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POLÍTICAS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS PEDAGOGIA Sumário UNIDADE I - POLÍTICAS PÚBLICAS E POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A EDUCAÇÃO – DO ÂMBITO GLOBAL AO LOCAL ........................................................................................................................ 3 UNIDADE II – POLÍTICAS EDUCACIONAIS – A CONSTITUIÇÃO DO SISTEMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO .................................................................................................................................. 13 UNIDADE III – A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL – LEI Nº 9.394 DE 1996 – CONTINUIDADES, DESCONTINUIDADES, AVANÇOS E RETROCESSOS NO ÂMBITO DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS ......................................................................................................... 24 UNIDADE IV – POLÍTICAS EDUCACIONAIS - EVOLUÇÃO HISTÓRICA E CONSTITUIÇÃO DO CURRÍCULO ESCOLAR NO BRASIL ............................................................................................... 35 BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................................. 46 UNIDADE I - POLÍTICAS PÚBLICAS E POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A EDUCAÇÃO – DO ÂMBITO GLOBAL AO LOCAL A Unidade I – Políticas Públicas e Políticas públicas para a Educação: do âmbito global ao local tem por objetivo discutir a evolução das políticas públicas no Brasil com foco nas políticas públicas educacionais como subsídio para uma melhor compreensão dos aspectos históricos, e sociológicos que influenciaram a conformação de um sistema educacional brasileiro reconhecidamente ineficaz e ineficiente no enfrentamento dos problemas em âmbito nacional, estadual e municipal, mas, que nas últimas três décadas vêm apresentando melhoras em diversos aspectos, tais como: universalização do ensino fundamental e médio, ampliação de oferta de vagas no ensino superior, redução do índice de analfabetismo, criação de um fundo de financiamento da Educação Básica. Este cenário crítico em relação às políticas sociais: saúde, educação, segurança e infraestrutura impôs a necessidade de mudanças nesse sistema e tem desencadeado processo de implementação da reforma educacional pós Constituição Federal de 1988 e da promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394 de 1996. Existem diversas definições de políticas públicas que chamam a atenção, ou seja, ressaltam determinados aspectos. Apesar disso, há aspectos relacionados ao que se entende por políticas públicas que são unânimes entre eles, o papel do Estado no fomento às políticas públicas e o papel da sociedade. Neste sentido, entendem-se as políticas públicas como o conjunto das diretrizes e referenciais ético-legais adotados pelo Estado para fazer frente a um problema que a sociedade lhe apresenta (ACÚRCIO, 1988). Política Política vem do grego Politiká uma derivação de polis (aquilo que é publico/ cidade) e tikós (bem comum). Política é considerada a ciência da governança de um Estado ou Nação. pública é, portanto, a resposta que o Estado oferece diante de uma necessidade da sociedade. As políticas públicas são gestadas e implementadas pelo Estado para o enfrentamento de problemas: elevado índice de desemprego, baixo crescimento econômico, deficiência no sistema de saúde, baixa qualidade da educação, acesso à educação superior, ampliação de vagas na educação infantil, etc. Não é difícil constatar que existe discrepância entre o conjunto de problemas sociais e a capacidade de enfrentamento por parte do Estado. Um espectador atento alguma vez já se perguntou: Como o Estado atribui ao problema maior ou menor importância, ou seja, como o Estado prioriza os problemas que serão enfrentados por meio de políticas públicas? Isso ocorre porque as políticas públicas são sempre objeto de disputa entre diversos grupos (VIANNA, 1997); porque há uma agenda de problemas que devem ser alvo de políticas públicas que é continuamente negociada no que diz respeito à prioridade no atendimento e à inclusão de novos tópicos na agenda (MATOS, 1999). Outro elemento importante para a proposição e ou constituição de uma situação problema para ser enfrentado, via política pública é o ator social, aqui compreendido como um coletivo de pessoas que compartilham uma dada situação, com certa organização que reivindica dada pauta (ACÚRCIO, 1997). Em um mundo globalizado, caracterizado pelo incremento das tecnologias da informação e da comunicação (TICs) e pelo estabelecimento da sociedade em rede (CASTELLS, 2003), ou seja, por uma sociedade integrada pelas TICs e pelas redes sociais, a participação dos diversos atores sociais no processo de proposição de políticas públicas tem ganhado força e visibilidade. Castells (1999) define sociedade em rede como: caracterizada por uma mudança na sua forma de organização social, possibilitada pelo surgimento das tecnologias de informação num período de coincidência temporal com uma necessidade de mudança econômica (a globalização das trocas e movimentos financeiros) e social (a procura de afirmação das liberdades e valores de escolha individual e iniciada com os movimentos estudantis de Maio de 68). (p. 17) De acordo com o autor, entre os desdobramentos marcantes verificados em decorrência de a sociedade estar conectada em redes, pode-se destacar que sua influência reforça o conceito de partilha de soberania entre os Estados (então soberanos), para resolver assuntos complexos de dimensão internacional. Assim, as políticas públicas no contexto da globalização e da sociedade em rede estão articuladas a um contexto e demandas coletivas globais. Segundo Castells (1999) “caminhamos para um Estado em rede, onde a “governação é realizada numa rede, de instituições políticas que partilham a soberania em vários graus, que se reconfigura a si própria numa geometria geopolítica variável”. (p.38). Implicações diretas em relação às políticas públicas educacionais estão as demandas globais como a melhoria da qualidade da educação, necessidade de estabelecimento de um plano de educação, aumento do tempo de escolarização, aumento da jornada escolar, formação de professores, dentre outros. Essas demandas globais se somam às demandas locais como a melhoria das condições de trabalho dos professores, obrigatoriedade do estabelecimento de plano de carreira para os profissionais da educação, redução do índice de analfabetismo, ampliação de vagas na Educação Infantil e na Educação Superior, dentre outros. No caso do Brasil, a análise do processo de proposição e elaboração de políticas públicas quer para a Educação ou para qualquer outro setor ou problema mostra um imbricamento entre políticas públicas, ou seja, de Estado (identidade do país, o que o país quer ser e precisa fazer) e políticas de governo que dizem respeito a premissas e ideologias dos ocupantes do governo, por exemplo, interesses e concepções de país de quem está no comando do governo, governantes, partidos políticos, coligação de partidárias, por exemplo. As políticas de governo são aquelas propostas e promovidas por ocupantes do Executivo (presidentes, governadores, prefeitos) por meio de processo elementar de proposição e implementação de medidas que têm como objetivo Estado - Conjunto de instituições sociais que constituem a organização política de um povo e que detêm o monopólio do uso da força legítima. É a instituição básica de controle social da sociedade. Governo - Conjunto de pessoas que exercem, geralmente de forma temporária, o poder Executivo de um Estado. responder às demandas colocadas pela própria agenda política. Já as políticas de Estado necessitam passar por diversas instâncias incluindo a parlamentar, ou seja, no caso do Estado Brasileiro pelo Congressoestimulando o exercício do protagonismo juvenil e fortalecendo o desenvolvimento de seus projetos de vida.