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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 2 Sumário PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO .................................................................... 1 NOSSA HISTÓRIA .......................................................................................... 3 INTRODUÇÃO ................................................................................................. 4 HISTÓRICA DA PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO ............................................. 5 O QUE É PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO ....................................................... 7 PSICOLOGIA ESCOLAR: ORIGEM HISTÓRICA.......................................... 19 BENEFÍCIOS DA PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO ......................................... 20 OS DESAFIOS DE UNIR PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO ............................... 24 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................... 26 REFERENCIAS ............................................................................................. 27 file://192.168.0.2/v/Pedagogico/EDUCAÇÃO/ORIENTAÇÃO%20ESCOLAR/PSICOLOGIA%20DA%20EDUCAÇÃO/PSICOLOGIA%20DA%20EDUCAÇÃO.docx%23_Toc88466248 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 4 INTRODUÇÃO Psicologia da Educação, em razão de sua natureza, em face dos resultados de suas pesquisas e do alcance objetivo dos mesmos para a prática pedagógica, tem sido reconhecida como disciplina psicológica e educativa de natureza aplicada, ‘disciplina ponte’, conceito que você verá a seguir. A Psicologia da Educação por ter natureza e origem, híbridas, gera divergências entre seus estúdios quanto às considerações sobre sua autonomia epistemológica. Segundo Coll (2000) existem basicamente três correntes ou posicionamentos, a esse respeito, que você verá as seguir: Existe uma corrente de especialistas que entende a Psicologia da Educação como sendo apenas a terminologia empregada para designar o corpo de princípios e explicações alcançados pela Psicologia, decorrente de uma seleção de conceitos próprios de outros segmentos do saber psicológico, como a Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento etc., aplicáveis à situação educativa. A Psicologia da Educação é entendida como uma disciplina com autonomia científica e didática, uma vez que tem já determinados objetivos e conteúdos bem como, programas de pesquisa próprios, e realiza contribuições originais e significativas para as práticas pedagógicas. A Psicologia da Educação é entendida como uma “disciplina ponte”, com um objeto de estudo, alguns métodos, marcos teóricos e conceitos próprios, caracterizando-se como uma disciplina de natureza aplicada. Você pode ter como exemplo, o estudo e a mensuração das diferenças individuais, bem como as mudanças de comportamento das pessoas, vinculados a sua participação em situações de ensino e aprendizagem 5 HISTÓRICA DA PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO O interesse pela educação, suas condições e seus problemas, foi sempre uma constante entre filósofos, políticos, educadores e psicólogos. Com o desenvolvimento da Psicologia como Ciência e como área de atuação profissional, no final do século XIX, várias perspectivas se abriram, fato que também ocorreu à chamada Psicologia Educacional. Durante as 3 primeiras décadas do século XX a psicologia aplicada à educação teve enorme desenvolvimento. Nos EUA destacava-se a necessidade de um novo profissional, capaz de atuar como intermediário entre a psicologia e a educação. Três áreas destacaram-se: as pesquisas experimentais da aprendizagem; o estudo e a medida das diferenças individuais; psicologia da criança. Até a década de 50, a Psicologia da educação aparece como a 'rainha' das ciências da educação. Seu conceito: uma área de aplicação da psicologia na educação. Psicologia Educacional era um ramo especial da Psicologia, preocupado com a natureza, as condições, os resultados e a avaliação e retenção da aprendizagem escolar. Ela deveria ser uma disciplina autônoma, com sua própria teoria e metodologia. Durante a década de 50, o panorama muda. Começa-se a duvidar da aplicabilidade educativa das grandes teorias da aprendizagem, elaboradas durante a 1ª metade do século XX. Prenuncia-se uma crise ... Surgem outras disciplinas educativas tão importantes a educação quanto a psicologia, e esta precisa ceder espaço. Na década de 70, assume o seu caráter multidisciplinar, que conserva até hoje. Não mais é considerada como a psicologia aplicada a Educação. Atualmente, a Psicologia da Educação é considerada um ramo tanto da Psicologia como da Educação, e caracteriza-se como uma área de investigação dos problemas e fenômenos educacionais, a partir de um entendimento psicológico. 