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2º SEMANA QUÍMICA APLICADA À ENGENHARIA As propriedades de um dado material são determinados por sua Estrutura: Ex: O diamante e o grafite são alótropos do carbono, ou seja, são compostos pelo mesmo elemento químico (carbono), mas possuem estruturas cristalinas e propriedades físicas completamente diferentes. Uma estrutura é tridimensional (diamante) e a outra em camadas (grafite). A estrutura de um material pode ser dividida em quatro escalas: Atômica: É o nível mais básico, que descreve como os átomos estão organizados e quais são as ligações entre eles. Inclui características como o número atômico, partículas elementares e a eletrosfera. Cristalina: Organização dos átomos em redes cristalinas ou amorfas. Microestrutural: É observada com microscópios e mostra os grãos, fases e defeitos microscópicos. Macroscópica: É o nível visível a olho nu, descrevendo as propriedades físicas e mecânicas de um material. Materiais Condutores e Isolante A diferença entre condutores e isolantes é explicada pela teoria de bandas. Nos condutores, o gap de energia entre a banda de valência (onde os elétrons estão ligados) e a banda de condução (onde os elétrons se movem livremente) é nulo ou muito pequeno, permitindo fácil movimentação dos elétrons. Já nos isolantes, o gap é muito grande, exigindo uma quantidade de energia muito alta para que os elétrons consigam se mover, dificultando a condução elétrica. Condutores: permitem a fácil movimentação de cargas elétricas devido à presença de muitos elétrons livres. Ex: cobre, alumínio e ouro. Isolantes: dificultam essa passagem, pois seus elétrons estão fortemente ligados aos núcleos atômicos. Ex: vidro, borracha e silicone. *Dielétricos são isolantes que, sob um campo elétrico externo, sofrem polarização, criando um campo interno oposto, o que dificulta a passagem de corrente elétrica. São usados em capacitores para armazenar carga com mais eficiência *O equilíbrio eletrostático é quando não há movimento de cargas dentro do material. Condutividade x Resistividade Resistividade (ρ) é uma propriedade física que mede a oposição de um material à passagem de corrente elétrica, logo os condutores apresentam baixa resistência elétrica. Quanto maior a resistividade, mais difícil é para a corrente elétrica fluir através do material. Condutividade (σ) é o inverso da resistividade. ***Isolante para condutor: Aplicando-se uma energia suficiente (como calor intenso, radiação ou alta tensão elétrica), os elétrons de um isolante podem ganhar energia para atravessar o gap de energia e se mover livremente, tornando o material condutor. Exemplo: o ar, normalmente isolante, pode conduzir eletricidade durante um raio devido à alta energia envolvida. Aula 4: Ligações Químicas Quando um átomo tenta alcançar uma configuração estável, ele pode fazer isso de três maneiras principais: Receber elétrons extras: O átomo pode captar elétrons de outros átomos para completar sua camada de valência. Quando isso acontece, ele se torna um ânion (íons negativos), pois ganha cargas negativas. Ceder elétrons: O átomo pode perder elétrons, ficando com menos elétrons do que prótons, o que o transforma em um cátion (íon positivo), já que fica com uma carga positiva. Compartilhar elétrons: Isso é comum entre átomos que não querem ou não podem perder ou ganhar elétrons facilmente. Esses processos de transferência ou compartilhamento de elétrons resultam nas ligações químicas entre os átomos, que podem ser classificadas em: Ligações interatômicas (intramolecular): São as ligações químicas que ocorrem entre átomos diferentes. Podem ser: Iônicas: Quando há transferência de elétrons de um átomo para outro, formando cátions e ânions. É caracterizada pela atração de íons de cargas opostas, sendo não direcional porque a atração acontece igualmente em várias direções. O tamanho dos íons influenciará a força da atração. Íons menores geralmente têm uma atração mais forte, porque estão mais próximos uns dos outros, enquanto íons maiores podem ter uma atração mais fraca. Elementos menos eletronegativos cedem elétrons (cátions) e Elementos mais eletronegativos recebem elétrons (ânions). Os sólidos iônicos têm íons organizados em uma rede, gerando forte atração elétrica entre eles. Essa ligação intensa resulta nas seguintes propriedades: Elevada dureza (se frágil), Altos pontos de fusão e ebulição, Forma cristalina a temperatura ambiente, Solubilidade em água, Não conduzem eletricidade no estado sólido, pois os íons não podem se mover livremente, Conduzem eletricidade quando fundidos ou dissolvidos em água, pois os íons ficam livres para se mover e transportar corrente elétrica. Os íons têm tamanhos diferentes devido a dois fatores principais: Número de elétrons: Cátions (íons positivos) ficam menores quando perdem elétrons. Ânions (íons negativos) ficam maiores quando ganham elétrons.Carga nuclear efetiva: A atração do núcleo sobre os elétrons remanescentes afeta o tamanho do íon. Para cátions, a atração é mais forte e o íon é menor; para ânions, a repulsão entre os elétrons aumenta o tamanho do íon. Covalentes: Quando os átomos compartilham elétrons para completar suas camadas de valência. Ligações mais direcionais, e a atração mútua ocorre entre as cargas opostas. Comum em materiais poliméricos e diamantes. Metálica: A ligação metálica ocorre entre átomos de metais, e é caracterizada pela deslocalização dos elétrons de valência. Ao invés de estarem localizados ao redor de átomos específicos, esses elétrons se movem livremente por