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Câncer de mama Anatomia e fisiologia da mama O que se conhece comumente como “mamas” são duas partes de uma única estrutura anatômica mamária. Essa configuração contínua dos tecidos mamários é importante à saúde e à doença. Homens e mulheres nascem com tecidos mamários rudimentares que contêm ductos revestidos de epitélio. Nas mulheres, a secreção dos hormônios hipofisários FSH, LH e prolactina durante a puberdade estimula os ovários a produzir e secretar estrogênio. Este último hormônio incita o crescimento e a proliferação do sistema ductal. Com o início dos ciclos ovulatórios, a secreção de progesterona estimula o crescimento e o desenvolvimento dos epitélios ductal e secretor alveolar. Na adolescência, as mamas desenvolvem os padrões de deposição de gordura e seus contornos típicos. Estruturalmente, a mama consiste em gordura, tecido conjuntivo fibroso e tecidos glandulares. O tecido conjuntivo fibroso superficial está ligado à pele e este é um fato importante para o exame visual dos movimentos da pele sobre a mama durante o autoexame. A massa mamária é sustentada pelas fáscias dos músculos peitorais maior e menor e pelos tecidos conjuntivos fibrosos da mama. Ligamentos de tecido fibroso conhecidos como ligamentos de Cooper estendem-se dos limites externos das mamas até a região do mamilo em distribuição radial como os raios de uma roda. Esses ligamentos também conferem suporte às mamas e formam septos, que as dividem em 4 a 20 lobos. Cada lobo consiste em grupos de tecidos em forma de cachos – alvéolos ou glândulas – interconectados por ductos. Os alvéolos estão revestidos por células secretórias capazes de produzir leite ou líquidos em condições hormonais apropriadas. O trajeto de saída do leite e de outras secreções é dos alvéolos aos ductos, depois ao ducto intralobar, em seguida ao ducto e reservatório lactíferos e, finalmente, ao mamilo. O leite é produzido em razão de alterações hormonais complexas associadas à gestação. Os líquidos são formados e reabsorvidos durante o ciclo menstrual. As mamas reagem às alterações periódicas do ciclo menstrual com congestão e desconforto. O mamilo é formado de tecidos epiteliais, glandulares, eréteis e nervosos. Os tecidos areolares o circundam e são reconhecidos pela pele lisa e mais escura entre o mamilo e a mama. As projeções ou os nódulos diminutos na superfície areolar conhecidos como tubérculos de Montgomery são glândulas sebáceas que mantêm a região mamilar macia e elástica. Na puberdade e durante a gestação, os níveis altos de estrogênio e progesterona tornam as aréolas e os mamilos mais escuros e proeminentes, e as glândulas de Montgomery tornam-se mais ativas. Os tecidos eréteis dos mamilos são sensíveis aos estímulos tácteis e fisiológicos, que contribuem para a função sexual das mamas. Existem amplas variações individuais de tamanho e formato das mamas. O formato e a textura se alteram devido a fatores hormonais, genéticos, nutricionais e endócrinos, bem como ao tônus muscular, à idade e à gestação. Um grupo bem desenvolvido de músculos peitorais sustenta a massa mamária em sua posição mais alta na parede torácica. Postura incorreta, emagrecimento significativo e falta de sustentação podem causar ptose (queda) das mamas. Durante a gestação, os níveis altos de estrogênio e progesterona alteram significativamente as mamas. O estrogênio estimula a proliferação vascular das mamas e o crescimento e a extensão das estruturas ductais, causando a “sensação de peso”. A progesterona aumenta a ramificação e a proliferação das estruturas alveolares. O epitélio alveolar coloca-se em um estado secretório propício à lactação. As alterações celulares no revestimento alveolar parecem modificar a sensibilidade dessas células às anormalidades causadas pelo estrogênio nas fases mais avançadas da vida. Durante a lactação, o leite é secretado pelas células alveolares, influenciadas pela prolactina, hormônio da adenohipófise. A ejeção do leite do sistema ductal ocorre em resposta à secreção de ocitocina pela neurohipófise, a qual é ativada pela sucção do recém-nascido, que produz o estímulo necessário à ejeção e estimula o hipotálamo por feedback. Esse hormônio