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Campus Universitário de Almada Instituto de Estudos Interculturais 
Transdisciplinares de Almada 
 
Licenciatura em Psicologia- 1ºAno 
 
UNIDADE CURRICULAR ETOLOGIA E PSICOLOGIA 
COMPARADA 
 
Trabalho Académico 
 
Atuação da serotonina em modelos animais sobre ansiedade, 
depressão, aprendizagem e memória. 
 
Discentes: Sara Abiude Neto Martins - 2023128534 
Renata Cerqueira - 61162 
Rossana Medeiros – 2023130982 
Docente: Elsa Neves 
 
 
 
 
Almada, 14 de Junho de 2024 
 
II 
 
Índice 
 
Resumo…………………………………………………………………………………..1 
Abstract…………………………………………………………………………………..1 
Introdução………………………………………………………………………………..2 
1. Modelos animais sobre ansiedade………………………………..…………………...4 
2. Modelos animais de depressão………………………………………………………..7 
3. Modelos animais de aprendizagem e memória…………………………………..........9 
conclusão……………………………………………………………………………….10 
Referências Bibliográficas…………………………………………………………...…12 
1 
 
 
Atuação da serotonina em modelos animais sobre ansiedade, 
depressão, aprendizagem e memória. 
Resumo 
Conhecida como o neurotransmissor do bem-estar, a serotonina é um neurotransmissor 
essencial para o funcionamento adequado do sistema nervoso central. Ela desempenha 
um papel crucial na regulação do humor, sono, apetite, e outras funções cerebrais. 
Entretanto, a atuação da serotonina sobre a ansiedade, depressão, aprendizagem e 
memória têm sido estudados, visto que a manipulação de neurotransmissores como a 
serotonina em modelos animais pode fornecer insights valiosos sobre as bases biológicas 
de distúrbios neurológicos, psiquiátricos e endócrinos entre humanos. Esses estudos são 
essenciais para o desenvolvimento de novas terapias e tratamentos. Com base nisso, o 
presente estudo tem como objectivo avaliar a actuação da serotonina em modelos animais 
sobre ansiedade, depressão, aprendizagem e memória. Trata-se de uma revisão 
bibliográfica nas bases de dados Scielo, LILACS, Rev. ABP. Google Académico. Com 
base nisso, concluímos que manter níveis adequados de serotonina é importante para a 
saúde mental e emocional do individuo. Entretanto, baixos níveis de serotonina, são dos 
muitos factores que levam à depressão, ansiedade e déficits de aprendizagem e memória. 
Consumir alimentos ricos em triptofano, como ovos, bananas, abacaxi, carnes, leites pode 
ajudar a aumentar a concentração de serotonina na corrente sanguínea e melhorar 
sintomas físicos e mentais. Além disso, alimentos ricos em ómega-3, como salmão e 
frutos secos, também são boas fontes de serotonina. 
Palavras-Chave: Serotonina, modelos animais, ansiedade, depressão, aprendizagem e 
memória. 
 
Role of serotonin in animal models on anxiety, depression, learning and 
memory. 
Abstract 
Known as the neurotransmitter of well-being, serotonin is an essential neurotransmitter 
for the proper functioning of the central nervous system. It plays a crucial role in 
2 
 
regulating mood, sleep, appetite, and other brain functions. However, the role of serotonin 
on anxiety, depression, learning and memory has been studied, as the manipulation of 
neurotransmitters such as serotonin in animal models can provide valuable insights into 
the biological bases of neurological, psychiatric and endocrine disorders among humans. 
These studies are essential for the development of new therapies and treatments. Based 
on this, the present study aims to evaluate the action of serotonin in animal models on 
anxiety, depression, learning and memory. This is a bibliographic review in the Scielo, 
LILACS, Rev. ABP databases. Academic Google. Based on this, we conclude that 
maintaining adequate levels of serotonin is important for an individual's mental and 
emotional health. However, low serotonin levels are one of the many factors that lead to 
depression, anxiety and learning and memory deficits. Consuming foods rich in 
tryptophan, such as eggs, bananas, pineapple, meat, milk, can help increase the 
concentration of serotonin in the bloodstream and improve physical and mental 
symptoms. Additionally, foods rich in omega-3, such as salmon and nuts, are also good 
sources of serotonin. 
 
Keywords: Serotonin, animal models, anxiety, depression, learning and memory. 
 
