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Planejamento urbano em discussão A importância do planejamento urbano no Brasil, considerando o Estatuto da Cidade, avanços e retrocessos nas políticas públicas da União, Estados e Municípios. Profa. Debora Rodrigues Barbosa 1. Itens iniciais Propósito A compreensão das diferentes estratégias para desenvolver um planejamento urbano, considerando os instrumentos do Estatuto da Cidade e os problemas ambientais inerentes aos grandes centros urbanos. Preparação Antes de iniciar este conteúdo, tenha em mãos o Estatuto da Cidade, disponível em diferentes plataformas na Internet. Objetivos Identificar os principais instrumentos do Estatuto da Cidade e sua aplicabilidade no que concerne à participação social. Reconhecer as estratégias para se efetivar o Direito à Cidade, considerando o neoliberalismo e os obstáculos a uma cidade democrática. Analisar os problemas ambientais inerentes aos grandes centros urbanos. Introdução O avanço da urbanização nos países periféricos foi mais efetivo a partir da segunda metade do século passado, com o fim da Segunda Guerra Mundial, o crescimento vegetativo da população e a transferência das plantas industriais das grandes transnacionais, sedentas por custos produtivos mais vantajosos. O Brasil demorou bastante para desenvolver uma diretriz contínua para a política pública e somente com a Constituição Federal de 1988 é que as linhas gerais foram estabelecidas com o Estatuto da Cidade, em 2001. A compreensão dos instrumentos do Estatuto da Cidade é fundamental para o desenvolvimento de uma política pública urbana, em nível municipal, que atende às demandas atuais da sociedade. O acesso aos bens e serviços públicos é um dos elementos que compõem o Direito à Cidade para todos e que precisa ser implementado no sentido de compor cidades democráticas. Por outro lado, os problemas ambientais urbanos fazem parte de uma realidade que precisa ser pensada, no sentido de oferecer sustentabilidade aos grandes centros urbanos, que estão sofrendo coma falta de saneamento, as ilhas de calor e a poluição atmosférica. • • • 1. Estatuto da Cidade A quem pertence a cidade? Antes de iniciarmos o conteúdo, a professora Débora Rodrigues nos apresenta um panorama geral sobre importantes questões que permeiam as principais cidades. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O Estatuto da Cidade e a participação da sociedade na gestão da cidade Que o planejamento urbano é uma das medidas mais eficazes em contribuir para a qualidade de vida dos cidadãos, você já sabe. A questão é que a Constituição de 1988 foi a primeira que, efetivamente, abordou a política urbana, através dos artigos 182 e 183, que apresenta diretrizes gerais da política urbana e têm o objetivo de garantir o bem-estar dos habitantes das cidades. A partir de então, o Brasil elaborou um verdadeiro Marco da Política Urbana, com o Estatuto da Cidade no início dos anos 2000. A Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001, apresenta inúmeros mecanismos destinados principalmente ao que está previsto a seguir. Uso e ocupação do solo A implementação de instrumentos urbanos para melhor regular o uso e ocupação do solo. Inclusão A garantia de espaços públicos inclusivos. Serviços adequados As condições de acesso à moradia e a serviços adequados com a participação popular na formulação das ações. Propriedade A função social da propriedade. A proposta dessa política é ordenar o desenvolvimento pleno das responsabilidades sociais da cidade (considerando administradores, empresariado e população em geral) e da propriedade urbana. Comentário Já está na hora de buscar a sustentabilidade das cidades, você não acha? Também é importante uma gestão democrática que busca "ouvir" a opinião de seus moradores. É primordial a cooperação entre iniciativa privada, governo e sociedade. Sem contar que é fundamental a integração entre as áreas rurais e urbanas, no sentido de buscar o desenvolvimento socioeconômico dos municípios. Você já parou para pensar no motivo de os estados e municípios também adotarem estratégias para a contenção da pandemia da Covid-19? O Superior Tribunal Federal entendeu que era importante que os diferentes entes federativos deveriam ter competência concorrente nas medidas de proteção à população brasileira. É bom deixar claro que cada estado ou cada cidade tem características próprias com perfil específico populacional, por isso, nada mais natural que cada uma encontre sua própria maneira de contribuir para evitar o avanço da pandemia. Uma cidade no interior do Amazonas, e que tem pouco contato com outras cidades ou capitais brasileiras, vai ter uma estratégia de enfrentamento da doença diferente de uma capital, como São Paulo ou Belo Horizonte. Instrumentos do Estatuto da Cidade Em uma política pública que se materializa por meio de uma legislação específica, é importante apresentar os objetivos da lei e quais os instrumentos serão utilizados para alcançar os objetivos propostos. Nesse contexto, a lei aponta seis tipos de instrumentos: Planos nacionais, regionais e estaduais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social Exemplos: Plano Nacional de Mobilidade urbana; Plano Estratégico Nacional de Áreas Protegidas (PNAP). Planejamento das regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões Exemplos: Plano de Mobilidade Urbana sustentável do Rio de Janeiro; Planos urbanos do Centro Histórico de Belém. Planejamento municipal Exemplos: Plano diretor; Planos de desenvolvimento econômico e social. Institutos tributários e financeiros Exemplos: Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (IPTU); Contribuição de melhoria. Institutos jurídicos e políticos Exemplos: Limitações administrativas; Tombamento de imóveis ou de mobiliário urbano. • • • • • • • • • • Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA) e Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança (EIV) Exemplos: Obra de um porto; Instalação de uma fábrica. O planejamento e a sua materialização, por meio dos planos, são muito necessários em qualquer nível de governabilidade, seja nacional, regional, estadual, metropolitano ou municipal. No caso do planejamento municipal, a legislação chama a atenção para o zoneamento ambiental (municípios pequenos) e o Plano Diretor (municípios com mais de vinte mil habitantes). O Plano Diretor (PD) é um documento complexo, que apresenta o diagnóstico da cidade e as diretrizes que os gestores têm que se basear para um crescimento sustentável. Nesse contexto, inúmeros mapeamentos são requeridos (como áreas suscetíveis à inundação e a escorregamentos), parâmetros de parcelamento, uso e ocupação do solo, diretrizes para a normalização fundiária de assentamentos urbanos irregulares, dentre outros documentos que regulamentam o Direito à Cidade. Saiba mais O Zoneamento Ambiental é uma importante ferramenta para a gestão das cidades, sendo o primeiro passo para a elaboração do Plano Diretor. Visite os sites da prefeitura ou busque portais com plataformas digitais interativas que apresentem os estudos cartográficos dos municípios. Você vai se surpreender com a riqueza dos detalhes. Comece pelo seu município ou a capital do seu estado. A seguir, você observa o macrozoneamento do município do Rio de Janeiro, dividido entre áreas onde a prefeitura estimula a ocupação e outras, onde há restrições, por exemplo. Imagine as áreas perto de zonas ambientais, o ideal é não ocupar, certo? Enquanto áreas planas e pouco ocupadas, há o incentivo para o adensamento. Observe: • • Macrozoneamento da cidade do Rio de Janeiro. Dica Que tal pegar o plano diretor de sua cidade e ter em mãos para comparar? Também é fundamental que no planejamento municipal, leve-se em conta a questão orçamentária dos processos administrativos e seja prevista a participação dos moradores na gestão urbana. Além disso, durante o delineamento, é preciso observar os programas e projetos setoriais (como áreas industriais ou parquesambientais) e os planos de desenvolvimento econômico e social (como a implantação de áreas de comércio de baixo custo para os mais necessitados). Para cumprir as diretrizes gerais da política urbana, o Estatuto também apresenta uma constelação de instrumentos tributários, financeiros, jurídicos e políticos, que contribuem para o efetivo controle, uso e ocupação do solo. Um dos mais importantes institutos tributários é o Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (IPTU), um tributo a ser cobrado de quem (pessoa física ou jurídica) tem um imóvel urbano, que pode ser apartamento, casa ou sala comercial, por exemplo. O IPTU é cobrado pelas prefeituras e cada uma escolhe os critérios de cobrança, mas é certo que ele varia de acordo com o tamanho e localização do imóvel. E para onde vai esse dinheiro todo? Resposta