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ELABORAÇÃO Prof.ª Ms. MAGALI Prof.ª Ms. MARIA INÊS CASTRO NASCIMENTO A ROTINA COMO POTENCIALIZADORA DA APRENDIZAGEM INFANTIL NAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS. Falar da creche ou da educação infantil é muito mais do que falar de uma instituição, de suas qualidades e defeitos, da sua necessidade social ou da sua importância educacional. É falar da criança. De um ser humano, pequenino, mas exuberante de vida (DIDONET, 2001). A Educação Infantil, enquanto primeira etapa da educação básica, materializa-se na oferta de atendimento em creches e pré-escolas. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2009) caracterizam estes espaços institucionais de forma clara e precisa, chamando atenção para as funções de educação e cuidado das crianças de 0 a 5 anos. A rotina escolar nada mais é, do que a organização dos espaços, tempos e materiais necessários para o pleno desenvolvimento das crianças e a organização do trabalho docente. Ou seja, é um planejamento construído a partir da observação cotidiana das necessidades das crianças. A rotina na Educação Infantil é uma ferramenta poderosa para moldar as experiências de aprendizagem das crianças. Ao criar um ambiente estruturado, flexível e envolvente, os educadores têm o potencial de impactar positivamente o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e físico das crianças, preparando-as para um futuro de aprendizado contínuo e significativo. Ela também auxilia os educadores a criar e implementar atividades que promovam um ambiente de aprendizagem enriquecedor e significativo para as crianças. A rotina desempenha um papel vital no desenvolvimento e bem-estar das crianças, fornecendo estrutura, previsibilidade e oportunidades para explorar de maneira criativa. De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998): A rotina representa, também, a estrutura sobre a qual será organizado o tempo didático, ou seja, o tempo de trabalho educativo realizado com as crianças. A rotina deve envolver os cuidados, as brincadeiras e as situações de aprendizagens orientadas (BRASIL, 1998, p. 54). A implementação de uma rotina eficaz na instituição de Educação Infantil traz várias contribuições significativas para o cotidiano das crianças, dos educadores e da própria instituição. A rotina pedagógica é um componente de grande importância para estruturar e organizar os tempos e espaços das instituições de educação infantil levando em consideração as especificidades dos sujeitos envolvidos. A rotina é apenas um dos elementos que integram o cotidiano. São denominadas de: horário; emprego do tempo; sequência de ações; trabalho dos adultos e das crianças; plano diário; rotina diária; jornada etc. De onde partimos e o que nos inspira – alguns conceitos. Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros, em uma atitude de aceitação, respeito e confiança, e o acesso pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural (BRASIL, 1998a, p. 23). O conceito de rotina refere-se a um conjunto regular de atividades, procedimentos ou hábitos que são realizados de maneira consistente em um determinado período de tempo. A rotina fornece uma estrutura organizada para a realização de tarefas diárias, semanais ou regulares, ajudando a criar previsibilidade e ordem na vida cotidiana. Na Instituição de Educação Infantil podemos pensar a organização do trabalho diário com as crianças a partir do que abordam as autoras Barbosa e Horn: Organizar o cotidiano das crianças da Educação Infantil pressupõe pensar que o estabelecimento de uma sequência básica de atividades diárias é, antes de mais nada, o resultado da leitura que fazemos do nosso grupo de crianças, a partir, principalmente, de suas necessidades. É importante que o educador observe o que as crianças brincam, como estas brincadeiras se desenvolvem, o que mais gostam de fazer, em que espaços preferem ficar, o que lhes chama mais atenção, em que momentos do dia estão mais tranquilos ou mais agitados. Este conhecimento é fundamental para que a estruturação espaço-temporal tenha significado. Ao lado disto, também é importante considerar o contexto sociocultural no qual se insere e a proposta pedagógica da instituição, que