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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUÍZ DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DA COMARCA DE PORTO SEGURO -BA
Autos:
BRUTUS, já qualificado nos autos da Ação Penal Pública em que figuram como acusados, através de sua defesa técnica, vêm, respeitosamente, perante Vossa Excelência, apresentar seus memoriais, nos termos do art. 403, §3º do Código de Processo Penal, pelas razões que passam a expor
ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS
Servem estes memoriais para chamar a atenção ao arcabouço legal e probatório conclusivo ao direito pleiteado.
I – BREVE SÍNTESE:
O acusado foi denunciado pelo Ministério Público sob a acusação de ter cometido os seguintes delitos:
1. Homicídio Qualificado (Art. 121, § 2º, II e VIII do Código Penal): A denúncia imputa ao réu a prática de homicídio qualificado por motivo fútil e com emprego de arma de fogo de uso restrito, em duas ocasiões distintas, resultando em duas vítimas.
2. Porte Ilegal de Arma de Fogo de Uso Restrito (Art. 16, caput da Lei nº 10.826/03): O réu é acusado de portar ilegalmente uma pistola 9mm e um fuzil, ambos de uso restrito, em duas ocasiões distintas.
3. Tráfico de Drogas (Art. 33, caput da Lei nº 11.343/06): O réu também é imputado pela prática do crime de tráfico de drogas.
Durante a audiência de instrução e julgamento, após o interrogatório do réu, foram apresentadas provas pela acusação e pela defesa. A acusação baseou-se no depoimento de policiais militares que afirmaram a veracidade das armas apreendidas e a natureza ilícita da droga encontrada na residência do réu. 
Entretanto, a testemunha de defesa relatou ter testemunhado, da janela de sua residência, a entrada abrupta e alegadamente violenta dos policiais militares na casa do acusado, assim como ter ouvido os gritos de agonia do réu durante a abordagem.
Esses eventos na audiência destacam a controvérsia em torno da conduta dos agentes policiais e da legalidade das provas apresentadas pela acusação, assim, é imprescindível que haja uma análise minuciosa das provas apresentadas nos autos, a fim de se garantir a justiça e a verdade dos fatos.
II – DAS PRELIMINARES:
II.I – da ilegalidade do flagrante delito – nulidade:
Inicialmente, cabe ressaltar a grave nulidade decorrente da obtenção de provas ilícitas, contrariando os princípios constitucionais e legais que regem o devido processo legal. No presente caso, a conduta dos agentes policiais ao adentrarem na residência do acusado durante o flagrante delito constitui violação flagrante do direito fundamental à inviolabilidade do domicílio, previsto no artigo 5º, inciso XI, da Constituição Federal.
Conforme evidenciado nos autos, os policiais militares procederam à entrada na residência do acusado sem a devida autorização deste, tampouco com a expedição de mandado judicial que respaldasse tal diligência. Tal proceder caracteriza uma afronta direta ao preceito constitucional que assegura a inviolabilidade do domicílio.
Destaca-se que a exceção à necessidade de mandado judicial para ingresso em domicílio, prevista no artigo 5º, inciso XI, da Constituição Federal, deve ser interpretada restritivamente, reservada apenas para situações excepcionais não verificadas no presente caso. A entrada dos policiais na residência do acusado sem respaldo legal configura, portanto, um flagrante abuso de poder e uma violação dos direitos fundamentais do réu.
Além disso, nos termos do Código de Processo Penal:
"Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais."
No caso em tela, as principais provas apresentadas pela acusação foram obtidas de forma ilícita, uma vez que decorrem de uma busca e apreensão no domicílio do acusado sem a devida autorização judicial específica. Tal conduta contraria frontalmente o disposto no artigo 248 do Código de Processo Penal, que estabelece critérios claros para a realização de buscas em domicílio, visando a proteção da intimidade do indivíduo.
