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64 DIREITO TRIBUTÁRIO – PFN 2012 Perguntas e Respostas Sumário 1. O Estado e o poder de tributar. Edilvani (edilvani@gmail.com) 3 2. Direito tributário: conceito, fontes e princípios; relações entre o Direito Tributário e o Direito Privado. Yuri Excalibur (yuri.excalibur@gmail.com) 4 3. Conceitos tributários-constitucionais: concepções; jurisprudência do STF. Carolina (coragemrs@yahoo.com.br) 8 4. Código Tributário Nacional: normas gerais de direito tributário. Eduardo (esbucci@gmail.com) 10 5. Norma tributária: natureza; espécies; vigência e aplicação; interpretação e integração; tratados e convenções internacionais e legislação interna. Bernadete (bernadetercortes@gmail.com) 11 6. Legalidade tributária: conteúdo; concepções. Bernadete (bernadetercortes@gmail.com) 15 7. Tributo: conceito e espécies. Luiz Araujo (luizemmga@gmail.com) 16 8. Obrigação tributária: conceito; espécies; fato gerador (hipótese de incidência); sujeitos ativo e passivo; solidariedade; capacidade tributária; domicílio tributário. Solange (solange2k3@yahoo.com.br) 18 9. Crédito tributário: conceito; natureza; lançamento; revisão; suspensão, extinção e exclusão; prescrição e decadência; repetição do indébito. Solange (solange2k3@yahoo.com.br) 19 10. Responsabilidade tributaria responsabilidade por divida própria e por divida de outrem; solidariedade e sucessao, responsabilidade pessoal e de terceiros. Luiza (luizapiva@hotmail.com) 26 11. Garantias e privilégios do crédito tributário. Filipe Sarpa (gandilson@hotmail.com) 32 12. Administração Tributária: fiscalização; dívida ativa; certidões e cadastro; sigilo fiscal e prestação de informações. Ana Carolina Dantas (anacarolinadantas@gmail.com) 33 13. Sistema Tributário Nacional: princípios gerais; limitações do poder de tributar. Eduardo (esbucci@gmail.com) 37 14. Impostos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Repartição das receitas tributárias. Imunidades: hipóteses e regulamentação. Vanessa (vscarpamota@yahoo.com.br) 38 15. Jurisprudência do STF; modulação dos efeitos temporais das decisões do STF em matéria tributária; coisa julgada em matéria tributária. Larissa Misson (lcmisson@yahoo.com.br) 61 16. Tributação internacional; acordos para evitar a dupla tributação. Débora Faustino (deborafa5@hotmail.com) 67 17. Processo Administrativo Fical (Decreto n. 70.235/1972). Arrolamento de bens e direitos. Carol Dorneles (coragemrs@yahoo.com.br). 70 18. Processo Judicial Tributário; ações do Fisco contra o contribuinte: ação de Execução Fiscal e Medida Cautelar Fiscal; ações do contribuinte contra o Fisco: ação declaratória, ação anulatória, ação de repetição de indébito, ação de consignação em pagamento, e Mandado de Segurança. Karine(karineduarte18@hotmail.com) 71 19. CADIN (Lei nº 10.522, de 19/07/2002) Filipe Sarpa (gandilson@hotmail.com) 82 20. Lei nº 7.711, de 22/12/1988 Solange (solange2k3@yahoo.com.br) 84 21. Encargo Legal (Decreto-Lei nº 1.025, de 21/10/1969). Carolina (carolina_kudse@hotmail.com) 84 22. Programa de Recuperação Fiscal - REFIS (Lei nº 9.964, de 10/04/2000). Renato (renatogrilu@gmail.com) 85 23. Parcelamento Especial – PAES (Lei nº 10.684, de 30/05/2003). Renato (renatogrilu@gmail.com) 88 24. Lei nº 11.941, de 27/05/2009. Felipe (felipefreind@gmail.com) 89 25. Lei nº 11.457, de 16/03/2007. Rafael Mota (motarafael84@gmail.com) 90 26. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: regimento interno (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009). Omar (omarfilho@oi.com.br) 92 27. Lei Complementar nº 105, de 10/01/2001. Solange (solange2k3@yahoo.com.br) 92 28. Sistema Integrado de Pagamento de Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES (Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006). Cecília (cecilianrmorais@gmail.com) 94 29. Impostos federais: fato gerador; base de cálculo; contribuintes. Vivian (vivimpmonteiro@yahoo.com.br) 96 30. Contribuições Sociais: fato gerador; base de cálculo; contribuintes; contribuições de intervenção no domínio econômico; contribuições corporativas; contribuições de seguridade social. Filipe Sarpa (gandilson@hotmail.com) 99 31. Taxas e preços públicos; taxas contratuais e facultativas. Eduardo (esbucci@gmail.com) 101 32. Preços de Transferência. Verônica (veronicamed.adv@gmail.com) 102 33. Tributação no regime falimentar. Carolina (carolina_kudse@hotmail.com) 104 34. Política fiscal; abuso de formas; interpretação econômica do Direito Tributário. Vinícius Nardon (vngongora@gmail.com) 106 35. Planejamento Tributário. Carolina (carolina_kudse@hotmail.com) 106 1. O Estado e o poder de tributar. Edilvani (edilvani@gmail.com) * Como o ponto não é claro e encontrei abordagens diferentes sobre o tema, resolvi elaborar as perguntas sob os seguintes enfoques: atividade financeira do Estado e competência tributária. P. De que forma o Estado obtém seus recursos financeiros? Qual a relação dessa arrecadação com a concepção de Estado Mínimo? R. O Estado obtém recursos financeiros basicamente através de receitas originárias e derivadas. As receitas originárias advêm do próprio patrimônio Estatal, sob regime predominantemente privado. O Estado age de forma semelhante ao particular. Há uma relação horizontal. Ex.: aluguéis e receitas de empresas públicas e sociedades de economia mista. As receitas derivadas, por outro lado, têm origem no patrimônio do particular, sob regime de direito público. O Estado se utiliza do seu poder de império para obrigar o particular. Há uma relação vertical. Ex.: tributos, multas e reparações de guerra. O art. 173 da CF contempla a ideia de Estado Mínimo, ou seja, na atual ordem constitucional, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado é exceção. Dessa forma, a arrecadação de recursos pelo Estado se origina, na sua maior parte, de receitas derivadas, nas quais o Estado age com seu poder de império, e não como um particular. P. Qual a finalidade da arrecadação tributária pelo Estado? (“O tributo visa a atender qual interesse, público ou social?” – Prova oral do TJSP) R. No Estado Liberal dos sécs. XVIII e XIX, predominava a não intervenção do Estado na economia. Nessa época, Adam Smith apontou a existência de uma “mão invisível do mercado”, a qual possibilitava que o mercado regulasse a si próprio. Havia a ideia de tributo “neutro”, isto é, a renda proveniente da tributação deveria servir unicamente para a manutenção da estrutura Estatal. Todos eram igualmente tributados, sem qualquer aferição de capacidade econômica. No final do séc. XIX, a “mão poderosa e invisível do Estado” passou a ser necessária para corrigir as distorções ocasionadas pelo liberalismo. Assim, o Estado passou a intervir no domínio econômico e social (Estado do Bem-Estar Social – Welfare State), passando a utilizar o tributo para tal finalidade. Passou-se a considerar a capacidade econômica do contribuinte, o que gera maior justiça social, pois quem paga menos tributo é a classe menos favorecida, a qual, por sua vez, se utiliza mais do aparato Estatal. Do ponto de vista econômico, a tributação é utilizada para regulação de mercado, do que é exemplo a finalidade extrafiscal de certos tributos, apesar de tais intervenções também terem, muitas vezes, cunho social (como diminuir a alíquota de IPI sobre veículos automotores, a fim de evitar perda de empregos por crises nas montadoras). Assim, a tributação atende, ao mesmo tempo, ao interesse público e social. Por fim, calha mencionar que Hugo de Britto Machado rechaça a ideia de relação tributária como relação de poder, argumentando que doutrina majoritária defende que os contribuintes consentem com a instituição dos tributos, através de seus representantes no Parlamento. O pagamento de tributos, conforme ensina Gabriel Ivo, trata-se de dever fundamental, tendo em vista que se constitui em forma de contribuir com o gasto público. P. O que é competência tributária e qual a sua classificação conforme a CF/88? R. A competência tributária é o poder político (porque está previsto na CF) e indelegável de instituição do tributo, titularizado craicao de novo ente federado quando de desmembramento territorial de ente anteriormente existente. Em casos tais, a nova pessoa de direito publico , ate que crie sua propria legislacao, aplicara a do ente do qual se desmembrou, sub-rogando-se nos direitos deste. P: Pode haver modificacao do sujeito passivo da obrigacao tributaria por meio de vontade das partes? E no que tange `a solidariedade passiva na relacao juridico-tributaria, `e possivel sua caracterizacao por vontade das partes a teor do que preceitua o art. 264 do Codigo Civil? R. A definicao do sujeito passivo somente decorre de imposicao legal, sendo a vontade das partes inocua nesse sentido. (art. 123 do CTN que dispoe que as convencoes particulares (salvo disposicao expressa de lei), nao podem ser opostas `a Fazenda Publica para modificar a definicao do sujeito passivo da obrigacao tributaria correspondente). A solidariedade, em materia tributaria, tem sede legal, nao sendo possivel decorrer de vontade das partes. P: Quais sao os efeitos da solidariedade? R. (i) O pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais (ii) A isencao ou remissao de credito exonera todos obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo (iii) A interrupcao da prescricao, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. P: Qual a regra para o estabelecimento do domicilio tributario do sujeito passivo? R. A regra `e a eleicao, a escolha pelo sujeito passivo. No entanto, `e possivel que a autoridade administrativa recuse o domicilio eleito, caso perceba que este impossibilita ou dificulta a arrecadacao ou fiscalizacao de tributo .Nesse caso, sera considerado como domicilio tributario do contribuinte ou responsavel o lugar da situacao dos bens ou da ocorrencia dos atos ou fatos que deram origem `a obrigacao. P: Dê um exemplo de obrigação tributária de natureza negativa. (TRF 2ª Região – X Concurso para Juiz Federal) R. A obrigação que as entidades de assistência social sem fins lucrativos imunes têm de não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas a qualquer título (art. 14 do CTN). 9. Crédito tributário: conceito; natureza; lançamento; revisão; suspensão, extinção e exclusão; prescrição e decadência; repetição do indébito. Solange (solange2k3@yahoo.com.br) P: Em face do que dispoe o art. 142 do CTN, `e possivel a constituicao do credito tributario por meio de declaracao? (Adaptada da Ata 20-2012- Ebeji) R. Lancamento tributario `e o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrencia da obrigacao tributaria e constituir o credito tributario, definindo a aliquota e a base de calculo da obrigacao surgida, o montante do tributo ou penalidade a ser paga e o sujeito passivo. Portanto, pela definicao do CTN, o lancamento `e de competencia exclusiva da autoridade administrativa , vinculando ate mesmo o juiz, que nao pode lancar e tampouco corrigir o lancamento realizado pela autoridade administrativa. Contudo, a jurisprudencia do STJ tem entendido que a apresentacao , pelo contribuinte, de declaracao de debitos ou outra declaracao prevista em lei `e modo de formalizar a existencia (constituir) do credito tributario, dispensada, para esse efeito qualquer outra providencia por parte do Fisco. (Sumula 436 STJ). Ainda segundo a Corte, a declaracao de debito somente tem o efeito de constituir o credito tributario quando estiver correta, pois, havendo nela qualquer inexatidao, equioco ou irregularidade de informacoes, caracterizara fraude, simulacao ou dolo, devendo o Fisco proceder ao lancamento de oficio. P: Em face do que dispoe o art. 142 do CTN, `e possivel a constituicao do credito tributario por meio de sentenca em reclamacao trabalhista? (Adaptada da Ata 20-2012- Ebeji) R. O art. 114, VIII, da CF atribui competencia `a Justica do Trabalho para que promova a execucao de oficio das contribuicoes sociais do empregador e do empregado(art. 195,I,a e II, da CF). A doutrina diverge quanto `a tal possibilidade. Parte dela afirma que a execucao fiscal efetuada de oficio pela Justica do Trabalho comete o equivoco de cobrar tributo sem fato gerador, alem de exprimir indubitavel usurpacao de competencia por parte do Judiciario ao exercer ato privativo de funcao administrativa. Os favoraveis `a possibilidade afirmam que o art. 879 da CLT preceitua que elaborada a conta , o Fisco sera intimado para manifestacao no prazo de dez dias e a concordancia expressa ou tacita ou discordancia espelha a formalizacao do credito tributario relativo `aquelas contribuicoes. A jurispridencia do STJ inclina-se a reconhecer a legitimidade da Justica do Trabalho para promover a execucao de contribuicoes sociais. P: Qual a natureza juridica do lancamento? R. Natureza juridica mista (Ricardo Alexandre). Constitutiva do credito tributario e declaratoria quanto `a obrigacao, a teor do art. 142 do CTN e entendimento do STJ que ja afirmou que ` o credito tributario nao surge com o fato gerador. Ele `e constituido com o lancamento`. P: O lancamento `e ato ou procedimento? R. O art. 142 do CTN dispoe que o lancamento pode ser entendido como o ` procedimento administrativo tendente a ...`. No entanto, a maioria da doutrina entende que o lancamento `e ato administrativo, apesar de resultante de um procedimento ( conjunto de atos sistematicamente organizados para a producao de determinado resultado) P: A Lei Complementar 105-2001, com vigencia a partir de novembro de 2001, permitiu o acesso das autoridades fiscais a dados protegidos por sigilo bancario independentemente de determinacao judicial. Seria possivel a Receita Federal instaurar procedimentos fiscais para apurar creditos relativos a exercicios anteriores, usando o novo poder legamente atribuido? R. Sim, pois se trata de legislacao pertinente a aspectos formais do lancamento. Desta forma, por expressa previsao do CTN (art. 144), as regras que ampliam os poderes de investigacao da autoridade administrativa tem aplicabilidade imediata. P: Qual a taxa de cambio aplicavel ao lancamento? R. A conversao em moeda nacional far-se-`a no dia da ocorrencia do fato gerador da obrigacao, salvo disposicao de lei em contrario. P: E possivel a revisao do lancamento por erro de direito, ou seja, para alteracao do criterio juridico utilizado? R. Nao. O criterio juridico utilizado torna-se imutavel com relacao ao lancamento ja realizado. Exemplos:classificacao de mercadorias, classificacao dos imoveis com repercussao no valor do IPTU incidente. P: Quais sao as modalidades de lancamento e o grau de colaboracao do sujeito passivo em cada uma delas? R. Lancamento de oficio- o sujeito passivo nao participa da atividade( ex IPTU, IPVA); Lancamento por declaracao ou misto– neste ha um equilibrio entre a participacao do sujeito passivo, que presta informacoes sobre materia de fato indispensaveis `a sua efetivacao(ex:ITBI) e a atividade do sujeito ativo; Lancamento por homologacao: o sujeito passivo realiza quase todos os atos que compoem a atividade(IRPF). P: Contribuinte optou pela tributacao pelo lucro real, pode retificar a declaracao de imposto de renda pessoa juridica para alterar para lucro presumido? R. Nao. A retificacao de declaracao depende da comprovacao do erro em que se funde. A opcao por uma forma de tributacao nao representa tecnicamente um erro. (CTN, art. 147, par 1). P: Admite-se a possibilidade de impugnacao de lancamento realizado com base em declaracao do sujeito passivo? R. Sim, o STJ tem entendimento pacifico nesse sentido ao argumento de que o dispositivo de regencia nao faz referencia a que tipo de lancamento pode ser alvo de impugnacao, ou nao, nao podendo o interprete distinguir onde a lei nao distingue. P: O arbitramento `e modalidade de lancamento? R. Nao, `e apenas tecnica para se definir a base de calculo, para que se proceda a um lancamento de oficio. P: Qual o prazo para a homologacao tacita do lancamento (da atividade do sujeito passivo)? R. Cinco anos, a contar da ocorrencia do fato gerador, se a lei nao fixar outro prazo. P: As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário devem ser interpretadas restritivamente? R. Não. Segundo o art. 111, I, primeira parte, do CTN, as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário devem ser interpretadas literalmente. Interpretar literalmente não implica em interpretar restritivamente. A interpretacao literal não amplia o alcance do texto, tampouco o restringe. Fica no exato alcance que a expressão literal da norma permite. P: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário suspende a prescrição? R. Sim. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário tem por efeito imediato impedir a Fazenda Pública de promover-lhe a cobrança, obstando, pois, a execução fiscal. Disso resulta a inafastável suspensão do prazo prescricional de que cuida o art. 174 do CTN, porque, à luz da teoria da actio nata, enquanto não dispõe de ação para cobrar o seu crédito, não deve o Fisco ser prejudicado por se manter inerte. P: A suspensao da exigibilidade impede o Fisco de constituir o credito o credito tributario? R. Não, pois o prazo decadencial nao deixa de fluir em virtude da suspensao da exigibilidade do credito tributario. Portanto, o Fisco pode(deve) formalizar o seu crédito tributário através do lançamento, a fim de que se evite a perda do direito de constituir o crédito pela ocorrência da decadência, com a consequente extincao do vínculo de direito material (art. 156, V, do CTN). P: Novas hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário podem ser criadas por lei ordinária? R. Não. Conforme o art. 146, III, "b", da CF, somente lei complementar pode cuidar de matéria referente a crédito tributário. P: Qual a consequencia da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em relacao ao cumprimento das obrigações acessórias? R. Nao decorre nenhuma consequencia da suspensao da exigibilidade do CT com relacao `as obrigacoes acessorias. As obrigações acessórias são independentes. P: É possível suspender a exigibilidade do crédito tributário mediante garantias como penhora, fiança bancária, títulos da dívida pública, títulos da dívida agrária, dentre outras? R. Não. As razoes para tal negativa sao dadas pelo STJ: a) as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário devem ser interpretadas literalmente e os supramencionados meios de pagamento não estão inseridos no rol do art. 151; b) o depósito judicial em matéria tributária deve ser feito em moeda corrente nacional, de forma integral e em dinheiro (Súmula 112 do STJ), porque supõe conversão em renda da Fazenda Pública se a ação do contribuinte for improcedente (art. 156, VI, do CTN); c) a substituição do dinheiro por títulos da dívida pública, títulos da dívida agrária ou fiança bancária implica modalidade de pagamento vedada pelo CTN (art. 162, I: moeda corrente, cheque ou vale postal). P: Pode ser negado ao contribuinte a sua pretensão de depósito do montante integral do crédito tributario? R. Não, pois entende-se tratar-se de direito subjetivo do contribuinte, que pode ser exercido em qualquer fase do processo. A Fazenda Pública também não tem interesse em resistir, pois com o depósito ela fica garantida contra possíveis modificações no estado econômico do contribuinte, bastando requerer a conversão do depósito em renda (art. 156, VI, do CTN) se a ação do contribuinte for julgada improcedente. P: É possível ao contribuinte reaver depósito efetuado à disposição da justiça, quando ainda não haja decisão transitada em julgado no processo em que se discute a exação tributária? R. O entendimento do STJ, que se coaduna com os interesses do Fisco, `e no sentido da impossibilidade. P: É possível a devolucão do depósito em renda quando há extinção do processo sem julgamento do mérito? R. Não. Somente se tivesse havido julgamento de mérito favoravel ao contribuinte, seria possivel a devolucao do deposito ao contribuinte. P: O parcelamento exclui a incidência de juros e multas? R. Como regra, não, salvo disposição de lei em contrário (§1º do art. 155-A do CTN). P: E imperioso que a autoridade administrativa proceda ao lancamento de oficio, destinado a prevenir a decadencia, relativo ao credito tributario cuja exigibilidade haja sido suspensa por deposito do montante integra? R. Nao, segundo entendimento pacificado do STJ, na sistematica do lancamento por homologacap, realizado o deposito do montante integral pelo contribuinte, incumbe `a Fazenda Publica manifestar sua concirdancia ou discordancia com o valor depositado. Diante da concordancia, reputa-se efetuado o lancamento , sendo prescindiel qualquer outra acao por parte do Fisco. P: Defina moratoria: R. Moratoria `e hipotese de suspensao do credito tributario, que implica a dilacao do prazo para pagamento do tributo, podendo ser concedido em carater geral (pela lei) ou por ato administrativo declaratorio do cumprimento dos requisitos previstos em lei. Nesse ultimo caso, a concessao depende de pedido do interessado `a Administracao Tributaria. Na moratoria , o pagamento ` e feito livre de qualquer penalidade pecubiaria e ate mesmo de juros. P: Aplicam-se os beneficios da denuncia espontanea quando ha o parcelamento do credito tributario? R. Nao. O STJ entende que so se aplicam os beneficios da denuncia espontanea quando ha o pagamento, nao se equiparando a tal o parcelamento. Convem citar ainda que a Sumula 360/STJ preceitua que o beneficio da denuncia espontanea tampouco se aplica aos tributos sujeitos a lancamento por homologacao regularmente declarados, mas pagos a destempo. P: A denuncia espontanea tem o condao de afastar a multa decorrente do atraso na entrega de declaracao de rendimentos? R. Nao. Os efeitos do art. 138 do CTN nao se estem `as obrigacoes acessorias autonomas. (A P: Quais as causas de extincao do credito tributario? R. I - o pagamento; II - a compensação; III - a transação; IV - a remissão; V - a prescrição e a decadência; VI - a conversão de depósito em renda; VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no Art. 150 e seus parágrafos § 1 e § 4; VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2 do artigo 164; IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X - a decisão judicial passada em julgado. XI - a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei P: Qual a forma de correcao monetaria e juros de mora, no ambito federal? R. Taxa Selic, a qual reune a correcao monetaria e os juros de mora. P: Qual o efeito da formulacao de consulta pelo contribuinte? R. A formulacao de consulta nao suspende a exigibilidade do credito tributario, apenas impede a fluencia de juros de mora e multa de mora, enquanto pendente a solucao. P: Quais as regras de imputacao do credito tributario? R. Consoante art. 163 do CTN, sao as seguintes regras: primeiramente aos debitos por obrigacao propria e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributaria; primeiramente a imputacao do pagamento ao debito referente `as contribuicoes de melhoria, depois `as taxas e por fim aos impostos; na ordem crescente dos prazos de prescricao, na ordem decrescente dos montantes. P: Em que hipoteses se admite a restituicao do tributo indireto? R. Quando o contribuinte de direito comprovar que nao transferiu o encargo financeiro do tributo e quando o contribuinte estiver expressamente autorizado pelo contribuinte de fato a receber restituicao. CTN, art. 166- Sum STF 546 O STJ tem ainda entendido que o contribuinte de fato, por formalmente nao fazer parte da relacao juridico-tributaria, nao estaria autorizado a pleitear judicialmente a restituicao de tributo pago pelo contribuinte de direito. P: Qual o termo a quo da fluencia dos juros moratorios nas acoes de repeticao de indebito? R. A partir do transito em julgado da sentenca. P: Qual a orientacao do STJ quanto aos juros nos casos de repeticao de indebito tributario? R. Antes da Lei 9250-1995, incidia correcao monetaria desde o pagamento indevido ate a restituicao (Sum 162-STJ), acrescida de juros de mora a partir do transito em julgado (Sum 188-STJ); apos a edicao da Lei 9250-95, aplica-se a Selic desde o recolhimento indevido , ou, se for o caso, a partir de 1.01.1996, nao podendo ser cumulada, porem, com qualquer outro indice, seja de atualizacao monetaria, seja de juros porque a Selic inclui a um so tempo, o indice de inflacao do periodo e a taxa de juros real. P: De acordo com o STJ, qual o prazo prescricional para a acao de repeticao de indebito? R. Segundo o STJ, com o advento da LC 118-2005, a prescricao deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir de sua vigencia (em 09.06.2005), o prazo `e de cinco anos a contar da data do pagamento. Relativamente aos pagamentos anteriores, a prescricao obedece ao regime previsto no sistema anterior (o sujeito passivo poderia pleitear a restituicao desde o pagamento indevido ate cinco anos apos a homologacao), limitada, porem, ao prazo maximo de cinco anos a contar da vigencia da lei nova. P: O Mandado de Seguranca `e meio idoneo para a declaracao do direito de compensacao tributaria? R. Sim, nos termos da Sumula 213 do STJ, o MS constitui acao adequada para a declaracao do direito `a compensacao tributaria. Todavia, nao `e legitimo o deferimento da compensacao mediante liminar em MS. P: Pode o Estado conceder remissao quanto ` a multas ainda nao lancadas? R. Nao. Somente se ja fora lancada, visto que a remissao `e forma extintiva do credito tributario e se nao houve lancamento , nao ha credito. No caso, caberia a edicao de lei concedendo anistia, que impediria o lancamento e o consequente nascimento do credito tributario. P: Diferencie prescricao e decadencia, como hipoteses de exticao do credito tributario: R. A prescricao extingue direitos a uma prestacao , a decadencia extingue direitos potestativos. Assim, o direito de lancar `e potestativo, sendo sujeito `a decadencia; ja o direito de receber o valor lancado `e direito a uma prestacao, estando a acao que o protege sujeita `a prescricao. P: Discorra sobre as regras aplicaveis `a decadencia do direito de lancar o CT: R. A regra geral, prevista no art. 173, I, do CTN dispoe que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorre a antecipacao da contagem da data do ato tendente a lancar o tributo(art 173, par unico). Segundo Ricardo Alexandre, `e pacifico o entendimento de que essa regra somente tem o condao de antecipar a contagem do prazo decadencial. No entanto, no Resp 766.050 o STJ manifestou o entendimento de que independentemente de ter sido iniciado ou nao o prazo do art. 173, I. Pela importancia para os interesses da Fazenda, transcreve-se o excerto correspondente da Ementa : 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. Dentre as regras sobre a decadencia, o art. 173,II, determina como termo a quo da contagem da prescricao, a data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parte da doutrina entende que essa regra `e hipotese de interrupcao da decadencia, porque o prazo comeca a fluir e , um evento (anulacao do lancamento) fez com que o mesmo fosse devolvido. Outra corrente, no entanto, afirma qye nao se trata de interrupcao do prazpo, mas sim de concessao de novo prazo, totalmente independente e originario. Ja quanto ao lancamento por homologacao a regra geral `e a contagem a partir do fato gerador, quando ha o pagamento. Se nao houve o pagamento, ou se o lancamento se deu com dolo, fraude ou simulacao, a regra `e a do art 173, I: do primeiro dia do exercicio seguinte. P: Parte da doutrina considera a regra do art. 173, II como caso de ~ `interrupcao` da decadencia. Outra corrente, por seu turno, defende tratar-se de novo prazo, totalmente independente e originario. Existe importancia nessa distincao, ou se trata de mera discussao academica? R. Ha relevancia na distincao. Somente pode se interromper um prazo em curso, nao sendo possivel, perante a logica, interromper a vida de quem ja morreu. Caso se admita que o art. 173,II, do CTN traz causa de interrupcao de decadencia, dee-se entender que o dispositivo somente pode ser aplicado enquanto o prazo nao se esvaiu. O raciocinio nao encontra guarida no texto legal, uma ez que o CTN faz o reinicio do prazo depender apenas da anulacao por vicio formal de lancamento anteriormente realizado, nao estabelecendo prazo para que a regra seja aplicada. Assim, parece mais adequada a conclusao de que o art em questao estipula prazo decadencial autonomo para o caso de anulacao por vicio formal de lancamento anteriormente realizado e nao de interrupcao de prazo decadencial. P: Cite os efeitos do lancamento por homologacao, quando o contribuinte efetua a declaracao de debito sem o correspondente pagamento , na data do vencimento: R. -inicio da contagem do prazo prescricional -possibilidade de imediata inscricao do declarante em divida ativa -impossibilidade de o declarante gozar dos beneficios da denuncia espontanea -impossibilidade de o declarante obter certidao negativa de debitos P: Qual o termo inicial da prescricao no caso de tributo declarado e nao pago? R. Da data estabelecida como vencimento para o pagamento da OT declarada. (Informativo 340 STJ – Resp 850.423-SP)- Colegas estou tentando encontrar pois penso ja ter isto um precedente mais favoravel `a fazenda, o qual considera o termo da entrega da declaracao... P: Quais as hipoteses de interrupcao do prazo prescricional? R. O despacho do juiz que ordenar a citacao em execucao fiscal; o protesto judicial; qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; qualquer ato inequivoco ainda que extrajudicial que importe em reconhecimento do debito pelo devedor. P: Cite casos de suspensao da fluencia do prazo prescricional: R. Embora o CTN nao preveja expressamente,a regra do par unico do art 155 do CTN trata da regra de que durante o tempo decorrido entre a concessao de moratoria em carater individual e sua revogacao nao corre prescricao, representando uma verdadeira suspensao do prazo prescricional. Idem para parcelamento, remissao, isencao e anistia em carater individual e mediante procedimento fraudulento do beneficiario. Causas de suspensao da exigibilidade do CT previstas no art. 151 do CTN (nestes casos a suspensao durara ate que o credito volte a ser exigivel). Outro caso de suspensao do prazo prescricional `e o previsto no art. 40, da LEF, que dispoe que o juiz suspendera o curso da execucao , enquanto nao for localizadio o devedor ou encontrados bens sobre os quais possa recair a penhora, e nesses casos, nao correra prazo de prescricao. P: A prescricao tributaria pode ser reconhecida de oficio pela propria autoridade administrativa? R. Sim, conforme termos do art. 53, da Lei 11.941-2009. P: A consignacao em pagamento `e hipotese de extincao do CT? R. Nao. Somente a consignacao em pagamento cujo pedido fora julgado procedente extinguira o CT. P: É possivel a extincao do CT por dacao em pagamento em bens imoveis? R. As hipotese de extincao do CT constituem-se em rol taxativo. Desta forma somente `e possivel a extincao do CT mediante dacao em pagamento de bens imoveis, mas nao em moveis. P: Defina isencao: R. Isencao `e a dispensa legal do pagamento do tributo devido. Segundo tese que prevaleceu no Judiciario, a isencao nao `e causa de nao incidencia tributaria, pois, mesmo com a isencao, os fatos geradores continuam a ocorrer, gerando as respectivas obrigacoes tributarias, sendo apenas excluida a etapa do lancamento. P: O que sao isencoes onerosas? R. Sao aquelas que nao trazem somente o bonus da dispensa legal do pagamento, mas tambem algum onus como condicao para o seu gozo. Essas isencoes nao podem ser suprimidas livremente. CTN 178, Sum STF 544 P: Sobre a concessao de isencao em carater indiidual, a qual nao gera direito adquirido, quais as consequencias quando se apurar que o beneficiario nao satisfazia as condicoes ou deixou de cumprir os requisitos para a concessao do favor? R. A isencao sera revogada e sempre sera cobrado o tributo e os juros de mora. Caso o beneficio tenha sido obtido com dolo ou simulacao do beneficiario, ou de terceiro em favor daquele, havera cobranca de penalidade pecuniaria. Alem disso, o tempo decorrido entre a concessao da isencao e sua revogacao nao sera computado para efeito da prescricao do direito `a cobranca do credito. Se nao houve dolo ou simulacao, nao havera cobranca de penalidade pecuniaria e a revogacao so podera ocorrer antes de prescrito o direito `a cobranca do CT. P: Quais os marcos temporais que delimitam a possibilidade de concessao de anistia? R. O beneficio somente pode ser concedido apos o cometimento da infracao e antes do lancamento da penalidade peciuniaria, pois se o credito ja esta constituido, a dispensa somente pode ser realizada mediante remissao. P: Em que casos se proibe a concessao de anistia? R. Aos atos qualificados em lei como crime ou contravencoes e aos que, mesmo sem essa qualificacao, sejam praticados com dolo, fraude ou simulacao pelo sujeito passivo ou por terceiro em beneficio daquele. Proibe-se tambem a concessao de anistia `as infracoes resultantes de conluio entre duas ou mais pessoas naturais ou juridicas. 10. Responsabilidade tributaria responsabilidade por divida própria e por divida de outrem; solidariedade e sucessao, responsabilidade pessoal e de terceiros. Luiza (luizapiva@hotmail.com) P:Qual é a abrangência da expressão sujeito passivo tributário? R: O sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e essa expressão abrange tanto a figura do responsável quanto a do contribuinte. Segundo o Código Tributário Nacional será considerado contribuinte aquele que tiver relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador da obrigação tributária. Já o responsável é a pessoa que, apesar de não possuir essa relação direta e pessoal com o respectivo fato gerador, está vinculada a ele, e por, expressa disposição de lei, possui obrigação de recolher determinado tributo ou penalidade pecuniária ao Fisco. P: Quais são as modalidades da Responsabilidade Tributária? R: A responsabilidade pode ser classificada como “por substituição” ou “por transferência”. P: Quais os fundamentos da Responsabilidade Tributária? R: A doutrina aponta três fundamentos justificadores da responsabilidade tributária, quais sejam: a) conveniência arrecadatória. Ex: substituição e transferência; b) Garantia do crédito tributário. Ex Sucessão; c) imposição de sanção em caso de prática de ato ilícito. Ex: artigo 135 do CTN – responsabilidade por abuso de poderes, infração a lei, contrato social e estatuto. P: Conceitue e aponte as principais características da responsabilidade por substituição? R: A responsabilidade por substituição significa a atribuição de obrigação tributária à pessoa que apenas possui um vínculo, por expressa disposição legal, mas não uma relação direita e pessoal com a situação descrita em lei como fato gerador. Nessa hipótese de responsabilidade, a sujeição passiva surge antes ou contemporaneamente à ocorrência do fato gerador. Em nenhum momento o dever de pagar tributo recai sobre a figura do contribuinte, não havendo qualquer mudança subjetiva na obrigação. A relação contributiva ocorre entre o Fisco e o contribuinte, ou seja, a responsabilidade surge por fato não imputado ao terceiro, servido o responsável como facilitador do recolhimento do tributo. Segundo Leandro Paulsen a figura da substituição tributária existe para atender os princípios da racionalização e efetividade da tributação, a fim de simplificar os procedimentos e também evitar as possibilidades de inadimplemento. Em regra, é o patrimônio do contribuinte que suporta o pagamento do tributo, devendo o substituto exigir e reter do contribuinte o valor devido ao Fisco. O referido doutrinador afirma que o substituto somente poderá ser chamado a recolher o tributo com recursos próprios quando tenha descumprido suas obrigações de colaborar com o fisco. Além disso, informa que não há o afastamento automático da responsabilidade do próprio contribuinte, pois isto irá depender de ele ter suportado a retenção ou de a lei expressamente afastar a sua responsabilidade. Na substituição a obrigação surge diretamente para o substituto, mas com recursos alcançados pelo próprio contribuinte ou retidos por este. Ex: retenção do IR das aplicações financeiras; retenção da contribuição previdenciária pelos tomadores de serviços prestados mediante cessão de mão de obra. P: Qual a classificação da Responsabilidade por Substituição? R: A doutrina costuma classificar os casos de substituição tributária em duas hipóteses: Responsabilidade Tributária por Substituição para frente ou denominada de substituição progressiva e; Responsabilidade Tributária por Substituição para trás ou denominada de substituição regressiva. No primeiro caso há uma antecipação do pagamento referente à obrigação tributária que surgirá para o contribuinte que se encontra em uma posição posterior da cadeia de produção ou circulação. Nessa hipótese o legislador presume a base de cálculo provável e caso não se realize o fato gerador a Constituição Federal de 1988 assegura a imediata e preferencial restituição ao contribuinte da quantia que lhe foi retida pelo substituto A segunda classificação há uma postergação do pagamento do tributo. Ocorre nos casos em que as pessoas ocupantes em posições anteriores na cadeia de produção e circulação são substituídas, no dever de pagar tributo, por aquelas que ocupam as posições posteriores nessas mesmas cadeias. Por fim, é importante ressaltar que, de acordo com a redação do artigo 150 parágrafo 7 do CTN a possibilidade de adoção da sistemática de substituição existe exclusivamente no que concerne aos impostos e contribuições, pois os tributos vinculados sua cobrança depende de uma atividade estatal especificamente voltada para o contribuinte, não parecendo razoável a exigência de pagamento antes da realização da atividade. P: Comente sobre a constitucionalidade da sistemática da substituição progressiva? R:Parte da doutrina considera que a previsão na lei da antecipação do pagamento de tributo, cujo fato gerador ainda não se verificou, configura agressão aos princípios tributários da tipicidade, da capacidade contributiva e o do não confisco. A agressão da tipicidade decorreria do fato de que a situação abstratamente prevista em lei como fato gerador do tributo não teria se verificado no mundo, o que impediria sua cobrança apenas por uma presunção de que o fato gerador irá ocorrer em um segundo momento. Para embasar esse argumento traçam uma analogia como o direito penal que impede a utilização da presunção para aplicar a pena ao acusado. Todavia, o STJ já afastou esse argumento decidindo que com o pagamento antecipado não ocorre recolhimento do imposto antes da ocorrência do fato gerador. O momento da incidência do tributo fixado por lei não se confunde com a cobrança do tributo, pelo que o sistema de substituição tributária não agride o ordenamento jurídico tributário. Assim, a jurisprudência dominante entende que não há antecipação da incidência antes da ocorrência do fato gerador, na substituição progressiva há apenas o pagamento antecipado do tributo. Outros argumentos para refutar a substituição progressiva seria a ofensa aos princípios da capacidade contributiva e do não confisco, pois quem arca com o impacto econômico seria uma pessoa que não praticou o fato gerador. Esse Argumento não deve prosperar, pois o impacto do substituto tributário é apenas provisório, sendo que posteriormente será recuperado durante as futuras operações realizadas na cadeira de produção e circulação, por meio do repasse da carga tributária com a venda da mercadoria ao consumidor final. É oportuno mencionar que o STF antes mesmo da Emenda Constitucional que incluiu essa modalidade de substituição, expressamente no texto constitucional, já havia declarado sua constitucionalidade. P:vNa responsabilidade por substituição progressiva é possível a restituição dos valores recolhidos antecipadamente nos casos de não ocorrência do fato gerador presumido e de ocorrência em valores menores que os presumidos? R:No caso da não ocorrência do fato gerador a Constituição Federal, expressamente, assegura a imediata e preferencial restituição da quantia paga. Já se o fato gerador ocorrer, mas com valor diverso do que foi presumido, a Constituição não prevê solução expressa, desse modo surge controvérsia na doutrina. Parte da doutrina defende que deveria haver a devolução da diferença recolhida a maior. Por outro lado, o Fisco fundamente que tal restituição não é devida. Primeiro porque se for obrigado a restituir essa diferença, a sistemática da substituição progressiva perderá sua utilidade prática, pois a Administração Tributária precisará voltar a fiscalizar a parte final da cadeia produtiva. Segundo porque o legislador constituinte derivado, ao prever expressamente a restituição nos casos de não ocorrência do fato gerador, mas silenciou na hipótese de pagamento antecipado a maior. Assim, afirma-se que a presunção da ocorrência do fato gerador é relativa (admite-se prova em contrário), já a presunção do valor a ser recolhido é absoluta (não admitindo prova em contrário). O STF em sede de controle concentrado de constitucionalidade já decidiu nesse sentido declarando constitucional o Convênio ICMS 13/97 que previa a não restituição dos valores recolhidos aparentemente a maior. (exigência para fruição de benefício fiscal) P: Conceitue e aponte as principais características da responsabilidade por transferência? R: A responsabilidade por transferência significa transferir obrigação tributária inicialmente atribuída ao contribuinte para uma terceira pessoa após a ocorrência do fato gerador. No momento em que ocorre o fato gerador a obrigação tributária é atribuída ao contribuinte, mas em virtude da ocorrência de um evento posterior, definido em lei, a responsabilidade pelo pagamento do tributo é transferida à outra pessoa, modificando o polo passivo da obrigação. Nessa hipótese, a responsabilidade surge em decorrência de fato praticado pelo terceiro e o seu patrimônio é atingido, havendo deslocamento da responsabilidade. É importante ressaltar que a responsabilidade atribuída a terceiros jamais será presumida ou implícita, decorrerá necessariamente de dispositivo do CTN ou da legislação ordinária. Além disso, o CTN somente permite ao legislador atribuir responsabilidade tributária a terceiro vinculado ao fato gerador da respectiva obrigação. P: Quais são as modalidades da responsabilidade por transferência? R: A responsabilidade por transferência, para parte da doutrina, abrange a responsabilidade por sucessão, por solidariedade e de terceiros. Já o CTN prevê três modalidades de responsabilidade, a saber: a) dos sucessores; b) de terceiros; e c) por infrações. Por outro lado o CTN trata a responsabilidade por solidariedade nas disposições relativas à obrigação tributária. Ricardo Alexandre concorda com a divisão do prevista no Código uma vez que os devedores solidários possuem interesse comum na situação que constitua o fato gerador e ambos têm relação pessoal e direta com o fato gerador, enquadrando-se, portanto, na definição legal de contribuinte. P: Quais créditos são abrangidos pela responsabilidade por sucessão? R: O CTN estabelece que todos os créditos relativos a obrigações surgidas até a sucessão, serão transferidos ao responsável ainda que constituída posteriormente. P: Fale sobre a responsabilidade por sucessão dos adquirentes de imóveis? R: A responsabilidade dos adquirentes de imóveis que alcança os créditos que tenham como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse, bem como os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes ao imóvel, ou ainda os relativos a contribuições de melhoria. Os créditos tributários subrogam-se na pessoa do adquirente, salvo quando conste no título a prova de sua quitação. No caso de arrematação em hasta pública a sub-rogação ocorre sobre o respectivo preço, assim ao final da arrematação não se pode imputar ao adquirente a responsabilidade tributária. P: Fale sobre a responsabilidade por sucessão dos adquirentes de bens móveis? R:Haverá sucessão tributária. P: Fale sobre a responsabilidade por sucessão causa mortis? R: Com a morte ocorre a abertura da sucessão e início do processo de inventário ou arrolamento de bens. Durante o trâmite do processo o espólio é considerado responsável pelos tributos devidos pelo de cujos antes da abertura da sucessão e contribuinte em ralação aos fatos geradores posteriores. Já os sucessores e cônjuge meeiro são responsáveis tributários durante todo o processo, e após a partilha ou adjudicação eles passam a ser contribuintes, sempre respondendo no limite do seu quinhão. É importante ressaltar que o STJ entende que a responsabilidade por sucessão causa mortis abrange as multas moratórias, mas não a multa de ofício. P: Fale sobre a responsabilidade por sucessão empresarial? R: A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos das empresas que participaram da transformação, fusão ou incorporação. A CTN não traz expressamente a hipótese de cisão, que ocorre quando a companhia transfere parcela de seu patrimônio para uma ou mais sociedades. Pode ocorrer a cisão total quando a sociedade originária deixa de existir, surgindo duas novas sociedades. Ou pode ocorrer a cisão parcial em que a sociedade originária continua existindo, passando apenas parte de seu patrimônio para novas sociedades. A doutrina majoritária entende que há responsabilidade tributária no caso de cisão, tendo em vista o disposto no artigo 233 da Lei 6404/76, o qual prevê que haverá responsabilidade solidária entre a sociedade cindida que continuar existindo e a sociedades que receberem seu patrimônio (cisão parcial ) e entre as sociedade que receberem o patrimônio da sociedade que deixa de existir (cisão total). O ponto polêmico acerca dessa questão refere-se a previsão do parágrafo único desse dispositivo legal que permite no caso da cisão parcial a possibilidade das sociedades estipularem os limites de suas responsabilidades. Tal regra não deve ser aplicada para o direito tributário, pois o CTN não permite convenções particulares relativas a responsabilidade PE;o pagamento de tributo não podem ser opostas a Fazenda, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias. P:Fale sobre a responsabilidade por sucessão no caso de extinção da sociedade? R: No caso de extinção da sociedade somente ocorrerá a responsabilidade por sucessão caso a exploração da mesma atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social ou firma individual. P:Fale sobre a responsabilidade por sucessão dos adquirentes de fundo de comércio? R:Nesse caso haverá responsabilidade integral das obrigações tributária se a pessoa natural ou jurídica adquirente do fundo de comércio continuar a respectiva exploração e o alienante cessar a exploração da atividade empresarial. Caso o alienante prosseguir exercendo a atividade empresarial ou em 6 meses iniciar nova atividade no mesmo ou em outro ramo de atividade, o adquirente responde apensa subsidiariamente. P: Fale sobre a aplicação das regras da responsabilidade por sucessão no caso de alienação realizada em processo de falência ou de filial ou unidade isolada em processo de recuperação judicial? R: O CTN expressamente que não haverá responsabilidade tributária por sucessão nessas duas hipóteses, exceto quando o adquirente for: a) sócio da sociedade falida ou em recuperação; b) sociedade controlada pelo devedor falido ou em recuperação; c) parente até 4 grau consanguíneo ou afim; e d) identificado como agente do falido ou do devedor em recuperação P: Fale sobre a responsabilidade de terceiros? R: A responsabilidade de terceiros é prevista no CTN nos artigos 134 e 135, sendo que no primeiro dispositivo aplica-se no caso de atuação regular e no segundo quando a atuação se der de forma irregular. A responsabilidade atribuída aos terceiros, prevista no artigo 134 do CTN exige alguns requisitos, quais