provoca contração das células mioepiteliais que revestem os alvéolos e causa ejeção do leite no sistema ductal. Câncer de mama É o câncer não melanoma mais comum em mulheres e a sua incidância pode chegar de 8 a 12%, existem anualmente 66.280 casos O câncer de mama é resultado de múltiplas variações anormaiscelulares que formam o tumor O câncer de mama é o tipo que mais acomete mulheres em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Cerca de 2,3 milhões de casos novos foram estimados para o ano de 2020 em todo o mundo, o que representa cerca de 24,5% de todos os tipos de neoplasias diagnosticadas nas mulheres. As taxas de incidência variam entre as diferentes regiões do planeta, com as maiores taxas nos países desenvolvidos. Para o Brasil, foram estimados 66.280 casos novos de câncer de mama em 2021, com um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres. O câncer de mama também ocupa a primeira posição em mortalidade por câncer entre as mulheres no Brasil, com taxa de mortalidade ajustada por idade, pela população mundial, para 2019, de 14,23/100 mil. As maiores taxas de incidência e de mortalidade estão nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Os principais sinais e sintomas suspeitos de câncer de mama são: caroço (nódulo), geralmente endurecido, fixo e indolor; pele da mama avermelhada ou parecida com casca de laranja, alterações no bico do peito (mamilo) e saída espontânea de líquido de um dos mamilos. Também podem aparecer pequenos nódulos no pescoço ou na região embaixo dos braços (axilas). Fatores de risco Menarca precoce a menopausa tardia (aos 55 anos ou mais), a primeira gestação após os 30 anos e a nuliparidade; A história familiar com um ou mais parentes de primeiro grau com câncer de mama antes dos 50 anos, um ou mais parentes de primeiro grau com câncer de mama bilateral ou câncer ovariano em qualquer idade, parente com câncer de mama masculina, câncer de mama e/ou doença mamária benigna prévios; hábitos de vida relacionados são a obesidade; uso regular de álcool acima de 60 gramas por dia, pois o acetaldeído,; e a influência do tabagismo ainda é controversa. A principal influência ambiental é a exposição prévia às radiações ionizantes, sendo diretamente proporcional à dosagem da radiação e inversamente proporcional à idade da mulher na época da exposição; mutação BRCA; uso de terapia de reposição hormonal Fatores endócrinos e reprodutivos referente ao estimulo hormonal prolongado. Inclui a menarca precoce, antes dos 12 anos, e a menopausa após os 55 anos, assim como a nuliparidade, primeira gestação após os 30 ano e uso de terapia hormonal na pós-menopausa de forma prolongada; Embora existam estudos controversos, a utilização de anticoncepcionais hormonais é considerada fator de risco, com base na Organização Mundial da Saúde (OMS), contudo, os estudos demonstraram que o risco aumenta por meio de altas doses de estrogênio. O DIU com levonorgestrel também pode aumentar o risco em usuárias por 10 anos ou mais. A terapia hormonal combina pós-menopausa também se correlaciona ao aumento do risco quando é utilizada por mais de 5 anos. A ingestão de bebida alcoólica, sobrepeso e obesidade na pós-menopausa, exposição à radiação ionizante e o tabagismo também são fatores de risco, assim como mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. Fatores de proteção No que tange aos fatores de proteção pode-se ciar, a prática de atividade física regular. Além de reduzir a gordura corporal, essa prática promove o equilíbrio dos níveis de hormônios circulantes. Isso fortalece as defesas do corpo, diminuindo assim o risco de câncer de mama. Em segundo lugar,temos a amamentação. Amamentar é uma das formas da mãe proteger-se desta grave doença. Além disso, quanto maior o tempo de aleitamento materno, maior o benefício protetivo. Outra prática que auxilia em sua prevenção é a eliminação do alcoolismo e tabagismo. Prevenção Autoexame é muito importante para verificar alterações mais rapidamente. O autoexame não substitui os exames de imagem Mamografia- realizar a mamografia entre 50 e 69 anos, a cada 2 anos (ministério da saúde); segundo a febrasgo, iniciar com 40 anos de forma anual. Pacientes com alto risco iniciar