Prévia do material em texto
DIREITO CONSTITUCIONAL – MARCELO NOVELINO (G7) Complemento: Lesen, Ciclos e NFPSS (TJRS 2019) AULA I - DATA: 28.07.2020 CONSTITUCIONALISMO No tocante ao Constitucionalismo, a doutrina adota vários conceitos. Segundo André Ramos Tavares apud Pedro Lenza, o constitucionalismo pode ter 4 conceitos: 2 Dessa forma, partindo da ideia de que todo Estado deve possuir uma Constituição, é possível identificar duas características essenciais que correlacionam a existência de uma Constituição e o Poder vigente: garantia da limitação ao poder autoritário e da prevalência dos direitos fundamentais, afastando-se da visão opressora do antigo regime. É válido destacar que a referida visão advém do constitucionalismo clássico (sendo posteriormente complementada pelo neoconstitucionalismo, que será analisado pormenorizadamente adiante). CONCEITOS DO CONSTITUCIONALISMO a) Movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende, em especial, limitar o poder arbitrário; b) É a imposição de que haja cartas constitucionais escritas; c) São os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades; d) É a evolução histórico-constitucional de um determinado Estado. A partir deste momento vamos ter uma visão geral das fases principais que o constitucionalismo passou até chegar aos dias atuais. O constitucionalismo possui dois sentidos: o sentido amplo e o sentido estrito O sentido amplo aduz que o constitucionalismo está relacionado à existência de uma Constituição em um Estado (Estado no sentido de Estado-nação). A Constituição é algo que, organizada, dá estrutura ao Estado. O que organiza o Estado é a constituição, seja ela escrita ou não escrita. OBS.: Assim, todo Estado possui uma constituição e, dessa forma, esse sentido não é muito utilizado na doutrina. Nos concursos públicos, quando se fala em constitucionalismo, geralmente, faz-se referência ao constitucionalismo em sentido estrito. Já no sentido estrito, o constitucionalismo costuma ser relacionado a duas ideias básicas, tais quais: a) limitação do poder: concretizada pela separação dos poderes no sentido de limitação de poder. A separação propriamente dita surgiu no constitucionalismo moderno. b) garantia dos direitos: Direitos fundamentais. OBS.: Estas duas ideias básicas estão previstas na Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, art. 16. OBS.: Segundo Karl Loewenstein, o constitucionalismo é a história da busca pelo homem político da limitação do poder. Neste sentido, o constitucionalismo se opõe ao absolutismo, posto que busca a limitação do poder. Absolutismo não combina com constitucionalismo. A história do constitucionalismo “não é senão a busca pelo homem político das limitações do poder absoluto exercido pelos detentores do poder, assim como o esforço de estabelecer uma justificação espiritual, moral ou ética da autoridade, em vez da submissão cega à facilidade da autoridade existente.” (Karl Loewenstein) Objetivo do constitucionalismo em sentido estrito: Limitação do Poder. Nada mais é do que uma tentativa de limitar o poder do Estado. É o oposto do absolutismo. O constitucionalismo surge em contraposição ao absolutismo, tendo a função de limitar o poder absoluto do soberano e de assegurar os direitos fundamentais. Ideias básicas: a) Garantia de direitos; b) Separação dos Poderes; c) Governo limitado; OBS.: As ideias buscam limitar o poder estatal contra o absolutismo. A tripartição dos poderes foi criada por Aristóteles. Montesquieu apenas desenvolveu. “Todo aquele que detém o poder e não encontra limites tende a deles abusar” (Montesquieu) É da própria natureza do ser humano, se não o for imposto limites, a tendência de abusar deles. Daí a intenção da separação dos poderes para limitar cada um deles. Todos os governos abusam das medidas provisórias. FASES DO CONSTITUCIONALISMO 1 - CONSTITUCIONALISMO ANTIGO Alguns autores nem consideram como constitucionalismo. Surgiu na antiguidade clássica e vai até o final do século XVIII. No final do século XVIII, surgiram as primeiras constituições escritas, depois das revoluções liberais. Aqui as constituições não eram escritas e sim consuetudinárias (aquelas baseadas nos costumes e precedentes judiciais). A primeira experiência do constitucionalismo ocorreu no Estado Hebreu. Naquela época, os governantes eram limitados pelos dogmas religiosos. O Estado Hebreu era teocrático. Entre os hebreus houve um tímido surgimento de algo semelhante ao Constitucionalismo, estabelecido com base em um Estado teocrático, no qual as limitações ao poder político advinham da legitimidade dos profetas para fiscalizar os atos governamentais que extrapolassem os limites bíblicos. Depois dos hebreus vieram a Grécia, Roma e Inglaterra. Na Inglaterra até o ano de 2000 não tinha constituição escrita, era consuetudinária. Estado hebreu: A primeira experiência constitucional de que se tem notícia foi a do Estado hebreu, o qual era um Estado teocrático. No Estado hebreu, os dogmas religiosos serviam como limites ao poder político do soberano, motivo pelo qual se aponta esta experiência como o marco do nascimento do constitucionalismo. Grécia: Durante dois séculos, a Grécia foi um Estado político plenamente constitucional. Este Estado adotou a democracia constitucional, muitas vezes, com a participação direta dos indivíduos nas decisões políticas do Estado. Adotaram uma democracia constitucional, pois o modelo de democracia direta, particular a elas, consagrava o único exemplo conhecido de sistema político com plena identidade e entre governantes e governados, no qual o poder político está igualmente distribuído entre todos os cidadãos ativos Roma: A experiência romana foi um retrospecto da experiência grega. Os conceitos de “principado” e de “res publica” surgiram em Roma. Inglaterra: Magna Carta (1215); Petition of Rights (1628); Habeas Corpus Act (1679); Bill of Rights (1689), Act of Settlement (1701). Na Inglaterra, embora não existisse uma constituição escrita, vários documentos foram feitos ao longo do tempo e, posteriormente, foram incorporados à constituição inglesa (constituição consuetudinária). a) Magna Carta (1215): outorgada pelo rei João Sem- Terra, como fruto de um acordo entre o rei e os súditos; representa o principal marco no Constitucionalismo Medieval, estabelecendo formalmente a proteção de importantes direitos individuais.; b) Petition of Rights (1628): firmado entre o parlamento e o rei Carlos I; c) Habeas Corpus Act (1679); d) Bill of Rights (1689); e e) Act of Settlement (1701). Características principais: a) Existência de constituições consuetudinárias (costumes e precedentes judiciais); b) Garantia da existência de direitos perante um Monarca limitando seu poder; c) Supremacia do Parlamento (Inglaterra); d) forte influência religiosa. 