Prévia do material em texto
1 FACULDADE UNIRB ARAPIRACA BACHARELADO EM MEDICINA VETERINÁRIA SUELLEN DOS REIS AMORIM RELATÓRIO DE ESTÁGIO OBRIGATÓRIO SUPERVISIONADO II ARAPIRACA – AL 2024 2 FACULDADE UNIRB ARAPIRACA BACHARELADO EM MEDICINA VETERINÁRIA SUELLEN DOS REIS AMORIM RELATÓRIO DE ESTÁGIO OBRIGATÓRIO SUPERVISIONADO II Relatório de Estágio Obrigatório Supervisionado apresentado como requisito para obtenção de nota desta disciplina. Supervisor(a) de Estágio: Dr. Bruna Vasconcelos Local de Estágio: Clínica Bicho de Patas ARAPIRACA – AL 2024 3 Sumário 1. INTRODUÇÃO....................................................................................................... 04 2. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS....................................................................... 04 2.1 Caracterização do local de estágio...................................................................... 04 3. APRESENTAÇÃO DOS TRABALHOS DESENVOLVIDOS DURANTE O ESTÁGIO.................................................................................................................... 05 3.1 ATIVIDADES RELACIONADAS AO SETOR CLÍNICO.......................... 06 3.2 ATIVIDADES RELACIONADAS AO SETOR DE INTERNAÇÃO.......... 06 4. CASOS CLÍNICOS................................................................................................ 06 5. RELATO DE CASO............................................................................................... 09 5.2. Parvovírus Canino e o Agente Etiológico .............................................................12 5.3.Epidemiologia e Transmissão ................................................................................12 5.4. Patogenia e Manifestações Clínicas ......................................................................12 5.5. Diagnóstico e Tratamento .....................................................................................12 5.6.Prevenção e Controle .............................................................................................13 5.7. Relato de caso – parvovirose canina: paciente duque ...........................................13 6. DISCUSSÃO........................................................................................................... 15 8. CONCLUSÃO ........................................................................................................ 15 7. REFERÊNCIAS...................................................................................................... 16 4 1. INTRODUÇÃO Este relatório de estágio supervisionado tem como objetivo apresentar as experiências adquiridas durante a realização do estágio, promovendo uma reflexão crítica acerca da interseção entre a teoria acadêmica e a prática pedagógica. O estágio, componente curricular obrigatório, está fundamentado na Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e na Resolução nº 2, de 1º de julho de 2015, que reforçam a importância de políticas educacionais voltadas para a garantia da qualidade do ensino. A experiência do estágio possibilita a integração entre os aspectos teóricos e práticos, permitindo a resolução de questões que surgem no cotidiano educacional, desde as mais simples até as mais complexas. Tal integração contribui não apenas para a resolução eficaz dos desafios encontrados, mas também para o desenvolvimento pessoal do estagiário. Ademais, o contato constante com profissionais de diferentes áreas amplia a compreensão do campo de atuação e favorece uma inserção mais consistente no mercado de trabalho. 2. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS 2.1 Caracterização do local de estágio O estágio supervisionado II do curso de Medicina Veterinária, realizado na Universidade Regional da Bahia (UNIRB) e supervisionado pela Dra. Bruna Vasconcelos, é crucial para a formação profissional. O estágio ocorreu na Queiroz Barbosa Rações, (foto1) em Arapiraca, Alagoas, de 02 de dezembro de 2024 até 22 de dezembro de 2024, totalizando 220 horas práticas. Dispõem de local completo para cirurgias e procedimentos. (Foto 1, fone: autor) 5 ESPAÇOS DO LOCAL DE ESTÁGIO Recepção Local de lavagem Mesa de procedimento As atividades do estágio incluíram consultas, procedimentos cirúrgicos, acompanhamento de pacientes internados e realização de exames sob orientação do médico veterinário Rusley Queiroz Barbosa, CRMV 956-AL. A estudante realizou aferição de parâmetros vitais, coletas sanguíneas, administração de medicamentos, alimentação assistida, contenção de animais e participação em procedimentos de emergência. A experiência prática permitiu a aplicação dos conhecimentos teóricos e o desenvolvimento de habilidades clínicas e cirúrgicas. 3. APRESENTAÇÃO DOS TRABALHOS DESENVOLVIDOS DURANTE O ESTÁGIO Durante o estágio no centro veterinário, a acadêmica de Medicina Veterinária acompanhou e auxiliou nas atividades desenvolvidas nos diferentes setores da clínica, seguindo a rotina da supervisora. As manhãs foram dedicadas aos atendimentos clínicos, enquanto as tardes concentraram-se nas cirurgias agendadas. Nos intervalos, a equipe realizava reuniões para discutir casos, reavaliar pacientes internos, solucionar dúvidas e planejar novos atendimentos. A acadêmica participou ativamente de consultas, procedimentos cirúrgicos eletivos e emergenciais, internações e diversos exames. 6 Na internação de cães e gatos, a acadêmica aferiu parâmetros vitais, como pressão arterial, glicemia, frequência cardíaca e respiratória, pulso femoral e temperatura retal. Realizou coletas sanguíneas, operou equipamentos de hemograma e bioquímicos, administrou medicamentos, realizou acessos venosos e, sob supervisão, efetuou a colocação de sondas uretrais. No setor de nutrição, administrou alimentos formulados individualmente para cada paciente e utilizou sondas nasogástricas ou esofágicas quando necessário. Também acompanhou profissionais volantes durante exames complementares, como ultrassonografia e raios X, auxiliando na contenção dos animais e no preparo dos materiais. Em situações de emergência, participou de reanimações cardiopulmonares, intubações orotraqueais, oxigenoterapia e administração de fármacos emergenciais. 3.1. ATIVIDADES RELACIONADAS AO SETOR CLÍNICO Durante a anamnese, observou os tutores relatando queixas, sinais clínicos, histórico do paciente, estado de castração, informações sobre contactantes, uso de antiparasitários, tipo de alimentação e situação vacinal. Acompanhou a realização de exames físicos e clínicos, apresentando dúvidas e propondo suspeitas diagnósticas. Esteve presente na solicitação e execução de exames complementares, como hemograma, bioquímicos, glicemia, ultrassonografias e raios X. O acompanhamento de especialistas volantes nas áreas de ultrassonografia, radiologia e anestesia permitiu ampliar sua compreensão e colaboração na contenção dos pacientes. 3.2. ATIVIDADES RELACIONADAS AO SETOR DE INTERNAÇÃO No setor de internação, a acadêmica aferiu parâmetros vitais, incluindo coloração das mucosas, frequência cardíaca e respiratória, pulso femoral, tempo de preenchimento capilar, glicemia, pressão arterial sistólica e temperatura. Realizou acessos venosos, coletas sanguíneas, processou amostras de hemograma e bioquímicos, além de visualizar lâminas em microscópio. Sob supervisão, administrou medicações prescritas, implementando tratamentos registrados na ficha dos pacientes internos de acordo com as orientações da médica veterinária responsável. 4. CASOS CLÍNICOS Durante o estágio no centro veterinário, foram acompanhados diversos casos clínicos que evidenciaram a complexidade e a importância de uma abordagem7 multidisciplinar na prática veterinária. Os casos relatados neste relatório fornecem uma visão detalhada dos procedimentos realizados e dos tratamentos implementados, destacando a aplicação dos conhecimentos teóricos e práticos adquiridos ao longo do curso. A experiência proporcionou uma compreensão aprofundada dos desafios e das decisões clínicas envolvidas no atendimento aos pacientes. Categoria Detalhes foto Paciente Animal da espécie felina, nome Pingo, pelagem branca, idade não definida, peso de 3,9 