Bem, é com a contribuição desse tributo que o município faz obras ou oferece benefícios para os seus moradores, como a implantação de uma praça ou de uma escola. Para que o IPTU tenha maior efetividade, a sua variação espacial de cobrança deve estar alinhada com os objetivos do Plano Diretor. Por exemplo: Então, certamente a cobrança do IPTU deve estar alinhada com os demais institutos tributários e financeiros, como os benefícios e incentivos financeiros ou fiscais. Além dos instrumentos financeiros, são fundamentais aqueles que preveem proteção jurídica e política para o ente federativo municipal, como é o caso de instituição de zonas especiais de interesse social, tombamento de imóveis ou de mobiliário urbano ou instituição de unidades de conservação. Vamos ver um exemplo interessante? Exemplo A definição das Áreas de Especial Interesse Social (AEIS), na cidade de São Paulo, é um importante instrumento na área habitacional, uma vez que busca garantir a designação de recortes espaciais que devem ser destinados à eliminação de áreas de risco, produção de habitação mais baratas e o planejamento de regularização fundiária na capital paulista. Com esse instrumento, é possível implantar conjuntos habitacionais, loteamentos e assentamentos urbanos para os mais pobres e retirá-los de assentamentos inadequados, perto de rios ou encostas. Acompanhe, a seguir, alguns exemplos de Zonas de Especial Interesse Social (ZEIS) implementados pela prefeitura de São Paulo: Zonas de Especial Interesse Social (ZEIS) Na prefeitura de São Paulo, foram consolidadas quatro categorias de Áreas de Especial Interesse Social, em alguns casos podem ser qualificadas como Zonas de Especial Interesse Social (ZEIS), como neste exemplo. São várias as áreas que buscam garantir que a política habitacional obtenha terrenos adequados para edificação de novas habitações de interesse social ou que ocorra a regularização fundiária, para beneficiar os mais pobres. Maior valor Seria interessante cobrar um valor mais elevado, no qual a prefeitura deseja inibir a especulação imobiliária ou o adensamento urbano. Menor valor Por outro lado, poderia ser menor em áreas onde o Plano Diretor prevê uma expansão urbana. ZEIS 1 Demarcadas em áreas com assentamentos precários e informais que podem ser consolidados e precisam ser urbanizados e regularizados do ponto de vista fundiário. Podem contemplar, também, áreas de risco, que devem ser solucionadas e se localizam em áreas de interesse ambiental, que devem ser recuperadas. ZEIS 2 Demarcadas em glebas e terrenos desocupados, não utilizados ou subutilizados, que devem servir para a produção de Habitação de Interesse Social (HIS), Habitação para o Mercado Popular (HMP) e usos não residenciais. ZEIS 3 Demarcadas prioritariamente nas áreas centrais da cidade, principalmente nas Macroáreas de Estruturação Metropolitana e de Qualificação da Urbanização Consolidada. Conforme o caso, deve-se recuperar áreas urbanas deterioradas e aproveitar terrenos e edificações não utilizadas ou subutilizadas para a construção de novos empreendimentos com HIS, HMP ou atividades não residenciais. ZEIS 4 Demarcadas em terrenos e glebas ociosas, não utilizadas ou subutilizadas, destinadas à produção de novas HIS reservadas às famílias a serem realocadas, as quais vivem em áreas de risco ou de preservação permanente localizadas na Macrozona de Proteção e Recuperação Ambiental. Os centros urbanos são conhecidos por sua concentração populacional e essa ocupação precisa ser normatizada. Em alguns lugares, a prefeitura deseja promover o adensamento de áreas pouco povoadas, enquanto em outras, já saturadas, o município deseja desencorajar mais edificações. Por isso, um dos instrumentos válidos é o parcelamento, edificação ou utilização compulsórios. O que seria isso? Normatizada Criar um conjunto de normas para que possa funcionar. Estabelecer regras. Antigo prédio da Universidade Gama Filho, em Piedade, Rio de Janeiro. Durante a construção do Plano Diretor, são determinadas as áreas de incentivo ao adensamento, mas alguns proprietários não desejam contribuir para essa estratégia de gestão municipal e deixam suas glebas não utilizadas/edificadas ou subutilizadas, o que vai de encontro às propostas do município. Nesse caso, mediante lei, o prefeito pode determinar o parcelamento, a edificação ou a utilização compulsórios do solo urbano desse recorte espacial, fixando prazos e condições para aplicação da lei. Da mesma forma, o poder público pode promover a desapropriação de uma propriedade, ou seja, transferir compulsoriamente uma propriedade privada para terceiros, por conta de interesse social ou porque o proprietário deixou de pagar (por mais de cinco anos) o IPTU progressivo. Alguns instrumentos são fundamentais para que o poder municipal exerça direitos fundamentais, de forma que possa aplicar com mais eficiência suas atribuições, no sentido de permitir melhor equidade social na cidade. Veja os instrumentos presentes a seguir. Direito de superfície O proprietário urbano pode permitir que outra pessoa possa utilizar o seu terreno, por meio de uma escritura pública assentada no cartório de registro de imóveis. Então, com esse direito, um empreendedor pode dar um destino útil para um terreno que estava desocupado, construindo prédios, shoppings, estacionamentos ou até uma horta orgânica urbana. Direito de preempção Com esse direito assegurado, o Poder Público municipal tem preferência para adquirir um imóvel urbano que tenha sido objeto de alienação onerosa entre particulares, ou seja, quando é marcado como importante para o desenvolvimento social da cidade. Imagine você com um terreno que é de interesse da prefeitura, porque o prefeito entende que lá pode ser colocado um parque ambiental. Na hora de negociar, mesmo você sendo proprietário, não pode vender a qualquer pessoa, porque ele está marcado pela prefeitura como prioritário. Outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso Durante a construção do zoneamento ambiental, para o Plano Diretor, a equipe pode identificar as áreas onde o direito de construir poderá ser exercido acima do coeficiente de aproveitamento básico já adotado para aquela zona, desde que haja uma contrapartida a ser prestada pelo beneficiário, geralmente, na forma de investimentos na cidade. Transferência do direito de construir Quando o estado precisa de determinada propriedade, para a preservação ou regularização fundiária, por exemplo, o proprietário pode transferir o direito de construir para outro lugar, considerando o mesmo coeficiente de aproveitamento básico que estava nas terras originais. Então, você pode fazer 4 andares na propriedade 1, que o estado deseja para fins sociais e a compra. Nesse caso, você poderá construir 4 andares em outro lugar de sua propriedade, mesmo que nessa nova área, o zoneamento só permita a construção de 2 andares. Bem, o que se observou é que a política pública depende da aplicação de inúmeros instrumentos que contribuem para o desenvolvimento social da cidade. E um dos elementos que devemos considerar é em relação à participação social na gestão da cidade. Participação SocialÉ fácil ver as cidades como espaços reais ou potenciais de democracia, uma vez que a cidade ocupa um lugar particular no pensamento ocidental sobre a democracia. Talvez isso se deva ao status icônico do grego clássico, do italiano medieval e de outras cidades-estado nos debates sobre as origens e destinos das práticas democráticas. Saiba mais O termo democracia apareceu pela primeira vez no pensamento político e filosófico grego antigo, na cidade-estado de Atenas, durante a Antiguidade Clássica. A democracia ateniense assumiu a forma de uma democracia direta e tinha duas características distintas: a seleção aleatória de cidadãos comuns para preencher os poucos cargos administrativos e judiciais existentes do governo, e uma assembleia legislativa composta por todos os cidadãos atenienses. A questão é que o neoliberalismo permeou as políticas urbanas igualmente em cidades do Norte e do Sul globais, com habitação e mecanismos urbanos e políticas desconectadas das realidades e comunidades locais. Por isso, a necessidade de participação popular, entende? O caminho para a mudança é a construção de cidades democráticas, mecanismos participativos e o reconhecimento do Direito à Cidade. É o direito de todos à cidade e não só uma parcela da população. Você não pergunta qual a diferença entre uma cidade neoliberal e uma cidade democrática? É bom deixar claro que para muitas pessoas a democracia é um mecanismo de votação, o que é questionável. Muitos ditadores usam as eleições como um mecanismo antidemocrático. Então, uma cidade democrática é onde todos, ricos ou pobres, participam igualmente e, para efetivar esse direito, é preciso considerar que é