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OS PILARES DA EDUCAÇÃO: NOVAS 
FORMAS DE ENSINAR
Tatiana Lima de Almeida
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Introdução
Neste capítulo, vamos estudar algumas vertentes fundamentadoras das políticas
educacionais em nosso país, sendo uma delas os Pilares da Educação, propostos pelo
relatório de Jacques Delors (DELORS, 2000), e os “Sete Saberes Necessários para a
Educação do Futuro”, de Edgar Morin (2001).
Os pilares da educação: novas formas de ensinar
A estruturação do sistema educacional brasileiro prevê a inclusão da diversidade na
escola. Para tanto, é importante pensar e fazer a educação pautando-se em
fundamentos teóricos, como os “Pilares da Educação” propostos pelo relatório da
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), os
“Sete Saberes da Educação” descritos por Edgar Morin e as diretrizes curriculares para
a inclusão no Brasil.
Igualmente importante é a reflexão e o desenvolvimento de ferramentas e
metodologias voltadas ao processo de ensino e aprendizagem baseado nos preceitos
da inclusão e favorecimento de uma política de igualdade social.
Os pilares da educação preconizados pela Unesco
A educação é um processo de formação da totalidade do ser humano, uma
competência importante para a constituição ética e da autonomia do sujeito. Nesse
sentido, a educação plena é aquela que permite aos alunos se tornarem “seres para
si”, como no passado refletiu (1996b, p. 59).Paulo Freire
A construção do conhecimento tem como objetivo o despertar de curiosidades e
questões em direção ao saber. É uma jornada permeada por um conjunto de valores,
você sabia?
Paulo Freire (1921–1997), educador e pensador, se dedicou à 
educação popular, valorizando a cultura do aluno e enfatizando o 
sentido libertário e democrático da educação. Desenvolveu o 
método de alfabetização que leva seu nome e que teve grande 
importância para a Educação de Jovens e Adultos.
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que impõe desafios ao processo de ensino e aprendizagem, ainda mais quando
falamos de processos pautados no respeito à diversidade e à inclusão.
Fonte: © Billion Photos // Shutterstock
Para entender como esse modelo inclusivo de educação se sustenta, vamos estudar
algumas vertentes fundamentadoras das políticas educacionais em nosso país. Entre
elas, temos os “Pilares da Educação”, propostos pelo relatório de Jacques Delors
(2000), e os “Sete Saberes Necessários para a Educação do Futuro”, de Edgar Morin
(2001).
Os quatro pilares da educação e a educação inclusiva
No período entre março de 1993 e janeiro de 1996, o professor ,Jacques Delors
economista e político francês, coordenou a Comissão Internacional sobre Educação
para o Século XXI, responsável por elaborar o relatório para a Organização das
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), intitulado “Educação:
um tesouro a descobrir” (DELORS, 2000), com quatro grandes eixos necessários à
educação das pessoas, conhecidos como .os quatro pilares da educação
Esse relatório descreve que, ao longo de toda a vida, determinadas aprendizagens
fundamentais serão, de algum modo, pilares do conhecimento para cada pessoa em
seu contínuo processo de desenvolvimento. O entendimento é de que a aprendizagem
é contínua e possui diferentes perspectivas. Dessa forma, não se restringe apenas à
aquisição de conhecimentos. Os quatro pilares são: , aprender a conhecer aprender a
, e .fazer aprender a viver juntos aprender a ser
Aprender a conhecer significa compreender o domínio dos instrumentos que levam ao
conhecimento. Nessa perspectiva, a descoberta do novo não deve ocorrer apenas por
meio de técnicas, mas também a partir do desenvolvimento de um desejo pela busca
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do conhecimento e do prazer em obtê-lo, o que contribui para o desenvolvimento do
senso crítico e autonomia do indivíduo.
Segundo o relatório elaborado para a Unesco, "é essencial que cada criança, esteja
onde estiver, possa ter acesso, de forma adequada, às metodologias científicas de
modo a tornar-se para toda vida 'amiga da ciência" (DELORS, 2000, p. 91). O pilar
“aprender a conhecer” engloba o desenvolvimento de três funções mentais importantes:
• memória;
• atenção;
• pensamento.
Na educação inclusiva, o professor precisará ter consciência de qual estratégia de
aprendizagem utilizar para desenvolver as habilidades de seus alunos com
especificidades diversas. A escola deve, assim, respeitar os diferentes estilos de
aprendizagem, de forma a estimular o autoconhecimento do aluno e evitar
generalizações.
Mas não basta que o indivíduo aprenda a conhecer, é preciso, ainda, ,aprender a fazer
já que ambos os saberes se complementam. O aprender a conhecer refere-se à
obtenção do conhecimento teórico, enquanto o aprender a fazer diz respeito à prática
do conhecimento obtido.