2 – CONSTITUCIONALISMO MODERNO (CLÁSSICO OU LIBERAL) Ele surgiu com as revoluções liberais no final do século XVIII e vai até o fim da Segunda Guerra Mundial (1934). O fator mais importante para o surgimento desta fase foi o nascimento das primeiras constituições escritas, quando brotou a ideia de constituição rígida (é aquela que tem o processo rígido para a modificação da constituição) e caráter formal. O constitucionalismo moderno surge no final do século XVIII, com as revoluções liberais, e vai até a Segunda Guerra Mundial. O fator que leva o surgimento do constitucionalismo moderno é o surgimento das constituições escritas passando a ter também um caráter formal. Surge também a ideia de Supremacia da Constituição. O constitucionalismo moderno pode ser entendido como um movimento que traz consigo objetivos que, sem dúvida, vão fundar (constituir) umanova ordem, sem precedentes na história da constituição das sociedades, formando aquilo que Rogério Soares chamou de “conceito ocidental de Constituição”. Aqui surgem efetivamente os dois principais objetivos do Constitucionalismo, a saber: 1) A limitação do poder com a necessária organização e estruturação do Estado (Estados nacionais que já eram, mas a partir daí se afirmam como, não mais absolutos). Em consequência disso, se desenvolveram teorias consubstanciadas na práxis, como a “teoria da separação dos poderes”, além de uma redefinição do funcionamento organizacional do Estado. 2) A consecução (com o devido reconhecimento) de direitos e garantias fundamentais (num primeiro momento, com a afirmação em termos pelo menos formais da: igualdade, liberdade e propriedade de todos). A segunda etapa é considerada por alguns autores (ex. Canotilho) como a primeira do constitucionalismo. É importante destacar que nesse período houve o surgimento das primeiras constituições escritas, rígidas, formais e dotadas de supremacia. A primeira constituição escrita da história foi a norte-americana (1787) e com ela se inaugurou o constitucionalismo moderno. A constituição francesa, por sua vez, foi a segunda constituição da Europa e foi elaborada em 1791. Quando surgiram as primeiras constituições escritas após as revoluções liberais, a intenção da burguesia era assegurar os seus direitos. A ideia era que o Estado interviesse o mínimo possível nas liberdades individuais. Nessa toada, a liberdade dos indivíduos era assegurada por meio da não intervenção estatal, daí vem o nome de revoluções liberais. Nesse tópico, é importante destacar a importância da experiência estadunidense e da experiência francesa. 2.1 – Constitucionalismo liberal ou clássico (Primeira fase) Surgimento: Final do Séc. XVIII até aproximadamente o fim da primeira guerra Mundial. Neste período surgiram duas experiências que servem de base de estudo para o constitucionalismo atual, tais quais: a) Experiência norte-americana: Possui algumas contribuições, tais quais: I) Criação (surgimento) da primeira constituição escrita – 1787 (é a mesma constituição até hoje), formal, rígida e dotada de supremacia; É importante destacar que a constituição norte-americana, além de ser uma constituição escrita, sempre foi vista como um conjunto de normas, diferentemente do direito europeu em que as primeiras constituições eram vistas como documentos essencialmente políticos. II) Criação do controle difuso de constitucionalidade tendo como parâmetro uma constituição escrita. O controle de constitucionalidade só existe onde há supremacia da constituição. O controle surgiu nos EUA a partir da sentença de um juiz proferida em 1803 – Marshall, no caso Marbury x Madison. Nessa decisão, surgiram as bases teóricas do controle de constitucionalidade. Formulação das bases teóricas do controle de constitucionalidade aconteceu neste precedente. O controle de constitucionalidade nos EUA é feita no caso concreto; é criação jurisprudencial porque não existe lei que discipline o controle. III) Surgimento do Sistema Presidencialista: Fortalecimento do Poder Judiciário. Era o parlamento inglês o principal responsável para proteger, e com isso eles escolheram o judiciário para proteger a constituição por se tratar de poder neutro. Na Inglaterra, quando o parlamento era responsável para proteger a CF tinha muita influência dos partidos. A consagração da separação dos poderes de forma federativa de Estado do sistema presidencialista da forma republicana de governo de regime democrático (desenvolvimento da federação). Assim, a figura do “Presidente da República” é criada em substituição à figura do monarca. Observação: a tripartição de poderes foi criada por Aristóteles e, posteriormente, desenvolvida por Montesquieu Aqui a constituição era concisa, ou seja, possui poucos dispositivos apenas tratando dos temas gerais. Inovação mostrando o Poder Judiciário como responsável por garantir a supremacia da Constituição través do controle de constitucionalidade. O mecanismo de limitação do poder pode ser vertical (entre União e Estado) e horizontal (entre Poder Executivo, Poder Legislativo, Poder Judiciário). IV - Forma federativa de Estado: a forma federativa de Estado não foi criada nos EUA, mas foi neste Estado que ela ganhou projeção mundial. V) Declaração de direitos criados a partir de 1776. OBS..: A Constituição dos Estados Unidos, de 1787, e a Constituição da França, de 1791, são exemplos de Constituições escritas e rígidas, inspiradas nos ideais de racionalidade do Iluminismo do século XVIII e, sobretudo, na valorização da liberdade formal (laissez faire) e do individualismo, marcas nucleares do Liberalismo, corrente de pensamento hegemônica nos campos político, jurídico e econômico dos séculos XVIII, XIX, e primeiro quartel do século XX. OBS.: O conteúdo dessas primeiras Constituições escritas e rígidas, de orientação liberal, resumia-se ao estabelecimento de regras acerca da organização do Estado, do exercício e transmissão do poder e à limitação do poder do Estado, assegurada pela enumeração de direitos e garantias fundamentais do indivíduo. b) Experiência francesa: Começa em 1789 com a revolução francesa. A burguesia estava cansada do controle da igreja e do autoritarismo estatal. A primeira constituição francesa escrita surgiu em 1791. Com a revolução francesa de 1789 e a consequente Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, surge um novo modelo de Estado na França. ✓ A constituição francesa foi a segunda constituição da Europa (a primeira foi polonesa) e foi elaborada em 1791. Declaração universal dos direitos do homem e do cidadão – ela aponta as duas principais ideias do constitucionalismo francês – art. 16: “DUDHC/1789, art. 16: “Toda sociedade na qual não é assegurada a garantia dos direitos, nem determinada a separação dos poderes, não possui Constituição.” OBS.: A separação dos poderes foi criada por Aristóteles e desenvolvida por Montesquie. Matérias constitucionais: garantia de direitos (direitos fundamentais); separação de poderes e estrutura do Estado. OBS.: Quais as características da experiência francesa? Destacam-se: I) a manutenção da monarquia constitucional; II) a limitação dos poderes do Rei; III) a consagração do princípio da separação dos poderes, ainda que sem o rigor com que foi adotado nos EUA; e IV) a distinção entre Poder constituinte originário e derivado, cujo principal teórico foi o Abade Emmanuel Joseph Sieyès, com seu panfleto “O que é o Terceiro Estado?”. OBS.: Declaração dos direitos do Homem e do cidadão. Marco como proteção dos direitos fundamentais. 