Portanto, diante da manifesta ilegalidade na obtenção das provas, requer-se a sua desconsideração no processo, a fim de garantir a regularidade e a legalidade do julgamento.
II.II - Nulidade Da Prova Obtida Por Meio De Abuso De Poder – confissão mediante coação:
Conforme atestado pelo exame de corpo de delito realizado no Instituto Médico Legal, constatou-se que o réu, Brutus, foi vítima de agressões físicas e asfixia por parte dos policiais durante sua prisão. 
Tais violências resultaram em confissões obtidas sob coação, configurando um flagrante desrespeito aos princípios constitucionais e legais que regem o devido processo legal, especialmente o artigo 5º, incisos III e LIV, da Constituição Federal.
É evidente que a prática de tortura para obtenção de provas constitui não apenas um ato repudiável, mas também uma violação clara à dignidade da pessoa humana e aos direitos fundamentais assegurados pela Constituição. Além disso, tal conduta configura uma violação à Lei nº 9.455/97, art. 1º, I, a), tornando a prova assim obtida ilícita e, por consequência, inadmissível perante o Poder Judiciário.
Tendo sido atestado que as confissões foram obtidas mediante tortura, todas as provas decorrentes dessas confissões, incluindo as armas e drogas supostamente apreendidas durante a ação policial, tornam-se automaticamente ilícitas. De acordo com o artigo 157 do Código de Processo Penal, é vedada a admissão de provas ilícitas no processo, sendo determinado que estas sejam desentranhadas dos autos.
Diante do exposto, considerando que as provas produzidas são decorrentes de crimes como tortura, todas elas são consideradas ilícitas e devem ser desentranhadas dos autos. Nesse sentido, resta sem justa causa a ação penal que se baseia em fundamentos ilegais, sendo imperativa a rejeição da denúncia.
II.III– DA NULIDADE POR AUSÊNCIA DE EXAME PERICIAL NOS CRIMES QUE DEIXAM VESTÍGIO:
Conforme o artigo 158 do Código de Processo Penal, nos casos em que a infração deixa vestígios, é indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto. No entanto, em audiência de instrução e julgamento, constatou-se que não foi juntado ou ouvido o perito oficial para produzir depoimento acerca da materialidade dos crimes imputados ao acusado.
Em vez disso, foram ouvidas testemunhas de acusação, consistentes em policiais militares, os quais afirmaram, com base em sua experiência profissional, que as armas apreendidas eram verdadeiras e tinham capacidade de lesão, além de declararem que a droga apreendida era própria para consumo.
Tal procedimento, que substituiu o exame de corpo de delito, não atende ao princípio da indispensabilidade do exame pericial, estabelecido pela legislação processual penal. A jurisprudência tem reiteradamente ressaltado a importância do exame pericial para a formação do convencimento judicial e a garantia de um julgamento justo.
Assim, a ausência de realização do exame pericial, aliada à substituição por depoimentos de testemunhas que não têm a mesma expertise técnica, constitui uma irregularidade que compromete a validade das provas apresentadas pela acusação. Portanto, enseja a rejeição da denúncia, conforme preleciona o artigo 395, inciso III, do Código de Processo Penal.
				III – DO MÉRITO:
III.I – Provas Insuficientes Para A Condenação:
 A prova produzida durante a instrução processual não se mostra suficiente para embasar uma condenação do réu pelos crimes imputados.
As testemunhas de acusação não foram capazes de fornecer elementos que comprovassem de forma inconteste a participação do réu nos delitos em questão. Seus depoimentos foram vagos, baseados em conjecturas e não apresentaram fatos concretos que corroborassem as acusações.
