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451 C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 
MELHORANDO A AMBIÊNCIA DE UMA 
UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE ATRAVÉS 
DO PROGRAMA “5S" 
 
Raira Piágio Silva * 
Pollyana Cardoso Chelles ** 
 
 
RESUMO 
Este trabalho relata uma experiência, vivenciada 
por uma graduanda de enfermagem, durante a 
realização do estágio curricular da graduação 
em Enfermagem, em uma UBS, no município de 
Vitória da Conquista, no período de fevereiro a 
maio de 2017. O principal intuito foi de analisar 
a implantação do programa 5S na UBS, 
ilustrando as diversas fases e discutindo a sua 
relevância e vantagens. Para tal, selecionaram-
se os principais problemas da unidade, podendo 
assim traçar metas que proporcionassem um 
desempenho de qualidade. Percebeu-se que a 
desorganização era um fator agravante que 
comprometia a qualidade da assistência ou 
mesmo o desempenho dos profissionais. Deste 
modo, apesar das limitações estruturais da UBS, 
buscou-se adequar o ambiente, com a 
reorganização dos materiais e equipamentos. 
Além da limpeza e correta identificação de 
arquivos e armários. Os estabelecimentos de 
saúde têm apostado numa melhoria contínua na 
organização, não só pensando na satisfação 
dos clientes, mas também na satisfação dos 
profissionais. A aplicação dos 5Ss implica um 
compromisso e um envolvimento grande de 
todos, mas, como este exemplo indicia, pode 
trazer sem dúvida um aumento significativo no 
desempenho dos profissionais, ao mesmo 
tempo que contribui para uma imagem mais 
organizada e arrumada das instalações, 
eliminando vários tipos de desperdício. 
 
 
 
Palavras-chave: Pesquisa qualitativa, Pesquisa em educação, 
Relações étnico raciais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
* Graduanda em Enfermagem pela 
Faculdade Independente do 
Nordeste-FAINOR. 
** Enfermeira e Especialista em 
Auditoria de Serviços e Sistemas de 
Saúde pela Faculdade de 
Tecnologia e Ciências -FTC. 
Preceptora do Curso de 
Enfermagem da FAINOR. 
 
 
 
 
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Raira Piágio Silva, Pollyana Cardoso Chelles 
 
 
452 C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 
1. INTRODUCAO 
 
A humanidade busca 
constantemente uma solicitude pela 
qualidade, principalmente no que diz 
respeito ás necessidades do ser 
humano. Atualmente, a população 
tem se tornado cada vez mais 
exigente e competitiva. Deste modo, 
essa busca tornou-se ainda mais 
evidente. Com isso, as organizações, 
para se adaptarem à realidade 
mundial de competitividade e 
qualidade, têm procurado identificar 
quais os fatores que garantem 
efetivamente a excelência na 
prestação de seus serviços 
(REBELLO, 2005). 
Nessa mesma perspectiva, 
Silva et al. (2013), diz que a 
identificação desses fatores é uma 
medida necessária para se alcançar 
bom resultados, sendo que ao 
oferecer um serviço de qualidade 
proporciona um diferencial, uma vez 
que está diretamente relacionada 
com a confiabilidade da empresa e 
com a satisfação dos clientes. Em 
síntese, a qualidade é um padrão que 
reúnem atributos de avaliação que 
diferencia um bom ou ruim produto ou 
serviço (CHELOTTI, 2012). 
Essa questão da qualidade 
começou a ser discutida no Japão, no 
período pós guerra. O país se 
encontrava em uma situação 
econômica precária, após a derrota 
da II Guerra Mundial. Diante deste 
panorama, os japoneses 
reconheceram a importância de 
controlar a qualidade dos seus 
serviços (DOS SANTOS et al., 2015). 
Surgindo, assim, teorias e 
ferramentas de gestão com foco na 
qualidade. 
A essa busca pela qualidade 
japonesa deu-se o nome de 
Revolução da Qualidade Total e teve 
início, mais especificamente, em 
1950 e foi difundida por todo o 
mundo, mudando o panorama da 
competição entre as empresas, que 
se tornou acirrada e global. As mais 
ágeis ganharam novos mercados. A 
empresa, para sobreviver neste 
mercado crescentemente 
competitivo, se viu obrigada a se 
voltar para as necessidades de seus 
clientes (REBELLO, 2005). 
No entanto, atingir as 
necessidades dos clientes é um fim e 
não um meio. Portanto, para que 
essa qualidade seja atingida, as 
necessidades dos funcionários 
devem ser, primariamente, atingidas 
e, com isso, os mesmos 
desempenharam as suas atividades 
Melhorando a ambiência de uma unidade básica de saúde através do programa “5s" 
 