6 Conceito de Psicologia da Educação Quando se fala, hoje, em 'Psicologia da Educação', vários termos são utilizados indiscriminadamente como sinônimos, tais como: psicopedagogia, psicologia escolar, psicologia da educação, psicologia da criança, etc. A lista poderia ser alongada. Esta imprecisão na linguagem, e esta confusão entre disciplinas ou atividades não são exatamente passíveis de sobreposição, pois cada qual têm suas definições e limitações. A Psicologia da Educação tem por objeto de estudo todos os aspectos das situações da educação, sob a ótica psicológica, assim como as relações existentes entre as situações educacionais e os diferentes fatores que as determinam. Seu domínio é constituído pela análise psicológica de todas as facetas da realidade educativa e não apenas a aplicação da psicologia à educação. Seu maior objetivo é constatar ou compreender e explicar o que se passa no seio da situação de educação. Por isso, tanto psicólogos quanto pedagogos podem possuir tal especialização profissional. A Psicologia da Educação faz parte dos componentes específicos das ciências da Educação, tal como a sociologia da educação ou a didática. Compõem um núcleo, cuja finalidade é estudar os processos educativos. Atualmente, rejeita-se a ideia de que a Psicologia da Educação seja resumida a um simples campo de emprego da Psicologia; ela deve, ao contrário, atender simultaneamente aos processos psicológicos e às características das situações educativas. Ela estuda os processos educativos com tripla finalidade: Contribuir à elaboração de uma teoria explicativa dos processos educativos - nível teórico; Elaborar modelos e programas de intervenção - nível tecnológico; Dar lugar a uma práxis educativa coerente com as propostas teóricas formuladas - nível prático. 7 Definição de Psicopedagogia Especialização dentro da Pedagogia e/ou Psicologia que trata dos distúrbios de aprendizagem (crianças que possuem dificuldades para aprender). Definiçãode Psicologia da Criança Também chamada de Psicologia Evolutiva ou Psicologia do Desenvolvimento Humano, estuda as leis gerais da evolução da criança, as sucessivas etapas de seu desenvolvimento nas quatro grandes áreas: cognitiva, afetiva, social e psicomotora. A Psicologia da Educação tem estudado os processos educativos orientada por objetivos que segundo Coll (2000) podem ser divididos em três dimensões: Dimensão Teórica ou Explicativa: nela são estudados os processos educativos com o objetivo de contribuir para a elaboração de uma teoria que explique destes processos. Dimensão Projetiva ou Tecnológica: estudam os processos educativos com o objetivo de elaborar modelos e programas de intervenção voltados para as práticas pedagógicas. Dimensão Prática ou Aplicada: estuda os processos educativos com o objetivo de colaborar para a construção de práticas pedagógicas coerente com as propostas teóricas formuladas. O QUE É PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 8 A psicologia da educação é uma subárea de conhecimento dentro da psicologia, que tem como função a produção de saberes relativos aos fenômenos psicológicos constituintes do processo educativo. Estudar psicologia da educação ou psicologia educacional é compreender o processo de ensino e aprendizagem. Isso vai desde os mecanismos de aprendizagem nas crianças e adultos (relacionando com a psicologia do desenvolvimento), até a eficiência das tácticas e estratégias educacionais, assim como o estudo do funcionamento da instituição escolar enquanto organização (onde se cruza com a psicologia social A educação é a base para a vida. Responsável pela construção e manutenção da sociedade a partir do aprendizado e pesquisa. Estudar como os processos educacionais acontecem, do ensino ao aprendizado, é fundamental. Assim é possível aperfeiçoar os métodos e tornar as estruturas mais eficientes e acessíveis. A psicologia da educação tem esse papel essencial de verificar os conhecimentos proporcionados pela psicologia científica. A partir disso, determina quais são os mais importantes para compreender o comportamento das pessoas no ambiente educacional. Assim, é possível intervir nesse ambiente para gerar melhorias. 