Por outro lado, as testemunhas de defesa, trouxer relatos consistentes que contestam as versões apresentadas pela acusação, vez que afirma firmou ter visto da janela de sua residência os policiais militares chutando a porta e invadindo a casa do acusado, bem como ouviu ele ser espancado e torturado, em razão dos gritos e pedidos de clemência por parte dos militares.No presente caso, não estão comprovadas pela acusação autoria e materialidade delitiva, conforme o disposto no art. 155 do Código de Processo Penal.
Como exposto alhures, as testemunhas de acusação não foram capazes de fornecer elementos que comprovassem de forma inconteste a participação do réu nos delitos em questão, seus depoimentos foram vagos, baseados em conjecturas e não apresentaram fatos concretos que corroborassem as acusações, violando o disposto no art. 156 do Código de Processo Penal.
Ademais, os depoimentos do próprio acusado em seus interrogatórios foram coerentes e não deixaram dúvidas quanto à negativa das acusações que lhes foram imputadas, em observância ao art. 185 do Código de Processo Penal.
Diante da fragilidade probatória apresentada pela acusação e da robustez das alegações defensivas, resta claro que não há elementos suficientes nos autos que justifiquem uma condenação dos réus.
Conforme pode-se observar da Denúncia, a mesma foi totalmente embasada apenas pelos relatos das policiais militares que efetuaram a prisão, sem qualquer prova robusta sobre a autoria do fato.
Ocorre que no atual Estado Democrático de Direito, em especial em nosso sistema processual penal acusatório, cabe ao Ministério Público comprovar a real existência do delito e a relação direta com a sua autoria, não podendo basear sua acusação apenas no depoimento dos policiais militares.
No Direito Penal brasileiro, para que haja a condenação é necessária a real comprovação da autoria e da materialidade do fato, conforme preceitua o Código de Processo Penal ao prever expressamente:
Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça:
(...)
VII - não existir prova suficiente para a condenação. 
O que deve ocorrer no presente caso, pois não há elementos suficientes para comprovar a relação do Réu com os fatos narrados. Dessa forma, o processo deve ser resolvido em favor do acusado, conforme destaca Celso de Mello no seguinte precedente:
"É sempre importante reiterar - na linha do magistério jurisprudencial que o Supremo Tribunal Federal consagrou na matéria - que nenhuma acusação penal se presume provada. Não compete, ao réu, demonstrar a sua inocência. Cabe ao contrário, ao Ministério Público, comprovar, de forma inequívoca, para além de qualquer dúvida razoável, a culpabilidade do acusado. Já não mais prevalecem em nosso sistema de direito positivo, a regra, que, em dado momento histórico do processo político brasileiro (Estado novo), criou, para o réu, com a falta de pudor que caracteriza os regimes autoritários, a obrigação de o acusado provar a sua própria inocência (...). Precedentes." (HC 83.947/AM, Rel. Min. Celso de Mello).
O que deve ocorrer no presente caso, pois não há elementos suficientes para comprovar a relação do Réu com os fatos narrados. 
Fato é que de forma leviana instaurou-se o presente processo, desprovido de provas cabais a demonstrar a gravidade do ato, consubstanciadas unicamente em indícios que maculam a finalidade da ação proposta.
Com base nas declarações e provas documentais acostadas ao presente processo, é perfeitamente possível verificar a ausência de qualquer evidência que confirme as alegações do denunciante.
Afinal, não há provas que sustentem as alegações trazidas no processo, sequer indícios contundentes foram juntados à inicial.
