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Unidade 3 Segurança no Trabalho em Altura, Espaços Confinados, Vasos Sob Pressão e na Indústria Agrícola Rosivany Gomes Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autor ROSIVANY GOMES A AUTORA Rosivany Gomes Olá. Sou a professora Rosivany Gomes. Sou Mestre em Biociência e Pedagoga, com experiência técnico-profissional na área de Segurança, Saúde e Meio Ambiente. Atuo também como consultora em SMS para empresas que precisam se adequar às exigências legais na área de Saúde, Segurança e Meio Ambiente. Ao longo da minha vida acadêmica pude coordenar o curso de MBA em Sistema de Gestão Integrado em SMS onde desenvolvemos um produto final para atender à demanda do mercado. Além disso, pude atuar em diferentes segmentos da Educação, desde educação básica, cursos técnicos, cursos de graduação e pós-graduação. Durante essa jornada, desenvolvi habilidades e competências como educadora, aprimorando meus conhecimentos em Metodologias Ativas, Aprendizagem Baseada em Projetos e Ensino à distância e Educação em ambientes virtuais com o projeto “Recomendação de materiais didáticos baseada em estilos cognitivos de aprendizagem”. Destaco na minha sólida carreira na área de Gestão Educacional os prêmios de Coordenador inspirador e Prêmio Educação, Inovação e Desenvolvimento de projetos educacionais pela Implantação e coordenação de projetos educacionais baseados em Metodologias Ativas e por desenvolver a cultura digital na minha equipe e nos alunos de cursos presenciais e nas plataformas de EAD. Atualmente me dedico à formação Técnica profissional e à elaboração de materiais educacionais, aplicando a aprendizagem que associa teoria à prática, ou seja, aprender fazendo. ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: INTRODUÇÃO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO NR 13: Trabalho em caldeiras e vasos sob pressão .....................12 Caldeiras e vasos sob pressão .............................................................................................. 12 Risco associados à operação com caldeira ................................................................ 17 Medidas de controle ..................................................................................................................... 21 Norma Regulamentadora - NR13 ........................................................................................24 NR 31: Trabalho na indústria agrícola ................................................ 26 Agroindústria no Brasil.................................................................................................................26 Riscos relacionados ao trabalho na agroindústria ..................................................28 Medidas de controle .....................................................................................................................33 Norma Regulamentadora .........................................................................................................37 NR 33: Trabalho em espaços confinados ........................................ 40 Espaço confinado ........................................................................................................................... 40 Segurança em Espaços confinados ..................................................................................43 NR 35: Trabalho em altura ..................................................................... 49 7 UNIDADE 03 Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 8 INTRODUÇÃO Você sabia que a área segurança do trabalho é uma das maiores demandas na indústria e será responsável pela geração de empregos nos próximos anos? Isso mesmo. A área de segurança faz parte da cadeia de gestão de QSMS de uma empresa. Sua principal responsabilidade é gerir os riscos ocupacionais identificando os fatores causadores de danos à saúde e segurança do trabalhador. Ela aparece em diferentes setores da economia, como na indústria de petróleo e gás, siderurgia, agroindústria, produtos químicos, farmacêuticos e nos setores de transporte e logística. Isso porque as mais diferentes atividades envolvem fatores de risco que precisam ser analisados e controlados, como no caso do trabalho em espaços confinados ou em alturas. O uso de máquinas e equipamentos também são causadores de acidentes e incidentes. Entendeu por que a segurança é necessária em todas as atividades ocupacionais? Se não, tudo bem. Ao longo desta unidade você vai mergulhar neste universo e descobrir como tornar os ambientes ocupacionais mais seguros! Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 03. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Mapear os riscos do trabalho com caldeiras e vasos sob pressão, onde há riscos de explosão, conforme a Norma Regulamentadora NR 13; 2. Identificar as situações de risco ao trabalhador na indústria agrícola, aplicando protocolos de segurança conforme a Norma Regulamentadora NR 31; 3. Compreender e aplicar as normas de segurança do trabalho em espaços confinados, de acordo com a NR 33; 4. Aplicar equipamentos e protocolos de segurança para o trabalho em altura, segundo a Norma Regulamentadora NR 35. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 10 NR 13: Trabalho em caldeiras e vasos sob pressão INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como funciona o trabalho em caldeiras ou com vasos sob pressão e os riscos envolvidos nessas atividades. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. Um bom prevencionista precisa primeiro entender as atividade envolvidas antes de propor ações de segurança. Eu o estou convidando a fazermos isso juntos. Pronto para desenvolver esta competência? Então vamos lá! Caldeiras e vasos sob pressão A importância do entendimento das atividades ocupacionais com caldeiras e vasos sob pressão, vem ganhando importância nos últimos tempos uma vez que esses equipamentos, inicialmente vistos apenas em indústrias, ganharam representatividade em outros setores da economia e consequentemente, nos riscos gerados para os trabalhadores. Embora tenha conquistado novos mercados, o tema exige um conhecimento técnico um pouco mais aprofundado, devido não somente aos riscos relacionados aos trabalhadores, mas também aos usuários e terceiros. Então, vamos agora conhecer um pouco do uso desses equipamentos e serviços. As caldeiras são usadas como fonte de energia pelos homens desde a antiguidade, quando ainda o nos primeiros séculos da eraou infectados. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 47 NR 35: Trabalho em altura INTRODUÇÃO: Conheceremos neste capítulo A NR 35 que estabelece os requisitos mínimos e as medidas de proteção para o trabalho em altura, envolvendo o planejamento, a organização e a execução, de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente com esta atividade. Se você perguntar a um prevencionista se um trabalhador que realiza a limpeza das paredes de um poço pode ser considerado um trabalho em altura, a resposta será sim. Além do trabalho em plataformas, andaimes ou escadas é considerado trabalho em altura toda e qualquer atividade executada acima de 2,00 metros, levando-se em conta que exista risco de queda com consequências graves ou fatais. O item 35.4.6 define que para atividades rotineiras de trabalho em altura, a análise de risco pode estar contemplada no respectivo procedimento operacional, documento que deve conter no mínimo: a. Diretrizes e requisitos da tarefa; b. Orientações administrativas; c. Detalhamento da tarefa; d. Medidas de controle dos riscos; e. Proteção coletiva e individual; f. Competências e responsabilidades. Ao realizar um trabalho em altura o trabalhador precisa estar ciente dos riscos envolvidos, lembrando que quanto maior a altura, maior serão as consequências do acidente. Por isso, a análise de risco assim como as medidas de controle que serão aplicadas e os profissionais envolvidos na atividade devem estar devidamente registrados na Permissão de Trabalho Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 48 (PT). A PT é um documento exigido pela norma técnica que deve ser emitido autorizando a atividade em altura (OLIVEIRA, 2017). Só é autorizado exercer trabalho em altura quem tem treinamento e qualificação. As estruturas e os equipamentos necessários para se realizar um trabalho em altura são guarda-corpos, plataformas, escadas, sistemas de posicionamento e restrição, linha de vida horizontal e vertical. A linha de vida garante a segurança de quem anda de um lado a outro, longe do chão. Os EPIs são: trava-quedas retrátil, cinto de segurança (tipo paraquedista), capacete com jugular, talabartes ajustáveis, talabartes simples, talabarte Y, botinas de segurança, óculos de segurança, luvas de segurança, mosquetão de aço e cadeira suspensa. O conjunto de dispositivos de segurança individuais quando usados corretamente possibilita que os operadores desenvolvam suas atividades com segurança, como no caso da cadeira suspensa, utilizada no deslocamento vertical. Outros tipos de dispositivos são os talabartes (uma espécie de ancora) que é o ponto de ligação entre o cinto de segurança preso ao operador e o ponto de ancoragem estabelecido para a realização da atividade. O seu uso é essencial para evitar a queda do operador. Conheça alguns termos para entender o sistema de proteção contra quedas. Em primeiro lugar, queda livre é a distância entre o ponto em que o trabalhador começa a cair e aquele em que começa a retenção da queda. A distância de desaceleração é o espaço máximo estendido pelo absorvedor após a queda. Com esse cálculo, a linha de vida protege o trabalhador se ele perder o equilíbrio. Quanto aos equipamentos coletivos, podemos relacionar o andaime suspenso, a plataforma, a tela protetora/bandeja de proteção, a grade metálica dobrável, o guarda-corpo de rede, a rede de proteção, as pranchas antiderrapantes, o corrimão e os elevadores de pessoal. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 49 ACESSE: Link: https://youtu.be/1ZAsp-aX064, Projeto Série 100% Seguro | NR -- 35 Trabalho em Altura (Versão Completa). Se o serviço ou reparo for em altura, deve haver um treinamento teórico e prático. O empregador libera oito horas para capacitação com um profissional qualificado sobre normas e regulamentos, análise de risco e condições de impedimento, medidas de controle, proteção individual e coletiva, tipos de acidentes e o que fazer quando houver problemas. O treinamento deve ser dado a cada dois anos e repetido caso haja alguma alteração ou se o funcionário mudar de empresa ou ficar mais de noventa dias afastado do trabalho. Terminado o curso, o operário passa por exames de saúde física e mental. Todo trabalho em altura deve ser precedido da Análise de Risco. Antes de começar, faça o isolamento e sinalização da área e verifique os pontos de ancoragem e a autorização dos envolvidos. É na construção civil que o trabalho em altura é uma das maiores causas de acidentes, por isso a segurança dos trabalhadores é prioridade. A empresa é responsável por perceber a gravidade do assunto, proteger os funcionários, analisar os riscos e fazer as mudanças no projeto. O cumprimento dos dispositivos presentes na norma regulamen- tadora, assim como nas demais normas técnicas garantem a saúde e se- gurança do trabalhador e deve haver a fiscalização pelos órgão compe- tentes através de inspeções oficiais realizadas pelos Auditores Fiscais do trabalho (AFT). Em caso de não cumprimento, o AFT poderá aplicar multa conforme previsto na norma regulamentadora 28 (NR28). Essas multas são calculadas em relação ao número de trabalhadores expostos ao risco envolvido na atividade e paga com valores referentes à UFIR. Este valor poderá variar também em relação ao tipo de infração, segurança ou de medicina. Em caso de reincidência, seu valor será o pré estabelecido na NR (ENIT, 2019, p. NR28). Em alguns casos, como a constatação de uma Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica https://youtu.be/1ZAsp-aX064 50 situação de grave risco eminente, em caso de reincidência ou resistência à fiscalização, o auditor poderá solicitar o embargo ou interdição (parcial ou total) como previsto na Norma Regulamentadora 03 (NR3) das ativida- des, visando de garantir a integridade física dos trabalhadores (ENIT, 2019, p. NR 03). RESUMINDO: E então, vamos resumir tudo o que vimos? Você conheceu os princípios gerais de segurança e saúde no trabalho em altura. É uma exigência capacitar os trabalhadores através de treinamento periódico prático e teórico com carga mínima de 8 horas e suspender o trabalho caso ofereça condição de risco não prevista, além de disponibilizar equipes para respostas em caso de emergências para trabalho em altura com os recursos necessários. O procedimento operacional para as atividades rotineiras de trabalho em altura deve ser documentado, divulgado, entendido e conhecido por todos os trabalhadores que realizam o trabalho, bem como as pessoas envolvidas. Segundo a NR35 é necessário Realizar a Análise de Risco – AR antes do início da atividade e Emitir Permissão de Trabalho – PT para atividades não rotineiras. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 51 REFERÊNCIAS CLT. Artigo 188 do Decreto Lei nº 5.452, 1943. CTB. 1997. Lei N0 9.503, 1997. ENIT, 2019.. Disponível em: https://bit.ly/3lMmOCT.Acesso em: 02 dez 2020. FRANCO, G., & VALE, L. (s.d.). A Importância e Influência do Setor de Compras nas Organizações. TecHoje. Disponível em: http://www. techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/1004. Acesso em: 02 dez 2020. LANCMAN, S.. Manual de Ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. 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Disponível em: https://www. institutosc.com.br/web/blog/seguranca-do-trabalho-nr-13-caldeiras-e- vasos-de-pressao. Acesso 02 dez 2020. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 52 SANTOS, G. R. Instituto de pesquisa econômica aplicada, 2014. Disponível em: https://bit.ly/3sbkgk1. Acesso em 02 dez 2020. SILVIA, R., SANTOS, F. A., BARBOSA, D. d., & MENDONÇA, L. S. Gerenciamento de riscos de acidentes em áreas de caldeiras. Fortaleza: ABEPRO, 2015. TOURINO SLOUZIONI AMBIENTALI, 2018. Disponível em: http:// www.tsambientali.com.br/quais-os-tipos-de-caldeiras-a-vapor-e-por- que-e-importante-fazer-uma-manutencao-periodica/#:~:text=Com%20 o%20advento%20das%20caldeiras Acesso em: 02 dez 2020. VISUAL, Geografia. Agrotóxicos. Youtube. Disponível em: . Acesso em: 13 jan 2021. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica Rosivany Gomes Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica NR 13: Trabalho em caldeiras e vasos sob pressão Caldeiras e vasos sob pressão Risco associados à operação com caldeira Medidas de controle Norma Regulamentadora - NR13 NR 31: Trabalho na indústria agrícola Agroindústria no Brasil Riscos relacionados ao trabalho na agroindústria Medidas de controle Norma Regulamentadora NR 33: Trabalho em espaços confinados Espaço confinado Segurança em Espaços confinados NR 35: Trabalho em alturacristã um estudioso chamado Heron de Alexandria, construiu uma espécie de turbina a vapor chamada Eolípil, uma máquina onde temos a produção de movimento a partir da queima de combustíveis. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 11 A máquina térmica trouxe com ela a Revolução Industrial. A produ- ção passou a ser mais rápida, pois o trabalho realizado pela máquina era mais rápido que o de vários homens, o que diminuia o tempo de produção e aumentava a quantidade de produtos. Além disso, veio o uso da Maria Fumaça para escoar a produção, possibilitando um transporte mais efeti- vo para as mercadorias em um tempo menor, atingindo mais pessoas em lugares mais distantes. Gerar vapor na Revolução Industrial tinha como finalidade mover máquinas e turbinas para a geração de energia, o que direcionou a necessidade industrial da evolução das caldeiras. No fim do século XVIII, as máquinas a vapor produzidas por Watt e seu companheiro Matthew Boulton forneciam energia para fábricas, moinhos e bombas na Europa e na América. O uso do vapor se diversificou, sendo empregado para o aquecimento de forma direta ou indireta e para o trabalho mecânico. EXEMPLO: A esterilização e a lavagem de materiais são exemplos de uso direto e radiadores ou autoclaves podem ser usados com exemplos de uso indireto. Embora o uso do vapor apresente inúmeras vantagens por não ser tóxico, inflamável ou explosivo, o seu uso requer medidas de controle. Caldeiras, fornos e compartimentos sob pressão se apresentam como uma fonte geradora de risco prevista na CLT em seus artigos 187 e 188, no qual o Ministério do Trabalho define a necessidade de dispositivos de segurança que sejam capazes de controlar e evitar que a pressão interna ultrapasse a pressão compatível ao trabalho. No Art 188, a CLT define que todas as caldeiras e os vasos de pressão devem ser inspecionados: Art. 188. As caldeiras e os vasos de pressão serão periodica- mente submetidos a inspeções de segurança, por engenheiro ou empresa especializada, em conformidade com as instru- ções normativas que, para esse fim, forem expedidas pelo Mi- nistério da Economia. (Redação dada pela Medida Provisória nº 905, de 2019) (CLT, 1943, pp. Art, 188) Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 12 Como vimos, a legislação exige um acompanhamento periódico de máquinas e equipamentos que trabalham sob pressão. Esse acompanhamento é feito através de inspeções rotineiras, que avaliam os componentes em relação ao tempo de vida dos mesmos, de forma a garantir o funcionamento das máquinas com segurança. Além disso, o acompanhamento periódico garante uma redução de custos com reparos e substituições de peças e reflete positivamente na produção permitindo que os equipamentos funcionem continuamente e de forma correta garantindo maior produtividade. Toda essa preocupação não existia quando surgiram as máquinas industriais durante a primeira Revolução Industrial no século XVII, trazendo o aumento da produtividade para as indústrias. Isso porque as máquinas eram movidas pelo calor da queima do carvão. Calor esse que se dissipava pelas instalações trazendo para os trabalhadores condições de exposição excessiva ao calor e excesso de umidade, que junto com a má ventilação dos prédios, trazia vários efeitos nocivos à saúde do trabalhador. A máquina a vapor criada por James Watt, ajudou a amenizar esse cenário. A máquina funcionava como uma espécie de turbina que trabalhava com a energia gerada pelo calor em forma de vapor. A ciência e a tecnologia ajudaram a resolver isso, desenvolvendo máquinas de combustão interna que reduzem os incômodos causados pela produção do calor, dissipando o mesmo através de tubulações. ACESSE: https://bit.ly/3f81ZjY Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica https://bit.ly/3f81ZjY 13 Figura 1 -Comparação das caldeiras evidenciando a evolução dos componentes de segurança Fonte: Pixabay O tipo de caldeira mais comum é à água, devido à abundância desse recurso e à possibilidade de reaproveitamento através da condensação do vapor. O armazenamento é feito em alta pressão, superior à pressão atmosférica e em alta temperatura. A energia necessária à operação é dada pela queima de um