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2º ano 1º semestre SOF III 1 Anatomia Funcional Nefrónio Cada túbulo renal individual e seu glomérulo é uma unidade – o nefrónio. Cada rim humano possui aproximadamente 1 milhão de nefrónios. O glomérulo, tem cerca de 200 µm de diâmetro, e é formado pela invaginação de um tufo de capilares na extremidade dilatada e cega do nefrónio - cápsula de Bowman. Os capilares são supridos por uma arteríola aferente e drenados pela arteríola eferente, e é a partir do glomérulo que o filtrado é formado. Duas camadas celulares separam o sangue do glomerular filtrado na cápsula de Bowman: Endotélio capilar Epitélio especializado da cápsula Endotélio dos capilares glomerulares É fenestrado, com poros de 70–90 nm de diâmetro. São completamente circundados pela membrana basal glomerular junto com células especializadas chamadas podócitos. o Os podócitos possuem vários pseudópodes que se interdigitam para formar fendas de filtração ao longo da parede capilar. o As fendas têm aproximadamente 25 nm de largura e cada uma é fechada por uma fina membrana. A membrana basal glomerular e a lâmina basal, não contém lacunas ou poros visíveis. Células mesangiais São células estreladas localizadas entre a lâmina basal e no endotélio. Eles são semelhantes às células chamadas pericitos, que são encontradas nas paredes dos capilares em outras partes do corpo. As células mesangiais são especialmente comuns entre dois capilares vizinhos e, nesses locais, a membrana basal forma uma bainha compartilhada por ambos os capilares. São contráteis e desempenham um papel na regulação da filtração glomerular. As células mesangiais secretam a matriz extracelular, absorvem complexos imunes e estão envolvidas na progressão de doenças glomerulares. 2º ano 1º semestre SOF III 2 A membrana glomerular permite a passagem livre de substâncias neutras de até 4 nm de diâmetro e exclui quase totalmente aquelas com diâmetros superiores a 8 nm. A carga nas moléculas, bem como seus diâmetros, afeta sua passagem para a cápsula de Bowman. A área total do endotélio capilar glomerular através da qual ocorre a filtração em humanos é de cerca de 0,8 m2. Túbulo contornado proximal Tem cerca de 15 mm de comprimento e 55 µm de diâmetro. A parede é composta por uma única camada de células que se interdigitam entre si e são unidas por junções apicais. Entre as células estão extensões do espaço extracelular chamadas de espaços intercelulares laterais. As bordas luminais das células têm uma borda em escova estriada devido à presença de muitas microvilosidades. A alça de Henle A porção descendente da alça e a porção proximal do ramo ascendente são compostas de células finas e permeáveis. A porção espessa do ramo ascendente é composta de células espessas que contém muitas mitocôndrias. Os nefrónios com glomérulos nas porções externas do córtex renal têm alças curtas de Henle nefrónios corticais Os nefrónios com glomérulos na região justamedular do corte - nefrónios justamedulares têm longas alças que se estendem para dentro da medular pirâmides. o Em humanos, apenas 15% dos néfrons têm nefrónios justamedulares. As células especializadas na extremidade formam a mácula densa, que está perto da arteríola eferente e, particularmente, da arteríola aferente. ⤷ A mácula, as células lácticas vizinhas e as células granulares secretoras de renina na arteríola aferente formam o aparelho justaglomerular. O túbulo contornado distal, que começa na mácula densa, tem cerca de 5 mm de comprimento. ⤷ Seu epitélio é inferior ao do túbulo proximal e, embora algumas microvilosidades estejam presentes, não há borda em escova distinta. 2º ano 1º semestre SOF III 3 Os túbulos distais coalescem para formar dutos coletores com cerca de 20 mm de comprimento e passam pelo córtex renal e medula para desaguar na pelve do rim nos ápices das pirâmides medulares. O epitélio dos ductos coletores é formado por: ⤷ Células principais células P o Predominam, são relativamente altas e têm poucas organelas. o Eles estão envolvidos na reabsorção de Na+ e reabsorção de água estimulada por vasopressina. ⤷ Células intercaladas - células I o Estão presentes em menor número e também nos túbulos distais, têm mais microvilosidades, vesículas citoplasmáticas e mitocôndrias. o São importantes na homeostasia ácido-base, através da secreção de ácido e transporte de HCO3−. As células renais que parecem ter função secretora incluem não apenas as células granulares do aparelho justaglomerular, mas também algumas das células do tecido intersticial da medula. Essas células são chamadas de células intersticiais medulares renais - RMICs e são células especializadas semelhantes a fibroblastos. Eles contém gotículas lipídicas e são um dos principais locais de expressão da ciclooxigenase 2- COX-2 e da prostaglandina sintase - PGES ⤷ PGE2 é o principal prostanóide sintetizado no rim e é um importante regulador parácrino de sal e homeostase da água. ⤷ A PGE2 é secretada pelos RMICs, pela mácula densa e por células nos ductos coletores ⤷ prostaciclina (PGI2) e outras prostaglandinas são secretadas pelas arteríolas e glomérulos. Vasos sanguíneos Uma única grande artéria renal, um ramo lateral da parte abdominal da aorta, supre cada rim. Normalmente, esses vasos surgem imediatamente inferiores à origem da artéria mesentérica superior entre as vértebras LI e LII. A artéria renal esquerda, em geral, surge um pouco superior à direita; e a artéria renal direita é mais longa e passa posteriormente à veia cava inferior. Da artéria renal dá origem às artérias segmentares e destas surgem as artérias interlobares, que ascendem no interior das colunas renais até ao córtex. Próximo da base de cada pirâmide, os ramos das artérias interlobares divergem e arqueiam-se sobre ela, formando as artérias arciformes. As artérias interlobulares projetam-se a partir das artérias arciformes para dentro do córtex. 2º ano 1º semestre SOF III 4 Destas artérias derivam as arteríolas aferentes. Estas artérias irrigam os capilares glomerulares dos corpúsculos renais. As arteríolas eferentes divergem a partir dos capilares glomerulares e drenam o sague do glomérulo. ⤷ A arteríola eferente de cada glomérulo se divide em capilares que irrigam vários nefrónios diferentes. Assim, o túbulo de cada nefrónio não necessariamente recebe sangue exclusivamente da arteríola eferente do próprio nefrónio. Após abandonar o glomérulo, cada arteríola eferente dá origem a um plexo de capilares denominados capilares peritubulares que rodeiam os túbulos proximais e distais. Porções especializadas dos capilares peritubulares – vasa recta, penetram na medula acompanhando as ansas de Henle. ⤷ As vasa recta descendentes têm um endotélio não fenestrado que contém um transportador facilitado para a ureia ⤷ As vasa recta ascendentes têm um endotélio fenestrado, consistente com sua função na conservação de solutos. Os capilares peritubulares drenam para as veias interlobulares, que por sua vez drenam para as veias arciformes. Estas drenam para as veias interlobares que vão drenar na veia renal. A veia renal sai do rim e entra na veia cava inferior. Reflexo da micção Conforme a bexiga enche, muitas contraçõesde micção se sobrepõem ao tônus basal e começam a aparecer. Estas contrações são o resultado do reflexo de estiramento iniciado pelos recetores sensoriais de estiramento na parede vesical. ⤷ Estes recetores estão presentes principalmente na uretra posterior, quando esta começa a ser preenchida com urina nas