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Microrganismos patogênicos
Apresentação
Você já sabe que os microrganismos são formas de vida abundantes no Planeta? Além disso, eles
são muito importantes em vários processos, porém alguns são prejudiciais à saúde. Estes são
denominados microrganismos patogênicos.
Nesta Unidade de Aprendizagem, serão estudados os microrganismos patogênicos e suas relações
com a gestão ambiental. Serão abordados os diferentes tipos de microrganismos patogênicos e os
possíveis danos causados por eles, assim como as medidas de prevenção.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer os diferentes tipos de microrganismos patogênicos e suas características.•
Identificar os possíveis danos causados pelos microrganismos patogênicos ao ambiente em
equilíbrio.
•
Avaliar estratégias de prevenção e descontaminação de ambientes contaminados por
microrganismos patogênicos.
•
Infográfico
No infográfico a seguir, estão ilustrados os principais tópicos que serão tratados nesta Unidade de
Aprendizagem.
Conteúdo do livro
Para o aprofundamento das questões abordadas nesta Unidade de Aprendizagem, recomenda-se a
leitura da parte inicial do capítulo 28: "Interações dos microrganismos com o homem", do livro
Microbiologia de Brock. Inicie a leitura em "Interações benéficas dos microrganismos com o
homem" e vá até o item "Cárie dental".
Boa leitura.
77649 microbiologia de Brock AF.FH11 Tue Feb 23 14:15:44 2010 Page 1
Composite
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contribuem para a saúde global,
sob circunstâncias normais.
Visão geral das interações entre
os micro-organismos e o homem
Em suas atividades diárias normais, o corpo humano está
exposto a inúmeros micro-organismos presentes no ambien-
te. Além disso, centenas de espécies e incontáveis células
microbianas individuais, coletivamente referidas como a
microbiota normal, crescem sobre ou no interior do corpo
humano. A maioria, mas não todos, micro-organismos são
benéficos; poucos contribuem diretamente com nossa saúde
e um número ainda menor é uma ameaça à saúde.
Colonização por micro-organismos
Os mamíferos, quando no útero, desenvolvem-se em um am-
biente estéril, sem qualquer exposição a micro-organismos.
A partir do nascimento, a colonização, o crescimento de um
micro-organismo após o acesso aos tecidos hospedeiros, ini-
cia-se à medida que os animais são expostos aos micro-orga-
nismos. As superfícies da pele são prontamente colonizadas
por várias espécies. Da mesma forma, a cavidade oral e o
trato gastrintestinal adquirem micro-organismos através da
alimentação e exposição ao corpo materno que, juntamen-
te com outras fontes ambientais, iniciam a colonização da
pele, da cavidade oral, dos tratos respiratório superior e
gastrintestinal. Diferentes populações de micro-organismos
colonizam diferentes locais dos indivíduos, em diferentes
momentos. Por exemplo, em países em desenvolvimento,
Escherichia coli, um membro normal do intestino de huma-
nos e animais, coloniza o intestino de crianças no decorrer
de um período de vários dias após o nascimento. Em paí-
ses desenvolvidos, no entanto, as crianças normalmente não
adquirem E. coli por vários meses; o primeiro micro-orga-
nismo a colonizar o intestino dessas crianças é mais comu-
mente Staphylococcus aureus e outros micro-organismos
associados à pele. Fatores genéticos também desempenham
papel. Assim, a microbiota normal é altamente dependente
das condições às quais um indivíduo é exposto. A microbiota
normal é altamente diversa em cada indivíduo, podendo di-
ferir significativamente entre indivíduos, até mesmo dentre
uma determinada população.
Patógenos
Um hospedeiro é um organismo que alberga um parasita,
outro organismo que vive na superfície ou no interior do
hospedeiro, causando danos. Os parasitas microbianos são
denominados patógenos. O resultado de uma relação hos-
pedeiro-parasita depende da patogenicidade, a capacidade
de um parasita provocar danos em um hospedeiro. A patoge-
nicidade difere consideravelmente dentre os potenciais pa-
tógenos, assim como a resistência ou suscetibilidade do hos-
pedeiro em relação ao patógeno. Um patógeno oportunista
causa doença somente quando o hospedeiro não apresenta
resistência normal.
