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1 
 
 
FACULDADE UNIRB ARAPIRACA 
BACHARELADO EM MEDICINA VETERINÁRIA 
 
 
 
 
 
 
SUELLEN DOS REIS AMORIM 
 
 
 
 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO OBRIGATÓRIO SUPERVISIONADO II 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARAPIRACA – AL 
2024 
2 
 
FACULDADE UNIRB ARAPIRACA 
BACHARELADO EM MEDICINA VETERINÁRIA 
 
 
 
 
SUELLEN DOS REIS AMORIM 
 
 
 
 
 
 
 
 RELATÓRIO DE ESTÁGIO OBRIGATÓRIO SUPERVISIONADO II 
 
 
 
 
Relatório de Estágio Obrigatório 
Supervisionado apresentado como 
requisito para obtenção de nota desta 
disciplina. 
Supervisor(a) de Estágio: Dr. Bruna 
Vasconcelos 
Local de Estágio: Clínica Bicho de 
Patas 
 
 
 
 
ARAPIRACA – AL 
2024 
3 
 
Sumário 
1. INTRODUÇÃO....................................................................................................... 04 
2. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS....................................................................... 04 
 2.1 Caracterização do local de estágio...................................................................... 04 
3. APRESENTAÇÃO DOS TRABALHOS DESENVOLVIDOS DURANTE O 
ESTÁGIO.................................................................................................................... 05 
 3.1 ATIVIDADES RELACIONADAS AO SETOR CLÍNICO.......................... 06 
 3.2 ATIVIDADES RELACIONADAS AO SETOR DE INTERNAÇÃO.......... 06 
4. CASOS CLÍNICOS................................................................................................ 06 
5. RELATO DE CASO............................................................................................... 09 
5.2. Parvovírus Canino e o Agente Etiológico .............................................................12 
5.3.Epidemiologia e Transmissão ................................................................................12 
5.4. Patogenia e Manifestações Clínicas ......................................................................12 
5.5. Diagnóstico e Tratamento .....................................................................................12 
5.6.Prevenção e Controle .............................................................................................13 
5.7. Relato de caso – parvovirose canina: paciente duque ...........................................13 
6. DISCUSSÃO........................................................................................................... 15 
8. CONCLUSÃO ........................................................................................................ 15 
7. REFERÊNCIAS...................................................................................................... 16 
 
4 
 
1. INTRODUÇÃO 
Este relatório de estágio supervisionado tem como objetivo apresentar as 
experiências adquiridas durante a realização do estágio, promovendo uma reflexão crítica 
acerca da interseção entre a teoria acadêmica e a prática pedagógica. O estágio, 
componente curricular obrigatório, está fundamentado na Lei nº 9.394, de 20 de dezembro 
de 1996, e na Resolução nº 2, de 1º de julho de 2015, que reforçam a importância de 
políticas educacionais voltadas para a garantia da qualidade do ensino. 
A experiência do estágio possibilita a integração entre os aspectos teóricos e 
práticos, permitindo a resolução de questões que surgem no cotidiano educacional, desde 
as mais simples até as mais complexas. Tal integração contribui não apenas para a 
resolução eficaz dos desafios encontrados, mas também para o desenvolvimento pessoal 
do estagiário. Ademais, o contato constante com profissionais de diferentes áreas amplia 
a compreensão do campo de atuação e favorece uma inserção mais consistente no 
mercado de trabalho. 
2. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS 
2.1 Caracterização do local de estágio 
O estágio supervisionado II do curso de Medicina Veterinária, realizado na 
Universidade Regional da Bahia (UNIRB) e supervisionado pela Dra. Bruna Vasconcelos, 
é crucial para a formação profissional. O estágio ocorreu na Queiroz Barbosa Rações, 
(foto1) em Arapiraca, Alagoas, de 02 de dezembro de 2024 até 22 de dezembro de 2024, 
totalizando 220 horas práticas. Dispõem de local completo para cirurgias e 
procedimentos. 
 
