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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE DARCY RIBEIRO CENTRO DE CIÊNCIAS DO HOMEM DOUTORADO EM COGNIÇÃO E LINGUAGEM MODELO PRÓPRIO PGCL/CCH/UENF PARA APRESENTAÇÃO DE PRÉ- PROJETO DOUTORADO INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E PRÁTICA DE ESCRITA NO ENSINO MÉDIO: POSSIBILIDADES E DESAFIOS PARA EDUCADORES Linha de pesquisa 1: “Pesquisas Interdisciplinares em Comunicação, Educação e Novas Tecnologias da Informação (PICENTI) CPF: 08629385707 CAMPOS DOS GOYTACAZES - RJ NOVEMBRO-2024 Sumário 1 Introdução ------------------------------------------------------------------------- 3 2 Revisão da literatura ------------------------------------------------------------- 4 2.1 Conceituação e Contextualização da Inteligência Artificial (IA) ---------- 4 2.2 Inteligência Artificial na Educação -------------------------------------------- 5 2.3 Desafios éticos e pedagógicos do uso da IA na prática educacional ------- 7 2.4 Escrita e IA no Ensino Médio -------------------------------------------------- 8 3 Justificativa ------------------------------------------------------------------------- 8 4 Objetivos ---------------------------------------------------------------------------- 9 4.1 Objetivo Geral --------------------------------------------------------------------- 9 4.2 Objetivos Específicos ----------------------------------------------------------- 9 5 Metodologia ------------------------------------------------------------------------ 10 6 Cronograma de desenvolvimento da pesquisa --------------------------- 11 7 Referências ------------------------------------------------------------------------ 12 3 1-Introdução Diante de um mundo em constante transformação, a sociedade contemporânea torna-se cada vez mais sociodigital, por isso, pode-se compreender, que em vez de um único “futuro”, o que se espera são múltiplos “futuros sociodigitais” possíveis. Nesse contexto, percebe-se que o avanço da inteligência artificial (IA) tem impactado profundamente diversas áreas, incluindo a educação. A rápida e intensa popularização dos produtos baseados em IA têm promovido uma “verdadeira corrida de conhecimento de quem domina melhor e reinventa a tecnologia” (Valinor, 2023, p.1) que, para assim ser denominada, precisa gerar novos dados como imagens, textos, sons entre outros, a partir de uma estrutura de aprendizado de máquina, a exemplo das ferramentas: GPT-4, Google Bard, Github Copilot, Bing Chat, DALL- E, Midjourney, Jasper etc. (Valinor, 2023, p. 1). Nesse sentido, seres humanos moldam os sistemas de IA, e esses moldam comportamentos humanos em uma relação recíproca. Em consequência disso, é possível observar que nos últimos anos, a introdução de ferramentas de IA generativas de textos tem transformado práticas pedagógicas, especialmente no campo da escrita e gerado tanto entusiasmo quanto desafios para educadores e estudantes. Nota-se que aplicativos de correção ortográfica avançada, assistentes de texto e plataformas de revisão automática, como o Grammarly, o ChatGPT e o ProWritingAid, passaram a integrar o cotidiano de muitos alunos, auxiliando-os na construção e revisão de textos. Além disso, essas ferramentas oferecem correções gramaticais, sugestões de estilo e até mesmo feedback sobre a coerência e coesão textual, por isso, tem sido apontada como fonte de solução para a melhoria do processo ensino aprendizagem a partir de uma visão puramente utilitarista e ferramental, ou seja, somente para a personalização da transmissão de conteúdos. No entanto, percebe-se que a IA traz em si um caráter multidimensional, permeado por benefícios e riscos, além de impactos nas relações sociais, econômicas, jurídicas e processos organizacionais. Portanto, essas tecnologias impõe desafios significativos no ambiente educacional, especialmente para o papel pedagógico dos educadores, como também a questão da autonomia dos estudantes, que podem desenvolver uma dependência excessiva das ferramentas de IA para revisões automáticas, prejudicando o aprendizado crítico e a prática independente da escrita. Além disso, ainda existem outras questões