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Oficina 05 – Atenção Integral à Saúde da Pessoa com Hanseníase
1. CARACTERIZAR A EPIDEMIA DA HANSENÍASE:
Mundo:
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019 foram notificados 202.185 novos casos de hanseníase globalmente
Geral – BR:
O Brasil está entre os 22 países com as maiores taxas de incidência de hanseníase no mundo e ocupa o segundo lugar em relação à detecção de casos novos (1º lugar = Índia)
O Brasil possui um índice crescente entre 2017 a 2019 de pessoas diagnosticadas com hanseníase, porém houve uma queda de 2020 a 2022 que pode estar relacionada a casos subdiagnosticados devido a pandemia do COVID-19
E com isso: O parâmetro de endemicidade do país mudou de “alto” para “médio”
2017 a 2021:
· foram diagnosticados no Brasil 119.698 casos novos de hanseníase. 
· Desse total, 66.613 casos novos ocorreram no sexo masculino, o que corresponde a 55,7% do total. Essa predominância foi observada na maioria das faixas etárias e anos da avaliação, com maior frequência nos indivíduos entre 50 a 59 anos, totalizando 23.192 casos novos
2022:
· demostram que o Brasil diagnosticou 14.962 casos novos de hanseníase, sendo 645 (4,3%) em menores de 15 anos
Regiões: 
Maior número de casos diagnosticados (incidência):
· 1º Nordeste 
· 2º Centro-oeste
· 3º Norte
Estes dados podem ser justificados de acordo com os parâmetros sociais e econômicos do país, tendo em vista que o aparecimento da hanseníase está relacionado a condições socioeconômicas mais precárias
Estados:
Os clusters definem áreas com maior risco e onde se encontra a maioria dos casos.
O primeiro cluster foi detectado entre 2017 e 2020, sendo composto de 41 municípios, todos localizados em Mato Grosso, e constituiu a área de maior risco para contrair a hanseníase
O terceiro cluster apresentou o segundo maior risco para hanseníase entre os anos 2016 e 2019, sendo composto por 70 municípios localizados no extremo sul do Pará, Nordeste de Mato Grosso, Centro-Sul de Tocantins e norte de Goiás
O Maranhão é a UF que apresenta o maior número de casos novos na população geral, em 2022
Sexo:
· Sexo masculino representam a maioria dos casos, isso está relacionado à menor adesão dessa parcela da população nas unidades de saúde
Escolaridade:
· Dos casos de hanseníase com o nível de escolaridade, observou que 47% dessa população é composta por analfabetos e indivíduos com ensino médio incompleto, enquanto apenas 5% do público tem o ensino superior, mesmo que incompleto, assim , nota-se que essa patologia tem uma maior prevalência em níveis de escolaridade mais baixos
Idade:
Homens pardos, maior numero em 30-59 anos
2017 a 2022: elevado número em pacientes de 0 a 14 anos, este dado reflete como indicador da expansão e a gravidade da doença, assim infere-se que as políticas de controle e prevenção da doença não estão sendo efetivas.
2012 e 2021: 
· reduções nas taxas de detecção para ambos os sexos e todas as faixas etárias. 
· Mulheres: as maiores reduções ocorreram nas faixas etárias de 10 a 14 anos (69,8%) e de 0 a 4 anos (68,9%). 