Aprender a fazer está relacionado à questão da formação profissional, de maneira que
os alunos adquiram estratégias para solucionar desafios e adversidades no futuro. O
relatório à Unesco questiona: “Como ensinar o aluno a pôr em prática os seus
conhecimentos e, também, como adaptar a educação ao trabalho futuro quando não se
pode prever qual será a sua evolução?" (DELORS, 2000, p. 93). O autor se refere à
importância de o indivíduo desenvolver o pensamento crítico, o qual lhe permitirá fazer
suas próprias escolhas para enfrentar os desafios que surgirão.
O processo de aprender a fazer deve propor ações que criem um espírito crítico e não
apenas repetitivo dos modelos já existentes. O sujeito deve criar habilidades para
observar, avaliar, pensar criticamente e propor novos caminhos, lembrando que somos
seres sociais, vivemos em comunidade e dependemos uns dos outros em nossas
ações diárias e, portanto, precisamos aprender a viver juntos.
Dentro dos quatro pilares, se estabelece em práticas de aprender a viver juntos
colaboração e cooperação, em que a competição a favor das diferenças seja
desestimulada. Uma das propostas dessa perspectiva é o trabalho por projetos, nos
quais os alunos compartilham experiências de pesquisa, troca de ideias, diálogo e
negociação, de modo a beneficiar toda a comunidade educativa.
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•
•
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Nesse modelo, o surgimento dos conflitos é trabalhado em busca de uma resolução
que contemple adequadamente todos os lados. Assim, propicia-se a reflexão e a
capacidade de se colocar no lugar do outro, o que contribui para a construção de uma
sociedade mais compreensiva e tolerante.
Fonte: © Shutterstock
A educação tem, entre suas funções, a de transformar a sociedade, ou seja, ela busca
constantemente a evolução, inclusive das relações humanas, e isso está implícito no
pilar “aprender a viver juntos”.
Segundo o relatório comandado por Delors (2000, p. 97), a “[...] educação tem por
missão, por um lado, transmitir conhecimentos sobre a diversidade da espécie humana
e, por outro, levar as pessoas a tomar consciência das semelhanças e da
interdependência entre todos os seres humanos do planeta [...]”.
Somos seres sociais, mas, ao mesmo tempo, precisamos de nossa individualidade.
Precisamos, simultaneamente, aprender a viver juntos e aprender a ser, o que significa
conviver com o outro de forma cooperativa, mas mantendo nossa personalidade.
Aprender a viver juntos e aprender a ser são conceitos intimamente relacionados, pois
ao compreender o outro, ao aceitar e conviver com as diferenças, construímos e
compreendemos a nós mesmos, por meio da formação de nossos valores. Assim,
influenciamos e somos influenciados constantemente, nos transformando e
transformando a sociedade.
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 Aprender a ser é descrito como um processo de formação do indivíduo enquanto ser
singular e também como sujeito pertencente a um meio social e a uma cultura
específica. É neste processo de construção social que ele desenvolve a sua
capacidade de interação que mediará suas relações e a concepção sobre si durante
sua existência. Dessa forma, aprender a ser é constituir-se como um ser pensante,
capaz de desenvolver sua autonomia,tão importante na educação inclusiva.
O aluno com deficiência precisa ser estimulado e ter acesso aos recursos necessários
para desenvolver todas as habilidades apontadas nos quatro pilares da educação. Ao
se das capacidades de conhecer, fazer, conviver e ser, o estudante teráempoderar
como se tornar – de acordo com suas especificidades – um indivíduo autônomo, capaz
de buscar o conhecimento, de conviver com os demais, de discernir entre diferentes
conceitos e opiniões, isto é, de construir sua própria história.
Percebe-se, então, que os quatro pilares são fundamentais para a formação do
cidadão participativo e transformador da sociedade na qual está inserido – um cidadão
que sabe e que gosta de conhecer, que sabe aplicar seu conhecimento, um cidadão
que sabe viver junto respeitando a diversidade e que, ao mesmo tempo, é capaz de se
apropriar do conhecimento que pode ser obtido dessa convivência com o outro; um
cidadão em permanente evolução, assim como a sociedade também se transforma
continuamente.
Os saberes na educação
A educação tem entre seus objetivos oferecer ao indivíduo informações e
conhecimentos que contribuam para torná-lo um cidadão ético, autônomo, preparado
para agir com consciência e responsabilidade. Em outras palavras, um dos principais
papéis da educação é contribuir com a formação da pessoa para que esta possa
transformar sua realidade e a sociedade como um todo.
Para isso, de acordo com Edgar Morin (2001), presidente da Associação para o
Pensamento Complexo na França, a humanidade precisa desenvolver sete saberes
necessários à educação, que podem ser vistos no quadro a seguir. Estes precisam ser
pautados em um pensamento complexo sobre a condição humana, o mundo no qual
vivemos e a sociedade em que estamos inseridos.
você sabia?
