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Semiologia dos Vasos Linfáticos e
Linfonodos
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PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL, SEM AUTORIZAÇÃO.
Lei nº 9610/98 – Lei de Direitos Autorais
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O sistema linfático é constituído pelos vasos linfáticos e linfonodos. É uma via acessória,
na qual os líquidos podem fluir do interstício para o sangue. Realiza transporte de
proteínas e outros materiais particulados, retirando-os do interstício, ação que não
conseguiria ser realizada por um capilar sanguíneo. Realiza drenagem de metabólitos,
catabólitos e água. Quase todos os tecidos do organismo possuem canais linfáticos,
exceto partes superficiais da pele, sistema nervoso central e ossos. A composição da linfa
deriva do líquido intersticial e é diretamente influenciada pela pressão coloidosmótica e
hidrostática. Também participa da absorção de nutrientes a partir do sistema
gastrointestinal, principalmente de lipídeos.
Os linfonodos são também chamados de gânglios linfáticos, são órgãos encapsulados
constituídos por tecido linfoide. O fluxo linfático é relativamente lento, não conta uma
“bomba” para impulsionar o fluxo, essa propulsão é realizada por valvas. Apresentam
formato de um rim, apresentando um lado convexo e no outro um hilo, pelo qual penetra
a artéria e sai a veia. A linfa chega pelos vasos linfáticos (aferentes) que desembocam na
face convexa do órgão e sai pelo vaso linfático do hilo (vaso eferente). O parênquima é
dividido em zonas cortical, medular e paracortical.
É muito importante a realização do exame do sistema linfático, pois os linfonodos
participam de processos patológicos que ocorrem nas áreas de drenagem. Uma hipertrofia
anormal pode afetar a função de um órgão vizinho, por exemplo, hiperplasia de linfonodo
retrofaríngeo pode causar tosse ou dispneia. O exame desse sistema é realizado através
de 3 técnicas, inspeção, palpação e biópsia. A inspeção é dificultada quando o animal tem
uma pelagem muito longa ou pele pigmentada. A palpação constitui o melhor método
para avaliar os linfonodos. As características que devem ser avaliadas durante a palpação
são tamanho, consistência, sensibilidade, mobilidade e temperatura. Sempre analisar
todos os linfonodos examináveis e bilateralmente, a fim de determinar se o processo é
localizado ou generalizado. Nos cães e gatos os principais linfonodos palpáveis são os
mandibulares, pré-escapulares, poplíteos, axilar (em alguns animais) e inguinais; o
retrofaríngeo e os mesentéricos apenas são palpáveis se estiverem hipertrofiados.
A linfadenomegalia (aumento do linfonodo) ocorre devido a proliferação de células do
próprio linfonodo ou por infiltração celular. Pode ser classificada em solitária, quando há
aumento de um único linfonodo; regional, quando há aumento de uma cadeia de
linfonodos que drenam uma região específica; generalizada, há aumento de linfonodos de
mais de uma região anatômica e ainda superficial ou profunda (também chamada de
visceral). O tamanho dos linfonodos pode ser influenciado pela idade, animais mais jovens
possuem linfonodos maiores, pois são expostos a vários estímulos antigênicos (vacina), o
estado nutricional do animal também pode “mascarar”, em animais caquéticos, podem
parecer maiores do que realmente são.
Em animais saudáveis os linfonodos normalmente são indolores, tornando-se sensíveis em
processos inflamatórios e infecciosos. Possuem consistência firme, ou seja, são
moderadamente compressíveis, nos processos inflamatórios e infecciosos agudos a
consistência não se altera, em processos crônicos e neoplásicos, os linfonodos ficam
duros. Apresentam boa mobilidade, a sua perda ou ausência acontece nos processos
bacterianos agudos. E a temperatura, em condições normais, estará igual à da pele.
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Exames complementares também são bastante importantes para avaliação desse
sistema, utilizados nos casos de linfadenopatias localizadas ou generalizadas de origem
desconhecida ou quando há suspeita de metástase. A biópsia pode ser realizada por
punção por agulha fina (citologia) ou por excisão de parte ou de todo linfonodo
(histopatológico). A linfadenite pode ser classificada de acordo com o infiltrado celular em
supurativa (predomínio de neutrófilos), granulomatosa (macrófagos), piogranulomatosa
(neutrófilos e macrófagos), eosinofílica (eosinófilos) e infiltrativa.
As neoplasias que podem acometer o sistema linfático são Linfangioma (neoplasia
benigna) e linfangiossarcoma (maligna e ocorre com maior frequência que a anterior).
Esse sistema é uma via de disseminação de metástase. Outro conceito importante é o de
linfonodo sentinela, que é o primeiro linfonodo de uma cadeia linfática a drenar uma área
com neoplasia (como por exemplo nas neoplasias mamárias, em que esse linfonodo
também deve ser retirado cirurgicamente. Os tumores são capazes de realizar
linfoangiogênese, ou seja, criar novos vasos linfáticos, fato esse que colabora para a
disseminação da neoplasia. O linfoma também é uma neoplasia envolvida com o sistema
linfático. Sempre que houver aumento generalizado de linfonodos é essencial avaliar os
outros órgãos hemolinfáticos (Resumo baseado no Livro Semiologia Veterinária - A arte do
diagnóstico. Feitosa).
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Referências
FEITOSA, Francisco Leydson F. Semiologia Veterinária – A arte do diagnóstico. 2ª.
Edição. Editora Roca. São Paulo, 2008.
NELSON, Richard W., COUTO, C. Guilhermo. Medicina interna de pequenos animais.
4ª. Edição. Editora Elsevier. Rio de Janeiro, 2010.