o rastreio com 10 anos antes do câncer familiar, realizar ressonância anual. É possível observar pele, CAP, camada adiposa anterior, tecido glandular, gordura retromamária, prolongamento axilar. Ultrassonografia- é realizada em pacientes mais jovens devido a grande quantidade de tecido glandular. Ressonância magnética- é um método muito eficaz. Lesões benignas de mama Algumas doenças benignas da mama, como a hiperplasia atípica, aumenta o risco futuro da paciente de desenvolver o câncer de mama. Essas lesões são marcadores de risco, em vez de pré-malignas, porque os cânceres que se desenvolvem após, não estão necessariamente na área da atípica, podendo ocorrer na mama contralateral. O risco de doenças benignas mamárias está associado a idade e a fatores hormonais. As alterações fibrocísticos e fibroadenomas é mais comum em idades mais jovens, aumentando durante os 30 e 40 anos, ocorrendo um pico na faixa dos 40 anos e depois ocorre a diminuição. A obesidade está associada a um risco de pré-menopausa reduzido em doenças benignas, e o histórico familiar de câncer de mama tem sido associado a um maior risco de doenças benignas da mama. Nódulo de mama É uma das queixas mais comuns em consultório, onde na maioria as vezes trata-se de uma patologia benigna, mas após a menopausa, é preciso diferenciar os nódulos com aspectos suspeitos, pois o câncer de mama pode estar presente em até 30% dos casos. É um tumor presente na glândula mamaria, podendo ser palpável ou não, podendo também ter conteúdo ou ser sólido. Nas mulheres, os nódulos palpáveis mais comuns são os cistos e os fibroadenomas, mas também existem outras causas mais raras. Durante o processo de desenvolvimento e amadurecimento feminino, a glândula mamária sofre diversas mudanças, entre o período da menarca e da menopausa. O desenvolvimento dos nódulos inicia-se pela predominância de ductos, lóbulos e do estroma observados no início da menacme até as alterações fibrocísticos e formações císticas, sendo atualmente chamadas de alterações fibrocísticas ou alterações benignas da mama. No fim da menopausa, a mama sofre uma substituição das suas estruturas por gordura em 75% dos casos ou uma fibro-substituição, nos 25% restante. Os nódulos sólidos é decorrentes lesões fibra epiteliais, sendo o mais comum o fibroadenoma, ocorrendo por uma resposta exagerada da mama aos estímulos hormonais fisiológicos após a menarca, com crescimento limitado, não ultrapassando 2 cm, no geral. Cerca de 50% dos fibroadenomas contém outras lesões proliferativas como adenose esclerosante, hiperplasia ductal e microcalcificações epiteliais, sendo chamados de fibroadenomas complexos. Existem outras variações, como o tumor filoides e o fibroadenoma gigante, apresentando maior celularidade do estroma, com tamanhos maiores do que 2 cm. ● Cistos mamários forma-se na maioria dos casos a partir de metaplasia apócrina do ácino lobular, sendo revestidos por uma única camada de epitélio. Possui estruturas redondas ou ovoides, preenchidas por liquido, acometendo as mulheres entre os 40 anos e o início da menopausa. Se origina do ducto lobular terminal, com borda lisas e bem definidas, podendo ter pouca mobilidade, únicos ou múltiplos. Podem ser classificados em simples, complicado e complexo. As lesões simples não exigem tratamento ou monitoramento especial, mas se forem dolorosas, podem ser aspiradas. Os complicados apresentam ecos internos na ultrassonografia e em algumas vezes não é possível diferenciar de massas sólidas, mas os ecos internos são causados por resíduos proteicos. Os completos apresentam septações ou massas intracísticas no exame de ultrassom, sendo a masssa geralmente um papiloma, mas podem apresentar outras caracteristicas, como carcinoma medular, carcinoma papilar, entre outros. ● Fibroadenomas representam anormalidade focal no desenvolvimento de um lóbulo mamário, não sendo neoplasias verdadeiras. São tumores que surgem na adolescência, apresentando características firmes e elásticos, com bordas regulares e lisas, podendo alterar o seu tamanho a depender da fase do ciclo menstrual, assim como na gestação e amamentação, exceto na menopausa, que diminuem de tamanho. ● Hemartomas: também chamado de fibroadenolipoma, sendo