1789. Surgimento da Constituição francesa em 1791, indicada como a segunda constituição escrita da Europa, pois a primeira foi a polonesa. Contribuições da Constituição Francesa: a) Constituição prolixa (trata de vários assuntos de forma pormenorizada) sendo o oposto da Constituição Americana. A constituição prolixa é uma forma de reação aos períodos autoritários, daí possuir texto extenso justamente para coibir o autoritarismo. O primeiro grande destaque a ser mencionado aqui é o fato de a Constituição Francesa ser prolixa, algo que não era comum na época. ✓ A constituição norte-americana, ao contrário, era bastante sintética. b) Distinção entre poder constituinte originário e poder derivado. (Abade Sieyés – principal formulador da teoria do poder constituinte). A distinção entre Poder Constituinte Originário e Derivado foi criada pelo abade Emmanuel Joseph Sieyès. A Teoria do Poder Constituinte pode ser creditada, em grande parte, ao abade Sieyès, o qual fazia uma distinção entre o Primeiro Estado (nobreza), o Segundo Estado (clero) e o Terceiro Estado (povo). O abade Emmanuel Joseph Sieyès possui uma obraintitulada “O que é o Terceiro Estado?”, em que ele afirma que o verdadeiro titular do Poder Constituinte é a nação, embora esse poder, muitas vezes, seja usurpado por uma minoria. Da declaração dos direitos do Homem e do cidadão (Art. 16) – Toda a sociedade na qual não é assegurada a garantia dos direitos e nem a separação de poderes não tem uma Constituição. As matérias tratadas no artigo 16 são chamadas de matérias constitucionais que são as matérias típicas de qualquer constituição (separação dos poderes, direitos fundamentais e estrutura do Estado). Prevalece a ideia de supremacia do Parlamento. Ideia que prevaleceu até Março de 2010. Nunca existiu controle de constitucionalidade repressivo na França até esse momento. Estado de Direito (Estado liberal): Durante o Constitucionalismo moderno, houve a consagração de um modelo específico de Estado, chamado de Estado de Direito ou Estado Liberal. Na Idade Média, já existia o rule of law (império da lei) na Inglaterra. Na Prússia, no século XVIII, havia o Rechtsstaat (Estado de Direito). Entretanto, foi na França, com o État Légal que houve a primeira institucionalização coerente do Estado de Direito. Atenção: O Estado de Direito consagrado na França não se confunde com o Estado constitucional consagrado hodiernamente. O État du Droit corresponde ao Verfassungsstaat - Estado Constitucional (Alemanha). Características do Estado Liberal: 1) Abstencionista: o Estado que não intervém no domínio econômico e social. O Estado, portanto, não intervém na esfera de liberdade do indivíduo, limitando-se à defesa da ordem e da segurança pública e à administração da justiça. Trata-se do chamado “Estado mínimo”. 2) Direitos fundamentais = direitos da burguesia: os direitos fundamentais consagrados na constituição da época correspondiam, basicamente, aos direitos da burguesia. Direito à vida, liberdade, igualdade, propriedade, os quais eram assegurados apenas no aspecto formal, sem preocupação com o aspecto material. 3) Limitação do soberano: a limitação do poder se estende, inclusive, ao soberano. Com o Estado de Direito, não há ninguém que não esteja submetido às normas jurídicas. 4) Princípio da legalidade: a administração pública passa a ser compreendida como atividade a ser exercida dentro da lei. Por esse motivo, há o nome “rule of law” (império da lei). Gerações ou Dimensões de Direito Fundamentais: Foi criado por Karel Vazak em 1979, inspirado no lema da Revolução Francesa: a) Liberdade (1ª geração); Igualdade (2ª geração); Fraternidade (3ª geração). Mais tarde, foi reproduzido por Bobbio (na obra “A Era dos Direitos”). No Brasil, foi introduzido por Paulo Bonavides. Consagração da Primeira geração/dimensão dos direitos fundamentais: Classificação feita por Karel Vazak (1979). Divulgação do tema feito por Norberto Bobbio (mundo) e por Paulo Bonavides (Brasil). São direitos ligados ao valor liberdade (direitos civis e políticos). Os direitos civis são conhecidos na doutrina como direitos de defesa. E os políticos como direitos de participação. Os direitos de defesa têm como característica exigir do Estado uma abstenção (conduta omissiva). Modelo de Estado: Estado de direito (Estado liberal) – experiência de concretização do Estado de Direito – “Rule of law” (Inglaterra); Rechtsstaat (Prússia) e Ètat legal (França). O Estado de Direito tem algumas características ligadas ao liberalismo político e algumas ao liberalismo econômico (ideia de Estado limitado). Um das características que diferencia o Estado de Direito do Estado Absolutista é a limitação ao direito que se estende ao soberano; A atuação da Administração pública deve ser pautada pelo princípio da legalidade; Os direitos fundamentais correspondem basicamente aos direitos da burguesia (caráter meramente formal). O liberalismo econômico está ligado ao Estado mínimo. No Estado mínimo o papel do Estado deve se limitar a defesa da ordem e segurança públicas. Questões econômicas e sociais são deixadas a livre iniciativa. Estado abstencionista. I - Primeira geração: Relaciona-se com o valor liberdade (à liberdade (religiosa, de pensamento, de locomoção, etc). Esses direitos são chamados de direitos civis e políticos). No final do sec. XVIII, as revoluções liberais tinham por objetivo maior a liberdade, ante a existência de Estado absolutista, a constituição refletia o valor que mais se buscava, ou seja, liberdade. Tipos de direitos da primeira geração: a) Direitos civis (direito de defesa): igualdade formal, vida, liberdade e propriedade. Trata-se de direitos ligados a defesa do indivíduo em face do Estado. Os direitos tinham apenas eficácia vertical e não horizontal, eis que só eram oponíveis ao Estado. A burguesia queria proteger seus direitos em face ao autoritarismo do Estado. Direitos: direitos civis são relativos à defesa do indivíduo em face do Estado. São direitos de caráter negativo, pois exigem uma abstenção do Estado (exemplos: direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade formal). Já os direitos políticos são os direitos de participação na vida política do Estado b) Direitos políticos (direito de participação – esse nome foi dado por Jellinek). Busca-se a participação do indivíduo na vida política do Estado. Nesta época, os direitos políticos eras restrito. Mulheres, pobres e crianças não participavam. Os direitos de liberdade possuem caráter negativo por exigir do Estado uma abstenção e não agir. É um não. Exige uma conduta omissiva, abstenção, por parte do Estado. A Primeira Geração é composta por direitos individuais. São direitos que protege os direitos dos indivíduos em face do abuso estatal. Eles eram oponíveis ao Estado. A ideia de um Estado de Direito aparece após a revolução francesa. 2.2 – Constitucionalismo social Período entre o fim da primeira guerra mundial e fim da segunda guerra mundial. O constitucionalismo social surge em razão da impotência do liberalismo diante das demandas sociais que abalaram o século XIX, se agravaram com a primeira guerra mundial. Quanto maior a desigualdade social, maior a necessidade de intervenção do Estado. Aqui ocorreu a crise econômica, crise social. Neste constitucionalismo encontramos os direitos de 2ª geração (igualdade material e fática). Direitos de segunda geração são os direitos sociais, econômicos e culturais. São chamados de direitos prestacionais ou direitos à prestações, pois o Estado precisa fornecer prestações materiais. Nesse período surgiram duas constituições, tais quais: Mexicana (1917) e Weimar (1919). Estado social: Na fase das constituições sociais, surge o Estado social, o qual busca superar a dicotomia entre a igualdade política e a desigualdade social existente. A principal diferença entre o Estado social e o Estado socialista é que aquele adere ao capitalismo e este não. ✓ Variados sistemas adotaram o Estado social, inclusive sistemas autoritários (exemplo: Alemanha nacionalista, Itália fascista etc.). Isso, contudo, não significa que haja relação entre o estado social e o autoritarismo. Os direitos consagrados nesta dimensão são também chamados de