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CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA Liliane da Costa Jacobs EAD Editora Universitária Adventista Presidente da Divisão Sul-Americana: Stanley Arco Diretor do Departamento de Educação para a Divisão Sul-Americana: Antônio Marcos da Silva Alves Presidente do Instituto Adventista de Ensino (IAE), mantenedora do Unasp: Maurício Lima Secretário do Instituto Adventista de Ensino (IAE), mantenedora do Unasp: Emmanuel Oliveira Guimaraes Tesoureiro/CFO do Instituto Adventista de Ensino (IAE), mantenedora do Unasp: Gilnei Abreu Reitor: Martin Kuhn Vice-reitor administrativo: Claudio Knoener Vice-reitor para educação superior e diretor do campus São Paulo: Afonso Ligório Cardoso Vice-reitor e diretor do campus Engenheiro Coelho: Carlos Alberto Ferri Vice-reitor para a educação básica e diretor do campus Hortolândia: Henrique Karru Romaneli Pró-Reitor Financeiro: Paulo Ricardo Monarin Pró-reitor de graduação: Edilei Rodrigues de Lames Pró-reitor de pesquisa e desenvolvimento institucional: Allan Macedo de Novaes Pró-reitor de gestão integrada: Mauricio Guimarães Lima Pró-reitor de pós-graduação lato sensu: Luis Henrique dos Santos Pró-reitor de desenvolvimento espiritual: Wendel Thomaz Lima Pró-reitor de educação a distância: Jonas Rafael Nikolay Conselho editorial e artístico: Dr. Martin Kuhn; Me. Henrique Romanelli; Dr. Afonso Cardoso; Dr. Carlos Ferri; Me. Telson Vargas; Dr. Allan Novaes; Dr. Edilei Lames; Me. Wendel Lima; Dr. Evandro Fávero; Dr. Vanderlei Dorneles; Dr. Adriani Mili; Dr. Fabio Alfieri; Dra. Silvia Quadros; Esp. Regiane Cardoso de Oliveira; Me. Lucas Alves; Dr. Adolfo Suárez; Me. Edilson Valiante; Me. Diogo Cavalcanti Editor-chefe: Allan Macedo de Novaes Engenheira de Produção: Rhayane Storch Responsável editorial pelo EAD: Regiane Cardoso de Oliveira CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA 2ª Edição, 2025 Editora Universitária Adventista Engenheiro Coelho, SP Liliane da Costa Jacobs Lames Mestre em ciências contábeis pela FECAP Marques, Pâmela Caroline Costa Ferramentas de produtividade e gestão do tempo [livro eletrônico] / Pâmela Caroline Costa Marques. -- 1. ed. -- Engenheiro Coelho, SP : Unaspress, 2022. PDF Bibliografia. ISBN 978-65-5405-041-8 1. Administração 2. Gestão de negócios 3. Produtividade 4. Tempo - Administração I. Título. 22-134421 CDD-650.1 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Índices para catálogo sistemático: 1. Tempo : Produtividade : Administração 650.1 Eliete Marques da Silva - Bibliotecária - CRB-8/9380 Contabilidade tributária 2ª edição – 2025 e-book (pdf) Designer Instrucional: Luthyesca Rezende Preparação: Andrícia Rodrigues e Noemi Almeida Revisão: Anderson Bezerra e João Paulo Alves Projeto gráfico: Ana Paula Pirani Capa: Jonathas Sant’Ana Diagramação: Kenny Zukowski Caixa Postal 88 – Reitoria Unasp Engenheiro Coelho, SP – CEP 13448-900 Tel.: (19) 3858-5171 / 3858-5172 www.unaspress.com.br Editora Universitária Adventista Validação editorial científica ad hoc: Fernando Cesar Rinaldi Mestre em ciências contábeis pela PUC-SP Editora associada: Todos os direitos reservados à Unaspress - Editora Universitária Adventista. Proibida a reprodução por quaisquer meios, sem prévia autorização escrita da editora, salvo em breves citações, com indicação da fonte. SUMÁRIO A CONTABILIDADE E OS TRIBUTOS .......................................................... 8 Introdução ...................................................................................................................9 Um contexto da historicidade tributária no Brasil ........................................................9 Contabilidade tributária: conceito, finalidade e princípios ...........................................11 Conceito e classificações dos tributos ..........................................................................15 Tributos e federações ..................................................................................................18 Regime de incidência tributária: características e procedimentos ...............................25 Considerações finais ....................................................................................................29 Referências .................................................................................................................29 GESTÃO TRIBUTÁRIA E OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ................................. 32 Introdução ..................................................................................................................33 Legislação tributária e normas contábeis ....................................................................33 Enquadramentos tributários .......................................................................................35 Gestão e planejamento tributário ...............................................................................43 Elisão, elusão e evasão fiscal .......................................................................................47 Obrigações acessórias..................................................................................................53 Considerações finais ...................................................................................................54 Referências .................................................................................................................55 Obrigações acessórias..................................................................................................53 Considerações finais ...................................................................................................54 Referências .................................................................................................................55 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO .................................... 58 Introdução ..................................................................................................................59 Características e procedimentos dos impostos diretos no lucro real .............................59 Características e procedimentos dos impostos indiretos no lucro real ..........................69 Características e procedimentos dos impostos diretos no lucro presumido ..................78 Características e procedimentos dos impostos indiretos no lucro presumido ...............81 Um caso prático ...........................................................................................................83 Considerações finais ...................................................................................................90 Referências .................................................................................................................91 SIMPLES NACIONAL E MEI ...................................................................... 93 Introdução ..................................................................................................................94 Conhecendo o Simples Nacional ..................................................................................94 Impostos diretos e indiretos no Simples Nacional ......................................................105 Um caso prático ..........................................................................................................109 O MEI e a tributação ...................................................................................................114 Um comparativo tributário entre as opções de enquadramento .................................118 Considerações finais ..................................................................................................130 Referências ................................................................................................................131 Um caso prático ..........................................................................................................109empresas optantes pelo lucro presumido, a sistemática de apuração do ICMS e IPI, quando devidos, são não cumulativos. Já o PIS e COFINS são cumulativos e, portanto, não geram direito a créditos e o valor recolhido é definitivo. 82 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA Outro diferencial encontra-se nas alíquotas desses respectivos tributos, que de forma geral, para o PIS é de 0,65% e para o COFINS de 3%. A base de cálculo é a receita bruta excluída as vendas canceladas, devolu- ções de vendas, descontos incondicionais e o valor do ICMS destacado na NF. Entidades sem fins lucrativos, imunes, isentas ou dispensadas, devem recolher o PIS com base na folha de pagamento, sob a alíquota de 1% aplicado sob o total de rendimentos do trabalho assalariado de qualquer natureza (salários, comissões, gratificações, prêmios, férias, décimo terceiro etc.). Partidos políticos, templo de qualquer culto, instituições de educação e assistência social imunes ao IR, sindicatos, federações, conse- lhos de fiscalização de profissões regulamentadas, condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais, entre outros, são tipos de entidades que recolhem o PIS sob base de cálculo o total da folha de pagamento (IN RFB 1.911/2019; LEI 9.715/98). A Comercial Campos Sales apresentou as seguintes informações referentes ao mês de outubro de 2021: • Compras, a prazo, de mercadorias (ICMS 18%): 140.000,00 • Vendas, a prazo, das mercadorias adquiridas (ICMS 18%): 260.000,00 • Descontos incondicionais sobre vendas: 8.000,00 Vamos calcular os tributos indiretos incidentes sobre essas operações considerando a opção pelo lucro presumido. Nessa sistemática de apuração, apenas o ICMS é não cumulativo. • D – Estoque mercadorias: 114.800,00 • D – ICMS a recuperar: 25.200,00 • C – Fornecedores: 140.000,00 Contabilizando as vendas: • D – Clientes: 260.000,00 • C – Vendas de mercadorias: 260.000,00 • D – Descontos incondicionais: 8.000,00 • C – Clientes: 8.000,00 • D – ICMS sobre vendas: 45.360,00 ((260.000 – 8.000) x 18%) • C – ICMS a recolher: 45.360,00 • D – PIS sobre faturamento: 1.343,16 ((260.000 – 8.000 – 45.360) x 0,65%) • C – PIS a recolher: 1.343,16 • D – COFINS: 6.199,20 ((260.000 – 8.000 – 45.360) x 3%) • C – COFINS a recolher: 6.199,20 83 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA • D – CMV: 114.800,00 • C – Estoque mercadorias: 114.800,00 Pela apuração do ICMS, dado o fato de que ele é não cumulativo: • D – ICMS a recolher: 25.200,00 • C – ICMS a recuperar: 25.200,00 Perceba que no lucro presumido, a base de cálculo do PIS e COFINS é apenas a receita bruta deduzida de vendas canceladas e devolvidas, dos descontos incondicionais e do ICMS destacado na NF, pois esses tri- butos incidem somente sobre as saídas de mercadorias. Já o ICMS é considerado sobre o valor das compras também, pois ele é não cumulativo. Se for indústria o IPI será não cumulativo também. O PIS e a COFINS são apurados mensalmente e devem ser recolhidos até o dia 25 do mês subsequente, não sendo dia útil, será recolhido no próximo primeiro dia útil. Os tributos diretos em empresas optantes pelo lucro presumido são recolhidos com base na presunção de lucro considerando receitas e percentuais previstos na legislação para cada atividade. Os tributos indiretos são apurados sobre a receita, considerando as devidas deduções, podendo apenas o ICMS e o IPI serem compensados pelos valores de créditos referentes às compras (entradas), e o PIS e COFINS são cumulativos de alíquotas 0,65% e 3%, respectivamente. Vamos fazer um comparativo considerando uma empresa hipotética de quais seriam os cálculos, procedimentos e valores devidos de cada tributo direto e indireto na sistemática lucro real e lucro