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451 C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 MELHORANDO A AMBIÊNCIA DE UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE ATRAVÉS DO PROGRAMA “5S" Raira Piágio Silva * Pollyana Cardoso Chelles ** RESUMO Este trabalho relata uma experiência, vivenciada por uma graduanda de enfermagem, durante a realização do estágio curricular da graduação em Enfermagem, em uma UBS, no município de Vitória da Conquista, no período de fevereiro a maio de 2017. O principal intuito foi de analisar a implantação do programa 5S na UBS, ilustrando as diversas fases e discutindo a sua relevância e vantagens. Para tal, selecionaram- se os principais problemas da unidade, podendo assim traçar metas que proporcionassem um desempenho de qualidade. Percebeu-se que a desorganização era um fator agravante que comprometia a qualidade da assistência ou mesmo o desempenho dos profissionais. Deste modo, apesar das limitações estruturais da UBS, buscou-se adequar o ambiente, com a reorganização dos materiais e equipamentos. Além da limpeza e correta identificação de arquivos e armários. Os estabelecimentos de saúde têm apostado numa melhoria contínua na organização, não só pensando na satisfação dos clientes, mas também na satisfação dos profissionais. A aplicação dos 5Ss implica um compromisso e um envolvimento grande de todos, mas, como este exemplo indicia, pode trazer sem dúvida um aumento significativo no desempenho dos profissionais, ao mesmo tempo que contribui para uma imagem mais organizada e arrumada das instalações, eliminando vários tipos de desperdício. Palavras-chave: Pesquisa qualitativa, Pesquisa em educação, Relações étnico raciais. * Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Independente do Nordeste-FAINOR. ** Enfermeira e Especialista em Auditoria de Serviços e Sistemas de Saúde pela Faculdade de Tecnologia e Ciências -FTC. Preceptora do Curso de Enfermagem da FAINOR. U m r e la to d e e x p e ri ê n c ia Raira Piágio Silva, Pollyana Cardoso Chelles 452 C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 1. INTRODUCAO A humanidade busca constantemente uma solicitude pela qualidade, principalmente no que diz respeito ás necessidades do ser humano. Atualmente, a população tem se tornado cada vez mais exigente e competitiva. Deste modo, essa busca tornou-se ainda mais evidente. Com isso, as organizações, para se adaptarem à realidade mundial de competitividade e qualidade, têm procurado identificar quais os fatores que garantem efetivamente a excelência na prestação de seus serviços (REBELLO, 2005). Nessa mesma perspectiva, Silva et al. (2013), diz que a identificação desses fatores é uma medida necessária para se alcançar bom resultados, sendo que ao oferecer um serviço de qualidade proporciona um diferencial, uma vez que está diretamente relacionada com a confiabilidade da empresa e com a satisfação dos clientes. Em síntese, a qualidade é um padrão que reúnem atributos de avaliação que diferencia um bom ou ruim produto ou serviço (CHELOTTI, 2012). Essa questão da qualidade começou a ser discutida no Japão, no período pós guerra. O país se encontrava em uma situação econômica precária, após a derrota da II Guerra Mundial. Diante deste panorama, os japoneses reconheceram a importância de controlar a qualidade dos seus serviços (DOS SANTOS et al., 2015). Surgindo, assim, teorias e ferramentas de gestão com foco na qualidade. A essa busca pela qualidade japonesa deu-se o nome de Revolução da Qualidade Total e teve início, mais especificamente, em 1950 e foi difundida por todo o mundo, mudando o panorama da competição entre as empresas, que se tornou acirrada e global. As mais ágeis ganharam novos mercados. A empresa, para sobreviver neste mercado crescentemente competitivo, se viu obrigada a se voltar para as necessidades de seus clientes (REBELLO, 2005). No entanto, atingir as necessidades dos clientes é um fim e não um meio. Portanto, para que essa qualidade seja atingida, as necessidades dos funcionários devem ser, primariamente, atingidas e, com isso, os mesmos desempenharam as suas atividades Melhorando a ambiência de uma unidade básica de saúde através do programa “5s" C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 453 com plenitude. Essa plenitude dos funcionários no atender alcança os clientes e as suas necessidades, o que mantém a empresa no mercado competitivo (DOS SANTOS et al., 2015). Mendonça et al. (2010), segue essa mesma linha de