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SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO 
FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE NITERÓI 
 
 
 
REFERENCIAIS CURRICULARES DA REDE 
PÚBLICA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE 
NITERÓI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Niterói 
Dezembro/2022
 
 
 
FICHA TÉCNICA 
 
 
Prefeitura Municipal de Niterói 
Axel Schmidt Grael 
 
Secretaria Municipal de Educação 
Lincoln de Araújo Santos 
 
Fundação Municipal de Educação 
Felipe Leal Bellot 
 
Subsecretaria de Desenvolvimento Educacional 
Djenane Luisa Freire Firmino 
 
Subsecretaria de Projetos Educacionais Transversais 
Thiago Soares Risso Possas 
 
Subsecretaria de Planejamento e Gestão 
Marcio Anciães Ferreira 
 
Subsecretaria do Programa Criança na Creche 
Patrícia Gomes Pereira 
 
Diretoria de Gestão Escolar 
Jessica Fernandes 
 
Diretoria de 1º e 2º ciclos 
Andréia Mello Rangel 
 
Diretoria de 3º e 4º ciclos 
Camilla Ferreira Souza Alô 
 
 
 
Diretoria de Ensino de Jovens e Adultos 
Greyce Kelly F. de Almeida 
 
Diretoria de Educação Infantil 
Fernanda Pinheiro de Macedo 
 
Diretoria de Articulação Pedagógica 
Silvana Malheiro Gama 
 
Casa de Avaliação e Formação - CAF 
Maria Cristina Rezende de Campos 
 
Coordenação de Educação em Direitos – CEDIR 
Ronald dos Santos Quintanilha 
 
Coordenação de Educação Especial 
Lucienne de Oliveira Jesus Souza 
 
Coordenação de Educação em Sustentabilidade, Esporte e Saúde – CESESS 
Juliana Martins de Souza 
 
Coordenação de Mídias e Novas Tecnologias 
Carla Sena dos Santos Pinto 
 
Coordenação de Educação e Cultura – CECULT 
Liliane Balonecker Daluz 
 
Coordenação de Educação na Diferença – CEDIF 
Cristiane Gonçalves de Souza 
 
Coordenação de Aceleração e Progressão Parcial 
Jessé Magalhães 
 
 
 
 
Coordenação de Indicadores, Dados e Programas Educacionais- CIDaPE 
Carla Cristina Martins da C. Vasconcellos 
 
Coordenação de Programas Artísticos Literários - CProAl 
Samuel Barreto 
 
Coordenação de Supervisão Educacional - COESE 
Romana Camarinha Dominguez 
 
Conselho Municipal de Educação 
Cintia da Luz Rodrigues 
 
Comissão de Acompanhamento dos Referenciais Curriculares da Rede Pública 
Municipal de Educação de Niterói – PORTARIA SME Nº 018/2022 
 
Djenane Luisa Freire Firmino (Presidente) 
Alessandra da Costa Abreu 
Andréia Mello Rangel 
Carla Cristina Martins da Conceição Vasconcellos 
Carla Sena dos Santos Pinto 
Cíntia da Luz Rodrigues 
Cristiane Gonçalves de Souza 
Cristina Ferreira Gonçalves Padilha 
Delma Marcelo dos Santos 
Eloisa Fátima Figueiredo Semblano Gonçalves 
Fernanda Pinheiro de Macedo 
Greyce Kelly Fernandes de Almeida 
Jessica Fernandes Braga 
Lucienne de Oliveira Jesus Souza 
Lucilaine Maria da Silva Reis 
Maria Cristina Rezende de Campos 
Mônica Pereira da Costa Ianov 
Nathalie D'Oliveira Mendes 
 
 
 
Patrícia Brito de Oliveira Feitosa 
Robson de Souza 
Romana Camarinha Dominguez 
Sandra Cristina Ferreira de Sousa 
Silvana Malheiro do Nascimento Gama 
 
Revisão 
Ana Julia Castanheira Campos Moraes Louzada 
Fabiana Botelho dos Santos 
Nadilene Nery de Melo 
Roberta Viegas Noronha 
Rosana Ribeiro 
 
Capa 
Tatiana Freire de Moura 
 
Diagramação 
Carla Sena dos Santos Pinto 
Eloisa Fatima Figueiredo Semblano Gonçalves 
Lauane Baroncelli Nunes 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FICHA TÉCNICA DA MINUTA DOS REFERENCIAIS CURRICULARES DA REDE 
PÚBLICA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE NITERÓI (DEZEMBRO/2020) 
Prefeitura Municipal de Niterói 
Rodrigo Neves 
 
Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia 
Flávia Monteiro de Barros Araujo 
 
Fundação Municipal de Educação 
Fernando Soares da Cruz 
 
Subsecretaria Municipal de Educação 
Patrícia Gomes Pereira 
 
Subsecretaria de Projetos Especiais 
José Henrique Antunes 
 
Superintendência de Desenvolvimento de Ensino 
Cristiane Gonçalves de Souza 
 
Equipes SMECT/FME - Niterói 
Assessoria Especial de Articulação Pedagógica – Cristiane Gonçalves de Souza 
Aceleração das Aprendizagens – Márcia Ferreira Netto 
Assessoria de Avaliação Institucional – Maria Cristina Rezende de Campos 
Assessoria de Estudos e Pesquisas Educacionais – Nelson Ricardo da Costa Silva 
Assessoria de Mídias e Novas Tecnologias – Carla Sena dos Santos Pinto 
Coordenação da Educação de Jovens e Adultos – Greyce Kelly F. de Almeida 
Coordenação de Educação Especial – Andrea Pierre dos Reis 
Coordenação de Progressão Parcial – Carmen Déborah Dias Bragança 
Coordenação de Promoção da Leitura – Liliane Balonecker Daluz 
Coordenadoria Especial de Supervisão Educacional – Romana Camarinha Dominguez 
Diretoria de Educação Infantil – Andreia Viana da Silva Diniz 
 
 
 
Diretoria de Gestão Escolar – Érika Machado da Rocha 
Diretoria de 1º e 2º Ciclos – Silvana Malheiro Gama 
Diretoria de 3º e 4º Ciclos – Rosane Cristina Feu Santos 
Núcleo de Ações Integradas – Juliana Martins de Souza 
Núcleo de Assessoria Técnica – Ronald dos Santos Quintanilha 
 
CAPA E DIAGRAMAÇÃO 
Tatiana Freire de Moura 
 
CONCEPÇÃO E ELABORAÇÃO DOS TEXTOS 
 
Ensino Fundamental 
Rosane Cristina Feu Santos 
Silvana Malheiro do Nascimento Gama 
 
Educação de Jovens e Adultos 
Greyce Kelly Fernandes de Almeida 
Eduardo Garritano 
 
Educação Infantil 
Andreia Viana da Silva Diniz 
Cristiane Gonçalves de Souza 
Delma Marcelo dos Santos 
Eliza Helena Pandino Botelho Leonardo 
Fernanda Macieira Bortone 
Leda Marina Santos da Silva 
Lílian Garcia 
Lucimeire Bezerra Costa 
 Márcia Nico Evangelista 
Rosana Ribeiro 
Rosângela Motta Dias 
Sandra Cristina Ferreira de Sousa 
 
 
 
Sirlane Vieira Alves 
Sonia de Oliveira Martins 
Verônica da Silva Santos 
 
Educação Ambiental 
Juliana Martins de Souza 
 
Educação em Direitos Humanos: perspectivas curriculares em construção 
Márcia Ely Bazhuni Pombo Lemos 
 Ronald dos Santos Quintanilha 
 
Educação e Inclusão: direitos de todos 
Andréa Pierre dos Reis 
Lucienne de Oliveira Jesus Souza 
Robson de Souza 
 
A leitura literária e a formação do leitor-autor na Rede Pública Municipal de Educação 
de Niterói 
Elana Cristiana dos Santos Costa 
Jacqueline Martins da Silva 
Liliane Balonecker Daluz 
 
Tecnologias na Aprendizagem 
Carla Sena dos Santos Pinto 
Eloisa Fatima Figueiredo Semblano Gonçalves 
 Érika Francisco de Paulo David 
Jaqueline Devillart de Macedo 
Márcia Luzia Correia de Abreu 
Rosangela Aurelia Motta de Alcantara 
 
Avaliação: Institucional e da Aprendizagem 
André Luiz Abreu de Mattos 
 
 
 
Andréa Pierre dos Reis 
Carla Cristina Martins da C. Vasconcellos 
Cristina Ferreira Gonçalves Padilha 
Maria Cristina Rezende de Campos 
Nelson Ricardo da Costa Silva 
Romana Camarinha Dominguez 
Tatiana Freire de Moura 
 
Currículo, Cultura e Diferença 
Cristiane Gonçalves de Souza 
 
Movimento para elaboração dos Referenciais Curriculares da Rede Pública Municipal 
de Educação de Niterói 
Sandra Cristina Ferreira de Sousa 
 
Professores Colaboradores (Colaborações descritas no capítulo 2 da Parte I) 
Prof. Dr. Adriano Freitas Vargas/UFF 
Prof.ª Dra. Ana Angelita C. N. da Rocha/UFRJ 
 Prof.ª Dra. Ana Maria Monteiro/ UFRJ 
Prof.ª Dra. Andrea Vieira Thees/UNIRIO 
Prof.ª Dra. Carmen Teresa Gabriel Le Ravellec/UFRJ 
Prof.ª Dra. Cecília Goulart/UFF 
Prof.ª Dra. Denise Souza Destro/SME de Juiz de Fora/MG 
 Prof. Dr. Diego da Silva Vargas/UNIRIO 
Prof. Dr. Dilton Ribeiro do Couto Junior/UERJ/FEBF 
Prof.ª Dra. Dinah Vasconcellos Terra/UFF 
Prof.ª Dra. Elizabeth Fernandes Macedo/UERJ 
Prof. Dr. Guilherme Augusto Rezende Lemos/UERJ 
Prof. Dr. Ivo da Costa do Rosário/UFF 
Prof. Dr. Joel Windle/UFF 
Prof.ª Dra. Lea Tiriba/UNIRIO 
Prof.ª Dra. Ligia Maria Leão de Aquino/UERJ 
 
 
 
Prof.ª Dra. Luciana Esmeralda Ostetto/UFF 
Prof.ª Dra. Márcia Serra Ferreira/UFRJ 
Prof.ª Dra. Maria Cristina Corais/IFRJ 
Prof.ª Dra. Maria Margarida Gomes/UFRJ 
Prof.ª Dra. Rita de Cássia PrazeresDiretoria de Educação 
Infantil 
Prof.ª Ma. Fernanda Bortone “Bidocência na Educação Infantil” 
Diretoria de Educação 
Infantil 
Prof. ª Ma. Andréia Diniz 
“A representatividade negra dentro e 
fora do livro: mito ou realidade?” 
Diretoria de Educação 
Infantil 
Prof.ª Delma Marcelo dos Santos 
“Trabalho Pedagógico da/na Educação 
Infantil em Niterói” 
 
45 
 
 
Diretoria de Educação 
Infantil 
Prof.ª Lucimeire Bezerra Costa “Desenvolvimento Infantil” 
Promoção da Leitura Prof.ª Ma. Elana Costa 
“Os Referenciais Curriculares e a 
BNCC” 
Superintendência de 
Desenvolvimento de 
Ensino 
Prof.ª Dra. Cristiane Gonçalves 
de Souza 
“BNCC: Sentidos em disputa pela 
significação da produção curricular” 
Superintendência de 
Desenvolvimento de 
Ensino 
Prof.ª Ma. Sandra Cristina 
Ferreira de Sousa 
“Em foco: a BNCC e o documento 
preliminar do Referencial Curricular 
para a educação infantil/Niterói” 
 
 
Os pareceres enviados pelas Unidades de Educação para a Superintendência de 
Desenvolvimento de Ensino, entre os meses de julho a outubro de 2020, foram distribuídos 
entre as Diretorias, Assessorias e Núcleos da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e 
Tecnologia e da Fundação Municipal de Educação. Recebemos das Unidades de Educação 
cinquenta e seis pareceres em um universo de noventa e três Unidades de Educação. Após 
análise destes pareceres, em articulação com a versão preliminar do documento curricular, 
houve a reescrita do texto final, como minuta dos Referenciais Curriculares da Rede Pública 
Municipal de Educação de Niterói/2020, posto à submissão do Conselho Municipal de 
Educação de Niterói, em dezembro de 2020. 
Destacamos que para a escrita dos Referenciais Curriculares da Rede Pública 
Municipal de Educação de Niterói/2020, tomamos como fio condutor as narrativas dos 
profissionais das Unidades de Educação em articulação com referenciais teóricos que nos 
ajudam a pensar, a sentir e a construir movimentos instituintes de sentidos nas escolas. Mais 
do que instituir arbitrariamente valores, conceitos, objetos de conhecimento, objetivos de 
aprendizagem para os ciclos e as metodologias, procuramos articular saberes, experiências no 
âmbito do trabalho pedagógico da Rede, de modo a nos organizar enquanto coletivo e 
favorecer a construção de caminhos possíveis de nossa prática educativa. 
Consideramos oportuno mencionar que o registro deste processo, com desdobramento 
das ações aqui indicadas, traz para o presente os acontecimentos que demandam as produções 
de sentidos que emergem para além do texto escrito destes Referenciais Curriculares. 
 
 
3. EDUCAÇÃO E INCLUSÃO: DIREITOS DE TODOS 
 
 
46 
 
 
A lógica presente no discurso positivista, que fundamenta o modelo médico, permitiu 
olhar para a deficiência enfatizando as questões fisiológicas e/ou biológicas, com o objetivo 
de restaurar o corpo à normalidade, tratando ou amenizando as diferenças. O ato de perceber o 
diferente como alguém fora da norma traz aspectos negativos às práticas pedagógicas e 
discursivas, que não contribuem para a formação crítica do professor e para a construção de 
uma sociedade mais justa. O “outro”, nesse sentido, segundo Veiga-Neto (2011), pode ser 
considerado como depositário de todos os males da humanidade, como sujeito pleno de uma 
marca cultural ou como alguém a tolerar. Esse tipo de pensamento serviria para engessar 
ainda mais as nossas proposições acerca da diferença. Para Larrosa e Perez (1998): 
A alteridade do outro permanece como reabsorvida em nossa identidade e a 
reforça ainda mais; torna-a, se é possível, mais arrogante, mais segura e mais 
satisfeita de si mesma. A partir desse ponto de vista, o louco confirma nossa 
razão; a criança, nossa maturidade; o selvagem, nossa civilização; o 
marginalizado, nossa integração; o estrangeiro, nosso país; o deficiente, 
nossa normalidade (LARROSA E PEREZ, 1998 apud VEIGA-NETO, 2011, 
p. 124). 
Apesar do caminho no fio da navalha, não é impossível a tarefa de educar na 
diferença. Dizer que todos os alunos devem estar matriculados nas escolas regulares não é o 
mesmo que dizer que todos devem aprender da mesma maneira. Diante disso, expor os 
argumentos que fundamentam a inclusão educacional torna-se fundamental para o êxito das 
políticas públicas de inclusão escolar. Vamos à discussão teórica de, pelo menos, três motivos 
que fundamentam a perspectiva da inclusão educacional. 
 
3.1 Porque é lei 
 
O reconhecimento da escolarização para todos pode ser considerado um 
acontecimento que trouxe novas percepções sobre espaços e tempos, mas que carregou 
consigo um volume inestimável de propósitos de mudança, novos desafios, novos olhares, 
novos sujeitos. Esse acontecimento fez-se acompanhar de políticas públicas que visam à 
garantia de acesso às escolas, no sentido de garantir a presença de todas as crianças no 
ambiente escolar, de permanência e de qualidade no processo de aprendizagem. Os 
procedimentos implementados dirigem-se especialmente aos sujeitos com deficiência, uma 
vez que eles que vêm sendo historicamente excluídos da educação escolar. 
A partir da demanda social, diversos outros dispositivos e diretrizes institucionais 
foram estabelecidos no sentido de garantir e promover a Educação Básica para todos os 
 
47 
 
 
alunos, sem exceção. Um desses dispositivos é o Estatuto da Criança e do Adolescente 
(ECA/1990), que dispõe, em seu artigo 13, que “a criança e o adolescente gozam de todos os 
direitos inerentes à pessoa humana” (BRASIL, 1990) e que as crianças e os adolescentes 
“portadores de deficiência” 4 têm direito ao “atendimento educacional [...] preferencialmente 
na rede regular de ensino” (BRASIL, 1990, Art. 54, inciso III). Já a Política Nacional de 
Educação Especial (BRASIL, 1994, p. 7) estabeleceu objetivos gerais e específicos referentes 
à “interpretação dos interesses, necessidades e aspirações de pessoas portadoras de 
deficiências, condutas típicas e altas habilidades”. Alguns anos depois, foi estabelecida a 
Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, Decreto n.º 3.298 
(BRASIL, 1999), que estabeleceu a “matrícula compulsória de pessoas com deficiência em 
escolas regulares”. 
De acordo com a documentação vigente, podemos perceber que a inclusão educacional 
está estreitamente implicada com a inclusão social. O Projeto Educar na Diversidade: material 
de formação docente elaborado pelo MEC (BRASIL, 2005) salienta que “[...] a educação 
inclusiva é um aspecto da sociedade inclusiva”. Em 2006, o Brasil promulga a Convenção 
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006), por meio do Decreto n.º 
6949/2009, assumindo o compromisso de assegurar o acesso das pessoas com deficiência a 
um sistema educacional inclusivo em todos os níveis e de adotar medidas que garantam as 
condições para sua efetiva participação. Desse modo, a inclusão educacional é um direito do 
estudante e requer mudanças na concepção e nas práticas de gestão, de sala de aula e de 
formação de professores para a efetivação do direito de todos à escolarização. 
Fundamentada nos marcos legais e princípios pedagógicos da igualdade de condições 
de acesso e à participação em um sistema educacional inclusivo, a Política Nacional de 
Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (MEC, 2008) define a Educação 
Especial como modalidade de ensino transversal a todos os níveis, etapas e modalidades. 
Ainda disponibiliza recursos, serviços e o atendimento educacional especializado, 
complementar ou suplementar, aos estudantes com deficiência, transtornos globais do 
desenvolvimento e altas habilidades/superdotação no ensino regular. 
Mais recentemente, foi promulgada a Lei n.º13.146/2015, Lei Brasileira de Inclusão 
(LBI, 2015), que promove uma grande mudança de perspectiva sobre a palavra “deficiência”. 
 
4
 A PEC 25/2017 muda na ConstituiçãoFederal. Expressões como “pessoa portadora de deficiência” ou 
“portador de deficiência” serão substituídos por “pessoa com deficiência”. A PEC padroniza o termo em 10 
artigos da Carta Maior. A padronização segue a Convenção Internacional sobre o Direito das Pessoas com 
Deficiência, da Organização das Nações Unidas, criada em 2006. 
 
48 
 
 
Antes desta Lei, a visão que existia era de que a deficiência era uma condição das pessoas. 
Hoje, ela é entendida como uma situação dos espaços (físicos ou sociais), que não estão 
prontos para recebê-las. A tendência atual é enxergar, cada vez mais, a educação como 
inclusiva e, cada vez menos, como especial. Isso significa que as metodologias, espaços e 
materiais devem ser capazes de atender a todos, ao longo da vida e com foco na 
potencialidade, segundo o art. 27 da LBI: 
A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurado sistema 
educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a 
vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus 
talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas 
características, interesses e necessidades de aprendizagem (BRASIL, 2015). 
 
3.2 Porque as vivências são as ações modeladoras do ato de aprender 
 
As Neurociências envolvem áreas diversas, visando a agregar conhecimentos para os 
estudos sobre os atos intermediados pelo cérebro. Não se trata somente de pensar no cérebro 
como estrutura anatômica, mas nas conexões neurais em funções desempenhadas, em etapas 
do desenvolvimento, nas relações estabelecidas. Dessa maneira, as Neurociências articulam-
se com a Educação no sentido essencial de buscar entender os processos relativos à 
aprendizagem. 
Aprender é um conceito amplo, diretamente ligado às oportunidades experimentadas 
pelos sujeitos. Não basta ter acesso à informação, é necessário transformá-la em algo 
significativo, substrato, que será consolidado como algo aprendido. Envolve o discente como 
agente ativo do próprio aprendizado, o professor como mediador das experiências, as ações 
pedagógicas planejadas como cenário, as famílias engajadas e atentas ao desenvolvimento de 
suas crianças e adolescentes. Sendo assim, fatores cognitivos, emocionais, socioculturais, 
intra e interpessoais, de maneira geral, são importantes para o processo de aprendizagem 
(PEREIRA, 2010). 
Diante das experiências vivenciadas rumo a serem aprendidas, o cérebro modifica-se, 
modelando-se em circuitos que formam redes para o aprendizado. A Neuroplasticidade, 
fenômeno complexo que ocorre devido à exposição aos mais diversos estímulos, sejam 
internos ou externos, evidencia que a imersão sociolinguística é um fator determinante para 
mudanças neuronais que desejamos para um cérebro em desenvolvimento. 
Nesse sentido, as ações pedagógicas constituem o substrato em que os profissionais da 
Educação medeiam a inclusão dos alunos em esferas sociais mais complexas, provendo 
 
49 
 
 
acesso ao conhecimento de mundo que os permitirão exercer cidadania, autonomia e 
criatividade. Nesses ambientes pedagogicamente estruturados, as relações dialógicas 
configuram-se em ferramentas de reconhecimento, de conhecimento e transformação. 
De fato, devemos ressaltar a potência que é validar o aprendizado dos diferentes, 
consolidando a ideia de diversidade como realidade. Numa rede pública de Educação, de salas 
heterogêneas quanto aos seus alunos, professores, localidades e realidades, traçar um modelo 
único excluiria a possibilidade da diferença. A proposta, então, aponta para a construção dos 
horizontes desejados para esse processo de ensino-aprendizagem que envolve desafios 
complexos e muitas incertezas, mas que se consolida em práticas cientificamente embasadas, 
engajadas e afetivas. 
 
3.3 Porque a escola continua sendo o espaço no qual se é possível viver a experiência da 
aprendizagem 
 
O par experiência/sentido apresentado por Larrosa (2016) permite-nos pensar na 
inclusão sem a tentativa de revelar a verdadeira natureza da aprendizagem e focalizar maior 
atenção na experiência como uma forma de ser e de estar no mundo, não como um 
conhecimento científico acumulado que está fora de nós, mas assumindo um estilo, uma 
postura ética, estética e política de conduzir a vida e, portanto, as interações com os outros nos 
espaços de convivência, entre eles, a escola, entendendo que a experiência "é em primeiro 
lugar um encontro ou uma relação com algo que se experimenta, que se prova" (Ibid ,p. 26). 
A possibilidade de uma experiência tem um pouco do princípio de reflexividade, "um 
movimento de ida porque a experiência supõe um movimento de exteriorização, de saída de 
mim mesmo, de saída para fora, um movimento que vai ao encontro com isso que passa, ao 
encontro do acontecimento." (LARROSA, 2011, p. 6). E é a partir da inserção no espaço 
interativo que fazemos da experiência a "passagem da existência, a passagem de um ser que 
não tem essência ou razão ou fundamento, mas que simplesmente 'existe' de uma forma 
sempre singular, finita, imanente, contingente" (LARROSA, 2016, p. 27). 
Segundo Larrosa (2016, p. 32), "o saber da experiência é um saber que não pode 
separar-se do indivíduo concreto em quem encarna". É por meio da possibilidade de 
transformação de nós mesmos e dos outros, como o território de passagem ou como lugar de 
chegada, que a transformação acontece, ainda que as críticas aos fazeres da escola como 
produtores de indivíduos para o trabalho sejam cada vez mais acirradas. É em meio às críticas 
que se insere a luta por acessibilidade e inclusão. 
 
50 
 
 
4. EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA: PERSPECTIVAS 
CURRICULARES EM CONSTRUÇÃO 
 
A expressão “Direitos Humanos” historicamente tem sido empregada em uma 
perspectiva marcada por um processo dialético e que apresenta diferentes marcadores 
culturais, concebendo-a como uma das maiores conquistas da humanidade e constituindo, 
assim, as identidades dos povos em suas formações ao longo do tempo. 
A construção histórica do termo possui dimensões de ordem política, social e cultural, 
apresentando múltiplas expressões de práticas e de linguagens, elaboradas com base nas 
noções do reconhecimento da dignidade humana e dos direitos sociais em cada território. 
Entretanto, devemos reconhecer que esta construção não se consolidou em alguns estados-
nações, o que nos leva a refletir a ideia de construção e de (re)elaboração histórica de direitos 
humanos no mundo. A ideia de sua universalização não se consolidou em todo o mundo, 
apesar de ser essa a premissa dos organismos internacionais. 
Se, no âmbito das relações sociais historicamente constituídas, os direitos humanos 
foram concebidos em razão das mudanças de paradigmas, expressadas pelo acúmulo de 
experiências entre os diferentes povos, em busca de respostas às suas expectativas e demandas 
sociais, podemos compreendê-los como um processo político e educativo. Político porque tal 
processo se insere no campo simbólico das lutas travadas em busca de um novo contexto 
humanizador e civilizatório, potente em seus objetivos e propostas para a implementação de 
novos projetos societários de cidadania. Educativo porque possui uma dimensão ideológica de 
difusão coletiva sobre a importância que todos os cidadãos possuem. Com efeito, é mister 
considerar que, assim como a dimensão política pode sofrer variações nos distintos territórios, 
seu caráter educativo também deve ser passível de diferentes interpretações e concepções com 
base na experiência de cada país. Sendo assim, ambas as dimensões são indissociáveis. 
Os parâmetros normativos que orientam tal concepção se fundamentam na Declaração 
Universal de Direitos Humanos de 1948, na Convenção sobre os Direitos da Criança (1989), 
ratificada por 196 países, na Constituição Federal de 1988, no Estatuto da Criança e do 
Adolescente (Lei nº. 8069/1990), na Lei de Diretrizese Bases da Educação Nacional (Lei n.º 
9394/1996), no Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, nas Diretrizes Nacionais 
Para a Educação em Direitos Humanos dentre outros instrumentos normativos similares em 
vigência. 
O primeiro artigo da Declaração Universal (1948) alude que “todos os seres humanos 
nascem livres e iguais em dignidade e direitos, dotados de razão e consciência, devem 
 
51 
 
 
comportar-se fraternalmente uns com os outros”. (Declaração Universal dos Direitos 
Humanos, 1948, Art. 1º) 
No âmbito da Convenção dos Direitos da Criança, ficam estabelecidas as diversas 
condições que garantem uma Educação em Direitos Humanos que priorize o direito da criança 
a ter um desenvolvimento integral pleno, concebido como dever do Estado, da sociedade e da 
família. 
Nesse contexto, principalmente a partir do processo de redemocratização do Estado 
brasileiro em meados da década de 1980, com as reivindicações dos diversos segmentos da 
sociedade, novas concepções de direitos (civis, políticos e sociais) foram sendo 
ressignificadas no âmbito das políticas públicas. Naquele momento, adquirem especial 
relevância as atividades de Educação em Direitos Humanos. Uma nova consciência social e 
coletiva surge pela potência que marca a luta dos movimentos sociais no Brasil pelo 
reconhecimento da dignidade dos seus cidadãos. 
[...] Por se apresentar como fenômeno multifacetado, exige, para sua 
compreensão, não só repensá-lo no interior de um horizonte histórico, mas 
que a este horizonte histórico se incorporem às noções de complexidade 
manifestas na cultura político-social de uma sociedade que produz (e 
reproduz) a comunidade e a sociedade de direitos (VIOLA, 2007, p. 119). 
Sendo assim, a proposta da Educação em Direitos Humanos parte do princípio da 
necessidade de mudanças das práticas sociais e da luta pelo movimento social e coletivo de 
uma práxis dialógica, que possui por atributos a horizontalidade e a igualdade de valor na 
ótica da dimensão humana em sua essência. 
Nesse sentido, em que pese o caráter educativo da concepção de Educação em Direitos 
Humanos, compreende-se que ele possui dimensão histórica e se fundamenta nas propostas 
das diretrizes dos organismos internacionais, devidamente concebidas na perspectiva da 
dignidade humana. A educação em Direitos Humanos, como elemento da história, é dialética 
e precisa ser refletida e aprofundada, pois não ocorre de forma estática e assume novas 
configurações no curso da história, especificamente no atual cenário da sociedade 
contemporânea. 
Destacamos que, nesse processo de luta pela redemocratização do país, o direito à 
Educação Básica foi ampliando (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio) 
compreendendo-se assim a importância da educação na formação dos demais direitos. Essa 
ampliação decorre da Emenda Constitucional nº 59 de 2009. O avanço de nossa Constituição 
para o olhar da educação em direitos humanos se apresenta no art.205, que afirma: “A 
 
52 
 
 
educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a 
colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o 
exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. (BRASIL, 1988) 
Nessa sequência dos textos legais que nos dão embasamento para a concretização das 
políticas educacionais, aprova-se a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB nº 
9394/1996, reafirmando a educação como direito e caracterizando-a baseada em princípios de 
liberdade e nos ideais da solidariedade humana, conforme seu artigo 2°, e complementa, logo 
em seguida, em seu artigo 3°, que o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: 
I - Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
II - Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o 
pensamento, a arte e o saber; 
III - Pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; 
IV- Respeito à liberdade e apreço à tolerância; 
V - Coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; 
VI- Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; 
VII - Valorização do profissional da educação escolar; 
VIII - Gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da 
legislação dos sistemas de ensino; 
IX - Garantia de padrão de qualidade; 
X - Valorização da experiência extraescolar; 
XI -Vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. 
(BRASIL, 1996). 
Assim, historicamente, foi no curso da consolidação das políticas educacionais no 
território brasileiro que se elaborou o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos – 
PNDEH, cujo enfoque é dado aos grupos minoritários e com deficiência em seus processos de 
formação e de educação. 
No contexto das políticas públicas brasileiras, a premissa de uma Educação em 
Direitos Humanos contempla os segmentos da infância e da adolescência como prioridade 
absoluta. Diante de tal argumento, na atual conjuntura, a partir dessas definições, o UNICEF 
ressalta o papel da escola frente ao aprendizado e à proteção de crianças e adolescentes. 
Na esteira das políticas educacionais, a Educação em Direitos Humanos emerge como 
um projeto societário que deve levar os cidadãos a uma consciência coletiva sobre a 
importância da difusão das ideias e da implementação das práticas que corroborem com o 
princípio de sua universalidade. 
Com base nessa perspectiva de análise, concebem-se as políticas educacionais do 
município de Niterói, articuladas com a proposta da Educação em Direitos Humanos. Parte-se 
do princípio de que tais políticas pautam-se nas mudanças das práticas sociais oriundas da luta 
do movimento social e coletivo por meio de uma práxis dialógica, e que, portanto, traz em 
 
53 
 
 
seus atributos os valores de relações com horizontalidade e a igualdade sob a ótica da 
dimensão humana em sua essência. 
Como destacado anteriormente, a dimensão de uma cultura de Direitos Humanos é 
historicamente recente e tem se constituído um campo fértil para o aprofundamento de 
reflexões, especificamente sobre o papel da escola, locus privilegiado para o desenvolvimento 
de uma sociedade mais fraterna, justa e igualitária. 
As discussões sobre o tema têm adquirido importantes direcionamentos no debate 
nacional e, apesar da complexidade que ele envolve e das ideias que não se confluem, as 
discussões representam um esforço assentado na racionalidade contínua para o trato devido 
das questões que envolvem as pautas da educação pública. 
Ressalta-se que a formação da Educação em Direitos Humanos não se limita, portanto, 
ao campo cognitivo das aprendizagens, direcionando-se também aos valores de 
comportamentos, das relações e respostas frente aos desafios da vida cotidiana escolar. 
Estudos de Candau (2007) contribuem para o aprimoramento do debate sobre os 
direitos humanos, levando-nos a compreendê-los como um processo histórico dinâmico, 
contraditório e complexo. A difusão desta concepção no campo das ideias pode ser localizada 
em um conjunto de outros estudos que nos fornecem elementos contundentes, sobretudo para 
repensarmos, na perspectiva curricular, os caminhos teórico-metodológicos que orientam as 
práticas pedagógicas. 
As experiências de Educação em Direitos Humanos têm se multiplicado ao longo de 
todo o continente latino-americano. A partir das informações disponíveis, constatamos que a 
maior parte delas tem sido realizada em âmbitos de educação não formal, aspecto 
tradicionalmente privilegiado pela educação popular (Ibid., p. 401). 
Com base nesses argumentos, considera-se que, historicamente, o Brasil é um país 
ainda jovem, em processo de reconhecimento e de consolidação dos direitos humanos e da 
cidadania pela via das políticas públicas, buscando, gradualmente, assegurar que todos os 
indivíduos sejam reconhecidos em sua dignidade e múltiplas formas de expressão da 
diversidade. 
As reflexõesda autora consideram que a Educação em Direitos Humanos deve se 
pautar numa consciência coletiva sobre a diversidade, 
[...] afirmando os direitos humanos como algo universal e necessário na luta 
contra todas as formas de violência presentes na manifestação do 
preconceito contra os indivíduos com incapacidade na sociedade de classes 
submetida a lógica do capital” (COSTA, 2018, p. 57). 
 
54 
 
 
Nesse sentido, os estudos apresentados reafirmam a necessidade de se considerarem os 
sujeitos da diversidade em suas mais variadas singularidades e em seus contextos de vida, 
representados nas questões étnico-raciais, na diversidade de gênero, de classe social, na 
diversidade religiosa, no âmbito das pessoas com deficiências, altas habilidades e 
superdotação e em outros aspectos que expressam as múltiplas formas das experiências 
humanas exercidas no curso da história. 
É no espaço da escola que eles vivem longos períodos de suas vidas, portanto, além de 
espaço de aprendizagem, ela também é espaço de relações, afetos, valores, cultura e direitos, 
que devem estar refletidos no projeto político pedagógico das escolas, em seus currículos, 
suas práticas e seus sujeitos. 
Na observância de tais argumentos, ressalta-se que o projeto político pedagógico da 
escola precisa estar em consonância com a realidade local, bem como dialogar com a 
realidade de vida dos alunos, apropriando-se de suas vivências e estabelecendo uma 
aproximação dialógica entre suas expectativas e os objetivos propostos pela escola. 
Com efeito, a proposta deve contemplar a parceria indissolúvel entre famílias e 
escolas, compreendendo essa ação como um fundamento importante para o processo de 
desenvolvimento do aluno, na perspectiva de seu desenvolvimento integral. 
No contexto da política educacional, diferentes concepções curriculares 
desenvolveram propostas teórico-metodológicas sobre o trabalho pedagógico como eixo 
orientador das práticas exercidas no âmbito escolar. 
Com a proposta da nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os sistemas de 
ensino estão inseridos em dez competências gerais para nortear os trabalhos de todos os anos, 
bem como os componentes curriculares em cuja estrutura é mister que haja o entendimento de 
que a educação deve trabalhar a favor da prevenção e da proteção contra as violências, cuja 
ação pedagógica se insere na luta pelos Direitos Humanos, afirmando a igualdade entre todos 
os educandos. 
No entanto, é possível que, na contemporaneidade, se detecte um novo olhar sobre a 
problemática dos Direitos Humanos, visto que as questões relativas à justiça, à superação das 
desigualdades socioeconômicas, à igualdade de oportunidades e as que se referem ao 
reconhecimento de diferentes grupos socioculturais se fazem cada vez mais presentes. Além 
disso, as questões relativas à diversidade vêm adquirindo cada vez mais relevância. 
 Parafraseando Santos (2002), Candau sintetiza de maneira especialmente oportuna 
esta tensão, pois “as pessoas e os grupos sociais têm o direito a ser iguais quando a diferença 
os inferioriza, e o direito a ser diferentes quando a igualdade os descaracteriza”. 
 
55 
 
 
A partir das reflexões que se apresentam, é possível conceber a Educação em Direitos 
Humanos como uma ferramenta pedagógica potente em seus objetivos e ações efetivas, pois 
viabiliza ao indivíduo em formação a capacidade de autonomia, emancipação e reflexão, ao 
passo que a apropriação do saber sistematizado e das experiências produzidas no campo dos 
saberes e das relações justifica, de certa forma, a ideia de uma educação de qualidade. Com 
base nesta premissa, Costa (2018) destaca que 
[...] a sociedade brasileira tem realizado esforços a favor da afirmação de 
uma cultura contrária à discriminação das minorias historicamente excluídas 
e consequentemente cresce a demanda por inclusão em suas diversas 
instâncias e pela afirmação da educação em direitos humanos [...] (COSTA, 
2018, p. 59). 
Com isso, deve-se refletir sobre as políticas públicas, especificamente as políticas 
educacionais inclusivas, por meio das quais as concepções curriculares contribuam para o 
acesso, permanência e direitos de aprendizagem para todos, sem quaisquer distinções. Para 
tanto, conceber uma proposta curricular em que tais aspectos estejam plasmados é criar 
condições para que a educação púbica escolar seja “uma instituição necessária para a 
formação de indivíduos autônomos, democráticos, emancipados, sem desconsiderar os limites 
dessa sociedade” (Ibid., p. 39). 
É importante ressaltar que a escola possui uma função social pública relevante, o que 
deve reforçar a ideia de que todos possuem direitos de cidadania, de que todos devem ser 
contemplados por uma formação que fortaleça a democracia e que se materialize nas formas 
de enfrentamento das exclusões. 
As novas perspectivas de base curricular precisam assumir os desafios que se impõem 
no cotidiano das escolas. Portanto, é preciso refletir e desenvolver novas propostas 
curriculares que contribuam para outra configuração da Educação em Direitos Humanos, 
contextualizada a partir de uma agenda de política pública de transformação e que possibilite 
o reconhecimento da diversidade em todas as suas dimensões, como destacado anteriormente. 
Como um exercício crítico necessário no campo das lutas educacionais, defendemos 
uma proposta de políticas públicas que restabeleça a potência do estado democrático de 
direitos, que integre, por meio de políticas curriculares, os indivíduos e que os inclua de fato 
no contexto de uma educação emancipadora. Cabe aos sistemas de ensino, especificamente à 
escola, reinventarem-se e instrumentalizarem-se dos elementos necessários, com o propósito 
de promover a autonomia de seus educandos, por meio de um processo pedagógico claro e 
efetivo em seus objetivos e metas. Acreditamos ser este o caminho possível para se 
 
56 
 
 
(re)estabelecer uma nova consciência social coletiva de largo alcance, pois, diante de um 
contexto que modifica no tempo e no espaço, diante de um “novo cenário, é importante 
analisar e debater as questões relativas ao sentido da educação em Direitos Humanos e os 
objetivos que pretende alcançar” (CANDAU, 2007, p. 403). 
 
5. CURRÍCULO, CULTURA E DIFERENÇA 
 
A noção de encruzilhada emerge como 
disponibilidade para novos rumos, poética, campo 
de possibilidades, prática de invenção e afirmação 
da vida, perspectiva transgressiva à escassez, ao 
desencantamento e à monologização do mundo. 
A encruza emerge como a potência que nos 
possibilita estripulias (RUFINO, 2019, p. 13). 
Os Outros: o melhor de mim sou Eles. 
(BARROS, 1998) 
 
De acordo com os Referenciais Curriculares para a Rede Municipal de Ensino de 
Niterói: uma construção coletiva/2010, podemos apontar dois sentidos que são apresentados 
como norteadores da proposta curricular: diversidade e formação para a cidadania, tendo 
como base teórica o multiculturalismo, na perspectiva teórica desenvolvida por Banks (2004), 
Candau e Moreira (2008) e Ivenick e Santos (2009). 
O multiculturalismo pode contribuir para se pensar em um currículo que 
forneça respostas à diversidade cultural, de modo a interrogar discursos 
hegemônicos e a dar vozes às identidades plurais. O currículo deve ser 
repensado em função do diálogo com as identidades plurais que circulam nas 
unidades escolares, valorizando os saberes, a diversidade de sotaques, a 
multiplicidade das identidades étnicas, raciais, culturais, linguísticas, 
religiosas, geracionais e outras que constituem a realidade escolar 
(Referenciais Curriculares da Educação Infantil, 2010, p. 10). 
A diversidade e a pluralidade cultural fazem parte das preocupações curriculares, 
desde pelo menos a década de 1950. Com o processo de redemocratização, os movimentos 
sociais, notadamente o movimento negro e os povos indígenas, iniciaram um processo de 
articulação para ampliar a representaçãode suas culturas e suas agendas nas políticas 
educacionais. 
A perspectiva multicultural está presente em muitos dos discursos constantes nos 
currículos da Rede Pública Municipal de Educação de Niterói, a qual analisamos ser relevante 
no sentido de fortalecermos que os Projetos Políticos Pedagógicos tenham como princípios a 
 
57 
 
 
educação antirracista, anticapacitista e contra a homofobia, em que sejam reconhecidos os 
gêneros e as sexualidades e o pluralismo religioso. Contudo, iniciamos esta trajetória de 
revisão dos Referenciais Curriculares, trazendo para o debate a cultura como lugar de 
enunciação, não como repertório de sentidos partilhados. 
Uma primeira mudança que promovemos é destacar a diferença (e não a diversidade) 
como pressuposto e sentido potente no currículo, ou seja, pensar a diferença cultural para 
além da identidade. Compreendemos que o conceito de identidade e as políticas de identidade 
manifestam demandas por reconhecimento nos currículos, envolvendo, principalmente, o 
movimento negro e os povos indígenas. Dessa forma, reconhecemos ser fundamental a 
implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008. Juntam-se a esta agenda os temas 
relacionados aos gêneros e às sexualidades. 
Nesse sentido, dialogamos com Mouffe (2003), que afirma: 
Ao estar consciente do fato de que a diferença é a condição da possibilidade 
de constituir a unidade e a totalidade, ao mesmo tempo que ele fornece seus 
limites essenciais, tal abordagem agonística poderia contribuir para subverter 
a tentação sempre presente nas sociedades democráticas de naturalizar suas 
fronteiras e essencializar suas identidades.[...] Graças ao reconhecimento de 
que as identidades abrangem uma multiplicidade de elementos, tal 
abordagem está numa posição melhor para enfrentar uma identidade que 
acomoda outras, admite a porosidade das suas fronteiras e se abre ao exterior 
que a torna possível (MOUFFE, 2003, p. 19). 
Portanto, dialogamos em defesa do que Mouffe (2003) chama de “pluralismo 
agonístico”, que tem como base a multiplicidade de cada sujeito, não consistindo 
simplesmente em tolerar as diferenças, “mas em celebrá-las positivamente porque admite que, 
sem alteridade e o outro, nenhuma identidade poderia se afirmar” (Ibid., p. 19). 
No contexto de revisão dos Referenciais Curriculares da Rede Pública Municipal de 
Educação de Niterói/2020, trouxemos para a discussão a perspectiva pós-estrutural, a partir da 
qual consideramos que diversidade não é o mesmo que diferença. O diverso é outra 
manifestação do mesmo. 
Abrir o currículo à diferença implica recusar a perspectiva da identidade, 
rechaçaras fixações que criam as identidades como golpes de força sobre a 
possibilidade de ampla significação. Um currículo marcado pela diferença é 
um currículo concebido como cultura. [...] Trata-se de ver o currículo como 
um processo de produção de sentidos, sempre híbridos, que nunca cessa e 
que, portanto, é incapaz de construir identidades (LOPES e MACEDO, 
2011, p. 227). 
Manifestamos aqui a possibilidade de significar o currículo como produção cultural, 
como lugar de enunciação, de potencializar os movimentos de diferir, ao investir na 
 
58 
 
 
desconstrução de uma identidade fixa, que impede outras possibilidades de ser dos sujeitos. 
Consideramos o ato de educar como espaço de interações entre os sujeitos e, portanto, espaço 
de experiências vividas, de práticas pedagógicas que potencializem a diferença em si, em que 
o sujeito singular emerge por meio de atos de criação. 
Em vez do silêncio produzido pela presunção autossegregadora da política 
de identidade – com sua reinscrição invertida de estereótipos, o caráter dos 
estudos de currículo é comunicativo, comprometido com o encontro 
dialógico através da diferença (PINAR, 2016, p. 39). 
O currículo é território político, no qual as disputas pela significação não cessam. É 
cultura, movimento e diferença; produz novos sentidos, é ato criativo, invenção e, portanto, 
provoca deslocamentos em sentidos hegemônicos, que dificultam o fluxo do diferir. A luta 
política e o debate sobre as políticas curriculares que desenvolvemos neste processo de pensar 
os novos Referenciais Curriculares denunciam as estratégias que tentam domesticar as 
diferenças e, contra todas as tentativas de significar de tal modo, o currículo, com o que e 
como devemos ensinar. 
Como questionaria o caboclo Fanon (2008) ao enfrentar de forma radical os 
limites existenciais impostos pelo racismo/colonialismo no mundo moderno, 
o que são os seres senão um SIM vibrando com as harmonias cósmicas. 
Fechamos com Fanon, Exu e Orunmilá e colocamos como alvo a ser 
descadeirado o processo educativo reivindicado como modo único de 
formação de seres e sustentado pelo paradigma de ensino que opera em favor 
das lógicas coloniais (SIMAS e RUFINO, 2019, p. 35). 
Nesta proposta dos Referenciais Curriculares da Rede Pública Municipal de Educação 
de Niterói, tomamos a decisão de envolver todos os componentes curriculares na discussão 
das relações étnico-raciais, das questões ambientais e dos temas que envolvem os gêneros e as 
sexualidades, afirmando uma proposta curricular inspirada pelo manifesto de Chiapas, que 
defende “um mundo onde todos os mundos tenham o seu lugar” (CANDAU, 2008, p. 47). 
Estes Referenciais Curriculares apostam num projeto de construção de uma educação na qual 
todos os mundos tenham o seu lugar. 
Consideramos que contemplar, no currículo, o tema das relações étnico-raciais, a 
presença da história e cultura dos povos indígenas e dos afro-brasileiros no Brasil, o tema da 
sustentabilidade ambiental, com experiências de quilombolas e indígenas no manejo da terra, 
nos estudos da botânica, na literatura e na etnomatemática, são algumas possibilidades de 
produção curricular e o ato de educar em outras lógicas. Se apostarmos na produção cotidiana 
de um currículo “onde todos os mundos tenham o seu lugar” (Comandante Marcos, Chiapas 
apud CANDAU, 2008, p. 47), assumiremos pensar a produção curricular em diálogo amplo 
 
59 
 
 
com outras lógicas do educar. Educar dialogando com outras epistemologias é possibilidade 
potente de produzirmos currículos na diferença. 
Inserir o tema do gênero e da sexualidade no currículo não é algo novo. Com a 
redemocratização dos anos 80, percebemos a inclusão dos temas relacionados à sexualidade, 
ainda que significados como temas das Ciências, dos Programas de Saúde e da Biologia. Era 
preciso dar o sentido da ciência e do cuidado com o corpo para que o tema fosse inserido nos 
conteúdos curriculares. “Talvez, de tão higienizada, ela nem fosse reconhecida como tal pelos 
corpos que passavam pelo portão” (MACEDO, 2017, p. 31). Nos últimos anos, pudemos 
observar a ampliação dos temas da sexualidade e do gênero e propomos, neste documento, a 
potência de vida e laços presentes na escola, não como um novo componente curricular, mas 
como abertura ao impensável, aquilo que desconcerta, mas nutre de vida e plenitude as 
trajetórias vividas no contexto escolar. 
Noções assentes em outras experiências socioculturais nos apontam diversas 
possibilidades para pensar a existência e as relações com aquilo que 
convencionamos ser o humano e as suas formas de fazer no mundo. 
Perspectivas do ser/saber como o sumakkwsai, noção dos povos andinos 
falantes da língua quícha, otekóporã, próprio dos povos guaranis localizados 
em grande extensão do território latino-americano, o ubunto, assente no 
pensamento dos falantes das línguas advindas do tronco bantu e 
disponibilidades conceituais como Ifá, Exu, iwáeiwápele, presente na 
cosmogonia iorubá, nos apresentam outras rotas fora das coordenadas 
cartesianas edificadas pela dominação moderna-ocidental (SIMAS e 
RUFINO, 2019, p. 33). 
Reconhecemos, na reconexão e reverência às culturas ancestrais e aos povos das 
florestas, a sua significativa produção de conhecimento e cosmovisões quenos inspiram a 
pensar o mundo de outras formas; de perceber, por exemplo, na árvore, nas andorinhas, nos 
rios, possibilidades de estabelecer relações de alteridade com todos os seres, em um 
compromisso moral como futuro planetário. Isso contribui para pensarmos que o ser humano 
não é o centro da natureza, mas parte dela, resgatando a sacralidade e a dimensão subjetiva da 
natureza, presente entre os povos indígenas e nas culturas ancestrais. 
Quando despersonalizamos o rio, a montanha, quando tiramos deles os seus 
sentidos, considerando que isso é atributo exclusivo dos humanos, nós 
liberamos esses lugares para que se tornem resíduos da atividade industrial e 
extrativista. Do nosso divórcio das integrações e interações com a nossa 
mãe, a Terra, resulta que ela está nos deixando órfãos, não só aos que em 
diferente graduação são chamados de índios, indígenas ou povos indígenas, 
mas a todos (KRENAK, 2019, p. 49). 
 