deverão lhe dar suporte. (BARBOSA; HORN, 2001, p. 67). A rotina pode abranger uma variedade de áreas, incluindo a vida pessoal, profissional, educacional e familiar. Ela contribui para a eficiência, a formação de hábitos saudáveis e a promoção de um ambiente estável. Além disso, a rotina desempenha um papel crucial no desenvolvimento infantil, proporcionando segurança e ajudando as crianças a compreenderem o mundo ao seu redor. Embora a rotina seja muitas vezes associada a atividades regulares, é importante destacar que ela pode ser flexível e adaptável de acordo com as necessidades e circunstâncias específicas. Uma rotina bem estruturada pode incluir momentos para trabalho, descanso, lazer, aprendizado e interações sociais, proporcionando um equilíbrio saudável na vida diária. A rotina é um elemento fundamental para a organização dos professores, das crianças, dos espaços e dos materiais. Ao mesmo tempo que ela transpassa à criança noções temporais e uma certa segurança em relação ao que irá acontecer durante o dia, ela também não pode se tornar algo previsível e sem surpresas. Ou seja, as crianças precisam de momentos inesperados, recheados com o inusitado e com magia. De acordo com Barbosa (2006, p. 201-202), Fazem parte das rotinas todas aquelas atividades que são recorrentes ou reiterativas na vida coletiva, mas que nem por isso, precisariam ser repetidas, isto é, feitas da mesma forma todos os dias. Além de fornecer a sequência das atividades diárias, a rotina, na sua constituição, utiliza-se de elementos que possibilitam a sua manifestação, como a organização do ambiente, os usos do tempo, a seleção e a proposição de atividades e a seleção e a construção materiais. Pensar a rotina implica pensar nos instrumentos pedagógicos que norteiam a prática pedagógica, a observação, o registro, o planejamento e a avaliação. A rotina precisa ser planejada e a escuta, a observação e o registro das crianças são elementos fundamentais para o planejamento. Tantos espaços, quantos lugares... ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DAS ROTINAS A constituição dos elementos da rotina compõem-se nos seguintes: A organização do ambiente; o uso do tempo; a seleção e as propostas de atividades; a seleção e a oferta de materiais. Esses são elementos que definem modos de pensar e prescrever uma rotina. Partindo da reflexão que o tempo e o espaço interferem diretamente no desenvolvimento integral da criança, no que se refere à organização do tempo nas instituições de educação infantil, momentos diferenciados abrangem tanto os aspectos pedagógicos quanto a rotina. Segundo Proença (2011): A rotina estruturante é como uma âncora do dia-a-dia, capaz de estruturar o cotidiano por representar para a criança e para os professores uma fonte de segurança e de previsão do que vai acontecer. Ela norteia, organiza e orienta o grupo no espaço escolar, diminuindo a ansiedade a respeito do que é imprevisível ou desconhecido e otimizando o tempo disponível do grupo. É um exercício disciplinar a construção da rotina do grupo, que envolve prioridades, opções, adequações às necessidades e dosagem das atividades. A associação da palavra âncora ao conceito de rotina pretende representar a base sobre a qual o professor se alicerça para poder prosseguir com o trabalho pedagógico. (PROENÇA, 2011) A organização do tempo e espaçoprecisa ser pensada, planejada, e planejar implica na observação das interações das crianças, na criança compreendida como centralidade do processo, e é a partir da organização dos ambientes que percebemos a concepção pedagógica da escola. ➢ ORGANIZAÇÃO DO AMBIENTE A organização do ambiente traduz uma maneira de compreender a infância, de entender seu desenvolvimento e o papel da educação e do educador. As diferentes formas de organizar o ambiente para o desenvolvimento de atividades de cuidado e educação das crianças pequenas traduzem os objetivos, as concepções e as diretrizes que os adultos possuem com relação ao futuro das novas gerações e às ideias pedagógicas. Todos os espaços têm o poder de promover relacionamentos, aprendizagem social, afetiva e cognitiva, dando às crianças o direito de imaginar, brincar e fantasiar os espaços que as rodeiam. Conforme Horn (2004): É