 
C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 453 
com plenitude. Essa plenitude dos 
funcionários no atender alcança os 
clientes e as suas necessidades, o 
que mantém a empresa no mercado 
competitivo (DOS SANTOS et al., 
2015). 
Mendonça et al. (2010), segue 
essa mesma linha de raciocínio em 
que a Gestão de Qualidade Total 
envolve funcionários na busca pela 
plena satisfação dos clientes. Assim, 
novas formas de gerenciamento que i 
ncluem em sua gestão não só 
os clientes, mas também os 
funcionários, devem ser implantadas 
nas empresas que buscam aumento 
de eficiência e produtividade dos 
seus serviços. 
Existem muitas ferramentas 
que podem ser empregadas na 
implantação e consolidação da 
Qualidade Total em uma empresa, 
dentre elas as mais divulgadas são 
mostradas na tabela 1: 
 
Tabela 1-Ferramenta de Qualidade Total. 
FERRAMENTA DEFINIÇÃO 
CICLO PDCA Dividido em 04 etapas básicas: Plan (Planejamento), 
consiste em definir os objetivos , estratégias e metas. 
Do (Executar), realizar o que foi planejado. Check 
(Verificar ), se os dados obtidos na execução 
alcançaram os resultados estabelecidos. Action 
(Agir), realizar as corre- ções e melhorias quando 
necessário, para evitar possíveis problemas¹. 
KAIZEN Programa de melhoria contínua na empresa. Busca 
estimular as potencialidades dos funcionários, tanto 
coletiva quanto individuais³. 
JUST IN TIME Relacionadas diretamente a tecnologia de manufatura 
enxuta4. 
Diagrama de Ishikawa 
(Espinha de Peixe) 
Proporciona visualizar os problemas selecionados, 
representa as possíveis causas que levam a um 
determinado efeito. Essas causas são denominadas 
de 6 “Ms”: Métodos, mão de obra, material, 
máquinas, moeda e medidas4. 
POP (Procedimento 
Operacional Padrão) 
Maneira sistematizada e convencional de realizar e 
orientar um procedimento técnico-assistencial ou 
administrativo com a finalidade de garantir segurança 
na qualidade da prestação da assistência². 
5W2H Funciona como um plano de ação, auxilia na 
identificação de problema e em sua resolução4. 
PROGRAMA 5S Foco neste trabalho. 
Fonte: ¹SILVA e BARBOSA (2016), ²FONSECA (2017), ³CARDOSO(2017), 4RIBEIRO (2016). 
 