presumido? Acompanhe o próximo subtópico! UM CASO PRÁTICO A Cia Hipotética Ltda, uma empresa tipicamente comercial, apresentou as seguintes informações refe- rentes ao seu primeiro trimestre na figura 8. Figura 8 – Informações financeiras primeiro trimestre da Cia Hipotética Ltda DESCRIÇÃO VALORES R$ Compras de mercadorias 390.000,00 Vendas de mercadorias 820.000,00 Devolução vendas 10.000,00 Volume efetivo vendido 90% Aluguel do estabelecimento pago a pessoa jurídica 30.000,00 Energia elétrica 12.000,00 84 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA DESCRIÇÃO VALORES R$ Fretes com vendas 8.000,00 Salários 25.000,00 Depreciação máquinas e equipamentos 5.000,00 Rendimentos de aplicações financeiras 15.000,00 Recebimento aluguel de um imóvel da empresa 18.000,00 Perdas aplicações financeiras (day-trade) 6.000,00 Provisão PECLD 22.000,00 Provisão perda teste recuperabilidade 5.000,00 Fonte: elaborada pela autora. Vamos considerar que a alíquota do ICMS destacado na NF é de 12%, bem como a empresa paga 8% dos salários como FGTS, 20% de INSS patronal e 6,8% de contribuições a terceiros (sistema S, SAT, salário educação). Para fins de simplificação, vamos considerar as operações de compra e venda de mercadorias como a prazo. Vamos fazer um comparativo agora da apuração e contabilização considerando os enquadramentos tributários lucro real e lucro presumido. Começando com a contabilização das operações de compra apresen- tada na figura 9. Figura 9 – Contabilização de compras: lucro real x lucro presumido LUCRO REAL LUCRO PRESUMIDO D – Estoque mercadorias 307.125,00 D – ICMS a recuperar 46.800,00 D – PIS a recuperar 6.435,00 D – COFINS a recuperar 29.640,00 C – Fornecedores 390.000,00 D – Estoque mercadorias 343.200,00 D – ICMS a recuperar 46.800,00 C – Fornecedores 390.000,00 Fonte: elaborada pela autora. A contabilização das vendas de mercadorias, devoluções e CMV também estão apresentadas na figura 10. 85 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA Figura 10 – Contabilização de vendas, devoluções e CMV: lucro real x lucro presumido LUCRO REAL LUCRO PRESUMIDO D – Clientes 820.000,00 C – Vendas de mercadorias 820.000,00 D – ICMS sobre vendas 98.400,00 C – ICMS a recolher 98.400,00 D – PIS sobre faturamento 11.906,40 C – PIS a recolher 11.906,40 D – COFINS 54.841,60 C – COFINS a recolher 54.841,60 D – Devolução de Vendas 10.000,00 C – Clientes 10.000,00 D – ICMS a recolher 1.200,00 C – ICMS sobre vendas 1.200,00 D – PIS a recolher 145,20 C – PIS sobre faturamento 145,20 D – COFINS a recolher 668,80 C – COFINS 668,80 D – CMV 276.412,50 C – Estoque mercadorias 276.412,50 D – Clientes 820.000,00 C – Vendas de mercadorias 820.000,00 D – ICMS sobre vendas 98.400,00 C – ICMS a recolher 98.400,00 D – PIS sobre faturamento 4.690,40 C – PIS a recolher 4.690,40 D – COFINS 21.648,00 C – COFINS a recolher 21.648,00 D – Devolução de Vendas 10.000,00 C – Clientes 10.000,00 D – ICMS a recolher 1.200,00 C – ICMS sobre vendas 1.200,00 D – PIS a recolher 57,20 C – PIS sobre faturamento 57,20 D – COFINS a recolher 264,00 C – COFINS 264,00 D – CMV 308.880,00 C – Estoque mercadorias 308.880,00 Fonte: elaborada pela autora. Todas as operações que modificam o patrimônio da empresa precisam ser contabilizadas pelo conta- dor. Dessa forma, as devoluções de vendas, bem como os valores de tributos incidentes, devem ser lançadas. Os lançamentos dos tributos referentes à devolução de vendas são como um estorno dos lançamentos de venda, ou seja, faz-se uma inversão das contas debitadas e creditadas. Aqui não consideramos o retorno dos produtos devolvidos ao estoque, fazendo também um estorno do CMV, porque a informação quanto ao CMV é a efetiva, ou seja, mesmo considerando que ocorreram as devoluções no período, o volume total de merca- dorias vendido corresponde a 90% dos respectivos estoques. Se o volume não fosse efetivo, a parcela do CMV correspondente à venda devolvida deveria ser estor- nada. Pois a DRE deve evidenciar os valores efetivos de tributos sobre as vendas e de CMV. Empresas optantes pelo lucro real podem se beneficiar de créditos de PIS e COFINS sobre algumas despesas, dessa forma,os lançamentos das despesas apresentadas que envolvem tributos são apresentados na figura 11. 86 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA Figura 11 – Contabilização de algumas despesas: lucro real x lucro presumido LUCRO REAL LUCRO PRESUMIDO D – Aluguel 27.225,00 D – PIS a recuperar 495,00 D – COFINS a recuperar 2.280,00 C – Caixa ou Banco 30.000,00 D – Energia elétrica 10.890,00 D – PIS a recuperar 198,00 D – COFINS a recuperar 912,00 C – Caixa ou Banco 12.000,00 D – Fretes com vendas 7.392,00 D – COFINS a recuperar 608,00 C – Caixa ou Bancos 8.000,00 D – Depreciação máquinas e eqptos 5.000,00 C – Deprec. Acum. Máquinas e eqptos 5.000,00 D – PIS a recuperar 82,50 D – COFINS a recuperar 380,00 C – Tributos sobre ativo imobilizado a recuperar 462,50 D – Aluguel 30.000,00 C – Caixa ou Banco 30.000,00 D – Energia elétrica 12.000,00 C – Caixa ou Banco 12.000,00 D – Fretes com vendas 8.000,00 C – Caixa ou Banco 8.000,00 D – Depreciação máquinas e eqptos 5.000,00 C – Deprec. Acum. Máquinas e eqptos 5.000,00 Fonte: elaborada pela autora. Tanto empresas optantes pelo lucro real quanto optantes pelo lucro presumido recolhem tributos so- bre a folha de pagamento. Isso é apresentado na figura 12. A alíquota do FGTS é 8% e do INSS patronal é 20%, mais como as contribuições a terceiros (6,8%) é recolhida junto com o INSS patronal, na prática, já se conside- ra tudo para fins de apuração e contabilização do INSS patronal. Figura 12 – Contabilização de encargos, folha de pagamento: lucro real x lucro presumido LUCRO REAL LUCRO PRESUMIDO D – FGTS 2.000,00 C – FGTS a recolher 2.000,00 D – FGTS 2.000,00 C – FGTS a recolher 2.000,00 D – INSS patronal 6.700,00 C – INSS a recolher 6.700,00 D – INSS patronal 6.700,00 C – INSS a recolher 6.700,00 Fonte: elaborada pela autora. Os valores do FGTS e do INSS patronal foram obtidos ao multiplicar o valor de salários R$ 25.000,00 pelas respectivas alíquotas de 8% e 26,8%. Os tributos diretos nas empresas optantes pelo lucro real são cal- culados a partir do lucro contábil ajustado apurado no período. Dessa forma, vamos precisar elaborar a DRE na figura 13. 87 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA Figura 13 – Demonstração do Resultado do Exercício (DRE): lucro real Vendas de mercadorias 820.000,00 ( – ) DEDUÇÕES -173.134,00 Devoluções de vendas -10.000,00 ICMS sobre vendas -97.200,00 PIS sobre faturamento -11.761,20 Cofins -54.172,80 ( = )RECEITA LÍQUIDA 646.866,00 ( – ) CMV -276.412,50 ( = ) LUCRO BRUTO 370.453,50 ( +/– ) RECEITAS/DESPESAS OPERACIONAIS -84.207,00 Fretes com vendas -7.392,00 Provisão PECLD -22.000,00 Aluguel -27.225,00 Energia elétrica - 10.890,00 Salários - 25.000,00 FGTS -2.000,00 INSS patronal -6.700,00 Depreciação máquinas e equipamentos -5.000,00 Provisão perda teste recuperabilidade -5.000,00 Receita aluguéis 18.000,00 Perdas em aplicações financeiras (day-trade) -6.000,00 Rendimentos aplicações financeiras 15.000,00 ( = ) RESULTADO ANTES DO IR 286.246,50 Fonte: elaborada pela autora. Apurado o lucro contábil do período, agora é necessário fazer os ajustes de adições e exclusões para encontrar o lucro real, base de cálculo do IR e da CSLL. Vamos encontrar a base de cálculo para o lucro presu- mido também. Os rendimentos das aplicações não são exclusivos na fonte. 88 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA Figura 14 – Base de cálculo do IR e da CSLL: lucro real x lucro presumido LUCRO REAL LUCRO PRESUMIDO DESCRIÇÃO IRPJ CSLL DESCRIÇÃO IRPJ CSLL Lucro contábil 286.246,50 286.246,50 Vendas mercadorias 820.000,00 820.000,00 (+) ADIÇÕES 33.000,00 27.000,00 (-) Devoluções vendas -10.000,00 -10.000,00 Teste recuperabilidade 5.000,00 5.000,00 (=) Receita Bruta 810.000,00 810.000,00 Provisão PECLD 22.000,00 22.000,00 Percentuais presunção 8% 12% Perdas aplicações financeiras (day- trade) 6.000,00 - (=) Receita presumida 64.800,00 97.200,00 (-) EXCLUSÕES - - (+) Rendimentos aplicações 15.000,00 15.000,00 (=) LUCRO REAL 319.246,50 313.246,50 (+) Aluguéis recebidos 18.000,00 18.000,00 (=) LUCRO PRESUMIDO 97.800,00 130.200,00 Fonte: elaborada pela autora. De acordo com os previstos na legislação tributária, para apuração do lucro real, a partir das informa- ções da Cia Hipotética Ltda, houve ajustes apenas de adições ao lucro contábil. Já no lucro presumido, as demais receitas foram consideradas pelo valor total para compor a base de cálculo, porque as receitas obtidas com aluguel de imóvel não fazem parte das atividades operacionais da empresa, ou seja, o ramo de ativida- des da Cia Hipotética é apenas comércio e não inclui locação de imóveis. Agora será apurado os valores devidos dos tributos diretos em cada uma das sistemáticas de apuração. Figura 15 – Apuração dos tributos direitos: lucro real x lucro presumido LUCRO REAL LUCRO PRESUMIDO DESCRIÇÃO IRPJ CSLL DESCRIÇÃO IRPJ CSLL Lucro real 319.246,50 313.246,50 Lucro presumido 97.800,00 130.200,00 Alíquotas 15% 9% Alíquotas 15% 9% Tributos devidos 47.886,98 28.192,19 Tributos devidos 14.670,00 11.718,00 Adicional 25.924,65 - Adicional 3.780,00 - Total tributos devidos 73.811,63 28.192,19 Total tributos devidos 18.450,00 11.718,00 Fonte: elabora pela autora. 89 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA Calculados os tributos diretos devidos, a contabilização é: Pelo lucro real: • D – Despesa IRPJ: 73.811,63 • C – IRPJ a recolher: 73.811,63 • D – Despesa CSLL: 28.192,19 • C – CSLL a recolher: 28.192,19 Pelo lucro presumido: • D – Despesa IRPJ: 18.450,00 • C – IRPJ a recolher: 18.450,00 • D – Despesa CSLL: 11.718,00 • C – CSLL a recolher: 11.718,00 Por fim, é preciso realizar a apuração dos tributos não cumulativos fazendo a compensação entre eles. As informações necessárias são apresentadas na figura 16. Figura 16 – Compensação dos tributos não cumulativos: lucro real x lucro presumido LUCRO REAL LUCRO PRESUMIDO D – ICMS a recolher 46.800,00 C – ICMS a recuperar 46.800,00 D – PIS a recolher 7.210,50 C – PIS a recuperar 7.210,50 D – COFINS a recolher 33.820,00 C – COFINS a recuperar 33.820,00 D – ICMS a recolher 46.800,00 C – ICMS a recuperar 46.800,00 Fonte: elaborada pela autora. Dessa forma, os tributos diretos e indiretos da Cia Hipotética Ltda foram calculados tanto na sistemá- tica de apuração lucro real quanto lucro presumido. Vamos ver agora o total geral de tributos que devem ser recolhidos em cada um desses enquadramentos tributários. As informações se encontram na figura 17. Figura 17 – Total de tributos diretos e indiretos a recolher: lucro real x lucro presumido TRIBUTOS LUCRO REAL LUCRO PRESUMIDO IRPJ 73.811,63 18.450,00 CSLL 28.192,19 11.718,00 90 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA TRIBUTOS LUCRO REAL LUCRO PRESUMIDO ICMS 50.400,00 50.400,00 PIS 4.550,70 4.633,20 COFINS 20.352,80 21.384,00 FGTS 2.000,00 2.000,00 INSS 6.700,00 6.700,00 TOTAL 186.007,32 115.285,20 Fonte: elaborada pela autora. Perceba que se a Cia Hipotética recolhesse seus tributos pelo lucro real, dadas as informações apresen- tadas, ela teria que recolher aos cofres públicos R$ 186.007,32 referente a esse trimestre. Já pelo lucro presu- mido o valor total de tributos a serem recolhidos nesse trimestre seria de R$ 115.285,20. No lucro presumido, ela teria uma carga em torno de 61,35% menor ((186.007,32 – 115.285,20) /115.285,20 x 100). Portanto, nessas condições a opção pelo lucro presumido se apresenta mais vantajosa para a Cia Hipotética. Esse tipo de aná- lise comparativa faz parte do planejamento tributário. CONSIDERAÇÕES FINAIS As sistemáticas de apuração lucro real