 
 
 
 
 
(Foto 1, fone: autor) 
5 
 
ESPAÇOS DO LOCAL DE ESTÁGIO 
 
Recepção Local de lavagem Mesa de procedimento 
 
As atividades do estágio incluíram consultas, procedimentos cirúrgicos, 
acompanhamento de pacientes internados e realização de exames sob orientação do 
médico veterinário Rusley Queiroz Barbosa, CRMV 956-AL. A estudante realizou 
aferição de parâmetros vitais, coletas sanguíneas, administração de medicamentos, 
alimentação assistida, contenção de animais e participação em procedimentos de 
emergência. A experiência prática permitiu a aplicação dos conhecimentos teóricos e o 
desenvolvimento de habilidades clínicas e cirúrgicas. 
3. APRESENTAÇÃO DOS TRABALHOS DESENVOLVIDOS DURANTE O 
ESTÁGIO 
Durante o estágio no centro veterinário, a acadêmica de Medicina Veterinária 
acompanhou e auxiliou nas atividades desenvolvidas nos diferentes setores da clínica, 
seguindo a rotina da supervisora. As manhãs foram dedicadas aos atendimentos clínicos, 
enquanto as tardes concentraram-se nas cirurgias agendadas. Nos intervalos, a equipe 
realizava reuniões para discutir casos, reavaliar pacientes internos, solucionar dúvidas e 
planejar novos atendimentos. A acadêmica participou ativamente de consultas, 
procedimentos cirúrgicos eletivos e emergenciais, internações e diversos exames. 
6 
 
Na internação de cães e gatos, a acadêmica aferiu parâmetros vitais, como 
pressão arterial, glicemia, frequência cardíaca e respiratória, pulso femoral e temperatura 
retal. Realizou coletas sanguíneas, operou equipamentos de hemograma e bioquímicos, 
administrou medicamentos, realizou acessos venosos e, sob supervisão, efetuou a 
colocação de sondas uretrais. No setor de nutrição, administrou alimentos formulados 
individualmente para cada paciente e utilizou sondas nasogástricas ou esofágicas 
quando necessário. Também acompanhou profissionais volantes durante exames 
complementares, como ultrassonografia e raios X, auxiliando na contenção dos animais 
e no preparo dos materiais. Em situações de emergência, participou de reanimações 
cardiopulmonares, intubações orotraqueais, oxigenoterapia e administração de fármacos 
emergenciais. 
3.1. ATIVIDADES RELACIONADAS AO SETOR CLÍNICO 
Durante a anamnese, observou os tutores relatando queixas, sinais clínicos, 
histórico do paciente, estado de castração, informações sobre contactantes, uso de 
antiparasitários, tipo de alimentação e situação vacinal. Acompanhou a realização de 
exames físicos e clínicos, apresentando dúvidas e propondo suspeitas diagnósticas. Esteve 
presente na solicitação e execução de exames complementares, como hemograma, 
bioquímicos, glicemia, ultrassonografias e raios X. O acompanhamento de especialistas 
volantes nas áreas de ultrassonografia, radiologia e anestesia permitiu ampliar sua 
compreensão e colaboração na contenção dos pacientes. 
3.2. ATIVIDADES RELACIONADAS AO SETOR DE INTERNAÇÃO 
No setor de internação, a acadêmica aferiu parâmetros vitais, incluindo 
coloração das mucosas, frequência cardíaca e respiratória, pulso femoral, tempo de 
preenchimento capilar, glicemia, pressão arterial sistólica e temperatura. Realizou acessos 
venosos, coletas sanguíneas, processou amostras de hemograma e bioquímicos, além de 
visualizar lâminas em microscópio. Sob supervisão, administrou medicações prescritas, 
implementando tratamentos registrados na ficha dos pacientes internos de acordo com as 
orientações da médica veterinária responsável. 
4. CASOS CLÍNICOS 
Durante o estágio no centro veterinário, foram acompanhados diversos casos 
clínicos que evidenciaram a complexidade e a importância de uma abordagem7 
 