Raira Piágio Silva, Pollyana Cardoso Chelles 
 
 
454 C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 
Cada uma dessas ferramentas 
tem suas particularidade e 
relevânciana na implantação e 
consolidação da qualidade e 
produtividade de uma instituição, 
conduto este trabalho será focado na 
Metodologia do Programa 5S, uma 
vez que este é constituído de 
elementos fundamentais para a sua 
solidificação “como, por exemplo, 
treinamento, melhoria, motivação, 
trabalho em equipe, gerenciamento, 
etc.” (RODRIGUES et al., 2014). 
O Programa 5 "S" originou-se 
no Japão, na década de 50, no 
contexto pós Segunda Guerra 
Mundial, a fim de criar estratégias 
para vencer a crise industrial em que 
o país se encontrava. A implantação 
do programa nesse país, mostrou-se 
ser eficaz, gerando restauração das 
empresas japonesas e implantação 
da Qualidade Total, sendo até hoje o 
principal instrumento de gestão da 
qualidade e da produtividade utilizado 
no Japão. 
 O programa objetiva 
estabeleceruma padronização e 
disciplina na realização do trabalho. 
Proporcionando, desta forma, uma 
diminuição na necessidade de 
supervisão, aumento da 
produtividade e competitividade. 
Esta ferramenta, recebeu tal 
intitulação (5 "S"), pois as cinco 
palavras japonesas que o compõem 
iniciam com S: Seiri, Seiton, Seiso, 
Seiketsu e Shitsuke. Buscando-se 
adequar ao português sem, contudo, 
alterar o sentido original das palavras, 
adotou-se o substantivo “senso” 
como prefixo das expressões “de 
utilização”, “de ordenação”, “de 
limpeza”, “de saúde” e “de disciplina” 
(CAMPOS et al., 2005). 
No Brasil, esse programa vem 
sendo desenvolvido por muitas 
empresas com bons resultados. 
Entretanto, as instituições de saúde 
não têm utilizado esta ferramenta 
com frequência. Não obstante, a 
implantação desse programa pode 
proporcionar um padrão de qualidade 
satisfatório que garanta uma 
assistência resolutiva, viabilizando 
um cenário de boa ambiência. 
A ambiência na saúde 
caracteriza-se como uma importante 
ferramenta facilitadora do processo 
de trabalho das equipes de saúde e 
consiste no conjunto de espaços 
físico, social, profissional e de 
relações interpessoais que juntos 
proporcionam uma “atenção 
acolhedora, resolutiva e humana” 
(BRASIL, 2010). A concepção de 
ambiência adota três eixos principais, 
Melhorando a ambiência de uma unidade básica de saúde através do programa “5s" 
 
 
C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 455 
devendo os mesmos estarem sempre 
juntos: 
a) O espaço que visa à confortabilidade 
focada na privacidade e individualidade 
dos sujeitos envolvidos, valorizando 
elementos do ambiente que interagem 
com as pessoas – cor, cheiro, som, 
iluminação, morfologia...–, e garantindo 
conforto aos trabalhadores e usuários. 
b) O espaço que possibilita a produção 
de subjetividades – encontro de 
sujeitos – por meio da ação e reflexão 
sobre os processos de trabalho. 
c) O espaço usado como ferramenta 
facilitadora do processo de trabalho, 
favorecendo a otimização de recursos, 
o atendimento humanizado, acolhedor 
e resolutivo (p.6). 
Na unidade básica, a 
ambiência pode facilitar a 
implantação de ações junto à 
comunidade, propiciando um local de 
acolhimento tanto para os 
profissionais quanto para a 
população, melhorando a satisfação 
e a corresponsabilidade por este 
ambiente. Considerando que a 
Atenção Básica é a porta de entrada 
para o Sistema Único de 
Saúde(SUS), faz necessário que a 
mesma exerça um intenso papel de 
promoção, proteção, prevenção, 
diagnóstico, tratamento, reabilitação 
e a manutenção de toda a população 
(BRASIL, 2012). 
 Para Glanzner et al., 
(2017), a ambiência tem sua 
importância pois pode se configurar 
como um indicador de prazer ou 
sofrimento, interferindo no cotidiano 
de trabalho, onde a falta de um 
ambiente adequado nas unidades de 
saúde, traduz-se em prejuízo, 
afetando a qualidade do trabalho. 
Em busca de melhorar a 
ambiência do serviço, iniciou a 
instalação do programa 5S. Foram 
realizadas adequações ambientais, a 
reorganizações dos materiais, 
equipamentos, e sensibilização da 
equipe. O objetivo deste trabalho é 
discorrer a respeito de um relato de 
experiência de uma graduanda de 
enfermagem, sobre a implementação 
do Programa 5S em uma Unidade 
Básica de Saúde. 
 
2. METODOLOGIA 
 
Trata-se de um estudo 
descritivo, com abordagem 
qualitativa do tipo relato de 
experiência, vivenciado por uma 
acadêmica de enfermagem, durante 
a realização do estágio curricular 
supervisionado I, em uma UBS, no 
Raira Piágio Silva, Pollyana Cardoso Chelles 
 
 
456 C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 
município de Vitória da Conquista, no 
período de fevereiro a maio de 2017. 
Inicialmente realizou-se um 
diagnóstico situacional da unidade, 
identificando o que precisava ser 
melhorado. Em busca de melhorar a 
ambiência do serviço, iniciou-se a 
implantação do programa 5S. Foram 
 
 
realizadas adequações ambientais, a 
reorganizações dos materiais, 
equipamentos, e sensibilização da 
equipe, seguindo as etapas do 
referido programa. Os etapas da 
implantação do programa está 
esquematizada no fluxograma 
abaixo: 
 