· Homens: a maior redução foi na faixa etária de 5 a 9 anos (68,4%) e, em seguida, no grupo de 10 a 14 anos (62,1%)
Raça:
a maior frequência foi observada entre os pardos, com 51,6%, seguidos dos brancos, que representaram 21,6%
Observa-se que as regiões Sul e Sudeste apresentaram maiores proporções de casos novos na população branca, 70,0% e 41,5%, respectivamente, quando comparadas às outras regiões, que tiveram as maiores proporções na população parda
2. DEFINIR A FISIOPATOLOGIA DA HANSENÍASE (HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA, TRANSMISSÃO, ETIOLOGIA)
Definição:
É uma infecção bacteriana crônica 
Agente etiológico: Mycobacterium Leprae e Mycobacterium Lepromatosis
Bacilo de multiplicação lenta (11 – 16 dias/12 – 14 dias)
Intracelular obrigatório: células de Scwann e células da pele
Transmissão: Tosse, muco nasal, espirro, amamentação, alimento: tatu
é pouco contagiosa
Tempo de transmissibilidade: início da doença -> 1º dose de Rifampicina
Fisiopatologia:
Grande maioria evolui para cura espontânea (80 – 90%) 
A bactéria ocupa principalmente a pele e cél. de Schawnn -> a bactéria dentro das cél. de Schawnn fica protegida (sistema imunológico não consegue destruir/fagocitose e a bactéria fica se reproduzindo lentamente)e a própria célula de Schawnn não tem capacidade fagocítica -> pode ocasionar, assim, problemas na função neural 
A bactéria na pele -> macrófagos isolam a bactéria = formando granulomas -> levando as lesões
Classificação:
Nº de lesões – OMS: 
· Paucibacilar - > 5 lesões na pele + baciloscopia positiva
Tipos:
Hanseníase paucibacilar (PB) 
· Caracteriza-se pela presença de uma a cinco lesões cutâneas e baciloscopia obrigatoriamente negativa.
*guia 2017
Guia de vigilância
Protocolo da diretriz da hanseniase
3. COMPREENDER O PROGRAMA NACIONAL DA HANSENÍASE (QUADRO CLÍNICO, DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO – CRIANÇA, GESTANTE, IDOSO, DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL, REAÇÃO HANSENICA, SEGMENTO MÉDICO)
Quadro clínico:
Deve-se suspeitar de hanseníase em pessoas com qualquer um dos seguintes sintomas e sinais: 
· manchas hipocrômicas ou avermelhadas na pele, perda ou diminuição da sensibilidade em mancha(s) da pele, dormência ou formigamento de mãos/pés, dor ou hipersensibilidade em nervos, edema ou nódulos na face ou nos lóbulos auriculares, ferimentos ou queimaduras indolores nas mãos ou pés.
Diagnóstico é clínico:
O Ministério da Saúde do Brasil define um caso de hanseníase pela presença de pelo menos um ou mais dos seguintes critérios, conhecidos como sinais cardinais da hanseníase:
· Lesão(ões) e/ou áreas(s) da pele com alteração de sensibilidade térmica e/ou dolorosa e/ou tátil; 
· Espessamento de nervo periférico, associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas; 
· Presença do M. leprae, confirmada na baciloscopia de esfregaço intradérmico ou na biópsia de pele.
Diferenciação: 
Brasil adota a classificação de Madri: se baseia nos achados do exame físico e dos exames complementares, mas considera que o critério básico deve ser clínico, abrangendo a morfologia das lesões cutâneas e as manifestações neurológicas
a) Hanseníase tuberculoide (paucibacilar):
LESAO ÚNICA + SEM REAGENTE
· Imunidade Celular:
· Forte resposta da imunidade celular específica -> multiplicação bacilar limitada.
· Baciloscopia do esfregaço intradérmico não detecta bacilos.
· Manifestações Clínicas:
· Comprometimento restrito da pele e nervos.
· Lesão cutânea única e bem delimitada.
· Intensa resposta inflamatória com granulomas tuberculoides na derme.
· Comprometimento dos filetes nervosos, resultando em:
· Acentuada hipoestesia ou anestesia nas lesões.
· Hipo ou anidrose (diminuição da função das glândulas sudoríparas).
· Diminuição dos pelos nas áreas afetadas.
· Características das Lesões da Pele:
· Placas com bordas nítidas, elevadas, geralmente eritematosas e micropapulosas.
· Podem ser únicas ou em pequeno número.
· Centro das lesões pode ser hipocrômico ou apresentar atrofia.
· Espessamento dos filetes nervosos superficiais adjacentes às placas (sinal da raquete).
· Nervos Periféricos:
· Poupados ou espessados de forma localizada e assimétrica.
· Comprometimento intenso das funções sensitivas e motoras no nervo afetado.
· Áreas da pele podem apresentar comprometimento sensitivo sem lesões cutâneas visíveis.
· Diagnóstico Clínico:
· Baseado no primeiro sinal cardinal da doença.
· Lesões da pele com diminuição ou perda de sensibilidade térmica, dolorosa e/ou tátil.
b) Hanseníase virchowiana (multibacilar):
Forma mais contagiosa da doença.