multidisciplinar na prática veterinária. Os casos relatados neste relatório fornecem uma 
visão detalhada dos procedimentos realizados e dos tratamentos implementados, 
destacando a aplicação dos conhecimentos teóricos e práticos adquiridos ao longo do 
curso. A experiência proporcionou uma compreensão aprofundada dos desafios e das 
decisões clínicas envolvidas no atendimento aos pacientes. 
Categoria Detalhes 
 
 
 
 
 
 
foto 
 
Paciente Animal da espécie felina, nome Pingo, pelagem 
branca, idade não definida, peso de 3,9 kg, macho, não 
castrado. O tutor relatou que resgatou o animal na rua 
aproximadamente uma hora antes de levá-lo à clínica. 
Sintomas Lesões ulcerativas na pele com crostas em regiões 
como orelhas, região ocular, mandibular, cotovelos e entre os 
dígitos das patas. Exame físico indicou paciente alerta, 
levemente desidratado, temperatura de 38,1°C, mucosas 
hipocoradas, presença de ectoparasitas, linfonodos normais, 
TPC > 2 segundos e demais parâmetros normais. 
Diagnóstico Exames realizados: check-up completo (hemograma: 
discreta leucocitose e linfopenia; teste FiLV/FeLV: negativo; 
bioquímicos: ureia levemente aumentada); citologia de pele 
8 
 
por imprint de lâminas revelou estruturas leveduriformes 
compatíveis com Sporothrix schenckii. 
Tratamento Itraconazol 50 mg/animal (BID) por 60 dias; iodeto de 
potássio 10 mg/kg (BID) por 60 dias (manipulado); Munnomax 
1 comprimido/10 kg (SID) por 30 dias; Marbofloxacina 2,75 
mg/kg (SID) por 10 dias; Revolution 6% (aplicação em região 
dorsal). 
Observação O tratamento foi planejado para 2 meses, com resposta 
positiva observada em 48 dias, demonstrando sucesso 
terapêutico antes do tempo previsto. 
 
Categoria Detalhes 
Foto 
 
Paciente Animal da espécie canina, nome Duque, pelagem 
creme/amarelada, sem raça definida, idade não informada, 
peso de 9 kg, macho. O tutor relatou que o animal chegou à 
consulta após dois dias sem se alimentar, vômitos e diarreia 
sanguinolenta iniciados no dia anterior, além de apatia total. 
Sintomas Cachorro prostrado e sem sinais de movimento. 
Exame clínico revelou estado geral regular, temperatura de 
9 
 
40°C, mucosas levemente hipocoradas, desidratação leve, 
linfonodos normais e TPC > 5 segundos. 
Diagnóstico Exames solicitados: hemograma; resultado confirmou 
parvovirose canina (detalhes do hemograma não 
compartilhados por ética da empresa). 
Tratamento Medicações utilizadas: Bionew (complexo 
vitamínico), ondansetrona (antiemética), transamin (anti-
hemorrágico), dipirona (analgésico/antipirético), 
dexametasona (anti-inflamatório), ceftriaxona (antibiótico), 
omeprazol (protetor gástrico). Fluidoterapia com soro Ringer. 
Observação O tratamento foi realizado com internação inicial. 
Após melhora, o animal foi liberado com medicação para casa 
e orientações de retorno ao centro médico em caso de piora ou 
para revisão conforme agendamento. 
 