sejam: a) Impossibilidade de exigência do cumprimento pelo contribuinte, portanto, a doutrina afirma se tratar de responsabilidade subsidiária; b) Deve haver colaboração do responsável para o não pagamento, exige-se a atuação direta do terceiro para o nascimento da obrigação tributária; c) tenha havido uma atuação culposa por parte do terceiro responsável. d) A responsabilidade abrange a obrigação principal e a multa de mora, não havendo transferência da multa de ofício ou isolada. Segundo o CTN os terceiros são os pais, tutores e curadores, administradores de bens de terceiros, o inventariante, o síndico e o comissário, os tabeliões, escrivão e demais serventuários de ofício e os sócios de sociedade de pessoas. Já a responsabilidade prevista no artigo 135 do CTN decorre da prática de uma conduta irregular do terceiro responsável, praticada com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. É possível apontar os seguintes requisitos para configurar essa hipótese legal de responsabilização tributária. a) É necessário demonstrar o dolo do terceiro, que não precisa ser específico; b) A responsabilidade é pessoal; c) Independe da insolvência do contribuinte; d) Caráter excepcional; e) A mera condição de sócio não é suficiente para configurar a responsabilidade, é necessário que o terceiro tenha poder de gerência e o ato que ensejou a obrigação tributária tem que ter ocorrido no exercício da função diretiva. f) A responsabilidade nesse caso abrange a obrigação principal, juros e todas as multas e obrigações acessórias. P:Fale sobre a responsabilidade por infrações? R: Há três regras gerais aplicáveis à responsabilidade por infrações: a) A primeira estabelece o caráter objetivo da sanção, com efeito de afastar a análise subjetiva da conduta, dispensando a constatação do dolo e da culpa para caracterizar a infração, sendo, em regra, irrelevante a intenção do agente; b) A segunda seria a não necessidade de comprovar a efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato; c) A terceira refere-se ao caráter pessoal da responsabilidade pelas infrações que configura, também crime ou contravenções, definidas por dolo específico ou que envolvam dolo específico dos representantes contra os representados. P:Fale sobre a solidariedade prevista no Código Tributário Nacional? R:A solidariedade é um instituto jurídico que define o grau das relações entre os devedores e entre estes e o credor, indicando que cada um responde pela dívida toda, sem benefício de ordem. O CTN divide a solidariedade em duas hipóteses: A primeira hipótese seria a solidariedade de fato que ocorre quando as pessoas tenham interesse comum da situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Possuem interesse comum aquele que figuram conjuntamente como contribuinte, como é o caso dos coproprietários de um imóvel relativamente ao IPTU ou à taxa de recolhimento de lixo; Já a segunda hipótese seria a solidariedade de direito que é aquela estabelecida por expressa determinação legal. Entretanto, é relevante mencionar que o legislador não possui liberdade para criar novas hipóteses de responsabilidade sem observar os requisitos previstos no artigo 128 do CTN. Cumpre ressaltar, por fim, que o CTN deixa claro a inexistência do benefício de ordem para os devedores solidários e que o pagamento efetuado por um dos devedores solidários aproveita os demais e a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo, e, ainda, prevê que a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica os demais. P:Quais são as Teorias explicativas sobre a Responsabilidade prevista no artigo 135 III do CTN? R:Existem 5 (cinco) Teorias explicativas sobre a responsabilidade : Teoria da Responsabilidade Objetiva e Solidária · Basta o inadimplemento · Interesse econômico comum · O STJ adotou essa teoria por um tempo, mas já está superada. Crítica: arbitrária, pois despreza os requisitos exigidos pelo CTN de que a conduta tenha sido praticada com excesso de poderes, infração a lei, estatuto ou contrato social. Teoria da Responsabilidade por Substituição · É a teoria mais difundida na doutrina · A obrigação surge contemporaneamente a ocorrência do fato gerador · A responsabilidade é exclusiva do terceiro, pois considera a empresa uma vítima do administrador que atua de forma irregular. Crítica: não leva em consideração que a empresa deve arcar com o impacto da atuação irregular de seu administrador, em razão da culpa in vigilando e in eligendo. Teoria da responsabilidade subsidiária do administrador e principal da empresa Essa teoria se divide em: i) subsidiária própria- o administrador somente responde se a empresa não possui patrimônio para arcar com a obrigação tributária; ii) subsidiária imprópria – basta o inadimplemento. Crítica: esquece o caráter punitivo da responsabilidade e contraria a jurisprudência que não admite o mero inadimplemento para configurar a responsabilidade do artigo 135 III CTN. Teoria da responsabilidade subsidiária da empresa e principal do administrador Essa Teoria fundamenta-se na previsão do artigo 128 do CTN que afirma que a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-lhe caráter supletivo. Crítica: o artigo 135 não informa expressamente que a responsabilidade do contribuinte será supletiva, apena afirma que a responsabilidade do terceiro será pessoal. Teoria da Responsabilidade Subjetiva, Solidária e Por Transferência (adotada pelo Fisco e pelo STJ) Essa Teoria afirma que a responsabilidade prevista no artigo 135, III, do CTN é subjetiva, portanto, é imprescindível demonstrar que o terceiro atuou com dolo ou culpa, violando expressa disposição de lei, estatuto, contrato social ou com excesso de poderes. Portanto, não basta para configurar a responsabilidade o mero inadimplemento. A responsabilidade seria solidária pois em nenhum momento a lei afirma que a atribuição da responsabilidade ao terceiro retira a responsabilidade do contribuinte. Se a responsabilidade decorre da própria relação jurídica tributária entre do contribuinte com o Fisco, não é possível admitir que a responsabilidade do contribuinte simplesmente desapareça, sem expressa previsão legal. Além disso, é necessário a manutenção da responsabilidade da empresa contribuinte por uma questão de efetividade da atividade arrecadatória do Estado. E por fim, a responsabilidade é por transferência, pois o artigo 135 não designa a responsabilidade do administrador desde logo, uma vez que esta somente surge após o cometimento de atos culposos ou dolosos praticados por ele. Ademais, o artigo 128 não prevê uma exclusão automática do contribuinte, apenas estabelece que a lei pode excluir, mas isso não ocorre no disposto do artigo 135, III do CTN o qual apena prevê que a responsabilidade será pessoa do administrador que agir com excesso de poderes, infração a lei, contrato social ou estatuto. P: Qual é a posição do Superior Tribunal de Justiça sobre a aplicação do artigo 135, III do CTN? R: O STF ante de 1988 entendia que a responsabilidade do sócio-administrador era objetiva, não havendo a necessidade do seu nome constar na CDA. O STJ após a CF/88 manteve o entendimento do STF. Entre 1992 a 1998 o STJ gradativamente passou a entender que a responsabilidade do sócio administrador seria subjetiva, sendo necessário avaliar se a conduta do administrador foi praticada com excesso de poderes ou houve infração a lei, contrato social, estatuto. Atualmente o entendimento do STJ é o seguinte: Responsabilidade Subjetiva e a mera ausência de recolhimento não gera responsabilidade (Sumula 430 STJ); Necessário provar que a conduta do administrador foi praticada com excesso de poderes ou houve infração a lei, contrato social, estatuto. Podendo o ato ilícito ser culposo ou doloso; Desnecessário o esgotamento dos bens do contribuinte; A qualidade de sócio é insuficiente para ensejar a responsabilidade, sendo necessário que tenha sido praticada pelo administrador que detenha poderes de gestão e apena no período da sua gestão; Admite o redirecionamento da execução fiscal a fim de incluir o sócio administrador como coresponsável, desde que o Fisco comprove os requisitos legais exigidos pelo CTN. Caso o nome do responsável constar na CDA, a atribuição de comprovar a ausência dos requisitos da responsabilidade do terceiro será do responsável; Entende que a interrupção do prazo prescricional para o devedor principal também interrompe o prazo para o coresponsável; A falência não constitui ato ilícito para justificar a incidência do artigo 135 III, somente a falta de requerimento da autofalência que implica na chamada dissolução irregular, a qual é causa para o redirecionamento da execução contra o sócio gerente. Sumula 435 STJ presume-se que há dissolução irregular quando a empresa deixa de funcionar em seu domicílio fiscal. P: Qual seria a natureza jurídica da Responsabilidade Tributária? R: Há duas correntes na doutrina tratando sobre a natureza jurídica da responsabilidade tributária. A primeira corrente defende que teria natureza civil pois afirmam que a responsabilidade nasce apenas após o lançamento tributário e que a norma que determina a responsabilidade o faz com base em fato que não é apto a fazer surgir uma relação jurídica tributária. Afirmam que para ter natureza tributária deveria a responsabilidade decorrer da pratica do fato gerador, sendo que a responsabilidade tributária possui apenas natureza acessória em relação à obrigação principal. Por fim, sustentam que no caso de responsabilidade não há manifestação de capacidade contributiva imprescindível em uma relação jurídica tributária. A segunda corrente defende que a Responsabilidade possui natureza tributária. Sustentam esses doutrinadores que a responsabilidade é um mandamento que altera a hipóteses de incidência tributária no seu critério pessoal passivo, devido à ocorrência de um fato posterior ou definido por lei, tendo por isso natureza tributária. 11. Garantias e privilégios do crédito tributário. Filipe Sarpa (gandilson@hotmail.com) P: Os bens gravados com cláusula de impenhorabilidade respondem pelo pagamento do crédito tributário do sujeito passivo? R: Por expressa previsão legal (art. 184 CTN), a totalidade dos bens e rendas do sujeito passivo responde pelo pagamento do crédito tributário, inclusive os bens gravados com cláusula de impenhorabilidade. A cláusula de impenhorabilidade deriva de uma convenção privada e, como é cediço, convenções privadas não podem ser opostas à Fazenda Pública, ainda mais as que visem retirar a responsabilidade do sujeito passivo pelo crédito tributário. Assim, a única exceção é em relação aos bens e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis, pois essa impenhorabilidade, evidentemente, não é consequência de uma convenção privada, mas sim, de uma previsão legal. P: Em que hipótese há presunção de fraude na alienação de bens ou rendas do sujeito passivo do credito tributário? Há exceção a essa presunção? R: Há presunção de fraude na alienação de bens ou rendas do sujeito passivo em débito com a fazenda pública quando o crédito tributário, de responsabilidade desse sujeito passivo, está regularmente inscrito como dívida ativa. Entretanto, essa presunção não resta configurada quando o devedor reserva bens ou rendas suficientes para o total pagamento dessas dívidas. P: Para a determinação de indisponibilidade de bens e direitos, prevista no art. 185-A do CTN, é necessária a comprovação do esgotamento de diligências para a localização de bens do devedor tributário? O STJ possui dois entendimentos diferentes (mas não divergentes) sobre a questão: Um em relação à penhora de dinheiro e outro em relação à indisponibilidade universal de bens e direitos. Segundo o STJ, à penhora de dinheiro não é necessária a comprovação do esgotamento de diligências para a localização de bens do devedor tributário, uma vez que é aplicável, de forma analógica, o art.655-A do CPC. Esse artigo traz a previsão da penhora on-line de aplicações financeiras. Para a sua concessão, basta o requerimento do exequente, não havendo necessidade de comprovação do esgotamento de diligências para a localização de bens do devedor, uma vez que o dinheiro é o bem sobre o qual preferencialmente deve recair a constrição judicial. Portanto, em razão dessa forma de penhora ser mais benéfica à Fazenda Pública e tendo em vista a utilização da Teoria do Diálogo das fontes, é possível a aplicação analógica do art. 655-A à persecução dos débitos tributários. Ressalte-se, todavia, que esse entendimento só é aplicável a período posterior à vacatio legis da Lei 11.382/2006 (45 dias após sua publicação 21.01.2007), a partir do qual se revela prescindível o exaurimento de diligências extrajudiciais a fim de se autorizar a penhora eletrônica de depósitos ou aplicações financeiras. Entretanto, em relação à indisponibilidade Universal de bens e direitos (genérica), não seria aplicável o 655-A, pois o provimento previsto no art. 185-A do CTN possui natureza cautelar, da mesma forma que o instituído pelo art. 4° da Lei 8.397/1992, segundo o qual a decretação da medida cautelar fiscal produzirá, de imediato, a indisponibilidade dos bens do requerido, até o limite da satisfação da obrigação. Assim, não há como confundi-los com a penhora, ato de constrição judicial sobre patrimônio específico da parte executada. Para melhor esclarecimento, transcrevo, abaixo, a decisão recente da primeira Seção (AgRg no Ag 1429330 / BA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2011/0277052-) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. NÃO LOCALIZAÇÃO DE BENS DO DEVEDOR. INDISPONIBILIDADE DE BENS E DIREITOS (ART. 185-A DO CTN). MEDIDA DE NATUREZA CAUTELAR, A EXEMPLO DO DISPOSTO NO ART. 4° DA LEI 8.397/1997 (CAUTELAR FISCAL), QUE NÃO SE CONFUNDE COM PENHORA ELETRÔNICA DE ATIVOS FINANCEIROS VIA BACEN JUD. 1. Trata-se, na origem, de Agravo de Instrumento contra decisão que indeferiu pedido de indisponibilidade de bens, medida prevista no art. 185-A do CTN, em razão do não esgotamento de diligências "ao alcance da exequente" (fl. 57) destinadas à identificação de bens penhoráveis. 2. A indisponibilidade universal de bens e de direitos, nos termos do art. 185-A do CTN, não se confunde com a penhora de dinheiro aplicado em instituições financeiras, por meio do sistema Bacen Jud, disciplinada no art. 655-A do CPC (redação conferida pela Lei 11.382/2006). 3. O instituto sob análise encontra-se estabelecido no art. 185-A do CTN, que tem a seguinte redação: "Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não pagar nem apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis, o juiz determinará a indisponibilidade de seus bens e direitos, comunicando a decisão, preferencialmente por meio eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de transferência de bens, especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais, a fim de que, no âmbito de suas atribuições, façam cumprir a ordem judicial". 4. Consoante previsão do art. 185-A do CTN, são requisitos para a concessão do provimento em questão: a) devedor tributário; b) citação; c) ausência de nomeação de bens à penhora; e d) impossibilidade de localização de bens passíveis de constrição. 5. A indisponibilidade de bens torna-se possível quando o devedor tributário, devidamente citado, não pagar nem apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis. Esta última exigência conduz à conclusão lógica de que a medida sob análise deve suceder às tentativas de penhora. 6. Consoante precedentes do STJ, a referida prerrogativa da Fazenda Pública (requerimento de indisponibilidade de bens) pressupõe a comprovação do esgotamento das diligências para localização de bens do devedor (AgRg no REsp 1.230.835/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe 30.9.2011; AgRg no Ag 1.164.948/SP, Segunda Turma, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 2.2.2011; AgRg no REsp 1.125.983/BA, Segunda Turma, Rel. Ministro Humberto Martins, DJe 5.10.2009).7. Entende-se como "esgotamento de diligências" o uso dos meios ordinários que possibilitam o encontro de bens e direitos de titularidade da parte executada, como, por exemplo, o acionamento do sistema Bacen Jud e a expedição de ofícios aos registros públicos de bens para que informem se há patrimônio em nome do devedor. Por outro lado, não se pode exigir que a Fazenda Pública realize busca em todos os registros de imóveis do País. A razoabilidade impõe que tal providência seja adotada no cartório do domicílio do executado. 8. No presente caso, ao afastar a pretensão da agravante, o Tribunal a quo aferiu que não houve busca de bens em nome da devedora nos Cartórios de imóveis do seu domicílio, o que torna inviável a pretensão da exequente. 9. Diferentemente, a penhora de dinheiro por meio do Bacen Jud tem por objeto bem certo e individualizado (recursos financeiros aplicados em instituições bancárias). No regime instituído pela Lei 11.382/2006, é medida prioritária, tendo em vista que a reforma processual visava primordialmente a resgatar a efetividade na tutelajurisdicional executiva. Independe, portanto, da comprovação de esgotamento de diligências para localização de outros bens. 10. Dito de outro modo, como o dinheiro é o bem sobre o qual preferencialmente deve recair a constrição judicial, é desnecessária a prévia comprovação de esgotamento das diligências (note-se, para localização de bens classificados em ordem inferior), conforme sedimentado no julgamento dos apelos examinados sob o rito do art. 543-C do CPC: REsp 1.184.765/PA, Primeira Seção, Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 3.12.2010 e REsp 1.112.943, Corte Especial, Rel. Min. Nancy Andrighi, Dje 23.11.2010. 11. No REsp 1.184.765/PA, sob o regime do art. 543-C do CPC, a Primeira Seção realizou a interpretação sistemática do art. 655-A do CPC com o art. 185-A do CTN, mas o objeto da controvérsia era a penhora eletrônica de depósitos e aplicações financeiras pelo Bacen Jud. 12. Conforme se percebe, sobretudo nos itens 12 e 13 da ementa do aludido recurso representativo da controvérsia, adiante transcritos, o que prescinde do exaurimento de diligências extrajudiciais por parte do exequente é a penhora eletrônica de depósitos ou aplicações financeiras, instituto distinto da indisponibilidade dos bens e direitos do devedor: "12. Assim, a interpretação sistemática dos artigos 185-A, do CTN, com os artigos 11, da Lei 6.830/80 e 655 e 655-A, do CPC, autoriza a penhora eletrônica de depósitos ou aplicações financeiras independentemente do exaurimento de diligências extrajudiciais por parte do exeqüente. 13. À luz da regra de direito intertemporal que preconiza a aplicação imediata da lei nova de índole processual, infere-se a existência de dois regimes normativos no que concerne à penhora eletrônica de dinheiro em depósito ou aplicação financeira: (i) período anterior à égide da Lei 11.382, de 6 de dezembro de 2006 (que obedeceu a vacatio legis de 45 dias após a publicação), no qual a utilização do Sistema BACEN-JUD pressupunha a demonstração de que o exeqüente não lograra êxito em suas tentativas de obter as informações sobre o executado e seus bens; e (ii) período posterior à vacatio legis da Lei 11.382/2006 (21.01.2007), a partir do qual se revela prescindível o exaurimento de diligências extrajudiciais a fim de se autorizar a penhora eletrônica de depósitos ou aplicações financeiras" (REsp 1.184.765/PA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 3.12.2010). 13. Precedentes posteriores do STJ, na linha do que foi decidido no citado recurso repetitivo, mencionam o art. 185-A do CTN juntamente com o art. 655-A do CPC, para autorizar, independentemente de prévia busca por bens penhoráveis, a penhora de ativos financeiros pelo Bacen Jud (AgRg no AREsp 66.232/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 3.4.2012; REsp 1.229.689/PR, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 16.2.2012). 14. O provimento previsto no art. 185-A do CTN possui natureza cautelar, da mesma forma que o instituído pelo art. 4° da Lei 8.397/1992, segundo o qual a decretação da medida cautelar fiscal produzirá, de imediato, a indisponibilidade dos bens do requerido, até o limite da satisfação da obrigação. Não há como confundi-los com a penhora, ato de constrição judicial sobre patrimônio específico da parte executada. 15. Agravo Regimental não provido. P: Na falência, quais são os créditos que preferem ao crédito tributário? R: Fora do processo de falência, os créditos tributários preferem a quaisquer outros, com exceção dos créditos de decorrentes da legislação do trabalho, esses limitados a 150 salários mínimos e os créditos decorrentes de acidente de trabalho. Na falência, além dessas exceções citadas, os créditos extraconcursais, as importâncias passíveis de restituição e os créditos com garantia real, no limite do valor do bem gravado, preferem aos créditos tributários. 12. Administração Tributária: fiscalização; dívida ativa; certidões e cadastro; sigilo fiscal e prestação de informações. Ana Carolina Dantas (anacarolinadantas@gmail.com) P: Conceitue Administração Tributária. R: É o conjunto de regras formais aplicáveis a órgãos e agentes públicos responsáveis pela transformação em atos concretos das regras abstratamente previstas nos demais títulos do CTN (Ricardo Alexandre, 2012). É um braço da Administração Pública, submetendo-se às normas pertinentes e aos princípios reguladores de sua atividade em geral, notadamente o art. 37, caput, da CF (Mauro Lopes, 2012). A Constituição consagra as Administrações Tributárias dos entes políticos, como atividade essencial ao funcionamento do Estado, a serem exercidas por servidores de carreiras específicas, que terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio. (art. 37, XXII). A Administração Tributária divide-se em: a) Fiscalização, (procedimentos necessários para aferir o adimplemento das obrigações tributárias, tendo por objetivo estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias); b) Dívida Ativa (disciplina as providências a serem adotadas contra aqueles que deixaram de cumprir o que deviam); c) Certidões Negativas (documentos mediante os quais os sujeitos passivos regulares podem comprovar tal situação e obter os benefícios daí decorrentes). (Ricardo Alexandre, 2012) Nesse sentido, o sujeito ativo da relação jurídico-tributária tem as prerrogativas de fiscalizar, lançar e cobrar o respectivo tributo. No âmbito federal, a maior parte dos tributos federais tem como sujeito ativo a própria União, que os administra através da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), forte na unificação da administração tributária federal estabelecida pela Lei nº 11.457/2007 (Paulsen, 2012). P: Admite-se a vinculação de receita de imposto para a realização de atividade de Administração Tributária? R: Sim, conforme expressa previsão constitucional do art. 167, IV. Trata-se de exceção à vedação de vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa. P: Um auditor fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), no exercício de fiscalização tributária em determinado hospital privado, concluiu que perante a referida empresa havia subordinação jurídica, pessoalidade e habitualidade por parte de cooperativa de médicos. Em razão disso, lavrou Auto de Infração por contribuição previdenciária não recolhida (decorrente de vínculo de emprego entre os médicos cooperados e o hospital). Foi legítima a atuação do auditor fiscal? R: Sim. A atuação do auditor fiscal foi legítima, pois é a autoridade competente para o exame da contabilidade das empresas e para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, caso das contribuições previdenciárias patronais (Lei nº 11.457/2007 e art. 33, caput e §1º, da Lei 8.212/91 com a redação da Lei nº 11.941/2009). Nessa linha, no exercício do poder de policia (art. 78 do CTN), deve, constatando irregularidades sobre dissimulação de relação empregatícia com repercussões tributárias, lavrar Auto de Infração para que seja feita a arrecadação devida. Ressalte-se que as cooperativas são sociedades de pessoas que se caracterizam pela prestação de assistência a seus associados (art. 4º, X, da Lei n. 5.764/1971). A presença de subordinação jurídica, pessoalidade e habitualidade afastam a regularidade da cooperativa, pois traduzem relação de emprego, consoante a Súmula 281 do TCU (a qual trata de licitações, mas seu fundamento se aplica ao caso em análise). Desse modo, mostra-se devido o recolhimento, pelo hospital, de contribuição previdenciária decorrente de vínculo de emprego dos seus funcionários médicos. P: Entidade X, dedicada à assistência social, é imune ao recolhimento de impostos, na forma do art. 150, VI, “d”, da CF e do art. 14 do CTN. Sentindo-se, por tal condição, desobrigada a apresentar qualquer esclarecimento a um Auditor Fiscal da SRFB, negou-se a apresentar livros empresariais contábeis para fiscalização. Tem fundamento a negativa da Entidade X? R: A negativa da Entidade X de se submeter à fiscalização tributária não possui fundamento no ordenamento jurídico. Isso porque a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias referentes aos deveres formais, instrumentais, instituídos no interesse da fiscalização e da arrecadação de tributos. Registre-se que o fato do ente ser imune em relação à obrigação principal não o torna livre de cumprir obrigações acessórias referentes a fazer ou deixar de fazer algo no interesse da Administração Tributária (art. 194, parágrafo único, do CTN). Quando tais obrigações são instituídas de forma autônoma, devem ser cumpridas inclusive pelos entes imunes, sob pena de aplicação das sanções previstas. “No território das imposições tributárias, são estipulados inúmeros deveres, que possibilitam o controle, pelo Estado-Administração, sobre a observância do cumprimento das obrigações estatuídas com a decretação dos tributos. Esses deveres são, entre muitos, o de escriturar livros, prestar informações, expedir notas fiscais, fazer declarações, promover levantamentos físicos, econômicos ou financeiros, manter dados e documentos à disposição da autoridades administrativas, aceitar a fiscalização periódica de suas atividades, tudo com o objeto de propiciar ao ente que tributa a verificação do adequado cumprimento da obrigação tributária” (REsp 1116792/PB, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/11/2010, sob a sistemática dos Recursos Repetitivos). Ademais, manter a escrituração fiscal é requisito para a continuidade da imunidade (art. 14, III, do CTN). Portanto, pessoa jurídica de direito privado que tenha direito à imunidade está obrigada a utilizar e manter documentos, livros e escrita fiscal de suas atividades, assim como se sujeita à fiscalização do Poder Público. Com efeito, “exigir de entidade imune a manutenção de livros fiscais é consentâneo com o gozo da imunidade tributária” (RE 250844/SP, rel. Min. Marco Aurélio, j 29.5.2012). P: O caráter sigiloso da escrituração comercial e fiscal de documentos que comprovam os fatos escriturados pode ser oposto ao Fisco? R: Não. O art. 195, caput, do CTN estabelece que, para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los. Outrossim, o art. 1.193 do CC determina que as restrições que tratam do sigilo empresarial ao exame da escrituração, em parte ou por inteiro, não se aplicam às autoridades fazendárias, no exercício da fiscalização do pagamento de impostos, nos termos estritos das respectivas leis especiais. Cumpre enfatizar que a Súmula 439 do STF dispõe que estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado o exame aos pontos objeto da investigação. P: Em caso de recusa de do dever de exibição de documentos e livros por parte de pessoa sujeita à fiscalização, o Fisco pode requisitar o auxílio de força policial diretamente pelos seus fiscais fazendários? R: Não. Embora o art. 200 do CTN autorize a requisição do auxilio da força pública pelas próprias autoridades administrativas quando, vítimas de embaraço no exercício de suas funções, for necessário à efetivação de medida de fiscalização, o STF tem entendido que os fiscais só podem ingressar em escritório de empresa mediante autorização do proprietário, gerente ou preposto (Paulsen, 2012). Havendo descumprimento do dever de exibição dos livros e documentos sujeitos à fiscalização, o Fisco pode aplicar multa por descumprimento de obrigação acessória e requerer judicialmente auxílio de força policial. P: A LC nº 105/2001 que versa sobre hipóteses de quebra de sigilo bancário pode ser aplicada a créditos referentes a fatos anteriores à vigência da referida lei? R: Sim. A LC nº 105/2001 não se submete ao princípio da irretroatividade das leis tributárias, porque trata de normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. Com efeito, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei Complementar 105/2001, por envergar essa natureza, legitima a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores. (REsp 1134665/SP, Rel Luiz Fux, PRIMEIRA SEÇÃO, j 25/11/2009, sob a sistemática dos Recursos Repetitivos) P: Exige-se a autorização judicial para que se operacionalize a quebra de sigilo bancário por parte dos agentes fiscais tributários? R: A LC nº 105/2001 dispensa tal autorização judicial. No art. 6º estabelece que as autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Portanto, pela letra da lei, basta que haja um procedimento administrativo instaurado para que a autoridade fiscal possa diretamente requisitar tais dados protegidos por sigilo. Todavia, a questão não é pacífica. O STF, embora não tenha se pronunciado em controle concentrado, já entendeu que apenas o Poder Judiciário, como órgão equidistante, poderia autorizar a revelação de tais informações bancárias. (RE 389808, Rel. Min. Marco Aurélio, Pleno, j15/12/2010, DJe 09-05-2011). Portanto, pode-se dizer que há precedente do STF que entende pela reserva de jurisdição em relação à matéria. Cumpre assinalar a doutrina de Paulsen (2012) segundo a qual o sigilo bancário não constitui um valor em si, tendo cunho meramente instrumental, só se justificando em função da proteção dos verdadeiros direitos fundamentais consagrados constitucionalmente. Não ostenta, de modo algum, caráter absoluto. Para o autor, no caso da LC 105/2001 não haveria propriamente uma quebra de sigilo, mas apenas uma transferência de sigilo, pois o Fisco manteria as informações recebidas sob a proteção do sigilo fiscal (art. 198 do CTN). P: O TCU tem legitimidade para requisitar diretamente informações que importem quebra de sigilo bancário? R: Não. Por mais relevantes que sejam suas funções institucionais, o TCU não está incluído no rol dos que poderiam ordenar a quebra de sigilo bancário (Lei 4.595/64, art. 38 e LC 105/2001, art. 13). Por tais normas (Lei 4.595/64 e LC 105/2001) implicarem restrição a direito fundamental (CF, art. 5º, X: “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”), devem ser interpretadas restritivamente. (MS22934/DF, Rel Min. Joaquim Barbosa, j 17.4.2012) P: É possível a permuta de informações da Fazenda Pública da União com Estados Estrangeiros? R: Sim. O art. 199, parágrafo único, do CTN (acrescentado pela LC nº 104/2001) estabelece que a Fazenda Pública da União, na forma estabelecida em tratados, acordos ou convênios, poderá permutar informações com Estados estrangeiros no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos. P: Qual o conceito de dívida ativa? R: Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente inscrita na repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo regular. (art. 201, CTN). O objeto da inscrição do crédito tributário como dívida ativa é possibilitar futura execução fiscal, a qual será aparelhada com a certidão de dívida ativa – CDA, que é classificada como título executivo extrajudicial. P: Exige-se a notificação do Sujeito Passivo da inscrição em dívida ativa? R: Não se exige a notificação da inscrição em dívida ativa, porque não há previsão legal nesse sentido. Ademais, o Sujeito Passivo já teria tido direito ao contraditório administrativo quando da notificação do lançamento. (Paulsen, 2012) P: Eventual nulidade de certidão de dívida ativa decorrente da ausência de dados que deveriam dela constar pode ser sanada? R: Até decisão de 1º grau (sentença de embargos), o Exequente pode, através do órgão apropriado, promover o cancelamento da certidão nula e a lavratura de nova certidão, sem os vícios formais da anterior, solicitando, nos autos da execução, a substituição da primeira pela segunda (art. 203 do CTN). Desse modo, a execução fiscal prosseguirá com base na CDA substituta. Trata-se de faculdade da Fazenda Pública. Conforme a Súmula 392 do STJ, A Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do sujeito passivo da execução. P: O fato do crédito tributário estar sub judice dá ao contribuinte o direito à Certidão Positiva com Efeitos de Negativa? R: Não. As hipótese de concessão de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa estão taxativamente previstas no art. 206 do CTN, quais sejam: a) créditos tributários ainda não vencidos; b) créditos que estão em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora; c) os créditos que estão com exigibilidade suspensa (art. 151 do CTN). Como a mera discussão judicial não é causa de suspensão do crédito tributário, não há que se falar em direito à emissão de certidão de regularidade fiscal na hipótese. P: Ato administrativo pode condicionar a prática de atos à ostentação de certidão para casos em que a lei assim não exige expressamente? R: Não. Tais atos administrativos serão inquinados de invalidade, porque apenas a lei poderá exigir a apresentação de certidão negativa, conforme interpretação do art. 205, caput, do CTN (Paulsen 2012). Deve haver ainda proporcionalidade e razoabilidade na exigência. P: Empresa Y declarou, na GFIP (Informações à Previdência Social), valor a ser recolhido a título de contribuição previdenciária, de tributo sujeito a lançamento por homologação. Todavia, não recolheu o valor devido. Após negativa de expedição de certidão de regularidade fiscal, impetrou mandado de segurança com este fim. Pergunta-se: a) Assiste razão à Empresa Y? b) Se não houvesse sido entregue às informações do GFIP teria direito à certidão negativa? R: Não assiste razão à Empresa Y. Desde a declaração do tributo sujeito a lançamento por homologação, tem-se por constituído o credito tributário, sendo dispensada qualquer outra providencia por parte do Fisco (Súmula 436 do STJ). Nessa linha, o STJ entende que declarado e não pago o tributo pelo contribuinte é legítima a recusa de certidão negativa ou de positiva com efeitos de negativa, nos termos da Súmula 446. Ressalte-se que o descumprimento de obrigação acessória de informar mensalmente ao Fisco, mediante entrega do GFIP, sobre os dados relacionados aos fatos geradores da contribuição previdenciária, é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito (artigo 32, IV e § 10 da Lei 8212/91), conforme a jurisprudência do STJ sedimentada sob o rito dos recursos repetitivos. (REsp 1042585/RJ, FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, j 2010) P: É possível a expedição de Certidão Negativa em nome de estabelecimento integrante de grupo econômico, que tenha CNPJ individual, em caso de irregularidade de algumas das filiais? R: Com base no princípio da autonomia de cada estabelecimento comercial (art. 127, I, do CTN), para o STJ (AgRg no AREsp 192.658-AM, j2012), é possível a expedição de certidões negativas de débito ou positivas com efeitos de negativas em nome de filial de grupo econômico, ainda que existam pendências tributárias da matriz ou de outras filiais, desde que possuam números de CNPJ diferentes. Isso porque cada empresa é identificada como contribuinte pelo número de sua inscrição no CNPJ, que “compreende as informações cadastrais de entidades de interesse das administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios”, de modo que registros de CNPJ distintos caracterizam a autonomia patrimonial, administrativa e jurídica de cada um dos estabelecimentos. Portanto, admite-se a expedição de CND individual. 13. Sistema Tributário Nacional: princípios gerais; limitações do poder de tributar. Eduardo (esbucci@gmail.com) P: A cobrança de tributos é a máxima expressão da prevalência do interesse público sobre o interesse privado. Explique qual é a relação Estado-contribuinte e os princípios que a balizam. R: A relação jurídico-tributária não é uma relação de poder, mas sim uma relação jurídica, em que o direito institui regras para disciplinar a interferência que o poder de tributar gera sobre o direito de propriedade. Desta maneira, tal poder não é ilimitado, já que inserto dentro de um Estado democrático de direito. Por sua vez, os princípios que regem tal baliza é o da legalidade (apenas com base em lei é possível a cobrança pelas entidades tributantes ou impositoras (União, Estados, Municípios e DF). Não se confunde com a capacidade tributária ativa, que é um poder administrativo e delegável de arrecadação e fiscalização do tributo a outros entes, como os parafiscais (ex.: conselhos de fiscalização profissional). No plano da classificação, a competência tributária pode ser privativa, residual, extraordinária, cumulativa ou comum [PRECC]. - Privativa: refere-se aos campos competenciais privativamente demarcados na Constituição para a instituição de tributos. Ex.: art. 153 (impostos federais – U); art. 155 (impostos estaduais – E); art. 156 (impostos municipais – M). - Residual: poder político da União para criar dois tributos: o imposto residual (art. 154, I, CF) e a contribuição social-previdenciária residual (art. 195, § 4º, CF). É exercida através de LC. - Extraordinária: é o poder da União de criar o imposto extraordinário (art. 154, II, CF). - Cumulativa ou múltipla: é o poder político de instituição de tributo que cabe ao DF e aos territórios (art. 147 CF). Ao DF competem os impostos estaduais e municipais. Nos territórios, à União competem os impostos federais, estaduais e os municipais (se o território não for dividido em municípios). - Comum: é o poder político de instituição das taxas e contribuições de melhoria. É o contraponto da competência privativa. Portanto, a CF/88 delimita exaustivamente a competência tributária, não cabendo à legislação infraconstitucional a sua modificação. 2. Direito tributário: conceito, fontes e princípios; relações entre o Direito Tributário e o Direito Privado. Yuri Excalibur (yuri.excalibur@gmail.com) P: Conceitue Direito Tributário. R: Hodiernamente, o Direito Tributário pode ser conceituado ramo do direito público que estabelece as relações jurídicas entre o Estado (sujeito ativo) e o particular (sujeito passivo) surgidas em razão da atividade financeira do Estado (AFE), mormente no que tange a criação, arrecadação e a extinção do tributo. P: O Direito Tributário pode ser considerado Público, Obrigacional e Comum? R: No concurso de Juiz Federal –TRF 1ª Região- foi considerada correta a assertiva que afirmava: O Direito Tributário é público, obrigacional e comum. Público – decorre de uma relação jurídica travada entre o Estado e o Particular; Obrigacional – a relação jurídica trava pelo Estado tem como objeto uma prestação positiva ou negativa, logo, obrigacional; Comum – as normas que regem a matéria se aplicam de forma geral e objetiva, não se consubstanciando em normas de exceção. P: Existe autonomia jurídica entre o Direito Tributário e o Direito Financeiro? R: A autonomia legal do Direito Tributário é consagrada expressamente no artigo 24, I, da CRFB/88, que estabelece competir a U, E, DF e M legislar concorrentemente sobre Direito Tributário. Não se pode negar que Direito Tributário surgiu como apêndice do Direito Financeiro, afinal este tem como objeto de estudo os princípios e regras da atividade financeira do Estado. Nesse sentido, pode-se dizer o Direito Financeiro estuda o ORÇAMENTO, A RECEITA PÚBLICA, A DESPESA PÚBLICA E O CRÉDITO PÚBLICO. Todavia, em razão da abrangência da matéria, verificou-se a necessidade de criação do Direito Tributário, ramo do Direito Público, que passou a disciplinar uma parte da RECEITA PÚBLICA (receitas derivadas corrente - tributo). P: Classifique as fontes do Direito Tributário? R: A primeira classificação quanto às fontes pode ser distinguida em: (i) fontes materiais ou reais; (ii) fontes formais – principais e acessórias- e (iii) fontes informais. A segunda classificação apontada pela doutrina consubstancia em: (i) fontes primárias e (II) fontes secundárias. Vamos a elas. As fontes materiais (ou fontes reais), segundo Ruy Barbosa Nogueira, são os fatos de natureza econômica que servem de suporte às imposições tributárias, ou seja, os “pressupostos de fato da incidência ou fatos imponíveis”. Ex.: patrimônio, renda, produção e circulação de riquezas. São as bases econômicas. As fontes formais são as normas jurídicas que compõe o ramo do Direito Tributário. Encontram-se previstas no art. 96 do CTN, dizem respeito ao modo pelo qual as normas jurídicas são exteriorizadas. Podem ser classificadas em: Principais: CF; EC; LC; Tratados e Convenções Internacionais; Leis Ordinárias; Leis Delegadas; MP; Decretos Legislativos; Resoluções; Convênios do ICMS (Confaz); Decretos Regulamentares. Acessórias: são as normas complementares previstas no art. 100 do CTN, a saber – atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; decisões de órgãos singulares ou coletivos, a que a lei atribuía eficácia normativa; praticas reiteradamente observada pelas autoridades administrativas; convênio celebrados pela U, E, DF e M. Informais: Doutrina e Jurisprudência (segundo alguns autores, como ROSA JÚNIOR e Sabbag, não são fontes); A segunda classificação, apontada pela doutrina, divide os atos normativos em Primários (fontes primárias) e Secundários (fontes secundárias). Os atos normativos primários correspondem a todas as espécies legislativas que retiram seu fundamento de validade da CRFB/88, a saber: Lei Constitucional; EC; LC; Tratados e Convenções Internacionais; Leis Ordinárias; Leis Delegadas; MP; Decretos Legislativos; Resoluções; Convênios do ICMS (Confaz). Os atos normativos secundários são todos os preceitos gerais e abstratos que retiram seu fundamento de validade indiretamente ou mediatamente da CRFB/88, a saber: Decretos Regulamentares; Normas Complementares do art. 100 do CTN. Observação: os Decretos Regulamentares são classificados como Fontes Formais Principais, todavia não são atos normativos primários. P: Quais os Princípios Constitucionais Tributários ligados à segurança jurídica? Fale sobre eles. A segurança jurídica exige, na maior medida possível, formalidade, previsibilidade e conhecimento prévio razoável das normas tributárias vigentes. Assim, merecem destaque os seguintes princípios: Princípio da Legalidade: Tem previsão expressa no art. 150, I, da CRFB/88. Os tributos devem ser criados ou aumentados por lei prévia, evitando-se assim, abuso por parte do Estado. Parte-se da premissa que o povo tributa a si mesmo (Princípio da Representação Popular). Em regra, os tributos podem ser criados ou aumentados via Lei Ordinária (ou instrumento equivalente, ex vi, Medida Provisória), salvo quando existir norma constitucional impondo a via legislativa complementar (Imposto sobre grandes fortunas, Empréstimos Compulsório, Imposto Residuais da União e Contribuições Sociais Residuais). Segundo parte da doutrina, o princípio da tipicidade está expresso igualmente no art. 150, I, da CRFB/88. Nesse sentido, diz-se que a legalidade tributária faz referência ao veículo legislativo, enquanto a tipicidade dirige-se ao conteúdo material da norma tributária (aspecto material, aspecto espacial, aspecto temporal, aspecto pessoal e aspecto quantitativo). O art. 97 do CTN concretiza a tipicidade tributária. Devemos lembrar sempre que a obrigação tributária principal (pagar quantia), seja ela decorrente de tributo, seja ela decorrente de multa, submete-se ao campo da reserva legal. Noutro lado, a obrigação tributária acessória (fazer, não fazer) não exige Lei específica, bastando ato normativo infralegal. As exceções, mitigações ou atenuações ao princípio da legalidade correm por conta dos seguintes tributos: (i) II, IE, IPI, IOF – “aumentar ou reduzir nos limites estabelecidos em Lei” (ii) Cide - Combustível – “reduzir ou restabelecer nos termos da Lei”; (iii) Icms – Combustível – “reduzir ou restabelecer nos termos da Lei/Confaz”. Princípio da Irretroatividade: Previsto no art. 150, III, “a”, da CRFB/88. Atua no plano da vigência. A Lei impositiva tributária deve abranger apenas situações geradoras da obrigação tributária (aspecto material) após a sua edição, não devendo abranger fatos pretéritos[1], salvo as leis puramente interpretativas, bem como as leis tributárias penais mais benéficas. Ressalte-se que para o STF (súmula 584) a irretroatividade de tributos), isonomia (os iguais devem ser tratados igualmente – noção horizontal -, e os desiguais de forma desiguais com a finalidade de diminuir a desigualdade – noção vertical), irretroatividade (não é possível atingir fatos ocorridos antes da promulgação da lei), anterioridade (a regra é de que só pode ser cobrado o tributo no exercício financeiro seguinte a sua instituição e, também, apenas após 90 dias), não confisco (efeito de confisco é aquele cobrado de forma exagerada, já que o confisco é punição; é aferido em relação à totalidade da carga tributária de um mesmo ente político que houver instituído), liberdade de tráfico (exceto o ICMS-interestadual e o pedágio), e em relação aos impostos (o STF já chegou a estender às taxas) o da capacidade contributiva (a cobrança deve ser proporcional à manifestação de riqueza objetivamente externada atendendo-se à justiça tributária) P: A Constituição Federal veda que os entes da federação exijam ou aumentem tributos sem lei que o estabelece. A União Federal, por meio de decreto, extingue o Imposto sobre a Renda. O contribuinte está desonerado deste tributo? R: Não. Em que pese a literalidade da Constituição ao condicionar a exigência ou aumento por lei, o princípio do paralelismo das formas impõe que um instituto jurídico só possa ser alterado ou extinto por meio de ato análogo ou superior à sua criação. Desta feita, deverá ser cobrado tal tributo do contribuinte em face da inexistência de alteração eficaz para desonerá-lo. P: O Presidente da República, por meio de decreto, atualizou o valor monetário da base de cálculo do IR. Incorreu em inconstitucionalidade por afronta ao princípio da legalidade? R: Não, pois a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo e a fixação do prazo para recolhimento não se sujeitam à reserva da legalidade, já que não se encontram no rol taxativo do art. 97 do CTN. P: Por meio de medida provisória houve a majoração da contribuição para o financiamento da previdência social. A partir de quando começará a surtir efeitos? R: As alterações em contribuições sociais por medida provisória tem como referência a data de sua publicação e não de sua conversão em lei para surtir efeito no próximo exercício financeiro, já que este requisito é exclusivo dos impostos. Salienta-se, também, que a regra para os impostos não se aplicam aos de caráter extrafiscal, como o II, IE, IPI, IOF e IEG, contando-se a partir da publicação da MP. P: É possível que o Poder judiciário, a pretexto de aplicação do princípio da isonomia, estenda benefício fiscal? R: Não. Ao judiciário é vedado a extensão de benefício fiscal a contribuinte não albergado pela lei, pois vige o princípio da legalidade na criação de tal benefício, bem como na necessidade de interpretação restritiva de tal norma, conforme o CTN, além de implicar em quebra das regras orçamentárias, mormente pela veiculada pela Lei de Responsabilidade Fiscal, em que propugna a existência de medidas compensatórias quando houver desoneração fiscal. P: A doutrina costuma classificar a CSLL como tributo de fato gerador complexivo. À luz da jurisprudência do STF, a lei que majore tal contribuição no dia 02 de outubro, portanto, 90 dias antes do dia 31 de dezembro, poderá ser aplicada aos fatos ocorridos desde o início do ano se o fato gerador ocorrer em 31 de dezembro? R: Em que pese a doutrinar classificar a CSLL e o IR como complexivo, na verdade seus fatos geradores são instantâneos, isto é, vale a situação que existir na data da ocorrência do fato gerador. No caso da CSLL é no dia 31 de dezembro, portanto, os eventos ocorridos anteriormente apenas somam-se para efeitos globais de aferição, inexistindo retroatividade. (Conferir o AI-AgR-ED 333.209, STF: ´se o fato gerador da obrigação tributária relativa à contribuição social reputa-se ocorrido em 31 de dezembro, conforme a orientação do STF, a lei que estea em vigor nesta data é aplicável imediatamente, sem contrariedade ao art. 5° XXXVI, CF) (Lembrar também da controvérsia de que a lei que será aplicada ao IR é aquele vigente no momento da apresentação da declaração pelo contribuinte – posição do STF. Já o STF entende que a lei vigente será a do dia 31 de dezembro) P: O Presidente da República, em sede de tratado internacional, concede isenta determinado tributo estadual. Houve a internalização deste tratado por meio de decreto legislativo, sendo posteriormente, após sua ratificação, publicado por meio de decreto presidencial. Trata-se de isenção heterônoma inconstitucional? R: O Presidente da República, quando firma tratado internacional, atua como Chefe de Estado, em nome da República, e não em nome da União. Assim, ele tem competência para desonerar determinado fato de tributos estaduais e/ou municipais. Há controvérsia se existiria de fato a chamada isenção heterônoma ou não, pois a atuação internacional é em nome, também, dos Estado e Municípios, contudo, esta divergência de nomenclatura não influencia na constitucionalidade do referido ato. P: Diferencie não incidência, isenção e alíquota zero. R: Não incidência abrange a hipótese de que o ente pode tributar determinada hipótese, mas não o faz porque não quer ou porque não tem competência, ou não pode tributar por impedimento, que é a chamada imunidade (delimitação da competência). Já isenção é a dispensa legal do pagamento (exercício da competência). Por fim, a alíquota zero há a tributação, mas a obrigação tributária dela decorrente é zero. P: As imunidades recíprocas podem ser estendidas às empresas públicas e sociedades de economia mista? R: O STF, no RE 407.0999 (ECT) e AC 1.550-2 (CAERD), definiu que as imunidades recíprocas podem ser estendidas às empresas públicas e sociedades de economia mista apenas quando prestadoras de serviços públicos de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, além de que a participação privada, no caso das SCM, deve ser ínfima (RE 253.472 – CODESP). Em todo o caso, restringe-se à propriedade, bens e serviços utilizados na satisfação dos objetivos institucionais imanentes do ente federado, não deve beneficiar atividades de exploração econômica, destinadas primordialmente a aumentar o patrimônio do Estado ou de particulares, e não deve ter como efeito colateral relevante a quebra dos princípios da livre concorrência e do exercício de atividade profissional ou econômica lícita. P: As imunidades recíprocas, de templos religiosos, culturais e de partidos políticos, sindicatos de trabalhadores e entidades educacionais e assistenciais sem fins lucrativos incidem em qual espécie tributária? R: Apenas nos impostos, não atingindo todas as outras. 