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ATIVIDADE INDIVIDUAL - ESTÁGIO SUPERVISIONADO II ELABORAÇÃO DE PARECER JURÍDICO SIMPLES IVANILDO NOVAIS LOPES – TURMA 2020.2 1 DOS FATOS Trata-se de parecer jurídico que tem por objetivo oferecer orientação, sem caráter vinculante, ao senhor João, um consumidor, que adquiriu um smartphone em uma loja de eletrônicos, no valor de R$ 3.000,00. No entanto, após 6 meses de uso, a aparelho começou a apresentar problemas no funcionamento do touch screen, o que impedia a utilização do dispositivo. João, acreditando que o produto ainda estava dentro do período de garantia legal, procurou a loja para solicitar o reparo ou a substituição do aparelho. A loja, no entanto, recusou-se a atender sua solicitação, argumentando que o problema no aparelho foi causado por mau uso. Segundo o vendedor, o dano teria ocorrido devido à queda do aparelho, que não estava coberta pela garantia. João afirmou que nunca deixou o aparelho cair e que o defeito surgiu por conta de um vício oculto. Diante da negativa da loja em resolver o problema, João procurou o Procon, que lhe orientou a registrar uma reclamação formalmente e buscar seus direitos pela via judicial, caso necessário. João, sem saber como proceder, agora busca a orientação de um advogado para saber se tem direito à troca do produto ou à devolução do valor pago e quais seriam os próximos passos legais. 2 FUNDAMENTAÇÃO 2.1 Atos normativos No sistema jurídico brasileiro, o direito do consumidor possui fundamentação na Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, inciso XXXII e no artigo 170, inciso V, com complementação no artigo 48 do ADCT. Desse modo, o constituinte consagrou a defesa do consumidor e a sua promoção pelo Estado, na forma da lei, inserindo-o no rol dos direitos e garantias fundamentais. Sob esse viés, o Código de Defesa do Consumidor – CDC, Lei nº 8.078 de 11 de setembro de 1990, concretizou a determinação constitucional, ao elencar no capítulo III, do Título I, os direitos básicos do consumidor. Esses direitos fundamentam a tutela jurídica do consumidor, pois servirão como base para toda legislação consumerista. 2.2 Conceituação de garantia legal A garantia legal é tratada no artigo 26 do CDC, que traz a previsão de um período para o consumidor reclamar de defeitos em produtos ou serviços. Para exercer a garantia legal basta que o consumidor apresente a reclamação juntamente com o comprovante de compra, dentro de 30 dias, para serviços e produtos não duráveis (I), ou 90 dias, para serviços e produtos duráveis (II). Entretanto, o prazo decadencial para o consumidor reclamar de vício oculto em produtos duráveis - que apresentam problemas não perceptíveis à primeira vista - inicia-se no momento em que ficar evidenciado o defeito, e não na data da aquisição do produto (§ 3º). 2.3 Determinação do vício do produto O Código de Defesa do Consumidor definiu vício como falta de qualidade de um produto ou serviço, e, no que diz respeito ao fornecimento de produtos, tratados no art. 18 deste diploma legal, vício é particularidade que torne o produto inadequado, impróprio para consumo, diminua o valor do produto ou que apresente disparidade entre o que efetivamente existe e o indicado. Os vícios podem ser aparentes ou ocultos. Os aparentes ou de fácil constatação, como o próprio nome diz, são aqueles que aparecem no singelo uso e consumo do produto (ou serviço). Ocultos são aqueles que só aparecem algum ou muito tempo após o uso e/ou que, por estarem inacessíveis ao consumidor, não podem ser detectados na utilização ordinária. 2.4 Princípio da inversão do ônus da prova Prevista no art. 6º, inciso VIII, ela consta no rol dos chamados “direitos básicos do consumidor”. A inversão do ônus da prova no CDC é caracterizada como uma facilitação da proteção dos direitos do consumidor. Assim, incumbe ao autor provar o fato constitutivo de seu direito e ao réu provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O CDC prevê dois tipos de inversão do ônus da prova. Um deles, a ser examinado em primeiro lugar, se opera exatamente como seus congêneres previstos em outras leis processuais: ope legis. O segundo caso, porém, se opera ope iudicis, cabendo ao juiz determinar se ocorrerá ou não a inversão no caso concreto. A inversão do ônus da prova é um dos mais relevantes instrumentos da legislação consumerista para a facilitação da defesa do consumidor. Contudo, tal mecanismo não se opera de forma automática, pois depende da análise judicial de verossimilhança da alegação do consumidor ou de sua hipossuficiência. 