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Pelo menos em regra, a competência para o processo e julgamento dos crimes de tortura 
previstos na Lei n. 9.455/97 recai sobre a Justiça Comum Estadual. O simples fato de se tratar 
de crime previsto em Tratado ou Convenção Internacional não tem o condão de atrair a 
competência da Justiça Federal.
Deveras, consoante disposto no art. 109, inciso V, da Constituição Federal, aos juízes federais 
compete processar e julgar os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, 
iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou 
reciprocamente. Por consequência, ausente essa internacionalidade territorial do resultado 
relativamente à conduta delituosa, não há fundamento para a fixação da competência da Justiça 
Federal.
Se a competência para o processo e julgamento dos crimes de tortura recai, em regra, sobre a 
Justiça Comum Estadual, não se pode negar que os crimes previstos na Lei n. 9.455/97 também 
podem ser julgados pela Justiça Comum Federal e pela Justiça Militar da União ou dos Estados. 
Neste ponto, a análise da competência para o julgamento dos crimes de abuso de autoridade é 
absolutamente semelhante àquela que foi feita por ocasião do estudo da nova Lei de Abuso de 
Autoridade, para onde remetemos o leitor.
B) Na justiça federal (errado)
De acordo Renato Brasileiro (p. 989, 2020) com o advento da Constituição Federal de 1988 após 
um longo período de ditadura militar, durante o qual inúmeras pessoas foram torturadas, era de 
se esperar uma nítida preocupação do constituinte em coibir tal prática. Essa expectativa restou 
consolidada em alguns dispositivos constitucionais, quais sejam: a) o art. 5°, inciso III, dispõe que 
ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante; b)o mandado 
de criminalização do inciso XLIII do art. 5° determina que a lei deverá considerar inafiançáveis e 
insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas 
afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, 
os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.
Competência
Pelo menos em regra, a competência para o processo e julgamento dos crimes de tortura 
previstos na Lei n. 9.455/97 recai sobre a Justiça Comum Estadual. O simples fato de se tratar 
de crime previsto em Tratado ou Convenção Internacional não tem o condão de atrair a 
competência da Justiça Federal.
Deveras, consoante disposto no art. 109, inciso V, da Constituição Federal, aos juízes federais 
compete processar e julgar os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, 
iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou 
reciprocamente. Por consequência, ausente essa internacionalidade territorial do resultado 
relativamente à conduta delituosa, não há fundamento para a fixação da competência da Justiça 
Federal.
Se a competência para o processo e julgamento dos crimes de tortura recai, em regra, sobre a 
Justiça Comum Estadual, não se pode negar que os crimes previstos na Lei n. 9.455/97 também 
podem ser julgados pela Justiça Comum Federal e pela Justiça Militar da União ou dos Estados. 
Neste ponto, a análise da competência para o julgamento dos crimes de abuso de autoridade é 
absolutamente semelhante àquela que foi feita por ocasião do estudo da nova Lei de Abuso de 
Autoridade, para onde remetemos o leitor.
C) Na justiça militar (errado)
De acordo Renato Brasileiro (p. 989, 2020) com o advento da Constituição Federal de 1988 após 
um longo período de ditadura militar, durante o qual inúmeras pessoas foram torturadas, era de

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