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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE 
DARCY RIBEIRO 
 CENTRO DE CIÊNCIAS DO HOMEM 
DOUTORADO EM COGNIÇÃO E LINGUAGEM 
 
 
 
 
MODELO PRÓPRIO PGCL/CCH/UENF PARA APRESENTAÇÃO DE PRÉ- 
PROJETO DOUTORADO 
 
 
 
 
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E PRÁTICA DE ESCRITA NO ENSINO MÉDIO: 
POSSIBILIDADES E DESAFIOS PARA EDUCADORES 
 
 
 
Linha de pesquisa 1: “Pesquisas Interdisciplinares em Comunicação, Educação e Novas 
Tecnologias da Informação (PICENTI) 
 
 
 
 
 
 
CPF: 08629385707 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAMPOS DOS GOYTACAZES - RJ 
NOVEMBRO-2024 
 
 
 
 
Sumário 
 
1 Introdução ------------------------------------------------------------------------- 3 
2 Revisão da literatura ------------------------------------------------------------- 4 
2.1 Conceituação e Contextualização da Inteligência Artificial (IA) ---------- 4 
2.2 Inteligência Artificial na Educação -------------------------------------------- 5 
2.3 Desafios éticos e pedagógicos do uso da IA na prática educacional ------- 7 
2.4 Escrita e IA no Ensino Médio -------------------------------------------------- 8 
3 Justificativa ------------------------------------------------------------------------- 8 
4 Objetivos ---------------------------------------------------------------------------- 9 
4.1 Objetivo Geral --------------------------------------------------------------------- 9 
4.2 Objetivos Específicos ----------------------------------------------------------- 9 
5 Metodologia ------------------------------------------------------------------------ 10 
6 Cronograma de desenvolvimento da pesquisa --------------------------- 11 
7 Referências ------------------------------------------------------------------------ 12 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
1-Introdução 
Diante de um mundo em constante transformação, a sociedade contemporânea torna-se 
cada vez mais sociodigital, por isso, pode-se compreender, que em vez de um único “futuro”, 
o que se espera são múltiplos “futuros sociodigitais” possíveis. Nesse contexto, percebe-se que 
o avanço da inteligência artificial (IA) tem impactado profundamente diversas áreas, incluindo 
a educação. A rápida e intensa popularização dos produtos baseados em IA têm promovido uma 
“verdadeira corrida de conhecimento de quem domina melhor e reinventa a tecnologia” 
(Valinor, 2023, p.1) que, para assim ser denominada, precisa gerar novos dados como imagens, 
textos, sons entre outros, a partir de uma estrutura de aprendizado de máquina, a exemplo das 
ferramentas: GPT-4, Google Bard, Github Copilot, Bing Chat, DALL- E, Midjourney, Jasper 
etc. (Valinor, 2023, p. 1). 
Nesse sentido, seres humanos moldam os sistemas de IA, e esses moldam 
comportamentos humanos em uma relação recíproca. Em consequência disso, é possível 
observar que nos últimos anos, a introdução de ferramentas de IA generativas de textos tem 
transformado práticas pedagógicas, especialmente no campo da escrita e gerado tanto 
entusiasmo quanto desafios para educadores e estudantes. Nota-se que aplicativos de correção 
ortográfica avançada, assistentes de texto e plataformas de revisão automática, como o 
Grammarly, o ChatGPT e o ProWritingAid, passaram a integrar o cotidiano de muitos alunos, 
auxiliando-os na construção e revisão de textos. 
Além disso, essas ferramentas oferecem correções gramaticais, sugestões de estilo e até 
mesmo feedback sobre a coerência e coesão textual, por isso, tem sido apontada como fonte de 
solução para a melhoria do processo ensino aprendizagem a partir de uma visão puramente 
utilitarista e ferramental, ou seja, somente para a personalização da transmissão de conteúdos. 
No entanto, percebe-se que a IA traz em si um caráter multidimensional, permeado por 
benefícios e riscos, além de impactos nas relações sociais, econômicas, jurídicas e processos 
organizacionais. 
 Portanto, essas tecnologias impõe desafios significativos no ambiente educacional, 
especialmente para o papel pedagógico dos educadores, como também a questão da autonomia 
dos estudantes, que podem desenvolver uma dependência excessiva das ferramentas de IA para 
revisões automáticas, prejudicando o aprendizado crítico e a prática independente da escrita. 
Além disso, ainda existem outras questões a serem analisadas, como a falta de estrutura 
4 
 
