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CADEIA DE SUPRIMENTOS 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Rafaela Aparecida de Almeida 
 
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CONVERSA INICIAL 
Neste momento em que inicia seus estudos você provavelmente está em 
frente a um equipamento eletrônico (smartphone, notebook, tablet, dentre 
outros). 
 
Créditos: Paisit Teeraphatsakool/Shutterstock. 
Mas você já parou para pensar em toda a logística envolvida até que este 
equipamento chegasse em suas mãos? Ou ainda, na quantidade e origem das 
partes e peças que compõem esse equipamento? Para que isso fosse possível, 
houve a necessidade do envolvimento de diferentes fornecedores 
(provavelmente de diferentes países), um processo produtivo ou de 
transformação, uma distribuição física, transporte e armazenagem até a chegada 
do produto em sua casa. A integração entre esses diferentes elos da logística é 
conhecida como cadeia de suprimentos. 
Com a finalidade de entender melhor do que se trata uma cadeia de 
suprimentos, em nossa primeira etapa, vamos analisar como a logística evoluiu 
ao longo do tempo e de que maneira se relaciona com a cadeia de suprimentos. 
Desejo bons estudos e muito aprendizado! 
 
 
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TOP – EVOLUÇÃO DA LOGÍSTICA 
Para que possamos compreender melhor o conceito de cadeia de 
suprimentos, traçaremos uma linha do tempo, analisando a evolução da logística 
nas últimas décadas até a chegada nos dias de hoje (Figura 1). Esse percurso 
nos permitirá compreender de que forma a logística, antes representada apenas 
por transportes e armazenagem, evolui até o conceito de cadeia de suprimentos. 
Figura 1 – Evolução da logística 
 
Créditos: Jackeline Souza. 
Em sua origem, a logística esteve atrelada a operações militares de guerra 
e vinculada a estratégias de deslocamento de tropas e à garantia de que 
recursos e suprimentos, como armamentos, água e alimentos, estivessem 
disponíveis durante as batalhas. No entanto, é no período pós-Segunda Guerra 
Mundial (a partir da década de 1950) que o conceito de logística ganha 
notoriedade. Com o retorno das tropas aos seus países de origem, a tentativa 
de reconstrução das nações e o incentivo dos governos à retomada do 
desenvolvimento econômico, as indústrias passaram a oferecer maior variedade 
de produtos. Associado a este fator (a partir da década de 1970), intensificou-se 
a migração populacional das áreas rurais para os centros urbanos. Tais 
mudanças, no cenário mundial, culminaram no aumento das operações 
logísticas de transporte e distribuição, como forma de garantir que bens 
produzidos chegassem a clientes e consumidores (Novaes, 2007). 
Até a década de 1980, a logística esteve subordinada a outras áreas das 
organizações, como comercial ou marketing, ou então como um setor isolado. 
No entanto, os avanços tecnológicos desse período, tais como os sistemas de 
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Material Requirement Planning (MRP) — planejamento das necessidades de 
materiais — permitiram a integração da logística com diferentes áreas 
(marketing, vendas, produção) e processos das empresas, surgindo então o 
conceito de logística integrada (Novaes, 2007). 
Chegamos a um ponto importante de nossos estudos. A década de 1990 
é o período marcado por profundas revoluções tecnológicas, tais como o advento 
da internet e dos computadores, que facilitaram a troca de informações e de 
mercadorias entre diferentes países. Nesse momento, os processos de 
manufatura e distribuição de produtos mudam radicalmente e a logística 
integrada evolui para o Supply Chain Management (Gestão da Cadeia de 
Suprimentos), onde a integração ocorre entre os vários elos da cadeia logística: 
fornecedores de suprimentos, produção e distribuidores (Novaes, 2007). 
Em consequência dos avanços da década anterior, nos anos 2000, a 
globalização se torna mais evidente e as empresas já não competem mais entre 
si, mas sim entre cadeias de suprimentos, onde um único produto pode conter 
partes e componentes fabricados em diferentes países e manufaturado em outro 
e vendido ou exportado para outros tantos. Portanto, a integração entre os elos 
da cadeia se torna o grande diferencial competitivo frente aos concorrentes. 
A partir dos anos 2010, intensificam-se as vendas on-line (e-commerce) e 
a preocupação das empresas com a redução de seus estoques. Por 
consequência, as entregas passam a ser mais frequentes, em uma maior 
dispersão geográfica e mais pulverizadas. 
Por fim, chegamos à nossa última parada, nos dias atuais, da Logística 
4.0, onde encontramos as Cadeias de Suprimentos altamente conectadas, 
contando com o uso de tecnologia de ponta, como a automação de fábricas e de 
centros de distribuição, uso de Inteligência Artificial (IA), Big Data, Internet das 
Coisas – Internet of Things (IOT), impressoras 3D e Computação em Nuvem. 
Agora que você já compreendeu como a logística evoluiu para a cadeia 
de suprimentos, vamos reforçar nossos conhecimentos estudando as quatro 
fases da evolução da logística. 
ROLÊ 1 – FASES DA LOGÍSTICA 
A logística trata do processo de planejamento, implementação e controle 
de procedimentos para a eficiência e eficácia do transporte e armazenamento de 
mercadorias, incluindo serviços e informações relacionadas desde o ponto de 
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origem até o ponto de consumo, de forma que o produto certo, chegue no tempo 
certo e nas condições exigidas ou esperadas pelo cliente (CSCMP, 2013). No 
entanto, esse conceito de logística e a logística em si, como a conhecemos e 
percebemos hoje, mudou muito ao longo do tempo. Em nosso primeiro rolê, 
vamos compreender as quatro fases da evolução dos processos logísticos. 
Figura 2 – Quatro etapas da evolução logística 
 