pressões vesicais mais elevadas. Os sinais sensoriais dos recetores de estiramento da bexiga são conduzidos aos segmentos sacrais da medula pelos nervos pélvicos. Quando a bexiga está apenas parcialmente cheia, as contrações de micção geralmente desaparecem de modo espontâneo após frações de minutos. ⤷ Isto ocorre devido ao relaxamento do músculo detrusor que leva também à diminuição da pressão para a linha de base. 2º ano 1º semestre SOF III 5 Conforme a bexiga se enche, os reflexos de micção ficam mais frequentes e causam maiores contrações do músculo detrusor. Uma vez iniciado o reflexo de micção é autorregenerativo, ou seja, a contração inicial da bexiga ativa a geração de mais estímulos sensoriais pelos recetores de estiramento da parede da bexiga e da uretra posterior. O reflexo da micção é um ciclo único completo com: 1. Aumento rápido e progressivo da pressão 2. Período de pressão sustentada 3. Retorno da pressão ao tônus basal da bexiga Quando o reflexo de micção se torna suficiente para esvaziar a bexiga, ele produz outro reflexo para relaxar o esfíncter externo através dos nervos pudendos. ⤷ Caso o relaxamento do esfíncter seja mais potente que a inibição voluntária, a micção ocorre. ⤷ Caso contrário, a micção não ocorre até que a bexiga se encha mais e o reflexo da micção se torne suficiente para sobrepor a inibição voluntária. Formação de urina As intensidades com que as diferentes substâncias são excretadas na urina representam a soma de três processos: 1. Filtração glomerular a. Corresponde ao movimento do líquido através da membrana de filtração, me resultado da diferença de pressão. b. Os líquidos após a sua entrada no nefrónio denominam-se filtrado. 2. Reabsorção de substâncias dos túbulos renais para o sangue a. É o retorno ao sangue de substâncias existentes no filtrado. b. Em geral a maior parte da água e dos solutos úteis são reabsorvidos, já os produtos de degradação, excesso de solutos e uma pequena quantidade de água não o são. 3. Secreção de substâncias do sangue para os túbulos renais a. É o transporte ativo das substâncias para o nefrónio. b. A urina produzida pelos nefrónios é constituída por solutos e água que foram filtrados e pelas substâncias secretadas no nefrónio, com a exceção das que são reabsorvidas 2º ano 1º semestre SOF III 6 A formação da urina começa quando grande quantidade de líquido praticamente sem proteínas é filtrado dos capilares glomerulares para o interior da cápsula de Bowman. A maior parte das substâncias no plasma, exceto proteínas, é livremente filtrada, de forma que a concentração dessas substâncias no filtrado da cápsula de Bowman é a mesma que no plasma. Conforme o filtrado glomerular sai da cápsula de Bowman e flui pelos túbulos, ele é modificado pela reabsorção de água e solutos específicos. Existem 4 possibilidades que podem acontecer com as substâncias presentes no filtrado: A ⤷ A substância é livremente filtrada pelos capilares glomerulares, mas não é reabsorvida nem secretada. ⤷ A intensidade de excreção é igual à intensidade com que foi filtrada. ⤷ Certas substâncias indesejáveis (creatinina) são removidas pelos rins desta maneira, permitindo a excreção de praticamente todo o filtrado. B ⤷ A substância é livremente filtrada, mas é também parcialmente reabsorvida pelos túbulos de volta para a corrente sanguínea. ⤷ A intensidade da excreção urinária é menor que a da filtração pelos capilares. Neste caso a excreção é calculada como sendo a intensidade de filtração menos a da reabsorção. ⤷ Típico de eletrólitos como Na+ e Cl-. C ⤷ A substância é livremente filtrada, mas não é excretada na urina, uma vez que toda a substância é reabsorvida pelos túbulos da volta para a corrente sanguínea. ⤷ Ocorre com algumas substâncias nutricionais, como aminoácidos e glicose. Isto permite a conservação destas substâncias nos líquidos corporais. D ⤷ A substância é livremente filtrada, mas não é reabsorvida, sendo secretada para os túbulos renais ⤷ Ocorre com ácidos e bases orgânicas, permitindo que estas substâncias sejam rapidamente retiradas do sangue pra serem excretadas em grandes quantidades na urina. 2º ano 1º semestre SOF III 7 Cada um dos processos – filtração, reabsorção, excreção – é regulado de acordo com as necessidades corporais. Ex: Quando existe um excesso de sódio no corpo, a intensidade co que o sódio é filtrado aumenta e uma pequena fração de sódio é reabsorvido, resultando numa excreção aumentada de sódio. Assim, ajustes subtis na filtração glomerular ou na reabsorção tubular podem levar a alterações relativamente grandes da excreção renal. Filtração À porção do débito cardíaco que passa pelo rim chama-se fração renal. A quantidade de sangue que atravessa os rins por minuto é débito renal, sendo de 1176 ml/min. O plasma que circula pelos rins em cada minuto, denominado débito plasmático renal, é igual ao débito renal x a porção do sangue constituída por plasma A porção do plasma circulante no rim que é filtrada pelas membranas de filtração para o lúmen da cápsula de Bowman a fim de ser transformada em filtrado é denominada fração de filtração. A quantidade de filtrado produzida por minuto é a taxa de filtração glomerular – TFG e equivale a aproximadamente 180 l de filtrado produzidos diariamente. Uma vez que, num indivíduo saudável, só um a dois litros de urina são produzidos por dia, é óbvio que nem todo o filtrado se transforma em urina. Cerca de 99% do seu volume é reabsorvido no nefrónio, restando menos de 1% que é transformado em urina. Barreira de filtração A membrana de filtração constitui uma barreira de filtração, que impede a entrada de células e proteínas sanguíneas no lúmen da cápsula de Bowman, mas permite a entrada de outros componentes do sangue. A membrana de filtração é muitas vezes mais permeável do que um capilar típico. ⤷ A água e os solutos de pequeno diâmetro molecular passam facilmente dos capilares glomerulares para a cápsula de Bowman através da membrana de filtração, mas as moléculas maiores não. 2º ano 1º semestre SOF III 8 As fenestras dos capilares glomerulares, a membrana basal e os podocitos impedem que as moléculas com diâmetro superior a 7 nm ou massa molecular superior a 40.000 daltons as atravessem. ⤷ A maioria das proteínas plasmáticas tem um diâmetro ligeiramente superior a 7 nm, sendo por isso retidas nos capilares glomerulares. ⤷ Consequentemente, são poucas as proteínas encontradas na urina de um indivíduo saudável. Pressão de filtração A formação do filtrado depende de um gradiente de pressão denominado pressão de filtração, que força os líquidos a passar do capilar glomerular para o lúmen da cápsula de Bowman através da membrana de filtração. A pressão de filtração resulta do somatório das forças que impulsionam o líquido do capilar glomerular para o lúmen da cápsula de Bowman e das que o fazem em sentido inverso. Forças que forçam a entrada do líquido capilar nacápsula: A pressão do capilar glomerular - PCG, ou pressão sanguínea no interior dos capilares, força a entrada do líquido capilar na cápsula de Bowman. ⤷ O seu valor é cerca de 45 mm Hg, muito superior à dos outros capilares. Forças que se opõem: A pressão hidrostática da cápsula – PHC, originada pela pressão do filtrado já existente na cápsula de Bowman. ⤷ O seu valor é de aproximadamente 10 mm Hg. A pressão oncótica POC, ou pressão colóide osmótica, resultante da presença de proteínas plasmáticas não filtradas no capilar glomerular ⤷ Produz uma força osmótica de cerca de 28 mm Hg que impulsiona o líquido da cápsula de Bowman para o capilar glomerular. 