raciocínio em que a Gestão de Qualidade Total envolve funcionários na busca pela plena satisfação dos clientes. Assim, novas formas de gerenciamento que i ncluem em sua gestão não só os clientes, mas também os funcionários, devem ser implantadas nas empresas que buscam aumento de eficiência e produtividade dos seus serviços. Existem muitas ferramentas que podem ser empregadas na implantação e consolidação da Qualidade Total em uma empresa, dentre elas as mais divulgadas são mostradas na tabela 1: Tabela 1-Ferramenta de Qualidade Total. FERRAMENTA DEFINIÇÃO CICLO PDCA Dividido em 04 etapas básicas: Plan (Planejamento), consiste em definir os objetivos , estratégias e metas. Do (Executar), realizar o que foi planejado. Check (Verificar ), se os dados obtidos na execução alcançaram os resultados estabelecidos. Action (Agir), realizar as corre- ções e melhorias quando necessário, para evitar possíveis problemas¹. KAIZEN Programa de melhoria contínua na empresa. Busca estimular as potencialidades dos funcionários, tanto coletiva quanto individuais³. JUST IN TIME Relacionadas diretamente a tecnologia de manufatura enxuta4. Diagrama de Ishikawa (Espinha de Peixe) Proporciona visualizar os problemas selecionados, representa as possíveis causas que levam a um determinado efeito. Essas causas são denominadas de 6 “Ms”: Métodos, mão de obra, material, máquinas, moeda e medidas4. POP (Procedimento Operacional Padrão) Maneira sistematizada e convencional de realizar e orientar um procedimento técnico-assistencial ou administrativo com a finalidade de garantir segurança na qualidade da prestação da assistência². 5W2H Funciona como um plano de ação, auxilia na identificação de problema e em sua resolução4. PROGRAMA 5S Foco neste trabalho. Fonte: ¹SILVA e BARBOSA (2016), ²FONSECA (2017), ³CARDOSO(2017), 4RIBEIRO (2016). Raira Piágio Silva, Pollyana Cardoso Chelles 454 C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 Cada uma dessas ferramentas tem suas particularidade e relevânciana na implantação e consolidação da qualidade e produtividade de uma instituição, conduto este trabalho será focado na Metodologia do Programa 5S, uma vez que este é constituído de elementos fundamentais para a sua solidificação “como, por exemplo, treinamento, melhoria, motivação, trabalho em equipe, gerenciamento, etc.” (RODRIGUES et al., 2014). O Programa 5 "S" originou-se no Japão, na década de 50, no contexto pós Segunda Guerra Mundial, a fim de criar estratégias para vencer a crise industrial em que o país se encontrava. A implantação do programa nesse país, mostrou-se ser eficaz, gerando restauração das empresas japonesas e implantação da Qualidade Total, sendo até hoje o principal instrumento de gestão da qualidade e da produtividade utilizado no Japão. O programa objetiva estabeleceruma padronização e disciplina na realização do trabalho. Proporcionando, desta forma, uma diminuição na necessidade de supervisão, aumento da produtividade e competitividade. Esta ferramenta, recebeu tal intitulação (5 "S"), pois as cinco palavras japonesas que o compõem iniciam com S: Seiri, Seiton, Seiso, Seiketsu e Shitsuke. Buscando-se adequar ao português sem, contudo, alterar o sentido original das palavras, adotou-se o substantivo “senso” como prefixo das expressões “de utilização”, “de ordenação”, “de limpeza”, “de saúde” e “de disciplina” (CAMPOS et al., 2005). No Brasil, esse programa vem sendo desenvolvido por muitas empresas com bons resultados. Entretanto, as instituições de saúde não têm utilizado esta ferramenta com frequência. Não obstante, a implantação desse programa pode proporcionar um padrão de qualidade satisfatório que garanta uma assistência resolutiva, viabilizando um cenário de boa ambiência. A ambiência na saúde caracteriza-se como uma importante ferramenta facilitadora do processo de trabalho das equipes de saúde e consiste no conjunto de espaços físico, social, profissional e de relações interpessoais que juntos proporcionam uma “atenção acolhedora, resolutiva e humana” (BRASIL, 2010). A concepção de ambiência adota três eixos principais, Melhorando a ambiência de uma unidade básica de saúde através do programa “5s" C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 455 devendo os mesmos estarem sempre juntos: a) O espaço que visa à confortabilidade focada na privacidade e individualidade dos sujeitos envolvidos, valorizando elementos do ambiente que interagem com as pessoas – cor, cheiro, som, iluminação, morfologia...