a serem analisadas, como a falta de estrutura 4 tecnológica das escolas, de preparação dos educadores e de leis que regulamentem o uso dessas ferramentas. Diante desse cenário, é evidente que a introdução de ferramentas de IA na educação, em particular no ensino de escrita, exige uma reflexão cuidadosa sobre suas vantagens e limitações. Pois, embora as tecnologias de IA possam contribuir significativamente para o desenvolvimento das habilidades textuais dos estudantes, é essencial que seu uso seja equilibrado e acompanhado por uma orientação pedagógica crítica e ética. Logo, compreender em que medida a IA pode ser uma aliada no processo educativo, sem prejudicar a formação integral e a independência dos estudantes, torna-se fundamental para o sucesso dessa integração na prática pedagógica. Diante dessa perspectiva, por meio da presente pesquisa, pretende-se reunir pontos relevantes sobre o tema e apresentar o uso da inteligência artificial na prática da escrita no Ensino Médio com suas possibilidades e desafios para educadores. Dessa forma, apresentadas as considerações inicias, propõe-se a seguinte questão problema: em que medida a utilização de ferramentas generativas de texto no ensino de escrita contribui para o desenvolvimento das habilidades textuais dos estudantes do ensino médio, considerando os desafios pedagógicos, éticos e estruturais que influenciam o equilíbrio entre a autonomia discente e o uso dessas tecnologias no ambiente educacional? Essa questão direciona a investigação sobre o impacto das ferramentas de IA, considerando suas possibilidades e limitações dentro do ambiente escolar, onde o equilíbrio entre o uso tecnológico e a formação crítica dos alunos é essencial. A partir disso, formula-se a hipótese de que a integração de ferramentas de inteligência artificial no ensino de escrita pode contribuir significativamente para o desenvolvimento das habilidades textuais dos estudantes do ensino médio, desde que acompanhada por uma abordagem pedagógica que promova o uso crítico e ético da tecnologia, minimizando a dependência e preservando a autonomia discente, bem como por investimentos em infraestrutura e formação docente adequados para garantir uma implementação equilibrada e eficaz no ambiente educacional. 2- REVISÃO DA LITERATURA 2.1 Conceituação e Contextualização da Inteligência Artificial (IA) O conceito de Inteligência Artificial não é novo, pelo contrário, foi criado em 1956 por John McCarthy, professor de matemática do renomado campus Dartmouth College, em New 5 Hampshire. McCarthy, acreditava na construção de computadores capazes de desempenhar tarefas ligadas à cognição, incluindo abstração e uso de linguagem. Tais estudos contribuíram para a origem do termo Machine Learning, ou Aprendizado das Máquinas, que pode ser resumido por ensinar o computador a pensar como um ser humano. Esse processo possibilitou a criação da ELIZA (primeira versão do Chat GPT), em 1966, por Joseph Weizenbaum no MIT. A assistente virtual já conversava de forma automática usando respostas baseadas em palavras- chave e estrutura semântica e sintática (Campos, 2018). A IA Generativa funciona a partir de duas redes neurais generativas, também conhecidas como GANS: a geradora e a discriminadora. Uma rede neural cria dados, a geradora, e a outra analisa a qualidade dos dados que são gerados, a discriminadora. Assim, as redes aprendem e geram novas informações (Valinor, 2023, p. 1). Timpone e Guidi (2023) destacam a existência de dois ramos principais na representação e aplicação da “inteligência” por máquinas com IA: IA Analítica éusada para tarefas como análise preditiva e reconhecimento de imagem e fala. [...] como processamento de linguagem natural (PNL), transcrição de fala para texto, análise de imagens etc., em domínios que vão desde a medição de audiência até a escuta social e o suporte a crises. IA Generativa é uma extensão mais recente que pode criar coisas novas em todas as mídias que, até então, eram vistas como exclusivas da inteligência e da criatividade humana: texto, vídeo, áudio, imagens - toda mídia digital pode ser alimentada pela IA generativa (Timpone; Guidi, 2023, p. 