prestacionais ou direitos a prestações. São assim chamados porque não basta uma mera abstenção do Estado, esses direitos necessitam de uma participação do Estado que deve fornecer prestações materiais para concretização desses direitos. Ex.: saúde, educação, previdenciário, etc. Não basta garantir direito à educação, o Estado tem que construir escolas. Não basta garantir saúde, tem que construir hospitais. *** Os direitos de defesa possuem mais efetividade do que os direitos sociais? Os direitos de defesa são realizados de forma mais ampla do que os direitos de prestação porque as implantações do direito de defesa são maiores, tem custo alto. Os direitos sociais são mais onerosos, elestem que atender a reserva do possível e por conta disso fica limitado a sua implantação. Características: a) Intervenção no âmbito social, econômico e laboral: O Estado social vai abandonar a postura liberal para começar a intervir. Daí o surgimento das leis trabalhistas, por exemplo, que antes ficava no domínio privado. O Estado social abandona a postura abstencionista e intervém no âmbito social, econômico e laboral. b) papel decisivo na produção e distribuição de bens: O Estado passa a intervir. O Estado regula e participa do processo de produção e de distribuição de bens. c) Garantia de um mínimo de bem estar social: “welfare state” – busca garantir o mínimo de bem estar. Ex.: LOAS – benefício para pessoas pobres, benefício social para pessoas que vivem em extrema miserabilidade. as pessoas precisam ter um mínimo de bem-estar para poder ter dignidade. Um exemplo de medida que visa à garantia do bem- estar social é o benefício de prestação continuada da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), fornecido, no Brasil, a pessoas idosas (maiores de 65 anos) ou deficientes, quando a renda per capita é inferior a ¼ do salário-mínimo (nos termos da lei) ou a ½ do salário-mínimo (nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal). Direitos Fundamentais de 2ª geração: Na segunda fase do constitucionalismo moderno, são consagrados novos direitos fundamentais nos textos constitucionais. • Valor: dentro do lema da Revolução Francesa, a 2ª geração está ligada ao valor “igualdade”. Não se trata de igualdade formal, mas de igualdade material ou fática. • Direitos: os direitos de segunda geração são chamados direitos sociais, econômicos e culturais. • Garantias institucionais: nessa época, percebeu-se que era necessário proteger algumas instituições fundamentais para a sociedade (família, imprensa livre, funcionalismo público). 2.3 – Constitucionalismo contemporâneo Chamado também de neoconstitucionalismo. Ocorre a partir dos meados do século passado (2ª Guerra Mundial). Período do fim da segunda guerra em diante. Um dos aspectos principais nesta fase foi a preocupação com a dignidade da pessoa humana. A dignidade da pessoa humana passou a ser valor constitucional supremo. A dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil (art. 51º, inc. III). O Estado existe para o indivíduo e não o inverso. O Estado existe para satisfazer o indivíduo e não o indivíduo para o Estado. OBS.: No tocante ao Neoconstitucionalismo, também chamado de constitucionalismo pós-moderno ou pós-positivismo, é um constitucionalismo em que além da ideia de limitação do poder político, busca-se a eficácia da Constituição, especialmente diante dos direitos fundamentais. Acontece que, até então, o legislador não era vinculado aos direitos conquistados. Isto porque o legislador era visto como, uma vez sendo representantes do povo, “representante” desses direitos. Acontece que, por várias vezes, o legislador violava certos direitos. Desta forma, nasce a necessidade de se vincular o legislador aos direitos fundamentais conquistados. A constituição deixou de ser uma mera declaração formal de direitos e passou a ser vista como lei. Tem-se a normatividade, isto é, vinculação do legislador à constituição. Trata-se de uma característica vinda do modelo norte americano. Características: a) É uma amálgoma da experiência francesa e norte-americana. b) prolixas. O legislador era visto como amigo dos direitos e não como inimigo. O legislador implementava estes direitos. c) Reconhecimento definitivo da força normativa do Constituição: Na Europa, o reconhecimento só ocorreu com o fim da Segunda Guerra. No Brasil, a obra que marca esta característica é “Força Normativa da Constituição” de Konrad Hesse. Tudo que está na constituição é vinculante. Após a Segunda Guerra Mundial, houve o reconhecimento definitivo de que a constituição é uma norma jurídica e deve ser respeitada. Até então, as constituições eram vistas na Europa como documentos essencialmente políticos, principalmente na parte dos direitos fundamentais. ✓ Os direitos fundamentais não eram oponíveis ao Poder Legislativo. Ocorre que, muitas vezes, as maiores violações a esses direitos vinham do próprio parlamento. ✓ Assim sendo, a partir da segunda metade do século passado, as declarações de direitos passaram a ser oponíveis a todos os poderes públicos, inclusive ao Poder Legislativo. ✓ Atualmente, entende-se que as constituições possuem normas-princípios e normas-regras, sendo que ambas são espécies das normas jurídicas. ✓ Observação: na Europa, o reconhecimento da força normativa da constituição ocorreu após o fim da Segunda Guerra Mundial. Na América Latina, o reconhecimento ocorreu após o fim das ditaduras militares. No Brasil, por exemplo, isso ocorreu a partir da CF/1988. d) Rematerialização das constituições: É uma característica das constituições modernas o fato de serem extensas, analíticas e regulamentares. Os textos constitucionais não se restringem aos princípios gerais. Isso ocorre porque a maioria das constituições modernas foram criadas após um período de autoritarismo, assim, a intenção foi tentar proteger os direitos de maneira mais abrangente. e) Centralidade da Constituição: Está ligada ao fenômeno da constitucionalização do direito. Luis Barroso, prevê 3 aspectos para definir estas características: e.1) Consagração de um expressivo número de notas de outros ramos do direito no texto constitucional; e.2) Reconhecimento da eficácia horizontal dos direitos fundamentais; e.3) Interpretação das leis conforme a Constituição. É o princípio da interpretação conforme, isto é, interpretar uma lei a luz da constituição, de forma compatível com os valores constitucionais. Ex.: Caso da união homoafetiva. f) Fortalecimento da jurisdição constitucional e do Poder Judiciário: A ideia de garantia jurisdicional da constituição é advinda do direito norte-americano. Isso porque há o entendimento de que o Poder Judiciário é o mais neutro entre os três poderes. A combinação entre a prolixidade e a força normativa da Constituição, a qual é assegurado pelo Judiciário, acaba por fortalecer este Poder, dando origem à chamada “judicialização das relações políticas e sociais”. ✓ A judicialização das relações políticas e sociais refere-se ao fato de que questões, anteriormente restritas ao âmbito político e social, hoje são levadas ao Poder Judiciário. g) Dignidade da pessoa humana => Centralidade da Constituição e dos direitos fundamentais: I - As atrocidades praticadas durante a Segunda Guerra Mundial levaram à percepção de que era necessário que as Constituições consagrassem, com o seu núcleo, a dignidade da pessoa humana. Constituições anteriores à Segunda Guerra Mundial dificilmente consagravam a dignidade da pessoa humana. A dignidade da pessoa humana