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36 Pelo menos em regra, a competência para o processo e julgamento dos crimes de tortura previstos na Lei n. 9.455/97 recai sobre a Justiça Comum Estadual. O simples fato de se tratar de crime previsto em Tratado ou Convenção Internacional não tem o condão de atrair a competência da Justiça Federal. Deveras, consoante disposto no art. 109, inciso V, da Constituição Federal, aos juízes federais compete processar e julgar os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente. Por consequência, ausente essa internacionalidade territorial do resultado relativamente à conduta delituosa, não há fundamento para a fixação da competência da Justiça Federal. Se a competência para o processo e julgamento dos crimes de tortura recai, em regra, sobre a Justiça Comum Estadual, não se pode negar que os crimes previstos na Lei n. 9.455/97 também podem ser julgados pela Justiça Comum Federal e pela Justiça Militar da União ou dos Estados. Neste ponto, a análise da competência para o julgamento dos crimes de abuso de autoridade é absolutamente semelhante àquela que foi feita por ocasião do estudo da nova Lei de Abuso de Autoridade, para onde remetemos o leitor. B) Na justiça federal (errado) De acordo Renato Brasileiro (p. 989, 2020) com o advento da Constituição Federal de 1988 após um longo período de ditadura militar, durante o qual inúmeras pessoas foram torturadas, era de se esperar uma nítida preocupação do constituinte em coibir tal prática. Essa expectativa restou consolidada em alguns dispositivos constitucionais, quais sejam: a) o art. 5°, inciso III, dispõe que ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante; b)o mandado de criminalização do inciso XLIII do art. 5° determina que a lei deverá considerar inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem. Competência Pelo menos em regra, a competência para o processo e julgamento dos crimes de tortura previstos na Lei n. 9.455/97 recai sobre a Justiça Comum Estadual. O simples fato de se tratar de crime previsto em Tratado ou Convenção Internacional não tem o condão de atrair a competência da Justiça Federal. Deveras, consoante disposto no art. 109, inciso V, da Constituição Federal, aos juízes federais compete processar e julgar os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente. Por consequência, ausente essa internacionalidade territorial do resultado relativamente à conduta delituosa, não há fundamento para a fixação da competência da Justiça Federal. Se a competência para o processo e julgamento dos crimes de tortura recai, em regra, sobre a Justiça Comum Estadual, não se pode negar que os crimes previstos na Lei n. 9.455/97 também podem ser julgados pela Justiça Comum Federal e pela Justiça Militar da União ou dos Estados. Neste ponto, a análise da competência para o julgamento dos crimes de abuso de autoridade é absolutamente semelhante àquela que foi feita por ocasião do estudo da nova Lei de Abuso de Autoridade, para onde remetemos o leitor. C) Na justiça militar (errado) De acordo Renato Brasileiro (p. 989, 2020) com o advento da Constituição Federal de 1988 após um longo período de ditadura militar, durante o qual inúmeras pessoas foram torturadas, era de