2.5 Caracterização da responsabilidade civil do fornecedor A lei de proteção ao consumidor, fundamentada na teoria da qualidade, logo após a disciplina concernente à responsabilidade por fato do produto e do serviço, ou seja, responsabilidade decorrente dos acidentes de consumo (arts. 12 a 17), regulamenta os chamados vícios dos produtos e dos serviços (arts. 18 a 25). No direito brasileiro, o regime de responsabilidade distingue-se em razão do dever jurídico violado pelo fornecedor. A responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço decorre da violação de um dever de segurança, ou seja, quando o produto ou serviço não oferece a segurança que o consumidor deveria legitimidade esperar. Mas a responsabilidade pelo vício do produto ou do serviço decorre da violação de um dever de adequação, qual seja, o dever dos fornecedores de oferecer produtos ou serviços no mercado de consumo que sirvam aos fins que legitimamente deles se esperam. 2.6 Entendimento jurisprudencial Além da doutrina, vários foram os julgados que ressaltam o direito do consumidor em abrir uma ação para reclamar pela reparação do dano sofrido, pois o prazo se inicia no momento em que fica evidenciado o vício, mesmo o produto estando fora do prazo de garantia legal. Destaca-se ainda que, nos casos de reparação de dano, o critério de vida útil do bem deve ser considerado, que no caso de smartphones é maior que 3 anos. Além disso, as sentenças levam em conta também a questão de a parte autora ter buscado junto à parte ré uma solução amigável e não ter o seu problema resolvido. TJ-DF XXXXX92202280700201694927. APELAÇÃO CÍVEL. CONSUMIDOR. AÇÃO INDENIZATÓRIA. APARELHO CELULAR. VÍCIO DO PRODUTO. MANIFESTAÇÃO FORA DO PRAZO DE GARANTIA. VÍCIO OCULTO. DECADÊNCIA AFASTADA. VIDA ÚLTIL DO APARELHO. PRODUTO DURÁVEL. RESTITUIÇÃO DA QUANTIA PAGA PELO PRODUTO. DANO MORAL. CONFIGURADO. REPARAÇÃO. ARBITRAMENTO. TJ-RJ APL XXXXX220218190001. APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR. APARELHO CELULAR. VÍCIO OCULTO DO PRODUTO MANIFESTADO APÓS O TERMO FINAL DA GARANTIA. RESPONSABILIDADE DO FORNECEDOR PELO PERÍODO RAZOÁVEL DE VIDA ÚLTIL DO BEM. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA PARCIAL DOS PEDIDOS. ACERTO DO DECISIUM, QUE SE MANTÉM. TJ-BA RI XXXX-27.2019.8.05.0001. RECURSO INOMINADO. RESPONSABILIDADE CIVIL. APARELHO CELULAR (IPHONE) QUE APRESENTOU VÍCIO DE FABRICAÇÃO MANIFESTADO APÓS O VENCIMENTO DO PRAZO DE GARANTIA, NÃO OBTENDO REPARO OPORTUNO. IMPOSIÇÃO DE AQUISIÇÃO DE NOVO PRODUTO. VÍCIO OCULTO. PRAZO DECADENCIAL NÃO CONSUMADO. SENTENÇA QUE JULGOU IMPROCEDENTE OS PEDIDOS FORMULADOS NA EXORDIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DE FATO EXCLUDENTE DA RESPONSABILIDADE CIVIL COGITADA. COMANDO JUDICIAL QUE MERECE SER REFORMADO PARA DETERMINAR A SUBSTITUIÇÃO DO PRODUTO DEFEITUOSO E ARBITRAR INDENIZAÇÃO A ÍTULO DE DANO MORAL NO PORTE DE R$ 4.000,00, DIANTE DA REALIZAÇÃO DE PRÁTICA ABUSIVA POR PARTE DA EMPRESA ACIONADA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. 3 CONCLUSÕES Diante de todo o exposto, com base nos elementos técnico-jurídicos apresentados, são feitos os seguintes apontamentos e sugestões para apoio à atuação do consumidor frente ao ocorrido. Em primeiro lugar, cabe ressaltar que João poderá registrar uma reclamação administrativa formal junto ao Procon (art. 6º, VII), para que ele possa ter preservada a garantia do seu direito à reparação, troca do produto ou à devolução do valor pago pelo smartphone, pois está claramente demonstrado que o defeito no produto se trata, basicamente, de um vício oculto, ou seja, que nãofoi percebido no momento da compra, e, mesmo sendo percebido após o decurso da garantia legal de 90 dias (art. 26, II), o dano veio a ocorrer dentro do prazo de vida útil do bem, que é superior a 3 anos(art. 26, § 3º); além disso, a empresa não é capaz de evidenciar a culpa do consumidor por mau uso do produto, comprovando a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito (art. 6º, VIII), apesar da alegação, por parte do vendedor, de que houve a queda do aparelho e, por isso, o touch screen deixou de funcionar adequadamente. Por fim, restando demonstrada a falta de interesse, por parte da loja, em solucionar o problema de forma amigável, João deverá buscar os seus direitos pela via judicial, entrando com uma ação no Juizado Especial Cível, requerendo ao juízo uma indenização por danos morais e materiais, considerando que o tempo de espera pelo reparo do bem ou ressarcimento dos valores não aconteceu, o que privou o consumidor do uso de bem considerado essencial (art. 6º, VI). Dessa forma, considera-se também que a conduta da empresa acionada se revela de toda abusiva e desrespeitosa, notadamente porque se negou a realizar o conserto do aparelho celular