9 O campo da psicologia educacional surgiu a partir de três grandes estudiosos e pioneiros da psicologia no final do século IX. São eles: Willian James, John Dewey e Edward Lee Thorndike. Willian James William James nasceu em Nova York em 1842, e faleceu em 1910, em sua casa de campo na cidade americana de Chocoronua. Entre 1865 e 1866, aos 23 anos, acompanhou o naturalista Louis Agassiz na Expedição Thayer ao Brasil. Nos oito meses de estadia no país, passados principalmente no Rio de Janeiro e na Amazônia, James rascunhou um diário, e produziu desenhos de cenas da expedição, que expressam uma consciência crítica e um distanciamento moral da ideia colonialista que norteava a norteava. https://pt.wikipedia.org/wiki/William_James https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Dewey https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Dewey https://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_L._Thorndike 10 Depois seguiu para a Alemanha e estudou filosofia na Universidade de Berlim, entre 1867 e 1868. No ano seguinte, conseguiu a graduação em medicina em Harvard, tornando-se professor de fisiologia e anatomia a partir de 1873, e depois, de psicologia e filosofia, na mesma universidade. Como filósofo, foi responsável por aquela que é considerada a maior contribuição americana à filosofia: o pragmatismo. É possível dividir a obra de William James em dois momentos: um psicológico (que vai da década de 1870 à de 1890) e outro filosófico (a partir de 1890) O primeiro período tem como marco inicial a criação de um pequeno laboratório de psicologia em 1875 na Universidade de Harvard; e o seu primeiro curso de psicologia, sobre “As relações entre a fisiologia e a psicologia”. Nesse período o ponto culminante de sua produção teórica é a publicação, em 1890, após 12 anos de elaboração minuciosa, de O Princípio de Psicologia. Nesse tratado (com mais de mil páginas) encontram-se as principais ideias de James sobre tópicos tais como o “hábito”, “atenção”, “fluxo de pensamento” e “self”. James interroga os limites daquilo que é chamado de “self”, “eu”, “ego” (não faz distinção conceitual entre os termos), em oposição ao mundo circundante. Para James, o “eu” é apenas “o nome de uma posição”; uma espécie de perspectiva individual privilegiada a partir da qual o mundo é medido em suas distâncias. E ele concebe tais distancias em função das ações individuais sobre o ambiente. A consciência implica um tipo de relação externa; não é um tipo especial de substância ou de modo de ser. James constrói uma noção de “eu” caracterizada por certa fluidez: sem limites estabelecidos previamente e com as referências básicas de tempo e espaço definidas em função de suas ações sobre o ambiente. (Ferreira e Gutman, 2005). Em The Principles of Psychologie, James (1890) diz que a consciência não se apresenta para ela mesma, cortada em pequenos pedaços. Palavras tais como “cadeia” ou “sucessão” não a descrevem adequadamente, tal qual ela se apresenta https://psicologado.com.br/psicologia-geral/introducao/o-que-e-psicologia 11 em primeira instância. Ela não é algo agregado; ela flui. Um “rio” ou um “fluxo” são as metáforas pelas quais ela é mais naturalmente descrita. A consciência teria como propriedades básicas: a pessoalidade; o seu aspecto mutante; a continuidade; a referência aos objetos; o seu aspecto seletivo. Sobre “hábito” há três tópicos principais: primeiro o destaque dado a sua base física ou neurofisiológica e sua participação tanto nos limites do aprendizado de novos hábitos como a modificação de hábitos antigos; segundo, a apresentação do hábito como uma versão possível das ações adaptativas de um organismo em referência a um meio; terceiro, a possibilidade de alteração dos hábitos pela ação voluntária e os efeitos éticos-morais a ela correspondentes.. (Ferreira e Gutman, 2005). James diz que o hábito adquirido, do ponto de vista fisiológico, é nada mais do que uma nova via de descarga formada no cérebro pela qual, desde então, certas correntes aferentes tendem a seguir. Ele revela a posição darwiniana ao destacar a utilidade adaptativa do hábito; e a importância para um organismo da aquisição e manutenção da habilidade, ou capacidade de fazer a atenção consciente repousar. Deixando a cargo do habito toda uma série de atividades mais ou menos cotidianas ou banais, embora fundamentais à manutenção da vida diária, o organismo reserva à vida mental, plenamente consciente, outras tarefas e esforços. Ferreira e Gutman (2005) destacam que os conceitos de self, fluxo de pensamento e hábito fornecem indicações teóricas suficientes para a sustentação