60 
 
 
Nessa direção, reconhecemos, nos projetos instituintes, que potencializam o currículo 
como espaço de criação, um currículo instituinte de sentidos, um currículo que aposta na luta 
pela justiça social e na educação que se produz na diferença, assumindo um projeto de 
educação antirracista e contra todas as discriminações, para lutar pela justiça social, que 
defendemos aqui como o emergir do sujeito singular. E mesmo reconhecendo a incerteza do 
horizonte e a impossibilidade plena de realização de qualquer projeto, apresentamos o melhor 
de nós nesta luta. 
Expressamos sentidos e possibilidades de pensar a produção curricular na Rede 
Pública Municipal de Educação de Niterói, entretanto esta é uma discussão de todos nós que 
se amplia a cada experiência construída e constitutiva da prática educativa. Acreditamos no 
compromisso de cada um de nós, profissionais de educação, na construção de uma proposta 
curricular que se insere no debate constante, comprometida com uma teoria curricular que se 
produz contextualmente e que exige alteridade. 
 
6. A LEITURA LITERÁRIA E A FORMAÇÃO DO LEITOR-AUTOR NA REDE 
PÚBLICA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE NITERÓI 
 
A leitura pulsa em nós desde a tenra idade. Lemos o movimento das folhas das 
árvores, o vai e vem das ondas do mar, as cores do céu, o olhar e os gestos daqueles que 
colorem nossas vidas. Afinal, não se leem apenas letras e livros, lê-se o mundo em toda a sua 
complexidade. Lemos “o verde da manga-espada verde, o verde da manga-espada inchada, o 
amarelo-esverdeado da mesma manga amadurecendo, as pintas negras da manga mais além de 
madura” (FREIRE, 2003, p. 13). Lemos o verde das matas ameaçadas, o verde da bandeira, o 
verde-esperança pintado nos quadros. A noção ampliada de texto que aqui trazemos nos 
conduz a compreender a leitura enquanto produção de sentidos. O ato de ler se descortina em 
nossas experiências por meio das múltiplas linguagens que nos circundam. O clássico texto A 
importância do ato de ler, de Paulo Freire (FREIRE, 2003), mobiliza-nos na defesa pela 
leitura para além das palavras escritas. A leitura, nessa concepção, possibilita-nos uma 
diferenciada relação como outro e com o mundo. 
Na perspectiva da leitura como ato interativo, em que esta pode ser sentida, indagada e 
refletida, encontramos o ato de ler sendo produzido por meio do diálogo entre leitor-texto-
autor. Este entrelace dialógico, em que discursos disputam espaço, pois implica valores 
ideológicos, tensão e diferentes pontos de vista sobre o mundo, pode promover 
 
61 
 
 
desdobramentos de sentidos, além de desencadear no leitor uma “compreensão ativamente 
responsiva” (BAKHTIN, 2011, p. 272). 
Essa compreensão a respeito da leitura ancora-se nos estudos do filósofo Mikhail 
Bakhtin (2006, 2011), para quem o indivíduo, ao ler, o faz como um participante real do ato 
de ler, e não como um leitor passivo. O leitor traz significações externas para o interior do 
texto e produz, explícita ou implicitamente, uma resposta, uma concordância ou objeção ao 
que se lê (SILVA, 2016; MORAIS & SILVA, 2015). 
Perspectivando, portanto, a leitura por esse viés, ressalta-se o processo dialógico-
interativo nas esferas de uso da linguagem e, desse modo, a categoria básica de concepção de 
linguagem de Bakhtin (2006, 2011), a interação verbal, cuja realidade fundamental é seu 
caráter dialógico. O sentido do enunciado se dá por meio de uma compreensão responsiva 
ativa entre sujeitos, a partir da interação. O enunciado se constitui como uma unidade de 
comunicação e significação, inserido em um determinado contexto, podendo ser atualizado 
muitas vezes. A cada nova situação, ganha um novo sentido em função do contexto de 
produção, gerando diversas possibilidades de ressignificação, pois uma enunciação sempre 
pressupõe outras enunciações que a antecederam e que lhe sucederão, visto que ela constitui 
apenas um elo na cadeia da interação verbal. 
Assim, uma enunciação concreta, produzida de modo significativo em um dado 
momento social e histórico, não deixa de atingir os muitos fios dialógicos existentes. 
Qualquer campo de produção da linguagem está repleto de relações dialógicas. O dialogismo 
está no cerne da linguagem, é parte integrante de todo processo de comunicação, conforme 
salienta o filósofo do diálogo, que destaca que toda enunciação, mesmo na forma imobilizada 
da escrita, é uma resposta, não passando de um elo da cadeia dos atos de fala, pois toda 
inscrição prolonga aquelas que a precederam, travando uma polêmica com elas, pois “conta 
com as reações ativas da compreensão, antecipa-as” (BAKHTIN, 2006, p. 99). 
Desse modo, “para que a educação seja de fato um espaço pleno de significados e 
aprendizagens, é importante não esquecer que é na interação com o outro e com o mundo que 
se constrói o conhecimento e se compreende a realidade” (E. M. EULÁLIA DA SILVEIRA 
BRAGANÇA/Parecer, 2020)5. Conforme ressalta Tezza (2003), a palavra só diz, só é capaz 
de produzir sentidos se concebida “em relação”. De igual modo, o sentido só é construído 
 
5
 No decorrer deste documento, serão apresentadas citações de pareceres ou de grupos de trabalho (GTs) 
realizados pelos profissionais em suas Unidades de Educação da Rede Pública Municipal de Educação de 
Niterói. Ressalte-se que todos os pareceres e estudos dos GTs estão disponíveis no Conselho Municipal de 
Educação para consulta. 
 
 
62 
 
 
dialogicamente de forma relacional. Nessa direção, a criação estética demanda então um 
processo constante de busca por sentidos, que estão sempre no encontro com o outro. Sem a 
presença inexorável do outro, não há palavra, não há construção de sentidos. O movimento de 
criação estética, por conseguinte, pressupõe sempre o encontro com o outro. 
Como salienta Tezza (2007, p. 244): “Para Bakhtin, o homem tem uma necessidade 
estética absoluta do outro. Nossa individualidade não teria existência se o outro não a 
criasse”. Temos, portanto, uma dependência constitutiva da alteridade, uma vez que “há uma 
limitação intransponível no meu olhar, que só o outro pode preencher”. Assim, a relação 
dialógica fundamentará todo ato de criação, pois toda arte só se constitui como tal a partir da 
presença de um outro que lhe atribua sentidos, por meio do dialogismo inerente à linguagem, 
uma vez que o significado é construído por meio de uma relação dialógica entre sujeitos. 
Nesse sentido, compreendemos a literatura em seu caráter ético e estético, a partir de seu viés 
alteritário (DALUZ, 2019). 
A significativa contribuição de Bakhtin e sua filosofia da alteridade nos leva a pensar 
sobre a palavra que se constrói no encontro de duas consciências, na/a partir das relações 
sociais. E a literatura se constitui a partir dessa perspectiva. Bakhtin nos inspira a refletir 
sobre a formação de leitores-autores pelo viés da alteridade, da relação com o outro, com o 
mundo e com as palavras nos entremeios dos fiose tramas discursivos, que contribuem 
também para a construção da autoria. 
Compreendemos a autoria a partir de uma concepção de criação, em sua dimensão 
social e alteritária, dialógica, interativa, reflexiva, intertextual, em rede, destacando-se a 
importância do social nesse processo de criação, que se faz e refaz coletivamente, nas 
múltiplas redes de interação. Portanto, independentemente da linguagem utilizada pela 
criança, devemos “reconhecê-la como autora de suas próprias histórias, compositora de seus 
ritmos e criadora do belo quadro de suas artimanhas, num constante fluxo do movimento de 
suas indagações e inquietações” (UMEI ANTÔNIO VIEIRA DA ROCHA/Parecer, 2020). 
Kramer (1993) enfatiza a vertente humana da autoria quando afirma que 
[...] ser autor significa dizer a própria palavra, cunhar nela sua marca pessoal 
e marcar-se a si e aos outros pela palavra dita, gritada, sonhada, grafada... 
Ser autor significa resgatar a possibilidade de “ser humano”, de agir 
coletivamente pelo que caracteriza e distingue os homens... Ser autor 
significa produzir com e para o outro... (KRAMER, 1993, p. 83). 
A função do educador é chamar os alunos para a autoria e para o desejo de 
conhecer/aprender. “Acreditar e confiar que a criança pode aprender é o primeiro passo para 
 
63 
 
 
que ela conquiste sua autonomia e por consequência a sua autoria de pensamentos” (UMEI 
PROFESSOR IGUATEMI COQUINOT DE ALCÂNTARA NUNES/Parecer, 2020). A 
autoria, portanto, não constitui um ato individual, mas pressupõe a alteridade, a produção de 
um enunciado que caminha para e com o outro. Criar é um ato ético e estético. Nesse sentido, 
Larrosa (1996) nos convoca a pensar que a íntima relação estabelecida entre o texto e a 
subjetividade resulta na leitura como formação, gerando experiência. Leitura que se tece e 
(entre)tece na troca, na interação e interlocução com o outro, com o texto, em um movimento 
dialógico. Trata-se de pensar a leitura como “algo que nos forma (ou nos de-forma e nos 
trans-forma), como algo que nos constitui ou nos põe em questão naquilo que somos” 
(LARROSA, 1996, p. 133). 
Pensar a leitura e a autoria por esse viés implica concebê-las como um processo que se 
relaciona com a subjetividade do leitor. Não somente com aquilo que o leitor sabe, mas, 
sobretudo, com aquilo que ele é. O papel formativo da leitura representa construção de 
sentido, relação de significação entre texto e leitor que o faz ser capaz de pensar, de se ver 
para além de si mesmo. É relação subjetiva e profunda com o texto lido. Compreender a 
leitura como processo formativo implica militância, na tentativa de desnaturalizar práticas que 
podem ser esvaziadas de sentido e/ou ter o tom de controle, autoritarismo, cerceamento e 
emudecimento de vozes. 
Diante disso, ciente da importância da leitura como um meio de crescimento 
individual e coletivo, a escola configura-se como um espaço fundamental de desenvolvimento 
da leitura enquanto experiência (BENJAMIN, 1994). Afinal, coadunamos com a ideia de que 
“a presença do livro e outros materiais onde a escrita está presente fará parte do repertório de 
experiências” (UMEI ANTÔNIO VIEIRA DA ROCHA/Parecer, 2020). A leitura tem o poder 
de transformação, apresenta mundos e realidades outrora desconhecidas, abre caminhos, olhos 
e consciências, afasta as cortinas do mundo e nos faz sentir partes integrantes deste espetáculo 
que é a vida. 
Desse modo, faz-se imprescindível ressaltar a importância da leitura na vida dos 
educandos, porquanto eles precisam, desde cedo, ter acesso aos livros e a diversos materiais 
escritos. Esse encontro acontece, na maioria das vezes, no ambiente escolar, pois, para muitos 
de nossos alunos, a escola torna-se o local privilegiado de encontro com o texto literário. 
Portanto, “o livro precisa ser manuseado, lido, relido, ‘amassado’, consumido. Um livro 
fechado, em cima de uma prateleira é só um monte de papel cheio de poeira e ácaros. Um 
livro aberto na mão de um leitor é a entrada em um universo de possibilidades sem sair do 
 
64 
 
 
lugar” (UMEI PROFESSOR IGUATEMI COQUINOT DE ALCÂNTARA NUNES/Parecer, 
2020). 
Defendemos a presença da literatura, enquanto experiência, desde o início da 
Educação Infantil até o final do Ensino Fundamental. Concordamos que os livros literários e 
de diferentes gêneros precisam ser disponibilizados pelas instituições, tanto para uso no 
próprio espaço escolar, quanto para empréstimo responsável para as crianças e suas famílias. 
Os livros ainda se constituem como artigos de difícil acesso para uma parcela da população 
brasileira. “A escola, desse modo, poderá agir como mediadora entre as crianças, as famílias e 
os livros, fomentando contextos de leitura” (E. M. JOÃO BRAZIL/Parecer, 2020) em todos 
os componentes curriculares, como uma leitura que gere reflexão, fruição, que exista para 
além do momento em que foi realizada, que se converta em experiência. 
A leitura constitui um elemento essencial na formação do aluno, pois é capaz de levá-
lo a desenvolver a reflexão e a capacidade crítica, sendo também uma prática que contribui 
para o processo de reconhecimento de si mesmo e do outro. A leitura, mais do que um mero 
exercício que desenvolve o nível intelectual do indivíduo, possibilita a ampliação da leitura de 
mundo, o crescimento interior, a vivência de diferentes experiências que aguçarão emoções e 
sentimentos. Por meio da leitura, o ser humano não só adquire conhecimento, como também 
pode transformá-lo, em um processo contínuo de construção e aprimoramento. Ler é criar 
uma teia de sentidos que se diferencia de leitor para leitor, é interagir com o texto e lhe 
atribuir sentidos, em um contínuo processo dialógico. 
A leitura, assim, está associada à criação, à interação, à multiplicidade de sentidos e, 
portanto, contribui para o desenvolvimento da reflexão e da capacidade crítica do sujeito, não 
podendo ser concebida como prática mecânica de decodificação. Ler não se associa à 
passividade e à aquiescência, mas refere-se à partilha, à interação, à atribuição de sentidos, ao 
processo de tecer argumentos e pontos de vista, à revisão de conceitos e quebra de 
preconceitos. A leitura traz respostas, mas também faz nascer novas perguntas, amplia a 
percepção, aguça o olhar, sensibiliza. 
E o professor, também ele leitor-autor, mediador nesse processo de formação, buscará, 
por meio da literatura, independentemente da etapa de ensino e do componente curricular com 
o qual esteja trabalhando, contribuir com a formação crítica que vise à “autorização” dos 
sujeitos e ao aprofundamento de suas leituras, que possibilite que esses sujeitos escrevam e se 
inscrevam no mundo, ética e esteticamente. 
Assim sendo, compreende-se que a leitura e seus sentidos não se encontram nem no 
texto, nem fora dele, mas na relação, no processo de interação que se estabelece entre aquele 
 
65 
 
 
que escreve e aquele que lê, mediado pelo texto e, nesse processo, entram em cena, também, 
outros mediadores, bem como outros sujeitos que podem compor as interações de leitura: 
professor-educando, educando-educando, educando-bibliotecário etc. Dessa forma, é 
importante destacar que o trabalho com a literatura não está restrito apenas ao planejamento 
do professor de língua portuguesa, do professor da Sala de Leitura e daqueles cuja atribuição 
está mais explicitamente direcionada ao texto literário. A leitura é uma responsabilidade de 
todo professor. A literatura refere-se à vida e é um direito inalienável do sujeito (CANDIDO, 
1989). A leitura é um ato político, ético e estético, e nossa função enquanto escola pública 
direciona-se à formação de leitores-autores críticos, reflexivos e conscientes de seu papel 
social no contexto em que vivemos e atuamos. 
A literatura infantil precisa estar presente entre as crianças desde os primeiros anos de 
vida. A criança, desde cedo, já demonstra interesse em ouvir a leiturade um poema ou uma 
história bem contada, em manusear um livro bem ilustrado. A literatura tem o poder de 
despertar o encantamento, trabalhar o imaginário, sensibilizar, mobilizar o mundo interior do 
indivíduo. Defendemos, portanto, a presença do texto literário desde a creche. Salutto (2017) 
salienta que a Educação Infantil pode ser um lugar de liberdade para se ter acesso à cultura 
escrita, para vivê-la ampla e plenamente. E pensar a leitura literária na Educação Infantil 
significa “compreendê-la como um lugar de relações, de brincadeiras, de produção de sentido, 
de conhecimento de si e do outro, de constituição da subjetividade, de ampliação das 
experiências e, também, de imersão na cultura escrita”, sem o propósito de alfabetizar. Nessa 
direção, acreditamos que a literatura precisa estar presente na Educação Infantil como relação, 
troca, ampliação, jogo, ludicidade, imaginação, criação (SALUTTO, 2017, p. 28). 
A contação de histórias é muito apreciada por nossas crianças, nas rodas de 
leituras propostas pelas professoras nas salas de atividades ou na nossa 
biblioteca, os olhos brilham diante da magia dos enredos que vão se 
desenrolando. E é nesse contato com o universo literário que vão sendo 
instigados pelo gosto da escrita. Vão sendo apresentados ao mundo letrado. 
De modo que alguns, espontaneamente, formulam suas primeiras hipóteses 
sobre a escrita (UMEI ANTÔNIO VIEIRA DA ROCHA/Parecer, 2020). 
Que os livros de literatura e as histórias estejam presentes em todas as escolas, 
acessíveis a todos os alunos, desde os menores até os leitores mais experientes. Que os 
professores e também as crianças contem histórias. Que as narrativas e a contação de histórias 
sejam recorrentes nas diversas etapas de escolarização. A contação de história é a arte de 
narração oral capaz de instigar a imaginação, a criatividade e a oralidade tanto em quem conta 
 
66 
 
 
quanto em quem ouve a narrativa. Além disso, pode enriquecer a leitura de mundo na 
trajetória de cada indivíduo, contribuindo para a formação docente e discente. 
A literatura trabalha a percepção, o aprofundamento da sensibilidade. Almejamos uma 
escola que eduque para a sensibilidade, uma educação que valorize todos os sentidos, que em 
todo o processo de ensino-aprendizagem, independentemente da etapa de escolarização, 
evidencie-se o sentir (DALUZ, 2019). O texto literário se fará presente em qualquer 
componente curricular, impregnando de figuras de linguagem, de sentidos conotativos e 
metáforas a existência, promovendo um desvendamento do olhar. Cavalcanti (2002) entende 
que o texto literário é constituído por uma grande metáfora e que “o sentido metafórico é 
aquele que remete sempre ao sentido anterior, portanto ao significante e, então, apreendemos 
a escritura como algo que gera possibilidades”. Nessa direção, afirma a autora, o sujeito que 
lê “torna-se capaz de viver uma vida simbólica mais rica, fazendo da realidade concreta um 
palco para vivências significantes” (CAVALCANTI, 2002, p. 25). 
Já que o sujeito é autor e o ator principal no processo da experiência, é 
preciso considerar, em uma sociedade, a diversidade que a constitui e as 
idiossincrasias de cada indivíduo que compõe este conjunto. Além das 
questões sociais, econômicas e históricas, existem outros dados importantes 
no ser humano: seus sentidos, suas percepções, sua criatividade, suas 
reflexões etc. Este ser não pode ser visto como uma forma simples, mas sim 
como uma trama de complexidades que precisam ser observadas, analisadas 
e respeitadas (E. M.VILA COSTA MONTEIRO/Parecer, 2020). 
Eliana Yunes e Glória Pondé (1988) afirmam que a literatura assume um papel 
político muito mais amplo, deixando de ser mero sinal de erudição para “contribuir para a 
formação do pensamento crítico e atuar como instrumento de reflexão, uma vez que pode 
questionar, através de sua linguagem, a hegemonia do discurso oficial e o consenso 
estabelecido pela ideologia dominante” (YUNES & PONDÉ, 1988, p. 37). Desse modo, 
compreendemos a “força democratizadora da leitura”, sabendo que a literatura influencia não 
apenas o aprendizado linguístico, mas contribui para o desenvolvimento da criticidade, da 
busca por respostas divergentes do senso comum, o que significa trabalhar o imaginário, a 
criatividade sobre o uso da linguagem e também para a vida, a ampliação do olhar, a criação 
de outras perspectivas, o pensamento divergente, a luta por justiça social. 
A partir de nossas experiências, cremos que “a criança que ouve literatura se apaixona 
pela leitura e pela escrita. Logo, o professor tem que ser leitor. Devemos olhar para a 
literatura como um tesouro” (E. M. SEBASTIANA GONÇALVES PINHO/Parecer, 2020). A 
literatura nos auxilia no processo de formação do leitor crítico, aquele que não é apenas um 
decifrador de sinais, um decodificador de palavras, mas alguém capaz de decifrar a palavra 
 
67 
 
 
enquanto signo ideológico, ler a sua própria história, os implícitos e as entrelinhas da História. 
A arte nos leva a questionar o mundo: 
Questionamos em nossa prática as narrativas oficiais e a configuração 
eurocêntrica no mundo da Arte, desnaturalizando esses discursos e práticas 
dominantes e excludentes. Percebemos e refletimos sobre as contribuições 
das Artes para a construção de nossa identidade e memória. É preciso 
valorizar artistas e explorar práticas curatoriais e artísticas que questionem e 
os legados coloniais na Arte. Um dos propósitos da Arte é criar a noção de 
senso estético, despertar a sensibilidade e ser um meio de expressão do que 
habita no mundo interior dos indivíduos, seus anseios, sonhos, medos, 
percepções sobre a vida, sobre si e os demais (E. M. PROFESSOR ANDRÉ 
TROUCHE/Parecer, 2020). 
Sendo assim, a literatura evoca a multiplicidade de vozes que ecoam, e as narrativas 
concebidas pelas crianças reafirmam que “uma única história definitivamente não pode dar 
conta das nossas histórias” (UMEI HERMÓGENES REIS/Parecer, 2020). Que a escola seja 
um espaço de circulação de histórias, que estas estejam sempre presentes no cotidiano escolar, 
ocupando os diversos espaços-tempo de aprendizagem, e que nos sirvam para questionar as 
próprias narrativas que nos são impostas, afinal: 
As histórias importam. Muitas histórias importam. As histórias foram usadas 
para espoliar e caluniar, mas também podem ser usadas para empoderar e 
humanizar. Elas podem despedaçar a dignidade de um povo, mas também 
podem reparar essa dignidade despedaçada (ADICHIE, 2019, p. 32). 
 
7. EDUCAÇÃO AMBIENTAL 
 
A Educação Ambiental é garantida pelo artigo 1º da Lei 9.795, de 27 de abril de 1999, 
que institui a Política Nacional de Educação Ambiental, devendo estar presente em todos os 
níveis e modalidades do processo educativo em caráter formal e não formal. A política ainda 
apresenta como princípios o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo, o 
pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, a vinculação entre a ética, a educação, o 
trabalho e as práticas sociais. Determina como objetivos fundamentais, no artigo5°, o 
desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e 
complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, 
econômicos, científicos, culturais e éticos. 
Vale ressaltar que educação e ambiente são conceitos completamente articulados, 
podendo-se dizer que não há educação que não seja ambiental, já que, se não houver 
 
68 
 
 
ambiente, não há educação. Além disso, como humanos, somos também natureza, somos 
também ambiente e temos um duplo nascimento: o biológico/natural e o social (PINO, 1999). 
A cada dia que passa, a Educação Ambiental torna-se mais importante no contexto 
mundial, haja vista a inserção das sociedades em uma dinâmica autodestrutiva, que se dá, 
muitas vezes, por falta do conhecimento adequado e pela própria apropriação de um sistemaque promove o finito; um sistema socioeconômico que não dialoga com os pressupostos 
básicos de um ambiente e sua qualidade. A preocupação com o meio ambiente envolve 
principalmente mudança de hábitos e comportamentos, caso contrário, jamais seremos 
agentes transformadores comprometidos com a melhoria consciente do espaço em que 
vivemos. 
A importância do debate e da temática ecológica (ação predatória, destruição 
planetária x sustentabilidade), bem como a formação escolar sobre este assunto tão 
imprescindível no momento, devem ser trabalhadas de forma sistemática para que seja 
possível uma transformação dos olhares e práticas presentes e futuras. Nós temos que atuar 
nas instituições existentes, impulsionando-as dialeticamente na direção dos novos objetivos 
(SAVIANI, 2013). 
Estamos inseridos em uma lógica na qual, por muito tempo, as questões ambientais 
permearam discussões de cunho conservacionista, o que acabou por não gerir a humanidade 
de forma crítica acerca do ambiente e este ser compreendido em sua esfera tanto dinâmica 
quanto sistêmica. 
Com o advento da Revolução Industrial e o vertiginoso crescimento dos processos de 
produção, de tecnologias e aberturas de mercados, presenciaram-se e presenciam-se, a cada 
instante, também novos modelos de sociedade, em que se organizam e se reorganizam para 
atender às novas realidades e demandas. Os seres humanos, nesta perspectiva, passam, então, 
a assumir um novo adjetivo que, por muitas vezes, acaba se tornando até mesmo um 
substantivo. Os seres humanos, hoje, são chamados de consumidores, ou seja, são objetos de 
interesse do mercado, que amplia, cada vez mais, a destruição do ambiente e cria esferas 
envolventes para se acreditar que as pessoas, leia-se consumidores, precisam ter o que na 
realidade não precisam, apenas para fomentar seus interesses, riquezas e promover o 
desequilíbrio entre a sociedade. 
Nesta nova fase, percebe-se um enorme desapego que, outrora, permeava as relações 
entre homem e natureza: o cerne do respeito, que se concentra o direito de ser e de existir. Na 
nova realidade, o dominar o ambiente ecoa sem preocupações significativas nos 
 
69 
 
 
desdobramentos e, com isso, os impactos são os mais devastadores possíveis, principalmente 
quando se compreende que o ambiente trata de vida. 
A produção de resíduos aumenta substancialmente, os espaços vão sendo suprimidos, 
a ocupação e o uso do solo ganham novas dimensões, o ar e a água ficam cada vez mais 
poluídos, ações políticas desbravam para um ecogenocídio, não se respeitam as 
individualidades, as diversidades dos povos, culturas e gerações, os seres humanos vão 
caminhando sem olhar para as pegadas que estão deixando e que implicarão, cada vez mais, a 
própria dinâmica do existir. Abandona-se o ouvir os outros, as tradições que, por séculos, 
foram construídas e passadas para os que chegavam, em detrimento do domínio dos espaços 
e, consequentemente, das naturezas presentes. O lugar do outro não importa mais, as diversas 
manifestações culturais e identitárias não se aplicam se não couberem em um sistema rígido 
de um desenvolvimento desigual e combinado. 
Em um momento em que se privilegia a cultura das monoculturas nos campos, busca-
se formar também uma monocultura de pensamentos, na qual o que é real para todos que 
promovem a mega sociodiversidade, que enriquece e enobrece as dinâmicas ambientais por 
conta do enorme acervo de conhecimentos acumulados por meio das experiências, não é 
respeitado. O que passa a ter respeito são os interesses individuais e as especulações, que 
acabam por fomentar os abismos existentes entre as pessoas e a natureza. Quando falamos 
com o outro, pensamos em toda a biodiversidade que nos cerca. Entendemos que não somos 
dominadores dessa biodiversidade, mas sim parte integrante desse todo, que precisamos estar 
em um constante equilíbrio. Essa falta do outro acaba promovendo o aumento dos 
desequilíbrios que vivenciamos. 
Ainda no século presente, emerge um conceito que, para muitos, surge como uma 
possibilidade de mudança e, para outros, como mais uma forma de promover-se diante do 
sistema para fomentar ainda mais os abismos da sociedade e do ambiente, o conceito de 
desenvolvimento sustentável. 
É fato que se deve pensar no desenvolvimento sem que se comprometam as gerações 
futuras, mas o uso do discurso não pode ficar no campo das falácias. Ao tratarmos de temas 
que envolvem propostas sobre as questões ambientais, quase sempre emergem discussões e 
trabalhos ligados à reciclagem, porém cabe problematizarmos diversas questões assim como 
esta, para além do óbvio, do que é perceptível, como nesse caso, para além do 
reaproveitamento de materiais, pois a reciclagem e o reaproveitamento têm seu limite de 
afetação como resposta ao desequilíbrio. As ações precisam ser reais e ter dimensões com 
 
70 
 
 
significado para os envolvidos. A gestão e a fiscalização devem existir para garantir a 
aplicabilidade do conceito. 
Torna-se urgente a conscientização de que o desenvolvimento não pressupõe a 
degradação ambiental e de que o ser humano também é ambiente. Só assim se corrobora para 
o entendimento do ambiente de forma global. Para que esse entendimento de fato permeie o 
cotidiano, a abordagem crítica na Educação Ambiental se torna fundamental, pois contribui 
para uma reflexão ampliada ou, como ainda nos traz Loureiro (2004), promove o 
questionamento às abordagens comportamentalistas, reducionistas e dualistas no 
entendimento da relação cultura-natureza, como meio de se alcançarem mudanças efetivas 
para as questões socioambientais. 
A Educação Ambiental Crítica é reconhecida também por uma educação ambiental 
transformadora em contrapartida àquelas de caráter conservacionista ou tradicional, que já 
não acompanhavam as transformações necessárias à nova sociedade do século XXI e da crise 
ambiental que está posta. 
Vale ressaltar que tais mudanças necessitam emergir com força, sobretudo em tempos 
em que questões ambientais, além de perpassarem o cotidiano, desdobram-se em 
respostas/impactos cada vez mais intensos, ocasionando inclusive perdas e danos. É 
necessário que a sociedade não esteja distanciada nem das discussões, nem das pesquisas, 
para que, com a compreensão efetiva, possa criar e reivindicar atitudes que minimizem efeitos 
negativos e potencializem os positivos. 
Assim, a Educação Ambiental corrobora para que a compreensão acerca de temáticas 
que implicam direta e indiretamente o cotidiano ganhem proporções com sentido e possam ser 
transformadoras. Apenas com significado, o cotidiano dos alunos passa a ser objeto de análise 
e passível de transformações que gerem valor e desenvolvimento de autonomia. 
Pensar nos espaços e nas relações neles estabelecidas é oportunizar uma amplitude dos 
olhares. Dessa forma, o aluno começa a questionar onde está inserido e por que o lugar se 
encontra de determinada forma. Assim, os espaços escolares surgem como mola propulsora 
de análise a partir de suas áreas verdes ou da inexistência delas, do chão gramado ou da 
inexistência dele, dos recipientes corretos para descarte de resíduos ou da falta deles, entre 
outros. É importante que o aluno dialogue com o ambiente no qual está inserido, questione e 
busque possibilidades de diálogo e ações para possíveis transformações. 
Os espaços escolares que desenvolvem a educação ambiental desde a Educação 
Infantil geram crianças, jovens e adultos conscientes, podendo dialogar a partir da 
compreensão dos ambientes vividos e percebidos. Sendo assim, cidadãos preparados 
 
71 
 
 
ambientalmente para agir no mundo podem corroborar para a minimização dos desastres, pois 
os riscos seriam percebidos. Isso nos leva a pensar em “mudanças de paradigmas”, temas 
pertinentes, novas concepções e práticas educativas que venham dar conta do atual contexto 
em que vivemos. 
É preciso estar em sintonia com as mudanças,em busca de uma maior consciência do 
ser humano num amplo e diverso mundo. Capacitar-nos e dialogarmos mais com senso ético, 
de valores universais de preservação e complementaridade, ou até mesmo de resolução de 
erros individuais e coletivos, no sentido de aprender, ensinar e conhecer a nós mesmos, o 
nosso mundo e de buscar uma vida social mais sustentável e cidadã. 
 
7.1 Educação em riscos ambientais 
 
Os riscos exprimem toda a complexidade da sociedade contemporânea em seus 
diferentes embates e natureza (MARANDOLA e HOGAN, 2003). Constituem-se em fatores 
que propiciam a iminência de um possível acidente ou desastre e podem ser definidos como 
objetos sociais, pois não há risco sem uma população ou indivíduo que o perceba e que possa 
sofrer seus efeitos. O risco é a tradução de uma ameaça, de um perigo para aquele que está 
sujeito a ele e o percebe como tal, é a combinação de frequência e consequência de eventos 
indesejáveis envolvendo perdas e danos, segundo Rocha (2006). 
Os riscos ainda são definidos como a possibilidade de ocorrência de acidentes, com 
consequências sociais e econômicas (CERRI e AMARAL, 1998) em função da presença de 
um perigo, sendo este compreendido como condição ou fenômeno de ameaça à vida humana, 
saúde, propriedade ou elementos da natureza, trazendo consequências danosas (FERNANDES 
e ROCHA, 2007). São definidos a partir de escalas ou hierarquias de probabilidades e de 
graus/níveis de aceitabilidade de ocorrência dos eventos perigosos, na tentativa de classificar 
áreas com níveis maiores ou menores. 
O acidente, ao contrário do conceito de risco, é um fato já ocorrido, constitui um 
evento repentino, imprevisto (LOURENÇO, 2007), não intencional, que pode causar 
ferimento, perdas e danos materiais e/ou ambientais (FERNANDES e ROCHA, 2007), 
limitados no tempo e no espaço (LOURENÇO, 2007) e representa colapso da combinação 
perigo e risco. 
 A importância de se abordar e estudar a questão dos riscos ambientais tornou-se tão 
fundamental quanto à preservação da vida, já que a existência dos seres humanos na biosfera, 
 
72 
 
 
em muitos casos, depende de seu entendimento para lidar com processos naturais. O número 
de pessoas residindo em áreas de riscos ambientais apresenta vertiginoso aumento, sobretudo 
em áreas urbanizadas, como é o caso das principais cidades brasileiras, em especial, nas 
regiões metropolitanas. A BBC BRASIL (2003) aponta que o Brasil é o país do continente 
americano com maior número de pessoas afetadas por eventos de ordens ambientais. Os 
riscos ambientais já se subdividem em classes e subclasses, sendo: riscos sociais, riscos 
tecnológicos e riscos naturais. 
Os riscos sociais se apresentam colocando o homem em destaque, pois não é mais 
compreensível vê-lo apenas como parte do ambiente. O homem é ambiente em constante 
troca de energia, confirmando, assim, a teoria geral do sistema, trazida por Christofolleti em 
1979. O risco social emerge como resultante de carências sociais que contribuem para uma 
degradação das condições de vida da sociedade (CASTRO et al., 2005). Aborda guerras, 
assaltos, sequestros, atentados e outros que se apresentem dentro da mesma ótica. Castro et al. 
(2005) ainda apresentam outra perspectiva, onde buscam a compreensão de necessidades 
coletivas essenciais que vão desde infraestrutura, condição de habilidade, saneamento básico 
até a condição e a existência de emprego, entre outros. 
Os riscos tecnológicos compreendem a presença de três fatores interligados: os 
processos de produção (recursos, técnicas, equipamentos, maquinário); os processos de 
trabalho (relações entre direções empresariais e estatais e assalariados) e a condição humana 
(existência individual e coletiva, ambiente), de acordo com Sevá Filho (1988). Nessa 
perspectiva, entende-se que os riscos tecnológicos resultam da ação direta ou indireta de 
atividades industriais e processos produtivos associadas à condição e situação humana. De 
forma a exemplificar, os riscos tecnológicos trazem à luz da reflexão os vazamentos de 
produtos tóxicos, radioativos, construções de barragens, entre outros. 
Os riscos naturais fazem parte da própria dinâmica da natureza, ou seja, continuarão a 
ocorrer. Porém, com a intensificação de atividades antrópicas, muitos desses riscos podem ser 
acelerados e/ou potencializados pelas alterações decorrentes do uso e ocupação do solo. Os 
riscos naturais subdividem-se em: riscos físicos, relacionados às questões atmosféricas 
(furacões, secas, tempestades, granizo etc.), questões hidrológicas (enchentes e inundações) e 
questões geológicas (terremotos, atividades vulcânicas, tsunamis, movimentos de massa, 
erosão, colapsos de solo etc.) e riscos biológicos às questões associadas à fauna e à flora. É 
importante a compreensão de que um mesmo tipo de fenômeno natural pode ocasionar 
impactos negativos e riscos com níveis diferentes sobre a população. 
 
73 
 
 
Faz-se necessário e urgente ampliar a discussão acerca da temática e, dentro desta 
premissa, as escolas se tornam lócus privilegiado para tal ação. Os docentes, além de terem a 
facilidade das múltiplas linguagens para atingir diferentes faixas etárias e saberem como 
conduzir o processo de forma significativa para alcançar os objetivos junto aos alunos, podem 
favorecer uma educação pautada nos riscos que podem surgir do ambiente e assim mitigar, 
através da cultura de prevenção, tanto a degradação ambiental quanto a minimização de 
perdas e danos. 
Educar é um ato político, pois, ao assumir o compromisso com o outro, estamos no 
processo de construção deste, para que possa ser sujeito da sua história e do seu processo de 
aprendizagem, fazendo a leitura do mundo, devendo compreender ações que possibilitem a 
construção de autonomia, para que a educação seja também uma forma de intervenção no 
mundo (FREIRE, 1996). Nessa perspectiva, compreender a educação passa necessariamente 
por entender a dimensão da vida e das relações que se estabelecem. Dessa forma, 
compreende-se que a educação para riscos ambientais, além de necessária por tudo que já fora 
exposto, é também parte do processo de emancipação dos sujeitos, da formação de atores 
críticos e reflexivos na construção do seu existir e de onde estão inseridos. 
Podemos, então, ressaltar que a Educação Ambiental atua diretamente na busca de 
atitudes positivas para o cuidado com o ambiente e o próprio existir. Assim sendo, oferece 
parâmetros para a busca de estratégias educativas. Pensar na Educação Ambiental e ampliar 
sua discussão para uma educação para riscos ambientais junto à comunidade escolar podem se 
tornar um importante agente social no trabalho de uma cultura de prevenção e transformação. 
Pode ainda levar ao entendimento do ambiente em suas mais variadas complexidades, 
contribuindo para a formação de um cidadão consciente da realidade que o cerca e a 
possibilidade de um futuro diferenciado para as gerações futuras no que tange às questões 
socioambientais. 
 