Categoria Detalhes 
Foto 
 
Paciente Animal da espécie canina, nome Magali, SRD, 
pelagem branca, 2 anos, peso de 12,6 kg, fêmea, castrada. Tutor 
relatou que o animal estava mais quieto, tinha costume de 
10 
 
mexer no lixo e apresentou 3 episódios de vômitos há 2 dias, 
sem apetite e ingerindo apenas água. Relatou gemido ao toque 
no abdômen e suspeita de febre. 
Sintomas Animal apático, prostrado, com desconforto 
abdominal à palpação, taquicardia, respiração abdominal, 
levemente desidratado, mucosas oculares e oral hipocoradas, 
temperatura de 39,6°C, tosse seca, presença de pulgas e 
carrapatos, linfonodos normais. 
Diagnóstico Exames realizados: ultrassonografia abdominal 
(esplenomegalia); radiografia torácica; check-up completo 
(hemograma: anemia, leucocitose com monocitose, plaquetas 
44 mil; bioquímicos: ureia e creatinina levemente aumentadas, 
função hepática normal); sorologia Snap 4DX confirmando 
Ehrlichia positivo, Babesia negativo. 
Tratamento Internação inicial com suporte de fluidoterapia. 
Medicamentos: Gaviz 0,7 mg/kg em jejum (SID) por 14 dias; 
doxiciclina 100 mg (1 comprimido/10 kg, SID) por 28 dias; 
Eritrós tabs 1 comprimido/animal (SID) por 30 dias; Promun 
Dog: 2,5 comprimidos (SID) por 30 dias; Cerenia 24 mg (SID) 
por 4 dias; Cobavital 4 mg/animal (BID) por 5 dias. 
Observação Solicitado hemograma de acompanhamento após o 
tratamento. Tutor não retornou para avaliação de 
acompanhamento. 
 
Categoria Detalhes 
11 
 
Foto 
 
Paciente Animal da espécie canina, nome Ruck, pelagem preta, 
2 meses, peso de 4 kg, macho. Tutor relatou que o animal foi 
vítima de atropelamento por carro, apresentava sangramento 
nasal, mas não demonstrava dor aparente, permanecendo 
tranquilo e calmo. 
Sintomas Exame clínico indicou estado geral regular, 
temperatura de 38,7°C, mucosas normais, sem desidratação, 
linfonodos normais, TPC > 2 segundos e parâmetros gerais 
normais. Raio-X revelou ausência de fraturas, mas constatou 
edema pulmonar. 
Diagnóstico Exame de imagem (raio-X) indicou edema pulmonar 
sem fraturas. 
Tratamento Medicações prescritas para uso domiciliar: 
Prednisona (anti-inflamatório), Enrogard (antibiótico), 
Dipirona (antipirético/analgésico), Furosemida (diurético) e 
Transamin. Tutor orientado sobre sinais de piora e necessidade 
de retorno em 8 dias para reavaliação. 
Observação O animal foi internado para observação inicial, mas 
devido a limitações financeiras do tutor, o tratamento foi 
continuado em casa com suporte medicamentoso. Retorno foi 
agendado para reavaliação após 8 dias. 
12 
 