toda a estrutura metálica, formando o que chamamos de nuvem de elétrons. A ligação metálica não é direcional. Diferentemente das ligações iônicas e covalentes, a ligação metálica não tem uma representação eletrônica. A ligação metálica ocorre quando os elétrons externos dos átomos metálicos se tornam livres para se mover entre os íons metálicos positivos, criando uma atração elétrica que mantém os átomos unidos. Isso resulta em materiais densos e fortes, com altos pontos de fusão e ebulição. Os metais são bons condutores de eletricidade e calor, devido aos elétrons livres que transportam carga e energia térmica. Sua superfície, embora brilhante, pode ser corroída pela oxidação. Ligações intermoleculares: São as forças de atração entre moléculas diferentes, não envolvendo a troca ou compartilhamento de elétrons diretamente entre os átomos dentro das moléculas. São mais fracas do que as ligações interatômicas, mas são importantes para a estrutura de substâncias, como as forças de van der Waals ou ligações de hidrogênio. As forças de Wan der Waals incluem diferentes tipos de interações: Dipolo permanente: Ocorre em moléculas polares, que têm uma distribuição assimétrica de cargas, gerando uma separação entre a carga parcialmente negativa e parcialmente positiva. Essas moléculas atraem outras com dipolos permanentes, formando ligações de hidrogênio em certos casos, como entre moléculas de água (H₂O). Dipolo flutuante: Quando uma molécula polar (com um dipolo permanente) se aproxima de uma molécula apolar, a carga parcial negativa da molécula polar pode induzir uma separação de cargas na molécula apolar, fazendo com que ela se torne temporariamente polarizada. Isso cria um dipolo induzido na molécula apolar, que interage com a molécula polar. Comprimento da ligação É a distância entre os núcleos de dois átomos ligados em uma molécula. Ele é determinado pelo equilíbrio entre as forças atrativas e as forças repulsivas. Força de ligação É a interação que mantém os átomos unidos em uma molécula ou composto. É a soma das forças atrativas e repulsivas entre os átomos. Energia de ligação A energia de ligação é a quantidade de energia necessária para romper uma ligação entre dois átomos em uma molécula. Espaçamento interatômico: Quanto maiora energia de ligação, menor a variação do espaçamento entre os átomos quando aplicada a mesma quantidade de energia. Coeficiente de expansão térmica: Materiais com curvas abruptas e maior profundidade de poço de energia tendem a ter coeficiente de expansão térmica baixo Energia envolvida na formação da ligação química, quanto maior tende a ser: Ponto de fusão: O material geralmente tem pontos de fusão mais elevados, pois é necessário mais calor para romper as ligações fortes. Resistência mecânica: Maior energia de ligação leva a uma maior resistência mecânica, tornando o material mais difícil de ser deformado ou quebrado. Dureza: Maior dureza, ou seja, resistência à deformação permanente, pois as ligações fortes dificultam a alteração estrutural. Módulo de elasticidade: O módulo de elasticidade (rigidez) também tende a ser maior, já que as ligações fortes exigem mais força para causar deformação elástica. Estabilidade química: A estabilidade química aumenta, pois materiais com ligações fortes tendem a ser menos reativos e mais resistentes a mudanças químicas. Dilatação térmica: Menor dilatação térmica, ou seja, o material tende a expandir-se menos com o aumento de temperatura, já que as ligações fortes resistem à movimentação dos átomos. As diferenças nas propriedades do grafite, grafeno e diamante podem ser explicadas pelos tipos de ligações interatômicas e pela estrutura de cada material. 1. Grafite Ligações interatômicas: O grafite é formado por camadas de átomos de carbono dispostos em ligações covalentes fortes dentro das camadas (cada átomo de carbono está ligado a outros três átomos, formando uma rede hexagonal) Propriedade: A interação entre as camadas, porém, é muito fraca (por forças de Van der Waals), o que permite que as camadas deslizam umas sobre as outras com facilidade. Isso faz com que o grafite seja macio e usado, por exemplo, como material de lápis e lubrificante. 2. Grafeno Ligações interatômicas: O grafeno é uma única camada de átomos de carbono organizados em uma rede hexagonal, com ligações covalentes fortes entre os átomos. Propriedade: O grafeno é extremamente forte, flexível e conduz eletricidade de maneira excelente, devido à mobilidade dos elétrons na sua estrutura. Como ele é formado por apenas uma camada de átomos, suas propriedades são muito superiores em comparação com o grafite (apesar de o grafite ser composto por várias camadas de grafeno). 3. Diamante Ligações interatômicas: O diamante é formado por ligações covalentes fortes entre os átomos de carbono, mas, ao contrário do grafite, cada átomo de carbono no diamante está ligado a outros quatro átomos em uma estrutura tridimensional, formando uma rede cristalina rígida e extremamente forte. Propriedade: O diamante é muito duro (o material natural mais duro conhecido), transparente e isolante elétrico. A forte rede de ligações covalentes no diamante é o que confere essas propriedades excepcionais de dureza e estabilidade. ***METAIS: Ligações iônicas (elementos metálicos e ametálicos) e Metálicas (apenas metais) – Capacidade de perder elétrons. POLÍMEROS: Ligações covalentes – Compartilhamento de 1 ou + pares de elétrons entre átomos. CERÂMICAS: Ligações iônicas. No caso dos vidros as ligações são covalentes pois a ≠ de eletronegatividade é pequena.