2º ano 1º semestre SOF III 9 Reabsorção tubular O filtrado deixa o lúmen da cápsula de Bowman e passa pelo túbulo proximal, ansa de Henle e túbulo distal, túbulo coletor até chegar ao tubo coletor, para ser excretado como urina. Ao longo desse curso, algumas substâncias são seletivamente reabsorvidas dos túbulos de volta para o sangue, enquanto que outras são secretadas do sangue para o lúmen tubular. Isto resulta da soma de 3 processos renais básicos: filtração glomerular, reabsorção tubular e secreção tubular. A reabsorção tubular é quantitativamente grande e muito seletiva A intensidade com que cada uma dessas substâncias é filtrada é calculada: Os processos de filtração glomerular e de reabsorção tubular são quantitativamente maiores, em relação à excreção urinária, para muitas substâncias. Isto significa que uma pequena alteração na filtração glomerular ou da reabsorção tubular é capaz de causar alterações relativamente grandes na excreção urinária. Diferente da filtração glomerular, que é relativamente não seletiva (praticamente todos os solutos do plasma são filtrados, exceto proteínas ou solutos ligados a estas), a reabsorção tubular é muito seletiva. Algumas substâncias como a glicose e aminoácidos são quase completamente reabsorvidas pelos túbulos, de forma que a intensidade de excreção é quase nula Muitos iões como Na+, Cl- e HCO3 -, também são muito reabsorvidos, mas as suas intensidades de reabsorção e de excreção são variáveis. Resíduos de produtos, ureia, creatinina, são pouco reabsorvidos, sendo excretadas em quantidades elevadas. A secreção é responsável por quantidades significativas de K+, H+ e outras poucas substâncias aparcerem na urina. Através do controle da intensidade da reabsorção de certas substâncias, os rins regulam a excreção de solutos, independentes uns dos outros, sendo uma característica essencial para o controle preciso da composição dos líquidos corporais. 2º ano 1º semestre SOF III 10 A reabsorção tubular inclui mecanismos passivos e ativos Para que as substâncias sejam reabsorvidas, elas tem de ser: 1. Transportada através das membranas epiteliais tubulares para o líquido intersticial renal 2. E posteriormente através da membrana dos capilares peritubulares, retornar ao sangue A reabsorção através do epitélio tubular para o líquido intersticial inclui transporte ativo ou passivo. A água e os solutos podem ser transportados o Via transcelular – através das membranas celulares o Via paracelular – através dos espaços juncionais entre as junções celulares Após a absorção, através das células epiteliais tubulares, para o líquido intersticial, a água e os solutos são transportados pelo restante caminho através das paredes dos capilares peritubulares, para o sangue, por ultrafiltração. Transporte ativo Pode mover o soluto contra o gradiente eletroquímico e requer energia derivada do metabolismo Transporte ativo primário ⤷ O transporte que é acoplado diretamente à fonte de energia – ATP ⤷ Um exemplo é a bomba de sódio-potássio ATPase que funciona ao longo da maior parte do túbulo renal Transporte ativo secundário ⤷ É acoplado indiretamente à fonte de energia, por exemplo a fornecida por gradiente iónico ⤷ Um exemplo é a reabsorção de glicose pelo túbulo renal A água é sempre reabsorvida por osmose. Processo passivo movido pelos gradientes de pressão hidrostática e coloidosmótica 2º ano 1º semestre SOF III 11 Os solutos podem ser transportados através das células epiteliais ou por entre células As células tubulares renais, são mantidas unidas por junções oclusivas, atrás das junções encontram-se os espaços intracelulares. Os solutos podem ser reabsorvidos ou secretados: → Através das células – Via transcelular → Entre as células movendo-se através das junções oclusivas e dos espaços intracelulares – Via paracelular O transporte ativo primário está ligado à hidrolise de ATP A importância do transporte ativo primário é que ele consegue mover solutos contra o seu gradiente eletroquímico. Nos lados basolaterais da célula epitelial tubular, a membrana celular tem um extenso sistema de sódio-potássio ATPase que hidrolisa ATP e usa essa energia para transportar iões Na+ para fora da célula. Ao mesmo tempo, o K+ é transportado do espaço intersticial para o interior da célula O bombeamento ativo de Na+ para fora da célula favorece a difusão passiva de Na+ através da membrana luminal da célula, do lúmen tubular para o interior da célula por duas razões: 1. Existe um gradiente de concentração que favorece a difusão de Na+ para dentro da célula, pois a concentração intracelular de Na+ é baixa. 2. O potencial intracelular negativo de -70mV atrai iões de carga positiva do lúmen para dentro da célula. Existem também, proteínas transportadoras de Na+ que se ligam aos iões e os transportam para dentro da célula. o Estas proteínas são importantes para o transporte ativo secundário. Esta bomba mantém as concentrações intracelulares de Na+ baixas e de K+ altas. E cria uma carga negativa (-79mV) dentro da célula. 2º ano 1º semestre SOF III 12 O transporte ativo secundário Neste tipo de transporte, duas ou mais substâncias interagem com uma proteína específica de membrana e são ambos transportados através da membrana. Quando uma das substâncias (Na+) se difunde segundo o seu gradiente eletroquímico, a energia libertada é utilizada para mover outra substância (glicose) contra o seu gradiente eletroquímico. Transporte máximo para substâncias que são reabsorvidas ativamente Para a maioria das substâncias reabsorvidas ou secretadas ativamente, existe um limite para a intensidade com que o soluto pode ser transportado – transporte máximo. Este limite é devido à saturação dos sistemas específicos de transporte envolvidos, quando a quantidade de soluto libertada para o túbulo (carga tubular) excede a capacidade das proteínas transportadoras e de enzimas envolvidas no processo de transporte. Por outro lado, existem substâncias que são transportadas ativamente, mas que não exibem transporte máximo. Isto deve ao facto que as substâncias que são reabsorvidas passivamente não demonstram transporte máximo, uma vez que o transporte é determinado por: 1. Gradiente eletroquímico para difusão da substância através da Mb 2. Permeabilidade da membrana para a substância 3. Tempo que o líquido que contém o soluto permanece no túbulo Este tipo de transporte é denominado transporte gradiente-tempo. O transporte ativo secundário não necessita diretamentede ATP, em vez disso, utiliza a fonte de energia libertada pela difusão facilitada simultânea de outra substância 2º ano 1º semestre SOF III 13 Reabsorção e secreção ao longo de diferentes porções do nefrónio Reabsorção tubular proximal A maioria das substâncias reabsorvidas tem que passar através das células que constituem as paredes dos nefrónios. Essas células têm uma superfície apical que forma a superfície interna do nefrónio, uma superfície basal que forma a parede exterior do nefrónio e as superfícies laterais que se ligam às superfícies laterais de outras células do nefrónio. A reabsorção da maioria das moléculas de soluto do túbulo proximal está ligada ao transporte ativo primário do Na+ através da membrana basal das células epiteliais do nefrónio, do citoplasma para o líquido intersticial, criando assim uma baixa concentração de Na+ dentro das células. Na membrana basal da célula, o ATP proporciona a energia necessária para fazer sair o Na+ da célula por troca com o K+, por contra-transporte. Uma vez que a concentração de Na+ no lúmen do túbulo é elevada, existe um grande gradiente de concentração entre o lúmen do nefrónio e o líquido intersticial das células que o revestem. ⤷ Este gradiente de concentração para o Na+ é a fonte de energia para o co-transporte de muitas moléculas de soluto do lúmen do nefrónio para dentro das células que o constituem. As moléculas transportadoras de aminoácidos, glicose e outros solutos estão localizadas dentro da membrana apical, que separa o lúmen do nefrónio do citoplasma das células epiteliais. Cada uma dessas moléculas liga-se especificamente a uma das substâncias a transportar e ao Na+. O gradiente de concentração para o Na+ proporciona a fonte de energia que move o Na+ e as outras moléculas ou iões ligados às moléculas transportadoras do lúmen para dentro da célula do nefrónio. Após a passagem das moléculas por co-transporte para dentro da célula, elas atravessam a membrana basal por difusão facilitada. 