necessário educação, ou haverá cidadãos que votarão sem compreender ou analisar os programas e planos. Comentário Desse modo, é preciso fazer uma crítica às limitações de concretização dos ideais de democracia, pois há uma desconexão entre democracia e acesso à informação. Embora a teoria da democracia esteja disponível, ela não é implementada na prática e não chega às cidades. Você já ouviu falar em Nova Agenda Urbana? Adotada na Conferência denominada Habitat III, no Equador, em 2016, a agenda apresenta uma mudança de paradigma com base na ciência das cidades e estabelece normas e princípios para o planejamento, construção, desenvolvimento, gestão e melhoria de áreas urbanas. Vamos conhecer essas normas e princípios a seguir? Reduzir a desigualdade nas comunidades, tanto no meio urbano quanto no rural. Impulsionar uma maior prosperidade compartilhada para as cidades e regiões. Reforçar a ação climática e melhorar o meio urbano. Implementar políticas de prevenção e de resposta efetiva antes das crises urbanas. A Nova Agenda Urbana funciona como um acelerador dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), particularmente o ODS 11 (tornar as cidades e assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis), para fornecer uma estrutura abrangente para orientar e rastrear a urbanização em todo o mundo. A Nova Agenda Urbana reconhece que os atores locais (governos, pessoas e organizações) têm um papel de liderança na tomada de decisões na definição dos rumos das cidades. Também entende a importância do governo nacional para facilitar isso, fornecendo leis e marcos legais, investimentos e subsídios, para alcançar a sustentabilidade das cidades e o direito a ela, para todos, enfatizando a governança multinível com a participação do cidadão. Nesse contexto de evolução da necessidade da participação social na gestão da cidade, uma das diretrizes do Estatuto da Cidade afirma que: Gestão democrática por meio da participação da população [...], execução e acompanhamento de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano. (BRASIL, 2011, s.p.) Para começo de conversa, a própria construção do Plano Diretor precisa promover a participação da população com debates e audiências públicas. No contexto da Covid-19, muitos debates têm sido realizados virtualmente com o uso de plataformas digitais, como Google Meet, Microsoft Teams e Zoom. Aliás, o acesso aos dados e informações gerados durante e depois da construção do Plano Diretor precisa receber publicidade e acesso à população em geral. Dois instrumentos muito importantes de decisão popular são os plebiscitos e referendos. Você sabe a diferença entre eles? • • • • O plebiscito é usado quando os cidadãos são consultados antes de uma norma ou legislação ser formalizada. Então, primeiro o povo vota se deve vender uma empresa municipal, por exemplo, ou a realização de uma grande obra com o dinheiro municipal, e depois o poder legislativo consolida uma lei para normatizar aquilo que foi decidido pelo povo. Curiosidade Em Criciúma, Santa Catarina, existe um feriado municipal chamado de Dia de Santa Bárbara, a padroeira reverenciada pelos trabalhadores das minas de carvão. Com o fim da atividade extrativa carvoeira na cidade, há quem questione a manutenção desse feriado ou a mudança para outra data. Por isso, a prefeitura argumenta sobre a necessidade de um plesbicito, antes da formalização de alguma lei a respeito. O referendo é usado quando os cidadãos são consultados depois da proclamação de alguma lei específica, o que significa dizer que o teor exato da matéria já foi estabelecido pelo legislativo e o povo precisa decidir se concorda ou não. Não tem como contribuir para a criação de uma lei, por exemplo. A participação social das pessoas foi muito importante nas políticas de enfrentamento da Covid-19, uma vez que a efetivação das medidas de restrição de contato dependem muito mais da consciência dos cidadãos e de seu envolvimento do que das intervenções profissionais. Aliás, o envolvimento da população sempre foi um elemento fundamental para responder às epidemias e surtos, como acontece com a zika, dengue, influenza A e até mesmo com o ebola. Outra forma de participação popular é por meio das audiências públicas para a aprovação do Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA) e Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança (EIV). Vamos conhecer mais sobre esses termos? Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA) É um documento que visa a avaliação de obras e atividades que provoquem significativo impacto ambiental. Seu objetivo central é garantir o meio ambiente ecologicamente equilibrado e qualidade de vida (SANTANA, 2011). Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança (EIV) É um documento requerido para o licenciamento ou autorizações de construção, ampliação ou funcionamento de empreendimentos que estão a cargo do Poder Público municipal. Cabe ao município determinar que tipos de atividades a serem implantadas e desenvolvidas na cidade deverão elaborar o EIV, para conseguir licença ou autorização de prosseguir. O EIV é um instrumento que assessora a prefeitura no planejamento e monitoramento, e acaba por servir de subsídio à tomada de decisão do prefeito, para empreendimentos que, de alguma forma, impactam a ordenação urbanística do solo, a qualidade de vida da população, a paisagem e o meio ambiente. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Estatuto das Cidades Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Participação Social Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Leia o texto a seguir: O Estatuto da Cidade é o conjunto de normas jurídicas ou a Lei nº 10.257/2001, que estabelece as diretrizes para a política urbana, conforme disposta na Constituição Federal de 1988. Essas normas foram alvo de projeto de lei já em 1988, e foi proposta pelo senador Pompeu de Sousa. Foi aprovada no Senado em 1989, porém retomada somente dez anos depois, entrando em vigor apenas em 2001. Dentre os instrumentos da política, previstos no Estatuto da Cidade, estão: I. Institutos tributários e comerciais, como a contribuição de melhoria das relações diretas com blocos econômicos; II. Institutosjurídicos e políticos, como os direito de preempção, Direito de prioridade do poder público para aquisição de imóvel urbano e de superfície. Direito de superfície é o direito do proprietário ceder, temporariamente, a outro para construção e utilização; III. Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA) e Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança (EIV). Com base nas assertivas, assinale a alternativa correta: A Apenas I B II e III C Apenas III D I e II E I e III A alternativa B está correta. A opção I refere-se a Institutos tributários e financeiros, as cidades não podem comercializar diretamente com blocos econômicos. A lógica de ser, jurídica e politicamente, organizativa é uma realidade, tal como o sistema de proteção do que é comum, como lidar com impacto ambiental e impacto no entorno. Questão 2 A participação social é um elemento importante para o efetivo exercício da democracia na gestão das cidades brasileiras e está prevista no Estatuto das Cidades. Dentre os instrumentos a seguir, qual deles é ligado diretamente à participação social? A Concessão de direito real de uso B Parcelamento, edificação ou utilização compulsórios C Zoneamento Ambiental D Disciplina do parcelamento, do uso e da ocupação do solo E Referendo popular e plebiscito A alternativa E está correta. Referendo e plebiscito referem-se a instituições eleitorais nas quais a população vota em uma questão, e são elementos fundamentais para o exercício da participação social na gestão das cidades. Este princípio acaba, por exclusão, impedindo que as demais estejam corretas. O Zoneamento Ambiental é ferramenta na gestão das cidades, sendo o primeiro passo para a elaboração do Plano Diretor. 2. Direito à Cidade Urbanizar para que ou para quem? Acompanhe agora a professora Débora Rodrigues trazendo o seu olhar sobre importantes tópicos relacionados à urbanização. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Questões socioculturais da urbanização Você já parou para pensar até que ponto a urbanização é um fator crítico de instabilidade social, falha de infraestrutura, crises de água, falta de coleta de lixo e disseminação de doenças? Estima-se que em 2050, mais de 75% da população mundial viverá em cidades, o que significa uma diferença importante para os dados de hoje, que beiram aos 50% (ZURICH, 2015). Sim, o adensamento urbano está nas nossas portas! Direitos dos pobres no Estatuto das Cidades É bom destacar que a vida urbana oferece muitos benefícios aos residentes, incluindo mais oportunidades de emprego e rendas mais altas, e às empresas, conectividade e grande número de consumidores, incluindo custos de insumos mais baixos, além de maior colaboração e oportunidades de inovação. O problema é que a maioria das cidades que estão crescendo está localizada em países de baixa renda na África, América Latina e Ásia, onde a urbanização acelerada tem oferecido grandes desafios para a gestão urbana. No Brasil, o processo de urbanização acelerada foi mais intenso na segunda metade do século XX e, atualmente, já atingimos a medida de 90% de urbanização. Observe o gráfico a seguir: Gráfico: Evolução da Taxa de Urbanização do Brasil, entre 1940 e 2010. Como oferecer segurança pública, habitação, vagas em escolas e postos de saúde na mesma velocidade em que as pessoas chegam nas cidades e se assentam? Não dá tempo de fazer o planejamento. Vista aérea da favela da Rocinha no Rio de Janeiro. Não é à toa que as estimativas sugerem que 40% da expansão urbana mundial está ocorrendo em favelas, exacerbando as disparidades socioeconômicas e criando condições insalubres que facilitam a propagação de doenças. O surto de peste pneumônica (uma forma mais grave da peste bubônica) em 1994, na cidade indiana de Surat, sugere como, na pior das hipóteses, a pobreza e uma pandemia em um assentamento informal em grande escala poderiam levar ao colapso da ordem urbana. Reflexão O que falar da Covid-19 e de suas vítimas? Sejam homens, mulheres, brancos, negros, adultos ou crianças, as vítimas são muito mais comum em áreas empobrecidas, onde a aglomeração é uma realidade imutável e o acesso aos bens simples de higiene, como água e sabão, nem sempre é possível para todos. Os governos municipais e os formuladores de políticas devem planejar e gerenciar os impactos da urbanização sobre a pobreza, a desigualdade, o emprego, os serviços, os transportes, as mudanças climáticas e a política. Somente abordando essas questões interconectadas e as barreiras técnicas e políticas para a mudança, é que eles poderão garantir uma boa qualidade de vida para milhões de moradores urbanos. Dentro do Estatuto das Cidades, um dos instrumentos elementares para o direito dos pobres à cidade é a concessão de uso especial para fins de moradia. No entanto, os seus dispositivos foram vetados no último momento e não foram corretamente discriminados na lei. A proposta era concretizar o texto constitucional sobre a questão, ao fazer concessão ao uso especial de imóveis públicos com o objetivo de oferecer moradia para a população de baixa renda. A Medida Provisória nº 2.220, de 2001, contou com um texto sobre a questão e sua evolução, que só veio por meio da Medida Provisória nº 759 de 2016, que teve aprovação dos seus dispositivos no ano seguinte, com a Lei nº 13.465 de 2017, que normatiza o uso privado de imóvel público urbano, para fins de moradia, de forma gratuita. Esse pode ser o caminho para a regularização fundiária em situação que a população toma posse de áreas consideradas livres e constrói sua casa para abrigar a si mesmo e sua família. Se o imóvel for público, é um caminho para regularizar a situação e dar ao pobre o direito à casa própria (desde que não tenha nenhuma propriedade extra, seja rural ou urbana). “Você não acha que um instrumento importante para oferecer segurança de posse seja um dos fundamentos do direito à moradia a inúmeros habitantes de loteamentos irregulares e favelas nesse grande Brasil?” Outra forma que contribui para a regularização fundiária é o instrumento denominado Usucapião especial de imóvel urbano. O que seria isso? Moradia para quem precisa! Pois bem, aquela pessoa que, durante cinco anos, se assentar e edificar em área urbana (de até 250m2), de forma contínua e sem oposição do proprietário, pode adquirir domínio sobre esse pedaço de terra, desde que seja para servir de moradia para si mesmo e sua família. Ah... também não pode ter outro imóvel, certo? Mas... e a verba? No entanto, do que adianta ter o seu recorte espacial, se você não tiver muito conhecimento construtivo nem dinheiro para contratar engenheiros, arquitetos ou pedreiros de sucesso para a construção do seu imóvel? Nesse caso, o Estatuto da Cidade também prevê outro instrumento: Assistência técnica e jurídica gratuita para as comunidades e grupos sociais menos favorecidos, que foi regularizada pela Lei 11.888/08. É uma forma de se criar uma paisagem urbana com mais qualidade, com acesso à moradia digna e sustentável para os mais pobres. Dias de luta... dias de luta. Veja, porém, que moradia no Brasil é processo doloroso e que precisa de mais luta. Até a década de oitenta, nós tínhamos o Banco Nacional de Habitação, e a política habitacional só foi reiniciada (bem timidamente) com o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social, da Lei nº 11.124 de 2005. O próprio Programa habitacional da proporção do Minha Casa, Minha Vida contribuiu bastante para o acesso à moradia daqueles que mais necessitam, embora insuficiente e, nos últimos anos, tenha sido descontinuado. Direito à Cidade Você já ouviu o termo "Direito à Cidade"? Ele reflete a possibilidade de os cidadãos de uma área urbana terem direito e acesso a serviços e bens públicos (como educação, segurança, transporte e saúde). No entanto, mais do que isso, é ter direito a bens que ofereçam qualidade de vida, como centros de cultura e lazer, postos de saúde e creches perto de casa, praças e áreas verdes. É uma forma de garantir uma vida digna,não é mesmo? Moradores de rua em Belo Horizonte, Minas Gerais. O Direito à Cidade está vinculado, em primeiro lugar, aos debates sobre a emergência de uma forma de cidadania urbana (distinta e independente da cidadania nacional) que daria acesso a direitos básicos e inumeráveis de estar na cidade. Estes incluem, no mínimo, direitos em termos de acesso à habitação, emprego e mobilidade. A cidadania urbana também anda de mãos dadas com o direito de participar nas várias arenas do debate político local. Nos últimos anos, houve muitos protestos e movimentos sociais sob o slogan "Direito à Cidade". A zeguir, temos o exemplo de três grandes cidades: Nova Orleans Moradores de projetos de habitação pública nessa cidade desejavam recuperar seus antigos bairros. Berlim Berlinenses lutavam contra a demolição da última parte remanescente do muro de Berlim para construir apartamentos luxuosos. Rio de Janeiro Já no Rio de Janeiro, as lutas eram dos moradores para resistir ao despejo antes da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Todas essas questões dizem respeito ao Direito à Cidade. Mas o que essa frase realmente significa? Todos têm Direito à Cidade? Por que isso é importante? Saiba mais O conceito de Direito à Cidade foi desenvolvido, pela primeira vez, pelo sociólogo francês Henri Lefebvre em seu livro Le droit à la ville, de 1968. Nele, o cientista define como um direito de não exclusão da sociedade urbana das qualidades e benefícios da vida urbana. No texto, Lefebvre escreve sobre a segregação socioeconômica e seu fenômeno de estranhamento. Ele se refere à “tragédia dos banlieusards”, pessoas forçadas a entrar em guetos residenciais distantes do centro da cidade. Nesse contexto, o autor explora o Direito à Cidade como uma reivindicação coletiva do espaço urbano por grupos marginalizados que vivem nos bairros de fronteira da cidade. Na década de 1990, a ideia de Lefebvre foi retomada nos campos da Geografia e do Planejamento Urbano e se tornou o slogan de muitos movimentos sociais. Um exemplo da luta pelo Direito à Cidade. Portanto, você tem direito, tal como o playboy rico do bairro elegante, a fazer a sua festa na praça, ou, se desejar, fazer uma passeata na rua. E o que é melhor, andar na rua sem medo, independente do lugar e da hora e também contar com um transporte público de qualidade. Você ainda pode contribuir para as decisões sobre o que é bom ou melhor para o seu lugar, o seu bairro ou a sua cidade. O Direito à Cidade diz respeito ao poder para a classe trabalhadora, para os negros e pobres, para os imigrantes, para os jovens e para todos os demais comprometidos com uma sociedade verdadeiramente democrática. Uma sociedade em que todos os habitantes da cidade têm o poder de moldar as decisões e as condições que afetam nossas vidas. Lutamos por melhorias concretas que resultem em comunidades mais fortes e um melhor estado de ser para nossos amigos, famílias e para o futuro de nossos filhos. Nossas organizações realizam campanhas para ganhar moradia, educação, transporte e empregos. Lutamos pela segurança e proteção da comunidade, pela sustentabilidade do bairro, pela justiça ambiental e pelo direito à cultura, celebração, descanso e espaço público. Esses são os resultados materiais de nossas lutas pela retomada da cidade. Esses são os objetivos que o Direito à Cidade encara. Reflexão Por que o negro e/ou pobre não pode usufruir das praias nas áreas mais