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Armando Moraes e Maria Soledade da Costa Cidadania Moral e Ética ENSINO FUNDAMENTAL ANO 01 MANUAL DO EDUCADOR Formação Continuada Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei no 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Fizeram-se todos os esforços para localizar os detentores dos direitos das fotos, das ilustrações e dos textos contidos neste livro. A Formando Cidadãos Editora pede desculpas se houve alguma omissão e, em edições futuras, terá prazer em incluir quaisquer créditos faltantes. EDITORAS Isabela Nóbrega Márcia Regina Silva REVISÃO DE TEXTO Porto Textual PROJETO GRÁFICO E CAPA Danielle Vilela EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Christiana Pacis Gabriella Lima COORDENAÇÃO EDITORIAL Direitos reservados à Multi Marcas Editoriais Ltda. Rua Neto Campelo Júnior, 37 Mustardinha - Recife / PE CEP: 50760-330 Fone: (81) 3447.1178 CNPJ: 00.726.498/0001-74 IE: 0214538-37 1o ano Cidadania Moral e Ética Ensino Fundamental MANUAL DO EDUCADOR Formação Continuada ISBN: 978-85-403-2492-3 4a edição Armando Moraes e Maria Soledade da Costa APRESENTAÇÃO O Manual do Educador de Cidadania Moral e Ética emerge como um guia indispensável para educadores comprometidos com a formação integral dos alunos. Ao longo das páginas, você encontrará, além dos conteúdos, estratégias práticas para envolver os alunos, estimulando-os a realizar discussões significativas em sala de aula, cultivando a reflexão e a huma- nidade. Com o auxílio deste livro, será possível promover a compreensão dos valores morais e éticos e despertar a cidadania nos alunos. O fragmento do poema Escola é..., de Paulo Freire, representa um pouco do que encontraremos nessa jornada rumo à cidadania. Escola é... O lugar em que se fazem amigos. Não se trata só de prédios, salas, quadros, Programas, horários, conceitos... Escola é, sobretudo, gente Gente que trabalha, que estuda Que alegra, se conhece, se estima. O diretor é gente, O coordenador é gente, O professor é gente, O aluno é gente, Cada funcionário é gente. [...] Fazer amigos, educar-se, ser feliz. É por aqui que podemos começar a melhorar o mundo. Que a semente da ética, da moral e da cidadania floresça em cada um de nós. Abraço, Os autores SUMÁRIO 5 Conhecendo o Manual 7 Estrutura do Livro do aluno 8 Sumário do livro do aluno 9 Planejamento de aulas 10 Mensagem 11 Unidade 1 12 Fundamentação: Início de conversa 13 Objetivos de aprendizagem 14 Grades semanais 16 Páginas do livro do aluno 27 Fundamentação: Qual é a sua marca, professor? 29 Unidade 2 30 Fundamentação: O impacto das atitudes na educação de alto desempenho 31 Objetivos de aprendizagem 32 Grades semanais 34 Páginas do livro do aluno 45 Fundamentação: A escola educa para a vida? 47 Unidade 3 48 Fundamentação: Regras básicas da cidadania 49 Objetivos de aprendizagem 50 Grades semanais 52 Páginas do livro do aluno 59 Fundamentação: Respeite as individualidades 61 Unidade 4 62 Fundamentação: O ato de ensinar e a condição humana 63 Objetivos de aprendizagem 64 Grades semanais 66 Páginas do livro do aluno 77 Fundamentação: Vontade, interesse e necessidade CONHECENDO O MANUAL Este Manual foi concebido para ser um material pedagógico que auxilie o trabalho de professores em sala de aula, por isso apresenta fundamentações, planejamento de aulas em grades semanais, dinâmicas, estrutura e sumário do livro do aluno. ESTRUTURA DO LIVRO DO ALUNO São apresentadas infor- mações sobre a estrutura do livro do aluno, apontando tudo que é necessário para o professor explorá-lo da melhor maneira. SUMÁRIO DO LIVRO DO ALUNO É apresentada a página de su- mário do livro do aluno para que o professor possa ter acesso ao con- teúdo anual que será proposto para as crianças. PLANEJAMENTO DE AULAS O planejamento de aulas foi pensado para 40 semanas com cinco dias letivos, totali- zando 200 dias. FUNDAMENTAÇÃO: Os textos apresentados têm, em geral, caráter de formação, ou seja, foram se- lecionados para dar embasa- mento e segurança ao profes- sor em relação ao trabalho diário com as crianças. 5 PÁGINAS DO LIVRO DO ALUNO São apresentadas as páginas do livro do aluno propostas para serem trabalhadas ao longo da semana. Esta seção acompanha as orientações didáticas ou, em algumas semanas, sugestões de atividades. GRADES SEMANAIS Trazem o planejamento semanal dos momentos em que cada área de conhe- cimento deverá ser trabalhada. Inclusive, apresentam breves orientações de ativida- des que poderão ser realizadas em sala de aula e a indi cação das páginas do livro do aluno que deverão ser trabalhadas. Além disso, há espaço para registrar as datas correspondentes às semanas. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Indicam os conteúdos, as habilidades e os objetivos de aprendizagem que serão trabalhados ao longo da unidade. 6 ESTRUTURA DO LIVRO DO ALUNO O livro do aluno está organizado com elementos gráficos específicos: títulos, textos didáticos, atividades, comandos, boxes e imagens. Textos didáticos São textos explicativos que abordam os assuntos de maneira simples, clara e objetiva. Comando No início de cada atividade, são apresen- tados comandos cujo texto, em geral, inicia com a ação que deverá ser feita para a realização da atividade proposta. Isso porque, ao ouvir ou ler o comando, a criança deverá identificar o que deve fazer para realizá-la corretamente. Atividades Seção com propostas de atividades relacionadas aos conteúdos e assuntos que estão sendo trabalhados, de manei- ra que a construção de conhecimento possa acontecer por meio de sugestões literais, inferenciais e de opinião própria. Título Localiza-se, em geral, antes da apresen- tação de algum conteúdo específico que será trabalhado. 7 SUMÁRIO DO LIVRO DO ALUNO 8 PLANEJAMENTO DE AULAS D ra ze n | s to ck .a do be .c om 9 MENSAGEM ABRA A PORTA Em uma terra em guerra, havia um rei que causava espanto. Cada vez que fazia prisioneiros, não os matava, mas levava-os a uma sala que tinha um grupo de arqueiros em um canto e uma imensa porta de ferro do outro, na qual havia gravadas figuras de caveiras cobertas por sangue. Nesta sala, o rei os fazia ficar em círculo e então dizia: “Vocês podem escolher morrer flechados por meus arqueiros ou passar por aquela porta e por mim lá serem trancados”. Todos os que por ali passa- vam escolhiam serem mortos pelos arqueiros. Ao término da guerra, um soldado, que por muito tempo servia ao rei, disse-lhe: — Senhor, posso lhe fazer uma pergunta? — Diga, soldado. — O que há por detrás da assustadora porta? — Vá e veja. O soldado então abre a porta vagarosamente e percebe que, à medida que o faz, raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente. Quando totalmente aberta, nota que a porta levava a um caminho que conduzia os prisioneiros rumo à liberdade. O soldado, admirado, apenas olha para o seu rei, que diz: — Eu dava a eles a escolha, mas preferiam morrer a arriscar abrir esta porta. Quantas portas deixamos de abrir pelo medo de arriscar? Quantas vezes perdemos a liberdade e morremos por dentro apenas por sentirmos medo de abrir a porta de nossos sonhos? AQUINO, Felipe Queiroz. Histórias para meditar. Lorena: Cléofas, 2012. releon8211 | stock.adobe.com 10 O que vamos estudar: • Escola, lugar de gente feliz • Eu, estudante • A preparação • O caminho 11 INÍCIO DE CONVERSA FUNDAMENTAÇÃO A educação que abraça a interdisciplinaridade navega na importância do passado como gestor de novas épocas, exercendo, paradoxalmente, o imperativo de novas ordens e novos saberes. O processo interdisciplinar desempenha um papel metodológico decisivo de forma indiscutível e ne- cessária para a sistemática da prática pedagógica. Nossa formação escolar ensina-nos a separar os objetivos do seu contexto, as disciplinas umas das outras para não ter de relacioná-las. Essa separação e essa fragmentação das disciplinas são incapazes de captar o que está tecido em conjunto, istocom a sua singularidade. Ela, mãe de cinco filhos, sempre di- zia que não podia educar todos os filhos da mes- ma maneira, pois cada um requeria a educação de um jeito diferente, de acordo com o seu jeito de perceber, sentir e agir. Imagine nós, com quase quarenta alunos em sala de aula, com experiên- cias, culturas, educação familiar, modos de agir, pensar e sentir tão distintos! Precisamos aprender a reconhecer e respeitar essas individualidades para darmos contas de ensinarmos a todos. SILVA, Solimar. 50 atitudes do professor de sucesso. Petrópolis: Vozes, 2014. 60 O que vamos estudar: • Quem dirige a escola • Mestre, um sábio que ama • O porteiro • Hora da limpeza 61 FUNDAMENTAÇÃO O ATO DE ENSINAR E A CONDIÇÃO HUMANA Poucas ocupações exigem tanto quanto a do professor, que é permanentemente exposto aos estudantes que deve formar. A palavra professor vem de professar, que, além de lecionar, significa “declarar publicamente uma convicção ou um compromisso de conduta, como a de uma profissão”. Não por acaso, as duas têm a mesma raiz. Nós, mestres, somos profissio- nais em vários sentidos: por ensinarmos e por nos comprometermos com condutas de trabalho — em uma atividade que exige a contínua exposição de convicções. Essa condição também envolve res- ponsabilidades múltiplas, com conhecimentos e procedimentos, especialmente por lidarmos com muitos jovens e crianças e por um tempo longo. Precisamos nos lembrar disso não para nos sentirmos mais importantes do que já somos, mas para termos consciência de que, no desempenho dessa função social, não dá para ignorar limita- ções pessoais e problemas, ou seja, nossa condi- ção humana. Outras profissões também dependem fortemente do discernimento e das condições individuais de quem as exerce. Um motorista de ônibus, por exemplo, mais do que um condutor de toneladas de aço sobre rodas, sabe que curva fe- chada não combina com noite mal dormida e pode custar vidas. As responsabilidades do educador, ainda mais complexas, são cumpridas em circunstâncias mui- to especiais, sob permanente exposição a dezenas de olhares daqueles que pretendemos formar. Aliás, os alunos não são passageiros e não nos consideram somente condutores de classes ou es- pecialistas em Ciências ou Arte. Eles nos enxergam também como alguém que está com blusa colorida e sorriso animado, calça amarrotada e olheiras ou tênis novos e expressão impaciente. Da mesma forma, a turma não vê palavras e números sur- girem no quadro e se converterem em sons, mas acompanham a mão firme ou trêmula segurando o giz e o tom grave ou agudo da voz que explica. Esta é uma inevitável contingência do trabalho, diante da qual é preciso se posicionar. Devemos nos proteger — sob a pretensa objetividade da função — ou expor, sem preocupação, nossa fra- gilidade? A observação de colegas — e é mais fácil avaliar os outros — revela uma variedade de com- portamentos. Em um extremo, a ostensiva displi- cência dos que contaminam o convívio profissional com frustrações e raivas. Em outro, a blindagem dos que se escondem sob máscaras inexpressivas, como se, em vida de educar, não coubessem sen- timentos. É nesse conjunto de atitudes que cada um pode se situar perguntando: “E eu, como me comporto?”. No corpo docente de uma escola, há diferentes gêneros, preferências, estilos e situações de vida, mas nem todo comportamento é compatível com a função docente, pois a arte-ciência da profissão exige convívio, com respeito à condição dos outros (e também à própria), e o reconhecimento dos limites nessa recíproca exposição. Os meninos e as meninas que educamos constituem uma enorme diversidade, e só percebendo nossa condição fica- mos atentos à deles também. Essa compreensão, no entanto, não se sustenta sem uma clara deter- minação para promover a aprendizagem, com boas exposições e a participação dos alunos nas aulas. É isso que assegura o respeito às fragilidades que podemos ter ou mesmo a admiração às nossas es- pecificidades por parte dos jovens interlocutores. Ao sair para o trabalho, mesmo preocupados com a nova ruga flagrada no espelho ou a diferen- ça entre o saldo bancário e a prestação vencida, investimo-nos da “persona” professoral. Sensível, sim, mas profissional. Esse nosso personagem contracena com os estudantes, com o fluxo de questões que apresentam e com os projetos que têm e se cruzam com os nossos — nós e eles so- mos seres incompletos. A compreensão desse fato permite encontrá-los em uma relação mediada pelo conhecimento, mas sem o temor de revelar as nossas dúvidas ao considerar as deles. Nova Escola. Ano XXIV, n. 223. São Paulo: Abril, junho-julho, 2009. 