14. Impostos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Repartição das receitas tributárias. Imunidades: hipóteses e regulamentação. Vanessa (vscarpamota@yahoo.com.br) P: Fale sobre o aspecto material da hipótese de incidência do imposto sobre importação (II): R: O aspecto material da hipótese de incidência do Imposto sobre a Importação é a entrada do produto estrangeiro, ou seja, de qualquer bem produzido no exterior, pela natureza ou pelo homem, não estando restrito aos produtos destinados ao comércio (mercadorias), aos produtos industrializados, tampouco a produtos corpóreos, mas alcançando, sim, produtos para a incorporação no ativo fixo das empresas ou consumo pelo importador, produtos naturais, bem como eventuais produtos intangíveis, como software e energia elétrica (CTN, art.19). O DL 37/66, no §1º do art.1º estende o aspecto material da hipótese de incidência do imposto de importação alcançando também a mercadoria nacional ou nacionalizada que retorne ao país (“para fins de incidência do imposto, considerar-se-á também estrangeira a mercadoria nacional ou nacionalizada exportada, que retornar ao país, salvo se enviada em consignação e não vendida no prazo; devolvida por motivo de defeito técnico; por motivo de modificações no sistema de importação; por motivo de guerra ou calamidade ou por fatores alheios à vontade do exportador). P: Como o DL 37/66 disciplina a incidência do II no caso de mercadoria importada cuja falta seja percebida pela autoridade aduaneira? E no caso de perda de parte do produto importado? R: Segundo os §§2º e 3º do art.1º do DL 37/66, considera-se entrada no território nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. Neste caso, a falta ou ausência do produto não afasta a incidência do imposto. O importador deverá recolher o imposto, sem prejuízo da incidência de multa. Já, em se tratando de perdas decorrentes do manuseio de produtos na importação de granéis, a diferença inferior a 5% é desconsiderada, eis que dentro do percentual de tolerância estabelecido pelo DL 37/66. P: O II incide na situação em que o produto é submetido à pena de perdimento? R: Nessa hipótese, inviabilizada estará a sua incorporação à economia nacional, de modo que a importação não chega a ser concluída, não configurando fato gerador do imposto de importação, nos termos do art.1º, §4º, III do DL 37/66: “o imposto não incide sobre mercadoria estrangeira que tenha sido objeto de pena de perdimento”. P: Fale sobre o aspecto temporal da hipótese de incidência do II: R: O fato gerador do imposto de importação considera-se ocorrido quando do registro da declaração de importação para fins de desembaraço aduaneiro, de modo que dá ensejo à incidência da legislação vigente naquele momento, já que este imposto não se submete às anterioridades de exercício e nonagesimal. P: Quem é a pessoa do “importador”, referida no DL 37/66 (é contribuinte do imposto o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira do Território Nacional)? R: O importador é qualquer pessoa física ou jurídica, sociedade empresária ou sociedade simples, que realize ou em nome de quem seja realizado o ingresso da mercadoria estrangeira no território nacional, não se restringindo ao importador como categoria profissional. P: Qual finalidade prepondera no imposto sobre a importação? R: finalidade extrafiscal. Como instrumento de política econômica, presta-se para atender às oscilações do mercado internacional. As alíquotas são aumentadas quando se deseja diminuir as exportações e diminuídas quando, ao contrário, é aconselhável, politicamente, a abertura do comércio exterior. Por vezes, é utilizado para corrigir distorções socioeconômicas nacionais, socorrendo determinada área, com a criação de zonas de livre comércio ou zonas francas. O objetivo político é propiciar a condução de recursos e surgimento de empreendimentos para áreas que, dificilmente, despertariam maior interesse econômico. P: Suponha que a alíquota do imposto sobre a importação tenha sido alterada por meio de decreto. Essa alteração viola o princípio da legalidade? E se o mesmo ocorresse com a base de cálculo desse imposto? R: A alteração da alíquota do imposto sobre a importação por meio de decreto expedido pelo Poder Executivo não viola o princípio da legalidade tributária. O Poder Executivo, ao manejar as alíquotas do imposto de importação, está adstrito aos limites mínimo e máximo já estabelecidos em lei. Essa possibilidade decorre nitidamente do caráter extrafiscal do imposto de importação, tanto que a Constituição Federal, no §1º do artigo 153, faculta ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V – II, IE, IPI, IOF, respectivamente. Note-se que a CF apenas autoriza a alteração das alíquotas do imposto sobre a importação por meio de decreto, não alcançando a sua base de cálculo. Esta somente poderá ser majorada mediante lei, em estrita observância ao princípio da legalidade, nos termos do artigo 150, I da CF e artigo 9º, I do CTN. P: Policarpo importou um veículo sob a vigência da lei X, a qual previa a incidência do imposto de importação a uma alíquota de 65%. Ocorre que, entre a importação e a chegada do bem ao país e seu respectivo desembaraço aduaneiro, houve alteração da alíquota do imposto pela Lei Y, passando a ser de 70%. Policarpo deverá recolher o imposto de importação calculado com base na alíquota prevista na lei X ou na Lei Y? Explique, considerando a jurisprudência do STJ. R: O fato gerador do Imposto de Importação ocorre por ocasião do registro da declaração de importação, momento em que se dá o desembaraço aduaneiro da mercadoria, e não com a simples entrada física desta no território nacional. O desembaraço aduaneiro completa a importação e, consequentemente, representa, para efeitos fiscais, a entrada no território nacional. Se no momento do desembaraço aduaneiro (momento da ocorrência do fato gerador), a lei vigente era a lei Y, a alíquota aplicável ao caso será aquela que está nela prevista – 70%. Neste sentido é o entendimento do STJ: AgRg no Ag 1155843 / RJ. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALÍQUOTA. VEÍCULOS AUTOMOTORES. DECRETOS 1.391/95 E 1.427/95. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. 1. "É pacífico nesta Corte, a qual acompanha o posicionamento do Pretório Excelso, que o fato gerador da exação em tela ocorre no momento do registro da declaração de importação do bem na aduana, obviamente após a chegada da mercadoria no território nacional" (REsp 157.162, Min. Castro Meira, DJ de 01.08.05). 2. A alíquota constitui um dos componentes do critério quantitativo da regra-matriz de incidência da exação e, como tal, deve ser aferida no momento em que há a materialização de tal hipótese de incidência, isto é, em que ocorre o fato gerador. 3. Aplica-se o Decreto 1.427/95, que estabelecia a alíquota de importação para os veículos no percentual de 70%, sem manter a ressalva do art. 3º do Decreto 1.391/95, norma revogada ao tempo da ocorrência do fato gerador. Precedentes. P: É possível a majoração do imposto de importação por meio de medida provisória? A partir de que momento poderá ser exigido o imposto de importação majorado por meio de medida provisória? R: A medida provisória é instrumento hábil para instituir ou majorar impostos. Na dicção do artigo 62,§2º da CF, com a redação dada pela EC 32, medida provisória que implique a instituição ou majoração de impostos, exceto II, IE, IPI, IOF e imposto extraordinário, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. Assim, os impostos sujeitos ao princípio da anterioridade só podem ser cobrados a partir do exercício seguinte se a medida provisória houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. Como o imposto de importação não se sujeita ao princípio da anterioridade tampouco ao princípio da noventena, dada a sua finalidade preponderantemente extrafiscal, os efeitos da medida provisória que o tiver majorado se produzirão imediatamente. P: O imposto de importação está sujeito a que princípios constitucionais tributários? Ele constitui exceção a algum princípio? R: O imposto sobre a importação submete-se aos princípios da legalidade (para alguns de forma mitigada, dada a possibilidade de alteração das alíquotas mediante ato do Poder Executivo – art.153, §1º, CF); irretroatividade (art.150, III, a, CF); sendo exceção aos princípios da anterioridade (art.150, §1º, CF) e anterioridade nonagesimal (art.150,§1º, CF). P: O artigo 19 do CTN prevê a ocorrência do fato gerador do imposto de importação no momento da entrada do produto estrangeiro no território nacional. O artigo 23 do Decreto-lei 37/66, por sua vez, estabelece que, em se tratando de mercadoria despachada para consumo, o fato gerador ocorre na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração apresentada pelo importador. Há incompatibilidade entre o CTN e o Decreto-lei 37/66? Qual o entendimento de nossos tribunais superiores? R: Na importação de mercadorias para o consumo, o fato gerador ocorre no momento do registro da declaração de importação na repartição aduaneira. Tanto o STF quanto o STJ já proclamaram a compatibilidade da regra do art.23 do DL 37/66 com o art.19 do CTN, sendo considerado o fato gerador do imposto de importação a entrada da mercadoria no território brasileiro, ocorrido no momento do registro da declaração de importação da repartição aduaneira, nos termos do art.23 do DL 37/66, combinado com o art.19 do CTN. REsp 1016132 / SP. (...) 2. Deveras, "o Supremo Tribunal Federal que, no julgamento da ADINnº 1293-DF, manifestou-se, in verbis: 'O imposto de importação tem como fato gerador a entrada de produtos estrangeiros no território (CTN-66, art. 19). Tratando-se de mercadoria despachada para consumo, considera-se ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição competente, da declaração apresentada pelo importador (DEL-37/66), art. 23 c/c art. 44), sendo irrelevante para esse efeito específico, a data da celebração do contrato de compra e venda ou a do embarque ou a do ingresso no país de mercadoria importada.' (...)Seguindo essa mesma linha de orientação, o STJ assim tem se pronunciado: '- No caso de importação de mercadoria despachada para consumo, o fato gerador, para o imposto de importação, consuma-se na data do registro da declaração de importação. - Precedentes do STJ e STF' (REsp 121617/HUMBERTO); '- O STF já proclamou inexistir incompatibilidade do art. 19 do CTN com os arts. 23 e 24 do D.L. 37/66 (...)”. P: Fale sobre o aspecto material da hipótese de incidência do Imposto sobre a Exportação: R: O aspecto material do IE é a exportação para o exterior, assim considerada a saída do produto nacional ou nacionalizado para fins de incorporação à economia interna de outro país (art.23, CTN). Importa a saída material do produto nacional ou nacionalizado para outro País, qualquer que seja o objetivo da remessa, independentemente do negócio jurídico que motivou a saída, seja compra e venda doação ou empréstimo. As saídas de produtos que tenham ingressado em regime de admissão temporária ou de produtos que devam retornar ao país não configuram propriamente uma exportação, não incidindo o IE nessa hipótese. Entenda-se por produto tanto a mercadoria, com destinação comercial, com outros bens para consumo, incorporação ao ativo fixo, além de abranger tanto os produtos da ação humana como os da própria natureza. Por nacionais entendam-se os produtos produzidos no território nacional, e, por nacionalizados, aqueles que tenham sido importados para o território nacional, os quais, uma vez desembaraçados, consideram-se nacionalizados. P: Em que momento pode-se considerar ocorrido o fato gerador do imposto de exportação (aspecto temporal da hipótese de incidência)? R: O fato gerador do IE considera-se ocorrido na data do registro de exportação do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX) (art.213 e parágrafo único do Decreto 4543/2002). P: A empresa KLB, fabricante de biquínis, vendeu peças de sua próxima coleção de verão para a empresa francesa K&W, sediada em Paris. Quando do registro da venda dos biquínis, vigorava a Lei Y que estabelecia alíquota de 2% para a mercadoria. Ocorre que, por ocasião do registro da declaração de exportação no SISCOMEX, houve alteração da alíquota pelo Decreto Z, passando a mesma a ser de 5%. A empresa KLB pretende recolher o imposto com base na alíquota vigente quando do registro da venda. Está correta a atitude da empresa? Qual o posicionamento do STF quanto ao tema? R: A atitude da empresa KLB está incorreta. O fato gerador do IE ocorre no momento do registro da declaração de exportação no SISCOMEX, de modo que dá ensejo à incidência da legislação vigente naquele momento, já que este imposto não se submete às anterioridades de exercício e nonagesimal. A data do registro da venda é irrelevante para fins de se determinar o momento da ocorrência do fato gerador do imposto de exportação. Nesse sentido o entendimento do STF: RE 234954 AgR / AL. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. SISTEMA INTEGRADO DE COMÉRCIO EXTERIOR - SISCOMEX. Exportação. Registro no sistema integrado de comércio exterior - SISCOMEX. Fato gerador. Ocorrência antes da edição das Resoluções 2112/94 e 2136/94, que majoraram a alíquota do tributo. Impossível a retroatividade desses diplomas normativos para alcançar as operações de exportação já registradas. Precedentes. Agravo regimental não provido. P: Quem é o contribuinte do IE (aspecto pessoal da hipótese de incidência)? R: Segundo o CTN, contribuinte do imposto é o exportador ou quem a lei a ele equiparar. O DL 1578/77 elege como contribuinte do IE o exportador, assim considerado qualquer pessoa que promova a saída do produto do território nacional. O termo exportador não está a indicar uma categoria profissional, mas qualquer pessoa física ou jurídica, comerciante ou não, praticar com habitualidade ou esporadicamente o ato de exportar. P: Diferencie exportação direta da exportação indireta: R: Na exportação direta, o estabelecimento industrial ou produtor emite nota fiscal de venda endereçada diretamente ao destinatário no exterior, com base em contrato. Na exportação indireta, por sua vez, o produtor emite nota fiscal de venda para um destinatário comprador, dentro do próprio País (Brasil). Este destinatário funciona como um interveniente comercial que efetuará a venda do produto, com a respectiva emissão da nota fiscal de venda, para o comprador no exterior. P: A CSLL (contribuição social sobre o lucro líquido) está abrangida pela imunidade constante do artigo 149, §2º da CF (imunidade de contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação)? Qual o entendimento do STF a respeito do tema? R: O artigo 149, §2º da Constituição Federal estabelece imunidade de contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação. O art.149, §2º da CF deve ser interpretado juntamente com o artigo 195, também da CF, que traz normatização própria para as contribuições sociais de seguridade social. Como se sabe, contribuição social é gênero que se subdivide em duas espécies: contribuições sociais gerais e de seguridade social. Se a imunidade concedida no artigo 149, §2º da CF alcançasse também as contribuições sociais de seguridade social, ela deveria ter sido prevista no artigo 195 da CF. Assim, as contribuições sociais a que se refere o artigo 149 da CF são as contribuições sociais gerais, e, não, as contribuições sociais de seguridade social. A própria Lei nº 10833/03, em seu artigo 6º, estabelece isenção de COFINS sobre as receitas decorrentes de exportação. Se a Lei estabeleceu isenção é porque a CF não abarca todas as contribuições sociais, mas apenas as contribuições sociais gerais. Lado outro, mesmo que se entendesse que o artigo 149, §2º CF também se estendesse às contribuições de seguridade social, aludida norma faz referência a “receitas” decorrentes de exportação. A CF prevê contribuição sobre a receita, o faturamento e o lucro. Apenas as contribuições sociais de seguridade social que adotem a receita como base de cálculo ou fato gerador podem ser protegidas pela imunidade. As únicas contribuições que adotam a receita como base de cálculo ou fato gerador são o PIS e a COFINS. Por isso, a CSLL não está abrangida pela imunidade do artigo 149, §2º, CF, já que seu fato gerador consiste em auferir lucro. O STF possui entendimento consolidado no sentido de que as receitas decorrentes de exportação não são imunes à incidência da CSLL, uma vez que a imunidade do art.149, §2º da CF não alcança o lucro das empresas exportadoras. P: Fale sobre o aspecto material da hipótese de incidência do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza: R: O fato gerador é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos pelo produto do trabalho, do capital ou de ambos (art.43, I e II, CTN). Renda e proventos de qualquer natureza deverão representar sempre um acréscimo de riqueza nova ao patrimônio, traduzida em valores líquidos. Para que haja disponibilidade econômica, basta que o patrimônio resulte economicamente acrescido por um direito, ou por um elemento material, identificável como renda ou proventos de qualquer natureza. A disponibilidade econômica não se confunde com a disponibilidade financeira. Enquanto a primeira se contenta com o simples acréscimo patrimonial, independentemente da efetiva existência dos recursos financeiros, a segunda pressupõe a existência física dos recursos em caixa. A disponibilidade jurídica, por seu turno, pressupõe que o adquirente tenha a titularidade jurídica da renda ou dos proventos que acrescem o seu patrimônio. Segundo o art.43 do CTN, para que ocorra o fato gerador basta que haja a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, não se exigindo que seja econômica e jurídica. P: Que princípios constitucionais se referem especificamente ao Imposto sobre a Renda? R: Os princípios da generalidade, da universalidade e pessoalidade (GUP), expressas no artigo 153, §2º, I, CF. O princípio da generalidade quer dizer que todos, indistintamente, são contribuintes, potenciais, ou de fato, do imposto. Por isso igualmente não se pode admitir classe de patrimônio, nem espécies de renda: todos os ganhos – todo acréscimo novo decorrente do ato de produção de renda – deve ser objeto de tributação, respeitado o critério da progressividade. Progressividade esta que exige variação positiva da alíquota à medida que há aumento da base de cálculo: quanto maior a base, maior a alíquota. A progressividade serve de instrumento para a tributação da renda conforme a capacidade contributiva. A universalidade, por fim, é critério que diz respeito à extensão da base de cálculo, que deve abranger quaisquer rendas e proventos auferidos pelo contribuinte, sem estabelecer distinções entre tipos de rendas para efeito de tributação diferenciada. P: O Imposto sobre a Renda é exceção a algum princípio constitucional tributário? R: O IR é exceção ao princípio da noventena, observando apenas a anterioridade de exercício (art. 150,§1º, CF) P: Em 18/07/2005 é publicada lei que majora a alíquota de imposto de renda de pessoas físicas de 27,5% para 30%. Entendendo que o contribuinte atingiu a referida faixa, no ano de exercício de 2006 a alíquota para o cálculo do imposto no ano base de 2005 será a de 27,5% ou 30%? Justifique. (pergunta e resposta: site advogados públicos) R: O fato gerador do IRPF é o último dia do ano civil, não havendo qualquer afronta à anterioridade, pois se a lei foi publicada em 18/07/2005, entraria em vigor em 01/01/2006, ou seja, estaria em vigor no exercício financeiro que se inicia em 01/01/2006, o da declaração. Em que pese o lapso temporal para caracterizar acréscimo ou descréscimo patrimonial ocorrer entre 01/01 e 31/12, somente há fato gerador em 31/12. Assim, o fato gerador do IR ocorre em 31/12 de cada ano e, se a lei foi publicada em 18/07, não há afronta à Irretroatividade, pois a lei nova foi editada antes da ocorrência do fato gerador. Também não há afronta à Anterioridade, pois somente será aplicada no exercício seguinte à sua publicação, qual seja, o ano-exercício de 2006. Esse é o entendimento do STF, perfilhado na Súmula 584 de sua jurisprudência: “ao imposto de renda calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração”. O fundamento do STF é no sentido de que o fato gerador se perfectibilizou em 31/12/2005, quando já publicada e em vigor a lei de julho de 2005. *Atualmente essa questão se encontra em Repercussão Geral no RE 592.396 RG/SP, bem como o julgamento pendente no RE 183.130/PR. Observação: o entendimento apresentado na resposta é controvertido na jurisprudência e na doutrina. Portanto, segue um breve resumo (também retirado do site advogados públicos) a respeito das diversas correntes a respeito do tema que envolve a questão: 1ª corrente (Majoritária e STJ): o IR possui fato gerador complexivo – cobrar tributo majorado no curso do ano-base é fazer letra morta do valor não-surpresa albergado pela Anterioridade – fere a Irretroatividade, pois a vigência material da lei só ocorre a partir de 01/01/2006, ou seja a vigência da lei nova é posterior à obrigação tributária - o art.105,CTN é inconstitucional pois viola a Irretroatividade. 2ª corrente: despreza a classificação doutrinária sobre fatos geradores – o fato gerador do IR é pendente - aplicação literal do art. 105, CTN – aplicação de mais de uma alíquota à mesma faixa no ano-base; 3ª corrente (Súmula STF, em que pese poder alterar seu entendimento, pois há Repercussão Geral e discussão de RE em curso): fato gerador do IR ocorre em 31/12/2005 – lei majorante de 18/07/2005 obedece literalmente Anterioridade pois estará em vigor no ano da declaração (2006) – Obedece à Irretroatividade pois a lei nova (07/2005) já está editada (crítica ao conceito de vigência adotado por esta corrente em razão do tratamento particular da CRB às leis tributárias que majorem ou criem tributos) quando da ocorrência do fato gerador (31/12/2005). P: Em relação ao Imposto de Renda, responda: o § 2 do art. 63 da Lei 8981/1995, atribui expressamente à Pessoa Juridica que distribui prêmios responsabilidade pela retenção do imposto na fonte. A Federação de Hipismo aututada por não reter o imposto de renda na fonte sobre os valores distribuídos em prêmio, manifesta defesa administrativa alegando ser indevida a autuação, pois em que pese o prêmio ter sido entregue em 15/03/1995, a autorização do sorteio ocorreu em 20/12/1994, ou seja, antes da edição da referida lei que somente ocorreu em 31/12/1994. Assim, tal cobrança afrontaria os Princípios da Anterioridade e Irretroatividade. A alegação feita pela Federação de Hipismo está correta? (site advogados públicos) R: O fato gerador do imposto de renda, na hipótese, considera-se ocorrido no momento da entrega ou distribuição do prêmio pela Federação de Hipismo. No caso, a entrega ocorreu na data de 15/03/95, ocasião em que ocorrido o fato gerador. Considerando que a edição da lei e deu em 31/12/94, e que o IR não se submete à noventena, mas apenas à anterioridade de exercício, a cobrança não afrontou o princípio da anterioridade, haja vista que o tributo somente foi exigido do contribuinte no exercício seguinte àquele em que publicada a lei que o instituiu (lei publicada em 31/12/94 e tributo exigido em março de 95); tampouco afrontou o princípio da irretroatividade, uma vez que o fato gerador do IR ocorreu após a vigência da lei que o instituiu (vigência da lei em 01/01/95 e fato gerador ocorrido em 15 de março de 95). Portanto, equivocada a alegação da Federação de Hipismo. P: Fale sobre o aspecto temporal da hipótese de incidência do IRPF e IRPJ: R: O fato gerador do IR é complexivo, o que exige a definição legal do momento m que se deva considerar como ocorrido o fato gerador. No IRPF, considera-se ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro do ano-calendário. Até 31 de abril do ano subsequente, verifica-se o IR efetivamente devido, compensando-se o montante que já foi objeto de adiantamentos mensais, apurando-se, então, o saldo a restituir ou a pagar. No IRPJ, tem-se o período de apuração trimestral, podendo a pessoa jurídica que pagar com base no lucro real, optar pelo período anual, com antecipações mensais. Sendo trimestral, considera-se ocorrido o fato gerador ao final de cada trimestre civil; no anula, em 31 de dezembro do ano calendário. P: Diferencie: lucro real, presumido e arbitrado. R: O lucro real é o resultado da apuração efetiva do lucro da pessoa jurídica. A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período-base. O lucro líquido assim obtido, sofre a incidência da lei tributária que prescreve certos ajustes – adições, exclusões ou compensações - , resultando no lucro real, base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. O lucro presumido e arbitrado são bases substitutivas da base de cálculo primária, que é o lucro real. No lucro presumido, a própria lei prevê duas bases de cálculo alternativas, em que a substituição de uma por outra depende apenas da vontade do contribuinte. No lucro arbitrado a lei prevê uma base de cálculo principal ou de primeiro grau e outra subsidiária, ou de segundo grau, que se substitui à primeira, não por opção do contribuinte ou do Fisco, mas por impossibilidade de aplicação da primeira. P: Pessoa física que obtém renda oriunda do exterior, sujeita-se ao IR? E a pessoa jurídica? R: O IR caracteriza-se pela extraterritorialidade por alcançar fatos geradores ocorridos não apenas no território nacional como também fora dele. Nesse sentido, os §§1º e 2º do artigo 43 do CTN (§1º: “a incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção”; §2º: “na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo”). Ademais, essa possibilidade decorre, inclusive, do critério da universalidade, previsto no art.153, §2º, I da CF. A Lei nº 9249/95, em seu art. 25, instituiu a extraterritorialidade do IR relativamente às pessoas jurídicas (“os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano”). Desse modo, tanto a pessoa física quanto a pessoa jurídica estarão sujeitos ao IR, caso obtenham renda oriunda do exterior. P: A CSLL compõe a base de cálculo do IRPJ? R: A CSLL compõe a base de cálculo do IRPJ. Isso porque a Lei nº 9316/96 define o que é lucro para efeito de incidência da CSLL, e não admite que seja deduzida do lucro líquido para efeito de determinação do lucro real (base de cálculo do IRPJ). Na dicção do artigo 1º da Lei nº 9316/96, o valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Os valores da CSLL, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo (parágrafo único, art.1º da Lei nº 9316/96). AgRg no REsp 1139547 / RS PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. IRPJ. LEGALIDADE. LEI 9.316/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ, SOB O RITO DO ART. 543-C, DO CPC. 1. A Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do REsp 1.113.159/AM, Rel. Min. Luiz Fux, sob o rito do art. 543-C, do CPC, decidiu: "o art. 1º, parágrafo único, da Lei 9.316/96 não tem qualquer ilegalidade/inconstitucionalidade, nem vulnera o conceito de renda disposto no art. 43 do CTN ao vedar a dedução do valor referente à contribuição social sobre o lucro líquido (CSSL) para apuração do lucro real, bem como para a identificação de sua própria base de cálculo". 2. Agravo regimental não provido. P: Há incidência do IR sobre os juros moratórios pagos em decorrência de decisão judicial no contexto de rescisão de contrato de trabalho? R: Regra geral, incide imposto de renda sobre juros de mora a teor do art. 16, parágrafo único, da Lei n. 4.506/64: "Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo". Jurisprudência uniformizada no REsp 1.089.720/RS. Contudo, o STJ aponta algumas exceções à regra da incidência sobre os juros de mora: 1) não incide imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes de verbas trabalhistas pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho consoante o art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88 (“ficam isentos do IR os seguintes rendimentos: a indenização e o aviso-prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do FGTS). Jurisprudência uniformizada no recurso representativo da controvérsia REsp 1.227.133/RS. 2) são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, conforme a regra do "accessorium sequitur suum principale". Jurisprudência uniformizada no REsp 1.089.720/RS. Portanto, como a questão trata de juros de mora decorrentes do atraso no pagamento de verbas trabalhistas, no contexto da rescisão do contrato de trabalho, sobre eles não haverá incidência do IR. P: E se os juros de mora forem pagos devido ao atraso no pagamento de verba indenizatória, fora do contexto de rescisão do contrato de trabalho (ex.: benefícios previdenciários pagos em atraso), incidirá IR? R: O Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento no sentido de que haverá a incidência do IR sobre os valores pagos a título de juros de mora, fora do contexto de rescisão do contrato de trabalho, ainda que se trate de verba indenizatória, conforme a dicção do artigo 16, parágrafo único, da Lei n. 4.506/64: "Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo". A hipótese enquadra-se, portanto, na regra geral. P: Os valores a serem pagos em razão de decisão judicial trabalhista que determina a reintegração do ex-empregado ao emprego sujeitam-se à incidência do IR? R: O STJ, no julgamento do REsp 1.142.177/RS, sob o regime do art.543-C do CPC, entendeu que tais valores assumem natureza remuneratória, atraindo a incidência do IR. Isso porque são percebidos a título de salários vencidos, como se o empregado estivesse no pleno exercício de seu vínculo empregatício. P: Incide IR sobre valores recebidos a título de dano moral? R: Segundo entendimento perfilhado pelo STJ, o imposto de renda não incide sobre o valor recebido a título de dano moral, visto inexistir qualquer acréscimo patrimonial em seu percebimento. Essa verba tem natureza indenizatória, de reparação do sofrimento e da dor causados pela lesão de direito e sentidos pela vítima ou seus parentes. P: Há incidência do IR sobre os valores recebidos pelo titular da propriedade objeto de desapropriação pelo Estado? R: Para o STJ, tais valores não sofrem a incidência do imposto sobre a renda, seja a desapropriação por utilidade pública, seja por interesse social. A natureza de tais valores é indenizatória, não representando acréscimo patrimonial. P: Fale sobre o aspecto material da hipótese de incidência do IPI: R: O IPI tem como fato gerador o desembaraço aduaneiro do produto industrializado, quando de procedência estrangeira; a sua saída do estabelecimento do importador, do industrial, do comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça ao industrial e ao importador; e, a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão (art.46, I a III, CTN). Note que incide sobre a operação com produtos industrializados, ou seja, sobre o negócio jurídico que tenha por objeto bem, ainda que não necessariamente destinado ao comércio (mercadoria), submetido por um dos contratantes a processo de industrialização. Pressupõe, pois, a industrialização e a saída do produto do estabelecimento industrial. Segundo dispõe o parágrafo único do art.46 do CTN, considera-se industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo, sendo irrelevante o fato de ser destinado ao comércio, à incorporação ao ativo fixo do adquirente ou qualquer outra finalidade. P: Em regra, quando se considera ocorrido o fato gerador do IPI? R: Em regra, o fato gerador do IPI considera-se ocorrido quando da saída do produto industrializado do estabelecimento do industrial. A Lei nº 4502/64 aponta outros momentos em que o fato gerador ocorre, como, por exemplo, na entrega ao comprador, quanto aos produtos vendidos por intermédio de ambulantes; no momento em que ficar concluída a operação industrial, quando a industrialização se der no próprio local de consumo ou de utilização do produto. P: Os descontos incondicionais compõem a base de cálculo do IPI? R: A questão encontra-se com repercussão geral reconhecida no RE 567935 RG / SC, com mérito ainda não julgado. O STJ, por sua vez, decidiu contrariamente à Fazenda Nacional no RESP 1.149.424/BA, julgado sob o regime do art.543-C do CPC, afastando a incidência do IPI sobre os descontos incondicionais, que não integram o preço final, porquanto a base de cálculo do imposto é o valor da operação da qual decorre a saída da mercadoria. Contudo, segundo o artigo 47 do CTN, a base de cálculo do IPI é o valor da operação. O artigo 14 da Lei nº 4502/64 define o que se entende por valor da operação, estabelecendo que não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente. Os descontos incondicionais são as parcelas redutoras do preço de venda do produto, abatidas do valor a ser efetivamente pago pelo comprador, sendo concedidos por mera discricionariedade do vendedor. Independe de qualquer ato do comprador em relação ao vendedor, por isso, incondicionais. Esse desconto integra o valor da operação, compõe a nota fiscal de venda do produto. O valor da operação não se confunde com o preço de venda do produto, com o que o vendedor efetivamente recebe. O valor da operação é o que decorre da venda do produto, ainda que esse não seja o valor efetivamente pago pelo comprador. P: Fale sobre o aspecto espacial do IPI: R: aplica-se ao IPI o critério da territorialidade, sendo considerada geradora da obrigação tributária a saída da mercadoria do estabelecimento industrial ocorrida dentro do território nacional. Há de se considerar, porém, que o IPI também tem como fato gerador o desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira. Tal desembaraço ocorrerá no território nacional, mas, indiretamente, tem-se a tributação da saída do produto industrializado do estabelecimento do fornecedor estrangeiro, numa espécie de extraterritorialidade do IPI. P: O IPI incide na importação de produtos industrializados? E se a importação for promovida por pessoa física par uso próprio? Qual é o entendimento dos Tribunais Superiores a respeito do tema? R: O artigo 46 do CTN estabelece como fato gerador do IPI o desembaraço aduaneiro do produto industrializado. Desse modo, há incidência do IPI na importação. Ademais, a incidência do IPI na importação é importante como modo de evitar a discriminação inversa – tributação mais gravosa do produto nacional em comparação com o estrangeiro. Em se tratando de importação promovida por pessoa física, segundo jurisprudência do STF, não haverá a incidência do imposto, dada a impossibilidade de, nesse caso, aplicar o princípio da não cumulatividade. O STJ, por outro lado, possui jurisprudência favorável à incidência do IPI na importação de produtos, seja a título de compra e venda, seja por arrendamento. REsp 794352 / RJ PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO. NÃO CONFIGURADO. IPI. PRODUTO INDUSTRIALIZADO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. IMPORTAÇÃO. SOCIEDADE CIVIL PRESTADORA DE SERVIÇO MÉDICO. IRRELEVÂNCIA DA FINALIDADE A QUE SE DESTINA O PRODUTO. (...)5. Em consonância com as normas constitucionais dos arts. 146, III, "a", c/c 153, IV, da Constituição da República, o art. 46 do Código Tributário Nacional define as hipóteses de incidência do IPI. 6. A legislação complementar não exorbita o âmbito constitucional do imposto ao prever a incidência do IPI no desembaraço aduaneiro, quando o produto for de procedência estrangeira, como também ao atribuir à figura do importador, não industrial, a qualidade de contribuinte (arts. 51, I, do CTN, e 23, I, do Decreto 2.637/98), já que foi preservado o critério material da existência de operação relativa a "produto industrializado". Precedente da Primeira Turma: REsp 216.217/SP, Rel. Min. José Delgado. 7. Da mesma forma, são irrelevantes "as finalidades a que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º, § 2º)" (Decreto 2.637/98, art. 36). 8. O IPI tem caráter fortemente extrafiscal, constituindo instrumento de política econômica; logo, a tributação no caso em tela surge como mecanismo de proteção ao fisco contra fraudes e instrumento de preservação da isonomia e equidade no comércio internacional. 9. Recurso especial conhecido em parte e não provido. RE 550170 AgR / SP EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IPI. IMPORTAÇÃO DE VEÍCULO PARA USO PRÓPRIO. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO IMPROVIDO. I – Não incide o IPI em importação de veículo automotor, por pessoa física, para uso próprio. Aplicabilidade do principio da não cumulatividade. Precedentes. II - Agravo regimental improvido. P: Em que consiste o princípio da seletividade? Há diferença entre a seletividade prevista na CF para o IPI e aquela prevista para o ICMS? R: O princípio da seletividade, previsto no art.153,§3º, I da CF, estabelece que o IPI será seletivo em função da essencialidade do produto. Ser seletivo implica ter alíquotas diferenciadas dependendo do produto, sendo que o critério para tal seletividade é dado pelo próprio constituinte: o grau de essencialidade do produto. Significa dizer que para os produtos essenciais, menor será a alíquota do IPI, ao passo que, para aqueles ditos supérfluos, maior será a alíquota do imposto. A CF também prevê a seletividade para o ICMS, em seu artigo 155,§2º, III. A diferença entre a previsão para o IPI e o ICMS reside no fato de que, com relação ao primeiro, o texto constitucional é imperativo: “o IPI será seletivo”, enquanto que, em relação ao ICMS, a técnica da seletividade é colocada como uma faculdade: “o ICMS poderá ser seletivo”. P: Em que consiste a não cumulatividade do IPI? R: A não cumulatividade decorre de preceito constitucional (art.153, §3º, CF) e constitui uma técnica de tributação que visa impedir que o IPI onere, em cascata, a produção. Ao longo do ciclo produtivo, em cada etapa do ciclo, antes de efetivamente promover o pagamento do imposto, haverá a possibilidade de se abater os valores do IPI que já foram pagos nas etapas anteriores. O texto constitucional se refere à não cumulatividade, pois, como instrumento que enseja a compensação entre o montante devido à título de IPI e o montante já suportado quando da incidência do IPI nas operações anteriores, mediante o sistema de creditamentos. P: Explique a sistemática do creditamento do IPI. R: O industrial adquire insumos e outros produtos intermediários que se incorporarão ao seu produto final, credita-se do IPI incidente naquelas operações, utilizando-se do seu crédito para abater do IPI devido nas saídas de produtos industrializados (art.49, CTN). O creditamento independe do efetivo pagamento do montante devido na operação anterior. O industrial adquirente credita-se do valor de IPI destacado na nota. A utilização dos créditos não está vinculada à saída da mercadoria em que incorporado o insumo. Não se estabelece relação entre a entrada do insumo e a saída especificamente do produto final que o incorporou no processo de industrialização. Trabalha-se por períodos em que se faz o creditamento do IPI relativo a todos os insumos, produtos intermediários e embalagens entrados no estabelecimento, procedendo-se à compensação com o IPI devido pela saída de produtos finais no mesmo período. P: Suponha que o látex, insumo utilizado na produção da borracha, seja isento de IPI. O fabricante da borracha, então, adquire esse insumo isento e o incorpora na produção do material. Quando da saída do produto final do estabelecimento do produtor, a borracha será tributada pelo IPI, a uma alíquota de 2%. Nesse caso, haverá direito a creditamento do IPI, de modo que o produtor possa compensar o montante cobrado na operação anterior (entrada) com o valor devido na operação seguinte (saída)? Qual é o entendimento jurisprudencial? (situação: entrada não tributada e saída tributada) R: A não cumulatividade do IPI pressupõe dupla incidência positiva, de modo que o valor devido, antes de ser pago, seja abatido do valor cobrado. Se nada foi cobrado na operação anterior, nada haverá para creditar. Nos termos da Constituição Federal, o IPI será não cumulativo “compensando-se o que for DEVIDO em cada operação com o montante COBRADO nas anteriores”. Portanto, não há que se falar em direito ao creditamento, pois nada há para ser compensado. Esse, aliás, é o entendimento consolidado pelo STF que, inclusive, equipara as situações de isenção, alíquota zero, imunidade e não tributação, conferindo a todas o mesmo tratamento: não há direito ao creditamento, pois nada foi cobrado na operação anterior. RE 508708 AgR / RS EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS FAVORECIDOS PELA ALÍQUOTA-ZERO, NÃO-TRIBUTAÇÃO E ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que não há direito à utilização de créditos do IPI na aquisição de insumos não-tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 2. Agravo regimental desprovido. P: Suponha que o látex, insumo utilizado na produção da borracha, sofra a incidência do IPI a uma alíquota de 2%. O fabricante da borracha, então, adquire esse insumo e o incorpora na produção do material. Quando da saída do produto final do estabelecimento do industrial, a borracha estará sujeita à alíquota zero. Nesse caso, haverá direito à manutenção do crédito do IPI (quando da entrada do produto), de modo que o produtor possa utilizá-lo para se compensar? Qual é o entendimento jurisprudencial? (situação: entrada tributada e saída não tributada) R: A Lei nº 9799/99, em seu artigo 11, estabeleceu que, no caso de aquisição de insumo tributado para a incorporação em produto final isento, o contribuinte terá direito a manutenção do crédito. A Lei nº 9430//96 (arts.73 e 74), por sua vez, passou a admitir a compensação de tributos de espécies diversas. Desse modo, o crédito de IPI poderia ser compensado com outros tributos. A União defende que o direito à manutenção do crédito somente passou a existir a partir da Lei nº 9799/99, que o previu expressamente. Trata-se, pois, de um benefício fiscal concedido por lei. Antes da aludida lei não havia direito à manutenção do crédito, uma vez que este decorre não da sistemática da não cumulatividade, como defendiam os contribuintes, mas da lei que o autorizou. Outro não é o entendimento do STF. Para a Corte Superior, da mesma forma que na situação inversa (entrada não tributada e saída tributada), não há dupla incidência, de modo que o direito à manutenção do crédito não decorreria da não cumulatividade. A Lei nº 9799/99 concede um benefício fiscal, somente sendo possível a manutenção do crédito a partir de sua vigência. RE 647719 ED / RS. Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. OPERAÇÕES TRIBUTADAS DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS. MANUTENÇÃO DOS CRÉDITOS NA HIPÓTESE DA OPERAÇÃO SUBSEQUENTE SER ISENTA. DIREITO RECONHECIDO COM A PUBLICAÇÃO DA LEI 9.779/1999. Conforme decidiu esta Suprema Corte, antes da publicação da Lei 9.779/1999, as operações de aquisição de insumos tributados não gerava crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na hipótese de a subsequente operação da qual resultasse a saída do produto industrializado fosse isenta (RE 562.980, red. p./ acórdão min. Marco Aurélio, Pleno, DJ de 04.09.2009). Recurso de embargos de declaração conhecido como agravo regimental, ao qual se nega provimento. P: O IPI compõe a base de cálculo do ICMS? R: Conforme prevê a CF, em seu artigo 155, §2º, XI, o ICMS não compreenderá em sua base de cálculo o montante do IPI, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos. RE 507347 AgR / SE EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Inclusão do IPI da base de cálculo do ICMS. Substituição tributária. Hipótese fática que não se enquadra na norma do art. 155, § 2º, inciso XI, da Constituição Federal. Improcedência. 1. Não se admite no agravo regimental a inovação de fundamentos. 2. Esta Corte firmou entendimento no sentido da constitucionalidade do regime de substituição tributária. 3. Não ocorrência dos três requisitos dispostos no art. 155, § 2º, inciso XI, da Constituição Federal na operação realizada pela sistemática da substituição tributária. A operação não se dá entre contribuintes, não se destina à industrialização, mas ao consumo final, não constituindo fato gerador do IPI a operação de venda da mercadoria ao consumidor final. 