A patogenicidade varia significativamente entre pató-
genos individuais. A medida quantitativa da patogenicidade
é denominada virulência. A virulência pode ser expressa
quantitativamente como o número de células capaz de eli-
citar uma doença em um hospedeiro em um determinado
período de tempo. Nem a virulência do patógeno, ou a resis-
tência relativa do hospedeiro são fatores constantes. A inte-
ração hospedeiro-parasita é uma relação dinâmica entre os
dois organismos, influenciada pelas alterações nas condições
do patógeno, do hospedeiro e do meio ambiente.
Infecção e doença
Infecção refere-se a qualquer situação em que um micro-or-
ganismo estabelece-se e cresce no interior de um hospedeiro,
quer o hospedeiro seja prejudicado quer não. A doença é o
dano ou a lesão causados ao hospedeiro, prejudicando suas
funções. Infecção não é sinônimo de doença, uma vez que
o crescimento de um micro-organismo em um hospedeiro
nem sempre causa danos a ele. Assim, espécies da micro-
biota normal infectam o hospedeiro, mas raramente causam
doenças. No entanto, algumas vezes a microbiota normal
pode causar doenças se a resistência do hospedeiro estiver
comprometida, como acontece em doenças como câncer e
síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) (l Seção
34.15).
Interações hospedeiro-parasita
Os hospedeiros animais oferecem ambientes favoráveis ao
crescimento de vários micro-organismos. Esses são ricos em
nutrientes orgânicos e fatores de crescimento requeridos por
quimiorganotróficos, fornecendo condições de pH, pressão
osmótica e temperatura controladas. No entanto, o corpo
de um animal não é um ambiente uniforme. Cada região ou
órgão difere química e fisicamente dos outros, sendo assim
um ambiente seletivo, onde o crescimento de determinados
micro-organismos é favorecido. Por exemplo, a pele, o trato
respiratório e o trato gastrintestinal são ambientes químicos
e físicos seletivos, que permitem o crescimento de uma mi-
crobiota altamente diversa. O ambiente relativamente seco
I
28.1
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da pele favorece o crescimento de organismos que resistem à
desidratação, como a bactéria Gram-positiva Staphylococcus
aureus (l Seção 34.10); o ambiente altamente oxigenado
dos pulmões favorece o crescimento do organismo aeróbio
obrigatório Mycobacterium tuberculosis (l Seção 34.5); o
ambiente anóxico do intestino grosso permite o crescimen-
to de bactérias anaeróbias obrigatórias, como Clostridium e
Bacteroides (l Seções 16.2 e 16.12). Os animais também
possuem mecanismos de defesa que, atuando em conjunto,
impedem ou inibem a invasão e o crescimento microbianos.
Os micro-organismos que conseguem colonizar um hospedei-
ro com sucesso sobrepujaram esses mecanismos de defesa.
O processo de infecção
As infecções frequentemente iniciam-se em sítios localizados
nas membranas mucosas do animal. As membranas mucosas
são camadas simples ou múltiplas de células epiteliais, células
fortemente associadas que correspondem à interface com o
ambiente externo. Elas são encontradas por todo o corpo, re-
vestindo os tratos urogenital, respiratório e gastrintestinal. As
membranas mucosas frequentemente são revestidas por uma
camada viscosa protetora, composta por glicoproteínas solú-
veis, denominada muco. Os micro-organismos que entram em
contato com os tecidos do hospedeiro nas membranas muco-
sas podem associar-se fracamente à superfície da mucosa, sen-
do geralmente eliminados por meio de processos físicos. Os
micro-organismos também podem aderir-se mais fortemente
à superfície epitelial, devido ao reconhecimento intercelular
específico entre o patógeno e o hospedeiro. A partir desse mo-
mento, pode ocorrer a infecção do tecido, quando a barreira
mucosa é rompida, permitindo ao micro-organismo invadir os
tecidos submucosos (Figura 28.1).