8. TECNOLOGIAS NA APRENDIZAGEM 
 
8.1 Sociedade contemporânea 
 
Desde a transformação das formas de ser e estar no mundo propiciadas pelo 
surgimento e pelo desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação, incluindo 
as mídias digitais, vários termos foram cunhados na busca por identificar e compreender as 
 
74 
 
 
mudanças proporcionadas por essa evolução. Intitulada na Sociologia como sociedade pós-
industrial6 e em outros momentos como era da informação7, que Lévy (1999) apresenta com 
o codinome de cibercultura e Castells (2000) denomina como sociedade em rede, mas que, 
desde os anos 80, já se apresentava como uma grande mudança nunca antes vista: a era da 
comunicação e da informação. 
Castells (2000) compreende as tecnologias de informação e comunicação como uma 
forma de linguagem que propicia novas percepções, trocas e identidades, considerando, assim 
como Lévy (1999, p. 17), “não apenasFrangella/UERJ 
 Prof. Dr. Roberto Marques/UFRJ 
Prof.ª Dra. Sandra Escovedo Selles/UFF 
Prof. Dr. Thiago Ranniery/UFRJ 
Prof.ª Dra.Vera Vasconcelos/UERJ 
Prof.ª Dra. Walcéa Barreto Alves/UFF 
Prof. Dr. Wilson Cardoso Júnior/UFRJ 
 
Grupos de Trabalho / Professores da Rede Pública Municipal de Educação de Niterói 
 
ARTE 
Eires Melo da Silveira (Coordenador – 3º e 4º Ciclos) 
Fernanda F. Marques Silva (Coordenadora – 1º e 2º Ciclos) 
Ana Carolina Senos E Santos 
Ana Catarina M. C. M. Portugal 
André Luiz da Costa Valim 
Andrea Santos Alves 
Cristiane Rodrigues 
Fábio Silva Guimarães 
Isabella Ferreira Siqueira 
Lisiane de Aguiar Tavares 
Marcelo Inagoki Rodrigues 
Máslova T. Valença 
Paola Queiroz de Figueiredo 
Samuel Barreto 
 
CIÊNCIAS 
Ana Regina de L. P. Peixoto (Coordenadora – 1º e 2º Ciclos) 
 
 
 
Camilla Ferreira Souza Alô (Coordenadora – 3º e 4º Ciclos) 
Camile Mizumoto 
Carmen Pazoto 
Cristiane M. Ferreira 
Daratilde B. Santana 
Deise Fernandes Santos Almeida 
Felipe Carvalho de Oliveira 
Geisa da Silva Capistrano 
João Ricardo Assis 
Kelly M. Leal 
Stella Maris B. S. Kisse 
Thiago Machado da Silva 
 
EDUCAÇÃO AMBIENTAL 
Juliana Martins de Souza (Coordenadora do NAI) 
Camilla Ferreira Souza Alô 
Carmen Edith Pazoto Mauricio 
Carolina da Silva Ribeiro 
Cristiane Menezes Ferreira 
Fernando Fortunato Faria Ferraz 
Janaina Silva de Souza 
João Ricardo Assis da Silva 
 João Carlos Moreira Tristão 
Kelly Mauricio Leal 
Letícia D'Amato dos Reis Grigorovski 
 Maíra Jansen Olinisky 
Márcia Cristina Palmar de Rezende 
Márcia Cristina Soares de Moura Victorino 
Renato do Nascimento Moser 
Silvia Mauricio Leal 
Thiago Machado da Silva 
 
 
 
 
EDUCAÇÃO FÍSICA 
Lucia Regina Bessa Voss (Coordenadora – 3º e 4º Ciclos) 
Marise S. C. Fazziola Mendel (Coordenadora – 1º e 2º Ciclos) 
Alexandre Marques da Costa 
Aline Fernandes Louzada 
Analice Antunes da Fonseca 
Andressa Brasil Barbeito de Paula 
Antonio Florêncio Braga Monteiro 
Cecília Silvano 
Diogo Oliveira Gomes 
Cristovão Elba Mattos Silva Fernandes 
Gustavo Oliveira dos Santos 
Gutemberg Barros de Moura 
Jordão Bruno Neto 
Júlio César Araújo da Silva 
Laertes Paixão 
Luciana Dantas R. Moreira 
Luciana dos Santos Aguiar Tavares 
Lucineide Vieira Drolhe da Costa 
Luiz Felipe Martins Valladão 
Marcelo Luiz de Souza 
Marlon Torquato de Souza Mattos 
Michelle Rodrigues Ferraz Ramos 
Paulo César Nayfeld Granja 
Ramon Diego Moura Tinoco 
Renata de Melo Cardoso Palmares 
 Renata Fernandes Ramos 
Renato do Nascimento Moser 
Sandra Souza dos Santos 
Silvia Maria Lyrio Figueira Rodrigues 
Soyane de Azevedo Vargas do Bonfim 
 Thiago Coqueiro Mendonça 
 
 
 
 
GEOGRAFIA 
Luciano Palmares de Souza (Coordenador – 3º e 4º Ciclos) 
Nanaíra da Silva Ferreira (Coordenadora – 1º e 2º Ciclos) 
Angélica Quintanilha J. Devillart Lemos 
Aparecida Abreu Ferreira da Silva 
Carlos Alexandre Turque Duarte 
Helena de Oliveira Silva 
João Carlos M. Tristão 
Juliana Martins De Souza 
Márcia Cristina Palmar 
Raphael e Silva Girão 
Solange Tubino 
Vanderlei Silva Ferreira 
 
HISTÓRIA 
Karyne Alves Santos (Coordenadora – 1º e 2º Ciclos) 
 Renato Luna (Coordenador – 3º e 4º Ciclos) 
Aline de Almeida Hoche 
Andreia Coutinho de Andrade Fonseca 
Dilma Eunice Marques Silva 
Hugo M. Rosa e Silva 
Lilian Germano Guimarães 
Marcele Moreira de Castro 
Marcelo Ramos Duarte 
Maria Lucia Cunha do Carmo Lannes 
Raphaela de Almeida Santos 
Rosiléa Silva Faria 
 
LÍNGUA ESTRANGEIRA 
Adjomara Leitão de Souza (Coordenadora – 1º e 2º Ciclos) 
Ana Paula Fernandes (Coordenadora – 3º e 4º Ciclos) 
 
 
 
Patrícia B. de Oliveira Feitosa (Coordenadora – 3º e 4º Ciclos) 
Alice Piza Reis Elizeu 
Amanda A. Siqueira Moritz 
Ana Carolina da Silva Pinto 
 Bárbara Cristina de Abreu 
Carolina Ecard Barros 
Cíntia de Andrade N. Miranda 
Fátima Lopes do Amaral Lutfy 
 Gabrielle O. R. Martins 
Isabella S. G. Pereira 
Jessica Natarelli 
Luciana C. H. Bastos 
Luciano do Amaral Silva 
Thábata Christina Gomes de Lima 
Valéria Teixeira Leite 
Vanessa de A. B. A. Pereira 
 
LÍNGUA PORTUGUESA 
Fernanda de Araújo Frambach (Coordenadora – 1º e 2º Ciclos) 
Letícia Fernandes Franco (Coordenadora – 3º e 4º Ciclos) 
Adriana Teixeira Lima 
Alessandra dos Santos Mendes Oliveira de Souza 
Alex Sandro Lins Ramos 
Angela Bittencourt Machado 
Angélica Araújo da S. Affonso 
 Daianne Ribeiro 
Fabiana Botelho dos Santos 
 Fernanda de Souza Lima 
Homero dos Santos 
Janaína S. Souza 
Julie Francine S. Braga 
Luana Rodrigues Machado 
 
 
 
Márcia Luzia Cardoso Carneiro 
Mariana Pereira de Oliveira 
Marina de M. Lima Barreto 
Pamela de Andrade Lima dos Santos 
Raphael Cássio de Oliveira Pereira 
Renata Vale Ribeiro 
Renato Bruno 
Robson de Souza (Educação Especial) 
Wandréia Lúcia de Souza do Nascimento 
 
MATEMÁTICA 
Anne Rocha de Almeida (Coordenadora – 1º e 2º Ciclos) 
Cristiane Custódio S. Andrade (Coordenadora – 1º e 2º Ciclos) 
Nice de Oliveira (Coordenadora – 3º e 4º Ciclos) 
Alex Fabiano Metello Silva 
Bruno de Assis Xarifa 
Deiwison Sousa Machado 
Diego S.M. Belay 
Jessica Folly 
João Marcos B. Jucá 
Keyla L. Bruck Thedin 
Marcia Andrade Oliveira 
Maria de Fátima C. Borges 
 Raphaela Duarte 
Rodrigo Pessanha da Cunha 
Rosiney de Jesus Ferreira 
Vanessa Nunes de Souza 
 
Grupo de Trabalho da Educação de Jovens e Adultos 
Adalberto de Moraes Gomes Filho 
Adilene das Graças Cardoso 
Adriana Teixeira Lima 
 
 
 
 
 
Beatriz Rabello Amin 
Claudia Zunino Lombardi de Carvalho 
Felipe Valadão 
Fernanda Gomes Ribeiro 
Geyser C. Amorim 
Glaice Lúcio de Oliveira 
Gleice Coelho G. da Silva 
Iraci da Silva Caputo 
Jacqueline Monteiro Pereira 
Juliana Alves S. Monteiro 
Julio Cesar Araújo da Silva 
Lúcio Paulo Marques Cordeiro 
 Luiz Claudio da Costa Ferreira 
Magno Sales Coutinho 
Marcelo Luiz de Souza 
Maria Lúcia Xavier Cavalcante 
Priscila Leal Mello 
Rafael Farias de Carvalho 
Rita de Cássia M. Moreira Pinto 
Rita Faeda 
Rodrigo da Nóbrega Fernandes 
 Rosiney de Lemos Ferreira 
Sandra Valéria Sampaio 
Sonia Maria da Luz Campanatti 
Valéria Cristina Cirne Soares 
Vander Macedo Caillaux 
Vicentina Ribeiro Vianna 
 
 
 
 
 
 
 
 
Comissão Especial para análise e pronunciamento sobre os Referenciais Curriculares da 
Rede Pública Municipal de Ensino de Niterói 
 
Coordenação: Luciana Laureano Costa 
 
I - Representantes do Conselho Municipal de Educação de Niterói: 
André Antunes Martins 
Lilian Azevedo da Silva 
Luiz Fernando Conde Sangenis 
Luiza Cristina Rangel Pinto Sassi 
Maria Felisberta Baptista da Trindade (In memoriam) 
Marta Nidia Varella Gomes Maia 
Severine Carmem Macedo 
 Tatiana Ribeiro dos Santos 
 
II - Representantes Especialistas: 
Aline Javarini 
Andréia Mello Rangel 
Carla Sena dos Santos Pinto 
Cristiane Gonçalves de Souza 
Delma Marcelo dos Santos 
Elana Cristiana dos Santos Costa 
 Juliana Martins de Souza 
Lívia Moraes Ornelas 
Luciana Laureano Costa 
Roberta Teixeira de Souza 
 Rosane Cristina Feu 
 
III - Representantes de Professores e Pedagogos da Rede Pública Municipal de Ensino de 
Niterói: 
Alyne Oliveira Pecly Tavares 
Ana Cláudia Santana da Silva Cruz 
 
 
 
Fernanda de Araújo Dias 
Gisele Coelho de Oliveira 
Juliana Cristina da Silva Ignacio 
Luciana Silva dos Santos 
Ludiany Tavares da Costa Carvalho 
Mônica Gonçalves 
Priscila Artte Rosa Nascimento 
Raphael Cássio de Oliveira Pereira 
Rosa Aletice 
Sonia de Oliveira Martins 
 
Pareceristas da Minuta dos Referenciais Curriculares da Rede Pública Municipal de 
Educação de Niterói 
- Prof. Dr. Adriano Vargas Freitas/UFF 
- Profª Dra. Dagmar Mello e Silva/UFF 
- Profª Dra. Denise de Souza Destro/UFF 
- Profª Dra. Érika Leme/UFF 
- Profª Dra. Helen Ferreira/UFF 
- Profª Dra. Lea Tiriba/UNIRIO 
 
Relatoria Finala infraestrutura material da comunicação digital, mas 
também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos 
que navegam e alimentam esse universo”. 
Nelson Pretto (2013) pontua que o aperfeiçoamento dos computadores foi introduzindo 
novas alianças nas indústrias da comunicação. No final do século XX, dá-se início ao 
consumo das multimídias com uma associação entre todas as novas tecnologias colocadas à 
disposição de um número cada vez maior de pessoas, possibilitada pela diversidade de 
técnicas e o uso diferenciado de cada uma delas, individual ou coletivamente. Esse novo 
espaço de comunicação e informação, criado a partir da invenção de uma grande “máquina”8 
como o computador, não deve ser visto como uma forma de substituição de meios já 
estabelecidos como o jornal, correio, telefone, mas sim como uma nova forma de 
comunicação e acesso à informação que proporciona novos meios de se relacionar com o 
mundo e com o outro. As tecnologias digitais passam a marcar novas atividades dos sujeitos 
sociais, de forma que: 
[...] como resultado de um processo de relação simbiótica entre o homem, a 
natureza e a sociedade, vivemos a era do desenvolvimento das linguagens 
digitais em rede e, por consequência, estamos favorecendo, cada vez mais, a 
produção de uma sociedade conectada que transforma o comportamento 
humano, a sua forma de ver, sentir e estar no mundo (AMARAL; RIBEIRO; 
WEBER, 2015, p. 141). 
Esses diferentes contornos permitem aos sujeitos se engajarem nos modos como a 
informação é veiculada, interferindo em sua forma e conteúdo. Como André Lemos (2007) 
 
6
 O conceito foi introduzido pelo sociólogo e professor emérito da Universidade de Harvard Daniel Bell na sua 
obra The Coming of Post Industrial Society: A Venture in Social Forecasting, de1973. 
7
 Também conhecida como era digital ou era tecnológica, é o nome dado ao período que vem após a era 
industrial, mais especificamente após a década de 1980. 
8
 “a própria noção de máquina que está sendo definitivamente substituída por um agenciamento instável e 
complicado de circuitos, órgãos, aparelhos diversos, camadas de programas, interfaces, cada parte podendo, 
por sua vez, decompor-se em redes de interfaces” (SANTAELLA, 1997, p. 41). 
 
 
75 
 
 
aponta, nos seus estudos sobre cibercultura, os sujeitos antes apenas receptores, agora são 
produtores de mídias informativas e transitam entre os polos “emissão” e “recepção”. A 
liberação do polo de emissão9 possibilita que pessoas comuns sejam capazes de produzir e 
emitir suas próprias informações, por meio de diferentes formatos midiáticos, como 
fotografias, vídeos ou podcasts. Hjarvard (2014, p. 23)10 sugere que como resultado dessa 
liberação “várias formas de mídia foram integradas nas práticas da vida cotidiana, desde os 
locais de trabalho até na família”, evidenciando uma estreita relação entre as mudanças 
ocorridas nas esferas socioculturais. Dessa forma, torna-se fundamental a problematização, 
junto aos educandos, dos usos e conteúdos produzidos e emitidos tanto nas mídias de massa 
quanto nas mídias sociais, no contexto escolar. 
 
8.2 Sociedade em rede 
 
Na sociedade em rede, todo o potencial humano interage de modo dinâmico e criativo, 
oportunizando ideias e realizando interações com as novas tecnologias da informação e 
comunicação. Edméa Santos (2014, p. 25) aponta que o princípio digital traz uma diferença 
como surgimento da web ao apresentar-se como sistema de interação e conectividade on-line. 
Passamos da massa receptora às redes interagentes no espaço e no ciberespaço. 
Segundo Don Tapscott (1996), a organização em rede não é uma característica das 
novas tecnologias da informação e comunicação, mas, sobretudo, dos seres humanos: 
Não se trata da organização em rede da tecnologia, mas da organização em 
rede dos seres humanos através da tecnologia. Não se trata de uma era de 
máquinas inteligentes, mas de seres humanos que, através das redes, podem 
combinar a sua inteligência, gerando uma inteligência-em-rede, um novo 
tipo de inteligência coletiva (TAPSCOTT, apud FRANCO, 2008, p. 30). 
De acordo com Lévy (2003, p. 28), a inteligência coletiva “é uma inteligência 
distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta 
numa mobilização efetiva das competências”. Nesse sentido, é válido pensar nas dinâmicas de 
ensinar-aprender que perpassam a produção do conhecimento, que deveriam se assemelhar à 
dinâmica das redes, baseada no conceito de inteligência coletiva. A inteligência coletiva nasce 
 
9
 A liberação do polo de emissão é o princípio básico da cultura pós-massiva e a principal característica da 
cibercultura (LEMOS, 2007). 
10
 “(internet, telefones móveis, televisão via satélite etc.)” (HJARVARD, 2014, p. 23). 
 
 
 
76 
 
 
de uma visão em que se reconhece que todos os indivíduos têm potencialidades e são 
detentores de conhecimentos que, a partir da colaboração e interação, criam e recriam novos 
saberes, por meio de uma fusão entre liberdade de expressão e cooperação. 
Associando essa questão ao conceito de ciberespaço, Lévy (1999, p. 29) aponta que o 
seu crescimento “não determina automaticamente o desenvolvimento da inteligência coletiva, 
apenas fornece a esta inteligência um ambiente propício” ao reunir diferentes mídias e 
interfaces. A partir desses conceitos, o ciberespaço apresenta-se como o local onde a 
inteligência coletiva se forma pela interação entre as pessoas, resultando na construção da 
cibercultura − um movimento sociocultural que estabelece novas relações entre conhecimento 
e saber, em novos espaços, mediados pelo digital em rede. Numa perspectiva freireana, aliar a 
educação aos elementos de seu tempo é fundamental. 
Santos (2014, p. 31) afirma que “aprendemos porque nos comunicamos, fazemos 
cultura e produzimos sentidos e significados”. Assim, podemos afirmar que é dessa forma que 
se faz a construção do conhecimento, tecida em rede, a partir das aprendizagens construídas, 
na apropriação dos artefatos culturais, tecnologias e interações sociais. 
 
8.3 Cultura digital 
 
Não há como negar que a cultura digital vem sendo muito utilizada por crianças e 
jovens na contemporaneidade e que esse elemento se faz presente nos seus processos 
cotidianos de aprendizagem. Uma das discussões mais importantes da educação é a garantia 
da construção do conhecimento. Marco Silva (2015) aponta que, para garantir uma 
aprendizagem colaborativa, é essencial uma abordagem inspirada no construtivismo e no 
interacionismo: “De acordo com esses referenciais, a aprendizagem acontece na interação dos 
aprendizes entre si e na interação com os conteúdos, com os objetos de aprendizagem” (Ibid., 
p .46). Para garantir a construção da mediação da aprendizagem, o docente tem “a seu favor 
expressão livre e plural da autoria, compartilhamento, conectividade, colaboração, autonomia, 
diversidade, dialógica e democracia” (Ibid., p. 57), baseados na ambiência comunicacional da 
cibercultura. 
Pensando na construção de um referencial que reflita a realidade específica do 
município de Niterói, fazemos menção à Base Nacional Comum Curricular, já que a discussão 
sobre as tecnologias e a cultura digital permeia todo o texto11. Ademais, duas de suas 
 
11
 Em todos os componentes curriculares, diversas habilidades fazem menção explícita à tecnologia. 
 
77 
 
 
competências gerais12 apontam, de forma mais objetiva, a questão de interesse deste estudo: 
Comunicação13 e Cultura Digital14. De acordo com essas competências, o mundo digital 
insere-se nas formas de comunicação na atualidade, não podendo, portanto, ficar de fora da 
formação das crianças e dos jovens contemporâneos, cabendo à escola a oferta e a 
qualificação desteuso, considerando a ubiquidade propiciada pelos dispositivos móveis. 
Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, evidenciou-se a necessidade de 
apropriação da cultura digital, por parte de professores e estudantes, tendo em vista que esta 
cultura ainda não se fazia presente no cotidiano escolar. Como é possível observarmos na 
reflexão de uma escola da Rede: 
Durante a pandemia do Novo Coronavírus, ficou bem claro como a escola 
está desconectada da realidade cotidiana do aluno no que se refere à inclusão 
digital, criando um abismo entre realidade e a necessidade social que é 
rodeada pela tecnologia. Isso evidenciou a urgência na implantação efetiva 
dessas tecnologias dentro da escola como ferramentas imprescindíveis para o 
processo do ensino e da aprendizagem e formação da criança como sujeito 
histórico de um mundo todo conectado (E. M. Eulália da Silveira 
Bragança/Parecer, 2020). 
A formação do estudante articulada a essas competências passa pela compreensão de 
que a cultura digital, presente no cotidiano escolar, deve se basear em uma perspectiva de 
educação crítica para as mídias e tecnologias digitais de informação e comunicação, 
possibilitando que os sujeitos possam protagonizar as ações de suas práticas sociais, sendo 
capazes de propor soluções para seus problemas cotidianos. A proposta curricular que observa 
os desafios do mundo contemporâneo oferece subsídios fundamentais para a formação dos 
estudantes para a vida no século XXI. 
 
8.4 Infância e juventude na educação contemporânea 
 
É importante pontuar alguns pressupostos relacionados à temática da infância e da 
juventude na sociedade contemporânea, compreendendo que os usos que fazem das 
tecnologias digitais e a relação desses sujeitos com a cultura digital trazem implicações para 
as dinâmicas educacionais no espaço escolar. Refletir, (re)pensar e (re)configurar novos 
modelos relacionais com os estudantes, novas estratégias pedagógicas e novos modelos de 
 
12
 As Competências Gerais da BNCC “articulam-se na construção de conhecimentos, no desenvolvimento de 
habilidades e na formação de atitudes e valores, nos termos da LDB” (BRASIL, 2019, p. 9). 
13
 Competência 4. 
14
 Competência 5. 
 
78 
 
 
avaliação que incluam a cultura digital, sem desconsiderar os modos existentes, permitirá a 
ampliação das formas de fazer educação n contemporaneidade. 
De acordo com Fernandes (2019, p. 44), “o convívio com as novas tecnologias 
modificou a maneira como as crianças aprendem”, apontando uma nova forma de apreender a 
realidade e transitar no mundo. As crianças imersas na cultura digital vão considerar a 
construção do conhecimento como processo que se dá de forma não linear. Nesse sentido, 
significando diferentes pontos de vista, diferentes realidades que perpassam a história 
registrada nos livros até a história pessoal/familiar dos indivíduos envolvidos no processo de 
ensinar e aprender. 
Fernandes (2019, p.44) aponta que a relação das crianças com as mídias “forja uma 
nova concepção de infância” e, portanto, não pode ser desconsiderada. O convívio com as 
novas tecnologias nos apresenta uma criança que aprende diferente, de uma forma não linear, 
a lógica da linearidade não existe mais para essa criança, já que "com a Internet, os assuntos 
nunca são isolados e sempre estão ligados a outros em temas relacionados" (Ibid., p. 44). A 
criança desta nova infância compreende a construção do conhecimento pautada neste 
movimento, portanto temos uma concepção de "infância como um ser em desenvolvimento" 
(Ibid., p. 47), para quem os espaços da mídia tornam-se lugares de formação tanto quanto a 
escola. 
Na atualidade, a cultura da mídia assume, ao lado das instituições 
tradicionais, importante papel na socialização das crianças e jovens e estes, 
muitas vezes, recebem da mídia os papéis e elementos mais decisivos para a 
formação de sua identidade através de dispositivos pedagógicos da mídia 
(Ibid., p. 48). 
A autora entende a cultura como um processo inacabado e como produção coletiva, 
afirmando que os sujeitos a produzem nas relações com o outro e em sociedade. As crianças 
são também produtoras de cultura, já que a forma como elas lidam com o conhecimento é 
cultural. 
Para pensar o jovem contemporâneo e as suas relações na cibercultura, os autores 
Ferreira, Oswald e Chaves (2015) apontam que as juventudes, que se encontram imersas nos 
contextos informacionais, vivem suas experiências na cultura pós-massiva, por meio dos 
dispositivos tecnológicos, o que as leva a uma nova compreensão de suas formas de ser e estar 
no mundo. Os usos que os jovens, praticantes culturais, fazem das tecnologias digitais em 
rede são fundamentalmente parte integrante da formação de suas subjetividades e também 
 
79 
 
 
contribuem para que possamos compreender melhor o jovem deste século. Para Santos, 
Carvalho e Pimentel: 
[...] e vêm provocando transformações em todos os setores da vida 
contemporânea. As novas práticas, modos de comunicação, organização e 
mobilização social, maneiras de viver e compartilhar o que se passa em 
nosso cotidiano com os usos das tecnologias digitais em rede dão forma à 
cibercultura (CARVALHO; SANTOS; PIMENTEL, 2016, p. 24). 
O jovem imerso nesta era digital já não apenas se comporta de forma diferente, mas 
também pensa diferente. A dinâmica das redes potencializa esse jovem no sentido de criar, 
simular, emitir sua opinião, criticar, construir e desconstruir o mundo em tempo real. 
Ao considerarmos a imersão das crianças e jovens na cultura digital na sociedade 
contemporânea, é válido consultar as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e 
da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) com referência ao tempo de exposição a telas por 
parte desses sujeitos. 
 
8.5 Redefinição dos espaços e tempos da escola 
 
Outro aspecto que pode ser pontuado é a definição de espaço e tempo. A escola tem a 
delimitação de tempos e espaços com normas específicas. Redefinir os tempos e os espaços na 
escola é fundamental na atual sociedade contemporânea. Para se comunicar com o outro, não 
é necessariamente mais preciso estar ao mesmo lado fisicamente. A lógica de crianças 
sentadas, enfileiradas, quietas umas atrás das outras, de frente para o quadro, é colocada em 
xeque no momento atual, assim como abordam Ferreira e Mattos (2015) se reportando a uma 
reflexão de Bauman: 
A cultura escolar continua organizada para atender um sujeito adaptado a 
uma sociedade que valoriza a ordem, estabilidade, padronização, rotina, 
previsibilidade, determinação, ou seja, tudo o que vem sendo liquefeito na 
modernidade líquida (BAUMAN, 2001). Imprevisibilidades, diferenças e 
liberdades variadas ainda são, comumente, interpretadas como ameaças à 
ordem escolar (FERREIRA; MATTOS, 2015, p. 282). 
Dessa forma, a compreensão dos modos de ser e pensar de crianças e, principalmente, 
de jovens torna-se imprescindível para aproximá-los cada vez mais da escola, da sua cultura. 
Se não refletirmos sobre quem são as crianças e jovens das escolas de hoje, se não tivermos 
uma escuta sensível e qualificada para o que eles têm a dizer, como repensar a escola e o 
sistema educacional, no sentido de possibilitar a formação de professores para atuar neste 
 
80 
 
 
novo cenário? Cenário esse que remete a outros tempos, em múltiplos espaços, diferenciados, 
principalmente, no tocante à relação de crianças e jovens com as mídias e tecnologias digitais 
móveis. 
Pode-se perceber a importância dos espaços e tempos pelos quais os jovens transitam 
na cidade e que esses se configuram como territórios culturais, nos quais o protagonismo é 
uma das principais características vivenciadas por eles; são “espaços próprios de socialização 
que se transformam em territórios culturalmente expressivos e nos quais diferentes 
identidades são elaboradas” (CARRANO; MARTINS, 2011, p. 44).Tal protagonismo 
permite a reconfiguração dos espaços e tempos vividos e a escola não pode estar distante 
disto. 
A cultura digital vigente traz inovações às práticas pedagógicas, uma vez que amplia 
os espaços/tempos de ensino-aprendizagem para além das salas de aula, colaborando para 
uma educação comprometida com a formação de sujeitos que relacionem criticamente os 
conteúdos curriculares com suas práticas culturais e suas experiências cotidianas, o que 
propicia “uma atualização reflexiva e transformadora da escola contemporânea” (FERREIRA; 
MATTOS, 2015, p. 275). 
Assim, as mídias e tecnologias digitais, integradas aos processos de ensino e 
aprendizagem, podem propiciar a compreensão e a produção do conhecimento de forma 
ampla e global. No entanto, vale ressaltar que as tecnologias, por si sós, não são capazes de 
revolucionar as práticas pedagógicas. É preciso mediação, formação e experimentação. 
 
8.6 Metodologias Ativas da Aprendizagem 
 
Tendo em vista a construção de um currículo que se utiliza dos instrumentos culturais 
da prática social contemporânea e se propõe como uma construção social, que considera 
tempo, lugar e contexto, desenvolvendo-se na ação (ALMEIDA; SILVA, 2011), deseja-se 
romper com um modelo tradicional de ensino, no qual não são consideradas as experiências e 
a cultura dos estudantes como parte significativa do eixo da aprendizagem, articulando os 
fazeres e saberes em sala de aula de forma dialógica e reflexiva. Para Valente (2014), o 
desenvolvimento de abordagens educacionais baseadas na aprendizagem ativa implica 
[...] transformações conceituais, como repensar o currículo, entender o que 
significa aprender e como a escola pode ser geradora e não só consumidora 
de conhecimento, espaço de diálogo, solidariedade, articulação entre o 
conhecimento local e o global, e convivência com a diferença (p. 162). 
 
81 
 
 
Na perspectiva de um currículo flexível e construído de forma participativa por toda a 
comunidade escolar, mais centrado nos alunos e nos seus processos formativos, encontram-se 
as Metodologias Ativas (Moran, 2013), predominantemente com um trabalho interdisciplinar. 
As Metodologias Ativas acabam por ser uma crítica ao modelo de “Educação Bancária”, tal 
qual afirma Paulo Freire (1970). 
Uma das formas de se trabalhar nesta perspectiva é por meio do STEAM (Science, 
Technology, Engineering, Arts and Mathematics), que mais do que uma metodologia é uma 
abordagem pedagógica que se constitui em uma forma de ensino. De acordo com Bacich e 
Holanda, 
[...] a educação STEAM pode contribuir para lidar com os desafios 
contemporâneos, ajudando a pensar uma educação que, sem abandonar a 
excelência acadêmica, também desenvolva competências importantes, como 
a criatividade, o pensamento crítico, a comunicação e a colaboração 
(BACICH; HOLANDA, 2020, p. 2). 
Este tipo de abordagem possibilita ao estudante não só a integração das áreas do 
conhecimento, mas seu uso para estabelecimento de conexões na hora de resolução de 
problemas diários. O aprendizado é amplamente beneficiado com a interdisciplinaridade e se 
apresenta como um processo que oferece uma forma de valorizar as experiências vividas 
pelos alunos, em especial as experiências práticas, em que os estudantes aprendem a colaborar 
uns com os outros e a se preparar para desafios que enfrentarão enquanto cidadãos. 
É papel importante do professor ser o mediador dessa nova proposta pedagógica. Ele 
deve levar os estudantes a entenderem como aprender fazendo: 
Existe uma mudança no papel dos professores quando tratamos de projetos 
STEAM. A primeira delas acontece na concepção e no planejamento do 
projeto. Para desenhar um projeto, é necessário, para além de escolher um 
contexto autêntico, ter conhecimento dos objetivos de aprendizagem das 
demais áreas e de recursos que possam contribuir com o protagonismo dos 
estudantes, como um conhecimento sobre metodologias, práticas inovadoras 
ou recursos digitais (BACICH; HOLANDA, 2020, p. 8). 
É nesta perspectiva que Moran (2018, p.3) nos ensina que “ ensinar e aprender 
tornam-se fascinantes quando se convertem em processos de pesquisa constantes, de 
questionamento, de criação, de experimentação, de reflexão e de compartilhamento crescentes 
[...]” A educação, dessa forma, fica mais desafiadora e atrativa. 
No contexto das metodologias ativas, temos, ainda, a aprendizagem baseada em 
projetos, cuja abordagem permite a integração de diversos saberes com o protagonismo dos 
 
82 
 
 
alunos na construção de seu conhecimento. O trabalho baseia-se na elucidação de problemas, 
desenvolvendo a criatividade e o pensamento crítico de forma cooperativa. 
Segundo Campos (2013), a Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL) tem sido um 
dos principais focos da discussão, não apenas como abordagem de aprendizagem ativa, mas 
também como alternativa para elaborarem-se currículos e adotarem-se práticas inovadoras na 
educação. Exige que o professor reflita sobre a atividade docente e mude a sua postura 
tradicional de especialista em conteúdo para mediador e que os estudantes assumam maior 
responsabilidade em sua própria aprendizagem. 
Hernández e Ventura (1998) tratam da pedagogia de projetos como um percurso 
metodológico que envolve professores e alunos em uma dinâmica busca pelo conhecimento. 
Movimento esse que tem como forte característica “evitar o perigo da estandardização e 
homogeneização das fontes de informação” (Ibid., p. 64), garantindo espaço para a troca entre 
as diferentes fontes de saberes elencadas pelo grupo envolvido no estudo. A prática 
pedagógica que tem a pedagogia de projetos como forma estruturante do seu caminhar prevê a 
elaboração de “um dossiê de síntese dos aspectos tratados no projeto” desenvolvido, como 
podemos observar: 
O projeto permite aos estudantes, a partir do índice final (síntese), organizar 
uma observação das atividades que se realizaram durante o seu 
desenvolvimento […] a recapitulação final tem razão de ser não só como 
agrupamento do estudado, mas sim como percurso ordenado […] em função 
dos diferentes aspectos da informação trabalhados e dos procedimentos que 
se tenham utilizado para isso (Ibid., p. 80). 
O trabalho por projetos colabora com a produção do conhecimento à medida que, a 
partir de um determinado tema, problema ou questão de seu interesse, os alunos são levados a 
desenvolver suas estratégias de pesquisa, a buscar diferentes fontes de informação, 
mobilizando, assim, tanto saberes produzidos na escola quanto aqueles que emergem de suas 
vivências e experiências em seus contextos sociais e culturais. Por meio de atividades 
práticas, em grupos ou individualmente, diferentes conteúdos são trabalhados, abrangendo 
ainda os conteúdos atitudinais, conceituais e procedimentais. 
Ainda sobre o trabalho por projetos, Corsino (2009, p. 106) afirma que esses 
“valorizam o trabalho e a função do professor que, em vez de ser alguém que reproduz ou 
adapta o que está nos livros didáticos e nos seus manuais, passa a ser pesquisador do seu 
próprio trabalho”. Com isso, destaca que, em um trabalho baseado na pedagogia de projetos, a 
função do professor passa a ser de pesquisador de sua prática e que este professor-pesquisador 
compreende que os alunos são sujeitos que possuem uma história, da qual participam de 
 
83 
 
 
forma ativa, e produtores de cultura no mundo em que vivem. Corsino (Ibid., p. 105) ressalta 
ainda que “trabalhar com projetos na escola desde a Educação Infantil é uma forma de 
vincular o aprendizado escolar aos interesses e preocupações das crianças, aos problemas 
emergentes na sociedade em que vivemos, à realidade fora da escola e às questões culturais 
do grupo”. 
Diante do cenário de pandemia imposto à toda a sociedade no ano de 2020, fez-se 
urgente repensar as estratégias e percursos metodológicos a serem adotados pelos professores 
da Rede Pública Municipal de Educaçãode Niterói, com o intuito de manter o vínculo com os 
alunos e, de forma emergencial, ampará-los no que diz respeito ao acesso à educação. 
Com esse pensamento, fez-se necessário apontar formas para uma abordagem 
pedagógica que, num primeiro momento, se valesse de encontros assíncronos e síncronos 
mediados por AVAs. O atual cenário nos aponta a necessidade de pensar formas e estratégias 
que vislumbrem uma educação mediada pelo ensino híbrido, perspectiva que compreende 
combinar o ensino presencial com propostas de ensino remoto. Tais abordagens podem estar 
amparadas na perspectiva da sala de aula invertida, método que inverte a lógica convencional 
de organização do fazer pedagógico. Essa abordagem compreende que os alunos tenham um 
primeiro contato com os conteúdos em suas próprias casas, por meio de diferentes mídias e 
recursos digitais, como videoaulas, games e podcasts, indicados pelos professores. A aula 
presencial seria o momento de problematizar esses conteúdos, um espaço para a realização de 
exercícios, de atividades em grupo e privilegiado espaço para a construção de projetos. 
O referencial curricular está sendo construído para um mundo que não existe 
mais como o conhecíamos e é necessário que reflitamos sobre os modos de 
ensinar e aprender com base nos novos comportamentos de segurança, saúde 
e tecnologia necessários.[...] É urgente pensar novos espaços educacionais 
com estratégias híbridas, atraentes para as crianças das várias faixas etárias e 
a criação de estratégias de “alfabetização” digital para docentes e discentes 
(E. M. Eulália da Silveira Bragança/Parecer, 2020). 
Pensar a escola a partir das perspectivas metodológicas apresentadas aponta para a 
multiplicidade cultural e para as múltiplas formas de comunicação atuais. Para tanto, Rojo 
(2012) avalia serem necessárias novas práticas escolares que contemplem desde a “produção 
de conteúdos” até a “análise crítica como receptor” (Ibid., p. 21), isto é, tornam-se necessárias 
novas abordagens para além dos registros de escrita manual e impressa, contemplando 
também o áudio, o vídeo, o tratamento da imagem, a edição e a diagramação. O acesso às 
novas formas de comunicação e informação “acarretam novos letramentos, de caráter 
 
84 
 
 
multimodal ou multissemiótico” (Ibid., p. 13), emergindo uma necessidade por uma 
pedagogia dos multiletramentos
15
. 
 
8.7 Considerações finais 
 
Dessa forma, trazemos questões que possam refletir sobre todo o trabalho já realizado 
com mídias e tecnologias digitais na Rede Pública Municipal de Educação de Niterói, iniciado 
em 1996, com a implementação dos laboratórios de informática nas Unidades de Ensino 
Fundamental, passando pelo uso de recursos digitais diversos desde a Educação Infantil até o 
trabalho com diferentes metodologias no momento atual. Tais propostas priorizam o fazer 
pedagógico mediado pelas mídias e tecnologias digitais de forma crítica e reflexiva, 
potencializando a produção do conhecimento entre professores e alunos, nas mais variadas 
formas: uso de aplicativos, softwares, projetos com robótica educacional, atividades maker, 
filmes de animação digital, produção midiática, atividades gamificadas, realidade aumentada, 
plataformas digitais, aproximando a escola da cultura digital. 
 
9. AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL E DA APRENDIZAGEM 
 
Diante do papel que a avaliação tem assumido enquanto política pública no Brasil e no 
mundo, provocando questionamentos e tensões, torna-se imprescindível o estabelecimento de 
diálogo e parceria com a comunidade educativa, compreendendo o movimento de 
participação como manifestação indispensável para o avanço das discussões no campo da 
avaliação. 
Na Rede Pública Municipal de Educação de Niterói, busca-se construir uma cultura 
avaliativa fundamentada em princípios democráticos e de responsabilização participativa, 
promovendo reflexões acerca da aprendizagem, do fazer pedagógico e dos processos de 
gestão que influenciam as ações desenvolvidas. 
A perspectiva participativa da avaliação busca implementar os processos de 
autoavaliação, que podem estar combinados com os procedimentos de avaliação externa, e 
“nisto diferem das avaliações objetivistas, quase exclusivamente externas e para uso de 
 
15
 Termo cunhado pelo Grupo de Nova Londres para abranger a multiculturalidade característica das sociedades 
globalizadas e a multimodalidade dos textos por meio dos quais a multiculturalidade se comunica e informa 
(Rojo, 2012, p. 13). 
 
 
85 
 
 
pessoas que não fazem parte do cotidiano das instituições avaliadas” (SOBRINHO, 2003, p. 
125). Busca, portanto, envolver os agentes internos de todos os níveis e categorias e 
representantes da comunidade externa com uma intencionalidade educativa e fundamentos 
assentados em princípios democráticos. “Neste caso, a relação entre os participantes não é de 
autoridade, mas de intersubjetividade, ou seja, entre sujeitos que, baseados na 
responsabilidade, se expressam livremente sobre os dados e processos que devem ser 
interpretados e avaliados” (Ibid., p. 125). 
A avaliação que se deseja participativa e democrática valoriza a participação social na 
construção e execução de seus próprios processos. Distinguem-se dos enfoques tecnológicos, 
de corte empirista-objetivista que, em geral, valorizam sobremaneira o aparato técnico e seus 
produtos predeterminados e que, pretensamente, dariam legitimidade aos resultados 
avaliativos que produzem. Trata-se, portanto, de uma outra perspectiva ética e epistemológica 
distinta das avaliações que adotam modelos tecnocráticos. 
Para Sordi e Freitas (2013, p. 91), “a busca de outra ética e epistemologia para os 
processos de regulação da qualidade da escola pública tem desafiado as redes de ensino a 
conceber e implementar modelos alternativos”, a partir de uma concepção de 
“responsabilização participativa”. Sob o viés da participação e da negociação com os atores 
implicados no processo avaliativo, a Rede aposta em objetivos e compromissos amplos de 
qualidade da educação, que acarretem o exercício coletivo de apropriação das situações do 
cotidiano e da reflexão sobre o futuro, principal função dos processos avaliativos. 
Desse modo, propõem-se movimentos de articulação e interação, tendo em vista a 
construção de perspectivas que considerem diferentes sentidos de qualidade da educação. 
Avaliar, nessa visão, tem a ver com o modo como os atores se relacionam nos espaços intra e 
extraescolares e se reconhecem no processo educativo, caracterizando-se como ato político-
pedagógico. 
Nesse sentido, procura-se desenvolver um trabalho de avaliação mais abrangente, na 
perspectiva da avaliação institucional participativa, cujo objetivo é criar instrumentos 
avaliativos, visando à produção de informações que viabilizem um maior conhecimento do 
contexto socioeducativo, com a finalidade de redimensionar ações para a qualificação do 
processo de ensino-aprendizagem. 
Cabe destacar a importância de se avaliar cada aspecto que afeta direta ou 
indiretamente o desenvolvimento escolar de cada discente, compreendendo a necessidade de 
uma avaliação que considere suas múltiplas dimensões – as relações interpessoais, as relações 
com a comunidade, as condições de trabalho dos profissionais, o envolvimento dos estudantes 
 
86 
 
 
com a aprendizagem, a participação dos responsáveis pelos estudantes na vida escolar deles, a 
gestão do trabalho pedagógico, entre outras –, realizada em diferentes âmbitos, por todos os 
atores envolvidos. 
Freitas et al.(2014) destacam que 
[...] pensar em avaliação institucional implica repensar o significado da 
participação dos diferentes atores na vida e no destino das escolas. Implica 
recuperar a dimensão coletiva do projeto político pedagógico e, 
responsavelmente, refletir suas potencialidades, vulnerabilidades e 
repercussões em nível de sala de aula,junto aos estudantes (FREITAS ET 
AL., 2014, p. 35). 
Neste cenário, a avaliação institucional colabora para o reconhecimento das 
expectativas e propostas pedagógicas, propiciando momentos de discussão e reflexão quanto 
aos planos de ação e aos entraves detectados no percurso de realização destes. Deve servir, 
também, como incentivo à participação da comunidade educativa, no processo de 
planejamento e tomada de decisões para a proposição de mudanças necessárias à 
aprendizagem dos alunos. 
Assim, trabalhar com a perspectiva de responsabilização participativa permite à Rede 
Pública Municipal de Educação de Niterói construir e analisar indicadores locais de 
qualidade, possibilitando a sinalização da situação das dimensões avaliadas, a partir da 
identificação dos pontos favoráveis e daqueles que necessitam de atenção em cada contexto. 
As situações do cotidiano escolar, traduzidas em indicadores, apenas 
quantitativamente, não representam tudo o que significam para os que vivenciam o processo 
pedagógico. Torna-se necessário interpretar e qualificar as informações que as avaliações, 
sejam elas internas ou externas, expressam por meio de seus resultados. Além disso, 
considera-se importante estabelecer e discutir indicadores processuais, que não são 
necessariamente expressos em números. A articulação entre indicadores numéricos e 
processuais, em contexto participativo, contribui para o entendimento amplo de avaliação, que 
integra, aproxima e contextualiza o fazer pedagógico. 
Dessa maneira, avaliar implica outros modos de pensar o ser humano, não mais como 
sujeito pronto, determinado, mas sim em permanente construção e transformação. Uma 
proposta pedagógica que busca a formação integral dos sujeitos compreende o conhecimento 
em sua complexidade, concebendo a avaliação a partir de uma perspectiva que considere o 
ensino e a aprendizagem como fenômenos sociais construídos na relação dialógica entre 
 
87 
 
 
sujeitos e saberes. Tal concepção aponta a existência de múltiplos modos, tempos, estratégias, 
estilos e jeitos de ensinar e aprender
16.
 
Nessa ótica, ensinar e aprender são frutos da interação entre os sujeitos e as diferentes 
formas de comunicação, expressão e construção social, sendo, então, a avaliação assumida 
como parte do processo pedagógico. Para isso, ela deve ser contínua, realizada em diferentes 
momentos, oportunizando um acompanhamento sistematizado do ensino e da aprendizagem. 
Gatti (2003) ressalta 
[...] que a avaliação não seja apenas finalista, mas, sim, incluída no processo 
de ensino e aprendizagem como meio para o autodesenvolvimento, tanto dos 
alunos em suas aprendizagens, quanto dos professores, como profissionais, 
em face das suas formas de ensinar (GATTI, 2003, p.102). 
Não é possível considerar apenas os produtos da aprendizagem demonstrados em 
habilidades e inabilidades expostas pelos alunos, mas a compreensão de novas formas de 
ensinar e aprender, que fazem parte do processo contínuo e individualizado do aprendizado, 
reconhecendo diferentes condições, tempos, ritmos e trajetórias de vida. Ao considerar que a 
avaliação não é um fato isolado, atende-se às necessidades de todos os envolvidos neste 
processo, principalmente alunos, com ou sem deficiência, e professores, desencadeando a 
construção do conhecimento e redirecionando as práticas pedagógicas, fornecendo subsídios 
que permitam garantir direitos fundamentais e humanos. 
Como diz Luckesi (2011, p. 263): “[...] o ato de avaliar a aprendizagem na escola é um 
meio de tornar os atos de ensinar e aprender produtivos e satisfatórios”. Dessa forma, não se 
pode desvincular a avaliação do aluno do processo de ensino do professor. Não se quer dizer 
com isso, por exemplo, que, se o aluno não aprendeu, o professor não ensinou 
adequadamente. O processo de ensino-aprendizagem é de uma complexidade maior do que 
isso. A avaliação, como instrumento a serviço da aprendizagem do aluno, deve contribuir para 
a análise e para a decisão de quais ações pedagógicas podem ser tomadas durante o processo 
de ensino. 
Ainda presente em muitas escolas, a avaliação feita apenas no fim do processo e como 
mera constatação não contribui para o avanço da aprendizagem do aluno. A constatação é o 
início de um processo, é o ponto em que atribuímos uma qualidade (positiva ou negativa) ao 
que está sendo avaliado. A partir daí, entra a análise e a tomada de decisão sobre “o que 
fazer”, por isso a avaliação deve ser contínua, e não feita tão somente no fim do processo. 
É o mesmo Luckesi (2011) quem nos diz que 
 
16
 Parágrafo adaptado do texto apresentado pelo grupo de trabalho que discutiu a Proposta Pedagógica em 2015. 
 
88 
 
 
[…] para qualificar a aprendizagem de nossos educandos, importa, de um 
lado, ter clara a teoria que utilizamos como suporte de nossa prática 
pedagógica, e, de outro, o planejamento de ensino, que estabelecemos como 
guia para nossa prática de ensinar [...] (LUCKESI, 2011, p. 265). 
Caso seja percebido, durante o processo de ensino, que alguns alunos não conseguiram 
atingir os objetivos propostos, é hora de redirecionar as ações para que as metas de 
aprendizagem sejam atingidas. Por outro lado, também é importante que se desenvolva nos 
alunos a habilidade de se autoavaliar, para que assim possam apropriar-se dos recursos 
internos que utilizam (metacognição) e, dessa forma, sejam capazes de estabelecer ações que 
favoreçam a autorregulação da própria aprendizagem. 
Tudo isso reforça a ideia de que a prática da avaliação da aprendizagem deve apontar 
para a busca do melhor (potencial) de todos os educandos, por isso é diagnóstica e não se 
interrompe na simples constatação. 
Acrescenta-se a esse ponto de vista o entendimento de que se faz necessária a 
participação e a responsabilidade de todos os atores da comunidade educativa neste processo. 
Cabe destacar que, no espaço educativo, todos ensinam e aprendem, mútua e continuamente, 
portanto, todos devem avaliar seus fazeres. 
Esta aprendizagem de viver, colaborativamente, um projeto implica entender 
e usar a avaliação como uma estratégia organizadora dos múltiplos olhares e 
ações sobre a realidade, na perspectiva de produzir melhorias (SORDI; 
LUDKE, 2009, p. 316). 
É essa cultura avaliativa que este documento pretende disseminar, uma cultura 
entendida como prática articulatória em constante negociação, engendrada em diferentes 
tempos e espaços, ou seja, que não é dada a priori nem é estanque, mas se constitui pelos 
diferentes sentidos, pelas diferentes leituras produzidas pelos diferentes atores e situações de 
aprendizagem e de ensino. 
 
 
10. CONSIDERAÇÕES SOBRE A TRANSIÇÃO ENTRE CICLOS 
 
A infância não é aqui concebida como um mero período da vida, com limites impostos 
para o seu início e fim. Pelo contrário, compreendemos a infância como construção social que 
se constitui na relação com o outro e com o contexto sócio-histórico-cultural, como parte 
essencial dos aspectos que nos tornam humanos. 
 