2º ano 1º semestre SOF III 14 Alguns solutos também se difundem por entre as células, do lúmen do nefrónio para o líquido intersticial. A concentração desses solutos aumenta à medida que outros solutos são co- transportados e a água passa por osmose do lúmen para o líquido intersticial. À medida que o gradiente de concentração para esses solutos aumenta para valores superiores ao da concentração do líquido intersticial, eles difundem-se por entre as células epiteliais. o Alguns iões K+, Ca2+ e Mg2+ difundem-se, por entre as células da parede do túbulo proximal, do lúmen do túbulo para o líquido intersticial. o Ocorre reabsorção destes solutos por difusão embora sejam também reabsorvidos por co-transporte. A reabsorção de solutos no túbulo proximal é intensiva e o túbulo é permeável à água; por isso, à medida que as moléculas são transportadas do nefrónio para o líquido intersticial, a água desloca-se por osmose na mesma direção. Quando atinge o segmento terminal do túbulo contornado proximal, o volume do filtrado já diminuiu em cerca de 65%. Uma vez que a parede do nefrónio é permeável à água, a sua concentração mantém-se sensivelmente igual à do líquido intersticial (300 mOsm/kg). 2º ano 1º semestre SOF III 15 Reabsorção na Ansa de Henle A ansa de Henle penetra na medula renal, onde a concentração de solutos no líquido intersticial é muito alta. O ramo descendente é altamente permeável à água e moderadamente permeável à ureia, ao sódio e à maior parte dos outros iões. ⤷ Está adaptado para permitir o movimento passivo de substâncias através da sua parede, embora a água o faça muito mais rapidamente do que os solutos. ⤷ À medida que o filtrado passa pelo segmento fino, a água sai do nefrónio por osmose e entram alguns solutos. ⤷ Quando o filtrado atinge o final do segmento, o seu volume já diminuiu outros 15% e a sua concentração iguala a elevada concentração do filtrado no líquido intersticial (1200mOsm/l). 2º ano 1º semestre SOF III 16 Ambos os segmentos do ramo ascendente da ansa de Henle são impermeáveis à água. ⤷ Portanto, não ocorre mais difusão de água a partir do nefrónio durante a sua passagem por este ramo. O ramo ascendente da ansa de Henle é rodeado por líquido intersticial, cuja concentração diminui à medida que se aproxima do córtex. À medida que o filtrado atravessa o segmento fino do ramo, os solutos difundem-se para o líquido intersticial, tornado o filtrado menos concentrado. A água não pode seguir esses solutos porque o segmento fino lhe é impermeável. O segmento espesso não é permeável nem à água nem a solutos No entanto, alguns solutos como o Na+, o K+ e o Cl- são transportados do segmento espesso do ramo ascendente da ansa de Henle para o líquido intersticial, através do co-transporte do K+ e do Cl- conjuntamente com Na+, através da membrana apical. Uma vez dentro das células do ramo ascendente, o Cl– e o K+ atravessam a membrana basal da célula, passando, por difusão facilitada, de uma área de concentração maior dentro da célula para outra exterior e de menor concentração, o líquido intersticial. O gradiente de concentração para o Na+ é criado pelo transporte ativo deste ião para fora da célula, por troca com o K+ através da membrana basal. 2º ano 1º semestre SOF III 17 → Pelo facto de o ramo ascendente da ansa de Henle ser impermeável à água e de os iões serem transportados para o exterior, a concentração dos solutos no nefrónio foi reduzida para cerca de 100 mOsm/kg ao atingir o túbulo distal. → Já a concentração do líquido intersticial no córtex ronda os 300 mOsm/kg, sendo o filtrado que entra no túbulo distal, por conseguinte, muito mais diluído do que o líquido intersticial que o rodeia. Reabsorção no Túbulo Distal e no Tubo Coletor O Cl- é transportado através da membrana apical dos túbulos distais e dos tubos coletores acompanhando o Na+. ⤷ O gradiente de concentração para o Na+ resulta do transporte ativo de Na+ através da membrana basal da célula. Adicionalmente, os tubos coletores estendem-se desde o córtex renal, onde a concentração do líquido intersticial é de aproximadamente 300 mOsm/kg, até à medula, onde a concentração do líquido intersticial é muito elevada. Quando o túbulo distal e o tubo coletor lhe são permeáveis, a água passa por osmose para dentro do líquido intersticial. Consequentemente, é produzido um pequeno volume de urina muito concentrada. Quando o túbulo distal e o tubo coletor estão impermeáveis à água, a passagem desta por osmose não ocorre e, por isso, é produzido um grande volume de urina diluída. 2º ano 1º semestre SOF III 18 Alterações na Concentração dos Solutos no Nefrónio A ureia entra no filtrado glomerular com uma concentração igual à do plasma. À medida que o volume do filtrado diminui no nefrónio, a concentração de ureia aumenta visto que os túbulosrenais não lhe são muito permeáveis, ao contrário do que acontece com a água. Apenas 40-60% da ureia são reabsorvidos passivamente no nefrónio, embora a reabsorção da água se aproxime dos 99%. Para além da ureia, também são reabsorvidos uratos, creatinina, sulfatos, fosfatos e nitratos, embora em menor quantidade que a água, e, por isso, a sua concentração aumenta no filtrado à medida que o respetivo volume vai reduzindo. Estas substâncias são tóxicas se acumuladas no organismo; assim, a sua acumulação no filtrado e eliminação na urina ajudam a manter a homeostase. Secreção Tubular A secreção tubular envolve a passagem de algumas substâncias, incluindo produtos finais do metabolismo que em altas concentrações se tornam tóxicos, bem como drogas ou moléculas geralmente não produzidas pelo organismo, para o nefrónio. Tal como a reabsorção tubular, a secreção tubular pode ser ativa ou passiva. A amónia é sintetizada nas células epiteliais do nefrónio para cujo lúmen se difunde. ⬧ Nas substâncias secretadas ativamente para o nefrónio incluem-se o H+, o K+, a penicilina e o ácido para-amino-hipúrico (PAH). Por exemplo: Um processo de contra-transporte desloca o H+ das células do nefrónio para o seu lúmen. O H+ liga-se às moléculas transportadoras no interior da membrana plasmática e o Na+ liga-se- lhes no exterior da membrana. À medida que o Na+ entra na célula, o H+ sai. ⤷ Os iões H+ secretados são produzidos em resultado da reação entre o dióxido de carbono e a água para formar H+ e HCO3-. As moléculas de contra-transporte secretam H+ para o lúmen do nefrónio e o Na+ entra na célula. 