62 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Conteúdos • Quem dirige a escola • Mestre, um sábio que ama • O porteiro • Hora da limpeza Habilidades • Identificar quem dirige a escola, bem como suas principais responsabilidades para que a escola tenha um bom desenvolvimento. • Reconhecer a importância do porteiro como responsável pela segurança da escola, bem como valorizar o seu trabalho e a sua colaboração para a construção da comunidade escolar. • Compreender que todo ambiente deve-se manter limpo e saudável para o bem-estar geral. • Conhecer os profissionais responsáveis pela limpeza da escola. • Respeitar os atores que compõem a comunidade escolar, bem como suas respectivas funções. • Ter consciência de manter limpo e saudável o ambiente escolar, bem como a importância de mantê-lo organizado. Metodologia • Elaborar algumas perguntas para entrevistar o responsável por dirigir a escola. Depois, socializar a atividade com toda a turma. • Pesquisar quais as principais atividades que o porteiro exerce. • Anotar todas as informações e debatê-las em sala. • Levar, à sala, histórias, livros de literatura infantil, charges ou parlendas sobre os valores éticos que são construídos por meio das relações entre as pessoas na sala de aula e refletir sobre isso. • Propor um dia de limpeza, mobilizando toda a comunidade escolar. As tarefas podem ser divididas por turma, em que cada uma fique responsável por uma etapa da limpeza. N ik is h H ir am an /p eo pl ei m ag es .c om | st oc k. ad ob e. co m 63 GRADES SEMANAIS a 32ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – Quem dirige a escola – páginas 38 e 39 Orientação didática: Proponha, aos alunos, que elaborem um questionário e escolham alguns integrantes que compõem a comunidade escolar para responderem às perguntas. Em seguida, solicite-lhes que socializem a pesqui- sa realizada com toda a turma, relatando a experiência. 33ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – Mestre, um sábio que ama – página 40 Orientação didática: Ensine aos alunos a importância de respeitar o professor como figura de autoridade e como alguém que está ali para ajudá-los a aprender e crescer. Mostre como os professores ajudam os alunos a adquirirem conhecimento e desenvolverem habilidades importantes para a vida. 34ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – Mestre, um sábio que ama – página 41 Orientação didática: Incentive o estabelecimento de uma relação de confiança entre alunos e professores. Mostre que os professores estão lá para apoiar e guiar os alunos em seu desenvolvimento escolar e pessoal. 31ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – Dinâmica – página 37 Túnel festivo Pede-se à turma que crie um túnel na sala, com educandos de um lado e de outro. O educador explica - -lhes que cada um irá passar pelo túnel, e, nesse mo mento, todos deverão se transformar em uma grande torcida para o educando que se encontra no túnel, como se este fosse o campeão. Poderão bater palmas, gritar o nome dele, parabeni zar, elogiar, sempre com palavras ou ações que o fa- çam feliz. A regra é: não pode tocar no educando que está passando. Solicita-se a cada educando que, em sua vez, passe bem devagar pelo meio do túnel, sem desistir e, ape nas, ouvindo os colegas. O educador segue chaman do cada um, até todos terminarem a passagem. WENDEL, Ney. Praticando a gentilezaem sala de aula. Recife: Prazer de Ler, 2012. Trocando ideias • O que você sentiu ao passar pelo túnel? • Você gostou de ouvir o seu nome e as expressões de incentivo faladas pelos colegas? Por quê? • Comente com os colegas quais as dificuldades e as conquistas do grupo em fazer a atividade. 64 35ª SEMANA 36ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – O porteiro – páginas 42 e 43 Orientação didática: Explique que o porteiro é a primeira pessoa que os alunos veem quando chegam à escola. Destaque a importância da função de receber e cuidar dos alunos. Enfatize como o porteiro contribui para criar um ambiente escolar seguro. Explique que ele desempenha o papel fundamental de garantir a segurança dos alunos. 37ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – Hora da limpeza – páginas 44 e 45 Orientação didática: Explique as diversas tarefas desempenhadas pelo zelador para manter a escola limpa, organizada e funcional. Destaque como ele contribui para o bem-estar de todos. Enfatize a importância de respeitar o ambiente escolar e reconhecer o trabalho do zelador ao manter o espaço escolar em boa condição. 38ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – Hora da limpeza – página 46 Orientação didática: Convide profissionais que trabalham com a limpeza de espaços públicos ou privados para compartilha- rem as próprias experiências com os alunos. Proporcione um momento de reflexão sobre como essas ações impactam a vida de todos. 39ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – Hora da limpeza – páginas 47 e 48 Orientação didática: Convide os alunos a participarem de um momento de limpeza de espaço da escola e compartilharem as próprias experiências uns com os outros. Proporcione um momento de reflexão sobre a manutenção desses espaços para a realização de atividades escolares cotidianas. 40ª SEMANA Semana de avaliação Orientação didática: Confeccione com a turma caixas com as cores dos tipos de lixo: azul, para papel/papelão; vermelho, para plástico; verde, para vidro; amarelo, para metal; preto, para madeira; e marrom, para lixo orgâni- co. Leve 6 caixas de papelão, tinta e pincel para confeccionar as caixas. Semana de revisão Orientação didática: Em círculo, sente-se com os alunos no chão e peça-lhes que pintem em um papel, com tinta a dedo, ima- gens que demonstram respeito ao professor. Depois, exponha as produções em um mural, na sala de aula. 65 ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA A unidade começa com a apresentação do or- ganismo escolar e de seus colaboradores, diretos e indiretos, e do processo de ensino e aprendizagem. O foco aqui é a visibilidade desse funcionamento para as crianças, a fim de que entendam e se sintam corresponsáveis pelo andamento das atividades. Dar visibilidade aos funcionários de uma escola é de fundamental importância nessa fase da edu- cação das crianças. Fazê-las entender que todos são parte do processo de ensino e aprendizagem é um excelente exercício de cidadania e previne 38 situações inadequadas de comportamento. Dar ênfase a esses funcionários no processo educati- vo das crianças é formar futuros cidadãos. pe op le im ag es .c om | st oc k. ad ob e. co m 6666 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA ANOTAÇÕES Faça uma lista das pessoas que trabalham na escola e que tenham contato com as crianças. Sorteie com os alunos o nome dos funcioná- rios. Peça que façam uma homenagem ao funcionário sorteado. Esta pode ser feita por meio de desenhos, bilhetinhos, músicas ou oralmente. Explique-lhes que o trabalho que eles exercem é importante para todos. Promova um passeio pela escola, para as crianças conhecerem as dependências e os funcionários que trabalham naqueles setores. Depois, desenhe a escola e o funcionário de que o aluno mais gosta. Peça que escreva o nome do funcionário escolhido. Faça um mural com as produções dos alunos. 39 6767 ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA Nesta seção, a reflexão cidadã gira em torno do papel social do professor. É sempre bom refor- çar com as crianças a importância dos mestres e fazer com que reconheçam a relevância da pre- sença deles em nossa vida, para a formação do ser humano em sua integralidade. As atividades propostas para esta seção visam estabelecer uma relação saudável e produtiva en- 40 tre professor e aluno. Cada vez mais precisamos de aporte profissional e instrumental para preservar essa relação como deve ser. Esse tipo de atividade estimula as crianças a assim procederem, ativando a conscientização delas acerca da moral e da ética nas relações humanas, sobretudo na escola. 6868 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Solicite aos alunos, separados em grupos, que pesquisem, em revistas, livros ou na Internet, imagens de professores. Em seguida, peça-lhes que confeccionem um cartaz, colando as imagens pesquisadas, e, ao lado delas, desenhem um pro- fessor da escola em que estudam. Exponha os trabalhos na sala de aula e, se houver possibilidade, convide outros professores da instituição para observar as atividades. Orien- te os alunos para recebê-los da melhor maneira possível. 41 A teia de agradecimento Em círculo, sente com os alunos no chão. Pegue um rolo de barbante, segure a ponta e pergunte, escolhendo um aluno: “Por que você gosta do seu professor?”. Logo após, jogue o rolo para o aluno escolhido. A criança agarra o rolo, segura o barbante, responde à pergunta e joga-o para o próximo escolhido. Não pode soltar o barbante. No final, torna-se uma teia grande de agradeci- mentos ao professor. 6969 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA 42 Peça aos alunos que desenhem o porteiro e escrevam o que quiserem para ele. Depois, confeccione uma caixa, coloque tudo dentro dela e feche-a com uma fita. Convide o porteiro até a sua sala de aula, e, com seus alunos, ofereçam-lhe a caixa de presente. O porteiro (ou recepcionista) é uma figura quase folclórica em todas escolas, mas não raras vezes, infelizmente, ele passa pela vida dos alunos como um mero desconhecido. O educador pode promover um momento em que o porteiro da escola vai ser objeto de estudo, em que os alunos vão lançar per- guntas sobre a experiência de trabalhar na instituição, a vida pessoal dele, etc. O objetivo é estreitar os laços e dar um rosto e voz ao “moço do portão”. 7070 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA 43 Na aula anterior a esta, peça aos alunos que confeccionem um pequeno cartaz, com papel- -ofício ou meia cartolina e hidrocor, com dizeres cordiais; e, no centro do cartaz, frases como: “Bom dia, (nome do/a funcionário/a)! Bom traba- lho!”, “Bom dia, (nome do/a funcionário/a)! Uma ótima semana para você!”, “Bom dia, (nome do/a funcionário/a)! Obrigado(a) por estar com a gen- te!”, “Bom dia, (nome do/a funcionário/a)! Você é muito importante para todos nós!”, etc. Esse pe- queno gesto estreitará os laços entre as crianças e os funcionários internos da escola. Lembrete: um dia antes desta aula, relembre aos alunos esta atividade. Os exercícios propostos têm como objetivo fir- mar que o porteiro/recepcionista, como qualquer outro profissional, é uma pessoa como nós e que devemos tratá-lo com a cordialidade e o respeito com que tratamos a qualquer trabalhador. 7171 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA 44 Nesta seção, o nosso trabalho se volta para o profissional de serviços gerais, como forma de valorizar seu trabalho e fazer com que seja tratado com respeito e carinho no am- biente escolar. É uma excelente oportunidade de reflexão e aprendizado sobre a questão. Supervisores do pátio: a cada semana, uma sala ficará responsável pela limpeza do pátio na hora do recreio. Peça aos alunos que se espalhem pelo pátio, ao lado dos cestos de lixo. Toda vez que uma criança jogar algo no local errado (por exemplo, o papel no cesto de metal), o supervisor que estiver por perto explica a ela o procedimento correto. WavebreakMediaMicro | stock.adobe.com 7272 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA 45 ANOTAÇÕES O exercício está em consonância com o texto da seção, fazendo ecoar o tema abordado. Duran- te as rodas de conversa ou os pequenos debates, é interessante retomar o assunto com as crianças comomodo de fixação da lição. Os exercícios propostos para esta página abordam o tema de maneira lúdica, um incenti- vo a mais para uma prática cidadã no ambiente escolar. 7373 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA 46 Cante com os seus alunos o rap da limpeza. Rap da limpeza Patrícia Engel Secco Escute nosso grito, não é um cochicho. Papel e casca só se põem no lixo. Não é para sujar, a ordem é limpar. Mãe natureza, devemos preservar. Não para a sujeira, não, não, não. Viva a lixeira, viva. É só lembrar que a ordem é cuidar. Mãe natureza vai agradecer. Rap da limpeza — joga no lixo! Rap da limpeza — muito legal! Rap da limpeza — joga no lixo! Rap da limpeza — é genial! Depois de cantar a canção com os seus alunos, confeccione com eles cartazes relacionados a uma boa limpeza no ambiente escolar e fixe-os nos corredores da escola. 