surge para afastar qualquer tipo de hierarquização entre indivíduos, os quais devem ser tratados sempre como fins em si mesmos, e nunca como meios para que outros fins sejam atingidos – sobretudo fins do Estado. A dignidade da pessoa humana passou a ser o núcleo axiológico das constituições. II – Juntamente com a dignidade da pessoa humana, surge também a ideia de centralidade da constituição e dos direitos fundamentais. O professor Paulo Bonavides tem uma frase que sintetiza a evolução da sociedade: “ontem, os códigos; hoje, as constituições”. ✓ A centralidade da constituição e dos demais direitos fundamentais dá origem ao fenômeno da Constitucionalização do Direito. ✓ A ideia de constitucionalização do direito surge no direito alemão com a constituição 1949. III - A constitucionalização do direito possui três características fundamentais: a) Consagração constitucional de normas de outros ramos do direito nas constituições:Essa talvez seja a face mais evidente da Constituição Federal de 1988. O texto constitucional não tem apenas as matérias clássicas do Direito Constitucional, mas também normas sobre Direito Administrativo, Ordem Econômica e Financeira, etc. Assim, outros ramos do direito encontram seus princípios básicos na Constituição. b) Interpretação das leis conforme a Constituição (“filtragem constitucional”): A interpretação das leis infraconstitucionais deve ser feita sempre à luz da Constituição. Através da filtragem constitucional, faz-se uma interpretação das leis conforme a Constituição, extraindo-se do dispositivo o seu melhor significado. Atenção: texto e norma não se confundem! Uma coisa é, por exemplo, o artigo que está no Código Penal (texto), outra coisa é a norma (produto da interpretação do texto). Assim, de um mesmo texto é possível extrair várias normas, mas pode ser necessário mais de um texto para extrair uma única norma. c) Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: os direitos fundamentais são oponíveis não só ao Estado, mas também aos particulares, aplicando-se às relações privadas. ✓ A eficácia horizontal dos direitos fundamentais se refere à relação entre particulares. Obs.: Hoje já se fala em eficácia diagonal de direitos fundamentais, a qual ocorre quando a relação entre os particulares possui uma desigualdade fática (ex: relações trabalhistas). #OUSESABER: O que se entende por filtragem constitucional? “Ontem os Códigos; hoje as Constituições: a revanche de Grécia contra Roma”. (Paulo Bonavides e Eros Grau). Essa frase que soa à primeira vista bem poética ilustra bem o conceito de filtragem constitucional que, de acordo com Luís Roberto Barroso, consiste no fenômeno segundo o qual toda a ordem jurídica deve ser lida e aprendida sob as lentes da Constituição, de modo a realizar os valores nela consagrados. Assim, sob a égide do neoconstitucionalismo, a Constituição assumiu posição de centralidade no ordenamento, cujos preceitos são dotados de normatividade e se irradiam para os outros ramos do Direito, devendo, inclusive, os Códigos serem interpretados à sua luz. Características do neoconstitucionalismo a) positivação e concretização de um catálogo de direitos fundamentais; b) onipresença dos princípios e das regras; c) inovações hermenêuticas; d) densificação da força normativa do Estado; e) desenvolvimento da justiça distributiva. No Brasil, os estudiosos que se destacam a respeito da temática são, entre outros, Luís Ro- berto Barroso, Ana Paula de Barcellos, Daniel Sarmento e Humberto Ávila. As teorias e teses que circundam o problema específico da concretização de políticas públicas via judicial são o “ativismo judicial”, o “mínimo existencial”, a “reserva do possível”, a “teoria dos custos dos direitos” e as “es- colhas trágicas”, que abordaremos em tópicos específicos. No plano jurisprudencial, destacam-se os julgados relatados pelo Ministro Celso de Mello, a exemplo da ADPF 45 e do ARE 745.745 AgR/MG: 6 Assim, antes de adentrarmos nas teses que circundam o Recurso Extraordinário com Agravo (Lei nº 12.322/2010) – Manutenção de rede de assistência à saúde da criança e do adolescente – Dever estatal resultante de norma constitucional – Configuração, no caso, de típica hipótese de omissão inconstitucional imputável ao município – Desrespeito à cons- tituição provocado por inércia estatal (RTJ 183/818-819) – Comportamento que transgride a autori- dade da lei fundamental da República (RTJ 185/794-796) – A questão da reserva do possível: reco- nhecimento de sua inaplicabilidade, sempre que a invocação dessa cláusula puder comprometer o núcleo básico que qualifica o mínimo existencial (RTJ 200/191-197) – O papel do Poder Judiciário na implementação de políticas públicas instituídas pela Constituição e não efetivadas pelo Poder Público – A fórmula da reserva do possível na perspectiva da teoria dos custos dos direitos: impossibilidade de sua invocação para legitimar o injusto inadimplemento de deveres estatais de prestação constitu- cionalmente impostos ao Poder Público – A teoria da “restrição das restrições” (ou da “limitação das limitações”) – Caráter cogente e vinculante das normas constitucionais, inclusive daquelas de conte- údo programático, que veiculam diretrizes de políticas públicas, especialmente na área da saúde (CF, arts. 6º, 196 e 197) – A questão das “escolhas trágicas” – A colmatação de omissões inconstitucionais como necessidade institucional fundada em comportamento afirmativo dos juízes e tribunais e de que resulta uma positiva criação jurisprudencial do direito – Controle jurisdicional de legitimidade da omis- são do Poder Público: atividade de fiscalização judicial que se justifica pela necessidade de obser- vância de certos parâmetros constitucionais (proibição de retrocesso social, proteção ao mínimo exis- tencial, vedação da proteção insuficiente e proibição de excesso) – Doutrina – Precedentes do Su- premo Tribunal Federal em tema de implementação de políticas públicas delineadas na Constituição da República (RTJ 174/687 – RTJ 175/1212-1213 – RTJ 199/1219-1220) – Existência, no caso em exame, de relevante interesse social – Recurso de agravo improvido. (ARE 745745 AgR, Relator(a): Min. Celso de Mello, Segunda Turma, julgado em 02/12/2014, processo eletrônico DJe-250 DIVULG 18-12-2014 PUBLIC 19-12-2014) /1219-1220) – Existência, no caso em exame, de relevante interesse social – Recurso de agravo improvido. (ARE 745745 AgR, Relator(a): Min. Celso de Mello, Segunda Turma, julgado em 02/12/2014, processo eletrônico DJe-250 DIVULG 18- 12-2014 PUBLIC 19-12-2014) Neoconstitucionalismo e o ativismo judicial, é pertinente destacar o que distingue o constitucionalismo pós-moderno do constitucionalismo moderno, conforme disposto no quadro acima. Dessa forma, a Constituição deixa de ser o simples topo da pirâmide hierárquica normativa, passando a figurar no centro do sistema, dotada de intensa carga valorativa. A lei e, de modo geral, os Poderes Públicos, devem não só observar a forma prescrita na Constituição, mas, acima de tudo, estar em consonância com o seu espírito, o seu caráter axiológico e os seus valores destacados. A Constituição, assim, adquire, de vez, caráter de norma jurídica, dotada de imperatividade, superioridade (dentro do sistema) e centralidade, vale dizer, tudo deve ser interpretado a partir da Constituição. Estado Democrático de Direito (Estado Constitucional Democrático): Com o fim da Segunda Guerra Mundial, surgiu o Estado Democrático de Direito, o qual sintetiza as conquistas dos