abastadas? Se não pode consumir os produtos caros oferecidos por lá, que leve sua comida e bebida, sem ser vítima de um olhar enviesado daqueles que moram naquele local. E as edificações? Somente ricos podem morar em locais mais valorizados da cidade? Deveria haver habitações para todos ou somente para aqueles que têm renda para comprar ou herdar? Atualmente, a cidade centrada no mercado é o foco, incluindo novos métodos de produção e novas formas de segregação e exclusão. Há uma ausência de participação na formação da cidade para aqueles que foram excluídos do desenvolvimento econômico, para aqueles que foram deslocados por meio da gentrificação ou para aqueles que sofrem com políticas de imigração excludentes. Um clássico exemplo de perda do Direito à Cidade é o processo de gentrificação, tão comum em grandes cidades, como Barcelona, São Paulo e Rio de Janeiro. Atenção A gentrificação é vista como um processo de desenvolvimento urbano, no qual um bairro ou parte de uma cidade se desenvolve rapidamente em um curto período, geralmente, como resultado de programas públicas de renovação urbana (chamados de revitalização urbana, ou seja, dar nova vida a um trecho da cidade, que estava apagado ou “morto”). Esse processo costuma ser marcado por preços inflacionados de residências, o que provoca o deslocamento de residentes anteriores do bairro, por conta da sua baixa condição de vida. Inúmeras cidades ao redor do mundo vivenciam o fenômeno da gentrificação, que pode ter um impacto direto na dinâmica do mercado imobiliário. Na maioria das grandes cidades, alguns bairros, que antes eram menos do que o desejável, se transformaram em bairros vibrantes com condomínios e escritórios luxuosos, novos cafés e restaurantes, lojas de varejo caras e várias opções de entretenimento. A gentrificação tornou-se controversa porque, historicamente, ela veio com um componente significativo de discriminação contra minorias raciais, mulheres e crianças, pobres e velhos. Mesmo que possa causar uma reversão no declínio de uma cidade, o deslocamento causado pela gentrificação pode forçar os residentes anteriores a áreas mais pobres e relativamente inseguras, com acesso limitado a moradia acessível, escolhas alimentares saudáveis e redes sociais. A maior parte do centro da cidade do Rio de Janeiro perdeu o seu glamour nas últimas décadas, com o abandono de plantas industriais e investimentos estruturais, o que contribuiu para bolsões de insegurança e baixa qualidade de vida dos moradores. Os bens e serviços já não funcionam de maneira tão dinâmica e a população que mora nesses lugares tem sofrido anos de abandono do poder público. Reflexão A área portuária do centro carioca foi alvo de um grande projeto de inovação conhecido como Porto Maravilha, que contou com quase 10 bilhões de reais em investimentos públicos-privados, que envolvem transformações urbanísticas estruturais, valorização ambiental e melhorias na mobilidade (LETIERI, 2017). A proposta desse empreendimento era também potencializar os polos comerciais e o turismo local. Com os investimentos, os bens e serviços locais ficaram mais caros, inviabilizando a permanência de uma população de baixo poder aquisitivo que suportou, durante décadas, a falta de investimento e o abandono social. E, agora, que a região é alvo de melhorias, esse grupo social não pode ficar? Acompanhe algumas mudanças que ocorreram no local: Os imóveis locais ficaram mais caros e, acredite, os aluguéis também ficaram mais caros. Inclusive aquele sanduiche “básico” sofreu variação de valor pois virou “sanduiche gourmet” e teve o preço duplicado! E o mesmo aconteceu com o picolé, o sorvete e a pizza da praça. O Porto Maravilha não era um projeto que desejava habitação de interesse social. Sim, havia um desejo de proporcionar unidades habitacionais na área, mas para uma faixa de renda muito mais elevada. Já que estamos falando de deslocamento, vale a pena mencionar a questão da mobilidade da população nas cidades. Com o aumento da população, a mobilidade em nossas cidades é uma das principais áreas de foco para todos os projetos de cidades inteligentes. Como as cidades podem tornar o transporte mais fluido e eficiente? Como eles podem reduzir o congestionamento e a poluição dos motores a gasolina? Quais alternativas ao automóvel pessoal tradicional as cidades devem explorar — e como elas fazem seus cidadãos e comunidades embarcarem nas novas opções? O transporte público é caro, as distâncias muito grandes, os ônibus, trens e metrôs superlotados, e o uso de veículos individuais é incentivado.Para se ter uma ideia, o investimento em veículos automotores individuais é de oito a dez vezes maior do que em coletivos (MACIEL, 2014). Com o passar dos anos, essa forma individualizada de ver a cidade refletiu-se no seu próprio desenho, que privilegia os motoristas individuais. Isso é insustentável a médio e longo prazos. E se nós pensarmos nas pessoas de menor poder aquisito, que desejam sair do seu reduto, às vezes de comunidades longínquas, para o centro da cidade e precisam de horas de transporte ruim. As transgressões à sua dignidade são sentidas a cada minuto de viagem. Quantas vezes você já não ouviu, dentro do ônibus, Ônibus lotado em período de pandemia na cidade de Recife, em Pernambuco. algum passageiro xingar o motorista por conta dos solavancos proporcionados pelo asfalto ruim, a imperícia do condutor e as dificuldades de mobilidade inerentes à própria cidade? Cabe aos governos fazer previsões e estudar a dinâmica em que vivemos e encontrar alternativas. Certamente, é necessário não só melhorar o transporte público e estimular a população a utilizá-lo, mas também investir em outros meios de transporte, como o trem e o metrô. Em plena crise da Covid-19, as médias e grandes cidades não conseguiram atenuar os complexos problemas da mobilidade urbana; os transportes continuaram intensamente cheios e contribuindo para o aumento da transmissão e os altos números da pandemia. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Direito à Cidade Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Direitos dos pobres no Estatuto das Cidades Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Leia o texto, a seguir: Urbanização caracteriza-se como o processo em que população urbana cresce em proporção superior à população rural. Trata-se de um fenômeno de concentração urbana, crescimento e desenvolvimento das áreas citadinas. No Brasil, o fenômeno da urbanização aconteceu mais intensamente em decorrência do: A êxodo rural. B aumento da degradação ambiental. C governo de Getúlio Vargas. D aumento da oferta de trabalho na zona rural. E processo de construção de portos. A alternativa A está correta. O êxodo rural é o processo resultante da migração das pessoas das áreas rurais para áreas urbanas, em decorrência do desemprego na área rural e novas oportunidades nas cidades. Questão 2 Leia o texto a seguir: A gentrificação é o processo de transformação urbana que retira moradores de bairros periféricos e transforma essas regiões em áreas nobres. Comumente, o fenômeno é motivado por especulação imobiliária, aumento do turismo e obras governamentais. A palavra gentrificação é um aspecto que acontece em grandes metrópoles e materializa-se por meio de: A o reordenamento dos centros urbanos, resultando na elitização da paisagem. B o crescimento de áreas próprias para a população mais vulnerável. C a fragmentação da cidade, separando comércio e indústria. D a inserção de áreas ambientais nos centros urbanos. E a autossegregação espacial praticada pelas classes dominantes. A alternativa A está correta. A gentrificação é a alteração das paisagens de áreas abandonadas pelo poder público, que promove os investimentos necessários, dando a essas paisagens uma aparência mais elitizada, dotada de bens e serviços públicos de melhor qualidade. A segregação espacial é um fenômeno comum no ambiente urbano, sendo esse movimento ditado, majoritariamente, pelas classes dominantes, por meio de seu poder de compra. 3. Meio Ambiente A cidade tem jeito? Pobreza, saneamento, favelização, desmatamento, chuvas, secas e desastres. Afinal de contas, temos como superar esses reveses? Acompanhe a professora Débora Rodrigues trazendo a sua análise sobre o assunto. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Questões ambientais da urbanização A rápida urbanização, combinada com a rápida melhoria dos padrões de vida, está esgotando os recursos naturais e ameaçando a qualidade ambiental em muitas nações. Cidades em todo o mundo enfrentam muitos desafios de perda de qualidade ambiental, incluindo contaminação do ar, água e solo, congestionamento e ruído, e más condições de habitação, agravadas pelo desenvolvimento urbano insustentável e flutuações climáticas. A questão do saneamento básico O saneamento básico é conjunto de estratégias que busca promover a saúde, prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida da população. Assim, refere-se, principalmente, ao esgotamento sanitário, limpeza urbana, abastecimento de água, manejo de resíduos sólidos e de águas pluviais. Atualmente, 2 bilhões de pessoas não têm acesso a serviços de água potável gerenciados de forma segura, e 3,6 bilhões de pessoas não têm serviços de saneamento gerenciados de forma correta. Cerca de 130 milhões de domicílios não têm acesso a banheiro, o que significa dizer que mais de um bilhão de pessoas defecam a céu aberto, atrás de arbustos, no campo ou à beira de estradas (NAÇÕES UNIDAS, 2021). No Brasil, o serviço é assegurado, como direito, pela Constituição Federal, sendo regulamentado pela Lei nº 14.026, de 15 de julho de 2020, que atualiza o marco legal do saneamento básico, a Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Embora o governo esteja se obrigando a universalizar o serviço, metade da população brasileira ainda não tem acesso à coleta de esgoto. O que falar de um esgoto tratado que não vai ser jogado diretamente nos corpos hídricos? Certamente, as pessoas com esse serviço específico são em menor quantidade ainda. No que se refere ao abastecimento de água, pouco mais de 80% da população é atendida com abastecimento de água tratada, deixando dezenas de milhões de brasileiros sem água encanada em casa. Esses são os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (BRASIL, 2019). Nas áreas urbanas, a situação complica-se bastante, visto que as deficiências do saneamento atingem, principalmente, a população mais desfavorecida, concentrada em bairros pobres e favelas. Sem o serviço de coleta de esgotos, a maior parte desse elemento é lançado nos corpos hídricos, contribuindo para a poluição de rios, lagos e lagoas. E como poderia ser resolvido esse problema? Bem, a própria Lei do Saneamento Básico determinava que os Planos Municipais deveriam ser elaborados e publicados em 2013. O tempo passou, a maior parte dos municípios não tem interesse político (não gera votos imediatos) e capacidade técnica para o desenvolvimento de tais estudos. Com a atualização do marco regulatório, em 2020, houve a prorrogação desse prazo para 2022. Comentário Tal procedimento deveria interessar aos municípios, já que eles só recebem recursos do poder público federal, para destinar aos investimentos com o saneamento básico, se tiverem elaborado o plano. Assim mesmo, há muitos municípios ainda com esse passivo. Resíduos sólidos Quando o assunto é resíduos sólidos, a situação também é muito preocupante. A coleta e o transporte dos resíduos sólidos no Brasil têm sido o principal foco da gestão de resíduos sólidos, especialmente em áreas urbanas. No país, aproximadamente 90% da população tem o serviço de coleta e transporte de seus domicílios, mas o grande problema está no destino dos resíduos coletados, visto que grande parte dos municípios ainda não desenvolveu ferramentas e procedimentos para cuidar do lixo, depois de coletado e transportado. Embora grande parte da população urbana possua o serviço de coleta de resíduos sólidos, nem sempre esse benefício estende-se à população de menor poder aquisitivo, sobretudo aquela localizada no alto dos morros das regiões metropolitanas. No gráfico a seguir, você observa que 95% dos aglomerados subnormais possuem coleta de lixo, mas verifique a condição das habitações precárias no Centro-Oeste e Nordeste, onde o índice aparece bem abaixo da média nacional. Gráfico: Domicílios particularespermanentes em aglomerados subnormais, com coleta de lixo, segundo as Grandes Regiões – 2010. A aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, após décadas de discussões na esfera federal, marcou o início de uma forte articulação institucional envolvendo União, Estados e Municípios, o setor produtivo e a sociedade em geral, na busca de soluções para os problemas na gestão de resíduos sólidos que comprometem a qualidade de vida dos brasileiros. Não dá para continuar com o lixo nas ruas ou sendo destinados de maneira incorreta, não é mesmo? Essa lei impõe que os municípios eliminem os lixões em seus territórios e façam os investimentos necessários para destinar os resíduos de maneira adequada, por meio de aterros sanitários. Veja, porém, que: Urbanização de favelas Ao longo dos últimos anos, muitas favelas do Brasil foram beneficiadas por programas de urbanização, a exemplo do Favela-Bairro, no Rio de Janeiro. Recursos de infraestrutura Esses programas tinham aporte de recursos destinados à infraestrutura básica, como a viária e a sanitária, a iluminação e a contenção de encostas. Problemas com resíduos O problema é que não houve atendimento às melhorias no que se refere aos resíduos sólidos (SCHUELER, KZURE & RACCA, 2019). É fato que o processo evolutivo e de crescimento de uma favela nem sempre “abre espaço” para a locomoção de caminhões que, usualmente, fazem a coleta de resíduos residenciais. As vias, vielas e becos dificultam o acesso ao serviço e o lixo acaba sendo lançado no entorno, como encostas e cursos d´água. Observe a favela Prolongamento da Senhora, no Morro da Posse, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Além da rua larga (demarcada pela seta branca), em quais lugares o caminhão de lixo poderia passar? Favela Prolongamento da Senhora, vista por satélite. Você não concorda que, se há espaço para o processo de urbanização, também não deveria haver iniciativas e encaminhamentos para viabilizar a coleta de lixo nas favelas? Muitas prefeituras entendem que basta colocar caçambas para recolhimento de resíduos na parte baixa das comunidades, mas essa prática não é suficiente. É preciso subir a favela. Em algumas cidades, como Recife, Rio de Janeiro e Natal, o poder público tem contratado moradores da própria comunidade para transportar os resíduos das caçambas localizadas nas áreas mais elevadas, para os setores aos quais os caminhões não podem chegar. Outro problema importante diz respeito aos chamados “catadores de lixo”. Os grandes lixões sempre coexistiram com pessoas que vivem da seleção de materiais recicláveis para sobreviver. Elas lidam com ratos, baratas e outros vetores de doenças, em condições de insalubridade. Além dos catadores de lixo dentro das unidades de destinação final, é importante entender a importância dos catadores de recicláveis e reutilizáveis que ganham as ruas das grandes cidades. Você sabia que eles são responsáveis por 90% do lixo reciclado no Brasil? Você já pensou na possibilidade de separar o seu lixo e deixar os resíduos recicláveis ou reutilizáveis em sacolas separadas? Vasilhames de produtos de limpeza, garrafas pet, garrafas, papelões e papéis podem e devem ser separados do lixo comum. Ao deixar no seu portão, o caminhão do serviço de limpeza poderá levá- los. O catador de resíduos vai agradecer, sempre! Saiba mais Para cumprir os objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, o município (ou o titular do serviço de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos) deve priorizar a organização e o funcionamento de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda, bem como sua contratação. Poluição atmosférica e adensamento populacional Ao longo dos últimos três séculos, temos visto crescer a queima de combustíveis fósseis, sendo o seu resultado imediato a intensificação da poluição atmosférica no Planeta Terra, sobretudo nos países centrais, como Reino Unido, EUA e Alemanha. A partir do século XX, com o uso crescente de petróleo nas indústrias e motores de combustão nos países pobres, como o Brasil, a atmosfera foi o espaço preferido de emissão de poluentes, prejudicando a qualidade de vida dos seus moradores. Embora a poluição atmosférica seja bastante “democrática” atingindo ricos e pobres, a população pobre é a mais prejudicada com esse tipo de degradação ambiental, uma vez que não tem recursos suficientes para cuidar de forma adequada da própria saúde ou da saúde de seus familiares. Doenças como câncer de pulmão, asma e AVC se tornam comuns. São Paulo está entre as cidades mais poluídas do mundo e, infelizmente, os índices são superiores aos níveis aceitáveis. Pode-se dizer que os meios de transporte (queima de combustíveis fósseis) contribuem bastante para esse cenário, seguido da emissão de poluentes oriundos das indústrias (mesmo aqueles que passam pelo licenciamento ambiental). Os grupos de monitoramento ambiental apresentam dados atualizados sobre as cidades mais poluídas. Usando o mapa interativo do portal da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, é possível perceber que a cidade de São Paulo conta com inúmeros pontos de poluição moderada, se comparada com as cidades vizinhas, em outros estados regionais. Podemos avaliar em tempo real a