3, grifo meu). De acordo com Timpone e Guidi (2023), comparada ao que aconteceu com o surgimento da internet, a IA Generativa trará consequências sísmicas na forma como a sociedade atual vive. No entanto, diferentemente da internet, o ritmo acelerado e as rápidas mudanças que a IA impõe, incorporadas a outras ferramentas e serviços, é considerado pelos autores surpreendente. “Para efeitos de comparação, foram necessários 3,5 anos para que a Netflix atingisse um milhão de usuários. O Facebook levou 10 meses; o Spotify, cinco meses; e o Instagram 1,5 mês. Em comparação, o ChatGPT alcançou seu primeiro milhão de usuários em apenas cinco dias” (Timpone, Guidi, 2023, p. 2). Assim, em razão desse feito histórico, os autores mencionam um avanço no crescimento do número de pessoas e empresas que desejam explorar o potencial da IA Generativa. Vale ressaltar ainda que, no e-book sobre a Inteligência Artificial no E-commerce, publicado pela Edrone (2023), a IA foi destacada como sendo o assunto de 2023, da mesma forma que aconteceu com o Metaverso em 2022. Para a referida publicação, “considerando os dados de pesquisa do Google Trends, fica claro que enquanto o metaverso foi uma tendência momentânea, a Inteligência Artificial apresenta um crescimento contínuo nas buscas” (p. 3). Ainda nesse sentido, segundo a publicação do site da Fundação Getúlio Vargas (FGV, 6 2022), o metaverso, assim como a robótica e a IA, são consideradas ferramentas pedagógicas revolucionárias e que prometem causar um grande impacto nas salas de aula e, na verdade, já estão. A referida publicação, fazendo referência ao metaverso, pontua que se trata de “um espaço que reúne realidade virtual com interação social, gamificação, digitalização da economia e geração de negócios”. Essa mesma publicação apresentou dados de uma pesquisa do Instituto Kantar Ibope Media, sendo mencionado que 6% dos brasileiros que usam a internet já transitam por alguma versão do metaverso (FGV, 2022). Para Meire et al. (2023, p. 7) torna-se fundamental a compreensão de que IA não é apenas uma nova ferramenta tecnológica, “mas parte essencial de um novo espaço estratégico que envolve as inteligências individuais, sociais e artificiais, interligadas e consideradas em conjunto para criar soluções que devem atender às necessidades das pessoas, grupos e comunidades”. Nesse contexto, segundo o autor, o uso de IA deve estar associada não somente aos aspectos técnicos e os algoritmos que envolvem essa tecnologia, mas também às dimensões humanas. 2.2 Inteligência Artificial na Educação Segundo Saviani (2011, p. 11), “a educação é um fenômeno próprio dos seres humanos”, portanto, está intrinsecamente ligada à evolução histórica humana e ao contexto social, desempenhando função essencial na construção da identidade dos sujeitos e nas transformações que permeiam a sociedade. Logo, compreendemos que a educação é um processo contínuo e dinâmico estreitamente vinculado às inovações humanas e aos desafios complexos que surgem na contemporaneidade da sociedade capitalista. Não se pode, pois, dizer que a educação esteja vinculada ao passado nem que seu conteúdo se identifique como passado. Não! A tarefa da educação é selecionar do conjunto das objetivações humanas produzidas historicamente os elementos s essenciais que constituem a realidade humana própria de uma época determinada. Uma vez identificados esses elementos é tarefa da pedagogia organizá-los e sequenciá-los para viabilizar sua apropriação pelos educandos no espaço e tempo escolares. Essa tarefa é imprescindível para que os membros das novas gerações possam se inserir de forma ativa na sociedade em que vivem, possam se tornar, enfim, atuais à sua época (Saviani, 2019, p. 213). Assim, apesar da IA ter raízes que remontam às décadas de 1960 e 1970, quando os primeiros sistemas de tutoria inteligente foram desenvolvidos, hoje, vivemos uma onda de inovação tecnológica na área, que vem causando grande impacto em vários setores da sociedade, principalmente, na educação. Logo, entendemos necessário a reflexão a respeito do 7 uso da IA como uma ferramenta interdisciplinar na prática educativa, bem como suas controvérsias, seus