Créditos: Mihael Mihalev/Shutterstock. 
1.1 Primeira fase: atuação segmentada 
Imagine um mundo em que não havia sistemas de comunicação e de 
informática, onde pedidos eram feitos para fornecedores por meio de telefone ou 
correio pesquisando os preços e melhores condições junto a vários 
fornecedores. Foi assim, na primeira fase da logística. 
Nessa fase, o estoque era o elemento-chave da logística, as empresas 
mantinham alto nível de estoque em cada etapa do processo, como forma de 
garantir que seus clientes seriam atendidos, e o foco principal estava na redução 
dos custos com transportes por meio da otimização de veículos e negociação de 
fretes menores (Novaes, 2007). 
 
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1.2 Segunda fase: integração rígida 
A segunda fase da logística retrata a evolução dos processos produtivos 
e assim o aumento da oferta de produtos disponíveis no mercado. Nesta fase, o 
elemento-chave foi a racionalização de processos, por meio da otimização de 
atividades e do planejamento. Como alternativa, surgiu a multimodalidade no 
transporte, ou seja, o uso combinado de diferentes modais, por exemplo, 
caminhão e avião (Szabo, 2015). 
Embora essa fase seja caracterizada como uma busca inicial de 
racionalização integrada da cadeia logística, ainda era muito rígida, pois a partir 
da efetivação do planejamento não eram permitidas mudanças (Novaes, 2007). 
1.3 Terceira fase: integração flexível 
A terceira fase destaca-se pela maior preocupação com a satisfação plena 
do cliente e pela busca do estoque zero (Szabo, 2015). Nessa fase, há uma 
integração flexível entre os agentes da cadeia de suprimentos, em dois níveis: 
interno (dentro da empresa, entre os diversos setores) e externo (da empresa 
com seus fornecedores e clientes). 
Tal integração foi possível apartir do desenvolvimento da informática, 
quando o intercâmbio de informações entre os elos da cadeia de suprimentos 
passa a acontecer de forma integrada por via eletrônica, mais especificamente 
por meio do Electronic Data Interchange (EDI) — troca eletrônica de dados —, 
permitindo assim ajustes dos planejamentos e das demandas (Novaes, 2007). 
1.4 Quarta fase: integração estratégica 
A quarta fase é conhecida como Integração estratégica (SCM), uma vez 
que a logística passa a atuar de forma estratégica nas empresas, visando 
ganhos de competitividade. Nela, os elementos da cadeia de suprimentos 
passam a ser vistos como parceiros de negócios atuando em conjunto na busca 
por melhores resultados em termos de redução de custos, de desperdícios e de 
agregação de valor para o consumidor final. A esse novo modelo logístico é dada 
a denominação de Supply Chain Management (SCM) — Gerenciamento da 
Cadeia de Suprimentos (Novaes, 2007). 
Como vimos, a logística foi evoluindo ao longo do tempo para o que 
chamamos de cadeia de suprimentos. 
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ROLÊ 2 – DA LOGÍSTICA À CADEIA DE SUPRIMENTOS 
É provável que uma pergunta esteja passando pela sua cabeça neste 
momento: qual a diferença entre a logística e a cadeia de suprimentos? 
O desenvolvimento da logística empresarial, especialmente a partir da 
década de 1970, culminou na logística integrada e posteriormente na Gestão da 
Cadeia de Suprimentos. 
Sendo assim, a logística é a integração intraempresarial (dentro da 
empresa), responsável pela aquisição dos insumos, do armazenamento e do 
transporte do produto do ponto de origem ao de chegada. Portanto, “a logística 
é parte do processo da cadeia de suprimento, e não do processo inteiro” (Ballou, 
2007, p. 27). 
 