modelos anteriores e, ao mesmo tempo, tenta superar as suas deficiências. Esse modelo é democrático de direito porque busca fazer uma conexão entre o Estado de direito e a democracia. O princípio da soberania popular é uma das vigas mestras desse modelo. Alguns autores preferem denominar esse modelo de Estado Constitucional Democrático, pois isso denota uma mudança de paradigma, de modo a substituir a ideia de “império da lei” pela ideia de “força normativa da constituição”. Características do Estado Democrático de Direito: 1) Direitos fundamentais - efetividade/conteúdo: Há a preocupação com a MUITO IMPORTANTE Constitucionalismo moderno Constitucionalismo pós-moderno – Hierarquia entre as normas. – Hierarquia entre as normas ultrapassa o simples aspecto formal, sendo também axiológica (valora- tiva). – Limitação do poder. – Concretização dos Direitos Fundamentais. efetividade dos direitos fundamentais, e não apenas com a consagração formal desses direitos na constituição. Hoje, a preocupação não é apenas com o aspecto formal, mas também com o aspecto material. Fala-se em liberdade material (ao lado da liberdade formal), em igualdade material (ao lado da igualdade formal), etc.2) Limitação do Poder Legislativo: O Poder Legislativo, antes apenas limitado sob o ponto de vista formal (ou seja, o controle de constitucionalidade era apenas de formalidades e de procedimentos), agora é mais controlado. Hoje, o controle se dá também em relação ao conteúdo das leis e à análise de sua compatibilidade com a Constituição (aspecto material). O controle de conteúdo das leis, hodiernamente, é usual e é feito com frequência pelo Poder Judiciário – o que também ocorre em relação às omissões inconstitucionais. 3) Democracia substancial: A democracia substancial é o respeito aos direitos fundamentais de todos, inclusive, o direito das minorias. Direitos de Terceira Geração: São direitos ligados à fraternidade e solidariedade. A partir desta fase, começa há haver divergência de gerações. Direitos fundamentais de 3ª geração: Muitas pessoas preferem utilizar a expressão “dimensão” em vez de “geração”, pois esta expressão dá a ideia de que uma geração substitui a outra, já a dimensão dá a ideia de abrangência. Segundo Paulo Bonavides, os direitos de terceira geração são: a) Direito ao desenvolvimento e progresso; b) Direito ao meio ambiente; c) A determinação dos povos; d) Direito sobre o patrimônio comum da humanidade; e) Direito de comunicação. • Valor: o valor aqui consagrado é o da fraternidade (ou solidariedade). Neste caso, já não há um consenso sobre os direitos dessa geração. • Direitos: na visão do professor Paulo Bonavides, os direitos de 3ª geração são os direitos ao desenvolvimento, ao meio ambiente, de autodeterminação dos povos, sobre o patrimônio comum da humanidade e de comunicação (rol exemplificativo). • Outros - a doutrina cita outros direitos de terceira geração, entre eles: consumidor, crianças e idosos. OBS.: Há autores que colocam direito do consumidor como parte de direito de terceira geração. #OBS: Com a segunda geração surgem as chamadas “garantias institucionais”. O que são elas? As garantias individuais são as que protegem direitos dos indivíduos. As garantias institucionais são garantias de instituições importantes para a sociedade. Percebeu-se que tão importante que proteger o indivíduo era proteger algumas instituições, como garantir uma imprensa livre, proteger a família, o funcionalismo público, etc. #COMPLEMENTAÇÃO #VOCÊSABIA #SELIGANAQUESTÃO #JÁCAIUEMPROVA #MP: “Não obstante os juízes fossem juízes reais, designados pelo rei, e não obstante agissem em seu nome, eram obrigados por juramento a determinar os direitos do súdito, não em função da vontade do soberano, mas segundo a lei; e um estudo aprofundado dos processos que nos restam daquele tempo demonstra que essa não era uma pia teoria, mas, em linha de máxima, uma prática geral e concreta." Essa passagem do Capítulo IV da obra clássica “Constitucionalismo Antigo e Moderno", de Charles Howard McIlwain, retrata aspecto da doutrina dos DOIS CORPOS DO REI. *#SELIGA #TEMANOVO: Panconstitucionalização e liberdade de conformação do legislador1. Embora uma das principais características do neoconstitucionalismo seja a defesa da constitucionalização do Direito, parte da doutrina defende que tal fenômeno deva ocorrer com parcimônia. Isso porque, segundo Daniel Sarmento e Cláudio Pereira de Souza Neto2, a excessiva constitucionalização do Direito, conhecida como panconstitucionalização, poderia gerar um viés antidemocrático no ordenamento jurídico de determinado Estado; afinal, se tudo já está decidido e definido pela Constituição, é pequeno ou quase nulo o espaço de liberdade e conformação do legislador. Nessa linha, os representantes do povo seriam meros executores de medidas já impostas pelo constituinte, o que atentaria contra o 1 Na prova do MP/PR 2019, foi considerada correta a seguinte afirmativa: Atribui-se viés antidemocrático à panconstitucionalização – excesso de constitucionalização do Direito -, porque, se o papel do legislador se resumir ao de mero executor de medidas já impostas pelo constituinte, nega-se autonomia política ao povo para, em cada momento de sua história, realizar suas escolhas. 2 Sarmento, Daniel e Souza Neto, Cláudio Pereira de. Direito constitucional: teoria, história e métodos de trabalho, Ed. Fórum 2014, 2ª ed, Locais do Kindle 763-768. regime democrático. Logo, para que a constitucionalização do Direito ocorra de forma democrática, é necessário que se respeite a liberdade de conformação do legislador. Direitos de Quarta Dimensão: Paulo Bonavides: democracia, informação e pluralismo. Segundo este autor, a democracia, a informação e o pluralismo fazem parte da 4ª geração. A democracia, segundo Paulo Bonavides, teria evoluído ao longo do tempo e, por isso, seria enquadrada nesta geração. A informação compreende o direito a informar, a ser informado e a se informar. Por fim, o pluralismo está consagrado na CF/88 como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. Embora a Constituição Federal utilize a expressão “pluralismo político”, o termo pluralismo é muito mais abrangente, alcançando o respeito à diversidade e às diferenças de modo geral. ✓ Boaventura de Souza Santos possui uma frase interessante: “Temos o direito de ser iguais quando a diferença nos inferioriza; e temos o direito de ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza.” Segundo Paulo Bonavides, os direitos são: a) Democracia: É ampliação do direito à democracia, incluindo a democracia substancial, direita (art. 14, CF: plebiscito, referendum e iniciativa popular) e o sufrágio universal; b) Informação: Abrange os seguintes direitos: direito a informar, art. 220 a 224, CF, direito de se informar (direito de buscar informações que estão disponíveis, a exemplo de jornais e internet), art. 5º, inc. XIV, CF, e direito de ser informado (é o direito de chegar em repartição pública e obter informação), art. 5º, inc. XXXIII, CF; c) Pluralismo: É um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, art. 1º, inc. V, CF. É o pluralismo ideológico, religioso, artístico, cultural e de orientações. d) Direito a identificação genérica do indivíduo. Não entra na classificação de Paulo Bonavides, mas muito sustentado por outros autores. Direito de Quinta geração: Segundo Paulo Bonavides são os seguintes direitos: a) Paz: É um axioma da democracia participativa, um supremo direito da humanidade. Obs: é