(P. 468) A definição dos itinerários formativos é prerrogativa dos diferentes sistemas, redes e escolas, conforme previsto na Lei nº 13.415/2017. Esse é o grande embate, na atualidade, pois, a grande interrogação é como os estados e a redes privadas de ensino irão elaborar, implementar e conduzir os diversos itinerários formativos. Há que se considerar se os estados têm estrutura e equipe técnica qualificada para a implementação do „Novo Ensino Médio‟. Esse debate ainda em curso e o currículo para o „Novo Ensino Médio‟ em construção. Como vimos, o campo das políticas educacionais é muito amplo, mas, fundamental para se pensar sobre a sociedade que se quer e que sujeitos formar. Cabe a nós, profissionais da educação, conhecer a legislação educacional e o processo de constituição de políticas públicas para atuarmos como agente de mudanças. SAIBA MAIS! Aprofunde seu aprendizado! Veja os materiais complementares disponíveis no AVA. Assista também aos vídeos: 1 - Documentário “Docência na Escola de Tempo Integral” – Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=mWx_JNOXb5Y> 2 - BNCC e formação de professores - Debate | Canal Futura. Disponível em 3 - Ministro da Educação fala sobre novo ensino médio em entrevista exclusiva à TV NBR. Disponível em 4 - Programa Extraclasse - Currículo e Diversidade – Disponível em Leia também os textos complementares: 1 - SILVA, T. T. da. Identidade e diferença: impertinências. Educação & Sociedade, ano XXIII, nº 79, Agosto/2002. Disponível em 2 - APPLE, M. W. Educação, Mercado e Culturas de Controle. Revista E-Curriculum, São Paulo, v. 2, n. 3, dez. 2006. Disponível em 3 - CUNHA, M. I. da. O tema da formação de professores: trajetórias e tendências do campo na pesquisa e na ação. Educ. Pesqui., São Paulo, n. 3, p. 609-625, jul./set. 2013. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=LyMJLxFu4ic https://www.youtube.com/watch?v=JkGDRWL-RcA BIBLIOGRAFIA ACURCIO, F.A.,SANTOS, M.A, FERREIRA, S.M.G. O planejamento local de serviços de saúde. In: MENDES, E.V. A organização da saúde no nível local. São Paulo: HUCITEC, 1998. Cap. 4, p. 111-132. ARANDA, M. A. de M.; LIMA, F, R. O plano nacional de educação e a busca pela qualidade socialmente referenciada. Revista Educação e Políticas em Debate – v. 3, n.2 – ago./dez. 2014 APPLE, M. W. Ideology and curriculum. Boston: Routledge & Kegan Paul, 1979. AZEVEDO, J. L. de. A educação como política pública. 3ª Ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2004. FREITAG, Bárbara. Escola, Estado e Sociedade. 4 ed. 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O sociólogo amplia a compreensão do termo cidadania substantiva, entendida como posse de direitos civis, políticos e sociais e que exerce papel fundamental no processo de conquista de direitos e, consequentemente, na proposição de políticas públicas. T.S, Marshall define da seguinte forma os diversos direitos inerentes ao exercício da cidadania e participação cidadã: CIVIS POLÍTICOS SOCIAIS “Liberdade individual – liberdade de ir e vir, liberdade de imprensa, pensamento e fé, direito à propriedade e de concluir contratos válidos e o direito à justiça”. “Direito de participar no exercício do poder político, como um membro do organismo investido da autoridade política ou como eleitor dos membros de tal organismo”. “O elemento social se refere a tudo que vai desde o direito a um mínimo de bem-estar econômico e segurança ao direito de participar, por completo, na herança social e levar a vida de um ser civilizado (...). As instituições ligadas a eles são o sistema educacional e os serviços sociais”. Com a ampliação do entendimento do termo cidadania substantiva proposto por Marshall (1950) pode-se inferir que as políticas públicas são uma resposta do Estado às necessidades do coletivo (dos cidadãos) que, por meio do desenvolvimento de ações e programas, objetivam o bem-comum e a diminuição da desigualdade social. Para que as demandas da sociedade, de atores ou sujeitos sociais e ou econômicos se transformem em políticas públicas, essas precisam ser organizadas para que se constituam em projetos e passem a constituir o ciclo das políticas públicas. As políticas públicas podem ser analisadas a partir de combinações e variáveis distintas. a) Quanto à área governamental: Políticas Sociais – educação, saúde, assistência social, etc; Políticas Econômicas – monetária, cambial, tributária, agrícola, industrial, etc; Políticas de Infraestrutura – energia, comunicação, transporte, etc; Políticas Estado – direitos humanos, comércio exterior, ciência e tecnologia, segurança, etc. As políticas sociais podem ser subdivididas em dois grupos: a) políticas compensatórias são aquelas implementadas e ou patrocinadas pelo Estado com o objetivo de minimizar distorções sociais como por exemplo, as cotas para acesso às universidades públicas e, b) políticas emancipatórias, políticas destinadas ao empoderamento de grupos sociais vulneráveis de forma a se tornarem independentes das ações do Estado. b) Quanto à abrangência dos possíveis benefícios (ANDRADE e TEIXEIRA, 2002): Universais - políticas criadas com possíveis benefícios para todos os cidadãos. Ex.: Sistema Educacional, Sistema Único de Saúde (SUS); Segmentais – políticas voltadas para determinado fator: idade, gênero, condição física, dentre outros. Estatuto do Idoso, por exemplo; Fragmentadas – destinada a grupos sociais dentro de cada segmento como, por exemplo, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI). Os cientistas político Theodore J. Lowi (1972) e J.Q. Wilson (1973) classificam as políticas públicas da seguinte forma: DISTRIBUTIVAS - implicam nas ações cotidianas que todo e qualquer governo precisa fazer. Elas dizem respeito à oferta de equipamentos e serviços públicos, mas sempre feitas de forma pontual ou setorial, de acordo com a demanda social ou a pressão dos grupos de interesse. São exemplos de políticas públicas distributivas as podas de árvores, os reparos em uma creche, construção de escolas, a implementação de um projeto de educação ambiental ou a limpeza de um córrego, dentre outras. REDISTRIBUTIVAS - consistem em redistribuição de “renda na forma de recursos e/ou de financiamento de equipamentos e serviços públicos” (Azevedo, 2003, p. 38). São exemplos de políticas públicas redistributivas os programas de: bolsa-escola, bolsa-universitária, cesta básica, reforma agrária, royalties do petróleo. REGULATÓRIAS - consistem na elaboração das leis que autorizarão os governos a fazerem ou não determinada política pública redistributiva ou distributiva. A política pública regulatória é, essencialmente, campo de ação do poder legislativo. São exemplos de políticas púbicas regulatórias: Código Florestal, Legislação Trabalhista e Código de Trânsito. A análise das tipologias das políticas é um importante instrumento de identificação, categorização e comparação de políticas, agrupadas segundo características semelhante de maneira a formar verdadeiras categorias de classificação que irão interferir no processo político, necessário à dinâmica de discussão da política pública, descrito no ciclo de políticas públicas. Secchi (2010) define da seguinte forma o Policy Cycle [...] esquema interpretativo derivado da teoria dos sistemas que organiza a vida de uma política pública em fases sequenciais e interdependentes: identificação do problema, formação da agenda, formulação de alternativas, tomada de decisão, implementação, avaliação e extinção da política pública. (p. 120) O ciclo de políticas públicas envolve a participação de todos os atores públicos e privados na elaboração das políticas públicas, ou seja, governantes, políticos, trabalhadores e empresas; o poder que esses atores possuem e o que podem fazer com ele; o momento atual do país no aspecto social (problemas, limitações e oportunidades) e ou a conjuntura/cenário internacional e organização de ideias e ações. O sistema político processa demandas e apoios denominados como: inputs (oriundas do ambiente externo); withinputs (provenientes do próprio sistema político); outputs que são as políticas públicas. CICLO DE POLÍTICAS PÚBLICAS Identificação de um problema - ingresso de uma demanda na agenda pública; Formulação de alternativas de solução - momento em que são elaboradas e negociadas as possíveis alternativas de ação para o enfrentamento do problema; Tomada de decisões (formulação da política propriamente dita) - eleição de uma alternativa de solução que se converte em política legítima; Implementação da decisão tomada - execução das ações; Término da ação - avaliação dos resultados da ação, que pode resultar em uma nova política ou em um reajuste. O ciclo das políticas públicas deve considerar: Cultura política Opinião pública Sistema social (diferentes interesses) Sistema econômico Contexto institucional Relações federativas Separação de poderes Sistema partidário As políticas públicas implementadas pelos diversos atores têm sido foco de atenção dos próprios organismos responsáveis por seu acompanhamento e avaliação e das consultorias especializadas em soluções de problemas públicos e objeto de estudo dos acadêmicos interessados na gestão pública e na compreensão da dinâmica político-social das interações do homem. Esse processo tem possibilitado acompanhamento mais próximo das diversas fases de implantação das políticas públicas e possibilitando mais eficiência e eficácia da gestão pública. A gestão pública é a expressão de um fenômeno social, de uma sociedade que, de um modo ou de outro, busca organizar-se para obter algum benefício coletivo (SOARES, 2001). A trajetóriada educação brasileira e das políticas públicas no Brasil para a educação esteve intimamente relacionadas ao contexto social, político e econômico de cada época, procurando adequar o sistema de ensino à estrutura social vigente e às demandas nacionais e globais (SANTOS, 2012). SAIBA MAIS! Aprofunde seu aprendizado! Veja os materiais complementares disponíveis no AVA. Assista também aos vídeos: 1 - Ciclo de políticas públicas: O que é? Entrevista Leonardo Secchi – Parte 2. 