da importância de James para o funcionalismo. Na obra de James o foco está sempre colocado sobre a função e não sobre as supostas “propriedades” de um organismo dotado de psiquismo. Em sua perspectiva, o que o organismo é ou deixa de ser, decorre das funções que exerce e das interações com um dado ambiente. O pragmatismo de William James Para James o pragmatismo seria primeiramente um método, e em segundo lugar, uma teoria genética do que se entende por verdade. Em seu primeiro sentido 12 significa a atitude de olhar além das primeiras coisas, dos princípios, das “categorias”, das supostas necessidades; e de se procurar pelas últimas coisas, frutos, consequências, fatos. O pragmatismo atuaria de forma a extrair de cada palavra o seu valor de compra prático, pô-la a trabalhar dentro da corrente da experiência. Desdobra-se como um programa para mais trabalho, e mais particularmente como uma indicação dos caminhos pelos quais as realidades existentes podem ser modificadas.As teorias tornam-se instrumentos e não respostas aos enigmas, sobre os quais se pode descansar. William James creditou a origem do termo pragmatismo a Charles Peirce (1839-1914). Mas para Peirce o pragmatismo visava apenas extrair as “regras de conduta”, ou ações presentes nos diversos conceitos. Sendo assim, a primeira forma do pragmatismo estava ligada à noção de verdade como consenso último de todos os preocupados na busca da verdade. A realidade, portanto, seria o objeto resultante dessa opinião partilhada. Para James, representava o estudo das modificações na experiência trazidas pelas teorias, em especial as metafísicas e religiosas. Da perspectiva de James, as teorias filosóficas serviriam como meio de orientar a pesquisa para os seus resultados finais e não para os seus princípios. Desse modo, também as teologias seriam passíveis de serem consideradas verdadeiras. O critério de verdade pragmático seria aquele que permite adaptar o que se tem por verdadeiro com cada aspecto da existência, em relação com todas as outras experiências vividas, formando um todo orgânico. Assim, as diversas crenças que compõem a mente de uma pessoa teriam reduzidas suas divergências, a ponto de se aproximarem ciência e religião, nos casos mais extremos. “O pragmatismo de James, em sua característica funcionalista, tornava a função de verdade subjetiva e sua justificação da religião voltada à satisfação pessoal de cada um.” (Silva, 2008). (...) Se as ideias teológicas provam que têm valor para a vida concreta, são verdadeiras, pois o pragmatismo as aceita, no sentido de serem boas para tanto. O quanto 13 Ainda que o objeto da psicologia se assemelhe bastante ao da psicologia alemã, a experiência passa a ser vista a partir de uma nova questão (a adaptação), através de métodos diversificados que fogem da introspecção controlada. James lançou um livro intitulado Principles of Psychology e ministrou diversas palestras através de uma série intitulada Talks to Teacher. Nela, discutia as aplicações da psicologia na educação de crianças e enfatizava a importância de se observar o processo de ensino e aprendizagem em sala de aula. Assim era possível aprimorar a educação, trazendo como recomendação que os professores iniciassem as aulas em um ponto além do nível de conhecimento e compreensão da criança a fim de desenvolver a mente delas (SANTROCK, 2010). John Dewey John Dewey por sua vez tornou-se a força motriz da aplicação na prática da psicologia. Estabeleceu o primeiro e mais importante laboratório de Psicologia Educacional nos EUA, na Universidade de Chicago no ano de 1894. Assim, continuou seu trabalho inovador na Universidade de Colúmbia. Muitas ideias importantes partiram deste teórico. Ele nos mostrou que a criança é um ser em constante e ativa aprendizagem. Antes de Dewey, as pessoas acreditavam que as crianças deviam permanecer sentadas e em silêncio. Isso porque aprendiam passivamente e de uma maneira mecânica. 