e lucro presumido são diretamente ligadas ao recolhimento dos tributos diretos, e acabam determinando a forma de apuração e recolhimento dos tributos indiretos também. As empresas optantes pelo lucro real recolhem o IRPJ e a CSLL com base no lucro contábil ajustado pe- las adiçõese exclusões previstas na legislação tributária. Já quanto aos tributos indiretos, são recolhidos pelo regime de incidência não cumulativo, sendo que o IPI e o ICMS possuem alíquotas variadas, o ISS possui alí- quota igual ou superior a 2% e igual ou inferior a 5%, o PIS tem alíquota de 1,65% e a COFINS 7,6%. A alíquota do IRPJ é 15% e da CSLL é 9%, e havendo base de cálculo superior ao limite de R$ 20.000,00 mensal existe um adicional de 10% de IRPJ sobre o valor que exceder a esse limite. Pelo lucro presumido, as empresas apuram e recolhem o IRPJ e a CSLL com base num percentual de presunção aplicado sobre a receita bruta, acrescido do valor de outras receitas e ganhos de capital auferidos pela empresa. Quanto às alíquotas, são as mesmas praticadas no lucro real, 15% IR e 9% CSLL, com possibili- dade de adicional de 10% referente ao IR. Já os tributos indiretos no lucro presumido, o PIS e COFINS são reco- lhidos pelo regime cumulativo, possuindo alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente. O ICMS e IPI, observado as determinações legais, são recolhidos pelo regime não cumulativo e possuem alíquotas diversas dentro dos limites estabelecidos pela legislação. O ISS quando devido pelo tomador do serviço pode ser compensado pelo prestador, de acordo com os procedimentos de não cumulatividade. O acompanhamento da legislação tributária é imprescindível para se fazer a apuração e recolhimento dos tributos diretos e indiretos adequadamente. Existem determinações gerais previstas nas leis, bem como algumas específicas, como por exemplo, o PIS tem, normalmente, alíquota de 1,65% para empresas lucro real e 0,65% para empresas lucro presumido tendo por base de cálculo a receita bruta deduzida das devoluções 91 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA de vendas, vendas canceladas, descontos incondicionais e ICMS. Já para algumas empresas isentas ou imu- nes, o recolhimento do PIS é na alíquota de 1% calculado sobre o total da folha de pagamento, como é o caso de partidos políticos e templos de qualquer culto. REFERÊNCIAS BRASIL. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988. Brasília, 05 de outubro de 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 25 nov. 2024. BRASIL. DECRETO N° 9.580, DE 22 DE NOVEMBRO DE 2018. Regulamenta a tributação, fiscalização, a arrecadação e a administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. 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INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 1.911, DE 11 DE OUTUBRO DE 2019. Regulamenta a apuração, a cobrança, a fiscalização, a arrecadação e a administração da Contribuição para o PIS/Pasep, da COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da COFINS- Importação. Brasília, 2019. Disponível em: http://normas.receita.fazenda. gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=104314#2058267. Acesso em: 25 nov. 2024. BRASIL. LEI COMPLEMENTAR Nº 116, DE 31 DE JULHO DE 2003. Dispõe sobre o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, e dá outras providências. Brasília, 2003. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp116.htm. Acesso em: 25 nov. 2024. BRASIL. LEI COMPLEMENTAR Nº 157, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2016. 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Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. Brasília, 1996. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm. Acesso em: 25 nov. 2024. BRASIL. LEI N° 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998. Altera a Legislação Tributária Federal. Brasília, 1998. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9718.htm. Acesso em: 25 nov. 2024. BRASIL. LEI Nº 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2002. Dispõe sobre a não-cumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP), nos casos que especifica; sobre o pagamento e o parcelamento de débitos tributários federais, a compensação de créditos fiscais, a declaração de inaptidão de inscrição de pessoas jurídicas, a legislação aduaneira, e dá outras providências. Brasília, 2002. 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Altera a alíquota das contribuições previdenciárias sobre a folha de salários devidas pelas empresas que especifica; institui o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores, o Regime Especial de Tributação do Programa Nacional de Banda Larga para Implantação de Redes de Telecomunicações, o Regime Especial de Incentivo a Computadores para Uso Educacional, o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica e o Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência; restabelece o Programa Um Computador por Aluno; altera o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores, instituído pela Lei nº 11.484, de 31 de maio de 2007; altera as Leis nºs 9.250, de 26 de dezembro de 1995, 11.033, de 21 de dezembro de 2004, 9.430, de 27 de dezembro de 1996, 10.865, de 30 de abril de 2004, 11.774, de 17 de setembro de 2008, 12.546, de 14 de dezembro de 2011, 11.484, de 31 de maio de 2007, 10.637, de 30 de dezembro de 2002, 11.196, de 21 de novembro de 2005, 10.406, de 10 de janeiro de 2002, 9.532, de 10 de dezembro de 1997, 12.431, de 24 de junho de 2011, 12.414, de 9 de junho de 2011, 8.666, de 21 de junho de 1993, 10.925, de 23 de julho de 2004, os Decretos- Leis nºs 1.455, de 7 de abril de 1976, 1.593, de 21 de dezembro de 1977, e a Medida Provisória nº 2.199- 14, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. 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Disponível em: http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=2585258 .Acesso em: 25 nov. 2024. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm https://online.unirios.edu.br/download-arquivo/re-574706-inteiro-teor-do-acordao/ https://online.unirios.edu.br/download-arquivo/re-574706-inteiro-teor-do-acordao/ http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp116.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp157.htm?codigo_sophia=845062 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp157.htm?codigo_sophia=845062 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5844.htm?codigo_sophia=853067 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5844.htm?codigo_sophia=853067 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm?codigo_sophia=841524 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm?codigo_sophia=841524 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9718.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9718.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm?codigo_sophia=852356 https://biblioteca.sophia.com.br/9198/index.asp?incidente=2585258 _MON_1697465557 _GoBack _MON_1701000653 _Hlk90569354 _MON_1701178344 _Hlk90574708 _MON_1701180251 _MON_1701182018 _MON_1701184458 _MON_1701185473 _Hlk90615916 _MON_1701185949 _Hlk90614787 _Hlk90625894 _MON_1701187642 _Hlk90616980 _MON_1701227607 _Hlk90619626 _MON_1701230911 _MON_1701234635 _MON_1701236420 _MON_1701237549 _Hlk90627062 _MON_1701238956 A contabilidade e os tributos Introdução Um contexto da historicidade tributária no Brasil Contabilidade tributária: conceito, finalidade e princípios Conceito e classificações dos tributos Tributos e federações Regime de incidência tributária: características e procedimentos Considerações finais Referências Gestão tributária e obrigações acessórias Introdução Legislação tributária e normas contábeis Enquadramentos tributários Gestão e planejamento tributário Elisão, elusão e evasão fiscal Obrigações acessórias Considerações finais Referências Obrigações acessórias Considerações finais Referências EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO INTRODUÇÃO CARACTERÍSTICAS E PROCEDIMENTOS DOS IMPOSTOS DIRETOS NO LUCRO REAL CARACTERÍSTICAS E PROCEDIMENTOS DOS IMPOSTOS INDIRETOS NO LUCRO REAL CARACTERÍSTICAS E PROCEDIMENTOS DOS IMPOSTOS DIRETOS NO LUCRO PRESUMIDO CARACTERÍSTICAS E PROCEDIMENTOS DOS IMPOSTOS INDIRETOS NO LUCRO PRESUMIDO UM CASO PRÁTICO CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS Simples Nacional e MEI Introdução Conhecendo o Simples Nacional Impostos diretos e indiretos no Simples Nacional Um caso prático O MEI e a tributação Um comparativo tributário entre as opções de enquadramento Considerações finais Referências Um caso prático O MEI e a tributação Um comparativo tributário entre as opções de enquadramento Considerações finais ReferênciasO MEI e a tributação ...................................................................................................114 Um comparativo tributário entre as opções de enquadramento .................................118 Considerações finais ..................................................................................................130 Referências ................................................................................................................131 VO CÊ ES TÁ A QU I EMENTA Planejamento dos aspectos fiscais e tributários dos impostos diretos (IRPJ/CSLL) e indiretos (PIS/COFINS/ICMS/IPI/ISS) e suas respectivas contabilizações em conformidade com os princípios e normas contábeis. Conceitos teóricos e práticos da apuração, controle, pagamento e respectivas obrigações acessórias dos impostos federais, estaduais e municipais. Conceitos e aplicação dos diferentes regimes de tributação vigentes no país (Lucro Real/Lucro Presumido/Simples Nacional/MEI) e Impostos sobre a folha de pagamento. EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO UNIDADE 3 59 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA INTRODUÇÃO Os empreendimentos brasileiros estão sujeitos à legislação tributária vigente no Brasil, a qual dispõe, basica- mente, de quatro formas de sistemática de apuração e recolhimento dos tributos que as empresas podem optar, desde que atendam também às características específicas de cada uma. Você sabe quais os procedimentos de apuração, registro e recolhimento dos tributos em cada uma das opções de enquadramento tributário? Resumidamente, os tributos a serem recolhidos são classificados em: diretos (incidem sobre o ganho/ rendimentos) e indiretos (incidem sobre o consumo/produtos e serviços). A opção de enquadramento tribu- tário em que a empresa está inserida vai determinar a forma, base de cálculo, alíquotas, contabilização etc. dos tributos e eventos financeiros-econômicos que ocorrerem em cada período. Aqui vamos conhecer as sistemáticas de apuração denominadas lucro real e lucro presumido. Os objetivos da unidade são: • Aplicar a legislação tributária nos fatos contábeis originados pelos eventos econômicos e finan- ceiros por meio do planejamento tributário. • Analisar e estimar a melhor opção de enquadramento tributário dado as características do em- preendimento realizado. • Assumir e valorizar a responsabilidade pela importância da educação da consciência humana com valores cristãos imperativos, ética e transparência frente ao mundo dos negócios contemporâneos. Bom estudo! CARACTERÍSTICAS E PROCEDIMENTOS DOS IMPOSTOS DIRETOS NO LUCRO REAL As empresas atuantes no Brasil hoje são do tipo comercial, industrial ou prestadora de serviços. Existem também os mais diversos ramos de atividades que são exercidas por essas entidades: venda de produtos ele- trônicos, venda de vestuário, perfumaria, gêneros alimentícios, automóveis, conserto de carros, conserto de eletrônicos, assessoria, saúde, produção de alimentos, produção de maquinários e equipamentos, produção de bebidas, entre tantas outras atividades. Há uma vasta legislação nacional que trata dos tributos (impostos, taxas e contribuições). Tanto os cida- dãos (pessoas físicas) quanto as empresas (pessoas jurídicas) têm de arcar. Por exemplo: • Quando você adquire um produto no mercado, haverá o Imposto sobre Circulação de Mercado- rias e Serviços (ICMS), pago junto ao valor do produto. • Quando você deseja emitir uma certidão na prefeitura do seu município, pagará uma taxa por esse serviço. • Anualmente, dependendo da sua renda anual, você terá que realizar a declaração de imposto de renda perante a receita federal e pagar o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). • Sobre o lucro apurado das empresas, há tributos como o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). 