combustível. Isto é, o fornecimento de calor sensível à água até alcançar a temperatura de ebulição, mais o calor latente a fim de vaporizar a água e mais o calor de superaquecimento para transformá-la em vapor superaquecido. Apesar de todas as caldeiras terem evoluído dos exemplares da época da primeira Revolução Industrial, elas foram se diferenciando. As adaptações foram feitas de acordo com a necessidade de eficiência, de espaço ou de finalidade dos locais onde são utilizadas. Assim, de acordo com as diferentes posições dos tubos, do local da fornalha e outros aspectos, toda caldeira deve ser agrupada em seu tipo principal. Abaixo é possível conferir alguns exemplos, veja: • Caldeiras flamotubulares ou tubos de fogo. São aquelas cujos gases quentes (formados pela combustão da fornalha) circulam no interior dos tubos. Dessa forma, agem transferindo calor para a água que os envolve externamente. As caldeiras flamotubulares Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 14 são empregadas apenas para pequenas capacidades e quando se quer apenas vapor saturado de baixa pressão. Atualmente, no mercado elas se apresentam em formato horizontal, vertical e Lancashire constituída por duas, às vezes 3 ou 4 tubulações internas, alcançando a superfície de aquecimento de 120 a 140 metros quadrados. Este tipo de caldeira está sendo substituída gradativamente por outros tipos; • Caldeiras aquotubulares. Tipo de caldeira em que os gases quentes envolvem os tubos por onde passa a água no seu interior, com temperatura do vapor na saída do superaquecedor de até 530°C. A água passa pelo interior dos tubos, que por sua vez são aquecidos pelas chamas. São as mais comuns em se tratando de plantas termelétricas ou geração de energia elétrica em geral, exceto em unidades de pequeno porte. Utilizada na indústria alimentar como padarias, produção de leite e derivados, indústria de bebidas, indústria química, petrolífera e ainda no processo de esterilização em hospitais, hotéis, lavanderias e fabricação de medicamentos; • Caldeiras mistas, são híbridas. Possuem características tanto das caldeiras flamotubulares quanto das caldeiras aquotubulares. Essas classificações, referentes à forma como se dá a troca de calor são essenciais. Existem outras classificações dos tipos de caldeiras em função do tipo de combustível, fluído, circulação de água, entre outros. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 15 VOCÊ SABIA? Na atualidade, muitas empresas começam a substituir suas caldeiras tradicionais por caldeiras que usam a biomassa, possibilitando a continuação da geração de energia, mas com maior responsabilidade ambiental. O uso da caldeira de biomassa (Figura2) (REIS, HALLA, CARNEIRO, DIAS, & MILANEZ, 2015) está relacionada à eficiência da combustão que está diretamente ligada à composição da matéria- prima por causa das características do equipamento e do combustível. Na contra mão, o gás natural é o mais caro das opções energéticas, enquanto que a biomassa apresenta custo baixo diante das outras opções. Figura 2 -Caldeira de biomassa. Usada na indústria de papel, uma nova tendência no uso de caldeiras, buscando se adequar aos objetivos de desenvolvimento sustentável Fonte: researchgate O uso de caldeiras apresenta riscos ocupacionais como riscos de explosões, incêndios, choques elétricos, intoxicações e ferimentos diversos que veremos mais detalhadamente no próximo tópico. Risco associados à operação com caldeira As caldeiras são definidas pela NR-13 como equipamentos destinados a produzir e acumular vapor sob pressão superior à atmosférica, utilizando qualquerfonte de energia (ENIT, 2019). Além das exigências estabelecidas pela NR, as caldeiras devem atender as normativas dos Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 16 órgãos técnicos adequando as condições operacionais considerando o tipo de caldeira em relação ao armazenamento da água e o tipo de combustível utilizado, respeitando as condições operacionais de vazão de vapor, pressão e temperatura de forma a garantir que a transferência de energia não gere danos à estrutura da caldeira. Os processos envolvidos na transferência de energia do combustível para a água da caldeira são a condução, a convecção e a radiação e são os combustíveis, muitas vezes, os responsáveis pela explosão de caldeiras devido à acumulação do mesmo ou por combustão incompleta. Para evitar incidentes e acidentes graves, as caldeiras devem apresentar dispositivos de segurança a fim de garantir a integridade física das pessoas e reduzir enormes prejuízos econômicos. Tais dispositivos devem levar em consideração as principais causas de acidentes: • Falta de manutenção; • Falhas de instrumentação (supervisório); • Procedimentos operacionais (falha do operador); • Tratamento de água inadequado. A falta de qualquer um dos itens abaixo é considerado um grave risco à utilização das caldeiras e vasos sob pressão: • Válvula de segurança com pressão de abertura ajustada em valor igual ou inferior à PMTA (Pressão Máxima de Trabalho Admissível); • Instrumento para indicação da pressão do vapor acumulado; • Sistema para drenagem de água em caldeiras de recuperação de álcalis; • Sistema de indicação para controle do nível de água ou outro sistema que possa evitar o aquecimento (ou superaquecimento) por alimentação deficiente. Em uma análise de risco mais aprofundada nessas operações, deve-se levar em consideração fatores técnicos (incluindo a avalição dos danos acumulados), fatores mecânicos (que levam em conta o projeto Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 17 e instalação da caldeira) e fatores operacionais, que levam em conta a operação da caldeira e se destacam na análise de risco. Isso ocorre porque nele está inserido o fator pessoal, ou seja o operador, que deve sempre realizar o trabalho com cadeiras e com vasos de pressão com muita atenção e com o máximo de segurança para evitar qualquer tipo de acidente ou incidente, já que esses acontecem de forma imprevista e podem gerar efeitos desastrosos. IMPORTANTE: As consequências se tornam críticas quando estamos falando da integridade física dos seres humanos, que devem ser a prioridade de qualquer empresa, independente do segmento ou setor. Por isso, reduzir o número de acidentes é, além de uma obrigação legal, um compromisso social, pois empresas que investem na segurança dos trabalhadores aumentam o valor da empresa no mercado e são mais bem vistas pela sociedade. http://bit.ly/3rcaLje Os fatores mecânicos que levam em conta desde o projeto até as operações, quando não neutralizados podem ser a causa de explosões por superaquecimento levando o material que constitui os equipamentos a temperaturas extremas, superiores às admissíveis. Assim, a resistência do material é reduzida, criando o risco de rompimento. Entre os fatores operacionais, podemos destacar os problemas relacionados com a qualidade da água que pode levar a incrustações, corrosão, arraste ou formação de espumas. Trabalhadores que atuam em área de caldeiras, vasos de pressão e tubulações também ficam expostos ao risco de acidentes que causam danos como choques elétricos, quedas, ferimentos, calor radiante e sensível e queimaduras. Todos estes podem ser ocasionados pela dificuldade ao acesso do extintor, sistemas fixos de hidrantes sem mangueiras, tubulações velhas, enferrujadas, possivelmente corroídas, local escorregadio ou molhado provocado por buracos no telhado que permitem que a chuva entre. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica http://bit.ly/3rcaLje 18 Além dos agentes de risco de acidentes, podemos identificar agentes de riscos físicos (ruído) e químicos (gases e vapores) causadores de intoxicações que podem estar relacionados ao desuso dos EPI’s e ao trabalho manual com caldeiras. Por isso, o fator pessoal também está atrelado à obrigatoriedade de qualquer empresa de realizar treinamentos para seus empregados, seguindo as normas que regem o seu manuseio e criando os procedimentos necessários para a segurança das operações. VOCÊ SABIA? Foram realizadas várias pesquisas e foi verificado que todos os anos ocorrem muitos acidentes por falta de cuidado. Por este motivo, os riscos justificam a mais recente revisão da Norma Regulamentadora 13, que teve seu título atualizado para Caldeiras, Vasos de Pressão e Tubulações e o fato do MTE exigir não somente conhecimento na área, mas uma formação certificada. O gerenciamento de risco deve existir em qualquer atividade em que existam trabalhadores que exerçam suas funções expostos a riscos. Os fatores de risco devem ser gerenciados através de programas, como os Programas de Gerenciamento de Risco (PGR’s). Estes programas, além de avaliar os possíveis danos aos trabalhadores, também avaliam os danos às instalações e à sociedade e gerenciam medidas que reduzem os impactos causados por acidentes, principalmente para as atividades denominadas perigosas. Para o bom êxito dessa medidas é importante o apoio de todos, desde a direção até os trabalhadores envolvidos em cada setor (SILVIA, SANTOS, BARBOSA, & MENDONÇA, 2015). ACESSE: Caro leitor, acesse o vídeo de conscientização sobre a importância do gerenciamento de risco e contemple a importância do tema tratado. Disponível em: https://youtu.be/ bTbonpb6hZE-. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica https://youtu.be/bTbonpb6hZE- https://youtu.be/bTbonpb6hZE- 19 Medidas de controle Como tornar um equipamento que pode explodir e causar mortes e lesões graves mais seguro para seus operadores? A resposta é: inspeção e manutenção periódica, preventiva e preditiva. Desta forma as caldeiras e vasos sob pressão podem ser operados de forma segura. A segurança desse equipamentos também está atrelada à formação continuada dos operadores em relação aos conhecimentos técnicos que são necessários para a garantia do cumprimento de todas as regras estabelecidas no projeto, desde a instalação, manutenção e operação dos equipamentos (SILVIA, SANTOS, BARBOSA, & MENDONÇA, 2015). Além de evitar acidentes, que podem ser fatais, seguir as regras e normas estabelecidas também evita que a empresa arque com multas onerosas ou até mesmo o embargo dos equipamentos ou do total das atividades da empresa pelo auditor fiscal do trabalho (AFT) com base em análise segundo a NR3 (ENIT, 2019). Esta trata de embargo e interdição em caso de risco grave e iminente como mostra a Figura 3 extraída da Tabela 3.3 - Tabela de excesso de risco: exposição individual ou reduzido número de potenciais da mesma NR. Figura 3 - Tabela de excesso de risco: exposição individual ou reduzido número de potenciais Fonte: ENIT, 2019, p. NR3 Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 20 Dois fatores são importantes para manter o funcionamento seguro das caldeiras: o operador e o arranjo físico adequado para a operação. Para isso, os gestores de SST devem estar atentos ao cronograma de capacitação de seus operadores, programando e realizando constantemente treinamentos que reforcem o conhecimento técnico de seus operadores, informando e alertando sobre os riscos envolvidos e a importância de seguir as regras de segurança estabelecidas pelos gestores, tanto as medidas coletivas quanto as de uso individual (EPI) durante a operação do equipamento. O monitoramento da eficácia das medidas de segurança, como a utilização correta dos EPI e demais dispositivos de segurança deve ser o objetivo central dos programas voltadospara a saúde e segurança dos trabalhadores, como o PGR e o PCMSO (e Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional) acompanhados pelos profissionais da área de segurança contratados pela empresas. Nos casos em que a empresa não comporte, pelo seu número de funcionários, a contratação de profissionais da área de segurança, os programas devem ser realizados pelos os responsáveis pela elaboração dos programas de segurança. O que não pode ocorrer é o descuido em relação aos treinamentos e capacitação dos operadores, assim como a inspeção e manutenção dos equipamentos (SILVIA, SANTOS, BARBOSA, & MENDONÇA, 2015). Para evitar danos aos trabalhadores, à empresa e ao meio ambiente oriundos de possíveis falhas nas tubulações industriais, a NR 13 propõe as seguintes medidas, que devem ser adotadas pelo empregador: as tubulações ou sistemas de tubulação devem possuir a documentação com as informações do projeto e registro de segurança, apresentar dispositivos de segurança e indicadores de pressão que devem ser mantidos em boas condições operacionais e seus sistemas devem possuir identificação e sinalização conforme a NR 26, além de elaborar um plano de manutenção preventiva e corretiva, composta por inspeção (Infográfico 1). Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 21 Infográfico 1 - Inspeções de segurança em tubulações de caldeiras Fonte: Elaborado pelo autor (2020) No último caso, as inspeções extraordinárias devem acontecer sempre que: • O vaso for danificado por acidente ou por outra ocorrência que venha comprometer sua segurança; • Quando o vaso for submetido a reparos capazes de alterar sua condição de segurança; • Quando houver alteração de local de instalação do vaso; • Quando permanecer inativo por mais de 12 meses. Todos os vasos de pressão devem ser instados de modo que todos os drenos, respiros, bocas de visita e indicadores de nível, pressão e temperatura, quando existentes, sejam facilmente acessíveis. Além disso, deve apresentar os documentos que registrem os relatórios de inspeção que são elaborados com base nos dados contidos no manual de operação atualizado em língua portuguesa, obrigatório para todas as caldeiras contendo informações mínimas como os procedimento de partidas e paradas, procedimentos e parâmetros operacionais de rotina, procedimentos para situações de emergência, procedimentos gerais de segurança, saúde e de preservação do meio ambiente. ACESSE: ACESSE o site do ENIT e consulte a NR3 na íntegra para entender como é feita a análise para embargos e interdições: http://bit.ly/3cTii1y. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica http://bit.ly/3cTii1y 22 Norma Regulamentadora - NR13 As máquinas criadas para produzirem energia gerada pelo calor, desde o início, causaram danos à saúde e segurança dos trabalhadores, embora trouxessem um aumento da produção industrial. Ainda no início do Século XIX, os operários pressionavam os donos de indústria e o governo por melhores condições de trabalho. No Brasil, assim como na Revolução Industrial, a legislação também chegou de forma tardia, criada da necessidade de garantir aos trabalhadores a realização de suas atividades de foram segura e a integridade das caldeiras, o que também protege o patrimônio das empresas. Atualmente, a NR13 (ENIT, 2019), criada há 40 anos pelo o extinto Ministério do Trabalho e Emprego (MET) define os requisitos mínimos para o trabalho em caldeiras, tubulações industriais e vasos sob pressão, levando as empresas a trabalharem de forma preventiva nos dois sentidos: prevenindo danos ao patrimônio da empresa e mantendo os operadores mais seguros, reduzindo acidentes que geram gastos para a empresa (ENIT, 2019). Em 2020, assim como outras NRs, a NR 13 sofreu atualizações no texto que já não era o original, pois a mesma já havia sido revisada anteriormente, sempre buscando adequações a novas demandas dos setores. Assim como qualquer mudança na gestão, as alterações na norma requerem tempo para adequação não sendo adotas integralmente de forma imediata, mas já esperadas para o ano de 2021, em que os requisitos mínimos de segurança para que uma empresa opere com sistema de caldeiras, tubulações ou vasos sob pressão sejam adotados. O não cumprimento desses requisitos podem acarretar prejuízos às empresas, que podem ser multadas ou até mesmo responder a processos judiciais graves. A capacitação dos operadores é detalhadamente definida no Anexo I da NR13. Nela são apresentados quesitos como a carga horária mínima de 40 (quarenta) horas exclusivamente na modalidade presencial, acompanhado de prática profissional supervisionada na operação da Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 23 própria caldeira que irá operar 80 (oitenta) horas para caldeiras do tipo A e 60 (sessenta) horas para caldeiras do tipo B (ENIT, 2019). RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que nas atividades com caldeiras e vasos sob pressão, os trabalhadores estão expostos a diferentes riscos ocupacionais, entre eles os agentes de riscos de acidentes como os causadores de incêndios e explosões nos diferentes tipos de caldeiras. Como vimos, elas podem ser caldeiras mistas que são híbridas com características tanto das caldeiras flamotubulares quanto das caldeiras aquotubulares. Para controlar e reduzir os possíveis danos, as medidas de controle como sinalização, treinamento e inspeções são exigidas por lei e também para não sofrer embargos e interdições. Em 2020 a NR13 foi atualizada e teve como principal mudança a inclusão de vasos de pressão, tubulações e tanques metálicos de armazenamento no título, que não constavam na versão anterior. Com intuito de englobar também os profissionais da área, o novo texto propõe reciclagem dos trabalhadores, melhorando e tornando constante o treinamento e atualização em relação à segurança do trabalho, treinamento e capacitação. A atualização da norma tem o propósito de acompanhar a modernização dos equipamentos e da tecnologia, com a finalidade de garantir a segurança dos trabalhadores e das empresas. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 24 NR 31: Trabalho na indústria agrícola INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender os riscos envolvidos com as atividades ocupacionais nos diferentes setores da agroindústria. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. Um bom prevencionista precisa entender primeiro as atividades envolvidas antes de propor ações de segurança que garantam qualidade de vida no ambiente ocupacional, mas também em relação à segurança com o meio ambiente. Pronto para desenvolver esta competência? Então vamos lá! Agroindústria no Brasil Você sabia que a agroindústria é uma das principais atividades produtivas do Brasil que causam impactos positivos na economia e na sociedade? Com um grande valor para a economia (respondendo por 22% do produto interno bruto-PIB), a agroindústria compõe cerca de 16 milhões de postos de trabalho, ou seja, são milhões de trabalhadores atuando neste setor, um setor com o mesmo porte de setores como o de petróleo, gás e automobilístico (SANTOS, 2014). No entanto, para chegar a esse patamar, a história da agroindústria brasileira passou por diversos desafios. Com alto potencial de crescimento sustentável e geração de emprego e renda, o setor precisou conquistar incentivos do governo para chegar a se manter entre as potências globais como um importante elo para a cadeia produtiva do Brasil e do mundo. Quando falamos em agroindústria estamos nos referindo a um processo de produção que produz diferentes insumos, o que leva à necessidade de classificar os diferentes produtos em dois eixos. O primeiro, conhecidocomo eixo alimentar que produz para alimentação das pessoas. No eixo conhecido como não-alimentar é produzida matéria prima que não é usada como alimento para pessoas e sim