14 Dewey afirmava que a educação deve focar a criança em sua totalidade enfatizando também a adaptação da criança ao ambiente. Elas deveriam ser educadas de modo que possam ser estimuladas a pensar e também a se adaptar ao seu ambiente fora da escola. As crianças deveriam aprender a serem mais autônomas e solucionadoras de problemas de maneira reflexiva. Para Dewey toda criança merecia ter uma educação de qualidade sem diferenciação de classe, raça ou sexo. Dewey é o nome mais célebre da corrente filosófica que ficou conhecida como pragmatismo, embora ele preferisse o nome instrumentalismo – uma vez que, para essa escola de pensamento, as ideias só têm importância desde que sirvam de instrumento para a resolução de problemas reais. No campo específico da pedagogia, a teoria de Dewey se inscreve na chamada educação progressiva. Um de seus principais objetivos é educar a criança como um todo. O que importa é o crescimento: físico, emocional e intelectual. O princípio é que os alunos aprendem melhor realizando tarefas associadas aos conteúdos ensinados. Atividades manuais e criativas ganharam destaque no currículo e as crianças passaram a ser estimuladas a experimentar e pensar por si mesmas. Nesse contexto, a democracia ganha peso, por ser a ordem política que permite o maior desenvolvimento dos indivíduos, no papel de decidir em conjunto o destino do grupo a que pertencem. Dewey defendia a democracia não só no campo institucional, mas também no interior das escolas. Estímulo à cooperação 15 Influenciado pelo empirismo, Dewey criou uma escola-laboratório ligada à universidade onde lecionava para testar métodos pedagógicos. Ele insistia na necessidade de estreitar a relação entre teoria e prática, pois acreditava que as hipóteses teóricas só têm sentido no dia a dia. Outro ponto-chave de sua teoria é a crença de que o conhecimento é construído de consensos, que por sua vez resultam de discussões coletivas. "O aprendizado se dá quando compartilhamos experiências, e isso só é possível num ambiente democrático, onde não haja barreiras ao intercâmbio de pensamento", escreveu. Por isso, a escola deve proporcionar práticas conjuntas e promover situações de cooperação, em vez de lidar com as crianças de forma isolada. Seu grande mérito foi ter sido um dos primeiros a chamar a atenção para a capacidade de pensar dos alunos. Dewey acreditava que, para o sucesso do processo educativo, bastava um grupo de pessoas se comunicando e trocando ideias, sentimentos e experiências sobre as situações práticas do dia a dia. Ao mesmo tempo, reconhecia que, à medida que as sociedades foram ficando complexas, a distância entre adultos e crianças se ampliou demais. Daí a necessidade da escola, um espaço onde as pessoas se encontram para educar e ser educadas. O papel dessa instituição, segundo ele, é reproduzir a comunidade em miniatura, apresentar o mundo de um modo simplificado e organizado e, aos poucos, conduzir as crianças ao sentido e à compreensão das coisas mais complexas. Em outras palavras, o objetivo da escola deveria ser ensinar a criança a viver no mundo. "Afinal, as crianças não estão, num dado momento, sendo preparadas para a vida e, em outro, vivendo", ensinou, argumentando que o aprendizado se dá justamente quando os alunos são colocados diante de problemas reais. A educação, na visão deweyana, é "uma constante reconstrução da experiência, de forma a dar-lhe cada vez mais sentido e a habilitar as novas gerações 16 a responder aos desafios da sociedade". Educar, portanto, é mais do que reproduzir conhecimentos. É incentivar o desejo de desenvolvimento contínuo, preparar pessoas para transformar algo. A experiência educativa é, para Dewey, reflexiva, resultando em novos conhecimentos. Deve seguir alguns pontos essenciais: que o aluno esteja numa verdadeira situação de experimentação, que a atividade o interesse, que haja um problema a resolver, que ele possua os conhecimentos para agir diante da situação e que tenha a chance de testar suas ideias. Reflexão e ação devem estar ligadas, são parte de um todo indivisível. Dewey acreditava que só a inteligência dá ao homem a capacidade de modificar o ambiente a seu redor. Edward Lee Thorndike Já Thorndike, outro precursor da psicologia educacional, enfocou a avaliação e a mediação e promoveu os princípios básicos e científicos da aprendizagem. Argumentou que uma das tarefas mais importantes da escola é a de desenvolver as habilidades de raciocínio das crianças. Para isso, se diferenciava ao fazer estudos científicos aprofundados e precisos sobre o ensino e aprendizagem. Promoveu também a ideia de que a Psicologia Educacional deve ter uma base científica e deve enfocar principalmente a mediação. rd Thorndike era filhode um pastor metodista e cresceu em Massachusetts. Enquanto era um estudante muito bem sucedido, inicialmente não gostou do seu primeiro curso de psicologia. 