7474 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA 47 ANOTAÇÕES Incentive os alunos a realizarem a coleta seleti- va do lixo na escola, visando à reciclagem. Devem jogar os papéis na lata azul, plásticos na vermelha, metais na amarela e vidros, na verde. Os alunos perceberão como é difícil mudar hábitos coletivos, mas terão uma oportunidade sem igual de exercer a cidadania. Professor, confeccione com os alunos alguns brinquedos com os materiais reciclados que eles coletaram, como: carrinho, avião, porquinho (cofre). 7575 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA VAMOS CANTAR! Lixo no capricho Júlio e sua turma (A Turma do Cocoricó) Lixo deixa de ser lixo, vidro, lata ou papelão, lixo aqui é bem tratado, não vai pro lixão. O lixo é separado, por tipo de material, plástico, papel, vidro e metal. Aí o lixo é muito bem lavado, depois o material é transportado. 48 Cada material vai pra um local, a reciclagem é muito legal. O plástico é reciclado aqui neste galpão, depois de derretido ele parece um macarrão. Aí ele é cortado em pedacinhos de montão e embalado em sacos que vão para um caminhão. Lixo deixa de ser lixo no capricho, o lixo fica novo e volta a dar sua viagem. Lavado, separado, embalado, transportado, fabricado, lixo aqui é reciclado (bis). Disponível em: https://lyrics.lyricfind.com/lyrics/a-turma-do-cocorico-lixo- -no-capricho. Acesso em: 14 dez. 2023. 7676 FUNDAMENTAÇÃO VONTADE, INTERESSE E NECESSIDADE Para aprender e ensinar, é necessário desejar. Termômetro de vida é o desejo, a constatação da falta. O desejo nos mantém despertos, acesos na busca do que nos falta. E sempre nos falta… Somos sujeitos porque desejamos, sonhamos, criamos. O desejo nos impulsiona na nossa curio- sidade de encontrar respostas, na nossa vontade de fazer, no nosso interesse de conhecer, na nossa necessidade de aprender. Vontade, interesse e necessidade são mo- vimentos do ato de desejar. Os três são ações desejantes, são movimentos do desejo na ação de aprender. A função do educador, enquanto leitor de desejos, é, dentro do seu ensinar, aprender a ler: vontade, interesse e necessidade. Para, assim, instrumentalizar os educandos, possibilitar que assumam a condução de seus desejos, seu destino, sua autonomia. A vontade é um desejo que explode, manifesta- -se com força, mas que, na primeira dificuldade, esmorece. A vontade é fugaz; na mesma rapidez com que surge, pode desaparecer. A vontade é frágil, necessita ser educada. É o movimento do desejar mais fácil de ser lido pelo educador. A função do educador nesse momento é “se- gurar” a vontade do educando. Dar apoio e ins- trumentos para que enfrente as dificuldades no exercício de sua vontade. Exigir o compromisso com o exercício que se colocou anteriormente. O interesse é a delimitação do que se quer co- nhecer, é mais persistente na sua duração. É capaz de perdurar aos primeiros desafios e é buscado com maior clareza por parte do educando. O interesse é verbalizado claramente e também fundamentado na sua busca. O interesse também é claro em sua leitura pelo educador. A função do educador é de instrumentalizador dos interesses com proposta de atividades, tare- fas delimitadas que informem sobre seu conteú- do, para ir aprofundando seu estudo. A necessidade, esta sim, é mais difícil de ser lida… A necessidade vem encoberta, vem expres- sa em uma pequena pergunta, em uma informa- ção, encobrindo um interesse ou uma vontade. Em outras situações, o educando não consegue ex- pressar suas inquietações nem dúvidas, estamos diante de uma necessidade. O desafio do educador em seu ensinar é ir construindo-se como leitor de faltas, de desejos, procurando provocar o desequilíbrio entre os sa- beres no grupo, para que as necessidades, os inte- resses e as vontades venham sendo explicitados, e, assim, possa alimentá-los teoricamente para que a aprendizagem e a mudança aconteçam. O educador no seu ensinar tem, juntamente com o grupo, seus alunos, a sistematização dos conhecimentos, dando o laço nas pontas dos fios (conteúdos pedagógicos) que está tecendo. Os fios sempre necessitam de laços (vínculos) entremeados para construírem a teia do tecido do grupo. Rawpixel.com | stock.adobe.com 77 Fios soltos, abertos, não tecem o tecido do conhecimento nem do grupo. Fios frouxos, sem o rigor que a construção do conhecimento exige, produz tecido (texto) irregu- lar, compondo um todo frágil de pouca resistência (pedagógica) e durabilidade (de mais uma moda pedagógica). O educador tece amarrando os conteúdos, enlaçando os fios para a composição do tecido peda- gógico (produto) do grupo. Para isso, ele necessita educar sua mão (sensibilidade e razão) para saber determinar, direcionar com rigor, a força que cada “laçada” (conteúdo) ou “ponto” exige, pois, quando esta força é demasiada, produz nó cego. O resultado é um tecido rijo, sem flexibilidade (sem fluência na aprendizagem), sem maciez (prazer pela conquista do produto de cada um e de todos). O difícil para o educador é tecer seu ensinar como o bicho-da-seda, em um trabalho de formiga, mas também de cigarra, que esbanja alegria no seu cotidiano, amarrando — sistematizando, ponto a ponto, com a força e a diretividade adequadas, rigorosas e cotidianamente — os fios, buscando a construção da maciez densa do veludo e a leveza consistente da seda pedagógica. Todo educador tem que educar essa capacidade tão essencial de perguntar, que nos impulsiona à vitalidade de pensar, pesquisar, aprender. Assim, o registrar de sua reflexão cotidiana significa abrir-se para seu processo de aprendizagem, pois aquele que ensina aprende e é um modelo de aprendiz para seus alunos no seu ensinar. O educador é um alfabetizador Percebe-se que o exercício de leitor e escritor da realidade não é tarefa fácil. Requer disponibilida- de para realfabetizar-se em outra concepção de educação. Reaprender a olhar — romper com visões cegas, esvaziadas de significados — na busca de interpretar, dar significados ao que vemos e lemos da realidade é o principal desafio. Essa postura fundamenta a função do educador como alfabetizador. Alfabetizador entendido, aqui, como aquele que lida não apenas com a linguagem escrita, mas também com outras linguagens e em qualquer faixa etária. É leitor e escritor de textos também visuais, corpo- rais, sonoros, etc. A questão não se resume em criar ambientes alfabetizadores na língua escrita. É bem maior que isso! O desafio está em acompanhar o processo de realfabetização (pensamento e reflexão) desse educador. Realfabetização nas várias linguagens em que seu pensamento e sua leitura de mundo exercitam-se. vectorfusionart | stock.adobe.com 78 Para isso, temos de criar espaços sistematizados de acom- panhamento, com intervenções e encaminhamentos em: Prática estética Espaço onde esse educador entra em contato com seu processo criador em outras linguagens — verbal e não verbal —, apurando seu ser-sensível. Espaço de desvelar/ampliar seus referenciais pessoais e culturais para exercitar tam- bém a organização, a sistematização e a apropriação de seu pensamento. Aprendemos porque simbolizamos, experienciamos, pesqui- samos, envolvemo-nos com nossofazer e com o do outro, seja criança ou artista. Aprendizagem do fazer, do ler, do pensar, do expressar e comunicar ideias e sentimentos. Nova alfabetiza- ção com outros códigos, instrumentalizando o sujeito-autor. Prática reflexiva sobre a ação pedagógica Aprendemos a pensar junto com o outro, em um grupo coordenado por um educador na função de coordenador. Aprendemos a ler, construindo novas hipóteses na interação com o outro. Aprendemos a escrever, organizando nossas hipóteses no confronto com as hipóteses do outro. Aprendemos a refletir, estruturando nossas hipóteses na in- teração e na troca com o grupo. A ação, a interação e a troca, movem o processo de aprendizagem. A função do educador (estando ele como professor, coordenador ou diretor) é inte- ragir com seus educandos para coordenar a troca na busca do conhecimento. A socialização da reflexão sobre a prática move o processo de formação permanente. Pensar sobre a prática sem o seu registro é um patamar da reflexão. Outro, bem distinto, é ter o pensamento registrado por escrito. O primeiro fica na oralidade, não possibilitando a ação de revisão, ficando no campo das lembranças. O segundo, força o dis- tanciamento, revelando o produto do próprio pensamento, possibi- litando rever, corrigir, aprofundar ideias, ampliar o próprio pensar. É nesse sentido que a reflexão trabalha o pensamento, e o seu registro permite que se supere o mundo das lembranças. A refle- xão registrada tece a memória, a história do sujeito e do seu grupo. Sem a sistematização deste registro refletido, não há apropriação do pensamento do sujeito-autor e dificilmente poderemos gestar esse educador alfabetizador. Sujeito alienado do próprio pensa- mento torna-se um mero copiador da teoria de outros. sh ar pl an in ac | st oc k. ad ob e. co m 79 Prática teórica Espaço de estudo, enraizado nos conteúdos do educando (sua realidade significativa), também nos conteúdos do educador e nos da matéria. Aprendemos porque damos significados à realidade, porque buscamos, desejamos desvelar o porquê do que não conhecemos. Toda busca de saber nasce de uma inquietação, da falta que emana da prática. Prática reveladora de uma concepção teórica que a fundamenta. Dominar, pelo estudo, o modelo teórico que nos inspira e voltar-se à prática para recriá-la é tarefa de estudioso.... Aquele que estuda a realidade pedagógica e teórica. Portanto, estamos desvelando um sujeito que é autor de seu pensamento, que faz prática e teoria. Falar em construtivismo, sociointeracionismo, sujeito-pensante, construtor de conhecimento sem possibilitar o acompanhamento desse pensamento reflexivo dos professores é falar no vazio. Para formar um educador, sob a inspiração deste marco teórico, faz-se necessário resgatar o que esse educador sabe, pensa e reflete para, inserido nesse conteúdo, iniciarmos o processo de informação teórica e, ao mesmo tempo, de acompanhamento de sua reflexão. FREIRE, Madalena. Educador, educa a dor. São Paulo: Paz e Terra, 2008. Monkey Business | stock.adobe.com 80é, o complexo. A prática educativa orienta a redução do complexo ao simples, separa o que está ligado, unifica o que é múltiplo, elimina tudo o que causa desordem ou contradição para o nosso entendimento, não se pode sistematizar aquilo que não se sabe. A interdisciplinaridade pauta-se na ação do movimento, o que exige uma imersão de estudo cotidiano, um exercício de pensar e alimentar-se, para consolidar a compreensão interdisciplinar, uma atitude ante a questão do conhecimento, de abertura ao ato de aprender. Este livro não pretende apenas apresentar teorias, mas desafiar você, educador, a refletir suas ações pedagógicas diante do contexto inter- disciplinar discutido, sendo assim, vamos dialo- gar, entre os capítulos, as teorias embasadas em: Gusdorf (1967), Japiassu (19760) e Fazenda (2002; 2006). Quando se coloca a questão da interdisci- plinaridade, pensa-se em um processo integrador, articulado, orgânico, de tal modo que supere a fragmentação do ensino mediante uma visão glo- bal de mundo, de uma articulação entre totalida- de e unidade, objetivando a formação integral do ser, capaz de enfrentar os problemas complexos, amplos e globais da sociedade moderna. A fundamentação, mesmo que de forma sucin- ta, busca compreender os fenômenos que englo- bam o saber interdisciplinar, partindo de concep- ções e contextos educacionais, do pensamento complexo, da retrospectiva histórica na evolução dos estudos interdisciplinares, da fundamentação teórico-metodológica, da interdisciplinaridade e transversalidade na educação: questões de atitu- de e contribuições no fazer pedagógico. A prática interdisciplinar deve ter uma me- todologia baseada em alguns princípios, como: humildade, coerência, espera, desapego e, princi- palmente, respeito. Um processo integrador, arti- culador orgânico, de tal modo que supere a frag- mentação do ensino mediante uma visão global de mundo entre totalidade e unidade, objetivando a formação integral do ser capaz de enfrentar os problemas complexos, amplos e globais da socie- dade moderna. É preciso e urgente a conscientização de que chegamos ao limite da resistência e precisamos acompanhar o desenvolvimento científico. Aten- der às novas demandas da sociedade e romper com paradigmas ultrapassados que impedem o crescer, lançar-se para novas conquistas, estes são os maiores desafios do indivíduo, do grupo e da sociedade como um todo. Em um filme que contava a história de Nelson Mandela, escutei uma frase proferida pelo autor, a qual me reportou à interdisciplinaridade. Propo- nho que todos nós nos apropriemos do teor das palavras da referida frase: “Se não posso mudar com o outro, como posso esperar que o outro mude sozinho?”