como matéria Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 25 prima para indústrias como a indústria de roupas, produção de ração e outros suplementos agrícolas ou na produção de energia, como no caso do etanol, um potente biodiesel que tem como matéria prima a cana de açúcar produzida pela agroindústria. ( https://bit.ly/392v8JK, 2020). VOCÊ SABIA? De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agrope- cuária (EMBRAPA), atualmente, a agroindústria possui uma participação de aproximadamente 5,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Há alguns anos, o agronegócio vem se beneficiando do desenvolvimento de recursos tecnológicos voltados a diferentes objetivos dentro da propriedade. A chamada Indústria 4.0 aposta na automatização dos processos de produção da agroindústria investindo em máquinas e dispositivos que potencializam a capacidade do trabalho humano, como em serviços já automatizados, por exemplo, como a irrigação, a condução de veículos, a aplicação de defensivos e a colheita que auxilia na gestão de segurança na agroindústria. O desenvolvimento dos equipamentos e instrumentos, os novos conceitos e práticas de gestão e novos métodos da organização do trabalho, aumentaram a produtividade dos trabalhadores, mas também contribuíram para um desequilíbrio da relação risco-segurança (LANCMAN, 1997). A prevenção é certamente o melhor processo para reduzir ou eliminar as possibilidades de ocorrerem problemas de segurança com o Trabalhador. Não a partir de acidentes e/ou doenças profissionais, mas devem ser anterior a estes, em uma perspectiva de prevenção. O profissional de Segurança do Trabalho ganha status de importância no setor agrícola com a normatização das medidas de segurança com a NR31 e atua conforme sua formação, quer seja ele médico, técnico, enfermeiro ou engenheiro. O campo de atuação é muito vasto. Em geral o engenheiro de segurança do trabalho atua em empresas organizando programas de prevenção de acidentes. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica https://bit.ly/392v8JK 26 Compete à Secretaria de Inspeção do Trabalho, através do Departamento de Segurança e Saúde no trabalho, definir, coordenar, orientar e implementar a política nacional em segurança e saúde no trabalho rural nos setores de agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura. Para identificação e gestão dos fatores dos riscos ambientais é necessário, em primeiro lugar, conhecer quais são os agentes de risco físico, químico, biológico, ergonômico e de incidentes combinados entre si, que sejam capazes de causar acidentes ou doença profissionais. Riscos relacionados ao trabalho na agroindústria Segundo a O.M.S. - Organização Mundial de Saúde, a verificação de condições de Higiene e Segurança consiste “num estado de bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença e enfermidade “. É possível identificar um conjunto de fatores relacionados com a negligência ou desatenção a regras elementares e que potencializam a possibilidade de acidentes ou problemas. Os acidentes podem ocorrer devido às condições de perigo como o uso de máquinas e ferramentas, às condições do ambiente e às condições de organização (layout mal feito, armazenamento perigoso, condições do ambiente físico, iluminação, calor, frio, poeiras, ruído), aos métodos de trabalho (trabalhar em ritmo anormal, manobras de máquinas de forma insegura, distrações, brincadeiras), entre outras. É inegável a contribuição das máquinas agrícolas para o crescimento da produção agrária, fornecendo força e realizando tarefas associadas, como a aragem, a semeadura, entre outras, até a colheita, em substituição à ação humana, da tração animal e de ferramentas e equipamentos, evoluindo desde os primeiros exemplares em fins do século XIX e chegando às máquinas inteligentes da indústria 4.0 desde a introdução dos primeiros exemplares no campo. Como todo veículo, a condução ou operação de máquinas agrícolas podem gerar acidentes, muitos dos quais, infelizmente, fatais. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 27 São comumente relatadas quedas dos operadores e de terceiros (carona), atropelamentos, choques com outros veículos, capotamentos e tombamentos laterais e para trás, além de intercorrências durante o engate e o uso de implementos, em especial na tomada de potência (TDP), que é a parte responsável por fornecer acionamento às partes ativas desses equipamentos. Uma das principais exigências da NR-31.12 é a obrigatoriedade do operador ser capacitado, qualificado ou habilitado para desenvolver a função que exercerá antes de assumir seu posto. Nesse caso, ser habilitado não quer dizer apenas ter carteira de habilitação, mas sim que o trabalhador seja previamente qualificado, isso é, comprove conclusão de curso específico na sua área de atuação, que esse curso seja reconhecido pelo sistema oficial de ensino e possua registro no conselho de classe competente, se necessário. REFLITA: Imagine a seguinte situação: em uma casa temos uma criança e, por descuido dos pais, ela coloca um grampo de cabelo esquecido em cima de uma mesa em uma tomada e leva um choque. De quem é a culpa? Você pode responder prontamente: a culpa é da criança! Ou ainda, a culpa é da mãe, que esqueceu o grampo de cabelo em cima da mesa possibilitando à criança o acesso a ele gerando o acidente. Você pode refletir um pouco mais e responder que a responsabilidade é dos pais! Eles deveriam investir em proteções para as tomadas. Mas, e se no lugar dos pais estivesse o empregador e no lugar da criança o empregado, como seria? Você acredita que a responsabilidade de manter a segurança é de quem? A segurança do trabalhador nas áreas rurais, assim como nas áreas urbanas, é responsabilidade do empregador. Não raro temos notícias de acidentes envolvendo cobras, escorpiões, aranhas e alguns insetos, como abelhas e vespas, além de alguns tipos Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 28 de formigas e lagartas que junto com as máquinas e equipamentos são responsáveis pelos principais danos aos trabalhadores. O risco de acidente também pode aparecer atrelado aos fatores de risco químico e biológico. Isso pode ocorrer como nas áreas de armazenamento, onde após a colheita dos produtos agrícolas, em especial dos grãos, antes de serem embalados para a comercialização esses grãos trazem consigo uma série de impurezas como partículas de solo, restos de plantas, resíduos químicos e agentes biológicos (como fungos e bactérias). Em razão das diversas etapas do processamento, terminam por formar uma massa de poeira que, além de causar danos diretos à saúde, pode resultar em uma atmosfera explosiva, em geral culminando em graves perdas humanas e materiais. O descarregamento dos grãos (nas moegas ou tombadores) nas inspeções internas (configurando-se estes ambientes como espaços confinados), pela geração de particulados a partir do trigo, arroz, milho, aveia, soja ou de sementes de girassol, entre outros produtos agrícolas, podem ocasionar incêndios ou explosões na presença de uma fonte de ignição, bem como doenças ocupacionais. Há ainda o risco de desmoronamento (ponte de grãos) ou de desprendimento das camadas de grãos (parede de grãos) sobre os trabalhadores que atuam em seu interior, causando-lhes soterramento e consequente sufocamento, razão pela qual requisitos de trabalho em altura e em ambientes confinados devem ter lugar de modo combinado, como o trabalho sob vigilância (isto é, proibição do acesso isolado). Cuidados para pronto resgate e içamento devem ser observados no caso da realização de tarefas nestas condições. Dados da Organização Internacional do Trabalhoestimam que anualmente, em todo o mundo, em razão das condições laborais, têm lugar cerca de 300 mil óbitos, dos quais 50% envolvendo trabalhadores da agricultura (algo em torno de 150 mil casos), em um universo superior a um milhão de trabalhadores vitimados por acidentes do trabalho, muitos destes relativos ao contato com produtos tóxicos. Quanto a seus efeitos, os agrotóxicos podem resultar em três tipos ou níveis de intoxicação: aguda, subaguda e crônica. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 29 ACESSE: Link: https://youtu.be/rdKevGqEmTU. Agrotóxicos | Geografia Visual. O Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo. Enquanto uns dizem que os agrotóxicos são a salvação da lavoura, outros apontam os venenos como um aliado incômodo, que prejudica o meio ambiente e provoca doenças em agricultores e consumidores. Afinal, por que em pleno século 21 ainda precisamos envenenar a nossa comida? Referências: Lei n° 7.802, que regula agrotóxicos no Brasil: https://goo.gl/XS3pHV. A NR 15, em seu Anexo 13, traz a relação de atividades e operações com potencial efeito tóxico, ou seja, envolvendo agentes químicos considerados insalubres em decorrência de inspeção realizada no ambiente de trabalho. Inúmeras são as doenças do aparelho respiratório relacionadas ao trabalho em distintas atividades relacionadas à agroindústria, deixando claro as possibilidades para o seu surgimento e que, portanto, as condições em que elas são exercidas devem merecer todas as atenções dos profissionais voltados à preservação da integridade física dos trabalhadores no segmento produtivo. A exposição ao calor e frio estão entre os fatores de risco físico na agroindústria. Em condições de visibilidade trabalha-se, faça chuva ou faça sol, isto é, a céu aberto em exposição aos efeitos do clima e de suas condicionantes. São as radiações compreendidas entre 250 e 400 nm, notadamente a faixa UV-A (figura 5), que têm potencial danoso em função do seu poder de penetração nas camadas da pele. Então, cabe compreender que é a exposição por períodos prolongados, de modo não controlado ou sem os devidos cuidados, que implicará em perigos à saúde dos indivíduos expostos. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica https://youtu.be/rdKevGqEmTU https://goo.gl/XS3pHV 30 Figura 5 - Faixa de luz ultravioleta Fonte: Freepik O frio vem da exposição a ambientes artificialmente refrigerados, pois muitos dos produtos produzidos na agricultura necessitam de refrigeração para preservação. As condições dessa atmosfera, no tocante à temperatura e circulação do ar, assim como em relação à umidade, podem provocar danos que vão desde afecções na pele a problemas circulatórios, que podem culminar com a hipotermia e, em caso extremo, com o falecimento do obreiro, se este não receber as orientações para realizar suas atividades. Ainda entre os agentes de risco físico, encontramos o ruído gerado por máquinas e equipamentos, sobretudo devido ao potencial de causar perdas de caráter irreversível, em exposições comumente negligenciadas pelos próprios trabalhadores e pelos gestores laborais, com jornadas de trabalho realizado sem qualquer atenuação quanto aos ruídos. Gerenciar a presença do ruído inclui a identificação das fontes emissoras, a avaliação das intensidades a que os trabalhadores estão diretamente envolvidos e os ruídos do entorno. A tomada de decisão para a medidas de minimização da exposição ao ruído é dificultada em razão do ambiente e das condições em que se dará a execução de determinada tarefa (por exemplo, no trato com tratores de rabiça, sem cabine, a plena Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 31 potência de tração), restando, como única medida de atenuação o uso dos EPIs fornecidos, cuja utilização e conservação devem ser rigorosamente controladas. Os manuais recomendam a utilização de dispositivos de proteção auditiva para proteger contra ruídos altos ou incômodos. Medidas de controle Agora que vimos os riscos aos quais os trabalhadores da agroindústria estão expostos, chegou a hora de pensarmos em medidas de controle eficazes que garantam a qualidade de vida do trabalhador e reduzam os impactos ao meio ambiente. IMPORTANTE: As medidas de segurança devem atender os requisitos mínimos estabelecidos nas normas de segurança. No entanto, isso não quer dizer que a gestão de SST não possa aplicar medidas que irão além das normativas técnicas, inclusive para atender as exigências do mercado externo. Como vimos, os riscos de acidente merecem muita atenção do profissional prevencionista, não só por serem causadores de perda da integridade física do colaborador, mas também por envolverem danos ao meio ambiente e à sociedade. O trabalho com máquinas e equipamentos precisa ser exercido por profissionais habilitados e devidamente treinados. Deve haver a manutenção e inspeção das máquinas, garantindo que as mesmas esteja em conformidade com o projeto do fabricante. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 32 REFLITA: Quando você conhece um ditado que diz: “Cada macaco no seu galho”, pois bem. Em se tratando de segurança, o cuidado com as máquinas precisa respeitar o projeto elaborado sob pareceres técnicos. É comum encontrarmos produtores que podem até saber o que estão fazendo, porém, não são habilitados para fazer modificações em máquinas e implementos agrícolas. Atendendo a normativa técnica, as máquinas e implementos devem ser utilizadas segundo as especificações técnicas. Antes da norma, vários dispositivos de proteção podiam ser vendidos separadamente, como itens opcionais. Isso foi proibido com a atual norma regulamentadora. Os fabricantes têm que comercializar seus produtos de acordo com as normas vigentes. Para evitar acidentes, são necessários os dispositivos que impedem que uma máquina entre em funcionamento sem o operador desejar. Entre eles, o uso de dispositivos de intertravamento, utilizados para interromper um movimento perigoso toda vez que uma proteção é aberta ou retirada. EXEMPLO: 1 - O operador estava usando uma máquina estacionária utilizada para serrar madeiras e, de repente, a energia acabou. A serra para de girar. Então, ele aproveita esse momento e resolve limpá-la e retirar a sujeira que estava próxima da serra. Subitamente, a energia é reestabelecida e a máquina entra em funcionamento. Acidente na certa, não é mesmo? Por isso, a importância desse dispositivo. Esse tipo de dispositivo é encontrado em diversos aparelhos do nosso dia a dia, como por exemplo, nas TVs mais modernas. 2- Um exemplo similar é o dispositivo encontrado nas portas dos automóveis, que aciona uma luz no teto quando elas são abertas e apaga quando fechadas. O dispositivo de intertravamento funciona da mesma maneira, mas ao invés de acender ou apagar uma luz, interrompe um movimento perigoso. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 33 Quando acontece um acidente, a primeira medida a ser tomada é a realização dos primeiros socorros. Esses cuidados emergenciais são prestados imediatamente e provisoriamente por qualquer pessoa que tenha um pouco de conhecimento técnico. Por isso, é muito importante participar de treinamentos de primeiros socorros e se manter sempre atualizado. Os dispositivos de segurança individuais (EPI) também são adotados na agroindústria. Porém, é importante destacar que o Ministério do Trabalho e Emprego desenvolve ensaios de equipamento de proteção individual em laboratórios credenciados e somente depois de aprovados nesses ensaios são emitidos os certificados de aprovação. Cabe ao trabalhador rural usar aqueles que forem indicados para as finalidades a que se destinarem e zelar pela sua conservação. De uma maneira geral, os EPIs mais utilizados na proteção de operadores de máquinas são botas de couro com solado antiderrapante e com biqueira de aço, máscarasemifacial de tecido tipo P-2 descartável (para as situações em que seja necessário evitar a inalação de poeira, vapores e partículas tóxicas), protetor auricular tipo plug ou concha, camisa de mangas compridas, óculos de segurança com proteção UV e óculos transparente para as situações de pouca luminosidade (em barracões, oficinas e também durante as manutenções das máquinas). IMPORTANTE: Nas atividades rurais não é incomum o improviso, por isso, é importante ressaltar que os EPIs devem ser usados de maneira correta e apropriada a cada função. A não utilização dos EPIs pode resultar em incidentes ou acidentes no trabalho. O SESTR é a Segurança e Saúde no Trabalho na área rural, compatível ao SESMT Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, serviço que atende aos requisitos da Norma regulamentadora 04 e trata-se de uma equipe especializada em Saúde e Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 34 Segurança que atua nas empresas visando a proteção dos trabalhadores. A NR31 estabelece requisitos próprios para esta equipe, mas mantendo as funções básicas competentes aos profissionais, que consiste na promoção da saúde e preservação da integridade física do trabalhador através de ações técnicas. No caso do SESTR, a NR31 estabelece que o mesmo pode ser constituído nos seguintes tipos: próprio, quando os profissionais que compõe o SESTR apresentam vínculo empregatício, coletivo, quando a contratação dos profissionais do SESTR é feita de forma coletiva ou ainda externo, quando as atividades referentes a SESTR são realizadas por profissionais que atuam como consultores, ou seja, em forma de consultoria. O dimensionamento do SESTR próprio ou coletivo obedecerá ao disposto na Norma Regulamentadora 31 como apresentado no quadro abaixo. Quadro 1 – Número de profissionais de acordo com a quantidade de trabalhadores No de Trabalhadores Profissionais Legalmente Habilitados Eng. Seg. Med. Trab. Téc. Seg. Enf. Trab. Aux. Ou Tec. Enf. 51 a 150 - - 1 - - 151 a 300 - - 1 - - 301 a 500 - 1 2 - 1 501 a 1000 1 1 2 1 1 Acima de 1000 1 1 3 1 2 Fonte: Elaborado pelo autor (2020) Além disso, a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (CIPA) tem sua composição própria para o trabalho Rural, é a CIPATR. Esta por sua vez, tem o mesmo objetivo das demais CIPA, que é a promoção da saúde e prevenção de acidentes e doenças relacionados ao trabalho, de modo a compatibilizar, permanentemente, o trabalho com a preservação da vida do trabalhador. A sua obrigatoriedade de Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 35 constituição se limita aos que mantenham 20 (vinte) ou mais empregados contratados por prazo indeterminado. Atendendo ao item 31.7.3, a CIPATR será composta por representantes indicados pelo empregador e representantes eleitos pelos empregados de forma paritária e o mandato dos membros eleitos terá duração de 2(dois) anos, sendo permitida a reeleição, de forma a atender a seguinte proporção mínima: Quadro 2 – Número de trabalhadores do CIPATR No de Trabalhadores 20 a 36 a 71 a 101 a 501 a Acima de No de Membros 35 70 100 500 1000 1000 Representantes dos trabalhadores 1 2 3 4 5 6 Representantes do empregador 1 2 3 4 5 6 Fonte: elaborado pelo autor (2020) Norma Regulamentadora Atualmente, a prevenção contra os danos aos trabalhadores na agroindústria é feita com base na NR31. Antes da criação da NR31 em 2005, o cenário do trabalho na área rural seguia outra norma para manter a segurança dos trabalhadores em atividades com máquinas na agroindústria. Os profissionais prevencionistas baseavam-se principalmente na norma que tratava da segurança com máquinas e equipamentos (NR12) onde existe um anexo com referências técnicas e requisitos mínimos para o trabalho com máquinas agrícolas com segurança. No entanto, como podemos analisar, os riscos envolvidos na agroindústria não estão presentes apenas no uso de máquinas e equipamentos. Vimos que os agentes de risco químico, físico, biológico e ergonômico também estão presentes e requerem medidas de segurança, o que levou à necessidade dos órgãos competentes discutirem e definirem regras de segurança no trabalho rural, com a publicação da NR31, que em seu item 12, destina-se aos assuntos relacionados com máquinas em referências à NR12. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 36 A NR31 também acompanha os requisitos de segurança estabelecidos para o uso de máquinas autopropelidas. Segundo a NR- 31.12, é proibido o transporte de pessoas em máquinas autopropelidas e nos seus implementos. Assim como a NR-31.12, o CTB também proíbe esse tipo de transporte. Em tratores, é comum o transporte de pessoas sobre os para-lamas, ao lado do operador na plataforma de trabalho ou mesmo apoiado sobre a barra de tração e essa situação deve ser evitada. O operador deve usar cinto de segurança e ser habilitado (CTB, 1997). A Norma Regulamentadora 31 estabelece regras relacionadas não apenas ao uso de máquinas e equipamentos, mas à saúde e segurança nas atividades e operações ligadas à agricultura, pecuária, silvicultura e exploração florestal. A NR 31 foi atualizada em outubro de 2020, visando a simplificação e desburocratização. Porém, seu impacto só será sentido a partir de outubro de 2021, quando passa a vigorar o novo texto. Na nova redação podemos destacar o PGRTR (Programa de Gerenciamento de Risco no Trabalho Rural) que substituirá o PGSSMATR (Programa de Gestão de Segurança e Saúde no Meio Ambiente do Trabalho Rural). Com a atualização da NR 31, foram excluídas as exigências exclusivas para fabricantes de máquinas e equipamentos. Agora o fabricante deverá ver o anexo da NR 12. Quanto às medidas individuais, a modificação da NR trouxe uma nova classe de Dispositivos de Proteção Pessoal, que inclui, por exemplo, chapéus de boiadeiro, perneiras e boné árabe, que deverão ser fornecidos pelo empregador e não necessitam de certificado de aprovação. A nova NR 31 também abriu à possibilidade da capacitação semipresencial, em que a parte teórica da capacitação poderá ser realizada a distância. As partes práticas continuarão sendo presenciais e será possível haver um reaproveitamento de conteúdo. Assim, um trabalhador que já realizava a mesma função ou alguma muito semelhante em outra empresa poderá aproveitar cursos realizados no prazo de 2 anos. As mudanças serviram para adequar as demais normas regulamentadoras às características específicas no trabalho nas áreas Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 37 rurais, como é o caso da NR 24, que trata das condições sanitárias e conforto nos locais de trabalho. No texto, a NR31 abre a possibilidade da utilização de moradias como alojamento, desde que atenda as regras estabelecidas pela norma. Inclui também o uso de hospedagem dentro do meio urbano no modelo de hotelaria. Exigências referentes a outras normas regulamentadoras também foram inseridas nas condições de trabalho na ambiente rural, sendo inseridas na NR31. A NR01, que trata do gerenciamento de riscos, a NR 17, que trata dos princípios ergonômicos a serem adotadas, a NR33 e 35 que tratam, respectivamente, da segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados e trabalho em altura, são algumas delas. RESUMINDO: Então vamos resumir tudo o que vimos. Você conheceu os princípios gerais de segurança e saúde no trabalho, acompanhou o estudo da nova redação da NR-31, entendeu a importância das medidas de segurança com máquinas e equipamentos, aprimorou seus conhecimentos sobre o trânsito de máquinas agrícolas e os cuidados na operação e manutenção. Conhecemos também quais são as medidas mais indicadas em casos de acidentes, os princípios da prevenção de incêndio e a importância de se usar os equipamentos de proteção, os EPIs. Esperamos que os conteúdos apresentadosneste curso ajudem a prevenir os acidentes com máquinas, implementos e equipamentos agrícolas. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 38 NR 33: Trabalho em espaços confinados INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como funciona o trabalho em espaços confinados, os riscos envolvidos e as medidas mínimas de controle exigidas para garantir a qualidade de vida dos trabalhadores em diferentes frentes de trabalho em que haja atividade nesses espaços. Espaço confinado Mas, afinal, você sabe exatamente o que é espaço confinado? O que definimos como espaço confinado são as áreas projetadas sob condições especiais e que não viabilizam a ocupação humana de forma contínua. Muito comum em diferentes segmentos industriais são áreas que, em função do acesso limitado, ventilação restrita ou mesmo inexistente em alguns casos, se apresentam desprovidas de oxigênio ou com excesso do mesmo. A NR 33 no item 33.2.1 trata de espaço confinado: qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enrique- cimento de oxigênio. (ENIT, 2019, p. item 33.2.1) Esses são locais fechados em que existe a possibilidade de ser invadido por gases, poeiras ou vapores capazes de tornar a atmosfera inóspita ou potencialmente perigosa para a realização de atividades laborais. EXEMPLO: Em um tanque que está sempre cheio durante a operação normal de uma fábrica. Quando é feita a parada da planta para uma manutenção, Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 39 ele se torna um espaço confinado a partir do momento em que é esvaziado para uma equipe trabalhar em seu interior. Então, podemos dizer que esses trabalhadores estão desenvolvendo atividades em um espaço confinado. A NR 33 junto com a NBR-16577 determinam requisitos para identificar e caracterizar espaços confinados, bem como para implantar um sistema de gestão que vise garantir a segurança dos trabalhadores que estão em contato com esses locais. Espaços confinados são ambientes muito comuns dentro da área industrial, como a indústria siderúrgica, do petróleo, serviços de eletricidade, abastecimentos de água, esgoto e telefonia. No caso da agricultura na manutenção de poços e cisternas ou em silos usados no armazenamento de grãos. Por conta de características específicas, alguns exemplos de espaços confinados nos diferentes setores são os tanques, silos, vasos de pressão, casa de bombas, dutos de ventilação, reatores, caldeiras, porões, contêineres, valas, entre outros. Embora se apresente em diferentes segmentos industriais e de serviços, as atividades realizadas em espaços confinados podem ser consideradas restritas basicamente à execução de manutenção, limpeza e reparo, inspeção ou instalação de equipamentos, operações de salvamento e resgate de acidentados (Figura 6). Figura 6 - Atividade em espaço confinado Fonte: Pixabay Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 40 Em função de inúmeras tarefas realizadas e do crescimento de acidentes em locais considerados hoje como “espaços confinados”, houve a necessidade de regulamentar os procedimentos e as atividades dentro desses espaços, determinando critérios de segurança a serem seguidos. Em 2006, por intermédio da Portaria no 202, surgiu a Norma Regulamentadora no. 33 - Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados. Salientamos que a NR-33 necessita integrar-se com as demais normas regulamentadoras e normas técnicas, visando garantir a preservação da saúde e a integridade física dos trabalhadores por meio da antecipação, do reconhecimento, avaliação e controle dos riscos ambientais existentes nos espaços confinados. Os requisitos de gestão de saúde e segurança ocupacional, para a realização de atividades em espaços confinados, necessitam estar integrados a processos de identificação, avaliação e controle dos riscos existentes na organização que levam à aplicação de medidas empregadas com o intuito de eliminar, neutralizar ou controlar os riscos, sejam eles físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. Essas atitudes devem garantir a integridade física e mental do trabalhador. Quando não for possível eliminar os riscos em espaços confinados, obrigatoriamente devem ser implantadas medidas de controle e em casos de acidentes, as manobras de resgate que garantam a sobrevivência dos trabalhadores. ACESSE: Link: https://youtu.be/VBm-0jyxyy0 - acompanhe os momentos cruciais de um resgate em espaço confinado. Os trabalhadores entraram para fazer a limpeza do local e havia muita soja fermentando, fazendo assim com que faltasse oxigênio. Então, sem saber, o bombeiro (um pouco imprudente) desceu desmaiando em seguida. Chamaram outra equipe com oxigênio e máscara para amarrar e fazer os resgates (que na maioria foram procedimentos errados, mas o que vale é a vida e depois a qualidade de vida). Infelizmente, o bombeiro que desmaiou morreu alguns dias depois por respirar água contaminada, tendo assim infecção pulmonar. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica https://youtu.be/VBm-0jyxyy0 41 Segurança em Espaços confinados “Os funcionários precisavam entrar no vaso do reator, um espaço confinado que estava preenchido com nitrogênio, cuja característica é ser um gás invisível e inodoro.” O relato refere-se a um acidente ocorrido com vítimas fatais em uma refinaria na cidade de Delaware. Nesse caso vemos um dos riscos envolvidos no trabalho em espaço confinado, que é a presença de gases causadores de danos à saúde do trabalhador como um agente de risco químico. Não só a presença do agente químico, mas também a atmosfera em condições restrita. No momento em que uma pessoa acessa pela primeira vez uma área com atmosfera deficiente de O2, sofre os efeitos imediatos. Caso já́ permaneça no ambiente em que o oxigênio é reduzido, seus efeitos serão sentidos após um tempo de exposição. Os trabalhadores têm o julgamento, a coordenação e a habilidade de empregar força afetados e com isso os trabalhadores caem, perdem a consciência, não podem achar o caminho de volta e morrem. Além dos agentes de risco químico, trabalho em altura, inundação, impacto de ferramentas e materiais, erosões e desabamentos, os riscos de acidente tornam-se bastante altos nesses ambientes devido à falta de aberturas e dificuldades de entrada e saída, que também é um fator de ocorrência de agentes de risco ergonômico visto que o acesso e a movimentação são limitados. Ambientes confinados podem exigir posturas desconfortáveis ou esforços excessivos. Ainda, há a existência do risco biológico devido à presença de ratos, morcegos e insetos que são vetores de doenças contagiosas como hospedeiros intermediários, o que torna esses ambientes propícios para micro-organismos patogênicos. O risco físico na forma de ruído, calor e umidade também são encontrados com frequência nesses ambientes. Por toda a complexidade, as atividades em espaços confinados exigem uma série de fatores a serem aplicados pela gestão de SST. A primeira delas é designar formalmente o empregado que se encarregará Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 42 do cumprimento da NR-33, que irá atuar junto com os gestores de SST para identificar os riscos do ambiente em áreas confinadas. A gestão de riscos possibilita que a equipe possa providenciar um ambiente seguro, a interrupção do trabalho e o abandono do local em caso de suspeita de risco grave e iminente. A equipe de trabalho em um espaço confinado é composta pelo responsável técnico, o supervisor de entrada, o vigia e os trabalhadores autorizados Figura 7 - Equipe de trabalho do espaço confinado Fonte: Elaborado pelo autor (2020) A empresa deve capacitar os empregados e garantirque eles conheçam os procedimentos de trabalho e salvamento em espaços confinados e providenciar que eles se mantenham atualizados em relação a esses conhecimentos. Devido aos riscos inerentes à atividade em espaço confinado é vedado o trabalho sozinho nestes locais e toda a análise de riscos, assim como os procedimentos realizados durante a atividade em caso de emergência devem estar devidamente documentados. Por isso, qualquer trabalho em ambiente confinado só pode ser iniciado depois da PET. A PET (Permissão de entrada e trabalho) é o documento apresentado como registro das medidas de controle relacionadas com as atividades em espaço confinado, de forma que sejam realizadas de maneira Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 43 segura. Além disso, o documento também indica os procedimentos de emergência e salvamento nesses locais. Esse documento tem data e hora de validade, de forma que, quando as atividades se estenderem por mais tempo do que o previsto, é obrigatório solicitar a emissão de uma nova PET. No texto da norma NR-33 encontra-se o item relacionado diretamente às medidas de segurança. NR33.3.2 - Medidas técnicas de prevenção: a. Identificar, isolar e sinalizar os espaços confinados para evitar a entrada de pessoas não autorizadas; b. Antecipar e reconhecer os riscos nos espaços confinados; c. Proceder a ventilação e controle dos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes; d. Prever a implantação de travas, bloqueios, alívio, lacre e etique- tagem; e. Implementar medidas necessárias para eliminação ou controle dos riscos atmosféricos em espac ́os confinados; f. Avaliar a atmosfera nos espac ́os confinados, antes da entrada de trabalhadores para verificar se o seu interior é seguro; g. Manter as condições atmosféricas aceitáveis na entrada e durante toda a realizac ́ão dos trabalhos, monitorando, ventilando, purgando, lavando ou inertizando o espaço confinado; h. Monitorar continuamente a atmosfera nos espac ́os confinados nas áreas onde os trabalhadores autorizados estiverem desempe- nhando as suas tarefas, para verificar se as condições de acesso e permanência são seguras; i. Proibir a ventilação com oxigênio puro; j. Testar os equipamentos de medição antes de cada utilização; k) Utilizar equipamento de leitura direta, intrinsecamente seguro, provido de alarme, calibrado e protegido contra emissões eletromagnéticas ou interferências de radiofrequência. Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 44 Para garantir a segurança nesses ambientes deve-se efetuar o teste atmosférico, que determina a existência de gases tóxicos, oxigênio suficiente para a atividade humana e o potencial explosivo. O teste deve ser efetuado durante todo o trabalho, mantendo o monitoramento das condições ambientais. No monitoramento contínuo, a verificação é feita em tempo integral das condições gerais do ambiente. No monitoramento periódico, as medições ocorrem em tempos pré-determinados. O sistema de ventilação é usado para movimentar e renovar continuamente o ar contaminado por ar puro e refrigera criando uma atmosfera aceitável para a presença de seres humanos (Lima, 2019). IMPORTANTE: O trabalhador deve sair do espaço confinado imediatamente quando o alarme for acionado e verificar sua ocorrência somente fora desse espaço. Um grande aliado na prevenção de acidentes é o uso de sinalizações que podem ser permanentes atendendo ao item 33.3.3 (ENIT, 2019, p. NR33). Estas servem para identificar as páreas que são consideradas como espaço confinado e a sinalização temporária, que como a denominação indica, é utilizada durante a realização de alguma atividade no espaço confinado. Os purificadores são utilizados para filtrar ou remover contaminantes do ar atuando como uma vedação rígida e devem ser utilizados quando a atmosfera estiver com oxigênio em níveis abaixo do valor mínimo ou quando for identificada a contaminação do ambiente (toxinas). Os respiradores purificadores possuem uma vedação rígida. Antes de utilizá- los o trabalhador, sempre deve testar essa vedação. Em espaço confinado, a comunicação é essencial, principalmente no momento do resgate, para que ocorra de forma correta. A perfeita comunicac ́ão é extremamente difícil devido ao local de trabalho e à possível utilização de respiradores, por exemplo. A comunicação entre o Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 45 vigia e o trabalhador que está no espaço confinado deve ser constante. A equipe deve criar uma metodologia de comunicação. Em algumas situações, o cabo de segurança (linha de vida) pode ser usado para emitir sinais entre o trabalhador e o vigia ou até mesmo a utilização de um simples apito é válida como medida alternativa de controle da comunicação. Os apitos são eficazes e de custo acessível para a comunicação entre o vigia e a equipe de trabalho em situação de emergência. IMPORTANTE: É dever do empregador garantir que todos os trabalhadores que exercerem atividades em espaços confinados tenham acesso aos equipamentos obrigatórios que devem estar listados na PET. O uso de diferentes EPIs vai depender da atividade a ser realizada. Podem ser necessários capacetes com jugular. Seu uso evita que o capacete caia em função do vento e da própria movimentação do trabalhador, botas de segurança, óculos de segurança, respirador (que como vimos anteriormente devem ser utilizados em alguns locais em que exista o risco da atmosfera ser contaminada) e as luvas de raspa (RODRIGUES, 2012). De acordo com a característica do espaço confinado, podem ser instalados equipamentos fixos como escadas e cabos de linha de vida, fixados na estrutura existente que garantem aos empregados o acesso, a movimentação e resgate dos trabalhadores no interior de espaços confinados. Em caso da impossibilidade do uso de escadas fixas, guinchos, cabos de aço e fitas são utilizados. Independente do dispositivo utilizado eles devem garantir ao trabalhador três condições básicas: • Fácil movimentac ́ão, conforme a NR-18, item 18.12.5; • Protec ́ão contra quedas por meio de dispositivos trava-quedas, conforme a NR-6, anexo I, item I.1; Segurança do Trabalho na Indústria e na Logistica 46 • Resgate rápido e fácil. No interior do espaço a garantia da movimentação horizontal deve ser feita através de cordas, cabo de aço, linha de vida e polias para a reduc ́ão da forc ́a e/ou mudança de direção, e dos equipamentos de proteção coletiva como detectores portáteis de gases, explosímetros, lanternas e extintores de incêndio. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Os espaços confinados são locais de trabalho com restrições de acesso e movimentação. Esses espaços podem apresentar atmosferas inseguras ao desenvolvimento de atividades de trabalho. O monitoramento da atmosfera é indispensável à segurança dos trabalhadores assim como o uso de ventilação para renovação do ar e movimentação dos gases. Uma equipe de segurança é responsável pelas atividades em espaço confinado, composta pelo responsável técnico, o supervisor de entrada, o vigia e o trabalhador autorizado que nunca deve entrar sozinho nos locais sinalizados como espaços confinados. Durante as atividades, a sinalização permanente deve ser acrescida de uma sinalização temporária que indica a realização da atividade. Todas as informações devem estar contidas na PET assim como os dispositivos coletivos e individuais usados durante o procedimento. Veja alguns dos principais riscos para quem trabalha em espaços confinados: queda de objetos, alagamento, asfixia, chances de incêndios e explosões, intoxicação por agentes químicos ou biológicos, descarga elétrica, soterramento e a presença de animais peçonhentos