Créditos: ELENABSL/Shutterstock. 
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A cadeia de suprimentos é mais ampla e envolve a gestão 
interempresarial (entre empresas), o que inclui fornecedores e clientes em níveis 
diversos, coordenando e racionalizando o fluxo dos materiais e das informações 
e abrangendo todos os processos que envolvem a vida de um produto, desde a 
sua produção (a partir de uma matéria-prima) até a entrega ao consumidor final. 
 
Créditos: ELENABSL/Shutterstock. 
2.1 Gestão da Cadeia de Suprimentos 
A Gestão da Cadeia de Suprimentos, como é mais conhecida, ou em 
inglês Supply Chain Management (SCM), é um termo mais recente, que 
ultrapassa a logística integrada (Ballou, 2007). Morais, (2015, p. 29) define a 
define como: 
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O conjunto de todas as partes envolvidas (fornecedores, fabricantes, 
distribuidores, varejistas, clientes finais), chamados de elos, e seu 
relacionamento no desenvolvimento das atividades funcionais e 
logísticas no canal pelo qual as matérias-primas são convertidas em 
produtos acabados até a entrega ao consumidor. (Morais, 2015, p. 29) 
Ainda segundo Nogueira (2012), a Gestão da Cadeia de Suprimentos 
(SCM) coordena todas as funções do gerenciamento do fluxo de materiais e 
informações, desde o recebimento do pedido de vendas até a entrega ao cliente, 
o que abrange todos os recursos de produção, transporte e aquisição de todas 
as empresas envolvidas nesse processo. 
O processo da Gestão da Cadeia de Suprimentos envolve áreas da 
logística: logística de suprimentos, logística de produção e logística de 
distribuição. Entenderemos cada etapa no próximo tópico. 
TRILHA 1 – LOGÍSTICA DE SUPRIMENTOS 
Com o desenvolvimento do conceito de Gestão da Cadeia de 
Suprimentos, as organizações incorporaram os seus setores em três áreas 
maiores na logística: logística inbound (entrada), ou de suprimentos físicos; 
logística de produção; e logística outbound (saída), ou distribuição física, 
conforme representado na Figura 3. 
Figura 3 – Representação da Gestão da Cadeia de Suprimentos (SCM) 
 
