constituição Federal de (1988) e LDB (nº 9394/96), reafirmamos o foco na aprendizagem 
como estratégia primordial para obter uma educação de qualidade, apresentando direitos e 
objetivos de aprendizagem para os aprendentes e, consequentemente, referindo-se às 
finalidades da educação. 
Com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96), foi 
reconhecida a Educação Infantil como primeira etapa da educação básica, 
proporcionando importantes mudanças na maneira de pensar a criança pequena, e de 
como atendê-la da melhor forma. O artigo 29 da referida Lei estabelecia em 1996 a 
sua finalidade: “o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus 
aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e 
da comunidade”. (ESCARIÃO, 2019, p.41). 
De acordo com a LDB, a BNCC retoma a ideia do cuidado com a aprendizagem, 
ressaltando dois eixos indissociáveis no processo de ensino e aprendizagem das crianças 
pequenas, estes eixos estão relacionados ao brincar e as interações sociais. Respeitando 
também, os seis direitos que a base traz como: brincar, explorar, conhece-se, expressar-se, 
participar e conviver. 
Portanto, a LDB deve regulamentar os currículos dos sistemas e redes de ensino no 
território brasileiro, como também as propostas pedagógicas de todas as escolas do nosso país, 
desde a educação infantil até o ensino médio, ou seja, a Educação Básica. Embasada por 
princípios éticos, políticos e estéticos delineados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais da 
Educação Básica, soma-se aos pressupostos que fundamentam a educação brasileira para a 
formação humana integral (BNCC,2017). 
A BNCC estabelece conhecimentos, competências e habilidades que se espera que 
todos os aprendentes desenvolvam ao longo do período escolar básico, destacamos aqui a 
Educação Infantil, estabelecendo cinco campos de experiência nos quais a criança pode 
aprender e se desenvolver: O eu, o outro e o nós; Corpo, gestos e movimentos; Traços, sons, 
cores e formas; Escuta, fala, pensamento e imaginação; Espaços, tempos, quantidades, relações 
e transformações. 
De acordo com a Neuropsicopedagogia em consonância com a BNCC, destacamos a 
concepção de criança como ser que observa, questiona, levanta hipóteses, conclui, faz 
13 
 
julgamentos e assimila valores e que constrói conhecimentos e se apropria do conhecimento 
sistematizado por meio da ação e nas interações com o mundo físico e social não deve resultar 
no confinamento dessas aprendizagens a um processo de desenvolvimento natural ou 
espontâneo. 
A prática Neuropsicopedagógica viabiliza a estruturação do elo entre aprendizagem e 
neuroplasticidade para a construção da aprendizagem significativa. Cramer e cols. (2011), 
definem neuroplasticidade como a habilidade do sistema nervoso de responder a estímulos 
intrínsecos e extrínsecos, reorganizando sua estrutura, função ou conexão. 
O processo de aprendizagem e apropriar-se do conhecimento, nesta perspectiva é 
muito mais do que assimilação, o ato de aprender é muito mais dinâmico. Destacamos a 
Educação como um fenômeno social complexo. Para Morin (2000), o processo ensino-
aprendizagem precisa preocupar-se com a tríade indivíduo-sociedade-espécie. 
A Educação no século XX aponta uma abordagem modernizada e saberes 
individualizados, que possam desenvolver a interação e integração do cérebro cognitivo, 
emocional, motor, afetivo e social (RELVAS, 2012). É fascinante para os educadores entender 
sobre o cérebro e sua ligação com a aprendizagem. Assim como, compreender as funções 
executivas e o sistema inibitório do lobo pré-frontal, torna-se um instrumento importante para 
o trabalho educacional, o qual busca entender o processo de maneira fisiológica e holística do 
indivíduo em aprendizagem contínua. 
As principais habilidades que integram o termo “funções executivas” são (Gazzaniga 
et all., 2006; Lezak et al., 2004; Malloy Diniz et all., 2008): planejamento, flexibilidade 
cognitiva, memória de trabalho, atenção seletiva, controle inibitório e monitoramento. O papel 
do Neuropsicopedagogo é proporcionar práticas metodológicas que viabilizam o 
desenvolvimento e maturação dessas habilidades precocemente, ou seja, desde a infância. No 
campo de intervenção, identificar e propiciar estímulos necessários para o desenvolvimento das 
áreas prejudicadas no cérebro dos aprendentes. 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
As funções executivas são fundamentais à aprendizagem, sabemos que são relevantes 
para a realização de muitas atividades do dia a dia. A maturação das mesmas, corrobora para a 
aquisição de habilidades necessárias para o convívio social, acadêmico e profissional dos 
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indivíduos. Estudos demonstraram que o desenvolvimento das funções executivas impacta 
diretamente na aprendizagem dos alunos, além de contribuir para melhorar o desempenho 
acadêmico. 
O desenvolvimento e aprimoramento dessas habilidades segue uma vasta trajetória, 
desde 12 meses de vida, transcorrendo a adolescência e, consequentemente, atingindo a fase 
adulta. Diante da relevância dessas habilidades e a problemática causada pelo seu 
subdesenvolvimento, pesquisadores das áreas da saúde e educação têm se preocupado e 
buscado novas técnicas de abordagem e intervenção a partir da infância, época propícia ao 
desenvolvimento e ensino de atividades que favoreçam a maturação das funções executivas. 
As propostas curriculares da educação infantil trazem as funções executivas e as 
Neurociências como norte para a aquisição, desenvolvimento e maturação das habilidades mais 
complexas que, consequentemente, serão adquiridas ao longo da vida de um aprendente. A 
priori, estudos realizados corroboram que a Neuropsicopedagogia e as Neurociências são 
ferramentas úteis e que devemos utilizá-las como aliadas no processo de aprendizagem 
continuamente. 
À partida, ressaltamos as temáticas educacionais, sociais e as leis constitucionais que 
norteiam o processo de ensino-aprendizagem dos aprendentes em nossas escolas. O problema 
de pesquisa abordado retrata o diálogo entre aprendizagem e as Neurociências e, nesse contexto, 
a educação precisa ter a qualidade satisfatória e zelar pela reflexão e ação do educador na 
formação dos aprendizes. 
A conclusão dessa pesquisa consolida a justificativa de que, o processo de ensino-
aprendizagem é progressivo e depende do desenvolvimento conjunto das habilidades cerebrais 
e funções executivas, colaborando para que o aprendente seja protagonista e adquiraas demais 
habilidades que se sucederão ao longo da educação básica de forma autônoma. 
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