2 - Globalização e Educação. Disponível em Leia também os textos complementares: 1 - SANTOS, M. A abordagem das políticas públicas educacionais para além da relação Estado e sociedade. IX ANPED Sul, Seminário de Pesquisa em Educação Região Sul, 2012. Disponível em http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsu l/paper/viewFile/2046/147>. 2 - CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999. v. 1. Disponível em http://sistemas.aids.gov.br/incentivo/Biblioteca/Gestao_governan ca/a_sociedade_em_rede.pdf> UNIDADE II – POLÍTICAS EDUCACIONAIS – A CONSTITUIÇÃO DO SISTEMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO Evolução das políticas educacionais A Educação é uma área que requer atenção especial do Estado e, na atualidade, tem estado como pauta das principais agendas política, econômica e social nos âmbitos global, regional e local. E as demandas por uma educação que viabilize a formação de sujeitos críticos, reflexivos, promovedores da transformação social e que saibam lidar com o mundo do trabalho em constante mutação têm impactado fortemente as políticas públicas. Cabe ressaltar que os problemas educacionais não tem origem exclusivamente na educação e que a proposição e criação de políticas públicas educacionais devem levar em consideração tal fato. Isso porque a Educação é uma área transdisciplinar com impactos no mundo do trabalho, na saúde, desenvolvimento econômico e muitas outras áreas, ao mesmo tempo em que é influenciada e impactada por tais áreas e ou setores. Com uma análise histórica sobre o papel social desempenhado pela educação em diferentes períodos da história brasileira é possível constatar tensões e contradições que marcaram a constituição e organização do sistema educacional brasileiro, bem como, as continuidades, descontinuidades que caracterizaram as políticas educacionais ao longo da história da educação no Brasil. Durante o Brasil Colônia, a organização social e política fundada na grande propriedade e na mão-de-obra escrava não necessitava da educação escolar como forma de reproduzir a ordem econômica e social vigente. Dessa forma, durante o período colonial não houve investimento em educação e esta ficava a cargo dos Jesuítas e se restringia à catequização, principalmente, dos povos nativos. Durante o período Imperial e a Primeira República, não se observam modificações profundas quanto à estrutura social: a economia continuava sendo agroexportadora, a força de trabalho escrava passava a ser substituída pelo trabalho dos imigrantes, mas a estrutura social de dominadores e dominados mantinha-se em sua composição básica (FREITAG, 1980). Uma das principais características das políticas educacionais no período Imperial foi um esforço no sentido de implantar o sistema de ensino superior capaz de formar a elite e um descaso com a instrução elementar (XAVIER; RIBEIRO; NORONHA, 1994). A educação formal, desta maneira, continuava sendo destinada a poucos, desvinculada do processo produtivo, o que acentuava seu caráter classista. Nos primeiros anos da República teve início o processo em defesa ao ensino primário gratuito para todos os indivíduos e a sua laicidade foi permitida pela Constituição de 1891. Foi com a República que a política pública educacional ganha importância, dando forma ao sistema educacional brasileiro. Xavier; Ribeiro; Noronha (1994) destacam o caráter elitista da política educacional brasileira com o predomínio pelo ensino superior. A partir das primeiras décadas do Século XX, emergem pressões de diferentes grupos sociais pelo ensino popular, impulsionadas pelo aumento da demanda escolar com a chegada dos trabalhadores imigrantes europeus em busca de melhores condições de vida (IDEM, 1994). As transformações políticas, sociais e econômicas ocorridas a partir dos anos de 1930 foram fundamentais para a organização do sistema educacional brasileiro, conforme registrado na Constituição de 1934 na qual está presente a necessidade de elaboração de um Plano Nacional de Educação que coordene e supervisione as atividades de ensino em todos os níveis primário, secundário e superior (FREITAG, 1980). Após a Segunda Guerra Mundial, nas décadas de 50 e 60 havia a necessidade de substituição das legislações educacionais anteriores por serem consideradas ultrapassadas para o novo momento econômico e político, marcado pelo crescimento da industrialização e pelo processo de urbanização do país. Neste período também ocorreu grande investimento na redução do analfabetismo com a criação, nos municípios, de classes de ensino supletivo. Sendo este um período de intensa manifestação a respeito dos rumos do sistema educacional. Em meio a muitos debates, foi aprovada em 1961, a Lei n.º 4.024, que estabelecia as diretrizes e bases da educação nacional. Em relação à organização de um sistema nacional de educação, a referida lei destacou que os setores público e privado têm o direito de ministrar o ensino em todos os níveis e que o Estado pode subvencionar a iniciativa particular no oferecimento de serviços educacionais. No entanto, a Lei n.º 4.024/1961 manteve a mesma estrutura do sistema de ensino, qual seja: Ensino pré-primário, composto de escolas maternais e jardins de infância. Ensino primário de quatro anos, com possibilidade de acréscimo de mais dois anos para programa de artes aplicadas. Ensino médio, subdividido em dois ciclos: o ginasial, de quatro anos, e o colegial, de três anos. Ambos compreendiam o ensino secundário e o ensino técnico (industrial, agrícola, comercial e de formação de professores). Ensino superior. Com o Golpe de 1964, Constituição Federal de 1967 e promulgação da Lei n.º 5.692 de 1971 ficou estabelecido: A Junção do ensino primário e do ginásio que passaram a ser denominados de ensino de 1º grau (art. 20); O ensino colegial foi denominado de ensino de 2º grau; A obrigatoriedade passou a ser de oito anos, mas, sem a integração das oito séries, referentes ao ensino de 1º grau; Núcleo comum para o currículo de 1º e 2º graus e parte diversificada em função das peculiaridades regionais e locais (art. 4); A inclusão das disciplinas Educação Moral e Cívica, Educação Física, Educação Artística, e programas de saúde como disciplinas obrigatórias do currículo; O Ensino Religioso se torna facultativo (art. 7); Institui o ano letivo de 180 dias (art. 11); As quatro primeiras séries do ensino de 1º grau continuaram a ser atendidas por um único professor, não havendo exigência pela formação em nível superior, mas apenas formação para magistério (nível médio); As quatro séries finais do 1º grau e o 2º grau continuaram divididas em disciplinas ministradas por diferentes professores, com exigência de formação superior. A Educação a Distância como possível modalidade do ensino supletivo (art. 25); O financiamento público para a educação não é uma exclusividade do ensino público (art. 43 e 79); Os municípios devem gastar 20% do seu orçamento com educação e não prevê dotação orçamentária para a união ou estados (art. 59); A profissionalização no ensino secundário nas áreas agrícola, industrial, comercial e normal. ESTRUTURADO SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO CONFORME Lei n.º 5.692 de 1971 NÍVEL DURAÇÃO Pré-escola 3 anos 1º grau 8 anos 2º grau 3 anos Educação Superior Após os 17 anos Fonte: Lei n.º 5.692 de 1971. Cabe ressaltar que apenas o ensino de 1º grau era obrigatório e a matrícula na pré-escola se dava aos 4 anos de idade. Devido ao processo de redemocratização do país após o Golpe Militar de 1964. E após o processo de abertura ou de transição iniciado pelo governo militar em 1979 no governo do General João Batista de Figueiredo, foi instituída a assembleia constituinte no ano de 1987 com o propósito de elaborar nova constituição federal que atendesse aos anseios de uma sociedade recém democratizada. Além dos senadores e deputados federais, participaram da assembleia constituinte especialistas em diversos assuntos como educação, direitos humanos, jurisprudência, dentre outros. Em 1988, com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, durante o processo de redemocratização do país, o sistema educacional brasileiro passou por um intenso processo de modificação, consolidado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n.