do consumidor ou efetuar a devolução dos valores pagos na aquisição do smartphone, caracterizando assim a sua responsabilidade civil pelo vício do produto (art. 18). Logo, os danos dessa natureza se presumem, sobretudo porque João precisará da tutela do Poder Judiciário para resolver a demanda, o que poderia ter sido facilmente resolvido por via administrativa. É o Parecer. Brumado/BA, 07 de novembro de 2024. NOME DO ADVOGADO OAB-BA XX.XXX ATIVIDADE INDIVIDUAL - ESTÁGIO SUPERVISIONADO II ELABORAÇÃO DE PARECER JURÍDICO SIMPLES IVANILDO NOVAIS LOPES – T URMA 2020.2 1 DOS FATOS Trata - se de parecer jurídico que tem por objetivo oferecer orientação, sem caráter vinculante, a o senhor João, um consumidor, que adquiriu um smartphone em uma loja de eletrônicos, no valor de R$ 3.000,00. No entanto, após 6 meses de uso, a aparelho começou a apresentar problemas no funcionamento do touch screen , o que impedia a utilização do dispositivo. João, acreditando que o produto ainda estava dentro do período de garantia legal, procurou a loja para solicitar o reparo ou a substituição do aparelho. A loja, no entanto, recusou - se a atender sua solicitação, argumentando que o problema no aparelho foi causado por mau uso. S egundo o vended or, o dano teria ocorrido devido à queda do aparelho, que não e stava coberta p ela garantia . João afirmou que nunca deixo u o aparelho cair e q ue o defeito surgiu por conta de um ví cio ocult o. Diante da negativa d a loja em resolver o problema, João procurou o Procon, que lhe orientou a registrar uma reclamação formalmente e buscar seus direitos pela via judicial, caso necessário. Joã o, sem saber como proceder, agora busca a orientação de um advogado para saber se tem direito à troca do produto ou à devolução do valor pago e quais s eriam os próximos passos legais. 2 FUNDAMENTAÇÃO 2 . 1 A tos normativos No sistema jurídico brasileiro, o direito do consumidor possui fundamen tação na Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, inciso XXX II e no artigo 170, inciso V, com complementação no artigo 48 do ADCT. Desse modo, o constituinte consagrou a defesa do consumidor e a sua promoção pelo Estado, na forma da lei, inserindo - o no r ol dos direitos e garantias fundamentais . Sob esse viés, o Código de Defesa do Consumidor – CDC, L ei nº 8.078 de 11 de setembro de 19 90, concretizou a determinação constitucional, ao elencar no capítulo III, do Título I, os direitos básicos do consumidor . Esses direitos fundamentam a tutela jurídica do consumidor, pois servirão como base para toda legislação consumerista. ATIVIDADE INDIVIDUAL - ESTÁGIO SUPERVISIONADO II ELABORAÇÃO DE PARECER JURÍDICO SIMPLES IVANILDO NOVAIS LOPES – TURMA 2020.2 1 DOS FATOS Trata-se de parecer jurídico que tem por objetivo oferecer orientação, sem caráter vinculante, ao senhor João, um consumidor, que adquiriu um smartphone em uma loja de eletrônicos, no valor de R$ 3.000,00. No entanto, após 6 meses de uso, a aparelho começou a apresentar problemas no funcionamento do touch screen, o que impedia a utilização do dispositivo. João, acreditando que o produto ainda estava dentro do período de garantia legal, procurou a loja para solicitar o reparo ou a substituição do aparelho. A loja, no entanto, recusou-se a atender sua solicitação, argumentando que o problema no aparelho foi causado por mau uso. Segundo o vendedor, o dano teria ocorrido devido à queda do aparelho, que não estava coberta pela garantia. João afirmou que nunca deixou o aparelho cair e que o defeito surgiu por conta de um vício oculto. Diante da negativa da loja em resolver o problema, João procurou o Procon, que lhe orientou a registrar uma reclamação formalmente e buscar seus direitos pela via judicial, caso necessário. João, sem saber como proceder, agora busca a orientação de um advogado para saber se tem direito à troca do produto ou à devolução do valor pago e quais seriam os próximos passos legais. 2 FUNDAMENTAÇÃO 2.1 Atos normativos No sistema jurídico brasileiro, o direito do consumidor possui fundamentação na Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, inciso XXXII e no artigo 170, inciso V, com complementação no artigo 48 do ADCT. Desse modo, o constituinte consagrou a defesa do consumidor e a sua promoção pelo Estado, na forma da lei, inserindo-o no rol dos direitos e garantias fundamentais. Sob esse viés, o Código de Defesa do Consumidor – CDC, Lei nº 8.078 de 11 de setembro de 1990, concretizou a determinação constitucional, ao elencar no capítulo III, do Título I, os direitos básicos do consumidor. Esses direitos fundamentam a tutela jurídica do consumidor, pois servirão como base para toda legislação consumerista.