 
 
tecnológica das escolas, de preparação dos educadores e de leis que regulamentem o uso dessas 
ferramentas. 
Diante desse cenário, é evidente que a introdução de ferramentas de IA na educação, em 
particular no ensino de escrita, exige uma reflexão cuidadosa sobre suas vantagens e limitações. 
Pois, embora as tecnologias de IA possam contribuir significativamente para o 
desenvolvimento das habilidades textuais dos estudantes, é essencial que seu uso seja 
equilibrado e acompanhado por uma orientação pedagógica crítica e ética. Logo, compreender 
em que medida a IA pode ser uma aliada no processo educativo, sem prejudicar a formação 
integral e a independência dos estudantes, torna-se fundamental para o sucesso dessa integração 
na prática pedagógica. 
Diante dessa perspectiva, por meio da presente pesquisa, pretende-se reunir pontos 
relevantes sobre o tema e apresentar o uso da inteligência artificial na prática da escrita no Ensino 
Médio com suas possibilidades e desafios para educadores. Dessa forma, apresentadas as 
considerações inicias, propõe-se a seguinte questão problema: em que medida a utilização de 
ferramentas generativas de texto no ensino de escrita contribui para o desenvolvimento das 
habilidades textuais dos estudantes do ensino médio, considerando os desafios pedagógicos, 
éticos e estruturais que influenciam o equilíbrio entre a autonomia discente e o uso dessas 
tecnologias no ambiente educacional? Essa questão direciona a investigação sobre o impacto 
das ferramentas de IA, considerando suas possibilidades e limitações dentro do ambiente 
escolar, onde o equilíbrio entre o uso tecnológico e a formação crítica dos alunos é essencial. 
A partir disso, formula-se a hipótese de que a integração de ferramentas de inteligência 
artificial no ensino de escrita pode contribuir significativamente para o desenvolvimento das 
habilidades textuais dos estudantes do ensino médio, desde que acompanhada por uma 
abordagem pedagógica que promova o uso crítico e ético da tecnologia, minimizando a 
dependência e preservando a autonomia discente, bem como por investimentos em 
infraestrutura e formação docente adequados para garantir uma implementação equilibrada e 
eficaz no ambiente educacional. 
 
2- REVISÃO DA LITERATURA 
 
2.1 Conceituação e Contextualização da Inteligência Artificial (IA) 
 
O conceito de Inteligência Artificial não é novo, pelo contrário, foi criado em 1956 por 
John McCarthy, professor de matemática do renomado campus Dartmouth College, em New 
5 
 
 
 
Hampshire. McCarthy, acreditava na construção de computadores capazes de desempenhar 
tarefas ligadas à cognição, incluindo abstração e uso de linguagem. Tais estudos contribuíram 
para a origem do termo Machine Learning, ou Aprendizado das Máquinas, que pode ser 
resumido por ensinar o computador a pensar como um ser humano. Esse processo possibilitou 
a criação da ELIZA (primeira versão do Chat GPT), em 1966, por Joseph Weizenbaum no MIT. 
A assistente virtual já conversava de forma automática usando respostas baseadas em palavras- 
chave e estrutura semântica e sintática (Campos, 2018). 
A IA Generativa funciona a partir de duas redes neurais generativas, também conhecidas 
como GANS: a geradora e a discriminadora. Uma rede neural cria dados, a geradora, e a outra 
analisa a qualidade dos dados que são gerados, a discriminadora. Assim, as redes aprendem e 
geram novas informações (Valinor, 2023, p. 1). Timpone e Guidi (2023) destacam a existência 
de dois ramos principais na representação e aplicação da “inteligência” por máquinas com IA: 
 
