Prévia do material em texto
DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Recursos Trabalhistas - Parte II Livro Eletrônico Presidente: Gabriel Granjeiro Vice-Presidente: Rodrigo Calado Diretor Pedagógico: Erico Teixeira Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi Gerência de Produção de Conteúdo: Magno Coimbra Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais do Gran Cursos Online. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às penalidades previstas civil e criminalmente. CÓDIGO: 230727169565 GUSTAVO DEITOS Professor de cursos preparatórios para concursos públicos. Analista Judiciário do Tribunal Superior do Trabalho (Gabinete de Ministro). Outras convocações: Técnico Judiciário do TRT-SC (7° lugar) e Analista Judiciário do TRF da 3ª Região. Aprovado em 8° lugar para Analista Judiciário do TRT-MS. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos SUMÁRIO Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 Recursos Trabalhistas – Parte II . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 1. Natureza Ordinária e Extraordinária dos Recursos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 2. Recurso Ordinário (RO) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 2.1. Cabimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 2.2. Procedimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 2.3. RO no Procedimento Sumaríssimo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 2.4. Súmulas e OJs do TST sobre o Recurso Ordinário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 3. Agravo de Petição (AP) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 3.1. Cabimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 3.2. Procedimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 3.3. Súmulas e OJs do TST sobre o Agravo de Petição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 4. Agravo de Instrumento (AI) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 4.1. Cabimento e Procedimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 4.2. Depósito recursal do Agravo de Instrumento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 4.3. Súmulas e OJs do TST sobre o Agravo de Instrumento . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 5. Recurso de Revista (RR) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 5.1. Pressupostos de Admissibilidade Específicos do Recurso de Revista (RR) . 34 5.2. Cabimento do RR no Procedimento Ordinário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 5.3. Cabimento do RR no Procedimento Sumaríssimo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 5.4. Cabimento do RR na Fase de Execução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 5.5. Procedimento do RR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 5.6. Outras Súmulas e OJs do TST sobre o RR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 6. Embargos de Declaração (ED) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 6.1. Cabimento e Procedimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 6.2. Súmulas e OJs do TST sobre os ED . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 4 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Questões de concurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92 Gabarito comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 5 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos aPReseNTaÇÃoaPReseNTaÇÃo Olá, querido(a) aluno(a) do Gran! Espero encontrá-lo muito bem! Neste curso, apresento- lhe várias aulas autossuficientes de direito processual do trabalho, com o objetivo de lhe disponibilizar, de forma prática e completa, o substrato de conteúdo necessário para ter o melhor desempenho possível na prova. Esta aula, assim como as demais aulas em PDF, foi elaborada de modo que você possa tê-la como fonte autossuficiente de estudo, isto é, como um material de estudo completo e capaz de possibilitar um aprendizado tão integral quanto outros meios de estudo. A preferência por aulas em PDF e/ou vídeos pertence a cada aluno, que, individualmente, avalia suas facilidades e necessidades, a fim de encontrar seus meios de estudo ideais. Dessa forma, o aluno pode optar pelo estudo com aulas em PDF e vídeos, ou somente com um ou outro meio. Aqueles que preferem estudar somente com materiais em PDF terão o privilégio de contar com as aulas em PDF autossuficientes do nosso curso, a exemplo desta aula. De qualquer forma, nada impede que as aulas em PDF sejam utilizadas como fonte de estudos de forma aliada com as aulas em vídeo do Gran. Tudo depende, unicamente, da preferência de cada aluno. Nesta aula, estudaremos especialmente os seguintes tópicos de Direito Processual do Trabalho, particularmente inerentes ao Sistema Recursal: • Recurso ordinário (RO); • Agravo de petição (AP); • Agravo