4. Deve o substituto incluir na base de cálculo do ICMS presumido relativo às operações subsequentes o valor pago a título de IPI. 5. Agravo regimental não provido. P: O crédito presumido de IPI integra a base de cálculo do PIS e da COFINS? R: Instituído pela Lei 9.363/96, o crédito presumido do IPI prevê o ressarcimento de valores pagos pelo produtor, relativos à incidência do PIS e da Cofins sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, que serão utilizados no processo produtivo dos bens destinados à exportação. A norma visa desonerar a cadeia produtiva, contribuindo assim com a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional. A repercussão geral da matéria foi reconhecida no RE 593544 RG / RS, com mérito ainda não julgado. Os contribuintes defendem a exclusão do crédito presumido de IPI da base de cálculo do PIS e da COFINS, com base no artigo 149, §2º da CF, que confere imunidade às receitas decorrentes da exportação da incidência das contribuições de seguridade social (para eles, então, o crédito presumido de IPI seria receita decorrente de exportação). A União entende que o crédito prêmio de IPI enquadra-se no conceito de receita bruta e, por isso, compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS. Nos termos do §1º do artigo 1º da Lei nº 10833/03 (editada após a EC 20/98 que alargou a base de cálculo da COFINS), “o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica”. P: Incide correção monetária relativamente aos créditos escriturais do IPI? R: A correção monetária não é devida relativamente aos créditos escriturais de IPI, exceto se houver resistência por ato ilegítimo da autoridade tributária. O STJ, inclusive editou súmula sobre o tema (Súmula 411 do STJ "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco"”. AgRg no AREsp 85538 / BA PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. CRÉDITOS ESCRITURAIS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. OPOSIÇÃO INJUSTIFICADA DO FISCO. POSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO DE N. 1035847-RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do Recurso Especial n. 1.0355.847-RS, sob o rito do artigo 543-C do CPC, pacificou entendimento de que a vedação injustificada da Fazenda ao aproveitamento dos créditos escriturais de IPI possibilita a sua correção monetária. 2. Agravo regimental não provido. RE 590224 AgR / CE Ementa: AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CUMULATIVIDADE. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. ESCRITURAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. CABIMENTO. Segundo jurisprudência desta Corte, a aplicação de correção monetária aos créditos escriturais do IPI utilizados ou registrados tardiamente depende de lei autorizadora ou de prova quanto ao obstáculo injustamente posto pelas autoridades fiscais à pretensão do contribuinte. No caso em exame, o Tribunal de origem reconheceu expressamente a conduta injusta da administração, representada pela negativa ao creditamento dos valores recolhidos na aquisição de embalagens plásticas destinadas a acondicionamento de alimentos. Agravo regimental ao qual se nega provimento. P: Empresa X, fabricante de esmaltes da marca “CHIQUÉ”, adquiriu bens destinados ao ativo fixo e procedeu à inscrição, em sua escrituração, do crédito adquirido na entrada da mercadoria, com o objetivo de compensá-lo nas operações de saída dos produtos por ela fabricados (esmaltes). A Empresa agiu corretamente? Responda de acordo com a jurisprudência do STF. R: A Empresa não agiu corretamente. Consoante entendimento consolidado pelo STF, não há direito ao creditamento de bens destinado ao ativo fixo da empresa, alheios ao processo de produção e ao objeto de sua atividade empresarial. RE 485611 AgR / RS EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. IPI. Creditamento. Bens destinados a integração do ativo fixo. Impossibilidade. Jurisprudência. Precedentes. 1. A agravante não trouxe qualquer argumento novo capaz de infirmar a decisão agravada. 2. A matéria encontra-se pacificada, em ambas as Turmas desta Corte, no sentido de não se reconhecer, ao contribuinte, o direito de creditar o valor do IPI incidente nas operações de aquisição de bens destinados ao ativo fixo e/ou permanente da empresa. 3. Agravo regimental não provido. P: Fale sobre o aspecto material e temporal da hipótese de incidência do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, e sobre Operações relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF): R: IOF crédito: o fato gerador é a efetiva entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado. Considera-se ocorrido no momento mesmo em que ocorre o fato gerador, ou seja, a entrega do montante objeto da obrigação. IOF câmbio: o fato gerador é a efetivação da operação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado, em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por ele. O aspecto temporal corresponde ao momento da exata ocorrência do fato gerador, ou seja, da situação descrita no aspecto material da hipótese de incidência. IOF seguro: o fato gerador é a efetivação da operação pela emissão da apólice ou do documento equivalente, ou recebimento do prêmio. Considera-se ocorrido quando da ocorrência do fato descrito na hipótese de incidência. IOF títulos e valores mobiliários: o fato gerador é a emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes. Considera-se ocorrido quando da ocorrência do fato descrito na hipótese de incidência. P: Conforme preceitua a CF, em seu art. 153, § 5º, o ouro, definido como ativo financeiro ou instrumento cambial, sujeita-se, exclusivamente, a que imposto? R: Ao Imposto sobre Operações com Títulos e Valores Mobiliários (IOF títulos e valores mobiliários), sendo que a alíquota mínima será de 1% sobre o preço de aquisição do ouro, observados os limites de variação da cotação vigente. É necessário atentar para a finalidade da operação realizada com o ouro, se é comercializado como simples mercadoria (caso em que sofrerá a incidência do ICMS), ou se é objeto de negócios como instrumento cambial ou como ativo financeiro, hipótese em que incidirá apenas o Imposto sobre Operações com Títulos e Valores Mobiliários. Os contribuintes são as instituições autorizadas pelo BACEN que efetuarem a primeira aquisição do ouro destinado ao mercado financeiro ou à execução da política cambial do País. P: O IOF é exceção a quais princípios constitucionais tributários? R: A legalidade é mitigada diante da possibilidade da alteração das alíquotas por ato do Poder Executivo (art.153, §1º, CF). É exceção aos princípios da anterioridade de exercício e da anterioridade nonagesimal (art. 150, §1º). P: Fale sobre o aspecto material da hipótese de incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural: R: O fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, situado fora da zona urbana do município (art. 29, CTN e art.1º da Lei nº 9393/96). O ITR incide sobre a propriedade da terra nua, diferentemente do que ocorre com o IPTU, de competência dos Municípios, que incide sobre a propriedade predial e territorial urbana. P: Qual é o critério utilizado para a definição de imóvel rural? R: O critério para a distinção de imóveis rurais de imóveis urbanos é o da localização. O artigo 32,§1º do CTN estabelece os requisitos mínimos de infra-estrutura urbana para a consideração do que seja zona urbana e, a contrario sensu, o que seja zona rural. Porém, o STJ tem aplicado o art.15 do DL 57/66 que, estabelecendo exceção ao art.29 do CTN, submete ao ITR o imóvel situado na cidade, mas que esteja sendo destinado à atividade rural. REsp 1112646 / SP TRIBUTÁRIO. IMÓVEL NA ÁREA URBANA. DESTINAÇÃO RURAL. IPTU. NÃO-INCIDÊNCIA. ART. 15 DO DL 57/1966. RECURSO REPETITIVO. ART. 543-C DO CPC. 1. Não incide IPTU, mas ITR, sobre imóvel localizado na área urbana do Município, desde que comprovadamente utilizado em exploração extrativa, vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial (art. 15 do DL 57/1966). 2. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. P: Em que consiste a progressividade do ITR? R: A progressividade do ITR, estabelecida no artigo 153, §4º, I da CF (o ITR “será progressivo e terá as alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas”), permite a variação das alíquotas conforme o tamanho do imóvel e o grau de utilização. O grau de utilização é obtido pela relação percentual entre a área aproveitável e a efetivamente utilizada. Quanto maior o grau de utilização relativamente à área aproveitável, menor a alíquota, ao passo que, quanto menor o grau de utilização relativamente à área aproveitável, maior a alíquota. De fato, onera as propriedades improdutivas, desestimulando a sua manutenção. P: Buendia é proprietário de um imóvel rural cuja área alcança mais de um Município, e ambos optaram por fiscalizar e cobrar o ITR, nos termos do artigo 153, §4º, III da CF. Para qual Município ele deverá recolher o ITR? R: Deverá recolher o ITR para o Município onde esteja localizada a sede do imóvel e, se esta não existir, para aquele onde se localize a maior parte do imóvel (artigo 1º, §3º, da Lei nº 9393/96). P: Qual é a base de cálculo do ITR? R: A base de cálculo é a terra nua, excluindo-se dela as construções, benfeitorias, culturas, pastagens e florestas plantadas, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, as de interesse ecológico e as comprovadamente imprestáveis para qualquer tipo de exploração agrícola, pecuária, ou florestal. P: Para a exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, faz-se necessária a averbação da aludida área na matrícula do imóvel? R: Segundo recente decisão proferida pela Primeira Seção do STJ, a exclusão da LRF da base de cálculo do ITR está condicionada a sua averbação na matrícula do imóvel. AgRg no AREsp 182916 / SC Data do julgamento: 04/09/2012 TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. ITR. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). PRESCINDIBILIDADE. PRECEDENTES. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. 1. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que "é desnecessário apresentar o Ato Declaratório Ambiental - ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN SRF 67/97)" (AgRg no REsp 1310972/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5.6.2012, DJe 15.6.2012). 2. A alegação da agravante, de que é imprescindível a averbação na matrícula do imóvel para o gozo da isenção de ITR relativamente à área de reserva legal, reveste-se de inovação recursal, visto que as razões do recurso especial limitaram-se a aduzir que o Ato Declaratório Ambiental (ADA) era o requisito necessário para a concessão do benefício fiscal. 3. Conforme a pacífica jurisprudência, é vedada a inovação recursal, seja em agravo regimental seja em embargos de declaração. Agravo regimental improvido. P: Imóvel invadido por movimento dos “sem-terra”, sofre a incidência de ITR? R: Segundo entendimento do STJ, “em que pese ser a propriedade um dos fatos geradores do ITR, ela não é plena quando o imóvel encontra-se invadido (art. 1.228 do CC/2002). Com a invasão, seu direito ficou tolhido de praticamente todos seus elementos: não há mais posse, possibilidade de uso ou fruição do bem; consequentemente, não havendo a exploração do imóvel, não há, a partir dele, qualquer tipo de geração de renda ou de benefícios para a proprietária. (...). Ofende o princípio da razoabilidade, o da boa-fé objetiva e o próprio bom-senso o Estado utilizar-se da aparência desse direito ou do resquício que ele deixou, para cobrar tributos que pressupõem a incolumidade e a existência nos planos jurídicos (formal) e fáticos (material) dos direitos inerentes à propriedade. Na peculiar situação do caso, ao considerar-se a privação antecipada da posse e o esvaziamento dos elementos de propriedade sem o devido êxito do processo de desapropriação, é inexigível o ITR diante do desaparecimento da base material do fato gerador e da violação dos referidos princípios da propriedade, da função social e da proporcionalidade” (REsp 1.144.982-PR). P: De quem é a competência para instituir o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF)? Qual o instrumento normativo exigido para a sua criação? R: A competência é da União, mediante a edição de lei complementar (art.153, VII, CF). P: Pode o Estado de Minas Gerais instituir o IGF sob o pretexto de que a União não exerceu a competência que lhe fora outorgada? R: De modo algum. A competência tributária estabelecida na Constituição Federal é exclusiva, indelegável e de exercício facultativo pelos entes tributantes. Se a CF conferiu à União a competência para a instituição do IGF, somente ela poderá fazê-lo, sob pena de ocorrer grave ofensa ao pacto federativo e à rígida repartição de competências estabelecidas no texto constitucional. Ademais, o CTN expressamente consigna que “o não exercício da competência tributária não a defere a pessoa jurídica de direito público diversa daquela a que a Constituição a tenha atribuído” (art.8º). P: Quais são as exigências constitucionais para a instituição de imposto residual pela União? R: Que seja diverso dos impostos já previstos no artigo 153 da CF, instituído mediante lei complementar, que seja não cumulativo e não tenha fato gerador ou base de cálculo próprios dos impostos já discriminados na Constituição. P: Que evento externo autoriza a instituição de imposto extraordinário pela União? R: Guerra externa ou sua iminência. P: O imposto é exceção a algum princípio constitucional tributário? R: É exceção aos princípios da anterioridade de exercício e da anterioridade nonagesimal (art.150, §1º, CF). P: Qual será o fato gerador do imposto extraordinário? R: O fato gerador do imposto extraordinário poderá ser qualquer um, ainda que sobre ele já incida algum outro imposto compreendido ou não no âmbito da competência da União. Trata-se se situação de bitributação expressamente autorizada pela Constituição Federal. P: Fale sobre o aspecto material e temporal da hipótese de incidência do Imposto sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação de quaisquer bens ou direitos: R: O ITCMD incide sobre a transmissão de qualquer bem ou direito havido I) por sucessão legítima ou testamentária, inclusive a sucessão provisória; II) por doação; ocorrendo tantos fatos geradores distintos quantos forem os herdeiros, legatários ou donatários. O fato gerador do imposto causa mortis dá-se com a transmissão da propriedade ou de quaisquer bens e direitos, e ocorre no momento do óbito, aplicando-se a lei vigente à época da sucessão. Relativamente à doação, o fato gerador é a transmissão (gratuita) de qualquer bem ou direito, sendo que, quanto aos bens imóveis, ocorre no momento da efetiva transcrição realizada no CRI, e, quanto aos bens móveis ou direitos, no momento da tradição ou, se for o caso, com o respectivo registro (quotas de capital ou ações, por exemplo). P: Pode o juiz, no processamento do inventário, conceder isenção de ITCMD? R: O juízo do inventário não detém competência para apreciar pedido de reconhecimento da isenção do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de quaisquer Bens ou Direitos), à luz do disposto no caput do artigo 179, do CTN, verbis: "Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. P: “Alguém” faleceu na vigência da lei X, que previa alíquota de 10% a incidir sobre a base de cálculo do ITCMD. Ocorre que, quando do processamento do inventário e do recolhimento do ITCMD sobre a transmissão dos bens aos herdeiros, vigia a lei Y, que previa alíquota de 12%. O cálculo do ITCMD deverá considerar a alíquota prevista na lei X ou na lei Y? R: Segundo entendimento sumulado pelo STF, o ITCMD é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão (súmula 112). Como a abertura da sucessão se dá com a morte (princípio da saisine), é o momento de sua ocorrência que define a lei aplicável, no caso, a lei X. P: O ITCMD incide sobre a meação do cônjuge? R: O fato gerador do ITCMD é a transmissão de bens e direitos. Tendo em vista que, nesse caso, não haverá transmissão, o fato gerador não terá ocorrido e, por conseguinte, não será devido o ITCMD. Mas, caso haja a entrega a um dos cônjuges de bens e valores superiores à meação, sem indícios de compensação pecuniária, entende-se que ocorreu doação, passando a incidir sobre o que ultrapassar a meação o ITCMD. P: O que é fideicomisso? Incide algum imposto na instituição ou extinção do fideicomisso? Qual? R:O fideicomisso pode ser definido como espécie de substituição testamentária consubstanciada na atribuição, pelo testador,da propriedade plena de determinado bem a herdeiro ou legatário seu, denominado "fiduciário", com a imposição da obrigação de, por sua morte, a certo tempo, ou sob condição pré-determinada, transmiti-la a outrem, qualificado fideicomissário.Verifica-se, assim, a nomeação daquele que recebe a coisa com condição resolutiva, com a subsequente transmissão do domínio, agora pleno, ao fideicomissário. Cumpre destacar que o fideicomisso resta perfeito com a morte do testador, sendo essa a cláusula resolutiva. No que concerne à tributação desse negócio jurídico é certo que incide o ITCMD, imposto de competência estadual, pois é uma transmissão de bens causa mortis. O fato gerador será a instituição do fideicomisso e não a sua extinção (transmissão do bem ao herdeiro). P: Descreva as seis hipóteses de incidência do ICMS: R: O imposto sobre circulação de mercadorias e sobre a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação tem como fatos geradores: (i) operações relativas a circulação de mercadorias; (ii) prestação de serviços de transporte intermunicipal e interestadual; (iii) prestação de serviços de comunicação; (iv) operações relativas a energia elétrica; (v) operações relativas a derivados de petróleo, combustíveis e minerais; (vi) a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade, assim como sobre o serviço prestado no exterior, cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria, bem ou serviço. A respeito do imposto sobre operações relativas a circulação de mercadorias, destacam-se as seguintes decisões ou Súmulas do Supremo Tribunal Federal (STF): “O perfil constitucional do ICMS exige a ocorrência de operação de circulação de mercadorias (ou serviços) para que ocorra a incidênciae, portanto, o tributo não pode ser cobrado sobre operações apenas porque elas têm por objeto ‘bens’, ou nas quais fique descaracterizada atividade mercantil-comercial.” (ADI 4.565, DJE de 27-6-2011); “O ICMS não incide sobre alienação de salvados de sinistro pelas seguradoras” (Súmula Vinculante 32); “É legítima a incidência do ICMS na comercialização de exemplares de obras cinematográficas, gravados em fitas de videocassete” (Súmula 662); “Não constitui fato gerador do imposto de circulação de mercadorias a saída física de máquinas, utensílios e implementos a título de comodato” (Súmula 573); Há ilegitimidade na cobrança de ICMS sobre água encanada, pois se trata de serviço público essencial e não mercadoria.(AI 682.565, DJE de 07-08-2009; RE 552.948, DJE de 06/08/2010); Presentes os requisitos constitucionais e legais incidirá ICMS e não o ISS sobre operações de industrialização por encomenda de embalagens, destinadas à integração ou utilização direta em processo subsequente de industrialização ou de circulação de mercadoria (ADI 4.389-MC, DJE de 25/05/2011); “O simples deslocamento da mercadoria de um estabelecimento para outro da mesma empresa, sem a transferência de propriedade, não caracteriza a hipótese de incidência do ICMS” (RE 596.983, DJE de 29-05-2009); Não incide ICMS na hipótese de incorporação de uma sociedade por outra (RE 208.932 , DJE de 17-04-2009); Confecção de rótulos e etiquetas sob encomenda não incide ICMS, mas apenas de ISS (ADI 4.389, DJE de 25-5-2011); É constitucional a incidência do ICMS sobre softwares adquiridos por meio de transferência eletrônica de dados (sem suporte físico) e que a condição de bem incorpóreo não pode ser considerada para afastar a tributação do ICMS (ADI-MC 1.945/MT, informativo 588, julgamento em 26/05/2010). P: Considere que determinado estado da Federação tenha publicado lei majorando a alíquota do ICMS de 18% para 19% e estabelecendo que sua vigência terminaria em 31 de dezembro de 2009. Considere, ainda, que, em meados desse mês, tenha sido publicada lei que manteve a alíquota de 19% para o ano de 2010. Nesse caso, a lei publicada em dezembro de 2009 viola o princípio da anterioridade nonagesimal? R: Segundo o STF, em caso de mera prorrogação de alíquota não há surpresa ou insegurança jurídica para o sujeito passivo da relação tributária. Logo, não se aplica o princípio da anterioridade nonagesimal ou especial (chamada também de noventena). P: Onde é devido o ICMS na hipótese de importação indireta? (a resposta desse questionamento já foi recentemente apresentada por diversas vezes no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A doutrina caracteriza a importação indireta pelo fato de existir um intermediador na importação. Assim, a suposta polêmica se refere ao seguinte ponto: O ICMS deverá ser recolhido no Estado onde se localiza o destinatário final da mercadoria ou no local onde foi desembaraçada a mercadoria por estabelecimento intermediário sediado em outro Estado? Por exemplo, o destinatário final de determinada mercadoria é o Estado da Bahia, onde foram destinadas a serem utilizadas as mercadorias, ou o Estado de São Paulo, onde está sediada a matriz que contratou a importação e foram desembaraçados (Porto de Santos) os referidos bens. Deve-se recolher o ICMS no Estado da Bahia ou no Estado de São Paulo?) R: O STJ entende acertadamente que “nos casos de importação indireta, o ICMS deverá ser recolhido no Estado onde se localiza o destinatário final da mercadoria, a despeito de ter sido esta desembaraçada por estabelecimento intermediário sediado em outra Unidade da Federação” (EREsp 835537⁄MG, DJe 30⁄11⁄2009; EDcl no REsp 1036396⁄MG, DJe 19⁄08⁄2009; EDcl no AgRg no Ag 825.553⁄MG, DJe 20⁄08⁄2009; REsp 835.537⁄MG, DJe 17⁄02⁄2009; REsp 1.190.705⁄MG, DJe 14/10/2010). Decerto, estabelece o artigo 11, inc. I, alínea “d”, da Lei Complementar n° 87⁄1996: Art. 11. O local da operação ou da prestação, para os efeitos da cobrança do imposto e definição do estabelecimento responsável, é: I - tratando-se de mercadoria ou bem: d) importado do exterior, o do estabelecimento onde ocorrer a entrada física. O fundamento desta norma é que nem todos os Estados possuem boas condições de infraestrutura para receber a demanda de mercadorias originárias de países estrangeiros. Logo, para fins de arrecadação fiscal, não é relevante a intermediação, mas sim o Estado destinatário final da mercadoria. (portanto, no exemplo citado acima, o pagamento do ICMS incidente sobre a importação indireta de mercadorias vindas do exterior deverá ser feito para o Estado da Bahia, uma vez que as mercadorias importadas do exterior vão se estabelecer fisicamente e serem usadas nesse ente federativo). P: As concessionárias de energia elétrica detêm legitimidade para ajuizar ação de repetição do indébito relativamente à demanda contratada de energia elétrica? R: Na esteira do entendimento do STJ, As concessionárias de energia elétrica não possuem legitimidade passiva ad causam para as ações que tratam da cobrança de ICMS sobre demanda contratada de energia elétrica, posto que somente arrecadam transferem os valores referentes ao tributo para o Estado. P: O ICMS compõe a base de cálculo do PIS/COFINS? Qual é o entendimento dos tribunais superiores? R: (a repercussão geral da matéria já foi reconhecida no RE 574706 RG / PR , ainda pendente de julgamento). A Lei nº 9718/98, art.3º, §2º, inciso I prevê a possibilidade de excluir da base de cálculo da COFINS as vendas canceladas, os descontos incondicionais, o IPI e o ICMS quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Se o ICMS não é substituição tributária, não há autorização normativa para que esse ICMS seja excluído da base de cálculo da contribuição. Ademais, o valor do ICMS integra o preço da operação comercial (custo do produto) para qualquer efeito e, se este é pago pelo adquirente ao alienante, ele – o preço – ingressa totalmente no patrimônio do vendedor, inclusive a parcela correspondente ao ônus tributário. Faturamento é o valor integral do preço, não a diferença entre este e o valor do imposto. Se retirados todos os ônus da base de cálculo, a COFINS incidiria sobre a receita líquida, e não é isso o que diz a Constituição Federal. Reforçando o entendimento da Fazenda, as Súmulas 68 ( “A parcela relativa do ICMS inclui-se na base de cálculo do PIS”) e 94 (“A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo do FINSOCIAL”) do STJ. (diante da celeuma que se instaurou entre contribuintes e Fazenda Nacional, o Presidente da República ajuizou a ADC 18 para que seja declarada a constitucionalidade do art.3º, §2º, inciso I da Lei nº 9718/98 que delimita o que pode ser excluído da base de cálculo da COFINS) ADC 18 MC / DF EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, é JURÍDICA, ou seja, levar-se-á em consideração apenas os aspectos legais, colocando-se de lado os aspectos econômicos. A doutrina divide a Irretroatividade em Própria e Imprópria. Própria ou autêntica acontece quando a lei alcança fatos ocorridos integralmente no passado. É o caso das leis puramente interpretativas, bem como as leis tributárias penais mais benéficas. Imprópria ou retrospectiva ocorre quando a lei atuar sobre um fato jurídico ainda não concluído, ou seja, fatos geradores pendentes/periódicos (simples ou complexivos). Princípios da Não Surpresa: Forte no art. 150, III, “b” (princípio da anterioridade de exercício), “c” (princípio da anterioridade nonagesimal) e no art. 62, §2 (princípio da anterioridade das medidas Provisórias) da CRFB/88. Atua no plano da eficácia, sendo um plus ao princípio da Irretroatividade, porquanto a segurança jurídica não se satisfaz apenas com uma lei prévia, exigindo-se também um tempo razoável para que a população planeje suas atividades econômicas. A doutrina dominante entende que a lei criadora ou majoradora do tributo entra em vigor na data da sua publicação, porém, somente terá eficácia após a observância dos princípios da anterioridade. Anterioridade de Exercício (clássica, genérica, anual) – proíbe-se que se cobre tributo no mesmo exercício financeiro em que tenha sido publicada a lei que os tenha instituído ou aumentado. Quem não lhe respeita: II, IE, IPI, IOF, IEG, Emp. Comp. por motivo de guerra ou calamidade pública, Restabelecimento das alíquotas da CIDE-COMBUST, Restabelecimento das alíquotas do ICMS-COMBUST e Contribuições para a Seguridade Social. Anterioridade Nonagesimal (noventena) – veda-se a cobrança de tributo antes de decorrido 90 dias da data em que tiver sido publicada a lei que os tenha instituído ou aumentado. Quem não lhe respeita: II, IE, IOF, IR, Emp. Comp. Por motivo de guerra ou calamidade pública, IEG, Base de Cálculo do IPTU e Base de Cálculo do IPVA. Anterioridade das Medidas Provisórias – estabelece que a Medida Provisória que venha instituir ou majorar os IMPOSTOS só produzirá efeito no exercício financeiro seguinte (anterioridade de exercício) se houver sido convertida em Lei até o ultimo dia do ano em que foi editada. Perceba que a anterioridade prevista no §2, do art. 62 da CRFB/88, efetiva um plus a anterioridade de exercício, prevista no art. 150, II, “b”, da CRFB/88. Assim, para que uma MP que venha a criar ou majorar um imposto tenha eficácia no exercício seguinte (prontabilidade para reger relações jurídicas) ela necessariamente deverá ser convertida em Lei no mesmo ano em que foi editada. Quem não lhe respeita: II, IE, IPI, IOF e IEG Lembrar que, os Impostos que exigem Lei Complementar não podem ser tratados via MP, logo, não se aplicará a anterioridade acima. Essa anterioridade não implica em desrespeito ao princípio da anterioridade de exercício ou nonagesimal. Dessa forma, deve-se verificar se o tributo respeita ou não os respectivos princípios. No caso da anterioridade nonagesimal, a contagem é da publicação/edição da MP, desde que seja convertida em lei sem alteração substancial pelo Poder Legislativo. Havendo alteração, a contagem é da data da conversão da MP em Lei. Por último, constata-se que não se aplicará o §2, do art. 62 às demais espécies tributárias, devendo ser avaliada, caso a caso, a aplicabilidade da anterioridade de exercício e a anterioridade nonagesimal. Princípio da Transparência Fiscal: Efetivando tal princípio destacam-se dois dispositivos constitucionais: (i) art. 150, §5 – “a lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços; (ii) art. 150, §6 – “qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia, remissão só poderão ser concedidos mediante lei específica.” Esse ultimo comando constitucional é conhecido como vedação ao cavalo de Tróia. P: Quais os Princípios Constitucionais Tributários ligados a Justiça Fiscal? Fale sobre eles. Princípio da Igualdade/Isonomia: Tem como fundamento o art. 150, II, da CRFB/88. A isonomia ou igualdade, no âmbito tributário, veda que a União, os Estados, o DF e os Municípios venham a institui tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situações equivalentes. Proíbe-se qualquer distinção em razão da ocupação profissional ou funções por eles exercidas, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos. Humberto Àvila entende que “igualdade” é uma medida de comparação, na qual se deve questionar se as pessoas devem ser tratadas igualmente à luz da finalidade da norma. Ressalte-se que igualdade não proíbe qualquer tipo de discriminação. O que a igualdade proíbe são as discriminações irrazoáveis, chamadas comumente de privilégios odiosos. Princípio da Capacidade Contributiva: Prevista no art. 150, §1 da CRFB/88. Trata-se de instrumento de solidificação da Igualdade Tributária. Opera como limite e graduação da obrigação de pagar tributo. A doutrina aponta duas perspectivas: (i) objetiva ou absoluta – leva em consideração as manifestações de riqueza do fato tributável e (ii) subjetiva ou relativa – tem em conta as particularidades de cada sujeito passivo. As formas de concretização do princípio da capacidade contributiva, segundo a doutrina são: (i) imunidades tributárias; (ii) isenções; (iii) seletividade e (iv) progressividade das alíquotas. No que tange a progressividade fiscal, merece atenção os ensinamentos de Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino: “a progressividade fiscal –alíquota variável x BC variável – tem como regra impostos de caráter pessoal. Para que se aplique alíquotas variáveis (progressividade fiscal) nos impostos de caráter real , cuja regra é alíquota fixa x BC variável, necessariamente deveremos ter autorização constitucional”. Em que pese o comando constitucional referir-se apenas aos IMPOSTOS, o STF vem reconhecendo sua aplicação às taxas, especialmente quando o fato gerador é o exercício do poder de polícia (RE 216.259-AGR). Edvaldo Nilo (sinopse para concurso) afirma que a ESAF tem posicionamento de que o Princípio da Capacidade Contributiva não se aplica às multas tributárias, em face da ausência explicita de previsão constitucional. Princípio do Não-confisco: O princípio tem como fundamento o art. 150, IV, bem como o art. 5, XXII (direito constitucional de propriedade), ambos da CRFB/88. Prevalece na doutrina majoritária que a expressão “tributo” alcança qualquer espécie tributária, inclusive as multas, e deve ser interpretada de forma sistêmica com outros princípios constitucionais. A identificação do efeito confiscatório deve ser feita em função da totalidade da carga tributária, mediante verificação da capacidade do contribuinte para suportar e sofrer a incidência de todos os tributos que ele deverá pagar, dentro de determinados período de tempo, à mesma pessoa política que os houver instituído (ADI 8 – MC; ADI 2.551-MC-QO). A ESAF adota duas perspectivas para o referido princípio. Uma estática, que realiza uma análise diante da realidade normativa, ou seja, analisando apenas a legislação em vigor em face do patrimônio em si mesmo. Ex.: ITR, IPTU e o IPVA. Outra dinâmica, que leva em conta a mutação dos elementos patrimoniais. À luz da legislação impositiva, diversas transações tributárias vêm a ocorrer. Ex.: II, IE, IR, IPI, IOF, ITCMD e ITBI. P: Quais são os Princípios vinculados especialmente à Forma Federativa de Estado? Fale sobre eles. Princípio da Liberdade de Tráfego: Decorre do art. 150, V, da CRFB/88. Proíbe que a União, os Estados, o DF e os Municípios venham a estabelecer limitações ao tráfico de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, salvo a cobrança de pedágios pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público. Tal princípio tem como corolário a liberdade de locomoção, não podendo nenhum tributo ter como fato gerador a simples transposição de Estado ou Município. Ressalte-se que a incidência do ICMS excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal. AgRg no REsp 1122519 / SC TRIBUTÁRIO. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que a parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas nº 68 e nº 94. Agravo regimental desprovido. P: Qual é o fato gerador do Imposto sobre a Propriedade de Veículo Automotor? R: O fato gerador é a propriedade de veículo automotor de qualquer espécie. P: O IPVA incide sobre embarcações e aeronaves? R: O STF entende que não, porque uma embarcação movida por fonte de energia natural afasta-se na noção de veículo automotor, enquanto que as aeronaves significam aparelho manobrável em vôo, apto a se sustentar e circular no espaço aéreo mediante reações aerodinâmicas. P: É legítima a aplicação da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização de débitos tributários em atraso relacionados ao IPVA? R: Segundo jurisprudência consagrada no STJ (REsp 879.844, DJE 25/11/2009) apenas é legítima a incidência da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, em razão de lei estadual que determina a adoção dos mesmos critérios adotados na correção dos débitos fiscais federais. Ou seja, é necessária lei estadual nesse sentido. P: Qual é o fato gerador do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana? R: O fato gerador do IPTU é a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou pro acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município (art. 32, CTN). P: Quais são os parâmetros estabelecidos pelo CTN para efeito de se definir a zona urbana de um Município? R: Segundo o disposto nos parágrafos do artigo 32 do CTN, a zona urbana é a definida em lei municipal, observado o requisito mínimo da existência de pelo menos dois melhoramentos indicados no artigo em referência: meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais; abastecimento de água; sistema de esgotos sanitários; rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar; escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de três quilômetros do imóvel construído. P: A cidade de Terras Altas procedeu à atualização do valor venal dos imóveis, pelos índices oficiais de correção monetária. Os contribuintes do IPTU daquela municipalidade insurgiram-se contra o aumento da base de cálculo do IPTU sem previsão em lei para tanto. Os contribuintes têm razão? R: Não. A simples atualização do valor venal dos imóveis não constitui majoração da base de cálculo do IPTU, podendo ser promovida pelo próprio Poder Executivo, sem que ocorra violação ao princípio da legalidade (art.97, §2º, CTN). P: Explique a progressividade fiscal e extrafiscal do IPTU: R: A progressividade extrafiscal do IPTU está prevista no artigo 182, §4º da CF, e objetiva assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana. O IPTU será progressivo no caso de o proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, não promover o seu adequado aproveitamento, segundo lei específica relativamente à área incluída em plano diretor. Na progressividade fiscal, prevista no artigo 156, §1º da CF, o IPTU poderá ser progressivo em razão do valor venal do imóvel e ter alíquotas diferentes de acordo com a localização e o uso de imóvel. P: Qual é o fato gerador do Imposto sobre Transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de Bens Imóveis, por natureza ou acessão física, e de Direitos Reais sobre Imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição? R: O IBTI tem como fatos geradores: I) a transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, a) de bens imóveis, por natureza ou acessão física; e b) de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia e as servidões; II) a cessão, por ato oneroso, de direitos relativos à aquisição de bens imóveis. P: A alíquota do ITBI pode ser progressiva? R: A alíquota do imposto é estabelecida em lei municipal, sendo vedado estabelecer sua progressividade por não haver expressa previsão constitucional (Súmula 656, STF). P: Qual é o fato gerador do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza? R: O fato gerador do ISS é a prestação de serviço, compreendendo um negócio jurídico pertinente a uma obrigação de fazer. P: A edição da Súmula Vinculante 31 do STF prejudicou o teor da Súmula 138 do STJ? Discorra sobre o tema abordando o conceito constitucional de serviço dado pelo STF e sua compatibilidade com a tributação do leasing pelos Municípios. (site advogados públicos) R: Na visão do STF e do STJ, no que diz respeito ao leasing operacional, por envolver preponderantemente uma locação de bem móvel (obrigação de dar), não haveria incidência de ISSQN, contudo nas duas modalidades seguintes, leasing financeiro e lease-back, o núcleo do contrato seria a preponderância de uma obrigação de fazer, ou seja, um serviço, autorizando a incidência do ISSQN. A razão de decidir sobre o caso do ISS no leasing se apoiou em fundamento similar a edição da SV 31, STF, contudo não há falar-se em inaplicabilidade da súmula 138, STJ, pois a leitura que se faz atualmente é a de que incide ISS no leasing financeiro e lease back. Explicação: O conceito constitucional de serviços, cuja base textual encontra guarida no inc. III art. 156, CRFB, vem merecendo delineamento pela Corte Suprema no seguinte sentido, trata-se de uma atividade-fim (preponderante), cujo núcleo seja uma obrigação de fazer de forma onerosa para um terceiro (RE 116.121/SP). Com isto, o Supremo veda a incidência de ISSQN em atividades-meio, não onerosas, que não configurem uma obrigação de fazer e seja prestada para si e não para terceiros. Assim, com base neste conceito constitucional de serviços, a Corte editou o enunciado da Súmula Vinculante n. 31, cujo teor é “inconstitucional a incidência de ISSQN sobre operação de locação de bens móveis”, pois locar bem móvel envolve preponderantemente uma obrigação de dar. Já no que tange ao leasing, existem três modalidades de arrendamento mercantil: o operacional, o financeiro e o leasing back. Leasing financeiro é modalidade pura de arrendamento mercantil envolvendo 3 figuras, quais sejam: a) o arrendatário – que é quem indica o bem a ser comprado e que fará uso do objeto mediante pagamentos periódicos, com opção ao final do contrato de aquisição, devolução ou renovação, podendo ser pessoa física ou jurídica; b) a empresa arrendadora – que é quem compra o bem e o aluga à arrendatária; e a empresa fornecedora do bem – de quem a arrendadora adquire o objeto do leasing. Leasing operacional, por sua vez, é espécie de contrato em que o objeto da contratação já é de propriedade da arrendadora que o aluga a arrendatária. Neste contrato a arrendatária se obriga ao pagamento de prestações pela locação, enquanto a arrendadora se compromete a dar assistência técnica. Diferente do "Lease Back" em que o bem era de propriedade do arrendatário que o vende a empresa arrendadora, que por sua vez o aluga ao arrendatário, ou seja, antigo proprietário. (resposta: site advogados públicos) RE 547245 / SC EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO TRIBUTÁRIO. ISS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. OPERAÇÃO DE LEASING FINANCEIRO. ARTIGO 156, III, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O arrendamento mercantil compreende três modalidades, [i] o leasing operacional, [ii] o leasing financeiro e [iii] o chamado lease-back. No primeiro caso há locação, nos outros dois, serviço. A lei complementar não define o que é serviço, apenas o declara, para os fins do inciso III do artigo 156 da Constituição. Não o inventa, simplesmente descobre o que é serviço para os efeitos do inciso III do artigo 156 da Constituição. No arrendamento mercantil (leasing financeiro), contrato autônomo que não é misto, o núcleo é o financiamento, não uma prestação de dar. E financiamento é serviço, sobre o qual o ISS pode incidir, resultando irrelevante a existência de uma compra nas hipóteses do leasing financeiro e do lease-back. Recurso extraordinário a que se dá provimento. AgRg no Ag 1365195 / RS AGRAVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. ISS. LEASING. COBRANÇA. LOCAL DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. Segundo a jurisprudência pacífica desta Corte, o município competente para a cobrança do ISS é aquele onde efetivamente ocorreu o fato gerador, ou seja, o local da prestação do serviço. Agravo regimental improvido. "A jurisprudência desta Corte é no sentido de que a cobrança do ISS norteia-se pelo princípio da territorialidade, nos termos encartados pelo art. 12 do Decreto-lei nº 406/68, sendo determinante a localidade aonde foi efetivamente prestado o serviço e não aonde se encontra a sede da empresa" (AgA 1.173.805/MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 02.06.10). P: Quais são os impostos da competência da União? E dos Estados? E DF? E dos Municípios? R: União (art.153 e 154 da CF): II, IE, IR, IPI, IOF, ITR, IGF, Imposto Residual e Imposto Extraordinário. Estados/DF (art.155, CF): ITCMD, ICMS e IPVA. Municípios (art.156, CF): IPTU, ITBI e ISS. P: Há repartição da receita advinda da arrecadação do imposto residual pela União? R: Sim. Vinte por cento do produto da arrecadação do Imposto Residual é destinada aos Estados/DF. P: O que significa repartição direta e indireta de receitas? R: Repartição Direta ocorre na hipótese em que o ente beneficiado pela repartição da receita recebe-a diretamente sem qualquer intermediário e sem que esta receita faça, antes da repartição, parte de qualquer fundo constitucional. Ex.: a Constituição Federal atribui aos Municípios metade do IPVA arrecadado pelos Estados em virtude dos veículos automotores lincenciados em seus territórios, está fazendo repartição direta de receita. A Repartição Indireta ocorre na hipótese em que os recursos a serem repartidos são destinados a um fundo de participação cujas receitas serão divididas entre os beneficiários, segundo os critérios legais e constitucionais previamente definidos. É o caso da quota do fundo de participação dos municípios a que o Município tem direito. O repasse é feito após a destinação dos recursos sujeitos à repartição (47% do Imposto de Renda e 47% do IPI) ao citado fundo. (em síntese, são diretas as repartições previstas nos artigos 153, parágrafo 5º, 157 e 158, da CF/88; e indiretas quando relativas aos fundos de participação (CF, art. 159, I, a, b e c) ou quando compensatórias (DF, art. 159, II). P: Os tributos vinculados (taxas e contribuições de melhorias) estão sujeitos à repartição? R: Por consistirem numa contraprestação a uma atividade estatal diretamente relacionada ao contribuinte, os tributos vinculados (taxas e contribuições de melhoria) não estão sujeitos a qualquer repartição. P: O produto da arrecadação do empréstimo compulsório está sujeito à repartição? R: No que concerne aos empréstimos compulsórios, a vinculação constitucional da sua arrecadação às despesas que fundamentaram sua instituição também têm como conseqüência a inexistência de repartição das receitas com eles arrecadadas. P: As contribuições especiais sujeitam-se á repartição de receitas? R: Quanto às contribuições especiais previstas no artigo 149 da CF/88 e à contribuição de iluminação pública do artigo 149-A, a regra é também a inexistência de repartição de receitas arrecadadas, em virtude da vinculação do destino dos recursos. Todavia, com o advento da Emenda Constitucional nº. 42, passou a existir uma – e somente uma – contribuição especial sujeita à repartição. É o caso da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico relativa às atividades de importação ou comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível (CF, art. 177, §4º). A CIDE-combustíveis, apesar de possuir arrecadação vinculada às atividades relacionadas no texto constitucional (CF, art. 177, § 4º, II), passou a ter 29% de sua arrecadação dividida com os Estados-membros, devendo estes entregar 25% do montante recebido aos Municípios (CF, art. 159, III, combinado com o § 4º do mesmo artigo). P: Quais são os impostos cujas receitas não são repartidas? R: Todos os impostos arrecadados pelos Municípios e pelo Distrito Federal; o imposto estadual sobre transmissão causa mortis e doações – ITCMD; os impostos federais sobre importação, exportação, grandes fortunas e os extraordinários de guerra. P: Se um Estado conceder determinado benefício fiscal relativamente a imposto sujeito à repartição de receita, a diminuição da arrecadação desse imposto poderia resultar na conseqüente diminuição da receita a ser repassada aos Municípios? R: Segundo já decidido pelo STF, não. O repasse de parcela do tributo devida aos Municípios não pode ficar sujeito aos planos de incentivo fiscal do ente maior, no caso, o Estado, sob pena de ferir o sistema constitucional de repartição de receitas. P: Como se sabe, sobre as operações com o ouro quando utilizado como ativo financeiro ou instrumento cambial incide tão-somente o IOF. A receita arrecada nessas operações, sujeita-se à repartição? R: Na dicção do artigo 153, §5º da CF, 30% do montante da arrecadação será destinado ao Estado/DF ou Território, conforme a origem (do ouro) e 70% para o Município de origem. P: Diferencie imunidade e não incidência: R: A imunidade é ausência de competência do ente político para instituir tributos sobre determinados fatos. A Constituição, ao definir a competência, excepciona determinadas situações que, não fosse a imunidade, estariam dentro do campo de competência, mas, por força da norma de imunidade, permanecem fora do alcance do poder de tributar outorgado pela Constituição. É a não incidência constitucionalmente qualificada. A não incidência, por sua vez, decorre da ausência de previsão, na hipótese de incidência, de um determinado fato como sendo fato gerador de algum tributo. Esse fato, porém, pode ser eleito pelo legislador como fato gerador de tributo, passando a integrar o campo de incidência daquela exação, ao contrário do que ocorre na imunidade, haja vista que nessa hipótese nem mesmo o legislador poderia eleger o fato abrangido pela imunidade constitucional como apto a gerar a obrigação tributária, eis que não detém competência para tanto. P: Diferencie imunidade e isenção: R: A imunidade atua no plano da definição da competência, e a isenção opera no plano do exercício da competência. Não fosse a imunização constitucional o ente competente poderia, em tese, tributar; porém, como há um impedimento constitucional não há falar-se em exercício de competência nestes casos. Já a isenção, cuja previsão é infraconstitucional, é norma excepcional, pois em que pese a Constituição dar poder ao ente para tributar tal signo presuntivo de riqueza, e o faz mediante lei, lei posterior exime parcela de contribuintes de pagar o tributo. É dispensa legal do pagamento de tributo. P: O que vem a ser a imunidade recíproca? Ela também abrange os impostos indiretos, como o IPI e o ICMS? R: A imunidade recíproca exclui a possibilidade de tributação do patrimônio, renda e serviços de cada pessoa política por qualquer uma das demais pessoas políticas (art.150, VI, a, CF), objetivando a proteção do federalismo. O que se imuniza é o patrimônio, a renda e os serviços dos entes da federação, o que não impede a incidência de impostos indiretos, como o IPI e o ICMS. ARE 690382 AgR Ementa: TRIBUTÁRIO. ICMS. AQUISIÇÕES DE BENS. MUNICÍPIO. CONTRIBUINTE DE FATO. IMUNIDADE RECÍPROCA. ART. 150, VI, A, DA CONSTITUIÇÃO. INAPLICABILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I - A imunidade do art. 150, VI, a, da Constituição somente se aplica ao imposto incidente sobre serviço, patrimônio ou renda do próprio ente beneficiado, na qualidade de contribuinte de direito. II - Como o Município não é contribuinte de direito do ICMS incidente sobre aquisições de bens, não tem o benefício da imunidade em questão, uma vez que esta não alcança o contribuinte de fato. Precedentes. III – Agravo regimental improvido. P: O parágrafo 2º do art.150 da CF prevê o alcance da imunidade recíproca às autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, relativamente ao patrimônio, renda e serviços vinculados a suas finalidades essenciais. Aludida imunidade é extensível às sociedades de economia mista e empresas públicas? Responda de acordo com o entendimento do STF: (pergunta e resposta site advogados públicos) R: Sim. Atualmente a jurisprudência do Supremo adota uma interpretação teleológica buscando a finalidade da imunidade em questão. Nesse sentido, desde que referidas empresas prestem serviços públicos em regime de exclusividade ou monopólio, e seu capital votante seja majoritariamente da União, a imunidade será extensível. Assim, já reconhecida a imunidade de algumas empresas publicas como a ECT e a Infraero. No que tange Sociedade de Economia Mista, o STF adota maior severidade no preenchimento dos requisitos, pois além dos narrados acima, deve a empresa ser constituída e ter seu controle acionário praticamente estatal. Sabe-se que tais empresas devem ter capital estatal majoritário, mas bastaria 50% mais um para obedecer a lei de sua constituição; porém, no que tange ao tratamento da imunidade, é necessário que praticamente todo controle acionário seja estatal, como no caso recente que o STF se deparou com sociedade de economia mista cujo capital vontante era de 99% da União. ARE 638315 RG / BA RECURSO. Extraordinário. Imunidade tributária recíproca. Extensão. Empresas públicas prestadoras de serviços públicos. Repercussão geral reconhecida. Precedentes. Reafirmação da jurisprudência. Recurso improvido. É compatível com a Constituição a extensão de imunidade tributária recíproca à Empresa Brasileira de Infraestrututa Aeroportuária – INFRAERO, na qualidade de empresa pública prestadora de serviço público. RE 580264 / RS EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. SERVIÇOS DE SAÚDE. 