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Profa. Ana Paula Augusto da Cruz Ballerini ABDOME AGUDO VASCULAR DEFINIÇÃO Isquemia mesentérica aguda, ou abdome agudo vascular consiste na interrupção do fluxo sanguíneo intestinal secundário a embolia, trombose ou estado de baixo fluxo. INTRODUÇÃO Também conhecido como Abdome Agudo Isquêmico. 50 a 70% de mortalidade. Causa relevante de óbito em pacientes internados em UTI. Diagnóstico e tratamento precoces (até 6h do início da dor) aumentam a sobrevida. Requer alto índice de suspeição, pois os sintomas são inespecíficos no início do quadro. Pode ser confundido com quadro de obstrução intestinal. INTRODUÇÃO Relativamente raro. Levantar suspeita sempre com quadros de dor abdominal “desproporcional” aos exames. A variabilidade dos vasos envolvidos, a extensão do órgão acometido e os diferentes níveis de comprometimento do tecido resultam em uma infinidade de apresentações clínicas. ANATOMIA ANATOMIA ANATOMIA FISIOPATOLOGIA A fisiopatologia baseia-se em uma redução acentuada do fluxo sanguíneo mesentérico, que incapaz de suprir as demandas metabólicas do intestino, leva a graus variados de lesão isquêmica. A extensão e gravidade do episódio dependem da duração e da intensidade do fenômeno isquêmico e da presença de circulação colateral capaz de compensar a diminuição do fluxo na área comprometida. FISIOPATOLOGIA A mucosa intestinal tem alto índice metabólico e, em conseqüência, necessita de fluxo sanguíneo elevado (normalmente recebendo 20 a 25% do débito cardíaco), tornando-a muito sensível aos efeitos de uma perfusão diminuída. A isquemia provoca rompimento da barreira mucosa, permitindo a liberação de bactérias, toxinas e mediadores vasoativos, que por sua vez causam depressão miocárdica, resposta sistêmica inflamatória sindrômica ( Sepse e choque séptico), falência de múltiplos órgãos e morte. FISIOPATOLOGIA A liberação de mediadores pode ocorrer mesmo antes do infarto completo. A necrose pode ocorrer tão rápido quanto 6 h depois do início dos sintomas. ETIOLOGIA Embolia Mesentérica; (Superior) origem cardíaca, aórtica, tumoral ou por cristais de colesterol Trombose Aguda; secundária geralmente à aterosclerose prévia ETIOLOGIA Vasoconstrição Esplâncnica – Isquemia não Oclusiva; (baixo fluxo). ICC, choque de origem medular ou traumático, gastroenterites, hemoconcentração, pneumonia, placenta prévia e espasmo das artérias distais associado ao abuso de cocaína, intoxicação por Ergot ou o emprego de vasopressores durante o tratamento do choque. Trombose Venosa Mesentérica. trombose primária (sem etiologia definida) e as secundárias: deficiência de proteína C ou proteína S, antitrombina III e fator V de Leiden, além de estados de hipercoagulabilidade associados a doenças neoplásicas ou inflamatórias, trauma, hipertensão portal, cirrose e, após, escleroterapia de varizes de esôfago. ETIOLOGIA FATORES DE RISCO FATORES DE RISCO GERAIS 78% HAS 71% TABAGISMO 62% DOENÇA VASCULAR PERIFÉRICA 50% CORONARIOPATAS FATORES DE RISCO FATORES DE RISCO ESPECÍFICOS HISTÓRIA RECENTE DE EVENTO CARDÍACO HISTÓRIA PRÉVIA DE EMBOLISMO ATEROSCLEROSE DISTÚRBIOS DE COAGULAÇÃO E USO DE ANTICONCEPCIONAL (ESTRÓGENO) QUADRO CLÍNICO 95% Dor Abdominal; 44% Náuseas; 35% Vômitos; 35% Diarréia; 16% Hematoquezia. QUADRO CLÍNICO Embolia : DOR SÚBITA EPIGÁSTRICA DESPROPORCIONAL AO EXAME FÍSICO 1/3 DOR, FEBRE E HEMATOQUEZIA QUADRO CLÍNICO Trombose Arterial : DOR EPIGÁSTRICA IMPORTANTE E SÚBITA HISTÓRIA PREGRESSA DE ANGINA ABDOMINAL PERDA DE PESO QUADRO CLÍNICO Etiologia Não-Oclusiva: DOR INSIDIOSA E NÃO SÚBITA MAIS DIFUSA, COM PIORA E MELHORA “POUCO PROGRESSIVA” QUADRO CLÍNICO Trombose Venosa: INESPECÍFICA NÁUSEA, VÔMITOS, DIARRÉIA, CÓLICAS, SEM LOCALIZAÇÃO DEFINIDA 68% DOR VAGA, 16% “PERITONITE” E 16% SEM QUALQUER DOR EXAMES COMPLEMENTARES Hemograma : pode mostrar leucocitose com ou sem desvio em quase 100% dos casos. Dosagem de lactato sérico: Geralmente aumentado em cerca de 90 % dos