no espaço físico que a criança consegue estabelecer relações entre o mundo e as pessoas, transformando-o em um pano de fundo no qual se inserem emoções. Essa qualificação do espaço físico é o que o transforma em um ambiente (HORN, 2004, apud RODRIGUES, 2015, p. 27). O espaço é o elemento material pelo qual a criança experimenta o calor, o frio, a luz, a cor, o som e, em uma medida, a segurança. [...] é em um espaço físico que a criança estabelece a relação com o mundo e com as pessoas; e, ao fazê-lo, esse espaço material se qualifica (LIMA, 1989). O espaço físico opera favorecendo ou não a construção das estruturas cognitivas e subjetivas das crianças. Ao mesmo tempo, impõe limites ou abre espaço para a imaginação dos adultos que criam ambientes (com auxílio das crianças) ricos e desafiantes, onde todos tenham a possibilidade de ter vivências e experiências diferenciadas, ampliando suas capacidades de aprender, de expressar seus sentimentos e pensamentos. Refletir sobre a luz, a sombra, as cores, os materiais, o olfato, o sono e a temperatura é projetar um ambiente, interno e externo, que favoreça as relações entre as crianças, as crianças e os adultos e as crianças e a construção das estruturas de conhecimento. Pensar no cenário onde as experiências físicas, sensoriais e relacionais acontecem é um importante ato para a construção de uma pedagogia da educação infantil. ➢ OS USOS DO TEMPO O tempo perguntou para o tempo: quanto tempo o tempo tem? O tempo respondeu para o tempo que o tempo tem tanto tempo quanto o tempo tempo tem. As rotinas são dispositivos espaço-temporais e podem, quando ativamente discutidas, elaboradas e criadas por todos os interlocutores envolvidos na sua execução, facilitar a construção das categorias de tempo e espaço. Em relação ao tempo, existem atividades que envolvem a rotina diária das crianças, como o horário da chegada e da saída, a alimentação, a higiene, o repouso, as brincadeiras, as atividades artísticas, o contar histórias, as quais são, no cotidiano infantil, atividades permanentes. Cada atividade proposta precisa contemplar o ritmo das crianças, a faixa etária, suas necessidades, designando um tempo razoável para a efetivação das mesmas Assim, para organizar estas atividades no tempo, é fundamental levar em consideração três diferentes necessidades das crianças: As necessidades biológicas, como as relacionadas ao repouso, à alimentação, à higiene e à sua faixa etária; As necessidades psicológicas, que se referem às diferenças individuais como, o tempo e o ritmo de cada um; As necessidades sociais e históricas que dizem respeito à cultura e ao estilo de vida, como as comemorações significativas para a comunidade onde se insere a escola e também as formas de organização institucional da escola infantil. ➢ A SELEÇÃO E AS PROPOSTAS DE ATIVIDADES As rotinas impõem às atividades um ritmo, um tipo de inter-relacionamento, um tempo de duração, modos de diversas atividades conectarem-se umas às outras, modos de fazer transições de uma situação à outra. Também as possibilidades dos ambientes, o tempo dispensado para realizar as atividades e os materiais oferecidos, serão decisivos, para ter maior ou um menor grau de variabilidade na proposição de atividades. Na pré-escola, as horas que privilegiam o jogo, as atividades diversificadas como casinha, marcenaria, marionetes, biblioteca, música, estudos da natureza, experiências, teatro, calendário, etc. Pode-se afirmar que essas atividades é que formam o núcleo daquilo que podemos chamar de pedagogias da educação infantil. As rotinas pedagógicas são constituídas dentro do espaço institucional por algumas atividades fixas e que constituem o eixo no qual todas as demais atividades circulam. Basicamente, são elas, a Hora da entrada, Jogo Livre, Rodinha, Hora do banheiro, Hora da merenda, Hora do pátio, Atividade Dirigida, Hora do Almoço, Hora da Higiene, Hora do Descanso, Atividades Diversificadas. Outras práticas se constituem em rituais de socialização e de cuidados e que utilizam parte expressiva do tempo da jornada na educação infantil que são constituídos pelos momentos da entrada, do recreio, da alimentação, do sono e outras atividades e, um outro grupo, o das atividades consideradas pedagógicas. Existe