5. RELATO DE CASO 
5.1 CASO CLÍNICO 
5.2. Parvovírus Canino e o Agente Etiológico 
O Parvovírus Canino (CPV) é responsável pela Parvovirose, uma doença grave 
que acomete principalmente filhotes, embora cães de todas as idades possam ser 
infectados. O CPV pertence à família Parvoviridae e é altamente resistente ao ambiente, 
podendo sobreviver por meses em locais com temperatura baixa (Jericó et al., 2015). Este 
vírus é classificado em duas formas patogênicas: o tipo CVP-1, que é menos virulento, e 
o CVP-2, que causa a forma mais grave da doença, levando à enterite hemorrágica e 
podendo resultar em óbito (Nelson e Couto, 2010; Jericó et al., 2015). 
5.4.Epidemiologia e Transmissão 
O CPV foi identificado pela primeira vez nos Estados Unidos em 1978 e no 
Brasil em 1980, e sua transmissão ocorre principalmente por fômites, como objetos e 
roupas contaminadas (Vieira et al., 2011). O vírus é excretado nas fezes de cães 
infectados, o que facilita sua propagação (Rodrigues et al., 2017). Filhotes, especialmente 
de raças como Rottweiler e Pitbull, são mais suscetíveis devido à diminuição dos 
anticorpos maternos durante a queda da imunidade passiva (Jericó et al., 2015). 
5.4. Patogenia e Manifestações Clínicas 
A infecção pelo CPV resulta principalmente em gastroenterite hemorrágica, 
onde o vírus destrói as vilosidades intestinais e provoca sintomas como diarreia 
hemorrágica, vômitos, anorexia e letargia (Rodrigues et al., 2017). A viremia rápida 
espalha o vírus para órgãos linfáticos e intestinais, prejudicando a resposta imunológica 
do animal e deixando-o vulnerável a infecções secundárias (Jericó et al., 2015). Além 
disso, a infecção pode causar hipoglicemia, septicemia e desidratação severa, o que 
contribui para o quadro clínico grave e a alta taxa de mortalidade, especialmente em 
filhotes não tratados (Prittie, 2004; Schoeman et al., 2013). 
5.5. Diagnóstico e Tratamento 
O diagnóstico da Parvovirose é baseado em sinais clínicos, exames laboratoriais 
e testes rápidos, como o ELISA e o PCR, que são eficazes para detectar o antígeno viral 
nas fezes do animal (Rodrigues et al., 2017). O tratamento é de suporte, focando na 
13 
 
hidratação, controle da dor, nutrição adequada e uso de antibióticos para prevenir 
infecções secundárias (Prittie, 2004). A fluidoterapia é fundamental para corrigir os 
desequilíbrios eletrolíticos e combatera desidratação grave (Rodrigues et al., 2017). 
5.7. Prevenção e Controle 
A vacinação é a principal forma de prevenção contra o CPV, sendo recomendada 
a imunização das fêmeas antes da gestação, garantindo a transmissão de anticorpos 
através do colostro (Moraes & Costa, 2007). A isolação de cães infectados e a desinfecção 
rigorosa de ambientes também são essenciais, pois o vírus é altamente resistente e pode 
sobreviver por longos períodos em locais não expostos ao sol direto (Moraes & Costa, 
2007). 
Em suma, a Parvovirose Canina é uma doença grave que exige diagnóstico 
precoce, tratamento adequado e estratégias de vacinação rigorosas para controle da sua 
propagação. A alta resistência do vírus ao ambiente e a sua rápida disseminação fazem 
dela uma ameaça contínua para cães, especialmente filhotes. 
5.7. Relato de caso – parvovirose canina: paciente duque 
Duque, um cão sem raça definida (SRD), de pelagem creme/amarelada, macho, 
com peso de 9 kg e idade não informada, foi levado ao atendimento veterinário devido à 
ausência de apetite há dois dias, associada a vômitos e diarreia sanguinolenta iniciados 
no dia anterior. Segundo o tutor, o animal apresentava comportamento apático e estava 
prostrado no momento da consulta, sem sinais de movimentação. 
Durante o exame clínico realizado pelo médico veterinário, Duque foi 
classificado em estado geral regular. Observou-se uma temperatura de 40°C, mucosas 
levemente hipocoradas, desidratação leve, ausência de ectoparasitas, linfonodos normais 
e tempo de preenchimento capilar (TPC) superior a 5 segundos, indicando 
comprometimento circulatório. Diante dos sinais clínicos e da história apresentada, 
levantou-se a suspeita de parvovirose canina, sendo solicitado um hemograma completo 
e iniciado tratamento imediato. 
A terapêutica incluiu fluidoterapia com soro Ringer para estabilização do 
paciente e medicações direcionadas aos sintomas apresentados. Entre elas, o complexo 
vitamínico Bionew foi administrado para suporte nutricional, ondansetrona como 
antiemético, transamin para conter hemorragias intestinais, dipirona para controle da 
14 
 