IA Analítica éusada para tarefas como análise preditiva e reconhecimento de 
imagem e fala. [...] como processamento de linguagem natural (PNL), transcrição 
de fala para texto, análise de imagens etc., em domínios que vão desde a medição 
de audiência até a escuta social e o suporte a crises. IA Generativa é uma extensão 
mais recente que pode criar coisas novas em todas as mídias que, até então, eram 
vistas como exclusivas da inteligência e da criatividade humana: texto, vídeo, 
áudio, imagens - toda mídia digital pode ser alimentada pela IA generativa 
(Timpone; Guidi, 2023, p. 3, grifo meu). 
 
De acordo com Timpone e Guidi (2023), comparada ao que aconteceu com o surgimento 
da internet, a IA Generativa trará consequências sísmicas na forma como a sociedade atual vive. 
No entanto, diferentemente da internet, o ritmo acelerado e as rápidas mudanças que a IA 
impõe, incorporadas a outras ferramentas e serviços, é considerado pelos autores surpreendente. 
“Para efeitos de comparação, foram necessários 3,5 anos para que a Netflix atingisse um milhão 
de usuários. O Facebook levou 10 meses; o Spotify, cinco meses; e o Instagram 1,5 mês. Em 
comparação, o ChatGPT alcançou seu primeiro milhão de usuários em apenas cinco dias” 
(Timpone, Guidi, 2023, p. 2). 
Assim, em razão desse feito histórico, os autores mencionam um avanço no crescimento 
do número de pessoas e empresas que desejam explorar o potencial da IA Generativa. Vale 
ressaltar ainda que, no e-book sobre a Inteligência Artificial no E-commerce, publicado pela 
Edrone (2023), a IA foi destacada como sendo o assunto de 2023, da mesma forma que 
aconteceu com o Metaverso em 2022. Para a referida publicação, “considerando os dados de 
pesquisa do Google Trends, fica claro que enquanto o metaverso foi uma tendência 
momentânea, a Inteligência Artificial apresenta um crescimento contínuo nas buscas” (p. 3). 
Ainda nesse sentido, segundo a publicação do site da Fundação Getúlio Vargas (FGV, 
6 
 
 
 
2022), o metaverso, assim como a robótica e a IA, são consideradas ferramentas pedagógicas 
revolucionárias e que prometem causar um grande impacto nas salas de aula e, na verdade, já 
estão. A referida publicação, fazendo referência ao metaverso, pontua que se trata de “um 
espaço que reúne realidade virtual com interação social, gamificação, digitalização da economia 
e geração de negócios”. Essa mesma publicação apresentou dados de uma pesquisa do Instituto 
Kantar Ibope Media, sendo mencionado que 6% dos brasileiros que usam a internet já transitam 
por alguma versão do metaverso (FGV, 2022). 
Para Meire et al. (2023, p. 7) torna-se fundamental a compreensão de que IA não é 
apenas uma nova ferramenta tecnológica, “mas parte essencial de um novo espaço estratégico 
que envolve as inteligências individuais, sociais e artificiais, interligadas e consideradas em 
conjunto para criar soluções que devem atender às necessidades das pessoas, grupos e 
comunidades”. Nesse contexto, segundo o autor, o uso de IA deve estar associada não somente 
aos aspectos técnicos e os algoritmos que envolvem essa tecnologia, mas também às dimensões 
humanas. 
 