2º ano 1º semestre SOF III 19 Os iões Na+ e HCO3- passam por co-transporte através da membrana basal da célula e entram nos capilares peritubulares. Os iões H+ são secretados para os túbulos proximal e distal e os iões K+ são secretados ativamente no túbulo distal. ⤷ A penicilina e PAH são exemplos de substâncias geralmente não produzidas pelo organismo, mas que são secretadas ativamente para os túbulos proximais. Mecanismo de Concentração da Urina Quando é ingerido um grande volume de água, é necessário eliminar o excesso sem que haja perda excessiva de eletrólitos ou outras substâncias essenciais à manutenção da homeostase. ⬧ Nestas situações, o rim produz um grande volume de urina diluída. Quando não existe água disponível, a produção de grandes volumes de urina diluída conduziria a uma desidratação rápida. ⬧ Assim, quando há restrição da ingestão de água, o rim produz um pequeno volume de urina concentrada, que permite eliminar metabolitos suficientes para evitar a sua acumulação no aparelho circulatório. 2º ano 1º semestre SOF III 20 Os rins são capazes de produzir urina com concentrações entre 65 e 1200 mOsm/kg, mantendo, simultaneamente, a concentração do líquido extracelular em valores próximos de 300 mOsm/kg. A manutenção de uma elevada concentração de solutos na medula, as funções de contra- corrente da ansa de Henle e os mecanismos que controlam a permeabilidade à água do nefrónio distal são essenciais para que os rins controlem o volume e a concentração da urina que produzem. 2º ano 1º semestre SOF III 21 Gradiente de Concentração Medular A capacidade do rim para concentrar a urina depende da manutenção de uma elevada concentração de solutos na medula. A concentração do líquido intersticial é cerca de 300 mOsm/kg na região cortical e aumenta progressivamente ao penetrar na medula, atingindo uma osmolalidade intersticial de 1200 mOsm/kg junto ao vértice das pirâmides renais. A manutenção de solutos altamente concentrados na medula renal depende do funcionamento da ansa de Henle e dos vasa recta, assim como da distribuição da ureia. Os principais mecanismos que criam e mantêm a elevada concentração de solutos na medula renal são: 1. Transporte ativo do Na+ e co-transporte de K+, Cl- e outros iões que saem do segmento espesso do ramo ascendente da ansa de Henle para o líquido intersticial da medula. 2. Difusão de água em quantidade inferior à dos solutos da ansa de Henle para o líquido intersticial. 3. Os vasa recta fornecem sangue à medula renal e removem água e solutos, que entram na medula sem modificarem a elevada concentração de solutos no líquido intersticial da medula. 4. Transporte ativo de iões dos tubos coletores para o líquido intersticial da medula. 5. Difusão passiva da ureia dos tubos coletores para o líquido intersticial da medula. As secções que seguem descrevem o papel de cada um destes mecanismos na manutenção da elevada concentração de solutos na medula renal: 1. Ansa de Henle As paredes do ramo descendente da ansa de Henle são permeáveis à água. ⤷ Quando o filtrado circula na medula renal pelos ramos descendentes, a água difunde- se do nefrónios para o líquido intersticial, mais concentrado. As paredes do ramo ascendente da ansa de Henle são impermeáveis à água. Os solutos difundem-se do segmento fino do ramo ascendente, à medida que este atravessa um líquido intersticial cada vez menos concentrado no seu caminho de retorno ao córtex renal. Os iões Na+, K+ e Cl- são transportados ativamente para fora do segmento espesso do ramo ascendente para o líquido intersticial. ⤷ Assim, a água entra no líquido intersticial a partir dos ramos descendentes e os solutos entram no líquido intersticial a partir dos ramos ascendentes das ansas de Henle (figura 26.14a). 2º ano 1º semestre SOF III 22 2. Vasa recta Os vasa recta são sistemas de contra-corrente que removem o excesso de água e solutos da medula renal sem modificarem as altas concentrações de solutos no líquido intersticial medular. Os vasa recta também irrigam a medula renal. Um sistema de contra-corrente é aquele em que o líquido circula em tubos paralelos, mas em sentidos opostos, e o calor ou substâncias como a água e solutos difundem-se de um tubo para o outro de modo a manter uma composição praticamente idêntica nos dois tubos. Os vasa recta constituem um sistema de contra-corrente porque o sangue circula através deles até à medula e, após a inversão de sentido dos vasos junto ao topo da pirâmide renal, passa a circular na direção oposta. As paredes dos vasa recta são permeáveis à água e solutos. ⤷ Quando o sangue flui no sentido da medula, a água sai dos vasa recta e alguns solutos difundem-se para dentro deles. ⤷ Quando o sangue circula de volta ao córtex, entra água e alguns solutos difundem-se para fora deles. A difusão é tal que a quantidade de água e de solutos que sai da medula para os vasa recta é ligeiramente maior do que a que entra. ⤷ Assim, a composição do sangue em ambos os extremos dos vasa recta é basicamente a mesma, embora o volume e a osmolalidade aumentem ligeiramente quando o sangue regressa ao córtex. As ansas de Henle e os vasa recta estão dispostos paralelamente e as suas funções estão interrelacionadas. ⬧ A água e os solutos que saem das ansas de Henle entram nos vasa recta, que os transportam sem diminuição das altas concentrações de solutos na medula renal. ⬧ A água sai por osmose dos tubos coletores e solutos, pois o Na+ e o Cl-, são transportados ativamente dos tubos coletores para o líquido intersticial da medula renal. ⬧ A água e os solutos que saem dos tuboscoletores também entram nos vasa recta, que os transportam a partir da medula. As ansas de Henle e os vasa recta funcionam em conjunto para manterem a elevada concentração dos solutos no líquidos intersticial da medula e para transportarem a água e os solutos que entram na medula, provenientes das ansas de Henle e dos tubos coletores. 2º ano 1º semestre SOF III 23 3. Ureia As moléculas de ureia são parcialmente responsáveis pela elevada osmolalidade na medula renal. As paredes do ramo descendente da ansa de Henle são permeáveis à ureia, que se difunde para o seu lúmen a partir do líquido intersticial. O ramo ascendente da ansa de Henle e os túbulos distais são impermeáveis à ureia. Os tubos coletores são-lhe permeáveis e, por isso, parte da ureia difunde-se do seu interior para o líquido intersticial da medula. o A movimentação da ureia constitui um ciclo; o Ela passa do líquido intersticial para os ramos descendentes da ansa de Henle; o Depois para os ramos ascendentes; o Passa em seguida pelos túbulos distais, após o que entra nos tubos coletores; o Difunde novamente para o líquido intersticial da medula. Consequentemente, é mantida uma elevada concentração de ureia na medula renal. Resumo das Variações de Volume e Concentração do Filtrado No indivíduo comum, entram nos túbulos proximais cerca de 180l de filtrado por dia. Substâncias como a glicose, os aminoácidos, iões Na+, K+ e Cl- e são transportadas ativamente, enquanto que a água passa por osmose do lúmen dos túbulos proximais para o líquido intersticial. O excesso de água e solutos entra seguidamente nos capilares peritubulares. Consequentemente, aproximadamente 65% do volume do filtrado é reabsorvido à medida que a água e os solutos passam dos túbulos contornados proximais para o líquido intersticial. ⤷ Tanto a osmolalidade do filtrado quanto a do líquido intersticial são mantidas a 300 mOsm/l. O filtrado passa seguidamente para o ramo descendente da ansa de Henle, altamente permeável à água e solutos. ⤷ À medida que o ramo descendente penetra profundamente na medula renal, a osmolalidade do líquido intersticial circundante aumenta progressivamente. ⤷ A água difunde-se para fora do nefrónio à medida que os solutos se difundem lentamente para o seu interior. ⤷ Ao atingir o segmento mais profundo da ansa de Henle, a osmolalidade do filtrado aumentou para cerca de 1200 mOsm/kg e o seu volume foi reduzido em mais 15%. Quando o filtrado atinge o topo da ansa de Henle, um mínimo de 80% do seu volume foi já reabsorvido. 