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A pregação dos úl mos dois domingos foi feita em Romanos 8:18-30, um trecho que minha bíblia na tradução NVI in tulou como A GLÓRIA FUTURA. Ele é uma con nuação direta da segunda parte do versículo 17, que diz: “se de fato par ciparmos dos sofrimentos de Cristo, também par ciparemos da Sua glória”. Há uma quebra brusca no andamento do texto nesse momento, uma vez que o capítulo se inicia falando que já não há mais condenação para quem está em Cristo e agora somos apresentados ao sofrimento, que será desenvolvido nos versículos seguintes. Ouvindo uma pregação sobre esse trecho de Romanos, o pastor trouxe uma reflexão an ga e famosa de um filósofo que corresponde a uma dúvida muito comum nos meus diálogos com amigos de fora da igreja. Uma dúvida que é importante que a gente saiba discorrer e é respondida nesse capítulo. A reflexão é feita em torno de 3 premissas, em que apenas 2 poderiam ser verdade simultaneamente: 1- Deus é bom; 2- Deus é todo-poderoso; 3- O mal existe. Deus sendo bom e todo-poderoso: A conclusão é claramente falsa, pois o mal existe e experimentamos o sofrimento. Deus sendo bom e o mal exis ndo: Deus não poderia ser todo-poderoso, pois ele é bom, e sendo bom ele deveria desejar remover o mal do mundo e ainda assim o mal persis ria, por Deus não ter poder suficiente. Deus sendo todo-poderoso e o mal exis ndo: Temos talvez a pior hipótese, a de que Ele não pode ser bom. Se ele tem o poder para acabar com o sofrimento e mesmo assim o mal existe, é dito que Deus seria mal. Quando olhamos essa construção parece que temos realmente um paradoxo. Como podemos explicar um Deus bondoso, um Deus todo-poderoso e ainda assim explicar o sofrimento? Uma premissa tão verdadeira quanto as 3 anteriores ao mesmo tempo é a queda do homem, o peso do pecado e a influência disso no nosso entendimento. Vamos entender a resposta para a reflexão: v.18: Não se pode comparar não porque nosso sofrimento é pouco, considerando principalmente que temos uma vida inteira de sofrimento, o parto é doloroso, a morte é dolorosa. E sim porque a glória incomparável é eterna. O nosso sofrimento mesmo grande, pode ser dimensionado, já a glória é eterna e será revelada em nós, no úl mo dia, e ela é u lizada nesse versículo como base para suportamos o sofrimento. v.19 a 22: A queda não diz respeito somente aos indivíduos. Adão não representava apenas os homens, mas também toda a criação de Deus. Após a queda, embora houvessem ves gios da criação, tudo não era mais o que foi criado para ser. Como dito em gênesis capítulo 4, foi mul plicado grandemente o sofrimento da mulher na gravidez, a terra foi amaldiçoada, dando espinhos e ervas daninhas, e com sofrimento Adão se alimentaria dela todos os dias da vida dele. Paulo, nesse versículo, u liza uma metáfora com a natureza, expressando sen mentos humanos por meio dela, para mostrar quão gloriosa é a obra que será revelada por nós, de forma que até mesmo toda a criação, e não apenas os homens, anseia por vê-la. (v.20) A criação foi subme da à fu lidade. Nada conduz tanto o ser humano ao desespero quanto a ideia de que tudo aquilo que nós vivemos, todas as nossas experiências, sofrimentos, simplesmente são inúteis. Isso foi estendido para a natureza. (23) E não só isso, mas nós que temos os primeiros frutos do Espírito, ou seja, nós que recebemos uma amostra da glória que há de vir, embora não esteja totalmente relevada, gememos aguardando a revelação final. O gemido da natureza é novamente uma metáfora, mas quanto ao nosso? Gememos não por causa das nossas falhas, não pelo julgo do pecado, uma vez que Paulo disse em Romanos 8:1 que não há mais condenação para os que estão em Cristo Jesus. Não é o gemido pelo peso da ira de Deus, uma vez que diante de nós a ira foi apaziguada. É um gemido de esperança e expecta va pela obra final de Cristo. Podemos ver que nesse úl mo trecho Paulo não se refere a gemidos de sofrimento, mas sim de esperança, conforme evidenciado nos versículos 24 e 25. O caráter dessa esperança não está simplesmente