º 9.394 de 20 de dezembro de 1996. A Constituição Federal de 1988 no art. 205 estabelece a educação como “direito de todos e dever do Estado e da família; será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Dentre os princípios da Educação brasileira estabelecidos no art. 206 da Constituição Federal de 1988, destacam-se: igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais e O Título IV da Constituição Federal de 1988 trata da organização dos Poderes que são assim estruturados: Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário são independentes e harmônicos entre si; O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado com a função de elaborar leis. O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de Estado. O Poder Judiciário tem como seu principal órgão o Supremo Tribunal Federal. valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas. A CF de 1988 também versa sobre a articulação entre os entes federados – União, Estados e Municípios – na oferta da Educação Básica. A Carta Magna também versa sobre o percentual de investimento em educação para cada ente federado, bem como as responsabilidades de cada um deles em relação à educação. Um dos artigos mais importantes da Constituição Federal de 1988 é o art. 6 que estipula que “são direitos sociais: a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.” A Educação enquanto direito social tem como fundamento o zelo pela dignidade da pessoa humana, seja em seu aspecto individual, seja no âmbito social. A Educação se torna um direito público subjetivo - direito público subjetivo configura-se como um instrumento jurídico de controle da atuação do poder estatal, pois permite ao seu titular constranger judicialmente o Estado a executar o que deve -. O direito à Educação é uma das principais conquistas no âmbito das políticas educacionais no país. Educação formal é a educação ofertada pelo Sistema Nacional de Educação pelas redes pública e privada ou seja em estabelecimentos oficiais de ensino. Educação não formal é aquela ocorre fora dos espaços escolares oficiais. Libâneo (2010, p.63) afirma que a escola precisa não apenas conviver a educação não formal e com outras modalidades de educação, mas também articular-se e integrar-se a elas, como o objetivo de formar cidadãos mais preparados e qualificados para um novo tempo. http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 Cury (2002) afirma que muitos documentos de caráter internacional, assinados por países da Organização das Nações Unidas dentre eles a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, a Convenção Relativa à Luta contra a Discriminação no Campo do Ensino, de 1960 e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, de 1966 reconhecem o direito ao acesso à educação. Bobbio citado por Cury (2002) afirma que: a existência de um direito, seja em sentido forte ou fraco, implica sempre a existência de um sistema normativo, onde por “existência” deve entender-se tanto o mero fator exterior de um direito histórico ou vigente quanto o reconhecimento de um conjunto de normas como guia da própria ação. A figura do direito tem como correlato a figura da obrigação. (p.246) Assim, o direito à Educação foi uma conquista do povo brasileiro estipulado e garantido na Constituição Federal de 1988. No entanto, o fato de estar garantido na Carta Magna de 1988 e na LDBEN de 1996 não quer dizer que o direito à Educação é usufruído por todos os cidadãos brasileiros e com igualdade. Na atualidade, muitos cidadãos brasileiros não podem usufruir o direito à Educação, principalmente, crianças na faixa etária de 0 a 3 anos que deveriam ser atendidas em creches devido à insuficiência de vagas. Nesse sentindo, as diretrizes para a educação nacional estabelecidas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n.º 9.394 de 1996 serão objeto de estudo da unidade III. A Constituição Federal Brasileira de 1988, no art. 214, estabelece a criação do Plano Nacional de Educação, de duração plurianual e com o objetivo primordial de promover a articulação e o desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, integrando as ações do poder público com o foco nas seguintes diretrizes: a erradicação do analfabetismo, a universalização do atendimento escolar, a melhoria da qualidade do ensino, a formação para o trabalho e a promoção humanística, científica e tecnológica do País (ARANDA e LIMA, 2014). Em 2014, o Congresso Federal sancionou O Plano Nacional de Educação (PNE). Em vigor para o período de 2014 a 2024 e cuja finalidade é direcionar esforços e investimentos para a melhoria da qualidade da educação no país. O PNE estabelece 20 metas a serem atingidas nos próximos 10 anos. Entre elas merecem destaque: erradicação do analfabetismo; universalização do atendimento escolar; superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação; formação para o trabalho e para a cidadania, com ênfase nos valores morais e éticos em que se fundamenta a sociedade; promoção humanística, científica, cultural e tecnológica do país; valorização dos (as) profissionais da educação; promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental. Políticas Educacionais para a Educação Inclusiva O atendimento às pessoas com deficiência no Brasil teve início no período imperial com a criação do Instituto dos Meninos Cegos em 1854 e do Instituto dos Surdos Mudos em 1857, na cidade do Rio de Janeiro. Em 1926 foi inaugurado o Instituto Pestalozzi cuja especialidade era o atendimento às pessoas com deficiência mental. Em 1945 foi criadaa Sociedade Pestalozzi por Helena Antipoff, pesquisadora e educadora pioneira na introdução da educação especial no Brasil. Em 1954 foi criada a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). Carvalho (2000) ressalta que a ideologia da Educação Inclusiva vem sendo difundida desde o século XVIII por Pestalozzi e Froebel quando eles afirmavam a importância de se considerar no processo educacional a individualidade de cada criança. Mas, foi no final do Século XX, que ganhou força os movimentos em prol de uma educação para todos (IDEM, 2000). No inicio da década de 1990, em Jomtien, na Tailândia, ocorreu encontro promovido pelo Fundo Internacional para a Infância (UNICEF) entre diversas nações e que ficou conhecido como “Declaração Mundial Sobre Educação para Todos” ou “Conferência de Jomtien”. Esse documento reconhecia, como aponta Carvalho (2000), o pouco avanço do direito à Educação garantido na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948; e que em grande parte dos países, o cenário era de aumento da violência e conflitos de naturezas diversas que, em sua grande maioria, desrespeitavam os direitos humanos fundamentais; além da crise financeira global e os graves problemas e insucessos educacionais e, entre as diversas medidas e estratégias, o documento propôs a criação de um plano de ação para satisfazer as necessidades básicas para assegurar a aprendizagem com foco na alfabetização e educação inclusiva. No documento Declaração Mundial Sobre Educação para Todos estabelece os pilares da educação mundial sendo eles: Aprender a aprender Aprender a fazer Aprender a conviver com os outros Aprender a ser Em 1994, na Espanha, teve lugar a Declaração de Salamanca, uma resolução das Nações Unidas que trata dos princípios, políticas e práticas em educação especial. De acordo com esse documento, “toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem únicas [...] os sistemas e programas educacionais devem ser designados e implantados para contemplar a ampla diversidade dessas características e necessidades”.) (UNESCO, 1994). O documento propõe que os alunos com necessidades educacionais especiais tenham acesso às escolas de ensino regular e que essas instituições devem se adequar a essa nova demanda. No Brasil, Constituição Federal de 1988 traz como um dos seus objetivos fundamentais “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art.3º, inciso IV). Define, no artigo 205, a educação como um direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. No seu artigo 206, inciso I, estabelece a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola” como um dos princípios para o ensino e garante como dever do Estado, a oferta do atendimento educacional especializado. A Constituição Federal de 1988 abriu ainda precedente para a definição de leis regulamentares para a educação brasileira, entre elas a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. SAIBA MAIS! Aprofunde seu aprendizado! Veja os materiais complementares disponíveis no AVA. Assista também aos vídeos: 1 - Anísio Teixeira e a educação. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=Q3F0hBUY_KU> 2 - Sistema Nacional de Educação – Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=Xc5alxJRgPI > Leia também os textos complementares: 1 - CURY, C. R. J, Direito à Educação: direito à igualdade, direito à diferença. squisa, n. 116, julho/ 2002. Cadernos de Pesquisa, n. 116, p. 245-262, julho/ 2002. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/cp/n116/14405.pdf> 2 - FERREIRA, L. A. M,; NOGUEIRA, F.M. de B.Impacto das políticas educacionais no cotidiano das escolas públicas – Plano Nacional de Educação. Disponível em http://pne.mec.gov.br/images/pdf/Noticias/impactos_politicas_ed ucacionais_cotidiano_escolas_publica_PNE.pdf> UNIDADE III – A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL – LEI Nº 9.394 DE 1996 – CONTINUIDADES, DESCONTINUIDADES, AVANÇOS E RETROCESSOS NO ÂMBITO DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS Com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil em 1988 se fez necessário a criação de leis complementares para as diversas áreas como, por exemplo, Educação e Saúde. As leis complementares são leis que são criadas para dar mais informações sobre o modo de funcionamento dos direitos ou obrigações (normas) que são definidos na Constituição Federal. Assim, a partir de 1989 teve inicio o processo de apresentação de ideias, projetos e discussão que criou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação ou LDB ou LDBEN contém diretrizes e regulamenta o sistema educacional brasileiro, tanto para o setor público quanto para o privado. Dessa forma, em todo o país, instituições públicas e privadas de ensino estão submetidas à LDB. A necessidade de criação de leis de diretrizes e bases foi citada pela primeira vez na Constituição Federal de 1934, no início do Brasil República, porém, foi criada efetivamente na forma da Lei nº 4.024 em 1961, seguida de duas promulgações, uma em 1971, a Lei nº 5.692 e a Lei nº 9,394 de 1996. A Lei nº 4.024/1961 foi gerida no bojo das ideias escolanovistas para a educação. No início do período republicano, nas primeiras décadas do Século XX, o país e o mundo passaram por mudanças rumo à modernidade. No Brasil, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) influenciou o processo de modernização, devido à dificuldade para importar produtos industrializados da Europa, resultando em mudanças na esfera social por meio do crescimento do processo de urbanização com parcelas significativas da população que deixaram o campo em busca de novas possibilidades de trabalho nas cidades (LIMA, 2017). A política brasileira neste período era marcada pela „Política do Café com Leite‟ - alternância presidencial entre os políticos de São Paulo, produtores de café e de Minas Gerais, produtores de leite, o que resultou no domínio do poder econômico e político das oligarquias rurais e financiou o processo de industrialização do país. Em 1922, ocorreu em São Paulo a Semana de Arte Moderna com a participação de artistas de paulistas e do Rio de Janeiro com forte defesa da arte nacional e da realidade do povo brasileiro. Foi um período de grande turbulência política e econômica. No que diz respeito à Educação, esta também foi influenciada pelas mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais da época. De acordo com Cunha (1980), a Educação nos anos 1920 e 1930 foi fortemente influenciada pelo Manifesto dos Pioneiros que propiciou a criação da Associação Brasileira de Educação (ABE) pelo jornalista Fernando de Azevedo e por Anísio Teixeira, jurista e educador. O Manifesto dos Pioneiros da Educação foi assinado em 1932 por 26 educadores com o título de “A reconstrução educacional no Brasil: ao povo e ao governo”. Para os pioneiros da educação, faltava à educação brasileira planos e iniciativas sobre os fins da educação nacional, sobre as concepções filosóficas e sociológicas e a proposição e aplicação de métodos científicos para compreender e resolver os problemas da educação. Nas palavras de Saviani (2004) Esse manifesto propunha-se a realizar a reconstrução social pela reconstrução educacional. Partindo do pressuposto de que a educação é uma função essencialmente pública, e baseado nos princípios da laicidade, gratuidade, obrigatoriedade, co-educação e unicidade da escola, o manifesto esboça as diretrizes de um sistema nacional de educação, abrangendo, de forma articulada, os diferentes níveis de ensino, desde a educação infantil até a universidade. (SAVIANI,2004, p.33). O ideário da Escola Nova foi trazido para o Brasil por Rui Barbosa no final do Século XIX, influenciado pelas ideias de John Dewey, filósofo norte- americano. Dewey defendia que a Educação é uma necessidade social devido ao seu importante papel para o desenvolvimento econômico e para a construção de uma sociedade democrática que valoriza a diversidade. Para Dewey, a educação tem a função de igualar oportunidades. O movimento escolanovista foi especialmente forte nos países europeus, nos EUA e no Brasil (CUNHA, 1980). No pós Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), o Brasil vivenciou um período de tendências populistas no campo político, crescimento industrial, fortalecimento dos movimentos sindicais e intensificação do processo de urbanização. Problemas sociais oriundos do crescimento rápido da população nas cidades, queda no Produto Interno Bruto (PIB), elevada inflação e instabilidade política propiciaram o cenário para o Golpe Militar em 1964. Até então, a Educação era tida como fator importante para o crescimento econômico, mas, pouco havia evoluído, desde as proposições de educadores com tendência escolanovista. Segundo Goulart (1987), O progresso experimentado pelo País, nos últimos dez anos, tornou mais nítida a incapacidade do nosso sistema de educação. Em face da tecnificação dos processos produtivos na indústria e na agricultura, revelam-se ostensivamente as graves deficiências desse ensino, incapaz de formar a força de trabalho altamente qualificada que o desenvolvimento nacional requer. (p. 356) A Lei nº 4.024/1961 é caracterizada pela definição da base curricular e dos graus de ensino, sendo eles: primário, secundário e o superior; instituiu no currículo escolar, as cinco disciplinas obrigatórias: português, história, geografia, matemática e ciências; manteve os exames de admissão para acesso ao secundário. O contexto de discussão e aprovação da Lei nº 4.024/1961 foi marcado pelo movimento em prol da privatização do ensino em detrimento da expansão via sistema público de ensino. Durante o governo militar, a educação passa a ser considerada instrumento do progresso com bases na valorização do homem e a ampliação das oportunidades de acesso, de qualidade e de expansão de todos os níveis de ensino. Característica importante da educação durante o período militar foi a forte vinculação da educação ao mundo do trabalho com a finalidade de formar trabalhadores, ou seja, mão-de-obra para ocupar postos de trabalho no setor industrial, inaugurando o ensino técnico no país. A aprovação da Lei nº 5.692/1971 ocorreu no governo do Presidente Emílio Garrastazu Médici, com as seguintes diretrizes: • Obrigatoriedade da educação para a faixa etária 7 aos 14 anos; • Possibilidade da Educação a Distância para o Ensino Superior; • Formação de professores e especialistas, preferencialmente em cursos de graduação; • Supervalorização da tecnologia no currículo escolar e organização das escolas; • Visava e instituiu a profissionalização do então ensino secundário, na tentativa de unificar os antigos ensino primário e médio, eliminando as diferenças entre os ramos secundário – agrícola, industrial, comercial e normal. Com o processo de redemocratização do país iniciado no final dos anos 70, houve a necessidade de elaborar nova constituição para o país que teve o compromisso de selar os interesses sociais, através da delimitação de comportamentos e garantias de direitos e determinar novas formas de convivência entre os indivíduos e o Estado (MONTEIRO, GONZÁLEZ E GARCIA, 2011). Com a promulgação da Constituição Federal em 1988, teve início o debate e o período de proposição de propostas e projetos para a criação da nova lei de