. Percebe-se aí a importância da parceria humana. O fim do paradigma da frag- mentação do todo em meras partes, em busca de uma percepção de que as partes compõem o todo; assim é a proposta da interdisciplinaridade. FERREIRA, Sandra Batista. Interdisciplinaridade: a complexidade entre o saber e o fazer pedagógico. Recife: FASA, 2016. 12 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM CONTEÚDOS • Escola, lugar de gente feliz • Eu, estudante • A preparação • O caminho HABILIDADES • Reconhecer que a escola é um lugar para a boa convivência, para construir as relações interpes- soais, aprender, etc. • Valorizar o espaço escolar. • Refletir os motivos pelos quais toda criança deve ir à escola. • Reconhecer a importância de estudar e de frequentar a escola. METODOLOGIA • Elaborar um mural expondo as coisas positivas que uma escola pode oferecer ao aluno. Em seguida, escrever uma frase baseando-se nas ideias contidas no mural. • Pesquisar o porquê de muitas crianças não estudarem. Em seguida, propor soluções para melhorar essa situação, construindo um cartaz ilustrativo sobre a importância de estudar. D ra ze n | s to ck .a do be .c om 13 Semana de adaptação – Eu, estudante – página 11 Ensine e reforce a importância de bons hábitos de estudo, como organização, disciplina e concentração. Desperte a curiosidade dos alunos, incentivando-os a fazer perguntas, explorar tópicos adicionais e buscar conhecimento além do que é ensinado em sala de aula. 4ª SEMANA GRADES SEMANAIS 2ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – Escola, lugar de gente feliz – páginas 6, 7 e 8 Orientação didática: Estabeleça um ambiente de aprendizagem positivo, acolhedor e seguro, onde os alunos sintam-se à vontade para expressar ideias e dúvidas. Reconheça e celebre as conquistas individuais e coletivas dos estudantes. Demonstre que a escola é um lugar para explorar, aprender e questionar, contribuindo para o desenvolvimento do pensamento crítico. 3ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – Eu, estudante – páginas 9 e 10 Orientação didática: Enfatize a escola como um espaço de convívio social, onde os alunos têm a oportunidade de desen- volver habilidades interpessoais, como comunicação, colaboração e respeito às diferenças. Promova atividades que incentivem a cooperação e o trabalho em equipe. GRADES SEMANAIS a 14 Semana de adaptação – Dinâmica – página 5 • Cada aluno irá cuidar de um colega, durante a aula e durante o intervalo, um ajudando o outro em alguma dificuldade que possa surgir, sempre respeitando as diferenças entre eles. Depois, registre, em forma de desenho, as ações que fizeram. • Liste com os alunos as diferenças mais comuns entre as pessoas, sempre valorizando as qualidades de cada uma delas. • Faça um mural com a seguinte questão: O que podemos fazer na escola e em casa para construir uma melhor convivência, regada a respeito e afeto pelas outras pessoas? Trocando ideias • Como você se sentiu sendo cuidado por um colega? • Você gostou mais de cuidar ou de ser cuidado? Por quê? • Você sentiu alguma dificuldade durante as situações vivenciadas? Quais? 1ª SEMANA 5ª SEMANA Semana de revisão Orientação didática: Organize atividades em grupo que incentivem a colaboração e a ajuda mútua no ambiente escolar. Essas atividades podem incluir projetos de arte, jogos cooperativos ou tarefas em equipe. Abra espaço para discussões sobre sentimentos. Explore como é se colocar no lugar dos outros e como pequenas ações podem fazer alguém se sentir melhor. 6ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – A preparação – páginas 12 e 13 Orientação didática: Ajude os alunos a compreenderem a importância da escola para o desenvolvimento futuro deles, desta- cando como o aprendizado contribui para o crescimento pessoal e profissional. Encoraje a autodiscipli- na e a responsabilidade pelos próprios estudos. 7ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – O caminho – página 14 Orientação didática: Solicite à turma que construa um cartaz com os locais por onde eles passam todos os dias para chegar na escola. Depois, peça-lhes que o apresentem aos colegas. 8ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – O caminho – página 15 Orientação didática: Explique aos alunos a importância de estarmos atentos ao atravessar a rua, de entendermos os sinais de trânsito e de olharmos para um lado e para o outro antes de atravessar a rua. 9ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – O caminho – página 16 Orientação didática: Converse com os alunos sobre a importância de sempre usar o cinto de segurança ao entrar no carro, in- dependentemente da distância do destino. Produza, previamente, cintos de segurança e realize uma simu- lação, em sala, em que os alunos entram em um carro e, antes de o motorista dar partida, todos colocam o cinto de segurança. 10ª SEMANA Semana de avaliação Orientação didática: Simule, com os alunos, um percurso saindo de casa até a escola. Com papelão, faça a fachada de al- guns comércios, da escola, etc. Produza também um semáforo e ensine-lhes o que cada cor significa. 15 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA ANOTAÇÕES Antes de iniciar a leitura do texto de abertura, propicie, entre as crianças, um momento de fa- miliarização. Deixe-as à vontade para fazer per- guntas e informe-lhes que elas podem contar com você quando precisarem. Converse sobre as ativi- dadesque normalmente acontecem no ambiente escolar para que tomem ciência de que este é um local de aprendizado, atividades, diversão, troca de conhecimento e experiências. 6 1616 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Terminada a leitura da página anterior, proponha uma dinâmica em sala de aula. Solicite às crianças que organi- zem os próprios assentos em um círculo; todos voltados para dentro dele. Em seguida, peça-lhes, uma por uma, no sentido horário, que se apresentem para a turma e que digam o nome, a idade, de qual escola vieram, onde moram, etc. 7 raysay / luismolinero | stock.adobe.com 1717 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Incentive os alunos a realizarem uma campanha visando o respeito. Os alunos perceberão como é difícil mudar hábitos coletivos, mas terão uma oportunidade sem igual de exercer a cidadania. Forme um círculo com os alunos no chão e pergunte o que eles gostariam que exis- tisse na escola. Pegue a cartolina e escreva tudo o que eles falarem. Chame a direção para ver se a escola pode realizar alguns pedidos. 8 Mirko Raatz | stock.adobe.com 1818 ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA RESPONSABILIDADE SE APRENDE DESDE CEDO Autonomia e resiliência A responsabilidade é uma aprendizagem que qual- quer ser humano pode adquirir. É um processo que se desenvolve principalmente no período da infância até a adolescência. “Crianças que são estimuladas a colabo- rar desde cedo têm mais habilidade para organizar-se, traçar objetivos e realizar tarefas complexas ao longo da vida. Além disso, aprendem a viver com autonomia e desenvolvem a resiliência”, afirma a pedagoga Fernan- da Mello de Moura, analista de programação social do 9 R aw pi xe l.c om / st oc k. ad ob e. co m Sesc-SC, na área de Educação. Para a educadora, dar espaço para crianças e adolescentes desenvolverem a autonomia não signi- fica que não precisam do apoio e da proximidade da família. “Eles estão em processo de aprendizagem, por isso é importante entenderem que a realização de suas tarefas não é algo sem sentido, imposto pelos pais, mas faz parte da vida, dos cuidados necessários consigo, com os outros e com o entorno”, explica. Disponível em: https://www.sesc-sc.com.br/educacao/responsabilidade- -se-aprende-desde-cedo. Acesso em: 14 dez. 2023. Adaptado. 1919 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Foque na construção de relacionamentos posi- tivos entre os alunos. Atividades que incentivem a amizade e o respeito mútuo são essenciais. Ensi- ne-os a expressar gratidão e a oferecer elogios sinceros ao serem ajudados. Isso cria um ambien- te positivo e promove relacionamentos saudáveis. Por fim, destaque a importância da inclu- são, independentemente das diferenças. Mostre como cada pessoa contribui para a riqueza da socialização. 10 Pixel-Shot | stock.adobe.com 2020 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA ANOTAÇÕES Enfatize a importância do compartilhamento e da colaboração durante as atividades lúdicas, ensinando os alunos a trabalharem juntos de maneira construtiva. Conte histórias que destaquem a importância de se fazer amigos. Discussões após a leitura podem ajudar os alunos a compreenderem os conceitos apresentados. Celebre as ações solidárias entre eles. Isso reforça a importância desses comportamentos e incentiva a continuidade das práticas solidárias. 11 2121 ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA Saiba o que a escola pode fazer para tornar a adaptação escolar acolhedora 12 O início da vida escolar envolve muitas in- seguranças para os alunos e as famílias. Por isso, é fundamental que a instituição de ensino saiba acolher ambos os lados durante a fase de adaptação escolar, para tornar essa experiên- cia menos traumática. Com a quebra de rotina e o contato maior com pessoas de fora do núcleo familiar, a criança se sente vulnerável e pode apresentar diversas manifestações emocionais. Por isso, é fundamental que a escola saiba identificar quando o aluno está com dificuldades para se adaptar à nova rotina, para poder contor- nar a situação da melhor forma. Continua... 2222 13 Quais são os problemas mais comuns na fase de adaptação escolar? Algumas manifestações emocionais são comuns na adaptação escolar. Mas caso elas persistam ou sejam muito intensas, a escola e a família precisam buscar formas de entender melhor as causas do problema. Crises de choro As crises de choro são comuns durante a adaptação escolar, sobretudo quando os pais vão embora da escola. Com a quebra na rotina e o estranhamento quanto ao ambiente escolar, é normal a criança chorar na porta da escola. Isso pode acontecer no primeiro dia do ano letivo ou ao longo de vários dias. Independentemente da frequência, essa manifestação emocional não deve ser ignorada pela escola ou pela família por ser uma forma de a criança demonstrar que está com medo. Quando isso acontecer, é importante que o aluno seja devidamente acolhido. Continua... 23 14 Na hora da despedida, por exemplo, os pais devem dizer à criança que eles vão voltar em breve para buscá-la e que ela não está sozinha. Além disso, a família deve evitar sair de surpresa da escola, pois o aluno pode ficar com a sensação de que foi abandonado. É importante que os pais passem total segurança aos filhos nessa fase de adaptação escolar. Mas vale lembrar que o aluno que não chora também pode estar sofrendo, pois cada pessoa tem formas diferentes de expressar os sentimentos. A família e o educador precisam conversar com a criança para entender quais emoções ela está sentindo com a nova rotina. Disponível em: https://blog.mylifesocioemocional.com.br/adaptacao-escolar/. Acesso em: 13 dez. 2023. Adaptado. 2424 ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA É importante falar sobre a cidadania também na questão do direito e do dever! No trânsito, o exercício da cidadania é muito sério, assim como a consciência de observar e ajudar. É muito importante que as crianças se- jam sempre incentivadas para praticar o positi- vo porque é o certo. Às vezes, o que é ousado e aparentemente divertido, além de perigoso, pode prejudicar outras pessoas. 15 Stefan Mokrzecki | stock.adobe.com 2525 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Compreender a organização do espaço e localizar-se nele é muito importante para o aluno. Levante os seguintes questionamentos em sala: • Quando você vai para a escola caminhando pelas ruas do lugar onde mora, o que você costuma ver? • O lugar em que você mora é uma grande cidade, onde há muito movimento, ou você mora em um lugar onde prevalece uma paisagem mais natural e com poucas casas? • Quais são os pontos de referência que marcam o caminho da sua casa para a escola? 