2.2 Inteligência Artificial na Educação 
 
 
Segundo Saviani (2011, p. 11), “a educação é um fenômeno próprio dos seres humanos”, 
portanto, está intrinsecamente ligada à evolução histórica humana e ao contexto social, 
desempenhando função essencial na construção da identidade dos sujeitos e nas transformações 
que permeiam a sociedade. Logo, compreendemos que a educação é um processo contínuo e 
dinâmico estreitamente vinculado às inovações humanas e aos desafios complexos que surgem 
na contemporaneidade da sociedade capitalista. 
 
Não se pode, pois, dizer que a educação esteja vinculada ao passado nem que seu 
conteúdo se identifique como passado. Não! A tarefa da educação é selecionar do 
conjunto das objetivações humanas produzidas historicamente os elementos s 
essenciais que constituem a realidade humana própria de uma época determinada. 
Uma vez identificados esses elementos é tarefa da pedagogia organizá-los e 
sequenciá-los para viabilizar sua apropriação pelos educandos no espaço e tempo 
escolares. Essa tarefa é imprescindível para que os membros das novas gerações 
possam se inserir de forma ativa na sociedade em que vivem, possam se tornar, 
enfim, atuais à sua época (Saviani, 2019, p. 213). 
 
Assim, apesar da IA ter raízes que remontam às décadas de 1960 e 1970, quando os 
primeiros sistemas de tutoria inteligente foram desenvolvidos, hoje, vivemos uma onda de 
inovação tecnológica na área, que vem causando grande impacto em vários setores da 
sociedade, principalmente, na educação. Logo, entendemos necessário a reflexão a respeito do 
7 
 
 
 
uso da IA como uma ferramenta interdisciplinar na prática educativa, bem como suas 
controvérsias, seus impactos e implicações nas relações sociais. Pois, "[...] não basta estudar a 
realidade atual: esta deve invadir a escola, mas invadi-la de uma forma organizada; a escola 
deve viver no seio da realidade atual, adaptando-se a ela e reorganizando-a ativamente” 
(Pistrak, 1981, p. 35). 
Portanto, a perspectiva que apresentamos em relação a Inteligência Artificial na 
educação sublinha a ideia de que ela não deve ser percebida como uma ameaça à relevância e 
à função desempenhada pelos professores em suas atividades e trajetórias profissionais, mas a 
IA deve ser considerada como um recurso capaz de aprimorar, ampliar e fortalecer as 
habilidades e competências dos educadores. Pois “aulas sem o uso do ChatGPT e de outras 
tecnologias digitais precisam ser coisas do passado, mas aulas sem professores também não 
podem ser o nosso futuro” (Pimentel, 2023, p. 20). 
Dessa forma, a Inteligência Artificial na educação é, indiscutivelmente, uma das 
inovações no cenário educacional contemporâneo. No entanto, o processo para uma integração 
bem sucedida da IA na educação está cheio de desafios complexos e de significativa relevância. 
Esses desafios, que vão desde a infraestrutura digital até questões éticas, requerem uma 
abordagem cuidadosa e uma ação proativa para garantir o sucesso da implementação dessas 
tecnologias no ambiente educacional. 
2.3 Desafios éticos e pedagógicos do uso da IA na prática educacional 
Com o avanço da Inteligência Artificial (IA) no século XXI, surgem múltiplos “futuros 
sociodigitais” possíveis. Dentre eles, a educação digital, que tem sido impactada com avanço 
da IA e seus desafios éticos e pedagógicos que exigem reflexão crítica e cuidadosa por parte de 
todos os envolvidos na educação. Nesse contexto, a ética, que pode ser definida como “a ciência 
que estuda o comportamento moral dos homens em sociedade, ou seja, o conjunto de normas e 
valores que orientam as ações humanas”, deve ser compreendida como um campo de reflexão 
sobre os princípios e valores que regem as ações e as decisões humanas e deve guiar ações 
baseadas em princípios de justiça e moralidade, sendo essencial para práticas que impactem o 
coletivo, como no contexto educacional e no uso de tecnologias (Vázquez, 2019, p. 14). 
Compreende-se que além de princípios éticos, a utilização da IA na educação, 
principalmente as generativas de textos, deve considerar os princípios de “pleno 
desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação 
para o trabalho” expressos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96), 
8 
 