Introdução 
A serotonina, também conhecida como 5-hidroxitripamina, é um 
neurotransmissor, uma substância química que actua no cérebro e estabelece a 
comunicação entre as células nervosas. É secretada pelos neurónios do tronco encefálico, 
pelos neurónios que inervam o trato gastrointestinal e pelas plaquetas que a liberam 
durante a coagulação (hemostasia). (DeLucia, 2006). 
 
Ela foi vista pela primeira vez como enteramina e isolada em 1930 por Ersparmer 
e colaboradores a partir do intestino e relacionada à contração uterina. É redescoberta em 
1940 em plaquetas sanguíneas e foi chamada de serotonina. Ainda neste mesmo período, 
foi encontrada no cérebro e foi constatado que este neurotransmissor poderia ser usado 
nos mecanismos de neurotransmissão do sistema nervoso central dos animais (Silva, 
2010). 
 
3 
 
A serotonina é uma molécula produzida a partir do aminoácido triptofano, que é 
um aminoácido essencial e serve como precursor para a síntese de serotonina. Isso 
significa que o corpo utiliza o triptofano para produzir serotonina. Além disso, o 
triptofano é importante para a produção da niacina (vitamina B3) e melatonina, um 
hormônio que regula o sono e diminui o stress (Martins, 2019). 
 
Este aminoácido é obtido através dos alimentos ricos em proteínas como: o 
peixe, carne, lacticínios e frutas entre outros. Também é encontrado em sementes da 
planta medicinal Griffonia simplicifolia, indicado para aumentar a produção de serotonina 
no corpo e auxiliar no tratamento de algumas condições de saúde (Martins, 2019). 
 
 Entretanto, a serotonina desempenha papeis importantes em uma variedade de 
funções cerebrais e corporais, incluindo a regulação do humor, controle do sono, a 
motivação e a memória, a função intestinal, regulação das náuseas, coagulação sanguínea 
e a saúde óssea (Silva, 2010). 
 
De acordo com Monti (2011), a serotonina actua no cérebro, regulando a 
ansiedade, aumentando a felicidade e melhorando o humor. Porém, baixo nível dessa 
molécula pode causar sintomas como: mau humor pela manhã, sonolência durante o dia, 
alteração do desejo sexual, dificuldade de aprender, distúrbios de memória e de 
concentração, irritabilidade, ansiedade e pode levar à depressão. 
 
Ela também influencia na neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se 
reorganizar e adaptar ao longo do tempo, formando novas conexões neurais, sendo 
importante para a aprendizagem e memória. 
 
No entanto, no controle do sono, a 5-HT é responsável por estimular as regiões 
cerebrais que controlam a manutenção do ciclo sono-vigília. Ela influencia os diferentes 
estágios do sono, incluindo o sono REM, que é fundamental para o processamento 
emocional e a consolidação da memória (Monti 2011). 
Na função Intestinal, ela encontra-se em grande quantidade no estômago e no 
intestino, auxiliando no controle dos movimentos intestinais. A sua produção aumenta 
quando o organismo precisa eliminar substâncias tóxicas do intestino, como em casos de 
4 
 
diarreia. Esse aumento também estimula uma região do cérebro que controla as náuseas 
e estimula a contração dos músculos intestinais, facilitando a digestão e a passagem dos 
alimentos (Martins 2019). 
Normalmente, as plaquetas do sangue liberam a serotonina para ajudar na 
cicatrização de feridas, o que leva a vasoconstrição, facilitando a coagulação do sangue. 
Entretanto, níveis altos de serotonina pode ter um impacto negativo na saúde dos ossos, 
tornando-os mais fracos e aumentando os riscos de sofrer de osteoporose (Martins, 2019). 
Vale salientar que de acordo com Andrade (2013), a maior parte dos neurónios 
serotoninérgicos encontram-se nos núcleos da rafe que fica localizado na basedo cérebro 
e a maior parte das projecções e a maior parte dos neurónios serotoninérgicos do córtex 
pré-frontal derivam dessa região. 
Contudo, as primeiras evidências sobre o envolvimento da serotonina em 
transtornos mentais, foram obtidas em animais de laboratórios submetidos a testes. Daí 
que, a serotonina desempenha um papel importante em modelos animais, especialmente 
na pesquisa psiquiátrica, sendo estas ferramentas, valiosas para estudar os transtornos 
mentais. 
Com base nisso, o presente trabalho, tem como objectivo avaliar a actuação da 
serotonina em modelos animais sobre a depressão, ansiedade, aprendizagem e memória. 
Para tal, dividimo-lo em três sessões: a primeira abordará o modelo animal sobre 
ansiedade, a segunda sessão, o modelo animal sobre depressão e a terceira sessão, o 
modelo animal sobre aprendizagem e memória, seguidamente da conclusão e respectivas 
referências bibliográficas. 
 