qualidade do ar da cidade. Acompanhe os pontos de poluição na captura de tela do portal da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo: Índice da qualidade do ar, com zoom sobre São Paulo, em 20 de Agosto de 2021. Chuva ácida Além dos problemas de saúde da população, a poluição atmosférica também pode contribuir para a chuva ácida, que é qualquer forma de precipitação com componentes ácidos, como ácido sulfúrico ou nítrico, os quais caem da atmosfera direto sobre as nossas cabeças. Mas, o que pode provocar esse fenômeno? Resposta A queima de combustíveis fósseis (nos transportes, nas indústrias e nas termelétricas) é a principal fonte da chuva ácida, visto que lança, na atmosfera, grande quantidade de óxidos de enxofre (SO2 e SO3) e de nitrogênio (N2O, NO e NO2), que, ao reagirem com a molécula de água, formam o ácido sulfúrico (H2SO4) e o ácido nítrico (HNO3). O problema é que a água ácida, embora não prejudique diretamente o homem, pode degradar lagos e lagoas (e sua vida aquática), que recebem continuamente a água da chuva. Além disso, a vegetação e florestas inteiras já foram destruídas pelo fenômeno, tal como ocorreu com a destruição da Mata Atlântica, nas encostas da Serra do Mar, após anos de chuva ácida oriunda da atividade industrial do município de Cubatão, em São Paulo. Acompanhe duas situações ocorridas fora do Brasil: Árvores mortas na Alemanha, devido à chuva ácida. Talvez o caso mais emblemático seja a situação da Floresta Negra, em Ploeckenstein, na Alemanha, que teve quase metade da sua cobertura vegetal devastada por conta da chuva ácida. O recorte ambiental fica perto do Vale do Rio Ruhr, importante concentração industrial, que usa, historicamente, a queima do carvão mineral para obtenção de energia. Danos da chuva ácida no Camboja. E ainda mais! A chuva ácida provoca a contínua destruição de patrimônios culturais e arquitetônicos expostos ao fenômeno. Muitas esculturas são feitas de mármore e pedra-sabão e os ácidos agem velozmente sobre essas superfícies. Veja o rosto danificado da estátua na pedra antiga da montanha no Camboja, um importante ponto turístico, mostrando o desgaste e os danos ambientais causados pela chuva ácida. Os ventos podem soprar esses ácidos que ficam pairando na atmosfera por longas distâncias e além das fronteiras, tornando a chuva ácida um problema para todos e não apenas para aqueles que vivem perto dessas fontes. O fenômeno pode prejudicar meio ambiente e arquitetura presentes no seu bairro, sem que exista sequer uma grande concentração de indústrias. Ilha de calor Um dos grandes problemas associados ao adensamento populacional é a ilha de calor, um fenômeno pouco discutidoe muitas vezes confundido com as repercussões locais do aquecimento global. Uma ilha de calor urbana ocorre quando um centro urbano experimenta temperaturas muito mais altas do que as áreas rurais próximas. O que justifica essa diferença térmica? É a forma como as superfícies em cada ambiente absorvem e retêm o calor. O calor é criado pela energia de todas as pessoas, carros, ônibus e trens nos grandes centros urbanos. Então, pode-se dizer que as ilhas de calor urbanas são criadas em locais com muita atividade e muita gente. Exemplo de funcionamento de uma ilha de calor. O calor é criado pela energia de todas as pessoas, carros, ônibus e trens nos grandes centros urbanos. O que faz com que as áreas de adensamento urbano sejam mais aquecidas do que a periferia? Resposta Nos grandes centros, há predominância de edificações, como prédios, indústrias, postos de gasolina, dentre outros, que são construídos com cimento, concreto e telhas, que retém o calor que chega até a superfície terrestre. Além disso, o asfalto dos arruamentos e estradas apresentam coloração escura que também contribui para a retenção da temperatura. A impermeabilização da superfície do solo, com o calçamento de quintais e áreas livres, implica aumento da velocidade do escoamento superficial da água de chuva, que, se contida no solo, poderia amenizar os rigores meteorológicos. Somado a esses fatores, há o aquecimento proveniente da combustão de veículos automotores e centrais industriais. Os ventos, que poderiam auxiliar no resfriamento térmico, sofrem forte resistência em sua circulação com a presença de grandes construções. Em Bangu, bairro na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, a situação da ilha de calor foi registrada por Barbosa (2002), que analisou a evolução das temperaturas médias registradas no bairro desde a década de vinte até o início dos anos oitenta do século passado. E o que se observou é que o bairro tem passado por um incremento térmico com o passar dos anos. Os gráficos a seguir mostram a comparação das normais climatológicas de 1931-1960 e 1961-1990, e aponta uma variação de mais de 1°C na temperatura média entre os anos de 1931 e 1990. Pode parecer pouco, mas as pessoas notam a evolução da temperatura em seu bairro. Gráfico: Evolução da população e a comparação das normais climatológicas de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Gráfico: Evolução da população e a comparação das normais climatológicas de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. As ilhas de calor são inevitáveis? Na verdade, o planejamento urbano é a principal forma de coibir a formação do fenômeno, uma vez que ele é resultante da urbanização acelerada, da degradação da vegetação e da ocupação desordenada. Uma importante contribuição é a redução da emissão de poluentes atmosféricos no ambiente urbano, exatamente porque eles retêm o calor na atmosfera. Também é importante a arborização das vias públicas e áreas vazias de propriedades públicas e privadas, bem como preservar, recuperar e criar unidades de conservação e áreas verdes nas cidades. Os construtores das edificações também podem optar por materiais com menor capacidade de retenção de calor e/ou métodos para aumentar a reflexão da luz solar, em vez de sua absorção, como o uso de cores claras, nos revestimentos externos. Outra prática muito comum é a criação de telhados verdes, ou seja, uma camada de vegetação plantada sobre um sistema de impermeabilização instalado no topo de um telhado plano ou ligeiramente inclinado. Os telhados verdes também são conhecidos como telhados vegetativos ou ecológicos. Que tal desenvolver um projeto de telhado verde em sua casa, escola ou empresa? Do ponto de vista urbano, a técnica do ecotelhado contribui para o aumento da umidade relativa do ar e aperfeiçoamento da paisagem, melhorando a questão das ilhas de calor. Os dispositivos jurídicos preveem descontos no IPTU para edificações que implantam o ecotelhado, sistemas de aquecimento solar e energia solar. Para tanto, vários municípios que têm incentivado o uso do telhado verde vêm desenvolvendo legislação específica local — é o caso de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. A questão do saneamento básico Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Poluição atmosférica e adensamento populacional Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Leia o texto a seguir: A falta de saneamento também impacta diretamente na área da saúde. Segundo Venturi, o Brasil contabiliza 15 mil mortes e 359 mil internações anuais por decorrência da falta de saneamento básico. “Se pegarmos a situação em Manaus, por exemplo, onde apenas 20% do esgoto é coletado, a situação é pior ainda. Quando se tem falta de saneamento em um lugar com muita água, acrescenta-se outro problema, já que a água pode conter vetores de doenças”, explica. (MILITÃO, B. Planejamento do saneamento básico deve considerar diferenças urbanas e rurais. Jornal da USP. Publicado em 19 de ago. 2020.) O texto faz parte de uma reportagem que versa sobre a importância do saneamento básico e apresenta a fala de Luís Antônio Bittar Venturi, professor da Universidade de São Paulo. Sobre o assunto, julgue as assertivas a seguir: I. O acesso ao saneamento ambiental, embora não seja um direito fundamental presente na Constituição Federal, tem um marco regulatório recente, através da Lei nº 14.026, de 15 de julho de 2020; II. Uma das consequências da falta de saneamento é a poluição dos corpos hídricos, o que compromete a saúde ambiental das pessoas, que edificação suas casas perto dos rios urbanos; III. A Política Nacional de Resíduos Sólidos impõe que os municípios desenvolvam o seu próprio Plano de Saneamento Básico. Afirma-se a verdade em: A Apenas em I B II e III C I e III D Apenas em III E Apenas em II A alternativa B está correta. A assertiva I está incorreta, pois o acesso ao saneamento ambiental é um direito fundamental da Constituição Federal. Questão 2 Ilha de calor é um fenômeno climático que ocorre a partir da elevação da temperatura de uma área urbana se comparada a uma zona rural. Dentre os motivos abaixo, qual não pode ser considerado influenciador da ilha de calor A Urbanização B Arborização de ruas C Impermeabilização dos solos D Edificação intensa E Circulação de veículos automotores A alternativa B está correta. O impacto de uma ilha de calor pode ser reduzido por meio de alguns aspectos, como a arborização de ruas e unidades de conservação e áreas verdes nas cidades. As construtoras podem optar por usar materiais com menor capacidade de retenção de calor em suas edificações. Além disso, essas construções podem fazer bom uso de métodos para aumentar a reflexão da luz solar, em vez de sua absorção nos revestimentos externos. 