89 
 
 
Nesse sentido, reafirmamos o compromisso de pensar a infância em sua dimensão 
plural, pois caminhamos na direção contrária à ideia de concebê-la a partir de um conceito 
único, abstrato e fixo, para além de sua raiz etimológica. Além disso, perspectivando pensar 
sobre as crianças e suas infâncias com amorosidade, afetos e legitimação do outro como 
sujeito singular/plural, concebemos a infância enquanto experiência humana, permeada por 
sentidos, brincadeiras, imaginação, criação e ruptura com as tentativas de fragmentação e 
engessamento da sociedade. 
Assim, lançamos um olhar atento para essas questões, pois elas nos convocam a 
refletir sobre a passagem da criança da Educação Infantil para o Ensino Fundamental, assim 
como para os processos de ensino-aprendizagem, na perspectiva da humanidade em 
transformação. 
Nesse sentido, dedicamos as linhasque se seguem a trazer à cena reflexões em torno 
da questão da transição de alunos de uma etapa para outra, com o propósito de suscitar olhares 
outros, mais sensíveis, para esse movimento inerente ao processo de escolarização. 
As crianças ingressam no universo escolar com expectativas e curiosidades. Na escola, 
elas interagem, estabelecem relações, vivem experiências variadas, aguçam percepções, fazem 
descobertas, afloram sensibilidades e afetos, falam e agem com desenvoltura e 
espontaneidade. O reconhecimento dessa infância com base em uma concepção que rompa 
com uma dimensão didatizadora adultocêntrica evidencia a necessidade de uma escuta 
sensível às questões apresentadas pelas crianças. Estudos do campo do currículo articulados 
com estudos da infância nos ajudam a conclamar por práticas educacionais com as crianças no 
contexto escolar e não apenas sobre e para elas, o que revela a compreensão de que o 
protagonismo da criança esteja em cena na produção curricular desde a mais tenra idade. 
Afinal, precisamos superar, na prática, a ideia da criança como infante, pois sabemos que “a 
fala é um instrumento de direito, uma proclamação: negação daquilo que o silêncio é –
submissão, complacência, desigualdade, menoridade” (MARTINS, 1993, p. 54). 
Assim, inspirados em Benjamim (2002), dizemos que é preciso ser colecionador do 
que as crianças trazem consigo. Segundo esse autor, a criança estabelece entre os mais 
diferentes materiais, através daquilo que cria em suas brincadeiras, uma relação nova. A 
criança cria, inova, faz do universo dos adultos o seu grande canteiro de obras, criando para si 
um mundo imaginário baseado na criatividade, na brincadeira e na fantasia (SANCHES e 
SILVA, 2018). 
A fantasia do brincar, o lúdico, não são novidades teórico-práticas nos/para os espaços 
de Educação Infantil, no entanto o modo de organização da sociedade letrada conduz a 
 
90 
 
 
criança à passagem para um novo ciclo de escolarização. E, se estar na escola desde os 
primeiros anos de vida é desafiador, essa mudança de etapa escolar pode trazer à baila 
angústias, medos e dúvidas. Sentimentos muitas vezes gerados na própria dinâmica escolar 
quando o reforço de lógicas prefixadas e predefinidas para a transição dominam um processo 
que deveria estar alicerçado na continuidade do trabalho pedagógico desenvolvido com foco 
em aprendizagens significativas e ressignificação dessas aprendizagens para as crianças e 
adultos envolvidos no processo. 
Nesse contexto, um olhar mais panorâmico, processual e mais próximo da criança 
subjaz essa relação que não se encerra ao fim da Educação Infantil. O fosso que se estabelece 
nessa transição, relegando o lúdico a segundo plano, em prol de um aprender fixado no 
“conteúdo”, é o que buscamos confrontar. Acreditamos que é possível subverter a lógica 
escolar da previsibilidade e incorporar a essa transição o reconhecimento da(s) infância(s) em 
curso, de tal forma que a experiência da infância continue dando contorno e sentidos às 
práticas cotidianas na escola. 
Essas reflexões também se estendem ao processo de transição dos alunos do Ensino 
Fundamental, sobretudo aqueles que saem do quinto ano de escolaridade (2º ciclo do Ensino 
Fundamental) e são recebidos no sexto ano de escolaridade (3º ciclo do Ensino Fundamental). 
Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas, diz: “O real não está no início nem no fim, ele 
se mostra pra gente é no meio da travessia” (ROSA, 1994, p. 85). É preciso ter em conta o 
caráter “processual” da aprendizagem, sem perder de vista a beleza do trajeto. Por isso, 
destacamos a importância do acolhimento, da escuta sensível em relação à chegada da criança 
em seu novo espaço-tempo de aprendizagem. 
Somos seres relacionais, singulares, sociais, portanto a conversa, a troca e o vínculo 
afetivo tanto nos dizem respeito. Daí a importância de se proporem situações e práticas que 
busquem aproximações reais com a etapa escolar vivida. Fazemos esse destaque, pois, por 
vezes, a ludicidade e o brincar até são incorporados ao fazer pedagógico, mas a maneira como 
são concebidos e desenvolvidos acabam por burocratizar as relações. Eles são mediados de 
modo diferente, às vezes com tom prescritivo e nesse momento tornam-se pretexto para o 
encaminhamento de atividades pedagógicas, estratégias para deixar um determinado momento 
do dia menos cansativo. Contudo, tais práticas não são reconhecidas como linguagem e força 
potencial para o desenvolvimento e aprendizagem dos sujeitos. 
Salientamos, portanto, a importância de se construir um fazer pedagógico dialógico, 
interacional e contínuo. Por esse viés, a produção de conhecimento, o processo de ensino-
aprendizagem é concebido com/a partir de estratégias que valorizem e legitimem as 
 
91 
 
 
aprendizagens já vivenciadas na etapa anterior de estudos. Há, nesse sentido, a preocupação 
em se promoverem ações que buscam favorecer a continuidade de experiências próprias do 
universo infantil. Desse modo, a possível ruptura no processo do “rito de passagem” pode, em 
certa medida, ser suavizada, e tal movimento constitutivo da vida moderna pode ser 
vivenciado com menos ansiedade e insegurança. 
Nesse sentido, destacamos a importância das interações. Ao abordar a disponibilidade 
ao diálogo no processo educativo, Freire (2019) aponta que “[...] o sujeito que se abre ao 
mundo e aos outros inaugura com seu gesto a relação dialógica em que se confirma como 
inquietação e curiosidade, como inconclusão em permanente movimento na história” 
(FREIRE, 2019, p. 133). 
Nós somos seres singulares e sociais, inconclusos. Constituímo-nos na relação com o 
outro. É também nesse movimento alteritário que ampliamos nossa percepção sobre nós 
mesmos e sobre o mundo, despontamos processos criativos, autorais, tomamos consciência 
no/do mundo e de nós mesmos. Portanto, na interação uns com os outros produzimos 
conhecimentos. Dessa forma, almejamos que os espaços escolares de todas as etapas de 
ensino sejam repletos de ludicidade, vivacidade, imaginação, criação e encontros com o outro. 
Em vez de focar na (re)produção, a escola precisa investir na criação, no 
desenvolvimento da sensibilidade, no aguçamento dos sentidos, deslocando o conceito de 
criatividade de um viés produtivo para um viés mais sensível, caminhando na contramão da 
concepção utilitária do pensamento (DALUZ, 2019). Para estimular o pensamento criativo na 
escola, torna-se fundamental desviar o foco das atividades intrinsecamente pragmáticas, 
literais, que visem a uma suposta unicidade, que busquem a resposta certa, caminhando para 
uma atitude estética e filosófica que indague os fenômenos por meio do olhar e da escuta 
sensível. É preciso, portanto, que caminhemos para uma abertura do olhar, dos sentidos, da 
metaforização, da multiplicidade de leituras, da sensibilidade, para “a liberdade de 
imaginação e o desenvolvimento da sensibilidade estética” (SILVA, 2013, p. 31). 
Em uma sociedade capitalista que não cansa de impor uma educação marcada pelo 
viés econômico utilitário, a arte e o brincar cumprem o importante papel de contraexistir 
como uma forma de resistência. Assim, que haja continuidade e ampliação das narrativas 
discentes, dos afetos, das brincadeiras, conversas, jogos, repertórios de histórias, faz de conta, 
rodas de interesses, da experiência estética com a literatura e as artes. Que ao chegar ao 
Ensino Fundamental, as experiências que as crianças trazem da Educação Infantil e as suas 
vivências fora da escola não tenham uma escuta limitada e regulada. Que assim também seja 
em qualquer momento de transição. Que saibamos valorizar as histórias e as bagagens da 
 
92 
 
 
viagem. Que a importância do que sabem e pensam sejam reveladoras de caminhos para 
novas "leituras" que estejam além da decodificação das palavras. Que a espontaneidade e 
sabedoria infantis sejam motrizes para um processo de ensino-aprendizagemsignificativo em 
todos os anos do Ensino Fundamental da Rede Pública Municipal de Educação de Niterói. E 
que a viagem seja bonita, incrível e leve para todos. 
 
11. CICLOS DO ENSINO FUNDAMENTAL 
 
O Ensino Fundamental atende aos sujeitos que, em seus diferentes ciclos de 
desenvolvimento (infâncias e adolescências
17
), são ativos social e culturalmente, porque 
aprendem e interagem. Tais crianças e jovens 
[...] são cidadãos de direitos e deveres em construção; copartícipes do 
processo de produção de cultura, ciência, esporte e arte, compartilhando 
saberes, ao longo de seu desenvolvimento físico, cognitivo, socioafetivo, 
emocional, tanto do ponto de vista ético, quanto político e estético, na sua 
relação com a escola, com a família e com a sociedade em movimento 
(BRASIL, 2010, p. 35). 
Os ciclos de desenvolvimento são marcados por profundas e extensas transformações 
físicas, afetivo-emocionais, socioemocionais, psicológicas e cognitivas. Reconhecendo que 
tais transformações não acontecem em tempos iguais para todos os sujeitos, enfatizamos a 
necessidade do reconhecimento da diferença como inerente ao humano e da assunção de que 
as crianças e os adolescentes são atores sociais, sujeitos de direito e de cultura (GADOTI, 
2006; SARMENTO, 2018). “É preciso levar em conta a pluralidade cultural na qual nos 
inserimos e o respeito às diferenças que dela provém e caracterizam cada educando como um 
ser único com suas especificidades” (E. M. PROFESSOR ANDRÉ TROUCHE/GTs, 2019). 
O Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990) considera a infância como o 
período que vai do nascimento até os 12 anos incompletos, e a adolescência como a etapa da 
vida compreendida entre os 12 e os 18 anos de idade. A Constituição de 1988, no artigo 227, 
declara que 
[...] é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao 
adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à 
 
17
 Como sujeitos históricos que são, as características de desenvolvimento dos educandos estão muito 
relacionadas com seus modos próprios de vida e suas múltiplas experiências culturais e sociais, de sorte que 
mais adequado seria falar de infâncias e adolescências no plural (BRASIL, 2010, p. 110). 
 
 
93 
 
 
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à 
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, 
além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, 
exploração, violência, crueldade e opressão (BRASIL, 1988). 
Embora considerando a importância destas legislações, destaca-se a necessidade de se 
esclarecer quais concepções de criança e de adolescente baseiam esta proposta curricular. 
Não podemos conceber como sinônimos “infância” e “criança”, tendo em vista que 
são diversas as infâncias que as crianças vivem. Por um lado, infância é uma construção 
sócio-histórica, ou seja, é produzida pelo conjunto da sociedade a partir de ideias, práticas e 
valores, que se referem, sobretudo, às crianças, o que implica afirmar que esta não é natural, 
mas um fato social, ou seja, é uma construção coletiva que assume uma forma, tem um 
sentido e um conteúdo, estabelecidos a partir das formas de agir, pensar e/ou sentir de uma 
coletividade. 
A esse respeito, Kramer (2006, p. 15) nos acrescenta que “a infância, mais que estágio, 
é categoria da história: existe uma história humana, porque o homem tem infância”. Por outro 
lado, há uma representação social de criança, pautada em fases apropriadas de 
desenvolvimento infantil e formas de socialização que a caracterizam pela imaturidade e 
dependência, orientando práticas para que desenvolvam a autonomia. 
Neste documento, concebemos a criança “como um ser que permanentemente reflete 
sobre as pessoas, objetos e relações do mundo a que tem acesso e que simultaneamente vai 
constituindo e atribuindo-lhe significados” (NIA, 1992, p. 18). Assumimos como pressuposto 
que toda criança é um sujeito histórico, produtor de cultura, capaz de aprender, sem deixar de 
destacar a importância das práticas pedagógicas que respeitem seu processo de 
desenvolvimento e sua subjetividade. “São cidadãs, pessoas detentoras de direitos, que 
produzem cultura e são nela produzidas” (KRAMER, 2006, p. 15). Também advogamos que 
“A linguagem da criança é impregnada de conteúdos e valores sociais adquiridos pela 
inserção e participação nos grupos que frequenta, consequentemente na trama dos valores 
culturais daqueles grupos” (NIA, 1992, p. 22). 
Destacamos também que a criança, desde a mais tenra idade, apresenta capacidade de 
criar, reelaborando impressões vivenciadas em seu cotidiano. Nesse sentido, “a criação é 
condição necessária da existência” (VIGOTSKI, 2009, p. 16). Junto a essa capacidade de 
criação, ressaltamos a imaginação ou fantasia, “base de toda atividade criadora [...]” 
(VIGOTSKI, 2009, p. 14). Assim, é fundamental que a escola leve isso em consideração, 
buscando caminhos para que a criança se reconheça como sujeito crítico e atuante, “capaz de 
 
94 
 
 
pensar, refletir e analisar o mundo em que vive, construindo sua própria leitura ao participar 
ativamente do processo histórico coletivo, mantendo sua autonomia” (NIA, 1992, p.21). 
A respeito da adolescência, destacamos que o senso comum aponta essa fase como 
uma transição entre as infâncias e a fase adulta, devido às intensas transformações vividas 
pelo ser humano. No entanto, sabemos que o ser humano está sempre mudando, aprendendo 
e, logo, em transição. Entendemos que as colocações que concebem a adolescência apenas 
como transição tendem a fortalecer a concepção de um não-lugar, que tira dessa fase da vida 
humana o caráter “de ser”, em contraposição a nossa defesa do adolescente como sujeito. 
O amadurecimento psicológico, as mudanças biológicas, corporais e emocionais 
colocam o sujeito em novas posições ainda não experimentadas, tanto no que diz respeito a 
sua própria constituição, quanto a novas possibilidades de tornar-se. Da mesma forma, 
estabelecem-se novas relações com os outros e com o mundo, o que pode ocasionar conflitos. 
Tudo isso torna a adolescência uma fase em que grandes desafios se apresentam para a família 
e para a escola, em que a adolescência é vivida em grande parte do tempo. 
No entanto, essa fase do desenvolvimento também agrupa grandes possibilidades na 
expansão da autonomia do sujeito, que poderá ser incentivado a pensar não apenas o seu papel 
no mundo, mas sua possibilidade/responsabilidade de intervenção, permeada por relações de 
solidariedade; a ultrapassar limites que a sociedade lhe impõe, ou que ele próprio estabelece; a 
aprofundar conhecimentos, relacionando-os com os saberes que já possui; a desenvolver a 
capacidade de tomar decisões mais assertivas e de se expressar. 
Apesar de algumas características serem similares na adolescência, como foi dito 
anteriormente, não há homogeneidade entre sujeitos. Concordamos com Gadoti (2006, p. 139) 
ao afirmar que “a nossa pedagogia dirige-se a um aluno médio, que é uma abstração. O nosso 
aluno real, contudo, o aluno concreto, é único. Cada um deles é diferente e precisa ser tratado 
em sua individualidade [...]”. Por isso, é preciso avançar no reconhecimento de que seres 
humanos têm construções culturais diferentes, influenciadas por classe, gênero, etnia e 
religião, que os constituem como sujeitos. 
Além das diferentes fases de desenvolvimento, é preciso atentar para os diferentes 
contextos geográficos em que crianças e adolescentes vivem no município de Niterói. Esses 
contextos constituem histórias e trajetórias plurais que nossos estudantes possuem e com as 
quais serão feitas conexões para possibilitar a construção de novos conhecimentos. 
 
95 
 
 
Dessa forma, é preciso considerar diferentes formas de aprender na relação com os 
distintos contextos de vida. Se os objetosde conhecimento
18
 permanecem os mesmos, as 
práticas, estratégias e recursos podem ser diversos, a fim de aumentar as oportunidades de 
aprendizagem e construção de sentidos. 
A maioria das crianças e adolescentes no mundo, atualmente, vive em cidades
19
, onde 
estabelecem seus universos culturais, dentro de realidades socioeconômicas distintas e 
desiguais, configurando uma enorme complexidade, que condiciona, em grande medida, a 
vida daqueles que vivem as (nas) cidades. 
A dualidade na produção do espaço condiciona possibilidades diferentes de 
apropriação do espaço urbano e de convivência dos diferentes, a exemplo dos espaços 
públicos e patrimônios materiais e imateriais da cidade. Nesse sentido, a escola pública 
aparece como uma grande porta de acesso dos nossos estudantes a essa vivência, de inúmeras 
questões atuais, a exemplo da questão ambiental, tratada em capítulo anterior neste 
documento
20
. Não é mais possível ignorar que o modelo de desenvolvimento baseado apenas 
em crescimento econômico levou o planeta a um esgotamento de recursos e às mudanças nos 
sistemas climáticos. 
Reafirmamos o princípio de que o estudante é um sujeito de direito; reconhecemos que 
ele pode e deve participar ativamente da tomada de decisões (visto que é na ação política que 
se constitui sujeito) e contribuir para uma reflexão e um fazer democráticos. Apesar de muitas 
vezes essa visão ser aceita no campo das ideias (respaldada tanto por documentos oficiais 
quanto na literatura educacional), ainda há dificuldades para colocá-la em prática no cotidiano 
da escola, em que as vozes dos estudantes muitas vezes são silenciadas ou ignoradas nas mais 
diferentes situações do ambiente escolar. 
No mesmo sentido, é preciso desmistificar “os conflitos” como a normalidade da 
convivência humana. O dissenso é parte de relações humanas democráticas e o conflito não é 
necessariamente o confronto, ele está presente nas relações entre indivíduos que são diferentes 
(apesar de iguais em direitos e deveres) e que, portanto, possuem visões de mundo distintas. É 
importante a preparação de todos que atuam na escola para a mediação e resolução de 
conflitos nas relações interpessoais. Defendemos a opção política de que os conflitos não 
 
18
 Esses “objetos de conhecimento” a que nos referimos são temas diversos que constam nas matrizes 
curriculares e serão trabalhados em sala de aula por professores e alunos para a construção do conhecimento. 
19
 ONU News. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2019/02/1660701. 
20
 Capítulo que trata sobre Educação Ambiental. 
 
 
96 
 
 
sejam invisibilizados e de que práticas de não violência sejam desenvolvidas na resolução 
deles, a partir do diálogo como escolha consciente, sempre incentivado em estratégias que em 
sua natureza devem abrir espaço para o contraditório, como assembleias, rodas de conversa, 
mesas de debate e grêmios estudantis. 
Uma proposta curricular não pode se esquivar dessas e de outras questões que se 
colocam à formação do ser humano. Dessa forma, apontamos aqui na direção de uma 
educação para o desenvolvimento integral do ser humano, considerando as dimensões 
intelectual, social, emocional, física e cultural, em uma proposta que borre as fronteiras entre 
essas dimensões e entre outras possíveis que não foram citadas aqui. 
Podemos acrescentar ainda a formação cidadã como a formação de um sujeito que 
exerce seus direitos e responsabilidades com o coletivo. Acerca do que seria mais relevante 
para atingir esses objetivos, temos: “As proposições que buscam desenvolver nos alunos uma 
visão ampla diante das questões contextuais da vida cotidiana em sociedade, bem como o 
desenvolvimento de uma postura cidadã ativa, sustentável e transformadora” (professora da E. 
M. LEVI CARNEIRO/GTs, 2019). 
A formação integral tem sido pensada no conjunto de possíveis soluções para a 
melhoria da qualidade educacional no Brasil por diversas áreas do conhecimento, como a 
Sociologia, a Filosofia e a Pedagogia. Uma proposta de educação integral ultrapassa os fatores 
cognitivos e afetivos, relacionando-se às múltiplas dimensões do estudante e às relações 
dentro e fora da escola, definidas com intencionalidade. Dentre as relações intraescolares, 
ganha destaque a articulação dos componentes curriculares, trabalhado sem práticas 
interdisciplinares, no sentido de superar o caráter fragmentário existente entre as diferentes 
áreas de conhecimento, buscando uma integração que possibilite tornar os conhecimentos 
mais significativos para os alunos. Também é importante a conciliação com os interesses dos 
estudantes, valorizando ações criativas e o prazer na construção do conhecimento. 
Não se pode esperar que o currículo apenas se infle de conhecimentos sem que haja 
uma constante e recorrente reflexão sobre a seleção do que é fundamental a ser abordado. O 
currículo escolar atualmente é inflado de conteúdos, muitos dos quais apresentados sem real 
articulação com o contexto do estudante (professora da E. M. JOÃO BRAZIL/GTs, 2019). 
Conceituamos, assim, a educação integral como aquela que promove o 
desenvolvimento do estudante em todas as suas dimensões (intelectual, física, social, 
emocional e cultural) e que explicita a fluidez das fronteiras entre essas dimensões. 
Acreditamos na educação integral como potente para a formação de um sujeito de direito e de 
deveres, “não entendendo o sujeito como um ser pronto e acabado, mas como aquele que se 
 
97 
 
 
constitui em decisões políticas, em processos de subjetivação” (UMEI DARCY 
RIBEIRO/Parecer, 2019). Ressaltamos uma abordagem pedagógica voltada a desenvolver 
todo o potencial dos estudantes e prepará-los para se realizarem como pessoas, profissionais e 
cidadãos comprometidos com o seu próprio bem-estar, com a humanidade e com o planeta. 
Maia e Fagundes (2021) propõem que a educação integral seja 
[...] uma proposta que se volta à formação ampliada dos alunos, que 
enriquece o relacionamento humano e que vislumbra um panorama mais 
comunitário. Para isso, sem dúvidas, a extensão da jornada diária é uma 
estratégia facilitadora, mas que precisa ser acompanhada de outras formas de 
organização social da escola. Essas outras formas irão fomentar novas 
possibilidades e novos desafios a todos os envolvidos nos processos 
educativos em seu interior e, consequentemente, às relações tecidas no 
ambiente escolar (MAIA e FAGUNDES, 2021, p. 165). 
Entendemos que o fato de a Rede Pública Municipal de Educação de Niterói organizar 
sua proposta educacional em ciclos
21
, desde 1999, relaciona-se intimamente a várias razões 
que justificam a defesa de uma educação integral. A proposta em ciclos justifica-se pela busca 
de formas para se assegurar uma maior continuidade do processo educativo e uma diminuição 
das rupturas da trajetória escolar, que não configura um processo linear e progressivo de 
aquisição de conhecimento. A opção está diretamente relacionada a um novo paradigma para 
a educação, baseado no reconhecimento das diferentes necessidades dos educandos, no 
reconhecimento de diferentes e desiguais realidades socioeconômicas e na possibilidade de 
construir estratégias mais includentes que abarquem ritmos diversos, com trajetórias distintas 
e outros tempos e espaços no cotidiano escolar, associados a um processo de planejamento e 
de avaliação continuada e formativa. 
A partir, sobretudo, das contribuições dadas pela Prof.ª Dra. Érika Virgílio da Cunha 
(Universidade Federal do Mato Grosso), em uma das Conversas Pedagógicas promovidas em 
setembro/2020 para fomentar discussões no processo de construção destes Referenciais 
Curriculares, entendemos que a política de ciclo não tem uma essência dada a priori, mas 
pode se constituir como um compromisso democrático na medida em que considere múltiplas 
formas de educar e que seja pensada como uma possibilidadede se abrir ao outro em seu 
fluxo da diferença e em sua complexa experiência educacional. 
 
21
 A organização curricular em ciclos na Rede Pública Municipal de Educação de Niterói foi regulamentada pela 
Portaria 132/2008, discutida e legitimada nos Referenciais Curriculares da Rede de 2010 e, após a 
implementação destes últimos, a proposta em ciclos foi novamente regulamentada pela Portaria 085/2011, que 
instituiu as Diretrizes e os Referenciais Curriculares e Didáticos da Rede. 
 
 
98 
 
 
Para isso, defendemos a importância de um constante e atento investimento nas 
Unidades de Educação da Rede, sobretudo no que diz respeito aos aspectos infraestruturais, 
para que a organização escolar por ciclos, anunciada em documentos da Rede de Educação de 
Niterói, seja facilitada. 
Também partindo principalmente das contribuições de Cunha (2020), compreendemos 
que há uma dimensão da política relacionada ao que precisa ser previamente definido como 
condição de realização (como os aspectos infraestruturais mencionados acima). Entendemos a 
importância de ressaltar essa dimensão da política como investimento nas escolas, para que a 
experiência educativa construída por professores, educandos e demais profissionais das 
Unidades de Educação − que por ser incontrolável, complexa e imponderável não pode ser 
definida antecipadamente − tenham condições de construir uma política de ciclos fora da 
norma da aplicabilidade, pensando a política como negociações contextuais e contingentes. 
Antes de passarmos à apresentação dos quatro ciclos que organizam o Ensino 
Fundamental na Rede Pública Municipal de Educação de Niterói, precisamos expressar mais 
algumas considerações a respeito do processo de avaliação das aprendizagens que 
defendemos. A avaliação deve ser “contínua e cumulativa no percurso educativo, com 
prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do 
período sobre os de eventuais provas finais”
22
. Considerando as diferentes formas de 
mediação para a aprendizagem, em termos práticos, é preciso que o docente utilize múltiplos 
instrumentos de avaliação, sem que haja um peso maior para avaliações que encerram 
períodos. A avaliação compõe o processo de ensino e aprendizagem em um contexto amplo, 
ou seja, ela deve ser considerada em seus aspectos formativos e precisa ser adotada na 
recondução do planejamento do trabalho pedagógico, sempre que necessário. Sendo assim, os 
estudos de recuperação das aprendizagens são obrigatórios e precisam ser realizados 
paralelamente ao período letivo, não devendo ser alvo de um momento específico ao final do 
período. 
Os nove anos do Ensino Fundamental, portanto, são organizados em quatro ciclos. 
O Primeiro Ciclo compreende a trajetória de crianças ao longo de três anos de 
escolaridade (1º ao 3º ano de escolaridade) que não deixaram de viver as infâncias pelo 
simples fato de ingressarem no Ensino Fundamental. Neste ciclo, priorizam-se os tempos e 
espaços escolares e as propostas pedagógicas que possibilitam o aprendizado da leitura, da 
escrita e da alfabetização matemática e científica, bem como a ampliação de relações sociais e 
 
22
 Acompanhamos as indicações da LDBEN 9394/1996. 
 
 
99 
 
 
afetivas nos diferentes espaços vivenciados. Nesse sentido, confirmamos as premissas 
indicadas pelo Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (BRASIL, 2015) e pelo 
Núcleo Integrado de Alfabetização − NIA (NITERÓI, 1992), defendendo que 
● as infâncias são diversas, pois as crianças atuam e participam de diferentes espaços 
socioculturais e de seus tempos; 
● crianças são detentoras de direitos e deveres. Elas têm suas necessidades, seus 
processos físicos, cognitivos, emocionais e características individuais – sexo, idade, 
etnia, raça e classe social – e, portanto, têm seus direitos e deveres. Destacamos, nessa 
direção, a premissa de que as propostas pedagógicas devem privilegiar a participação 
infantil pautada no diálogo e no compromisso ético-político com a educação pública 
de qualidade socialmente referenciada; 
● crianças têm direito a acessar múltiplas linguagens, inclusive a escrita. Nessa fase, 
a escola deve promover a integração entre a aprendizagem da leitura e a produção 
textual de forma articulada às aprendizagens dos diferentes Componentes 
Curriculares, em plena sintonia e convivência com a brincadeira, com o lúdico e com 
o tecnológico. “O trabalho de alfabetização não deve se restringir ao campo da Língua 
Portuguesa, pois lemos e escrevemos em qualquer área do conhecimento” (UMEI 
JACY PACHECO/GTs, 2019). Acreditamos que esse trabalho não deve obrigar as 
crianças a aprender a ler, a escrever e a operar matematicamente por meio de 
exercícios enfadonhos e inadequados para a sua faixa etária, mas o conhecimento deve 
ser construído de modo reflexivo, instigante e prazeroso para que os alunos possam 
desenvolver o pensamento e a compreensão d emundo. Além disso, a criança deve se 
expressar nas várias linguagens (oral, corporal, cênica, plástica, literária, musical etc.), 
por meio de propostas de atividades criativas que lhe possibilitam externar seus 
conhecimentos, sentimentos, emoções e valores. Deve-se, ainda, considerar o desenho 
como uma outra forma de linguagem, de representação da realidade e que, portanto, 
assume um papel fundamental no processo de alfabetização; 
● a brincadeira é um direito fundamental da criança. O brincar constitui-se em 
oportunidade de interação com os outros, de interação com a cultura e seus processos 
de tomada de decisões são capazes de tornar a aprendizagem mais significativa. Não 
pode ser visto como uma atividade complementar, supérflua ou até mesmo 
dispensável, pois faz parte do processo de desenvolvimento infantil, cognitivo e 
 
100 
 
 
afetivo-emocional, sendo considerado um instrumento de aprendizado e de 
compreensão do mundo; 
● atividades lúdicas e desafiadoras facilitam e mobilizam a aprendizagem escolar. 
Jogos, brinquedos e brincadeiras contribuem de forma preponderante para o 
desenvolvimento das crianças e são importantes recursos pedagógicos na relação 
ensino-aprendizagem. O uso de jogos e brincadeiras como recurso pedagógico pode 
contribuir para a formação de conceitos e estruturação do pensamento. 
● espaços escolares diversificados são potencialmente lúdicos e adequados ao 
desenvolvimento das ações pedagógicas. No entanto, a sala de aula não pode perder 
a importância do desenvolvimento dessas ações, mesmo considerando todos os 
espaços escolares como educativos; 
● a alfabetização é um processo discursivo. O processo de aprendizagem pode se 
iniciar antes e fora dos muros da escola, tendo em vista que as crianças são seres 
sociais que estão permanentemente pensando e interagindo. Contudo, os anos iniciais 
do Ensino Fundamental constituem o momento apropriado para a alfabetização, 
entendida como 
[...] um processo de produção de significados sociais, que acontece de forma 
coletiva e individual, numa dinâmica de troca, com relevância para a 
aquisição da leitura e da escrita, de modo que amplie a participação da 
criança na sociedade, através do desenvolvimento dos seus conhecimentos, 
da sua autonomia e da sua subjetividade (NIA, 1992, p. 20). 
Esta forma de compreender a alfabetização redimensiona o processo pedagógico, 
tendo em vista que os modos de ensinar dos professores e os modos de aprender das crianças 
estão intrinsecamente relacionados e encontram-se entretecidos às práticas historicamente 
construídas. 
O Primeiro Ciclo demanda um trabalho docente coletivo, sistemático e coordenado. 
Professores precisam atuar de forma conjunta para assegurar a continuidade e 
complementaridade do processo pedagógico ao longo dos três anos, “entendendo o aluno 
como um ser global” (E. M. VERA LÚCIA MACHADO/GTs, 2019).As reuniões 
pedagógicas semanais, “destinadas ao estudo e à formação continuada” (E. M. EULÁLIA DA 
SILVEIRA BRAGANÇA/GTs, 2019), constituem-se como momentos privilegiados para a 
discussão e planejamento coletivo das ações. Os registros das crianças articulados aos 
 
101 
 
 
registros de práticas dos professores também são fundamentais para que se possa consolidar 
as experiências vivenciadas e acompanhar o progresso das crianças. 
O Segundo Ciclo, que abrange a trajetória das crianças por dois anos (4º e 5º anos de 
escolaridade), tem a finalidade de integrar os saberes básicos construídos no Primeiro Ciclo, 
aprofundando-os e ampliando-os, de modo a possibilitar um diálogo mais estreito entre as 
diferentes áreas do conhecimento, mas sem nunca perder de vista o caráter integrador do 
trabalho pedagógico. Nesse sentido, é preciso enfatizar a necessidade de se levar em 
consideração as premissas indicadas para o trabalho no Primeiro Ciclo como necessárias ao 
Segundo Ciclo, tendo em vista que grande parte do seu público constituir-se-á por crianças. 
No entanto, atentos ao fato de que ao final do Segundo Ciclo parte dos educandos podem 
encontrar-se em transição para a adolescência, não podemos deixar de considerar a 
necessidade ainda maior de os projetos pedagógicos e de os planos de trabalho do ciclo 
contextualizarem práticas e metodologias que incentivem o protagonismo juvenil, a ampliação 
de canais de diálogo e a produção de sentidos pelos educandos. 
O Terceiro Ciclo compreende mais dois anos do tempo escolar (6º e 7ºanos de 
escolaridade), em um período no qual os estudantes estão na fase final da transição da 
adolescência. Esse ciclo acompanha a mesma transição da infância para a adolescência, que se 
inicia no segundo ciclo. Nele há uma grande mudança na organização do trabalho pedagógico 
que, até o ciclo anterior, era realizado com auxílio de quatro professores e, no terceiro ciclo, 
passa a contar com a colaboração de nove professores, um para cada componente curricular. 
Há mudanças consideráveis na divisão do tempo escolar, na organização e no volume do 
material de uso pessoal do estudante. 
Por ser a escola o espaço que privilegia a aprendizagem em um processo de interação 
constante com o outro, esse período de transição, que concentra tantas novidades para o 
estudante, deveria ser alvo de atenção e ações de acolhimento de toda a comunidade escolar, 
no entanto, muitas vezes, percebemos educandos e familiares sem a devida orientação para 
vivenciar um momento tão marcante. 
Reconhecemos aqui a experiência de algumas Unidades de Educação nas quais os 
primeiros dias de aula são dedicados ao acolhimento dos estudantes que chegam ao 6º ano de 
escolaridade. Nesses dias, professores e estudantes do 3º ciclo recebem os novos alunos e 
apresentam os espaços escolares e as novidades dessa etapa do Ensino Fundamental. 
É preciso um grande cuidado dos educadores em auxiliar os estudantes nessa fase, a 
fim de não fortalecer barreiras na construção do conhecimento, as quais podem enfraquecer os 
sentidos da escola e as relações com o que é vivido pelos alunos. A busca por práticas 
 
102 
 
 
interdisciplinares deve ser constante. A interdisciplinaridade não anula as especificidades das 
áreas de conhecimento, mas reconhece a necessidade de articulação de saberes dos 
componentes curriculares entre si e com o contexto de vida dos estudantes, a fim de propiciar 
maior significado às aprendizagens. A palavra de destaque é diálogo. 
A prática dialógica se faz necessária diante das diferenças. Nessa busca, o uso do 
espaço-tempo das reuniões de planejamento para o diálogo entre os profissionais da educação 
é essencial, permitindo a construção de planos de ação integradores. Outros espaços-tempos 
para a promoção e estabelecimento do diálogo com e entre os discentes, a exemplo de 
assembleias e grêmios estudantis, já citados anteriormente, precisam ser potencializados. 
O Quarto Ciclo abrange a trajetória de adolescentes nos últimos dois anos do Ensino 
Fundamental (8º e 9º anos de escolaridade). Nessa fase, busca-se a complexificação dos 
pensamentos acerca da realidade e os estudantes devem ser incentivados a questionar e a 
solucionar problemas reais que se colocam para o coletivo. Propõe-se expandir e qualificar a 
capacidade de analisar, relacionar, argumentar e sistematizar diferentes questões sociais, 
culturais, históricas e ambientais. 
Reconhecendo toda a complexidade da prática dialógica, nossos estudantes devem ser 
incentivados a expressar seus sentimentos e convicções, em um movimento marcadamente 
democrático de respeito a si mesmo e ao outro. 
 
11.1 A Trajetória da Revisão Curricular no Ensino Fundamental 
 
A revisão dos Referenciais Curriculares da Rede Pública Municipal de Educação de 
Niterói se desenhou como uma construção coletiva, com o objetivo duplo de refletir sobre o 
trabalho pedagógico que acontece nas Unidades de Educação e de ser ampla e continuamente 
significada pelos educadores da Rede. Um processo dialógico e colaborativo uniu a Diretoria 
de 1º e 2º ciclos e a Diretoria de 3º e 4º ciclos para reunir os professores que atuam no Ensino 
Fundamental, com o propósito comum de pensar as concepções e práticas pedagógicas dos 
quatro ciclos e diminuir a fragmentação entre os eles. 
Os ofícios n.º 07/2019, n.º 18/2019 e n.º 21/2019 foram encaminhados às Unidades de 
Educação, solicitando discussões curriculares e que as contribuições fossem registradas e 
encaminhadas à Fundação Municipal de Educação. Depois do desenvolvimento dessas 
primeiras discussões nas escolas, os ofícios n.º113/2019 e nº.127/2019, da Diretoria de 3º e 4º 
ciclos e da Diretoria de 1º e 2º ciclos, respectivamente, foram enviados às escolas convidando 
 
103 
 
 
docentes do Ensino Fundamental para representarem suas Unidades de Educação na Revisão 
dos Referenciais Curriculares da Rede, por meio da formação de Grupos de Trabalho (GTs) 
reunidos de acordo com os nove componentes curriculares que compõem a grade curricular 
do município de Niterói. 
Em 14 de agosto de 2019, cerca de 200 docentes, indicados por suas Unidades de 
Educação, reuniram-se para discutirem bases conceituais e metodológicas a fim de pensar o 
currículo da Rede Pública Municipal de Educação de Niterói. Houve formação de oito GTs, 
que se reuniram em diferentes datas e dedicaram-se a atualizar o pensamento sobre a 
Educação em Niterói e sobre as matrizes curriculares, esforçando-se no diálogo com a Base 
Nacional Comum Curricular (BNCC)
23
, mas, acima de tudo, dando voz ao que acontece nas 
escolas, colocando nosso educando no centro do processo e mantendo um compromisso com 
a educação de qualidade que defendemos e na qual acreditamos. 
Adotamos nesta revisão as áreas do conhecimento, com agrupamento dos 
componentes curriculares da seguinte forma: Linguagens − Língua Portuguesa, Língua 
Estrangeira (Inglês, Espanhol e Francês), Arte e Educação Física; Matemática − Matemática; 
Ciências da Natureza − Ciências; Ciências Humanas − Geografia e História. 
A apresentação de cada componente curricular se faz por meio de textos introdutórios 
com pressupostos de importância para a educação defendida na Rede, seguidos das matrizes 
curriculares. Os textos e matrizes apresentados neste documento foram elaborados e 
discutidos de forma coletiva, a partir das reflexões dos professores que formaram os GTs. 
Atendemos à BNCC, mas optamos por ir além do que é proposto por ela, atendendo ao direito 
de aprendizagem dos nossos estudantes no que diz respeito a conhecimentos não previstos 
pela Base, mas considerados de importância pelos docentes. 
O que se apresenta nos textos introdutórios e nas matrizes não tem a intenção de servir 
como determinações para o trabalho pedagógico das escolas, e sim como uma orientação do 
que se defende na Rede como direito de aprendizagem e se reconhece como uma educação de 
qualidadedos Referenciais Curriculares da Rede Pública Municipal de Educação 
de Niterói 
Cristiane Gonçalves de Souza 
Andréia Mello Rangel 
Queli Cristina de Andrade Novaes 
Sandra Cristina Ferreira de Sousa 
Virginia Maria Muniz 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 
 
 
 
 
 
A TODOS E A TODAS QUE COLABORARAM COM ESTE PROCESSO DE UMA 
NOVA CONSTRUÇÃO CURRICULAR PARA A REDE MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE 
NITERÓI. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A experiência da construção dos Referenciais Curriculares Municipais nos últimos 
dois anos faz Niterói amadurecer em sua autonomia política que, mesmo garantida na 
legislação, sabemos bem, é conquista política do nosso dia a dia. Este documento que chega à 
comunidade escolar é sinal de nossa capacidade de conduzirmos coletivamente nossos 
próprios caminhos nas perspectivas do aprimoramento do que entendemos sobre a qualidade 
social da educação. 
Após dois anos de discussão com os profissionais da Rede Pública Municipal de 
Educação, a Minuta dos novos Referenciais Curriculares foi apresentada ao Conselho 
Municipal de Niterói (CMEN) em dezembro de 2020, para apreciação e votação. No ano de 
2021, o CMEN instituiu a Comissão Especial pela Deliberação CMEN nº 045/2021, composta 
por Conselheiros, Especialistas, Professores e Pedagogos da Rede, para análise e 
pronunciamento sobre a Minuta dos Referenciais. Em novembro do mesmo ano, a Comissão 
emitiu recomendações que foram apreciadas pelo CMEN, que emitiu o Parecer CMEN nº 
011/2021, indicando a publicação da Deliberação nº 046/2021, que aprovou os Referenciais 
em sua íntegra. Cabe destacar que o CMEN dedicou a conclusão desse trabalho à Conselheira 
Prof.ª Maria Felisberta Baptista da Trindade, que participou ativamente das discussões, além 
de ter devotado toda a sua vida na incansável luta pela Educação Pública. 
Do CMEN, ao envolvimento de professores-técnicos nas discussões e até ao “chão da 
escola”, do comprometimento dos professores nos debates, das disputas de concepções 
filosóficas diante do ensinoaprendizagem, os Referenciais Curriculares Municipais são a 
expressão do que queremos, do que vislumbramos em termos de formação cultural e cidadã 
para uma cidade e um país soberanos. 
Registro aqui a importância das gestões anteriores que iniciaram este processo, dos 
Secretários Municipais de Educação e Presidentes do CMEN que tomaram posição diante das 
expectativas deste documento, tão esperado pela comunidade escolar. A impessoalidade 
exigida no desenvolvimento das Políticas Públicas Educacionais não dispensa o 
reconhecimento daqueles que se empenharam para que estes Referenciais se consolidassem 
para o aprimoramento da Rede Pública Municipal de Educação de Niterói. Desta forma, 
lembremos dos esforços da Professora Dra. Flávia Monteiro de Barros Araujo e do Sr. 
Vinicius Wu nas decisões e encaminhamentos para a consolidação dos Referenciais. 
Concebido por várias mãos comprometidas com a educação municipal de Niterói, este 
documento é o eixo orientador dos nossos fazeres escolares, é luz que desencadeará uma 
atualização das práxis pedagógicas, articulando, dos gestores aos professores, a repensarem 
dialeticamente seus ofícios. Este desafio é de todos nós. 
 
 
 
Os Referenciais Curriculares Municipais são as possibilidades de avançarmos na 
consolidação da Escola Pública Municipal de Niterói, democrática, popular e de qualidade 
referenciada socialmente. 
Dezembro de 2022. 
(No ano do Centenário de nascimento de Darcy Ribeiro) 
 
Professor Dr. Lincoln de Araújo Santos 
Secretário Municipal de Educação 
Presidente do Conselho Municipal de Educação 
 
 
 
 
Aos colegas professores, pedagogos e a todos os profissionais da Rede Pública 
Municipal de Educação de Niterói, representando toda a equipe da Subsecretaria de 
Desenvolvimento Educacional, me dirijo a vocês, para apresentar os nossos tão esperados 
Referenciais Curriculares Municipais. 
Os Referenciais Curriculares para a Rede Pública Municipal de Educação se 
materializam em um momento histórico em que a luta pela democracia ganha novo fôlego no 
contexto nacional. Nas suas páginas, encontramos os princípios e diretrizes em consonância 
com as legislações federais e municipais que compõem a história da Educação de Niterói. O 
texto de Introdução, comum aos três volumes, possui um breve histórico da construção dos 
Referenciais e outros escritos que indicam as principais perspectivas teóricas e frentes de 
trabalho das áreas transversais do conhecimento. 
Nos textos específicos, da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e da Educação 
de Jovens e Adultos (EJA), encontramos as reflexões coletivamente construídas ao longo dos 
encontros formativos e dos debates sobre as singularidades teórico-práticas de cada 
segmento/modalidade de ensino. 
Nosso objetivo é que os Referenciais Curriculares Municipais sejam norteadores das 
Políticas Educacionais da nossa rede, que ofereçam subsídios para a revisão dos Projetos 
Políticos Pedagógicos e que desse modo orientem os trabalhos das Unidades de Educação e 
dos grupos de referência. 
A expectativa é que este documento ganhe sentido a cada dia nas Unidades de 
Educação e é isto o que mais nos dá esperança: que os objetivos propostos no documento se 
concretizem nos fazeres pedagógicos para que tenhamos um currículo com centralidade nas 
demandas educacionais das crianças, dos jovens e dos adultos da Rede Pública Municipal de 
Educação de Niterói. 
A entrega desses documentos, cuja elaboração contou com a ampla participação da 
rede, terá, além do seu elemento prático, – oferecer subsídios ao trabalho pedagógico da rede 
– dois elementos simbólicos: o reestabelecimento do pacto com o nosso Município da 
Educação Que Queremos e a celebração da vitória da democracia, pois o diálogo, o respeito e 
a coletividade estão presentes em cada canto das páginas que se seguem. 
 
Professora Dra. Djenane Freire 
Subsecretária de Desenvolvimento Educacional 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
APRESENTAÇÃO ................................................................................................................. 27 
PARTE I 
1. CURRÍCULO E MOVIMENTOS INSTITUINTES ....................................................... 30 
2. MOVIMENTO PARA ELABORAÇÃO DOS REFERENCIAIS CURRICULARES 
DA REDE PÚBLICA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE NITERÓI ............................. 35 
3. EDUCAÇÃO E INCLUSÃO: DIREITOS DE TODOS .................................................. 45 
3.1 Porque é lei .................................................................................................................... 46 
3.2 Porque as vivências são as ações modeladoras do ato de aprender ......................... 48 
3.3 Porque a escola continua sendo o espaço no qual se é possível viver a experiência 
da aprendizagem .............................................................................................................. 49 
4. EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA: PERSPECTIVAS 
CURRICULARES EM CONSTRUÇÃO ............................................................................. 50 
5. CURRÍCULO, CULTURA E DIFERENÇA ................................................................... 56 
6. A LEITURA LITERÁRIA E A FORMAÇÃO DO LEITOR-AUTOR NA REDE 
PÚBLICA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE NITERÓI ................................................ 60 
7. EDUCAÇÃO AMBIENTAL ............................................................................................. 67 
7.1 Educação em riscos ambientais ................................................................................... 71 
8. TECNOLOGIAS NA APRENDIZAGEM ....................................................................... 73 
8.1 Sociedade contemporânea ............................................................................................ 73 
8.2 Sociedade em rede ........................................................................................................socialmente referenciada, objetivando, como colocado anteriormente, uma 
formação integral do ser humano. A prática pedagógica nas Unidades de Educação qualificará 
as orientações aqui apresentadas. 
 
23
 Homologada em 20 de dezembro de 2017, tem o ano de 2019 como de sua implantação em todo o território 
nacional, por meio da construção de currículos locais, de responsabilidade das redes de ensino e escolas, que 
têm autonomia para organizar seus percursos formativos a partir da sua própria realidade. 
 
 
 
104 
 
 
As matrizes buscam a praticidade para o planejamento no cotidiano escolar, 
possibilitam fácil compreensão e apropriação das informações, com a visualização de 
objetivos cognitivos e de desenvolvimento. Para garantir que a mesma concepção de educação 
de cada componente permeasse todo o Ensino Fundamental, optamos por apresentar, na 
primeira coluna, os Núcleos Temáticos, que agrupam Objetos de Conhecimento que se 
comunicam entre si. Cabe destacar que os Núcleos Temáticos também foram pauta de 
discussão nos GTs e traduzem o movimento de cada componente curricular em direção ao 
trabalho interdisciplinar no Ensino Fundamental. 
A interdisciplinaridade é, portanto, entendida aqui como abordagem teórico-
metodológica em que a ênfase incide sobre o trabalho de integração das diferentes áreas do 
conhecimento, um real trabalho de cooperação e troca, aberto ao diálogo e ao planejamento 
(NOGUEIRA, 2001). Pela abordagem interdisciplinar, ocorre a transversalidade do 
conhecimento constitutivo de diferentes disciplinas e cabe destacar, neste propósito, o papel 
fundamental da ação didático-pedagógica mediada pela pedagogia dos projetos temáticos 
(BRASIL, 2010). 
Os Objetos de Conhecimento especificam, de forma ampla, temas trabalhados em sala 
de aula. Na coluna ao lado dos Objetos de Conhecimento, estão os Objetivos de 
Aprendizagem e Desenvolvimento, que dizem respeito ao conjunto de saberes que serão 
desenvolvidos no processo de ensino e aprendizagem, em múltiplas experiências. Finalmente, 
na última coluna, são apresentadas as propostas e sugestões de estratégias e possíveis 
metodologias para o trabalho pedagógico. 
Tanto a proposta de ciclos quanto a proposta de formação integral requerem que a 
abordagem feita dos conhecimentos historicamente construídos, se tratados como 
componentes curriculares, siga uma lógica de problematização dos Objetos de Conhecimento. 
Seguimos a orientação dos Referenciais de 2010, que sugerem: 
[os] conhecimentos deixam de ser vistos como informações recebidas pelos 
alunos para serem objetos de reflexão, indagação e construção, tendo, como 
meio para tal, o estabelecimento de métodos e técnicas pedagógicas mais 
significativas que possibilitem o trabalho com conteúdos, de forma que estes 
se relacionem entre si e como cotidiano dos alunos (NITERÓI, 2010, p. 19). 
No mesmo sentido, busca-se a interdisciplinaridade por meio de um diálogo constante 
entre os componentes. Deixamos claro que, para alcançar esses objetivos, conta-se com a 
articulação dos professores da mesma área de conhecimento e de diferentes áreas, do mesmo 
ciclo e dos diferentes ciclos, nas discussões e na organização dos planejamentos e planos de 
 
105 
 
 
ação das escolas. A integração será buscada por meio da permeabilidade dos saberes e de uma 
vinculação com os saberes dos nossos estudantes. 
 