casos. Enzimas hepáticas: podem estar aumentadas na maioria dos casos. Solicitar sempre o restante da Bioquímica. Para avaliar condições gerais do doente e sinais de desidratação/sepse. RADIOGRAFIA SIMPLES DE ABDOME Distensão de Alças de Delgado com predomínio de íleo distal e ceco. RADIOGRAFIA SIMPLES DE ABDOME Alterações tardias de trombose da Veia Mesentérica. Presença de gás delineando o contorno parietal do colo direito e sigmóide (seta preta). Pneumatose intestinal. RADIOGRAFIA CONTRASTADA Não deve ser realizada devido ao consumo de tempo, retardando o estabelecimento diagnóstico, e a piora da qualidade de imagem de estudos seguintes potencialmente diagnósticos como a TC e a angiografia, devido à utilização do meio de contraste intraluminal de alta densidade. ULTRASSONOGRAFIA/DOPPLER Pode ser bastante prejudicado pela freqüente e excessiva distensão gasosa intestinal, limitando sua sensibilidade. Caracterizam-se alças com espessamento parietal ou sinais de ascite em cerca de 20% dos casos. A avaliação Doppler-fluxométrica pode demonstrar diretamente a trombose arterial ou venosa pela ausência de fluxo associado à obliteração da luz vascular por material ecogênico. ANGIOGRAFIA / ANGIOTOMOGRAFIA Método diagnóstico ideal da isquemia mesentérica, tanto pelo alto potencial de diagnóstico precoce como pela possibilidade de intervenção terapêutica imediata. A angiografia permite identificar a causa da isquemia, distinguindo a forma oclusiva da não oclusiva e avaliando o grau de perfusão intestinal. Nas oclusões arteriais, determina o local e a extensão da obstrução, bem como o grau de irrigação colateral. ANGIOGRAFIA / ANGIOTOMOGRAFIA O tratamento percutâneo transluminal pode ser feito durante o mesmo procedimento pela infusão seletiva de drogas vasodilatadoras ou agentes fibrinolíticos. Trata-se efetivamente do método de maior sensibilidade e especificidade para as causas de abdome agudo vascular, desde que realizado com refinamento técnico, através de cateterização seletiva do tronco celíaco e artérias mesentéricas. Nas oclusões arteriais, tem sensibilidade superior a 92% pela fácil demonstração de estenoses críticas ou êmbolos. TOMOGRAFIA falha de enchimento na artéria (seta vermelha) e veia (seta azul) mesentérica superior, compatível com trombose. Notar a distensão difusa das alças intestinais do delgado secundária à obstrução vascular TOMOGRAFIA Corte coronal na fase portal evidenciando ausência de captação de contraste / vascularização de alças do íleo distal e no ceco (setas contínua), compatível com isquemia mesentérica. Observam-se alças do duodeno e jejuno com contrastação normal. TOMOGRAFIA Corte axial na fase portal evidenciando ausência de vascularização de alças do íleo distal e no ceco (seta contínua), compatível com isquemia mesentérica. Observa-se alças do duodeno e jejuno com contratação normal (seta pontilhada). TRATAMENTO TRATAMENTO TROMBOSE/EMBOLIA arterial Cirúrgico: embolectomia, revascularização, com ou sem ressecção intestinal Angiográfico: vasodilatadores ou trombólise Anticoagulação de longo prazo ou terapia antiagregante TRATAMENTO TROMBOSE/EMBOLIA venosa ANTICOAGULAÇÃO – PERITONITE - LE 1/3 REQUER ENTERECTOMIA 23% MORTALIDADE PERIOPERATÓRIA TROMBOLÍTICOS PODEM SER USADOS AVALIAR TROMBOFILIA TEMPO DE ANTICOAGULAÇÃO TRATAMENTO NÃO-OCLUSIVO MAIORIA NÃO CIRÚRGICO TRATAMENTO DO FATOR CAUSAL! HIDRATAÇÃO ENDOVENOSA E MELHORA DA BOMBA CARDÍACA PAPAVERINA EV (30-60 MG/HR) PERITONITE - LAPAROTOMIA CONSIDERAÇÕES O diagnóstico precoce é crucial porque a mortalidade aumenta de modo significativo depois que o infarto intestinal ocorreu. Inicialmente, a dor é intensa, mas os achados físicos são mínimos. A exploração cirúrgica muitas vezes é a melhor opção diagnóstica para pacientes com achados peritoneais claros. Para outros pacientes, realiza-se uma angiografia mesentérica ou angiografia por TC. image2.png image3.jpeg image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png