raro. São classificados como tumores bem delimitados com limites precisos, sendo composto por área de tecido mamário normal encapsulado. ● Tumores filoides: histologicamente são semelhantes aos fibroadenomas, onde os espaços revestidos por epitélio estão envoltos por estroma celular. Podem ser classificados como benignos, intermediários ou mailignos, a depender do número de mitoses, características das bordas, grau de atipia das células estromais e a quantidade dessas células. Em relação aos tumores filoides malignos podem produzir metástases para órgãos distantes e o pulmão é o primeiro local. ● Esteatonecrose: são nódulos secundários a trauma ou processo cirúrgico prévio, com característica semelhante a neoplasia maligna. Descarga papilar É possível obter líquido através da expressão dos ductos mamilares, com origem em mais de um ducto, com coloração que pode variar de branca leitosa a verde escura ou marrom. Geralmente, as descargas multiductais ocorrem apenas quando há a expressão manual, sendo consideradas fisiológicas, não sendo necessário avaliação adicional. Quando a descarga papilar é considerada patológica é aquela que uniductal, espontânea, serosa ou hemorrágica. Na maioria dos casos é causada por papiloma intraductais benignos, que são pólipos simples nos ductos lactíferos. A avaliação da descarga patologica se inicia com o exame da mama, podendo realizar o teste de sangue oculto e o exame microscópico para infamações adicionais. Após esses exames, realiza a mamografia diagnóstica e a avaliação do ductos subareolares por ductografia, ductoscopia ou ultrassonografia mamária. Infecções mamárias Costumam ser divididas em puerperais e não puerperais. ● Puerperais: são infecções que ocorrem durante a gestação e lactação, caracterizada por eritema difuso, sensível e quente da mama, com sinais sistêmicos de infecção, como febre, mal- estar, mialgias e leucocitose. As mulheres com mastite puerperal deverão continuar a amamentar ou retirar o leite por bomba para evitar a estase do leite e não contribuir para a evolução da infecção. O exame de ultrassonografia é sensível para a identificação de abcessos subjacentes. ● Infecção não puerperais: são aquelas que ocorrem fora do período de gestação e lactação, podendo ocorrer celulite e abcesso. Os abcessos podem ser classificados como periféricos ou subareolares. Os periféricos costumam ser infecções cutâneas, como foliculite, infecção de cistos ou de glândula de Montgomery. Já os abcessos subareolares são originados dos ductos lactíferos obstruídos, se apresentando sob a areola. Mastalgia Mastalgia é a dor na mama, sendo comum nas mulheres mais próximas a menopausa, comparado com as mais jovens. A etiologia não é bem esclarecida mas acredita que esteja relacionada com alterações no conteúdo aquoso intersticial, mediada por estrogênio e progesterona. É classificada como cíclica ou acíclica. ● Cíclica: costuma ser focal e não demonstra alteração com o ciclo menstrual, mesmo a mastalgia sendo causada por cisto simples,pode ser ocasionada pelo câncer de mama também. Além disso, não requer avaliação específica. ● Acíclica: costuma ser bilateral, difusa, mais intensa no final da fase lútea do ciclo menstrual. Além disso, deve ser investigada com o exame físico cuidadoso, exame de imagem focado e biópsia por agulha. Doença mamária proliferação benigna ● Alteração fibrocística: os componentes primários da mama são gordura, estroma fibroso e estruturas epiteliais. O estimulo hormonal pode resultar em um ácino lobular dilatado cheio de fluidos, sendo interpretado como microcistos em cortes histológicos. Em geral, esse quadro é chamado de alteração fibrocística. ● Hiperplasia ductal e lobular: as alterações proliferativas se desenvolvem nos ductos terminais e nos ácinos dos lóbulos. Essas estruturas são revestidas por uma camada interna de células epiteliais luminais cuboides e uma cama externa de células mioepiteliais. A proliferação das células epiteliais luminais ocorre em ductos terminais ou ácinos com várias camadas de celulas, gerando a hiperplasia ductal (nos ductos) ou lobular (nos ácinos). A medida em que a hiperplasia ocorre, os ductos terminais ou os ácinos passam a ficar envoltos pelas