diretrizes e bases da educação. No contexto pós-constituição, o deputado Octávio Elísio apresentou o Projeto de Lei que fixou as diretrizes e bases nacionais, diante da necessidade de criação de lei complementar para estabelecer diretrizes para a educação nacional e à nova realidade educacional e social que se apresentava, tendo como relator o deputado Jorge Hage. Em 1991 foi apresentado na Câmara dos Deputados, o projeto “Jorge Hage” - resultado de uma série de debates com a sociedade, organizados pelo Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública. No mesmo período, outra proposta foi apresentada ao Senado pelos Senadores Darcy Ribeiro, Marco Maciel e Maurício Correa, que apoiado pela Presidência da República, apresentou outro projeto de LDB no Senado que não contou com o apoio dos congressistas. Em 1993, o Projeto Jorge Hage foi aprovado na Câmara e foi para o Senado. E em 1995, o projeto foi considerado inconstitucional e Darcy Ribeiro reapresentou seu antigo projeto de lei. O contexto de elaboração da LDB, Lei nº 9.394 de 1996 foi marcado pela globalização aqui compreendida como processo de aprofundamento das relações econômicas, sociais, culturais e políticas propiciada pelo elevado incremento tecnológico, principalmente, pelas tecnologias da informação e da comunicação e caracterizada pela diminuição de barreiras econômicas e imigratórias entre os diversos países. O processo de globalização trouxe novos requerimentos do mundo do trabalho sobre a formação do trabalhador e intensificou as pressões internacionais por ampliação da jornada escolar, redução dos indicadores de analfabetismo, melhoria da formação e plano de carreira para os profissionais da educação, implementação da educação inclusiva, melhoria da qualidade da educação em todos os níveis, ampliação do período de escolarização obrigatória, dentre outras, não só no Brasil, mas, nos países emergentes e em desenvolvimento de maneira geral. A referida lei, reforçou os vínculos existentes entre a educação e o mundo do trabalho no país. As discussões e debates constituintes do processo de elaboração da nova lei de diretrizes e base da educação também sofreu influência de documentos internacionais que ocorreram nos primeiros anos da década de 90, sendo eles, a Declaração Mundial de Educação para Todos, de Jomtien e o acordo de Salamanca (1994). Documentos que tiveram como orientação a redução dos déficits educacionais em âmbito global. Martins (2010) destaca o compromisso dos documentos citados uma vez que consideram que a [...] política educacional é uma política pública social, na medida em que busca a redução das desigualdades, volta-se para o indivíduo – não como consumidor, mas como cidadão, detentor de direitos [...] (p. 449). Em linhas gerais, a LDB, Lei nº 9.394/96 dispõe sobre: • Organização Sistema Nacional de Educação • Articulação entre os entes federados • Financiamento da Educação • Educação Básica: Educação Infantil - Ensino fundamental -Ensino médio • Educação superior • As Modalidades Educacionais • Qualidade da Educação • Pesquisa educacional • Valorização dos profissionais da Educação • Currículo – criação de uma Base Nacional Comum Avanços, Retrocessos, Continuidades e Descontinuidades: análise da Lei nº 9.394/96 A Lei, no art. 2º reafirma o disposto na Carta Magna de 1988 em relação à compreensão de Educação: “a educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Um avanço da referida legislação é a corresponsabilidade do Estado e da família em relação à Educação. Dessa forma, a família tem o dever de participar da vida escolar das crianças e da gestão das instituições de ensino. A participação da família e da comunidade na escola foi considerada como elemento importante para garantir o bom desempenho das crianças e para a promoção da qualidade da Educação.O referido artigo também apresenta as finalidades da educação brasileira que traduz a necessidade da formação de indivíduos consciente dos seus direitos e deveres, capazes de lidar de forma crítica com o grande volume de informações disponíveis por meio das tecnologias da informação e da comunicação, de exercerem a cidadania, atuando como agentes de mudanças e preparados para enfrentar um mundo do trabalho globalizado, marcado por forte incremento tecnológico, em constante transformação e dinâmico, em um cenário de transformação do emprego e das profissões. Além disso, o referido artigo elucida a necessidade de formação de sujeitos empreendedores e conscientes dos impactos dos seres humanos no meio ambiente (sustentabilidade). No Art. 3º da LDB de 1996, constam os princípios da educação, os mesmos constantes no texto da CF de 1988 e alguns acrescentados em 2013 e 2018, diante da necessidade de se contemplar as mudanças sociais e econômicas e as demandas da sociedade e de organismos internacionais. Dessa forma, o ensino deverá ser ministrado com base nos seguintes princípios: I. igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II. liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III. pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; IV. respeito à liberdade e apreço à tolerância; V. coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VI. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII. valorização do profissional da educação escolar; VIII. gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX. garantia de padrão de qualidade; X. valorização da experiência extraescolar; XI. vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. XII. consideração com a diversidade étnico-racial. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) XIII. garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida. (Incluído pela Lei nº 13.632, de 2018). Em relação à função dos entes federados – União, Estados e Municípios – de acordo com o texto da lei ficou estipulado que o ensino superior é de responsabilidade da União, bem como o auxílio em relação aos estados e municípios da oferta da Educação Básica e apoio técnico-científico. Aos estados, coube a responsabilidade pelo ensino médio e ação supletiva em relação aos municípios na oferta do ensino fundamental e da educação infantil. Os municípios passaram a ser responsáveis pela oferta da educação infantil e ensino fundamental. Um dos grandes problemas na LDB de 96 diz respeito à forma como estão estipuladas as responsabilidades entre os entes da federação. Exemplo: grande responsabilidade dos municípios – ente federado com menor arrecadação – responsável pela oferta de um período educacional maior, somando-se os anos que as crianças deverão cumprir na educação infantil e ensino fundamental, totalizando 14 anos e também, devido ao elevado custo de construção e manutenção de creches e pré-escolas, mesmo tendo sido criado pela LDB, fundo para o financiamento da educação. Para que os estados e municípios possam cumprir com suas responsabilidades em relação à educação, foi criado o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização do Magistério (FUNDEB). Os recursos do FUNDEB podem ser empregados em: • Remuneração e aperfeiçoamento do pessoal; • Manutenção e construção dos equipamentos; • Estudos estatísticos, visando expansão e melhoria do ensino; • Realização de atividades-meio; • Compra de material didático-escolar; • Bolsas de estudo; • Manutenção de programas de transporte escolar. (municipal e estadual). Em relação à reorganização do Sistema Nacional de Educação, conforme a LDB de 96 ficou assim estruturado: • Educação Infantil: creche (0 a 3 anos) e pré-escola (4 a 5 anos), visando o desenvolvimento integral da criança (Art. 29 a 31); • Ensino Fundamental: (mínimo 9 anos) com o objetivo de desenvolver a capacidade de aprender, fortalecer os vínculos da família, da solidariedade e tolerância – pelo menos 4 horas de trabalho diário. (Art. 32-34) • Ensino Médio: (mínimo 3 anos) aprofundamento dos estudos, tecnologia e preparação para o trabalho. (Art. 35-36). Um dos retrocessos mais significativos está relacionado à nova configuração do Sistema Nacional de Educação e diz respeito à desvinculação da Educação Profissional do Ensino Médio. Da forma como está estipulado na LDB de 1996, os jovens que optarem pela educação profissional não terão a possibilidade de progressão para o ensino superior se não fizerem antes, depois ou concomitantemente o ensino médio. A Lei nº 9.394/96 estabelece a formação necessária para o exercício da docência estabelecendo a exigência de ensino superior, prioritariamente, em cursos de graduação do tipo licenciatura para o exercício da docência no ensino fundamento do 6º ao 9º ano e no ensino médio. Exigência de, no