kg, macho, não castrado. O tutor relatou que resgatou o animal na rua aproximadamente uma hora antes de levá-lo à clínica. Sintomas Lesões ulcerativas na pele com crostas em regiões como orelhas, região ocular, mandibular, cotovelos e entre os dígitos das patas. Exame físico indicou paciente alerta, levemente desidratado, temperatura de 38,1°C, mucosas hipocoradas, presença de ectoparasitas, linfonodos normais, TPC > 2 segundos e demais parâmetros normais. Diagnóstico Exames realizados: check-up completo (hemograma: discreta leucocitose e linfopenia; teste FiLV/FeLV: negativo; bioquímicos: ureia levemente aumentada); citologia de pele 8 por imprint de lâminas revelou estruturas leveduriformes compatíveis com Sporothrix schenckii. Tratamento Itraconazol 50 mg/animal (BID) por 60 dias; iodeto de potássio 10 mg/kg (BID) por 60 dias (manipulado); Munnomax 1 comprimido/10 kg (SID) por 30 dias; Marbofloxacina 2,75 mg/kg (SID) por 10 dias; Revolution 6% (aplicação em região dorsal). Observação O tratamento foi planejado para 2 meses, com resposta positiva observada em 48 dias, demonstrando sucesso terapêutico antes do tempo previsto. Categoria Detalhes Foto Paciente Animal da espécie canina, nome Duque, pelagem creme/amarelada, sem raça definida, idade não informada, peso de 9 kg, macho. O tutor relatou que o animal chegou à consulta após dois dias sem se alimentar, vômitos e diarreia sanguinolenta iniciados no dia anterior, além de apatia total. Sintomas Cachorro prostrado e sem sinais de movimento. Exame clínico revelou estado geral regular, temperatura de 9 40°C, mucosas levemente hipocoradas, desidratação leve, linfonodos normais e TPC > 5 segundos. Diagnóstico Exames solicitados: hemograma; resultado confirmou parvovirose canina (detalhes do hemograma não compartilhados por ética da empresa). Tratamento Medicações utilizadas: Bionew (complexo vitamínico), ondansetrona (antiemética), transamin (anti- hemorrágico), dipirona (analgésico/antipirético), dexametasona (anti-inflamatório), ceftriaxona (antibiótico), omeprazol (protetor gástrico). Fluidoterapia com soro Ringer. Observação O tratamento foi realizado com internação inicial. Após melhora, o animal foi liberado com medicação para casa e orientações de retorno ao centro médico em caso de piora ou para revisão conforme agendamento. Categoria Detalhes Foto Paciente Animal da espécie canina, nome Magali, SRD, pelagem branca, 2 anos, peso de 12,6 kg, fêmea, castrada. Tutor relatou que o animal estava mais quieto, tinha costume de 10 mexer no lixo e apresentou 3 episódios de vômitos há 2 dias, sem apetite e ingerindo apenas água. Relatou gemido ao toque no abdômen e suspeita de febre. Sintomas Animal apático, prostrado, com desconforto abdominal à palpação, taquicardia, respiração abdominal, levemente desidratado, mucosas oculares e oral hipocoradas, temperatura de 39,6°C, tosse seca, presença de pulgas e carrapatos, linfonodos normais. Diagnóstico Exames realizados: ultrassonografia abdominal (esplenomegalia); radiografia torácica; check-up completo (hemograma: anemia, leucocitose com monocitose, plaquetas 44 mil; bioquímicos: ureia e creatinina levemente aumentadas, função hepática normal); sorologia Snap 4DX confirmando Ehrlichia positivo, Babesia negativo. Tratamento Internação inicial com suporte de fluidoterapia. Medicamentos: Gaviz 0,7 mg/kg em jejum (SID) por 14 dias; doxiciclina 100 mg (1 comprimido/10 kg, SID) por 28 dias; Eritrós tabs 1 comprimido/animal (SID) por 30 dias; Promun Dog: 2,5 comprimidos (SID) por 30 dias; Cerenia 24 mg (SID) por 4 dias; Cobavital 4 mg/animal (BID) por 5 dias. Observação Solicitado hemograma de acompanhamento após o tratamento. Tutor não retornou para avaliação de acompanhamento. Categoria Detalhes 11 Foto Paciente Animal da espécie canina, nome Ruck, pelagem preta, 2 meses, peso de 4 kg, macho. Tutor relatou que o animal foi vítima de atropelamento por carro, apresentava sangramento nasal, mas não demonstrava dor aparente, permanecendo tranquilo e calmo. Sintomas Exame clínico indicou estado geral regular, temperatura