febre e analgesia, dexametasona como anti-inflamatório e ceftriaxona para prevenção de 
infecções bacterianas secundárias. Além disso, foi utilizado omeprazol como protetor 
gástrico para minimizar os danos causados por secreções gástricas em um trato digestivo 
debilitado. 
Após 24 horas de internação, os resultados do hemograma confirmaram o 
diagnóstico de parvovirose canina, identificada pela leucopenia característica da infecção, 
enquanto outros detalhes do exame não foram divulgados devido a restrições éticas da 
instituição. Com a confirmação diagnóstica, manteve-se o protocolo terapêutico, e o 
animal continuou a ser monitorado na clínica. 
Após alguns dias de internação, Duque apresentou uma recuperação clínica 
significativa, reagindo bem às medicações e exibindo um quadro geral estável. O paciente 
recebeu alta sob a condição de continuar o tratamento em casa, com as mesmas 
medicações prescritas, e retornar à clínica para revisão ou em caso de piora. As 
orientações fornecidas ao tutor incluíram o monitoramento rigoroso do estado de saúde 
do animal, isolamento para evitar contaminação de outros cães, e a higienização do 
ambiente com desinfetantes eficazes contra o vírus da parvovirose (CPV-2). 
Esse caso ilustra a gravidade da parvovirose em cães não vacinados e a 
importância de um atendimento rápido e eficaz. A pronta internação, fluidoterapia e o uso 
de medicações específicas foram cruciais para a estabilização e recuperação de Duque. O 
protocolo seguido refletiu boas práticas na abordagem de emergências gastrointestinais 
associadas à parvovirose, enfatizando a necessidade de prevenção por meio da vacinação. 
A parvovirose canina, uma das principais causas de morbidade e mortalidade em 
cães jovens, destaca a relevância da conscientização do tutor sobre cuidados básicos, 
como imunização e ambiente seguro, para evitar complicações semelhantes. 
Para fundamentar a discussão sobre a Parvovirose Canina, é importante destacar 
os principais pontos que envolvem o agente etiológico, a patogenia, o diagnóstico e o 
tratamento da doença. 
 
 
 
15 
 
6. DISCUSSÃO 
A parvovirose canina, descrita como uma das doenças infecciosas mais severas 
que acometem cães domésticos, apresenta desafios consideráveis para a medicina 
veterinária. Sua patogenia complexa, associada à capacidade do vírus de sobreviver em 
ambientes adversos por longos períodos, reflete a importância de estratégias robustas de 
controle e prevenção. Como apontado por Jericó et al. (2015) e Vieira et al. (2011), o 
parvovírus canino (CPV) demonstra alta resistência a desinfetantes comuns e ao clima, 
permitindo a disseminação geográfica e o alto índice de contaminação ambiental. 
Os aspectos clínicos da doença, como gastroenterite hemorrágica, depressão e 
anorexia, corroboram a gravidade do quadro, sobretudo em raças predispostas ou filhotes 
jovens (Nelson; Couto, 2010). Estudos sugerem que, além das manifestações 
gastrointestinais, a imunossupressão induzida pelo CPV torna os cães acometidos mais 
suscetíveis a infecções secundárias, agravando o prognóstico (Rodrigues; Molinari et al., 
2017). 
Apesar dos avanços diagnósticos, como os testes de PCR e ELISA, o manejo 
terapêutico ainda é desafiador, centrando-se principalmente em medidas de suporte para 
reduzir a mortalidade. Nesse sentido, a prevenção pela vacinação tem sido amplamente 
reconhecida como a estratégia mais eficaz para minimizar os impactos da parvovirose, 
tanto em termos de saúde animal quanto no controle ambiental (Moraes; Costa, 2007). 
Os fatores epidemiológicos ressaltam a relevância da imunização adequada e do 
isolamento rigoroso de animais infectados para impedir a disseminação viral. Ainda assim, 
estudos mostram que falhas na cobertura vacinal, como em cadelas prenhas não 
imunizadas, comprometem a transmissão de anticorpos protetores via colostro, expondo 
os filhotes ao vírus em uma fase vulnerável de desenvolvimento (Bird, 2013). 
7. CONCLUSÃO 
O estágio supervisionado configura-se como uma etapa indispensável na 
formação de qualquer profissional, especialmente em áreas como a Medicina Veterinária, 
onde a prática desempenha um papel central. Durante o estágio supervisionado II, 
realizado no Centro Veterinário Queiroz Barbosa, foi possível observar de forma 
aprofundada a rotina da prática clínica, promovendo a integração dos conhecimentos 
16 
 