Empoderamento é o processo pelo qual os sujeitos se mobilizam e 
desenvolvem práticas e ações de conscientização em busca de 
direitos e de autonomia, tendo em vista a melhoria das condições 
de vida de um grupo ou de uma comunidade (GOHN, 2004).
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Um dos primeiros tópicos analisados por Morin, o traz uma reflexão conhecimento,
importante sobre a nossa dificuldade de, muitas vezes, enxergar o que é o
conhecimento por si só, de ver a realidade, o que nos leva ao erro e à ilusão. Para
Morin (2001), o conhecimento deve ser traduzido e depois reconstruído. Portanto, cabe
ao ser humano apropriar-se dele para explorá-lo.
Outro ponto é o , no qual inserimos o conhecimentoconhecimento pertinente
adquirido em um contexto, não o destacando do seu “todo”. Isso significa que as
disciplinas precisam ser integradas para que esse conhecimento se torne efetivamente
valioso. Logo, quando apresentamos aos estudantes as realidades que podem ser
observadas no nosso entorno, contextualizando-as ao que ocorre no resto do mundo,
possibilitamos a esses alunos um conhecimento desfragmentado e global.
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Fonte: © Image Studio / / Shutterstock
A , no entendimento de Morin (2001, p. 5), diz respeito à concepçãocondição humana 
do ser humano como ser integrante de uma sociedade composta por indivíduos de
uma mesma espécie, em interação. Conforme o autor descreve, é a
O quarto conceito trata da e da capacidade de ensinar, e estácompreensão humana
relacionado à aceitação das diferenças e ao respeito ao outro. Este entendimento
reúne habilidades como empatia e identificação, tanto com o outro como consigo
mesmo, em um processo de autoexame e autocompreensão.
O quinto conceito está relacionado à capacidade de o indivíduo lidar com as incertezas
e limitações, com as situações imprevisíveis que enfrentará diariamente. Assim, 
 consiste em criar estratégias para enfrentar o imprevisto,enfrentar as incertezas
identificando o surgimento do inesperado.
A educação escolar que capacita o estudante para administrar os desafios prepara
este para enfrentar as dificuldades e resolver os problemas – de âmbito local ou global
– de forma construtiva. Ao compreender a existência da conexão global e que suas
[...] unidade dos três destinos, porque somos indivíduos, mas
como indivíduos somos cada um, um fragmento da sociedade e
da espécie homo sapiens a qual pertencemos, e o importante é
que somos uma parte da sociedade, uma parte da espécie, seres
desenvolvidos sem os quais a sociedade não existe, a sociedade
só vive dessas interações.
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ações locais podem ter impacto amplo, se estendendo para além da comunidade na
qual o aluno vive, ele percebe que a interligação de toda a humanidade para um
destino comum consolida uma , uma identidade terrena.condição planetária
Ciente da importância de suas ações, o indivíduo necessita da ética para agir de forma
humanizada e entender que aquilo que realizamos afeta a todos, ou seja, ao outro,
mas também a nós mesmos. Assim, a , de acordo com Morinética do gênero humano 
(2001), é a condição antropo-ética do ser humano. Isto é, a capacidade de chegar a
uma consciência social, que o leve as suas responsabilidades como cidadão.
Na educação inclusiva, existe a necessidade da construção de escutas mais sensíveis,
de pessoas responsáveis e comprometidas com as necessidades humanas e,
consequentemente, com as necessidades humanas especiais. A educação do futuro
precisa ser construída transdisciplinarmente, abordando, igualmente, aspectos
científicos e humanos para formar cidadãos conscientes e capazes de agir local e
globalmente.
Considerando esses saberes e a condição humana como agentes de uma consciência
social e educacional, temos como exemplo o , que perdeu quasecaso de Anne Sullivan
completamente a visão quando jovem, mas conseguiu se formar como professora.
Sullivan se dedicou a que cresceu isolada por ser uma mulherinstruir Helen Keller,
com deficiência auditiva e visual. No entanto, como lembram Daianez e Smolka (2014),
com o apoio de Sullivan, foi a primeira pessoa com as suas características a concluir
um curso universitário, tornando-se doutora em filosofia e escritora, realizando
trabalhos em prol de pessoas com deficiência.
Logo, podemos dizer que os saberes necessários e inerentes à educação abarcam
questões multidimensionais e envolvem a relação do indivíduo com o mundo, com a
sociedade e com a sua própria espécie. Ao ser humano cabe o desafio de buscar esse
conhecimento como forma de transformar a si e ao mundo.
você sabia?