impactos e implicações nas relações sociais. Pois, "[...] não basta estudar a realidade atual: esta deve invadir a escola, mas invadi-la de uma forma organizada; a escola deve viver no seio da realidade atual, adaptando-se a ela e reorganizando-a ativamente” (Pistrak, 1981, p. 35). Portanto, a perspectiva que apresentamos em relação a Inteligência Artificial na educação sublinha a ideia de que ela não deve ser percebida como uma ameaça à relevância e à função desempenhada pelos professores em suas atividades e trajetórias profissionais, mas a IA deve ser considerada como um recurso capaz de aprimorar, ampliar e fortalecer as habilidades e competências dos educadores. Pois “aulas sem o uso do ChatGPT e de outras tecnologias digitais precisam ser coisas do passado, mas aulas sem professores também não podem ser o nosso futuro” (Pimentel, 2023, p. 20). Dessa forma, a Inteligência Artificial na educação é, indiscutivelmente, uma das inovações no cenário educacional contemporâneo. No entanto, o processo para uma integração bem sucedida da IA na educação está cheio de desafios complexos e de significativa relevância. Esses desafios, que vão desde a infraestrutura digital até questões éticas, requerem uma abordagem cuidadosa e uma ação proativa para garantir o sucesso da implementação dessas tecnologias no ambiente educacional. 2.3 Desafios éticos e pedagógicos do uso da IA na prática educacional Com o avanço da Inteligência Artificial (IA) no século XXI, surgem múltiplos “futuros sociodigitais” possíveis. Dentre eles, a educação digital, que tem sido impactada com avanço da IA e seus desafios éticos e pedagógicos que exigem reflexão crítica e cuidadosa por parte de todos os envolvidos na educação. Nesse contexto, a ética, que pode ser definida como “a ciência que estuda o comportamento moral dos homens em sociedade, ou seja, o conjunto de normas e valores que orientam as ações humanas”, deve ser compreendida como um campo de reflexão sobre os princípios e valores que regem as ações e as decisões humanas e deve guiar ações baseadas em princípios de justiça e moralidade, sendo essencial para práticas que impactem o coletivo, como no contexto educacional e no uso de tecnologias (Vázquez, 2019, p. 14). Compreende-se que além de princípios éticos, a utilização da IA na educação, principalmente as generativas de textos, deve considerar os princípios de “pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” expressos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96), 8 pois se entende que o uso da IA deve alinhar-se com uma educação crítica e emancipadora, de forma que apoie a formação de estudantes ativos e conscientes (LDB 9.394/96, Art. 2º). Corroborando com essa ideia, a Competência 5 da BNCC traz a necessidade da compreensão que o uso das tecnologias digitais deve ser “de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos,resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva” (BNCC, 2018, p. 9). Nesse sentido, “a formação integral dos estudantes deve incluir o desenvolvimento de uma postura questionadora e ética, necessária para enfrentar o mundo digital” (Brito, 2021, p.45). Nesse contexto, é possível compreender que não há neutralidade nos processos educacionais, pois todo processo educativo é eivado de intenções, do mesmo modo, “a IA não é neutra”, destacando que os algoritmos trazem consigo valores e vieses que podem influenciar, consciente ou inconscientemente, o aprendizado dos alunos (Pimentel, 2021, p. 55). Logo, as práticas pedagógicas, entendidas como ações intencionais e planejadas de ensino que buscam o desenvolvimento cognitivo e social dos alunos, podem utilizar a IA, tanto no apoio à personalização do ensino quanto na facilitação de processos de revisão textual. No entanto, é importante a compreensão dos riscos de uma personalização excessiva e “estreita” proporcionada pela IA, que poderia tornar o aluno dependente das revisões automáticas, limitar as oportunidades dos estudantes de explorar novas perspectivas e ampliar sua compreensão do mundo, além de prejudicar a prática independente da escrita. Sob o mesmo entendimento, Moraes destaca que: [...] não se muda um