muito importante não confundir os fundamentos, os objetivos e os princípios que regem o Brasil nas relações internacionais. Assim, é necessário ler os artigos de 1º a 4º da Constituição Federal. • Outros - parte da doutrina aponta como direitos à quarta geração os seguintes: direitos relacionados à biotecnologia e à bioengenharia; identificação genética do indivíduo. Marcos fundamentais do neoconstitucionalismo: Os marcos fundamentais do Neoconstitucionalismo são extraíveis de artigo do professor Luís Roberto Barroso que introduziu a questão. Em suma, é possível enumerar três grandes marcos do Neoconstitucionalismo: o marco histórico, o marco filosófico e o marco teórico. Ao tratar do marco histórico, o celebrado autor e atual Ministro do Supremo Tribunal Federal aponta que “o marco histórico do novo direito constitucional, na Europa continental, foi o constitucionalismo do pós- guerra, especialmente na Alemanha e na Itália. No Brasil, foi a Constituição de 1988 e o processo de redemocratização que ela ajudou a protagonizar”. No tocante ao marco filosófico, o Ministro Barroso aponta que “o marco filosófico do novo direito constitucional é o pós-positivismo”. A filosofia pós-positivista, como o nome sugere, bus- cou superar as premissas teóricas do positivismo clássico, que equiparava o Direito à lei e sob cuja égide Alemanha e Itália justificaram o nazismo e o fascismo. “Ao fim da 2ª Guerra, a ética e os valores começama retornar ao Direito”. Por fim, o marco teórico tem por base três grandes transformações que subverteram o conhecimento convencional relativamente à aplicação do direito constitucional: i) o reconhecimento de força normativa à Constituição; ii) a expansão da jurisdição constitucional; iii) o desenvolvimento de uma nova dogmática da interpretação constitucional. Portanto, em resumo, os marcos que caracterizam o neoconstitucionalismo podem ser assim esquematizados: Neoconstitucionalismo Marco Histórico Marco Filosófico Marco Teórico 1. No mundo: 1. O pós-positivismo: 1. Força normativa da CF: O constitucionalismo do pós- guerra, especialmente na Alema- nha e Itália; Reaproximação do Direito à ética e aos valores de Justiça. Normas constitucionais como nor- mas jurídicas, e não como sim- ples convite à atuação dos pode- res majoritários. 2. No Brasil: 2. Jurisdição constitucional: A CF/88 e a redemocratização do país. Habilitação do Poder Judiciário como coparticipante da criação do Direito Constitucional. 3. Nova hermenêutica constitu- cional: Interpretação com novas catego- rias, como as cláusulas gerais, os princípios, as colisões de normas constitucionais, a ponderação e a argumentação. Características: a) Positivação e concretização de um catálogo de direitos fundamentais; b) Onipresença dos princípios e das regras Inovações hermenêuticas; c) Densificação da força normativa da Constituição; d) Desenvolvimento da justiça distributiva (eficácia de direitos sociais) #UMPOUCODEDOUTRINA: “O pós-positivismo busca ir além da legalidade estrita, mas não despreza o direito posto. Procura empreender uma leitura moral do Direito, mas sem recorrer a categorias metafísicas. A interpretação e aplicação do ordenamento jurídico hão de ser inspiradas por uma teoria de justiça, mas não podem comportar voluntarismos ou personalismos, sobretudo os judiciais. No conjunto de ideias ricas e heterogêneas que procuram abrigo neste paradigma em construção incluem-se a atribuição de normatividade aos princípios e a definição de suas relações com valores e regras; a reabilitação da razão prática e da argumentação jurídica; a formação de uma nova hermenêutica constitucional; e o desenvolvimento de uma teoria dos direitos fundamentais edificada sobre o fundamento da dignidade humana. Nesse ambiente, promove-se uma reaproximação entre o Direito e a filosofia”. Dignidade da Pessoa Humana: no neoconstitucionalismo, a dignidade da pessoa humana é tida como centro de todo o sistema. Passou-se a entender que a Constituição não é um texto normativo como os demais, pois é a referência normativa e axiológica do ordenamento jurídico, com elevada carga principiológica. Assim, as regras e os princípios como espécie de norma jurídica, são interpretados e aplicados à luz da dignidade da pessoa humana. Críticas ao neoconstitucionalismo no ordenamento jurídico brasileiro: Consignadas as limitações elencadas nos tópicos anteriores, vê-se, portanto, que o ativismo judicial não pode descambar para o arbítrio judicial, que, a pretexto de imprimir juridicidade às nor- mas constitucionais, especialmente os princípios, finda por relegar a um segundo plano a segurança jurídica e a democracia. Esse é o ponto de reverberação das críticas à recepção distorcida do neo- constitucionalismo no Brasil. Os principais autores que cuidam do tema são Daniel Sarmento, Humberto Ávila e Marcelo Neves. Segundo Daniel Sarmento, “no Brasil, uma crítica que tem sido feita à recepção do neoconstitucionalismo – eu mesmo a fiz em vários textos, bem como outros autores, como Humberto Ávila e Marcelo Neves – é a de que ele tem dado ensejo ao excessivo arbítrio judicial, através do que chamo de ‘carnavalização dos princípios constitucionais’. Os princípios constitucionais, de teor mais vago, acabam servindo para tudo, no contexto de uma cultura jurídica que vê como mais cult a sua invocação do que o recurso às regras legais. Com frequência, tais princípios são empregados sem a devida fundamentação. Paga-se por isto um preço caro em termos de segurança jurídica – já que as decisões judiciais se tornam imprevisíveis – e de democracia – pois os cidadãos ficam sujeitos aos gostos e às preferências de magistrados não eleitos. Além disso, no cenário de ‘cordialidade assimétrica’ em que vivemos, o recurso indiscriminado a princípios fluidos pode ser uma forma oblíqua de se legitimar o uso do ‘jeitinho’, em favor dos amigos e dos mais poderosos. Estes, porém, são problemas da recepção do neoconstitucionalismo em nossas práticas judiciais, e não da teoria neoconstitucional, que não endossa este uso abusivo e pouco fundamentado de princípios abertos”. No mesmo sentido, Humberto Ávila assenta a incorreção da tendência jurídica brasileira de se imaginar a superação: 1) das regras, pelos princípios; 2) da subsunção, pela ponderação; 3) da justiça geral, pela justiça particular; 4) da atuação dos poderes eleitos (Executivo e Legislativo), pela atuação do poder contramajoritário (Judiciário). Pontua o autor que, a bem da verdade, as regras, a subsunção, a justiça geral e o debate nas arenas majoritárias são tão importantes quanto os demais, diferenciando-se em relação a estes tão só pelas suas funções. Luís Roberto Barroso, analisando o neoconstitucionalismo a partir do seu marco filosófico, afirma que “o pós-positivismo busca ir além da legalidade estrita, mas não despreza o direito posto; procura empreender uma leitura moral do Direito, mas sem recorrer a categorias metafísicas. A interpretação e aplicação do ordenamento jurídico hão de ser inspiradas por uma teoria de justiça, mas não podem comportar voluntarismos ou personalismos, sobretudo os judiciais”. Em arremate, conquanto não sejam negadas as transformações promovidas pelo neoconstitucionalismo, sobretudo, em relação à força normativa da Constituição e ao engrandecimento do Poder Judiciário como coparticipante do processo de criação do Direito Constitucional, o candidato à advocacia pública deve voltar os olhos, principalmente, para os limites de atuação desse poder