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GENÉTICA HUMANA E MÉDICA Tutora: Priscilla C. Medeiros. GENÉTICA MENDELIANA A Genética como ciência começou no século XIX, com os experimentos de Mendel com plantas de ervilha de cheiro (Pisum sativum). Seus experimentos culminaram com o que chamamos de As Leis de Mendel. Estas leis são um conjunto de fundamentos que explicam os mecanismos primordiais da transmissão hereditária durante as gerações e constituem a base da Genética. I LEI DE MENDEL – PRINCÍPIOS DA DOMINÂNCIA E DA SEGREGAÇÃO As plantas de ervilha utilizadas por Mendel em seus experimentos eram geneticamente puras; Homozigotas, porém possuíam diferentes variedades, como algumas produziam sementes verdes e outras sementes amarelas, algumas eram bem altas e outras mediam apenas meio metro. Obs: Homozigota (AA), Heterozigota (Aa), Recessivas (aa). I LEI DE MENDEL – PRINCÍPIOS DA DOMINÂNCIA E DA SEGREGAÇÃO Diante desse achado, Mendel concluiu que as plantas altas híbridas resultantes do primeiro cruzamento possuíam um fator genético para o nanismo, mas que este foi “mascarado” por outro fator para altura elevada; O fator não visível (nanismo) recebeu o nome de recessivo e o fator expresso (altura elevada) foi chamado de dominante. Mendel fez experimentos semelhantes para estudar outras características, como a textura (lisa ou rugosa) e a cor (amarela ou verde) das sementes. Esses experimentos foram chamados de cruzamentos mono-híbridos, porque estudavam uma única característica de cada vez. Hoje sabemos que os “fatores” descritos por Mendel são, na verdade, genes e que as formas dominante e recessiva são denominadas alelos. Para isso Mendel desenvolveu sua 1º Lei. I LEI DE MENDEL “Cada caráter é determinado por um par de fatores que se separam na formação dos gametas, indo um fator do para cada gameta, que é, portanto, puro”. I LEI DE MENDEL A 1º Lei de Mendel tem três princípios fundamentais: Os genes existem aos pares; Dominância e recessividade; Segregação. II LEI DE MENDEL – O PRINCÍPIO DA SEGREGAÇÃO INDEPENDENTE Mendel se questionava como ocorreria a transmissão de várias características ao mesmo tempo. Ele utilizou plantas que diferiam em mais de um aspecto: ele cruzou plantas que produziam sementes amarelas e lisas com plantas que produziam sementes verdes e rugosas. Experimento chamado de di-híbrido, para verificar se a herança das duas características da semente, cor e textura, eram independentes. II LEI DE MENDEL – O PRINCÍPIO DA SEGREGAÇÃO INDEPENDENTE “Os fatores (alelos) para duas ou mais características se distribuem independentemente durante a formação dos gametas e se combinam ao acaso” II LEI DE MENDEL – O PRINCÍPIO DA SEGREGAÇÃO INDEPENDENTE Com o experimento ele observou que: As quatro classes de fenótipos observadas têm uma razão aproximada de: nove amarelas e lisas, três verdes e lisas, três amarelas e rugosas e uma verde e rugosa. Ele concluiu que cada característica observada era controlada por um gene diferente e que os dois genes tinham heranças independentes entre si. Então, a 2º Lei de Mendel, observada a partir de um cruzamento di-híbrido; Estabeleceu um quarto princípio importante para a hereditariedade: A distribuição independente, a qual se baseia em pares diferentes de alelos serem segregados (separados ou distribuídos) de maneira independente uns dos outros. LEI DA PROBABILIDADE Segundo as Leis de Mendel, a segregação dos dois alelos de um mesmo gene ocorre de maneira independente, ou seja, quando um heterozigoto (Aa) produz gametas, metade deles contém um alelo e a outra metade, o outro. Então, dizemos que um determinado gameta tem metade das chances de conter o alelo dominante, ou seja, essa probabilidade é de ½. O mesmo vale para a probabilidade de conter o alelo recessivo, também é de ½. LEI DA PROBABILIDADE Ex: Dois indivíduos Aa (cruzamento Aa x Aa); A chance de que o zigoto formado deste cruzamento seja AA é simplesmente a probabilidade de que cada um dos gametas que se unem para formá-lo contenha o alelo A, ou seja, é: (AA, Aa, aA, aa) (1/2) gameta mãe × (1/2) gameta pai = (1/4) zigoto, ou 25 %. HEREDOGRAMAS Atualmente existem diversos métodos sofisticados de biologia molecular que permitem analisar a hereditariedade; Mas, por