paradigma educacional apenas colocando uma nova roupagem, camuflando velhas teorias, [...] colocando telas e telões na sala de aula, se o aluno continua na posição de mero espectador, receptor, presenciador e copiador, e se os recursos tecnológicos pouco fazem para ampliar a cognição humana (Moraes, 1997, p. 17). Nesse sentido, nota-se que existem outros desafios, como o que diz respeito à estrutura das escolas e à formação dos professores. Pois, embora a LDB e a BNCC proponham o desenvolvimento de habilidades digitais, muitas escolas necessitam da infraestrutura adequada para oferecer uma educação mediada pelas ferramentas tecnológicas. Observa-se que no cotidiano das escolas públicas existe a insuficiência de equipamentos, como computadores e acesso à internet de alta velocidade. Esse descompasso estrutural, evidencia a disparidade entre as propostas curriculares e a realidade de muitas escolas públicas no Brasil. Portanto, antes de pensar em como a IA pode transformar as práticas pedagógicas, é crucial considerar como 9 tornar essa tecnologia acessível a todos os alunos, pois “a educação digital só será significativa se for acompanhada por uma estrutura que possibilite a todos os alunos o acesso ao aprendizado tecnológico” (Lemos e Pimentel, 2021) (Lemos, 2021, p. 23). Ainda nesse contexto, percebe-se que um dos desafios mais significativos na integração da inteligência artificial (IA) na educação é a formação dos professores. Para que os educadores utilizem a IA de maneira ética e crítica pedagogicamente, é essencial que estejam não apenas tecnicamente capacitados, mas também preparados para enfrentar as implicações éticas e pedagógicas já citadas. Considerando isso, “uma formação docente eficaz deve abranger a compreensão do funcionamento das tecnologias, além de promover práticas pedagógicas que evitem uma visão meramente utilitarista da IA” (Gonçalves, 2019, p.74). Portanto, a aplicação da IA na educação requer uma perspectiva que vá além da mera funcionalidade das ferramentas, para que os alunos “não sejam meros receptores de soluções prontas, mas, sim, protagonistas de suas aprendizagens”, conscientes tanto das oportunidades quanto das limitações que a IA oferece. Logo, faz-se necessário que os educadores utilizem uma prática pedagógica que fomente a autonomia e o pensamento crítico dos alunos em relação ao uso da tecnologia (Buzato, 2020, p. 65). Conclui-se que IA pode ser vista nas escolas como uma oportunidade para fortalecer a educação, desde que os desafios éticos, estruturais e a formação docente sejam enfrentados com seriedade, visando uma educação inclusiva, crítica e consciente. 2.4 Escrita e IA no Ensino Médio O Ensino Médio brasileiro tem passado por reformulações, momentos de polêmicas e debates, mas independentemente dessas questões a escrita é uma habilidade fundamental no Ensino Médio, que vai muito além da simples transcrição de ideias, constituindo-se como um processo complexo e historicamente de construção de sentido e expressão. Pois “a escrita é uma atividade discursiva que organiza e expõe o pensamento humano, permitindo ao indivíduo refletir, estruturar e comunicar ideias de maneira crítica e consciente” (MARCUSCHI, 2008, p. 33). Esse conceito destaca a escrita não apenas como um meio de expressão, mas como forma de comunicação, uma prática que possibilita a criação de uma identidade autoral e promove o engajamento em questões sociais e culturais. Logo, compreende-se que a escrita é 10 um instrumento social, que o aluno do Ensino Médio deve ter o domínio para que seja capaz de produzir discursos nas diversas esferas sociocomunicativas. No entanto, vale ressaltar que a educação brasileira vive uma realidade em que muitos alunos, apresentam dificuldades para desenvolver habilidades de leitura e escrita ao longo do Ensino Fundamental e chegam ao Ensino Médio com sua capacidade de expressão, de argumentação e reflexão crítica comprometidas. Pesquisas, como as realizadas pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), apontam que uma parcela significativa dos estudantes brasileiros tem dificuldades em escrever de maneira coesa e coerente, assim como, problemas