4. Conclusão Considerações finais Por meio da análise dos módulos, foi possível observar a importância do planejamento e o correto conhecimento dos objetivos e instrumentos do Estatuto da Cidade para o desenvolvimento de uma política urbana eficiente e sustentável. As cidades brasileiras encontram-se indiscutivelmente insustentáveis, com seus problemas ambientais urbanos, como falta de saneamento básico, tráfego intenso, ruídos e poluição atmosférica. Além da questão urbana, a inexistência ou ineficiência de uma política habitacional e de mobilidade social, que ofereça o efetivo Direito à Cidade de todas as pessoas, prejudicam a sustentabilidade desses centros. É importante a participação social no desenvolvimento de estratégias para dotar as cidades de melhor qualidade de vida e condições mais equitativas para todos os moradores desses grandes centros. Podcast Agora, a professora Débora Rodrigues finaliza o assunto com dicas para facilitar sua jornada e recuperar as ideias abordadas no conteúdo. Conteúdo interativo Acesse a versão digitalpara ouvir o áudio. Explore + Quando se pensa em gestão urbana, é importante estar antenado com as possibilidades de uso do mecanismo tributário, que possibilita aos municípios acesso a recursos. Pesquise sobre ICMS Ecológico na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – Governo do Estado de Goiás. Navegue pelo portal do Plano Diretor do Município de Natal e compreenda as principais etapas e produtos para finalizar essa importante estratégia de planejamento urbanístico. Busque o Air quality in the world, o portal da IQAir, que oferece informações sobre as cidades mais poluídas no mundo inteiro. Leia: BRASIL. LEI Nº 10.257, DE 10 DE JULHO DE 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Diário Oficial da União, 2001. Referências BARBOSA, D. R. O conforto ambiental na interface saúde: meio ambiente na área central da região administrativa de Bangu ‒ município do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Geografia, Rio de Janeiro, 2002. • • • • BRASIL. Diagnósticos SNIS 2019. Ministério do Desenvolvimento Regional. Consultado na Internet em: 06 ago. 2021. BRASIL. Medida provisória no 2.220, de 4 de setembro de 2001. Dispõe sobre a concessão de uso especial de que trata o § 1º do art. 183 da Constituição, cria o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano - CNDU e dá outras providências. Brasília, 2001. BRASIL. Lei nº 11.124, de 16 de junho de 2005. Dispõe sobre o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social – SNHIS, cria o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social – FNHIS e institui o Conselho Gestor do FNHIS. Diário Oficial da União, 2005. BRASIL. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico e dá outras providências. Diário Oficial da União, 2007. BRASIL. Lei nº 11.888, de 24 de dezembro de 2008. Assegura às famílias de baixa renda assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social e altera a Lei nº 11.124, de 16 de junho de 2005. Diário Oficial da União, 2008. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da União, 2010. BRASIL. Lei nº 13.465, de 11 de julho de 2017. Dispõe sobre a regularização fundiária rural e urbana, sobre a liquidação de créditos concedidos aos assentados da reforma agrária e sobre a regularização fundiária no âmbito da Amazônia Legal; institui mecanismos para aprimorar a eficiência dos procedimentos de alienação de imóveis da União; altera algumas Leis. Diário Oficial da União, 2017. BRASIL. Lei nº 14.026, de 15 de julho de 2020. Atualiza o marco legal do saneamento básico e altera a Lei nº 9.984, de 17 de julho de 2000 e dá outras providências. Diário Oficial da União, 2020. BRASIL. Medida provisória nº 759, de 22 de dezembro de 2016. Dispõe sobre a regularização fundiária rural e urbana, sobre a liquidação de créditos concedidos aos assentados da reforma agrária e sobre a regularização fundiária no âmbito da Amazônia Legal, institui mecanismos para aprimorar a eficiência dos procedimentos de alienação de imóveis da União, e dá outras providências. Brasília, 2016. BRASÍLIA AMBIENTAL. Projeto de monitoramento do campo térmico do Distrito Federal (Proterm-DF). Publicado em: 28 fev. 2018. Consultado na Internet em: 06 ago. 2021. COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO (CETESB). Mapa da qualidade do ar. Consultado na Internet em: 06 ago. 2021. IBERDROLA. Nova agenda urbana: como potencializar o desenvolvimento urbano sustentável? Consultado na Internet em: 06 de ago. 2021. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Séries estatísticas. Consultado na Internet em: 06 ago. 2021. LETIERI, R. Porto Maravilha: o fracasso de um projeto bilionário que excluiu os menos favorecidos. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 04 jun. 2017. MACIEL, C. Urban mobility among most critical issues faced by brazilian cities. Agência Brasil. Publicado em: 09 set. 2014. Consultado na Internet em: 06 de ago. 2021. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Water, Sanitation and Hygiene. Consultado na Internet em: 06 de ago. 2021. PLANO DIRETOR DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO. SECRETARIA MUNICIPAL DE URBANISMO. Macrozoneamento. Consultado na Internet em: 06 ago. 2021. PREFEITURA DE SÃO PAULO. Gestão Urbana. Consultado na Internet em: 06 ago. 2021. SANTANA, A. O Estudo Prévio de Impacto Ambiental como garantia do direito ao meio ecologicamente equilibrado. Direito Ambiental, Revista 95 (On-line), 2001. SCHUELER, A. S; KZURE, H. C; RACCA, G. B. Como estão os resíduos urbanos nas favelas cariocas? Revista Brasileira de Gestão Urbana (Brazilian Journal of Urban Management), 2018 jan./abr., 10(1), 213-230. ZURICH. The risks of rapid urbanization in developing countries. Publicado em: 14 jan. 2015. Consultado na Internet em: 06 ago. 2021. Planejamento urbano em discussão 1. Itens iniciais Propósito Preparação Objetivos Introdução 1. Estatuto da Cidade A quem pertence a cidade? Conteúdo interativo O Estatuto da Cidade e a participação da sociedade na gestão da cidade Uso e ocupação do solo Inclusão Serviços adequados Propriedade Comentário Instrumentos do Estatuto da Cidade Planos nacionais, regionais e estaduais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social Planejamento das regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões Planejamento municipal Institutos tributários e financeiros Institutos jurídicos e políticos Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA) e Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança (EIV) Saiba mais Dica Resposta Exemplo Zonas de Especial Interesse Social (ZEIS) ZEIS 1 ZEIS 2 ZEIS 3 ZEIS 4 Direito de superfície Direito de preempção Outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso Transferência do direito de construir Participação Social Saiba mais Comentário Curiosidade Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA) Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança (EIV) Vem que eu te explico! Estatuto das Cidades Conteúdo interativo Participação Social Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. Direito à Cidade Urbanizar para que ou para quem? Conteúdo interativo Questões socioculturais da urbanização Direitos dos pobres no Estatuto das Cidades Reflexão Moradia para quem precisa! Mas... e a verba? Dias de luta... dias de luta. Direito à Cidade Nova Orleans Berlim Rio de Janeiro Saiba mais Reflexão Atenção Reflexão Vem que eu te explico! Direito à Cidade Conteúdo interativo Direitos dos pobres no Estatuto das Cidades Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Meio Ambiente A cidade tem jeito? Conteúdo interativo Questões ambientais da urbanização A questão do saneamento básico Comentário Resíduos sólidos Urbanização de favelas Recursos de infraestrutura Problemas com resíduos Saiba mais Poluição atmosférica e adensamento populacional Chuva ácida Resposta Árvores mortas na Alemanha, devido à chuva ácida. Danos da chuva ácida no Camboja. Ilha de calor Resposta Vem que eu te explico! A questão do saneamento básico Conteúdo interativo Poluição atmosférica e adensamento populacional Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referências