Via de regra, os micro-organismos são encontrados nas
superfícies corporais expostas ao ambiente, como a pele, ou
mesmo as superfícies mucosas da cavidade oral, do trato res-
piratório, do trato intestinal e do trato urogenital. Eles não
são habitualmente encontrados sobre ou no interior de ór-
gãos, ou nos sistemas sanguíneo, linfático ou nervoso. O cres-
cimento de micro-organismos nesses ambientes, geralmente
estéreis, é um indício de uma doença infecciosa grave.
A Tabela 28.1 apresenta alguns dos principais tipos de
micro-organismos normalmente encontrados em associa-
ção com as superfícies corporais. As superfícies mucosas
apresentam uma microbiota diversa porque oferecem um
ambiente abrigado e úmido, assim como uma grande área
superficial total. Por exemplo, a função especializada de um
órgão mucoso como o intestino delgado possui uma área su-
perficial de cerca de 400 m2 disponível para o transporte de
nutrientes, sendo esta superfície total um sítio em potencial
de crescimento microbiano.
Minirrevisão de 28.1
O corpo de um animal é um ambiente favorável para o
crescimento de micro-organismos, a maioria dos quais não
causa danos. Micro-organismos que promovem danos são
denominados patógenos. O crescimento do patógeno ini-
ciado nas superfícies do hospedeiro, como as membranas
mucosas,pode resultar em infecção e doença. A capacida-
de de um micro-organismo causar ou impedir doenças é
influenciada por interações complexas entre o micro-orga-
nismo e o hospedeiro.
Diferencie infecção de doença. ❚
Por que uma área do corpo pode ser mais adequada ao ❚
crescimento microbiano do que outra?
Microbiota normal da pele
Um ser humano adulto normal apresenta cerca de 2 m2 de
pele, que varia acentuadamente quanto à composição quí-
mica e ao teor de umidade. A Figura 28.2 ilustra a anatomia
da pele e as regiões onde os micro-organismos podem ser en-
contrados. A superfície da pele (epiderme) não é um local
28.2
Células
microbi-
anas
Célula
epitelial
(a) (b) (c)
Muco
Figura 28.1 Interações bacterianas com as membranas muco-
sas. (a) Associação fraca. (b) Adesão. (c) Invasão das células epite-
liais da submucosa.
Tabela 28.1 Gêneros de micro-organismos
representativos da microbiota normal de humanos
Sítio anatômico Gêneros ou grupos principaisa
Pele Acinetobacter, Corynebacterium, En-
terobacter, Klebsiella, Malassezia (f),
Micrococcus, Pityrosporum (f), Propio-
nibacterium, Proteus, Pseudomonas,
Staphylococcus, Streptococcus
Boca Streptococcus, Lactobacillus, Fusobac-
terium, Veillonella, Corynebacterium,
Neisseria, Actinomyces, Geotrichum
(f), Candida (f), Capnocytophaga, Eike-
nella, Prevotella, Espiroquetas (diversos
gêneros)
Trato respiratório Streptococcus, Staphylococcus, Coryne-
bacterium, Neisseria, Haemophilus
Trato gastrintes-
tinal
Lactobacillus, Streptococcus, Bacteroi-
des, Bifidobacterium, Eubacterium,
Peptococcus, Peptostreptococcus, Ru-
minococcus, Clostridium, Escherichia,
Klebsiella, Proteus, Enterococcus, Sta-
phylococcus, Methanobrevibacter, Bac-
térias Gram-positivas, Proteobactérias,
Actinobactérias, Fusobactérias
Trato urogenital Escherichia, Klebsiella, Proteus, Neisseria,
Lactobacillus, Corynebacterium, Sta-
phylococcus, Candida (f), Prevotella,
Clostridium, Peptostreptococcus, Urea-
plasma, Mycoplasma, Mycobacterium,
Streptococcus, Torulopsis (f)
aEsta lista não pretende ser completa e nem todos estes organismos
são encontrados em todos os indivíduos. Alguns organismos são mais
prevalentes em determinadas idades (adultos vs. crianças). A distribuição
pode também variar entre os sexos. A maioria destes organismos pode
corresponder a patógenos oportunistas em determinadas condições.
Vários gêneros podem ser encontrados em mais de uma área corporal.
(f), fungos.