de 38,7°C, mucosas normais, sem desidratação, linfonodos normais, TPC > 2 segundos e parâmetros gerais normais. Raio-X revelou ausência de fraturas, mas constatou edema pulmonar. Diagnóstico Exame de imagem (raio-X) indicou edema pulmonar sem fraturas. Tratamento Medicações prescritas para uso domiciliar: Prednisona (anti-inflamatório), Enrogard (antibiótico), Dipirona (antipirético/analgésico), Furosemida (diurético) e Transamin. Tutor orientado sobre sinais de piora e necessidade de retorno em 8 dias para reavaliação. Observação O animal foi internado para observação inicial, mas devido a limitações financeiras do tutor, o tratamento foi continuado em casa com suporte medicamentoso. Retorno foi agendado para reavaliação após 8 dias. 12 5. RELATO DE CASO 5.1 CASO CLÍNICO 5.2. Parvovírus Canino e o Agente Etiológico O Parvovírus Canino (CPV) é responsável pela Parvovirose, uma doença grave que acomete principalmente filhotes, embora cães de todas as idades possam ser infectados. O CPV pertence à família Parvoviridae e é altamente resistente ao ambiente, podendo sobreviver por meses em locais com temperatura baixa (Jericó et al., 2015). Este vírus é classificado em duas formas patogênicas: o tipo CVP-1, que é menos virulento, e o CVP-2, que causa a forma mais grave da doença, levando à enterite hemorrágica e podendo resultar em óbito (Nelson e Couto, 2010; Jericó et al., 2015). 5.4.Epidemiologia e Transmissão O CPV foi identificado pela primeira vez nos Estados Unidos em 1978 e no Brasil em 1980, e sua transmissão ocorre principalmente por fômites, como objetos e roupas contaminadas (Vieira et al., 2011). O vírus é excretado nas fezes de cães infectados, o que facilita sua propagação (Rodrigues et al., 2017). Filhotes, especialmente de raças como Rottweiler e Pitbull, são mais suscetíveis devido à diminuição dos anticorpos maternos durante a queda da imunidade passiva (Jericó et al., 2015). 5.4. Patogenia e Manifestações Clínicas A infecção pelo CPV resulta principalmente em gastroenterite hemorrágica, onde o vírus destrói as vilosidades intestinais e provoca sintomas como diarreia hemorrágica, vômitos, anorexia e letargia (Rodrigues et al., 2017). A viremia rápida espalha o vírus para órgãos linfáticos e intestinais, prejudicando a resposta imunológica do animal e deixando-o vulnerável a infecções secundárias (Jericó et al., 2015). Além disso, a infecção pode causar hipoglicemia, septicemia e desidratação severa, o que contribui para o quadro clínico grave e a alta taxa de mortalidade, especialmente em filhotes não tratados (Prittie, 2004; Schoeman et al., 2013). 5.5. Diagnóstico e Tratamento O diagnóstico da Parvovirose é baseado em sinais clínicos, exames laboratoriais e testes rápidos, como o ELISA e o PCR, que são eficazes para detectar o antígeno viral nas fezes do animal (Rodrigues et al., 2017). O tratamento é de suporte, focando na 13 hidratação, controle da dor, nutrição adequada e uso de antibióticos para prevenir infecções secundárias (Prittie, 2004). A fluidoterapia é fundamental para corrigir os desequilíbrios eletrolíticos e combatera desidratação grave (Rodrigues et al., 2017). 5.7. Prevenção e Controle A vacinação é a principal forma de prevenção contra o CPV, sendo recomendada a imunização das fêmeas antes da gestação, garantindo a transmissão de anticorpos através do colostro (Moraes & Costa, 2007). A isolação de cães infectados e a desinfecção rigorosa de ambientes também são essenciais, pois o vírus é altamente resistente e pode sobreviver por longos períodos em locais não expostos ao sol direto (Moraes & Costa, 2007). Em suma, a Parvovirose Canina é uma doença grave que exige diagnóstico precoce, tratamento adequado e estratégias de vacinação rigorosas para controle da sua propagação. A alta resistência do vírus ao ambiente e a sua rápida disseminação fazem dela uma ameaça contínua para cães, especialmente filhotes. 