Créditos: NET VECTOR/Shutterstock. 
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1.1 Logística de Suprimentos 
A logística de suprimentos caracteriza o início da cadeia de suprimento, a 
partir da análise das demandas provenientes dos clientes e assim o 
abastecimento da manufatura com matéria-prima e componentes. 
Nessa etapa, o foco principal são as relações com os fornecedores. 
Dentre suas principais atividades, Ballou (2012) destaca: 
• análise e o desenvolvimento de novos fornecedores; 
• gestão de contratos com fornecedores; 
• o planejamento das necessidades de materiais; 
• a aquisição de suprimentos realizando o abastecimento de matérias-
primas e componentes para a linha de produção; 
• recebimento de materiais; 
• gerenciamento de estoques. 
Os elementos essenciais e comuns à maioria das ações desta fase 
compreendem o processo de aquisição, análise de mercados e fornecedores e 
planejamento, incluindo as interações entre alguns deles, sendo realizada pela 
função ou departamento de compras ou de gestão de materiais. 
Na sequência, conheceremos as etapas da logística de produção e de 
distribuição. 
TRILHA 2 – LOGÍSTICA DE PRODUÇÃO E LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO 
O objetivo da logística de suprimentos é o abastecimento do sistema 
produtivo ou de manufatura. A passagem da logística de suprimentos para o 
processo produtivo é conhecida como inbound (entrada), ou seja, a entrada de 
materiais para transformação. 
1.1 Logística de produção 
Essa etapa da cadeia de suprimentos é responsável pela transformação 
dos recursos de entrada (inbound) em produtos acabados (outbound), que serão 
distribuídos para o varejo e posteriormente ao consumidor final. Campos (2012) 
destaca que o sistema produtivo passa por uma estrutura de transformação, em 
que insumos das mais variadas ordens sofrem modificações e o resultado 
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(saída) é a geração de um bem final, ou seja, um produto ou serviço, sempre 
com maior valor agregado. 
O sistema de produção começa pela previsão de demanda. A partir 
dessas previsões, serão calculadas e estimadas a produção adequada para 
atender os clientes, bem como onde os produtos serão fabricados (Ballou, 2012). 
Nessa fase, o foco principal está em planejar as necessidades futuras, a 
quantidade de compra de materiais, a programação das atividades de produção 
e o atendimento, no menor prazo possível das demandas provenientes do 
mercado (Nogueira, 2012). 
1.2 Logística de distribuição 
Finalizado o processo produtivo, obtém-se uma saída (outbound) de um 
produto acabado, que precisará ser distribuído. A logística de outbound é 
responsável pelos processos operacionais e de controle que permitem transferir 
os produtos desde o ponto de fabricação até o ponto em que a mercadoria é 
finalmente entregue ao consumidor. 
Ballou (2012) destaca que a distribuição física se preocupa principalmente 
com produtos acabados ou semiacabados que serão distribuídos para os 
usuários finais ou intermediários que compram estes bens para posteriormente 
revendê-los. 
Nessa etapa, são fatores importantes os meios de transporte utilizados 
para movimentar os produtos, o controle de inventário e a localização dos 
centros de distribuição de forma que os produtos sejam entregues no menor 
prazo, ao menor custo e dentro das condições esperadas pelo cliente (Ballou, 
2012). 
Conclui-se, portanto, que a integração e fluidez entre as três etapas 
logísticas permite maior eficácia e eficiência da cadeia de suprimentos, 
garantindo assim o diferencial competitivo frente aos concorrentes. 
ELO 
Estudamos a evolução da logística a partir da década de 1950, passando 
pela logística integrada e o desenvolvimentodo conceito de Gerenciamento da 
Cadeia de Suprimentos, até chegarmos aos dias de hoje. Na sequência, 
conhecemos as quatro fases da logística. Tal conhecimento nos permitiu 
compreender a diferença entre logística e cadeia de suprimentos. Por fim, 
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apresentamos uma visão geral das três grandes áreas da logística que compõem 
uma cadeia de suprimentos: logística de suprimentos, logística de produção e 
logística de distribuição. Em nossas próximas etapas, aprofundaremos nosso 
conhecimento em cada uma dessas grandes áreas. 
 
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REFERÊNCIAS 
BALLOU, R. H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: Logística 
Empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2007. 
_____. Logística empresarial: transporte, administração de materiais, 
distribuição física. São Paulo: Atlas, 2012. 
CAMPOS, L. F. R. Supply Chain: uma visão gerencial. Curitiba: InterSaberes, 
2012. 
CSCMP – Council of Supply Chain Management Professionals. CSCMP Supply 
Chain Management Definitions and Glossary. 2013. Disponível em: 
. Acesso em: 30 abr. 2022. 
MORAIS, R. R. Logística empresarial. Curitiba: InterSaberes, 2015 
NOGUEIRA, A. S. Logística empresarial: uma visão local com pensamento 
global. São Paulo: Atlas, 2012. 
NOVAES. A. G. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição. Rio de 
Janeiro: Elsevier, 2007. 
SZABO, V. Gestão da cadeia de suprimentos: parcerias e técnicas. São Paulo: 
Pearson Education do Brasil, 2015. 
 
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