2º ano 1º semestre SOF III 24 Depois de passar pelo ramo descendente da ansa de Henle, o filtrado entra no ramo ascendente, ou segmento espesso. ⤷ Este é impermeável à água, mas permite a passagem de Na+, Cl- e K+ para o líquido intersticial. ⤷ O movimento de iões, mas não da água, através da parede do ramo ascendente faz com que a osmolalidade do filtrado diminua de 1200 para cerca de 100 mOsm/kg ao atingir de novo a região cortical. Desta forma, o conteúdo do nefrónio é diluído quando comparado com a concentração do líquido intersticial circundante, cuja osmolalidade ronda os 300 mOsm/kg. 2º ano 1º semestre SOF III 25 Formação de Urina Concentrada O filtrado entra nos túbulos distais após passar pela ansa de Henle, passando em seguida para os tubos coletores. Próximo das extremidades dos túbulos distais e dos tubos coletores, a parede torna-se muito permeável à água desde que esteja presente a hormona antidiurética - ADH. ⤷ Assim, a água difunde-se do lúmen do nefrónio para o líquido intersticial mais concentrado. A ADH aumenta a permeabilidade à água das membranas plasmáticas dos nefrónios distais e dos tubos coletores. o A ADH liga-se a um recetor de membrana, ativando um mecanismo da proteína G que aumenta a síntese do AMPc nas células dos túbulos distais e tubos coletores. o O AMP cíclico aumenta a permeabilidade à água das membranas plasmáticas dos túbulos distais e dos tubos coletores através do aumento do número de canais para a água na membrana plasmática. → Em presença da ADH, a água sai por osmose dos túbulos distais e dos tubos coletores → Na ausência de ADH a água permanece dentro dos nefrónios e entra na composição da urina. 2º ano 1º semestre SOF III 26 Para além da diminuição extraordinária do volume do filtrado e do aumento da sua osmolalidade, ocorre uma alteração marcada na composição do filtrado. Produtos de degradação como a creatinina e a ureia, assim como os iões K+, H+, fosfato, sulfato, surgem em concentrações muito mais elevadas na urina que no filtrado original, do qual a água foi removida. Muitas substâncias são seletivamente reabsorvidas do nefrónio e outras são secretadas para o nefrónio, de modo que as substâncias benéficas sejam retidas no organismo e as tóxicas eliminadas. Formação de Urina Diluída Se a ADH não estiver presente, ou se a sua concentração for diminuta, os túbulos distais e os tubos coletores são pouco permeáveis à água, o que faz com que a quantidade que deles sai por osmose seja pequena. A concentração da urina produzida é inferior a 1200 mOsm/kg e o seu volume aumenta, podendo, no caso desta urina mais diluída, ser muito superior a 1% do filtrado formado diariamente. ⤷ Se não for secretada ADH, a osmolalidade da urina pode ser próxima da do filtrado no túbulo distal, e o seu volume pode atingir 20-30 l/dia. Num indivíduo saudável, mesmo quando o rim produz urina diluída, a concentração de produtos de degradação metabólicos é suficientemente alta para manter o equilíbrio orgânico. Assim, são retidas as substâncias benéficas, enquanto que as tóxicas são eliminadas com a água excedente. 2º ano 1º semestre SOF III 27 Regulação Renal de Potássio Regulação da Concentração de Potássio no Líquido Extracelular e Excreção de Potássio A concentração de potássio no líquido extracelular é regulada, precisamente, em torno de 4,2 mEq/L. Essa exatidão do controle é necessária, já que muitas funções celulares são bastante sensíveis às alterações da concentração extracelular de potássio. Um aumento da concentração plasmática de potássio de apenas 3 a 4 mEq/L pode causar arritmias cardíacas Concentrações mais elevadas podem levar à parada ou à fibrilação cardíaca A dificuldade na regulação da concentração extracelular de potássio deve-se ao fato de que mais de 98% do potássio total no corpo se encontra nas células, e apenas 2% no líquido extracelular. A manutenção do balanço entre a produção e a excreção de potássio depende, em grande parte, da excreção renal, pois a quantidade excretada nas fezes é de apenas 5% a 10% da ingestão. Desse modo, a manutenção do balanço normal do potássio depende do ajuste renal rápido e preciso de sua excreção, em resposta às amplas variações da ingestão. Isto também é válido para outros eletrólitos. O controle da distribuição do potássio entre os compartimentos intra e extracelular também tem papel importante na sua homeostasia. Como mais de 98% do potássio total do corpo está nas células, elas podem servir como local para o extravasamento dopotássio em excesso para o líquido extracelular, durante hipercalemia, ou como fonte de potássio, durante a hipocalemia. Dessa forma, a redistribuição de potássio entre os compartimentos intra e extracelular representa a primeira linha de defesa contra as alterações da concentração de potássio no líquido extracelular. Regulação da Distribuição Interna de Potássio Após ingestão de refeição normal, a concentração de potássio no líquido extracelular aumentaria até um nível letal se o potássio ingerido não fosse rapidamente deslocado para as células. Assim, a maioria do potássio ingerido desloca-se rapidamente para as células, até que os rins consigam eliminar o excesso. 2º ano 1º semestre SOF III 28 A Insulina Estimula a Captação Celular de Potássio A insulina é importante para aumentar a captação celular de potássio após refeição. Em pessoas com deficiência de insulina devida ao diabetes melito, a elevação da concentração plasmática do potássio após a refeição é muito maior que a normal. As injeções de insulina podem ajudar a corrigir a hipercalemia. A Aldosterona Aumenta a Captação Celular de Potássio O aumento da ingestão de potássio também estimula a secreção de aldosterona, aumentando a sua captação celular. A secreção excessiva de aldosterona está associada à hipocalemia, devido, ao deslocamento do potássio extracelular para as células. De modo inverso, os pacientes com produção deficiente de aldosterona muitas vezes apresentam hipercalemia clinicamente significativa devido ao acúmulo de potássio no espaço extracelular e à retenção renal desse elemento. O Aumento da Osmolaridade do Líquido Extracelular Causa Redistribuição do Potássio das Células para o Líquido Extracelular A osmolaridade elevada do líquido extracelular provoca fluxo osmótico da água para fora das células. A desidratação celular aumenta a concentração intracelular do potássio, promovendo sua difusão para fora das células e o consequente aumento de sua concentração no líquido extracelular. A osmolaridade reduzida do líquido extracelular tem o efeito oposto. No diabetes mellitus, grandes aumentos na glicose plasmática elevam a osmolaridade extracelular, provocando desidratação celular e deslocamento do potássio das células para o líquido extracelular. Visão Geral da Excreção Renal de Potássio A excreção renal de potássio é determinada pela soma de três processos renais: ⤷ A filtração do potássio (FG multiplicada pela concentração plasmática de potássio), ⤷ A reabsorção do potássio pelos túbulos renais ⤷ A secreção tubular de potássio. A filtração normal de potássio pelos capilares glomerulares gira em torno de 756 mEq/ dia (FG, 180 L/dia multiplicados pelo potássio plasmático, 4,2 mEq/L); essa filtração costuma ser relativamente constante, em virtude dos mecanismos autorregulatórios da FG discutidos antes e da precisa regulação da concentração plasmática de potássio. No entanto, a queda acentuada da FG, em certas doenças renais, pode causar grave acúmulo de potássio e hipercalemia. 