5.7. Relato de caso – parvovirose canina: paciente duque Duque, um cão sem raça definida (SRD), de pelagem creme/amarelada, macho, com peso de 9 kg e idade não informada, foi levado ao atendimento veterinário devido à ausência de apetite há dois dias, associada a vômitos e diarreia sanguinolenta iniciados no dia anterior. Segundo o tutor, o animal apresentava comportamento apático e estava prostrado no momento da consulta, sem sinais de movimentação. Durante o exame clínico realizado pelo médico veterinário, Duque foi classificado em estado geral regular. Observou-se uma temperatura de 40°C, mucosas levemente hipocoradas, desidratação leve, ausência de ectoparasitas, linfonodos normais e tempo de preenchimento capilar (TPC) superior a 5 segundos, indicando comprometimento circulatório. Diante dos sinais clínicos e da história apresentada, levantou-se a suspeita de parvovirose canina, sendo solicitado um hemograma completo e iniciado tratamento imediato. A terapêutica incluiu fluidoterapia com soro Ringer para estabilização do paciente e medicações direcionadas aos sintomas apresentados. Entre elas, o complexo vitamínico Bionew foi administrado para suporte nutricional, ondansetrona como antiemético, transamin para conter hemorragias intestinais, dipirona para controle da 14 febre e analgesia, dexametasona como anti-inflamatório e ceftriaxona para prevenção de infecções bacterianas secundárias. Além disso, foi utilizado omeprazol como protetor gástrico para minimizar os danos causados por secreções gástricas em um trato digestivo debilitado. Após 24 horas de internação, os resultados do hemograma confirmaram o diagnóstico de parvovirose canina, identificada pela leucopenia característica da infecção, enquanto outros detalhes do exame não foram divulgados devido a restrições éticas da instituição. Com a confirmação diagnóstica, manteve-se o protocolo terapêutico, e o animal continuou a ser monitorado na clínica. Após alguns dias de internação, Duque apresentou uma recuperação clínica significativa, reagindo bem às medicações e exibindo um quadro geral estável. O paciente recebeu alta sob a condição de continuar o tratamento em casa, com as mesmas medicações prescritas, e retornar à clínica para revisão ou em caso de piora. As orientações fornecidas ao tutor incluíram o monitoramento rigoroso do estado de saúde do animal, isolamento para evitar contaminação de outros cães, e a higienização do ambiente com desinfetantes eficazes contra o vírus da parvovirose (CPV-2). Esse caso ilustra a gravidade da parvovirose em cães não vacinados e a importância de um atendimento rápido e eficaz. A pronta internação, fluidoterapia e o uso de medicações específicas foram cruciais para a estabilização e recuperação de Duque. O protocolo seguido refletiu boas práticas na abordagem de emergências gastrointestinais associadas à parvovirose, enfatizando a necessidade de prevenção por meio da vacinação. A parvovirose canina, uma das principais causas de morbidade e mortalidade em cães jovens, destaca a relevância da conscientização do tutor sobre cuidados básicos, como imunização e ambiente seguro, para evitar complicações semelhantes. Para fundamentar a discussão sobre a Parvovirose Canina, é importante destacar os principais pontos que envolvem o agente etiológico, a patogenia, o diagnóstico e o tratamento da doença. 15 6. DISCUSSÃO A parvovirose canina, descrita como uma das doenças infecciosas mais severas que acometem cães domésticos, apresenta desafios consideráveis para a medicina veterinária. Sua patogenia complexa, associada à capacidade do vírus de sobreviver em ambientes adversos por longos períodos, reflete a importância de estratégias robustas de controle e prevenção. Como apontado por Jericó et al. (2015) e Vieira et al. (2011), o parvovírus canino (CPV) demonstra alta resistência a desinfetantes comuns e ao clima, permitindo a disseminação geográfica e o alto índice de contaminação ambiental. Os aspectos clínicos da doença, como gastroenterite hemorrágica, depressão e anorexia, corroboram a gravidade do quadro, sobretudo em raças predispostas ou filhotes jovens (Nelson; Couto, 2010). Estudos sugerem que, além das manifestações gastrointestinais, a imunossupressão