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CADEIA DE SUPRIMENTOS AULA 1 Profª Rafaela Aparecida de Almeida A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 2 CONVERSA INICIAL Neste momento em que inicia seus estudos você provavelmente está em frente a um equipamento eletrônico (smartphone, notebook, tablet, dentre outros). Créditos: Paisit Teeraphatsakool/Shutterstock. Mas você já parou para pensar em toda a logística envolvida até que este equipamento chegasse em suas mãos? Ou ainda, na quantidade e origem das partes e peças que compõem esse equipamento? Para que isso fosse possível, houve a necessidade do envolvimento de diferentes fornecedores (provavelmente de diferentes países), um processo produtivo ou de transformação, uma distribuição física, transporte e armazenagem até a chegada do produto em sua casa. A integração entre esses diferentes elos da logística é conhecida como cadeia de suprimentos. Com a finalidade de entender melhor do que se trata uma cadeia de suprimentos, em nossa primeira etapa, vamos analisar como a logística evoluiu ao longo do tempo e de que maneira se relaciona com a cadeia de suprimentos. Desejo bons estudos e muito aprendizado! A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 3 TOP – EVOLUÇÃO DA LOGÍSTICA Para que possamos compreender melhor o conceito de cadeia de suprimentos, traçaremos uma linha do tempo, analisando a evolução da logística nas últimas décadas até a chegada nos dias de hoje (Figura 1). Esse percurso nos permitirá compreender de que forma a logística, antes representada apenas por transportes e armazenagem, evolui até o conceito de cadeia de suprimentos. Figura 1 – Evolução da logística Créditos: Jackeline Souza. Em sua origem, a logística esteve atrelada a operações militares de guerra e vinculada a estratégias de deslocamento de tropas e à garantia de que recursos e suprimentos, como armamentos, água e alimentos, estivessem disponíveis durante as batalhas. No entanto, é no período pós-Segunda Guerra Mundial (a partir da década de 1950) que o conceito de logística ganha notoriedade. Com o retorno das tropas aos seus países de origem, a tentativa de reconstrução das nações e o incentivo dos governos à retomada do desenvolvimento econômico, as indústrias passaram a oferecer maior variedade de produtos. Associado a este fator (a partir da década de 1970), intensificou-se a migração populacional das áreas rurais para os centros urbanos. Tais mudanças, no cenário mundial, culminaram no aumento das operações logísticas de transporte e distribuição, como forma de garantir que bens produzidos chegassem a clientes e consumidores (Novaes, 2007). Até a década de 1980, a logística esteve subordinada a outras áreas das organizações, como comercial ou marketing, ou então como um setor isolado. No entanto, os avanços tecnológicos desse período, tais como os sistemas de A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 4 Material Requirement Planning (MRP) — planejamento das necessidades de materiais — permitiram a integração da logística com diferentes áreas (marketing, vendas, produção) e processos das empresas, surgindo então o conceito de logística integrada (Novaes, 2007). Chegamos a um ponto importante de nossos estudos. A década de 1990 é o período marcado por profundas revoluções tecnológicas, tais como o advento da internet e dos computadores, que facilitaram a troca de informações e de mercadorias entre diferentes países. Nesse momento, os processos de manufatura e distribuição de produtos mudam radicalmente e a logística integrada evolui para o Supply Chain Management (Gestão da Cadeia de Suprimentos), onde a integração ocorre entre os vários elos da cadeia logística: fornecedores de suprimentos, produção e distribuidores (Novaes, 2007). Em consequência dos avanços da década anterior, nos anos 2000, a globalização se torna mais evidente e as empresas já não competem mais entre si, mas sim entre cadeias de suprimentos, onde um único produto pode conter partes e componentes fabricados em diferentes países e manufaturado em outro e vendido ou exportado para outros tantos. Portanto, a integração entre os elos da cadeia