2º ano 1º semestre SOF III 29 Cerca de 65% do potássio filtrado é reabsorvido no túbulo proximal. Os outros 25% a 30% do potássio filtrado são reabsorvidos na alça de Henle, especialmente na parte ascendente espessa onde o potássio é cotransportado de modo ativo, junto com o sódio e o cloreto. ⤷ As alterações da reabsorção de potássio nesses segmentos renais podem influenciar sua excreção. As Variações Diárias da Excreção de Potássio São Causadas Principalmente por Alterações da Secreção do Potássio nos Túbulos Distais e Coletores Os locais mais importantes para regular a excreção de potássio são as células principais dos túbulos coletores corticais e distais finais. Nesses segmentos tubulares, o potássio pode ser reabsorvido ou secretado, dependendo das necessidades do corpo. Com ingestão normal de potássio de 100 mEq/dia, os rins devem excretar cerca de 92 mEq/dia (os 8 mEq restantes são perdidos nas fezes). Cerca de um terço (31 mEq/dia) dessa quantidade de potássio é secretado pelos túbulos distais e coletores. No caso do alto consumo de potássio, a excreção extra necessária de potássio é realizada, quase que exclusivamente, pelo aumento de sua secreção pelos túbulos distais e coletores. ⤷ Na verdade, com dietas extremamente ricas em potássio, a excreção de potássio pode ultrapassar sua quantidade no filtrado glomerular, sugerindo a existência de potente mecanismo de secreção. Dessa forma, a maior parte da regulação diária da excreção de potássio ocorre nos túbulos coletores corticais distais e finais, onde o potássio pode ser reabsorvido ou secretado, dependendo das necessidades do corpo. Na seção seguinte, consideraremos os mecanismos básicos da secreção de potássio e os fatores reguladores desse processo. Secreção de Potássio pelas Células Principais dos Túbulos Coletores Corticais Distais Finais As células nos túbulos coletores corticais e distais finais que secretam potássio são referidas como células principais, constituindo cerca de 90% das células epiteliais nessas regiões. A secreção de potássio do sangue para o lúmen tubular é processo em duas etapas: ⤷ A primeira etapa é iniciada pela captação de potássio do interstício para a célula, pela bomba sódio-potássio ATPase presente na membrana basolateral da célula. o Esta bomba transfere ao mesmo tempo o sódio da célula para o interstício, e o potássio para o interior da célula. ⤷ A segunda etapa do processo é a difusão passiva do potássio, do interior da célula para o líquido tubular. 2º ano 1º semestre SOF III 30 o A bomba sódio-potássio ATPase gera concentração intracelular elevada do potássio que fornece a força motriz para a difusão passiva de potássio da célula para o lúmen tubular. ▪ A membrana luminal das células principais é muito permeável ao potássio. ▪ A razão para essa alta permeabilidade é a existência de canais especiais que são, especificamente, permeáveis aos iões potássio, permitindo sua rápida difusão através da membrana. Controle da Secreção de Potássio pelas Células Principais Os fatores mais importantes que controlam a secreção de potássio pelas células principais dos túbulos coletores corticais e distais finais incluem: ⤷ Atividade da bomba sódio-potássio ATPase ⤷ O gradiente eletroquímico para a secreção de potássio do sangue para o lúmen tubular ⤷ A permeabilidade da membrana luminal para o potássio. As Células Intercaladas Podem Reabsorver Potássio durante a Depleção de Potássio Nas condições associadas a grave depleção de potássio, ocorrem interrupção de sua secreção e reabsorção efetiva nos túbulos coletores distais finais. Essa reabsorção dá-se por meio das células intercaladas, embora esse processo reabsortivo não esteja completamente esclarecido, acredita-se que um mecanismo contribuinte seja o transporte pela bomba hidrogénio-potássio ATPase situada na membrana luminal. Essa bomba reabsorve o potássio, em troca dos iões hidrogénio secretados para o lúmen tubular, o potássio, então, difunde-se através da membrana basolateral da célula para o sangue. Esse transportador é necessário para permitir a reabsorção de potássio durante a depleção de potássio do fluido extracelular, mas sob condições normais ele tem papel pequeno no controle da excreção de potássio. 2º ano 1º semestreSOF III 31 Resumo dos Fatores Que Regulam a Secreção de Potássio Os fatores mais importantes que estimulam a secreção do potássio pelas células principais incluem: ⤷ Concentração elevada de potássio no líquido extracelular ⤷ Altos níveis da aldosterona ⤷ Aumento do fluxo tubular. O fator que reduz a secreção do potássio é o aumento da concentração dos iões hidrogénio (acidose). Aumento na Concentração de Potássio no Líquido Extracelular Estimula a Secreção de Potássio A secreção do potássio pelos túbulos coletores corticais e distais finais é estimulada diretamente por sua alta concentração extracelular, provocando aumento de sua excreção. Esse efeito é especialmente acentuado quando a concentração de potássio no líquido extracelular sobe acima de 4,1 mEq/L, valor ligeiramente inferior à concentração normal. A concentração plasmática elevada de potássio, portanto, serve como um dos mecanismos mais importantes para aumentar sua secreção e regular a concentração do íon potássio no líquido extracelular. O aumento da concentração de potássio no líquido extracelular eleva a secreção de potássio por meio de três mecanismos: ⤷ Concentração de potássio elevada no líquido extracelular estimula a bomba sódio- potássio ATPase. o Aumenta, assim, a captação de potássio através da membrana basolateral. o Isso, por sua vez, eleva a concentração intracelular dos iões potássio, provocando sua difusão pela membrana luminal para o túbulo. ⤷ O aumento da concentração extracelular de potássio aumenta o gradiente de potássio do líquido intersticial renal para o interior da célula epitelial o Isso reduz o extravasamento retrógrado dos iões potássio das células pela membrana basolateral. ⤷ A concentração aumentada de potássio estimula a secreção da aldosterona pelo córtex adrenal. o Vai estimular ainda mais a secreção de potássio. 2º ano 1º semestre SOF III 32 A Aldosterona Estimula a Secreção de Potássio A aldosterona estimula a reabsorção ativa dos iões sódio pelas células principais dos túbulos distais e dos duetos coletores finais. Esse efeito é mediado pela bomba sódio-potássio ATPase, que transporta sódio para fora da célula pela membrana celular basolateral para a corrente sanguínea, ao mesmo tempo em que bombeia potássio para a célula. Assim, a aldosterona tem também efeito potente para controlar a secreção de potássio pelas células principais. A aldosterona também aumenta a permeabilidade da membrana luminal para o potássio, aumentando ainda mais a eficácia da aldosterona sobre a estimulação da secreção de potássio. Assim, a aldosterona exerce efeito potente para aumentar a excreção de potássio. O Aumento do Fluxo Tubular Distai Estimula a Secreção de Potássio A elevação do fluxo tubular distal, como ocorre nos casos de expansão de volume, de ingestão aumentada de sódio ou de terapia com alguns diuréticos, estimula a secreção de potássio. De modo inverso, a redução do fluxo tubular distal, como a causada pela depleção de sódio, reduz a secreção de potássio. O efeito do fluxo tubular, na secreção de potássio, pelos túbulos coletores e distais é fortemente influenciado pela ingestão de potássio. 