1. A saúde é direito fundamental de todos e dever do Estado (arts. 6º e 196 da Constituição Federal). Dever que é cumprido por meio de ações e serviços que, em face de sua prestação pelo Estado mesmo, se definem como de natureza pública (art. 197 da Lei das leis). 2 . A prestação de ações e serviços de saúde por sociedades de economia mista corresponde à própria atuação do Estado, desde que a empresa estatal não tenha por finalidade a obtenção de lucro. 3. As sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, cujo capital social seja majoritariamente estatal, gozam da imunidade tributária prevista na alínea “a” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento, com repercussão geral. P: Conforme a jurisprudência do STF, é correto afirmar que a Imunidade do inc. VI, art. 150 da CRFB abrange também a propriedade não afetada ao culto como forma de incentivo da manifestação religiosa, bem como não embaraçar o funcionamento da entidade religiosa, e assegurar a liberdade de culto, nos termos do inc. VI, art. 5 da CRFB? (pergunta e resposta site advogados públicos) R: O dever do Estado não é incentivar a manifestação religiosa e sim garantir um direito fundamental de liberdade de culto em um autêntico direito de defesa, ou seja, não deve embaraçar ou impedir a manifestação religiosa, porém não deve incentivá-la, pois o Estado é laico. Assim, propriedades alheias ao culto devem ser tributadas não sendo albergadas pela imunidade, salvo se relacionadas com as atividades essenciais da entidade. P: A Constituição estabelece a imunidade de impostos das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. A imunidade de contribuições sociais de seguridade social também alcançam ambas instituições? R: Não. Na dicção do parágrafo 7º do artigo 195 da CF, a imunidade de contribuições sociais de seguridade social alcança somente as entidades beneficentes de seguridade social. P: Determinado partido político é surpreendido com cobrança de IOF sobre aplicações de curto prazo realizadas em conta, cujos fundos são revestidos para o pleno desenvolvimento da agremiação política. A cobrança de IOF sobre essas aplicações é juridicamente válida? (pergunta site advogados públicos) R: Em tese, seria possível a cobrança do IOF, uma vez que a imunidade conferida aos partidos políticos não abrangeria suas aplicações financeiras. A repercussão geral da matéria foi reconhecida no RE 611510 RG/SP, pendente de julgamento. RE 611510 RG / SP Ementa TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. ART. 150, VI, C, DA CF. ENTIDADES SINDICAIS, PARTIDOS POLÍTICOS, INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. IOF SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE CURTO PRAZO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. P: A imunidade tributária abrange também as obrigações acessórias? R: O gozo da imunidade por certas entidades não as exime de observar e cumprir as obrigações tributárias acessórias. No RE 250844/SP, o Min. Marco Aurélio, Relator, a princípio entendeu que a imunidade concedida ao Hotel Escola SENAC de Águas de São Pedro, se estendia também à obrigação acessória consistente na manutenção da escrituração de seus livros fiscais. Contudo, ao final, o Relator retificou o seu voto, nos seguintes termos: “Retificação de Voto: Cumpre ao juiz evoluir, tão logo convencido de assistir maior razão à tese contrária ao que sustentou inicialmente. Evoluem aqueles que realmente têm segurança para fazê-lo, sem receio de o perfil ficar respingado. O que temos? Não há a menor dúvida, o Hotel Escola SENAC de Águas de São Pedro goza de imunidade tributária. Questionamento: está compelido a manter atualizados os livros, a escrita fiscal? Eis o que revela o artigo 14 do Código Tributário Nacional: Art. 14 - O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: O artigo 9º tem esta redação: Art. 9º - É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV - cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; Cuida da imunidade. E se tem no inciso III do artigo 14: “III - manterem” – aqueles que detêm a imunidade – “escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.” A exigência, portanto, mostra-se consentânea com o gozo da imunidade tributária, que é o afastamento de tributo, segundo a Constituição Federal. Evoluo para, no caso, portanto, negar provimento ao recurso”. O voto do Min. Relator está no Informativo nº 686, nas Transcrições. P: Quais são as espécies de imunidade? R: A imunidades podem ser objetivas, para cuja identificação o relevo está no objeto ou situação objetiva (ex.: livro); ou subjetivas, que se referem às condições pessoais do sujeito que se vincula às situações materiais que, não fosse a imunidade, seriam tributáveis (ex.: a renda dos partido políticos). Como exemplos de imunidades subjetivas têm-se a imunidade recíproca das pessoas políticas, autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, a imunidade dos templos, das entidades sindicais de trabalhadores, dos partidos políticos e suas fundações, das instituições de educação e assistência social sem fins lucrativos. Por seu turno, as imunidades objetivas ou reais estão relacionadas a determinados fatos, bens ou situações e versam sobre coisas, embora também beneficiem pessoas. As imunidades podem ser ontológicas e políticas. As ontológicas são reconhecidas de jure como resultado de um princípio constitucional, tendo a isonomia em suas variadas manifestações a ligação que identifica as imunidades de natureza ontológica. Seja diante do princípio da capacidade contributiva ou, com efeito, do princípio da autonomia das pessoas políticas. Quanto às imunidades políticas estas são conferidas para prestigiar outros princípios constitucionais e podem beneficiar pessoas que tem capacidade contributiva. Como exemplo temos as imunidades dos templos, das entidades sindicais de trabalhadores, dos partidos políticos e suas fundações, dos jornais, periódicos e do papel destinado à sua impressão. As imunidades podem ser, ainda, condicionáveis ou incondicionadas. Se a norma constitucional imunizante tem eficácia plena e aplicabilidade imediata, a imunidade é incondicionada. Como exemplo, as imunidades recíprocas das pessoas políticas. Caso a norma constitucional que alberga a imunidade seja de eficácia contida e aplicabilidade imediata, com restrições, temos a imunidade condicionável, sendo sua fruição estatuída ou não pelo legislador infraconstitucional. Temos como exemplo as imunidades das instituições de educação e assistência social sem lucratividade que, para auferirem o benefício, devem atender requisitos da lei complementar. 15. Jurisprudência do STF; modulação dos efeitos temporais das decisões do STF em matéria tributária; coisa julgada em matéria tributária. Larissa Misson (lcmisson@yahoo.com.br) P: O artigo 27 da Lei 9.868/1999 permite que o STF, ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, por 2/3 de seus membros, tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, restrinja os efeitos da declaração ou decida que ela só terá eficácia a partir do trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. A partir desse dispositivo, responda as seguintes perguntas: - Qual o nome da técnica contemplada em tal artigo? Explique-a, sucintamente. R: Trata-se da técnica de modulação temporal dos efeitos das decisões ou modulação dos efeitos temporais das decisões do STF. A modulação dos efeitos temporais é uma forma de atenuação à teoria da nulidade do ato inconstitucional adotada pelo direito pátrio (o ato normativo inconstitucional é nulo; o vício é de origem; a natureza da decisão é declaratória; o efeito temporal da inconstitucionalidade é ex tunc/retroativo), admitindo-se que uma norma inconstitucional seja válida e eficaz até a sua declaração de incompatibilidade com a Constituição ou mesmo a partir de outro momento estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal. Importante ressaltar que a regra é a nulidade da norma inconstitucional, só cabendo a limitação dos efeitos retroativos em casos excepcionais, quando presentes os requisitos constantes do artigo 27 da Lei 9.868/1999, quais sejam, quorum qualificado de 2/3 dos ministros, motivo de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, devidamente fundamentado. Presentes tais pressupostos, o STF manipula a decisão da forma que entender mais conveniente, tendo ampla margem de manobra para definir a partir de qual momento a declaração de inconstitucionalidade começará a produzir efeitos. Cumpre registrar, por fim, que, também na seara do controle difuso, em situações excepcionais, o STF permite a aplicação do aludido artigo 27. A propósito, vale conferir: "CONSTITUCIONAL. CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE DA DECLARAÇÃO INCIDENTAL DE INCONSTITUCIONALIDADE. A orientação do Supremo Tribunal Federal admite, em situações extremas, o reconhecimento de efeitos meramente prospectivos à declaração incidental de inconstitucionalidade" (trecho da ementa do AgReg. no Agravo de Instrumento nº 627.770-RJ, Relator Ministro Joaquim Barbosa, DJe nº 203 divulgação 20.10.2011). P: A técnica da modulação dos efeitos temporais das decisões é aplicada pelo STF em matéria tributária? Exemplifique. R: Sim, a técnica da modulação dos efeitos temporais também é aplicada, em caráter excepcional, pelo STF em matéria tributária. Ao proclamar a inconstitucionalidade do artigo 5º, parágrafo único, do Decreto-lei nº 1.569/1977, e dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, o STF modulou os efeitos de sua decisão. Conforme se infere dos RE's nºs. 556.664/RS e 560.626-RS (informativo 510), julgados em 12.06.2008, de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, a Corte Suprema reconheceu a inconstitucionalidade dos referidos dispositivos, que versavam sobre decadência e prescrição tributárias, dispondo sobre a suspensão da prescrição (Decreto-lei 1.569/1997) e trazendo o prazo de 10 anos tanto para a constituição do crédito quanto para a sua cobrança judicial (arts. 45 e 46 da Lei 8.212/1991, respectivamente), ao fundamento de que as contribuições previdenciárias têm natureza tributária e se submetem ao regime jurídico-tributário previsto na CF/1988, que exige lei complementar para a disciplina dos institutos da prescrição e da decadência (art. 146, III, "b"), de sorte que tais matérias não poderiam ter sido veiculadas por lei ordinária. Depreende-se do referido julgado que o STF concluiu que o Fisco resta impedido de exigir fora dos prazos de decadência e prescrição previstos no CTN as contribuições da seguridade social. No entanto, os valores recolhidos nas condições dos mencionados artigos 45 e 46, seja administrativamente, seja por execução fiscal, não devem ser devolvidos ao contribuinte, salvo se pleiteada a repetição ou compensação de indébito, judicial ou administrativamente, antes da conclusão do julgamento, em 11.06.2008. Em outras palavras, os créditos pendentes de pagamento não podem ser cobrados, em nenhuma hipótese, após o lapso temporal quinquenal. Por outro lado, os créditos pagos antes de 11.06.2008 só podem ser restituídos, compensados ou de forma qualquer forma aprovados, caso o contribuinte tenha assim pleiteado até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela via administrativa. Ou seja, consideram-se insuscetíveis de restituição os recolhimentos efetuados nos prazos previstos nos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 e não impugnados antes da conclusão do julgamento. Assim, invocando a repercussão do caso e a segurança jurídica, a Pretório Excelso aplicou a técnica da modulação temporal e atribuiu à decisão eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.06.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Por fim, oportuno destacar que, com base nessa decisão, o Tribunal, por maioria, resolveu deliberar sobre a proposta de súmula vinculante acerca da matéria. Após, o STF aprovou o enunciado da Súmula Vinculante nº 8, nestes termos: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." P: Discorra sobre a limitação dos efeitos temporais da decisão de inconstitucionalidade em matéria tributária e o seu reflexo na repetição do indébito. R: Importante acentuar, inicialmente, que a declaração de inconstitucionalidade faz surgir o dever do Estado de restituir o tributo recolhido pelo contribuinte. O contribuinte pode se valer, de plano ou após a denegação do pedido na via administrativa, da ação de repetição do indébito tributário. Embora a repetição do indébito esteja regulamentada pelo artigo 165 do CTN, parte da doutrina, a exemplo dos autores Marco Aurélio Greco e Antônio Roberto Sampaio Dória, entende que tal dispositivo não se aplica em caso de inconstitucionalidade. Defende essa corrente que a hipótese de inconstitucionalidade do tributo não pode ser enquadrada em nenhum dos incisos do artigo 165 do CTN, os quais tratam somente do equívoco na aplicação da legislação válida e aplicável, nada dispondo acerca da devolução do indébito em face de declaração de invalidade da norma tributária. Os que advogam tal tese sustentam que a devolução do montante correspondente ao tributo declarado inconstitucional é assegurada pelos princípios da legalidade, moralidade, boa-fé, nulidade da norma inconstitucional e proibição do enriquecimento sem causa. De outro lado, o tributarista Aliomar Baleeiro afirma que os tributos resultantes de inconstitucionalidade ou de ato ilegal são os casos mais frequentes do inciso I do artigo 165. Não há, pois, consenso doutrinário quanto à aplicabilidade do Código Tributário Nacional com relação à repetição do indébito de tributo declarado inconstitucional. Feito esse intróito, impõe-se destacar que a manipulação dos efeitos temporais em matéria tributária atinge diretamente a restituição do tributo inconstitucional, sendo admitida apenas em hipóteses excepcionalíssimas, quando presentes os requisitos do artigo 27 da Lei 9.868/1999. Se os efeitos da decisão de inconstitucionalidade forem limitados ex nunc, o que denota que a norma instituidora do tributo será inválida e terá sua vigência cessada apenas a partir da decisão do STF, o contribuinte perde o direito de reaver o tributo pago indevidamente. Apesar de o tributo estar eivado do vício da inconstitucionalidade, a restrição dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade faz com o que o tributo seja considerado devido entre a edição da norma instituidora até a declaração de sua inconstitucionalidade, afigurando-se indevida somente após o trânsito em julgado da decisão que o declara inconstitucional. Se a eficácia da decisão de inconstitucionalidade for fixada pro futuro (prospectivamente), isto é, em momento posterior ao trânsito em julgado da decisão, novamente, o tributo pago pelo sujeito passivo não será restituído, ao revés, deverá ser satisfeito até a data fixada pelo STF para que a decisão de inconstitucionalidade produza efeitos. Impede ressaltar, por fim, que a aplicação dos efeitos ex nunc ou prospectivos às decisões que declaram os tributos inconstitucionais são alvo de críticas pela doutrina, justamente por impedir a restituição do tributo indevidamente pago. Em que pese tais críticas, a limitação dos efeitos temporais das decisões de inconstitucionalidade é uma realidade no âmbito tributário, encontra amparo no artigo 27 da Lei 9.868/1999 e já foi aplicada, excepcionalmente, pelo STF (caso da declaração de inconstitucionalidade das normas que versavam sobre prescrição e decadência das contribuições previdenciárias - vide questão anterior). P: Fale sobre a Súmula 239 do STF, abordando a eventual ocorrência de relativização da coisa julgada e a jurisprudência do STJ sobre o tema. R: A Súmula 239 do STF diz o seguinte: "decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores." Necessário anotar, de início, que tal súmula não consagrou a relativização da coisa julgada. Para se chegar ao exato alcance do entendimento exarado nesse enunciado da súmula de jurisprudência do STF, é importante entender a natureza das relações tributárias continuativas. As relações tributárias, em sua grande parte, são continuativas, também conhecidas como de trato sucessivo ou continuado, isto é, nascem ou podem nascer de fatos geradores que se repetem no tempo de maneira uniforme e continuada. Mister salientar que a relação tributária continuativa é una, projetando-se para o futuro. Assim, a norma que fundamenta a exigência de tributos periódicos é única e apenas os seus efeitos - nascimento de obrigações tributárias futuras em razão da ocorrência de novos fatos geradores - é que se projetam no futuro. Destarte, a relação tributária é complexa: uma norma legal dá fundamentação para que obrigações tributárias específicas surjam com a realização das hipóteses de incidência previstas. Portanto, a obrigação tributária se apoia em 2 pilares: a validade da norma que previu a hipótese de incidência e a efetiva configuração do fato gerador, através de alguma atividade do sujeito passivo que realize o fato imponível descrito na norma. Se o sujeito passivo, ao contestar a validade de determinado tributo, ataca a obrigação específica, contestando a efetiva realização do fato gerador, a decisão que reconhece indevida a cobrança, em razão da não ocorrência da hipótese de incidência, só atingirá aquela obrigação específica, não produzindo quaisquer efeitos sobre obrigações futuras, pois o fundamento de validade do tributo em questão - sua norma de regência - permanece inatacado e eficaz. É justamente essa a situação retratada no enunciado 239 da súmula do STF, como o sujeito passivo atacou tão somente o fato gerador naquele período, e não a validade do tributo abstratamente considerado, não há que se falar em eficácia da sentença contra fatos geradores futuros. Daí a afirmação da súmula no sentido de que a declaração de invalidade de imposto, em determinado exercício, não faz coisa julgada em relação aos posteriores. A decisão apenas tratou do fato gerador do exercício em questão, em relação ao qual ocorrerão normalmente os efeitos da coisa julgada. O que não ocorre é a afetação de fatos geradores futuros, pois constituem fatos diversos, não abarcados pela decisão judicial. Distinta é a solução para os casos em que o sujeito passivo ataca a própria norma que fundamenta a exigência do tributo. Nessas hipóteses, declarada a inconstitucionalidade ou ilegalidade da norma do tributo, não haverá a incidência do enunciado 239, porquanto não se atacou o fato gerador da obrigação, mas a própria norma-base que sustenta todos dos fatos geradores do tributo, sejam eles futuros ou passados. Assim, perdendo a sua sustentação legal, não há como se formar qualquer obrigação tributária e a decisão judicial que reconheça a invalidade impedirá a exação do tributo em todos os exercícios seguintes, ensejando, inclusive, a possibilidade de restituição dos valores indevidamente recolhidos, respeitado o prazo prescricional. A jurisprudência do colendo STJ tem adotado tal distinção, inclusive em sede de recurso repetitivo, valendo conferir os trechos das ementas dos seguintes julgados: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALCANCE DA SÚMULA 239/STF. COISA JULGADA: VIOLAÇÃO. ART. 471, I, DO CPC NÃO CONTRARIADO. 1. A Súmula 239/STF, segundo a qual 'decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores', aplica-se tão somente no plano do direito tributário formal porque são independentes os lançamentos em cada exercício financeiro. Não se aplica, entretanto, se a decisão tratou da relação de direito material, declarando a inexistência de relação jurídico-tributária. 2. A coisa julgada afastando a cobrança do tributo produz efeitos até que sobrevenha legislação a estabelecer nova relação jurídico-tributária. (...)" - REsp 731.250/PE, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ 30.04.2007. " AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. TRIBUTÁRIO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. CSLL. INCONSTIUCIONALIDADE MATERIAL. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE QUE NÃO CRIA NOVA RELAÇÃO JURÍDICO-TRIBUTÁRIA. ALCANCE DA COISA JULGADA. 1. Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a 'Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores'. 2. A lei posterior que se limita a modificar as alíquotas e a base de cálculo de tributo declarado inconstitucional viola a coisa julgada. (...)" - AgRg no AgRg no EREsp 885.763/GO, Relator Ministro Hamilton Carvalhido, DJe 24.02.2010. "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543-C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICO-TRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. ... 5. Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a 'Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores' (AgRg no AgRg no EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela. (...)" - REsp 1.118.893/MG, Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJe 06.04.2011. Conclui-se, pois, que a coisa julgada sempre se formará, mesmo em relação a tributos periódicos, o que variam são os seus efeitos, conforme a causa de pedir e o pedido da demanda: se o sujeito passivo requereu o reconhecimento da invalidade ou não ocorrência do fato gerador de um determinado exercício, a decisão que acolhe tal pedido só cobrirá com o manto da coisa julgada a inexigibilidade daquele fato gerador específico (enunciado 239 da súmula do STF); se, de outro lado, o pedido se dirigiu para a declaração de invalidade da norma instituidora do tributo, os efeitos da coisa julgada da decisão que o julga procedente abrangerão todos os fatos geradores futuros decorrentes dessa norma. Como bem explica a eminente processualista Ada Pellegrini Grinover, a coisa julgada, no âmbito tributário, rege-se pelos mesmos princípios e pelas mesmas regras gerais aplicáveis às demais controvérsias. Dessa forma, os limites objetivos da coisa julgada devem ser fixados a partir do objeto do processo e do objeto da resposta do órgão jurisdicional à demanda. Dentro desse cenário, resulta patente que o enunciado 239 da súmula de jurisprudência do STF não traz nenhuma hipótese excepcional de relativização da coisa julgada, aplicável restritamente na seara tributária. P: Disserte sobre a relativização da coisa julgada depois de pronunciamento do STF em sentido oposto àquele fixado na decisão transitada em julgado e os mecanismos previstos no processo civil para a sua implementação. R: Como sabido, a coisa julgada é um dos pilares do nosso ordenamento ao garantir segurança às relações jurídicas e impedir a eternização dos conflitos. Há algum tempo começou a ser difundida, em nosso País, a teoria da relativização da coisa julgada, que ainda é muito controvertida tanto na doutrina quanto na jurisprudência. Vale lembrar que a teoria surgiu para evitar a eternização de injustiças, principalmente nos casos de reconhecimento de paternidade, em face da descoberta dos testes de DNA. O grande embate entre os defensores da relativização da coisa julgada e aqueles que lhe são contrários, a bem da verdade, decorre de um choque de preponderância de valores que buscam dar concretude à segurança jurídica, explicando melhor, ou se reconhece a coisa julgada como garantidora da efetividade do princípio da segurança jurídica ou se apregoa que a segurança jurídica é assegurada quando a lei é aplicada a todos os sujeitos que, de maneira isonômica, estão sob o seu manto. O segmento que defende que a aplicação da "mesma lei" para todas as pessoas que a ela se encontram jungidas sustentam que a segurança jurídica tem como pilar a isonomia, de sorte que, fixada posição pelo STF acerca de determinada matéria, todos os sujeitos que possam sofrer a incidência da disposição normativa analisada pela Corte Suprema devem a ela se submeter, ainda que tenham a seu favor coisa julgada em sentido oposto. Verifica-se, pois, que a ideia da relativização da coisa julgada está intimamente atrelada à sobrevalorização hodierna do princípio da isonomia, também assegurado constitucionalmente. À luz do sistema jurídico positivo, a relativização ou o desfazimento da coisa julgada somente pode ser alcançado mediante o manejo de um dos seguintes mecanismos processuais (nos quais a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma lei, declarada pelo STF, será utilizada como fundamento para desconstituir anterior coisa julgada): a) ação rescisória (art. 485 do CPC), que, desde que ajuizada no prazo decadencial de 2 anos, tem sido admitida como capaz de desconstituir coisas julgadas contrárias à posterior jurisprudência do STF, firmada em sede de controle difuso ou de controle concentrado, não incidindo o enunciado 343 da súmula de jurisprudência da Suprema Corte (não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais); b) impugnação à sentença (art. 475-L, II, § 1º, CPC) ou embargos à execução de sentença contra a Fazenda Pública (art. 741, parágrafo único, CPC), sob a alegação de inexigibilidade do título judicial fundado em lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo STF, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tido pelo STF como incompatível com a Constituição Federal. Esses são, portanto, os mecanismos hábeis a relativizar a coisa julgada, ou mais precisamente, as decisões judiciais transitadas em julgada, dado que o seu manejo é capaz de, de certo modo, desconstituí-las, atingindo-lhe ou desfazendo-lhe os efeitos pretéritos, ou seja, aqueles efeitos já produzidos em momento anterior ao advento do precedente do STF. Por derradeiro, cumpre assinalar que, quando a coisa julgada for contrária à posterior decisão proferida pelo STF, em controle difuso ou concentrado, no sentido da inconstitucionalidade de determinada lei, a sua desconstituição mediante ação rescisória ou no curso da execução, em sede de impugnação ou embargos, somente poderá ocorrer se a declaração de inconstitucionalidade produzir os efeitos que lhe são naturais, ou seja, efeitos retroativos. De outro lado, se o STF conferir eficácia ex nunc a essa decisão, certamente, a inconstitucionalidade nela reconhecida não poderá ser invocada, quer em sede de rescisória, quer no curso do processo de execução, como fundamento para a desconstituição da coisa julgada formada anteriormente. Não remanesce dúvida, se a inconstitucionalidade da lei é apenas "dali para frente" (eficácia ex nunc), então os efeitos pretéritos das coisas julgadas baseadas em tal lei devem ser mantidos, uma vez que produzidos ao tempo em que a lei, para o STF, ainda deve ser considerada como constitucional. P: O parágrafo 1º do artigo 475-L e o parágrafo único do artigo 741, ambos do CPC, concebidos como instrumentos para a relativização da coisa julgada, são alvo de severas críticas pela doutrina. Por que? O STF já se pronunciou sobre esse assunto? R: Alguns doutrinadores sustentam a inconstitucionalidade dos aludidos dispositivos, ao argumento basilar de que a coisa julgada constitui direito fundamental individual, por conseguinte, é cláusula pétrea, não podendo ser relativizada. A coisa julgada não pode sofrer nenhuma restrição, nem através de emendas constitucionais, já que constitui cláusula pétrea, tampouco através de lei ordinária, como é o caso do CPC. Para os defensores de tal inconstitucionalidade, os únicos instrumentos processuais capazes de desfazer a coisa julgada são a ação rescisória e a revisão criminal (âmbito penal), porquanto criados pelo poder constituinte originário. Assentado nessas e em outras premissas, em 2006, o Conselho Federal da OAB ajuizou ação direta de inconstitucionalidade tendo por objeto os artigos referenciados (ADI 3740), que foi submetida ao rito abreviado do artigo 12 da Lei 9.868/1999, mas ainda está pendente de julgamento. Entretanto, recentemente, o STF, em decisão unânime, de relatoria do Ministro Celso de Mello, delimitou o alcance do parágrafo único do art. 741 do CPC, firmando posicionamento no sentido de que a desconstituição da coisa julgada somente pode ser promovida por meio da ação rescisória, dentro do prazo de 2 anos. Vejamos a ementa do acórdão: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO. COISA JULGADA EM SENTIDO MATERIAL. INDISCUTIBILIDADE, IMUTABILIDADE E COERCIBILIDADE: ATRIBUTOS ESPECIAIS QUE QUALIFICAM OS EFEITOS RESULTANTES DO COMANDO SENTENCIAL. PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL QUE AMPARA E PRESERVA A AUTORIDADE DA COISA JULGADA. EXIGÊNCIA DE CERTEZA E DE SEGURANÇA JURÍDICAS. VALORES FUNDAMENTAIS INERENTES AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO. EFICÁCIA PRECLUSIVA DA RES JUDICATA. TANTUM JUDICATUM QUANTUM DISPUTATUM VEL DISPUTARI DEBEBAT. CONSEQUENTE IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE CONTROVÉRSIA JÁ APRECIADA EM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO, AINDA QUE PROFERIDA EM CONTRONTO COM A JURISPRUDÊNCIA PREDOMINANTE NO SUPREMO TRIBUNAL FEDRAL. A QUESTÃO DO ALCANCE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 741 DO CPC. MAGISTÉRIO DA DOUTRINA. RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. - A sentença de mérito transitada em julgado só pode ser desconstituída mediante ajuizamento de específica ação autônoma de impugnação (ação rescisória) que haja sido proposta na fluência do prazo decadencial previsto em lei, pois, com o exaurimento de referido lapso temporal, estar-se-á diante da coisa soberanamente julgada, insuscetível de ulterior modificação, ainda que o ato sentencial encontre fundamento em legislação que, em momento posterior, tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, quer em sede de controle abstrato, quer no âmbito da fiscalização incidental de constitucionalidade. - A superveniência de decisão do Supremo Tribunal Federal, declaratória de inconstitucionalidade de diploma normativo utilizado como fundamento do título judicial questionado, ainda que impregnada de eficácia ex tunc - como sucede, ordinariamente, com os julgamentos proferidos em sede de fiscalização concentrada (RTJ 87/758 - RTJ 164/506-509 - RTJ 201/765) -, não se revela apta, só por si, a desconstituir a autoridade da coisa julgada, que traduz, em nosso sistema jurídico, limite insuperável à força retroativa resultante dos pronunciamentos que emanam, in abstracto, da Suprema Corte. Doutrina. Precedentes. - O significado do instituto da coisa julgada material como expressão da própria supremacia do ordenamento constitucional e como elemento inerente à existência do Estado Democrático de Direito" (RE 592.912 AgR/RS, Relator Ministro Celso de Mello, DJe 21.11.2012). P: A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional emitiu, em 30 de março de 2011, o PARECER PGFN/CRJ/Nº 492/2011, em que enfrenta a questão dos reflexos gerados pela alteração da jurisprudência do STF em relação à coisa julgada em matéria tributária. Mais especificamente, o questionamento alvo da consulta foi o seguinte: em que medida a eficácia da decisão transitada em julgado que se volta para uma relação jurídica tributária sucessiva, considerando-a existente ou inexistente, é impactada, em relação aos desdobramentos futuros, pela superveniência de jurisprudência do STF em sentido contrário ao sufragado pela referida decisão? Faça um breve resumo das conclusões do aludido parecer. R: Impende esclarecer, de início, que o PARECER PGFN/CRJ/Nº 492/2011 não tem por objeto a questão da relativização da coisa julgada, mas o impacto que a nova jurisprudência do STF produz em relação aos desdobramentos futuros da coisa julgada que disciplina relação jurídica tributária de trato continuado; a relativização da coisa julgada, por outro lado, como cediço, volta-se para o passado, permitindo a revisão dos efeitos pretéritos da decisão tributária transitada em julgado contrária à posterior jurisprudência do STF. Em síntese, de acordo com o referido parecer: (i) a alteração nos suportes fáticos ou jurídicos existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas continuativas faz cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado; (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: a) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; b) quando posteriores a 03 de maio de 2007 (a Lei 11.418, que introduziu os arts. 543-A e 543-B no CPC, entrou em vigor em 19 de fevereiro de 2007, mas, conforme restou definido pelo STF em Questão de Ordem no Agravo de Instrumento 664.567/RS, apenas após o advento da Emenda Regimental nº 21, publicada no Diário Oficial em 03.05.2007, que alterou o RISTF para adaptá-lo à Lei 11.418, é que a Suprema Corte passou a, de fato, poder fazer uso dos institutos criados pela novel legislação, passando, então, a submeter alguns dos seus julgados à sistemática prevista no art. 543-B do CPC), aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de resolução senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do artigo 543-B do CPC; c) quando anteriores a 03 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de resolução senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte; (iii) os precedentes objetivos e definitivos do STF constituem circunstância jurídica nova, apta a fazer cessar, prospectivamente, a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias; (iv) como a cessão da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinte-autor deixa de estar obrigado ao recolhimento do tributo, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; (v) em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinte-autor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Excepciona-se essa regra, no que concerne ao direito do Fisco de voltar a cobrar, as hipóteses específicas em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação do parecer e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinte-autor, o tributo em questão é a publicação do Parecer 492/2011 (26.05.2011). Destarte, o Procurador da Fazenda Nacional deve adotar as seguintes providências: 1ª - analisar o cabimento, no caso, de ação rescisória. Sendo cabível, a ação rescisória deverá ser ajuizada, requerendo-se: 1) a desconstituição da coisa julgada tributária contrária ao posterior precedente do STF, com fulcro no artigo 485, inciso V, do CPC, o que, segundo entendimento da Suprema Corte, não encontra óbice na sua Súmula 343; 2) o posterior rejulgamento da causa originária, o que deverá ser feito à luz do entendimento do STF sobre a questão jurídica nela discutida; 2ª - concomitantemente ao ajuizamento da ação rescisória, o Procurador da Fazenda Nacional deverá encaminhar cópia dos respectivos autos judiciais à Delegacia da Receita Federal do Brasil do domicílio fiscal do contribuinte-autor, para que possam ser, desde logo, iniciados os procedimentos necessários à cobrança administrativa do tributo relativo aos fatos geradores ocorridos após o advento do precedente do STF ou após a publicação do Parecer 492/2011, conforme o caso; 3ª - não sendo cabível, no caso, o ajuizamento de ação rescisória, especialmente em razão do escoamento do prazo decadencial de 2 anos, o Procurador da Fazenda Nacional deverá, apenas, encaminhar cópia dos respectivos autos judiciais à Delegacia da Receita Federal do Brasil do domicílio fiscal do contribuinte-autor, para que possam ser ali iniciados os procedimentos necessários à cobrança administrativa do tributo relativo aos fatos geradores ocorridos após o advento do precedente do STF ou após a publicação do Parecer 492/2011, conforme o caso. 16. Tributação internacional; acordos para evitar a dupla tributação. Débora Faustino (deborafa5@hotmail.com) P: Qual a teoria que se entende aplicável pela interpretação literal do artigo 98 do CTN relativamente às relações entre o Direito Internacional e o Direito interno? R: Assim dispõe o referido artigo: “Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha”. Segundo Valerio de Oliveira Mazuoli a teoria que se aplica é a monista internacionalista, segundo a qual o Direito Internacional Público encontra-se em posição de primazia sobre o Direito interno estatal. P: É correto dizer que os tratados internacionais revogam a legislação tributária interna? R: Segundo a doutrina majoritária “não se trata, a rigor, de revogação da legislação interna, mas de suspensão da eficácia da norma tributária nacional, que readquirirá a sua aptidão para produzir efeitos se e quando o tratado for denunciado” (Ricardo Lobo Torres). “Há evidentemente impropriedade terminológica na disposição legal. Na verdade um tratado internacional não revoga nem modifica a legislação interna. A lei revogada não volta a ter vigência pela revogação da lei que a revogou. Denunciado um tratado, todavia, a lei interna com ele incompatível estará restabelecida, em pleno vigor” (Hugo de Brito Machado). P: Como se resolvem as antinomias entre norma tributária interna e internacional? Segundo ensina Betina Treiger Grupenmacher “a existência de um tratado internacional que disponha sobre matéria tributária, que passa a ser disciplinada por lei interna, implica, por si só, o surgimento de uma antinomia aparente, pois se a lei interna determina a incidência tributária sobre certo ato ou fato e o tratado veda a tributação na mesma situação, estabelece-se o conflito, que, nesta situação, resolve-se pela aplicação do preceito do tratado, por força da incidência do critério da especialidade, ou seja, prevalece a norma especial sobre a geral. A lei interna sucumbe diante do tratado, que é norma especial. Considera-se o tratado como lei especial, pois modifica o comando geral da lei interna. É o que ocorre quando o tratado limita a incidência de certo tributo, através de aplicação de alíquota menor do que aquela estabelecida na lei interna”. Esse é também o entendimento esposado pelo STJ (REsp 1161467/RS). P: A previsão acerca da prevalência da norma tributária internacional em detrimento da norma interna, contida no artigo 98 do CTN, é extensível a outros ramos do Direito? R: Segundo Ricardo Lobo Torres, essa característica do Direito Tributário brasileiro não se estende a outros ramos do Direito, nem mesmo ao Financeiro, pois o Supremo Tribunal Federal não generalizou a tese do primado do Direito Internacional. P: Essa mesma previsão se aplica a todo e qualquer tratado internacional em matéria tributária? R: O tema não é pacífico. Ao contrário de boa parte da doutrina, o STJ entende que o artigo 98 do CTN se aplica somente aos tratados-contratos (como os tratado de bitributação) e não aos tratados-leis (genéricos e abstratos). (REsp 426945). P: A União pode estabelecer isenções a tributos estaduais ou municipais através de tratados internacionais? R: Segundo o STF essa realidade não seria isenção heterônoma, visto que não é a União quem celebra tratados mas sim a República Federativa do Brasil, que tem personalidade jurídica de direito internacional, da qual a União é apenas parte. Trata-se de isenções autônomas, não havendo qualquer ofensa ao art. 151, III da CR. (RE 229096). P: Existe alguma previsão expressa incluindo os tratados como fonte de direito tributário? R: Sim. O Art. 96 do CTN elenca como “legislação tributária” as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Alexandre de Moraes ensina que “o tratado ou convenção internacional é fonte de direito tributário quando tiver conteúdo específico ligado à competência fiscal dos respectivos Estados signatários e adquira eficácia interna, na forma determinada pelo ordenamento jurídico”. P: O que se entende por “cláusula de nação mais favorecida”. R: Segundo Aliomar Baleeiro essa cláusula garante aos países signatários de tratado que a preveja, que se maiores concessões, no futuro, forem feitas a um terceiro país, elas se tornarão extensivas automaticamente aos signatários. Se, p. ex., Brasil e Argentina estipulam que as importações de frutas frescas dum para o outro gozarão de redução de 50% dos direitos aduaneiros e mais tarde um desses países concede 75% de redução a uma terceira nação, relativamente à mesma mercadoria, assim mais favorecida, essa vantagem automaticamente será assegurada ao outro contratante. P: No que consiste a soberania fiscal? R: Heleno Torres explica que essa designação da qualidade do poder que coloca o Estado como sujeito da ordem mundial, que lhe proporciona autonomia e independência na determinação dos fatos tributáveis e que só admite autolimitações de fontes originariamente internas e constitucionais. A soberania fiscal fica condicionada ao cumprimento de metas ditadas pela ordem financeira internacional. Com a regulamentação internacional de questões tributárias observa-se gradativo abandono da soberania absoluta. A rigor, Celso Albuquerque Mello, entende ainda, que a tendência atual é a soberania como um conceito meramente formal. Ou seja, Estado soberano é aquele que se encontra direta e imediatamente relacionado ao Direito internacional público. O conteúdo da soberania é cada vez menor na medida da internacionalização da vida econômica, social e cultural. Assim, não se pode mais aplicar à soberania a noção de soberania absoluta. P: Bitributação é o mesmo que bis in idem? R: Não. No direito tributário de feição interna a bitributação consiste na dupla tributação, sobre o mesmo fato gerador, imposta por duas pessoas jurídicas de direito público distintas. Porque há invasão de competência fiscal, o sistema tributário brasileiro abomina a bitributação. Essa figura não se confunde com o bis-in-idem, que se dá quando sobre o mesmo fato gerador há dupla incidência, imposta pela mesma pessoa de direito público. Em âmbito internacional, a bitributação se realiza quando dois Estados distintos pretendem alcançar os mesmos fatos tributáveis. Gerd W. Rothmann nos ensina que pode-se falar em uma dupla tributação jurídica e outra econômica. De tal modo, em sentido jurídico, ocorre bitributação internacional quando houver exigência de impostos idênticos ou comparáveis, por vários Estados soberanos, do mesmo contribuinte e em relação ao mesmo objeto tributável e mesmo período tributário. Distingue-se da bitributação econômica, também chamada de dupla imposição, que ocorre quando o mesmo objeto é tributado em relação a vários sujeitos passivos, p. ex., na bitributação do lucro da empresa pelo imposto de renda da pessoa jurídica e pelo imposto de renda da pessoa física, no caso de sua distribuição. P: No que consistem os acordos bilaterais sobre bitributação? R: Os acordos implementam métodos para se eliminar ou se atenuar a bitributação internacional. P: Quais medidas unilaterais podem ser utilizadas com o fim de se eliminar ou atenuar a bitributação? R: Há várias medidas unilaterais, internas, destacando-se métodos de isenção, de crédito fiscal, de alíquota proporcional reduzida, e de dedução dos impostos pagos no exterior da base de cálculo do imposto interno a ser pago. Essas medidas indicam impactos menos intensos e substancializam políticas internas com reflexos na ordem negocial internacional. P: Qual modelo de acordo é utilizado na maioria daqueles celebrados pelo Brasil? R: No plano dos acordos o modelo geralmente seguido é o organizado pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Este tem a sua origem nos trabalhos desenvolvidos pelo Comitê Fiscal da Organização Europeia de Cooperação Econômica (OECE), encarregado de apresentar um projeto de convenção destinado a eliminar as duplas tributações sobre o rendimento e o patrimônio. P: Quais os principais métodos utilizados pelo modelo da OCDE para que se evite a bitributação? R: O modelo prevê a isenção ou sistema de crédito e de compensação. Isenta-se de tributação interna circunstâncias e valores alcançados por tributação em outro Estado contratante. Pode-se também propiciar ao interessado regime de dedução. Tributos anteriormente recolhidos, e referente a situação fática também posteriormente tributável, podem ser deduzidos pelo interessado, que compensará valores. A exemplo do que já ocorre em âmbito interno, há inegável clima de guerra fiscal, o que indiretamente afeta Estados contratantes, por meio de práticas heterodoxas por parte de outros Estados, que propiciam paraísos fiscais e bancários para os interessados. De modo mais amplo, o Modelo de Convenção cogita também de roteiro para assistência mútua para a administração da cobrança de tributos. P: No que consiste o treaty shopping e como é encarado pelo direito das gentes? Trata-se da seleção do melhor tratado, que Heleno Tôrres prefere traduzir por “busca da melhor convenção internacional”. Ainda, para esse autor, o treaty shopping corresponde à atitude de um determinado sujeito, na organização transnacional dos seus negócios, de pretender utilizar-se dos benefícios concedidos por um determinado acordo internacional para evitar a bitributação, selecionado dentre os demais pela conveniência que oferece às operações pretendidas, mesmo sem ter direito a tais benefícios, por não figurar no âmbito subjetivo do acordo (sendo um não-residente em relação aos páises signatários), através da interposição de uma pessoa jurídica apta a agir em seu nome e por sua conta. Essa prática está ligada à noção de abuso de direito. P: No que consiste o rule shopping e como é encarado pelo direito das gentes? R: O referido autor menciona também o rule shopping, que consiste no planejamento tributário pelo qual os sujeitos indicados no respectivo ”âmbito subjetivo” como beneficiários, visando ampliar ainda mais as possibilidades de acordo, promovem atos de escolha da “melhor regra” e de qualificações mais favoráveis, nos atos de aplicação do tratado, em face dos regimes atribuídos, envolvendo casos de qualificação ”objetiva”. Segundo ele a finalidade das convenções internacionais em matéria tributária consiste, basicamente, na promoção da circulação de bens, serviços, capitais, eliminando a dupla tributação internacional, mas não para se constituir num instrumento para facilitar a elusão e a evasão fiscal. 