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bacteriana, promovendo o seu enfraquecimento e a lise celu-
lar (l Seção 4.6). A lactoperoxidase, uma enzima presen-
te tanto no leite como na saliva, mata as bactérias por uma
reação que gera oxigênio singleto (l Seção 6.18). Apesar
da atividade antibacteriana dessas substâncias, a presença
de partículas de alimentos e fragmentos celulares propiciam
altas concentrações de nutrientes nas superfícies próximas,
como dentes e gengivas, criando condições favoráveis ao
intenso crescimento microbiano local, ao dano tecidual e à
doença.
Os dentes e a placa dental
O dente consiste em uma matriz mineral de cristais de fos-
fato de cálcio (esmalte), que envolve os tecidos vivos do den-
te (dentina e polpa) (Figura 28.3). As bactérias encontradas
na cavidade oral durante o primeiro ano de vida (quando os
dentes estão ausentes) são predominantemente anaeróbias
aerotolerantes, como estreptococos e lactobacilos. No en-
tanto, outras bactérias, incluindo algumas aeróbias, podem
estar presentes em pequenos números. A partir da erupção
dos dentes, há uma alteração no equilíbrio da microbiota,
tendendo aos micro-organismos anaeróbios, os quais são es-
pecialmente adaptados ao crescimento nas superfícies den-
tais e sulcos gengivais.
A colonização bacteriana das superfícies dentais é inicia-
da pela adesão de células bacterianas únicas. Mesmo em uma
superfície dental recém-higienizada, as glicoproteínas ácidas
da saliva formam um filme orgânico delgado, com vários mi-
crômetros de espessura. Este filme é um sítio de ligação de
microcolônias bacterianas (Figura 28.4). Os estreptococos
(principalmente Streptococcus sanguis, S. sobrinus, S. mu-
tans e S. mitis) podem então colonizar o filme glicoproteico.
O intenso crescimento desses organismos resulta na forma-
ção de uma espessa camada bacteriana, denominada placa
dental (Figuras 28.5 e 28.6).
Havendo a continuidade do processo de formação da
placa, organismos anaeróbios filamentosos, como espécies
de Fusobacterium também começam a crescer. As bactérias
filamentosas embebidas na matriz formada pelos estrepto-
cocos estendem-se perpendicularmente à superfície dental,
formando uma camada bacteriana de espessura crescen-
te. Associados às bactérias filamentosas, são encontrados
espiroquetas, como espécies de Borrelia (l Seção 16.16),
bacilos Gram-positivos e cocos Gram-negativos. Em placas
bastante desenvolvidas, pode haver a predominância de or-
ganismos filamentosos anaeróbios obrigatórios, como Acti-
nomyces. Desse modo, a placa dental pode ser considerada
um biofilme de culturas mistas (l Seções 23.4 e 23.5), con-
sistindo em uma camada relativamente espessa composta
por bactérias de diferentes gêneros, assim como de produtos
bacterianos acumulados.
A natureza anaeróbia da microbiota oral pode parecer
surpreendente, considerando-se a entrada de oxigênio atra-
vés da boca. Entretanto, a condição anóxica desenvolve-se
devido às atividades metabólicas de bactérias facultativas
crescendo a partir dos compostos orgânicos presentes na
superfície dental. A formação da placa origina uma matriz
densa que dificulta a difusão de oxigênio na superfície do
dente, criando um microambiente anóxico. As populações
microbianas no interior da placa dental encontram-se em
um microambiente criado devido a sua própria presença,
Esmalte
Dentina
Sulco gengival
Gengiva
Polpa
Osso alveolar
Membrana
periodontal
Medula
óssea
Coroa
Raiz
Figura 28.3 Secção de um dente. O diagrama ilustra a arquite-
tura dental e os tecidos circundantes que ancoram o dente à gen-
giva.
(a)
(b)
T.
L
ie
T.
L
ie
Figura 28.4 Microcolônias de bactérias. (a) As colônias estão
crescendo em uma superfície dental modelo, inserido na boca por
6 hotas. (b) Observação da preparação em (a), em maior aumen-
to. Observe a morfologia diversa dos organismos presentes, assim
como a camada limosa (setas) unindo-os.