Em 1962, foi lançado o filme “O milagre de Anne Sullivan” contando 
a história de Helen Keller, nascida em 27 de junho de 1880, no 
Alabama (EUA). Hellen foi acometida de escarlatina com um ano 
de idade, assim perdeu a visão e a audição. Aos 7 anos, iniciou o 
processo de alfabetização com Anne Sullivan. Aos 10 anos, 
aprendeu a falar e, em 1904, formou-se como professora (PENN, 
1962).
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Novas formas de ensinar e aprender
É interessante perceber a enorme pluralidade de sujeitos que participam do processo
de ensino e aprendizagem, o que proporciona uma rica diversidade de olhares e
interpretações de mundo. Educar é colaborar para que professores e alunos
transformem suas vidas em processos contínuos de aprendizagem, e faz parte dessa
jornada oferecer caminhos para que o estudante construa sua identidade.
Fonte: © brown32 // Shutterstock
Ensinar a aprender leva o educador a se aperfeiçoar com cada processo, pessoa ou
ideia, isto é, com cada experiência vivida. Essa abertura para o novo exige a
construção de um conjunto de atitudes e valores pautados em constantes desafios, de
maneira que é necessário olhar para além de nossas crenças, superar preconceitos,
estereótipos e mitos, assim como se desprender da fragmentação do conhecimento,
em busca da inovação de métodos.
Por isso, é importante nos atermos às perspectivas na educação inclusiva e
enxergarmos os espaços pedagógicos como ambientes abertos às diferenças e às
novas maneiras de atuação, tanto do professor quanto na relação com as inovações
tecnológicas.
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Como educar para a diversidade?
A educação para a diversidade deve estar pautadana educação para a compreensão
humana, a partir de suas diferentes formas de manifestação. O professor precisa
desenvolver habilidades e atitudes capazes de torná-lo sensível ao outro.
A compreensão da diferença possibilita reconhecer a existência do outro em sua
condição singular, imbuído de suas expectativas, capacidades e necessidades. No
entanto, para essa tarefa, é necessário que o docente se dispa de suas
preconcepções. Somente dessa forma poderá entender que a diferença não é
estranha, mas apenas diferente do que já se conhece, e deve ser respeitada,
reconhecida e aceita.
Fonte: © Image Studio / / Shutterstock
Para que o professor atue como mediador de aprendizagens para todos os alunos,
precisa aprender a observar, perceber, sentir, além de desenvolver a empatia, a escuta
sensível e o diálogo afetivo. Pedagogicamente, essas habilidades devem ser
desenvolvidas em um processo de formação voltado à autopercepção e à percepção
do outro, conforme considera Fontana (2015, p. 125):
Os conteúdos das tarefas ligadas ao papel social do professor, as
responsabilidades, as práticas, os valores, os saberes, os rituais
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Para essa construção, o professor precisa valorizar os diferentes saberes,
considerando questões como etnia, raça, gênero, classe, sexo e deficiências. Esses
temas precisam ser discutidos e repensados para que a prática docente se torne crítica
e transformadora da realidade.
A escola também está envolvida nesse processo e deve se preparar para o trabalho
com a diversidade, assim como o professor. Esse espaço tem a missão de se
reinventar, buscar novos saberes e se adaptar ao estudante. Dessa forma, o aluno,
independentemente de sua condição para a aprendizagem, poderá sentir que a escola
é o seu lugar e que os profissionais estão dispostos a auxiliá-lo em seu
desenvolvimento pedagógico e em suas interações com os demais sujeitos ali
presentes.
Para a professora Maria Teresa Égler Mantoan (2016), a escola necessita criar uma
nova ética, com novos valores dentro dela própria. Essa nova ética deve estar pautada
em uma consciência individual, social e planetária, ou seja, a inclusão não está presa
apenas às práticas escolares, mas está associada ao processo de formação dos
sujeitos envolvidos em toda a comunidade escolar.
O professor como mediador da aprendizagem do outro
A história da educação brasileira é composta por um leque repleto de ressignificações.
O papel do professor tem sido frequentemente questionado e modificado com o passar
do tempo. Não obstante essas mudanças, a escola também tem encontrado espaço
para se reinventar.
nele envolvidos, que constituem a memória de sentidos de nossa
atividade e de nosso saber-fazer como profissionais, foram sendo
por nós elaborados num lento aprendizado com o
desenvolvimento de nosso “ser profissional” no exercício cotidiano
de nossa própria profissão.
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Fonte: © Shutterstock
A imagem do professor detentor de um conhecimento a ser transmitido aos seus
alunos foi sendo substituída pelo conceito de professor mediador, isto é, que media o
processo de ensino e aprendizagem em uma relação que ensina ao mesmo tempo que
aprende com o estudante.
Cabe ao professor, como mediador da aprendizagem, o importante papel de
apresentar ao educando informações e desafios que o permitam compreender a
utilidade e aplicabilidade do que está sendo aprendido (VYGOTSKY, 1991). Esse
docente mediador atua incentivando o aprendizado do educando e propondo novos
desafios. Dessa forma, o estudante interage com o meio e recebe constantemente
novas informações e desafios, sendo assim estimulado pelo mediador a evoluir em seu
aprendizado.