mínimo, curso de pós-graduação Lato sensu para o exercício da docência no ensino superior. Estabeleceu a exigência pela formação em nível superior e manteve a exigência da formação em nível técnico, em curso de magistério para os profissionais que optarem pela docência na educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental. Assim, para lecionar na educação infantil e do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, os professores poderão ser formados em nível superior e ou em nível técnico. Tal continuidade no caso da manutenção da exigência da formação no magistério tem acarretado dificuldades na progressão na carreira docente e de construção pelos municípios e estados de projetos para a carreira docente. Para Demo (1997), continuidades importantes permaneceram a exemplo dos problemas relacionados à remuneração, à formação e à capacitação dos profissionais da educação que têm sido apontados como fatores que contribuem para a pouca qualidade do ensino no país. Para o autor, problemas relacionados à articulação entre os entes federados na oferta da educação, processo de descentralização da educação, gestão democrática das instituições de ensino, financiamento da educação, mecanismos confiáveis sobre a qualidade da educação, apesar de constarem na LDB de 1996, foram apresentados de forma pouco específica, necessitando, portanto, de detalhamento para que possam ser efetivados de forma eficiente e eficaz. Cury (2015) afirma que “um ponto a ser destacado na LDB é a maior consciência e presença do direito à educação infantil e o direito à diferença como os relativos às fases da vida, às pessoas com deficiência, às populações indígenas e negras, entre outros”. Para o autor, essa maior conscientização da sociedade e do meio político no país em relação à educação como direito e a diversidade são avanços significativos presentes na LDB de 96. A Lei n° 9394 de 1996 ainda versa sobre a gestão democrática das instituições de ensino, processo avaliativo, avaliação institucional e avaliação da qualidade da educação e dispões sobre a criação de um plano para o desenvolvimento da educação. Em 2016, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação passou por uma alteração onde modifica os currículos dos ensinos médio e fundamental. Na próxima unidade, discutiremos mais sobre os currículos, sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e sobre a avaliação da qualidade da educação. SAIBA MAIS! SAIBA MAIS! Aprofunde seu aprendizado! Veja os materiais complementares disponíveis no AVA. Assista também aos vídeos: 1 - D02 - LDB - Entrevista com Carlos Roberto Jamil Cury. Disponível em 2 - Milton Santos - Por uma outra globalização - Editado para fins didáticos. Disponível em Leia tambémos textos complementares: 1 - LIBÂNEO, J.C. Políticas educacionais no Brasil: desfiguramento da escola e conhecimento escolar. Cadernos de Pesquisa, v.46 n.159 p.38-62 jan./mar. 2016. Disponível em 2 - BRASIL, Lei de Diretrizes e B. Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Disponível em UNIDADE IV – POLÍTICAS EDUCACIONAIS - EVOLUÇÃO HISTÓRICA E CONSTITUIÇÃO DO CURRÍCULO ESCOLAR NO BRASIL Nesta unidade, serão discutidos a evolução do currículo em uma perspectiva histórica e no campo das políticas educacionais, bem como o processo de constituição do currículo escolar no Brasil e o papel do currículo escolar no ensino fundamental e no ensino médio. Evolução Histórica e Constituição Do Currículo Escolar no Brasil Estudiosos do campo do currículo com Apple (1979), Freire (1993) e Giroux (1998), constataram em suas pesquisas e estudos que desde o início do processo de constituição, organização ou reestruturação dos sistemas de ensino em diversos países e no Brasil não é diferente, o campo das discussões sobre o currículo escolar. Configurando-se como um campo de disputas políticas, econômicas, sociais e culturais. Na atualidade, o que deve ser ou não ensinado na escola, como ensinar e como se consolida a aprendizagem, para quem (quem são os sujeitos da aprendizagem), práticas, metodologias, métodos e técnicas que devem ser empregadas na promoção da aprendizagem e na avaliação da aprendizagem, formação de professores, concepções filosóficas, sociológicas e pedagógicas, impactos das tecnologias, dentre outras ainda configuram cenário fecundo de estudos e de criação de teorias sobre o currículo escolar. O consenso no campo do currículo escolar se refere à necessidade de se repensar o currículo escolar e de se reformar/reestruturá-lo a fim de atender às necessidades de um mundo globalizado e de uma sociedade tecnológica que têm acarretado mudanças de forma acelerada no mundo do trabalho, na (re)configuração social e política, nos processos comunicacionais, acesso à informação, novas formas de manifestação e construção de identidades culturais e de gênero e necessidade de desenvolvimento de novas habilidades e competências, principalmente, psicossociais. No que diz respeito às politicas educacionais, o currículo, historicamente, sempre foi um campo de intensos debates e disputas, envolvendo diversos atores com pontos de vista e concepções diversas. Shubert (1998) afirma que “quando questões fundamentais de currículo não são dirigidas por educadores, os caprichos econômicos ou políticos formam o caminho e as práticas educacionais são governadas à revelia.” (p.1). A partir do exposto, conhecer e compreender a evolução histórica do currículo escolar é fundamental para efetivar reformas nos sistemas educacionais, da escola e mudanças sociais (Kliebard, 1995). O currículo escolar tem se constituído como campo de poder1 e disputas políticas, econômicas, sociais e culturais. O poder se manifesta de diferentes formas, entre elas: Escolha das disciplinas que irão compor o currículo escolar, a hierarquia entre elas (disciplinas mais valorizadas e menos valorizadas no currículo escolar); Escolha dos conteúdos, ou seja, do que irá ser ensinado (entre o saber popular, cultural e o conhecimento científico); Existência de trajetórias diferenciadas de formação. Ao longo da história do currículo escolar tivemos trajetórias de formação diferenciadas pelo gênero (havia um currículo para meninas e outro para meninos, assim como, escolas separadas para um e o outro sexo e classes separados). A coeducação é recente no país;2 Lutas das classes sociais e pelo reconhecimento da diversidade étnica, cultural, religiosa, etc;3 Concepções pedagógicas que irão orientar o trabalho pedagógico; Teorias sobre o currículo;4 1 Para aprofundamento na questão do currículo como campo de lutas e disputas sociais, políticas, econômicas e culturas, indico a leitura do artigo “A luta pela democracia na educação crítica” de Michael Apple. 2 Para saber mais indico a leitura do artigo “Corpo, escola e identidade” de Guacira Lopes Louro. 3 Esta é uma questão atual e complexa e indico a leitura dos autores: Pierre Bourdieu, Profa. Marlucy Alves Paraíso e Profa. Nilma Lino Gomes. Sujeito que se deseja formar bem como que sociedade se deseja construir. Todas essas discussões se fizeram parte do processo de discussão e elaboração da LDB, Lei nº 9.394/96. Isso porque, refletir sobre currículo é pensar, por um lado, em projeto de nação, em formação humana, em concepção de homem e de sociedade, em diversidade e pluralidade social e linguística, em preparação para o mundo do trabalho e para a inserção crítico-cidadã no mundo em que vivemos, dentre outras temáticas que se constituem embates, tensões e dilemas nessa área ou campo do conhecimento. Mas, por outro, é pensar no dia-a-dia do trabalho das escolas e dos professores, pois o currículo é elemento basilar do processo ensino aprendizagem, expresso por meio de conteúdos, conhecimentos, habilidades, atitudes, valores e experiências diversas, decorrente da ação teórico-prática e didático-pedagógica dos professores (REIS; OLIVEIRA, s/d). Uma das discussões mais importantes se refere ao que se entende por currículo escolar. Libâneo, Oliveira e Toschi (2003) afirmam que: Há muitas definições de currículo: conjunto de disciplinas, resultados de aprendizagens pretendidas, experiências que devem ser proporcionadas aos estudantes, princípios orientadores da pratica, seleção e organização da cultura. No geral, compreende-se currículo como um modo de seleção da cultura produzida pela sociedade para a formação dos alunos; é tudo que se espera seja aprendido e ensinado na escola. (LIBÂNEO, OLIVEIRA, TOSCHI, 2003, p. 362) A LDB destina poucos artigos para a proposição de diretrizes para o currículo escolar. No art. 26 estabelece que os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. 