muito tempo, para analisar uma herança genética específica era preciso fazer um histórico familiar por meio de uma ferramenta chamada heredograma. É um tipo de gráfico que representa a herança genética de determinada característica dos indivíduos representados; Servem para analisar uma característica específica como, por exemplo, uma anomalia genética ou a frequência de olhos azuis em uma família; Para isso, os heredogramas usam símbolos padronizados para representar as relações interpessoais. HEREDOGRAMA: SÍMBOLOS EXEMPLO PARA POLIDACTILIA APLICAÇÕES DO MENDELISMO: PADRÕES CLÁSSICOS DE HERANÇA Uma herança monogênica é aquela determinada por um único gene; Quando este gene está localizado em um dos 22 pares de cromossomos não sexuais, dizemos que ela é uma herança monogênica autossômica. Uma herança autossômica, por sua vez, pode ser dominante ou recessiva. APLICAÇÕES DO MENDELISMO: PADRÕES CLÁSSICOS DE HERANÇA Uma herança monogênica autossômica dominante (Aa/AA) é aquela que acomete cromossomos não sexuais e na qual o fenótipo é expresso da mesma maneira em homozigotos e heterozigotos. Já uma herança monogênica autossômica recessiva (aa) é expressa somente em indivíduos homozigotos. Assim como nas ervilhas de Mendel, o fenótipo pode saltar gerações e a pessoa afetada geralmente tem pais heterozigotos que não manifestam a doença. Por serem heranças autossômicas, homens e mulheres tem a mesma probabilidade de transmitir o fenótipo aos filhos de ambos os sexos. HERANÇA AUTOSSÔMICA DOMINANTE Exemplos de patologias hereditárias dominantes determinadas por um par de alelos autossômicos: A polidactilia, que é a presença de mais de 10 dedos nas mãos ou nos pés; A osteogênese imperfeita, doença conhecida como “ossos de vidro”; A doença de Huntington que é degenerativa progressiva, afeta as funções cognitivas, psiquiátricas e motoras. HERANÇA AUTOSSÔMICA DOMINANTE ALELOS GENÓTIPOS FENÓTIPOS P e p PP Polidactilia Pp Polidactilia pp Dedos normais HERANÇA AUTOSSÔMICA RECESSIVA Na herança autossômica recessiva é preciso que o indivíduo possua dois alelos de um mesmo gene. Neste tipo de herança, os genitores raramente são afetados, pois costumam ser heterozigotos com fenótipos normais. Mas esses progenitores heterozigotos possuem o alelo recessivo de forma silenciosa e podem transmiti-lo para sua prole resultando em um indivíduo com fenótipo doente. É mais comum se manifestar entre casais consanguíneos. HERANÇA AUTOSSÔMICA RECESSIVA HERANÇA AUTOSSÔMICA RECESSIVA Exemplo de doença autossômica recessiva: A fibrose cística manifesta pelo acúmulo de muco nos pulmões, resulta em quadros respiratórios crônicos e graves que diminuem a expectativa de vida do indivíduo. O albinismo, um defeito na produção de melanina que resulta em pouca pigmentação na pele, olhos e cabelos. A anemia falciforme caracterizada pela produção anormal de hemoglobina, a proteína das hemácias responsável pelo transporte de oxigênio. Provocada por uma mutação na sequência quando a base Timina é substituída pela Adenina, produzindo Hemoglobina S. HERANÇA LIGADA AO SEXO Uma herança monogênica também pode afetar os cromossomos sexuais (X ou Y). Doenças que afetam genes localizados no cromossomo Y são mais raras, são transmitidas diretamente de pai para filho, e são chamadas de holândricas ou restritas ao sexo. As doenças ligadas ao cromossomo X são mais frequentes e são chamadas de doenças ligadas ao sexo (ou ligada ao X). Elas podem ser dominantes ou recessivas. HERANÇA LIGADA AO SEXO As doenças recessivasligadas ao X costumam se manifestar com maior frequência em indivíduos do sexo masculino. Porque as mulheres que possuem apenas um cromossomo X alterado, ou seja, as heterozigotas, não manifestam o fenótipo. HERANÇA LIGADA AO SEXO Exemplo de doença recessiva ligada ao sexo: O daltonismo, seus genes estão localizados no braço longo do cromossomo X, como esperado para esse padrão de herança, ela é mais comum em indivíduos do sexo masculino, ela se manifesta pela dificuldade em distinguir cores como o verde e o vermelho. HERANÇA LIGADA AO SEXO A hemofilia, indivíduos hemofílicos são incapazes de produzir um fator necessário para a coagulação sanguínea, o fator VIII. Essa proteína é codificada pelo alelo H e não