1. Modelos animais sobre ansiedade 
A ansiedade é uma resposta natural do organismo a situações percebidas como 
ameaçadoras. Ela pode manifestar-se de várias formas, incluindo o comportamento 
inibitório (Meneses, 2023). 
 A serotonina (5-HT) está envolvida na modulação da ansiedade, sendo que 
desempenha um papel importante na regulação de comportamentos relacionados à 
ansiedade em modelos de roedores, como ratos e camundongos. Estudos têm investigado 
5 
 
essa relação através da manipulação dos níveis desse neurotransmissor. Por exemplo a 
administração de drogas que apontam os níveis de serotonina, como inibidores seletivos 
da recaptação de serotonina, frequentemente resulta em comportamentos que indicam 
redução da ansiedade (Andreatini et al., 2001 & Silva, 2010). 
Além disso, o receptor 5-HT2C da serotonina parece ser importante na relação 
entre a ingestão alimentar e balanço energético, tornando o sistema serotonérgico um 
possível alvo para o tratamento de obesidade e diabetes. Vale ressaltar que a neurose 
obsessiva clássica também está associada à serotonina (Andreatini et al., 2001 & Silva, 
2010). 
Estudos realizados por Graeff (2003), são relevantes para entender o papel da 
serotonina sobre a ansiedade. Essas pesquisas foram conduzidas em animais de 
laboratório submetidos a testes de conflito. Nesse modelo sobre ansiedade, um mesmo 
comportamento é simultaneamente recompensado e punido, gerando conflito entre 
aproximação e esquiva. 
Um exemplo desse tipo de teste é o experimento com ratos. Primeiro, um rato 
privado de alimento é treinado a apertar uma alavanca de alimento. Em seguida, o mesmo 
comportamento é associado à apresentação de um choque elétrico desconfortável 
aplicado nas patas do animal. Com o resultado dessa punição, o rato reduz a frequência 
com que pressiona a alavanca. Os resultados dos testes em animais indicam que a 5-HT 
está envolvida na regulação da ansiedade. Por exemplo, a 5-HT aumenta a ansiedade em 
testes de conflito (Graeff, 2003). 
Nesta senda, a hipótese formula por Graeff (2003), sugere que a serotonina esteja 
envolvida em diferentes formas de medo e ansiedade. Ele destacou a importância dos 
receptores de serotonina, especialmente o receptor 5-HT1A. Ele encontrou a estimulação 
deste receptor, particularmente no sistema límbico (uma área do cérebro associada a 
emoções) por ter efeitos ansiolíticos. 
Essa hipótese tem sido testada em modelos animais de ansiedade e pânico, como 
teste do labirinto em T-elevado, e em procedimentos experimentais para avaliar a 
ansiedade em roedores. Alterações nos níveis de serotonina, seja por meio de manipulação 
genética ou farmacológica, afetam o desempenho desses animais neste teste, oferecendo 
insights valiosos sobre os mecanismos de ansiedade. Entretanto, Graeff, demonstrou que 
6 
 
a manipulação dos níveis de serotonina no cérebro, especialmente em áreas como o 
hipocampo e o núcleo dorsal da rafe, pode alterar os comportamentos relacionados a 
ansiedade (Stein et al. citado em Graeff 2003). 
 O estudo indicou também que as drogas como os ansiolíticos aumentam a acção 
da 5-HT, elevam diferentes índices de ansiedade, enquanto reduzem índices de pânico, 
corroborando as predições baseadas nessa hipótese. Os fármacos ansiolíticos mais 
utilizados são o diazepam, bromazepam, o alprazolam e o clonazepam (Andreatini et al., 
2001). Os benzodiazepínos atuam como ampliadores do neurotransmissor ácido gama-
aminobutírico (GABA), potencializando-o em todo sistema nervoso central, 
principalmente em áreas envolvidas com o humor (Martins, 2019). 
Outro factor aqui apresentado foram a diferença dos níveis de serotonina do 
córtex pré-frontal, que também podem ser considerados um factor chave para explicar o 
comportamento agressivo em algumas linhas de ratos como o Short- Attack-Latency 
(Narvaes, 2013). No entanto, altos níveis de testosterona podem estimular o 
comportamento agressivo, como observado em camundongos machos atacando fêmeas 
(Kloke et al., 2011). 
 