4 Indico a leitura de artigos de Tomaz Tadeu da Silva. O art. 27 versa sobre as diretrizes que nortearão a constituição do currículo escolar, sendo elas, a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática e orientação para o trabalho. No artigo 28 são tratadas especificidades da educação básica para a rural, estipulando a necessidade de calendário escolar, conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural, dentre outros. A Lei nº 9.394/96 estipula à União, a competência de estabelecer diretrizes para a educação básica que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos de modo a assegurar a formação básica comum em colaboração com os estados, e os municípios. O Conselho Nacional de Educação - CNE (re) criado pela lei nº 9.131/1995, se constitui órgão responsável por normatizar e supervisionar a educação nacional e desde 1998 vem elaborando diretrizes curriculares nacionais (DCN's) para todos os níveis, etapas e modalidades de educação no Brasil (OLIVEIRA, 2009). A LDB estabelecea criação de uma base curricular nacional, mas, diante das discussões, consultas públicas para a construção deste documento e trâmite político que demandaria tempo, em 1997, o governo federal criou os Parâmetros Curriculares Nacionais, uma referência (não obrigatória) para a elaboração dos currículos das unidades educacionais e, para a Educação Infantil, os Referenciais Curriculares Nacionais. Documentos marcados por diversas críticas, entre elas sobre autonomia dos estados, municípios, da sociedade, das escolas na construção do currículo. Lopes (2004) chama a atenção para [...] as práticas e as propostas desenvolvidas nas escolas também são produtoras de sentidos para as políticas curriculares [...] Assim, nesse esforço de reinterpretação dos textos oficias de currículo os professores se utilizam de diversos recursos para implementá-los. Eles leem, interpretam, concordam, discordam, elaboram, reelaboram e implementam as recomendações conforme suas concepções, convicções, conhecimentos e experiências didático-pedagógicas. Portanto, os professores também são produtores das políticas [curriculares] existentes, seja quando incorporam princípios oficiais, seja quando resistem, pois sempre se estabelecem processos de reinterpretação e de criação de sentidos. (p. 197) De acordo com os PCNs (1997), o currículo do Ensino Fundamental é entendido, como constituído pelas experiências escolares que se desdobram em torno do conhecimento, permeadas pelas relações sociais, buscando articular vivências e saberes dos estudantes com os conhecimentos historicamente acumulados e contribuindo para construir as identidades dos estudantes. Assim, pode-se inferir que a concepção de currículo escolar conforme PCNs é que o currículo não é neutro, representa escolhas de aprendizagens; que considera as relações entre currículo escolar, ou seja, o que será ensinado e cultura, reconhece a multiculturalidade e a diversidade como elementos constitutivos do processo ensino aprendizagem. Neste documento, a diversidade entendida como a construção histórica, cultural e social das diferenças. Em 2011, foram aprovadas as Diretrizes Curriculares Nacionais, dessa vez de implantação obrigatória. O documento contempla os princípios, fundamentos e procedimentos que devem orientar as práticas em toda a Educação Básica, ressaltando a organização e a articulação dos sistemas de ensino e também as práticas pedagógicas dos docentes. Passo seguinte foi a intensificação dos esforços para a elaboração da Base Nacional Comum Curricular. O processo de constituição da BNCC, de sua homologação e de implantação foi e é marcado por embates, mas, o consenso se dá no entendimento de que é obrigatório e urgente repensar a formação de professores e de profissionais para a educação e reformular os cursos de graduação licenciaturas. Para que, de fato as diretrizes da BNCC possam ser desenvolvidas na sala de aula, uma vez que não adianta exigir mudança na sala de aula sem dar condições aos docentes, pois, é preciso que as diretrizes contidas na BNCC possam ser incorporadas ao projeto político pedagógico das escolas e nas salas de aula. Nas palavras do Ministro da Educação à época, Rosieli Soares, durante cerimônia de entrega da BNCC ao Conselho Nacional de Educação (CNE). “Concluímos a discussão sobre quais são os direitos de aprendizagem, as competências e as habilidades essenciais para os nossos alunos na educação básica. Agora, precisamos dizer ao Brasil o que é ser um bom professor, quais são as competências e habilidades necessárias para ele, especialmente com foco na prática pedagógica, numa visão mais próxima da sala de aula”, (Rossieli Soares, 2018). Base Nacional Comum Curricular O processo de construção da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) teve início logo após a promulgação da Constituição Federal de 1988, mas, só a partir de 2015 ocorreu a sistematização do processo e em 2017 foi homologada a BNCC para a Educação Infantil e Ensino Fundamental e em 2018, a do Ensino Médio com implementação em todo o país, em todos os sistemas de ensino e escolas públicas e privadas em 2020. Foi um longo o processo de elaboração da BNCC e envolveu a apresentação, debates e discussão de ideias, propostas e projetos com a participação dos governos estaduais e municipais, intelectuais, especialistas nas diversas áreas do conhecimento (Educação, Sociologia, Filosofia, Psicologia, dentre outras), gestores escolares, professores, representantes dos setores produtivos e da sociedade e organizações diversas. O processo de constituição da BNCC, de sua homologação e de implantação foi e é marcado por embates, mas, o consenso se dá no entendimento de que é obrigatório e urgente repensar a formação de professores e de profissionais para a educação e reformular os cursos de graduação licenciaturas. PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA BNCC A BNCC é compreendida com um conjunto de “conhecimentos, saberes e valores produzidos culturalmente, expressos nas políticas públicas e que são gerados nas instituições produtoras do conhecimento científico e tecnológico; no mundo do trabalho; no desenvolvimento das linguagens; nas atividades desportivas e corporais; na produção artística; nas formas diversas e exercício da cidadania; nos movimentos sociais” (Resolução nº 4, de 13 de julho de 2010, Define Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica, Art. 14). O documento define um conjunto de dez competências gerais que devem ser desenvolvidas de forma integrada aos componentes curriculares, ao longo de toda a educação básica. As competências foram definidas a partir dos direitos éticos, estéticos e políticos assegurados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais e de conhecimentos. As competências básicas “consubstanciam, no âmbito pedagógico, os direitos de aprendizagem e desenvolvimento” (BNCC, 2017). A BNCC define competência como a “mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemo- cionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho” (BNCC, 2017). A BNCC não é o currículo nacional, mas, um documento orientador curricular, cabendo aos estados e municípios construírem os currículos para os seus respectivos sistemas de ensino a partir dos princípios e aprendizagens definidos na BNCC. Conforme texto da BNCC, “nesse sentido, espera-se que a BNCC ajude a superar a fragmentação das políticas educacionais, enseje o fortalecimento do regime de colaboração entre as três esferas de governo e seja balizadora da qualidade da educação” (BNCC, 2017, p. 8). ESTRUTURA CURRICULAR BNCC Fonte: INEP/MEC 2018. Fonte: INEP/MEC 2018 Diante da necessidade de se repensar a educação brasileira, diante de uma contexto de mudanças sociais, econômica e políticas e em função do desenvolvimento tecnológico, o ensino médio foi que sofreu mais alterações passando a ser composto pela Base Nacional Curricular Comum e por itinerários de formativos, ofertado com diferentes arranjos curriculares, conforme apresentado no esquema: ESTRUTURA CURRICULAR ENSINO MÉDIO Fonte: INEP/MEC 2018 A BNCC define as competências gerais (conjunto de 10 competências para a Educação Básica) e áreas do conhecimento: linguagens e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; ciências humanas e sociais aplicadas; formação técnica e profissional (LDB, Art. 36). Conforme BNCC: Essa estrutura adota a flexibilidade como princípio de organização curricular, o que permite a construção de currículos e propostas pedagógicas que atendam mais adequadamente às especificidades locais e à multiplicidade de interesses dos estudantes,