contramajoritário. Deve defender, por isso, que o ativismo judicial não pode desaguar em arbítrio judicial, em desrespeito à separação dos poderes, à segurança jurídica e aos valores inerentes à democracia. #OUSESABER: Na lição de Daniel Sarmento e Cláudio Pereira de Souza Neto, o fenômeno da constitucionalização do direito se bifurca em duas vertentes de compreensão, quais sejam, a constitucionalização-inclusão e a constitucionalização releitura. A) A chamada constitucionalização-inclusão consiste no “tratamento pela Constituição de temas que antes eram disciplinados pela legislação ordinária ou mesmo ignorados”. Exemplo: a tutela constitucional do meio ambiente e do consumidor, algo até então inédito nas Constituições pretéritas. Essa inflação de assuntos no texto constitucional, marca das constituições analíticas, faz com que qualquer disciplina jurídica, ainda que dotada de autonomia científica, encontre um ponto de contato com a Constituição, cuja onipresença foi cunhada pela doutrina de ubiquidade constitucional. B) A constitucionalização-releitura traduz “a impregnação de todo o ordenamento pelos valores constitucionais”. Neste caso, os institutos, conceitos, princípios e teorias de cada ramo do Direito sofrem uma releitura, para, à luz da Constituição, assumir um novo significado. Portanto, a Constituição, que era mera coadjuvante, se torna protagonista na interpretação do direito infraconstitucional. Na feliz expressão de Paulo Bonavides, “Ontem, os Códigos; hoje, a Constituição”. Outros juristas adotaram uma classificação diferenciada para o fenômeno da constitucionalização do Direito. Não existe classificação certa ou errada, mas sim classificação útil ouinútil. Em provas de concursos públicos, devemos conhecer as principais. Quando se trata da constitucionalização do Direito, uma das mais célebres classificações é trazida por Louis Favoreu. O jurista francês elenca três grupos: a) constitucionalização-elevação: aquela pela qual opera-se um deslizamento de assuntos, até então confinados no compartimento infraconstitucional, para elevarem-se ao texto constitucional. B) constitucionalização-transformação: aquela que impregna e transforma os demais ramos do Direito, para convertê-los em um Direito Constitucional Civil, Direito Constitucional Ambiental. C) constitucionalização juridicização: traduz o surgimento da força normativa da Constituição. Crítica: a força normativa da Constituição é um pressuposto para a constitucionalização do Direito, não exatamente uma categoria autônoma desse fenômeno. #FOCANATABELA #COLANARETINA JUSNATURALISMO, POSITIVISMO E PÓS-POSITIVISMO O jusnaturalismo, o positivismo e o pós-positivismo são correntes doutrinárias com distintas concepções acerca do Direito. Todas elas são importantes e devem ser estudadas, na medida em que têm grandes influências no direito moderno e contemporâneo. Cabe destacar que não há que se falar na existência de uma cronologia entre Centro do sistema Norma jurídica – imperatividade e superioridade Carga valorativa – axiológica – dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais CONSTITUIÇÃO Eficácia irradiante em relação aos Poderes e mesmo aos particulares Concretização dos valores constitucionalizados Garantia de condições dignas mínimas HISTÓRICO FILOSÓFICO TEÓRICO MARCOS FUNDAMENTAIS - Estado Constitucional de Direito - Documentos a partir da Segunda Guerra Mundial - Redemocratização - Pós-positivismo - Direitos fundamentais - Direito-Ética - Força normativa (Konrad Hesse) - Supremacia da Constituição (constitucionalização dos direitos fundamentais) - Nova dogmática da interpretação constitucional elas, uma vez que até hoje há os que defendem o jusnaturalismo e o positivismo, embora o pós-positivismo seja o pensamento mais moderno. A corrente jusnaturalista defende que o direito é uno (válido em todo e qualquer lugar), imutável (não se altera com o tempo) e independente da vontade humana (para os jusnaturalistas, a lei é fruto da razão, e não da vontade humana). Para os jusnaturalistas, há um direito anterior ao direito positivo (escrito), que é resultado da própria natureza (razão)humana: trata-se do chamado direito natural. O jusnaturalismo apresenta diferentes escolas, com diferentes concepções. As principais são a Escola Tomista e a Escola do Direito Natural e das Gentes. A primeira delas tem como fundamento a doutrina de São Tomás de Aquino, segundo o qual existe um direito eterno, que vem de Deus, sendo este revelado parcialmente pela Igreja e parcialmente pela razão. Aparcela revelada pela razão consiste na Lei Natural. A lei positiva só tem validade, segundo essa escola, quando em conformidade com a Lei Natural. Assim, o Direito Natural tem como fundamento a própria Lei de Deus. Já para a segunda, a Escola do Direito Natural e das Gentes, o fundamento do Direito Natural se encontra na razão humana e na sua característica de ser social. Seu principal representante é Hugo Grócio. Para o positivismo jurídico, o direito se resume àquele criado pelo Estado na forma de leis, independentemente de seu conteúdo, sendo a Constituição seu fundamento de validade. Esta, por sua vez, tem como fundamento de validade a norma hipotética fundamental, que pode ser reduzida na frase “a Constituição deve ser obedecida” (sentido lógico- jurídico de Kelsen). Na ótica positivista, direito e moral são coisas distintas; não há qualquer vínculo entre direito e moral ou entre direito e ética. Esse distanciamento entre direito e moral legitimou as atrocidades e barbáries da Segunda Guerra Mundial; ao amparo da lei (fruto da vontade popular),perpetraram-se graves violações aos direitos humanos. Não há, todavia, que se atribuir qualquer carga axiológica negativa ao positivismo. A ascensão do positivismo jurídico está relacionada, na verdade, ao constitucionalismo: foi necessário impor, por meio das leis, limites ao poder do Estado. No Brasil, a teoria positivista é utilizada para afirmar que o Poder Constituinte Originário (poder de elaborar uma nova Constituição) é juridicamente ilimitado, cabendo-lhe criar as normas de hierarquia máxima dentro do ordenamento jurídico. Não há, portanto, inconstitucionalidade dos seus atos. Essa teoria foi adotada pelo Supremo Tribunal Federal, segundo o qual “a tese de que há hierarquia entre normas constitucionais originárias dando azo à declaração de inconstitucionalidade de umas em face de outras é incompatível com o sistema de Constituição rígida”. Cabe destacar que, na ótica jusnaturalista, o Poder Constituinte Originário seria limitado pelo direito natural, ou seja, por valores supra positivos decorrentes da razão humana. Assim, o Direito não se limita às regras criadas pelo Estado, mas é, antes, resultado da natureza humana. Desse modo, existem limites ao Poder Constituinte Originário, impostos pelo Direito Natural, caracterizado por valores fundamentais como o direito à vida, à liberdade, à intimidade, dentre outros. O pós-positivismo, por sua vez, é uma forma aperfeiçoada de positivismo, em que se entende que o Direito não se encontra isolado da moral, devendo esta ser considerada tanto quando de sua criação como quando de sua aplicação. Assim, princípios como a dignidade humana ou a igualdade influenciariam na criação e na aplicação das leis. Os marcos do pós-positivismo foram a Constituição Alemã de 1949 (Lei Fundamental de Bohn) e a Constituição Italiana de 1947. Atrocidades cometidas ao amparo da lei, como as do nazismo e do fascismo, não poderiam ser repetidas.