–, e garantindo conforto aos trabalhadores e usuários. b) O espaço que possibilita a produção de subjetividades – encontro de sujeitos – por meio da ação e reflexão sobre os processos de trabalho. c) O espaço usado como ferramenta facilitadora do processo de trabalho, favorecendo a otimização de recursos, o atendimento humanizado, acolhedor e resolutivo (p.6). Na unidade básica, a ambiência pode facilitar a implantação de ações junto à comunidade, propiciando um local de acolhimento tanto para os profissionais quanto para a população, melhorando a satisfação e a corresponsabilidade por este ambiente. Considerando que a Atenção Básica é a porta de entrada para o Sistema Único de Saúde(SUS), faz necessário que a mesma exerça um intenso papel de promoção, proteção, prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e a manutenção de toda a população (BRASIL, 2012). Para Glanzner et al., (2017), a ambiência tem sua importância pois pode se configurar como um indicador de prazer ou sofrimento, interferindo no cotidiano de trabalho, onde a falta de um ambiente adequado nas unidades de saúde, traduz-se em prejuízo, afetando a qualidade do trabalho. Em busca de melhorar a ambiência do serviço, iniciou a instalação do programa 5S. Foram realizadas adequações ambientais, a reorganizações dos materiais, equipamentos, e sensibilização da equipe. O objetivo deste trabalho é discorrer a respeito de um relato de experiência de uma graduanda de enfermagem, sobre a implementação do Programa 5S em uma Unidade Básica de Saúde. 2. METODOLOGIA Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem qualitativa do tipo relato de experiência, vivenciado por uma acadêmica de enfermagem, durante a realização do estágio curricular supervisionado I, em uma UBS, no Raira Piágio Silva, Pollyana Cardoso Chelles 456 C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 município de Vitória da Conquista, no período de fevereiro a maio de 2017. Inicialmente realizou-se um diagnóstico situacional da unidade, identificando o que precisava ser melhorado. Em busca de melhorar a ambiência do serviço, iniciou-se a implantação do programa 5S. Foram realizadas adequações ambientais, a reorganizações dos materiais, equipamentos, e sensibilização da equipe, seguindo as etapas do referido programa. Os etapas da implantação do programa está esquematizada no fluxograma abaixo: 3. IMPLANTAÇÃO DAS AÇÕES E ANÁLISE DOS RESULTADOS Primeiramente, foi realizado uma análise situacional da UBS, onde realizou-se um levantamento de dados a respeito do funcionamento da unidade e da sua estrutura física. A partir daí, identificou-se alguns problemas relacionados ao fluxo do funcionamento, de sua estrutura física e da organização dos serviços, de insumos e de arquivos. Não foi identificado nenhum tipo de Melhorando a ambiência de uma unidade básica de saúde através do programa “5s" C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 457 ferramenta, em que os profissionais utilizavam para direcionar no fluxo do funcionamento e da organização da unidade. Percebeu-se que isto era um fator agravante que comprometia a qualidade da assistência e até mesmo o desempenho dos profissionais da unidade. A partir deste diagnóstico buscou-se ferramentas de gestão para minimizar estes problemas e melhorar a ambiência na unidade. A ambiência na saúde, preconizada pela Política Nacional de Humanização (PNH) do Ministério da Saúde (BRASIL, 2010), “refere-se ao tratamento dado ao espaço físico, entendido como espaço social, profissional e de relações interpessoais que deve proporcionar atenção acolhedora, resolutiva e humana”. É considerada como um fator estruturante para a promoção de conforto e bem-estar, de acolhimento dos usuários e seus familiares e do processo terapêutico. Sendo assim, entendemos que a estrutura física, os recursos humanos e as relações interpessoais, são aspectos que interferem na qualidade da assistência e na prestação de serviços. Vale ressaltar que a compreensão desta temática ambiência, é essencial para produção do trabalho em equipe, uma vez que a mesma incorpora diretrizes fundamentadas no respeito às diferenças, na construção de vínculos e, revelando a necessidade de se aprimorar no dia a dia os modos como o respeito, a privacidade, a autonomia e a liberdade dos diferentes atores vem sendo instituídos (GARCIA et al., 2015). Para Pertence e Melleiro (2010), a melhor forma de se avaliar a qualidade dos serviços, é através da mensuração da satisfação dos trabalhadores e