16 Blue Jean Images | stock.adobe.com2626 FUNDAMENTAÇÃO A necessidade do uso de símbolos acompanha o ser humano desde os seus primórdios. Seja para registrar os fatos do cotidiano da vida rupestre nas paredes de uma caverna, seja para dar um aviso importante, como “Perigo: lixo radioativo”, um símbolo sempre trará consigo uma mensagem da forma mais direta possível. Dos símbolos, surgiram os objetos de poder nas sociedades primitivas, os quais representa- vam a interação do ser humano com o meio. O ser humano resgatou sua força utilizando cajados, escudos, cocares, mantos, coroas, brasões e até mesmo cruzes de diferentes épocas e estilos. Não importa a estética, e sim o significado por de- trás da forma. Animais também simbolizavam as qualidades e os valores a serem trabalhados no decorrer do caminho dos indivíduos. Tribos indígenas da América do Norte, como Choctaw e Cherokee, agrupavam seus integran- tes de acordo com sua forma de agir e pensar, formando clãs que eram representados por ani- mais sagrados. A águia representava o espírito; o alce, a energia. O clã do urso era formado pelas pessoas mais introspectivas, e o clã da borboleta ensinava sobre a arte da transformação... bastan- te sugestivo, não? Interessante também era o fato de que o pró- prio indivíduo decidia quando migrar de um clã para outro, na busca pelo equilíbrio entre o “lado luz” e o “lado sombra” dos integrantes decada clã e de si mesmo. Assim, trazia para si o aprendizado por meio do coletivo. Os símbolos e objetos que mais lhe fossem significativos eram colecionados; quando vários símbolos eram reunidos em um único objeto de poder, os indígenas construíam o que chamavam de totem. O objetivo era trans- formar conhecimento em sabedoria. Quando isso acontecia, o aprendiz finalmente era nomeado chefe do clã com o qual mais se identificava e, um dia, poderia chegar a ser o chefe da tribo. Mais tarde, quando o ser humano dominou a arte de moldar metais, percebeu a praticidade de forjar símbolos para marcar seus pertences. QUAL É A SUA MARCA, PROFESSOR? A ferro e fogo eram demarcadas as moedas, os escudos, as correspondências, as riquezas e até os animais dos nobres, dos senhores feudais, da igreja e da corte. Nos dias de hoje, faz-se necessário o registro das marcas utilizadas por indústrias e empresas para que não se tire vantagem comercial desses símbolos, que muitas vezes nos remetem a valo- res como qualidade, tradição e confiança. O que seria das franquias se não construíssem um bom conceito em relação às suas marcas? Atualmente, já não nos damos conta de quan- tos símbolos ou mesmo marcas fazem parte de nossa vida e da importância deles para a constru- ção dos muitos conceitos que trazemos em nos- sas bagagens. Conceitos estes que, na figura de mestres que somos, devemos transmitir da ma- neira mais sincera possível aos que se espelham em nossa sabedoria. Sejamos nós do clã da Mate- mática, da Química ou da Biologia, somos, antes de tudo, os mestres detentores do conhecimento; os chefes responsáveis pela formação de indivíduos que contribuem para o bem-estar do coletivo. Afi- nal, o que eu represento para meus alunos? Se fossem me homenagear com um totem, o que colocariam nele? Apenas livros e números? Qualidades individuais Tão importante quanto conhecer o destino final de uma trilha é saber onde ela começa. Fazer uma avaliação qualitativa da bagagem dos seus apren- dizes pode assegurar mais conforto no decorrer da caminhada. Esteja certo de que cada guerreiro apresentará um potencial específico; o caminho revelará as suas potencialidades, dificuldades e seus limites. Lembre-se de que será necessário saber esperar pelos mais lentos, dando a eles especial atenção. Eles podem estar no clã com o qual menos se identificam, então faça uso de diversas linguagens e metodologias. E nunca crie o subgrupo dos “menos aptos”, você 27 estará cunhando a marca da incapacidade na testa deles. Atenda-os de maneira gentil e individual. Caberá a você fazer bom uso das situações mais inusitadas, a fim de conduzi-los não apenas ao co- nhecimento, mas à sabedoria. Quanto àqueles que já estiveram lá na frente, sozinhos, quase chegan- do... não se surpreenda se eles trilharem o caminho melhor que você! Em um grupo, as aptidões de cada indivíduo se destacam de maneira natural. Afinal, qual guer- reiro não gosta de exibir suas qualidades? Caso você deseje tornar seus ensinamentos ainda mais proveitosos, conheça a fundo o grupo com o qual está trabalhando. Convoque, sem cerimônias, a orientadora educacional de sua tribo e peça a ela que realize testes de comunicação com seus discípulos. Você saberá se tem alunos visuais, auditivos ou sinestésicos. Os clãs costumavam sentar em círculos, ao re- dor de uma grande fogueira. As palavras do chefe eram sagradas. Independentemente da situação, era ele quem proferia a primeira e a última palavra. No mais, os discípulos compartilhavam suas experiências e aprendiam uns com os outros. Caso alguém desejasse criticar alguma atitude ou compor- tamento, isso só poderia ser feito mediante um objeto de poder chamado “bastão de debate”. Quem acusava segurava o bastão e falava sem ser interrompido. Em seguida, o bastão era passado para o acu- sado, para que este pudesse se justificar também sem interrupções. Acalmados os ânimos, todo o grupo comparti- lhava do tabaco em um único cachimbo, chamado de forma muito compreensível de “cachimbo da paz”. O tabaco representava todas as relações entre o ser humano e a natureza. Tudo era feito conforme mandava o código de ética da tribo. Desde os princípios básicos até casos extremos, que poderiam fazer com que o indivíduo fosse exilado. Mesmo as regras dos jogos e das brincadeiras mais simples deveriam obedecer ao código de ética. Quando alguém migrava de um clã para outro ou iniciava-se um novo clã na tribo, era de praxe realizar ritos de iniciação. E pensar que hoje classificamos esses povos como primitivos... Trazendo um pouco desse conhecimento an- cestral para o nosso próprio benefício, seria muito interessante que o professor elaborasse dinâmi- cas que fizessem com que os primeiros encontros com a nova turma fossem mais agradáveis. Como que uma espécie de “rito de iniciação”, em que todos se apresentassem, soltassem-se e compar- tilhassem um pouco de si para com os colegas. Depois de entrosados, com certeza eles parti- cipariam mais das brincadeiras. Não se esqueça de que é de extrema importância estabelecer as regras do jogo antes de se jogar! Um bom códi- go de ética fará muito bem para a relação entre professor e aluno. Outra ferramenta muito proveitosa no ensino da ética é a análise de alguns casos para a emis- são de juízo de valor, com o intuito de elaborar debates sobre temas polêmicos trazidos pelos jornais, pela Internet ou comentados pela socie- dade. Assim como nas rodas indígenas, nas pri- meiras vezes que convidarmos os estudantes para julgar ou comentar sobre um determinado tema, eles não se mostrarão muito à vontade. Com o passar do tempo, certamente irão se expressar com maior desenvoltura. Lembre-se de ter o devi- do cuidado ético. É importante que a sala de aula seja um prolongamento da casa do aluno, onde haja o devido respeito de se ouvir e de se falar na hora certa. O professor desempenha um papel muito importante na formação dos seus alunos. Esse crédito que o mestre traz junto à sociedade deve ser alimentado e respeitado. Ensinar exige senso crítico, dedicação e muita pesquisa. Mais que conhecimento, um professor deve transmitir alegria e esperança. Deve ser um sím- bolo de mudança e de amadurecimento. Como todo indivíduo, o mestre certamente traz suas maiores aptidões estampadas em seu sorriso e se identifica com clãs e valores que vão muito além do conhecimento científico. O amor pelo seu trabalho, com certeza, deveria ornamentar o topo do seu totem. Então, professor… Qual é o símbolo de poder que seus alunos reconhecem em você? Qual a sua marca? WEBER, Marly Maria. In. Profissão Mestre. Ano 10, n. 113. Curitiba: Humana Editorial, fevereiro, 2009. Adaptado. 28 O que vamos estudar: • Por que é importante estudar? • Minha sala de aula • Meus colegas, minha professora • Saber falar, saber ouvir... • Palavras mágicas 29 FUNDAMENTAÇÃO O IMPACTO DAS ATITUDES NA EDUCAÇÃO DE ALTO DESEMPENHO O que está no interior sempre combina com o que está no exterior de uma pessoa. Na perspectiva da educação, nada acontecerá se as atitudes nutritivas e vencedoras não estiverem dentro de cada edu- cador. As atitudes são a base, o alicerce da educação, dos relacionamentos e de tudo o que queremos construir de maneira consistente e sustentável. O alicerce é aquilo que não se vê na construção, pois está debaixo da terra. No entanto, você sabe que, se não for bem feito, ele coloca em risco tudo o que for construído a partir dele. Portanto, aquilo que está dentro de você, escondido, é o início de tudo e a base para alcançar o sucesso profissional, pessoal e em tudo o que fizer. Esse alicerce é a motivação interior, ou seja, o motivo que você tem para agir. Portanto, para educar, é preciso que você, primeiramente, queira educar. Nesse caso, o querer faz toda a diferença. Por isso, como professor, você precisa querer lecionar com uma visão renovada e uma missão clara para conse- guir os resultados que desejaou precisar alcançar. Quanto mais tempo vivemos, mais se torna necessário que compreendamos o impacto das atitudes sobre nossas vidas; elas são uma importantíssima realidade naquilo que fomos, naquilo que somos e naquilo que desejamos ser. Nossas atitudes têm influência direta em nosso desempenho e em nossos resultados. Elas são um conjunto do que pensamos, do que sentimos e vivenciamos, com reflexos no mundo exterior. Entre tantas atitudes que tomamos, muitas nos levaram ao sofrimento, à dor e ao desconforto pela vida; porém, quando decidimos por elas, com as informações e emoções que tínhamos, pensamos estar agindo corretamente. Outras vezes, colocamos nossas atitudes em ação, mesmo inconsciente- mente, levados por instintos inexplicáveis. As consequências são as colheitas que temos ao longo do tempo. Questionamo-nos sobre o porquê de uma atitude em detrimento de outra. Sabemos que uma oportunidade perdida é quase irrecuperável; mesmo que ela nos bata à porta uma segunda vez, trará consigo um grau de dificuldade consideravelmente maior. Quem sabe se, antes de evidenciarmos uma atitude, pudéssemos submetê-la melhor aos nossos pensamentos, às nossas reflexões, às nossas emoções e ao nosso coração? Seguramente, estaríamos diante de um desempenho mais compatível com a nossa missão profis- sional e pessoal. Estamos sempre diante de decisões que nos impulsionam a uma ati- tude, que pode definir nosso comportamento; delinear nossos princípios; mapear nosso rumo; aprimorar nosso conhecimento, nossas técnicas e habilidades; abrir nosso coração; implantar nossos valores; e nos mol- dar nos conceitos de figura humana. Nesse sentido, escrevemos sobre as atitudes assertivas. O signifi- cado literal da Língua Portuguesa para assertividade é: a qualidade de algo ou alguém em demonstrar segurança ao agir e decisão nas palavras. Por ser uma afirmação, não significa que esteja correta ou errada, apenas que é defendida fortemente por uma pessoa. VITOR, Tércio. In. Linha Direta: Educação por escrito. Ano 18, n. 207, junho, 2015. pe op le im ag es .c om | st oc k. ad ob e. co m 30 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Conteúdos • Por que é importante estudar? • Minha sala de aula • Meus colegas, minha professora • Saber falar, saber ouvir... • Palavras mágicas Habilidades • Conhecer a relevância das regras da boa convivência em sala de aula. • Reconhecer as diferenças que existem entre as pessoas e saber respeitar os professores e colegas. • Identificar os momentos certos de saber ouvir e falar. • Reconhecer a importância de estar atento às aulas e saber escutar o professor e os colegas. • Compreender o sentido das palavras mágicas e a importância de cada uma delas. • Respeitar os colegas e o professor, bem como as regras do bom convívio em sala de aula. • Saber respeitar os momentos adequados de falar e ouvir. • Ter consciência da utilização das