Assim, segundo Vygotsky (1991) o contexto sociocultural no qual uma criança vive é
fundamental para seu desenvolvimento cognitivo e as relações entre o sujeito e o
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objeto do conhecimento se estabelecem através da interação entre o sujeito que
aprende e o sujeito mediador, como está representado na imagem a seguir.
Dessa forma, a constituição do sujeito deve ser entendida na sua relação com os
demais. Essa abordagem resgata a importância do fator social e cultural na
apropriação e construção do conhecimento das pessoas.
Vygotsky, ao estudar as relações de aprendizagem e desenvolvimento, formulou o
conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal – ZDP – (VYGOTSKY, 1991). A ZDP é
a distância entre o desenvolvimento real e o desenvolvimento potencial. Logo, cabe ao
educador compreender o que o aluno já sabe e aonde ele precisa chegar, inserindo o
conteúdo de sua disciplina dentro dessa zona de desenvolvimento. É nesse sentido
que a figura do professor passa a ser entendida como mediadora.
O objetivo da mediação é provocar mudanças no aluno. Assim, o professor deve
selecionar, focalizar e intensificar os estímulos, estabelecendo um ciclo contínuo de
diálogos e trocas com esse sujeito, como forma de promover a apropriação do
conhecimento. A interação entre professor e aluno é a base dessa mediação. Portanto,
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o docente deve buscar processos de ensino e aprendizagem baseados na colaboração
mútua. 
Portanto, compreendemos a ação colaborativa como um processo de adequação e
contextualização do ensino conforme as necessidades de aprendizagem do aluno,
permitindo que ocorra a mediação de maneira mais efetiva.
Feuerstein ( Gomes, 2002) realizou pesquisas com crianças que foram privadasapud
de interação e mediação, não tendo, dessa forma, as suas funções cognitivas ativadas.
Em seus resultados, o estudioso verificou que essa condição ocasionava dificuldades
de aprendizagem escolar e, em outros casos, impunha obstáculo na inserção em sua
própria cultura. De acordo com Meier (2007), essas crianças, pesquisadas por
Feuerstein, não haviam desenvolvido estratégias para reflexão, contextualização,
lógica e memorização, entre outras.
O professor mediador tem um papel de parceiro no processo de aprendizagem: ele
propõe novas estratégias e situações-problemas para estimular a reflexão e instigar a
busca pelo conhecimento. A educação, nesse sentido, passa a ser compreendida
como o conjunto dos esforços que a sociedade realiza para levar o indivíduo a se
apropriar das características de sua cultura, fator determinante no desenvolvimento
humano.
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Fonte: © Lisa F. Young // Shutterstock
Para que o educador seja capaz de planejar e executar sua ação pedagógica, ele
precisa desenvolver um conjunto de saberes pertinentes à mediação. Assim, poderá
oferecer estímulos e desafios que favoreçam a autonomia dos estudantes.
Nesse sentido, as tecnologias educacionais disponíveis hoje possibilitam ao professor
ter à disposição diversas ferramentas e recursos pedagógicos que contribuem para a
atuação profissional do docente, sendo utilizados para proporcionar o desenvolvimento
de ações inovadoras no âmbito da inclusão escolar.
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Ferramentas pedagógicas inovadoras promovendo a inclusão escolar
Com o avanço tecnológico chegando às redes de ensino, o aluno passou a ter uma
diversidade maior e mais ágil de fontes de pesquisas. A maneira como as propostas
educacionais fazem uso desses recursos revela a sua intenção e ação para a
acessibilidade de pessoas com necessidades específicas de aprendizagem.
É importante entendermos o que é acessibilidade – um conceito multidimensional,
descrito de diferentes formas por diferentes autores. No entanto, é em geral
compreendida como a condição de algo que é acessível para determinada população:
nesse caso, a educação, por meio da inclusão escolar.
A Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência apresenta a seguinte
definição de acessibilidade:
No que tange a acessibilidade na educação, o desenvolvimento das mídias de
comunicação e de aprendizagem se mostram um grande avanço, tanto para aqueles
alunos que sofrem por estarem distantes dos centros educacionais, como para aqueles
que, mesmo dentro das escolas, necessitam de recursos para acessar o material
pedagógico. São os casosde alunos com deficiências, principalmente as sensoriais,
que precisam dessas ferramentas.
Nesse rol, temos os estudantes com deficiência visual, que utilizam máquinas braille
para a escrita. Esses equipamentos foram muito utilizados, e ainda estão presentes
nas salas especiais das escolas para que os alunos cegos sejam alfabetizados e
desenvolvam suas atividades educacionais.