 
 
pois se entende que o uso da IA deve alinhar-se com uma educação crítica e emancipadora, de 
forma que apoie a formação de estudantes ativos e conscientes (LDB 9.394/96, Art. 2º). 
Corroborando com essa ideia, a Competência 5 da BNCC traz a necessidade da 
compreensão que o uso das tecnologias digitais deve ser “de forma crítica, significativa, 
reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar 
e disseminar informações, produzir conhecimentos,resolver problemas e exercer protagonismo 
e autoria na vida pessoal e coletiva” (BNCC, 2018, p. 9). Nesse sentido, “a formação integral dos 
estudantes deve incluir o desenvolvimento de uma postura questionadora e ética, necessária 
para enfrentar o mundo digital” (Brito, 2021, p.45). 
Nesse contexto, é possível compreender que não há neutralidade nos processos 
educacionais, pois todo processo educativo é eivado de intenções, do mesmo modo, “a IA não 
é neutra”, destacando que os algoritmos trazem consigo valores e vieses que podem influenciar, 
consciente ou inconscientemente, o aprendizado dos alunos (Pimentel, 2021, p. 55). Logo, as 
práticas pedagógicas, entendidas como ações intencionais e planejadas de ensino que buscam 
o desenvolvimento cognitivo e social dos alunos, podem utilizar a IA, tanto no apoio à 
personalização do ensino quanto na facilitação de processos de revisão textual. No entanto, é 
importante a compreensão dos riscos de uma personalização excessiva e “estreita” 
proporcionada pela IA, que poderia tornar o aluno dependente das revisões automáticas, limitar 
as oportunidades dos estudantes de explorar novas perspectivas e ampliar sua compreensão do 
mundo, além de prejudicar a prática independente da escrita. 
Sob o mesmo entendimento, Moraes destaca que: 
 
[...] não se muda um paradigma educacional apenas colocando uma nova roupagem, 
camuflando velhas teorias, [...] colocando telas e telões na sala de aula, se o aluno 
continua na posição de mero espectador, receptor, presenciador e copiador, e se os 
recursos tecnológicos pouco fazem para ampliar a cognição humana (Moraes, 1997, 
p. 17). 
 
Nesse sentido, nota-se que existem outros desafios, como o que diz respeito à estrutura 
das escolas e à formação dos professores. Pois, embora a LDB e a BNCC proponham o 
desenvolvimento de habilidades digitais, muitas escolas necessitam da infraestrutura adequada 
para oferecer uma educação mediada pelas ferramentas tecnológicas. Observa-se que no 
cotidiano das escolas públicas existe a insuficiência de equipamentos, como computadores e 
acesso à internet de alta velocidade. Esse descompasso estrutural, evidencia a disparidade entre 
as propostas curriculares e a realidade de muitas escolas públicas no Brasil. Portanto, antes de 
pensar em como a IA pode transformar as práticas pedagógicas, é crucial considerar como 
9 
 
 
 