palavras mágicas. • Refletir acerca das ações que praticam com os colegas e o professor. • Entender que a sala de aula é um lugar de transformação social. Metodologia • Dividir a turma em grupos e elaborar painéis ilustrativos com histórias ou poemas sobre as regras da boa convivência com os colegas e o professor. • Levar à sala um aparelho de som e, no momento em que a turma estiver dispersa fazendo barulho, ligá-lo e esperar que a turma silencie novamente. Observar se a turma percebeu a ação e, a partir disso, conversar com todos sobre a importância de silenciar quando outra pessoa estiver falando e sobre o momento certo de falar. • Realizar um ditado mudo com as palavras mágicas. V ia ch es la v Y ak ob ch uk | st oc k. ad ob e. co m 31 a GRADES SEMANAIS 12ª SEMANA 13ª SEMANA 14ª SEMANA 15ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – Por que é importante estudar? – página 18 Orientação didática: Mostre aos alunos como os conceitos estudados na sala de aula se aplicam à vida cotidiana. Destaque exemplos práticos para ilustrar a relevância do conhecimento. Cidadania Moral e Ética – Por que é importante estudar? – página 19 Orientação didática: Ensine os alunos a pensarem criticamente, analisando informações, formulando perguntas e bus- cando soluções para problemas. Mostre como o conhecimento adquirido na escola pode ser aplica- do para resolver desafios do dia a dia. Cidadania Moral e Ética – Minha sala de aula – páginas 20 e 21 Orientação didática: Distribua folhas para os alunos e solicite-lhes que escrevam alguns valores éticos necessários para um bom convívio. Cite o respeito e a solidariedade como alguns desses valores e comente com eles a importância de preservar essas qualidades. Explique-lhes que o primeiro passo para uma boa con- vivência deve partir de nós mesmos. Semana de revisão Orientação didática: Solicite à turma que construa um cartaz ilustrativo contendo algumas ações que são necessárias no cotidiano, como organizar, ter atenção e respeito. Em seguida, exponha a produção no mural da sala. 11ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – Dinâmica – página 17 Cumprimentos criativos Educador, inicie a atividade perguntando aos educandos sobre os diversos tipos de cumprimento que são usados. Lembre-os dos cumprimentos que estão na moda ou na mídia, quais são os que eles mais usam e a diferença de cumprimentos entre meninos e meninas. Depois, divida a turma em duplas e peça-lhes que usem os cumprimentos que foram lembrados, entre si. Quando já tiverem usado alguns, peça-lhes que inventem outros cumprimentos. Solicite-lhes que repitam apenas o cumprimento de que mais gostaram, pois será ensinado para todos. Peça que fiquem em círculo e que cada dupla vá ao meio da sala e ensine o cumprimento que inventou a todos. Ao final, pergunte aos educandos sobre a necessidade de cumprimentar o outro e o que eles mais aprenderam com esse exercício. WENDELL, Ney. Praticando a gentileza em sala de aula. Recife: Prazer de Ler, 2012. 32 16ª SEMANA 17ª SEMANA 18ª SEMANA 19ª SEMANA 20ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – Meus colegas, minha professora – páginas 22 e 23 Orientação didática: Faça um levantamento das principais necessidades da turma em relação aos conteúdos trabalhados nesta unidade e prepare uma atividade abordando esses assuntos. Elabore um jogo com perguntas e respostas, após a atividade, para compreender o processo de absorção de conhecimento dos alunos. Cidadania Moral e Ética – Saber falar, saber ouvir... – página 24 Orientação didática: Ensine a importância da escuta ativa, destacando a necessidade de prestar atenção ao que os outros estão dizendo. Promova exercícios que desenvolvam essa habilidade. Incentive um ambiente onde as diferentes opiniões são respeitadas. Explique-lhes que é normal ter pontos de vista diferentes e que isso enriquece o aprendizado. Cidadania Moral e Ética – Saber falar, saber ouvir... – página 25 Orientação didática: Realize discussões em sala de aula sobre o significado do respeito, destacando como pequenas ações educadas podem impactar positivamente o ambiente escolar. Reforce positivamente comportamentos educados. Destaque exemplos de alunos que demonstram respeito e cortesia. Cidadania Moral e Ética – Palavras mágicas – páginas 26, 27 e 28 Orientação didática: Ensine estratégias de resolução de conflitos, incentivando os alunos a abordarem desentendimentos de maneira respeitosa e construtiva. Promova atividades que celebrem a diversidade, destacando a impor- tância de respeitar e valorizar as diferenças entre os colegas. Semana de avaliação Orientação didática: Defina normas de comportamento em sala de aula que incluam a importância de ser educado e respei- toso com os colegas. Desenvolva projetos que envolvam ações de responsabilidade social, mostrando como ser educado e respeitoso pode se estender além da sala de aula, impactando a comunidade. 33 ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA O texto lido, além de ressaltar a impor- tância do trabalho científico, incentiva o alunado a jamais parar de ir em busca de conhecimento, para melhorar a própria vida, a vida daspessoas ao seu redor e consequentemente contribuir para uma melhora geral no mundo. 18 D ra ga na G or di c / s to ck .a do be .c om 3434 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Nas atividades finais desta unidade, o alunado é convidado a refletir novamente sobre os direitos e deveres da criança. Promova uma dinâmica pedindo a cada aluno que comente a resposta das atividades. Promova uma roda de conversa com os alunos levantando os seguintes temas e perguntas: • Por que é importante estudar? • O que leva crianças a estarem nas ruas e não irem à escola? • Em que lugares elas deveriam estar? • O que nós podemos fazer para ajudá-las? 19 3535 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Os educandos são convidados a viverem um desafio. Eles terão que tirar todos os objetos da sala (exceto os materiais muito pesados) e colocá- -los lá fora. Haverá duas regras principais: sem- pre terão de ajudar alguém e não poderão ficar sozinhos. Isso vale mesmo para os objetos que são leves. Depois que estiver tudo lá fora, o educador fará um círculo dentro da sala e perguntará aos edu- candos como foi realizar essa tarefa, quais pro- 20 blemas aconteceram e o que pode ser feito para melhorar. Agora, ele convida todos para arrumarem a sala como estava antes. As mesmas regras devem ser mantidas. Ao final, o educador avalia os educandos novamente, com questionamentos, e fecha a atividade, anotando na lousa as palavras importantes que foram utilizadas no momento em que eles trabalharam juntos. 3636 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA A sala de aula tem elementos móveis e fixos, assim como elementos de uso comum e outros de uso individual. Prepare uma lista com esses objetos e diferencie o uso de cada um deles. O espaço da sala de aula é usado para várias atividades. Peça aos alunos para identificarem o que se pode realizar na sala de aula e o que precisa de um espaço externo ou maior. Visite com os alunos as diferentes salas de aula 21 da escola, para que eles percebam as semelhan- ças e diferenças entre elas. Não se esqueça de colocar no mural uma lista dos alunos da turma. Essa lista reforça a noção de lugar, e este só pode ser entendido se analisado com pessoas e grupos que dele fazem parte. Essas atividades são de reforço visual, com o intuito de o alunado saber apontar por si só os elementos dentro do espaço físico da escola e de contribuir para esses elementos serem utilizados de forma responsável, a fim de que sejam usados plenamente. 3737 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA ANOTAÇÕES Na abertura da lição, o texto aponta que o am- biente escolar é um lugar vivo, com pessoas que são todas amigas em potencial! Nessa atividade, os alunos vão precisar revisitar o texto e vão consequentemente reforçar as li- ções ensinadas nele. Promova uma dinâmica para os alunos desenharem as coisas que eles amam. 22 3838 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Previamente, imprima ou desenhe figuras de objetos e peça aos alunos que se- parem, entre as figuras, os objetos escolares. Em seguida, peça-lhes que pintem os objetos selecionados. Pergunte-lhes a utilidade desses materiais e lembre-os de que devemos ter zelo para com eles. Com as produções prontas, fixe-as em um mural na sala de aula. Uma outra atividade é representar, em uma cartolina, o coração e instruir cada aluno a escrever o próprio nome e o dos professores e colegas mais próximos em um papel colorido, para colagem no cartaz. Após o trabalho coletivo, exponha o painel em sala ou em alguma área de convivência da escola. 23 BillionPhotos.com | stock.adobe.com 3939 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA A abertura da lição é útil para reforçar na mente do aluno o valor do silêncio e da ordem no ambiente da sala de aula, uma vez que, sem esses elementos, nenhuma atividade que necessite de atenção irá acontecer da forma esperada. Convide alguns alunos para saírem da sala de aula. Com os outros que ficaram, combine que o colega que está lá fora vai dar um recado, porém ninguém vai escutar. Todos ficam conversando, brincando. Faça isso com cada um que está fora 24 da sala. Depois, pergunte aos alunos que estavam fora como foi que se sentiram. Faça uma dramatização com a fábula O pastor e o lobo. Promova uma reflexão sobre a verdade e a mentira. Organize um debate com os alunos em que cada um dirá o que pensa sobre a verdade e a mentira e o restante dirá o que achou da opinião do colega. 4040 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Promova uma dinâmica em que se provará em vias práticas o valor do silêncio para uma comu- nicação plena. Para tal, escreva uma frase curta em um pedaço de papel e selecione um aluno para lê-la para toda a turma. Para aqueles que forem ouvir, será instruído que falem por cima da voz do leitor (deve-se tomar cuidado para não haver exal- tação extrema durante o atrapalho da leitura). Após duas ou três tentativas frustradas de leitura, instrua que o leitor desista e indague aos 25 demais o que ele estava tentando comunicar à turma. Provavelmente não haverá nenhuma resposta coesa. Caso alguém acerte, indague-lhe se foi fácil compreender o colega sob tanto barulho. A partir dos possíveis resultados, ressalte que a dificuldade em saber calar e ouvir repercute na dificuldade de comunicar. 4141 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Por meio do apelo ao fantástico, a história da página 26 reforça lições de educação básica para as crianças. É sempre importante que as boas ma- neiras sejam ensinadas por meios menos ortodo- xos e autoritários e mais lúdicos, afinal uma lição imposta é mais fardo que aprendizado. 26 A árvore da gentileza: Confeccione em uma cartolina uma árvore sem folhas, onde os alunos vão colar pequenas folhas de papel colorido, com palavras de gentileza escritas (obrigado, obrigada, com licença, bom dia, etc.). Após o trabalho, exponha a obra de arte resultante em sala ou em espaços de convívio social da escola. 4242 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA VAMOS CANTAR! Palavrinhas mágicas Eliana Algumas palavrinhas são mágicas e ajudam a gente a viver melhor: por favor, muito obrigado, com licença, tudo bem? Pode passar. Eu te amo, brinca comigo? Como vai, meu amigo? Aquele abraço! Bom dia, boa tarde, boa noite. A bênção, mãe; a bênção, pai. Bom dia, boa tarde, boa noite. Viver assim é bom demais. Essas palavrinhas mágicas Palavras mágicas são assim Têm um poder maior Que abracadabra e sim sala bim Assim, assim. Se alguém quiser o nosso bem Muito obrigado, muito obrigado. Se alguém quiser pedir pra alguém Diz por favor, diz por favor, diz por favor. Então, é bom acreditar A vida é bem melhor se a gente tem O quê? Disponível em: https://www.letras.mus.br/elia- na/1028017/. Acesso em: 14 dez. 2023. 