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816 Michael T. Madigan, John M. Martinko, Paul V. Dunlap & David P. Clark
sendo capazes de manter-se diante das grandes variações
nas condições presentes no macroambiente da cavidade
oral.
Cárie dental
À medida que a placa dental acumula-se, a microbiota resi-
dente produz altas concentrações locais de ácidos orgânicos,
que promovem a descalcificação do esmalte dental (Figura
28.3), resultando na cárie dental (destruição do dente). As-
sim, a cárie dental é uma doença infecciosa. As superfícies
dentais lisas são de limpeza relativamente fácil e resistentes
à destruição. As superfícies dentais internas ou próximas ao
sulco gengival, no entanto, podem reter partículas de alimen-
tos e são os sítios onde geralmente as cáries dentais são ini-
ciadas.
Dietas ricas em sacarose (o açúcar comum) promovem
a formação de cáries dentais. As bactérias lácticas fermen-
tam os açúcares, originando ácido láctico. O ácido láctico
dissolve parte do fosfato de cálcio em áreas localizadas, en-
quanto a proteólise da matriz de sustentação ocorre pela
ação de enzimas proteolíticas bacterianas. As células bac-
terianas lentamente penetram ainda mais na matriz em
decomposição. A estrutura do tecido dental calcificado
também desempenha um papel na extensão da cárie den-
tal. Por exemplo, a incorporação de fluoreto à matriz den-
tal de cristais de fosfato de cálcio a torna mais resistente
à descalcificação pelo ácido.Consequentemente, fluoretos
adicionados à água potável e aos dentifrícios inibem a dete-
rioração dental.
Duas bactérias implicadas na formação da cárie dental
são Streptococcus sobrinus e Streptococcus mutans, ambas
bactérias lácticas. Possivelmente S. sobrinus seja o principal
organismo causador da destruição das superfícies lisas, de-
vido a sua afinidade específica pelas glicoproteínas salivares
encontradas nas superfícies dentais lisas (Figura 28.6). S.
mutans, encontrado predominantemente em sulcos e peque-
nas fissuras, produz dextrana, um polissacarídeo fortemen-
te aderente, que é utilizado para sua ligação às superfícies
dentais (Figura 28.7). S. mutans produz a dextrana somente
na presença de sacarose, pela atividade da enzima dextranas-
sacarase:
n Sacarose
Dextranassacarase
Dextrana (n Glicose) � n Frutose
A suscetibilidade à deterioração dental é variável, sen-
do influenciada pelas características genéticas do indivíduo,
bem como pela dieta e por outros fatores externos. Por exem-
plo, a sacarose está presente na dieta da maioria das pessoas
em países desenvolvidos, sendo altamente cariogênica, uma
vez que é o substrato da dextranassacarase. Estudos da dis-
tribuição dos estreptococos orais cariogênicos revelam uma
correlação direta entre a presença de S. mutans e S. sobrinus
e a incidência de cáries. Nos Estados Unidos e na Europa
Ocidental, 80-90% dos indivíduos são infectados por S. mu-
tans, sendo a ocorrência de cáries dentais quase universal.
Por outro lado, S. mutans não é encontrado em placas den-
tais de crianças da Tanzânia, não havendo a ocorrência de
Dia 1 1.436 mm2
Dia 10 22.522 mm2
Figura 28.5 Distribuição da placa dental. A placa é revelada
pelo uso de um agente revelador em dentes não escovados, após
um dia (superior) e após 10 dias (inferior). As áreas coradas indicam
a presença de placa dental. A formação da placa é iniciada próximo
à interface com a gengiva, situando-se imediatamente adjacente às
membranas mucosas da gengiva.