Ocorre em indivíduos que não ativam adequadamente a imunidade celular específica contra o M. leprae, evoluindo com intensa multiplicação dos bacilos, que são facilmente detectáveis tanto na baciloscopia como na biópsia cutânea
infiltração difusa, especialmente, da pele e dos nervos periféricos, além de linfonodos, fígado, baço, testículos e medula óssea
O comprometimentocutâneo pode ser silencioso, com a progressiva infiltração sobretudo da face, com acentuação dos sulcos cutâneos, perda dos pelos dos cílios e supercílios (madarose), congestão nasal e aumento dos pavilhões auriculares. 
Ocorre infiltração difusa das mãos e pés, com perda da conformação usual dos dedos, que assumem aspecto “salsichoide”.
 Com a evolução da doença não tratada, surgem múltiplas pápulas e nódulos cutâneos, assintomáticos e de consistência firme (hansenomas), geralmente com coloração acastanhada ou ferruginosa
na forma virchowiana as lesões de pele podem apresentar sensibilidade normal
os nervos periféricos geralmente se encontram espessados difusamente e de forma simétrica, frequentemente com hipoestesia ou anestesia dos pés e mãos, além de disfunções autonômicas, com hipotermia e cianose das extremidades. Geralmente há queixas neurológicas, com relato de dormências, câimbras e formigamentos nas mãos e pés, além de comprometimento difuso da sudorese, às vezes com hiperidrose compensatória em áreas não afetadas, como axilas e couro cabeludo.
1º sinal cardial: 
2º sinal cardial: o espessamento de nervos periféricos –, associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas.
3º sinal cardial: baciloscopia positiva do esfregaço intradérmico (terceiro sinal cardinal) que, via de regra, revela alta carga bacilar
c) Hanseníase dimorfa (multibacilar): 
Ocorre após um longo período de incubação
(aproximadamente 10 anos) por conta da lenta multiplicação do bacilo (14 dias).
É a forma mais comum de apresentação da doença
/características imunológicas mistas e sinais intermediários em relação às descrições anteriores
As lesões cutâneas aparecem em número variável, acometendo geralmente diversas áreas, e apresentam grande variabilidade clínica, como manchas e placas hipocrômicas, acastanhadas ou violáceas, com predomínio do aspecto infiltrativo.
podendo haver hansenomas e infiltração assimétrica dos pavilhões auriculares, destacando-se as lesões infiltradas de limites imprecisos
As lesões mais típicas da hanseníase dimorfa são denominadas “lesões foveolares”, que apresentam bordos internos bem definidos, delimitando uma área central de pele aparentemente poupada, enquanto os bordos externos são espraiados, infiltrados e imprecisos. Nessas lesões, a sensibilidade e as funções autonômicas da pele podem estar comprometidas de forma mais discreta.
O comprometimento dos nervos periféricos geralmente é múltiplo e assimétrico, muitas vezes com espessamento, dor e choque à palpação, associado à diminuição de força muscular e hipoestesia no território correspondente. A
Essa é a forma clínica mais incapacitante da hanseníase, especialmente quando o diagnóstico é tardio. O M. leprae geralmente é encontrado em número moderado, tanto na baciloscopia do esfregaço intradérmico como em fragmentos de biópsia das lesões
d) Hanseníase indeterminada (paucibacilar):
Bacilo não reagente geralmente
É a forma inicial da doença, surgindo com manifestações discretas e menos perceptíveis. Diferentemente das formas anteriores, suas manifestações clínicas não se relacionam à resposta imune específica, caracterizando-se por manchas na pele, em pequeno número, mais claras que a pele ao redor (hipocrômicas), sem qualquer alteração do relevo nem da textura da pele
Pode ou não haver diminuição da sudorese (hipoidrose) e rarefação de pelos nas lesões, indicando comprometimento da inervação autonômica. Ressalta-se que essa forma clínica pode inicialmente manifestar-se por distúrbios da sensibilidade, sem alteração da cor da pele
Por ser uma forma inicial, não há comprometimento de nervos periféricos e, portanto, não se observam repercussões neurológicas nas mãos, pés e olhos. A quantidade de bacilos é muito pequena, indetectável pelos métodos usuais, e via de regra a baciloscopia é negativa
e) Hanseníase neural pura
Constitui-se numa apresentação clínica exclusivamente neural, sem lesões cutâneas e com baciloscopia negativa, o que representa um desafio diagnóstico. Alguns exames complementares como o eletroneuromiograma, a biópsia de nervo, a sorologia e biologia molecular podem auxiliar na definição etiológica, embora não estejam facilmente disponíveis na Rede de Atenção à Saúde 
Do ponto de vista clínico, o diagnóstico é confirmado pelo achado do segundo sinal cardinal da hanseníase (espessamento de nervo periférico, associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas no território do nervo), o que demanda habilidade dos profissionais de saúde para palpar os nervos periféricos corretamente, para identificar as alterações autonômicas e para realizar os testes de sensibilidade e força muscular
Reações Hansênicas: 
As reações hansênicas são episódios inflamatórios agudos que podem piorar os sinais e sintomas da hanseníase. Elas são bastante comuns, afetando até 50% dos pacientes em alguns estudos. Essas reações acontecem porque o sistema imunológico do corpo reage contra a bactéria causadora da hanseníase, o Mycobacterium leprae.