uma variedade de atividades pedagógicas a serem desenvolvidas com as crianças, como música, desenho, leitura, brincadeiras e outros. ➢ A SELEÇÃO E OFERTA DE MATERIAIS Tratar a questão dos materiais e as suas relações com as rotinas é perceber a possibilidade concreta que os materiais podem oferecer para influenciar os diversos modos de organização das rotinas. É possível procurar o outro lado da rotina, seu lado encantador, de aprender fazer todos os dias, de maneiras distintas, as tarefas que nos garantem a vida e, também, a conviver diariamente com nossos pares, crianças e educadores, recriando esses atos e essas relações. Segundo Tristão (2004): [...] é essencial o planejamento de situações ou do uso de materiais diversificados no cotidiano de trabalho com os pequenos, proporcionando o contato com diferentes possibilidades de aprendizagens, quais sejam, relacionais, afetivas, cognitivas, expressivas, artísticas... o que caracteriza o papel docente na prática com crianças pequenas é a intencionalidade dessas ações. (TRISTAO 2004, p. 11). Os materiais são elementos essenciais na organização das rotinas. Sua existência, sua variedade e sua exploração são fatos que levam a criar alternativas em termos de atividades para os grupos. Segundo Horn (2004 apud NONO, 2011): O olhar de um educador atento é sensível a todos os elementos que estão postos em uma sala de aula. O modo como organizamos materiais e móveis, e a forma como crianças e adultos ocupam esse espaço e como interagem com ele são reveladores de uma concepção pedagógica. Aliás, o que sempre chamou minha atenção foi a pobreza frequentemente encontrada nas salas de aula, nos materiais, nas cores, nos aromas; enfim, em tudo que pode povoar o espaço onde cotidianamente as crianças estão e como poderiam desenvolver-se nele e por meio dele se fosse mais bem organizado e mais rico em desafios. (HORN, 2004 apud NONO, 2011, p. 2). A educação de crianças pequenas ocorre principalmente pelas experiências vivenciadas por elas, pelas relações que se estabelecem com seus pares e com os adultos, pela diversidade de ambiente e materiais disponibilizados. A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO E DO TEMPO. ORGANIZAÇÃO DAS ROTINAS E DAS ATIVIDADES PRESSUPÕE.... 1. Segurança e Previsibilidade: A rotina cria um ambiente previsível e seguro para as crianças. Elas sabem o que esperar, o que proporciona uma sensação de segurança e estabilidade, promovendo o bem- estar emocional. 2. Desenvolvimento de Hábitos Saudáveis: Uma rotina bem estruturada inclui momentos para refeições, higiene, descanso e atividade física.Esses hábitos saudáveis contribuem para o desenvolvimento físico e mental das crianças. 3. Organização do Tempo: A rotina ajuda a organizar o tempo de maneira eficiente, garantindo que todas as atividades necessárias sejam realizadas. Isso é especialmente importante em um ambiente educacional, onde há diversas demandas a serem atendidas. 4. Foco no Desenvolvimento Integral: Uma rotina equilibrada pode incluir atividades que promovem o desenvolvimento integral da criança, abrangendo aspectos físicos, cognitivos, sociais e emocionais. 4. Facilitação da Aprendizagem: A rotina cria oportunidades para atividades estruturadas, como períodos de leitura, atividades artísticas e exploratórias. Isso contribui para o processo de aprendizagem das crianças. 5. Socialização e Interação: Ao incorporar momentos para brincadeiras e interações sociais, a rotina facilita o desenvolvimento das habilidades sociais e emocionais das crianças, promovendo amizades e colaboração. 6. Participação dos Responsáveis: Uma rotina bem comunicada e compreendida facilita a participação dos pais no cotidiano da instituição. Eles podem estar mais envolvidos e informados sobre as atividades e o progresso de seus filhos. 7. Gestão Eficiente dos Recursos: A rotina ajuda na gestão eficiente de recursos, incluindo o tempo dos educadores, espaços físicos e materiais educativos. Isso contribui para um funcionamento mais suave da instituição. 