As declarações que instruíram o processo até o momento, sequer indicam a conduta específica do denunciado, devendo o presente processo ser imediatamente arquivado, com a aplicação imediata do in dubio pro reo.
Trata-se da devida materialização do princípio constitucional da presunção de inocência - art. 5º, inc. LVII da Constituição Federal, pela qual cabe ao Estado acusador apresentar prova cabal a sustentar sua denúncia, impondo-se ao magistrado fazer valer brocado outro, a saber: allegare sine probare et non allegare paria sunt - alegar e não provar é o mesmo que não alegar.
Sobre o tema, o doutrinador Noberto Avena destaca:
"Apenas diante de certeza quanto à responsabilização penal do acusado pelo fato praticado é que poderá operar-se a condenação. Havendo dúvidas, resolver-se-á esta em favor do acusado. Ao dispor que o juiz absolverá o réu quando não houver provas suficientes para a condenação, o art. 386, VII, do CPP agasalha, implicitamente, tal princípio. (Processo penal. 10ª ed. Editora Metodo, 2018.Versão ebook, 1.3.15)
Não sendo o conjunto probatório suficiente para afastar toda e qualquer dúvida quanto à responsabilidade criminal do acusado, imperativa a sentença absolutória. A prova da autoria deve ser objetiva e livre de dúvida, pois só a certeza autoriza a condenação no juízo criminal. Não havendo provas suficientes, a absolvição do réu deve prevalecer.
Conforme estabelecido no art. 386, inciso VII, do Código de Processo Penal, a absolvição é medida que se impõe quando não existirem provas suficientes para a condenação. No presente caso, a prova produzida durante a instrução processual não se mostra suficiente para embasar uma condenação dos réus pelos crimes imputados.
III.II - Da Necessária Desconsideração Do Depoimento Policial:
Toda denúncia parte de uma presunção equivocada da autoria do Réu, calcada exclusivamente sobre um depoimento prestado por policiais militar.
Todavia, a doutrina e a jurisprudência possuem posicionamento firmado de que o agente policial, sem qualquer acusação a sua probidade, mas possui conflito de interesses inafastável, uma vez que participou ativamente das diligências que culminaram em sua prisão. 
Assim, considerando a escassa prova gerada no inquérito e na instrução criminal, constata-se que inexiste elementos suficientes a incriminar o réu.
Inclusive, o Tribunal do Paraná, já se posicionou como ser medida que se impõe a absolvição do acusado, quando o depoimento policial é única prova produzida nos autos. Veja-se:
O CRIMINAL - FURTO - CONFISSÃO EXTRAJUDICIAL APOIADA PELA PROVA POLICIAL ÚNICA - PROVA INSUFICIENTE PARA CONDENAÇÃO - FURTO QUALIFICADO PELO CONCURSO DE AGENTES, DESAPARECIMENTO DA QUALIFICADORA - DIMINUIÇÃO DA PENA. A delação extrajudicial em confissão, quando desfeita em juízo, necessita de provas outras para basilar condenação segura. O exclusivo depoimento policial é prova frágil que deverá ser corroborada com as demais evidências e provas dos autos. Se estas não existem, há dúvida razoável da autoria do delito e impõe-se a absolvição do acusado. Desaparecendo a qualificadora, deve a pena ser aplicada pelo caput do artigo, diminuindo-a conseqüentemente.
(TJ-PR - ACR: 1668991 PR Apelação Crime - 0166899-1, Relator: Hirosê Zeni, Data de Julgamento: 04/09/2001, Terceira Câmara Criminal (extinto TA), Data de Publicação: 14/09/2001 DJ: 5963)
Diante disso, por ser frágil a presente prova e por não haver outras evidências que comprovem os crimes imputados, há de ser desconsiderado o depoimento dos policias e consequentemente ser o acusado absolvido.
III.III - Inexistência De comprovação de autoria do crime:
Nos autos do processo em questão, torna-se imperativa a absolvição do acusado, Brutus, ante a inexistência de comprovação de sua autoria nos crimes imputados. Os fundamentos que embasam esse pedido são os seguintes:
1. Ausência de Prova Cabal de Vinculação do Acusado aos Crimes: Durante a instrução processual, não foram apresentadas provas cabais que vinculem o acusado aos crimes de homicídio, tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. A mera presença dos objetos ilícitos em sua residência não constitui prova suficiente de sua participação nos delitos.
2. Falta de Testemunhas Oculares e de Provas Técnicas Incriminatórias: Não há testemunhas oculares que tenham presenciado a prática dos crimes pelo acusado. Além disso, não foram produzidas provas técnicas que o incriminem de forma inequívoca. A ausência desses elementos torna questionável a imputação dos crimes ao réu.
3. Confissão Obtida Mediante Coação: A suposta confissão obtida pela polícia foi realizada mediante violência física e psicológica, configurando clara coação. Como ésabido, confissões obtidas sob tais circunstâncias não possuem valor jurídico e não podem ser utilizadas como prova da culpa do acusado.
4. Presunção de Inocência e Dúvidas Razoáveis: Diante da ausência de provas concretas e da contundência das alegações defensivas, subsistem dúvidas razoáveis quanto à autoria dos crimes atribuídos a Brutus. Nesse contexto, a presunção de inocência deve prevalecer, e a condenação do réu sem provas robustas e convincentes seria uma grave injustiça.
Está provada a inexistência do crime, uma vez que não há provas suficientes de que o mesmo de fato ocorreu, vigorando o princípio do in dubio pro réu.
A culpabilidade é elemento indissociável da punibilidade, uma vez que a sua consideração é pressuposto insuperável da pena da própria configuração do delito,
Conforme o princípio do in dubio pro reo, na dúvida quanto à existência do crime ou à participação dos acusados, deve-se decidir em favor do réu. 
Nesse sentido, se a acusação não logrou êxito em comprovar a existência do delito, impera o reconhecimento da inocência do réu.
Portanto, como requisito indispensável à condução do processo, tem-se por necessária a devida ponderação da culpabilidade do agente.
Portanto, considerando que não há nos autos elementos de prova suficientes para a comprovação da materialidade dos crimes imputado ao réu, requer-se a sua absolvição nos termos do artigo 386, inciso V, do Código de Processo Penal.
Diante da ausência de elementos que comprovem a autoria dos delitos pelo réu, é imperativo reconhecer a inexistência de responsabilidade penal, conforme preconizado pelo princípio do in dubio pro reo.
III.V - Inocorrência do Concurso de Crimes:
Há que se destacar que não ocorreu o concurso de crimes, conforme previsto no artigo 69 do Código Penal, pelas seguintes razões:
1. Diversidade de Bens Jurídicos Tutelados: Os delitos imputados ao acusado Brutus, tais como homicídio, tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo, protegem bens jurídicos distintos. O homicídio visa à proteção da vida humana, o tráfico de drogas busca resguardar a saúde pública, enquanto o porte ilegal de arma de fogo tem como objetivo a segurança coletiva. Portanto, não há que se falar em concurso de crimes quando os bens jurídicos tutelados são diversos.
2. Pluralidade de Condutas e Resultados Autônomos: As condutas imputadas ao acusado foram realizadas de forma autônoma e independente, não havendo nexo causal entre elas. Cada crime possui uma conduta típica própria, bem como um resultado jurídico distinto, o que afasta a caracterização do concurso de crimes.
3. Ausência de Identidade de Elementos Objetivos e Subjetivos: Os crimes imputados ao réu apresentam elementos objetivos e subjetivos diferentes, não havendo identidade entre eles. As circunstâncias fáticas e os elementos subjetivos do tipo penal são diversos em cada infração, o que reforça a inexistência do concurso de crimes.