60 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA Dessa forma, sobre cada tipo de empresa e sobre cada atividade existem tributos que são comuns, bem como existem tributos específicos, os quais são tratados de acordo com a sistemática de apuração e recolhi- mento escolhido pela empresa. Você sabe qual o tratamento a ser dado no cálculo e contabilização dos impostos diretos nas empresas lucro real? O lucro real é o lucro contábil ajustado por meio de adições e exclusões, de forma a apurar o lucro real considerando somente as receitas tributáveis e as despesas dedutíveis conforme determinado pelo Fisco. Quando se trata dos impostos diretos, estamos falando justamente do IRPJ e da CSLL, recolhidos sobre o lucro das pessoas jurídicas. Em empresas optantes pelo lucro real, a apuração e recolhimento desses tributos é feita com base no lucro real, ou lucro ajustado ou ainda lucro tributável. Ao contador cabe contabilizar os eventos econômico-financeiros ocorridos na empresa por meio da escritu- ração digital. Nela, os débitos e créditos vão gerando as informações que fazem parte dos livros contábeis e fiscais, bem como dos demonstrativos financeiros. Esses livros e demonstrativos servem de fonte de informação para os mais diversos usuários internos e externos. Principalmente no âmbito fiscal, essas informações servem para o go- verno fiscalizar as empresas, a fim de verificar se está havendo sonegações ou falsificações. Com a escrituração digital ficou ainda mais fácil a fiscalização da parte tributária pelos órgãos compe- tentes. A maneira das empresas apresentarem seus relatórios fiscais e contábeis está padronizada, facilitando o acompanhamento de perto das transações das empresas. Oliveira et al. (2015), apresenta mudanças signifi- cativas que estão ocorrendo na fiscalização por parte das autoridades fiscais advindas da escrituração digital, conforme a figura 1. Figura 1 – Mudanças na forma de atuação da fiscalização PASSADO HOJE/FUTURO Postura da fiscalização Repressiva Preventiva Forma de fiscalizar a empresa Isolada Integrada Os exames e verificações Auditava passado Acompanha presente A auditoria fiscal abrange Estabelecimento Empresa Maneira de executar a auditoria Conferência manual Auditoria eletrônica Seleção de amostragem Poucas operações e fontes 100% das operações e múltiplas fontes Forma de apresentar Provas em papel Provas eletrônicas Local da fiscalização Fiscalização in loco Fiscalização a distância Aspecto global da fiscalização Generalista Especialista Fonte: Oliveira et al. (2015, p. 91). 61 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA Com a integralização das informações de forma eletrônica, fica mais fácil da fiscalização saber se as em- presas estão inseridas no enquadramento tributário adequado, bem como se estão apurando e recolhendo seus tributos corretamente. Perceba que agora a fiscalização consegue acompanhar as movimentações financeiras das empresas cons- tantemente, pois a escrituração digital permite que esse acompanhamento ocorra à distância, além de gerar pro- vas eletrônicas e conseguir analisar 100% das operações em diversos livros, documentos e declarações. Quando se trata dos tributos diretos, as empresas além de terem de pagar o IRPJ e a CSLL, elas precisam verificar os diversos aspectos quanto à apuração e recolhimento desses tributos para arcarem com os valores adequados e prestarem as informações corretas. Entre esses aspectos está o tipo de tributação escolhido pela empresa. As empresas que optam pelo lucro real, de acordo com Fabretti (2017), apuram o IRPJ e a CSLL com base no lucro líquido (contábil) do período-base ajustado pelas adições, exclusões e compensações confor- me prescritas e autorizadas pela legislação. A partir do início de 1997, a apuração do IRPJ com base no lucro real, presumido ou arbitrado é feita por pe- ríodos trimestrais de apuração, conforme determina o art. 1º da Lei 9.430/1996. Entretanto, o art. 2º dessa mesma lei determina que a pessoa optante pelo lucro real pode optar pela apuração anual, realizando opagamento do IR, em cada mês, por meio de base de cálculo estimada mediante aplicação de percentuais sobre a receita bruta auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais. Portanto, as empresas optantes pelo lucro real podem realizar a apuração e recolhimento do IRPJ e da CSLL de forma trimestral com base no lucro real apurado, ou mensalmente, por estimativa, com base na receita bruta menos as devoluções, vendas canceladas e descontos incondicionais, sobre a qual é aplicada percentuais. Quando a empresa apurar esses tributos por estimativa, ao final de cada exercício, ela deverá apresentar a declaração e apurar o IR e a CSLL devidos no ano com base no lucro real, ou seja, com base no lucro contábil ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas pela legislação. Assim, é levantado o lucro apurado contabilmente e ajustados os valores inerentes às despesas que são consideradas não dedutíveis ou rendimentos que não são reconhecidos como tributáveis. Depois disso, aplica-se o percentual em cima dessa base para obter o imposto devido de IRPJ e CSLL. Veja o raciocínio desse tipo de tributação na figura 2. Figura 2 – Sistemática de apuração dos tributos pelo lucro real Lucro contábil Valores despesas não dedutíveis Valores receitas não tributáveis Lucro real ou lucro tributável ou lucro ajustado (base de cálculo) Fonte: elaborada pela autora. O art. 258, do Decreto 9.580/18, conceitua lucro real como “o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas”. Já o art. 259 conceitua lucro líquido do período como “a soma algébrica do lucro operacional, das demais receitas e despesas, e das partici- pações, e deverá ser determinado em observância aos preceitos da lei comercial”. Mas quem são as empresas obrigadas a optarem por essa sistemática de apuração e recolhimento dos tributos? Conforme art. 14, da lei 9.718/98, as empresas que auferirem receita bruta superior a R$ 78.000.000,00 no ano-calendário, ou proporcional quando inferior a 12 meses, bem como bancos, sociedades de crédito, financia- mento e investimento, imobiliário, corretoras de título, empresas de arrendamento mercantil, de seguros privados, 62 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA de capitalização, entidades de previdência privada aberta, factoring, ou empre- sas que tiverem lucro, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior etc. são obrigadas a recolherem o IRPJ e a CSLL com base no lucro real. Agora que você já sabe quais pessoas jurídicas que estão sujeitas à apu- ração pelo lucro real, deve estar se perguntando qual é a alíquota desses tribu- tos. O art. 225, do decreto 9.580/2018, determina que o valor devido do IRPJ é de 15% aplicado sobre a base de cálculo, sendo que se a base de cálculo exce- der a R$ 20.000,00 mensal e/ou R$ 240.000,00 anual, o que exceder esse limite mensal ou anual estará sujeito a um adicional de 10% de alíquota de IRPJ. NA PRÁTICA Determinada empresa optante pelo lucro real, trimestral, apurou R$ 80.000,00 de lucro. Dessa forma o valor devido de IR referente a esse período é de R$ 14.000,00, conforme seguintes cálculos: • IRPJ normal: R$ 80.000 x 15% = R$ 12.000,00 • Adicional: (R$ 80.000,00 – (R$ 20.000,00 x 3)) x 10% = (R$ 80.000,00 – R$ 60.000,00) x 10% = R$ 20.000,00 x 10% = R$ 2.000,00 • IRPJ total: R$ 12.000,00 + R$ 2.000,00 = R$ 14.000,00 Para sabermos o valor da base de cálculo do adicional, pegamos o lucro real menos o valor limite da parcela mensal de R$ 20.000,00. Só que como nosso exemplo, fala da apuração trimestral, o limite é de R$ 20.000,00 multiplicados por 3 meses, porque cada trimestre possui 3 meses. Outra pergunta que pode estar na sua mente é: todas as empresas são obrigadas a recolherem o IRPJ? O decreto 9.580/2018, nos arts. 179 ao 181, determina que templos de qualquer culto; partidos políticos e entida- des sindicais dos trabalhadores, desde que não distribuam lucro, apliquem seus recursos integralmente no país e na manutenção de suas atividades e mantenham escrituração de suas receitas e despesas em livros capazes de assegurar sua exatidão; e instituições de educação e de assistência so- cial; são imunes ao recolhimento do IRPJ sobre os ganhos oriundos de suas atividades, desde que sejam utilizados na própria entidade. É importante saber que essas organizações estão imunes apenas do recolhimento do IRPJ, devendo prestar as demais obrigações acessórias, como por exemplo escrituração de seus eventos econômico-financeiros. O art. 184, desse mesmo decreto, relata que as associações e funda- ções de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico estão isentas do imposto sobre a renda, mas devem cumprir com as obrigações acessórias. Já o art. 186 isenta as entidades fechadas de previdência complementar e as entidades abertas de previdência complementar sem fins lucrativos do recolhimento do imposto sobre a renda. A legislação tributária é importante para conhecer as exceções e especifi- cidades de cada enquadramento. Fonte: Shutterstock 63 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA As empresas estrangeiras de transportes estão isentas do IR, desde que as empresas brasileiras gozem dessa mesma prerrogativa no país de sua nacionalidade. Ou seja, as companhias aéreas e marítimas estrangeiras pos- suem isenção do IR no Brasil, desde que as companhias brasileiras também possuam isenção nos países de origem dessas companhias estrangeiras. Essa isenção é estendida ao tráfego internacional por empresas estrangeiras de transporte terrestre, se aplicado a mesma condição às empresas brasileiras (Art. 187, Decreto 9.580/2018). A apuração do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas será por períodos trimestrais, encerrados em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, podendo ser apu- rado de forma anual em 31 de dezembro. (Art. 217 e 218, DECRETO 9.580/2018). O art. 219 complementa que quando optar pela apuração anual, a cada mês, iniciando em janeiro, deverá fazer o pagamento do IR devido calculado sobre a base de cálculo estimada. A base de cálculo estimada é determinada por meio da aplicação de percentuais sobre a receita bru- ta auferida mensalmente, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. Esses percentuais são determinados de acordo com a atividade exercida pela empresa, como mostrado na figura 3. Figura 3 – Percentuais aplicados à receita para apuração da base de cálculo estimado do lucro real ATIVIDADES PERCENTUAL (%) • Comércio e indústrias. • Transporte de carga. • Imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados a venda, e venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda. 8% • Revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico e gás natural. 