codificada pelo alelo recessivo e mutante h, ambos localizados no cromossomo X. Quase todas as pessoas afetadas pela hemofilia são do sexo masculino que herdaram a mutação de mães heterozigotas. Caso homens hemofílicos tenham filhos, eles transmitem a mutação para as filhas, mas elas geralmente não terão a doença, pois herdarão o alelo normal das mães CODOMINÂNCIA O alelo dominante é aquele que tem o mesmo efeito fenotípico em indivíduos heterozigotos e homozigotos, ou seja, os genótipos AA e Aa produzem fenótipos iguais. Alguns genes, no entanto, possuem alelos chamados codominantes, entre eles não existe relação de dominância e cada um possui um fenótipo equivalente. Exemplo de codominância é o sistema sanguíneo humano MN, semelhante ao sistema ABO. No sistema sanguíneo MN, a capacidade de produzir os antígenos M e N é determinada por um gene com dois alelos; Um determina a produção do antígeno M e o outro, do antígeno N. Homozigotos para o alelo M produzem apenas o antígeno M e homozigotos para o alelo N, apenas o antígeno N. ALELOS MÚLTIPLOS E POLIMORFISMO Aprendemos que cada gene possui dois alelos segundo a genética mendeliana, um dominante e um recessivo; Que existem também casos de alelos codominantes, mas a genética moderna descobriu que existem genes que possuem três ou mais alelos; Que uma única característica fenotípica é determinada por mais de dois alelos em um mesmo lócus, a isso damos o nome de alelos múltiplos. Ex: Sistema ABO. PLEITROPIA É o nome dado a um único gene que atua na manifestação de diversas características fenotípicas ao mesmo tempo. Exemplo em humanos é a doença fenilcetonúria. É a deficiência da enzima fenilalanina-hidroxilase, que resulta no acúmulo de substâncias tóxicas no organismo. O gene também interfere em outros fenótipos, como a síntese de melanina. Isso resulta no clareamento dos pelos do corpo, por isso indivíduos fenilcetonúricos, além das manifestações clínicas da doença, costumam ter cabelos claros. HERANÇA MATERNA Como vimos, o nosso genoma é composto pelo genoma contido no núcleo (chamado genoma nuclear, composto por mais de 30 mil genes); E pelo genoma presente em nossas mitocôndrias (chamado genoma mitocondrial, composto por 37 genes). Ao falar em herança materna, estamos nos referindo a distúrbios codificados por genes presentes no DNA mitocondrial, o qual pode ser transmitido para ambos os sexos, mas é sempre herdado da mãe. HERANÇA INFLUENCIADA PELO SEXO Esse tipo de herança está relacionado a genes autossômicos, mas o fenótipo é influenciado pelo sexo. É um tipo de herança autossômica cuja expressão é dependente da constituição hormonal. Neste caso, o sexo influencia a expressão fenotípica, um indivíduo heterozigoto pode apresentar um fenótipo em um sexo e outro fenótipo no outro sexo, mas não é limitada apenas ao sexo feminino ou masculino. Um exemplo é a calvície humana. O gene b é dominante em homens e recessivo em mulheres e só exerce seu efeito em heterozigotos na presença do hormônio masculino. HERANÇA LIMITADA PELO SEXO Sua herança também está relacionada a genes autossômicos, mas sua expressão fenotípica é limitada pela presença ou ausência de um dos hormônios sexuais. Seu efeito só se manifesta em um dos dois sexos. Exemplos são as características sexuais secundárias: presença de barba, volume dos seios, forma de quadris femininos, etc. EXTENSÕES DO MENDELISMO: HERANÇA MULTIFATORIAL Hoje sabemos que além da herança monogênica, existe a herança poligênica. Ela ocorre quando uma característica é determinada pela combinação de vários genes, ou seja, pares de genes diferentes possuem efeito aditivo sobre eles mesmos e determinam um único fenótipo. A herança poligênica é responsável pela grande variedade de fenótipos e genótipos existentes na natureza, como as diferentes estaturas, cor de pele e cor dos olhos humanos. EXTENSÕES DO MENDELISMO: HERANÇA MULTIFATORIAL Quando esses diversos genes ainda sofrem a influência de fatores ambientais, aumentando a variabilidade genética, dizemos que se trata de uma herança multigênica. Na herança multigênica, a presença de cada gene soma ou subtrai um traço de forma independente dos outros genes. CARIÓTIPOS NORMAIS image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png