11.2 Leitura e devolutiva das Unidades de Educação 
 
Quando planejamos o envio dos documentos preliminares dos novos Referenciais 
Curriculares da Rede Pública Municipal de Educação de Niterói às Unidades de Educação, 
pensamos em momentos conjuntos de formação com os professores do Ensino Fundamental, 
reunindo os diferentes ciclos e privilegiando a ênfase nas propostas interdisciplinares. 
Tencionamos também possibilitar a continuidade dessas discussões, mesmo após o término da 
revisão do documento, tendo em vista que tal ação proporcionará a contínua reelaboração de 
conhecimentos e garantirá Referenciais Curriculares que atendam ao contexto das escolas 
municipais de Niterói. 
Nesse sentido, não podemos deixar de considerar que o texto preliminar foi lido e 
discutido pelas escolas em um momento excepcional, de mudanças nas relações interpessoais 
em todas as sociedades do mundo, sendo necessário mencionar neste documento os impactos 
da pandemia de Covid-19 sobre a feitura destes Referenciais Curriculares. Isso se deve não 
apenas ao planejamento da continuidade das discussões, que precisou ser reconsiderado, mas 
também às necessidades que afloraram na educação suscitadas pelo ensino remoto e pela 
necessidade de adoção das estratégias e instrumentos que exigiram, em caráter excepcional, o 
ensino híbrido. 
Nesse contexto, recebemos, em setembro de 2020, pareceres de inúmeras Unidades do 
Ensino Fundamental acerca da leitura dos documentos preliminares para revisão dos 
Referenciais Curriculares da Rede Pública Municipal de Educação de Niterói, os quais 
consideramos à luz das discussões legitimadas pelos Grupos de Trabalho de 2019. 
Consideramos de grande importância o destaque dado pelas Unidades de Educação à 
necessidade de incluir, no calendário de formação continuada em serviço dos profissionais da 
Rede, temas de um currículo pós-pandemia, chamando a atenção para a utilização de 
Metodologias Ativas, Salas de Aula Invertidas, Uso de Novas Mídias e Tecnologias, com o 
uso de aplicativos e Softwares Educacionais. 
Não pode ser ignorado o destaque dado pelas Unidades de Educação à infraestrutura e 
aos equipamentos necessários para a oferta e construção de uma educação de qualidade, como 
a atualização e manutenção de equipamentos de tecnologia da informação, ambientes virtuais, 
 
106 
 
 
laboratórios de ciências, salas de arte, salas ambiente, auditórios, quadras poliesportivas 
cobertas e refeitórios. 
 
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PARTE II 
 
 
 
 
 
 
 
 
116 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ÁREA DE CONHECIMENTO: LINGUAGENS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
117 
 
 
 
1. LÍNGUA PORTUGUESA 
 
LINGUAGEM, LÍNGUA E ENSINO 
 
Pensar na aprendizagem da Língua Portuguesa implica considerar que esta é 
fundamentada em quatro atividades presentes nas diversas práticas sociais: falar, ouvir, ler e 
escrever. Atividades essas que norteiam os núcleos temáticos da presente matriz curricular: 
oralidade / sinalidade
24
, leitura, produção de textos e análise linguística / multimodal. 
De acordo com Travaglia (1997), a concepção de linguagem e de língua altera 
fortemente o modo de estruturar o trabalho para o ensino da língua materna, determinando o 
que, como e para que se ensina. Por isso, é fundamental explicitar alguns conceitos que são 
primordiais, especialmente linguagem, língua, texto e discurso. 
A linguagem, ao longo da história, foi concebida de diversas formas, sendo as mais 
predominantes: a concepção de linguagem como expressão do pensamento; a linguagem 
como instrumento de comunicação; e a linguagem como interação. Cada uma dessas 
concepções implica uma prática pedagógica específica e, consequentemente, uma maneira 
distinta de nos relacionarmos com a língua (GERALDI, 2003). 
A concepção da linguagem como expressão do pensamento está ancorada estritamente 
na relação psíquica entre linguagem e pensamento, caracterizando a primeira como algo 
individual, centrada na capacidade mental do indivíduo. Nessa tendência, a língua é entendida 
como um sistema de normas acabado, imutável, abstrato, baseado em “certo” e “errado”, 
privilegiando apenas a variedade dita padrão ou culta em detrimento de outras. Nesse 
paradigma, o não saber pensar é a causa das pessoas não conseguirem se expressar, o que 
resulta na lógica da necessidade de incorporação de regras a serem seguidas, estas situadas no 
domínio do estudo gramatical normativo. Além disso, o discurso que se materializa no texto 
independe da situação, do interlocutor, dos objetivos, dos fenômenos sociais, culturais e 
históricos, podendo prescindir da linguagem do cotidiano e das criações artísticas. Por isso, o 
texto é compreendido como um produto lógico do pensamento do autor, e ao leitor/ouvinte, 
que exerce um papel essencialmente passivo, cabe “captar” essa representação mental, 
juntamente com as intenções do produtor (GERALDI, 2003). O ensino escolar baseado nesta 
concepção estaria ancorado numa proposta de fazer os alunos decorarem listagem de regras, 
fundamentado em exercícios para memorização. Desta forma, seria baseado na transmissão de 
 
24
 Entendemos por sinalidade a produção verbal por meio das línguas de sinais. 
 
118 
 
 
conhecimentos, e o aluno seria compreendido como um ser passivo diante de textos artificiais, 
estes vistos como produto de informação. 
A linguagem como instrumento de comunicação tem uma importante influência da 
Teoria da Comunicação, postulada especialmente por Roman Jakobson, que defende a língua 
como um conjunto organizado de signos que, combinados através de regras, possibilita a um 
emissor transmitir uma mensagem a um receptor, considerando que ambos conhecem e 
dominam um código. Portanto, esta teoria não considera os interlocutores e a situação de 
produção como determinantes das unidades e regras que constituem a língua, tampouco esta 
como uma construção social e histórica. Nessa abordagem, o texto é visto como simples 
produto da codificação de um emissor a ser decodificado pelo leitor/ouvinte. O 
“decodificador”, portanto, também assume um papel passivo, uma vez que a informação deve 
ser recebida do modo como foi idealizada na mente do emissor. Em tal perspectiva, o ensino 
da leitura e escrita fica restrito ao processo interno de organização do código, privilegiando-se 
a forma, o aspecto material da língua, em detrimento do conteúdo, do significado e dos 
elementos extralinguísticos, tendendo ao ensino gramatical a partir da prática e da repetição 
(GERALDI, 2003). 
Ao contrário das duas anteriores, a concepção da linguagem enquanto processo de 
interação, assumida neste documento, situa-a como um lugar de ação humana mediada pela 
produção de sentidos entre os interlocutores, que são sujeitos que ocupam lugares sociais, em 
uma dada situação e em um contexto sócio-histórico e ideológico. Para Bakhtin (2014a), 
importante referência desta concepção de linguagem, a língua não é constituída por um 
sistema abstrato de formas linguísticas, nem pelo ato psicofisiológico de sua produção, mas 
pelo fenômeno social da interação verbal, realizada através da enunciação ou das enunciações. 
A linguagem tanto é constituída pelos sujeitos que interagem por meio dela, quanto é 
constitutiva desses mesmos sujeitos, veiculando valores que são (re)elaborados por estes nas 
interações, sendo, portanto, ideológica. Assim, ela é histórica e social, sendo estabelecida no 
uso, uma vez que os sentidos são construídos num processo de interlocução entre os sujeitos 
que produzem o discurso e os sujeitos que leem/escutam. 
Portanto, a linguagem é compreendida neste documento como a capacidade humana 
de interação, tendo em vista não apenas a expressão de sentimentos, a manifestaçãode 
desejos e opiniões, a troca de informações entre diferentes culturas, mas também como uma 
forma de o sujeito agir, atuar sobre o outro e sobre o mundo (GERALDI, 2003). Sob esse 
aspecto, a linguagem pode ser de natureza verbal- concernente à modalidade escrita, 
 
119 
 
 
sinalizada ou oral; e não verbal- vinculando-se aos símbolos de uma maneira geral, como 
gestos, expressões faciais, desenhos, pinturas, danças, entre outros elementos. 
Nessa perspectiva, a língua não é transmitida, mas se constitui num processo evolutivo 
contínuo, no qual os indivíduos não “adquirem” sua língua materna, mas se tornam sujeitos ao 
penetrarem na corrente de comunicação (BAKHTIN, 2014a). Tendo em vista seu caráter 
social, esta não permite mudanças arbitrárias, uma vez que se torna necessário obedecer a 
certas regras para que a comunicação se realize de maneira plausível. Contudo, ela se 
modifica historicamente nas interações verbais, uma vez que se realiza por meio das 
enunciações em uma dada situação e em um contexto, retratando diferentes formas de 
significar a realidade e, por isso, não pode ser estudada fora do contexto social e das 
condições de produção. 
O discurso é, portanto, entendido como o ato de comunicação verbal, ou seja, como 
uso individual e concreto da língua no complexo processo da linguagem, fruto da interação 
entre os participantes do enunciado e os elementos históricos, sociais e linguísticos. Conforme 
a perspectiva da linguagem como interação, 
[...] o discurso vivo e corrente está imediata e diretamente determinado pelo discurso-
resposta futuro: ele é que provoca esta resposta, pressente-a e baseia-se nela. Ao se constituir 
na atmosfera do “já-dito”, o discurso é orientado ao mesmo tempo para o discurso-resposta 
que ainda não foi dito, discurso este, porém, que foi solicitado a surgir e que já era esperado 
(BAKHTIN, 2014b, p. 89). 
O texto é, então, o espaço de concretização desse discurso, seja ele oral ou escrito, 
visto não como uma unidade fechada, mas como uma dimensão discursiva, considerando-o 
em suas múltiplas situações de interlocução, como resultado de trocas entre os sujeitos, 
situados em um contexto sócio-histórico. (GERALDI, 2003). Trata-se do modo como um 
sujeito escolhe organizar os elementos de expressão de que dispõe para veicular seu discurso 
ao outro. 
Desta forma, o ensino da língua ancorada nesta concepção e proposta neste documento 
pretende, não apenas levar o aluno ao conhecimento da gramática, mas, sobretudo, 
desenvolver sua capacidade de refletir, de maneira crítica, sobre o mundo que o cerca e sobre 
a utilização da língua como recurso para a interação social. A reflexão linguística é feita a 
partir da compreensão, da análise, da interpretação e da produção de textos verbais, 
considerando seu contexto de produção, as diferentes situações de comunicação, os gêneros e 
a intenção de quem os produz. Essa posição não pressupõe abandonar o ensino gramatical, 
 
120 
 
 
mas abordá-lo de maneira contextualizada, buscando revelar suas implicações na produção 
dos múltiplos sentidos. 
 
1.1 Gêneros Discursivos 
 
A partir do estudo do texto, é possível estudar o discurso, o gênero no qual foi 
organizado e os demais conteúdos implicados na atividade verbal. Como estão diretamente 
relacionados ao uso que as pessoas fazem da linguagem em diferentes situações 
comunicativas, os gêneros discursivos
25
 correspondem a certos padrões de composição do 
texto determinados pelo contexto em que são produzidos, pelo público a que se destinam, por 
sua finalidade, por seu contexto de circulação. 
Consoante Bakhtin (2011, p. 290), “cada esfera de utilização da língua elabora seus 
tipos relativamente estáveis de enunciado”. Estáveis do ponto de vista temático, 
composicional e estilístico. Dessa forma, a fim de formar cidadãos participativos socialmente, 
entendemos que elencar os gêneros a serem abordados nas aulas favorece a promoção de 
práticas educativas que possibilitem ao estudante participar de práticas sociais de linguagem 
que se realizem para além do espaço escolar. 
Como os textos representativos dos variados gêneros são expressos por meio de 
diferentes tipos de composição (ou tipos textuais) - expositivo, descritivo, argumentativo ou 
opinativo, narrativo e injuntivo - estudá-los possibilita o desenvolvimento de atividades de 
leitura, compreensão, interpretação e produção textual. E, como estão ligados a diferentes 
esferas comunicativas, abordá-los em sala de aula é uma forma de possibilitar aos alunos a 
apropriação de gêneros que circulam em campos sociais variados, como o jornalístico-
midiático (a partir de gêneros como a notícia, a reportagem, o editorial, por exemplo), o 
artístico-literário, o campo da vida cotidiana, da esfera pública, jurídica e acadêmica. 
Por serem abordados como elementos norteadores das aulas de Língua Portuguesa, é 
preciso alertar para o perigo de gramaticalização dos gêneros, ou seja, para a prática de 
recorrer-se ao conceito de gênero apresentado por Bakhtin (2011) e enfocar aspectos que não 
são pertinentes a este, ao direcionar-se o objetivo da análise textual para a formação de 
 
25
 Neste documento, utiliza-se o termo gêneros discursivos em detrimento de gêneros textuais, por entender que, 
apesar de estarem fundamentados na perspectiva bakhtiniana, não é apenas uma diferença terminológica, mas 
conceitual, diferenciando-se a partir do foco desenvolvido por cada uma. Conforme Rojo (2005), a 
terminologia gêneros do discurso recorre às marcas textuais e linguísticas com vistas à produção de sentido nas 
situações enunciativas, enquanto a teoria dos gêneros textuais não apenas recorre a estes aspectos como parte 
da composição textual, mas os considera elementos primordiais na formação e classificação dos gêneros. 
 
 
121 
 
 
conjuntos de textos que se enquadram neste ou naquele gênero. Por exemplo, pode-se 
trabalhar com o gênero notícia com foco em aspectos estruturais, como os que compõem o 
lead, deixando-se de explorar os aspectos discursivos, como as escolhas lexicais. Portanto, 
não se trata de substituição de nomenclatura gramatical pelo estudo da composição dos 
gêneros, mas de preparação do estudante para ler, entender, inferir acerca da ideologia 
perpassada no texto e instrumentá-lo a atuar em relação ao conteúdo lido e em relação à 
produção de textos. 
A fim de buscar um trabalho integrado entre as diversas áreas do conhecimento, 
pautado na interdisciplinaridade, destacamos alguns temas norteadores que podem ser 
contemplados nos textos de diversificados gêneros discursivos elencados nas matrizes 
curriculares, tais como: discriminação racial, discriminação social, discriminação aos idosos, 
inteligência emocional, criatividade, comunicação não violenta, mobilidade urbana, 
preservação ambiental, saúde física e mental, saúde e cuidado, intolerância religiosa, 
desigualdade de gênero, pluralidade / diversidade cultural, valores (solidariedade, empatia), 
Niterói, cidadania, bullying, consumo consciente, trabalho infantil, desenvolvimento 
sustentável, consciência ecológica, educação para riscos ambientais, educação para o trânsito, 
(re)educação alimentar, identidade, infâncias/adolescências, famílias, combate às fake news, 
enfrentamento aos discursos de ódio, os riscos da negação da ciência, dentre outros. 
 
1.2 Contextos de produção 
 
Cabe ressaltar que, na perspectiva da linguagem como interação, os sujeitos elaboram 
os discursos de acordo com a finalidade de cada espaço, este entendido como esfera social, 
ou seja, os discursos são sempre orientados e determinados pelas características dos 
contextos de produção em que se efetivam. Além disso, os enunciados são elaborados tendo 
em vista as finalidades e as representações que o sujeito produtor tem de seus 
interlocutores, isto é, o contexto de recepção. Cabe, ainda,a consideração do portador e do 
espaço de circulação dos textos, o que orienta a escolha de determinado gênero do discurso. 
Conforme salienta Bakhtin (2011), os contextos de produção são únicos e irrepetíveis, o que 
torna os discursos também únicos. Dessa forma, tal discussão precisa estar presente na 
escola, bem como a busca por garantir condições para que os alunos aprendam a 
construir textos adequados às características de produção e a seus interlocutores. Objetivando-
se uma formação cidadã, a qual pretende que os alunos sejam capazes de agirem criticamente 
 
122 
 
 
nas diversas situações comunicativas, as práticas sociais que se realizam dentro e fora da 
escola precisam ser objetos de aprendizagem nas unidades de ensino. 
 
1.3 Linguagem oral e linguagem escrita 
 
Considerando-se que a linguagem pode ser de natureza verbal e não verbal, essas 
diferentes modalidades precisam estar presentes nas práticas escolares, possibilitando a 
interlocução entre as distintas áreas do conhecimento, estruturando os diferentes objetivos de 
aprendizagem. 
Em relação à linguagem verbal, esta é efetiva na oralidade/sinalidade e na escrita, 
assumindo algumas características distintas. Poderíamos afirmar que a linguagem oral ou 
linguagem sinalizada geralmente é direta, guiada pelo diálogo e que pode dispor de recursos 
extralinguísticos como gestos, expressões faciais, prosódia, entonação e postura corporal. 
Num contexto de produção face a face, é possível refazer a mensagem se não bem 
interpretada, uma vez que esta modalidade apresenta constante inovação e implica um maior 
envolvimento entre os falantes. A linguagem escrita, por outro lado, seria, a priori, de contato 
indireto, necessitando de uma elaboração mais adequada, havendo uma preocupação maior 
com o conteúdo e com a correção, o que nem sempre acontece na fala. Ainda na linguagem 
escrita, existe, a princípio, uma maior distância e menor interferência do interlocutor. 
Contudo, a discussão sobre as linguagens oral, sinalizada e escrita não pode ser 
baseada apenas em suas diferenças, considerando-se a complexidade das situações de 
enunciação na sociedade atual. Quando analisamos as manifestações verbais nos diversos 
contextos de produção, podemos observar que questões como formalidade ou planejamento 
não são determinantes para caracterizar a linguagem. Um discurso falado pode ser organizado 
em um registro formal, dependendo de seu contexto de produção, do mesmo modo que um 
discurso escrito pode ser organizado em um registro informal, ou seja, a materialidade do 
discurso - fônica ou grafada - não determina o registro. Além disso, um discurso oral pode ser 
mais planejado, dependendo dos interlocutores, e um texto escrito pode ser mais espontâneo, 
tendo em vista a situação comunicativa. Por fim, um discurso falado pode ser ancorado num 
discurso escrito, organizado em gêneros típicos tanto de instâncias públicas como particulares. 
Portanto, a linguagem verbal precisa ser tomada como objeto de ensino, o que 
significa planejar situações didáticas em que a oralidade e a escrita estejam imbricadas 
mutuamente. Isto implica em não compreender a linguagem oral e a linguagem escrita como 
 
123 
 
 
oposições, mas, sim, como manifestações que estão presentes nas diferentes circunstâncias 
comunicativas das culturas atuais, que incorporam características próprias, mas também 
similares. 
 
1.4 Variedades linguísticas 
 
As línguas humanas são heterogêneas e, portanto, variáveis. Os usos que são feitos 
destas são plurais e variam conforme a classe social, o gênero, a idade, a escolaridade, a 
profissão, a localização geográfica e as diversas atividades humanas. Desta forma, as 
variedades linguísticas devem ser objeto de reflexão nas aulas de Língua Portuguesa, 
sobretudo o valor social atribuído às variedades de prestígio e às variedades estigmatizadas. 
Considerando-se os diferentes modos de realização dos discursos, segundo os 
pressupostos da Sociolinguística, importa ressaltar, junto aos estudantes, que não há forma 
melhor ou pior de se empregar uma língua, mas, sim, incentivá-los a refletir acerca das 
escolhas linguísticas dos falantes em um determinado contexto. Cabe, então, à escola abordar 
a questão da adequação linguística às diversas situações comunicativas, a fim de discutir e 
combater o preconceito linguístico, sem minimizar o ensino da norma-padrão, a qual 
permitirá aos alunos o conhecimento de gêneros discursivos, escritos ou orais/sinalizados, 
mais ou menos formais, e a circulação em meios socialmente prestigiados. 
 
1.5 Multimodalidade 
 
Com o aparecimento de novas esferas da atividade humana, sobretudo com a 
ampliação do uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC), o 
componente curricular de Língua Portuguesa vem enfrentando mudanças e um grande 
desafio: unir as novidades tecnológicas à tradição escolar. A escola precisa, então, estar atenta 
e conectada a essa era digital, explorando os gêneros discursivos mais próximos da 
contemporaneidade e do cotidiano – tanto infantil quanto juvenil e adulto –, além de abordar 
os textos mais clássicos, canônicos. 
Tendo em vista que novos gêneros têm sido formados, com finalidades discursivas 
específicas, o ensino e a aprendizagem da leitura e da escrita precisam considerar essa 
variedade dos modos de comunicação atualmente existentes, a que chamamos de 
multimodalidade. Nessa perspectiva, devem-se considerar os modos de comunicação 
linguísticos (a escrita e a oralidade), visuais (imagens, fotografias) e/ou gestuais (apontar o 
 
124 
 
 
dedo, balançar a cabeça negativamente ou afirmativamente, por exemplo), conforme Street
26
. 
Essa diversidade de modos de comunicação está sendo incorporada tanto pelos meios de 
comunicação mais tradicionais, como livros e jornais, quanto pelos mais modernos, como 
computadores, celulares, televisão, dentre outros. 
A inclusão da multimodalidade em abordagens educacionais nos exige uma mudança 
fundamental – não apenas na maneira como enxergamos a comunicação, mas também na 
forma como professores e alunos interagem no mundo moderno, multimodal e multimídia. A 
questão central permanece sendo a de que somos produtores de significados e a de que os 
modos e os meios de comunicação são recursos dos quais nos apropriamos para produzir 
significados. 
Caberá, portanto, à escola, levar os alunos a desenvolverem o conhecimento e as 
habilidades necessárias para produzir significados e apropriarem-se das múltiplas linguagens 
como objeto de discussão, de modo a contribuir para uma recepção mais crítica e consciente 
dessa nova realidade que se impõe a partir da era digital. 
Convém destacar a importância de condições físicas e estruturais necessárias às 
escolas, para que essas atividades possam ser desenvolvidas. O investimento em 
equipamentos de qualidade, ambientes adequados, recursos didáticos diversos e acesso à 
internet mostra-se extremamente necessário e urgente, assim como a formação continuada 
para os professores da Rede. Oportunizar momentos de formação para que os docentes 
possam conhecer essas novas ferramentas que se apresentam mediante o uso das novas 
tecnologias, e delas se apropriar, é fundamental. 
 
1.6 O lugar da literatura no currículo 
 
Conforme a perspectiva de linguagem assumida neste documento, segundo a qual nos 
formamos a partir do contato com o outro, que nos fala a respeito de nós, compreendemos a 
importância da literatura. Na obra literária, o outro está presente de forma assumida no 
discurso, seja do autor, que abre seu discurso ao outro, seja na presença de outras vozes como 
a do narrador e dos personagens, que se desdobram em vozes de inúmeras facetas, memórias e 
papéis. Por isso, a palavra literária é, ao mesmo tempo, um trabalho ético e estético, por 
 
26
 STREET, B. V. Multimodalidade. Disponívelem: 
http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/multimodalidade. Acesso em: 28 mai. 2019. 
 
http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/multimodalidade.
 
125 
 
 
permitir que o texto seja lugar para vozes diferentes, múltiplas, dissonantes, constituintes da 
linguagem. 
De acordo com Zilberman (2008), a leitura do texto literário constitui uma atividade 
sistematizadora, na medida em que permite ao indivíduo penetrar o âmbito da alteridade, sem 
perder de vista sua subjetividade e história. Neste sentido, a literatura precisa ser reconhecida 
como um direito de todos, conforme defende Antônio Cândido (1995), que a equipara aos 
direitos básicos do ser humano, como saúde, educação e lazer: “se ninguém pode passar vinte 
e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia, a literatura (...) parece 
corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui 
um direito.” (1995, p.3). Tal proposição nos convoca ao ato responsável e político de 
compreender que a literatura deve ser garantida aos estudantes de nossa Rede. 
Essa perspectiva traz desafios para as práticas escolares no que se refere à formação de 
leitores. Tendo em vista que não há educação fora da similitude entre o eu e o outro, é 
possível compreender que a instituição escolar tem o compromisso de compartilhar a 
literatura, criando, assim, elos de coletividade e ampliando as possibilidades de interações dos 
alunos consigo mesmos, com os outros e com a cultura. E ainda, considerando que as 
experiências com textos literários na escola vão inserindo o sujeito na esfera social da qual a 
literatura faz parte, ao mesmo tempo em que permite a entrada na cultura escrita pela palavra 
enquanto arte (CORSINO, 2014), esse movimento precisa se iniciar desde a Educação 
Infantil, considerar sua importância no processo de alfabetização e pressupor o investimento 
em sua continuidade em todos os ciclos do Ensino Fundamental. 
Além disso, tanto na educação, como na literatura, o caminho de aproximação entre as 
palavras do eu e do outro constitui uma compreensão que não é um simples reconhecimento 
de signos, mas uma resposta aberta a negociações e novas construções e, por isso, precisa se 
dar por uma prática dialógica. A partir dessa premissa, é necessário pensar em um trabalho 
com a literatura que possibilite o espaço para o diálogo e no qual os leitores na escola tenham 
a oportunidade de ampliar suas referências textuais e discursivas. 
Ressaltamos que a formação do leitor é bem mais do que uma habilidade pronta e 
acabada de ler textos literários. Também não é apenas um saber que se obtém sobre a 
literatura ou sobre os textos literários, mas, sim, uma experiência de dar sentido ao mundo por 
meio de palavras que falam de palavras, transpondo os limites de tempo e espaço. A partir 
desse pressuposto, o ensino da literatura na escola precisa objetivar a formação de leitores 
capazes de se inserir em uma comunidade linguística, manipular os instrumentos culturais e 
construir um sentido para si e para o mundo em que vivemos. 
 
126 
 
 
Por esse viés, destacamos a importância de unir a essa discussão o papel e o lugar de 
autoria dos sujeitos. Dirigimos, então, o nosso olhar para os autores de textos literários em 
nossa cidade, muitos deles professores e profissionais da Rede. Esses autores, ao burilarem as 
palavras, provocam sonhos, encantamentos, resistência e lampejos de esperança. Nossa cidade 
é berço de artistas e escritores, cujas obras devem ser valorizadas enquanto patrimônio desta 
cidade. São muitos autores e artistas de Niterói que lutam contra a massificação editorial, 
transitam pela cidade promovendo poesia, arte e vida. Por isso, a literatura local, os autores e 
os artistas de Niterói precisam compor a teia literária que a escola, como lugar de descortinar 
horizontes, propõe-se a desvelar. Nesse sentido, reafirmamos a necessidade de legitimar e 
valorizar as produções literárias dos autores de nossa cidade. Que a escola seja o lugar de 
valorização da arte local e, também, um espaço de fazer nascer novos artistas. Que a escola 
propicie a gestação de novos autores, poetas, artistas, que seja um espaço-tempo de incentivo 
à criação. O trabalho com o texto literário no ambiente escolar, em todas as etapas, desde a 
educação infantil até o final do Ensino fundamental, pode potencializar a sensibilidade 
estética contra o anestesiamento dos sentidos. 
Portanto, a literatura não é um pretexto para a aquisição de conhecimentos, tampouco 
se reduz à possibilidade de proporcionar prazer, tendo em vista que também tem a função 
suscitar questionamentos, fomentar tensões, conflitos e sentidos e ajudar a produzir 
compreensões sobre quem somos, quem podemos ser e sobre o mundo que nos cerca, 
independentemente da idade que tenhamos. 
Por isso, os textos literários podem ser trabalhados nas práticas de produção de textos 
orais e escritos, assim como nas práticas de leitura e escuta de textos, empreendendo ações em 
que os textos sejam comentados pelos/com os alunos, na troca, no elogio, na crítica, no relato, 
em situações nas quais se fale de livros e histórias, contos, poemas ou personagens, e se 
compartilhem interpretações e reflexões. Nessa perspectiva, importa a leitura literária de 
clássicos ou contemporâneos, nos variados gêneros discursivos com dimensão artística, não 
com ênfase no acúmulo de informações sobre gêneros, estilos, escolas ou correntes literárias 
(embora esses conhecimentos sejam importantes), mas, sim, buscando reconhecer a qualidade 
do texto literário e o modo de realização da leitura; produzindo sentimentos e reflexões para 
além do momento em que a leitura acontece. Uma leitura que contribui para a humanização e 
o agir ético, conforme evidencia Kramer (2010). 
 
1.7 Concepções de alfabetização 
 
 
127 
 
 
Na história da alfabetização no contexto brasileiro, passamos por diferentes 
momentos, com preocupações, estudos e concepções distintas, conforme aponta Soares 
(2016). Tendo em vista que o processo de alfabetização não parou de mudar ao longo dos 
anos, esta é uma realidade sensível a mudanças políticas, sociais, acadêmicas e educacionais, 
o que implica diretamente nos processos de ensino e aprendizagem. 
Nas últimas décadas do século XIX, ler e escrever dependia de aprender os nomes das 
letras, para, posteriormente, realizar a combinação de consoantes e vogais, formando as 
sílabas, depois palavras e, finalmente, frases. Nessa perspectiva, o método de excelência era a 
soletração (b + a = BA), resultando numa aprendizagem centrada na grafia, como se letras 
fossem sons, ignorando que elas os representam. 
No início do século XX (até os anos 80), a ênfase era nos métodos sintéticos, que 
privilegiam o ensino das relações entre letras e sons até chegar à palavra, depois para frases e 
textos, com foco na percepção auditiva. A progressão vai do mais fácil para o mais difícil. 
Simultaneamente, considerando-se a realidade psicológica da criança, entram em cena os 
métodos analíticos (palavração, sentenciação, método global, etc.) partindo do texto como 
objeto de leitura, isto é, da análise de seus componentes semânticos e fonéticos, da 
compreensão da palavra até chegar às sílabas e letras, com ênfase na percepção visual. 
Todavia, ambos se limitam à aprendizagem do sistema alfabético-ortográfico da escrita, 
utilizando palavras e/ou textos artificiais, com rígido controle léxico, para composição e 
decomposição. O texto é apenas um pretexto para os exercícios, com uma progressão prevista 
pelos elaboradores dos materiais utilizados, como as cartilhas. Nessas perspectivas, o domínio 
do sistema de escrita é considerado condição e pré-requisito para que o sujeito desenvolva 
habilidades de leitura e escrita, para só posteriormente ler e produzir textos reais. 
A partir dos anos de 1980, as discussõesno campo da alfabetização se alteram, com o 
deslocamento do foco de “como se ensina” para o “como se aprende”, com a chegada das 
pesquisas da epistemologia genética de Jean Piaget no Brasil, especialmente pela obra de 
Emília Ferreiro. Esses estudos argumentavam que o ensino, até então, prevalecia sobre a 
aprendizagem e concebia a criança como ser passivo. Ao contrário, o construtivismo 
pressupunha a prevalência da aprendizagem sobre o ensino e, por isso, o foco passa a ser o 
aprendiz, ancorado na concepção de que o processo de aprendizagem da língua escrita se dá 
por uma construção progressiva do princípio alfabético, a partir da interação com materiais 
reais de leitura e escrita (diferentes gêneros e portadores textuais). 
Embora essa visão, trazida pelo construtivismo, da criança como sujeito ativo, que 
vivencia um “conflito cognitivo” no processo de aprendizagem, evidenciando as tentativas e 
 
128 
 
 
hipóteses relativas à escrita, seja muito importante para a história da alfabetização, bem como 
o reconhecimento do “erro” como fundamentalmente construtivo no processo, sua influência 
no processo de alfabetização teve algumas consequências indesejadas, conforme salienta 
Smolka (2003). Segundo a autora, os estudos de Ferreiro & Teberosky têm sido reduzidos à 
questão de correspondência grafo-sonora, categorizando crianças e turmas em termos de 
níveis de hipóteses, quando o processo de leitura e escrita abrange os aspectos das funções e 
configurações, da dimensão simbólica e do processo de conceituação e elaboração das 
experiências, da metalinguagem, além do conflito social (SMOLKA, 2003, p. 63). 
Ainda podemos citar outras limitações, como a desconsideração do papel dos 
conhecimentos convencionais, como por exemplo, informações sobre as letras e seus nomes e 
a visão uniforme e sequencial de ocorrência das hipóteses (as quatro principais: pré-silábica, 
silábica, silábico-alfabética e alfabética, e as hipóteses de quantidade mínima e de variação) 
que podem ocasionar uma confusão entre alcançar a hipótese alfabética e estar alfabetizado. 
Não obstante, o não estudo do processo de consolidação das relações entre fonemas e 
grafemas, bem como do domínio de diferentes estruturas silábicas pode implicar, em muitos 
casos, o adiamento do ensino de ortografia. Dessa forma, embora tenha trazido muitas 
contribuições para pensarmos como as crianças aprendem, tal perspectiva situa a linguagem 
como construção individual. 
Mais adiante, a perspectiva de compreender as funções e configurações da escrita no 
contexto social toma forma na educação brasileira com o advento dos estudos de Letramento, 
nos anos de 1990, que surgiu a partir de discussões relacionadas à distinção entre o domínio 
do princípio alfabético e seu uso efetivo e competente. De acordo com Soares (2012), autora 
que foi fundamental para a repercussão desse termo na educação brasileira, a palavra 
Letramento é uma tradução do termo inglês literacy (“condição de ser letrado”), ou literate, 
adjetivo que caracteriza a pessoa que domina a leitura e a escrita. Para a autora, está implícita 
nesse conceito a ideia de que a escrita e a leitura trazem consequências sociais, culturais, 
políticas, econômicas, cognitivas e linguísticas, tanto para o indivíduo, quanto para o grupo 
social no qual ele está inserido. Contudo, devido à apropriação do termo no Brasil, articulado 
ao campo da alfabetização, tal perspectiva culmina, muitas vezes, numa visão reducionista, 
sendo abusivamente utilizado e estreitamente relacionado à escrita alfabética e não aos usos e 
práticas da leitura e da escrita que marcam também a oralidade nas diferentes esferas sociais. 
Conforme salienta Goulart (2014), a problemática da adoção indiscriminada do termo se 
amplia, uma vez que há propostas que intentam compreender o “como” trabalhar com o 
letramento, isto é, como transformá-lo em conteúdo ou método: “O termo entra no circuito 
 
129 
 
 
escolar, em que tudo precisa se tornar conteúdo - didatizável e mensurável -, esvaziando-se, 
muitas vezes, do sentido cultural, socialmente referenciado” (p. 43). 
Além disso, a autora evidencia que a dicotomia dos termos divide as dimensões do 
ensinar e aprender a escrita, permitindo significar alfabetizar como a aprendizagem do sistema 
alfabético de escrita e letrar como a aprendizagem do sentido social da linguagem escrita. A 
discussão passa a girar em torno de para qual termo dar mais relevância: alfabetizar letrando, 
no qual se ensina o sistema alfabético da escrita na perspectiva do seu sentido social; ou letrar 
alfabetizando, partindo do sentido social da escrita para ensinar o sistema alfabético. Por esse 
motivo, a autora sinaliza que a concepção desses dois processos distintos determina uma 
cisão, ainda que sejam considerados indissociáveis, e evidencia a preocupante proliferação de 
tantos “letramentos” (adjetivados) no panorama de propostas educacionais, uma vez que “os 
conhecimentos e seus modos de organização, como a linguagem escrita, são objeto da cultura 
e não da escola.” (GOULART, 2014, p. 43). 
Importa salientar que, em um processo histórico de pesquisas e discussões no campo 
educacional, os estudos de Letramento foram fundamentais. Um provento relevante advindo 
dessa concepção foi apontar o valor social da aprendizagem da leitura e da escrita. No 
entanto, conforme Goulart, a dicotomização entre os termos alfabetização e letramento talvez 
esteja servindo para, mais uma vez, esvaziar o conteúdo do primeiro em seu sentido político, 
além de “perpetuar as diferenças de conhecimentos que grupos sociais populares levam para a 
escola como insuficiências que acarretam dificuldades, que precisam ser compensadas.” 
(GOULART, 2014, p. 49). 
Nos anos 2000, ressurge no cenário da educação nacional a perspectiva do Método 
Fônico, especialmente com a contribuição da Psicologia Experimental. Os autores dessa 
abordagem referendam sua posição apresentando estudos de casos e de grupos quanto à sua 
utilização e sua suposta eficácia, afirmando que, para o desenvolvimento de um leitor crítico, 
é imprescindível que a criança possa codificar e decodificar o sistema alfabético de sua língua 
materna. Portanto, o método pressupõe que a criança deva pronunciar isoladamente cada um 
dos fonemas de uma palavra, submetendo os aprendizes a textos limitados e artificiais, o que 
deforma as competências de leitura e produção textual almejadas para sujeitos críticos, que 
aprendam a língua materna para se compreenderem e se expressarem nas diversas esferas 
sociais. Como salienta Goulart (2014), trata-se de uma argumentação falaciosa, tendo em vista 
que “o discurso encobre a disputa que também existe em outros países sobre modos mais 
culturais e modos mais estritamente estruturais de ensinar a língua escrita, além de sonegar 
 
130 
 
 
outras informações e desconsiderar as diferenças históricas de realidades político-sociais.” 
(2014, p. 41). 
Outras limitações de um processo de ensino fundamentado somente no paradigma 
fonológico são a visão adultocêntrica de escrita alfabética como “código” e de leitura e escrita 
como meras “codificação” e “decodificação” e o tratamento inoportuno da noção de fonema e 
valorização de habilidades de consciência fonêmica que nem adultos alfabetizados conseguem 
realizar sem pensar na imagem gráfica das palavras. Além disso, as práticas de ensino 
fundamentadas nesta perspectiva acabam por propor treinamentos desestimulantes e 
padronizados, com uso de pseudotextos com ênfase na promoção de uma “fluência de leitura” 
que prescinde da atribuição de sentidos e contribui, assim, para a resistência à produção de 
textos, uma vez que esvazia de significado os atos de ler e escrever. 
Vale aqui ressaltar a importância de se trabalhar o conhecimento histórico da 
construção alfabética, incluindo as relações grafofônicas que fazem parte do processo de 
apropriação da línguaescrita (o sistema de escrita). Contudo, é preciso reconhecer o lugar e o 
valor atribuídos aos conhecimentos fonológicos nas metodologias de alfabetização. Neste 
sentido, concordamos com Corais (2019) ao afirmar que: 
Compreendemos que os conhecimentos linguísticos são produções culturais, 
criação dos sujeitos do discurso, logo, sua aprendizagem não pode se dar 
fora da cultura e do contexto das interações discursivas. A aprendizagem das 
relações grafofônicas deve ser significativa e, nesse processo, internalizadas. 
Não é preciso fragmentar a linguagem e seu ensino para que os 
conhecimentos fonológicos sejam trabalhados, nem enfocá-los de modo 
exaustivo. (p. 159-160). 
Dessa maneira, consideramos que o trabalho voltado para a percepção dos 
conhecimentos fonológicos deve estar articulado com as percepções morfológica, sintática e 
semântica, a fim de que os sujeitos possam aprender a utilizar e compreender a linguagem 
intencionalmente. Portanto, argumentamos sobre a necessidade de se pensar o processo de 
ensino e aprendizagem da leitura e escrita a partir de uma compreensão da linguagem como 
processo discursivo, no qual os sujeitos operam com a língua viva, com o discurso social. 
(SMOLKA, 2003; GOULART, 2014b; GOULART; GARCIA; CORAIS, 2019). 
 
1.8 A alfabetização como processo discursivo 
 
Falar do processo de alfabetização implica em pensar algumas questões fundamentais: 
para que ensinamos o que ensinamos? E por que as crianças aprendem o que aprendem? 
 
131 
 
 
Conforme discutido anteriormente, toda atividade desenvolvida em sala de aula 
implica uma metodologia de ensino articulada a uma opção política, o que envolve uma 
compreensão e interpretação da realidade e uma perspectiva de linguagem. Nesse sentido, é 
possível argumentar sobre a potência de ancorar as práticas de ensino da leitura e da escrita a 
partir de uma perspectiva de linguagem como forma de interação. Isso implica que, mais do 
que instrumento de transmissão de informações, a linguagem é vista como lugar de interação 
humana. Concordando com Goulart (2017), este documento pressupõe a perspectiva do 
discurso como necessária para pensar a alfabetização, pois, muito mais do que letras, palavras 
e sons, o discurso é uma forma de constituição de sentidos e de seus modos de produção, 
histórica e culturalmente construída na ação coletiva e individual dos sujeitos com outros 
sujeitos e com outros tempos-espaços (2017, p. 109). O ensino da língua, ancorado nessa 
concepção, pretende o desenvolvimento da capacidade de refletir, de maneira crítica, sobre o 
mundo que o cerca e, em especial, sobre a utilização da língua como recurso para a interação 
social. A reflexão linguística é feita a partir da compreensão, da análise, da interpretação e da 
produção de textos verbais, considerando seu contexto de produção, as diferentes situações de 
comunicação, os gêneros e a intenção de quem os produz. Essa proposição anela o ensino da 
gramática numa abordagem contextualizada, de modo a fazer sentido ao aluno e a possibilitar 
a adequação dos discursos às intenções interlocutivas. 
O modo de conceber a alfabetização como processo discursivo aparece no contexto 
brasileiro na década de 1980, a partir de interlocuções da Educação com autores do campo da 
Psicologia e dos Estudos da Linguagem – ressaltamos as contribuições de Smolka (2003) – 
além de um trabalho de atuação e investigação com crianças pré-escolares e dos primeiros 
anos de escolarização. 
O argumento central dessa perspectiva é o da natureza social do desenvolvimento 
humano, ou seja, a compreensão de que os modos de agir, pensar, falar e sentir dos sujeitos 
vão se constituindo e adquirindo sentido nas relações sociais. Desta forma, a mediação e a 
participação de outros na construção do conhecimento é fundamental. Também é um pilar 
importante dessa abordagem de alfabetização a concepção de linguagem como produção 
histórica e cultural, constitutiva dos sujeitos, da subjetividade e do conhecimento. 
Destacamos como primordiais as contribuições de Lev Vygotsky e Mikhail Bakhtin, 
uma vez que essa perspectiva considera a atividade mental da criança não apenas em seu 
aspecto cognitivo, mas em seu aspecto discursivo, ou seja, por estar imersa em um mundo 
permeado pela escrita, a criança opera com e sobre a linguagem e aprende (sobre) a escrita 
(suas características, peculiaridades, funções e formas de funcionamento) em diálogo com 
 
132 
 
 
outros e consigo mesma. Portanto, a linguagem oral ou escrita é, ao mesmo tempo, 
meio/modo de interação, de (inter e intra) regulação das ações e objeto de conhecimento. 
A perspectiva discursiva da alfabetização tem implicações diretas na maneira de 
organização do trabalho docente e nas relações de ensino, uma vez que os modos de ensinar 
dos professores e os modos de aprender das crianças são percebidos como intrinsecamente 
relacionados e em processo contínuo de transformação. Como interlocutor privilegiado na 
relação de ensino no espaço escolar, o professor que ancora sua ação pedagógica nessa 
perspectiva organiza as práticas escolares de forma a ampliar o universo das crianças, 
disponibilizando as mais diversas formas, fontes e suportes de escrita e utilizando os mais 
variados instrumentos e recursos, a fim de proporcionar as condições para os alunos 
vivenciarem os muitos sentidos e possibilidades da linguagem. 
Smolka (2003) enfatiza que o ensino da leitura e da escrita se orienta e se 
redimensiona pela seguinte questão: para quem se escreve, o que se escreve, como e por quê? 
Segundo a autora, do jogo simbólico e do desenho à incorporação dos papéis de leitor e 
escritor; da leitura e escrita imitativas à elaboração da escrita de acordo com as normas da 
convenção, a alfabetização das crianças se constitui em um laborioso trabalho simbólico, 
dialógico, que se realiza em condições concretas de enunciação. 
Indo ao encontro dessa perspectiva, neste documento, a alfabetização é compreendida 
como um processo discursivo, no qual a criança aprende a ouvir, a entender o outro pela 
leitura; aprende a falar e a dizer o que quer pela escrita. Esse aprender significa fazer, usar, 
praticar, conhecer, ou seja, a criança aprende a escrever enquanto escreve e aprende sobre a 
escrita, e aprende a ler enquanto lê, mesmo que ainda não consiga ler e registrar, por meio de 
um sistema de representação, as palavras e textos produzidos. Nessa vertente, a alfabetização 
precisa acontecer num espaço discursivo, ou seja, em um processo no qual a linguagem seja 
utilizada pela interação e pela comunicação por meio das práticas sociais concretas, seja 
oralmente ou por escrito, a partir de diversos gêneros discursivos, dentro e fora dos muros da 
escola. 
 