se torna o grande diferencial competitivo frente aos concorrentes. A partir dos anos 2010, intensificam-se as vendas on-line (e-commerce) e a preocupação das empresas com a redução de seus estoques. Por consequência, as entregas passam a ser mais frequentes, em uma maior dispersão geográfica e mais pulverizadas. Por fim, chegamos à nossa última parada, nos dias atuais, da Logística 4.0, onde encontramos as Cadeias de Suprimentos altamente conectadas, contando com o uso de tecnologia de ponta, como a automação de fábricas e de centros de distribuição, uso de Inteligência Artificial (IA), Big Data, Internet das Coisas – Internet of Things (IOT), impressoras 3D e Computação em Nuvem. Agora que você já compreendeu como a logística evoluiu para a cadeia de suprimentos, vamos reforçar nossos conhecimentos estudando as quatro fases da evolução da logística. ROLÊ 1 – FASES DA LOGÍSTICA A logística trata do processo de planejamento, implementação e controle de procedimentos para a eficiência e eficácia do transporte e armazenamento de mercadorias, incluindo serviços e informações relacionadas desde o ponto de A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 5 origem até o ponto de consumo, de forma que o produto certo, chegue no tempo certo e nas condições exigidas ou esperadas pelo cliente (CSCMP, 2013). No entanto, esse conceito de logística e a logística em si, como a conhecemos e percebemos hoje, mudou muito ao longo do tempo. Em nosso primeiro rolê, vamos compreender as quatro fases da evolução dos processos logísticos. Figura 2 – Quatro etapas da evolução logística Créditos: Mihael Mihalev/Shutterstock. 1.1 Primeira fase: atuação segmentada Imagine um mundo em que não havia sistemas de comunicação e de informática, onde pedidos eram feitos para fornecedores por meio de telefone ou correio pesquisando os preços e melhores condições junto a vários fornecedores. Foi assim, na primeira fase da logística. Nessa fase, o estoque era o elemento-chave da logística, as empresas mantinham alto nível de estoque em cada etapa do processo, como forma de garantir que seus clientes seriam atendidos, e o foco principal estava na redução dos custos com transportes por meio da otimização de veículos e negociação de fretes menores (Novaes, 2007). A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 6 1.2 Segunda fase: integração rígida A segunda fase da logística retrata a evolução dos processos produtivos e assim o aumento da oferta de produtos disponíveis no mercado. Nesta fase, o elemento-chave foi a racionalização de processos, por meio da otimização de atividades e do planejamento. Como alternativa, surgiu a multimodalidade no transporte, ou seja, o uso combinado de diferentes modais, por exemplo, caminhão e avião (Szabo, 2015). Embora essa fase seja caracterizada como uma busca inicial de racionalização integrada da cadeia logística, ainda era muito rígida, pois a partir da efetivação do planejamento não eram permitidas mudanças (Novaes, 2007). 1.3 Terceira fase: integração flexível A terceira fase destaca-se pela maior preocupação com a satisfação plena do cliente e pela busca do estoque zero (Szabo, 2015). Nessa fase, há uma integração flexível entre os agentes da cadeia de suprimentos, em dois níveis: interno (dentro da empresa, entre os diversos setores) e externo (da empresa com seus fornecedores e clientes). Tal integração foi possível apartir do desenvolvimento da informática, quando o intercâmbio de informações entre os elos da cadeia de suprimentos passa a acontecer de forma integrada por via eletrônica, mais especificamente por meio do Electronic Data Interchange (EDI) — troca eletrônica de dados —, permitindo assim ajustes dos planejamentos e das demandas (Novaes, 2007). 