17 Seu interesse em psicologia cresceu depois de ler o livro clássico Princípios da Psicologia de William James . Quando ele se formou na Universidade Wesleyan em 1895 com um título de bacharel, Thorndike, em seguida, matriculou-se na Universidade de Harvard para estudar Inglês e literatura francesa. Durante seu primeiro semestre, no entanto, ele fez um curso de psicologia ministrado por William James e pelo seu segundo trimestre tinha decidido mudar sua concentração no estudo sobre a psicologia. Mais tarde, ele se mudou para a Universidade de Columbia, onde estudou sob a orientação do psicólogo James McKeen Cattell . Depois de ganhar seu doutorado de Columbia em 1898, Thorndike levou brevemente o cargo de Professor Assistente de Pedagogia na Case Western Reserve University. No ano de 1900, Thorndike se casou com Elizabeth Moulton. Ele então pegou um emprego como professor de psicologia da Teachers College da Columbia University, onde ele iria continuar a ensinar para o resto de sua carreira. Trabalho e Teorias de Thorndike Thorndike é talvez mais conhecido pela teoria que ele chamou de lei do efeito , que surgiu a partir de sua pesquisa sobre como os gatos aprendem a escapar de caixas de quebra-cabeça. De acordo com a lei do efeito, respostas que são imediatamente seguidas por um resultado satisfatório se tornam mais fortemente associadas com a situação e, portanto, são mais prováveis de ocorrer novamente no futuro. Por outro lado, as respostas seguidas de resultados negativos tornam-se mais fracamente associadas e menos propensas a ocorrer novamente no futuro. Suas contribuições para a psicologia Através de seu trabalho e teorias, Thorndike tornou-se fortemente associado com a escola americana de pensamento conhecida como funcionalismo. Outros pensadores funcionalistas proeminentes incluem Harvey Carr, James Rowland Angell 18 e John Dewey . Thorndike também é muitas vezes referido como o pai da moderna psicologia educacional e publicou vários livros sobre o assunto. No que isso resultou A união dessas ideias e desenvolvimento de outras teorias a partir delas resultou nas escolas como conhecemos hoje: espaços de liberdade e comunicação, onde as crianças podem manifestar sua afetividade como carinho ou agressividade; sua criatividade como construção ou destruição; sua liberdade como obediência ou rebeldia. Todas as atitudes infantis passaram a ser tomadas de maneira natural, como boas e desejáveis, sempre se mantendo atenta e vigilante no que diz respeito ao desenvolvimento psíquico da criança. Os pedagogos e psicólogos passaram a ser vigilantes do desenvolvimento e cada escola se responsabiliza por suas próprias regras de disciplina. É importante destacar que a Psicologia Educacional e a Psicologia da Escola estão intimamente relacionadas, mas não são iguais. A primeira é a área do conhecimento que tem como objetivo compreender os fenômenos psicológicos envolvidos no processo educativo. A outra é considerada um campo de atuação profissional, sendo possível realização de intervenções no espaço escolar ou a ele relacionado https://www.vittude.com/blog/como-escolher-um-bom-psicologo/ 19 PSICOLOGIA ESCOLAR: ORIGEM HISTÓRICA A Psicologia da Educação surge do resultado do interesse tanto de psicólogos quanto de educadores em aplicar os conhecimentos desenvolvidos pela Psicologia, inclusive seus métodos de estudo, a educação. Você pode deduzir, a partir do conteúdo já estudado, que a história da Psicologia da Educação confunde-se com a história da Psicologia como ciência e com a evolução das ideias pedagogia. Vejamos: A área de estudo voltada para a educação só surgirá, pelo menos com a nomenclatura de Psicologia após 1890. Nesse período as teorias educativas vigentes, ou seja, a concepção de como a educação escolar deveria se organizar estavam voltadas para as faculdades ou funções cognitivas. A educação tinha como principal finalidade exercitar as funções cognitivas dos alunos, tais como, a inteligência, a memória, a atenção, a concentração, priorizando assim a transmissão dos conteúdos. Thordinke, autor que você já teve uma breve noção de sua teoria, defendia, segundo Coll (2000), que as propostas educacionais devem ser baseadas nos resultados das pesquisas científicas. Com a teoria do Associacionismo, Thordinke lançou as bases para o entendimento de que a prática educativa deve ser orientada pelo conhecimento psicológico sobre o processo de aprendizagem. Claparède, outro pesquisador da Psicologia, colaborou com a criação do Instituto de Psicologia Aplicada à Educação, pois estava convencido de que a ciência psicológica tem papel primordial na elaboração de uma pedagogia científica. Este estudioso reforçou a ideia de que a prática pedagógica deve estar embasada nos conteúdos sobre o desenvolvimento humano. Com estas ideias estabeleceram-se as bases para a constituição