Acessibilidade é um atributo essencial do ambiente que garante a
melhoria da qualidade de vida das pessoas. Deve estar presente
nos espaços, no meio físico, no transporte, na informação e
comunicação, inclusive nos sistemas e tecnologias da informação
e comunicação, bem como em outros serviços e instalações
abertos ao público ou de uso público, tanto na cidade como no
campo (BRASIL, [s/d]).
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Fonte: © wavebreakmedia // Shuterstock
É importante salientar que o fez toda a diferença para a inclusão desistema braile
pessoas com deficiência na sociedade. Não é difícil percebermos sua ampla utilização,
pois está inserido em diferentes espaços. Basta observarmos os painéis eletrônicos
nos elevadores de prédios, embalagens de remédios, placas de estabelecimentos
públicos, entre outros.
Com o avanço da tecnologia e a informatização das escolas, muitos espaços
educacionais receberam uma grande novidade para os alunos com deficiência visual:
um programa que faz a leitura do texto no computador e converte em áudio. Assim, o
aluno com deficiência visual pode ter acesso àquele conteúdo. Alguns livros já foram
lançados no modelo áudio, não apenas nas escolas, o que revela um grande passo
para o processo de inclusão.
As tecnologias de informação e comunicação também beneficiaram os alunos com
deficiência auditiva, que passaram a ter acesso à webconferências em computadores,
de modo a permitir a visualização do interlocutor, o que possibilita a comunicação pela
Língua Brasileira de Sinais (Libras). Também foram desenvolvidos programas capazes
de criar legendas em vídeos que permitem a leitura da fala de seus protagonistas.
você sabia?
O sistema braille foi adotado no Brasil a partir de 1854, com a 
criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos, hoje Instituto 
Benjamin Constant. Esse recurso, inventado por Louis Braille, em 
1825, foi utilizado em nosso país, na sua forma original, até a 
década de 1940 (BRASIL, 2006).
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Além das tecnologias voltadas às pessoas com deficiência, também tivemos avanços
na inclusão educacional para outros públicos. Isso mostra que o progresso na inclusão
educacional não se restringe às tecnologias voltadas às pessoas com deficiência.
Esse movimento de inclusão visa garantir o acesso à educação de qualidade para
todos, incluindo, aqui, aqueles que fazem parte das chamadas minorias sociais, grupos
que são excluídos em decorrência da discriminação e estigmatização em relação a
alguma característica, que pode ser racial, de gênero, religiosa, cultural, de condições
de saúde etc. Logo, a inclusão beneficia as pessoas com deficiência, 
afrodescendentes, indígenas, homossexuais, imigrantes, mulheres, idosos, portadores
de algumas doenças (como o HIV) e jovens que cumprem medidas socioeducativas.
Fonte: © Shutterstock
Por isso, é importante entender que a inclusão é um processo que implica novas
dinâmicas de funcionamento, mudanças de atitudes e reflexões em torno de sua
operacionalização, tanto na escola quanto na sociedade (CARVALHO, 1998).
Um outro exemplo de inclusão educacional está relacionado à ascensão dos cursos a
distância, que conseguiram alcançar parte significativa da população brasileira devido à
flexibilidade de local e horário de estudo, incluindo no sistema educacional pessoas
que residem longe dos grandes centros e que, devido à falta de escolas, profissionais
da educação e transporte, não tinham acesso à educação formal e de qualidade. A
modalidade também contribuiu para dar acesso educacional àqueles com
incompatibilidade de horário entre estudo presencial e trabalho.
A facilidade do ensino a distância é permitir que o aluno acesse às aulas de sua casa
ou de locais próximos (como polos de ensino, entre outros), além de poderlan houses
se conectar a cursos indisponíveis em sua região de origem.
O desenvolvimento e a utilização das tecnologias de informação e comunicação
favorecem a acessibilidade na educação e promovem a inclusão de diversos grupos e
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de variadas formas, como exemplificam Giroto, Poker e Omote (2012, p. 21),
destacando como vantagens do ensino a distância:
O fato é que cada vez mais a acessibilidade e o desenvolvimento das habilidades e
competências se tornam uma realidade na vida das pessoas com deficiências e demais
estudantes que têm seu acesso ao sistema educacional facilitado pelas ações
inclusivas.
Diretrizes curriculares nacionais para a educação 
básica: diversidade e inclusão
Propor ações de inclusão e respeito à diversidade requer promover momentos de
sensibilização e diálogo entre vários atores envolvidos nesse processo. Nesse sentido,
é necessário pensar em um currículo que contemple o desenvolvimento da construção
de valores e atitudes que favoreçam uma escola possível para todos.