2º ano 1º semestre SOF III 33 Quando a ingestão de potássio é alta, o fluxo tubular tem efeito muito maior no estímulo da secreção de potássio do que quando a ingestão de potássio é baixa. Quando o potássio é secretado para o líquido tubular, a sua concentração luminal aumenta, diminuindo a força motriz da difusão de potássio através da membrana luminal. Em casos de alta ingestão de sódio, ocorre redução da secreção da aldosterona. Esta secreção reduzida, tende a diminuir a secreção de potássio e, consequentemente, reduz sua excreção urinária. Contudo, a ocorrência de fluxo tubular distal aumentado provocada pela elevada ingestão de sódio tende a aumentar a secreção de potássio. Assim, os dois efeitos da alta ingestão de sódio, secreção reduzida de aldosterona e aumento do fluxo tubular, contrabalançam-se mutuamente, resultando em pequena alteração na excreção de potássio. 2º ano 1º semestre SOF III 34 Mecanismos Hormonais A regulação a nível do sistema urinário, ocorre na alteração do volume e da concentração da urina. Mecanismos hormonais Vasopressina ou Hormona Antidiurética - ADH Sem esta hormona a permeabilidade da água nos túbulos distais e nos tubos coletores é praticamente inexistente. A ADH é secretada pela neuro-hipófise e é libertada para o aparelho circulatório. Se a osmolaridade do sangue e do líquido intersticial aumentar, a secreção de ADH vai aumentar. Já uma redução da osmolaridade no líquido intersticial inibe a secreção de ADH. Os barorrecetores que controlam a pressão sanguínea também têm influência na secreção e ADH, quando a pressão arterial aumenta ou diminui num intervalo superior a 5 a 10%. o Quando o osmolalidade1 do sangue aumenta ou a pressão diminui significativamente, a secreção de ADH aumenta. ⤷ Faz o rim reabsorver mais água, produzindo uma pequena quantidade de urina concentrada. ⤷ A retenção de água pelo rim diminui a osmolalidade. ⤷ Com o aumento de água na corrente sanguínea, aumenta o volume sanguíneo, e consequentemente a pressão arterial. o Quando o osmolalidade do sangue diminui ou a sua pressão é elevada, a secreção de ADH diminui. ⤷ Esta redução faz com os rins reabsorvam menos água e produzem uma grande quantidade de urina diluída. ⤷ A perda de água sobre a forma de urina, faz diminuir o volume sanguíneo e consequentemente a pressão arterial. ⤷ Com a diminuição de água no sangue a osmolalidade sanguínea também aumenta. 1 Osmolalidade refere-se ao número de partículas osmoticamente ativas de soluto contidas em 1L de solução. A osmolalidade de uma solução aumenta à medida que a concentração de solutos na solução aumenta. A Osmolaridade expressa a quantidade de partículas de soluto por unidade de volume de solução. A Osmolalidade expressa a quantidade de partículas de soluto por unidade de massa de solvente. https://pt.wikipedia.org/wiki/Part%C3%ADcula https://pt.wikipedia.org/wiki/Osmose https://pt.wikipedia.org/wiki/Soluto 2º ano 1º semestre SOF III 35 A secreção de ADH ocorre em resposta às pequenas variações na osmolalidade, mas são necessárias grandes alterações na pressão arterial para alterar a secreção de ADH. ⤷ Assim, a ADH é mais importante na manutenção da osmolalidade do que na manutenção da pressão arterial Regina-Angiotensina-Aldosterona É uma enzima secretada pelas células do aparelho justaglomerular. A taxa de secreção de renina aumenta se a pressão arterial nas arteríolas aferentes diminuir, ou se a concentração de Na+ no filtrado for diminuindo à medida que passa pelas células da mácula. Esta enzima entra na circulação sistémica e atua sobre o angiotensinogénio e converte-o em angiotensina I. Depois a enzima proteolítica enzima de conversão da angiotensina – ECA converte a angiotensina I em angiotensina II. A angiotensina II é um potente vasodilatador que aumenta a resistência periférica e, consequentemente a pressão arterial. A angiotensina II também aumenta: o A taxa de secreção de aldosterona; o A sensação de sede; o O apetite para alimentos salgados; o A taxade secreção de vasopressina. A taxa de secreção de renina diminui se a pressão arterial na arteríola aferente, ou a concentração de Na+ no filtrado aumenta à medida que passa pela mácula. Uma grande diminuição na concentração de Na+ no líquido intersticial atua diretamente sobre as células secretoras de aldosterona no córtex renal. No entanto a angiotensina II é muito mais importante que os níveis de Na+ no sangue para a regulação da secreção de aldosterona. 2º ano 1º semestre SOF III 36 Aldosterona A aldosterona é uma hormona esteroide secretada pelas células corticais da glândula supra- renal. O aumento desta hormona aumenta as moléculas transportadoras, que aumenta o transporte de Na+ através da membrana basal e apical das células do nefrónio, isto resulta no aumento da passagem de Na+ do filtrado para o sangue. A hipossecreção desta hormona diminui a velocidade de transporte de Na+, como consequência a concentração de Na+ nos túbulos distais e nos tubos coletores permanece elevada. Como a concentração de solutos no filtrado é superior ao normal, a capacidade de osmose da água vai diminuir e assim vai permanecer nos túbulos, fazendo aumentar o volume de urina. 2º ano 1º semestre SOF III 37 Hormona natriurética auricular Secretada por células de músculo cardíaco situadas na aurícula direita, quando o volume nesta aumenta Esta hormona inibe a síntese de vasopressina pela neuro-hipófise e a reabsorção de Na+ no rim, levando a uma produção de grandes volumes de urina diluída levando à diminuição da volémia e consequentemente da pressão arterial. Autorregulação Chama-se autorregulação à manutenção de uma taxa de filtração glomerular - TFG relativamente estável no interior do rim, apesar das variações consideráveis da pressão arterial sistémica. A autorregulação é ainda influenciada pelo fluxo do filtrado através das células da mácula densa. A mácula densa deteta um aumento do fluxo e envia um sinal ao aparelho justaglomerular para contrair a arteríola aferente. ⤷ O resultado é uma diminuição na pressão de filtração através da membrana de filtração do corpúsculo renal. Efeito da Estimulação Simpática sobre a Função Renal Neurónios simpáticos, com a noradrenalina como neurotransmissor, inervam os vasos sanguíneos renais. A estimulação simpática provoca a constrição das pequenas artérias e das arteríolas aferentes, diminuindo o débito renal e a formação de filtrado. Uma intensa estimulação simpática, como acontece nos estados de choque ou de esforço físico intenso, diminui a taxa de formação de filtrado para uns escassos mililitros por minuto, mas pequenas variações na estimulação simpática têm um efeito mínimo no débito renal e na formação do filtrado. A autorregulação mantém o débito renal e a formação do filtrado a uma taxa relativamente constante, a menos que a estimulação simpática seja intensa. Em resposta ao stress marcado ou ao choque circulatório, o débito renal pode diminuir para níveis tão baixos que o aporte de sangue ao rim se torne insuficiente para manter o seu metabolismo normal. ⤷ Nestes casos, o tecido renal pode sofrer danos e ficar incapaz de desempenhar as suas funções. Esta é uma das razões por que o choque deve ser tratado rapidamente.