1.4 Quarta fase: integração estratégica A quarta fase é conhecida como Integração estratégica (SCM), uma vez que a logística passa a atuar de forma estratégica nas empresas, visando ganhos de competitividade. Nela, os elementos da cadeia de suprimentos passam a ser vistos como parceiros de negócios atuando em conjunto na busca por melhores resultados em termos de redução de custos, de desperdícios e de agregação de valor para o consumidor final. A esse novo modelo logístico é dada a denominação de Supply Chain Management (SCM) — Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos (Novaes, 2007). Como vimos, a logística foi evoluindo ao longo do tempo para o que chamamos de cadeia de suprimentos. A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 7 ROLÊ 2 – DA LOGÍSTICA À CADEIA DE SUPRIMENTOS É provável que uma pergunta esteja passando pela sua cabeça neste momento: qual a diferença entre a logística e a cadeia de suprimentos? O desenvolvimento da logística empresarial, especialmente a partir da década de 1970, culminou na logística integrada e posteriormente na Gestão da Cadeia de Suprimentos. Sendo assim, a logística é a integração intraempresarial (dentro da empresa), responsável pela aquisição dos insumos, do armazenamento e do transporte do produto do ponto de origem ao de chegada. Portanto, “a logística é parte do processo da cadeia de suprimento, e não do processo inteiro” (Ballou, 2007, p. 27). Créditos: ELENABSL/Shutterstock. A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 8 A cadeia de suprimentos é mais ampla e envolve a gestão interempresarial (entre empresas), o que inclui fornecedores e clientes em níveis diversos, coordenando e racionalizando o fluxo dos materiais e das informações e abrangendo todos os processos que envolvem a vida de um produto, desde a sua produção (a partir de uma matéria-prima) até a entrega ao consumidor final. Créditos: ELENABSL/Shutterstock. 2.1 Gestão da Cadeia de Suprimentos A Gestão da Cadeia de Suprimentos, como é mais conhecida, ou em inglês Supply Chain Management (SCM), é um termo mais recente, que ultrapassa a logística integrada (Ballou, 2007). Morais, (2015, p. 29) define a define como: A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 9 O conjunto de todas as partes envolvidas (fornecedores, fabricantes, distribuidores, varejistas, clientes finais), chamados de elos, e seu relacionamento no desenvolvimento das atividades funcionais e logísticas no canal pelo qual as matérias-primas são convertidas em produtos acabados até a entrega ao consumidor. (Morais, 2015, p. 29) Ainda segundo Nogueira (2012), a Gestão da Cadeia de Suprimentos (SCM) coordena todas as funções do gerenciamento do fluxo de materiais e informações, desde o recebimento do pedido de vendas até a entrega ao cliente, o que abrange todos os recursos de produção, transporte e aquisição de todas as empresas envolvidas nesse processo. O processo da Gestão da Cadeia de Suprimentos envolve áreas da logística: logística de suprimentos, logística de produção e logística de distribuição. Entenderemos cada etapa no próximo tópico. TRILHA 1 – LOGÍSTICA DE SUPRIMENTOS Com o desenvolvimento do conceito de Gestão da Cadeia de Suprimentos, as organizações incorporaram os seus setores em três áreas maiores na logística: logística inbound (entrada), ou de suprimentos físicos; logística de produção; e logística outbound (saída), ou distribuição física, conforme representado na Figura 3. Figura 3 – Representação da Gestão da Cadeia de Suprimentos (SCM) Créditos: NET VECTOR/Shutterstock. A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 10 1.1 Logística de Suprimentos A logística de suprimentos caracteriza o início da cadeia de suprimento, a partir da análise das demandas provenientes dos clientes e assim o abastecimento da manufatura com matéria-prima e componentes. Nessa etapa, o foco principal são as relações com os fornecedores. Dentre suas principais atividades, Ballou (2012) destaca: • análise e o desenvolvimento de novos fornecedores; • gestão de contratos com fornecedores; • o planejamento das necessidades de materiais; • a aquisição de suprimentos realizando o abastecimento de matérias- primas e componentes para a linha de produção; • recebimento de materiais; • gerenciamento de estoques. Os elementos essenciais e comuns à maioria das ações desta fase compreendem o processo de aquisição, análise de mercados e fornecedores e planejamento, incluindo as interações entre alguns deles, sendo realizada pela função ou departamento de compras ou de gestão de materiais. Na sequência, conheceremos as etapas da logística de produção e de distribuição. TRILHA 2 – LOGÍSTICA DE PRODUÇÃO E LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO O objetivo da logística de suprimentos é o abastecimento do sistema produtivo ou de manufatura. A passagem da logística de suprimentos para o processo produtivo é conhecida como inbound (entrada), ou seja, a entrada de materiais para transformação. 