17. Processo Administrativo Fical (Decreto n. 70.235/1972). Arrolamento de bens e direitos. Carol Dorneles (coragemrs@yahoo.com.br). P. Em que consiste o Arrolamento Fiscal? R. O arrolamento fiscal consiste em medida administrativa do Fisco Federal, previsto no artigo 64 da Lei n. 9.532/1997, destinada ao controle patrimonial do sujeito passivo com real possibilidade de tornar-se insolvente mediante a dissipação patrimonial, conferindo agilidade na análise da conveniência do ajuizamento de Ação Cautelar Fiscal pela PGFN. Deste modo, não representa medida de indisponibilidade ou de restrição patrimonial, nem restringe a plena utilização do patrimônio pelo contribuinte. P. É constitucional exigir o arrolamento prévio de bens e direitos como condição para a interposição de recurso administrativo? R. O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a exigência de arrolamento prévio de bens e direitos como condição para interposição de recurso administrativo, não necessitando, portanto, proceder ao arrolamento de 30% do montante devido, na forma exigida pelo artigo 33, parágrafo 2°, do Decreto n. 70.235/1972, sob pena de ofensa ao exercício do direito de petição e do devido respeito ao princípio do contraditório. Este entendimento restou consubstanciado na Súmula Vinculante n. 21 do STF. Todavia, tal forma de arrolamento não se confunde com o arrolamento fiscal, previsto no artigo 64 da Lei n. 9.532/1997, que continua plenamente válido. P. Quais são as hipóteses legais que autorizam a Administração Fiscal proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo? R. Segundo reza o artigo 64 da Lei n. 9.532/1997, a autoridade fiscal competente procederá ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo sempre que o valor dos créditos tributários de sua responsabilidade for superior a 30% do seu patrimônio conhecido. Ainda, deve-se destacar que consoante previsão do parágrafo 7° do referido dispositivo, só haverá tal procedimento se a soma dos créditos for de valor superior a R$ 2 milhões, montante este alterado pelo Decreto n. 7.573/2011. P. Alienados, onerados ou transferidos bens e direitos objetos de arrolamento fiscal sem comunicação à autoridade fiscal autoriza esta a propositura de alguma medida? R. De acordo com o artigo 64, parágrafos 3° e 4°, da Lei n. 9.532/1997, a alienação, oneração ou transferência a qualquer título, dos bens e direitos arrolados, sem a prévia comunicação à autoridade fiscal competente, autoriza o requerimento de Medida Cautelar Fiscal em face do sujeito passivo, na forma da Lei n. 8.397/1992. P. É possível a intimação por edital em Processo Administrativo Fiscal? R. Segundo artigo 23 do Decreto n. 70.235/1972 é possível a intimação por edital em Processo Administrativo de forma subsidiária, caso improfícuo os meios previstos, quais seja, intimação pessoal, via postal ou por meio eletrônico. Do mesmo modo, será possível intimação via edital caso o sujeito passivo tenha sua inscrição declarada inepta perante o cadastro fiscal. P. O requerimento de compensação tributária perante a Administração Fiscal tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário? R. O artigo 151 do CTN aduz que uma das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributária refere-se ao às reclamações e recursos administrativos. Em análise do tema, o STJ definiu que “o requerimento do contribuinte na esfera administrativa, postulando a compensação tributária, ainda que com créditos de precatório, enseja a abertura de processo administrativo fiscal de que trata o art. 151, III, do CTN, suspendendo-se a exigibilidade do tributo até manifestação definitiva do Fisco” (AgRg no REsp 1129800/PR). P. Quais são os casos previstos pelo Decreto n. 70.235/1972 nos quais deverá a autoridade de primeira instância recorrer de ofício? R. Segundo reza o artigo 34 do Decreto n. 70.235/1972, a autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda, ou deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. P. A autoridade julgadora do Processo Administrativo Fiscal pode determinar a realização de provas? R. De acordo com artigo 29 do Decreto 70.235/1972, a autoridade julgadora, na apreciação da prova, formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Isso porque vige no âmbito do processo fiscal o Princípio da Verdade Material ou Liberdade de Provas, autorizando o ordenamento jurídico que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos (verdade material), e não apenas a verdade que é, em princípio, trazida pelas partes ao autos (verdade formal). 18. Processo Judicial Tributário; ações do Fisco contra o contribuinte: ação de Execução Fiscal e Medida Cautelar Fiscal; ações do contribuinte contra o Fisco: ação declaratória, ação anulatória, ação de repetição de indébito, ação de consignação em pagamento, e Mandado de Segurança. Karine(karineduarte18@hotmail.com) P: Como se aplica a subsidiariedade do CPC á Lei de Execução Fiscal? R: O CPC só vai ser aplicado quando houver lacuna na LEF. Mauro Lopes tem um termo onde diz que tem que haver uma lacuna indesejável. Lacuna indesejável porque às vezes a LEF não é omissa, não é lacunosa, ela tem simplesmente um procedimento distinto, ou seja, ela optou por não adotar um determinado procedimento, uma determinada regra que está no CPC. É o que vários autores chamam de silêncio eloquente. Não é uma questão de lacuna, é intencional, ela não aplica o CPC porque não quer. Então, só vamos aplicar o CPC se houve uma lacuna indesejada, ou seja, efetivamente há uma omissão, não se tem nenhuma regra e o CPC é aplicado, pois a LEF trata de forma diferente, ela optou por não seguir a regra do CPC, por isso que ela é especial. Com a reforma do CPC, em alguns casos, o CPC que é norma geral ficou melhor do que a LEF que é especial. Porque a LEF é de 80 e não foi alterada e o CPC foi reformado recentemente. Então, o CPC tem alguns artigos que trazem benefícios ao credor comum que a LEF não possui. A solução que está prevalecendo nos Tribunais e na doutrina é que nesse caso deve-se aplicar o CPC. Apesar de não haver uma lacuna, se aplica ao CPC naquilo que ele for mais benéfico. Nesse caso, aplica-se a Teoria do Diálogo das Fontes que surgiu no Brasil em função do CDC, mas que hoje está sendo aplicada em várias outras questões. A Teoria do Diálogo das Fontes diz que para se dar coerência ao sistema há de se fazer com que as normas dialoguem, há de se interpretar aquelas normas de modo que o sistema como um todo seja coerente. No caso do CPC e da LEF para que o sistema seja coerente deveremos aplicar a Norma Geral, porque não podemos ter um credor privado, com mais benefício, com mais privilégio que o credor fazendário que já é privilegiado na essência. Então para dar coerência ao sistema, deve-se interpretar as normas e aplicar, excepcionalmente, a norma geral ao invés da norma especial. P: Qual a competência do juízo processante da execução fiscal? R: O art.5 da Lei 6.830/80 dispõe que a competência para processar e julgar a execução da Dívida Ativa da Fazenda Pública exclui a de qualquer outro juízo, inclusive o de falência, da concordata, da liquidação, da insolvência ou do inventário. Nota-se, porém, que isso não significa que a execução possa ser processada e julgada de modo completamente autônomo, independente e desligado de eventual processo de falência, até mesmo por conta da ordem de preferência dos créditos, que deve ser observada. Assim, a execução tramita de modo autônomo e independente, até a alienação do bem penhorado. Apurado o valor correspondente, na execução fiscal, o mesmo valor deve ser remetido ao juízo falimentar, para que este satisfaça, com ele, eventuais créditos que estejam acima do tributário na ordem de preferências (STJ, 1S, EDIv no RESP 536.033-RS, Rel. Eliana Calmon, DJ de 9.02.2005). Em complemento, o art. art.5 da Lei 6.830/80 deve ser conjugado ao art. 578, CPC, o qual estabelece que a execução fiscal será proposta no foro do domicílio do réu; se não o tiver, no de sua residência ou no do lugar onde for encontrado. A Fazenda Pública poderá, ainda, escolher o foro de qualquer um dos devedores, quando houver mais de um, ou o foro de qualquer dos domicílios do réu; a ação poderá ainda ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato ou ocorreu o fato que deu origem à dívida, embora nele não mais resida o réu, ou, ainda, no foro da situação dos bens, quando a dívida deles se originar. P: Qual a diferença entre domicílio civil e domicílio tributário? R: No domicílio tributário prevalece a liberdade de escolha, ou seja, o CTN é aplicado em caráter supletivo. A regra é o foro, é a liberdade de escolha. O art. 127 será aplicado quando não se tiver escolha, ou seja, em caráter supletivo. O contribuinte ou o responsável escolhe o seu domicílio.. O art. 127 do CTN que trata do domicílio tributário é aplicado em caráter supletivo, ou seja, se ele não escolher, o CTN vai ser aplicado, aí o CTN vai dizer qual é o domicílio. No domicílio civil não é assim, a regra está no Código Civil (art. 70 e ss). Pode haver o foro de eleição, mas ele não é a regra, é a exceção. O Código Civil diz o domicílio aplicado às pessoas e aos casos. A regra está expressa na lei. O foro de eleição é uma exceção. A pessoa poderá escolher, mas essa não é a regra geral. P: Há alguma ordem preferencial entre o caput e o parágrafo único do art. 578 do CPC, ou a Fazenda pode escolher livremente onde irá ajuizar a execução? Em outras palavras: será que o réu pode sempre alegar que tem a preferência de ser executado em seu domicílio? Ou a Fazenda Pública poderá escolher livremente onde quer ajuizar a Execução Fiscal entre o caput e o parágrafo? R: O STJ entendeu que é uma escolha da Fazenda, ela escolhe livremente, não há hierarquia entre o caput e o parágrafo, não há uma ordem entre o caput e o parágrafo. A Fazenda escolhe livremente onde quer ajuizar a execução entre as hipóteses que o CPC lhe oferece. Assim, o réu não tem como se opor e pedir para ser citado sempre em seu domicílio, porque poderá haver uma execução proposta onde estiver localizado o imóvel, por exemplo, mesmo que não seja esse o domicílio tributário escolhido por ele. Isso foi julgado no recurso repetitivo REsp 1120276: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. ART. 578, § ÚNICO DO CPC. MUDANÇA DE DOMICÍLIO ANTERIOR AO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. FORO COMPETENTE. RESSALVA DO PONTO DE VISTA DO RELATOR. 1. A competência para a propositura da execução fiscal subsume-se aos foros concorrentes explicitados no art. 578 do CPC, verbis :"Art. 578. A execução fiscal (art. 585, Vl) será proposta no foro do domicílio do réu; se não o tiver, no de sua residência ou no do lugar onde for encontrado. Parágrafo Único. Na execução fiscal, a Fazenda Pública poderá escolher o foro de qualquer um dos devedores, quando houver mais de um, ou o foro de qualquer dos domicílios do réu; a ação poderá ainda ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato ou ocorreu o fato que deu origem à dívida, embora nele não mais resida o réu, ou, ainda, no foro da situação dos bens, quando a dívida deles se originar." 2. Consectariamente, o devedor não tem assegurado o direito de ser executado no foro de seu domicílio, salvo se nenhuma das espécies do parágrafo único se verificar. 3. Omiss 4 - Omiss 5. Omiss P: Aplica-se á Execução Fiscal a regra do art. 87, CPC que prevê a perpetuatio jurisdicionis? R: O art. 87 estabelece que a competência determina-se no momento em que a ação é proposta, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a competência em razão da matéria ou da hierarquia. Esse artigo é aplicado na Execução Fiscal, porque há uma lacuna. Assim, ajuizada a Execução Fiscal, qualquer mudança posterior de domicílio não vai levar a alteração do foro onde está sendo julgada a Execução. A competência é definida no momento do ajuizamento. O mesmo vale quando se tem redirecionamento de Execução. Vamos dizer que se tenha proposto uma execução contra João, o domicílio dele é X na Capital do RJ. João vende o imóvel e a Fazenda redireciona a execução para Maria que mora no Município do Duque de Caxias. Não haverá modificação da competência territorial, a execução permanece na Capital, em função de ter sido fixada no momento do ajuizamento. Nesse ponto, não há nenhuma regra específica, aplica-se a regra geral do CPC. P: Quem poderá ajuizar a Execução Fiscal? R: A legitimidade ativa está prevista no art. 1º da LEF – lei 6830/80: art. 1º - A execução judicial para cobrança da Dívida Ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e respectivas autarquias será regida por esta Lei e, subsidiariamente, pelo Código de Processo Civil, logo tem legitimação ativa tão somente as pessoas de Direito Público, seja um ente da federação decorre da “circulação da mercadoria” e não da simples transposição de fronteiras. Princípio da Uniformidade Geográfica: Uma de suas vertentes, prevista no art. 151, I, da CRFB/88, veda que a União venha a instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional, ou que implique distinção ou preferência de um Estado/Município sobre outro. Ressalva-se a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio socioeconômico entre as diferentes regiões do país. A segunda vertente, art. 151, II, da CRFB/88, impede que a União tribute a renda das obrigações da dívida pública dos Estados, DF e Municípios, bem como a remuneração e proventos dos respectivos agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar para suas obrigações e seus agentes. Por último, temos a proibição expressa de concessão heterônoma de isenção – art. 151, III, da CRFB/88. O texto constitucional proíbe a União de instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do DF e dos Municípios. Todavia, essa vedação, segundo o STF/STJ, não impede a atuação da União na ordem externa (tratados, convenções e acordos internacionais). Nesse caso, a União atuará como República Federativa do Brasil, não incidindo o comando constitucional, aplicando-se, por conseguinte, o princípio da extraterritorialidade. Princípio da Não-Discriminação em razão da procedência ou destino: Previsto no art. 152 da CRFB/88, impede que os Estados, o DF e os Municípios venham a estabelecer diferenças tributárias entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino. O fim teleológico deste princípio é evitar a guerra fiscal entre os entes federados. Princípio da Territorialidade das Leis: Trata-se de princípio implícito. Corrobora que as leis tributárias somente têm validade e eficácia no âmbito do Poder Legislativo que a produziu. O Congresso Nacional produz lei com validade em todo o território nacional. As Assembleias Legislativas produzem leis com validade nos respectivos estados. As Câmaras Municipais produzem leis com validade nos respectivos municípios. Contudo, existem alguns casos de extraterritorialidade das leis tributárias: (i) tratados internacionais, no qual a União atua como República Federativa do Brasil e (ii) Convênios firmados entre os Estados, DF e Municípios. P: No que concerne a relação do Direito Tributário com o Direito Privado? R: O Direito Tributário encontra vários e profundos pontos de contato com o Direito Privado. No campo do Direito Civil, salta aos olhos sua grande importância quando temos que elucidar os conceitos de obrigação, de credor, de devedor, de crédito, de débito, de capacidade, domicílio e tantos outros. O mesmo se dá quando nos deparamos com as definições de empresa, de empresário e outros conceitos do Direito Empresarial. Pode-se dizer então que os conceitos e princípios do direito privado podem ser utilizados para definir o conteúdo e o alcance dos institutos do Direito Tributário, porém não servem para definir os respectivos efeitos tributários, conforme aduz o art. 109 do CTN. Ademais, complementado o raciocínio, à luz do art. 110 do CTN, a legislação tributária não poderá alterar o conteúdo e o alcance dos institutos do Direito Privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela CRFB/88, Constituições Estaduais e Leis Orgânicas do DF ou dos Municípios. 3. Conceitos tributários-constitucionais: concepções; jurisprudência do STF. Carolina (coragemrs@yahoo.com.br) P. Qual é a classificação das espécies tributárias adotada pelo STF? R: Embora o artigo 145 da CF enumere apenas três espécies de tributos, quais sejam, impostos, taxas e contribuições de melhoria, o STF adotou a Teoria Pentapartida, considerando espécies tributárias não só presentes no mencionado dispositivo, mas também as demais contribuições tributárias e os empréstimos compulsórios. P. É possível a cobrança de taxa exigida exclusivamente pela prestação de serviço público de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos de imóveis? Há posicionamento do STF quanto à questão? R: O STF sedimentou, em sua Súmula Vinculante n. 19, que “A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis, não viola o art. 145, II, da CF.” P. Pode o serviço de iluminação ser cobrado mediante taxa? Quem detém a competência tributária para instituição de tributo relativo a tal serviço? R: Segundo a Súmula n. 670 do STF, o serviço de iluminação pública não pode ser exigido através da espécie tributária denominada taxa. Com a Emenda Constitucional n. 39, de 2002, que acrescentou o artigo 149-A à Constituição Federal, permitiu-se aos Municípios e ao Distrito Federal a instituição de contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública, cuja cobrança poderá ser realizada diretamente na fatura de consumo de energia elétrica. P. Taxa e preço público são de cobrança compulsória? R: Não. Segundo o STF (RE 556.854), taxa e preço público diferem quanto à compulsoriedade de seu pagamento. A taxa é cobrada em razão de uma obrigação legal enquanto o preço público é de pagamento facultativo por quem pretende se beneficiar de um serviço prestado, não sendo, portanto, compulsória. P. As custas judiciais são consideradas espécies tributárias? Se sim, qual sua classificação? R: Segundo o STF, as custas judiciais são consideradas tributos, sendo classificadas como taxas remuneratórias de serviços públicos. Em razão disso, sujeitam-se, quer no que concerne à sua instituição e majoração, quer no que se refere à sua exigibilidade, ao regime jurídico-constitucional pertinente a essa especial modalidade de tributo vinculado, notadamente aos princípios fundamentais que proclamam, dentre outras, as garantias essenciais (a) da reserva de competência impositiva, (b) da legalidade, (c) da isonomia e (d) da anterioridade.” (ADI 1.378-MC). P. O artigo 145, parágrafo 1°, da CF, estabelece que apenas os impostos deverão respeitar o princípio da capacidade contributiva. Qual é o posicionamento do STF sobre a questão? R: Segundo a Suprema Corte, todos os tributos submetem-se ao princípio da capacidade contributiva, ao menos em relação a um de seus três aspectos (objetivo, subjetivo e proporcional), independentemente de classificação extraída de critérios puramente econômicos (RE 406.955-AgR). P. O artigo 145, parágrafo 2°, da CF, determinada que as taxas não poderão ter base próprio de impostos. Mas, é possível a utilização de um de seus da base de cálculo própria de determinado imposto? R: Segundo entendimento do STF, consubstanciado na Súmula Vinculante n. 29, é constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral identidade entre uma base e outra. P. Pode lei ordinária dispor sobre prescrição e decadência no âmbito do direito tributário? R: O STF declarou inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do DL 1.569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, consubstanciando este entendimento na Súmula Vinculante n. 8, já que o artigo 146, inciso III, alínea b, da CF, determina que cabe à lei complementar dispor sobre tal matéria. P. A alteração promovida pela LC n. 118/2005 em relação à repetição ou compensação dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação possui função estritamente interpretativa? Qual o posicionamento do STF em relação à questão? R: O STF definiu em sede de repercussão geral que a alteração promovida pela LC 118/2005 embora tenha-se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de dez anos contados do fato gerador para cinco anos contados do pagamento indevido. Assim, foi reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/2005, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou em si, seja uma autarquia. Expressamente somente as pessoas jurídicas de direito público podem ajuizar a Execução Fiscal. No conceito de autarquias estão incluídas as fundações de direito público, que, segundo o STF, são espécies do gênero autarquia. Assim, se uma fundação pública quiser cobrar um crédito, poderá se utilizar da Execução Fiscal. P: Pessoas jurídicas de direito privado que são beneficiárias da arrecadação dos tributos podem ajuizar execuções fiscais? R: O posicionamento prevalente, não é o pacífico, mas é o prevalente, é no sentido de que eles não têm legitimidade, são meros beneficiários da arrecadação, ou seja, alguém irá ajuizar a Execução Fiscal e eles vão se beneficiar. O fundamento desta corrente majoritária é a literalidade do art. 1º da LEF, ou seja, esse artigo só faz menção a pessoas jurídicas de direito público. É uma interpretação literal. O próprio CTN, toda vez que trata do sujeito ativo, quando trata da possibilidade de delegar a capacidade tributária ativa, sempre faz referência à pessoa de direito público, isto é, para o CTN somente Pessoas Jurídicas de Direito Público podem ser sujeitos ativos tributários, somente eles possuem capacidade tributária ativa. Isso está expresso no art. 7º (capacidade ativa) e 119 (sujeito ativo), do CTN. P: Há legitimidade para as pessoas de direito privado que prestem serviços públicos com exclusividade e que o STF equiparou à Fazenda Pública para a cobrança de créditos não tributários por meio da execução fiscal? Eles se equiparam à Fazenda Pública para fins processuais de Execução Fiscal? Ou eles vão se submeter ao rito do CPC? R: Mauro Lopes entende que sim. Ele entende que tais pessoas possuem legitimidade ativa, pois foram equiparadas à Fazenda Pública para todos os fins, tendo direito às prerrogativas e privilégios que a Fazenda possui, inclusive processuais. Outros autores entendem que eles não têm legitimidade ativa, pois são pessoas de direito privado. Esses autores não fazem distinção, ou seja, sendo pessoa de direito privado não teria essa prerrogativa, eles ficando na literalidade efetivamente do art. 1º. Essa questão ainda não chegou ao STF. P: Pode o Tribunal de Contas ajuizar a Execução Fiscal? Pode ele cobrar as multas que ele aplicou ao administrador? R: Essa questão chegou ao STJ que entendeu que ele não poderá ajuizar a execução fiscal. Quem vai ajuizar a Execução Fiscal é o ente da federação beneficiário da aplicação da multa. O Tribunal de Contas não é credor desse valor, então quem vai ajuizar será a União, o Estado ou o Município, dependendo qual seja o Tribunal de Contas. É o ente da federação que irá inscrever e ajuizar. O STJ entendeu que eles não têm autonomia, não possuem personalidade jurídica distinta, devendo a inscrição se dar pelo ente que tenha personalidade jurídica de direito público. P: O Inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade, por si só, gera a responsabilidade solidária do sócio-gerente? R: Quem está obrigada a recolher os tributos devidos pela sociedade é a pessoa jurídica, e, não obstante ela atue por intermédio de seu órgão, o diretor ou o sócio-gerente, a obrigação tributária é daquela, e não deste. Sempre, portanto, que a empresa deixa de recolher o tributo na data do respectivo vencimento, a impontualidade ou a inadimplência é da pessoa jurídica, não do diretor ou sócio-gerente, que só respondem, e excepcionalmente, pelo débito, se resultar de atos praticados com excesso de mandato ou infração á lei, contrato social ou estatutos, exatamente nos termos do art.135, CTN. A matéria hoje já é pacífica e objeto de súmula: “O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por sisó, a responsabilidade solidária do sócio gerente” (Súmula 430, STJ). P: De acordo com o entendimento do STJ explique a quem cabe o ônus da prova quando das seguintes situações: a) o fisco ajuíza a execução fiscal contra a empresa e o gerente, ou seja, o nome dos dois consta da CDA b) o fisco ajuíza a execução fiscal apenas contra a empresa constando só ela na CDA, a dissolução irregular é descoberta no curso da Execução Fiscal e então a Fazenda deve redirecionar contra o sócio gerente. R: Na 1ª hipótese, no momento que se inscreve os dois, a consequência prática, é que, como há uma presunção de liquidez e certeza do título, o ônus da prova é invertido. Ou seja, caberá ao gerente provar que ele não agiu com violação de lei ou com excesso de poderes. No 2º caso, a Fazenda só inscreveu a empresa. Assim, para que haja o redirecionamento, o ônus da prova caberá a Fazenda, ela terá que provar que o gerente agiu com violação de lei ou atuou com excesso de poder. Mas se houver dissolução irregular da empresa se presume a violação e redireciona direto nos termos da Súmula 435, STJ: “Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente”. Nestes casos não haverá modificação do título, a CDA não será alterada, a Fazenda, simplesmente, inclui o sócio no pólo passivo daquela execução, redireciona a Execução (REsp 1110925). P: Cabe ao sócio-gerente opor exceção de pré-executividade para discutir se há ou não violação de lei que o submeta á responsabilização tributária? R: O STJ tem jurisprudência pacificada, no sentido que não cabe exceção de pré-executividade para discutir se há ou não violação de lei, porque nesses casos há necessidade de dilação probatória: oitiva de testemunhas, apresentação de documentos, perícia. Mas nessa questão específica do gerente, há uma decisão por recurso repetitivo - REsp 1110925. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL SÓCIO-GERENTE CUJO NOME CONSTA DA CDA. PRESUNÇÃO DE RESPONSABILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA ARGUIDA EM EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. INVIABILIDADE. PRECEDENTES. 1. A exceção de pré-executividade é cabível quando atendidos simultaneamente dois requisitos, um de ordem material e outro de ordem formal, ou seja: (a) é indispensável que a matéria invocada seja suscetível de conhecimento de ofício pelo juiz; e (b) é indispensável que a decisão possa ser tomada sem necessidade de dilação probatória. 2. Conforme assentado em precedentes da Seção, inclusive sob o regime do art. 543-C do CPC (REsp 1104900, Min. Denise Arruda, sessão de 25.03.09), não cabe exceção de pré-executividade em execução fisca promovida contra sócio que figura como responsável na Certidão de Dívida Ativa - CDA. É que a presunção de legitimidade assegurada à CDA impõe ao executado que figura no título executivo o ônus de demonstrar a inexistência de sua responsabilidade tributária, demonstração essa que, por demandar prova, deve ser promovida no âmbito dos embargos à execução. 3. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC. Caberia, portanto, ao sócio-gerente garantir a execução e apresentar embargos á execução, ele poderia, até, entrar com uma ação autônoma, mas é difícil porque geralmente o lançamento não foi feito contra ele. Então, na maioria das situações, a regra, é de que ele terá que embargar. P: Pode haver litisconsórcio ativo ou passivo na Execução Fiscal? Se sim, existe algum que é necessário ou todos são facultativos? R: O entendimento majoritário é que não existe litisconsórcio ativo necessário ou litisconsórcio ativo facultativo originário. Isso porque cada Fazenda tem sua própria inscrição em Dívida Ativa, cabendo a cada Fazenda inscrever seu crédito e ajuizá-lo. Elas não inscrevem juntas, não tem título em conjunto, ajuizamento em conjunto, do ponto de vista necessário, nem originário, porque cada uma tem seu procedimento de inscrição e ajuizamento, as regras administrativas variam. Quanto ao litisconsórcio passivo é cabível na Execução Fiscal, não há nenhum problema. Nos casos de solidariedade é facultativo, pois a Fazenda pode ajuizar contra todos os devedores solidários ou somente contra um. Já o litisconsórcio passivo necessário ocorre quando duas ou mais pessoas, necessariamente, participam do pólo passivo sob pena de nulidade da execução. Esta hipótese pode ser vislumbrada quando se está diante de um inventariante dativo, por força do que dispõe o art. 12,§1º, CPC. Esse artigo diz que todas as vezes que tivermos diante de um inventariante dativo, obrigatoriamente, todos os herdeiros têm que fazer parte da ação, seja no pólo ativo, seja no pólo passivo. Então, haveria um litisconsórcio passivo necessário, diante da obrigatoriedade de se citar todos os herdeiros. P: É possível inscrever todo e qualquer crédito não tributário na Dívida Ativa? R: O STJ tem uma Jurisprudência no sentido de que só é possível inscrever os créditos não tributários que sejam líquidos e certos. Para se chegar a essa liquidez e a certeza deve ser observado um procedimento administrativo em que seja assegurada a ampla defesa e o contraditório ou através da propositura de uma ação judicial, em que se terá uma sentença transitada em julgado que autorizará a inscrição em Dívida Ativa. P: A propositura da execução fiscal pela Fazenda Pública necessita da juntada do PAF em que foi constituído o crédito tributário? R: Não. A propositura da execução fiscal prescinde da juntada do PAF, pois inexiste fundamento legal para tanto, sendo suficiente a apresentação da CDA que é título executivo extrajudicial e tem sua formação precedida de contraditório administrativo, de forma que a Dívida Ativa goza de presunção de certeza e liquidez, nos termos da disposição contida no art. 3º, da LEF. Evidentemente, é possível que o juízo da execução fiscal requisite cópias, a fim de subsidiar eventual julgamento acerca da validade do crédito tributário, como, aliás, é praxe nas execuções fiscais. P: Qual a função precípua da inscrição em dívida ativa? R: Tornar o crédito tributário ou não tributário exequível. O lançamento torna o crédito exigível, mas é a inscrição que o torna exequível, ou seja, passível de cobrança judicial, porque é através da inscrição que se forma o título da Fazenda Pública, que é a Certidão de Dívida Ativa (CDA). P: O título executivo extrajudicial é o termo de inscrição ou a CDA? R: O título é a CDA. Porque é a Certidão de Dívida Ativa que irá instruir a Execução Fiscal. Agora, a CDA tem os mesmos requisitos do termo de inscrição, ou seja, ela é uma cópia do Termo de Inscrição, os requisitos são os mesmos. E isso está expresso no art. 2º, §5º e 6º da LEF. O art. 2º, §5º elenca os requisitos do Termo de Inscrição e § 6º menciona que a CDA deve ser cópia do termo ter os mesmos requisitos, mas o título é a CDA. É ela que vai fazer parte da petição inicial da execução fiscal. P: Qual a hipótese de emenda ou substituição da CDA? R: A ausência dos requisitos do art.2, § 5 da LEF quais sejam; nome do devedor, dos corresponsáveis e seus domicílios, valor originário da dívida, termo inicial e a forma de calcular os juros de mora, a origem, natureza e o fundamento legal da dívida e etc, na CDA ou no Termo de inscrição ensejam a nulidade dos mesmos, pois apresenta vícios formais. No entanto, tal nulidade é passível de ser sanada por meio da emenda ou substituição da CDA. Assim, somente os erros materiais possibilitam a emenda ou substituição. Não tem o condão de convalidar a nulidade do processo ou procedimento a prática de lançamento por autoridade incompetente, ou com o uso de provas ilícitas, ou ainda quando se verificar cerceamento de direito de defesa no âmbito do processo administrativo, ou indicação errônea do sujeito passivo. Não se pode utilizar a substituição da CDA para corrigir erros do lançamento. Assim a Súmula 392, STJ: “A Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do sujeito passivo da execução.” P: Até quando a CDA pode ser emendada ou substituída? R: O art. 2º § 8º da LEF e o art. 203 do CTN estabelecem que até a decisão de primeira instância, a Certidão de Dívida Ativa poderá ser emendada ou substituída, assegurada ao executado a devolução do prazo para embargos. Para o STJ, a decisão de primeira instância é a decisão dos embargos. Se não tiver embargos, a Fazenda poderá emendar até a lavratura do auto de arrematação ou de adjudicação (auto de arrematação quando houver bens que foram a leilão e houver arrematante ou no caso de auto de adjudicação quando o próprio ente ficará com o bem). Assim, lavrado o auto, há uma definitividade e a partir daí a Fazenda não poderá mais emendar ou substituir a CDA, se assim não fosse á substituição e emenda violaria o princípio da segurança das relações jurídicas desfazendo atos que contaram com a participação de terceiros. Esse é o posicionamento que está prevalecendo no STJ. P: É possível o protesto extrajudicial a CDA? A lei 9492/97, que versa sobre o protesto, estabelece no art. 1 que o protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e ao descumprimento de obrigação originada em título e outros documentos de dívida. Para aqueles que defendem a possibilidade de protesto da CDA, o fundamento está no termo “outros documentos de dívida” da parte final do dispositivo em comento, além das vantagens que o protesto pode trazer, como efetivar o princípio da eficiência em que o administrador público valha-se dos meios mais efetivos e céleres e menos custosos de cobrança dos créditos fiscais, sendo que o protesto extrajudicial reúne todas essas características, sendo mais rápida e barata que a execução fiscal; interromper o prazo prescricional; dispensar o devedor com o pagamento de honorários advocatícios e custas processuais; possibilitar a execução extrajudicial pela Fazenda Pública de créditos considerados ínfimos para a execução fiscal; revelar-se como meio de grande coercibilidade porque permite a inscrição do devedor nos serviços de proteção aos créditos. A despeito dos inúmeros argumentos favoráveis, o STJ possui julgados no sentido de que não haveria sentido em se realizar o protesto da CDA, considerando que esta já goza de presunção de certeza e liquidez. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DEINSTRUMENTO. CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA - CDA. PROTESTO.DESNECESSIDADE. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem afirmado a ausência de interesse em levar a protesto a Certidão da Dívida Ativa, título que já goza de presunção de certeza e liquidez e confere publicidade à inscrição do débito na divida ativa. 2. Agravo regimental não provido. Vale ressaltar que o STJ, apesar de reputar que o protesto não é juridicamente necessário, entende que não deve haver, necessariamente, condenação em danos morais caso ele seja levado a feito. Ocorre que foi publicada a Lei 12.767/2012 que alterou a Lei de Protesto permitindo expressamente o protesto da CDA. Desse modo, agora existe expressa previsão legal de protesto da CDA na Lei 9492/97, de forma que se espera, que com a inovação legislativa, o STJ reveja se entendimento. Este é o panorama atual da possibilidade de protesto de CDA. P: Em quais hipóteses o executado será citado por oficial de justiça e por edital na execução fiscal? R: A regra na execução fiscal é a citação por carta (AR), só se irá passar para outra modalidade de citação, se aquele AR for devolvido sem ninguém ter assinado, ou se o AR não for devolvido, é o que diz o art. 8º, III, então a citação será feita por oficial de justiça ou por edital. O inciso III diz que a citação será feita por Oficial de Justiça ou por Edital. A conjunção é alternativa – “ou”. Por isso, a Fazenda quando da volta do AR, em geral, pedia a citação por edital que é ficta. Diante disso, o STJ pacificou seu entendimento depois de muita briga, e entendeu que não é uma opção: primeiro deve ser feita a citação por oficial de justiça e se ela for inviabilizada por qualquer motivo, aí sim, haverá a citação por edital. Não é uma alternativa, na realidade é uma ordem: primeiro cita pelo oficial de justiça e depois, sendo inviável, cita-se por edital se o executado estiver em local incerto e não sabido. Em recente informativo (510), o STJ entendeu que a citação por edital é cabível após única tentativa de citação por oficial de justiça quando o executado não é localizado no seu domicílio fiscal, sendo o fato certificado pelo referido auxiliar da justiça. Não sendo necessário o exaurimento de todos os meios para localização do paradeiro do executado para se admitir a citação por edital, sobretudo porque tal exigência não decorre do art. 8º, III, da Lei n. 6.830/1980. (Precedentes citados: REsp 1.103.050-BA (Repetitivo), DJe 6/4/2009, e REsp 1.241.084-ES, DJe 27/4/2011. AgRg no AREsp 206.770-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 13/11/2012.). Ademais, é possível também a citação por edital quando o executado estiver fora do país, nomeando um curador e prosseguindo a execução, pois a LEF não prevê a citação por carta rogatória. P: A penhora on line se aplica ou não em execução fiscal? R: Essa regra não está na LEF que só faz menção a dinheiro. O STJ analisou essa questão em recurso repetitivo: STJ, REsp 1184765. O entendimento do STJ é de que o art. 655-A (que possibilita a penhora on line) foi introduzido pela lei 11.382/06 que teve uma vacatio legis e só produziu seus efeitos a partir do dia 20-01-2007. Por isso, temos um posicionamento anterior a 20 de janeiro e um posicionamento posterior a 20 de janeiro de 2007. Para o STJ, essa lei se aplica a Execução Fiscal a partir de 2007, ou seja, a partir de 2007 pode aplicar à LEF a penhora on line. A Fazenda Pública pode requerer ao juízo e ele vai direto à indisponível aquele valor até o limite do crédito. Antes de 2007, o STJ reafirmou sua Jurisprudência, no sentido de que a penhora on line, que era feita por ofício ao Banco Central, só poderia ser admitia em casos excepcionais e se o credor fazendário comprovasse que tinha esgotado todas as providências necessárias para encontrar bens do devedor. Ou seja, o credor não poderia simplesmente pedir por ofício ao Banco Central, teria que primeiro comprovar que tomou todas as providências necessárias para localizar bens do devedor, mas não encontrou. Só assim, ele pediria a expedição do ofício ao Banco Central para ser feita a penhora de dinheiro. Isso porque antes da alteração do CPC, o entendimento do STJ é que deveria prevalecer o sigilo bancário e que não poderia ser quebrado só porque a Execução Fiscal estava tendo dificuldades em seu andamento, mas apenas em casos excepcionais. Com a alteração do CPC, a penhora on line passou a ser a regra. E o STJ passou a aplicar a alteração do CPC ao credor fazendário, apesar de não ter lacuna e ter uma regra específica da LEF, diante da Teoria do Diálogo das Fontes. Ou seja, aplica-se a norma geral que é o CPC por que ela é mais benéfica. Não é coerente que o credor privado possa fazer penhora on line e a Fazenda não possa fazer o mesmo. P: É possível o exequente oferecer á União penhora em precatório de ente Estadual? R: O entendimento pacífico no STJ é de que é possível oferecer, mas esse crédito entra no inciso VIII do art. 11 da LEF, ou seja, ele é um crédito. A consequência prática disso, sendo o último inciso, se o executado o apresentar a Fazenda Pública pode rejeitar se ele tiver outros bens anteriores naquela ordem. A rejeição pode se dar com base em qualquer um dos motivos do art. 656, CPC. Esse artigo traz os fundamentos para se rejeitar um crédito quando não se observa a ordem. E o argumento principal do 656 (90% dos casos é a posição da Fazenda) é a falta de liquidez. Esse é o principal argumento para rejeição de bens, mesmo na Execução comum – falta liquidez. P: A apresentação dos embargos pelo executado faz suspender a execução fiscal? O art.739-A do CPC é aplicado á execução fiscal? R: Alguns autores entendem que o efeito suspensivo dos embargos é automático. Mas o entendimento pacificado no STJ é de que se aplica o 739-A na parte referente aos requisitos para a concessão do efeito suspensivo, ou seja, a parte tem que pedir. A garantia é fundamental, a parte oferece os embargos e requer o efeito suspensivo. E o juiz vai verificar se estão ou não previstos os requisitos para a concessão do efeito suspensivo. Ou seja, o efeito suspensivo não é automático. Isso porque a LEF é lacunosa, não tem nenhum artigo tratando do efeito dos embargos, sendo assim, se aplica a regra do CPC. Os precedentes recentes são: REsp 1024128 e REsp 1130689. Esses precedentes não são em recurso repetitivo, nenhum tem súmula, mas o STJ entende que devem ser preenchidos os requisitos, do contrário não tem efeito suspensivo. P: Se a Fazenda pedir a substituição do bem penhorado (fiança para penhora on line) ou o reforço da penhora (pede um novo bem) o prazo para apresentar os embargos é reaberto? R: O STJ entende que só vai reabrir o prazo para Embargos, se a penhora anterior for considerada nula. Se a parte for simplesmente reforçar ou a substituir, a regra é que não reabre o prazo. Porque a penhora anterior foi válida, apenas quando se anula a penhora é como se ela não existisse. Se está apenas substituindo ou reforçando, a penhora anterior é válida, então o prazo começou a correr normalmente da primeira penhora. Essa é a regra. O único caso que o STJ admite a reabertura do prazo é se os novos embargos vierem a questionar o reforço da penhora ou a substituição do bem. Ou seja, não pode rediscutir toda a dívida, mas os embargos servirão para questionar o motivo do reforço da penhora, o bem que a fazenda quer penhorar. Os embargos vão mencionar exclusivamente ao que foi alterado. (Recurso repetitivo - REsp 1116287) P: É possível alegar compensação em sede de embargos? R: De acordo com a literalidade do art.16, §3º o executado não poderá alegar a compensação em embargos. Ocorre que o STJ tem temperado esta regra, ele tem admitido em alguns casos alegações de compensações tributárias. Mais para que tal alegação seja possível primeiro é preciso que haja uma lei do ente tributante prevendo a compensação; o crédito a compensar deve ser líquido e certo e se a parte tiver uma ação discutindo a compensação, esta ação deve ter o transito em julgado. P: Quais são as matérias que podem ser alegadas em exceção de pré-executividade? R: A primeira hipótese é o caso mais comum que é também usual na área do CPC, das execuções pelo CPC, quando se estiver alegando uma matéria conhecível de ofício, uma questão de ordem pública como; legitimidade da parte, as condições da ação de um modo geral, interesse de agir, algum pressuposto processual. Segunda hipótese onde cabe exceção de pré-executividade, que é muito comum em execução fiscal, é para alegação de vício formal do título, vício formal da CDA. A terceira hipótese é a alegação de prescrição e decadência, litispendência, coisa julgada, prova inequívoca de pagamento. Outra discussão imensa que chegou ao STJ e que o STJ também já examinou, é que seria cabível exceção de pré-executividade para discutir inconstitucionalidade de tributo. Isso era uma briga nos tribunais, mas o STJ entendeu que se não houver necessidade dilação probatória, se for uma inconstitucionalidade que você puder auferi-la do ponto de vista meramente formal, sem prova, o STJ admite que você argua por exceção. P: Para que haja concurso de credores entre diversos entes deve haver, necessariamente, pluralidade de penhora? R: Para que possa exercer a preferência, por exemplo, o INSS exercer a preferência sobre o Estado, é preciso que haja pluralidade de penhoras. Todos os entes têm que ter penhorado o mesmo bem. Recente súmula do STJ confirma isto. Súmula 497 “os créditos das autarquias federais preferem aos créditos da Fazenda estadual desde que coexistam penhoras sobre o mesmo bem.” P: A propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação de repetição do indébito e ação anulatória da dívida importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto? R: Sim. Não é possível ter concomitantemente as duas esferas, administrativa e a judicial. No momento em que você propõe a ação judicial automaticamente termina a fase administrativa. Ocorre que isto só acontece se o objeto da ação judicial e o da discussão na esfera administrativa forem o mesmo. Esta determinação foi considerada constitucional pelo Supremo recentemente, porque havia uma discussão para saber se isso não estaria dificultando o acesso ao Judiciário ou se isso não estaria violando a ampla defesa, porque você estaria abrindo mão de uma das fases. Mas o STF entendeu que é constitucional porque na verdade não se está impedindo o acesso ao Judiciário, só se está fixando uma regra de que precisa haver uma concentração de instâncias. Não faz o mínimo sentido movimentar as duas esferas enquanto a Judicial é a definitiva. Então, concentra-se em uma instância. Então se você entrou no juízo, automaticamente abriu daquela fase administrativa (RE 233582). P: Qual é o prazo que a Fazenda tem para ajuizar créditos não- tributários? R: Não há uma regra ou uma lei específica tratando dos créditos não- tributários. Então as Fazendas sempre defenderam que deve ser aplicado subsidiariamente o Código Civil. Como não tem lei especial e não poderia aplicar o CTN que trata de tributo, aplicar-se a regra do Código Civil. Só que o STJ em decisão recente, razoavelmente recente, entendeu num precedente do RJ, da Capital, repetitivo, já está pacificado, o prazo não é o do CC, mas do Dec. 20.910/32. O STJ aplicou o decreto por analogia. Qual foi o raciocínio do STJ? Se eu tenho 5 anos para discutir uma multa, por exemplo, a Fazenda também teria 5 anos para propor a execução fiscal (REsp. 1105442). P: Antes de o juiz reconhecer de ofício a prescrição, ele tem que intimar a fazenda? R: Depende do tipo de prescrição que o juiz irá decretar. Em se tratando de prescrição relativa ao ajuizamento da execução, exemplo, a Fazenda ajuizou no sexto ano, o juiz pode decretar a prescrição sem intimar a Fazenda. Neste caso aplica-se a Súmula 409, STJ: Em execução fiscal, a prescrição ocorrida antes da propositura da ação pode ser decretada de ofício (art. 219, § 5º, do CPC). Se a prescrição for intercorrente, ou seja, no curso da execução aplica-se o art. 40, § 4o : Se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional, o juiz, depois de ouvida a Fazenda Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato. Ou seja, nesta deve intimar. P: O que se pode arguir na ação anulatória? O simples ajuizamento da anulatória não impede o Fisco de cobrar o crédito? R: É possível alegar vício processual, por exemplo, vício na notificação do lançamento, é uma questão formal, questões de mérito como a inconstitucionalidade do tributo. Ou direito a imunidade, isenções, remissão que foi concedida por lei, ou ainda, pode alegar que o valor cobrado está a maior do que você deve. De acordo com o Art. 585, §1º a propositura de qualquer ação relativa ao débito constante do título executivo não inibe o credor de promover-lhe a execução, logo o simples ajuizamento da ação anulatória não impede a Fazenda de cobrar o crédito. O que vai impedir a cobrança é haver uma causa de suspensão da exigibilidade do crédito, se não tiver uma