Essas reações podem ocorrer em qualquer momento: antes, durante ou depois do tratamento da infecção. Elas afetam principalmente a pele e os nervos periféricos, e se não forem tratadas adequadamente, podem causar danos aos nervos e levar a incapacidades físicas permanentes. Por isso, é muito importante reconhecer e tratar essas reações rapidamente para evitar complicações graves.
As reações são classificadas em dois tipos, denominados
 Reação Tipo 1 (Reação Reversa):
· Causada por uma reação de hipersensibilidade celular, onde o sistema imunológico reage fortemente a partes da bactéria.
· Os sintomas são mais localizados e aparecem nas áreas onde a bactéria está presente.
 População Afetada:
· Acomete especialmente pacientes com formas dimorfas da hanseníase.
· Pode surgir tanto em casos paucibacilares (poucos bacilos) quanto multibacilares (muitos bacilos).
 Características da Reação:
· Ocorre abruptamente com piora das lesões de pele preexistentes e aparecimento de novas lesões.
· Intensa inflamação de nervos periféricos.
 Causa da Reação:
· Reação de hipersensibilidade do tipo III e IV (Classificação de Gell e Coombs).
· Desencadeada pela resposta imunológica contra antígenos do M. leprae, incluindo bacilos mortos ou fragmentos bacilares que permanecem no corpo após o tratamento com antibióticos.
 Sintomas Clínicos:
· Lesões cutâneas tornam-se mais visíveis, com coloração eritemato-vinhosa (vermelha ou roxa) e edemaciadas (inchadas).
· Lesões podem ser dolorosas e aparecer em áreas da pele previamente não afetadas.
· Dor aguda nos nervos periféricos, que pode ser intensa e espontânea ou ao toque.
· Comprometimento das funções sensitivas (sensação), motoras (movimento) e autonômicas (funções automáticas do corpo).
· Sintomas incluem piora das dores nos membros, queda frequente de objetos das mãos, dormência nas mãos e pés.
· Em casos severos, podem ocorrer ulceração (feridas abertas) das lesões cutâneas e formação de abscessos (acúmulo de pus) nos nervos periféricos.
 Tratamento:
· Deve ser iniciado imediatamente para evitar danos neurais.
· Uso de corticosteroides sistêmicos em doses altas, conforme recomendações médicas.
· Monitoramento clínico e da função neural é essencial.
· Avaliações neurológicas periódicas são necessárias para detectar deterioração neurológica de forma precoce e insidiosa (lenta e sem sintomas evidentes).
 Reação Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico):
· Resulta de uma resposta do corpo que envolve complexos imunológicos, que são formados quando os anticorpos se juntam aos antígenos.
· Os sintomas são mais generalizados e podem afetar vários órgãos e tecido
4. Compreender a vigilância na hanseníase (notificação, contactantes, prevenção, busca ativa, critério de cura, metas, reincidia)
Casos confirmados 
Confirmar os contatos -> que residiu nos últimos 5 anos, trabalho e etc
Se deu reagente ou não acompanhar por 5 anos.
Fazer teste rápido vizinhança de diagnosticado
Rastreio em escolas – teste de rápido -> capanha de rastreio
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