1.1 Logística de produção Essa etapa da cadeia de suprimentos é responsável pela transformação dos recursos de entrada (inbound) em produtos acabados (outbound), que serão distribuídos para o varejo e posteriormente ao consumidor final. Campos (2012) destaca que o sistema produtivo passa por uma estrutura de transformação, em que insumos das mais variadas ordens sofrem modificações e o resultado A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 11 (saída) é a geração de um bem final, ou seja, um produto ou serviço, sempre com maior valor agregado. O sistema de produção começa pela previsão de demanda. A partir dessas previsões, serão calculadas e estimadas a produção adequada para atender os clientes, bem como onde os produtos serão fabricados (Ballou, 2012). Nessa fase, o foco principal está em planejar as necessidades futuras, a quantidade de compra de materiais, a programação das atividades de produção e o atendimento, no menor prazo possível das demandas provenientes do mercado (Nogueira, 2012). 1.2 Logística de distribuição Finalizado o processo produtivo, obtém-se uma saída (outbound) de um produto acabado, que precisará ser distribuído. A logística de outbound é responsável pelos processos operacionais e de controle que permitem transferir os produtos desde o ponto de fabricação até o ponto em que a mercadoria é finalmente entregue ao consumidor. Ballou (2012) destaca que a distribuição física se preocupa principalmente com produtos acabados ou semiacabados que serão distribuídos para os usuários finais ou intermediários que compram estes bens para posteriormente revendê-los. Nessa etapa, são fatores importantes os meios de transporte utilizados para movimentar os produtos, o controle de inventário e a localização dos centros de distribuição de forma que os produtos sejam entregues no menor prazo, ao menor custo e dentro das condições esperadas pelo cliente (Ballou, 2012). Conclui-se, portanto, que a integração e fluidez entre as três etapas logísticas permite maior eficácia e eficiência da cadeia de suprimentos, garantindo assim o diferencial competitivo frente aos concorrentes. ELO Estudamos a evolução da logística a partir da década de 1950, passando pela logística integrada e o desenvolvimentodo conceito de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, até chegarmos aos dias de hoje. Na sequência, conhecemos as quatro fases da logística. Tal conhecimento nos permitiu compreender a diferença entre logística e cadeia de suprimentos. Por fim, A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 12 apresentamos uma visão geral das três grandes áreas da logística que compõem uma cadeia de suprimentos: logística de suprimentos, logística de produção e logística de distribuição. Em nossas próximas etapas, aprofundaremos nosso conhecimento em cada uma dessas grandes áreas. A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 13 REFERÊNCIAS BALLOU, R. H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: Logística Empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2007. _____. Logística empresarial: transporte, administração de materiais, distribuição física. São Paulo: Atlas, 2012. CAMPOS, L. F. R. Supply Chain: uma visão gerencial. Curitiba: InterSaberes, 2012. CSCMP – Council of Supply Chain Management Professionals. CSCMP Supply Chain Management Definitions and Glossary. 2013. Disponível em: . Acesso em: 30 abr. 2022. MORAIS, R. R. Logística empresarial. Curitiba: InterSaberes, 2015 NOGUEIRA, A. S. Logística empresarial: uma visão local com pensamento global. São Paulo: Atlas, 2012. NOVAES. A. G. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. SZABO, V. Gestão da cadeia de suprimentos: parcerias e técnicas. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com