[...] individualização do ensino respeitando o ritmo e o tempo de
realização de atividade de cada aluno; a flexibilidade que viabiliza
o uso de canais sensoriais distintos; a avaliação contínua e
dinâmica; a autoavaliação; a manutenção da mesma atividade
/exercício de acordo com as necessidades educacionais do aluno;
o ajuste do nível de complexidade da atividade; o
desenvolvimento de hábitos e de disciplina para sua utilização; a
motivação, pois podem ser inseridos temas, cores, figuras, formas
que atendem aos interesses dos alunos estimulando-os, de
diferentes maneiras, a realizar as atividades propostas, entre
outras.
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Fonte: © Cienpies Design // Shutterstock
A convivência e o processo educativo pautado no respeito à diversidade devem prever
a coexistência com as deficiências, mas também com outros grupos que compõem as
minorias sociais e que são, muitas vezes, excluídos do sistema educacional (como
idosos, negros, pessoas em extrema pobreza, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e
transexuais, jovens em medidas socioeducativas etc.). E, para isso, é necessário
construir estratégias de inclusão.
Diversidade e inclusão: por onde começar?
O movimento de inclusão requer o respeito à diversidade, a convivência com as
diferenças sem qualquer tipo de discriminação ou preconceito, seja por cor, gênero,
nacionalidade, religião, característica física, ou qualquer outro aspecto. No âmbito da
educação, a inclusão existe quando se oferece educação de qualidade para todos.
César Coll (1996) explica que a inclusão não deve acontecer como um movimento que
busque unicamente incorporar os alunos das escolas especiais à escola regular. Da
mesma forma, também não ocorre inclusão quando apenas se possibilita a
convivência, em um mesmo espaço, de indivíduos de diferentes etnias, ou
nacionalidades, por exemplo.
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Em um ambiente inclusivo de fato, os diferentes convivem sem preconceito ou
discriminação, estabelecendo relações pautadas no respeito e na troca de experiências
e conhecimentos que beneficiam a todos.
A legislação brasileira prevê como responsabilidade de todos os estados e governos
efetivarem plenamente a educação para a diversidade e inclusão. Portanto, devem ser
providos recursos e medidas necessárias à estruturação das escolas, à formação
docente, ao acesso a transporte adequado e gratuito, entre outros.
Medidas de gestão curriculares, organizacionais, metodológicas e formativas devem
ser pensadas e implantadas como uma maneira de garantir o funcionamento do
sistema de inclusão baseado em princípios éticos e fundamentado em uma consciência
coletiva.
Um dos primeiros passos é desenvolver um currículo para a inclusão. Este deve ser
pensado para todas as pessoas e não apenas para aquelas que possuem algumas
especificidades (MANTOAN, 2016). Assim, esse programaprecisa oferecer as
melhores possibilidades de conceitos e permitir que os alunos sinalizem acerca de
suas capacidades, potencialidade e dificuldades. Desse modo, o conteúdo pode ser
adequado e contextualizado conforme a realidade dos estudantes.
O importante neste processo é não estabelecer uma meta única para todos, pois cada
aluno terá seu desenvolvimento e atingirá suas conquistas conforme seu ritmo e
condição física, emocional, cognitiva, cultural e social.
Fonte: © Image Studio / / Shutterstock
Esse panorama propõe um novo modo de olhar e fazer educação. É um processo com
vistas à inclusão a partir da valorização das diferenças, de maneira que tudo seja
oferecido para todos de maneira igual, mas de forma que cada um tenha o direito de
corresponder e ser reconhecido dentro das suas características e capacidades. Nessa
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conjuntura, é necessário que o professor adote uma postura voltada à ação de ensinar
e aprender conjuntamente.
Ensinar e aprender juntos
O encontro entre o ato de ensinar e o ato de aprender é um momento de interação e de
trocas. O professor, ao considerar que quem ensina também aprende, reflete sobre sua
prática e constrói relações com seus alunos.
O momento da aula propicia a interação entre professor e aluno, uma relação
interpessoal por meio da qual tanto docente quanto estudante agem como formadores
e aprendizes. É nesse processo de interação que Paulo Freire (1996, p. 23) considera
que o professor vivencia constantes transformações:
Para que o ensino flua em um processo de interação, o professor precisa ter prazer em
aprender e ensinar e, portanto, estar disposto a compartilhar. Na ótica de Floresten (
 GOMES, 2002), o docente deve comungar não somente aspectos cognitivos,apud
mas também emocionais, como sua forma de ser, isto é, demonstrar seus sentimentos,
suas experiências, oferecer seus próprios exemplos, inquietações, reflexões e
construções, sem perder de vista seu lugar de mediador.
Uma das ações mediativas necessárias ao educador é criar e incentivar práticas que
ampliem o universo cultural de seus alunos. É um exercício importante para ajudá-los a
compreenderem além de suas próprias realidades, possibilitando aos estudantes
entenderem as diferenças e desigualdades presentes em nossa sociedade.