 
3. IMPLANTAÇÃO DAS AÇÕES E 
ANÁLISE DOS RESULTADOS 
 
Primeiramente, foi realizado 
uma análise situacional da UBS, onde 
realizou-se um levantamento de 
dados a respeito do funcionamento 
da unidade e da sua estrutura física. 
A partir daí, identificou-se alguns 
problemas relacionados ao fluxo do 
funcionamento, de sua estrutura 
física e da organização dos serviços, 
de insumos e de arquivos. Não foi 
identificado nenhum tipo de 
Melhorando a ambiência de uma unidade básica de saúde através do programa “5s" 
 
 
C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 457 
ferramenta, em que os profissionais 
utilizavam para direcionar no fluxo do 
funcionamento e da organização da 
unidade. Percebeu-se que isto era 
um fator agravante que comprometia 
a qualidade da assistência e até 
mesmo o desempenho dos 
profissionais da unidade. A partir 
deste diagnóstico buscou-se 
ferramentas de gestão para 
minimizar estes problemas e 
melhorar a ambiência na unidade. 
A ambiência na saúde, 
preconizada pela Política Nacional de 
Humanização (PNH) do Ministério da 
Saúde (BRASIL, 2010), “refere-se ao 
tratamento dado ao espaço físico, 
entendido como espaço social, 
profissional e de relações 
interpessoais que deve proporcionar 
atenção acolhedora, resolutiva e 
humana”. É considerada como um 
fator estruturante para a promoção de 
conforto e bem-estar, de acolhimento 
dos usuários e seus familiares e do 
processo terapêutico. Sendo assim, 
entendemos que a estrutura física, os 
recursos humanos e as relações 
interpessoais, são aspectos que 
interferem na qualidade da 
assistência e na prestação de 
serviços. 
Vale ressaltar que a 
compreensão desta temática 
ambiência, é essencial para 
produção do trabalho em equipe, uma 
vez que a mesma incorpora diretrizes 
fundamentadas no respeito às 
diferenças, na construção de vínculos 
e, revelando a necessidade de se 
aprimorar no dia a dia os modos 
como o respeito, a privacidade, a 
autonomia e a liberdade dos 
diferentes atores vem sendo 
instituídos (GARCIA et al., 2015). 
Para Pertence e Melleiro 
(2010), a melhor forma de se avaliar 
a qualidade dos serviços, é através 
da mensuração da satisfação dos 
trabalhadores e dos usuários, que 
está alicerçada nos indicadores 
representativos das três abordagens 
(estrutura, processo e resultado) dos 
serviços oferecidos, sendo, 
fundamental para a realimentação 
dos programas desenvolvidos nos 
estabelecimentos de saúde. 
No âmbito da estrutura, estão 
relacionadas as características 
estáveis das instituições (área física, 
recursos humanos, materiais, 
financeiros e modelo organizacional), 
inclui financiamento e capacitação 
dos profissionais que atuam nos 
serviços de saúde. O Processo, está 
Raira Piágio Silva, Pollyana Cardoso Chelles 
 