8. Desenvolvimento da Autonomia: De acordo com Machado (1994, p.26 e 27), ...a criança que brinca livremente e no seu nível, a sua maneira, está não só explorando o mundo ao seu redor, mas também comunicando sentimentos, ideias, fantasias, intercambiando o real e o imaginário num terceiro espaço, o espaço do brincar e das futuras atividades culturais [...] Brincar é viver criativamente no mundo. Ter prazer em brincar é ter prazer em viver. Ao estabelecer rotinas que envolvem a participação ativa das crianças em tarefas diárias, como arrumar seus pertences ou ajudar nas refeições, promove-se o desenvolvimento da autonomia e responsabilidade. 9. Apoio ao Planejamento Pedagógico: Uma rotina estruturada facilita o planejamento pedagógico. Os educadores podem incorporar atividades específicas para atender às metas e objetivos de aprendizagem. Em resumo, uma rotina bem elaborada na Educação Infantil contribui para a criação de um ambiente educacional saudável, promovendo o desenvolvimento integral das crianças, facilitando o trabalho dos educadores e fortalecendo a parceria com os responsáveis. A organização dos ambientes de educação e cuidados coletivos tem sido tão valorizada pois, trabalha com a ideia de que o espaço é, na educação infantil, um elemento primordial, um outro educador. Quanto mais o espaço estiver organizado, estruturado em arranjos, mais ele será desafiador e auxiliará na autonomia das crianças. As rotinas dão formalidade à prática pedagógica do dia-a-dia das instituições. Para alguns profissionais, ser educador infantil é saber o que fazer, como fazer, a que horas fazer, isto é, ter domínio das rotinas instituídas. A rotina é uma prática que tem colaborado com a constituição da avaliação, tanto da qualidade do atendimento dado às crianças como na avaliação e na classificação das crianças na educação infantil. BRINCAR, CUIDAR E EDUCAR POR UMA EDUCAÇÃO INTEGRAL O cuidar e educar formas indissociáveis no contexto da educação infantil, consiste em compreender que o espaço e o tempo em que a criança vive exige seu esforço particular e a mediação dos adultos como forma de proporcionar ambientes que estimulem a curiosidade. De acordo com Oliveira (2010), o cuidar e o educar de forma indissociável precisam ser contemplados pelo professor através do: Trabalho pedagógico organizado em creche ou pré-escola em que cuidar e educar são aspectos integrados, se faz pela criação de um ambiente em que a criança se sinta segura, satisfeita em suas necessidades, acolhida em sua maneira de ser, onde ela possa trabalhar de forma adequada em suas emoções e lidar com seus medos, sua raiva, seus ciúmes, sua apatia ou hiperatividade, e possa construir hipóteses sobre o mundo e elaborar sua identidade (p. 10). A questão da divisão entre atividades biológicas e culturais é importante para a educação infantil. Os atos relacionados aos cuidados das crianças, apesar de estarem determinados pela natureza, também estão impregnados de sentidos socioculturais. As Diretrizes Curriculares para Educação Infantil (2009, p.10) ao afirmam que: Educar cuidando inclui acolher, garantir a segurança, mas também alimentar a curiosidade, a ludicidade e a expressividade infantis. Educar de modo dissociado do cuidar é dar condições para as crianças explorarem o ambiente de diferentes maneiras (manipulando materiais da natureza ou objetos, observando, nomeando objetos, pessoas ou situações, fazendo perguntas etc.) e construírem sentidos pessoais e significados coletivos, à medida que vão se constituindo como sujeitos e se apropriando de um modo singular das formas culturais de agir, sentir e pensar. Isso requer do professor ter sensibilidade e delicadeza no trato de cada criança, e assegurar atenção especial conforme as necessidades que identifica nas crianças. De acordo com Machado (1994, p.26 e 27), ...a criança que brinca livremente e no seu nível, a sua maneira, está não só explorando o mundo ao seu redor, mas também comunicando sentimentos, ideias, fantasias, intercambiando o real e o imaginário num terceiro espaço, o espaço do brincar e das futuras atividades culturais [...] Brincar é viver criativamente no mundo. Ter prazer em brincar é ter prazer em viver. Brincando a criança vai se descobrindo, aprende a linguagem dos símbolos, cresce e entra no espaço das atividades sócio-criativo-culturais, explorando o mundo, o mundo de dentro e o mundo de fora, dando significados a sua vivência. Cabe muitas vezes