Eliminando a desigualdade social rumo à democracia racial
O Brasil é um país composto pela mistura de povos, raças e etnias, o que deu origem a
um povo miscigenado, com várias distinções coexistentes. Embora exista um mito de
que o Brasil é um país de , isto é, livre do racismo, essa concepçãodemocracia racial
não se sustenta, como há 50 anos já denunciava Florestan Fernandes (1965).
Quem forma se forma e re-forma ao formar e quem é formado
forma-se e forma ao ser formado. Não há docência sem
discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das
diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto
um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende
ensina ao aprender.
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Fonte: © Image Studio / / Shutterstock
A escravidão da população negra e indígena teve consequências severas ao longo da
história do Brasil e se reflete nos dias de hoje. Quando olhamos para as estatísticas de
distribuição de renda, acesso à educação e violência, percebemos que pessoas negras
e indígenas ainda vivem em condições de desigualdade, sujeitas à marginalidade e à
discriminação de .raça e etnia
A implementação de leis que instituem a política de cotas para a população negra e
indígena em instituições públicas de ensino superior tem como objetivo criar
mecanismos “capazes de alterar a lógica em funcionamento nos processos seletivos e
diversificar o acesso, democratizando o ingresso a partir da inclusão de grupos
historicamente invisíveis em instituições desse tipo” (SANTOS; SANTOS, 2015, p. 04).
Há críticas com relação à política de cotas, pois parte da sociedade entende que é uma
forma de privilegiar um segmento da população. Dubet (2008), ao discutir o princípio da
igualdade de oportunidade sob a perspectiva da construção do que seria uma escola
, afirma que tais políticas devem centrar-se nos indivíduos e não em gruposjusta
sociais. Outro argumento é que essas políticas deveriam contemplar apenas alunos de
baixa renda.
você sabia?
Raça refere-se às características biológicas que marcam os 
indivíduos, como a cor da pele, o tipo de cabelo, o formato do corpo 
etc. Já etnia é um elemento de distinção sociocultural, como 
nacionalidade, língua, religião e tradições de um grupo, por 
exemplo. (SANTOS ., 2010)et al
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Porém, é preciso compreender que o Brasil possui uma dívida histórica com as
populações negras e indígenas. Elas convivem até hoje com o estigma da
discriminação, pois o racismo é um sistema que prescinde, “até certo ponto, a
consciência dos atores” (GUIMARÃES, 2004, p.33), ou seja, se mantém aquém da
consciência das pessoas, que não reconhecem e não admitem a existência desse
preconceito, e assim continuam a perpetuá-lo por meio de práticas discriminatórias.
É por isso que negros e têm menos oportunidades do que quem é branco,indígenas
porque o racismo é uma barreira, muitas vezes, não-declarada, que ocorre
recorrentemente na trajetória das pessoas dessas descendências.
Nesse contexto, a política de cotas raciais é uma intervenção estratégica importante,
que já foi implementada com sucesso em outros países com histórias de
desigualdades raciais profundas, como os Estados Unidos (OLIVEN, 2007).
Essa medida emergencial é uma política que deve ser findada apenas quando houver
igualdade de condições de acesso para pessoas negras e indígenas no Ensino
Superior.
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A política de cotas está, então, relacionada ao processo de inclusão, visando à
possibilidade de se oferecer educação de qualidade para todos. No sentido geral da
você sabia?
No último Censo realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística), constatou-se que existiam no Brasil, em 
2010, 305 etnias indígenas, que falavam 274 línguas. (INSTITUTO 
SOCIOAMBIENTAL, 2012).
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inclusão, a escolarização contribui para a formação do ser humano e para que os
indivíduos se transformem em cidadãos e conheçam e exerçam seus direitos e
deveres. É por meio do ensino que os estudantes podem ter uma formação, melhores
oportunidades de trabalho e, por conseguinte, melhores condições econômicas. Esse
deve ser o caminho para o combate à desigualdade social.
Conclusão
Neste capítulo, vamos estudar algumas
vertentes fundamentadoras das políticas
educacionais em nosso país, sendo uma
delas os Pilares da Educação, propostos
pelo relatório de Jacques Delors
(DELORS, 2000), e os “Sete Saberes
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de Edgar Morin (2001).
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	Introdução
	Os pilares da educação: novas formas de ensinar
	Os pilares da educação preconizados pela Unesco
	Os quatro pilares da educação e a educação inclusiva
	Os saberes na educação
	Novas formas de ensinar e aprender
	Como educar para a diversidade?
	O professor como mediador da aprendizagem do outro
	Ferramentas pedagógicas inovadoras promovendo a inclusão escolar
	Diretrizes curriculares nacionais para a educação básica: diversidade e inclusão
	Diversidade e inclusão: por onde começar?
	Ensinar e aprender juntos
	Eliminando a desigualdade social rumo à democracia racial
	Conclusão

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