Diante do exposto, não se verifica a ocorrência do concurso de crimes nos termos do artigo 69 do Código Penal, uma vez que não há identidade de bens jurídicos tutelados, pluralidade de condutas e resultados autônomos, nem identidade de elementos objetivos e subjetivos entre os delitos imputados ao acusado.
III.VI - Aplicação do Artigo 73 do Código Penal - Erro na Execução em Favor de Brutus:
No caso de Brutus, é fundamental considerar a aplicação do artigo 73 do Código Penal, que trata do erro na execução.
Ao analisar os fatos ocorridos, verifica-se que Brutus, ao realizar as condutas imputadas, possivelmente incorreu em um erro na execução. Ainda que seu intento inicial fosse atingir uma pessoa específica, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, ele acabou por atingir outra pessoa, resultando em consequências distintas daquelas pretendidas.
Diante desse contexto, conforme previsto no artigo 73 do Código Penal, Brutus deve responder pelo crime como se tivesse praticado contra a pessoa que pretendia ofender, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 do mesmo Código.
Considerando que Brutus, ao atingir uma pessoa diversa da pretendida, cometeu os crimes imputados de forma inadvertida, deve-se aplicar a regra do erro na execução em seu favor. Desta forma, a responsabilidade penal de Brutus deve ser aferida tendo em vista o resultado efetivamente alcançado, observando-se o princípio da proporcionalidade e da individualização da pena.
Portanto, a aplicação do artigo 73 do Código Penal em favor de Brutus é imprescindível para uma análise justa e equânime dos fatos ocorridos, garantindo-se assim o devido processo legal e os direitos fundamentais do acusado.
IV- DOS PEDIDOS:
ISTO POSTO, requer:
1. Reconheça a ilegalidade do flagrante delito em virtude da violação do direito fundamental à inviolabilidade do domicílio, desconsiderando as provas obtidas de forma ilícita durante a busca e apreensão na residência do acusado.
2. Declare a nulidade das provas obtidas mediante abuso de poder, especialmente a confissão obtida sob coação, determinando sua desconsideração no processo conforme preceitua o artigo 157 do Código de Processo Penal.
3. Acolha a nulidade por ausência de exame pericial nos crimes que deixam vestígios, em conformidade com o disposto no artigo 158 do Código de Processo Penal, e rejeite a denúncia por falta de fundamentação técnica adequada.
4. Julgue improcedentes as acusações, considerando a insuficiência de provas para embasar uma condenação, conforme previsto no artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal.
5. Desconsidere o depoimento policial como única prova produzida nos autos, dada sua fragilidade e ausência de corroborantes, e promova a absolvição do réu conforme a jurisprudência pertinente.
6. Reconheça a inexistência de comprovação de autoria do crime, em consonância com o princípio do in dubio pro reo, e determine a absolvição do réu com base no artigo 386, inciso V, do Código de Processo Penal.
7. Por fim, declare a inocorrência do concurso de crimes, tendo em vista a diversidade de bens jurídicos tutelados, a pluralidade de condutas e resultados autônomos, bem como a ausência de identidade de elementos objetivos e subjetivos entre os delitos imputados ao acusado.
8. Requer-se a aplicação do artigo 73 do Código Penal em favor do réu, considerando o erro na execução dos atos imputados, o que poderia mitigar sua responsabilidade penal diante das circunstâncias, conforme o princípio da proporcionalidade e da individualização da pena.
Pelo exposto, aguarda-se o acolhimento dos pedidos e a consequente absolvição do réu, Brutus, com a garantia dos direitos fundamentais e da justiça neste processo.
Nestes termos, pede deferimento.
Local xxx, 01/12/2023.
Assinatura do Advogado
 OAB/UF nº
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUÍZ DE DIREITO DA 
VARA C
RIMINAL 
DA COMARCA DE 
PORTO SEGURO 
-
BA
 