tornar essa tecnologia acessível a todos os alunos, pois “a educação digital só será significativa 
se for acompanhada por uma estrutura que possibilite a todos os alunos o acesso ao aprendizado 
tecnológico” (Lemos e Pimentel, 2021) (Lemos, 2021, p. 23). 
Ainda nesse contexto, percebe-se que um dos desafios mais significativos na integração 
da inteligência artificial (IA) na educação é a formação dos professores. Para que os educadores 
utilizem a IA de maneira ética e crítica pedagogicamente, é essencial que estejam não apenas 
tecnicamente capacitados, mas também preparados para enfrentar as implicações éticas e 
pedagógicas já citadas. Considerando isso, “uma formação docente eficaz deve abranger a 
compreensão do funcionamento das tecnologias, além de promover práticas pedagógicas que 
evitem uma visão meramente utilitarista da IA” (Gonçalves, 2019, p.74). 
Portanto, a aplicação da IA na educação requer uma perspectiva que vá além da mera 
funcionalidade das ferramentas, para que os alunos “não sejam meros receptores de soluções 
prontas, mas, sim, protagonistas de suas aprendizagens”, conscientes tanto das oportunidades 
quanto das limitações que a IA oferece. Logo, faz-se necessário que os educadores utilizem 
uma prática pedagógica que fomente a autonomia e o pensamento crítico dos alunos em relação 
ao uso da tecnologia (Buzato, 2020, p. 65). Conclui-se que IA pode ser vista nas escolas como 
uma oportunidade para fortalecer a educação, desde que os desafios éticos, estruturais e a 
formação docente sejam enfrentados com seriedade, visando uma educação inclusiva, crítica e 
consciente. 
 
2.4 Escrita e IA no Ensino Médio 
 
O Ensino Médio brasileiro tem passado por reformulações, momentos de polêmicas e 
debates, mas independentemente dessas questões a escrita é uma habilidade fundamental no 
Ensino Médio, que vai muito além da simples transcrição de ideias, constituindo-se como um 
processo complexo e historicamente de construção de sentido e expressão. Pois “a escrita é uma 
atividade discursiva que organiza e expõe o pensamento humano, permitindo ao indivíduo 
refletir, estruturar e comunicar ideias de maneira crítica e consciente” (MARCUSCHI, 2008, p. 
33). 
Esse conceito destaca a escrita não apenas como um meio de expressão, mas como 
forma de comunicação, uma prática que possibilita a criação de uma identidade autoral e 
promove o engajamento em questões sociais e culturais. Logo, compreende-se que a escrita é 
10 
 
 
 
um instrumento social, que o aluno do Ensino Médio deve ter o domínio para que seja capaz de 
produzir discursos nas diversas esferas sociocomunicativas. 
No entanto, vale ressaltar que a educação brasileira vive uma realidade em que muitos 
alunos, apresentam dificuldades para desenvolver habilidades de leitura e escrita ao longo do 
Ensino Fundamental e chegam ao Ensino Médio com sua capacidade de expressão, de 
argumentação e reflexão crítica comprometidas. Pesquisas, como as realizadas pelo Sistema de 
Avaliação da Educação Básica (SAEB) e pelo Programa Internacional de Avaliação de 
Estudantes (PISA), apontam que uma parcela significativa dos estudantes brasileiros tem 
dificuldades em escrever de maneira coesa e coerente, assim como, problemas em estruturar 
ideias e construir argumentos. 
É nesse cenário um tanto “caótico”, que a IA tem avançado e para que ela não leve mais 
vulnerabilidade para o processo de escrita, é necessário que haja a integração da tecnologia no 
Ensino Médio, visando uma oportunidade de expandir as práticas de escrita dos alunos, 
promovendo tanto o desenvolvimento técnico quanto o reflexivo, pois “a tecnologia não é um 
simples recurso de apoio; ela redefine as práticas de escrita, permitindo que o aluno interaja 
com o processo de aprendizagem de forma mais autônoma e dinâmica” (Lemos, 2021, p. 45). 
Entende-se que nesse sentido, a tecnologia atua como uma facilitadora da comunicação e do 
pensamento crítico, favorecendo possibilidades para a criação, revisão e aprimoramento de 
textos. 
Ainda nesse contexto, entende-se que a IA já é uma realidade no meio educacional e é 
usada pela maioria dos alunos, contudo, a presença dela requer uma abordagem pedagógica 
crítica e cuidadosa por parte de todos os agentes educacionais, pois “a utilização de ferramentas 
como a IA na escrita escolar precisa ser planejada para que não substitua a criatividade e o 
esforço do aluno, mas sim enriqueça seu processo de aprendizagem” (Brito, 2021, p. 82). A IA, 
por exemplo, pode auxiliar na correção gramatical, na estruturação de ideias e até na 
reformulação de textos, mas é fundamental que os educadores orientem os estudantes a utilizar 
essas ferramentas de modo que valorizem sua própria expressão e promovam uma prática ética 
e consciente. 
Nesse sentido, “o professor assume um papel essencial como mediador crítico, capaz de 
orientar o aluno para que a tecnologia seja uma aliada no desenvolvimento de habilidades de 
escrita, e não uma dependência” (Pimentel, 2021, p. 77). Esse enfoque exige uma formação 
docente para além dos aspectos técnico e utilitário da IA, mas que contemple o domínio das 
11 
 