 
458 C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 
voltado para as relações 
estabelecidas entre os profissionais e 
os clientes, desde a busca pela 
assistência até o diagnóstico e o 
tratamento. Já o Resultado, é a 
obtenção das características 
desejáveis dos produtos ou serviços, 
retratando os efeitos da assistência 
na saúde da população (PERTENCE; 
MELLEIRO, 2010). 
A partir disso, na tentativa de 
contribuir com a melhoria do 
aproveitamento e melhor uso dos 
recursos disponíveis e na 
reorganização da UBS, realizou-se 
uma pesquisa bibliográfica voltada à 
busca de uma ferramentade 
implantação e consolidação do 
processo de gestão de qualidade e 
produtividade de uma instituição. 
Encontramos uma ferramenta 
chamada método do 5S ou programa 
5 S. Essa ferramenta manifesta-se 
como um instrumento de 
cumprimento de estratégias 
avaliativas e principalmente, para a 
obtenção da qualidade nos serviços 
de saúde. 
A implementação dos 5S na 
UBS trouxe mais clareza e 
organização para o ambiente de 
trabalho, o que foi percebido e 
aprovado pelos profissionais da 
unidade. Através desse programa, 
problemas na organização e 
comportamento da UBS foram 
identificados e, uma vez 
identificados, o processo de 
resolução desses problemas tornou-
se possível. Com relação aos custos 
financeiros do programa 5S, esses 
foram considerados insignificantes, já 
que os benefícios da sua 
implementação são lucrativos, alguns 
dos seus fundamentos podem ser 
acessados em livros, artigos e 
internet. “O investimento maior é na 
consciencialização para a mudança 
de comportamento e atitudes”. 
Limpeza, organização, higiene e 
disciplina tornam-se palavras comuns 
e praticadas por todos. Além disso, 
implementar o 5S é uma boa maneira 
de gerir as rotinas e de obter 
resultados cada vez melhores, sem 
falar no ganho social para a 
organização (NEVES, 2015). 
 Problemas comportamentais 
como desperdício, desordem de 
recursos materiais, sujeira, falta de 
higiene e falta de autodisciplina 
dificultam a implantação dessas 
ferramentas e reduzem os benefícios 
esperados (MARTINS et al., 2011). 
Antes da implantação do 
método 5S, foram realizadas 
discussões com a gerente da unidade 
e com os outros membros da equipe. 
Melhorando a ambiência de uma unidade básica de saúde através do programa “5s" 
 
 
C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 459 
Isso diminuiu, em partes, a 
resistência dos funcionários e 
facilitou a participação da mesma na 
aplicação do método. 
A implantação teve início no 
mês de fevereiro de 2017, onde 
selecionamos inicialmente três dos 
principais problemas que interferiam 
na qualidade ambiência, e 
estabelecemos metas e objetivos 
para solucionar tais problemas, ou 
pelo menos iniciar esta resolução. 
 Inicialmente realizou-se um 
diagnóstico, avaliando a importância 
de cada setor da unidade de saúde e 
dos recursos disponíveis, juntamente 
com os funcionários, dando ideias e 
sugestões do que guardar e o que 
descartar, estabelecendo a 
estratificação dos materiais por 
ordem de importância e 
determinando o lugar onde seriam 
guardados. 
 No primeiro “S”, que é o 
senso de utilização (SEIRI) consiste 
em deixar na área de trabalho 
somente o que é extremamente 
necessário. Significa usar recursos 
disponíveis, com bom senso e 
equilíbrio, identificando materiais, 
equipamentos, ferramentas, 
informações e dados necessários e 
desnecessários, descartando ou 
dando a devida destinação àquilo 
considerado desnecessário ao 
exercício das atividades (CAMPOS et 
al., 2005). 
Para Neves (2015), não se 
deve apenas eliminar as coisas 
materiais, mas também as tarefas 
desnecessárias, analisando assim o 
trabalho de forma a evitar o 
desperdício de tempo e esforços. O 
senso também pressupõe identificar 
o porquê do excesso, de modo a 
implementar medidas preventivas, 
para que não volte a acontecer. 
Ao utilizar este senso 
evidenciou-se alguns resultados 
favoráveis como: melhoria do 
ambiente de trabalho, liberação de 
espaço, possibilidade de organização 
de equipamentos e materiais, 
facilidade em manter e realizar a 
limpeza, entre outros. Entende-se 
deste S (SEIRI) que a organização 
gera eficiência (CAMPOS et al., 
2005). 
Depois da implementação do 
“senso de utilização”, foi colocado em 
prática o “senso de organização”. Em 
primeiro lugar, ao percebermos que a 
unidade não disponibilizava de 
arquivos suficientes para os 
prontuários, elaboramos uma caixa 
personalizada e apropriada para 
Raira Piágio Silva, Pollyana Cardoso Chelles 
 