fundamentada, não é uma hipótese, ela é uma certeza, a salvação é uma realidade. Cristo morreu e ressuscitou e está verdadeiramente assentado a destra de Deus. Porém, uma afirmação um pouco mais a frente nos faz retomar o pensamento sobre a necessidade de sofrimento. v. 28: Todas as coisas realmente colaboram para o bem das pessoas que amam a Deus? Qualquer um de nós poderia dizer: Claro que sim, porque está escrito. Então por que nos desesperamos, nos angus amos e temos medo? Isso significa que não temos crido na palavra de Deus fielmente? Será que há uma ponta de dúvida semelhante àquela apresentada pelas 3 premissas no início? Apenas as coisas boas agem para o nosso bem, ou também as coisas que são contrárias à nossa vontade, que nos agridem? O que mais podemos re rar desse versículo? Ele não é para todo ser humano, como é dito no seu final, só vale para todos aqueles que amam a Deus, aqueles que foram chamados segundo o seu propósito. Significa que as outras pessoas não viverão o bem? Isso é algo que enxergamos na nossa realidade? Não, a cegueira dos que não foram chamados por Deus faz com que eles não consigam enxergar o sofrimento como um bem de Deus, apenas um sofrimento com o fim em si mesmo. Para o regenerado, para aquele que ama a Deus e que foi chamado de acordo com o seu propósito, ir de encontro ao sofrimento é ir de encontro a promessa de que Deus tem cuidado de nós. O sofrimento, qualquer que seja, na vida do cristão, sempre terá um sen do glorioso. Nunca será resultado da ira divina, Paulo nos garante que não estamos mais debaixo de condenação (Romanos 8:1-2). Sabemos que o sofrimento não apenas tem sen do, mas que todos eles contribuem para o nosso bem. Perigos de não aceitar o sofrimento: Agir como centro do universo: Vi mizar-se. “Ah, aconteceu isso comigo, aconteceu aquilo, tenham pena de mim”. Vocês percebem que isso pode nos dar uma sensação de ser o centro do universo? A gente tá ali, pra camente lambemos nossas feridas, sem resolver toda a dor do nosso coração. Essa a tude não é apenas comentário simples, não faz do nosso sofrimento apenas uma possibilidade de as pessoas orarem compassivamente, mas ra nossos olhos de Cristo e põe sobre nós mesmos. Não me entendam mal, a gente deve pedir apoio e oração aos irmãos, o que estamos discu ndo é a intenção por trás disso, que deve ser evitada. Segundo problema: Cria, na nossa cabeça, um Cristo completamente desesperado em nos fazer feliz na hora do sofrimento, em não nos permi r sofrer nenhuma dor. Então quando nós sofremos, ques onamos e entramos na posição de juiz de Cristo, de acusador de Cristo. “Por que o Senhor me deixou passar por isso?”. Inverteu-se a ordem (entre juiz e acusado). A gente esquece que quando Cristo morreu por nós, não foi por causa de nós, mas por causa de Deus. Esse “por causa” muda tudo. Deus cuida do seu povo, não por causa do seu povo, mas por causa de Cristo, aquele que expiou todos os seus pecados. Uma sugestão de um pastor que ouvi é: Duvide de qualquer Deus que não sangre, duvide de qualquer Deus que não sofra, e como Deus me refiro a divindades de outras religiões ou qualquer coisa que tomar o centro do seu coração. Diferentemente do que poderíamos fazer com outros deuses, nenhum de nós poderia olhar para Jesus e dizer: o Senhor não sabe o que eu estou passando. Essa frase é injusta e acusatória. Mas graças a Deus o sofrimento não é nossa sentença final, consequentemente cada lágrima não é à toa, sem sen do, pois elas nos conformam a imagem de Cristo. Nosso sen mento não é sem sen do, não podemos apontar para Deus e perguntar: “Por que eu, Deus?”. E sempre que fizermos isso, a resposta que ouviremos de Deus é: “Por que não você?”. A pergunta certa é: “Por que Deus reserva pra mim uma glória tal que os sofrimentos do presente se tornam insignificantes? Logo nós, que ofendemos a Deus diariamente, nós que caímos?”.O sofrimento desse mundo é o meio pelo qual Deus tem construído todas as coisas novamente até que seja consumada a sua obra. Qual é a obra de Deus a ser revelada em nós? Versículos 29 e 30.