dessas causas, haverá o ajuizamento da execução fiscal. P: Qual a relação entre a ação anulatória e execução fiscal quando as duas estão em curso ao mesmo tempo? R: A primeira questão diz respeito à hipótese das duas ações correrem perante juízos que não são especializados, quando a questão é meramente territorial. O entendimento pacífico do STJ é que essas ações são conexas. Essas ações devem ser reunidas para evitar decisões conflitantes. E essas ações serão reunidas no juízo que primeiro despachou, aplicar-se-á a regra de prevenção que é o art. 106 do CPC. A Segunda hipótese que é mais complicada, que é a Vara Federal. Porque na Vara Federal há varas especializadas, que só julgam execução fiscal. Elas não têm competência para as ações tributárias. A questão é de incompetência absoluta, porque a competência é fixada em razão da matéria, não é uma discussão meramente territorial, que é relativa. Ela não julga anulatória, mandado de segurança, não julga nada, essas ações vão à livre distribuição. Em relação a essa hipótese eu tenho duas correntes: a primeira corrente entende que para se evitar decisões conflitantes, elas devem ser reunidas na vara especialidade, vai prorrogar a competência da especializada. Nesse caso, se estaria atendendo ao princípio da economicidade (economia processual), da segurança jurídica. A segunda corrente é de que eles não vão ser reunidos, porque a competência é absoluta, e não se pode prorrogar a competência absoluta por conexão. As ações vão prosseguir, salvo alguma causa de suspensão da exigibilidade ou suspensão do processo, mas em princípio elas vão prosseguir nas varas onde se encontrem, posição atual do STJ, ele entende que não se pode prorrogar competência absoluta, devendo ficar no juízo onde se encontram. P: Cabe Ação Declaratória Tributária contra lei em tese? R: A ação declaratória não pode servir como mera consulta ao Poder Judiciário. É a mesma ideia do MS. Não se pode impetrar o MS contra lei em tese, como também não pode propor uma Ação Declaratória como se fosse uma mera consulta ao Poder Judiciário. A jurisprudência tem exigido, inclusive do STJ, que a parte comprove que se enquadra nos fatos previstos na norma de forma abstrata. Ou seja, que o contribuinte está sujeito, pelo menos em princípio, aquela previsão legal. E que se tem o risco de correr um dano, sofrer por exemplo, um lançamento. P: O STJ tem dado eficácia executiva às ações declaratória, no âmbito tributário? R: Sim. O STJ entende, no caso específico do pedido de compensação, que apensar de ser uma ação declaratória, você pode executar, por ter a definição de todos os elementos para executar, aquela sentença nos próprios autos. E mais, você pode executar não só para fins de compensação que foi o que você pediu, mas também para repetição de indébito, para receber aquele crédito em dinheiro. Porque o STJ entende que a compensação tributária é uma alternativa a repetição de indébito. Essa possibilidade está sumulada, Súmula 461 do STJ: O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado. Em complemento, a Segunda Turma do STJ, recentemente, declarou que tem eficácia executiva sentença declaratória que traz a definição integral da norma individualizada. Portanto, se a sentença apresentou todos os elementos indicadores da obrigação (sujeito, prestação, liquidez e exigibilidade), não há necessidade de submete-la a um novo juízo o de certificação antes da execução (Informativo 504, STJ) P: É cabível ações de repetição de indébito com a causa de pedir a inconstitucionalidade de tributos? R: Sim, mas o contribuinte só terá direito a devolução do tributo pago se a sentença transitada em julgado tiver efeitos ex tunc, porque o ato estará sendo atingido desde a origem e aí aquele pagamento será indevido. Se a decisão tiver efeitos ex nunc, ou seja, se houver modulação temporal dos efeitos da sentença, a inconstitucionalidade produz efeitos para o futuro, então quem pagou não tem direito a restituição, isto vale tanto para o controle concentrado como o difuso. Vale anotar que para que seja aplicada a modulação temporal devem estar presentes os requisitos estabelecidos em lei como a segurança jurídica e o interesse público, que no caso da Fazenda seria criar um rombo no orçamento porque não há previsão orçamentária para aquela restituição, causando um dano considerável ao erário público. P: O art. 166, CTN, que estabelece a legitimidade para propor a ação de repetição do indébito em tributos indiretos, só se aplica nos casos de transferência do encargo, quando a discussão for jurídica ou também quando a discussão for meramente econômica? R: Existem alguns autores que acham que esse art. só se aplica quando a transferência do encargo for jurídica, que seria a hipótese do ICMS e do IPI. Porque o ICMS e o IPI são impostos não- cumulativos. Então dentro da própria sistemática do imposto, tem aquela sistemática de crédito e débito, de compensação, então já tem a ideia de que eu vou embutir e repercutir, eu vou transferir. Então repercussão é prevista em lei, decorre da essência do imposto. Mas nem todo tributo a repercussão é jurídica. Têm alguns autores que acham que esse art. 166 não se aplica, por exemplo, ao ISS. Porque no caso o ISS, segundo esses autores, a repercussão seria econômica, ela poderia acontecer ou não. É porque o ISS é cumulativo. No ISS eu não tenho sistema de crédito e débito. Eu não tenho a sistemática de abatimento de valores que já foram pagos. O ISS é cumulativo, ele incide sob o preço do serviço, sob a receita bruta. Eu só vou ter as exceções legais de abatimento. Não é possível abater sem previsão legal créditos anteriores. Então a repercussão nesse caso seria econômica. Por isso que esses autores acham que o art. 166 não se .aplicaria (Misabel Dercy e do Sacha Calmon). O entendimento do STJ é que o ISS, como regra, ele é indireto. E por tanto, está sujeito ao art. 166. P: Quem poderá propor a ação de repetição de indébito no caso de tributos indiretos? R: O STJ depois de muitas idas e vindas pacificou seu entendimento no Recurso Representativo de controvérsia no sentido de que a legitimidade é do contribuinte de direito, porque o contribuinte de fato não tem relação tributária com o Fisco, mas sim o contribuinte de direito. E se ele transferir o encargo financeiro a terceiro ele precisa da autorização do contribuinte de fato. (REsp. 903394) (AgRg no Ag 1233799/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJ 21/03/2011) P: Para efeito do art.167, I do CTN nos tributos sujeitos a lançamento por homologação quando ocorre a extinção do credito tributário? R: No momento do pagamento antecipado nos termos do art. 150, §1º. Logo, conta-se o prazo prescricional para ajuizamento da ação de repetição do indébito cinco anos do pagamento antecipado, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005. P: Há a possibilidade de depósito extrajudicial na consignação em pagamento em se tratando de créditos tributários? R: O depósito extrajudicial na consignação em pagamento está previsto nos parágrafos do artigo 890 do Código de Processo Civil, incluídos pela Lei nº 8.951/94. Por eles, o devedor pode, livremente, após alcançar o valor que entende devido, depositá-lo em instituição bancária oficial, cientificando o credor para no prazo de 10 (dias) aceitar ou contestar o valor depositado, sob pena de liberação da obrigação. No âmbito do direito tributário, porém, vigora de maneira relevante o princípio da legalidade, de sorte que não se pode considerar como permitido o depósito extrajudicial como forma de liberação da obrigação do devedor tributário, ante a inexistência de lei que autorize essa forma de extinção do crédito tributário, eis que a consignação em pagamento em matéria tributária está prevista no CTN 156, VII e 164, §2º. Como bem expõe Roque Carraza (Revista Justitia, São Paulo, 57 out\dez 1995) ao abordar os inovadores parágrafos do art, 890 do CPC “tais novidades não se compadecem com a forma de extinção das obrigações tributárias, que passa ao largo de atropelos, prazos exíguos, manifestações imediatas, etc. Ademais, o lançamento de tributos (mesmo os lançamento por homologação) há de passar sempre pelo crivo do Fusco.” Em sendo assim, não é cabível o depósito extrajudicial na consignação em pagamento de créditos tributários. P: Qual a taxa de juros e/ou correção monetária e o termo a quo na ação de repetição de indébito? R: O art. 167, parágrafo único, do CTN, estabelece a fluência dos juros de mora a partir do trânsito em julgado. Já a correção monetária é contada do pagamento indevido (Súmula 162) até o trânsito em julgado. De acordo com o STJ: (a) antes do advento da lei nº 9.250 de 1995, incidia a correção monetária desde o pagamento indevido até a restituição ou compensação (Súmula 162 STJ), acrescida de juros de mora a partir do trânsito em julgado (Súmula 188 STJ), nos termos do art. 167, parágrafo único, do CTN; b) após a edição da Lei 9.250/95, aplica-se a Taxa Selic desde o recolhimento indevido ou a partir de 1.01.96, vedada sua cumulação com quaisquer outros índices, seja de correção monetária, seja de juros, pois já incluído. Decisão recente do STJ assim se posicionou sobre o tema (REsp 1247979 / PR): A correção monetária do indébito deve ser plena, observados os índices constantes do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pelo Conselho da Justiça Federal por meio da Resolução 561/CJF, de 2.7.2007, com incidência da taxa SELIC para o juros de mora, a partir do trânsito em julgado da demanda, vedada sua cumulação com quaisquer outros índices, de correção monetária ou de juros. P: Existe prazo para compensação? Qual a natureza jurídica? E para tributo indireto? R: De acordo com Ricardo Alexandre “Mesmo optando pela compensação, o contribuinte se sujeita às regras relativas à repetição de indébito, principalmente no que concerne aos prazos extintivos. Assim, o prazo para a compensação é o mesmo para pleitear a restituição de valores pagos indevidamente a título de tributo, na forma do art. 168, do CTN, ou seja, 05 anos a contar da extinção do crédito ( art. 165, I e II) ou da data que se tornar definitiva a decisão administrativa ou trânsito em julgado de decisão judicial que desconstituiu da decisão condenatória. Existe controvérsia sobre a natureza do prazo, se prescricional ou decadencial. Entende-se, apesar das críticas, que esse prazo é decadencial (STJ REsp 1174017/RS, DJe 22/08/2012), pois representaria o direito de pleitear a restituição, que não dependeria de qualquer providência de terceiro. Já a pretensão de anular a decisão administrativa que denegou a restituição teria natureza prescricional. P: Cabe MS Coletivo impetrado por partido político para discussão de tributos? R: O posicionamento dos tribunais e da doutrina é que não cabe MS Coletivo impetrado por partido político para discussão de tributos, porque a discussão tributária não diz respeito a ele, aos seus filiados ou aos seus partidários. E ele não pode defender os interesses da coletividade, porque a lei exige uma pertinência temática. P: É possível em medida cautelar fiscal tornar indisponível patrimônio de terceiro? R: No REsp 962.023/DF publicado no informativo 473 do STJ, a Segunda Turma asseverou que o art.4, parg.2 da Lei 8397/92 autoriza o requerimento da medida cautelar fiscal para tornar indisponível o patrimônio de terceiro, desde que ele tenha adquirido bens do sujeito passivo (contribuinte ou responsável) em condições que sejam capazes de frustrar a satisfação do credito pretendido. Essas condições podem ser visualizadas em duas hipóteses; fraude a execução tributaria e fraude contra credores, desde que esta última esteja atrelada a uma ação pauliana ou revocatória, que declare o vício do negocio jurídico. 19. CADIN (Lei nº 10.522, de 19/07/2002) Filipe Sarpa (gandilson@hotmail.com) P. O que é o Cadin? R: O Cadastro Informativo de créditos não quitados do setor público federal Cadin é um banco de dados que contém os nomes de pessoas físicas e jurídicas com obrigações pecuniárias vencidas e não pagas para com órgãos e entidades da Administração Pública Federal, direta e indireta e de pessoas físicas que estejam com a inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) cancelada e de pessoas jurídicas que sejam declaradas inaptas perante o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). P. A mera existência de demanda judicial autoriza a suspensão do registro do devedor no Cadin (lei 10.522/02)? R: A mera existência de demanda judicial não autoriza, por si só, a suspensão do registro do devedor no Cadin. Para se obter a suspensão do registro no Cadin, além do ajuizamento da demanda, há a exigência de oferecimento de garantia idônea e suficiente ao juízo (art. 7º, I, Lei n. 10.522/2002). P. Sobre o CADIN, quais são os reflexos na inscrição nele lançada, se houver o parcelamento do débito tributário? Mesmo considerando que o parcelamento constitui confissão de dívida? R: Será suspenso o registro no Cadin quando o devedor comprove que esteja suspensa a exigibilidade do crédito objeto do registro (art. 7º, II, da lei 10.522). Por seu turno, o CTN em seu art. 151, VI, especifica que o parcelamento é hipótese de suspensão do crédito tributário, de sorte que o parcelamento impõe a suspensão do registro no CADIN, que ocorrerá após o pagamento da primeira parcela do parcelamento. Mesmo a lei 10.522 estabelecendo que o parcelamento importa em confissão irretratável do crédito tributário, isto não impede a suspensão da exigibilidade do crédito enquanto estiver sendo cumprido o parcelamento, de sorte que fica suspenso o cadastro no CADIN (art.12 c/c art. 7º, lei 10.522) P. A inexistência de registro no Cadin, implica reconhecimento de regularidade? Esse fato suprime a necessidade de apresentação de documentos atestando a regularidade? Há exceção? R: A inexistência de registro no Cadin não implica reconhecimento de regularidade de situação, nem elide a apresentação dos documentos exigidos em lei, decreto ou outros atos normativos. Entretanto, no caso de operações de crédito contratadas por instituições financeiras, no âmbito de programas oficiais de apoio à microempresa e empresa de pequeno porte, ficam as mutuárias, que não estiverem inscritas no Cadin, dispensadas da apresentação, inclusive aos cartórios, quando do registro dos instrumentos de crédito e respectivas garantias, de quaisquer certidões exigidas em lei, decreto ou atos normativos, comprobatórias de quitação de quaisquer tributos e contribuições federais. Esse benefício também é estendido aos mini e pequenos produtores rurais e aos agricultores familiares (art. 4º, Caput, §§1º e 2º, lei 10.522). P. Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal são obrigados a consultar o CADIN em alguma situação? Há exceção? R: Sim. Existem três situações previstas em lei que obrigam a Administração Pública Federal a realizar consulta no CADIN. São elas: A) Na hipótese de realização de operações de crédito que envolvam a utilização de recursos públicos; B) Quando houver concessão de incentivos fiscais e financeiros; C) Na celebração de convênios, acordos, ajustes ou contratos que envolvam desembolso a qualquer título, de recursos públicos, e respectivos aditamentos. A lei relativiza essa obrigatoriedade em três situações: A) Na hipótese de concessão de auxílios a Municípios atingidos por calamidade pública reconhecida pelo Governo Federal; B) Em operações destinadas à composição e regularização dos créditos e obrigações objeto de registro no CADIN, sem desembolso de recursos por parte do órgão ou entidade credora; C) Em operações relativas ao crédito educativo e ao penhor civil de bens de uso pessoal ou doméstico; (art. 6). P. Uma pessoa de direito público pode ser incluída no CADIN? R: Sim. Pessoas jurídicas, de direito público ou privado, e pessoas físicas, responsáveis por obrigações pecuniárias vencidas e não pagas para com órgãos e entidades da Administração Pública Federal, direta e indireta podem ser inscritas no CADIN. *A inscrição do Município no CADIN não constitui óbice à celebração de convênio estadual que tenha por fim a transferência de recursos para atividade de assistência social. (RMS 19.323/RS, 01/09/2005, DJ 03/10/2005) **PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. INSCRIÇÃO NO SIAFI E CADIN. INADIMPLÊNCIA DO MUNICÍPIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. (AgRg no AREsp 71267 / PI AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2011/0244593-9) P. A lei 10.522/02 prevê hipótese de reparcelamento? Qual é a condição para a formalização do pedido? É possível reparcelar débitos que já foram objeto de reparcelamento? R: O art. 14-A, da referida lei, contempla possibilidade de reparcelamento de débitos constantes de parcelamento em andamento ou que tenha sido rescindido. Além disso, no reparcelamento poderão ser incluídos novos débitos. A condição para a formalização do pedido de reparcelamento é o recolhimento da primeira parcela em valor correspondente a 10% (dez por cento) do total dos débitos consolidados. Sim, também é possível reparcelar débito que já foi objeto de reparcelamento. Para isso, se faz necessário o recolhimento de parcela em valor correspondente a 20% (vinte por cento) do total dos débitos consolidados. P. A lei 10.522 prevê hipótese de arquivamento de execução fiscal por débito de pequeno valor? Há possibilidade de reativação dessa cobrança? Qual é o objetivo dessa previsão? Em relação aos honorários, há alguma previsão? E nas execuções contra a Fazenda Nacional? R: Sim. O artigo 20 da lei 10.522 prevê que serão arquivados, sem baixa na distribuição, mediante requerimento do Procurador da Fazenda Nacional, os autos das execuções fiscais de débitos inscritos como Dívida Ativa da União, pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ou por ela cobrados, de valor consolidado igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). É possível a reativação dessa cobrança, uma vez que os autos dessas execuções serão apenas provisoriamente arquivados, possibilitando a reativação dos autos se os valores desses débitos ultrapassarem o limite mínimo indicado. O espírito da norma é de desobstruir a máquina judiciária dos processos de pouca monta, sem que haja para o contribuinte o incentivo ao inadimplemento de suas obrigações tributárias. Vale ressaltar que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, através da que a Portaria MF nº 75, de 22 de março de 2012, alterada pela portaria MF nº 130, aumentou para R$ 20 mil o limite mínimo para se ajuizar execuções fiscais por débitos para com o Fisco. Até então, o valor era de R$ 10 mil. A mudança se deu a partir de estudos dirigidos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) segundo os quais, em ações de execução de dívidas menores do que R$ 21,7 mil, a União dificilmente consegue recuperar valor igual ou superior ao custo do processo judicial. O § 2º do artigo 20 lei 10.522 traz a previsão de que serão extintas, mediante requerimento do PFN, as execuções que versem exclusivamente sobre honorários devidos à Fazenda Nacional de valor igual ou inferior a R$ 1000,00 (mil reais). Insta salientar que aqui não se trata de arquivamento, mas de extinção do débito. Assim, nesse caso, não há possibilidade de reativação dos débitos. O artigo 20-A, acrescido pela lei 12649/2012, prevê que nos casos de execução contra a Fazenda Nacional, é a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não opor embargos, quando o valor pleiteado pelo exequente for inferior àquele fixado em ato do Ministro da Fazenda. 20. Lei nº 7.711, de 22/12/1988 Solange (solange2k3@yahoo.com.br) P: A Lei 7711/1988 trata das formas de melhoria da administracao tributaria. Em seu art. 1º , enumera diversas hipoteses para as quais exige-se a comprovacao da quitacao de creditos tributarios exigiveis, que tenham por objeto tributos e penalidades pecuniarias. Ocorre que as seguintes hipoteses para as quais a lei faz a exigencia, foram declaradas inconstitucionais pelo STF: a transferencia de domicílio para o exterior; o registro ou arquivamento de contrato social, alteração contratual e distrato social perante o registro público competente, exceto quando praticado por microempresa, conforme definida na legislação de regência; quando o valor da operação- registro de contrato ou outros documentos em Cartórios de Registro de Títulos e Documentos; registro em Cartório de Registro de Imóveis; operação de empréstimo e de financiamento junto a instituição financeira, exceto quando destinada a saldar dívidas para com as Fazendas Nacional, Estaduais ou Municipais, for igual ou superior ao equivalente a 5.000 (cinco mil) obrigações do Tesouro Nacional – OTNs. Segundo o STF qual a natureza dessas hipoteses tidas por inconstitucionais? R:Possuem natureza de sancao politica, pois se caracterizam como normas que condicionam a pratica de atos da vida civil e empresarial `a quitacao de creditos tributarios. 21. Encargo Legal (Decreto-Lei nº 1.025, de 21/10/1969). Carolina (carolina_kudse@hotmail.com) P: O que é Encargo Legal? R: O Encargo Legal é um acréscimo do valor a ser inscrito em dívida ativa da União, no patamar de 20% (vinte por cento), a ser pago pelo executado e recolhido aos cofres públicos, como renda da União, substituindo a condenação do devedor em honorários advocatícios, conforme dispõe o artigo 1º do Decreto-Lei nº 1.025/69. Não obstante as críticas doutrinárias, ao argumento de que esta verba subtrairia do juiz o dever-poder de arbitrar os honorários de advogado, atendendo às circunstâncias de que trata as alíneas do art. 20 do CPC, bem como feriria o princípio da igualdade entre as partes do processo (artigo 125 do CPC), o Superior Tribunal de Justiça, ao analisar o instituto, entendeu ser legítima a cobrança desta verba, fazendo as vezes dos honorários advocatícios devidos à Fazenda Pública, conforme orientação já adotada pelo extinto Tribunal Federal de Recursos (Súmula nº 168: “O encargo de 20%, do Decreto-Lei 1.025, de 1969, é sempre devido nas execuções fiscais da União e substitui, nos embargos, a condenação do devedor em honorários advocatícios.”). Nesse sentido: AgRg no Resp nº 1345935/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/11/2012, DJe 28/11/2012. P: Incide Encargo Legal na ação anulatória? R: O Encargo Legal só faz as vezes de honorários em Execução Fiscal e embargos respectivos. Na ação anulatória de débito inscrito em dívida ativa cabe condenação em honorários advocatícios, a teor da Súmula nº 168 do Tribunal Federal de Recursos. P: A desistência dos embargos à execução para aderir ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, com a consequente exclusão de 100% do Encargo Legal, enseja a condenação do executado ao pagamento de honorários advocatícios? R: o Superior Tribunal de Justiça tem o entendimento firmado, em recurso repetitivo, submetido ao rito do art. 543-C do CPC, de que, havendo desistência da ação pelo executado, em embargos à execução, não há falar em pagamento de honorários advocatícios, visto que já estão inclusos no encargo legal de 20% previsto no Decreto-Lei 1.025/69 (REsp 1.143.320/RS, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, Dje 21/5/10). Em razão disso, no julgamento do REsp 1241370/SC, a Primeira Turma da referida Corte decidiu que a circunstância de a Lei nº 11.941/09 prever, em seu art. 1º, § 3º e incisos, no parcelamento tributário, a redução de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal, não determina a condenação do contribuinte desistente da ação de embargos à execução fiscal ao pagamento da verba honorária, porquanto, em última análise, os valores contemplados nos autos já albergavam referida parcela. Acrescente que seria um evidente contrassenso, diante, ainda, da jurisprudência formada sobre a matéria (RESP 1.143.320 acima referido), condenar o contribuinte desistente ao pagamento de honorários advocatícios, porquanto, em última análise, remanesceria restaurado um encargo que a própria lei de parcelamento afastou. P: O encargo de 20% previsto no artigo 1º do Decreto-Lei 1.025/69 pode ser exigido da massa falida? R: A cobrança de créditos fiscais, ainda que não tributários, a teor do artigo 187 do CTN, não se submete às normas previstas no artigo 208, § 2º, do Decreto-Lei nº 7.661/45, segundo a qual, “a massa não pagará custas a advogados dos credores e do falido” e tampouco aquela veiculada pelo artigo 5º, II, da Lei nº 11.101/05, segundo a qual “não são exigíveis do devedor, na recuperação judicial ou na falência: as despesas que os credores fizerem para tomar parte na recuperação ou na falência, salvo as custas judiciais decorrentes de litígios com o devedor”. Por essa razão, a execução fiscal contra a massa falida não está sujeita a dispositivos da Lei de Falências, mas sim à norma que regula a verba correspondente aos honorários advocatícios em execuções fiscais – o Encargo Legal (artigo 1º do Decreto-Lei nº 1.025/69 c/c o artigo 3º, caput, do Decreto-lei nº 1.645, de 11.12.1978), conforme pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, inclusive já externada em sede de Recurso Repetitivo (Resp 1.110.924/SP). Nesse sentido, aliás, foi editada a súmula nº 400 do STJ, nos seguintes termos: “O encargo de 20% previsto no DL n. 1025/69 é e xigível na execução fiscal proposta contra a massa falida.” 22. Programa de Recuperação Fiscal - REFIS (Lei nº 9.964, de 10/04/2000). Renato (renatogrilu@gmail.com) P: Acerca do Parcelamento Fiscal: defina o seu conceito. Requisitos. A posição jurisprudencial acerca da possibilidade de denúncia espontânea. R: O parcelamento é o favor legal de postergação do pagamento de tributo devido, lançado ou não, constituído em dívida ativa ou não, em fase de cobrança ou não. A abrangência do instituto dependerá da Lei instituidora. O Artigo 155-A do CTN trata do tema, instituindo o princípio da legalidade. Assim, vê-se que a norma geral de direito tributário permite aos entes federativos a instituição de parcelamento fiscal, sempre por Lei, em cujo bojo serão delineados os contornos do benefício fiscal. Urge destacar que não se trata de pagamento, mas de suspensão do crédito tributário, na qual incidirão juros e multas (CTN, Art. 155-A, §2o), salvo disposição em contrário. Por fim, nos termos da jurisprudência do STJ, a denúncia espontânea não se aplica aos casos de parcelamento tributário. (Julgado sobre o tema) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. REPETITIVO. TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. RECURSO REPETITIVO. ART. 543-C DO CPC. 1. O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. 2. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. (REsp 1102577/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 18/05/2009) P: A Lei 9964/2000 instituiu DUAS formas de parcelamento. Quais são elas? R: A Lei em comento instituiu o REFIS – Programa de Recuperação Fiscal, através do qual, após consolidação dos débitos das pessoas jurídicas optantes, o valor total será pago em parcelas mensais e sucessivas cujo valor é determinado em função de percentual da receita bruta do mês imediatamente anterior. Alternativamente ao referido programa, também foi estabelecido outro parcelamento, a ser quitado em até sessenta parcelar mensais, iguais e sucessivas, observadas todas as demais regras aplicáveis àquele programa. P: Segundo a Lei do REFIS a opção pelo programa de recuperação fiscal sujeita a pessoa jurídica a autorização de acesso irrestrito, pela Receita Federal do Brasil, às informações relativas à sua movimentação financeira, ocorrida a partir da data de opção pelo REFIS. Candidato, essa previsão é constitucional? R: Excelência, muito embora não haja nenhum pronunciamento definitivo dos Tribunais Superiores a esse respeito, as condições a que se sujeitam os optantes de parcelamento fiscal são estabelecidas por Lei do ente político que instituiu o favor fiscal. Ou seja, vê-se que se encontra na discricionariedade política legislativa do instituidor do benefício, além disso, a adesão ao parcelamento ou programa é sempre facultativa. Nesse caso, percebe-se que a pessoa jurídica que opta pelo regime diferenciado de recuperação fiscal deve se sujeitar aos ditames legais para poder gozar do favor. Além disso, a Lei do REFIS deixa claro (Artigo 3o, §2o) que o acesso irrestrito em questão aplica-se, exclusivamente, ao período em que a pessoa jurídica permanecer no REFIS. Portanto, as condições estabelecidas, em Lei ou em decreto executivo desde que em cumprimento dos ditames daquela, para a adesão à parcelamento fiscal são constitucionais. P: Qual a abrangência do REFIS? R: O REFIS abrange os créditos da União, incluídos aqueles que eram administrados pelo INSS - antes da superveniência da Receita Federal do Brasil, pois a Lei antecede à Super Receita -, com vencimento até 29 de fevereiro de 2000, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa, ajuizados ou a ajuizar, com exigibilidade suspensa ou não, inclusive os decorrentes de falta de recolhimento de valores retidos P: Em que casos ocorre a homologação tácita ao REFIS? R: "É pacífico o entendimento desta Primeira Seção de que, nos casos de adesão ao REFIS, suspender-se-á a execução fiscal somente após a expressa homologação da opção pelo respectivo Comitê Gestor, a qual está condicionada, no entanto, quando os débitos excederem a R$500.000,00 (quinhentos mil reais), ao arrolamento de bens ou à apresentação de garantia. No caso de débitos superiores a R$500.000, 00 (quinhentos mil reais) não ocorre homologação tácita, que a lei permite apenas em relação às empresas optantes pelo SIMPLES e com débitos inferiores a R$500.000,00." (EREsp 447.184/PR, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, DJ 02.08.2004). P: Quais os casos em que necessária a prévia garantia do juízo ou de medida cautelar de arrolamento para homologação do REFIS? R: “2. Destarte, o referido diploma legal erige duas espécies de tratamento às empresas que optarem pelo parcelamento do débito mediante adesão ao REFIS, quais sejam: a) às empresas optantes pelo SIMPLES ou cujo débito consolidado seja inferior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), a homologação tácita da opção, de per si, implica, automaticamente, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, sendo prescindível o oferecimento de garantia ou arrolamento de bens; b) às empresas cujos débitos sejam superiores ao limite supracitado, a homologação da adesão ao REFIS deve ser realizada expressamente pelo Comitê Gestor, com a consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário, desde que tenha sido prestada garantia suficiente ou, facultativamente, a critério da pessoa jurídica, tenha havido o arrolamento dos bens integrantes do seu patrimônio, na forma do art. 64, da Lei 9.532/97.” Aqui é interessante perceber a sequência lógica das duas perguntas anteriores: a homologação tácita ao REFIS de empresas com débito inferior a 500 mil reais e optantes do SIMPLES se dá em virtude da dispensa legal conferida a tais devedores da garantia do débito, seja através de arrolamento de bens ou manutenção automática dos gravames decorrentes de medida cautelar fiscal ou das garantias da execução fiscal. Assim, as empresas referidas (SIMPLES ou aquelas de débitos consolidados inferiores a 500 mil) não precisam prestar garantia e, por esse motivo, sua participação no REFIS ocorrerá mediante homologação tácita. Por outro lado, quando se trata de empresas não optantes do SIMPLES e de devedores outros com débitos consolidados maiores que 500 mil reais, há a necessidade de manifestação expressa (homologação expressa) do Comitê – no qual a PGFN está representada – em virtude da necessidade de prestação/manutenção de garantias do débito a ser parcelado. (SEGUE ABAIXO O RECURSO REPETITIVO USADO COMO PARÂMETRO) REFIS. ADESÃO. SUSPENSÃO. HOMOLOGAÇÃO. NECESSIDADE. REPETITIVO. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. REFIS. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO. NECESSIDADE DE HOMOLOGAÇÃO DA OPÇÃO, CONDICIONADA À GARANTIA DO DÉBITO. ARROLAMENTO DE BENS. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A Lei 9.964/2000, que instituiu o Programa de Recuperação Fiscal - REFIS, dispõe que, in verbis: "Art. 3o A opção pelo Refis sujeita a pessoa jurídica a: (...) § 3o A opção implica manutenção automática dos gravames decorrentes de medida cautelar fiscal e das garantias prestadas nas ações de execução fiscal. § 4o Ressalvado o disposto no § 3o, a homologação da opção pelo Refis é condicionada à prestação de garantia ou, a critério da pessoa jurídica, ao arrolamento dos bens integrantes do seu patrimônio, na forma do art. 64 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997. § 5o São dispensadas das exigências referidas no § 4o as pessoas jurídicas optantes pelo Simples e aquelas cujo débito consolidado seja inferior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). (...)" 2. Destarte, o referido diploma legal erige duas espécies de tratamento às empresas que optarem pelo parcelamento do débito mediante adesão ao REFIS, quais sejam: a) às empresas optantes pelo SIMPLES ou cujo débito consolidado seja inferior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), a homologação tácita da opção, de per si, implica, automaticamente, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, sendo prescindível o oferecimento de garantia ou arrolamento de bens; b) às empresas cujos débitos sejam superiores ao limite supracitado, a homologação da adesão ao REFIS deve ser realizada expressamente pelo Comitê Gestor, com a consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário, desde que tenha sido prestada garantia suficiente ou, facultativamente, a critério da pessoa jurídica, tenha havido o arrolamento dos bens integrantes do seu patrimônio, na forma do art. 64, da Lei 9.532/97. 3. "É pacífico o entendimento desta Primeira Seção de que, nos casos de adesão ao REFIS, suspender-se-á a execução fiscal somente após a expressa homologação da opção pelo respectivo Comitê Gestor, a qual está condicionada, no entanto, quando os débitos excederem a R$500.000,00 (quinhentos mil reais), ao arrolamento de bens ou à apresentação de garantia. No caso de débitos superiores a R$500.000, 00 (quinhentos mil reais) não ocorre homologação tácita, que a lei permite apenas em relação às empresas optantes pelo SIMPLES e com débitos inferiores a R$500.000,00." (EREsp 447.184/PR, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, DJ 02.08.2004). 4. Nesse sentido, múltiplos precedentes da Primeira Seção: EREsp 715.759/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/05/2007, DJ 08/10/2007; AgRg nos EREsp 388.570/SC, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, v.u., julgado em 12.12.2005, DJ 06.03.2006; EDcl no AgRg nos EREsp 415.587/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 18/10/2004, DJ 03/11/2004; EREsp 449.292/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, por maioria, julgado em 12.11.2003, DJ 19.12.2003. 5. In casu, consoante assentado na decisão de fls. 57/59, o débito consolidado da recorrente ultrapassa o limite legal, litteris: "De acordo com o art. 4º acima transcrito, a suspensão da exigibilidade dos débitos ajuizados, quando não garantidos, ocorrerá na data da homologação da opção. Em conformidade como art. 13, § único do mesmo Decreto, considerar-se-á tacitamente homologada a opção quando decorridos 75 (setenta e cinco) dias da formalização da opção sem manifestação expressa por parte do Comitê Gestor. Entretanto, o art. 10, §§ 2º e 3º estabelece que opção pelo REFIS é condicionada à prestação de garantia, ficando dispensadas as pessoas jurídicas cujo débito consolidado seja inferior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), o que não ocorre no presente caso, conforme documento de fl. 25." 6. Deveras, não restou comprovado o arrolamento de bens suficientes à garantia do débito tributário, o que restou expressamente consignado pela decisão de fls. 92: "Não havendo a comprovação de que foi realizada a averbação do arrolamento, nos termos do art. 4º da IN 26/2001, mantenho, em todos os seus termos, a decisão de fls. 51/53.", por isso que infirmar a referida decisão demanda o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos, o que é vedado na estreita via do recurso especial, ante o óbice erigido pela Súmula 07 do STJ. 7. Os arts. 515 e 535 do CPC restam incólumes se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1133710/GO, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) (SEGUE ABAIXO MAIS UM RECURSO REPETITIVO SOBRE O REFIS) REFIS. EXCLUSÃO. INTERNET. POSSIBILIDADE. REPETITIVO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO PESSOAL PARA EXCLUSÃO DE PESSOA JURÍDICA DO REFIS. NOTIFICAÇÃO POR MEIO DO DIÁRIO OFICIAL E DA INTERNET. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA DO REFIS. "RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA". ART. 543-C DO CPC. 1. A Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo da Administração Pública Federal prevê em seu art. 69, que suas normas somente se aplicam subsidiariamente, nos procedimentos regulados por lei específica, obedecida a lex specialis derrogat lex generalis. 2. A legislação do Programa de Recuperação Fiscal - Refis, "regime especial de consolidação e parcelamento dos débitos fiscais" (Lei 9.964/00, art. 2º), ao qual o contribuinte adere mediante "aceitação plena e irretratável de todas as condições" (art. 3º, IV), prevê a notificação da exclusão do devedor por meio do Diário Oficial e da Internet (Lei 9.964/00, art. 9º, III, c/c art. 5º da Resolução 20/2001 do Comitê Gestor). 3. Ademais, no caso concreto, não há que se falar em prejuízo à eventual defesa administrativa do contribuinte excluído do Refis, uma vez que a sua insurgência é endereçada apenas contra o procedimento de cientificação da exclusão do Programa, não sendo infirmadas as razões da exclusão. 4. Precedentes desta Corte: REsp 791.310/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 06.02.2006; REsp 790.788/DF, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ 01.02.2006; REsp 738.227/DF, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 10/10/2005 p. 249. 5. Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e provido. Recurso sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1046376/DF, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/02/2009, DJe 23/03/2009) 23. Parcelamento Especial – PAES (Lei nº 10.684, de 30/05/2003). Renato (renatogrilu@gmail.com) P: Em que consiste o PAES? R: A Lei nº 10.684/2003, instituiu parcelamento especial de débitos em até 180 meses para todos os débitos para com a Fazenda Nacional (SRF e PGFN), constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, vencidos até 28 de fevereiro de 2003. Abrange, inclusive, débitos que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento. Por isso, pode-se dizer que alcança os débitos que haviam sido objeto do REFIS. Além disso, o PAES concedeu, na ocasião em que forem consolidados os débitos dos optantes para fins de parcelamento, redução em 50% nos valores correspondentes à multa moratória ou de ofício. Por fim, é mister destacar a existência na Lei 10684/2003 de um parcelamento especial abrangendo Estados, DF e Municípios, bem como suas autarquias e fundações públicas, referente aos débitos para com a contribuição para o PASEP (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público). P: O que acontece com o devedor que havia optado pelo REFIS mas que passou a optar pelo PAES? R: A Lei do PAES deixa clara a possibilidade de adesão por parte de devedores que haviam optado por parcelamentos anteriores. O contribuinte em débito com a União só pode optar por um parcelamento, excluindo os demais. Com a superveniência do PAES, aqueles que optaram pelo REFIS transferiram seus saldos para o novo parcelamento especial (Lei 10 684/2003), extinguindo sua participação no parcelamento anterior. P: Quais seriam as diferenças básicas entre o REFIS e o PAES? R: O PAES sucedeu o REFIS e possibilitou aos optantes deste a adesão ao novo parcelamento especial, ainda que estivessem em débito (impontuais) ou excluídos do primeiro favor fiscal. Entretanto, podemos destacar as seguintes diferenças entre o REFIS e o PAES: a) Participação de Pessoas Físicas: o REFIS não permitiu; o PAES admitiu a participação de devedores pessoa física; b) Sistemática do parcelamento: enquanto o REFIS trabalhou com o parcelamento tendo em mente a derivação aos cofres públicos de um percentual mensal da receita bruta do devedor e, alternativamente, o parcelamento do débito consolidado no prazo de até sessenta (60) meses, o PAES instituiu uma única forma de parcelamento, qual seja, a divisão do débito em até cento e oitenta prestações (180); c) Garantias da dívida: no REFIS (*ver ponto programático anterior) havia exigência de garantias da dívida para empresas não optantes do SIMPLES cujo débito ultrapassasse o valor de 500 mil reais, por outro lado, o PAES independe de apresentação de garantias ou arrolamento de bens, mantidas – entretanto – aquelas decorrentes de débitos transferidos de outras modalidades de parcelamento ou de execução fiscal; d) regra geral, não houve desconto indiscriminado nas multas moratórias e de ofício no REFIS, ao passo que houve desconto genérico para os optantes do PAES no percentual de 50%. 24. Lei nº 11.941, de 27/05/2009. Felipe (felipefreind@gmail.com) P. Quais os débitos abrangidos pelo parcelamento criado pela L11941/09? R. Todos débitos administrados pela SRFB e os débitos para com a PGFN, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados (i) no REFIS (L9964/00), (ii) no PAES (L10684/03), (iii) no PAEX (MP303/06), (iv) no parcelamento previsto no art. 38, L8212/91, e (v) no parcelamento previsto no art. 10, L10522/02, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do IPI oriundos da aquisição de matérias-primas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na TIPI (Decreto 6.006/06), com incidência de alíquota 0 (zero) ou como não-tributados. Referidos créditos poderão já estar constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, ou mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada. Igualmente, podem ser parcelados nos mesmos termos e condições os débitos de COFINS das sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada a que se referia o DL2397/87 (revogado pela L9430/96). P. No caso de remissão parcial dos juros de mora nas hipóteses de parcelamento previstas na L11941/09, faz jus o contribuinte ao levantamento da diferença entre esses e os juros remuneratórios incidentes sobre o depósito judicial feito para suspender a exigibilidade desse mesmo crédito tributário? R. O STJ, em sede de recurso repetitivo (art. 543-C, CPC) consolidou o entendimento de que os eventuais juros compensatórios derivados de supostas aplicações do dinheiro depositado a título de depósito na forma do inciso II, art. 151, CTN não pertencem aos contribuintes-depositantes, logo a remissão de juros de mora insertos dentro da composição do crédito tributário não enseja o resgate de juros remuneratórios incidentes sobre o depósito judicial feito para suspender a exigibilidade desse mesmo crédito (REsp 1251513/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, 1ª Seção, DJe 17/08/2011). P. Os parcelamentos requeridos na forma e condições de que tratam os arts. 1º, 2º e 3º da Lei 11941/09 dependem de apresentação de garantia ou de arrolamento de bens? R. Não, exceto quando já houver penhora em execução fiscal ajuizada. P. Quais as condições impostas pela L11941/09 para remissão de débitos com a Fazenda Nacional? R. Em primeiro lugar, o débito deve estar vencido há mais de cinco anos, considerando a data de 31/12/2007, ou seja, o débito deve ter vencido até dezembro de 2002. Em segundo lugar, o valor total consolidado do débito na mesma data (31/12/2007), deve ser igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). Esse limite deve ser considerado por sujeito passivo e, separadamente, em relação: (i) aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da PGFN, e (ii) aos débitos administrados pela SRFB, distinguindo-se, ainda, em uma e outra esfera, os (iii) débitos decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c, par. ún., art. 11, L8212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos; e (iv) os demais débitos. Em síntese, são condições a data do vencimento e o valor do débito, observado, nesse último caso, distinções quanto ao seu estágio de processamento (inscrito em dívida ativa ou não) e origem. P. Pode o magistrado ao verificar, em sede de execução fiscal, o valor, data de vencimento e origem do débito, pronunciar de ofício a remissão? R. Não, o magistrado não pode, analisando isoladamente o valor cobrado em uma Execução Fiscal, pronunciar de ofício a remissão, sem questionar a Fazenda sobre a existência de outros débitos que somados impediriam o contribuinte de gozar do benefício (v. REsp. 1207095/MG, 2T, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 18.11.2010). Esse entendimento foi sufragado pelo STJ no REsp 1208935/AM, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 02.05.2011, sob a sistemática do art. 543-C, §1º, do CPC. P. Determinada sociedade X possui débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do IPI oriundos da aquisição de matérias-primas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na TIPI (Decreto 6.006/06), com incidência de alíquota 0 (zero) ou como não-tributados. Considerando a data-base de 31/12/2007, referidos débitos encontram-se vencidos há mais de cinco anos, e somam R$ 4.500,00, referentes ao estabelecimento A, localizado em São Paulo, e R$ 6.000,00, referentes ao estabelecimento B, localizado em Salvador. Todo o crédito encontra-se constituído e inscrito sob dívida ativa da União, no âmbito da PGFN. De acordo com as condições previstas na L11941/09, faz jus a sociedade X à remissão de seus débitos? R. Não, embora a L11941 preveja a possibilidade de remissão de débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do IPI, ainda que inscritos em dívida ativa da União ou mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, o valor limite para concessão da remissão é de R$ 10.000,00, sendo que na hipótese do IPI o valor será apurado considerando a totalidade dos estabelecimentos da pessoa jurídica, não sendo possível dissociá-los para aplicação da norma favorável, ainda que preenchidos os demais requisitos para obtenção da benesse. 25. Lei nº 11.457, de 16/03/2007. Rafael Mota (motarafael84@gmail.com) P. A partir da Lei nº 11.457/2007, a quem compete a representação judicial na cobrança de créditos inscritos em Dívida Ativa da União? R. Conforme o art. 23 da citada lei, compete à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional a representação judicial na cobrança de créditos de qualquer natureza inscritos em Dívida Ativa da União, ou seja, mesmo os créditos não tributários, se forem inscritos em DAU, serão cobrados pela PGFN. Nesse sentido, cessou a competência da AGU para cobrança de créditos inscritos em DAU. P. Existe algum prazo previsto em lei para que decisão em Processo Administrativo Fiscal seja proferida? R. Conforme o art. 24 da citada lei, é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. Sobre o tema, RESp 1138206, Rel. Min Luiz Fux, 1ª Seção, DJe 1.9.2010: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784⁄99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235⁄72. ART. 24 DA LEI 11.457⁄07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584⁄DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13⁄05⁄2009, DJe 26⁄06⁄2009; REsp 1091042⁄SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06⁄08⁄2009, DJe 21⁄08⁄2009; MS 13.545⁄DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA,TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29⁄10⁄2008, DJe 07⁄11⁄2008; REsp 690.819⁄RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22⁄02⁄2005, DJ 19⁄12⁄2005) 3. O processo administrativo tributário encontra-se regulado pelo Decreto 70.235⁄72 - Lei do Processo Administrativo Fiscal -, o que afasta a aplicação da Lei 9.784⁄99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235⁄72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457⁄07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457⁄07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457⁄07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08⁄2008 26. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: regimento interno (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009). Omar (omarfilho@oi.com.br) P: Qual o órgão responsável pelo Julgamento em 2ª Instância no Processo Administrativo Fiscal Federal? R. A MP 449/08 convertida na lei nº 11.941/2009 deu nova redação ao art. 25 do Decreto 70.235/72 e determinou que o julgamento em 2ª instância (recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância) caberá ao seja, a partir de 9-6-2005.” (RE 566.621/RS). P. O artigo 149, parágrafo 2°, da CF, dispõe que as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação. Essa imunidade abrange todas as receitas geradas pela exportação? R: O STF sedimentou posicionamento em sede de repercussão geral no sentido de que tal imunidade ano abrange o lucro das empresas exportadoras, que fica sujeito aos tributos que lhe são próprios. (RE 56.413). P. As contribuições aos conselhos profissionais submetem-se ao princípio da legalidade tributária? R: Em recente decisão o STF manifestou-se no sentido da necessidade da submissão das obrigações tributárias impostas pelos conselhos profissionais ao princípio da legalidade (RE 596.440, Rel. Min. Cármen Lúcia, decisão monocrática julgamento em 11-6-2012, DJE de 18-6-2012). P. Segundo o STF, o prazo para pagamento de tributo submete-se ao princípio da legalidade? R: Para o STF, o prazo para pagamento do tributo não se sujeita ao princípio da legalidade, podendo ser estipulado por decreto ou outro ato diverso de lei. P. Ofende o princípio da isonomia a instituição de tratamento tributário diferenciado a pequenas empresas e empresas de pequeno porte? R: Não há ofensa ao princípio da isonomia tributária se a lei, por motivos extrafiscais, imprime tratamento desigual a microempresas e empresas de pequeno porte de capacidade contributiva distinta, afastando do regime do simples aquelas cujos sócios têm condição de disputar o mercado de trabalho sem assistência do Estado." (ADI 1.643, Rel. Min. Maurício Corrêa, julgamento em 5-12-2002, Plenário, DJ de 14-3-2003.) No mesmo sentido: RE 559.222-AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 17-8-2010, Segunda Turma, DJE de 3-9-2010. P. A majoração de alíquota do IPI pode ser cobrada imediatamente? Demanda respeito ao princípio da legalidade? R: O artigo 153, parágrafo 1°, da CF, faculta ao Poder Executivo alterar alíquota do IPI, além daquelas relativas a II e ao IE. No que pertine à sua exigência, deverá respeitar o princípio da anterioridade nonagesimal, sendo, todavia, dispensado da observância do princípio da anterioridade de exercício, na forma do artigo 150, parágrafo 1°, da CF. O STF recentemente deferiu medida cautelar em ADI afastando a aplicação da parte de decreto que não observou o princípio da anterioridade nonagesimal no aumento de alíquota de IPI (ADI 4.661). P. Segundo o STF, a aplicação da Taxa SELIC como índice de atualização dos débitos tributários é constitucional? R: O Plenário do STF, após reconhecer a repercussão geral da matéria, ao julgar o RE 582.461, da relatoria do ministro Gilmar Mendes, decidiu pela legitimidade da utilização da taxa Selic como índice de atualização de débitos tributários, bem como pelo caráter não confiscatório da multa moratória.” (AI 798.089-AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 13- 3-2012, Segunda Turma, DJE de 28-3-2012.) Vide: RE 582.461, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 18-5-2011, Plenário, DJE de 18-8-2011, com repercussão geral. P. Às sociedade de economia mista é aplicada a imunidade recíproca prevista no artigo 150, inciso VI, alínea “a”, da CF? R: Para o STF se a sociedade de economia mista prestar serviço pública poderá ser estendida a ela a imunidade recíproca. Mas, segundo esta Corte, o foco na obtenção de lucro, a transferência do benefício a particular ilegítimo ou a lesão à livre iniciativa e às regras de concorrência podem, em tese, justificar o afastamento da imunidade (AI 558.682). P. Qual é o posicionamento do STF em relação à possibilidade de aplicação da imunidade conferida aos templos de qualquer culto aos cemitérios? R: Segundo o STF, os cemitérios que consubstanciam extensões de entidades de cunho religioso estão abrangidos pela garantia contemplada no art. 150 da Constituição do Brasil. Impossibilidade da incidência de IPTU em relação a eles. Mas, se for de titularidade de particular e/ou tenha finalidade lucrativa não será considerado imune. P. O Presidente da República no âmbito externo pode firmar tratados que contenham cláusulas que gerem exoneração tributária relativo a tributos de Estados e Municípios? R: A cláusula de vedação inscrita no art. 151, inciso III, da Constituição – que proíbe a concessão de isenções tributárias heterônomas – é inoponível ao Estado Federal brasileiro (vale dizer, à República Federativa do Brasil), incidindo, unicamente, no plano das relações institucionais domésticas que se estabelecem entre as pessoas políticas de direito público interno (...). Nada impede, portanto, que o Estado Federal brasileiro celebre tratados internacionais que veiculem cláusulas de exoneração tributária em matéria de tributos locais (como o ISS, p. ex.), pois a República Federativa do Brasil, ao exercer o seu treaty-making power, estará praticando ato legítimo que se inclui na esfera de suas prerrogativas como pessoa jurídica de direito internacional público, que detém – em face das unidades meramente federadas – o monopólio da soberania e da personalidade internacional (RE 543.943-AgR). P. O crédito-prêmio do IPI continuou existindo sob a égide da CF 1988? R: O crédito-prêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. Como o crédito-prêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da CF de 1988, segundo dispõe o § 1º do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir.” (RE 577.348 e RE 561.485, com repercussão geral.) P. Somente ato do Presidente da República pode alterar as alíquotas dos impostos que são exceção ao Princípio da Legalidade? R: Para o STF é compatível com a Carta Magna a norma infraconstitucional que atribui a órgão integrante do Poder Executivo da União a faculdade de estabelecer as alíquotas do II, IE, IPI e IOF,pois considera que tal competência que não é privativa do Presidente da República 4. Código Tributário Nacional: normas gerais de direito tributário. Eduardo (esbucci@gmail.com) P: Explique a teoria dicotômica e tricotômica da função da lei complementar em direito tributário. R: A teoria dicotômica assevera que a lei complementar, em direito tributário, tem apenas duas funções: 1) dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; e 2) regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. Assim, as normas gerais só poderiam ser editadas quando houvesse conflito de competência ou para regular limitações constitucionais, prestigiando-se a Federação. Por sua vez, a teoria tricotômica consigna que a literalidade do art. 146 da atual Constituição Federal é claro ao remeter à lei complementar à função de estabelecer normais gerais, independentemente de existir conflito de competência ou regular limitações constitucionais. A jurisprudência adotou esta última teoria. P: O Código Tributário Nacional é materialmente lei complementar, mas formalmente lei ordinário. Tal fenômeno se deu apenas com a promulgação da Constituição Federal de 1988? R: Não. Este fenômeno, originado da teoria da recepção – a nova ordem constitucional recepciona a legislação anterior desde que com esta seja materialmente compatível, sendo irrelevante sua roupagem legislativa -, se deu com a promulgação da Constituição Federal de 1967. Desta maneira, toda a legislação posterior a esta época sobre normas gerais, conflito de competência e limitações constitucionais em direito tributário só será válida se veiculada por meio de lei complementar. P: A Constituição Federal institui impostos? O Código Tributário Nacional instituiu impostos? Qual o veículo legislativo apto a fazê-lo? R: A Constituição Federal não institui impostos, apenas outorga competência aos entes para fazê-los. Igualmente, o Código Tributário Nacional também não institui impostos, apenas cumpre o papel de norma geral de direito tributário, além de dispor sobre conflito de competência entre Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Assim também dispõe o art. 1º do anexo I da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. P: Como está definida a estrutura judicante do CARF? R. O art. 2º, II, do anexo I da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, dispõe que a estrutura judicante do CARF será constituída por 3 (três) Seções, composta por 4 (quatro) câmaras cada, estas integradas por turmas ordinárias e especiais; Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), formada por 3 (três) turmas; e o Pleno da CSRF. P: Como serão criadas as Turmas Especiais? R. Os §§ 1º e 2º art. 2º, II, do anexo I da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, definem que o Ministro da Fazenda poderá criar, nas seções, Turmas Especiais, de caráter temporário, que poderão funcionar nas cidades onde estão localizadas as Superintendências da Receita federal do Brasil. P: Quais os recursos cabíveis contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF? R. O art. 64 do anexo Ii da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 reza que em face de tais decisões são cabíveis Embargos de Declaração e Recurso Especial. P: A quem compete o julgamento do Recurso Especial e em quais hipóteses é cabível a sua interposição? R. O art. 67 do anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 prevê que compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. P: Qual a competência do Pleno da Câmara Superior de recursos Fiscais (CSRF)? R. Consoante determinado pelo art. 10 do anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, ao Pleno da CSRF compete a uniformização de decisões divergentes, em tese, das turmas da CSRF, por meio de resolução. Ainda, nos termos do § 1º do mencionado artigo, também cabe ao Pleno da CSRF, por proposta do Presidente, dirimir controvérsias sobre interpretação e alcance de normas processuais aplicáveis no âmbito do CARF. 27. Lei Complementar nº 105, de 10/01/2001. Solange (solange2k3@yahoo.com.br) P:Qual a natureza da lei 105-2001? Seria possivel sua aplicacao a fatos geradores ocorridos antes de sua entrada em vigor? R:A norma que trata do acesso a dados por autoridades administrativas inserida no art. 6º da Lei Complementar n. 105/01 tem natureza processual, portanto tem aplicabilidade imediata no processo administrativo, mesmo que instaurado com base em fatos anteriores ao início da vigência da lei citada. Por essa razão, não se submetem ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. P:Em tema de sigilo bancario , quais valores constitucionais entram em choque? R:Entram em choque dois valores de ordem constitucional, a saber: a inviolabilidade da intimidade, dos dados e das comunicações telefônicas, estes previstos no artigo 5º, incisos X e XII, da CF, e o dever de fiscalização, previsto no parágrafo 1º do artigo 145 do Código Tributário Nacional. Se é verdade que o sigilo não é absoluto, devendo ser conciliado com as atribuições de uma fiscalização a fim de prestigiar os princípios da capacidade contributiva e da isonomia, é igualmente certo que as atribuições dessa fiscalização também não são absolutas, e não podem suprimir o direito ao sigilo de que se cuida. A regra é o respeito ao sigilo, sendo exceção a sua quebra, pois deve ser obedecido o princípio constitucional de proteção à intimidade do fiscalizado. P:Qual a posicao no STJ acerca da possibilidade de quebra do sigilo bancario em processo administrativo? R: Observa-se que a posição majoritária no STJ é no sentido de que é possível a quebra do sigilo bancário em processo administrativo mesmo em relação às operações bancárias dos contribuintes, feitas anteriores à LC 105//2001, desde que estas sejam extremamente necessárias para o deslinde do processo administrativo. P:Seria possivel argumentar que a quebra de sigilo bancario pela Administracao Tributaria nao seria verdadeiramente uma quebra , mas sim uma transferencia de sigilo? R: Sim, consoante termos do aresto abaixo: “TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. POSSIBILIDADE. As informações sobre o patrimônio das pessoas não se inserem nas hipóteses do inciso X da CF/88, uma vez que o patrimônio não se confunde com a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem, assim, não há falar em inconstitucionalidade frente a uma possível discordância existente entre as Leis nº 9.311 de 1996, a Lei Complementar nº 105/2001 e a Lei nº 10.174, de 2001, e os princípios preconizados no art. 5º, X e XII, da Constituição Federal/88. O próprio Código Tributário Nacional, em seu art. 197, II, preconiza que os bancos são obrigados a prestar todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios e atividades de terceiros à autoridade administrativa. Ademais, não cabe falar em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência do sigilo. Com efeito, se o banco tem o dever de zelar pela guarda das informações de que dispõe, também o tem a autoridade fiscal que permanece obrigada ao sigilo, mantendo os dados no mesmo estado anterior. Isto porque a finalidade do procedimento fiscal não é outra senão a fiscalizatória. (TRF 4ª Região, 2ª Turma, maioria, DJU 23/01/02, p. 374, Relator Des. Federal Dirceu de Almeida Soares) P:Quais os pressupostos para que as autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios possam examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras? R: Existir processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e que tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. P:Qual a tendencia do entendimento do STF sobre a possibilidade de quebra de sigilo bancario pela Receita Federal, amparada pelo art 6, da Lei Complementar 105-2001? R: O STF tem se posicionado, nos ultimos julgamentos, nao ser possivel a quebra do sigilo pela Receita Federal, sem autorização judicial. Argumentos da Suprema Corte: a quebra sem autorizacao judicial banaliza o que a Constituição Federal tenta proteger, a privacidade do cidadão; não se trata de se negar acesso às informações, mas de restringir, exigir que haja observância da reserva de jurisdição. P: Dados meramente cadastrais dos correntistas se incluem na protecao legal e constitucional do sigilo bancario? De acordo com o Parecer PGFN/CAF/No 1352/2012, que ratifica a opiniao exarada no Parecer PGFN/CJU/COJPN Nº 1278/2012, dados cadastrais dos correntistas, como nome, endereco e filiacao, constantes nas instituicoes financeiras, nao se incluem na protecao do sigilo bancario. P: Camara dos Deputados submete consulta `a Coordenação-Geral de Assuntos Financeiros (CAF) acerca da eventual existência de sigilo bancário sobre informações referentes ao Contrato de Financiamento firmado entre o Banco do Brasil S.A. e o Estado do Rio de Janeiro (Contrato de Empréstimo). A consulta `e complementada com a informacao de que a instituicao financeira se recusou a fornecer as informações requeridas devido ao sigilo bancário a que está sujeito, nos termos do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001. A União celebrou com o Estado do Rio de Janeiro, com a interveniência da referida instituição financeira federal, o Contrato de Garantia nº 735/PGFN/CAF com o fim de garantir todas as obrigações financeiras do ente decorrentes do referido Contrato de Empréstimo e o Contrato de Vinculação de Receitas e de Cessão e Transferência de Crédito nº 736/PGFN/CAF, em contragarantia, com vistas a resguardar a União, caso venha a despender quantias em decorrência do inadimplemento do ente no que tange ao cumprimento do Contrato de Empréstimo. Na posicao de PFN responda se a instituicao financeira esta correta em seus argumentos. R: A instituicao financeira nao esta correta, pois nao ha sigilo os entes federativos e regular as imunidades, contudo. A instituição de impostos é matéria de competência exclusiva de cada ente da federação no exercício da respectiva competência tributária, devendo ser feito por meio de lei ordinária. 5. Norma tributária: natureza; espécies; vigência e aplicação; interpretação e integração; tratados e convenções internacionais e legislação interna. Bernadete (bernadetercortes@gmail.com) bibliografia: Ricardo Alexandre, Luís Schoueri e Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo P: O que o termo “legislação tributária” abrange? R: Segundo o art. 96 do CTN o termo inclui leis, tratados e convenções internacionais, decretos e normas complementares. Porém, este rol não é exaustivo, de modo que todo ato normativo geral e abstrato que verse sobre matéria tributária integra a “legislação tributária”. P: Por que o Senado Federal foi escolhido para poder para inovar no ordenamento jurídico em matéria tributária, por meio de resoluções, e não a Câmara dos Deputados? R: Como a arrecadação de tributos está intimamente relacionada com o exercício da autonomia dos Estados, a tendência é que cada ente queira atrair para sua competência as operações sujeitas à tributação, aumentando sua arrecadação e gerando a famosa guerra fiscal. O Senado Federal aparece, portanto, com o importante papel de evitar esta guerra, delimitando alíquotas mínimas e máximas para determinados tributos, ou até mesmo fixando-as. E ele é o órgão adequado justamente por ter uma representação paritária dos Estados, impedindo que entes de maior população restassem privilegiados, o que aconteceria se tal incumbência fosse conferida à Câmara dos Deputados. P: Qual a importância dos decretos legislativos para o Direito Tributário? R: Instrumento normativo de competência do Congresso Nacional, o decreto legislativo tem maior relevância no Direito Tributário no que concerne à aprovação de tratados internacionais. P: O art. 98 do CTN afirma que os tratados e convenções internacionais revogam ou modificam a legislação interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. Explique a crítica que se faz a este dispositivo. Como se deve interpretá-lo? R: Quando o dispositivo afirma que a lei posterior deve observar os tratados anteriormente firmados dá a entender que estes seriam superiores à lei, o que não é verdade. O STF já sedimentou que, com exceção dos tratados que versem sobre direitos humanos, que podem ter o status constitucional ou supralegal, a depender do quórum de aprovação, os demais terão status de lei ordinária, como sóis ocorrer com os que tratam de matéria tributária. A primeira crítica consiste no uso atécnico da expressão “revogam”. Apesar de terem o mesmo status, os tratados internacionais sob comento são sim observados pela lei interna, mas não a revogam como diz a norma. Isso porque os tratados são entendidos, pela maioria doutrinária e pelo STF, como lei especial, aplicados com preferência sobre a regra geral. Cabe registrar que essa linha interpretativa foi adotada expressamente pelo legislador, no art. 85-A da Lei 8212/91, que trata do financiamento da seguridade social. Uma prova de que não existe revogação da lei interna pelo tratado, mas sim mera suspensão, é que em havendo denúncia do mesmo, a lei outrora incompatível volta a vigorar. A segunda crítica diz respeito à parte final do dispositivo, que dá a entender que o legislador não poderia alterar as regras do tratado incorporado ao direito interno. Os internacionalistas adotam esta corrente, mas o STF também já decidiu que por ter status de lei ordinária, o tratado pode sim ser modificado ou revogado, do contrário, estar-se-ia vivendo um paradoxo da democracia, pois os parlamentares não poderiam tomar qualquer medida em relação ao tratado aprovado. Decerto que a modificação interna não criaria obrigações internacionais, equivalendo a modificação, portanto, a uma denúncia. O STJ, por sua vez, diferencia os tratados normativos, chamados de tratados-lei, dos tratados contratuais. Os primeiros, que se caracterizam pela generalidade e conversão de vontades, deveriam se submeter integralmente à regra do art. 98, de modo que uma lei interna posterior não poderia revogar o tratado normativo. Para a maioria dos doutrinadores, contudo, a discussão retorna à ideia de especialidade dos tratados, não sendo cabível sua modificação por norma geral interna. Registre-se, por fim, que outros estudiosos veem o tema de forma diversa. Luís Schoeuri, por exemplo, defende que a distinção reside na competência, pois os tratados e as leis internas pertenceriam a ordens jurídicas distintas. Para ele a função do tratado é firmar os limites da jurisdição brasileira. Assim, uma lei interna não poderia atuar além de sua jurisdição, nos termos fixados pelos tratados, por faltar-lhe competência. P: Em que espécie de norma tributária se enquadra aquela prevista no art. 26 do decreto 70.235/72, que permite ao CARF editar súmulas com efeito vinculante em relação aos demais órgãos da administração tributária federal? R: Trata-se de uma norma complementar, qual seja, decisão de órgão coletivo de “jurisdição” administrativa da administração à que a lei atribui eficácia normativa. P: Qual o papel da Lei Complementar no direito tributário? R: No art. 146 da CF, encontramos as principais funções da LC no direito tributário (visão tricotômica): Dispor sobre os conflitos de competência tributária entre pessoas políticas, os quais geralmente concernem aos impostos. Ex: IPTU x ITR, ICMS x ISS. *destaque-se que os conflitos são aparentes, pois a CF cuidou de repartir as competências entre os entes. Regular as limitações constitucionais ao poder de tributar Estabelecer normas gerais em matéria tributária, em nome da uniformidade, incluídas normas acerca de um regime tributário diferenciado e favorecido para cooperativas, microempresas e empresas de pequeno porte. OBS: apesar de o texto da CF ordenar apenas o estabelecimento de diretrizes gerais para o tratamento tributário favorecido das ME e EPP, a verdade é que a LC 123/06 não se limitou a isso, instituindo ela mesma o regime de tributação simplificado de âmbito nacional! (o art. 94 do ADCT dá a entender que o art. 146, III, “d” da CF previu mesmo a criação do regime pela LC nacional). O art. 146-A ainda confere à LC o papel de proteger a livre concorrência, caso a política tributária seja usada com a finalidade de prevenir desequilíbrios na concorrência, por meio de critérios especiais de tributação. Alguns autores criticam esse dispositivo por entenderem que ele permite o uso do tributo para fins sancionatórios. Adendo: alguns doutrinadores (ex: Luís Schoeuri) sustentam que os impostos discriminados no texto constitucional não constituem conceitos, mas sim tipos tributários. Isso significa que a norma traz os elementos característicos, situações típicas em que ela se aplicaria, cabendo ao legislador complementar a tarefa de expressar a mesma realidade através de conceitos (definindo fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes que se enquadram neste tipo). Assim, o constituinte tinha consciência de que ele próprio não definira os elementos essenciais dos impostos que ele previra, justamente para permitir maior flexibilidade da norma constitucional, a qual pode se adequar às dinâmicas evoluções. (esse entendimento ainda não é adotado pelos tribunais de forma majoritária, mas falar em tipos constitucionais quanto à instituição de impostos pode ser benéfico à Fazenda por possibilitar maior abrangência dos impostos quando da interpretação do seu campo de incidência). P: Qual a natureza jurídica do CTN? Explique. R: Apesar de o CTN ter sido editado como lei ordinária perante a Constituição de 1946, a qual não trazia a figura da lei complementar, ele hoje ocupa o status de lei complementar, em razão da adoção da teoria da recepção. De acordo com esta teoria, as normas infraconstitucionais compatíveis materialmente com a nova Constituição serão recepcionadas e incorporadas no ordenamento, ainda que não atendam os aspectos formais. Assim, a Carta de 1967 já exigia que a lei que dispusesse sobre normas gerais em direito tributário fosse uma lei complementar, assim como o fez a CF/88. Logo, como o CTN trata de normas gerais, segundo doutrina e jurisprudência, ele passou a ter o status de LC quando foi recepcionado pela carta de 1967, e assim se manteve com a recepção pela CF/88. Registre-se que a recepção de uma norma prescinde da expressa menção na nova Carta Política, bastando, para tanto, que elas sejam compatíveis. No caso do CTN, por sua vez, o constituinte entendeu por bem recepcioná-lo expressamente, conforme art. 34, §5º do ADCT. P: A solidariedade e a responsabilidade tributárias podem ser regulamentadas por lei ordinária? R: Não. O STF já assentou que apesar de não constar expressamente no rol do art. 146 da CF, o inciso III remete à LC qualquer norma geral de direito tributário, conceito no qual se encaixa tanto a responsabilidade quanto a solidariedade tributárias. P: As cooperativas foram imunizadas dos tributos pela CF? R: Não. A CF apenas determina no seu art. 146, III, “c” que a LC confira tratamento tributário adequado ao ato cooperativo, sem falar em imunidade. Como essa lei que trará normas gerais ainda não foi criada, os Estados podem dar às cooperativas o tratamento tributário que julgarem adequado, em razão da competência concorrente para legislar sobre normas gerais. Caso a aludida LC tivesse sido criada, os entes federados deveriam respeitá-la, pois as ordens jurídicas parciais devem se conformar à ordem jurídica nacional na qual se inserem (essa LC tem caráter nacional, e não federal). P: O papel do costume no Direito Tributário é o mesmo na LINDB? R: Ao instituir as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas como normas complementares o legislador permitiu que os costumes tenham, no direito tributário, papel maior do que o de integração previsto na LINDB (nesta os costumes só serão aplicados quando a lei for omissa). Assim, ainda que eles devam ser meramente interpretativos, pois não têm o condão de inovar o ordenamento, eles garantem ao contribuinte que uma nova interpretação da administração que considere a anteriormente adotada como ilegal não poderá ser aplicada para prejudicar os contribuintes que a seguiram, afastando as penalidades previstas na própria lei. P: É correto afirmar que o princípio da anterioridade é uma regra especial do direito tributário que afasta a aplicação da LINDB no que concerne à vacatio legis? R: Não, pois ainda que o princípio da anterioridade seja mesmo uma norma especial do direito tributário, ele não conflita com a vacatio legis já que são aplicados em momentos diferentes. A vacatio legis é o instituto que adia a entrada da norma no ordenamento, permitindo que após a publicação haja certo espaço de tempo para que o povo conheça a lei e somente após isto é que a mesma entrará em vigor (ciclo de produção completo). O princípio da anterioridade, por sua vez, é regra que atua em momento diverso, pois não impede a vigência da norma, mas sim posterga sua produção de efeitos para o ano seguinte ao da publicação. Logo, no primeiro o lapso temporal ocorre entre a publicação e a vigência, enquanto que no segundo ocorre entre a vigência e a eficácia. Possível, portanto, que a LINDB seja aplicada subsidiariamente quando a lei tributária não dispuser de modo expresso a data de sua vigência. Cumpre acrescentar que as normas complementares não se sujeitam à vacatio legis porque elas possuem regra diferenciada de vigência no próprio CTN. P: A eficácia é condição de vigência da lei tributária? R: Não, pois é possível que a lei esteja em vigor, mas ainda não tenha eficácia, isto é, não produza efeitos. Registre-se que a ordem inversa é verdadeira, pois toda lei para ter eficácia precisa estar em vigor. P: Qual o princípio que norteia a vigência espacial das normas? R: O princípio da territorialidade, de modo que as normas expedidas por um ente só têm vigência dentro do seu território. Existem, todavia, duas exceções: uma se dá por meio dos convênios em que os próprios entes anuem com a extraterritorialidade de uma norma de outro ente nos seus territórios. A outra diz respeito a uma norma geral nacional determinando que a norma de um ente se aplique a outro. Destaque-se que esta última somente deverá ocorrer em situações excepcionais, a exemplo da criação de um novo ente político, sob o risco de configurar violação ao pacto federativo. P: O art. 104 do CTN foi recepcionado? (art. 104: “entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I- que instituem ou majoram tais impostos; II- que definem novas hipóteses de incidência; III- que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no art. 178.”) R: A doutrina diverge. Uma corrente defende que o CTN tratou atecnicamente do princípio da anterioridade, utilizando-se a expressão entrar em “vigor” ao invés de se referir à eficácia da lei. Outra afirma que o dispositivo é uma garantia diferente, postergando a vigência da norma que trate dos temas referidos. Essa corrente não encontra respaldo jurisprudencial, que tranquilamente aceita a vigência imediata da norma tributária, desde que a produção de efeitos seja postergada para o exercício subsequente. Prevalece o entendimento de que os incisos I e II não foram recepcionados. No que diz respeito ao inciso III, o STF não o tem aplicado, se limitando a afirmar que as isenções não configuram aumento de tributo, logo não se sujeitam à anterioridade. P: O princípio da irretroatividade comporta exceções? R: Depende. Aquele previsto na CF não comporta, pois nenhuma lei que institua ou majore tributos pode ser aplicado a FG anterior à sua vigência. Já a irretroatividade inscrita no CTN é mais ampla, abrangendo também a legislação tributária, razão pela qual se admite exceção. Assim, a lei expressamente interpretativa e a lei mais benéfica no tocante a infrações e penalidades podem retroagir (desde que, neste último caso, não alcancem atos definitivamente julgados). P: A determinação do CTN para interpretar literalmente os institutos que excepcionam importantes regras tributárias impede o uso da interpretação sistêmica, teleológica e histórica? R: Não. A norma tem por escopo garantir que tais exceções serão interpretadas estritamente, sem possibilidade de ampliações, mas não impede o uso desses outros critérios. P: In dubio pro contribuinte. Existe essa máxima no Direito Tributário? R: No Direito Penal é que existe a máxima do in dubio pro reo, mas no Direito Tributário a regra a que a interpretação da lei não favoreça quaisquer dos polos, a menos que se trate de lei que defina infrações ou comine penalidades, quando a interpretação mais benigna ao contribuinte prevalecerá em caso de dúvida. P: O Direito Tributário pode se utilizar de princípios do direito privado? R: Sim, desde que não seja para definir os efeitos tributários dos institutos, conceitos e formas do direito privado usados pelo D. Tributário. P: Qual a diferença entre analogia e interpretação extensiva? R: A interpretação extensiva ocorre quando o legislador disse, no texto, menos do que queria que a norma abarcasse. Essa interpretação corrige a falha para alcançar a situação aparentemente não prevista. Na analogia, a situação a ser resolvida está indiscutivelmente fora do alcance da norma, mas em razão de sua semelhança com aquela prevista na norma, esta é utilizada para solucionar a questão. P: Quais as técnicas de integração no Direito Tributário? Analogia, princípios gerais do direito tributário, princípios gerais do direito público e equidade, necessariamente nesta ordem. 6. Legalidade tributária: conteúdo; concepções. Bernadete (bernadetercortes@gmail.com) bibliografia: Ricardo Alexandre, Luís Schoueri e Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo P: Qual a origem do princípio da legalidade? R: Alguns doutrinadores atribuem à Magna Carta Inglesa, de 1215. Outros criticam este posicionamento, pois este documento apenas assegurava algumas garantias aos barões ingleses, não sendo conectado à ideia de representatividade, ínsita a este princípio. Assim, a lógica de que somente o povo pode tributar a si mesmo passou a ser defendida pelos americanos, por volta de 1765, cujo lema “no taxation without representation” exigia a instituição de tributos somente pela lei criada pelos seus representantes. P: No que consiste o princípio da tipicidade cerrada? R: É um princípio que complementa o da legalidade, de modo que não basta o tributo ser instituído por lei, é preciso também que todos os elementos da hipótese de incidência tributária sejam perfeitamente descritos, permitindo a formação e quantificação da obrigação principal. (elementos: material, pessoal, quantitativo, espacial e temporal). Isso não significa, porém, que não possa haver pequenas delegações ao Poder Executivo para complementar conceitos jurídicos indeterminados ou cláusulas abertas, como ocorre com a norma tributária em branco, em que aquele Poder exerce uma discricionariedade técnica ao completar a norma. Ex: art. 22, II da lei 8212/91 - conceito de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave” no tocante às contribuições para custeio do SAT. P: Existe restrição material à edição de medidas provisórias em tema de direito tributário? R: O STF já assentou que, por ter força de lei, a medida provisória é instrumento apto a instituir ou aumentar tributos, não havendo na Constituição restrição direta que impeça o trato de matérias tributárias por esta via. Há, todavia, limitação indireta, na medida em que as MPs não podem dispor sobre matérias que devam ser regulamentadas por LC, como é o caso dos empréstimos compulsórios, dos impostos e contribuições residuais, das limitações ao poder de tributar e etc.. Outra limitação exsurge do art. 246 da CF, que veda o uso da MP para regulamentar artigos da Constituição alterados por emendas promulgadas em determinado período (entre 1995 e setembro de 2001), dentre as quais se incluem a EC 20/98, que modificou a sistemática das contribuições de seguridade social, e a EC 29/00, que possibilitou a progressividade fiscal do IPTU. (extra: esta regra foi criada porque FHC não queria que o próximo presidente, Lula, fechasse a abertura comercial e a política desestatizadora que ele promoveu). Registre-se que a EC 32/01 sedimentou o uso de MP em matéria tributária, mas atente-se para o fato de que a MP não tem o condão de exigir o pagamento de imposto, haja vista esse só poder ser cobrado após a conversão da MP em lei. Obs: esse é o entendimento pacificado, mas não custa destacar a crítica que alguns doutrinadores fazem ao uso da MP em matéria tributária, por existe conflito lógico entre requisito “urgência” da MP e o princípio da não surpresa e também por entender que o princípio da legalidade no direito tributário é tão rígido como no d. penal. P: Tendo em vista que à União compete legislar privativamente sobre o sistema monetário nacional, os demais entes federados podem estabelecer índices próprios de atualização de seus créditos tributários? R: Podem, desde que não seja em patamar superior ao fixado pela União. Caso adotem índice inferior, o STF entende que tais entes estariam conferindo benefício fiscal, qual seja, a renúncia à atualização monetária plena, isto é, estariam legislando sobre direito tributário e financeiro, matérias de competência concorrente. P: É correto falar em exceção ao princípio da legalidade? R: Levando em consideração a ideia de que o tributo deve ser criado por lei, não existe exceção à legalidade. O que se excepciona, no caso, é somente o elemento quantitativo, de modo que as alíquotas de determinados tributos podem ser majoradas e diminuídas pelo Poder Executivo, se isto for autorizado por lei (norma constitucional de eficácia limitada). 7. Tributo: conceito e espécies. Luiz Araujo (luizemmga@gmail.com) P. As contribuições destinadas ao FGTS (recolhimentos patronais) possuem natureza tributária? R. Não. Conforme o entendimento firmado pelo STJ, deve ser afastada a incidência das disposições do Código Tributário Nacional aos recolhimentos patronais para o FGTS, posto que não possuem natureza tributária, mas de direito trabalhista e social, destinado à proteção dos trabalhadores (AgRg no REsp 1325297/ES; REsp 898.274/SP). No mesmo sentido, a Súmula 353 do Tribunal da Cidadania. No caso, é importante considerar o conceito de tributo segundo o art. 9º da Lei 4.320/64, que afirma destinar-se o seu produto ao custeio de atividades gerais ou especificas exercidas por essas entidades. P. É possível que uma multa seja inscrita na dívida ativa tributária? R. Sim. Não se deve confundir os conceitos de "tributo" e de "dívida ativa tributária". A penalidade, por pressuposto lógico, não pode ser incluída no conceito de tributo (art. 3º do CTN), mas será abrangida na definição de dívida ativa tributária ou não tributária, conforme sua procedência. Neste sentido, o art. 39, § 2º, da Lei 4.320/1964 dispõe que a multa devida à Fazenda Pública poderá enquadrar-se no conceito de dívida ativa tributária ou não tributária, conforme a sua origem. STJ: REsp 1248719/PR. P. Qual a natureza jurídica do pedágio? R. Trata-se de questão bastante controversa na doutrina. Para Sacha Calmon Navarro Coelho, o pedágio não é tributo, mas preço (público ou privado) ou tarifa. Para Ricardo Alexandre, apesar de o pedágio haver sido concebido originariamente pela CF como tributo (taxa de serviço), prolifera hoje em dia a modalidade pedágio-tarifa, em que este é cobrado por particulares em regime de concessão, permissão ou autorização (regime contratual). O STF, contudo, reconheceu o caráter tributário da exação cobrada pelo uso de rodovia no RE 181.475-6, tendo classificado o pedágio como taxa de serviço. Cabe lembrar que a Corte Maior também tem precedente anterior, em cognição sumária, dizendo configurar preço público. P. Conceitue os impostos, expondo suas características principais. R. Os impostos são tributos de caráter contributivo, fato gerador não vinculado a atuação estatal e de arrecadação não vinculada (salvo o art. 167, IV, da CF/88). Sua receita presta-se ao financiamento das atividades gerais do Estado, remunerando os serviços universais (uti universi) que, por não gozarem de referibilidade (especificidade e divisibilidade), não podem ser custeados por intermédio de taxas. P. Qual a diferença entre impostos reais e pessoais? Cite exemplos. R. São reais os impostos que, em sua incidência, não levam em consideração aspectos pessoais, subjetivos, i.e., incidem objetivamente sobre determinada base econômica, sobre coisas. A título de exemplo, tem-se o IPTU, o IPVA, o ITR, o IPI, o ICMS. Ao contrário, são pessoais os impostos que incidem de forma subjetiva, considerando os aspectos pessoais do contribuinte. Nessa linha de raciocínio, a incidência do Imposto de Renda é personalizada, levando em conta a quantidade de dependentes, os gastos com saúde, com educação, com previdência social etc. P. Conceitue as taxas, apresentando suas características principais. R. As taxas são tributos de caráter retributivo ou contraprestacional, cujo fato gerador é vinculado a atuação estatal, sendo a sua arrecadação não vinculada (salvo as taxas judiciárias). Tem como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. P. Os serviços de limpeza dos logradouros públicos podem ser remunerados mediante taxa? E os serviços de coleta domiciliar de lixo? R. É inconstitucional a utilização de taxa para remunerar serviços de limpeza de logradouros públicos, pois o serviço, assim como o de iluminação pública, beneficia, indistintamente, toda a população; seus usuários são indetermináveis e sua utilização não é passível de mensuração. Já os serviços de coleta domiciliar de lixo podem ser remunerados mediante taxa, posto que seus usuários são identificáveis e sua utilização é, ao menos teoricamente, mensurável. STF: AgRg-AI 231.132 e Súmula Vinculante nº 19. P. Qual o fato gerador e a base de cálculo da contribuição de melhoria? R. O fato gerador da contribuição de melhoria é a valorização imobiliária decorrente de obra pública. Não é a mera realização da obra, mas sim a sua consequência. A melhoria exigida pela Constituição, segundo o STF, é o acréscimo de valor à propriedade imobiliária dos contribuintes, de forma que a base de cálculo do tributo será exatamente o valor acrescido, ou seja, a diferença entre os valores inicial e final do imóvel considerado (critério da mais valia). RE 114.069-1/SP; REsp 169.131/SP. P. Qual o princípio que norteia a instituição das contribuições de melhoria? R. A existência da contribuição de melhoria tem fundamento ético-jurídico no princípio da vedação ao enriquecimento sem causa. Seria injusto o Estado cobrar impostos de toda a coletividade e utilizar o produto da arrecadação para a realização de obras que trouxessem como resultado um aumento patrimonial de um grupo limitado de pessoas, sem que esse enriquecimento seja produto do trabalho ou do capital pertencente aos beneficiários. P. Qual a natureza das contribuições destinadas ao SEBRAE? É a mesma natureza das contribuições aos demais Serviços Sociais Autônomos? R. As contribuições destinadas ao SEBRAE tem natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE). Esta natureza restou afirmada pelo STF quando do julgamento do RE 396.266-3: “A contribuição do SEBRAE – Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/03 – é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, CF”. Logo, conforme se depreende do julgado da Corte Suprema, a natureza das contribuições ao SEBRAE não se confunde com a das contribuições aos demais Serviços Sociais Autônomos, entendidas como contribuições sociais gerais (SESI, SENAI, SESC, SENAC) ou contribuições do interesse de categorias econômicas (SEST, SENAT, SESCOOP - novos serviços sociais autônomos que atendem a setores específicos). P. Qual a natureza das exações instituídas pela Lei Complementar nº 110/2001? R. Conforme entendimento do STF, exarado na ADI 2556 MC/DF, “a natureza jurídica das duas exações criadas pela lei em causa, neste exame sumário, é a de que são elas tributárias, caracterizando-se como contribuições sociais que se enquadram na sub-espécie 'contribuições sociais gerais' que se submetem à regência do artigo 149 da Constituição, e não à do artigo 195 da Carta Magna”. P. É necessária a via da lei complementar para a instituição de CIDE? R. Não. A CIDE pode ser instituída mediante lei ordinária ou medida provisória, posto que o art. 149 da Constituição Federal não prevê a necessidade de edição de lei complementar. Além disso, o referido artigo já apresenta a definição de CIDE, de modo que não há incompatibilidade com o art. 146 da Carta Maior. P. As contribuições cobradas pela OAB a título de anuidade possuem natureza tributária? R. Não. Sem embargos das diversas críticas doutrinárias ao entendimento, a Primeira Seção do STJ firmou posição no sentido de que a OAB é uma autarquia sui generis e que as anuidades a ela devidas não têm natureza tributária (EREsp 463.258/SC). Dessa forma, a OAB não está obrigada a observar a legalidade absoluta (a anuidade pode ser cobrada com suporte simplesmente em Resolução do Conselho Federal da OAB ou em outro ato normativo interno) nem a executar seus créditos mediante execução fiscal. 8. Obrigação tributária: conceito; espécies; fato gerador (hipótese de incidência); sujeitos ativo e passivo; solidariedade; capacidade tributária; domicílio tributário. Solange (solange2k3@yahoo.com.br) P: O que caracteriza uma obrigacao tributaria como principal ou acessoria? R. O seu conteudo pecuniario. Se for obrigacao de pagamento, seja tributo, multa, juros, sera obrigacao principal. Se for obrigacao de prestacoes positivas ou negativas , ser`a obrigacao acessoria. P: A existencia da obrigacao tributaria acessoria pressupoe a da obrigacao principal? R. Nao. Em materia tributaria, ha obrigacoes que independem da existencia de obrigacao principal. A previsao do art. 14,III, do CTN, `e um exemplo disso, pois traz como um dos requisitos para o gozo de imunidade por parte das entidades de assistencia social sem fins lucrativos que estas mantenham escrituracao de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidao. Trata-se de uma obrigacao acessoria para quem nao possui obrigacoes principais. P: Qual o fato gerador da obrigacao principal, e da acessoria? R. Fato gerador da obrigacao principal `e a situacao definida em lei como necessaria e suficiente `a sua ocorrencia. Fato gerador da obrigacao acessoria `e qualquer situacao que, na forma da legislacao aplicavel( compreende todos os atos normativos gerais e abstratos, desde a Constituicao Federal ate o mais subalterno dos atos administratios normativos), impoe a pratica ou abstencao de ato que nao configure obrigacao principal. P: Explique fato gerador instantaneo, periodico e continuado: R. Fato gerador instantaneo `e quando sua realizacao se da num momento de tempo, sendo configurado por um ato ou negocio juridico singular que, a cada vez que se poe no mundo, implica a realizacao de um fato gerador. Exemplo: imposto de importacao. O fato gerador `e periodico quando sua realizacao se poe ao longo de um espaco de tempo EX: imposto sobre a renda periodicamente apurada `a vista de fatos que, no seu conjunto, realizam o fato gerador. Por sua vez, o fato gerador `e continuado quando `e representado por situacao que se mantem no tempo e `e mensurada em cortes temporais. Exemplo: impostos sobre a propriedade. P: A norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigacao tributaria se sujeita ao principio da anterioridade? R. Nao, conforme termos da Sumula n. 669, do STF. P: Pode o ente federado competente autuar o contribuinte pelo descumprimento de obrigacao acessoria consistente na exigencia de nota fiscal para deslocamento de bens do ativo imobilizado e de bens de uso e consumo entre estabelecimentos de um mesmo contribuinte? R. Sim. A obrigacao acessoria `e autonoma e ,ainda que nao exista obrigacao principal, pode ser instituida pelo ente legiferante no interesse da arrecadacao ou da fiscalizacao. Resp 1.116.792-PB (repetitivo) Sumula 166-STJ P: Discorra sobre os elementos subjetivos da obrigacao tributaria: R. Os elementos subjetivos da obrigacao tributaria referem-se aos sujeitos ativo e passivo da relacao juridico-tributaria. Sujeito ativo da obrigacao `e a pessoa juridica de direito publico titular da competencia para exigir o seu cumprimento. Sujeito passivo da obrigacao tributaria principal `e a pessoa obrigada a pagar o tributo ou penalidade pecuniaria. Da obrigacao acessoria, o sujeito passivo `e a pessoa obrigada `as prestacoes de fazer/deixar de fazer, que constituem seu objeto. Existem duas modalidades de sujeito passivo da obrigacao tributaria principal: os contribuintes e os responsaveis. Se o sujeito passivo possui relacao pessoal e direta com o fato gerador, sera contribuinte (sujeito passivo direto); caso contrario, sera responsavel(sujeito passivo indireto). P: No entendimento do STJ, a delegacao da capacidade tributaria ativa muda o sujeito ativo do tributo? R. Sim, consoante fora reconhecida, a ilegitimidade passiva da Uniao e a legitimidade do FNDE e do INSS, visto que este `e o agente arrecadador e fiscalizador do salario educacao. Resp 257.642/SC P: Existe possibilidade de modificacao superveniente do sujeito ativo da relacao juridico-tributario? R. Sim (CTN , art. 120), no caso de