 
460 C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 
alocarmos as fichas de planejamento 
familiar. Onde cada ficha individual 
foi catalogada segundo o mês de 
nascimento e por ordem alfabética 
diminuindo o tempo de procura 
dessas fichas e facilitando o processo 
de trabalho dos profissionais, o que 
garantiu uma melhor assistência ao 
paciente. Nessa mesma sintonia 
foram organizados os prontuários das 
gestantes atendidas no programa de 
Pré-natal em uma pasta específica, 
de acordo com o agente comunitário 
de saúde (ACS). Observamos que 
havia prontuários mulheres que já 
tinha ganhado bebê há algum tempo. 
Além disso, um depósito de 
materiais (curativos, preventivos 
agulhas e seringas, etc.), localizado 
na sala do médico, inviabilizava a 
ação dos profissionais 
simultaneamente ao atendimento 
clínico, pois não era conveniente 
interromper esse procedimento. Para 
minimizar essa situação, alguns 
materiais devidamente identificados e 
mais utilizados foram transferidos 
para a área de procedimento, o que 
facilitou o fluxo e agilidade do 
atendimento. 
Organizamos os 
medicamentos conforme a data de 
vencimento e durante esta atividade 
verificamos que a caixa de 
urgência/emergência não estava 
atualizada e continha medicações 
vencidas. Para resolver o problema 
retiramos essas medicações e 
organizamos a caixa notificando à 
gerente a respeito do que estava 
faltando na mesma. 
Essa sistematização 
transformou o ambiente de trabalho, 
pois proporcionou um processo de 
trabalho objetivo e eficiente, o que 
organizou de maneira mais funcional 
o local de trabalho, facilitando o fluxo 
de pessoas, materiais, melhorando o 
aproveitamento do tempo e dos 
materiais disponíveis no ambiente, 
aumentando a produtividade e 
reduzindo custos e acidentes de 
trabalho. “Este segundo senso busca, 
então, o ótimo do sistema” (CAMPOS 
et al., 2005). 
Na fase do senso de Limpeza, 
buscou-se identificar as principais 
causas da sujeira e do mau 
funcionamento de cada setor, tomando 
medidas que pudesse eliminá-las. Foi 
feita uma limpeza na farmácia, no 
consultório médico e de enfermagem, 
nas estantes e nos arquivos instalados 
nos depósitos. Foram organizados os 
prontuários, os armários, 
equipamentos, materiais e 
medicamentos, o que contribuiu para o 
bom funcionamento do trabalho. Com 
Melhorando a ambiência de uma unidade básica de saúde através do programa “5s" 
 
 
C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 461 
isso, também buscou-se transmitir aos 
funcionários de cada setor a 
necessidade de manter o ambiente 
limpo e arrumado de modo a alcançar 
benefícios como a melhoria da saúde e 
o aperfeiçoamento da vida útil dos 
equipamentos, materiais, 
medicamentos, contribuindo para uma 
maior disponibilidade dos mesmos. 
Para boa implementação deste 
senso, algumas estratégias devem ser 
adotadas, como: “educar para não 
sujar; todos devem se comprometer 
com a limpeza de cada ambiente; 
limpeza e clareza na comunicação; e 
ter em mente que não sujar é mais 
importante que limpar” (CAMPOS et al., 
2005). 
O quarto senso, denominado 
senso de higiene, saúde e 
integridade abrange a manutenção 
dos três primeiros sensos (utilização, 
ordenação e limpeza). Consiste 
basicamente em manter a higiene 
tanto do local, como dos 
profissionais, possibilitando que 
informações e comunicados sejam 
passados de forma clara, com o 
intuito de promover a ética e 
manutenção das relações 
interpessoais saudáveis, tanto dentro 
quanto fora do estabelecimento de 
trabalho. 
 O quinto e último “S” é composto 
pelos padrões éticos e morais de cada 
indivíduo.Esta etapa estará sendo de 
fato executada quando os indivíduos 
passam a fazer o que precisa ser feito 
mesmo quando não há monitoramento 
por parte da gestão. Nesta fase a 
conscientização e o entrosamento de 
toda a equipe é fundamental para se 
atingir os objetivos esperados. Para 
isso, foi realizada uma sensibilização e 
conscientização da equipe, através de 
reuniões e discussões a respeito das 
carências da unidade, o que contribuiu 
para uma melhor adesão à implantação 
do programa, com a tentativa de suprir 
essas carências. 
Mediado pela educação e 
desenvolvimento pessoais, o Programa 
5S melhora o ambiente de trabalho em 
sua totalidade, devido ao estímulo dos 
profissionais que passam a se 
orgulharem do seu local laboral, 
reformulando seus comportamentos e 
atitudes (RODRIGUES et al., 2014). 
Essa mudança de comportamento 
inclui o comprometimento de cada 
pessoa da equipe, o que é essencial 
para a fundamentação da importância, 
valorização e aumento de produção da 
empresa, uma vez que um profissional 
comprometido se empenha em realizar 
Raira Piágio Silva, Pollyana Cardoso Chelles 
 