células, começando a apresentar atipia nuclear. Se essas estruturas ficarem cada vez mais envolvidos, passa a ser chamado de carcinoma ductal ou carcinoma lobular Carcinoma lobular in situ Não é visto como precursor direto de câncer de mama, e sim como o aumento do risco de ocorrer, cerca de 1% ao ano, associado a outros fatores, como histórico familiar de câncer de mama, doença extensa, entre outros. Pode ser multifocal ou bilateral, devendo sempre ocorrer o acompanhamento, através de exames clínicos, mamografia 2x ano ano, alterando com ressonância magnética. Lesões malignas de mama Câncer de mama invasivo Os cânceres de estruturas epiteliais mamárias são responsáveis pela maioria dos cânceres primários de mama. O carcinoma ductal infiltrante é a forma mais comum de câncer de mama invasivo, cerca de 80% dos casos, e o carcinoma lobular infiltrante é a segunda mais comum, cerca de 15%. Quase 25% dos cânceres de mama apresentam expressão aumentada de Her- 2/neu, que costumam a ser sensíveis ao anticorpo monoclonal humanizado. ● Carcinoma ductal in situ: nesse subtipo de carcinoma, as células cancerosas preenchem o sistema ductal mamário sem invadir sítios além da membrana basal do ducto. Mesmo acumulando alterações do DNA, não possuem alterações que possibilitariam a sua permanência fora do ducto sendo atualmente classificado como câncer de mama estagio 0. Na maioria as vezes é diagnosticado por mamografia de rastreamento. Pode ser classificado em relação a sua morfologia, presença ou ausência de comedonecrose e graduação nuclear. Dentre os tipos morfológicos mais comuns, incluem o cribriforme, sólido, micropapilar e comedo. Existem outros tipos especiai de carcinoma ductal infiltrante, sendo necessário ser composto quase completamente pelas características histológicas, 90% tumor. ● Carcinoma tubular: é um tipo especial de carcinoma que costuma ser bem diferenciado e associado a bom prognostico. A lesão deve ser constituída de 75% dos elementos característicos, sendo na maioria das vezes pequeno, com diâmetro medio de 1 cm, com coloração branco- acinzentada e consistência endurecida. ● Carcinoma medular: costumam acometer pacientes mais jovens, ocorrendo associações com a mutação do BRCA1. Esses tumores são bem delimitados, com consistência firme, com 2 a 3 cm de diâmetro. Além destes, ainda existe o carcinoma mucinoso e o papilífero (1 a 2% dos cânceres). A idade, relacionado as alterações biológicas em função do envelhecimento, e acumulo de exposições ao longo do tempo. Fatores endócrinos e reprodutivos referente ao estimulo hormonal prolongado. Inclui a menarca precoce, antes dos 12 anos, e a menopausa após os 55 anos, assim como a nuliparidade, primeira gestação após os 30 ano e uso de terapia hormonal na pós-menopausa de forma prolongada. ● Doença de Paget do mamilo: é um tipo de carcinoma ductal in situ, se apresentando como rash eczematoso focal do mamilo. As celulas do carcinoma ductal migram para a superfície do mamilo em resposta a substancias quimioatrativas secretadas pelas células da derme, provocando rachadura na pele. O diagnóstico histológico é realizado após a extração da ponta do mamilo afetado. É caracterizada por comportamento agressivo e rápida progressão, compreendendo a 1 a 4% dos casos de carcinoma invasor de mama, com idade média de 40 a 60 anos. A mama apresentará aumento do volume e endurecimento, retração mamilo, eritema cutâneo e o aspecto de casca de laranja (peau d’orange). Classificação • Luminal A- altos índices de REs e RPs, baixo grau histológico e baixos níveis de genes de proloferação, com bom prognostico. • Luminal B - expressão de REs e RPs, porém tem grau histológico mais alto e maiores níveis de genes de proliferação celular, com prognostico mais reservado. • Mama normal - pouco caracterizado, mas se assemelha ao tecido normal, semelhante ao tecido adiposo. • HER-2 - Comportamento mais agressivo, com surgimento precoce de metástases a distancias e cerebrais. Ausência da expressão RPs e REs. • Basaloide - expressão semelhante ao das células balsais das mamas. Marcadores tumorais Marcadores tumorais são macromoléculas presentes no tumor, no sangue ou em outros líquidos biológicos, cujo aparecimento e ou