1.9 Educação de surdos 
 
Dentre as singularidades que diferenciam o processo educacional das pessoas com 
surdez, está a forma de comunicação e expressão em que o sistema linguístico de natureza 
visual-motora, com estrutura gramatical própria, constitui um sistema linguístico de 
transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil (BRASIL, 
 
133 
 
 
2002). Diferente da oralidade, forma de comunicação e expressão nas línguas orais, a 
sinalidade "é apenas uma forma de produzir uma língua em particular, tanto quanto a fala é 
um modo de se produzir uma língua", consoante Wilcox e Wilcox (2005, p. 51). A essa 
diferença no modo de produzir e de receber informações, chamamos de diferença de 
modalidade. 
Além da diferença de língua, que justifica uma proposta de ensino bilíngue, importa 
destacar que a diferença de modalidade permite enfatizar as particularidades metodológicas 
no processo ensino-aprendizagem desse alunado, principalmente no que se refere à 
perspectiva dialógica, funcional e instrumental para o ensino da modalidade escrita da Língua 
Portuguesa como segunda língua, seguindo orientações do decreto N° 5.626/05.Ainda 
segundo este documento, no Capítulo IV: 
Art.16: A modalidade oral da Língua Portuguesa, na educação básica, deve 
ser ofertada aos alunos surdos ou com deficiência auditiva, 
preferencialmente em turno distinto ao da escolarização, por meio de ações 
integradas entre as áreas da saúde e da educação, resguardado o direito de 
opção da família ou do próprio aluno por essa modalidade. (BRASIL, 2005). 
A Língua Brasileira de Sinais (Libras), assim como todas as línguas sinalizadas, 
apresenta uma hierarquia de níveis linguísticos: fonético, fonológico, morfológico, sintático, 
semântico e pragmático (BRITO, 1995; QUADROS, 2004). A educação bilíngue para surdos 
é aquela em que a Libras e a modalidade escrita da Língua Portuguesa são línguas de 
instrução utilizadas no desenvolvimento de todo processo educativo. Desse modo, as 
modalidades produtivas utilizadas nas classes bilíngues são: a sinalizada e a escrita. Quadros 
(2006, p. 33) ressalta que "no processo de aquisição do Português, as crianças surdas 
apresentarão um sistema que não mais representa a primeira língua, mas ainda não representa 
a língua alvo”. 
Atentar para esses níveis de interlíngua em crianças surdas faz refletir sobre a 
necessidade de se verificar em que nível de interlíngua estão os professores ouvintes que 
afirmam saber Libras, que é a língua alvo dos ouvintes. E o quanto oferecem de elementos 
conflitantes ao ensinarem Língua Portuguesa na modalidade escrita para os alunos surdos, 
utilizando a Libras como língua de instrução. 
Nesse aspecto, a proposta de educação bilíngue Libras/Língua Portuguesa no 
município de Niterói visionou a necessidade da presença de um professor de Libras nas 
classes bilíngues. Este deve ser um profissional surdo que, além de minimizar possíveis 
conflitos entre os sinalizantes surdos e ouvintes que se colocam como alunos e professores, 
 
134 
 
 
pode apresentar sua experiência como pessoa surda e sua forma de ver o mundo a partir de 
uma ótica desvinculada da ótica da sonoridade para as crianças no ambiente educacional. 
Os professores regentes são bilíngues nas classes bilíngues do 1º ao 5º ano - primeira 
etapa do Ensino Fundamental, e são acompanhados por tradutores intérpretes de Libras nas 
aulas extras. Na segunda etapa, 6º ao 9º ano, as classes são inclusivas, compostas por alunos 
surdos e ouvintes, nas quais os professores das diversas disciplinas são acompanhados por 
tradutor intérprete de Libras ao longo de todas as aulas. 
É desejável a extensão do tempo de permanência de alunos surdos na escola para 
possibilitar o ensino e o reforço de Libras, bem como da Língua Portuguesa escrita como 
segunda língua, pelo Atendimento Educacional Especializado e, também, pelo atendimento 
realizado na Sala de Recursos da própria escola com professores especializados. 
No ensino da língua para alunos com determinadas deficiências, a exemplo do 
autismo, torna-se necessário o uso dos recursos de Tecnologia Assistiva (T.A.) para 
proporcionar aos alunos condições de igual participação nas atividades pedagógicas. A 
Tecnologia Assistiva compreende um conjunto de recursos e serviços que contribuem para 
proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e, 
consequentemente, promover inclusão e autonomia aos alunos. 
Para utilização de qualquer Tecnologia Assistiva, faz-se necessária uma avaliação 
pedagógica, juntamente com o grau de funcionalidade do aluno, por um profissional 
habilitado, para identificar a melhor e mais indicada tecnologia a ser utilizada, objetivando 
que as limitações dos estudantes sejam superadas ou minimizadas, garantindo sua completa 
inclusão no meio educacional. 
135 
 
 
MATRIZ CURRICULAR – LÍNGUA PORTUGUESA 
1º CICLO 
LÍNGUA PORTUGUESA 
1º ANO 
Núcleos 
Temáticos 
Objetos de 
Conhecimento 
Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento Propostas Metodológicas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Leitura 
● Protocolos de leitura. ● Reconhecer que os textos são lidos e escritos da esquerda 
para a direita e de cima para baixo da página. 
● Produção e seleção de textos de gêneros 
conhecidos, tendo o professor como escriba e 
leitor. 
● Respeitar a colocação de outras pessoas tanto no que se 
refere às ideias quanto ao modo de falar, respeitando e 
valorizando a variação linguística. 
● Rodas de conversa. 
● Decodificação/fluência 
de leitura. 
● Ler palavras novas com precisão, no caso de palavras de 
uso frequente, ler globalmente, por memorização. 
● Uso de cards com imagens e escrita para o 
pareamento. 
● Identificar, com ajuda do(a) professor(a), as diferentes 
origens das palavras, como africanas, indígenas e/ou 
relacionadas ao mundo contemporâneo e às novas 
tecnologias. 
● Leitura e comparação de textos diversos que 
apresentem palavras oriundas de diferentes 
matrizes e contextos. 
● Utilização de dicionário etimológico. 
● Compreensão em 
leitura. 
● Ler e compreender, em colaboração com os colegas e com a 
ajuda do professor ou já com certa autonomia, listas, 
agendas, calendários, avisos, convites, receitas, instruções 
de montagem (digitais ou impressos), dentre outros gêneros 
do campo da vida cotidiana, considerando a situação 
comunicativa e o tema/assunto do texto e relacionando 
sua forma de organização à sua finalidade. 
● Participação na produção desses diferentes textos. 
● Construção de agenda de atividades tendo o(a) 
professor(a) como escriba. 
● Construção gradual do calendário etc. 
● Ler e compreender, em colaboração com os colegas e com 
a ajuda do professor, quadras, quadrinhas, parlendas, 
● Leitura e análise destes gêneros em diferentes 
suportes. 
 
 
136 
 
 
 trava-línguas, dentre outros gêneros do campo da vida 
cotidiana, considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto do texto e relacionando sua forma de 
organização à sua finalidade. 
 
● Ler e compreender, em colaboração com os colegas e com 
a ajuda do professor, fotolegendas em notícias, manchetes e 
lides em notícias, álbum de fotos digital noticioso e notícias 
curtas para público infantil, dentre outros gêneros do 
campo jornalístico, considerando a situação comunicativa e 
o tema/assunto do texto. 
● Trabalho com jornais e revistas em caráter 
introdutório. 
● Leitura sistemática de jornais e notícias referentes 
ao município. 
 ● Ler e compreender, em colaboração com os colegas e com 
a ajuda do professor, cartazes, avisos, folhetos, regras e 
regulamentos que organizam a vida na comunidade escolar, 
dentre outros gêneros do campo de atuação cidadã, 
considerando a situação comunicativa e o tema/assunto do 
texto. 
● Elaboração de cartazes com as regras de 
convivência, a partir de discussões a esse respeito 
nas rodas de conversa e como registro de 
assembleias de classes. 
● Construir e discutir a agenda de atividades diárias 
com os alunos, analisando as informações 
contidas na mesma. 
● Compreensão em 
leitura. 
● Ler e compreender, em colaboração com os colegas e com 
a ajuda do professor, enunciados de tarefas escolares, 
diagramas, curiosidades, pequenos relatos de experimentos, 
entrevistas, verbetes de enciclopédia infantil, entre outros 
gêneros do campo investigativo, considerando a situação 
comunicativa e o tema/assunto do texto. 
● Selecionar diferentes tipos de textos do campo 
investigativo e formar fichários para consultas em 
sala de aula. 
● Formação de leitor. ● Buscar, selecionar e ler, com a mediação do professor 
(leitura compartilhada), textos que circulam em meios 
impressos ou digitais, de acordo com as necessidades e 
interesses, em diálogo com o contexto sociocultural dos 
alunos. 
● Perceber-se como parte integrante do ambiente e, assim, 
analisar de forma crítica, a partir dos diferentes gêneros 
● Seleção de textos que contemplem temáticas 
variadas, como por exemplo, os riscos ambientais. 
● Implementação de Roda de leitura diariamente. 
● Leitura de75 
8.3 Cultura digital ............................................................................................................... 76 
8.4 Infância e juventude na educação contemporânea ..................................................... 77 
8.5 Redefinição dos espaços e tempos da escola ............................................................... 79 
8.6 Metodologias Ativas da Aprendizagem ...................................................................... 80 
8.7 Considerações finais ..................................................................................................... 84 
9. AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL E DA APRENDIZAGEM ....................................... 84 
10. CONSIDERAÇÕES SOBRE A TRANSIÇÃO ENTRE CICLOS ............................... 88 
11. CICLOS DO ENSINO FUNDAMENTAL ..................................................................... 92 
11.1 A Trajetória da Revisão Curricular no Ensino Fundamental ............................. 102 
11.2 Leitura e devolutiva das Unidades de Educação ................................................... 105 
12. REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 106 
PARTE II 
ÁREA DE CONHECIMENTO: LINGUAGENS ............................................................... 116 
 
 
 
1. LÍNGUA PORTUGUESA ............................................................................................... 117 
1.1 Gêneros Discursivos ................................................................................................... 120 
1.2 Contextos de produção ............................................................................................... 121 
1.3 Linguagem oral e linguagem escrita ......................................................................... 122 
1.4 Variedades linguísticas ............................................................................................... 123 
1.5 Multimodalidade ......................................................................................................... 123 
1.6 O lugar da literatura no currículo ............................................................................ 124 
1.7 Concepções de alfabetização ...................................................................................... 126 
1.8 A alfabetização como processo discursivo ................................................................ 130 
1.9 Educação de surdos .................................................................................................... 132 
MATRIZ CURRICULAR – LÍNGUA PORTUGUESA ................................................... 135 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 249 
2 LÍNGUA ESTRANGEIRA ............................................................................................... 251 
MATRIZ CURRICULAR – LÍNGUA ESTRANGEIRA ................................................. 256 
2.1 Língua Inglesa ............................................................................................................. 256 
2.2 Língua Espanhola ....................................................................................................... 290 
2.3 Língua Francesa ......................................................................................................... 325 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 335 
3. ARTE ................................................................................................................................. 337 
MATRIZ CURRICULAR – ARTE .................................................................................... 342 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 418 
4. EDUCAÇÃO FÍSICA ...................................................................................................... 419 
4.1 Um pouco da nossa história... .................................................................................... 419 
4.2 Um breve histórico da Educação Física na Rede Pública Municipal de Niterói .. 420 
4.3 A Educação Física nos dias atuais ............................................................................. 421 
4.4 Concepções de corpo e Educação Física ................................................................... 423 
4.5 Saúde na escola e a Educação Física ......................................................................... 425 
4.6 Refletindo sobre currículo.......................................................................................... 427 
4.7 A Educação Física e a inclusão .................................................................................. 428 
4.8 A Educação Física que queremos .............................................................................. 429 
Temas articuladores ......................................................................................................... 430 
MATRIZ CURRICULAR – EDUCAÇÃO FÍSICA .......................................................... 432 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 465 
ÁREA DE CONHECIMENTO: MATEMÁTICA ............................................................. 469 
 
 
 
1. MATEMÁTICA ............................................................................................................... 470 
1.1 Organização da Matriz Curricular ........................................................................... 472 
MATRIZ CURRICULAR – MATEMÁTICA ................................................................... 475 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 516 
ÁREA DO CONHECIMENTO: CIÊNCIAS NATURAIS ............................................... 517 
1. CIÊNCIAS ......................................................................................................................... 518 
1.1. Alfabetização Científica ...................................................................................... 519 
MATRIZ CURRICULAR – CIÊNCIAS ............................................................................ 524 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 552 
ÁREA DO CONHECIMENTO: CIÊNCIAS HUMANAS ............................................... 553 
1. GEOGRAFIA ................................................................................................................... 554 
1.1 Por uma Educação Geográfica Significativa ............................................................ 555 
1.2 O Espaço ...................................................................................................................... 556 
1.3 A Cidade ...................................................................................................................... 557 
1.4 Território ..................................................................................................................... 558 
1.5 Região .......................................................................................................................... 559 
1.6 Lugar............................................................................................................................ 560 
1.7 Paisagem ...................................................................................................................... 560 
1.8 Natureza ...................................................................................................................... 561 
1.9 Representação Espacial ..............................................................................................textos históricos e informativos que 
relatem aspectos essenciais da formação do povo 
brasileiro e as influências das matrizes africanas e 
indígenas. 
 
 
137 
 
 
 textuais, os problemas ambientais atuais e as possíveis 
intervenções. 
● Selecionar notícias e tirinhas com a temática 
ambiental para debate e posterior produção de um 
jornal mural que atente para os principais 
problemas ambientais da atualidade. 
● Formação do leitor 
literário. 
● Apreciação 
estética/estilo. 
● Ler e compreender, com certa autonomia, textos literários, 
de gêneros variados, desenvolvendo o gosto pela leitura. 
● Leitura literária em voz alta realizada 
frequentemente (de preferência, diariamente) pelo 
professor e/ou pelos próprios alunos. 
● Frequência sistemática em atividades de sala de 
leitura (empréstimos). 
● Utilização de Bornal de Leitura (Mala Viajante) 
com possibilidade de registros de leitura 
(desenhos, escritas individuais ou tendo os 
familiares como escribas). 
● Saraus, dramatização de cantigas e poemas; 
brincadeira de rimas, com palavras, figuras e 
nomes dos próprios alunos. 
● Leitura de livros de imagens, histórias em 
quadrinhos e tirinhas. 
● Apreciar poemas e outros textos versificados, observando 
rimas, sonoridades, jogos de palavras, reconhecendo seu 
pertencimento ao mundo imaginário e sua dimensão de 
encantamento, jogo e fruição. 
● Saraus, dramatização de cantigas e poemas; 
brincadeira de rimas, com palavras, figuras e 
nomes dos próprios alunos. 
 
 
 
 
 
 
Escrita 
● Construção do sistema 
alfabético/ convenções 
da escrita. 
● Observar escritas convencionais, comparando-as às suas 
produções escritas, percebendo semelhanças e diferenças. 
● Produção de textos coletivos, podendo ter o 
professor como escriba. 
● Utilização de jogos de alfabetização, inclusive 
construindo-os com os alunos. 
● Correspondência 
fonema-grafema. 
● Escrever, espontaneamente ou por ditado, palavras e frases 
de forma alfabética- usando letras/grafemas que 
representam fonemas. 
● Ditados lúdicos, com figuras, objetos, a partir de 
mímicas ou de palavras retiradas de textos 
trabalhados. 
● Recorte, colagem, escrita e análise de listas, 
etiquetas, crachás, cantigas de rodas etc. com/sem a 
utilização de banco de dados. 
 
138 
 
 
 
 
 
 ● Construção do sistema 
alfabético/ 
estabelecimento de 
relações anafóricas na 
referenciação e 
construção da coesão. 
● Produzir e copiar textos, mantendo suas características e 
voltando para o texto sempre que tiver dúvidas sobre sua 
distribuição gráfica, espaçamento entre as palavras e 
pontuação. 
● Produção de textos coletivos, podendo ter o 
professor como escriba. 
● Escrita autônoma e 
compartilhada. 
● Planejar e produzir, em colaboração com os colegas e com 
a ajuda do professor, listas, agendas, calendários, avisos, 
convites, receitas, instruções de montagem e legendas para 
álbuns, fotos ou ilustrações (digitais ou impressos), dentre 
outros gêneros do campo da vida cotidiana, considerando a 
situação comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto. 
 
● Registrar, em colaboração com os colegas e com a ajuda do 
professor, cantigas, quadras, quadrinhas, parlendas, trava-
línguas, dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, 
considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto/finalidade do texto. 
 
● Produzir, tendo o professor como escriba, recontagens de 
histórias lidas pelo professor, histórias imaginadas ou 
baseadas em livros de imagens, observando a forma de 
composição de textos narrativos (personagens, enredo, 
tempo e espaço). 
 
● Escrita compartilhada. ● Planejar e produzir, em colaboração com os colegas e com 
os colegas e com ajuda do professor, (re)contagens de 
histórias, poemas e outros textos versificados (letras de 
canções, quadrinhas, cordel), poemas visuais, tiras e 
histórias em quadrinhos, dentre outros gêneros do campo 
artístico-literário, considerando a situação comunicativa e a 
finalidade do texto. 
● Construção de livros literários dos alunos 
(individualmente ou coletivamente). 
● Produção de peças teatrais, jograis e dramatizações 
com fantoches. 
 
 
139 
 
 
 
 
 ● Escrever, em colaboração com os colegas e com a ajuda do 
professor, fotolegendas em notícias, manchetes e lides em 
notícias, álbum de fotos digital noticioso e notícias curtas 
para público infantil, digitais ou impressos, dentre outros 
gêneros do campo jornalístico, considerando a situação 
comunicativa e o tema/assunto do texto. 
● Construção de jornal escolar impresso e/ou digital. 
● Criação de um caderno ou seção do jornal 
exclusiva para divulgação de informações sobre 
diferentes temáticas, entre eles a ambiental. 
● Escrever, em colaboração com os colegas e com a ajuda do 
professor, slogans, anúncios publicitários e textos de 
campanhas de conscientização destinados ao público 
infantil, dentre outros gêneros do campo publicitário, 
considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto/finalidade do texto. 
● Produção de murais e slides para projeção de 
campanhas publicitárias e de conscientização sobre 
educação para riscos. 
● Produção de textos. ● Planejar e produzir, em colaboração com os colegas e com 
a ajuda do professor, diagramas, entrevistas, curiosidades, 
dentre outros gêneros do campo investigativo, digitais ou 
impressos, considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto/finalidade do texto. 
● Elaboração de enciclopédias, verbetes, dicionários 
ilustrados, almanaques etc. 
● Elaboração de roteiros de entrevistas de forma 
coletiva. 
● Planejamento de aulas passeio no entorno da 
unidade escolar, conforme o contexto, com 
elaboração de roteiro de observações, discussões 
e registros (individuais e/ou coletivos). 
 
 
 
 
 
Oralidade/ 
Sinalidade 
● Produção de texto oral 
ou sinalizado. 
● Planejar e produzir, em colaboração com os colegas e com 
a ajuda do professor, recados, avisos, convites, receitas, 
instruções de montagem, dentre outros gêneros do campo da 
vida cotidiana, que possam ser repassados oralmente por 
meio de ferramentas digitais, em áudio ou vídeo, 
considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto/finalidade do texto. 
● Rodas de conversas. 
● Atividades de experimentação (culinária, robótica, 
construção de maquetes, terrários etc.). 
● Recitar parlendas, quadras, quadrinhas, trava-línguas, com 
entonação adequada e observando as rimas. 
● Rodas de conversas, cantigas de rodas, brincadeiras 
cantadas, dramatizações. 
● Planejar, em colaboração com os colegas e com a ajuda do 
professor, slogans e peças de campanha de conscientização 
● Elaboração de apresentação de slides e vídeos 
publicitários para projeção. 
140 
 
 
 
 
 destinada ao público infantil que possam ser repassados 
oralmente por meio de ferramentas digitais, em áudio ou 
vídeo, considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto/finalidade do texto. 
● Produzir podcasts e vídeos informativos e/ou 
realizar rodas de conversa a respeito das temáticas 
relacionadas aos riscos ambientais. 
● Planejamento de texto 
oral. 
● Exposição oral. 
● Planejar e produzir, em colaboração com os colegas e com 
a ajuda do professor, entrevistas, curiosidades, dentre 
outros gêneros do campo investigativo, que possam ser 
repassados oralmente por meio de ferramentas digitais, em 
áudio ou vídeo, considerando a situação comunicativa 
e o tema/assunto/finalidade do texto. 
● Gravação de entrevistas com uso de gravador. 
● Reprodução/dramatização de programas 
televisivos, como telejornais e programas de 
entrevistas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Análise 
Linguística 
/Multimodal 
● Construção do sistema 
alfabético. 
● Reconhecer o sistema alfabético como representação dos 
sons da fala. 
● Realização de saraus literários e jogral. 
● Realização de bingos sonoros e bingos de nomes. 
● Utilização de jogos digitaisvoltados para a 
alfabetização. 
● Conhecimento do 
alfabeto da Língua 
Portuguesa do Brasil. 
● Distinguir as letras do alfabeto de outros sinais gráficos. ● Utilização de alfabeto móvel. 
● Nomear as letras do alfabeto e recitá-los na ordem das 
letras. 
● Utilização de materiais diversos como alfabetos 
móveis, alfabetário confeccionado com rótulos e/ou 
recortes, produção de antologias poéticas e 
dicionários alfabéticos, utilização de músicas e 
cantigas. 
● Construção do sistema 
alfabético e da 
ortografia. 
● Segmentar palavras em sílabas. ● Utilizar palavras significativas que façam parte do 
vocabulário dos alunos, ampliando-o. 
● Utilizar palavras presentes em textos conhecidos 
pelos alunos, como cantigas, parlendas, histórias 
literárias etc. 
● Identificar fonemas e sua representação por letras. 
● Relacionar elementos sonoros (sílabas, fonemas, partes de 
palavras) com sua representação escrita. 
● Produção e utilização de textos produzidos pelos 
alunos, como listas, narrativas, cantigas etc. 
● Comparar palavras, identificando semelhanças e diferenças 
entre sons de sílabas iniciais. 
● Utilizar palavras significativas que façam parte do 
vocabulário dos alunos, ampliando-os. 
 
141 
 
 
 
 
 ● Comparar palavras, identificando semelhanças e diferenças 
entre sons de sílabas mediais e finais. 
● Utilizar palavras presentes em textos conhecidos 
pelos alunos, como cantigas, parlendas, histórias 
literárias etc. 
● Conhecimento das 
diversas grafias do 
alfabeto/ acentuação. 
● Conhecer, diferenciar e relacionar letras em formato 
imprensa e cursiva, maiúsculas e minúsculas. 
● Apresentação dos diferentes tipos de letras, 
utilizando materiais como livros literários, jornais, 
revistas, encartes etc. 
● Trabalhar os movimentos manuais para a escrita 
das letras em diferentes materiais como areia, lixa, 
barbante etc. 
● Segmentação de 
palavras/ 
classificação de 
palavras por número 
de sílabas. 
● Reconhecer a separação das palavras, na escrita, por 
espaços em branco. 
 
● Pontuação. ● Identificar outros sinais no texto além das letras, como 
pontos finais, de interrogação e exclamação e seus efeitos 
na entonação. 
● Utilização de músicas a fim de trabalhar efeitos da 
entonação, fazendo correspondência com as letras 
por escrito. 
● Leitura compartilhada realizada com frequência 
pelo professor de gêneros variados. 
● Sinonímia 
e antonímia. 
● Agrupar palavras pelo critério de aproximação de 
significados (sinonímia) e separar palavras pelo critério de 
oposição de significados (antonímia). 
● Utilização de brincadeiras, livros literários com 
esta abordagem, jogos de expressões, emojis etc. 
● Forma de composição 
do texto/adequação do 
texto às normas de 
escrita. 
● Identificar e (re)produzir, em cantiga, quadra, quadrinhas, 
parlendas, trava-línguas e canções, rimas, aliterações, 
assonâncias, o ritmo de fala relacionado ao ritmo e à 
melodia das músicas e seus efeitos de sentido. 
● Rodas de leitura com cantigas, incluindo músicas e 
parlendas de origem africana e indígena. 
● Leitura compartilhada realizada com frequência 
pelo professor de gêneros variados. 
● Identificar a forma de composição de slogans publicitários. ● Trabalho com textos publicitários como cartazes, 
folders e propagandas. 
● Formas de 
composição de 
narrativas. 
 
● Identificar elementos de uma narrativa lida ou escutada, 
incluindo personagens, enredo, tempo e espaço. 
● Leitura compartilhada realizada com frequência 
pelo professor de gêneros variados. 
142 
 
 
 
 
 ● Formas de 
composição de textos 
poéticos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
● Reconhecer, em textos versificados, rimas, sonoridades, 
jogos de palavras, palavras, expressões, comparações, 
relacionando-os com sensações e associações. 
● Leitura compartilhada realizada com frequência 
pelo professor de gêneros variados. 
143 
 
 
1º CICLO 
LÍNGUA PORTUGUESA 
2º ANO 
Núcleos 
Temáticos 
Objetos de 
Conhecimento 
Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento Propostas Metodológicas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Leitura 
● Compreensão em 
leitura. 
● Ler e compreender, em colaboração com os colegas e com a 
ajuda do professor ou já com certa autonomia, listas, 
agendas, calendários, avisos, convites, receitas, instruções de 
montagem (digitais ou impressos), dentre outros gêneros do 
campo da vida cotidiana, considerando a situação 
comunicativa e o tema/assunto do texto e relacionando sua 
forma de organização à sua finalidade. 
● Participação na produção desses diferentes textos. 
● Construção de agenda de atividades tendo o(a) 
professor(a) como escriba. 
● Ler e compreender com certa autonomia cantigas, letras de 
canção, dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, 
considerando a situação comunicativa e o tema/assunto do 
texto relacionando sua forma de organização à sua 
finalidade. 
● Atividades com letras de música e paródias. 
● Ler e compreender, em colaboração com os colegas e com a 
ajuda do professor, fotolegendas em notícias, manchetes e 
lides em notícias, álbum de fotos digital noticioso e notícias 
curtas para o público infantil, dentre outros gêneros do 
campo jornalístico, considerando a situação comunicativa e 
o tema/assunto do texto. 
● Trabalho com jornais e revistas em caráter 
introdutório. 
● Selecionar notícias e tirinhas com a temática 
ambiental para leitura coletiva. 
Ler e compreender, em colaboração com os colegas e com a 
ajuda do professor, slogans, anúncios publicitários e textos 
de campanhas de conscientização destinados ao público 
infantil, dentre outros gêneros do campo publicitário, 
considerando a situação comunicativa e o tema/assunto do 
texto, em caráter introdutório. 
● Trabalho com cartazes publicitários, encartes, 
elaboração de murais, montagem de jornal-mural. 
● Produção de uma campanha de conscientização 
sobre os problemas ambientais com criação de 
manchetes e seleção de imagens que remetam ao 
tema 
 
 
 
 
144 
 
 
 ● Ler e compreender, em colaboração com os colegas e com a 
ajuda do professor, cartazes, avisos, folhetos, regras e 
regulamentos que organizam a vida na comunidade escolar, 
dentre outros gêneros do campo da atuação cidadã, 
considerando a situação comunicativa e o tem/assunto do 
texto. 
● Ler e compreender, em colaboração com os colegas e 
com a ajuda do professor, cartazes, avisos, folhetos, 
regras e regulamentos que organizam a vida na 
comunidade escolar, dentre outros gêneros do 
campo da atuação cidadã, considerando a 
situação comunicativa e o tem/assunto do texto. 
● Ler e compreender, em colaboração com os colegas e com a 
ajuda do professor, enunciados de tarefas escolares, 
diagramas, curiosidades, pequenos relatos de experimentos, 
entrevistas, verbetes de enciclopédia infantil, entre outros 
gêneros do campo investigativo, considerando 
a situação comunicativa e o tema/assunto do texto. 
 
 
● Imagens analíticas 
em textos. 
● Reconhecer a função de textos utilizados para apresentar 
informações coletadas em atividades de pesquisa (enquetes, 
pequenas entrevistas, registros de experimentações). 
● Trabalhar com revistas científicas (Ciência Hoje) 
e outros suportes que abordem o gênero. 
 
● Paragrafação. 
● Identificar e compreender o uso de parágrafos como 
orientadores para a localização de informações e 
organização de textos. 
● Leitura e interpretação de textos de diferentes 
gêneros. 
 
 
● Pesquisa. 
● Explorar, com a mediação do professor, textos informativos 
de diferentes ambientes digitais de pesquisa, conhecendo 
suas possibilidades. 
● Perceber-se como parte integrante do ambiente e, assim, 
analisar de forma crítica, a partir dos diferentes gêneros 
textuais, os problemas ambientais atuais e as possíveis 
intervenções. 
 
 
 
 
 
 
 
 
● Assistir aos vídeos do Youtubee confrontar com 
sites científicos. 
● Audição de podcasts e vídeos informativos sobre 
riscos ambientais e, posteriormente, realizar rodas 
de conversa para reflexão das informações. 
 
 
145 
 
 
 ● Formação do leitor 
literário. 
● Apreciação 
estética/Estilo. 
● Ler e compreender, com certa autonomia, textos literários, 
de gêneros variados, desenvolvendo o gosto pela leitura. 
● Frequência sistemática em atividades de sala de 
leitura (empréstimos). 
● Utilização de Bornal de Leitura (Mala Viajante) 
com possibilidade de registro de leitura. 
● Saraus, dramatização de cantigas e poemas; 
brincadeira de rimas, com palavras, figuras e nomes 
dos próprios alunos. 
● Apreciar poemas e outros textos versificados, observando 
rimas, sonoridades, jogos de palavras, reconhecendo seu 
pertencimento ao mundo imaginário e sua dimensão de 
encantamento, jogo e fruição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Escrita 
● Escrita 
compartilhada e 
autônoma. 
● Planejar e produzir bilhetes e cartas, em meio impresso e/ou 
digital, dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, 
considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto/finalidade do texto. 
 
● Planejar e produzir pequenos relatos de observação de 
processos, de fatos, de experiências pessoais, mantendo as 
características do gênero, considerando a situação 
comunicativa e o tema/assunto do texto. 
 
● Planejar e produzir, com certa autonomia, pequenos 
registros de observação de resultados de pesquisa, 
coerentes com um tema investigado. 
 
● Reescrever textos narrativos literários lidos pelo professor. 
● Escrita 
compartilhada. 
● Planejar e produzir, em colaboração com os colegas e com 
ajuda do professor, (re)contagens de histórias, poemas e 
outros textos versificados (letras de canção, quadrinhas, 
cordel), poemas visuais, tiras e histórias em quadrinhos, 
dentre outros gêneros do campo artístico-literário, 
considerando a situação comunicativa e a finalidade do texto. 
 
● Escrever em colaboração com os colegas e com a ajuda do 
professor, fotolegendas em notícias, manchetes e lides em 
notícias, álbum de fotos digital noticioso e notícias curtas 
para público infantil, digitais ou impressos, dentre outros 
● Construção de jornal impresso e digital. 
● Criar um caderno (ou seção) exclusivo para notícias 
do ambientais. 
 
 
146 
 
 
 gêneros do campo jornalístico, considerando a situação 
comunicativa e o tema/assunto do texto. 
 
● Escrever em colaboração com os colegas e com a ajuda do 
professor, slogans, anúncios publicitários e textos de 
campanhas de conscientização destinados ao público 
infantil, dentre outros gêneros do campo publicitário, 
considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto/finalidade do texto. 
● Produção de slides para projeção. 
● Elaboração de murais, campanhas de 
conscientização sobre Educação Ambiental e riscos. 
● Planejar e produzir cartazes e folhetos para divulgar eventos 
da escola ou da comunidade, utilizando linguagem 
persuasiva e elementos textuais e visuais (tamanho da letra, 
leiaute, imagens) adequados ao gênero, considerando a 
situação comunicativa e o tema/assunto do texto. 
 
● Escrita 
compartilhada
 e individual. 
● Compreender a importância da paragrafação para a 
organização de textos, iniciando sua utilização nas 
produções individuais e coletivas. 
● Produção individual e coletiva de textos de 
diferentes gêneros discursivos. 
● Planejar e produzir narrativas (auto)biográficas, utilizando 
detalhes descritivos, sequência de eventos e imagens 
apropriadas para sustentar o sentido do texto e os 
marcadores de tempo e espaço. 
 
● Escrita de narrativas autobiográficas. 
● Confecção de livros (auto)biográficos. 
 
 
 
 
 
Oralidade/ 
Sinalidade 
● Produção de texto 
oral ou sinalizado. 
● Planejar e produzir, em colaboração com os colegas e com 
ajuda do professor, recados, avisos, convites, receitas, 
instruções de montagem, dentre outros gêneros do campo da 
vida cotidiana, que possam ser repassados oralmente por 
meio de ferramentas digitais, em áudio ou vídeo, 
considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto/finalidade do texto. 
 
● Cantar (incluindo a possibilidade de ser em Libras) cantigas 
e canções obedecendo ao ritmo e à melodia. 
 
● Planejar e produzir, em colaboração com os colegas e com a 
ajuda do professor, notícias curtas para público infantil, para 
compor jornal falado que possa ser repassado oralmente ou 
em meio digital, em áudio ou vídeo, dentre outros gêneros do 
● Elaboração de jornal mural, dramas televisivos. 
● Dramatizações. 
 
147 
 
 
 campo jornalístico, considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto do texto. 
 
● Planejar, em colaboração com os colegas e com a ajuda do 
professor, slogans e peça de campanha de conscientização 
destinada ao público infantil que possam ser repassados 
oralmente por meio de ferramentas digitais, em áudio ou 
vídeo, considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto/finalidade do texto. 
● Elaboração de slides e vídeos para projeção. 
● Planejamento de 
texto oral. 
● Exposição 
oral/ sinalizada. 
● Planejar e produzir, em colaboração com os colegas e com a 
ajuda do professor, relatos de experimentos, registros de 
observação, entrevistas, dentre outros gêneros do campo 
investigativo, que possam ser repassados de forma oral ou 
sinalizada, por meio de ferramentas digitais, em áudio ou 
vídeo, considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto/finalidade do texto. 
● Elaboração de Podcast. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Análise 
Linguística/ 
Semiótica 
● Forma de 
composição de 
texto. 
● Identificar e (re)produzir, em cantiga, quadras, quadrinhas, 
parlendas, trava-línguas e canções, rimas, aliterações, 
assonâncias, o ritmo de fala relacionado ao ritmo e à 
melodia das músicas e seus efeitos de sentido. 
● Rodas de leitura com cantigas, músicas e parlendas, 
incluindo as de origens indígena e africana. 
● Identificar e reproduzir, em relatos de experiências pessoais, a 
sequência dos fatos, utilizando expressões que marquem a 
passagem do tempo (“antes”, “depois”, “ontem”, “hoje”, 
“amanhã”, “outro dia”, “antigamente”, “há muito tempo” 
etc.) e o nível de informatividade necessário. 
● Elaboração de linha do tempo. 
● Escrita de diários. 
● Diário da classe com registro de rotina. 
● Identificar a forma de composição de slogans publicitários. 
● Formas de 
composição de 
narrativas. 
● Reconhecer o conflito gerador de uma narrativa ficcional e 
sua resolução, além de palavras, expressões e frases que 
caracterizam personagens e ambientes. 
 
 
 
 
● Dramatização de histórias; produções textuais com 
reescrita das histórias, mudando os finais, 
misturando personagens. 
● Leitura compartilhada realizada com frequência 
pelo professor de gêneros narrativos variados. 
 
148 
 
 
 
 
 
● Formas de 
composição de 
textos poéticos. 
● Reconhecer, em textos versificados, rimas, sonoridades, 
aspectos visuais, jogos de palavras, palavras, expressões, 
comparações, relacionando-os com sensações e associações. 
● Trabalho com poemas e poesias com diferentes 
estruturas. 
● Leitura compartilhada realizada com frequência 
pelo professor de gêneros poéticos variados. 
● Formas de 
composição de 
textos poéticos 
visuais. 
● Observar, em poemas visuais, o formato do texto na página, 
as ilustrações e outros efeitos visuais. 
● Leitura de poemas visuais em livros e em sites. 
 
 
1º CICLO 
LÍNGUA PORTUGUESA 
 3º ANO 
Núcleos 
Temáticos 
Objetos de 
Conhecimento 
Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento Propostas Metodológicas 
 
 
 
 
 
 
 
Leitura 
● Compreensão em 
leitura. 
● Ler e compreender, com autonomia, textos injuntivos 
instrucionais (receitas, instruções de montagem etc.) com a 
estrutura própria desses textos (verbos imperativos, indicação de 
passos a serem seguidos)e mesclando palavras, imagens e 
recursos gráfico-visuais, considerando a situação comunicativa e 
o tema/assunto do texto. 
● Elaboração de Dicionários ilustrados. 
● Identificar e discutir o propósito do uso de recursos de percussão 
(cores, imagens, escolha de palavras, letras) em textos 
publicitários e de propaganda, como elemento de convencimento. 
● Produções textuais que incluem a 
conscientização ambiental e de relações étnico 
raciais. 
● Ler e compreender, com autonomia, cartas pessoais e diários, 
com expressão de sentimentos e opiniões, dentre outros gêneros do 
campo da vida cotidiana, de acordo com as convenções do 
gênero carta e considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto do texto. 
● Promover atividades em que os alunos 
escrevam cartas com remetentes internos à 
unidade escolar havendo entre os grupos os 
carteiros que entregaram as cartas aos 
respectivos remetentes. Havendo a 
possibilidade da escrita para remetentes 
externos como personalidades públicas vivas. 
149 
 
 
 
 
 ● Ler e compreender com autonomia, cartas dirigidas a veículo de 
mídias impressa ou digital (cartas de leitor ou reclamação a 
jornais, revistas) e notícias, dentre outros gêneros do campo 
jornalístico, de acordo com as convenções do gênero carta e 
considerando a situação comunicativa e o tema/ assunto do texto. 
● Elaboração de cartas de reclamação às 
autoridades (escolares ou municipais) acerca de 
um problema ambiental na escola ou na 
comunidade. 
● Utilização de enciclopédias e almanaques. 
● Pesquisas na Internet realizadas no laboratório 
de Informática. 
● Pesquisas realizadas nas salas de 
leitura/bibliotecas escolares ou enciclopédias 
(acervo individual ou coletivo) da unidade 
escolar. 
● Frequência sistemática em atividades de sala 
de leitura (empréstimos). 
● Registros de leitura /elaboração de resenhas 
e/ou indicações literárias. 
● Saraus, dramatização de cantigas e poemas; 
brincadeira de rimas, com palavras, figuras e 
nomes dos próprios alunos. 
 ● Ler/ouvir e compreender, com autonomia, relatos de observações 
de pesquisa em fontes de informações, considerando a situação 
comunicativa e o tema/assunto do texto. 
● Perceber-se como parte integrante do ambiente e, assim, analisar 
de forma crítica, a partir dos diferentes gêneros textuais, os 
problemas ambientais atuais e as possíveis intervenções. 
 
● Pesquisa. 
● Buscar e selecionar, com apoio do professor, informações de 
interesse sobre fenômenos sociais e naturais, em textos que 
circulam em meios impressos ou digitais. 
● Formação do leitor 
literário. 
● Apreciação 
estética/Estilo. 
● Ler e compreender, com certa autonomia, textos literários, de 
gêneros variados, desenvolvendo o gosto pela leitura. 
● Apreciar poemas e outros textos versificados, observando rimas, 
sonoridades, jogos de palavras, reconhecendo seu pertencimento 
ao mundo imaginário e sua dimensão de encantamento, jogo e 
fruição. 
 
Escrita 
● Escrita individual 
e colaborativa. 
● Planejar e produzir cartas pessoais e diários, com expressão de 
sentimentos e opiniões, dentre outros gêneros do campo da vida 
cotidiana, de acordo com as convenções do gênero carta e 
considerando a situação comunicativa e o tema/assunto do texto. 
150 
 
 
 
 ● Planejar e produzir textos injuntivos instrucionais, com a 
estrutura própria desses textos (verbos imperativos, indicação de 
passos a serem seguidos) e mesclando palavras, imagens e 
recursos gráfico-visuais, considerando a situação comunicativa e 
o tema/assunto do texto. 
 
● Produzir cartas dirigidas a veículos da mídia impressa ou digital 
(Cartas do leitor ou de reclamação a jornais ou revistas), dentre 
outros gêneros do campo político-cidadão com opiniões e 
críticas de acordo com as convenções do gênero carta e 
considerando a situação comunicativa e o tema/ assunto do texto. 
 
● Produzir anúncios publicitários textos de campanhas de 
conscientização destinados ao público infantil, observando os 
recursos de persuasão utilizados nos textos publicitários e de 
propaganda (cores, imagens, slogan, escolha de palavras, jogo de 
palavras, tamanho e tipo de letras, diagramação). 
● Confeccionar com o grupo cartazes, murais 
incluindo a temática de conscientização 
ambiental. 
● Opinar e defender ponto de vista sobre tema polêmico 
relacionado a situações vivenciadas na escola e/ou na 
comunidade utilizando registro formal e estrutura adequada à 
argumentação considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto do texto. 
 
 
 
 
 
● Trabalhar com Júri simulado debatendo 
questões do cotidiano escolar e sobre filmes e 
leituras. 
 
151 
 
 
 ● Planejar e produzir narrativas (auto)biográficas, utilizando 
detalhes descritivos, sequência de eventos e imagens apropriadas 
para sustentar o sentido do texto e os marcadores de tempo e 
espaço. 
● Elaboração e/ou reescrita de narrativas 
(auto)biográficas. 
● Confecção de livros (auto)biográficos. 
● Compreender a importância da paragrafação para a organização 
de textos, iniciando sua utilização nas produções individuais e 
coletivas. 
● Produção individual e coletiva de textos de 
diferentes gêneros discursivos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Oralidade/ 
Sinalidade 
● Produção de texto 
oral ou sinalizado. 
● Assistir, em vídeo digital, a programa de culinária infantil e, a 
partir dele, planejar e produzir receitas em áudio ou vídeo. 
● Elaborar com a turma um programa de 
receitas que será filmado na confecção da 
receita e posteriormente exibido para turma. 
● Planejamento e 
produção de textos 
● Planejar e produzir, em colaboração com os colegas, telejornal 
para público infantil com algumas notícias e textos de 
campanhas que possam ser passados oralmente/em Libras ou em 
meio digital, em áudio ou vídeo, considerando a situação 
comunicativa, a organização específica da fala nesses gêneros e o 
tema/assunto/ finalidade dos textos. 
● Reproduzir em sala textos de saúde (campanhas 
de vacinação, prevenção de epidemias), 
higiene. 
● Ortoépia e 
prosódia. 
● Reconhecer e compreender, implicitamente, as intenções de fala 
dos interlocutores por entonações melódicas. 
● Roda de cantigas com elementos literários com 
base no Português brasileiro, na ancestralidade 
africana e indígena. 
● Escuta de textos 
orais e 
visualização de 
textos sinalizados. 
● Escutar/visualizar com atenção, apresentações de trabalhos 
realizadas por colegas, formulando perguntas pertinentes ao tema 
e solicitando esclarecimentos sempre que necessário. 
● Apresentação de seminários e de trabalhos em 
feiras de ciências e literárias. 
● Compreensão de 
textos orais/ 
sinalizados. 
● Recuperar as ideias principais em situações formais de 
escuta/visualização de exposições apresentações e palestras. 
● Registros de palestras e apresentações. 
 
 
 
152 
 
 
 
 ● Planejamento de 
texto 
oral/sinalizado. 
● Exposição 
oral/sinalizada. 
● Expor trabalhos ou pesquisas escolares, em sala de aula com 
apoio de recursos multissemióticos (imagens, diagramas, tabelas 
etc.), orientando-se por roteiro escrito, planejando o tempo de fala 
ou de sinalização e adequando a linguagem à situação 
comunicativa. 
 
● Declamação. ● Declamar poemas, com entonação, postura e interpretação 
adequadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Análise 
Linguística/ 
Semiótica 
● Forma de 
composição dos 
textos. 
● Adequação dos 
textos às normas 
descritas. 
● Identificar e reproduzir, em relatórios de observação e pesquisa, a 
formatação e diagramação específica desses gêneros (passos ou 
listas de itens, tabelas, ilustrações, gráficos, resumo dos 
resultados), inclusive em suas versões orais. 
● Revisão textual coletiva de textos produzidos 
pelos estudantes. 
● Valorização dos textos dos alunos na 
elaboração de outras atividades. 
● Formas de 
composição de 
narrativa. 
● Identificar,em narrativas, cenário, personagem central, conflito 
gerador, resolução e o ponto de vista com base nos quais histórias 
são narradas, diferenciando narrativas em primeira e terceira 
pessoas. 
● Leituras de gêneros dramáticos. 
● Forma de 
composição de 
textos poéticos. 
● Identificar, em textos versificados, efeitos de sentido decorrentes 
do uso de recursos rítmicos e sonoros e de metáforas. 
● Trabalhar com ditos populares e trava- línguas. 
● Paragrafação. ● Identificar e compreender o uso de parágrafos como 
orientadores para a localização de informações e organização de 
textos. 
● Leitura e interpretação de textos de diferentes 
gêneros. 
Leitura/ 
escuta/ 
sinalização 
(comparti- 
l hada e 
autônoma) 
● Formação do leitor 
Literário. 
● Ler e compreender, de forma autônoma, textos literários de 
diferentes gêneros e extensões, inclusive aqueles sem ilustrações, 
estabelecendo preferências por gêneros, temas, autores. 
 
 
153 
 
 
 ● Formação do leitor 
literário/ 
Leitura 
multissemiótica. 
● Perceber diálogos em textos narrativos, observando o efeito de 
sentido de verbos de enunciação e, se for o caso, o uso de 
variedades linguísticas no discurso direto. 
● Ler e compreender, com certa autonomia, narrativas ficcionais 
que apresentem cenários e personagens, observando os elementos 
da estrutura narrativa: enredo, tempo, espaço, personagens, 
narrador e a construção do discurso indireto e discurso direto. 
 
● Apreciação 
estética/Estilo. 
● Apreciar poemas e outros textos versificados, observando rimas, 
aliterações e diferentes modos de divisão dos versos, estrofes e 
refrãos e seu efeito de sentido. 
 
● Textos dramáticos. ● Identificar funções do texto dramático (escrito para ser encenado) 
e sua organização por meio de diálogos entre personagens e 
marcadores das falas das personagens e de cena. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Análise 
Linguística/ 
semiótica 
● Construção do 
sistema alfabético 
e da ortografia. 
● Ler e escrever palavras com correspondências regulares 
contextuais entre grafemas e fonemas - c/qu; g/gu; r/rr; s/ss; o (e 
não u) e e (e não i) em sílaba átona em final de palavra - e com 
marcas de nasalidade (til, m, n). 
● Jogos pedagógicos, lista de palavras, uso de 
dicionário, glossário, ditados e outros recursos 
lúdicos. 
● Revisão textual coletiva de textos produzidos 
pelos estudantes. 
● Valorização dos textos dos alunos na 
elaboração de outras atividades. 
● Ler e escrever corretamente palavras com sílabas CV, V, CVC, 
CCV, VC, VV, CVV, identificando que existem vogais em todas 
as sílabas. 
● Ler e escrever corretamente palavras com os dígrafos lh, nh, ch. 
● Compreender, analisar e memorizar a grafia de palavras de uso 
frequente nas quais as relações fonema-grafema são irregulares e 
com h inicial que não representa fonema. 
 
 
 
 
 
154 
 
 
 
 ● Conhecimento das 
diversas grafias do 
alfabeto/ 
Acentuação. 
● Usar acento gráfico (agudo ou circunflexo) em monossílabos 
tônicos terminados em a, e, o e em palavras oxítonas terminadas 
em a, e, o, seguidas ou não de s. 
● Uso de ditados, lista de palavras e glossários. 
● Revisão textual coletiva de textos produzidos 
pelos estudantes. 
● Segmentação de 
palavras/ 
Classificação de 
palavras por 
número de sílabas. 
● Separar as sílabas, compreendendo sua função para a estruturação 
de frases e textos. 
● Elaborar atividades com recorte de sílabas. 
● Análise e reflexão em relação à separação de 
sílabas para a continuação da escrita conforme o 
espaço disponível (necessidade de mudar de 
linha). 
● Identificar o número de sílabas de palavras, classificando-as em 
monossílabas, dissílabas, trissílabas e polissílabas. 
● Construção do 
sistema alfabético. 
● Identificar o número de sílabas de palavras tendo em vista a 
sílaba tônica (última, penúltima, antepenúltima) classificando-as 
em oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas. 
● Pontuação. ● Identificar a função na leitura e usar na escrita ponto-final, ponto 
de interrogação, ponto de exclamação e, em diálogos (discurso 
direto), dois-pontos e travessão. 
● Atividades de Produção Textual. 
● Revisão textual coletiva de textos produzidos 
pelos estudantes. 
● Valorização dos textos dos alunos na 
elaboração de outras atividades. ● Morfologia. ● Identificar em textos e usar na produção textual pronomes 
pessoais, possessivos e demonstrativos, como recurso coesivo 
anafórico. 
● Morfossintaxe. ● Identificar e diferenciar, em textos, substantivos e verbos e suas 
funções na oração: agente, ação, objeto da ação. 
● Recurso Teatral / Dramatização: representação 
através de frases, pequenos textos, música ou 
dicionário de verbos. 
● Identificar, em textos, adjetivos e sua função de atribuição de 
propriedades aos substantivos. 
 