 
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as suas atividades da melhor forma 
possível (SOUZA, 2016). 
 
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Com a realização desse 
trabalho verificou-se a importância da 
atuação mais efetiva do enfermeiro 
em relação a organização e controle 
de materiais, arquivos, bem como 
todo o funcionamento da unidade. 
A implantação do programa 5S 
ainda está em andamento, contudo, 
percebe-se que até então, houve uma 
boa adesão da equipe, resultando na 
reflexão das condutas inadequadas, 
o que gerou uma preocupação e 
conscientização da necessidade de 
mudança para adequar às normas 
vigentes e consequentemente 
melhoria do serviço executado e 
aumento da produtividade. Em geral, 
todos os profissionais estavam 
dispostos a contribuir com a 
realização do trabalho, porém, exigiu 
muita cautela, pois, cada ser humano 
tem uma personalidade e se não 
houver mudanças no comportamento 
das pessoas e nas rotinas logo 
voltará à situação inicial. 
Foi possível perceber vários 
problemas voltados para a 
organização e comportamento dos 
profissionais, o que incentivou mais 
ainda a implantação desta 
ferramenta. Contudo, verificou-se 
que, apesar do programa ser uma 
grande ferramenta para a melhoria do 
serviço, implementá-lo, no contexto 
da Atenção Básica ainda é um grande 
desafio. 
 Durante a realização deste 
trabalho, por conta da ausência de 
recursos, algumas medidas não 
foram implantadas, como por 
exemplo, a substituição de armários 
em mal estado e tamanho 
inadequado, para demanda da 
unidade, por um maior e em boas 
condições, o que dificultou a 
manutenção da organização de 
alguns materiais e equipamentos. 
Conclui-se que, com a 
implantação do programa, as 
instituições muito têm a ganhar, pois, 
além da utilização de poucos 
recursos financeiros, o investimento 
maior é na consciencialização para a 
mudança de comportamento e 
atitudes. Além de promover melhor 
segurança e desempenho pessoal, 
aumentando a satisfação e 
motivação dos profissionais, bem 
como a melhora da imagem interna e 
externa da empresa. 
 
 
 
Melhorando a ambiência de uma unidade básica de saúde através do programa “5s" 
 
 
C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.3, p. 451-464, set./dez. 2017 463 
 
 
IMPROVING THE ENVIRONMENT OF A BASIC HEALTH UNIT THROUGH 
THE "5S" PROGRAM: 
ABSTRACT 
The present work reports an experience, experienced during the 
undergraduate nursing course, in a UBS, in the city of Vitória da 
Conquista, from February to May 2017. The main purpose was to analyze 
the implementation of the 5S program At UBS, illustrating the various 
phases and discussing their importance and advantages. For this, the 
main problems of the unit were selected, thus being able to set goals that 
provided a quality performance. It was noticed that the disorganization 
was an aggravating factor that compromised the quality of the assistance 
or even the performance of the professionals. In this way, despite the 
structural limitations of UBS, we sought to adapt the environment, with 
the reorganization of materials and equipment. In addition to cleaning 
and proper identification of files and cabinets. Health care establishments 
have been betting on a continuous improvement in the organization, not 
only thinking about customer satisfaction, but also the satisfaction of 
professionals. The application of the 5Ss implies a commitment and a 
great involvement of all, but, as this example suggests, can undoubtedly 
bring about a significant increase in the performance of professionals, 
while contributing to a more organized and tidy image of the installations, 
eliminating several Types of waste. 
 
Keywords: Quality of Care, Experience Report, Best Ambience. 
 
Artigo recebido em 16/07/2017 e aceito para publicação em 01/09/2017. 
 
 
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