da psicologia do desenvolvimento, área de fundamental importância para as práticas pedagógicas. (COLL, 2000). Recapitulando, a Psicologia da Educação se delineia e caracteriza como uma área para onde convergem interesses e questionamentos sobre a aprendizagem e 20 tudo que a ela se correlaciona, direta ou indiretamente, especialmente as questões ligadas ao ensino e a aprendizagem escolar. Contudo, ainda segundo Coll (2000) três campos de interesse se sobressaem, constituindo-se no núcleo da Psicologia da Educação: que você pode sintetizar assim, era do âmbito investigativo da Psicologia da Educação o conhecimento sobre a criança, de modo que as diferenças individuais pudessem ser reconhecidas, estudadas e consideradas na análise dos processos de ensino aprendizagem, e para, além disso, ainda importava elaborar testes psicológicos que se prestassem como instrumentos de medição, de quantificação dessas diferenças. Contudo, há três focos principais de estudo, que são: O estudo e a mensuração das diferenças individuais, bem como as mudanças de comportamento do sujeito, vinculados a sua participação em situações educativas A análise dos processos de aprendizagem, desenvolvimento e socialização Desenvolvimento infantil. BENEFÍCIOS DA PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO A partir da psicologia educacional, professores e alunos são auxiliados ao melhor entendimento do processo de educação. Assim, geram melhores resultados para si e para a sociedade. Entre os benefícios dos estudos nesse campo, estão os seguintes. Compreender os estágios de aprendizagem 21 A psicologia ajuda na compreensão de que a vida humana passa por diferentes estágios de desenvolvimento até atingir a idade adulta. Cada fase implica em padrões de comportamento característicos. A identificação destes períodos ajuda os educadores na elaboração do currículo. Assim é possível determinar os métodos mais adequados de ensino para os alunos em cada um dos diferentes estágios de aprendizagem. Conhecer o estudante A criança ou o aluno é o fator chave no processo de ensino e aprendizagem. A psicologia educacional ajuda o professor a conhecer quais são seus interesses, atitudes, aptidões e outras capacidades e habilidades adquiridas ou inatas. A psicologia educacional também ajuda na compreensão sobre o estágio em que o aluno se encontra com relação ao seu desenvolvimento social, emocional, intelectual 22 e físico. Além disso, leva em consideração o nível de aspiração e o comportamento consciente e inconsciente do aluno. Com a orientação adequada, o aluno pode formar uma atitude mais positiva com relação à vida e a si mesmo. Assim, forma uma personalidade mais integrada e solidária. Desenvolvera didática de ensino A psicologia da educação ajuda o professor a adaptar seu ensino de acordo com o nível dos alunos e seus processos de aprendizagem. Para que o conhecimento seja repassado de forma eficiente, é preciso que o professor tenha uma boa didática ligada a um ensino dinâmico, divertido e saudável. Para conseguir lidar com os alunos de forma eficaz na classe de aula, o professor precisa ter o conhecimento das várias abordagens que levam ao processo de aprendizagem, seus princípios, bem como as leis e fatores que a afetam diretamente. Entender as diferenças Os alunos diferem muito com relação aos níveis de inteligência, aptidões, gostos e desgostos, além de ter tendências e potencialidades distintas. Existe uma diferença enorme no grau de aprendizagem numa única sala de aula: há crianças superdotadas, outras com déficit de atenção, algumas com deficiências físicas e mentais. O professor deve ser capaz de reconhecê-las para que consiga proceder de maneira adequada com cada uma delas. Resolver problemas em sala de aula https://www.vittude.com/blog/crianca-superdotada/ https://www.vittude.com/blog/crianca-superdotada/ https://www.vittude.com/blog/tdah-transtorno-deficit-de-atencao-hiperatividade/ 23 Existem inúmeros problemas que podem surgir numa sala de aula. Alguns deles são: o bullying, a pressão dos colegas, as colas nas provas, as tensões étnicas, etc. O psicólogo educacional auxilia o aluno a lidar melhor com estas situações. Esclarece e instrui o aluno com as mediações para superar o problema. Para tanto, ele precisa estudar as características dos problemas potenciais em sala de aula, a dinâmica do grupo, as características comportamentais do aluno e os possíveis ajustes que serão necessários. Fornecer orientação e aconselhamento Hoje em dia é importante que a criança receba orientação em todas as fases