 
 
ferramentas digitais e a criação de metodologias que estimulem a autonomia dos estudantes, 
promovendo a autoria e a responsabilidade no uso das tecnologias. 
Portanto, a utilização de tecnologias digitais e da IA na prática de escrita no Ensino 
Médio apresenta tanto oportunidades quanto desafios, são ferramentas pedagógicas importantes 
para o processo de desenvolvimento da escrita,desde que estejam coerentes e articuladas ao 
contexto sócio cultural dos alunos, bem como ao perfil destes e ao currículo escolar. Além 
disso, que respeite e fortaleça as competências dos alunos, preparando-os para um uso 
consciente das ferramentas digitais. 
 
4-Objetivos: 
4.1-Objetivo Geral 
Investigar o impacto da inteligência artificial (IA) na prática de escrita no Ensino Médio, 
destacando tanto as possibilidades quanto os desafios que essa tecnologia apresenta para 
educação. 
 
4.2- Objetivos 
1. Investigar o impacto das ferramentas de Inteligência Artificial no desenvolvimento das 
habilidades de escrita no Ensino Médio. 
2. Identificar os principais desafios éticos e pedagógicos que educadores enfrentam ao 
incorporar IA nas práticas de escrita. 
3. Propor estratégias e metodologias que facilitem a integração ética da IA no ensino de escrita, 
valorizando a autonomia e a autoria dos estudantes no processo educacional. 
 
 5.Metodologia 
 
Para investigar o impacto da inteligência artificial (IA) na prática de escrita no Ensino 
Médio, com ênfase nas possibilidades e desafios educacionais, será adotada uma abordagem 
metodológica qualitativa, de caráter exploratório e descritivo. A metodologia terá algumas 
etapas, desde a fundamentação teórica até a aplicação prática, envolvendo revisão de literatura, 
pesquisa bibliométrica, entrevista com professores e a realização de um minicurso no formato 
online, com o objetivo de gerar conhecimento e formar multiplicadores, promovendo a 
integração crítica e ética da IA nas práticas pedagógicas. 
12 
 
 
 
Inicialmente, será realizada uma revisão da literatura sobre inteligência artificial 
aplicada à educação, com foco no ensino de escrita. Serão abordados temas como a utilização 
da IA na educação, suas contribuições e limitações pedagógicas, questões éticas e impactos na 
autonomia e autoria dos estudantes. Essa etapa permitirá contextualizar teoricamente a pesquisa 
e embasar a formulação das hipóteses e estratégias a serem desenvolvidas. Em seguida será 
realizada uma análise bibliométrica para mapear as publicações mais relevantes, as tendências 
e os desafios discutidos na literatura científica sobre o uso de IA no ensino de escrita. Os 
resultados da pesquisa bibliométrica permitirão identificar lacunas existentes e contribuir para 
a definição dos direcionamentos específicos da investigação, destacando os principais autores, 
metodologias e conceitos. O uso da bibliometria é uma técnica de pesquisa que busca o 
levantamento de estudos já publicados e envolve a divulgação do conhecimento científico 
(Araújo, 2006). Essa técnica faz o acompanhamento de pesquisa “[...] tal como procede à 
demografia ao recensear a população” (Fonseca, 1986, p.35). 
Após essas etapas, será realizada uma entrevista semi-estruturada com uma amostra de 
professores da Educação Básica, que utilizam ou têm interesse em integrar ferramentas de IA 
em suas práticas de ensino. A entrevista abordará temas como: 
 