27 4343 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA 28 Desenho com mãos unidas Os educandos são divididos em duplas. O edu- cador avisa que eles farão um desenho juntos. Distribuem-se os papéis e os materiais de dese- nho. Depois, diz que eles farão o desenho com as duas mãos juntas e coladas, pegando no mesmo lápis. Dá o sinal, e eles começam. Continua dei- xando claro que devem manter as mãos bem uni- das e pegando no lápis. Ao finalizarem, pergunta como foi a atividade para cada um. Cada dupla mostra seu desenho. Agora, o educador divide a turma em trios e distribui-lhes um novo papel. Eles terão que fazer com as três mãos juntas. Dá um tempo para desenharem. Depois, dialo- gam, e cada trio mostra o seu desenho. Por últi- mo, divide a turma em grupos de quatro, e, com novo papel, os educandos farão um desenho com as quatro mãos juntas. Após desenharem, colo- cam no chão a sequência dos desenhos feitos, e o educador pede que cada um veja o resultado. No final, faz-se uma reflexão sobre como foi estar junto; em que o outro atrapalhou ou ajudou; como foi ter paciência e viver o momento de ceder para o outro fazer; etc. 44 FUNDAMENTAÇÃO A ESCOLA EDUCA PARA A VIDA? Se, durante a leitura deste texto, você começas- se a sentir uma forte agulhada no lado esquerdo do peito, com a visão escurecendo, um formigamento percorrendo o lado esquerdodo corpo, do maxilar até as mãos, o que você faria? Tentaria relaxar e curtir a sensação? Tenho certeza de que não. Talvez você não tenha percebido, mas alguns de seus professores buscaram, por meio de seu trabalho, prepará-lo para algo além do vestibu- lar. Propositalmente ou não, nossos professores de Ciências ou de Biologia incentivaram-nos a digerir — ou talvez nos enfiaram goela abaixo mesmo — algumas informações importantes para nossa sobrevivência. Se você teve professores bem preparados, talvez tenha aprendido com eles algo sobre sintomas de um enfarte. Mesmo que fossem excessivamente pragmáticos e limitados ao currículo, ao menos lhe ofereceram um mínimo de informação que serviu de base para um dia, ao folhear o jornal, você se interessar por uma ma- téria de utilidade pública que orientava sobre os procedimentos recomendados em caso de enfar- te. Por isso, ao sentir sintomas como os descritos no parágrafo anterior, você sabe que não pode simplesmente relaxar. Deve pegar na mão da pes- soa mais próxima, não importa se conhecida ou não, e pedir que o encaminhe quanto antes a um ambulatório ou aos cuidados de um médico. Deve tossir e bater forte contra o peito, para estimular o coração. Noções facilmente assimiláveis por qualquer pessoa que um dia tenha assistido a uma aula sobre o músculo mais importante para nossa sobrevivência. Durante anos, cultivei um forte rancor contra uma professora de História que tive na escola. Sem ter abordado o assunto em sala de aula, ela nos pediu que levantássemos nos jornais o nome de todos os ministros do Brasil, cobrando os re- sultados da pesquisa em uma prova. Um absurdo incompreensível para nós, pobres estudantes de 12 anos de idade. Será que só aquela maluca não entendia que aquela pesquisa era completamente inútil? Afinal, no dia em que terminássemos os es- tudos, nenhum daqueles ministros estariam mais na função! Hoje, duas décadas depois, reconheço o nobre objetivo daquela professora. Ao fazer a tal pesquisa, vi-me folheando de cima a baixo todas as páginas dos cadernos de política e eco- nomia dos jornais. Sem perceber, criei interesse por aquela leitura, pois as notícias associavam o nome de cada ministro a seu partido, as suas rea- lizações e também a suas falcatruas. Essa tarefa e tantas outras fizeram de mim um cidadão interes- sado em matérias de política e economia. Obviamente, nem sempre precisamos de um empurrão como esse para nos interessar por de- terminado assunto. Quem devora de ponta a ponta o caderno de esportes dos jornais certamente não foi incentivado por seus professores de Educação Física. Mas é fato que falta algum estímulo para as pessoas lerem mais sobre dinheiro e riquezas. pe op le im ag es .c om | st oc k. ad ob e. co m 45 Faça uma experiência simples. Procure um canto em que várias pessoas se reúnam para ler jornais, como uma praça ou beira da piscina em um clube. Perceba como: • homens leem primeiro o caderno de esportes ou de automóveis; • mulheres leem primeiro o caderno de variedades ou de cultura; • ambos leem atentamente notícias sobre sua cidade; • ambos ao menos fazem cara de indignação ao folhear o caderno de política; • normalmente os cadernos de classificados e de investimentos ou negócios são deixados de lado. Já fiz essa experiência algumas vezes. Os cadernos sobre dinheiro, investimentos ou negócios ten- dem a ser aqueles com menor número de páginas, e mesmo assim a maioria dos leitores os ignora. No fundo, não fomos preparados para ler sobre tais assuntos. As manchetes daqueles cadernos não nos provocam, não mexem com a maioria das pessoas. “Veja como pagar menos Imposto de Renda”, “Es- colha o melhor fundo de investimentos para você”, “Especialistas sugerem alternativas de investimento para o próximo ano”. Bem menos instigante do que “deputado corrupto é absolvido por seus colegas”, concorda? Mesmo que as primeiras manchetes possam ter impacto mais intenso e direto na vida de quem as lê do que a última. O fato é que, ao menos indiretamente, o currículo escolar tem como objetivo preparar cidadãos para a vida; ou ao menos deveria ter. Mas nosso arcaico currículo elaborado há décadas esqueceu-se de levar em consideração que o pobre trabalhador que cresceu em uma economia também pobre precisa saber tanto sobre as armadilhas dos juros dos créditos quanto sobre os métodos para extrair as raízes de uma equação de terceiro grau. É importante aprender na escola noções de Geografia, Química Orgânica, Literatura, Física, Gramáti- ca, Álgebra, entre outras. Mas seria muito importante também adquirir noções sobre o funcionamento de bancos, economia doméstica, orçamento e juros compostos. Afinal, todos os que concluírem a esco- la vão lidar, um dia, com esses elementos. Ao adotarem práticas de ensino humanizadas, oferecerem atividades extracurriculares e incentiva- rem a socialização dos alunos, as escolas estão preparando-os ativamente para a vida. Mas a prática não é uniforme em todas elas. Por isso, os pais devem estar preparados para investir em uma educação diferenciada. Se não for possível, devem estar preparados para adotar uma postura bastante ativa na educação de seus filhos. CERBASI, Gustavo. Filhos inteligentes enriquecem sozinhos: como preparar seus filhos para lidar com o dinheiro. São Paulo: Gente, 2006. paketesama | stock.adobe.com 46 O que vamos estudar: • Organização • A biblioteca • Na escola, a gente também brinca • Ser solidário 47 FUNDAMENTAÇÃO REGRAS BÁSICAS DA CIDADANIA Ser solidário - Solidariedade é um laço que nos vincula a outros indivíduos. Hoje, é uma palavra de ordem para a harmonia social. Fazer o bem aos semelhantes, ajudá-los, mostrar compreensão, honesti- dade e preocupação com todas as pessoas é uma das maiores virtudes que se pode ter, uma ferramenta das mais sólidas para construirmos uma sociedade mais justa. Ter respeito – Seja no trânsito, na escola, no trabalho, na rua ou dentro do ônibus, respeitar as outras pessoas é princípio básico para também ser respeitado. Não esqueça: a liberdade de uma pessoa termi- na onde começa a liberdade da outra. Ser sincero – Quando buscamos a confiança de outras pessoas, devemos ser sinceros em tudo o que fazemos: em nossas palavras, em nossas ações e em nossos pensamentos. Não deixe espaço para a hipocrisia, para a mentira, para a falsidade e para a traição. Sendo sinceros, ganhamos lealdade, con- fiança e, mais facilmente, a amizade de outras pessoas. Dizer sempre a verdade – Dizendo a verdade, ganha-se a confiança dos outros. Com a confiança, ganha-se a amizade. A harmonia e o progresso social dependem, e muito, dessa qualidade. Não agredir seu semelhante – Seja por palavras ou fisicamente, violência sempre gera mais violên- cia. Devemos sempre dizer não a qualquer tipo de violência ou agressão. Ter bondade, educação e responsabilidade – Ser educado e procurar sempre fazer o bem. Estas são duas das virtudes de maior prestígio dentro da sociedade. Os bons exemplos são sempre seguidos; por isso, quem bondade dá com bondade será retribuído. Devemos ser também responsáveis, assumin- do sempre tudo aquilo que fazemos. Ter liberdade é saber arcar com todas as nossas obrigações, com nossas responsabilidades. Cooperar – Participar é sempre fundamental. A cooperação mútua entre as pessoas de bons valores constrói caminhos de esperança para toda a sociedade. Perdoar – Ao permanecermos ressentidos com alguém, nunca teremos o repouso devido para o corpo e para a alma. O rancor não leva a lugar algum, apenas serve para criar mais problemas. Dialogar – Muitos problemas, brigas, discussões e incompreensões poderiam ser facilmente resolvidos se existisse diálogo entre as pessoas envolvidas. Procure sempre conversar, trocar ideias, experiências, buscar explicações e, antes de tudo, aprenda a conhecer as outras pessoas. Agir conforme a consciência e de acordo com os valores éticos e morais – Não estamos sozi- nhos no mundo. E tudo aquiloque não queremos para nós também não devemos fazer às outras pes- soas. Aprender a conviver é essencial para melhor saborearmos nossa vida. Vários autores. Passo a passo: no caminho do saber. São Paulo: DCL, 2001. 48 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM LI G H T FI EL D S T UD IO S | s to ck .a do be .c om Conteúdos • Organização • A biblioteca • Na escola, a gente também brinca • Ser solidário Habilidades • Compreender que a organização faz parte de um ambiente limpo, saudável e disciplinado. • Reconhecer a responsabilidade que cada pessoa deve ter para manter o ambiente limpo. • Identificar as brincadeiras mais frequentes feitas na escola. • Compreender que a hora do recreio deve ser um momento de confraternização, de alegria, solida- riedade e descontração. • Respeitar os colegas na hora do recreio. • Reconhecer a importância da coleta de lixo seletiva proposta pela escola, como forma de facilitar a recolhida. • Apreciar tanto as atividades propostas na sala de aula como as extraclasse, respeitando e se soli- darizando com os colegas. • Identificar situações em que a solidariedade é praticada e, ao mesmo tempo, motivar as crianças a serem agentes da solidariedade. Metodologia • Promover um momento de reflexão sobre a necessidade de manter o ambiente limpo e saudável. Em seguida, fazer um mutirão na escola, para recolher o lixo deixado na hora do recreio. • Confeccionar lixeiras para a coleta seletiva, especificando as cores para cada tipo de lixo. • Propor um recreio diferente, com atividades e jogos ainda não vistos pelos alunos. • Refletir acerca da solidariedade como uma prática salutar para a convivência em sociedade. LI G H T FI EL D S T UD IO S | s to ck .a do be .c om 49 a 22ª SEMANA 23ª SEMANA 24ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – Organização – página 30 Orientação didática: Promova uma leitura silenciosa com a turma sobre o tema organização. Em seguida, promova uma refle- xão sobre o texto lido, reforçando a importância de existirem filas e senhas como forma de organização. Cidadania Moral e Ética – Organização Orientação didática: Promova atividades colaborativas que incentivem os alunos a trabalharem juntos, respeitando as ideias e contribuições uns dos outros. Estimule os alunos a expressarem as próprias opiniões sobre o que eles acham que significa organização e onde podemos notar a presença dela. Cidadania Moral e Ética – A biblioteca – página 31 Orientação didática: Desenvolva atividades que promovam a leitura e a escrita como formas de aprimorar as habilidades linguísticas dos alunos. Crie, na sala de aula, o cantinho da leitura, com almofadas; propicie um ambiente aconchegante para a leitura e contação de histórias. GRADES SEMANAIS 21ª SEMANA Cidadania Moral e Ética – Dinâmica – página 29 Cantiga: Teresinha de Jesus Escolha uma aluna para representar Teresinha. Depois, disponha os alunos em círculo e comece, com eles, a cantar a cantiga Teresinha de Jesus, com a Teresinha no meio da roda. Ela simula uma queda, e, à medida que vão sendo citados, os três cavalheiros a ajudam; Teresa puxa para o centro da roda três crianças. Durante a terceira estrofe, os alunos que estão no centro da roda se dão as mãos e saltitam em passo mais acelerado para o lado contrário ao que gira a roda. Na quarta estrofe, quando fala em abraço, todos os alunos se abraçam. Aquele a quem Teresinha abraçar será o próximo a ficar no centro da roda, fazendo o papel de Teresa. Trocando ideias • Você gostou de participar da brincadeira? • O que lhe chamou mais a atenção e por quê? • Qual papel você representou na brincadeira? • Como você se sentiu ao desempenhar esse papel? Por quê? • No seu dia a dia, você costuma ajudar seus colegas quando eles levam um tombo e vão ao chão? Socialize na sua resposta com a turma. 