 
 
 
 
 
● Elaborar dinâmicas, expressões faciais que 
ajudam na construção dos adjetivos. 
 
155 
 
 
 
 ● Forma de 
composição do 
texto. 
● Identificar e reproduzir, em textos injuntivos instrucionais 
(receitas, instruções de montagem, digitais ou impressos), a 
formatação própria desses textos (verbos imperativos, indicação 
de passos a serem seguidos) e a diagramação específica dos 
textos desses gêneros (lista de ingredientes ou materiais e 
instruções de execução- “modo de fazer”). 
● Revisão textual coletiva de textos produzidos 
pelos estudantes. 
● Valorização dos textos dos alunos na 
elaboração de outras atividades. 
● Identificar e reproduzir, em gêneros epistolares e diários, a 
formatação própria desses textos (relatos de acontecimentos, 
expressão de vivências, emoções, opiniões ou críticas) e a 
diagramação específica dos textos desses gêneros (data, 
saudação, corpo do texto, despedida, assinatura). 
● Elaborar com os grupos de referência cartas e 
e-mails. 
● Identificar e reproduzir, em notícias, manchetes, lides e corpo de 
notícias simples para público infantil e cartas de reclamação 
(revista infantil), digitais ou impressos, a formatação e 
diagramação específica de cada um desses gêneros, inclusive em 
suas versões orais. 
 
● Analisar o uso de adjetivos em cartas dirigidas a veículos da 
mídia impressa ou digital (cartas do leitor ou reclamação a 
jornais ou revistas), digitais ou impressas. 
 
 
 
Produção de 
textos 
● Produção de texto. ● Planejar e produzir textos para apresentar resultados de 
observações e de pesquisas em fontes de informações, incluindo, 
quando pertinente, imagens, diagramas e gráficos ou tabelas 
simples, considerando a situação comunicativa e o tema/assunto 
do texto. 
● Elaboração de pesquisas com o grupo e 
confecção de relatórios com gráficos nos 
relatos de experiência. 
● Escrita autônoma e 
compartilhada. 
● Criar narrativas ficcionais, com certa autonomia, utilizando 
detalhes descritivos, sequências de eventos e imagens 
apropriadas 
● Produção textual. 
● Confecção de livros coletivos. 
 
 
 
156 
 
 
 para sustentar o sentido do texto, e marcadores de tempo, espaço 
 e de fala de personagens. 
 
● Ler e compreender, com certa autonomia, narrativas ficcionais 
que apresentem cenários e personagens, observando os elementos 
da estrutura narrativa: enredo, tempo, espaço, personagens, 
narrador e a construção do discurso indireto e discurso direto. 
● Leitura compartilhada de capítulos de livros e 
dramatizar. 
● Escrita autônoma. ● Ler e compreender, com certa autonomia, textos em versos, 
explorando rimas, sons e jogos de palavras, imagens poéticas 
(sentidos figurados) e recursos visuais e sonoros. 
 
 
 
2º CICLO 
LÍNGUA PORTUGUESA 
 4º ANO 
Núcleos 
Temáticos 
Objetos de 
Conhecimento 
Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento Propostas Metodológicas 
 
 
 
 
 
 
Leitura 
● Compreensão em 
leitura. 
● Ler e compreender, com autonomia, boletos, faturas e carnês, 
dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana,de acordo com 
as convenções do gênero (campos, itens elencados, medidas de 
consumo, código de barras) e considerando a situação 
comunicativa e a finalidade do texto. 
● Pesquisa de encarte; criação de boletos; 
análise e produção de notas fiscais; 
preenchimento de cheques; leitura de bula e 
produção de bula poética; roda com 
compartilhamento de receitas, produção das 
receitas, criação de livros de receitas poéticas; 
leitura, análise e comparação de rótulos. 
● Ler e compreender, com autonomia, cartas pessoais de 
reclamação, dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, de 
acordo com as convenções do gênero carta e considerando a 
situação comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto. 
● Leitura de cartas pessoais de reclamação; 
busca em sites de reclamação; análise de 
cartas, observando sua estrutura. 
 
 
 
157 
 
 
 
 ● Identificar, em notícias, fatos, participantes, local e momento / 
tempo da ocorrência do fato noticiado 
● Produção de jornal mural; criação de jornal 
próprio da escola; divisão da turma de acordo 
com as partes do jornal, para produção do 
mesmo; rádio jornal e jornal online. 
● Produção de jornal em redes sociais; mural 
interativo. 
● Selecionar as notícias sobre um mesmo risco 
ambiental divulgado em diferentes veículos. 
Solicitar que os alunos debatam sobre qual 
notícia eles escolheriam para um jornal da 
turma. 
● Distinguir fatos de opiniões/sugestões em textos (informativos, 
jornalísticos, publicitários etc.). 
● Ler e compreender textos expositivos de divulgação científica 
para crianças, considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto do texto. 
● Perceber-se como parte integrante do ambiente e, assim, analisar 
de forma crítica, a partir dos diferentes gêneros textuais, os 
problemas ambientais atuais e as possíveis intervenções. 
● Manuseio e leitura de revistas científicas como 
Ciência Hoje, Superinteressante, etc. 
● Acesso a revistas online. 
● Realização de feiras de conhecimento. 
● Promover palestras de órgãos de pesquisa. 
● Imagens analíticas 
em texto. 
● Reconhecer e função de gráficos, diagramas e tabelas em textos, 
como forma de apresentação de dados e informações. 
● Análise e leitura de gráficos em diversas 
situações; estimular o raciocínio lógico a partir 
de estatísticas; Proposta de transformar dados 
de um determinado texto em gráfico/tabela; 
proposta para transformar tabelas/gráficos em 
textos. 
● Pesquisa. ● Buscar e selecionar, com o apoio do professor, informações de 
interesse sobre fenômenos sociais e naturais, em textos que 
circulam em meios impressos ou digitais. 
● Produção de mural. 
● Roda de conversa sobre as notícias do dia. 
● Apresentação de seminário. 
● Formação do leitor 
literário. 
● Ler e compreender, de forma autônoma, textos literários de 
diferentes gêneros e extensões, inclusive aqueles sem ilustrações, 
estabelecendo preferências por gêneros, temas e autores. 
● Visita à biblioteca e sala de leitura. 
● Caixa de livros em que os alunos escolham 
livremente o que ler. 
● Leitura compartilhada; festival de poesia; 
sarau; dramatizações. 
 
 
158 
 
 
 ● Formação do leitor 
literário/ 
Leitura 
multissemiótica. 
● Perceber diálogos em textos narrativos, observando o efeito de 
sentido de verbos de enunciação e, se for o caso, o uso de 
variedades linguísticas no discurso direto. 
● Produção de varal de cordel; tirinhas. 
● Análise de personagens do folclore e da cultura 
popular. 
● Transcrição de trechos de filmes e novelas. 
● Propostas de leitura e escrita para mudar o 
foco narrativo de diálogo. 
● Apreciação 
estética/estilo. 
● Apreciar poemas e outros textos versificados, observando rimas, 
aliterações e diferentes modos de divisão dos versos, estrofes e 
refrãos e seu efeito de sentido. 
● Realização de sarau; declamação de trava 
língua; realização de slam de rimas; produção 
de paródias de músicas. 
● Textos dramáticos. ● Identificar funções do texto dramático (escrito para ser 
encenado) e sua organização por meio de diálogos entre 
personagens e marcadores das falas das personagens e de cena. 
● Leitura dramatizada; Reprodução de cenas de 
novelas; análise de filmes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Escrita 
● Escrita 
colaborativa. 
● Planejar e produzir, com autonomia, cartas pessoais de 
reclamação, dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, de 
acordo com as convenções do gênero carta e com a estrutura 
própria desses textos (problema, opinião, argumentos), 
considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto/finalidade do texto. 
● Produção de carta coletiva em relação a 
reivindicações de melhorias no âmbito social. 
● Produzir notícias sobre fatos ocorridos no universo escolar, 
digitais ou impressas, para o jornal da escola, noticiando os fatos e 
seus atores e comentando decorrências, de acordo com as 
convenções do gênero notícia e considerando a situação 
comunicativa e o tema/assunto do texto. 
● Caderno de escrita semanal - cada aluno 
possui um caderno onde poderá fazer ao 
menos um registro escrito semanalmente (pode 
ser comentário de um livro, filme, uma 
poesia, uma música, um fato.). 
● Opinar e defender ponto de vista sobre tema polêmico 
relacionado a situações vivenciadas na escola e/ou na 
comunidade, utilizando registro formal e estrutura adequada à 
argumentação, considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto do texto. 
● Roda de debate, com registro em ata; criar 
caderno de atas da sala. 
● Produção de textos. ● Planejar e produzir textos sobre temas de interesse, com base 
em resultados de observações e pesquisas em fontes de 
informações impressas ou eletrônicas, incluindo, quando 
pertinente, imagens e gráficos ou tabelas simples, considerando a 
● Realização de feiras do conhecimento; blog da 
turma. 
 
159 
 
 
 situação comunicativa e o tema/assunto do texto. ● Produzir cartazes e propagandas educativas 
sobre determinadas questões ambientais de 
interesse de toda a comunidade escolar. 
● Escrita autônoma. ● Planejar e produzir, com certa autonomia, verbetes de 
enciclopédia infantil, digitais ou impressos, considerando a 
situação comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto. 
● Elaboração de dicionário de gírias. 
● Produção mural de palavras de diversas 
origens. 
● Ler e compreender, com certa autonomia, textos em versos, 
explorando rimas, sons e jogos de palavras, imagens poéticas 
(sentidos figurados) e recursos visuais sonoros. 
● Realização de saraus; declamação de 
trava-línguas; slam de rimas; produção de 
paródias de músicas. 
● Escrita autônoma e 
compartilhada. 
● Criar narrativas ficcionais, com certa autonomia, utilizando 
detalhes descritivos, sequências de eventos e imagens apropriadas 
para sustentar o sentido do texto, e marcadores de tempo, espaço 
e de fala de personagens. 
● Produção textual a partir de uma imagem, 
jogos, frases etc. 
● Confecção de livros coletivos. 
● Ler e compreender, com certa autonomia, narrativas ficcionais 
que apresentem cenários e personagens, observando os elementos 
da estrutura narrativa: enredo, tempo, espaço, personagens, 
narrador e a construção do discurso indireto e discurso direto. 
● Planejar e produzir narrativas (auto)biográficas, utilizando 
detalhes descritivos, sequência de eventos e imagens apropriadas 
para sustentar o sentido do texto e os marcadores de tempo e 
espaço. 
● Elaboração e/ou reescrita de narrativas 
(auto)biográficas; 
● Confecção de livros (auto)biográficos. 
 
 
 
 
Oralidade/ 
Sinalidade 
● Produção de texto 
oral ou sinalizados. 
● Assistir, em vídeo digital, a programa infantil com instruções de 
montagem, de jogos e brincadeiras e, a partir dele, planejar e 
produzir tutoriais em áudio ou vídeo. 
● Assistir, em vídeo digital, a programa infantil 
com instruções de montagem, de jogos e 
brincadeiras e, a partir dele, planejare produzir 
tutoriais em áudio ou vídeo. 
● Produzir podcasts e vídeos informativos, rodas 
de conversa a respeito das temáticas 
relacionadas a riscos ambientais. 
● Planejamento e 
produção de texto. 
● Produzir jornais radiofônicos ou televisivos e entrevistas 
veiculadas em rádio, TV e na internet, orientando-se por roteiro 
ou texto e demonstrando conhecimento dos gêneros jornal falado/ 
● Produção de jornal mural; criação de jornal 
próprio da escola; divisão da turma de acordo 
com as partes do jornal, para produção dele; 
 
 
160 
 
 
 televisivo e entrevista. rádio jornal e jornal online e jornal em redes 
sociais. 
● Selecionar notícias e tirinhas com a temática 
ambiental para debate e posterior produção 
de um jornal mural que atente para os 
principais problemas ambientais da 
atualidade. 
● Expor trabalhos e pesquisas escolares, em sala de aula, com apoio 
de recursos multissemióticos (imagens, diagrama, tabelas etc.), 
orientando-se por roteiro escrito, planejando o tempo de 
fala e adequando a linguagem à situação comunicativa. 
● Elaboração de mural físico e mural online. 
● Escuta de textos 
orais ou 
visualização de 
textos sinalizados. 
● Escutar/visualizar, com atenção, apresentações de trabalhos 
realizadas por colegas, formulando perguntas pertinentes ao 
tema e solicitando esclarecimentos sempre que necessário. 
● Realização de seminários com 
● Apresentação de trabalhos. 
● Ouvir/visualizar gravações, canções, textos falados em diferentes 
variedades linguísticas, identificando características regionais, 
urbanas e rurais da fala e respeitando as diversas variedades 
linguísticas como características do uso da língua por diferentes 
grupos regionais ou diferentes culturas locais, rejeitando 
preconceitos linguísticos. 
● Audição/visualização de músicas regionais, 
novelas de época, novelas produzidas por 
países falantes da Língua Portuguesa. 
● Compreensão de 
textos orais ou 
sinalizados. 
● Recuperar as ideias principais em situações formais de escuta de 
exposições, apresentações e palestra. 
● Apresentação de seminários e palestras. 
● Declamação. ● Declamar poemas, com entonação, postura e interpretação 
adequadas. 
● Realização de saraus; participação e realização 
de concursos de poesias. 
● Textos audiovisuais. ● Reconhecer intertextualidades, gêneros e tipologias simultâneas 
entre diferentes canais midiáticos de comunicação. 
● Vídeos e curtas interativos (canais midiáticos 
como Youtube); produção de vídeos; Roda de 
conversa; cine debate. 
 
 
 
 
 
161 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Análise 
Linguística/ 
Multimodal 
● Construção do 
sistema alfabético e 
da ortografia. 
● Recorrer ao dicionário para esclarecer dúvidas sobre a escrita de 
palavras, especialmente no caso de palavras com relações 
irregulares fonema-grafema. 
● Uso de diversos tipos de dicionário. 
● Grafar palavras utilizando regras de correspondência 
fonema-grafema regulares diretas e contextuais. 
● Realização de ditado; atividades de separação 
de palavras; caça-palavras; segmentação de 
palavras aglutinadas; jogos de palavras. 
● Revisão textual coletiva de textos produzidos 
pelos estudantes. 
● Valorização dos textos dos alunos na 
elaboração de outras atividades. 
● Ler e escrever, corretamente, palavras com sílabas VV e CVV em 
casos nos quais a combinação VV (ditongo) é reduzida na língua 
oral (ai, ei, ou). 
● Compreender, analisar e memorizar a grafia de palavras de uso 
frequente nas quais as relações fonema-grafema são irregulares e 
com h inicial que não representa fonema. 
● Jogo da memória; jogo de palavras; 
elaboração de diversos murais de palavras; 
pesquisa em jornal e revistas; recorte e 
colagem. 
● Conhecimento do 
alfabeto do 
Português do 
Brasil/Ordem 
alfabética/ 
Polissemia. 
● Localizar palavras no dicionário para esclarecer significados, 
reconhecendo o significado mais plausível para o contexto que 
deu origem à consulta. 
● Uso do dicionário. 
● Conhecimento das 
diversas grafias do 
alfabeto/ 
acentuação. 
● Usar acento gráfico (agudo ou circunflexo) em paroxítonas 
terminadas em -i(s), -l, -r, -ão(s). 
● Realização de ditado; atividades de separação 
de palavras; caça palavras; segmentação de 
palavras aglutinadas; jogos de palavras. 
● Revisão textual coletiva de textos produzidos 
pelos estudantes. 
● Valorização dos textos dos alunos na 
elaboração de outras atividades. 
● Ler e escrever corretamente palavras com os dígrafos lh, nh, ch. 
● Compreender, analisar e memorizar a grafia de palavras de uso 
frequente nas quais as relações fonema-grafema são irregulares e 
com h inicial que não representa fonema. 
● Pontuação. ● Identificar a função na leitura e usar, adequadamente, na escrita: 
ponto final, de interrogação, de exclamação, dois-pontos e 
travessão em diálogos (discurso direto), vírgula em enumerações 
e em separação de vocativo e de aposto. 
● Produção textual livre e dirigida, com escritas 
coletivas e individuais. 
● Revisão textual coletiva de textos produzidos 
pelos estudantes. 
 
 
162 
 
 
 ● Morfologia. ● Identificar em textos e usar na produção textual a concordância 
entre substantivo ou pronome pessoal e verbo (concordância 
verbal). 
● Valorização dos textos dos alunos na 
elaboração de outras atividades. 
● Identificar, em textos e usar na produção textual, pronomes 
pessoais, possessivos e demonstrativos, como recurso coesivo 
anafórico. 
● Reconhecer e grafar, corretamente, palavras derivadas com os 
sufixos -agem, -oso, -eza, -izar/-isar (regulares morfológicas). 
● Produção de mural; análise de ocorrência de 
grafias em textos diversos. 
● Morfossintaxe. ● Identificar em textos e usar na produção textual a concordância 
entre artigo, substantivo e adjetivo (concordância no grupo 
nominal). 
● Reescrita de textos; atividades lúdicas. 
● Revisão textual coletiva de textos produzidos 
pelos estudantes. 
● Forma de 
composição do 
texto. 
● Identificar e reproduzir, em textos injuntivos instrucionais 
(instruções de jogos digitais ou impressos), a formatação própria 
desses textos (verbos imperativos, indicação de passos a ser 
seguidos) e formato específico dos textos orais ou escritos desses 
gêneros (lista/apresentação de materiais e instruções/passos de 
jogo). 
● Produção de jogos de tabuleiro; de jogos 
online; campeonatos de jogos populares. 
● Identificar e reproduzir, em notícias, manchetes, lides e corpo de 
notícias simples para público infantil e cartas de reclamação 
(revista infantil), digitais ou impressos, a formatação e 
diagramação específica de cada um desses gêneros, inclusive em 
suas versões orais. 
● Elaboração de mural de notícias. 
● Produção de jornal da turma/escola. 
● Analisar o padrão entonacional e a expressão facial e corporal de 
âncoras de jornais radiofônicos ou televisivos e de 
entrevistadores/entrevistados. 
● Análise de jornais locais e nacionais; produção 
de jornais em vídeo pelos próprios alunos; 
● Realização de entrevistas. 
● Forma de 
composição dos 
textos. 
● Coesão e 
articuladores. 
● Identificar e reproduzir, em verbetes de enciclopédia infantil, 
digitais ou impressos, a formatação e diagramação específica 
desse gênero (título do verbete, definição, detalhamento, 
curiosidades), considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto/finalidade do texto. 
● Realização de jogos gramaticais como quiz e 
“soletrando”. 
● Pesquisas diversas. 
 
 
 
 
163 
 
 
 ● Forma de 
composição dos 
textos. 
● Adequação do 
texto às normas de 
escrita. 
● Identificar e reproduzir, em seu formato, tabelas, diagramas e 
gráficos em relatórios de observação e pesquisa, como forma de 
apresentação de dados e informações. 
● Produção de tabelas e gráficos. 
● Forma de 
composição de 
narrativas. 
● Identificar, em narrativas, cenário, personagemcentral, conflito 
gerador, resolução e o ponto de vista com base no qual histórias 
são narradas, diferenciando narrativas em primeira e terceira 
pessoas. 
● Análise de textos diversos, escritos, orais em 
diversas mídias. 
● Discurso direto e 
indireto. 
● Diferenciar discurso indireto e discurso direto, determinando o 
efeito de sentido de verbos de enunciação e explicando o uso de 
variedades linguísticas no discurso direto, quando for o caso. 
● Comparação de textos com diferentes focos 
narrativos. 
● Reescritas de textos mudando do discurso 
direto para o indireto. 
● Forma de 
composição de 
textos poéticos. 
● Identificar, em textos versificados, efeitos de sentido decorrentes 
do uso de recursos rítmicos e sonoros e de metáforas. 
● Análise de poesia de diferentes origens e 
formatos. 
● Forma de 
composição de 
textos poéticos 
visuais. 
● Observar, em poemas concretos, o formato, a distribuição e a 
diagramação das letras do texto na página. 
● Produção de poesias a partir da análise de 
poemas concretos; percepção visual da 
produção de sentido. 
● Confecção de livros de poesias coletivos. 
● Forma de 
composição de 
textos dramáticos. 
 
 
 
● Identificar, em textos dramáticos, marcadores das falas das 
personagens e de cena. 
● Análise, leitura e produção de textos 
dramáticos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
164 
 
 
 
2º CICLO 
LÍNGUA PORTUGUESA 
 5º ANO 
Núcleos 
Temáticos 
Objetos de 
Conhecimento 
Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento Propostas Metodológicas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Leitura 
● Fluência 
de leitura. 
● Ler e compreender, silenciosamente e, em seguida, em voz alta ou em 
libras, com autonomia e fluência, textos curtos com nível de 
textualidade adequado. 
● Visita à biblioteca e à sala de leitura. 
● Caixa de livros em que os alunos escolham 
livremente o que ler. 
● Leitura compartilhada seguindo orientações 
como ler pausadamente, com atenção a 
pronúncia e sinais de pontuação. 
● Festival de poesia; realização de saraus. 
● Inferir informações implícitas nos textos lidos. ● Pesquisa e análise de manchetes de jornais e 
capas de livros para identificar suas relações 
com outros textos incluindo as alusões, as 
paráfrases, as paródias ou citações literais, 
marcas de ironia etc. 
● Concurso de piadas; Rodas de leitura; Análise 
de textos que circulam nas redes sociais. 
● Inferir o sentido de palavras ou expressões desconhecidas em textos, 
com base no contexto da frase ou do texto. 
● Recontar histórias. 
● Recuperar relações entre partes de um texto, identificando 
substituições lexicais (de substantivos por sinônimos) ou pronominais 
(uso de pronomes Anafóricos – pessoais, possessivos, 
demonstrativos) que contribuem para a continuidade do texto. 
 
 
 
 
● Produção textual oral compartilhada através de 
objetos ou imagens, com pesquisas feitas 
previamente para a elaboração dos argumentos. 
 
165 
 
 
 ● Compreensão 
em leitura. 
● Ler e compreender, com autonomia, textos instrucionais de regras de 
jogo, dentre outros gêneros do campo da vida Cotidiana, de acordo 
com as convenções do gênero e considerando a situação comunicativa 
e a finalidade do texto. 
● Criação de jogos e suas regras. 
● Elaboração de regras de conduta da sala de 
aula; leitura de bula e produção de bula 
poética; roda com compartilhamento de 
receitas, produção das receitas, criação de 
livros de receitas poéticas. 
● Ler e compreender, com autonomia, anedotas, piadas e cartuns, dentre 
outros gêneros do campo da vida cotidiana, de acordo com as 
considerações do gênero e considerando a situação comunicativa e a 
finalidade do texto. 
● Concurso de piadas. Leitura de histórias em 
quadrinhos. 
● Ler/assistir e compreender, com autonomia, notícias, reportagens, 
vídeos em vlogs argumentativos, dentre outros gêneros do campo 
político-cidadão, de acordo com as convenções dos gêneros e 
considerando a situação comunicativa e o tema/assunto do texto. 
● Perceber-se como parte integrante do ambiente e, assim, analisar de 
forma crítica, a partir dos diferentes gêneros textuais, os problemas 
ambientais atuais e as possíveis intervenções. 
● Leitura de jornais, revistas; assistir reportagens e 
vlogs; produção de jornal mural; criação de 
jornal próprio da escola; divisão da turma de 
acordo com as partes do jornal, para produção 
do mesmo; rádio jornal e jornal online; jornal 
em redes sociais; Elaboração de mural 
interativo. 
 
● Comparar informações sobre um mesmo fato veiculadas em 
diferentes mídias e concluir sobre qual é a mais confiável e por quê. 
● Selecionar as notícias sobre um mesmo risco 
ambiental divulgado em diferentes veículos. 
Solicitar que os alunos debatam sobre qual 
notícia eles escolheriam para um jornal da 
turma. 
● Ler e compreender verbetes de dicionários, identificando a estrutura, 
as informações gramaticais (significado de abreviaturas) e as 
informações semânticas. 
● Pesquisas em dicionários. 
● Elaboração de dicionários e glossários. 
● Imagens 
analíticas em 
textos. 
● Comparar informações apresentadas em gráficos ou tabelas. ● Análise e leitura de gráficos em diversas 
situações; estimular o raciocínio lógico a partir 
de estatísticas; proposta de transformar dados 
de um determinado texto em gráfico/tabela; 
proposta de transformar tabelas/gráficos em 
textos. 
 
166 
 
 
 ● Pesquisa. ● Buscar e selecionar, com apoio do professor, informações sobre 
fenômenos sociais e naturais, em textos que circulam em meios 
impressos e digitais. 
● Produção de mural; Roda de conversa sobre as 
notícias do dia; apresentação de seminário. 
● Formação do 
leitor literário/ 
leitura 
multissemiótica. 
● Ler e compreender, de forma autônoma, textos literários de diferentes 
gêneros e extensões, inclusive aqueles sem ilustrações, estabelecendo 
preferências por gêneros, temas, autores. 
● (Construção de caixa de leitura - Composta por 
materiais escritos variados podendo ser 
escolhidos pelos alunos que lerão livremente 
por fruição). 
● Perceber diálogos em textos narrativos, observando o efeito de 
sentido de verbos de enunciação e, se for o caso, o uso de variedades 
linguísticas no discurso direto. 
● Varal de cordel; tirinhas; análise de 
personagens do folclore e da cultura popular; 
transcrição de trechos de filmes e novelas; 
Proposta para mudar o foco narrativo de 
diálogo. 
● Apreciação 
estética/estilo. 
● Apreciar poemas e outros textos versificados, observando rimas, 
aliterações e diferentes modos de divisão de versos, estrofes e refrãos 
e seu efeito de sentido. 
● Realização de sarau; declamação de trava-
língua; slam de rimas; paródias de músicas. 
● Textos 
dramáticos. 
● Identificar funções do texto dramático (escrito para ser encenado) e 
sua organização por meio de diálogos entre personagens e marcadores 
das falas das personagens e de cena. 
● Leitura dramatizada; reprodução de cenas de 
novelas; análises de filmes. 
 
 
 
 
 
 
 
Escrita 
● Escrita 
colaborativa. 
● Registrar, com autonomia, anedotas, piadas e cartuns, dentre outros 
gêneros do campo da vida cotidiana, de acordo com as convenções do 
gênero e considerando a situação comunicativa e a finalidade do 
texto. 
● Contação de causos; concurso de piadas. 
● Planejar e produzir, com autonomia, textos instrucionais de regras de 
jogo, dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, de acordo 
com as convenções do gênero e considerando a situação comunicativa 
e a finalidade do texto. 
● Produzir regimento escolar relacionado a 
atitudes benéficas que todos devem adotar no 
ambiente escolar, observando questões de 
riscos, de limpeza e conservação, de redução 
de gastos, de relacionamentos inter e 
intrapessoais. 
 
 
 
167 
 
 
 ● Produzir roteiro para edição de uma reportagem digital sobre temas de 
interesse da turma, a partir de buscas de informações, imagens,áudios 
e vídeos na internet, de acordo com as convenções do gênero e 
considerando a situação comunicativa e o tema/assunto do texto. 
● Produzir cartazes e propagandas educativas 
sobre determinadas questões ambientais de 
interesse de toda a comunidade escolar. 
● Opinar e defender ponto de vista sobre tema polêmico relacionado a 
situações vivenciadas na escola e/ou na comunidade, utilizando 
registro formal e estrutura adequada à argumentação, considerando a 
situação comunicativa e o tema/assunto do texto. 
● Elaboração de carta coletiva em relação a 
reivindicações de melhorias no âmbito social, 
rodas de debate, com registro em ata; criação 
caderno de atas da sala. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
● Produção de 
textos 
● Planejar e produzir texto sobre tema de interesse, organizando 
resultados de pesquisa em fontes de informação impressas ou digitais, 
incluindo imagens e gráficos ou tabelas, considerando a situação 
comunicativa e o tema/assunto do texto. 
● Proposta para transformar dados de um 
determinado texto em gráfico/tabela; proposta 
de transformar tabelas/gráficos em textos. 
● Identificar a ideia central do texto, demonstrando compreensão 
global. 
● Oficina de produção textual a partir de etapas 
de planejamento, escrita e revisão do próprio 
texto. 
● Utilizar, ao produzir um texto, conhecimentos linguísticos e 
gramaticais, tais como ortografia, regras básicas de concordância 
nominal e verbal, pontuação (ponto final, ponto de exclamação, ponto 
de interrogação, vírgulas em enumerações) e pontuação do discurso 
direto, quando for o caso. 
● Transcrição de trechos de filmes e novelas; 
mudar o foco narrativo de diálogo. 
● Exercícios criativos da escrita. 
● Utilizar, ao produzir um texto, recursos de referenciação (por 
substituição lexical ou por pronomes pessoais, possessivos e 
demonstrativos), vocabulário apropriado ao gênero, recursos de 
coesão pronominal (pronomes anafóricos) e articuladores de relações 
de sentido (tempo, causa, oposição, conclusão, comparação), com 
nível suficiente de informatividade. 
● Escrita de e-mail, bilhetes, entrevistas. 
● Organizar o texto em unidades de sentido, dividindo-o em parágrafos 
segundo as normas gráficas e de acordo com as características do 
gênero textual. 
 
 
 
● Quebra-cabeça de textos: textos selecionados 
pelo professor, cortados em parágrafos para 
serem montados corretamente. 
 
168 
 
 
 ● Escrita 
autônoma. 
● Planejar e produzir, com certa autonomia, verbetes de dicionário, 
digitais ou impressos, considerando a situação comunicativa e o 
tema/assunto/finalidade do texto. 
● Caderno de escrita semanal - cada aluno (a) 
possui um caderno onde poderá fazer ao menos 
um registro escrito semanalmente (pode ser 
comentário de um livro, filme, uma poesia, 
uma música, um fato….) 
● Elaboração de dicionário de gírias. 
● Produção de mural de palavras de diversas 
origens. 
● Roda com compartilhamento de receitas; 
produção das receitas; criação de livros de 
receitas poéticas. 
● Assistir, em vídeo digital, a programa infantil 
com instruções de montagem, de jogos e 
brincadeiras e, a partir dele, planejar e produzir 
tutoriais em áudio ou vídeo. 
● Leitura e análise de contos, lendas, mitologias. 
● Escrita a partir de uma imagem. 
● Revisão textual coletiva de textos produzidos 
pelos estudantes. 
● Identificar e reproduzir, em textos injuntivos instrucionais (receitas, 
instruções de montagem, digitais ou impressos), a formatação própria 
desses textos (verbos imperativos, indicação de passos a serem 
seguidos) e a diagramação específica dos textos desses gêneros (lista 
de ingredientes ou materiais e instruções de execução – "modo de 
fazer"). 
● Escrita 
autônoma e 
compartilhada 
. 
● Criar narrativas ficcionais, com certa autonomia, utilizando detalhes 
descritivos, sequências de eventos e imagens apropriadas para 
sustentar o sentido do texto, e marcadores de tempo, espaço e de 
fala das personagens. 
● Escrita de fanfictions de animes, seriados, 
filmes, livros etc. em blogs ou sites. 
● Planejar e produzir narrativas (auto)biográficas, utilizando detalhes 
descritivos, sequência de eventos e imagens apropriadas para 
sustentar o sentido do texto e os marcadores de tempo e espaço. 
● Elaboração e/ou reescrita de narrativas 
(auto)biográficas; 
● Confecção de livros (auto)biográficos. 
● Compreensão 
de textos orais 
ou sinalizados. 
● Recuperar as ideias principais em situações formais de escuta e 
exposições, apresentações e palestras. 
● Identificar gêneros do discurso oral, utilizados em diferentes situações 
e contextos comunicativos, e suas características linguístico-
expressivas e composicionais (conversação espontânea, conversação 
telefônica, entrevistas pessoais, entrevistas no rádio ou na TV, debate, 
● Escrita de relatórios; 
● Roda de conversa a partir de seminários, 
palestras, exposições, visitas guiadas. 
 
169 
 
 
 noticiário de rádio e TV, narração de jogos esportivos no rádio e TV, 
 aula, debate etc.). 
● Produzir podcasts e vídeos informativo, rodas 
de conversa a respeito das temáticas 
relacionadas a riscos ambientais. 
● Produção de 
texto orais ou 
sinalizados. 
● Assistir, em vídeo digital, a postagem de vlog infantil de críticas de 
brinquedos e livros de literatura infantil e, a partir dele, planejar e 
produzir resenhas digitais em áudio ou vídeo. 
● Utilização das salas de leitura, laboratórios de 
informática e/ou espaços com recursos 
interativos. 
● Produção de vídeos. 
● Roda de conversa. 
● Cine debate. 
● Escrita e exposição de Cordéis. 
● Ouvir/visualizar gravações, canções, textos falados em diferentes 
variedades linguísticas, identificando características regionais, 
urbanas e rurais da fala e respeitando as diversas variedades 
linguísticas como características do uso da língua por diferentes 
grupos regionais ou diferentes culturas locais, rejeitando 
preconceitos linguísticos. 
● Argumentar oralmente sobre acontecimentos de interesse social, com 
base em conhecimentos sobre fatos divulgados em TV, rádio, mídia 
impressa e digital, respeitando pontos de vista diferentes. 
● Selecionar notícias veiculadas com a temática 
ambiental para debate. 
● Planejamento 
e produção de 
texto. 
● Roteirizar, produzir e editar vídeo para vlogs argumentativos sobre 
produtos de mídia para público infantil (filmes, desenhos animados, 
HQs, games etc.) com base em conhecimentos sobre os mesmos, de 
acordo com as convenções do gênero e considerando a situação 
comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto. 
● Produção de vídeos de resenhas de livros, 
brinquedos, jogos etc. 
● Expor trabalhos ou pesquisas escolares, em sala de aula, com apoio de 
recursos multissemióticos (imagens, diagrama, tabelas etc.), 
orientando-se por roteiro escrito, planejando o tempo de fala e 
adequando a linguagem à situação comunicativa. 
● Elaboração de mural físico e mural online; 
Realização de Feira do conhecimento. 
● Declamação. ● Declamar poemas, com entonação, postura e interpretação 
adequadas. 
● Realização de Saraus; participação e realização 
de Concurso de poesias e slam do corpo. 
 
Análise 
Linguística/ 
Multimodal 
● Construção do 
sistema 
alfabético a da 
ortografia. 
● Grafar palavras utilizando regras de correspondência fonema--
grafema /palavra-sinal regulares, contextuais e morfológicas e palavras 
de uso frequente com correspondências irregulares. 
● Bingo com palavras. 
● Uso de dicionários. 
● Ditado utilizando estratégias criativas e lúdicas, 
como de figuras, mímicas ou palavras retiradas 
de textos lidos. 
 
170 
 
 
 ● Compreender, analisar e memorizar a grafia de palavras de uso 
frequente nas quais as relações fonema-grafema são irregulares e com 
H inicial que não representa fonema. 
● Leitura e análise de propagandas. 
● Jogos gramaticais, tais como Quiz e 
Soletrando.● Pesquisas diversas. 
● Revisão textual coletiva de textos 
produzidos pelos estudantes. 
● Valorização dos textos dos alunos na 
elaboração de outras atividades. 
● Conhecimento 
do alfabeto do 
português do 
Brasil/Ordem 
alfabética/ 
Polissemia. 
● Identificar o caráter polissêmico das palavras (uma mesma palavra 
com diferentes significados, de acordo com o contexto de uso), 
comparando o significado de determinados termos utilizados nas 
áreas científicas com esses mesmos termos utilizados na linguagem 
usual. 
● Conhecimento 
das diversas 
grafias do 
alfabeto/ 
Acentuação. 
● Acentuar corretamente palavras oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas 
em palavras de uso recorrente. 
● Pontuação. ● Diferenciar, na leitura de textos, vírgula, ponto e vírgula, dois-pontos 
e reconhecer, na leitura de textos, o efeito de sentido que decorre do 
uso de reticências, aspas, parênteses. 
● Leitura e produção e reescrita de textos; 
autocorreção e correção coletiva. 
● Morfologia. ● Identificar a expressão de presente, passado e futuro em tempos 
verbais do modo indicativo. 
● Jogo da memória com verbos em diferentes 
tempos verbais. 
● Flexionar, adequadamente, na escrita e na oralidade/sinalização, os 
verbos em concordância com pronomes pessoais/nomes sujeitos da 
oração. 
●Revisão textual coletiva de textos 
produzidos pelos estudantes. 
● Identificar, em textos, o uso de conjunções e a relação que 
estabelecem entre partes do texto: adição, oposição, tempo, causa, 
condição, finalidade. 
● Quebra-cabeça textual: formação de textos 
com orações e conectivos separados. 
● Produção de texto partilhado utilizando 
imagens, objetos e conectores textuais escritos 
em fichas e sorteados durante o processo de 
produção. 
● Diferenciar palavras primitivas, derivadas e compostas, e derivadas 
por adição de prefixo e de sufixo. 
 
 
171 
 
 
 ● Forma de 
composição 
do texto/ 
adequação do 
texto às 
normas de 
escrita. 
● Identificar e reproduzir, em textos de resenha crítica de brinquedos ou 
livros de literatura infantil, a formatação própria desses textos 
(apresentação e avaliação do produto). 
● Produzir resenhas críticas de brinquedos, livros 
ou jogos em redes sociais. 
● Identificar e reproduzir, em notícias, manchetes, lides e corpo de 
notícias simples para público infantil e cartas de reclamação (revista 
infantil), digitais ou impressos, a formatação e diagramação 
específica de cada um desses gêneros, inclusive em suas versões 
orais. 
● Produção de jornal mural; criação de jornal 
próprio da escola; divisão da turma de acordo 
com as partes do jornal, para produção do 
mesmo; rádio jornal e jornal online; jornal em 
redes sociais. 
● Analisar a validade e força de argumentos em argumentações sobre 
produtos de mídia para público infantil (filmes, desenhos animados, 
HQs, games etc.) com base em conhecimentos sobre os mesmos. 
 
● Analisar o padrão entonacional, a expressão facial e corporal e as 
escolhas de variedade e registro linguísticos de vloggers de vlogs 
opinativos ou argumentativos. 
● Assistir e produzir vlogs. 
● Utilizar, ao produzir o texto, conhecimentos linguísticos e gramaticais: 
regras sintáticas de concordância nominal e verbal, convenções de 
escrita de citações, pontuação (ponto final, dois pontos, vírgulas em 
enumerações) e regras ortográficas. 
 
● Forma de 
composição do 
texto/coesão e 
articuladores. 
● Utilizar, ao produzir o texto, recursos de coesão pronominal 
(pronomes anafóricos) e articuladores de relações de sentido (tempo, 
causa, oposição, conclusão, comparação) com nível adequado de 
informatividade. 
 
● Forma de 
composição 
de narrativas. 
● Identificar, em narrativas, cenário, personagem central, conflito 
gerador, resolução e o ponto de vista com base no qual histórias são 
narradas, diferenciando narrativas em primeira e terceira pessoas. 
● Análise de textos diversos, escritos, orais em 
diversas mídias. 
● Discurso 
direto e 
indireto. 
● Diferenciar discurso indireto e discurso direto, determinando o efeito 
de sentido de verbos de enunciação e explicando o uso de variedades 
linguísticas no discurso direto, quando for o caso. 
● Revisão textual coletiva de textos 
produzidos pelos estudantes. 
● Valorização dos textos dos alunos na elaboração 
de outras atividades. 
 
172 
 
 
 ● Forma de 
composição 
de textos 
poéticos. 
● Identificar, em textos versificados, efeitos de sentido decorrentes do 
uso de recursos rítmicos e sonoros e de metáforas. 
● Leitura e declamação de poesia. Realização de 
saraus. 
● Forma de 
composição 
de textos 
poéticos 
visuais. 
● Observar em ciberpoemas e minicontos infantis em mídia digital, os 
recursos multissemióticos presentes nesses textos digitais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
● Produção de poesias a partir da análise de 
poemas concretos; 
● Percepção visual da produção de sentido. 
● Análise de imagens isoladas e em comparação 
com os textos verbais associados. 
● Apresentação de textos através de slides. 
173 
 
 
3º CICLO 
LÍNGUA PORTUGUESA 
6º ANO 
Núcleos 
Temáticos 
Objetos de 
Conhecimento 
Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento Propostas Metodológicas 
 
 
 
 
 
 
 
Leitura 
● Reconstrução 
do contexto de 
produção, 
circulação e 
recepção de 
textos 
jornalísticos. 
● Caracterização 
do campo 
jornalístico e 
relação entre os 
gêneros em 
circulação. 
● Reconhecer os diferentes gêneros jornalísticos. 
● Analisar e comparar peças publicitárias variadas como forma de 
ampliar suas possibilidades de compreensão (e produção) de textos 
pertencentes a esses gêneros. 
● Identificar, em notícias, o fato central, suas principais circunstâncias 
e eventuais decorrências. 
● Reconhecer a impossibilidade de uma neutralidade absoluta no 
relato de fatos e identificar diferentes graus de 
parcialidade/imparcialidade dados pelo recorte feito e pelos efeitos 
de sentido advindos de escolhas feitas pelo autor. 
● Apresentar aos alunos jornais impressos ou 
digitais e caracterizar, na prática da leitura, 
notícias e reportagens, entrevistas e outras 
partes do veículo como um todo, enfatizando a 
notícia como gênero mais corriqueiro. 
● Apresentar aos alunos diferentes peças 
publicitárias (cartazes, folhetos, outdoor, 
anúncios e propagandas em diferentes mídias) e 
demonstrar o efeito de sentido criado por seus 
recursos expressivos verbais, não verbais e 
multimodais. 
● Demonstrar, aos alunos, através da 
comparação de notícias em diferentes 
veículos, as marcas de imparcialidade e 
parcialidade de seus autores. 
 ● Selecionar notícias e tirinhas com a temática 
ambiental para debate e posterior produção de 
um jornal mural que atente para os principais 
problemas ambientais da atualidade. 
● Buscar na internet (blogs e/ou sites de 
notícias) relatos pessoais e entrevistas de 
personalidades que os alunos gostam e/ou 
sejam fãs. 
 
 
 
 
 
 
174 
 
 
● Adesão às 
práticas de 
leitura. 
● Participar de práticas de compartilhamento de leitura/recepção de 
obras literárias/manifestações artísticas. 
● Inferir a presença de valores sociais, culturais e humanos e de 
diferentes visões de mundo, em textos literários, reconhecendo 
nesses textos formas de estabelecer múltiplos olhares sobre as 
identidades, sociedades e culturas e considerando a autoria e o 
contexto social e histórico de sua produção. 
● Buscar o envolvimento pela leitura de livros de literatura e por 
outras produções culturais do campo e receptivo a textos que 
rompam com seu universo de expectativas, que representem um 
desafio em relação às suas possibilidades atuais e suas experiências 
anteriores de leitura. 
● Leitura coletiva de trechos de uma narrativa de 
aventura selecionada (sugestões: A Volta ao 
Mundo em 80 Dias, de Júlio Verne, Robinson562 
1.10 Organização da Matriz Curricular ......................................................................... 563 
MATRIZ CURRICULAR – GEOGRAFIA ....................................................................... 565 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 589 
2. HISTÓRIA ........................................................................................................................ 591 
MATRIZ CURRICULAR – HISTÓRIA ........................................................................... 598 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 648 
ANEXOS ............................................................................................................................... 650 
ANEXO 1 – DELIBERAÇÃO CME nº 045/2021 .............................................................. 651 
ANEXO 2 – PARECER CME Nº 011/2021 ........................................................................ 653 
ANEXO 3 – DELIBERAÇÃO CME Nº 046/2021 ............................................................. 658 
ANEXO 4 – PORTARIAS SME Nº 018/2022 E 019/2022 ................................................ 660 
 
 
 
27 
 
 
APRESENTAÇÃO
1
 
 
A todos educadores, educadoras e comunidade escolar da Rede Municipal de 
Educação de Niterói, orgulhosamente, apresento a minuta do novo Referencial Curricular para 
esta rede de ensino. Um trabalho de muita pesquisa, estudo, conversa, escuta, troca, realizado 
a inúmeras mãos pelos nossos Profissionais da Educação, ao longo dos anos de 2019 e 2020. 
O caminho é pelo diálogo, pelo consenso, pelo debate e pela negociação. Não acredito 
na necropolítica, mas na política que é construída nas relações. Não basta modelar belos 
documentos curriculares, se estes não pulsam na vida da escola. E não há dúvidas que, ao 
elaborar esse Referencial Curricular, cada escola pode contribuir trazendo caminhos trilhados 
para compor a escrita desta proposta, que, com certeza, após sua homologação, passará por 
muitos processos de reinterpretação no dia a dia de cada realidade escolar. 
A Rede Municipal de Educação tem profissionais excelentes, pessoas que dão 
continuidade a sua formação inicial, investem em sua formação e, com muito compromisso 
político, constroem práticas voltadas à realidade escolar, em prol do desenvolvimento e 
aprendizado de cada aluno. Penso que a pessoa do professor é central no processo educativo. 
E percebo uma inoperância em processos massivos alinhados a propostas verticalizadas. Para 
construir uma proposta curricular, antes de tudo, é preciso fortalecer os processos de formação 
continuada e ir criando consensos possíveis, através do trabalho coletivo, da discussão e da 
própria construção desses consensos. Prima-se pela consciência das escolhas pedagógicas, dos 
caminhos possíveis para o desenvolvimento da docência e pelo aprofundamento dos 
referenciais adotados. 
Considero sincronicamente a construção do bem comum e a micropolítica, que traz 
para a reinterpretação os documentos oficiais. Com isso digo que esta proposta curricular, ao 
seguir para as escolas, passará por processos criativos e singulares, marcados pelo 
imprevisível. Gosto desta discussão e pulsão pedagógica que urge neste movimento. Vejo, 
com esperança, que possa trazer contribuições para o debate pedagógico, o aperfeiçoamento 
aos processos educativos e a afirmação da democracia. 
 