1,6% • Prestadoras de serviços em geral, cuja receita bruta anual seja de até R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) com exceção de transportadoras e os serviços organizados na forma de sociedade empresária descritos na exceção de percentual 32%, e sociedades prestadoras de serviços de profissões legalmente regulamentadas. • Prestação de serviços de transporte, exceto de carga. • Bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, sociedades de crédito ao microempreendedor e à empresa de pequeno porte, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades abertas de previdência complementar. 16% 64 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA • Prestação de serviçosem geral, exceto de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que organizadas sob a forma de sociedade empresária. • Intermediação de negócios. • Administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. • Prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão e crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). • Prestação de serviços de construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento de infraestrutura vinculados a contrato de concessão de serviço público. 32% Fonte: elaborado pela autora com base no Art. 220, Decreto 9.580/2018. Além da base de cálculo apurada pelo percentual de estimativa aplicado sobre a receita, deverá ser acrescido a essa base o valor referente aos ganhos de capital, as demais receitas e outros resultados positivos auferidos pela empresa (Art. 222, Decreto 9.580/2018). Quando o contribuinte deverá fazer a opção pelo método de apuração e recolhimento dos tributos? A opção pela sistemática de apuração e recolhimento dos tributos, deve ser feita para o ano-calendário, não podendo o contribuinte iniciar o ano com uma opção e a alterar no trimestre seguinte, por exemplo. Exceto quando, no curso do ano-calendário, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualifi- cado pela fiscalização, situação em que o sujeito passivo deverá ser intimidado para, no prazo de trinta dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação tributária (Art. 245, Decreto 9.580/2018). O lucro real é o lucro contábil apurado no período ajustado de acordo com as adições, exclusões e com- pensações. O decreto 9.580/2018 relata adições, exclusões e compensações que devem ser feitas ao lucro líquido, a fim de ajustá-lo ao lucro real ou lucro tributável. Art. 260. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração: I – os custos, as despesas, os encargos, as perdas, as provisões, as participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com o disposto neste Regulamento, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; e II – os resultados, os rendimentos, as receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com o disposto neste Regulamento, devam ser computados na determinação do lucro real. Parágrafo único. Incluem-se nas adições de que trata este artigo: I – ressalvadas as disposições especiais deste Regulamento, as quantias retiradas dos lucros ou de fundos ainda não tributados para aumento do capital, para distribuição de interesses ou destinadas a reservas, quaisquer que sejam as designações que tiverem, inclusive lucros suspensos e lucros acumulados; II – os pagamentos efetuados à sociedade simples quando esta for controlada, direta ou indiretamente: por pessoas físicas que sejam diretores, gerentes, controladores da pessoa jurídica ou creditar os rendimentos; e por cônjuge ou parente de primeiro grau de diretores, gerentes, controladores da pessoa jurídica que pagar ou creditar os rendimentos; III – as perdas incorridas em operações iniciadas e encerradas no mesmo dia (day-trade), realizadas em mercado de renda fixa ou variável; IV – as despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores, respeitando as exceções (...); 65 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA V – as contribuições não compulsórias, exceto aquelas destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dos dirigentes da pessoa jurídica; VI – as doações, com exceções (...); VII – as despesas com brindes; VIII – o valor da CSLL, registrado como custo ou despesa operacional; IX – as perdas apuradas nas operações realizadas nos mercados de renda variável e de swap que excede- rem os ganhos auferidos nas mesmas operações; X – o valor correspondente ao reconhecimento da realização das receitas originárias de planos de benefí- cios administrados por entidades fechadas de previdência complementar (pessoa jurídica patrocinadora), que foram registradas contabilmente pelo regime de competência, na for- ma estabelecida pela CVM ou por outro órgão regulador; XI – os resultados negativos das operações realizadas com os seus associados, na hipótese de sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica que não tenham por objeto a compra e o fornecimento de bens aos consumidores; XII – o valor correspondente à depreciação ou à amortização constante da escrituração comercial, a partir do período de apuração em que o total da depreciação ou da amortização acumulada, incluídas a contábil e a acelerada incentivada, atingir o custo de aquisição do bem; e XIII – o saldo da depreciação e da amortização acelerada incentivada existente na parte “B” do Lalur, na hipótese de alienação ou de baixa a qualquer título do bem. Já quanto as exclusões e compensações, estão determinadas no Art. 261, do Decreto 9.580/18: Art. 261. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração: I – os valores cuja dedução seja autorizada por este Regulamento e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração; II – os resultados, os rendimentos, as receitas e outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com o disposto neste Regulamento, não sejam computados no lucro real; e III – o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a trinta por cen- to do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Regulamento, desde que a pessoa jurídica mantenha os livros e os documentos exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para compensação (...). Parágrafo único. Também poderão ser excluídos: I – os rendimentos e os ganhos de capital nas transferências de imóveis desapropriados para fins de refor- ma agrária, quando auferidos pelo desapropriado; II – os dividendos anuais mínimos distribuídos pelo FND; III – os juros reais produzidos por Notas do Tesouro Nacional, emitidas para troca compulsória no âmbito do PND, controlados na parte “B” do Lalur, os quais deverão ser computados na determinação do lucro real no período do seu recebimento; IV – a parcela das perdas adicionadas conforme o disposto no inciso IX do parágrafo único do art. 260, a qual poderá, nos períodos de apuração subsequentes, ser excluída do lucro real até o limite corresponden- te à diferença positiva entre os ganhos e as perdas decorrentes das operações realizadas nos mercados de renda variável e operações de swap; V – as reversões dos saldos das provisões não dedutíveis; VI – o valor correspondente às receitas originárias de planos de benefícios administrados por entidades fechadas de previdência complementar (pessoa jurídica patrocinadora), registradas contabilmente pelo regime de competência, na forma estabelecida pela CVM ou por outro órgão regulador, para reconheci- mento na data de sua realização; 66 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA VII – a compensação fiscal efetuada pelas emissoras de rádio e televisão e pelas empresas concessionárias de serviços públicos de telecomunicações obrigadas ao tráfego gratuito de sinais de televisão e rádio, pela cedência do horário gratuito, na forma es- tabelecida na legislação específica; VIII – as receitas decorrentes de valores em espécie pagos ou cre- ditados pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, relativos ao ICMS e ao ISS, no âmbito de programas de concessão de créditodestinados ao estímulo à solicitação de documento fiscal na aquisição de mercadorias e serviços; IX – a parcela equivalente à redução do valor das multas, dos ju- ros e do encargo legal (...); X – o valor das quotas de fundo que tenha por único objetivo a co- bertura suplementar dos riscos do seguro rural nas modalidades agrícola, pecuária, agrícola e florestal, as quais sejam adquiridas por seguradoras, resseguradoras e empresas agroindustriais; e XI – o crédito presumido de IPI de que trata o Inovar-Auto. IMPORTANTE O Inovar-Auto é o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores. Foi criado com o objetivo de apoiar o desenvolvimento tecnológico, a inovação, a segurança, a proteção ao meio ambiente, a eficiência energética e a qualidade dos automóveis, caminhões, ônibus e autopeças (art. 40, lei 12.715/2012). Existem outros normativos que tratam das adições e exclusões ao lucro para apuração do lucro real, como o decreto-lei 5.844/43 e a IN RFB 1.881/2019 que apresenta a lista de exclusões e adições a serem consideradas. Perceba que quando se trata do lucro real, a apuração do valor devido dos tributos diretos, requer acompanhamento da legislação tributária a fim de realizar os cálculos adequadamente. O registro diário dos eventos econômico-financeiros da em- presa, pelo contador, evidencia o lucro contábil apurado na DRE do período, e dessa forma, deve-se ainda realizar os ajustes extracontábeis de adições e exclusões, para obter o lucro real, base de cálculo do IR e da CSLL. As empresas optantes pelo lucro real deverão ainda manter a escri- turação dos livros comerciais Diário e Razão, e dos livros fiscais: registro de inventário; registro de entradas (compras); apuração do lucro real – Lalur; registro permanente de estoque, para as pessoas jurídicas que exerçam ati- vidades de compra, venda, incorporação e construção de imóveis, lotea- mento ou desmembramento de terrenos para venda; e de movimentação de combustíveis, a ser escriturado diariamente pelo revendedor (Art. 274 e 275, Decreto 9.580/18). Quanto a CSLL devida apurada pelo lucro real, corresponde a 9% de alíquota aplicada à base de cálculo. Sendo que quando a apuração do lucro real for anual, por estimativa mensal, deverá ser feito o recolhimento da CSLL sob essa mesma perspectiva. De igual forma, da base de cálculo da Ajustes extracontábeis de adições e exclusões são feitos ao lucro contábil para obter o lucro real. Fonte: Shutterstock 67 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA CSLL pode-se compensar até 30% com valores de base de cálculos negativas (prejuízos fiscais) apuradas em períodos-base anteriores (Art. 57 e 58, Lei 8.981/1995). Padoveze et al. (2017) relatam que o fato gerador do IR e da CSLL é a aquisição de disponibilidade eco- nômica ou jurídica de: renda e proventos de qualquer natureza; portanto, o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e acréscimos patrimoniais denominados de receita ou rendimentos é fato ge- rador dos tributos diretos. A apuração do lucro real é parte da escrituração contábil, pois o lucro contábil antes do IR e da CSLL é o ponto de partida para a apuração do lucro tributável ou lucro real. A partir do lucro contábil, o Livro Eletrônico de Apuração do Lucro Real (e-Lalur) vai contemplar a finalização legal da escrituração da apuração do lucro real. De acordo com Padoveze et al. (2017) esse livro contempla duas partes: • Parte I: evidencia-se a apuração do lucro real, partindo do lucro contábil e destacando as adições e exclusões. • Parte II: evidencia o controle das adições e exclusões que farão parte da apuração do lucro real de exercícios futuros, juntamente com o controle dos prejuízos fiscais compensáveis em perío- dos subsequentes. Vamos a um exemplo de cálculo do IR e da CSLL devidos por uma empresa optante pelo lucro real, com apu- ração trimestral, considerando alguns valores