ao adulto mediar às brincadeiras das crianças, quando este deve estar atento e disponível para ajudar, sem criar conflitos, deixando expressar-se livremente. PLANEJAR, AVALIAR E REGISTRAR A PRÁTICA PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL. Pensar em um planejamento que contemple as vozes presentes no cotidiano das instituições de Educação Infantil é garantir que o trabalho desenvolvido surja dos interesses, das curiosidades, das necessidades e desejos de todos. A criança, centro do planejamento curricular, é considerada um sujeito histórico e de direitos. Ela se desenvolve nas interações, relações e práticas cotidianas a ela disponibilizadas e por ela estabelecidas com adultos e crianças de diferentes idades nos grupos e contextos culturais nos quais se insere. Quando se planeja as atividades, deve-se incluir a produção das crianças. Essas produções devem ser individuais e grupais e em outros momentos envolver a turma como um todo. As produções devem ser diversificadas com desenhos, colagens, construção de objetos, modelagem, trabalho com diferentes elementos naturais, entre outros. Cabe ao coletivo definir e estabelecer formas de avaliação e os registros das atividades e dos movimentos que envolvam as aprendizagens e o dia a dia da instituição, garantindo uma memória de todos os envolvidos no processo. Na avaliação do desenvolvimento das crianças, este não deve ser compreendido como etapas a serem vencidas, mas como um todo uma vez que o mesmo apresenta rupturas, descontinuidades. O registro, nessa perspectiva, possibilita compreender todo o processo de constituição e formação das crianças e suas interações no espaço, tempo e grupos sociais. Ao refletirmos sobre avaliação pensamos em algo que seja significativo e dinâmico, que realmente traduza experiências reais, coletivas e particulares, vivenciadas pelas crianças, considerando-as emsua integralidade, acompanhando o seu desenvolvimento em todos os aspectos: cognitivo, físico, psicológico, emocional, afetivo, linguístico e social. A avaliação é um processo contínuo de reflexão sobre a prática pedagógica, possibilitando ao educador repensar suas ações, servindo como referência para o (re)planejamento do trabalho com as crianças. O ato de planear pressupõe o olhar atento à realidade. A ideia central é que as atividades planeadas diariamente devem contar com a participação ativa das crianças garantindo às mesmas a construção das noções de tempo e espaço, possibilitando-lhes a compreensão do modo como as situações são organizadas, e sobre tudo, permitindo ricas e variadas interações sociais. REFERÊNCIAS BARBOSA, M. C. S.; HORN, M. G. S. Organização do espaço e do tempo na escola infantil. In: CRAIDY, C.KAERCHER, G. E. Educação Infantil Pra que te quero? Porto Alegre: Artmed, 2001. BARBOSA, Maria Carmen Silveira. Por amor e por força: rotinas na educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2006. BRASIL. Constituição. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, Senado, 1988. BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEB, 2009. BRASIL. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998. Brasília, DF. DIDONET, Vital. Creche: a que veio, para onde vai. In: Educação Infantil: a creche, um bom começo. Em Aberto/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. v 18, n.73. Brasília, 2001. p.11-28. MACHADO, Marina Marcondes. O brinquedo- -sucata e a criança: a importância do brincar, atividades e materiais. São Paulo: Loyola,1994 NONO, Maévi Anabel. Organização do tempo e espaço na educação infantil – Pesquisas e Práticas. 2011. Texto (Departamento de Educação) – Universidade Estadual Paulista, São Jose do Rio Preto, 2011. PROENÇA, Maria Alice de Rezende. A Rotina na Educação Infantil: “âncora” do cotidiano. Pedra Lascada, 30 julho 2011. Disponível em: https://pedralascada.blog/2011/07/30/a-rotina-na-educacao-infantil-ancora-docotidiano OLIVEIRA. Zilma de Moraes de. O Currículo na Educação Infantil: O que propõem as novas diretrizes nacionais? 2010. TRISTÃO, Fernanda Carolina Dias. Ser Professora de Bebês: um estudo de caso em uma creche conveniada. Dissertação (Mestrado em educação) – Centro de Ciências da Educação, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2004.