do seu desenvolvimento. Isso porque as habilidades psicológicas, interesses e aprendizagem diferem de uma pessoa para outra. O psicólogo educacional também ajuda o professor a lidar com os seus próprios problemas emocionais. Assim, consegue otimizar o seu desempenho em sala de aula. 24 Desenvolver princípios de avaliação A avaliação é parte integrante do processo de ensino e aprendizagem. É através das técnicas de avaliação que o potencial da criança é testada e aprovada. O desenvolvimento dos diferentes tipos de testes psicológicos para a avaliação do indivíduo é uma das contribuições da psicologia da educação. Incentivar uma disciplina positiva e criativa A psicologia educacional substituiu o sistema repressivo pelo sistema preventivo. Os professores passaram a adotar uma abordagem mais cooperativa e científica, a fim de modificar o comportamento dos alunos. A ênfase é colocada sobre a autodisciplina através de atividades criativas e construtivas. OS DESAFIOS DE UNIR PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO No passado, quando a concepção dominante na educação ocidental era a chamada Escola Tradicional, não havia necessidade de uma psicologia para acompanhar a prática educativa. A psicologia só se tornou necessária quando o Movimento da Escola Nova revolucionou a educação. Isso construiu demandas específicas para a psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem. Não havia necessidade alguma de qualquer conhecimento sobre o ser humano e seu desenvolvimento. Isso porque já se sabia tudo sobre a natureza corrompida do homem. Acreditava-se no seu potencial para criar, cooperar, ser honesto, desenvolver 25 relações estáveis e saudáveis, respeitar a autoridade, ser intelectualmente aprimorado e ser dotado de coerência. Com o tempo e as pesquisas, isso foi sendo derrubado e gerou o ensino que conhecemos hoje. Entretanto, ainda hoje existem barreiras na implementação de estudos da psicologia da educação dentro das escolas. Mais ainda, mudanças no ensino tradicional são pouco recebidas e extremamente lentas. Os movimentos de educação alternativa tem modificado esse cenário, incentivando a abertura para teste de novas formas de aprendizado mais livres e ligadas ao desenvolvimento psicológico. A psicologia educacional contribui consideravelmente para a criação de um sistema moderno de educação. Ela tem ajudado professores, diretores, administradores e assistentes sociais, a desenvolver significativamente uma atitude mais solidária para com os alunos, já que os ajuda a crescer e se tornarem pessoas mais íntegras e independentes. 26 CONSIDERAÇÕES FINAIS O papel de um Psicólogo educacional e muito importante na vida dos indivíduos, pois pode ajudá-los a ter uma vida melhor, melhorar a aprendizagem e com isso o aproveitamento académico e até uma melhor vida social. A criança passa por vários estágios ou etapas de desenvolvimento até chegar à idade adulta e em cada um desses estágios vai fazendo aprendizagens e evoluindo, formando a sua personalidade ao mesmo tempo que cresce Convém destacar que a psicologia educacional oferece soluções para o desenvolvimento dos planos de estudos, da gestão educacional, dos modelos educativos e das ciências cognitivas de um modo geral. Os psicólogos educacionais têm em conta as diversas características e capacidades de cada pessoa. Estas diferenças são potenciadas com o constante desenvolvimento e a aprendizagem, que acabam por se refletir na inteligência, na criatividade, na motivação e na capacidade comunicativa, por exemplo. Existem, por outro lado, diversas possíveis incapacidades nas crianças em idade escolar, tais como o transtorno do déficit de atenção e a dislexia, entre muitas outras. https://conceito.de/pessoa https://conceito.de/lado http://www.facebook.com/sharer/sharer.php?u=https://conceito.de/psicologia-educacional http://www.facebook.com/sharer/sharer.php?u=https://conceito.de/psicologia-educacional 27 REFERENCIAS COLL, César; PALACIOS, Jesús & MARCHESI, Álvaro (Org.). Desenvolvimento psicológico e Educação - Psicologia da Educação, Volume 2. Artes Médicas, Porto Alegre: 1996. MIALARET, Gaston. Psicologia da Educação. Coleção: Epigênese, Desenvolvimento e Psicologia. Ed. Instituto Piaget, Lisboa, 1999. Capítulo 1: “Tentativa de Definição - As confusões a evitar”, p. 9-19. ALMEIDA, Patrícia Cristina Albieri de; AZZI, Roberta Gurgel; MERCURI, Elisabeth N. G. Silva; PEREIRA, Marli A. Lucas. Em busca de um ensino de psicologia significativo para futuros professores. GT. 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