(a) (b)
C
. L
ai
, M
.A
. L
is
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ar
te
n
e
B
. R
os
an
C
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B
. R
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Figura 28.6 Micrografias eletrônicas de seções finas de pla-
ca dental. A região inferior da fotografia corresponde à base da
placa; a região superior corresponde à porção exposta à cavidade
oral. A espessura total da camada referente à placa apresentada é
de aproximadamente 50 �m. (a) Micrografia eletrônica de peque-
no aumento. Os organismos predominantes correspondem aos
estreptococos. Streptococcus sobrinus, marcado por uma técnica
microquímica utilizando anticorpos, exibe coloração mais escura
que as demais células. As células de S. sobrinus são visualizadas
como duas cadeias distintas (setas). (b) Micrografia eletrônica de
maior aumento, apresentando a região contendo as células de S.
sobrinus (escura, seta). Observe a extensa camada limosa ao redor
das células de S. sobrinus. As células individuais têm cerca de 1
�m de diâmetro.
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cáries, possivelmente porque a sacarose é quase que comple-
tamente ausente em suas dietas.
Os micro-organismos presentes na cavidade oral po-
dem também causar outras infecções. As áreas ao longo da
membrana periodontal, ou abaixo do sulco gengival (bolsas
periodontais) (Figura 28.3) podem ser infectadas por micro-
-organismos, promovendo a inflamação dos tecidos gengi-
vais (gengivite) e levando à doença periodontal, com destrui-
ção tecidual e óssea. Alguns dos gêneros envolvidos incluem
bactérias fusiformes (bacilos Gram-negativos, longos e finos,
com extremidades afiladas), como a bactéria aeróbia faculta-
tiva Capnocytophaga. A bactéria aeróbia Rothia e até mesmo
metanogênicos anaeróbios estritos, como Methanobrevibac-
ter (Archaea), podem também estar presentes.
Minirrevisão de 28.3
As bactérias produzem substâncias aderentes e podem
crescer nas superfícies dentais, resultando geralmente em
biofilmes de culturas mistas, denominados placas dentais.
Os ácidos produzidos pelos micro-organismos presentes na
placa danificam as superfícies dentais, resultando na cárie
dental. A infecção adicional pode resultar em doença perio-
dontal.
Como os micro-organismos anaeróbios estabelecem-se ❚
na boca?
A cárie dental é uma doença infecciosa? Cite ao menos ❚
uma razão para justificar sua resposta.
Explique a contribuição das bactérias lácticas para a des- ❚
truição dental.
Microbiota normal do trato
gastrintestinal
O trato gastrintestinal dos humanos compreende o estôma-
go, intestino delgado e intestino grosso (Figura 28.8). O tra-
to gastrintestinal é responsável pela digestão dos alimentos,
absorção de nutrientes e produção de nutrientes pela micro-
biota indígena. Partindo do estômago, o trato gastrintestinal
corresponde a uma coluna de nutrientes misturados a micro-
-organismos. Os nutrientes deslocam-se de forma unidire-
cional ao longo da coluna, estabelecendo contato com popu-
lações variáveis de micro-organismos. Aqui abordaremos os
micro-organismos, bem como suas atividades e propriedades
especiais.
28.4
I.
L.
S
he
ch
m
ei
st
er
e
J
. B
oz
zo
la
Células
Figura 28.7 Micrografia eletrônica de varredura da bactéria
cariogênica Streptococcus mutans. O composto aderente dextra-
na mantém as células unidas, sob a forma de filamentos. Células
individuais apresentam diâmetro de aproximadamente 1 �m.
Principais processos fisiológicos
Secreção de ácido (HCl)
Digestão de macromoléculas
pH 2
Digestão contínua
Absorção de monossacarídeos,
aminoácidos, ácidos graxos, água
pH 4–5
Absorção de ácidos biliares,
vitamina B12
pH 7
Intestino
delgado
Intestino
grosso
Órgão
Estômago
Esôfago
Duodeno
Jejuno
Íleo
Cólon
Esôfago
Principais bactérias presentes
Enterococos
Lactobacilos
Helicobacter
Bactérias Gram-positivas
Proteobactérias
Bacteroides
Actinobactérias
Fusobactérias
Bacteroides
Bifidobacterium
Clostridium
Enterobactérias
Enterococcus
Escherichia
Eubacterium
Bactérias Gram-positivas
Klebsiella
Lactobacillus
Methanobrevibacter
Peptococcus
Peptostreptococcus
Proteus
Ruminococcus
Staphylococcus
Streptococcus
Ânus
Prevotella
Streptococcus
Veillonella
Figura 28.8 O trato gastrintestinal humano. Distribuição de micro-organismos não patogênicos representativos, frequentemente en-
contrados em indivíduos sadios.