em estruturar ideias e construir argumentos. É nesse cenário um tanto “caótico”, que a IA tem avançado e para que ela não leve mais vulnerabilidade para o processo de escrita, é necessário que haja a integração da tecnologia no Ensino Médio, visando uma oportunidade de expandir as práticas de escrita dos alunos, promovendo tanto o desenvolvimento técnico quanto o reflexivo, pois “a tecnologia não é um simples recurso de apoio; ela redefine as práticas de escrita, permitindo que o aluno interaja com o processo de aprendizagem de forma mais autônoma e dinâmica” (Lemos, 2021, p. 45). Entende-se que nesse sentido, a tecnologia atua como uma facilitadora da comunicação e do pensamento crítico, favorecendo possibilidades para a criação, revisão e aprimoramento de textos. Ainda nesse contexto, entende-se que a IA já é uma realidade no meio educacional e é usada pela maioria dos alunos, contudo, a presença dela requer uma abordagem pedagógica crítica e cuidadosa por parte de todos os agentes educacionais, pois “a utilização de ferramentas como a IA na escrita escolar precisa ser planejada para que não substitua a criatividade e o esforço do aluno, mas sim enriqueça seu processo de aprendizagem” (Brito, 2021, p. 82). A IA, por exemplo, pode auxiliar na correção gramatical, na estruturação de ideias e até na reformulação de textos, mas é fundamental que os educadores orientem os estudantes a utilizar essas ferramentas de modo que valorizem sua própria expressão e promovam uma prática ética e consciente. Nesse sentido, “o professor assume um papel essencial como mediador crítico, capaz de orientar o aluno para que a tecnologia seja uma aliada no desenvolvimento de habilidades de escrita, e não uma dependência” (Pimentel, 2021, p. 77). Esse enfoque exige uma formação docente para além dos aspectos técnico e utilitário da IA, mas que contemple o domínio das 11 ferramentas digitais e a criação de metodologias que estimulem a autonomia dos estudantes, promovendo a autoria e a responsabilidade no uso das tecnologias. Portanto, a utilização de tecnologias digitais e da IA na prática de escrita no Ensino Médio apresenta tanto oportunidades quanto desafios, são ferramentas pedagógicas importantes para o processo de desenvolvimento da escrita,desde que estejam coerentes e articuladas ao contexto sócio cultural dos alunos, bem como ao perfil destes e ao currículo escolar. Além disso, que respeite e fortaleça as competências dos alunos, preparando-os para um uso consciente das ferramentas digitais. 4-Objetivos: 4.1-Objetivo Geral Investigar o impacto da inteligência artificial (IA) na prática de escrita no Ensino Médio, destacando tanto as possibilidades quanto os desafios que essa tecnologia apresenta para educação. 4.2- Objetivos 1. Investigar o impacto das ferramentas de Inteligência Artificial no desenvolvimento das habilidades de escrita no Ensino Médio. 2. Identificar os principais desafios éticos e pedagógicos que educadores enfrentam ao incorporar IA nas práticas de escrita. 3. Propor estratégias e metodologias que facilitem a integração ética da IA no ensino de escrita, valorizando a autonomia e a autoria dos estudantes no processo educacional. 5.Metodologia Para investigar o impacto da inteligência artificial (IA) na prática de escrita no Ensino Médio, com ênfase nas possibilidades e desafios educacionais, será adotada uma abordagem metodológica qualitativa, de caráter exploratório e descritivo. A metodologia terá algumas etapas, desde a fundamentação teórica até a aplicação prática, envolvendo revisão de literatura, pesquisa bibliométrica, entrevista com professores e a realização de um minicurso no formato online, com o objetivo de gerar conhecimento e formar multiplicadores, promovendo a integração crítica e ética da IA nas práticas pedagógicas. 