 Se utilizam ou não a IA. 
 Percepções sobre o impacto da IA no desenvolvimento das habilidades de escrita dos 
alunos; 
 Principais desafios éticos e pedagógicos na incorporação de IA em atividades de escrita; 
 Experiências concretas de uso ou barreiras enfrentadas; 
 Potenciais estratégias para o uso equilibrado e crítico da IA. 
 
E para dar prosseguimento ao estudo, será elaborado um mini curso no formato online 
baseado nas pesquisas e nas respostas da entrevista, que será oferecido como formação 
continuada para educadores da Educação Básica, com o objetivo de compartilhar os resultados 
da pesquisa e replicar as práticas para a utilização de ferramentas de IA na prática de escrita. O 
minicurso terá caráter formativo, abordando estratégias de uso ético e crítico da IA, buscando 
formar multiplicadores que possam integrar essas metodologias em suas escolas. Os 
participantes do minicurso também fornecerão feedback e serão acompanhados para avaliar o 
impacto das práticas em suas próprias escolas. 
13 
 
 
 
Já a análise dos dados será conduzida por meio da Análise de Conteúdo (Bardin, 2011), 
permitindo identificar categorias que reflitam o impacto, desafios e estratégias relacionadas à 
integração da IA no ensino de escrita. As informações obtidas nas entrevistas, observações, e o 
feedback do minicurso serão trianguladas para garantir a consistência e profundidade das 
conclusões. Por fim, a partir deste estudo de doutorado, resultará um conjunto de 
recomendações para a integração crítica e ética da IA no processo de desenvolvimento da escrita 
no Ensino Médio, respeitando a autonomia e autoria dos alunos. Além disso, pretende-se criar 
uma rede de educadores capacitados, capazes de replicar essas práticas e conhecimentos em 
suas comunidades escolares. 
 
6. Cronograma de desenvolvimento da pesquisa 
 
AÇÕES 2024.1 2024.2 2025.1 2025.2 2026.1 2026.2 2027.1 2027.2 
Cursar disciplinas X X X X 
Revisão de Literatura e 
qualificação do pré-projeto 
X 
Traçar a contextualização 
da IA 
 X X 
Investigar o impacto das 
ferramentas de Inteligência 
Artificial no 
desenvolvimento das 
habilidades de escrita no 
Ensino Médio. 
 
 X 
Identificar os principais 
desafios éticos e 
pedagógicos que 
educadores enfrentam ao 
incorporar IA nas práticas 
de escrita. 
 
 X X 
Realizar a análise 
bibliométrica para mapear 
as publicações mais 
relevantes 
 X 
Elaborar um mini curso no 
formato online baseado 
nas pesquisas e nas 
respostas das entrevistas, 
que será oferecido como 
formação continuada para 
educadores da Educação 
Básica. 
 X 
14 
 
 
 
Aplicar o curso X X 
Análise dos dados obtidos 
por meio do curso 
 X X 
Participação em 
congressos 
X X X X X 
Submissão de artigos para 
congressos e revistas que 
abordam os temas 
pertinentes à pesquisa de 
doutorado. 
 X X X X X X 
Análise e escolha da 
revista para publicação do 
artigo referente a pesquisa 
da tese. 
 X 
Escrita da tese X X X X X X 
Qualificação da tese X 
Defesa da tese e correções 
finais 
 X 
 
 
7.Referências 
 
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