Estudos mostraram também o papel da serotonina na regulação do 
comportamento alimentar e da saciedade. Ratos foram tratados como agonistas e 
antagonistas para aliviar os efeitos na ingestão alimentar e na sensação de saciedade. 
(Lieberman & Robbins, 2008). 
 
Em estudos humanos, foi demostrado que os níveis de serotonina podem estar 
associados com a resposta à injustiça conforme demostrado em uma aplicação do jogo 
Ultimato. Este jogo, demonstrou que sempre que os níveis de serotonina eram baixos, os 
indivíduos eram mais propensos a retaliar, quando recebiam uma oferta baixa, mesmo 
que não relatassem mudanças de humor ou julgamentos sobre a justiça da oferta 
(Lieberman & Robbins, 2008). 
 
 A serotonina como neurotransmissor, pode ter efeitos tanto inibitórios quanto 
estimulantes na agressividade, dependendo da região cerebral e dos receptores estudados. 
Portanto, a serotonina parece facilitar a ansiedade, mas inibir o pânico. Essa hipótese tem 
7 
 
sido testada em modelos animais de ansiedade e pânico, bem como transtorno do pânico. 
Os resultados até agora confirmam essas predições, destacando a importância da 
serotonina na regulação emocional e no tratamento desses transtornos. 
 
 
2. Modelos animais sobre depressão 
 
A depressão é um dos transtornos mentais com maior ocorrência e constitui um 
problema de saúde pública, caracterizado por tristeza, perda de interesse, ausência de 
prazer, oscilações entre sentimento de culpa baixa auto-estima, entre outros (Silva 2010). 
 
 Estudos indicam que muitos modelos animais sobre depressão são utilizados em 
novos fármacos depressivos para se conhecer mecanismos fisiopatológicos da doença. 
Entretanto, a serotonina tem sido crucial para os estudos dos mesmos, sobretudo pelo 
facto de que os agentes antidepressivos e ansiolíticos atuam como agonistas ou 
antagonistas neste neurotransmissor (Silva, 2010). 
 
Há muitos investigadores que acreditam que um desequilíbrio nos níveis de 
serotonina pode influenciar o humor, de forma a conduzir à depressão. Alguns destes 
possíveis problemas incluem a baixa produção de células cerebrais de serotonina, falta de 
receptores capazes de receber a serotonina que é produzida, incapacidade da serotonina 
de chegar aos receptores, ou falta de triptofano, o químico a partir do qual a serotonina é 
feita (Cardoso, 2017). 
 
De acordo com Cardoso (2017), na depressão acontece uma diminuição na 
quantidade de neurotransmissores liberados, mas a bomba de recaptação e a enzima 
continua a trabalhar normalmente. Isso acontece porque um neurónio receptor captura 
menos neurotransmissores e o sistema nervoso funciona com menos neurotransmissores 
do que normalmente seria usado. Em pessoas com depressão, este processo de recaptação 
pode ser excessivo, resultando em menos serotonina disponível para transmitir sinais 
entre os neurónios. 
 
8 
 
Entretanto, estudos pré-clínicos em ratos, têm investigado o papel da serotoninana depressão em ratos, como o teste do nado forçado, e são frequentemente utilizados 
para aliviar o impacto de manipulações na neurotransmissão de serotonina no 
comportamento depressivo. Neste teste, os animais são colocados em um recipiente com 
água do qual não conseguem escapar e são forçados a nadar até que desenvolvam um 
comportamento de imobilidade, que é interpretado como um indicativo de desesperança 
e desistência, que são sintomas comuns da depressão (Xavier et al., 2016). 
 
Nesta senda, a activação dos receptores 5-HT1A têm sido associados a efeitos 
antidepressivos. Animais geneticamente modificados para super expressar esses 
receptores mostram menos comportamentos depressivos. A modulação desses receptores 
também influencia o comportamento depressivo. Por exemplo, antagonistas do receptor 
5-HT2A podem ter efeitos antidepressivos (Xavier et al., 2016). 
 