aleatórios de exclusão, adição e lucro contábil, conforme a figura 4. Figura 4 – Exemplo de cálculo do IR e da CSLL devidos no lucro real DESCRIÇÃO IRPJ CSLL Lucro líquido do exercício antes do IR e da CSLL (LAIR) 80.000,00 80.000,00 (+) ADIÇÕES Doações não dedutíveis 15.000,00 15.000,00 Provisão para perdas em processos trabalhistas 38.000,00 38.000,00 Perdas em aplicações renda variável 18.000,00 - Provisão para desvalorização - impairment 55.000,00 55.000,00 Soma 126.000,00 108.000,00 (-) EXCLUSÕES Incentivo de pesquisa e desenvolvimento 45.000,00 45.000,00 Rendimentos aplicações financeiras exclusivas 12.000,00 - 68 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA DESCRIÇÃO IRPJ CSLL Lucro de equivalência patrimonial em controlada 25.000,00 25.000,00 Soma 82.000,00 70.000,00 (=) Lucro Real 124.000,00 118.000,00 Alíquotas normais (%) 15% 9% Alíquota adicional (%) 10% - Valor IRPJ e CSLL normal (R$) 18.600,00 10.620,00 IRPJ excedente 6.400,00 0,00 TOTAL 25.000,00 10.620,00 Fonte: elaborada pela autora. Dessa forma, uma empresa que apresente um lucro contábil trimestral de R$ 80.000,00 e possua R$ 126.000,00 e R$ 108.000,00, de adições a serem consideradas para fins de apuração do IR e da CSLL, respecti- vamente, e exclusões no montante de R$ 82.000,00 e R$ 70.000,00 na base de cálculo do IR e da CSLL, deverá recolher um total de R$ 25.000,00 referente ao IR e R$ 10.620,00 de CSLL. Essas adições e exclusões devem ser escrituradas no e-Lalur e no e-Lacs que são os livros fiscais digitais de apuração dos tributos diretos. Se estivesse evidenciado nesses livros que a empresa possuía um saldo negativo fiscal de R$ 85.000,00 acumulado de períodos anteriores, qual seria o valor de IR e CSLL devidos, nesse período? Nessa situação, a base de cálculo tanto do IR quanto da CSLL podem ser deduzidas em até 30% conforme prevê a legislação tributária. Sendo assim, os valores de IR e CSLL devidos seriam os apresentados na figura 5. Figura 5 – Exemplo considerando prejuízos fiscais anteriores DESCRIÇÃO IRPJ CSLL (=) Lucro Real 124.000,00 118.000,00 (-) Compensação prejuízos fiscais anteriores 37.200,00 35.400,00 (=) Base cálculo – lucro tributável 86.800,00 82.600,00 Alíquotas normais (%) 15% 9% Alíquota adicional (%) 10% - 69 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA DESCRIÇÃO IRPJ CSLL Valor IRPJ e CSLL normal (R$) 13.020,00 7.434,00 IRPJ excedente 2.680,00 0,00 TOTAL 15.700,00 7.434,00 Fonte: elaborada pela autora. Perceba que a compensação é de até 30% do valor da base atual e não todo o prejuízo fiscal acumula- do. Será compensado todo o prejuízo fiscal acumulado quando seu montante for menor ou igual a 30% da base de cálculo do período de apuração. Em nosso exemplo, considerando a existência de prejuízos fiscais anteriores, o valor devido de IR e CSLL reduziram, pois anteriormente o valor devido de IR era de R$ 25.000,00, o qual passou a ser de R$ 15.700,00 agora, bem como o valor da CSLL devida era de 10.620,00 e ficou em ape- nas R$ 7.434,00 ao fazer a compensação. E como é a contabilização desses valores dos tributos? O registro dos valores do IR e da CSLL devidos geram um débito em despesa e um crédito em obrigação. • D – IRPJ (resultado/despesa); • C – IRPJ a recolher (passivo/obrigação); • D – CSLL (resultado/despesa); • C – CSLL a recolher (passivo/obrigação). Essa forma de tributação lucro real é assim denominada pelo fato do IR e da CSLL serem devidos sobre o lucro efetivo apurado no período de acordo com os registros contábeis realizados e considerado os devidos ajustes de adições e exclusões. É importante que o contador se atente para as empresas obrigadas a esse tipo de tributação e que podem optar somente por essa sistemática, da mesma forma em que deve atentar-se à necessidade de elaboração do e-Lalur e e-Lacs a fim de evidenciar o lucro real a partir dos ajustes feitos sob o lucro contábil apurado no período. Mas e quanto aos tributos indiretos? Quais são? Comofunciona sua apu- ração e recolhimento na opção lucro real? Para entender isso, acompanhe o próximo tópico. CARACTERÍSTICAS E PROCEDIMENTOS DOS IMPOSTOS INDIRETOS NO LUCRO REAL Os tributos indiretos são aqueles que incidem sobre a cadeia produtiva, ou seja, sobre a produção e consumo de bens e serviços. Sousa (2018) descreve que “são aqueles em que o sujeito passivo legalmente de- finido apenas recolhe o valor que é de fato suportado pelo consumidor final”. Os tributos indiretos recolhidos pela empresa estão inclusos no valor que o cliente paga dos produtos ou serviços, e não incidem sobre o pa- trimônio da empresa (lucros e ganhos). Dentre esses tributos temos o IPI, o ISS, ICMS, PIS e COFINS. Portanto, qual o tratamento dado a esses tributos em uma empresa optante pelo lucro real? Quando se trata de empresas que apuram e recolhem seus tributos pela sistemática do lucro real, sig- nifica que esses tributos possuem características e comportamentos específicos, determinados pela legis- 70 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA lação, para esse tipo de empresas. O IPI, que é o Imposto sobre Produtos Industrializados, é um tributo específico de contribuição das indústrias e de competência da União. Portanto, as indústrias optantes pelo lucro real, re- colhem esse tributo pelo regime de incidência não cumulativo. Os valores incidentes nas compras dos insumos geram créditos a serem compensados quando da venda dos produtos. Outra característica do IPI é referente às suas alíquotas, pois não há uma alíquota única para esse imposto. Ela é determinada de acordo com a seletividade do produto, ou seja, produtos essenciais terão menores alíquo- tas ou alíquota zero, enquanto produtos supérfluos, menos necessários, podem chegar a alíquotas de até 300%, como é o caso de cigarros. O IPI é um imposto que deve ser acrescido ao valor da compra, pois ele não compõe a sua própria base de cálculo (Sousa, 2018). Se um produto possui um preço de venda de R$ 10,00, e sobre esse produto incide IPI na alíquota de 20%, isso significa que o valor final que o cliente pagará por esse produto é de R$ 12,00. O Art. 190, do decreto 7.212/10 relata sobre a base de cálculo do IPI, e, em geral, é o valor da operação do produto. Mais e quanto ao fato gerador? O IPI é um imposto que incide sobre importação também, sendo assim os fatores geradores, de acordo com Sousa (2018, p. 121) são: • a saída de produto de estabelecimento industrial, ou equipa- rado a industrial; • o desembaraço aduaneiro do produto de procedência estran- geira; e • a arrematação em leilão de produto apreendido ou abandonado. Quem são os contribuintes do IPI? De acordo com o Art. 24, do de- creto 7.212/10 os contribuintes são o importador, o industrial, o estabeleci- mento equiparado a industrial e os que consumirem ou utilizarem em outra finalidade ou remeterem a pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou editoras, o papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. IMPORTANTE O contador deve estar atento à legislação tributária a fim de saber, por exemplo, a partir de quando é considerado ocorrido o fato gerador e até mesmo situações que não constituem fato gerador do IPI. Desembaraço aduaneiro de produto nacional que retorne ao Brasil por defeito técnico que exija sua devolução para reparo ou substituição ou por motivo de guerra ou calamidade pública são situações que não se constituem fato gerador do IPI (Art. 38, Decreto 7.212/2010). Vamos ver alguns exemplos de operações de mercadorias com inci- dência do IPI a fim de sabermos quais os registros a serem efetuados na es- O IPI é não cumulativo e seletivo e as alíquotas são definidas pela TIPI-Tabela de Incidência do IPI. 71 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA crituração desses fatos. Supondo que a Indústria Exemplifica comprou, a prazo, o equivalente a R$ 250.000,00 em matéria prima. Sobre o valor dessa mercadoria incide ICMS destacado na nota de 12% mais IPI de 10%. Quais são os cálculos e lançamentos dessa operação? Por estarmos falando de uma empresa optante pelo lucro real, tanto o IPI quanto o ICMS são impostos não cumulativos, portanto, precisamos saber qual o valor desses tributos na operação a fim de contabilizar- mos corretamente. Veja que R$ 250.000,00 é o valor da matéria prima e não o total da compra realizada, pois conforme vimos anteriormente, o IPI é um valor a ser acrescido ao valor da operação. • IPI (10%): 250.000 x 10% = 25.000,00 • ICMS (12%): 250.000 x 12% = 30.000,00 Vamos aos lançamentos agora: • D – Estoque matéria prima: R$ 220.000,00 • D – ICMS a recuperar: R$ 30.000,00 • D – IPI a recuperar: R$ 25.000,00 • C – Fornecedores: R$ 275.000,00 Perceba que o valor total da compra, a ser destacado na nota fiscal é de R$ 275.000,00, representado pelo valor da matéria prima acrescido do IPI incidente. Supondo agora que a Indústria Exemplifica, vende, a prazo, produtos seus pelo valor de R$ 240.000,00 com ICMS destacado de R$ 28.800,00 (12%) e IPI de R$ 24.000,00 (10%), totalizando uma NF de venda no valor de 264.000,00. Os lançamentos dessa operação, des- considerando o CPV, seriam: • D – Clientes: R$ 264.000,00 • C – Vendas mercadorias: R$ 264.000,00 • D – ICMS sobre vendas: R$ 28.800,00 • C – ICMS a recolher: R$ 28.800,00 • D – IPI sobre vendas: R$ 24.000,00 • C – IPI a recolher: R$ 24.000,00 Lembra que o IPI e o ICMS são não cumulativos para as indústrias optantes pelo lucro real? Dessa for- ma, é preciso fazer a compensação desses tributos ao final de cada período de apuração, que normalmente é mensal. Considerando que a Indústria Exemplifica realizou apenas essas operações nesse período, a apuração do IPI e do ICMS é: • D – ICMS a recolher: R$ 28.800,00 • C – ICMS a recuperar: R$ 28.800,00 72 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA • D – IPI a recolher: R$ 24.000,00 • C – IPI a recuperar: R$ 24.000,00 Portanto, ao final desse período, a Indústria Exemplifica ficou com valores a recuperar para os próximos períodos referente a esses tributos, pois o saldo de ICMS a recuperar ficou em R$ 1.200,00 (30.000 – 28.800) e de IPI a recuperar em R$ 1.000,00 (25.000 – 24.000). Toda vez que houver tributos de incidência não cumu- lativa, ao final de cada período a empresa deve fazer a compensação entre os saldos a recuperar e a recolher desses tributos, deixando evidenciado no balanço patrimonial apenas a conta que estiver com maior saldo, seja a recuperar ou a recolher. Nesse exemplo da Indústria Exemplifica, já vimos a incidência do ICMS também na operação. Empresas optantes pelo lucro real contribuintes do ICMS recolhem esse tributo pelo regime de incidência não cumulativo. O ICMS é um imposto de competência dos estados e do Distrito Federal, incidindo sobre a circulação de mercadorias e de serviços de transporte e telecomunicações. Sendo assim, normalmente, empresas por- tadoras de serviço não são contribuintes do ICMS, com exceção das transportadoras e das empresas de tele- comunicações. Sousa (2018) relata que para fins de ICMS entende-se mercadorias como produtos, alimentos, bebidas, minerais, energia elétrica e combustíveis. E o fato gerador do ICMS é a circulação de mercadoria, a prestação de serviços de transporte intermunicipal e interestadual e a prestação de serviços de comunicação em caráter oneroso. O ICMS por ser um imposto de competência estadual, cada Estado pode determinar quais são os pro- cedimentos que regem a tributação e recolhimento em sua esfera de atuação. Dessa forma, é importante acompanhar a legislação tributária de cada Estado referente ao ICMS para saber quais procedimentos devem ser aplicados, pois, por exemplo, existe estados que não cobram ICMS nas operações de transferência de mercadorias entre matriz e