alterações em suas concentrações estão relacionados com a gênese e o crescimento de células neoplásicas Funcionam como indicadores da presença de câncer. E podem ser produzidas diretamente pelo tumor ou pelo organismo. Em resposta à presença do tumor. Os marcadores tumorais, em sua maioria. São proteínas ou pedaços de proteínas. Incluindo antígenos de superfície celular, proteínas citoplasmáticas, enzimas e hormônios. Principais marcadores- antígeno tumoral semelhante à mucina(MCA); antígeno do tumor 15.3 (CA15.3); antígeno 27.29(CA 27.29); C-ERRBB-2 Imunoistoquimica • Importante para avaliar os subtipos moleculares: • Receptores de estrogênio; receptores de progesterona, HER-2, C-ERRBB-2, Ki-67 • Auxilia a determinação comportamento tumoral, avalia o prognóstico, planejamento de terapias adjuvantes. Estadiamento Mamografia: é o principal método de imagem utilizado para o diagnóstico de doenças mamarias, sendo a principal escolha para a investigação. O câncer de mama de crescimento lento são identificados na mamografia ao menos 2 anos antes que o tumor alcance o tamanho detectável a palpação. Deve ser indicada para: Rastreamento período em mulheres com alto risco de câncer de mama; Avaliação de tumor suspeito no exame clinico; Câncer de mama oculto em pacientes com doença metastático nos linfonodos axilares; Monitoramento de pacientes com câncer de mama tratado ● Ultrassonografia: é utilizada para avaliar um achado clinico ou complementar da mamografia, ajudando a distinguir lesões benignas de malignas. ● Ressonância magnética: é o método considerado mais sensível e específico que a mamografia, podendo ser utilizado quando as lesões não são vistas na mamografia ou na USG, porém possui alto custo. ● Biópsia de agulha fina: permite a analise citológica ou biópsia para a análise histológica, complementando o exame físico e os exames de imagem. ● Tomografia por emissão de pósitrons: avalia a atividade metabólica dos tumores, sendo utilizada para identificar lesões mamarias ocultas com linfonodos axilares positivos. • Sítios de metástase o Pulmão, fígado e ossos Tratamento Após o diagnóstico e estadiamento da doença, o médico discutirá com a paciente as opções de tratamento. Nesse momento, é importante pesar os benefícios de cada opção terapêutica contra os possíveis riscos e efeitos colaterais. Existem vários tiposde tratamentos para o câncer de mama que dependem do tipo e do estágio da doença. Tratamentos locais. A terapia local visa tratar um tumor localmente, sem afetar o resto do corpo. Os tipos de terapia local utilizados para o câncer de mama incluem: • Cirurgia • Radioterapia. Tratamentos sistêmicos. A terapia sistêmica se refere ao uso de medicamentos que podem ser administrados por via oral ou diretamente na corrente sanguínea para atingir as células cancerígenas em qualquer parte do corpo. Dependendo do tipo de câncer de mama, diferentes tipos de tratamentos sistêmicos podem seu usados, incluindo: • Quimioterapia. • Hormonioterapia. • Terapia alvo. • Imunoterapia. Os esquemas de tratamento típicos estão baseados no tipo de câncer de mama, estadiamento e em situações especiais: • Câncer de mama por estágio. • Câncer de mama triplo-negativo. • Câncer de mama inflamatório. • Câncer de mama durante a gravidez. Em função das opções de tratamento definidas para cada paciente, a equipe médica deverá ser formada por especialistas, como cirurgião, oncologista, radiooncologista e cirurgião plástico. Mas, muitos outros poderão estar envolvidos durante o tratamento, como enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, assistentes sociais e psicólogos. É importante que todas as opções de tratamento sejam discutidas com o médico, bem como seus possíveis efeitos colaterais, para ajudar a tomar a decisão que melhor se adapte às necessidades de cada paciente. Tomando decisões sobre o tratamento. Discuta sempre todas as opções de tratamento para seu caso, bem como seus possíveis efeitos colaterais, para ajudar a tomar a decisão que melhor se adapte às suas necessidades. Pensando em participar de um estudo clínico. Em alguns casos, pode ser a única maneira para ter acesso a novos tratamentos. Ainda assim, estudos clínicos podem não ser adequados para