 A teoria monoaminérgica da depressão é uma das hipóteses mais antigas e 
amplamente estudadas nas bases biológicas desse transtorno. Ela sugere que a depressão 
esta relacionada a uma diminuição na disponibilidade de neurotransmissores 
monoaminérgicos, como é o caso da serotonina. Essa hipótese foi inicialmente apoiada 
pelo achado clínico de que a depleção de monoaminas causada pelo anti-hipertensivo 
reserpina resulta em depressão em pacientes que não tinham a doença antes do tratamento 
com essa droga (Silva, 2010). 
 
Normalmente estes medicamentos atuam no sistema nervoso central, corrigindo 
a transmissão neuroquímica nas áreas do cérebro que regulam o humor. Por exemplo, a 
fluoxetina, sertralina e o citalopram actuam bloqueando a recaptação da serotonina. Isso 
aumenta a quantidade de serotonina disponível nas sinapses, ajudando a melhorar a 
comunicação entre os neurónios e, consequentemente o humor (Xavier et al., 2016). 
 
Em estudos humanos, foi demostrado que os níveis de serotonina podem estar 
associados com a resposta à injustiça conforme demostrado em uma aplicação do jogo 
Ultimato. Este jogo, demonstrou que sempre que os níveis de serotonina eram baixos, os 
indivíduos eram mais propensos a retaliar, quando recebiam uma oferta baixa, mesmo 
que não relatassem mudanças de humor ou julgamentos sobre a justiça da oferta 
(Lieberman & Robbins, 2008). 
9 
 
 
Portanto, existem diferentes tipos de receptores de serotonina, como: 5-HT1A, 
5-HT2A, entre outros, e a sensibilidade e a quantidade desses receptores pode ser alterada 
em pessoas com depressão. Alguns tratamentos visam esses receptores diretamente para 
melhorar os sintomas depressivos (Silva, 2010). 
 
A serotonina como neurotransmissor, pode ter efeitos tanto inibitórios quanto 
estimulantes na agressividade, dependendo da região cerebral e dos receptores estudados. 
Vale salientar, que ela não atua isoladamente. Ela reage com outros neurotransmissores 
como a dopamina, norepinefrina, que também estão envolvidos na regulação do humor e 
das emoções. Desequilíbrios nesses sistemas podem contribuir para os sintomas de 
depressão. 
 
3. Modelo animal sobre aprendizagem e memória 
A serotonina sendo um dos principais neurotransmissores e neuromoduladores 
encontrados no Sistema Nervoso Central, Sistema Nervoso Periférico, Plaquetas e nos 
Tecidos Neurais Entéricos, também esta ligado as alterações cognitivas, em especial na 
consolidação da memória de curto e longo prazo (Meneses, 2003). 
 Esses receptores estão localizados na membrana celular de células nervosas e 
outros tipos celulares, incluindo o músculo liso dos animais. Além disso, o bloqueio 5-
HT2A foi associado ao benefício à memória, devido a uma reversão na consolidação 
desta, associada com a disfunção de neurotransmissores (Meneses 2003). 
De acordo com Martins (2019), o labirinto aquático de Morris é um teste 
comportamental amplamente utilizado para estudar o aprendizado especial e a memória 
em roedores. Este labirinto era usado para avaliar a função cognitiva, estudar os modelos 
animais sobre doença neurodegenerativa e testar terapias medicamentosas potenciais. 
Além disso, este teste é usado para investigar como tratamentos, como a 
radiação, podem afetar a memória e como a modulação da transmissão serotoninérgica 
afeta a capacidade dos animais de aprenderem e recordar informações especiais. 
Já o teste Labirinto em Cruz Elevado foi utilizado para avaliar o envelhecimento 
na eficácia da serotonina na memória de reconhecimento de ratos. Os pesquisadores 
10 
 