dos usuários, que está alicerçada nos indicadores representativos das três abordagens (estrutura, processo e resultado) dos serviços oferecidos, sendo, fundamental para a realimentação dos programas desenvolvidos nos estabelecimentos de saúde. No âmbito da estrutura, estão relacionadas as características estáveis das instituições (área física, recursos humanos, materiais, financeiros e modelo organizacional), inclui financiamento e capacitação dos profissionais que atuam nos serviços de saúde. O Processo, está Raira Piágio Silva, Pollyana Cardoso Chelles 458 C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 voltado para as relações estabelecidas entre os profissionais e os clientes, desde a busca pela assistência até o diagnóstico e o tratamento. Já o Resultado, é a obtenção das características desejáveis dos produtos ou serviços, retratando os efeitos da assistência na saúde da população (PERTENCE; MELLEIRO, 2010). A partir disso, na tentativa de contribuir com a melhoria do aproveitamento e melhor uso dos recursos disponíveis e na reorganização da UBS, realizou-se uma pesquisa bibliográfica voltada à busca de uma ferramentade implantação e consolidação do processo de gestão de qualidade e produtividade de uma instituição. Encontramos uma ferramenta chamada método do 5S ou programa 5 S. Essa ferramenta manifesta-se como um instrumento de cumprimento de estratégias avaliativas e principalmente, para a obtenção da qualidade nos serviços de saúde. A implementação dos 5S na UBS trouxe mais clareza e organização para o ambiente de trabalho, o que foi percebido e aprovado pelos profissionais da unidade. Através desse programa, problemas na organização e comportamento da UBS foram identificados e, uma vez identificados, o processo de resolução desses problemas tornou- se possível. Com relação aos custos financeiros do programa 5S, esses foram considerados insignificantes, já que os benefícios da sua implementação são lucrativos, alguns dos seus fundamentos podem ser acessados em livros, artigos e internet. “O investimento maior é na consciencialização para a mudança de comportamento e atitudes”. Limpeza, organização, higiene e disciplina tornam-se palavras comuns e praticadas por todos. Além disso, implementar o 5S é uma boa maneira de gerir as rotinas e de obter resultados cada vez melhores, sem falar no ganho social para a organização (NEVES, 2015). Problemas comportamentais como desperdício, desordem de recursos materiais, sujeira, falta de higiene e falta de autodisciplina dificultam a implantação dessas ferramentas e reduzem os benefícios esperados (MARTINS et al., 2011). Antes da implantação do método 5S, foram realizadas discussões com a gerente da unidade e com os outros membros da equipe. Melhorando a ambiência de uma unidade básica de saúde através do programa “5s" C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 459 Isso diminuiu, em partes, a resistência dos funcionários e facilitou a participação da mesma na aplicação do método. A implantação teve início no mês de fevereiro de 2017, onde selecionamos inicialmente três dos principais problemas que interferiam na qualidade ambiência, e estabelecemos metas e objetivos para solucionar tais problemas, ou pelo menos iniciar esta resolução. Inicialmente realizou-se um diagnóstico, avaliando a importância de cada setor da unidade de saúde e dos recursos disponíveis, juntamente com os funcionários, dando ideias e sugestões do que guardar e o que descartar, estabelecendo a estratificação dos materiais por ordem de importância e determinando o lugar onde seriam guardados. No primeiro “S”, que é o senso de utilização (SEIRI) consiste em deixar na área de trabalho somente o que é extremamente necessário. Significa usar recursos disponíveis, com bom senso e equilíbrio, identificando materiais, equipamentos, ferramentas, informações e dados necessários e desnecessários, descartando ou dando a devida destinação àquilo considerado desnecessário ao exercício das atividades (CAMPOS et al., 2005). Para Neves (2015), não se deve apenas eliminar as coisas materiais, mas também as tarefas desnecessárias, analisando assim o trabalho de forma a evitar o desperdício de tempo e esforços. O senso também pressupõe identificar o porquê do excesso, de modo a implementar medidas preventivas, para que não volte a acontecer. Ao utilizar este senso evidenciou-se alguns resultados favoráveis como: melhoria do ambiente de trabalho, liberação de espaço, possibilidade de organização de