50 25ª SEMANA 26ª SEMANA 27ª SEMANA 28ª SEMANA 29ª SEMANA 30ª SEMANA Semana de revisão Orientação didática: Confeccione, com os alunos, uma maquete representando um ambiente limpo e organizado. Explique-lhes a necessidade de haver, na escola, o respeito entre os alunos e o cumprimento de regras básicas para manter a escola organizada. Cidadania Moral e Ética – Na escola, a gente também brinca – página 32 Orientação didática: Se possível, promova atividades ao ar livre, para permitir que os alunos explorem e brinquem em um am- biente diferente, contribuindo para o desenvolvimento motor e social. Inclua atividades artísticas, como desenho, pintura e modelagem, para estimular a criatividade e expressão artística dos alunos. Cidadania Moral e Ética – Na escola, a gente também brinca – página 33 Orientação didática: Reserve tempo regularmente para brincadeiras livres, ou seja, os alunos podem escolher as atividades que serão realizadas, promovendo a autonomia e a tomada de decisões. Inclua atividades de narrativas e con- tação de histórias, que não apenas desenvolvem habilidades linguísticas, mas também estimulam a imagi- nação e a criatividade. Cidadania Moral e Ética – Na escola, a gente também brinca – página 34 Orientação didática: Introduza brincadeiras tradicionais que possam proporcionar aos alunos experiências culturais e históricas, ao mesmo tempo que promovem o exercício físico e a interação social. Garanta que todas as atividades lúdicas promovam a inclusão e o respeito pelas diferenças, promovendo um ambiente de aprendizado positivo. Cidadania Moral e Ética – Ser solidário – páginas 35 e 36 Orientação didática: Encoraje o compartilhamento e a ajuda entre os alunos na sala de aula. Incentive a prática de dividir materiais, ajudar nos trabalhos e ser amigável. Demonstre empatia, ajude os alunos a resolverem conflitos e mostre como pequenos gestos de bondade fazem a diferença. Semana de avaliação Orientação didática: Realize projetos solidários simples na comunidade escolar, como a arrecadação de alimentos para doação ou a criação de cartões para pessoas doentes. Certifique-se de explicar o impacto positivo dessas ações. 51 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA 30 Nesta seção, nosso caminho reflexivo segue na direção do cuidado com a própria saúde e com a organização dos alunos no ambiente escolar. Incentive práticas concernentes ao tema, tanto no âmbito da escola como fora dela, sobretudo no ambiente doméstico. Forme grupos, entregue uma frase toda recor- tada, palavra por palavra, e peça que eles descu- bram que frase é aquela. Em seguida, entregue outra frase, porém esta deverá estar com as palavras numeradas em ordem crescente. As crianças irão perceber que a frase numerada foi mais fácil de descobrir. Neste momento, é im- portante informar que isso se chama organização e associá-la às atividades do nosso dia a dia. 5252 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA 31 A lição inicia-se com uma introdução sobre um dos am- bientes que mais podem induzir à plena expansão do conheci- mento: a biblioteca! Ressalte a importância desse espaço físico, em tempos em que os livros di- gitais ameaçam tornar obsoleto esse ambiente. Vamos confeccionar livro! Solicite aos alunos que peguem duas folhas de papel-ofício e dobrem-nas ao meio. Prenda o centro com grampeador. Numere as folhas. Pronto! Agora é só inventar a história! Deixe que eles explorem o espaço do livro como acharem melhor e estimule-os a contar a história que criaram. 5353 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Esta seção aborda a brincadeira na escola como direito das crianças e instrumento pedagógico. Após a leitura em sala, insti- gue os alunos a emitirem opiniões sobre o texto e reforce a ideia de que brincando também se aprende, orientando-os quanto à questão da cidadania moral e ética nessas ocasiões. A partir do entendimento da brincadeira como constante do processo de aprendizagem, o conhecimento das aptidões das crianças ajuda na implementação de atividades e dinâmicas que auxiliem o educador em sala, inclusive com a questão disciplinar. 32 M ar ia kr ay | st oc k. ad ob e. co m 5454 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Vamos brincar de fazer bolhas de sabão! Materiais:Pedaço de arame e um copo com um pouco de detergente e água. 1. Usando o arame, faça uma argola com cabinho. 2. Misture a água com o detergente e pronto! 3. Leve as crianças para uma área livre e comece a brincar de fazer bolhas de sabão. A história da página anterior é mote perfeito para dar continuidade ao conhecimento das brincadeiras coletivas, que são estimulantes e saudáveis. Em tempos de tanta tecnologia ao alcance de todos, é uma excelente oportunidade de fazer uma reeducação do brincar. 33 5555 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA A viagem Esta brincadeira pode ser feita na sala de aula. Você deve providenciar uma mala. Disponha a turma em círculo e explique-lhe a brincadeira. Coloque a mala no meio e fale para a turma: “Eu vou viajar e levar (o número de alunos da sala de aula) pessoas cujo nome comece com a letra p”. Nesse momen- to, todos os alunos deverão pensar em um nome de pessoa com a letra sugerida. Quando começar a brincadeira, pegue a mala e diga a frase: “Vou viajar para a Europa e vou levar...”. Em seguida, pegue na mão de um aluno, que dirá, por exemplo: “Paulo”. Os dois saem de mãos dadas, e o menino repete a frase: “Vou viajar para a Europa e vou levar...”, pega na mão de outro aluno, que diz em voz alta, por exemplo, “Priscila”. 34 5656 ANOTAÇÕES ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA Iniciando a última seção da unidade, temos como tema a solidariedade. Deve ser trabalhada sempre com vistas a uma práxis transformadora e libertadora da criança em relação ao conteúdo, fazendo com que os alunos projetem o aprendiza- do para a própria vida. Dentro do proposto para a seção, as ativida- des visam propiciar a identificação de situações em que a solidariedade é praticada e, ao mesmo tempo, motivar as crianças a serem agentes da solidariedade. 35 5757 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA O educador diz à turma que cada equipe ficará responsável por pegar uma bola e escrever nela senti- mentos bons para o planeta. Eles levam a bola e a caneta para o intervalo. No retorno, as equipes mostram a própria bola e leem as palavras que estão escritas nela. Dialogam sobre o que esse planeta cheio de sentimentos bons representa para elas. O educador incentiva a reflexão sobre como foi incentivar as pessoas a escreverem palavras boas. Os grupos recebem as bolas com o nome “justiça”. Jogo das amizades O educador divide a turma em duplas. As duplas for- mam duas filas, uma de frente para a outra. O educador explica que, ao seu sinal, os alunos das duplas irão se encontrar e fazer de conta que são dois amigos que se veem depois de muito tempo. Devem agir dessa forma duas vezes. Depois, agem como se fossem dois aniversa- riantes que parabenizam alegremente um ao outro, duas vezes. Por fim, são dois amigos que vão se despedir. Antes de se sentarem, devem agradecer ao colega com um abraço. 36 WENDELL, Ney. Praticando a generosidade em sala de aula. Recife: Prazer de Ler, 2013. 5858 FUNDAMENTAÇÃO RESPEITE AS INDIVIDUALIDADES É tão bom ter alunos inteligentes, dedicados e que só tiram boas notas em todas as matérias, espe- cialmente na nossa. Isso nos faz sentir ótimos professores. Fico imaginando o que meus professores de Matemática do Ensino Fundamental pensavam sobre mim. A partir da quinta série (atual sexto ano), eu era uma aluna mediana nessa disciplina. Eu me es- forçava por aprender e, às vezes, até entendia alguma coisa, mas, no geral, Matemática só fazia sentido para mim quando eu via aplicação na prática, como para cálculos percentuais ou mesmo uma regra de três. As equações eram puro martírio. Eu não tinha ninguém para me explicar a matéria fora da escola, então ficava perdida. Para piorar, quando estava na sétima e oitava séries (correspondentes ao oitavo e nono anos) eu comecei a odiar a escola. Eu não faltava e tentava me dedicar, mas sem compreender muito bem para que estudava tudo aquilo. Na verdade, há coisas que, até hoje, não entendo por que estão lá, no currículo. E não falo apenas das matérias em que eu era uma aluna medíocre. Refiro-me mesmo à Língua Portuguesa, uma das discipli- nas que leciono. Vejo coisas desnecessárias no currículo do Ensino Fundamental. O aluno tem que fazer análise morfossintática no sétimo ano. Você lembra disso? Sabe aquelas frases descontextualizadas, como: “A menina encontrou o caderno”. Você tem que dizer que o a é um artigo definido e adjunto ad- nominal; menina é substantivo e núcleo do sujeito; encontrou é verbo transitivo direto; o é outro artigo e adjunto adnominal; e caderno é substantivo e objeto direto. Útil, não é mesmo? Sim, ainda se ensina assim em muitas das escolas, em vez de privilegiarmos a leitura crítica e a prática da autoria por meio de produções textuais que sejam reescritas várias vezes, para que o aluno melhore sua argumentação e exposição de ideias. Tenho uma amiga que se ressente de ter sido aluna nota dez em todas as matérias em sua época de escola. Ela diz que era quieta, organizada, caprichosa e tirava dez em tudo. Os professores deveriam ter um certo orgulho de serem seus professores. Devia dar gosto corrigir a prova dela, provavelmente utilizada como gabarito para corrigir as outras. Só tem um problema: a aluna nota dez na escola não conseguiu alcançar grandes patamares em sua vida. Nem acadêmica, tampouco pessoal. Faltava a ela o que não se ensina na escola, mas que deve ser incentivado na sala de aula: aprender a interagir com as pessoas, a trabalhar em equipe, a se comunicar, a desenvolver sua inteligência emocional. Africa Studio | stock.adobe.com 59 ve ct or fu si on ar t | s to ck .a do be .c om Faltou que ela reconhecesse suas inteligências múltiplas e pudesse trabalhar bem mais para fortalecê-las e tentar desenvolver outras neces- sárias para o convívio em grupo. E, nas nossas escolas, muitas vezes rotulamos o aluno de “burro” só porque ele não sabe nada da nossa matéria e chamamos de inteligente aquele que conseguiu memorizar alguns pontos. Não es- tou querendo dizer que, a partir de agora, vamos inverter tudo e valorizar aquele que errar todas as questões das provas. Só que devemos respeitar, incentivar e valorizar as diferenças individuais. Certa vez eu estava na sala dos professores quando entrou uma dessas professoras que conse- guem captar o melhor de cada aluno e transformar sua prática para focar essas individualidades. Ela estava maravilhada porque descobrira que deter- minado aluno, pobre e da rede pública de ensino, tocava saxofone maravilhosamente bem. Ele não gostava muito da matéria da professora, Língua Inglesa, mas ia tocar o sax para um grupo que faria uma apresentação musical. Ele ia participar dos ensaios, ia acompanhar o grupo que ia cantar, mas ele mesmo ia tocar a música e só. Ele até sabia o que significava a letra da música, mas não tinha interesse em aprender a falar a língua. Segundo a professora, ele se interessava por Francês, não por Inglês. E ela achou justo ele fazer as atividades de leitura, mas não ser obrigado a cantar a canção. Vemos claramente que não é o caso de se aproveitar para dizer: eles não conseguem apren- der, coitados. Isso é um triste engano. Tenho visto muitos bons professores fazerem trabalhos incríveis desenvolvendo as quatro competências linguísticas em língua estrangeira com os alunos, ainda que estes não tenham nenhum outro conta- to com o idioma fora da sala de aula, nos curtíssi- mos dois tempos de aula que o professor tem com cada turma. Respeitar a individualidade dos alunos também tem a ver como a forma de explicar o conteúdo. Explicamos de uma só maneira e queremos que todos aprendam igualmente. É necessário levar- mos várias formas de o aluno aprender. Que haja a aula expositiva, mas que possamos incluir músi- ca, dramatização, jogos, objetos, demonstrações e inúmeras maneiras para que possamos alcançar os diferentes modos de aprender. Aprendi com minha mãe que respeitar a indi- vidualidade não é tratar a todos por igual, mas justamente tratar a cada um de acordo