investigaram como a administração de agentes que afetam a neurotransmissao de 
serotonina influencia a memória, em animais mais velhos, comparando com os mais 
jovens (Martins, 2019). Esses estudos demonstraram a importância da serotonina na 
regulação da aprendizagem e da memória em modelos animais, fornecendo insights sobre 
os mecanismos neuroquímicos envolvidos nesses processos e o seu potencial terapêutico 
em condições relacionadas a cognição. 
De acordo com (Meneses, 2007, citado em Lorke et al., 2006), pacientes com 
doença de Alzheimer apresentaram uma redução na expressão deste receptor, o que 
resultou uma perda neuronal, comparado aos indivíduos sem doença. Além disso, os 
receptores 5-HT afetam a liberação e a actividade de outros neurotransmissores, como o 
glutamato, a dopamina e a GABA. Por exemplo, os receptores 5-HT2A aumentam a 
actividade do glutamato em várias áreas do cérebro, enquanto outros receptores de 
serotonina têm efeito de suprimir o glutamato. 
No modelo animal de autismo induzido por ácido Valpróico durante a gestação 
de ratas, foram observadas alterações comportamentais eletrofisiológicas e celulares, 
semelhantes as que se observam nos pacientes com autismo. Vale salientar que a 
serotonina foi encontrada no cérebro dos mamíferos nos anos 50 e estudos demostraram 
que as semelhanças entre as plaquetas e os neurónios cerebrais que contém o (5-HT), 
torna as plaquetas num modelo laboratorial adequado para o estudo da função dos 
neurotransmissores (Levy et al., 1997). 
Além disso, a hiperserotoninemia pode ocorrer devido a vários factores, 
incluindo aumento na produção de serotonina pelas células intestinais, menor degradação 
ou maior liberação. Questões genéticas e exposição a toxinas ambientais também podem 
estar envolvidas na regulação dos níveis de serotonina. Alguns estudos sugerem que 
níveis anormais de serotonina podem afetar o desenvolvimento cerebral e a comunicação 
neural, contribuindo para características do autismo (Levy et al., 1997). 
 
Conclusão 
O presente trabalho teve como objectivo avaliar atuação da serotonina em 
modelos animais sobre ansiedade, depressão e aprendizagem e memória. Com base nisso, 
observamos que a serotonina é um dos neurotransmissores chave que contribuem para o 
11 
 
equilíbrio neuroquímico no cérebro, regulando uma gama de funções fisiológicas e 
psicológicas. Ela desempenha um papel fundamental em nossa saúde mental, no humor, 
sono, aprendizagem e memória, entre outros. Manter um equilíbrio saudável desse 
neurotransmissor é fundamental para o nosso bem-estar. 
A serotonina atua no cérebro e níveis baixos dela, podem levar a sintomas de 
ansiedade e até mesmo à depressão, que frequentemente incluem falta de motivação e 
anedonia (incapacidade de sentir prazer). 
Além disso, a serotonina também desempenha um papel importante na 
aprendizagem e memória. Ela esta relacionada com as funções cognitivas, como 
percepção, atenção, raciocínio e solução de problemas. Estudos sugerem que a formação 
hipocampal, especialmente sua inervação serotonérgica, está envolvida na modulação das 
respostas de ansiedade frente a ameaças aprendidas ou distais. 
Entretanto, a manipulação da serotonina em modelos animais pode fornecer 
insights valiosos sobre as bases biológicas de distúrbios neurológicos, psiquiátricos e 
endócrinos entre humanos, visto que os modelos animais desempenham um papel 
fundamental na pesquisa de transtornos neuropsiquiátricos.Eles nos permitem investigar 
os mecanismos subjacentes e testar novas abordagens terapêuticas. 
O uso de modelos animais, como o teste do nato forçado, tem sido crucial para 
entender o potencial antidepressivo dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina. 
No entanto, é importante que o animal escolhido geralmente tenha proximidade 
taxonómica com os humanos e, é de fácil manipulação. O que permite desenvolver 
doenças ou reagir a tratamentos de maneira semelhante. Na verdade, muitos tratamentos 
para doença humanas foram desenvolvidas com base com modelos animais. Os diferentes 
modelos animais, incluem a indução, espontaneidade, negatividade e modelos órfãos. 
Consumir alimentos ricos em triptofano, como ovos, bananas, abacaxi, carnes, 
leites pode ajudar a aumentar a concentração de serotonina na corrente sanguínea e 
melhorar sintomas físicos e mentais. Além disso, alimentos ricos em ómega-3, como 
salmão e frutos secos, também são boas fontes de serotonina. 
 
 
12 
 
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https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/31395
https://doi.org/10.1016/j.smrv.2010.11.003
http://hdl.handle.net/10183/78081
http://repositorio2.unb.br/jspui/handle/104282/4694

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