 
Autos:
 
 
BRUTUS
,
 
já qualificado nos autos da Ação Penal Pública em que figuram como 
acusados, através de sua defesa técnica, vêm, respeitosamente, perante Vossa Excelência, 
apresentar seus memoriais, nos termos do art. 403, §3º do Código de Processo Penal, 
pelas razões qu
e passam a expor
 
ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS
 
Servem estes memoriais para chamar a atenção ao arcabouço legal e probatório 
conclusivo ao direito pleiteado.
 
I 
–
 
BREVE SÍNTESE:
 
O acusado foi denunciado pelo Ministério Público sob a acusação de ter 
cometido 
os seguintes delitos:
 
1.
 
Homicídio Qualificado (Art. 121, § 2º, II e VIII do Código Penal):
 
A 
denúncia imputa ao réu a prática de homicídio qualificado por motivo fútil e com emprego 
de arma de fogo de uso restrito, em duas ocasiões distintas, resultando em duas vítimas.
 
 
2.
 
Porte Ilegal de Arma de Fogo de Uso Restrito (Art. 16, caput da Lei 
nº 10.
826/03):
 
O réu é acusado de portar ilegalmente uma pistola 9mm e um fuzil, ambos 
de uso restrito, em duas ocasiões distintas.
 
 
3.
 
Tráfico de Drogas (Art. 33, caput da Lei nº 11.343/06):O réu também 
é imputado pela prática do crime de tráfico de drogas.
 
 
Dura
nte a audiência de instrução e julgamento, após o interrogatório do réu, foram 
apresentadas provas pela acusação e pela defesa. A acusação baseou
-
se no depoimento 
de policiais militares que afirmaram a veracidade das armas apreendidas e a natureza 
ilícita 
da droga encontrada na residência do réu. 
 
Entretanto, a testemunha de defesa relatou ter testemunhado, da janela de sua 
residência, a entrada abrupta e alegadamente violenta dos policiais militares na casa do 
acusado, assim como ter ouvido os gritos de ag
onia do réu durante a abordagem.
 
Esses eventos na audiência destacam a controvérsia em torno da conduta dos 
agentes policiais e da legalidade das provas apresentadas pela acusação, assim, 
é 
imprescindível que haja uma análise minuciosa das provas apresenta
das nos autos, a fim 
de se garantir
 
a justiça e a verdade dos fatos.
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUÍZ DE DIREITO DA 
VARA CRIMINAL DA COMARCA DE PORTO SEGURO -BA 
 
Autos: 
 
BRUTUS, já qualificado nos autos da Ação Penal Pública em que figuram como 
acusados, através de sua defesa técnica, vêm, respeitosamente, perante Vossa Excelência, 
apresentar seus memoriais, nos termos do art. 403, §3º do Código de Processo Penal, 
pelas razões que passam a expor 
ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS 
Servem estes memoriais para chamar a atenção ao arcabouço legal e probatório 
conclusivo ao direito pleiteado. 
I – BREVE SÍNTESE: 
O acusado foi denunciado pelo Ministério Público sob a acusação de ter cometido 
os seguintes delitos: 
1. Homicídio Qualificado (Art. 121, § 2º, II e VIII do Código Penal): A 
denúncia imputa ao réu a prática de homicídio qualificado por motivo fútil e com emprego 
de arma de fogo de uso restrito, em duas ocasiões distintas, resultando em duas vítimas. 
 
2. Porte Ilegal de Arma de Fogo de Uso Restrito (Art. 16, caput da Lei 
nº 10.826/03): O réu é acusado de portar ilegalmente uma pistola 9mm e um fuzil, ambos 
de uso restrito, em duas ocasiões distintas. 
 
3. Tráfico de Drogas (Art. 33, caput da Lei nº 11.343/06): O réu também 
é imputado pela prática do crime de tráfico de drogas. 
 
Durante a audiência de instrução e julgamento, após o interrogatório do réu, foram 
apresentadas provas pela acusação e pela defesa. A acusação baseou-se no depoimento 
de policiais militares que afirmaram a veracidade das armas apreendidas e a natureza 
ilícita da droga encontrada na residência do réu. 
Entretanto, a testemunha de defesa relatou ter testemunhado, da janela de sua 
residência, a entrada abrupta e alegadamente violenta dos policiais militares na casa do 
acusado, assim como ter ouvido os gritos de agonia do réu durante a abordagem. 
Esses eventos na audiência destacam a controvérsia em torno da conduta dos 
agentes policiais e da legalidade das provas apresentadas pela acusação, assim, é 
imprescindível que haja uma análise minuciosa das provas apresentadas nos autos, a fim 
de se garantir a justiça e a verdade dos fatos.

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