induzida pelo CPV torna os cães acometidos mais suscetíveis a infecções secundárias, agravando o prognóstico (Rodrigues; Molinari et al., 2017). Apesar dos avanços diagnósticos, como os testes de PCR e ELISA, o manejo terapêutico ainda é desafiador, centrando-se principalmente em medidas de suporte para reduzir a mortalidade. Nesse sentido, a prevenção pela vacinação tem sido amplamente reconhecida como a estratégia mais eficaz para minimizar os impactos da parvovirose, tanto em termos de saúde animal quanto no controle ambiental (Moraes; Costa, 2007). Os fatores epidemiológicos ressaltam a relevância da imunização adequada e do isolamento rigoroso de animais infectados para impedir a disseminação viral. Ainda assim, estudos mostram que falhas na cobertura vacinal, como em cadelas prenhas não imunizadas, comprometem a transmissão de anticorpos protetores via colostro, expondo os filhotes ao vírus em uma fase vulnerável de desenvolvimento (Bird, 2013). 7. CONCLUSÃO O estágio supervisionado configura-se como uma etapa indispensável na formação de qualquer profissional, especialmente em áreas como a Medicina Veterinária, onde a prática desempenha um papel central. Durante o estágio supervisionado II, realizado no Centro Veterinário Queiroz Barbosa, foi possível observar de forma aprofundada a rotina da prática clínica, promovendo a integração dos conhecimentos 16 teóricos adquiridos ao longo do curso com a realidade do campo profissional. Essa experiência revelou-se essencial para a construção de competências técnicas, éticas e interpessoais fundamentais ao exercício da profissão. Ao longo do estágio, foram realizadas diversas atividades, incluindo consultas clínicas, procedimentos cirúrgicos, acompanhamento de internações e execução de exames complementares. Essas vivências favoreceram o desenvolvimento de habilidades específicas, como a aferição de parâmetros vitais, coleta de amostras biológicas, administração de medicamentos, contenção de animais e atuação em situações de emergência. Além disso, o contato constante com a equipe multidisciplinar proporcionou um aprendizado significativo, ampliando a compreensão sobre as práticas colaborativas no ambiente veterinário. A experiência no centro veterinário destacou a importância da prevenção e do manejo adequado de doenças, como evidenciado nos casos acompanhados de parvovirose canina. O estágio contribuiu para consolidar o entendimento sobre a relevância da vacinação, do manejo clínico cuidadoso e da tomada de decisão informada diante dos desafios da saúde animal. De modo geral, o estágio supervisionado não apenas reforçou a relevância da prática veterinária de qualidade, mas também representou uma oportunidade ímpar de aprimoramento acadêmico e pessoal, preparando o estagiáriopara os desafios do mercado de trabalho e para o exercício ético e responsável da profissão. 8 REFERÊNCIAS BIRD, R. Vacinação e controle de doenças virais em cães. 2013. COSTA, F. S.; et al. Classificação e evolução do parvovírus canino. 2011. GODDARD, A.; et al. Anemia e alterações hematológicas em cães com Parvovirose. 2008. JERICÓ, M. M.; et al. Caracterização e aspectos clínicos da Parvovirose Canina. 2015. LARRY, F.; FRANCIS, P. Cepas virais do CPV e evolução. 2011. MORAES, M. L.; COSTA, R. A. Prevenção e controle da Parvovirose Canina. 2007. 17 NELSON, R. W.; COUTO, C. G. Medicina interna de pequenos animais. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. POTGIETER, L. N.; et al. Alterações clínicas e patológicas na Parvovirose Canina. 1981. PRITTIE, J. Fluidoterapia e suporte no tratamento da Parvovirose Canina. 2004. RODRIGUES, B.; MOLINARI, B. L. D.; et al. Epidemiologia, diagnóstico e prevenção da Parvovirose Canina. 2017. SCHOEMAN, J. P.; et al. Septicemia associada à Parvovirose em cães: impacto clínico. 2013. SCIELO, J. M.; et al. Parvovírus canino: epidemiologia e impactos na saúde animal. 2018. VIEIRA, A.; et al. Revisão sobre a virologia e disseminação do parvovírus canino. 2011. WILSON, D. W.; et al. Impactos imunológicos da Parvovirose Canina. 1982.