 
Flávia Monteiro de Barros Araujo 
Secretária Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia 
 
1
 Documentos referentes à Minuta dos Referenciais Curriculares da Rede Pública Municipal de Educação de 
Niterói. 
 
28 
 
 
Especialmente às educadoras e aos educadores – meus colegas na Rede Municipal de 
Educação de Niterói – às crianças, aos adolescentes, jovens e adultos que fazem parte dessa 
querida Rede Municipal, me dirijo neste momento. 
Desde 2019, reuniões internas entre os integrantes do corpo técnico-pedagógico da 
Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia de Niterói e encontros com as 
Unidades de Educação dessa Rede marcam as discussões que se apresentam sintetizadas nesta 
minuta do novo Referencial Curricular da Rede Municipal de Educação de Niterói. É com 
alegria que apresentamos este texto! Ousamos dizer que a potência destes escritos reside nas 
ressignificações que as equipes de articulação pedagógica, professoras, professores, crianças, 
jovens e adultos certamente produzirão nos espaços educacionais que compõem a nossa Rede. 
Nossa certeza nessa potência provém da aposta que fazemos na produção local do 
currículo, na gestão democrática que buscamos mobilizar nas Unidades da Rede e, sobretudo, 
no caminho que escolhemos construir para a elaboração deste novo Referencial. Esse percurso 
foi marcado pela prática do diálogo, que tentou garantir a contribuição das Unidades para 
esses escritos, de modo que estas reconhecessem suas vozes nesse documento, o qual objetiva 
ser – como o próprio nome aponta – um referencial, e não um guia para a prática docente. 
Acreditamos que a mudança não precisa, necessariamente, ser realizada de maneira 
técnica e programada, de forma que acabe por tentar abafar as diferenças sempre presentes 
nas realidades educacionais. Por isso, defendemos que o foco não no “objeto final”, mas no 
processo de construção destes escritos nos possibilitou viver de maneira significativa os 
momentos deste caminhar. 
Agradecemos às Unidades de Educação que estiveram junto com os profissionais que 
atuam na sede, para que esse documento fosse construído deforma reflexiva e dialógica. É 
impossível estar sozinho na produção curricular! 
Esperamos que este novo Referencial colabore para o desenvolvimento e o 
aprofundamento dos debates curriculares que articulam e constroem as ações educativas, de 
modo que o fazer educacional dessa Rede Municipal de Educação seja sempre voltado para 
uma perspectiva humana e social, acolhedora, crítico-reflexiva e democrática. 
 
 
 
 
Patrícia Gomes Pereira 
Subsecretária de Educação 
 
 
 
29 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PARTE I 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
 
1. CURRÍCULO E MOVIMENTOS INSTITUINTES 
 
Estamos convencidos de que nós, educadores, 
temos uma tarefa urgente: precisamos nos 
deseducar do cânone limitador para que tenhamos 
condições de ampliar os horizontes do mundo, 
nossos e das nossas alunas e alunos. Educação 
deve gerar gente feliz, escrevendo, batendo 
tambor, dando pirueta, imitando bicho, fazendo 
ciência e gingando com gana de viver. 
(SIMAS e RUFINO, 2018, p. 19). 
 
Quando iniciamos este processo de revisão dos Referenciais Curriculares, fomos 
mobilizados por perguntar a cada um de nós, Profissionais da Educação na Rede Pública 
Municipal de Educação de Niterói, quais sentidos de escola, currículo e docência produzimos 
e defendemos nas Unidades em que atuamos? 
Este primeiro passo de mobilização revela o entendimento e a defesa por um processo 
coletivo, em que nos distanciamos dos objetivos fortemente voltados para a eficácia e os 
resultados, especialmente em avaliações de larga escala, e nos aproximamos vivamente da 
luta por um documento curricular que se constrói no decorrer de conversas complicadas, mas 
boas conversas. Conversas que movimentam, iluminam como chamas o que o breu das 
normatizações e dos dados das avaliações nacionais não revelam, que é o impulso criador 
potente presente na relação dos professores e seus alunos que produzem currículo 
cotidianamente em suas Unidades de Educação. 
Portanto, buscamos, nesta revisão dos Referenciais Curriculares, potencializar as 
conversas sobre currículo nas Unidades de Educação, com amplo diálogo com Professores, 
Equipes de Articulação Pedagógica e demais ProfissionaisCrusoé de Daniel Defoe; Peter Pan/ James 
Matthew Barrie). 
● Roda de leitura com quadrinhos oferecidos 
pela escola. Leitura conjunta de tirinhas sem 
linguagem verbal ou com linguagem mista. 
● Roda de leitura de contos. 
● Contação de contos em duplas ou em grupo. 
● Leitura de contos maravilhosos clássicos e 
atuais, registrando com a turma suas 
semelhanças e diferenças, suas origens e os 
elementos lúdicos e narrativos. Explorar o 
tempo e o espaço narrativos, as personagens, as 
oposições, os conflitos e as soluções. 
● Utilização de filmes, animações, pinturas, 
quadrinhos e outras imagens não verbais para 
desenvolver a interpretação e o gosto pela 
leitura. 
● Criação de rodas de leitura, clubes de leitura, 
eventos de contação de histórias, de leituras 
dramáticas, de apresentações teatrais, 
musicais e de filmes, cineclubes, festivais de 
vídeo, saraus, slams, canais de booktubers, 
redes sociais temáticas etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
175 
 
 
● Apreciação e 
réplica do leitor 
em relação ao 
texto. 
● Relação entre 
gêneros e 
mídias. 
● Explorar o espaço reservado ao leitor em variados veículos 
midiáticos, posicionando-se de maneira ética e respeitosa frente a 
esses textos e opiniões a eles relacionadas, e publicitários com os 
recursos linguístico-discursivos utilizados, com vistas a fomentar 
práticas de consumo conscientes. 
● Inferir e justificar, em textos multissemióticos – tirinhas, charges, 
cartuns, memes, gifs etc. –, o efeito de humor, ironia e crítica pelo 
uso ambíguo de palavras, expressões ou imagens. 
● Analisar e comparar peças publicitárias variadas como forma de 
ampliar suas possibilidades de compreensão (e produção). 
● Posicionar-se em relação a conteúdos veiculados em práticas não 
institucionalizadas manifestações artísticas, produções culturais, 
intervenções urbanas e práticas próprias das culturas juvenis que 
pretendam denunciar, expor uma problemática ou “convocar” para 
uma reflexão/ação. 
● Reconhecer a presença de relações de intertextualidade e de 
interdiscursividade nos textos lidos, impressos ou digitais. 
● Produção de cartazes, cartilhas e panfletos 
etc., a partir da leitura de diferentes gêneros 
textuais cuja temática abrange riscos 
ambientais, tais como: enchentes, secas, 
tempestades, vazamentos de produtos tóxicos, 
entre outros, para divulgar estratégias de 
prevenção e procedimentos de ações nessas 
situações. 
● Leitura de cartas do leitor em jornais, revistas, 
impressos e on-line, sites noticiosos etc., 
destacando notícias, fotorreportagens, 
entrevistas, charges, assuntos, temas e debates 
em foco. 
● Leitura de classificados (lúdicos, fictícios) 
como forma de demonstrar os recursos 
persuasivos da publicidade. 
● Apresentação de cartazes, folhetos, outdoor, 
anúncios, spots, jingle, vídeos publicitários etc. 
● Utilização de trechos de aplicativos de 
mensagens rápidas, como emojis, memes e 
figurinhas para demonstrar a construção do 
humor, da ironia e da crítica. 
● Fundamentação de conceitos de linguagem 
explícitos na comunicação rápida, locutor, 
interlocutor, mensagem, contexto etc. 
● Relação entre 
textos. 
● Comparar informações sobre um mesmo fato divulgadas em 
diferentes veículos e mídias. Percebendo a intencionalidade de cada 
um e possíveis diferenças de linguagem, dependendo do público-
alvo. 
● Comparar, com a ajuda do professor, conteúdos, dados e 
informações de diferentes fontes, levando em conta seus contextos 
de produção e referências. 
● Relacionar o texto lido com outros textos, envolvendo ou não a 
mesma temática. 
● Seleção de notícias sobre um mesmo risco 
ambiental divulgado em diferentes veículos. 
Solicitar que os alunos debatam sobre qual 
notícia eles escolheriam para um jornal da 
turma. 
● Exibição de publicações de vídeo-notícias 
comparando as diferentes fontes. 
 
 
176 
 
 
 ● Relacionar e identificar, na análise e compreensão do texto, 
informações verbais com outros textos e com informações de outros 
recursos suplementares (ilustrações, fotos, gráficos, tabelas, mapas 
etc.). 
● Perceber-se como parte integrante do ambiente e, assim, analisar de 
forma crítica, a partir dos diferentes gêneros textuais, os problemas 
ambientais atuais e as possíveis intervenções. 
● Utilização da sala de informática para 
comparar notícias, resenhas e colunas de 
opinião que apresentem posições diferentes 
sobre um mesmo fato. 
● Estratégias de 
leitura: 
- Distinção de 
fato e opinião. 
- Identificação 
de teses e 
argumentos. 
● Apreciação e 
réplica. 
● Utilizar pistas linguísticas – tais como “em 
primeiro/segundo/terceiro lugar”, “por outro lado”, “dito de outro 
modo”, isto é”, “por exemplo” – para compreender a hierarquização 
das proposições, sintetizando o conteúdo dos textos. 
● Articular o verbal com os esquemas, infográficos, imagens variadas 
etc. na (re)construção dos sentidos dos textos de divulgação 
científica e nas mensagens eletrônicas, retextualizar do discursivo 
para o esquemático – infográfico, esquema, tabela, gráfico, 
ilustração etc. 
● Interpretação de infográficos que representem a 
realidade social, econômica, política, história, 
feminicídio, lgbtfobia, dentre outros. 
● Preparação prévia de apresentações com o 
gênero e-mail. Verificando o conhecimento 
prévio dos alunos sobre o gênero com 
explicações mais detalhadas de suas 
características. 
● Explicação das diferentes finalidades do 
gênero e-mail (convidar, notificar, solicitar, 
comprar, denunciar, relatar, entre outras). 
Comparação aos gêneros carta e bilhete. 
● Efeitos de 
sentido. 
● Identificar e analisar os efeitos de sentido, nos textos publicitários, 
com os recursos linguístico-discursivos utilizados, com vistas a 
fomentar práticas de consumo conscientes. 
● Inferir e justificar, em textos multissemióticos o efeito de humor, 
ironia e/ou crítica. 
● Identificar os efeitos de sentido provocados pela seleção lexical, 
topicalização de elementos e seleção e hierarquização de 
informações. 
● Identificar os efeitos de sentido devidos à escolha de imagens 
estáticas, sequenciação ou sobreposição de imagens, definição de 
figura/fundo, ângulo, profundidade e foco, cores/tonalidades, 
relação com o escrito (relações de reiteração, complementação ou 
oposição) etc. 
 
 
 
● Leitura de diferentes tipos de cartas para 
percepção das características particulares ao 
gênero discursivo carta de reclamação. 
● Leitura de cartas do leitor escritas para 
grandes veículos de comunicação a fim de 
questionar problemas sociais relevantes 
previamente noticiados. 
● Escuta ativa de podcasts com temáticas juvenis 
variadas e percepção da organização das 
informações no gênero, reconhecendo seu 
alcance e características. 
● Leitura de diferentes memes de grande 
circulação e apresentação do gênero com suas 
características, escolhas vocabulares e 
imagéticas etc. para compreensão de suas 
condições de produção e recepção. 
177 
 
 
 
 ● Apresentação de recursos linguísticos para 
organização e hierarquização das informações 
nas mensagens eletrônicas, sites, blogs, 
reportagens, leis etc., como uso de 3ª pessoa 
etc. 
● Uso de tirinhas, quadrinhos, charges, memes, 
gifs, figurinhas etc. para destacar a 
ambiguidade de palavras, expressões ou 
imagens. 
● Análise de recursos que promovem efeitos de 
sentido nos quadrinhos, como os elementos 
gráficos, as metáforas visuais, os diferentes 
tipos de balões, as onomatopeias, as 
interjeições etc. 
● Estratégias e 
procedimentos 
de leitura em 
textos legais e 
normativos. 
● Identificar a proibição imposta ou o direito garantido, bem como as 
circunstâncias de sua aplicação em variados textos normativos. 
● Analisar a forma composicional de textos pertencentes a gêneros 
normativos/ jurídicos e a gêneros da esfera política. 
● Observar os mecanismos de modalização adequadosda Educação. Acreditamos que a 
experiência vivida de docentes e seus alunos poderia ser ouvida e, dessa forma, fortalecer o 
reconhecimento, nos Referenciais Curriculares, das experiências educacionais e promover, a 
partir das conversas nas reuniões de planejamento, nas salas dos professores e nos momentos 
informais, possibilidades de ressignificação destas artes do fazer docente e discente, pois 
currículo é movimento, é vida, e o bonito da vida é o encontro com o outro que nos provoca 
para outras formas de ser e estar no mundo. 
O currículo concebido como verbo – currere – privilegia o conceito do 
indivíduo nos estudos de currículo. É um conceito complicado em si. Cada 
um de nós é diferente, o que significa que todos temos uma constituição 
diferente, uma carga genética específica e criações, famílias, cuidadores e 
 
31 
 
 
companheiros diferentes e, de forma mais geral ainda, em termos de raça, 
classe e sexo, eles próprios conceitos de desindividuação infletidos pelo 
lugar, momento e circunstâncias. Influenciados pela cultura e por outras 
forças frequentemente homogeneizantes, cada um de nós é, ou pode ser, 
característico. De fato, podemos cultivar essa diferenciação. Podemos nos 
tornar individualistas, comprometidos com efetivar qualquer independência 
que vivenciemos, e podemos nos juntar para pôr em prática modos de agir 
(inclusive de pensar) que escolhemos como sendo significativos. (PINAR, 
2016, p. 21) 
Nessa trajetória de discussão e revisão dos Referenciais Curriculares, estava claro 
desde o início que não buscaríamos a univocidade teórica, ainda que fôssemos, inúmeras 
vezes, questionados sem definir qual seria a teorização curricular predominante nos 
Referenciais Curriculares da Rede Pública Municipal de Educação de Niterói. Nossa resposta 
sempre apontava para o entendimento do currículo como instituinte de sentidos, e que esses 
sentidos estavam em disputa na luta pela significação curricular e que qualquer tentativa de 
fixação seria fadada ao fracasso, pois os processos de significação não cessam. Cabe 
esclarecer também que não defendemos a ideia de que qualquer currículo é válido, mas 
acreditamos que a construção do documento curricular de uma rede deve ser realizada a partir 
de uma agenda política, na qual cada unidade escolar e seu coletivo tenham participação e, 
neste processo relacional de construção, enfraquecermos uma única possibilidade de definição 
e apostarmos na negociação de diferentes possibilidades de significação. 
Partindo do conceito de um currículo sem fundamentos (LOPES, 2015), apresentamos 
ao debate uma possibilidade de pensar a proposta de currículo, de modo a não garantir uma 
fixação que não seja passível de desestabilizações. Se entendermos o currículo como um texto 
que será lido e traduzido cotidianamente, e assim disputando as significações sobre as práticas 
curriculares: como vamos ensinar? Quais conteúdos e conhecimentos serão escolhidos? Para 
quais finalidades sociais o currículo deve preparar os alunos? Ainda assim, temos pontos 
consensuais sobre quais conteúdos que são importantes ser ensinados (a língua materna, por 
exemplo), temos uma tradição do pensamento curricular que tem traços hegemônicos, como a 
importância do planejamento e dos objetivos, com base na racionalidade tyleriana e das 
disciplinas escolares que determinam a organização da grade curricular. 
Desse modo, práticas instituintes são incorporadas ao instituído, promovendo na 
política curricular movimentos que podem reforçar os processos de fixação, mas também 
outros movimentos que desestabilizam significados, produzindo novos sentidos, tornando a 
política curricular e a produção de currículos espaço de criação, em constante fluxo entre 
permanência e mudança. 
 
32 
 
 
[...] as experiências instituintes estão sempre em devir, pisando em um 
terreno movediço, sem certezas e comprovações da história, mas enfrentando 
e infiltrando-se nas tramas instituídas, para aproveitar frestas e contradições 
e, assim, afirmar a outridade. Afinal, não podemos esquecer que, a despeito 
de profetas agourentos, a escola pode ser outra, com outra pode ser a 
sociedade, e as próprias políticas e racionalidade que nos organizam 
(LINHARES, 2005, p. 9). 
Apostamos na imprevisibilidade e nas ações criativas, poeticamente, defendemos uma 
didática da invenção (BARROS, 1993), abrimo-nos ao encanto da incerteza, ao vir a ser como 
possibilidade, como criação, como pulsação que reivindica as diferentes possibilidades de 
educar. 
A leitura deste documento curricular é um convite para pensarmos o currículo 
apostando na sua produção contextual. Acreditamos na produção local dos currículos e 
entendemos ser esta uma agenda política relevante para responder às tentativas 
centralizadoras na produção curricular. No entanto, destacamos que a crítica à produção local, 
argumentando que cada escola, então, pode produzir o currículo que quiser, não considera as 
tradições curriculares e as demandas contextuais que também limitam a produção de sentidos. 
Significar o currículo como político nos mobiliza a fazer um investimento radical no debate 
sobre as políticas curriculares, envolvendo os professores na sua arte de fazer currículo com 
seus alunos. Não podemos deixar de considerar que o debate sobre currículo deve também 
envolver toda a comunidade escolar. 
Produzir currículo torna-se um processo sem fim, no qual não há o momento de 
construção de princípios e regras que nos façam supor ser possível descansar do jogo político, 
estabelecer consensos que garantam a solução de todo e qualquer conflito, pois a cada novo 
conflito, regras podem ser refeitas. Este jogo nos coloca o desafio da transcriação do 
currículo. Se somos transcriadores, como tais, vamos esperar em vão o sétimo dia de descanso 
da atividade política. (LOPES, 2014, p. 59) 
Reafirmamos o nosso compromisso com o horizonte democrático e, por isso, não 
estabelecemos, neste documento, uma única forma de entender o currículo e sim nos abrimos 
ao diálogo com os diferentes sentidos que circulam na rede, porque também entendemos que 
qualquer forma de definição à priori seria falsa, pois outros currículos e sentidos sempre 
estarão emergindo nas práticas pedagógicas. 
Contudo, contextualmente, podemos sinalizar alguns sentidos presentes neste 
documento e que apontam para a possibilidade de uma grande articulação de demandas em 
comum, quais sejam: reafirmar a importância da leitura literária enquanto experiência estética 
nas práticas pedagógicas dos diferentes componentes curriculares; a defesa por uma educação 
 
33 
 
 
antirracista, que reconheça e promova a discussão sobre os gêneros da escola e a sexualidade; 
um currículo que se posicione contra a intolerância religiosa, contra qualquer discriminação e 
violência no espaço escolar; um currículo aberto a outras epistemologias; o fortalecimento da 
educação ambiental; em defesa de uma educação inclusiva; pela ampliação da Educação 
Integral e das novas tecnologias da aprendizagem e a opção por pensar os processos de 
avaliação das aprendizagens e avaliação institucional, a partir de seus indicadores locais. 
Este processo de revisão dos Referenciais Curriculares procurou fazer um 
investimento radical, ou seja, um investimento na contingência, um investimento no 
protagonismo dos Profissionais da Educação, em discutir amplamente estes Referenciais, 
buscando trazer, para esta experiência de pensar o currículo da Rede, as narrativas presentes 
em nossas Unidades de Educação. Um investimento que coloca, no horizonte, a possibilidade 
de pensar o currículo para uma rede distante das lógicas normativas e próxima dos 
movimentos instituintes que impulsionam os Projetos Políticos Pedagógicos. Pretende-se 
semear, em cada espaço escolar, o reconhecimento de que professores e pedagogos não 
implementam currículos, mas sim, produzem currículos em vigência. Destacamostambém a 
importância dos Projetos Políticos Pedagógicos como documentos de produção curricular. 
Nosso compromisso, neste processo, foi mobilizar conversas em reuniões de 
planejamento sobre a Base Nacional Comum Curricular, o contexto de sua produção e a 
defesa de que nossas Unidades de Educação produzem currículos, ou seja, o reconhecimento 
de nossos movimentos instituintes como potência para desestabilizar sentidos que se 
pretendem hegemônicos. 
Nessa trajetória de discussão dos Referenciais Curriculares, procuramos destacar que 
sujeitos singulares vivem experiências da escolarização de formas distintas, produz em 
diferentes saberes, percebem diferentes horizontes para o ato de educar e viver a experiência 
de estar na escola e participar de um projeto de Educação. Mesmos e quiséssemos, jamais 
teríamos um currículo igual em todas as Unidades de Educação, pois em cada espaço escolar, 
o currículo será traduzido de uma certa maneira. 
Docentes e discentes são sujeitos diferentes, viveram experiências singulares, portanto 
carregam em si afetos e desejos que imprimem a marca da identificação em seus projetos de 
educação e vida. Parece-nos que, neste ponto, temos o belo de ser da educação, como canta o 
poeta Caetano Veloso, que nos faz lembrar a amorosidade de Paulo Freire: “Gente espelho de 
 
34 
 
 
estrelas, reflexo do esplendor, se as estrelas são tantas, só mesmo o amor. [...] Gente, espelho 
da vida, doce mistério”
2
 
Enfim, faz-se necessário o fechamento provisório e contingente deste documento 
curricular. Desde o início deste processo, a Superintendência de Desenvolvimento de 
Ensino/Assessoria Especial de Articulação Pedagógica, participou de reuniões de 
planejamento nas Unidades de Educação, sempre a convite da Unidade de Educação, 
abríamos essa conversa com um poema do Manoel de Barros, do qual destacamos aqui um 
trecho: “Quem acumula muita informação, perde o condão de adivinhar: divinare. Os sabiás 
divinam”. (BARROS, 1998). 
Para nós, foi uma forma poética de trazer para esta conversa a poesia presente nas 
artes do fazer docente e a possibilidade de pensar sobre este fazer, sobre o imprevisto, aquilo 
que ainda não foi criado, um convite para nos sabermos sabiás. Estão todos convidados a 
ecoar seu canto... 
 
 
 
Superintendência de Desenvolvimento de Ensino 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2
 VELOSO, Caetano. Gente. Intérprete: Caetano Veloso. In: Caetano Veloso. Bicho. Rio de Janeiro: Philips. 1 
disco sonoro (LP). Lado A, faixa 3. 1977. 
 
 
35 
 
 
2. MOVIMENTO PARA ELABORAÇÃO DOS REFERENCIAIS CURRICULARES 
DA REDE PÚBLICA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE NITERÓI 
O peso da pergunta numa prática educativa 
mostra e desdobra seu sentido: o de colocar em 
questão o mundo e expor que, sendo como é, ele 
poderia ser também de muitas maneiras. 
(KOHAN, 2019, p. 160). 
 
Sensibilizados por esta epígrafe de abertura, em que Walter Kohan (2019, p. 160) nos 
inspira a pensar a educação rememorando Paulo Freire, voltamo-nos aos ensejos de revisão do 
documento curricular da Rede Pública Municipal de Educação de Niterói, um convite que nos 
instiga a mobilizar sentidos sobre o lugar da pergunta, da provisoriedade do conhecimento, 
dos processos discursivos que redimensionam as produções curriculares, as relações escolares 
que impulsionam o aprender a aprender com a ciência, a arte, a poesia, a dimensão cultural da 
vida, frente ao imprevisível (inesperado) com o qual nos deparamos diariamente dentro e fora 
da escola. Esses são horizontes que provocam a construção destes Referenciais Curriculares. 
Ao nos debruçarmos neste intento, muitos desafios estão postos, entre eles: mobilizar 
sentidos junto aos profissionais da Rede Pública Municipal de Educação de Niterói e a 
comunidade escolar; produzir um documento que dialogue com o documento curricular 
anterior, visto que politicamente, este também passou por processos democráticos para sua 
elaboração e contempla narrativas potentes quanto ao trabalho pedagógico desta Rede; e 
como construir um documento curricular que, ao afirmar sentidos, mesmo que provisórios, 
não congele práticas pedagógicas, nem conduza a um controle, a uma regulação que restrinja 
experiências e sentidos da prática educativa. 
Consideramos relevante destacar que, frente aos desafios, observamos, como potência 
durante esta construção, o seu processo de elaboração, ocorrido ao longo dos anos de 2019 e 
2020, com a possibilidade de favorecer encontros pedagógicos e amplas trocas para, desse 
modo, fortalecermos o debate e o nosso diálogo enquanto coletivo da Rede. 
A produção deste movimento de discussão curricular, desde o seu início, assumiu o 
compromisso de abraçar os desafios da Educação Pública Municipal como pertinente a todo o 
coletivo que o protagoniza. Contudo, sem pretender abarcar todo o movimento de corrente 
desta revisão curricular, a seguir, apresentamos marcos deste processo, ações e 
desdobramentos. 
No final de 2018, a Assessoria Especial de Articulação Pedagógica foi mobilizada 
para construir junto a Rede Pública Municipal de Educação de Niterói um movimento 
 
36 
 
 
coletivo para revisão do documento curricular de 2010. Identificamos como argumentos para 
revisão dos Referenciais Curriculares para a Rede Municipal de Ensino de Niterói: uma 
construção coletiva/2010, mudanças do contexto político, social e educacional após dez anos 
de sua elaboração; demanda para revisão do documento, apresentada por Diretores/as e 
Pedagogos/as frente à complexidade do cotidiano escolar em reunião com a Assessoria 
Especial de Articulação Pedagógica, no dia 08 de outubro de 2018; necessidade de mobilizar 
discussões entre os profissionais da rede e a comunidade escolar, para que através de processo 
participativo e deliberativo, fosse produzido documento curricular que nos fortalecesse 
enquanto Rede Pública Municipal de Educação, em consonância com as Diretrizes 
Curriculares da Educação Básica, passando pelo estudo sobre a Base Nacional Comum 
Curricular (BNCC). Pensamos que ao firmarmos neste documento nossas escolhas 
pedagógicas, ele poderá favorecer a tomada de decisão por parte de instâncias macro para 
proposição de políticas curriculares negociadas. 
Podemos citar como alguns dos objetivos para realizar este movimento: fomentar o 
debate sobre as produções curriculares e a possibilidade do registro destes sentidos para nos 
compreendermos como Rede Pública Municipal de Educação; aprimorar o trabalho 
pedagógico para Educação com crianças, adolescentes, jovens e adultos em fomento às 
aprendizagens e ao desenvolvimento pelas Ciências, Artes e Tecnologias; valorizar as 
produções de saberes locais, outras epistemologias, as negociações de sentidos; fortalecer 
através de processos formativos, a alteridade, a diferença, culturas e meio ambiente; favorecer 
a integração entre os segmentos; envolver a comunidade escolar quanto ao sentimento de 
corresponsabilidade e parceria frente aos desafios da educação; incentivar o protagonismo 
docente e discente pelos princípios éticos, políticos e estéticos. 
Durante os anos de 2019 e 2020, podemos considerar como tônica da elaboração deste 
documento sua articulação com os processos formativos e o diálogo constante entre a 
Educação Básica e o Ensino Superior, com a colaboração de diferentes grupos de pesquisa. 
Em 2019, o processo voltou-se para uma dinâmica de mobilização e a simultaneidade 
de cursos e encontros voltados para revisão da versão anterior e para a escrita do documento 
curricular. Já no início de 2020, a versão preliminar foi encaminhada para as escolas, 
solicitando a participação destas através de pareceres que envolvessem toda a comunidade 
escolar. Concomitantemente à elaboração destes pareceres por parte das Unidades de 
Educação, as formações na Rede foram acontecendo por meio de encontroson-line (em 
decorrência da situação pandêmica instaurada durante este ano) como propósito da análise da 
versão preliminar. 
 
37 
 
 
Podemos indicar as ações centrais inerentes ao processo de revisão curricular que 
ocorreram em 2019 quanto a participação da gestão central da Secretaria Municipal de 
Educação, Ciência e Tecnologia (SEMECT)/Fundação Municipal de Educação (FME); os 
encontros de cunho formativo com palestras envolvendo a articulação entre a Educação 
Básica e o Ensino Superior; e os encontros por representatividade das Unidades de Educação 
tendo em vista as proposições e a operacionalização coletiva para definições dos princípios e 
dos pressupostos dos Referenciais Curriculares da Rede Pública Municipal de Educação de 
Niterói, entre outras ações. 
Abaixo apresentamos quadros com as especificidades de ações referentes à revisão dos 
Referenciais Curriculares da Rede Pública Municipal de Educação de Niterói/2010 durante o 
ano de 2019. 
 
Quadro com a participação da gestão central da SEMECT/FME. 
 
Equipe gestora da SEMECT Evento 
Secretária Municipal de Educação e 
Subsecretária Municipal de Educação 
Participação em fóruns promovidos pela Undime 
– União Nacional dos Dirigentes Municipais de 
Educação (7° Fórum Nacional Extraordinário e 
17° Fórum Nacional). 
Secretária Municipal de Educação 
Organização de evento da SEMECT, sediando 
encontro do Conselho Estadual de Educação, 
para consulta pública acerca da Base Curricular 
do Estado do Rio de Janeiro. 
 
 
 
Quadro dos seminários internos promovidos pela Superintendência de 
Desenvolvimento de Ensino, envolvendo as equipes pedagógicas da SEMECT/FME, como as 
Diretorias, Núcleos e suas Assessorias. 
 
 
Data 
 
Seminário Interno FME/FSDE - 
Pautas e temas discutidos nos Grupos de Trabalho (GTs) com equipes 
pedagógicas da SEMECT/FME 
 
12/07/2019 
 
 
12/07/2019 
GT1-“Transição da educação infantil para o ensino fundamental: escolarização da 
educação infantil?” 
GT2-“Alfabetização nos anos iniciais: posições em debates” 
GT3-“O Professor especialista e sua investigação pedagógico-didática e 
instituinte” 
 
38 
 
 
GT4-“Educação de Jovens e Adultos: implicações pedagógicas em diferentes 
contextos” 
29/08/2019 
Os quatro GTs internos se reuniram para estudo e debate em continuidade ao 
processo. 
A Superintendência de Desenvolvimento de Ensino sugeriu com referências de 
leituras: 
MACEDO, Elizabeth. Base Nacional Comum para Currículos: direitos de 
aprendizagem e desenvolvimento para quem? Educação e Sociedade, Campinas, 
v. 36, n.133, out/dez, 2015. 
_______. Currículo como espaço-tempo de fronteira cultural. Revista Brasileira 
de Educação.v.11, n.32, maio/ago,2006. 
_______. Currículo e Conhecimento: Aproximações entre educação e ensino. 
Cadernos de Pesquisa, v.42, n.147, set/dez, 2012. 
30/09/2019 
Os quatro GTs internos se reuniram para estudo e debate em continuidade ao 
processo para organização dos encaminhamentos a partir de dados já coletados do 
processo de construção junto à Rede Pública Municipal de Educação de Niterói. 
11/10/2019 
Cada GT produziu uma primeira “boneca” como estruturação dos Referenciais 
Curriculares da Rede Pública Municipal de Educação de Niterói escritos. 
21/10/2019 
Houve a palestra presencial no auditório Darcy Ribeiro (Casa Amarela) do Prof. 
Wagner Palanch, Diretor de Currículos da Secretaria Municipal de São Paulo 
tratando sobre o movimento de revisão curricular paulista. 
19/11/2019 
Produção do texto da primeira versão para os Referenciais Curriculares da Rede 
Pública Municipal de Educação de Niterói com a compilação dos conceitos, 
pressupostos, princípios e decisões que foram tomadas junto ao coletivo da Rede.
3
 
 
 
Quadro de encontros provocativos e propositivos junto às Unidades de Educação com 
foco na revisão curricular/2019. 
 
Etapa/Modalidade/Setor Evento Datas 
Educação Infantil 
Encontros dos GTs por 
representatividade das Unidades de 
Educação. 
30/08, 27/09,17/10, 
31/10 e14/11/2019 
 
3
 Este foi um primeiro movimento de escrita do texto para os Referenciais Curriculares, que, ao ser encaminhado 
para as Unidades de Educação em 2020, passou por modificações em diálogos com a Rede, até assumir a 
versão Referenciais Curriculares da Rede Pública Municipal de Educação de Niterói entregue ao Conselho 
Municipal de Educação em 14 de dezembro de 2020. 
 
 
39 
 
 
Educação Infantil 
III Seminário da Educação Infantil: Eu 
fico com a pureza da resposta das 
crianças. 
25 e 26/09/2019 
Ensino Fundamental 
(1°e2°,3°e4°ciclos) 
Encontros GTs com representatividade 
dos docentes das Unidades de Educação. 
14/08, 04/09, 25/09 e 
16/10/2019 
(Matemática, Ciências 
e Arte) 
 
14/08, 04/09, 25/09 e 
09/10/2019 
(Educação Física) 
 
14/08, 11/09, 09/10, 
16/10 e 30/10/2019 
(Língua Portuguesa, 
História, Geografia, 
Língua Estrangeira-
Inglês, Espanhol e 
Francês) 
Ensino Fundamental 
(1° e 2° ciclos) 
IV Jornada de Alfabetização do 
Município de Niterói. 
02 e 03/10/2019 
Educação Infantil e Ensino 
Fundamental (1° e 2° ciclos) 
A Relação da Educação Infantil com o 1° 
ciclo do Ensino Fundamental: diálogo 
sobre/com as infâncias nos espaços 
educativos. 
19/06, 10/07, 30/10 e 
04/12/2019 
Educação de Jovens e Adultos 
Encontros dos GTs por adesão e 
representatividade das Unidades de 
Educação. 
14/08, 21/08, 28/08, 
02/10, 16/10 e 
23/10/2019 
Núcleo de Ações Integradas 
Encontros dos GTs sobre Educação 
Ambiental (com 39 participantes e como 
desdobramento dos encontros 
presenciais aconteceram discussões 
permanentes por meio de Whatsapp, e-
mail e drive). 
21/08, 18/09 e 
02/10/2019 
Núcleo de Ações Integradas 
III Fórum de Educação Ambiental – Meio 
Ambiente e Currículo (com 72 
participantes). 
07/08/2019 
Superintendência de 
Desenvolvimento de Ensino e 
Núcleo de Ações Integradas 
Jornada de Relações Étnico-Raciais e 
Currículo. 
27/08/2019 
Assessoria de Avaliação 
Institucional 
 
I Jornada de Avaliação (organizada em 
três eixos: 
Eixo 1- relatos de experiência dos 
profissionais da Rede trazendo reflexões 
acerca da avaliação da aprendizagem; 
Eixo 2 - relatos que apresentaram 
experiências relacionadas às avaliações 
externas; 
Eixo 3 - relatos nos quais se destacaram 
indicadores construídos como 
parâmetros autoavaliativos das Unidades 
de Educação para reflexão de propostas 
28/08/2019 
 
40 
 
 
que articulam planejamento e avaliação 
em prática participativa. 
 
Assessoria de Mídias e Novas 
Tecnologias 
 
Semana Municipal de Inclusão Digital: 
Mesa redonda “Currículo e Cultura 
Digital: o papel da escola nesse 
contexto”, com mediação da Prof.ª Dra. 
Cristiane Gonçalves de Souza e palestras 
do Prof. Dr. Alexandre 
Farbiarz/PPGMC-UFF, da Prof.ª Dra. 
Dagmar de Melo e Silva/PPGMC-UFF e 
do Prof. Dr. Marco Braga/CEFET-RJ; 
Relatos de Experiência; 
Painel digital colaborativo; 
Mostra de atividades produzidas pelos 
estudantes participantes do Projeto 
Robótica Educacional da Rede Pública 
Municipal de Educação de Niterói no 
Robótica Day. 
 
25 a 27/06/2019 
 
Quadro com as formações ocorridas em 2019 através da articulação entre a Educação 
Básica, o Ensino Superior e o Ministério da Educação (PACTO NACIONAL DE 
ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA/PNAIC). 
 
Instituição/Coordenador(es) Evento 
Ciclos e 
Modalidades para 
formação docente 
Datas 
PROPED/UERJ e UFRJ 
Prof. Dr. Guilherme 
Augusto Rezende Lemos 
Prof. Dr. Thiago Ranniery 
 
Curso de Extensão: 
Produção Curricular 
Educação Infantil 
e Ensino 
Fundamental 
22/05, 29/05, 
12/06, 19/06, 
03/07, 10/07, 
14/08, 28/08, 
11/09, 
25/09,09/10, 
16/10, 13/11, 
27/11, 04/12 e 
11/12/2019 
UNIRIO (Grupos de pesquisa 
NINA e GITAKA) 
 
Prof.ª Dra. Léa Tiriba Curso: Infâncias, Natureza 
e Artes 
Educação Infantil 
03/04, 17/04, 
12/06,14/08, 
18/09, 16/10 e 
13/11/2019 
PROPED/UERJProf.ª Dra. Vera Maria Ramos 
de Vasconcellos 
As muitas faces de uma 
creche 
Educação Infantil 28/11/2019 
 
41 
 
 
PNAIC (Pacto Nacional pela 
Alfabetização na Idade 
Certa) 
UFRJ 
Diretoria de 1° e 2° ciclos 
Alfabetização, leitura e 
escrita como processo 
discursivo e suas 
implicações no currículo – 
em 14 polos. 
Ensino 
Fundamental 
(1º e 2º ciclos) 
18/03, 15/04, 
10/06, 01/07, 
19/08, 09/09 
e 21/10/2019 
PNAIC (Pacto Nacional pela 
Alfabetização na Idade 
Certa) – EAD 
Formação sobre 
Alfabetização 
On-line (64 horas) 
Ensino 
Fundamental 
(1° e 2° ciclos) 
26/02 a 
27/11/2019 
PNAIC (Pacto Nacional pela 
Alfabetização na Idade 
Certa) 
UFRJ 
Oficinas presenciais sobre 
Alfabetização 
Ensino 
Fundamental 
(1° e 2° ciclos) 
17/04, 29/05, 
12/06, 07/08, 
18/09/2019 
Pedagogia Social da UFF - 
PIPAS/UFF 
Prof.ª Dra. Margareth 
Martins Araújo 
Prof.ª Dra. Gelta Terezinha 
Ramos Xavier 
Prof.ª Dra. Cristiane 
Gonçalves de Souza 
Mediadora: Márcia Bazhuni 
Pombo 
Roda de Conversa: 
Diversidade e Currículo, o 
que temos para hoje? 
Docentes da Rede 
Pública Municipal 
de Educação de 
Niterói e 
integrantes do 
grupo de pesquisa 
PIPAS. 
14/05/2019 
 
Quadro de consultas em links e construções de drives das equipes pedagógicas da 
SEMECT/FME às Unidades de Educação. 
 
Diretoria / 
Assessoria / Núcleo 
Levantamento por consultas em link se construções de textos coletivos 
através de drives das equipes pedagógicas da SEMECT/FME às 
Unidades de Educação 
Educação Infantil 
Consultas em links com levantamento sobre a BNCC, atéo dia 
12/08/2019. 
3° e 4° Ciclos 
Consultas em links acerca da Revisão dos Referenciais Curriculares e 
do diálogo com a BNCC, até o dia 19/07/19. 
1° e 2° Ciclos e 
3° e 4° Ciclos 
Construção de drives no “Gmail”, organizados por cada componente 
curricular, para construção coletiva de textos e matrizes curriculares 
do Ensino Fundamental. 
Núcleo de Ações 
Integradas 
Construção de textos coletivos em continuidade às discussões presenciais 
sobre Educação Ambiental e Currículo 
Promoção da 
Leitura 
Construção de drive no “Gmail”, para escrita sobre Formação do Leitor, 
Leitura Literária e Currículo. 
 
 
Mencionamos ainda os comunicados através de Ofícios Circulares da 
Superintendência de Desenvolvimento de Ensino às Unidades de Educação da rede: envio de 
 
42 
 
 
Ofício Circular n.°7, de 29 de janeiro de 2019, solicitando a participação de todos os 
profissionais das Unidades Municipais de Educação Infantil (UMEIs) e Escolas Municipais 
(EMs) para produção dos Novos Referenciais Curriculares da Rede Pública Municipal de 
Educação de Niterói; e o envio às Unidades de Educação de textos acadêmicos, do documento 
das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil/2009 e da BNCC, assim como, de 
artigos científicos que fomentaram a análise crítica destes documentos nos Conselhos de 
Planejamento da Unidade de Educação, CAP UE, em 1/02, 30/07 e 31/07/2019 e na Formação 
Continuada, em 04/02/2019. Houve também o fomento às reflexões junto ao corpo docente 
das Unidades de Educação (EMs/UMEIs e Núcleos Avançados de Educação Infantil), através 
de formações continuadas, durante o horário de planejamento coletivo, sob o título “Diálogos 
sobre a BNCC”, a partir do convite das Gestoras Escolares. 
Em 2020, foi enviada às Unidades de Educação e para professores universitários (de 
referência em suas áreas de pesquisa), a versão preliminar dos Referenciais Curriculares da 
Rede Pública Municipal de Educação de Niterói/2020. A partir do documento recebido, foram 
realizadas novas discussões com docentes e equipes de articulação pedagógica, com em média 
80 participantes por sessão. Foram elas: 
 
Professor Convidado Instituição 
Diálogos sobre os Referenciais 
Curriculares da Rede Pública 
Municipal de Educação de 
Niterói 
Data 
Prof.ª Dra. Carmen Teresa 
Gabriel Le Ravallec 
UFRJ História 25/05/2020 
Prof.ª Dra. Ana Maria Monteiro 
UFRJ História 18/06/2020 
Prof.ª Dra. Maria Margarida 
Gomes UFRJ Ciências 19/06/2020 
Prof. Dr. Adriano Freitas 
Vargas 
Prof. Dr. Thiago Ranniery 
UFF 
UFRJ 
Educação de Jovens e Adultos 23/06/2020 
Prof.ª Dra. Ana Angelita C. N. 
da Rocha UFRJ Geografia 26/06/2020 
Prof.ª Dra. Márcia Serra 
Ferreira UFRJ Ciências 09/07/2020 
 
43 
 
 
Prof. Dr. Wilson Cardoso Júnior 
UFRJ Artes 04/08/2020 
Prof.ª Dra. Sandra Selles UFF Ciências 20/08/2020 
Prof. Dr. Diego Vargas UNIRIO Língua Espanhola 25/08/2020 
Prof.ª Dra. Denise Souza Destro 
Secretaria 
Municipal de 
Educação de 
Juiz de 
Fora/MG 
Educação Física 04/09/2020 
Prof.ª Dra. Cecília Goulart 
Prof.ª Dra. Maria Cristina 
Corais 
UFF 
IFRJ 
Alfabetização na Perspectiva 
Discursiva 
04/09/2020 
Prof.ª Dra. Bruna Molisani FFP/UERJ 
Leitura e Escrita na Educação 
Infantil: a criança como sujeito 
da linguagem 
10/09/2020 
Prof.ª Dra. Andrea Vieira Thees UNIRIO Matemática 14/09/2020 
Prof.ª Dra. Adriana da Mata UFF 
Leitura e Escrita na Educação 
Infantil: concepções e práticas 
15/09/2020 
Prof.ª Dra. Anabelle Loivos 
Considera 
Prof.ª Dra. Andrea Serpa 
Prof.ª Cássia Continentino 
Prof.ª Maria Julião dos Reis 
Bibliotecária Jandira da Silva de 
Jesus 
UFRJ 
UFF 
FME 
A Leitura Literária e a Formação 
do Leitor-Autor na Escola 
17/09/2020 
Prof.ª Ma. Angela Ramos 
Secretaria 
Municipal de 
Educação do 
Rio de Janeiro 
Práticas antirracistas no 
cotidiano na Educação Infantil 
22/09/2020 
Prof. Dr. Ivo da Costa do 
Rosário 
UFF Língua Portuguesa 25/09/2020 
Prof.ª Dra. Ligia Aquino UERJ 
Docência na Educação Infantil: a 
formação nossa de cada dia 
30/09/2020 
Prof.ª Dra. Nazareth Saluto UFF 
Docência com Bebês na 
Educação Infantil: a construção 
do cotidiano nos detalhes 
23/10/2020 
Prof.ª Dra. Vera Maria Ramos 
de Vasconcellos 
UERJ 
Concepções entre Criança e 
Infâncias no RCEI de Niterói: 
conversa sobre docência na 
educação infantil 
28/10/2020 
Prof.ª Ma. Greice Duarte UFF 
Poéticas Negras: inspirações 
para a luta antirracista na 
Educação Infantil 
29/10/2020 
http://www.proped.pro.br/#proj_10
http://www.proped.pro.br/#proj_10
http://www.proped.pro.br/#proj_10
http://www.proped.pro.br/#proj_10
 
44 
 
 
Prof.ª Dra. Heloisa Carreiro FFP/UERJ 
Os Desafios da Decolonialidade 
da Literatura Infantil: questões 
para se pensar a educação 
literária das crianças pequenas 
13/11/2020 
Prof.ª Dra. Fernanda Frambach FME 
Leitura Literária na Educação 
Infantil 
17/11/2020 
Prof.ª Carita Portilho de Lima 
Prof. Francisco Ribeiro Viana 
UFPB 
Relação entre Brinquedo, 
Brincadeira e Desenvolvimento 
Humano 
01/12 e 
08/12/2020 
 
 
Em 2020, houve a continuidade na parceria com a UNIRIO (grupos de pesquisa NINA 
e GITAKA), com o curso de extensão “Infâncias Brasileiras: pandemia, desemparedamento e 
decolonialidade” em busca de uma pedagogia nossa (foram oferecidas 250 vagas para 
profissionais de Niterói), em 02/10, 07/10 e 21/10/2020, 04/11 e 18/11/2020 e 02/12 e 
16/12/2020. Assim como, Rodas de Conversa: “BNCC, Ensino de Ciências e Prática Docente: 
o que temos para discutir em tempos de Covid-19?” integradas ao Projeto ABEsc – ABQ vai 
à escola, em 22/10 e 27/10/2020,10/11 e 26/11/2020 e 08/12/2020. 
As Equipes Pedagógicas da SEMECT/FME, através de convite das Unidades de 
Educação, estiveram em formações no horário de planejamento fomentando debates, como 
apresentamos no quadro a seguir. 
Quadro de formações oferecidas por integrantes das Equipes Pedagógicas da 
SEMECT/FME às Unidades de Educação em horário de planejamento coletivo semanal. 
 
Setor da 
SEMECT/FME 
Integrante da Equipe Formação 
Diretoria de Educação 
Infantil 
Prof.ª Ma. Eliza Pandino 
“A Importância da Música para 
elaboração do currículo na Educação 
Infantil” 
Diretoria de Educação 
Infantil 
Prof.ª Ma. Fernanda Bortone 
“Um tempo para poesia: Conversas 
sobre artes, infância e imaginação”

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