todas as pacientes. Se você quiser saber mais sobre os estudos clínicos que podem ser adequados para você, converse com seu médico. Considerando métodos complementares e alternativos. Esses métodos podem incluir vitaminas, ervas e dietas especiais, ou outros métodos, como acupuntura ou massagem. Os métodos complementares se referem a tratamentos usados junto com seu atendimento médico regular. E os tratamentos alternativos são usados em vez do tratamento médico. Embora alguns destes métodos possam ser úteis para aliviar os sintomas ou ajudar você a se sentir melhor, muitos não foram comprovados cientificamente e não são recomendados. Converse com seu médico antes de iniciar qualquer terapia alternativa. Escolhendo interromper o tratamento. Para alguns pacientes, quando os tratamentos não estão mais controlando o câncer, pode ser hora de pesar os benefícios e riscos de continuar a tentar novos tratamentos. Se você continuar (ou não) o tratamento, ainda há coisas que você pode fazer para ajudar a manter ou melhorar a sua qualidade de vida. Algumas mulheres, especialmente se a doença está avançada, podem não querer receber mais tratamentos. Existem muitas razões pelas quais você pode decidir querer interromper o tratamento, mas é importante conversar com seu médico antes de tomar essa decisão. Lembre-se de que mesmo se você optar por não tratar o câncer, você ainda pode receber cuidados de suporte para tratar e controlar a dor ou outros sintomas. • O tratamento não medicamentoso do carcinoma de mama inclui as seguintes abordagens: o cirurgia do tumor e reconstrução da mama; o avaliação e esvaziamento axilar e radioterapia. • A cirurgia, associada ou não à radioterapia, continua a ser a base do tratamento precoce do câncer da mama. • Tratamento cirúrgico: A cirurgia é o principal tratamento do câncer de mama inicial e inclui a intervenção na mama (exérese do tumor e reconstrução) e na axila (avaliação e retirada de linfonodos). • As abordagens cirúrgicas podem ser parciais ou totais, dependendo das características clínicas do tumor e do prognóstico de cada paciente. Ao longo do tempo, os procedimentos cirúrgicos evoluíram de tratamentos mais agressivos para menos invasivos, apresentando maior ganho estético, sem afetar os desfechos de cura. • A indicação da cirurgia deve incluir exames (clínico e de imagem) e pode ser apoiada pelos seguintes critérios: o Tamanho e quantidade de tumores; o Volume da mama; o Contraindicação para radioterapia; o Resultado estético; o Escolha da paciente; o Recorrência local. O tratamento cirúrgico para o câncer de mama pode consistir na excisão do tumor com tecido mamário normal circundante (cirurgia conservadora da mama) ou mastectomia, a saber: - Cirurgia conservadora (parcial): indicada quando há perspectiva de atingir margens negativas dos tumores e se houver uma proporção favorável de tamanho do tumor e volume. O procedimento consiste na remoção oncológica segura das lesões, em diferentes quadrantes, e na correção (de volume, pele ou simetrização mamária contralateral). As cirurgias conservadoras (parciais) da mama recebem nomes variáveis, dependendo do volume mamário retirado: quadrantectomia, segmentectomia, centralectomia, tumorectomia e excisão ampla, entre outros. - Cirurgia não conservadora (total): também conhecida como mastectomia, é indicada quando o tamanho do tumor é grande em relação ao tamanho da mama ou quando não é possível obter margens cirúrgicas negativas após múltiplas ressecções. Esse procedimento pode envolver a retirada do complexo aréolo-papilar, ressecção de músculos peitorais e linfadenectomia axilar. O tipo mais comum de abordagem cirúrgica total é a mastectomia radical modificada, que compreende a retirada total da mama e o esvaziamento axilar com preservação (mastectomia Madden) ou não (mastectomia Patey) dos músculos. A reconstrução de mama pode ser imediata ou tardia. Esse processo decisório deve considerar a vontade da paciente, a disponibilidade da técnica no centro de referência e a necessidade de tratamento local complementar. A cirurgia da mama contralateral pode ser necessária para “simetrização” estética, tendo esta garantia legal, porém dependente de fatores regulatórios locais.