equipamentos e materiais, facilidade em manter e realizar a limpeza, entre outros. Entende-se deste S (SEIRI) que a organização gera eficiência (CAMPOS et al., 2005). Depois da implementação do “senso de utilização”, foi colocado em prática o “senso de organização”. Em primeiro lugar, ao percebermos que a unidade não disponibilizava de arquivos suficientes para os prontuários, elaboramos uma caixa personalizada e apropriada para Raira Piágio Silva, Pollyana Cardoso Chelles 460 C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 alocarmos as fichas de planejamento familiar. Onde cada ficha individual foi catalogada segundo o mês de nascimento e por ordem alfabética diminuindo o tempo de procura dessas fichas e facilitando o processo de trabalho dos profissionais, o que garantiu uma melhor assistência ao paciente. Nessa mesma sintonia foram organizados os prontuários das gestantes atendidas no programa de Pré-natal em uma pasta específica, de acordo com o agente comunitário de saúde (ACS). Observamos que havia prontuários mulheres que já tinha ganhado bebê há algum tempo. Além disso, um depósito de materiais (curativos, preventivos agulhas e seringas, etc.), localizado na sala do médico, inviabilizava a ação dos profissionais simultaneamente ao atendimento clínico, pois não era conveniente interromper esse procedimento. Para minimizar essa situação, alguns materiais devidamente identificados e mais utilizados foram transferidos para a área de procedimento, o que facilitou o fluxo e agilidade do atendimento. Organizamos os medicamentos conforme a data de vencimento e durante esta atividade verificamos que a caixa de urgência/emergência não estava atualizada e continha medicações vencidas. Para resolver o problema retiramos essas medicações e organizamos a caixa notificando à gerente a respeito do que estava faltando na mesma. Essa sistematização transformou o ambiente de trabalho, pois proporcionou um processo de trabalho objetivo e eficiente, o que organizou de maneira mais funcional o local de trabalho, facilitando o fluxo de pessoas, materiais, melhorando o aproveitamento do tempo e dos materiais disponíveis no ambiente, aumentando a produtividade e reduzindo custos e acidentes de trabalho. “Este segundo senso busca, então, o ótimo do sistema” (CAMPOS et al., 2005). Na fase do senso de Limpeza, buscou-se identificar as principais causas da sujeira e do mau funcionamento de cada setor, tomando medidas que pudesse eliminá-las. Foi feita uma limpeza na farmácia, no consultório médico e de enfermagem, nas estantes e nos arquivos instalados nos depósitos. Foram organizados os prontuários, os armários, equipamentos, materiais e medicamentos, o que contribuiu para o bom funcionamento do trabalho. Com Melhorando a ambiência de uma unidade básica de saúde através do programa “5s" C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 461 isso, também buscou-se transmitir aos funcionários de cada setor a necessidade de manter o ambiente limpo e arrumado de modo a alcançar benefícios como a melhoria da saúde e o aperfeiçoamento da vida útil dos equipamentos, materiais, medicamentos, contribuindo para uma maior disponibilidade dos mesmos. Para boa implementação deste senso, algumas estratégias devem ser adotadas, como: “educar para não sujar; todos devem se comprometer com a limpeza de cada ambiente; limpeza e clareza na comunicação; e ter em mente que não sujar é mais importante que limpar” (CAMPOS et al., 2005). O quarto senso, denominado senso de higiene, saúde e integridade abrange a manutenção dos três primeiros sensos (utilização, ordenação e limpeza). Consiste basicamente em manter a higiene tanto do local, como dos profissionais, possibilitando que informações e comunicados sejam passados de forma clara, com o intuito de promover a ética e manutenção das relações interpessoais saudáveis, tanto dentro quanto fora do estabelecimento de trabalho. O quinto e último “S” é composto pelos padrões éticos e morais de cada indivíduo.Esta etapa estará sendo de fato executada quando os indivíduos passam a fazer o que precisa ser feito mesmo quando não há monitoramento por parte da gestão. Nesta fase a conscientização e o entrosamento de toda a equipe é fundamental para se atingir os objetivos esperados. Para isso, foi realizada uma sensibilização e conscientização da equipe, através de reuniões e discussões a respeito das carências da unidade, o que contribuiu para uma melhor adesão à implantação do programa, com a tentativa de