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Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Dica do professor
O vídeo a seguir trata dos microrganismos patogênicos, onde são encontrados, quais são as
diferentes formas de contágio e as medidas de prevenção.
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Exercícios
1) Denomina-se virulência:
A) A capacidade específica de contaminação dos vírus.
B) A capacidade de um patógeno crescer no tecido do hospedeiro.
C) Uma doença causada por vírus.
D) A capacidade relativa de um microrganismo patogênico causar doença.
E) O período em que o microrganismo patogênico está no hospedeiro.
2) Em relação que relação se dá a diferenciação das bactérias Gram-positivas das bactérias
Gram-negativas?
A) As bactérias Gram-positivas não possuem parede celular, ao passo que as bactérias Gram-
negativas possuem.
B) Elas se diferenciam em relação aos tipos de proteínas encontradas na membrana plasmática.
C) Elas se diferenciam em relação ao formato e ao tamanho das bactérias.
D) Elas se diferenciam em relação à constituição da parede celular.
E) Elas se diferenciam em relação ao tempo de vida.
3) O descarte correto dos resíduos evita a contaminação do meio ambiente e também das
pessoas. Quando o tratamentocorreto de resíduos não é realizado, rios, lagos e mananciais
podem ser contaminados por microrganismos, um exemplo são as bactérias. As bactérias em
formato de bastonetes Gram-negativos, aeróbias ou anaeróbias facultativas, não
esporuladas, incluem um grupo de 20 espécies. A qual grupo de bactérias a descrição está se
referindo?
A) Colifagos.
B) Coliformes.
C) Clostridium perfringens.
D) Staphylococos aureus.
E) Pseudomonas aeruginosa.
4) Existem diferentes tipos de controle microbiano, alguns utilizam meios físicos e outros
utilizam meios químicos. Identifique quais exemplos representam, respectivamente, um
meio de controle microbiano por meio físico, radiação, filtração e químico.
A) Esterilização por calor - autoclave - desinfetantes - membranas filtrantes.
B) Membranas filtrantes - radiação ionizante - asteurização - esterilização por calor.
C) Pasteurização - esterilização por calor - membranas filtrantes - autoclave.
D) Autoclave - membranas filtrantes - esterilização por calor - radiação ionizante.
E) Esterilização por calor - radiação ionizante - membranas filtrantes - desinfetantes.
5) Os microrganismos patogênicos podem contaminar o meio ambiente e consequentemente
os seres humanos e animais. São exemplos de doenças que podem contaminar seres vivos
por meio da água, EXCETO:
A) Febre tifoide.
B) Disenteria.
C) Hepatite infecciosa (Hepatite A).
D) Cólera.
E) Doença de Chagas.
Na prática
Você foi contratado para gerenciar os resíduos sólidos de um importante hospital.
Primeiramente, você faz uma vistoria e descobre que os resíduos gerados não são apenas do
sistema de saúde, mas também de hotelaria e de restaurantes. Nesse momento, você detecta que
os resíduos são estocados no mesmo local. Voltando ao escritório, você elabora um parecer sobre o
assunto, elencando as justificativas para a separação dos resíduos do serviço da saúde dos demais e
já coloca uma alternativa viável para a adequação. Além disso, elabora uma tabela que mostra o
tempo que os microrganismos permanecem vivos no lixo hospitalar não tratado para expor nos
locais de descarte do hospital, para fins de conscientização do risco à saúde e ao meio ambiente:
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Descarte de resíduos
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Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à
Saúde
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Introdução à gestão ambiental de resíduos
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Gestão ambiental e resíduos hospitalares: uma análise sobre a
legislação e a viabilidade de implantação dos ecocentros e
ECTE no Distrito Federal
http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/lab_virtual/descarte-residuos-grupo-a.htm
https://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php/publicacoes/item/caderno-5
http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/77/i04-aintroducao.pdf
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http://www.ibeas.org.br/congresso/Trabalhos2013/IX-030.pdf