filiais, e outros estados já cobram. No estado de São Paulo, o Art. 2º, do Decreto 45.590/2000 entre as indicações de ocorrência do fato gerador do ICMS, é relatadoque ocorre o fato gerador do ICMS na saída de mercadoria, a qualquer título, de estabelecimento de contribuinte, e ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular. Portanto, em São Paulo, as transferências de mercadorias entre empresas do mesmo grupo (matriz e filiais) são tidas como operações em que incidem o ICMS. A base de cálculo do ICMS é o valor da operação, pois ele é considerado um imposto embutido. Ou seja, se determinada operação é no valor de R$ 500,00 e há incidência de ICMS na alíquota de 7%, o valor do ICMS é de R$ 35,00. Portanto, dos R$ 500,00 pagos na operação, R$ 35,00 refere ao valor do ICMS embutido na transação. Mas e quanto às alíquotas do ICMS? As alíquotas do ICMS possuem variações entre operações internas e externas, além ainda de haver alíquotas específicas para algumas mercadorias. Mais normalmente a maio- ria dos Estados praticam alíquotas internas de 17% ou 18% e as externas correspondem a 7% ou 12% e a de mercadorias importadas é de 4%. Sousa (2018) apresenta na figura 6 as alíquotas internas e externas do ICMS. 73 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA Figura 6 – Alíquotas internas e externas do ICMS DESTINO O RI GE M AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MT MS MG PA PB PR PE PI RN RS RJ RO RR SC SP SE TO AC 17 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 AL 12 17 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 AM 12 12 18 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 AP 12 12 12 18 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 BA 12 12 12 12 18 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 CE 12 12 12 12 12 17 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 DF 12 12 12 12 12 12 18 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 ES 12 12 12 12 12 12 12 17 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 GO 12 12 12 12 12 12 12 12 17 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 MA 12 12 12 12 12 12 12 12 12 18 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 MT 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 17 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 MS 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 17 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 MG 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 18 7 7 12 7 7 7 12 12 7 7 12 12 7 7 PA 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 17 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 PB 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 18 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 PR 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 12 7 7 18 7 7 7 12 12 7 7 12 12 7 7 PE 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 18 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 PI 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 17 12 12 12 12 12 12 12 12 12 RN 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 18 12 12 12 12 12 12 12 12 RS 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 12 7 7 12 7 7 7 18 12 7 7 12 12 7 7 RJ 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 12 7 7 12 7 7 7 12 18 7 7 12 12 7 7 RO 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 17 12 12 12 12 12 RR 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 17 12 12 12 12 SC 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 12 7 7 12 7 7 7 12 12 7 7 17 12 7 7 SP 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 12 7 7 12 7 7 7 12 12 7 7 12 18 7 7 SE 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 18 12 TO 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 18 Fonte: Souza (2018, p. 95). A célula destacada em cada linha representa a alíquota interna praticada em cada Estado. Perceba que a alíquota interna é diferente da alíquota interestadual. Nesse sentido, quando ocorre operações interesta- duais para uso e consumo é necessário o recolhimento da diferença entre alíquotas pelo Estado destinatário da operação, quando o consumidor é contribuinte. Quando o consumidor não é contribuinte o recolhimento da diferença entre alíquotas (DIFAL) é de responsabilidade do vendedor. Por exemplo: uma empresa de Goiás adquire um equipamento para o seu imobilizado em Minas Ge- rais. O equipamento comprado é no valor de R$ 80.000,00. A alíquota interestadual utilizada na operação é de 12%, entretanto, a alíquota interna de Goiás é 17%, o que gera diferença entre alíquotas praticadas. Dessa forma a empresa de Goiás deverá recolher o ICMS referente ao DIFAL, no valor de R$ 4.000,00. 74 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA • DIFAL: 17 – 12 = 5% • ICMS DIFAL: 80.000 x 5% = 4.000,00 Isso porque o Art. 65, do Decreto 8.519/15, relata que o montante do imposto devido em cada opera- ção é apurado mediante a aplicação do percentual correspondente à diferença entre a alíquota da operação interestadual e alíquota interna. A contabilização do ICMS nas empresas optantes pelo lucro real, na compra de mercadorias geram valores a recuperar e na venda de mercadorias valores a recolher. Sendo que em cada período deve ser feito o confronto entre ICMS a recuperar e ICMS a recolher, deixando apenas o maior saldo evidenciado no balanço. Os valores a re- cuperar são lançados a débito na conta ICMS a recuperar nas operações de compra. Nas vendas há um lançamento de débito na conta ICMS sobre vendas e um lançamento a crédito na conta ICMS a recolher. Na compensação os lançamentos são: débito na conta ICMS a recolher e crédito na conta ICMS a recu- perar, pelo valor da conta que apresenta menor saldo. Outro tributo indireto que pode incidir sobre empresas optantes pelo lucro real é o ISS, um imposto municipal, que atualmente é regido pela lei complementar 116/2003 e alterações trazidas pela LC 157/2016, além de sua cobrança estar prevista no art. 156 da CF/1988. O ISS é um imposto de contribuição de empresas prestadoras de serviço. O fato gerador do ISS é a prestação de serviços, os quais constam numa lista anexa apresentada pela LC 116/2003. Normalmente ele é devido no local de estabelecimento do prestador ou de domicílio do prestador, entretanto, existem exceções que a LC 116/2003 apresenta, nas quais o ISS é devido no local de estabelecimento do tomador como: no local de instalação de andaimes, palcos, coberturas e outras estruturas; no local de execução de obra; no local de demolição, no local de edificações em geral, estradas, pontes, portos e congêneres; local de coleta, remoção, incineração etc. de lixo; local de execução de jardinagem, corte e poda de árvores; local onde o bem estiver guardado ou estacionado; local de execução de serviços de diversão, lazer, entretenimento; local do porto, aeroporto, ferroporto, terminal rodoviário, ferroviário ou metroviário, entre outros. São várias situações em que o ISS será devido no local onde o serviço está sendo prestado, mesmo que não seja o município de estabelecimento do prestador. O contador deve estar atento à legislação do ISS para saber para qual município deverá ser recolhido o ISS, além de se atentar para as alíquotas praticadas, pois cada município pode escolher uma alíquota, desde que a mínima seja 2% e a máxima seja 5%. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço. Deve-se atentar para o fato de serviços que há inclusão de materiais, e o valor referente aos materiais deve ser excluído da base de cálculo do ISS, como por exemplo, materiais utilizados em obras de construção civil, hidráulica ou elétrica etc. (art. 7º, LC 116/2003). Veja o exemplo: a empresa Andrade Construções foi contratada para executar obras de instalação elé- trica em uma residência. O preço da empreitada foi no total de R$ 25.000,00, dos quais R$ 8.500,00 referem-se a cabos, tomadas, fios, canos e materiais afins. A alíquota de ISS praticada no município é de 3%. Dessa forma o valor devido de ISS, referente a esse serviço é de R$ 495,00, pois de acordo com o previsto na legislação, o valor dos materiais pode ser deduzido da base de cálculo, a qual é expressa pelo valor de R$ 16.500,00 (25.000 – 8.500), nesse caso. ISS devido igual a 16.500 x 3% = 495,00. Quando se trata do ISS existem situaçõesem que o tomador do serviço é responsável por reter e re- colher o tributo. Por exemplo, a Cia Pereira prestou um serviço, a prazo, no valor de R$ 40.000,00 para a Cia Santiago, ficando a Cia Santiago responsável pelo recolhimento do ISS na alíquota de 5%. 75 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA Nesse caso a contabilização na Cia Pereira, referente ao serviço pres- tado será: • D – Clientes: R$ 38.000,00 • D – ISS a recuperar: R$ 2.000,00 • C – Serviços prestados: R$ 40.000,00 Note que o valor a receber do cliente é de apenas R$ 38.000,00, por- que o correspondente aos R$ 2.000,00 o cliente deverá pagar diretamente ao município por meio do recolhimento da guia do ISS. Na Cia Pereira, pres- tadora do serviço, o valor referente ao ISS a recuperar será abatido do ISS a recolher. Pois essa venda gera o lançamento, referente ao ISS: • D – ISS sobre faturamento: R$ 2.000,00 • C – ISS a recolher: R$ 2.000,00 Ao final de cada período é feita a compensação entre as contas de ISS a recuperar e a recolher, zerando a de menor saldo. Se no período ocorreu ape- nas a prestação desse serviço, o lançamento de compensação será: • D – ISS a recolher: R$ 2.000,00 • C – ISS a recuperar: R$ 2.000,00 A Cia Pereira não precisará recolher nada aos cofres públicos, pois a apu- ração do período resultou em saldo zero (2.000 – 2.000) tanto para valores a recuperar quanto a pagar. Pela ótica do tomador do serviço, ou seja, da Cia San- tiago, os lançamentos a serem efetuados para registrar esse serviço são: • D – Despesas mão de obra terceirizada: R$ 40.000,00 • C – ISS a recolher: R$ 2.000,00 • C – Fornecedores: R$ 38.000,00 Quando a Cia Santiago recolher a guia do ISS, realizará o seguinte lançamento: • D – ISS a recolher: R$ 2.000,00 • C – Caixa ou banco: R$ 2.000,00 Outros dois tributos indiretos que as empresas optantes pelo lucro real recolhem são o PIS e a COFINS, sendo que esses impostos são não cumulativos para esse tipo de empresa e suas alíquotas são 1,65% e 7,6%, respectivamente. Por serem tributos não cumulativos, significa que a em- Cada tributo possui características e especificidades, mesmo dentro de um único enquadramento tributário. Fonte: Shutterstock 76 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA presa pode compensar os valores incidentes sobre as compras, dos valores incidentes sobre as vendas. O PIS e o COFINS são de competência federal. A base de cálculo do PIS, segundo o art. 1º da Lei 10.637/2002, é o total das receitas auferidas no mês pela empresa, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Vendas canceladas e des- contos incondicionais, por exemplo, devem ser excluídos do total da receita. A partir da decisão do STF em 13/05/2021, em sessão realizada por videoconferência, em relação ao RE nº 574.706/ PR, de 2017, o valor de ICMS destacado na NF também não faz parte da base de cálculo do PIS e COFINS, devendo ser excluído. Por enquanto, a redução do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS, está só sobre as saídas. Sobre as compras ainda continuam de igual forma, sendo retidos com base no valor da compra. Empresas optantes pelo lucro real podem fazer aproveitamento de crédito do PIS não apenas sobre o valor das compras auferidas no período, como também sobre custos e despesas, bens e serviços, pagos e adquiridos de pessoa jurídica do País, conforme explicitado no § 3º, do art. 3º, Lei 10.637/2002. Esse