12 Inicialmente, será realizada uma revisão da literatura sobre inteligência artificial aplicada à educação, com foco no ensino de escrita. Serão abordados temas como a utilização da IA na educação, suas contribuições e limitações pedagógicas, questões éticas e impactos na autonomia e autoria dos estudantes. Essa etapa permitirá contextualizar teoricamente a pesquisa e embasar a formulação das hipóteses e estratégias a serem desenvolvidas. Em seguida será realizada uma análise bibliométrica para mapear as publicações mais relevantes, as tendências e os desafios discutidos na literatura científica sobre o uso de IA no ensino de escrita. Os resultados da pesquisa bibliométrica permitirão identificar lacunas existentes e contribuir para a definição dos direcionamentos específicos da investigação, destacando os principais autores, metodologias e conceitos. O uso da bibliometria é uma técnica de pesquisa que busca o levantamento de estudos já publicados e envolve a divulgação do conhecimento científico (Araújo, 2006). Essa técnica faz o acompanhamento de pesquisa “[...] tal como procede à demografia ao recensear a população” (Fonseca, 1986, p.35). Após essas etapas, será realizada uma entrevista semi-estruturada com uma amostra de professores da Educação Básica, que utilizam ou têm interesse em integrar ferramentas de IA em suas práticas de ensino. A entrevista abordará temas como: Se utilizam ou não a IA. Percepções sobre o impacto da IA no desenvolvimento das habilidades de escrita dos alunos; Principais desafios éticos e pedagógicos na incorporação de IA em atividades de escrita; Experiências concretas de uso ou barreiras enfrentadas; Potenciais estratégias para o uso equilibrado e crítico da IA. E para dar prosseguimento ao estudo, será elaborado um mini curso no formato online baseado nas pesquisas e nas respostas da entrevista, que será oferecido como formação continuada para educadores da Educação Básica, com o objetivo de compartilhar os resultados da pesquisa e replicar as práticas para a utilização de ferramentas de IA na prática de escrita. O minicurso terá caráter formativo, abordando estratégias de uso ético e crítico da IA, buscando formar multiplicadores que possam integrar essas metodologias em suas escolas. Os participantes do minicurso também fornecerão feedback e serão acompanhados para avaliar o impacto das práticas em suas próprias escolas. 13 Já a análise dos dados será conduzida por meio da Análise de Conteúdo (Bardin, 2011), permitindo identificar categorias que reflitam o impacto, desafios e estratégias relacionadas à integração da IA no ensino de escrita. As informações obtidas nas entrevistas, observações, e o feedback do minicurso serão trianguladas para garantir a consistência e profundidade das conclusões. Por fim, a partir deste estudo de doutorado, resultará um conjunto de recomendações para a integração crítica e ética da IA no processo de desenvolvimento da escrita no Ensino Médio, respeitando a autonomia e autoria dos alunos. Além disso, pretende-se criar uma rede de educadores capacitados, capazes de replicar essas práticas e conhecimentos em suas comunidades escolares. 6. Cronograma de desenvolvimento da pesquisa AÇÕES 2024.1 2024.2 2025.1 2025.2 2026.1 2026.2 2027.1 2027.2 Cursar disciplinas X X X X Revisão de Literatura e qualificação do pré-projeto X Traçar a contextualização da IA X X Investigar o impacto das ferramentas de Inteligência Artificial no desenvolvimento das habilidades de escrita no Ensino Médio. X Identificar os principais desafios éticos e pedagógicos que educadores enfrentam ao incorporar IA nas práticas de escrita. X X Realizar a análise bibliométrica para mapear as publicações mais relevantes X Elaborar um mini curso no formato online baseado nas pesquisas e nas respostas das entrevistas, que será oferecido como formação continuada para educadores da Educação Básica. X 14 Aplicar o curso X X Análise dos dados obtidos por meio do curso X X Participação em congressos X X X X X Submissão de artigos para congressos e revistas que abordam os temas pertinentes à pesquisa de doutorado. X X X X X X Análise e escolha da revista para publicação do artigo referente a pesquisa da tese. X Escrita da tese X X X X X X Qualificação da tese X Defesa da tese e correções finais X 7.Referências ARAÚJO, Carlos Alberto. Bibliometria: evolução histórica e questões atuais. Em Questão. Porto Alegre. Vol.12, nº 1, p.11-32, 2006. BRASIL. Ministério da Educação. 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