suprir essas carências. Mediado pela educação e desenvolvimento pessoais, o Programa 5S melhora o ambiente de trabalho em sua totalidade, devido ao estímulo dos profissionais que passam a se orgulharem do seu local laboral, reformulando seus comportamentos e atitudes (RODRIGUES et al., 2014). Essa mudança de comportamento inclui o comprometimento de cada pessoa da equipe, o que é essencial para a fundamentação da importância, valorização e aumento de produção da empresa, uma vez que um profissional comprometido se empenha em realizar Raira Piágio Silva, Pollyana Cardoso Chelles 462 C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 as suas atividades da melhor forma possível (SOUZA, 2016). 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Com a realização desse trabalho verificou-se a importância da atuação mais efetiva do enfermeiro em relação a organização e controle de materiais, arquivos, bem como todo o funcionamento da unidade. A implantação do programa 5S ainda está em andamento, contudo, percebe-se que até então, houve uma boa adesão da equipe, resultando na reflexão das condutas inadequadas, o que gerou uma preocupação e conscientização da necessidade de mudança para adequar às normas vigentes e consequentemente melhoria do serviço executado e aumento da produtividade. Em geral, todos os profissionais estavam dispostos a contribuir com a realização do trabalho, porém, exigiu muita cautela, pois, cada ser humano tem uma personalidade e se não houver mudanças no comportamento das pessoas e nas rotinas logo voltará à situação inicial. Foi possível perceber vários problemas voltados para a organização e comportamento dos profissionais, o que incentivou mais ainda a implantação desta ferramenta. Contudo, verificou-se que, apesar do programa ser uma grande ferramenta para a melhoria do serviço, implementá-lo, no contexto da Atenção Básica ainda é um grande desafio. Durante a realização deste trabalho, por conta da ausência de recursos, algumas medidas não foram implantadas, como por exemplo, a substituição de armários em mal estado e tamanho inadequado, para demanda da unidade, por um maior e em boas condições, o que dificultou a manutenção da organização de alguns materiais e equipamentos. Conclui-se que, com a implantação do programa, as instituições muito têm a ganhar, pois, além da utilização de poucos recursos financeiros, o investimento maior é na consciencialização para a mudança de comportamento e atitudes. Além de promover melhor segurança e desempenho pessoal, aumentando a satisfação e motivação dos profissionais, bem como a melhora da imagem interna e externa da empresa. Melhorando a ambiência de uma unidade básica de saúde através do programa “5s" C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 463 IMPROVING THE ENVIRONMENT OF A BASIC HEALTH UNIT THROUGH THE "5S" PROGRAM: ABSTRACT The present work reports an experience, experienced during the undergraduate nursing course, in a UBS, in the city of Vitória da Conquista, from February to May 2017. The main purpose was to analyze the implementation of the 5S program At UBS, illustrating the various phases and discussing their importance and advantages. For this, the main problems of the unit were selected, thus being able to set goals that provided a quality performance. It was noticed that the disorganization was an aggravating factor that compromised the quality of the assistance or even the performance of the professionals. In this way, despite the structural limitations of UBS, we sought to adapt the environment, with the reorganization of materials and equipment. In addition to cleaning and proper identification of files and cabinets. Health care establishments have been betting on a continuous improvement in the organization, not only thinking about customer satisfaction, but also the satisfaction of professionals. The application of the 5Ss implies a commitment and a great involvement of all, but, as this example suggests, can undoubtedly bring about a significant increase in the performance of professionals, while contributing to a more organized and tidy image of the installations, eliminating several Types of waste. Keywords: Quality of Care, Experience Report, Best Ambience. Artigo recebido em 16/07/2017 e aceito para publicação em 01/09/2017. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional da Atenção Básica (PNAB). Brasília, DF: MS, 2012. BRASIL. Ministério da Saúde. 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