teóricos adquiridos ao longo do curso com a realidade do campo profissional. Essa 
experiência revelou-se essencial para a construção de competências técnicas, éticas e 
interpessoais fundamentais ao exercício da profissão. 
Ao longo do estágio, foram realizadas diversas atividades, incluindo consultas 
clínicas, procedimentos cirúrgicos, acompanhamento de internações e execução de 
exames complementares. Essas vivências favoreceram o desenvolvimento de habilidades 
específicas, como a aferição de parâmetros vitais, coleta de amostras biológicas, 
administração de medicamentos, contenção de animais e atuação em situações de 
emergência. Além disso, o contato constante com a equipe multidisciplinar proporcionou 
um aprendizado significativo, ampliando a compreensão sobre as práticas colaborativas 
no ambiente veterinário. 
A experiência no centro veterinário destacou a importância da prevenção e do 
manejo adequado de doenças, como evidenciado nos casos acompanhados de parvovirose 
canina. O estágio contribuiu para consolidar o entendimento sobre a relevância da 
vacinação, do manejo clínico cuidadoso e da tomada de decisão informada diante dos 
desafios da saúde animal. 
De modo geral, o estágio supervisionado não apenas reforçou a relevância da 
prática veterinária de qualidade, mas também representou uma oportunidade ímpar de 
aprimoramento acadêmico e pessoal, preparando o estagiáriopara os desafios do mercado 
de trabalho e para o exercício ético e responsável da profissão. 
 
8 REFERÊNCIAS 
 
BIRD, R. Vacinação e controle de doenças virais em cães. 2013. 
COSTA, F. S.; et al. Classificação e evolução do parvovírus canino. 2011. 
GODDARD, A.; et al. Anemia e alterações hematológicas em cães com Parvovirose. 
2008. 
JERICÓ, M. M.; et al. Caracterização e aspectos clínicos da Parvovirose Canina. 
2015. 
LARRY, F.; FRANCIS, P. Cepas virais do CPV e evolução. 2011. 
MORAES, M. L.; COSTA, R. A. Prevenção e controle da Parvovirose Canina. 2007. 
17 
 
NELSON, R. W.; COUTO, C. G. Medicina interna de pequenos animais. 4. ed. Rio 
de Janeiro: Elsevier, 2010. 
POTGIETER, L. N.; et al. Alterações clínicas e patológicas na Parvovirose Canina. 
1981. 
PRITTIE, J. Fluidoterapia e suporte no tratamento da Parvovirose Canina. 2004. 
RODRIGUES, B.; MOLINARI, B. L. D.; et al. Epidemiologia, diagnóstico e 
prevenção da Parvovirose Canina. 2017. 
SCHOEMAN, J. P.; et al. Septicemia associada à Parvovirose em cães: impacto 
clínico. 2013. 
SCIELO, J. M.; et al. Parvovírus canino: epidemiologia e impactos na saúde animal. 
2018. 
VIEIRA, A.; et al. Revisão sobre a virologia e disseminação do parvovírus canino. 
2011. 
WILSON, D. W.; et al. Impactos imunológicos da Parvovirose Canina. 1982.