mesmo artigo, em seus incisos, descreve que pode ter aproveitamento de crédito sobre os valores de bens previstos adquiridos para revenda, bens e serviços utilizados como insumo, aluguéis de prédios e equipamentos pagos a pessoa jurídica, bens incorporados ao imobilizado utilizados na operacionalização das atividades da empre- sa, energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa, entre outros. O crédito referente aos bens incorporados ao ativo imobilizado, às benfeitorias em imóveis de terceiros e edificações, bem como bens incorporados ao intangível, o valor de crédito será determinado pela aplicação da alíquota de 1,65% sobre o valor dos encargos de depreciação e amortização incorridos no mês, conforme § 1º, Art. 3º, desta lei. De igual forma, a Lei 10.833/2003 institui normas para apuração e recolhimento da COFINS, sendo que ela incidirá sobre o total das receitas auferidas no mês (art. 1º) deduzidas de vendas can- celadas e descontos incondicionais e outros valores previstos na legislação. A alíquota a ser aplicada sobre a base de cálculo é de 7,6% para empresas lucro real (ART. 2º). Igualmen- te como ocorre com o PIS, a empresa poderá fazer aproveitamento de crédito da COFINS, só que na alíquota de 7,6% sobre operações envolvendo aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insu- mo, aluguéis de prédios e equipamentos pagos a pessoa jurídica, bens incorporados ao imobilizado, energia elétrica, conforme disposto no art. 3º da lei 10.833/2003. É importante o acompanhamento da legislação tributária a fim de saber quais as determinações para a apuração e recolhimento de cada tributo, preparando as guias adequadamente com os devidos valo- res a serem pagos pelas empresas. Por exemplo, para fins de apuração do COFINS, a legislação (art. 3º, lei 10.833/2003) prevê o aproveitamento de crédito sobre os valores de fretes pagos pelo vendedor para entrega dos produtos, enquanto, que para o PIS, não há esse aproveitamento. Quanto a contabilização do PIS e da COFINS? Por se tratar de tributos de incidência não cumulativa, a contabilização irá contemplar valores a recuperar e a recolher. Vamos a um exemplo. A Cia Almeida apurou os seguintes valores no mês de novembro de 2021: • Compras de mercadorias a prazo (inclui ICMS de 12%): R$ 320.000,00 • Aluguel do estabelecimento: R$ 15.000,00 • Energia elétrica consumida: R$ 5.000,00 • Receita bruta de vendas: R$ 512.000,00 77 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA • ICMS sobre vendas destacado na NF: R$ 61.440,00 • Toda a mercadoria comprada foi revendida. A partir dessas informações, vamos realizar a contabilização, conside- rando a incidência do PIS e COFINS. Primeiramente contabilizar a compra: • D – Estoque mercadorias: R$ 252.000,00 • D – ICMS a recuperar: R$ 38.400,00 • D – PIS a recuperar: R$ 5.280,00 • D – COFINS a recuperar: R$ 24.320,00 • C – Fornecedores: R$ 320.000,00 Os valores a recuperar foram obtidos multiplicando as respectivas alíquotas pelo valor de compra. Contabilizando as despesas: • D – Aluguel: R$ 13.612,50 • D – PIS a recuperar: R$ 247,50 • D – COFINS a recuperar: R$ 1.140,00 • C – Caixa, banco ou aluguéis a pagar: R$ 15.000,00 • D – Energia elétrica: R$ 4.537,50 • D – PIS a recuperar: R$ 82,50 • D – COFINS a recuperar: R$ 380,00 • C – Caixa, banco ou fornecedores: R$ 5.000,00 Contabilizando as vendas: • D – Clientes: R$ 512.000,00 • C – Vendas de mercadorias: R$ 512.000,00 • D – ICMS sobre vendas: R$ 61.440,00 • C – ICMS a recolher: R$ 61.440,00 • D – PIS sobre faturamento: R$ 7.434,24 ((512.000 – 61.440) x 1,65%) • C – PIS a recolher: R$ 7.434,24 • D – COFINS: R$ 34.242,56 ((512.000 – 61.440) x 7,6%) As leis 10.637/02 e 10.833/03 regulamentam o PIS e o COFINS, respectivamente. Fonte: Shutterstock 78 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA • C – COFINS a recolher: R$ 34.242,56 • D – CMV: R$ 252.000,00 • C – Estoque mercadorias: R$ 252.000,00 Contabilizando a apuração dos tributos: • D – ICMS a recolher: R$ 38.400,00 • C – ICMS a recuperar: R$ 38.400,00 • D – PIS a recolher: R$ 5.610,00 • C – PIS a recuperar: R$ 5.610,00 • D – COFINS a recolher: R$ 25.840,00 • C – COFINS a recuperar: R$ 25.840,00 Sendo assim, nesse período, a Cia Almeida deverá recolher aos cofres públicos o equivalente a R$ 33.266,80 referente: • ICMS: R$ 23.040,00 • PIS: R$ 1.824,24 • COFINS: R$ 8.402,56 Quando se trata de empresas optantes pelo lucro real, elas recolherão os tributos diretos combase no lucro real apurado no período e com relação aos tributos indiretos, são considerados pelo regime de incidên- cia não cumulativo e calculados sobre a receita, sendo que o IPI e o ICMS possuem alíquotas variadas, o ISS tem limite mínimo de alíquota de 2% e máximo de 5%. Já o PIS é 1,65% e a COFINS é 7,6%, normalmente, pois a legislação prevê algumas exceções com alíquotas diferentes. O ISS é não cumulativo nos casos em que deve ser recolhido pelo tomador do serviço, gerando assim a compensação do valor devido pelo prestador do ser- viço. E quanto as empresas optantes pelo lucro presumido? Qual a sistemática de apuração e recolhimento dos tributos diretos e indiretos? Essa é a temática dos nossos próximos subtópicos. Acompanhe! CARACTERÍSTICAS E PROCEDIMENTOS DOS IMPOSTOS DIRETOS NO LUCRO PRESUMIDO A classificação dos enquadramentos tributários em lucro real, lucro presumido, simples nacional e lucro arbitrado, está relacionada à sistemática de apuração e recolhimento do IRPJ e da CSLL. Estes são impostos federais, sendo que com exceção do Simples Nacional, a alíquota do IR é de 15% com adicional de 10% sobre a base de cálculo que exceder a R$ 20.000,00 mensal e/ou R$ 240.000,00 anual, a alíquota da CSLL é de 9%. 79 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA O enquadramento tributário lucro presumido consiste numa sistemática de apuração simplificada para o IR e para a CSLL, que se inicia com a aplicação de um percentual previamente definido por legislação sobre a receita bruta da empresa, sendo acrescido a esse resultado, valores referentes a ganhos de capital e demais receitas (Sousa, 2018). O lucro presumido denomina-se assim porque os tributos diretos são apurados e reco- lhidos sobre a presunção de um lucro baseado no tipo de atividade que as empresas realizam. A Lei 9.249/95 determina os percentuais de presunção para calcular o lucro presumido, a partir de sua aplicação sobre a receita bruta deduzida das vendas canceladas, devoluções de vendas e descontos incondi- cionais, para fins de apuração do IRPJ (art. 15) e da CSLL (art.20) conforme a figura 7. Figura 7 – Percentuais de presunção das atividades operacionais ATIVIDADES IRPJ ART. 15, LEI 9.249/1995 CSLL ART. 20, LEI 9.249/1995 • Comércio e indústria em geral. • Transporte de cargas. • Serviços hospitalares e auxiliares sob a forma de sociedade empresária e que atenda às normas da Anvisa. 8% 12% • Revenda para consumo de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural. 1,6% 12% • Serviços de transporte, exceto o de carga. • Bancos comerciais, bancos de investimentos, caixas econômicas, etc. • Alguns serviços em geral cuja receita bruta anual seja de até R$ 120.000,00 conforme disposto na legislação. 16% 12% • Prestação de serviços em geral, exceto de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresáriaj e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. • Serviços prestados por empresas de profissões legalmente regulamentadas. • Intermediação de negócios. • Administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. • Prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção • de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). • Prestação de serviços de construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento de infraestrutura vinculados a contratos de concessão de serviço público. 32% 32% 80 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA ATIVIDADES IRPJ ART. 15, LEI 9.249/1995 CSLL ART. 20, LEI 9.249/1995 • Operação de empréstimo, de financiamento e de desconto de títulos de crédito realizadas por Empresa Simples de Crédito (ESC). 38,4% 38,4% • Imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. 38,4% 38,4% Fonte: elaborada pela autora. Além do resultado da aplicação desses percentuais de presunção, deve-se considerar valores referentes a ganhos de capital, rendimentos de aplicações financeiras, receitas de aluguéis de imóveis não previstas como ati- vidades operacionais (quando estiver previsto como atividade operacional da empresa a locação de imóveis seus, o lucro presumido será com base no percentual de presunção de tal atividade), entre outras. Vamos a um exemplo de cálculo e contabilização dos tributos diretos em empresas optantes pelo lucro presumido. A Cia Antunes, especializada no ramo de comércio varejista, aferiu, num trimestre, receitas no montan- te de R$ 780.000,00 referente a vendas de mercadorias. Consta R$ 15.000,00 registrado como devoluções de vendas. A empresa recebeu R$ 60.000,00 referente à locação de um estabelecimento que está ocioso no mo- mento, conforme consta em seu contrato social que tal operação faz parte de suas atividades operacionais. Houve mais R$ 30.000,00 registrados como rendimentos de aplicações financeiras. A partir dessas informa- ções, vamos ao cálculo do IR e da CSLL devidos. Cálculo IRPJ: • Receitas mercadorias: (780.000 – 15.000) x 8% = 61.200,00 • Receita locação imóveis: 60.000 x 32% = 19.200,00 • Rendimentos: 30.000,00 • (=) Lucro Presumido: 110.400,00 • IRPJ 110.400 x 15% = 16.560,00 • Adicional: (110.400 – (20.000 x 3)) x 10% = 5.040,00 • TOTAL IRPJ devido: (16.560 + 5.040) = 21.600,00 Cálculo CSLL: 81 EMPRESAS LUCRO REAL E LUCRO PRESUMIDO CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA • Receitas mercadorias: (780.000 – 15.000) x 12% = 91.800,00 • Receita locação imóveis: 60.000 x 32% = 19.200,00 • Rendimentos: 30.000,00 • (=) Lucro Presumido: 141.000,00 • CSLL: 141.000 x 9% = 12.690,00 Com isso a contabilização é: • D – Despesa IRPJ: 21.600,00 • C – IRPJ a recolher: 21.600,00 • D – Despesa CSLL: 12.690,00 • C – CSLL a recolher: 12.690,00 Perceba que a base de cálculo (lucro presumido) do IRPJ é diferente da base da CSLL, isso porque os percentuais de presunção previstos para serem aplicados sobre a receita auferida por comércio são de 8% para o IR e 12% para a CSLL de acordo com a legislação. Importante ressaltarmos aqui que no lucro presumi- do não existe compensação de até 30% do lucro presumido por prejuízos fiscais acumulados anteriormente. E quem são as empresas que podem optar pelo lucro presumido? O Art. 13º, da lei 9.718/98, relata que as pessoas jurídicas que obtiverem receita bruta anual igual ou inferior a R$ 78.000.000,00 ou proporcional a esse valor, quando inferior a 12 meses podem optar por essa sistemática de apuração, desde que não estejam obrigadas legalmente a outra opção. Agora que já sabemos a sistemática de apuração dos tributos diretos pelas empresas optantes pelo lucro presumido, vamos conhecer a dos tributos indiretos? Lembrando que o acompanhamento contínuo da legislação tributária é fundamental para a correta apuração e recolhimento de todos os tributos devidos pelas entidades. CARACTERÍSTICAS E PROCEDIMENTOS DOS IMPOSTOS INDIRETOS NO LUCRO PRESUMIDO Os tributos indiretos são aqueles que incidem sobre a cadeia produtiva e incidem sobre as empresas de acordo com o ramo de atividade, como por exemplo, o IPI é um tributo específico de indústrias em geral e o ISS de prestadoras de serviços. Quando se trata de empresas optantes pelo lucro presumido, comparadas as do lucro real, haverá diferenças com relação ao PIS e COFINS, pois no lucro presumido esses impostos são de incidência cumulativa. Portanto,