de instrumento (AI); • Embargos de declaração (ED); • Recurso de revista (RR). A aula é acompanhada de exercícios selecionados e reunidos de modo a abranger todos os pontos importantes da aula, a fim de que seu conhecimento seja ainda mais solidificado. O número de exercícios é determinado de acordo com dois parâmetros: complexidade do conteúdo e número de questões de concursos existentes. Por resultado, o número de exercícios disponibilizados é determinado de modo que seu conhecimento sobre os temas seja efetivamente testado e fixado, mas sem que haja uma repetição obsoleta. Nosso curso possibilita a avaliação de cada aula em PDF de forma fácil e rápida. Considero o resultado das avaliações extremamente importantee intrínsecos do recurso de revista, mesmo que não apreciados pelo TRT. EXEMPLO Ao exercer juízo de admissibilidade sobre um recurso de revista, o TRT inadmite-o, por considerá-lo deserto, por não terem sido pagas as custas no prazo recursal. O recorrente interpõe agravo de instrumento em recurso de revista, para que o TST efetue o juízo de admissibilidade. O TST verifica que as custas haviam sido corretamente pagas no prazo recursal, afastando a inadmissibilidade por deserção. A partir daí, o TST pôde analisar os demais pressupostos de admissibilidade. Ao analisar os demais pressupostos, o TST verifica que o recurso de revista, na verdade, não era adequado, porque a decisão recorrida foi proferida em processo de competência originária do TRT, caso em que o recurso cabível seria o recurso ordinário, e não o recurso de revista. O TRT, ao analisar o recurso de revista, deixou passar que da decisão recorrida caberia recurso ordinário, fato que tornaria inadequado o recurso de revista e, por conseguinte, ausente outro pressuposto de admissibilidade: adequação do recurso. É perfeitamente possível que o TST analise os demais pressupostos que não tenham sido analisados pelo TRT, inadmitindo o recurso interposto por falta de outros pressupostos, diferentes daqueles que tenham embasado a decisão de inadmissibilidade do TRT. JURISPRUDÊNCIA OJ 217 da SDI-I do TST Para a formação do agravo de instrumento, não é necessária a juntada de comprovantes de recolhimento de custas e de depósito recursal relativamente ao recurso ordinário, desde que não seja objeto de controvérsia no recurso de revista a validade daqueles recolhimentos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 33 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos No exemplo apresentado acima, existia controvérsia acerca da correção do pagamento das custas processuais. Naquele exemplo, seria necessário comprovar que as custas haviam sido corretamente pagas. Todavia, se a controvérsia da admissibilidade do recurso trancado não tivesse nenhuma relação com o preparo (custas e depósito recursal), seria desnecessário juntar, no agravo de instrumento, comprovante de pagamento de custas e depósito recursal. 5. RECURSO DE REVISTA (RR)5. RECURSO DE REVISTA (RR) O Recurso de Revista (RR) é um recurso trabalhista de natureza extraordinária. Isso porque as hipóteses de cabimento do RR não se condicionam ao atendimento dos interesses das partes, mas sim ao atendimento do interesse social pertinente à segurança jurídica. Esse interesse é atendido, em tese, por meio da pacificação da jurisprudência. O julgamento do recurso de revista, pelo TST, é feito sempre no sentido de realizar o enquadramento jurídico de determinados fatos já consignados no acórdão proferido pelo TRT. Por ter natureza extraordinária, o RR NÃO é cabível para discussão de quaisquer fatos e/ou provas envolvidas no processo. É a regra da importantíssima Súmula 126 do TST: JURISPRUDÊNCIA Súmula 126 do TST Incabível o recurso de revista ou de embargos (arts. 896 e 894, “b”, da CLT) para reexame de fatos e provas. Veja, portanto, que o RR é um recurso de fundamentação vinculada. Afinal, o cabimento do RR somente existirá quando a argumentação que o incorpora consistir em demonstração de violação ou contrariedade a determinados parâmetros (súmulas, leis, dispositivos da Constituição, dentre outros). Portanto, nem tudo pode ser alegado no RR, mesmo que as razões do recorrente sejam brilhantemente sustentadas. No TST, as partes não podem narrar ou pretender comprovar a ocorrência de fatos não examinados na instância ordinária (até o TRT). Logo, eventuais fatos que não tenham sido consignados pelo TRT no acórdão, em segunda instância, consideram-se não existentes para fins de enquadramento jurídico, no TST. Obs.: Se determinado fato relevante para o processo não for consignado pelo TRT no acórdão, é assegurado à parte interessada, para viabilizar eventual recurso de revista, opor embargos de declaração com a finalidade de obter o prequestionamento da matéria. Neste caso, eventual persistência da omissão do TRT sobre tal fato seria suprida, nos termos da Súmula 297, III, do TST, logo adiante comentada. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 34 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos O RR, como veremos, é julgado pelo TST, sendo cabível contra acórdãos proferidos pelos TRTs no julgamento de Recursos Ordinários em dissídios individuais de trabalho. Obs.: NÃO EXISTE recurso de revista em dissídio coletivo, porque esta espécie de lide é julgada, originariamente, pelo TRT, quando o dissídio repercutir em território não excedente da jurisdição do TRT, ou pelo TST, quando o dissídio repercutir em território que excede à jurisdição de um TRT específico. Portanto, quando o dissídio coletivo for de competência do TRT, caberá recurso ordinário do acórdão do TRT para o TST. Veja que a interposição de RR em dissídio coletivo é absolutamente impossível, dada a natureza do seu processamento, que só tem lugar em dissídios individuais. 5 .1 . PRessuPosTos De aDMIssIbIlIDaDe esPecÍFIcos Do RecuRso De 5 .1 . PRessuPosTos De aDMIssIbIlIDaDe esPecÍFIcos Do RecuRso De REVISTA (RR)REVISTA (RR) Na primeira aula sobre o Sistema Recursal Trabalhista, você estudou os pressupostos de admissibilidade genéricos, que todos os recursos devem preencher. O RR possui alguns pressupostos de admissibilidade específicos, os quais você verá agora. Devo alertar que os doutrinadores de maior renome no processo do trabalho, como Bezerra Leite e Mauro Schiavi, não são uníssonos ao elencar os pressupostos de admissibilidade específicos do RR. Portanto, as provas costumam cobrar aqueles mais repetidos entre os doutrinadores, sem guardar fidelidade a uma classificação específica. Em razão disso, buscarei apresentar a você os pressupostos específicos do RR mais consagrados em provas. 5 .1 .1 . PReQuesTIoNaMeNTo A matéria invocada nas razões do RR, para convencer o TST a modificar o acórdão do TRT, deve ter sido DEBATIDA nos autos, isto é, TRATADA no processo. Não é possível levar às razões do RR matéria que nem mesmo foi discutida no processo até aquele momento. Esse é o pressuposto do Prequestionamento, abordado em alguns verbetes jurisprudenciais, em especial os apresentados abaixo (um deles apresenta uma exceção à exigência de prequestionamento): JURISPRUDÊNCIA Súmula 297 do TST I – Diz-se prequestionada a matéria ou questão quando na decisão impugnada haja sido adotada, explicitamente, tese a respeito. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 35 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos II – Incumbe à parte interessada, desde que a matéria haja sido invocada no recurso principal, opor embargos declaratórios objetivando o pronunciamento sobre o tema, sob pena de preclusão. III – Considera-se prequestionada a questão jurídica invocada no recurso principal sobre a qual se omite o Tribunal de pronunciar tese, não obstante opostos embargos de declaração.O item I estabelece o marco configurador do prequestionamento: a decisão recorrida (acórdão do TRT) deve ter adotado alguma tese acerca da matéria, seja dando provimento naquele ponto, seja não o dando. Se a decisão adotar, de forma explícita, tese sobre determinada matéria, diremos que estamos diante de PREQUESTIONAMENTO REAL. Os itens II e III referem-se ao PREQUESTIONAMENTO VIRTUAL/FICTO: se o acórdão do TRT se omitir a respeito de determinada matéria, a parte recorrente poderá opor Embargos de Declaração, para suprir tal omissão. Nesse caso, se o TRT, ao apreciar os Embargos de Declaração, continuar omisso quanto à matéria, o TST considerará que, para todos os efeitos, a matéria é prequestionada. Neste último caso, o prequestionamento diz-se virtual ou ficto porque a matéria não foi enfrentada pelo acórdão regional recorrido, mas a parte fez tudo o que lhe era possível para preencher o requisito. Registro que, no CPC, o prequestionamento virtual/ficto tem fundamento no art. 1.025: Art. 1.025. Consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de pré-questionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade. JURISPRUDÊNCIA OJ 119 da SDI-I do TST: É inexigível o prequestionamento quando a violação indicada houver nascido na própria decisão recorrida. Veremos adiante que o RR é cabível, dentre outras hipóteses, em caso de violação literal de lei. Você sabe que, às vezes, o vício (problema) da decisão recorrida pode não ser referente a argumentos jurídicos da fundamentação, mas, sim, referentes à própria decisão em si. Explico: Uma decisão judicial (inclusive o acórdão do TRT) pode ter vício em si própria quando recair em julgamento extra petita, citra petita ou ultra petita. 1) Extra Petita: o juiz decide sobre matéria não apresentada por qualquer das partes. 2) Ultra Petita: o juiz decide sobre matéria que, de fato, foi apresentada pelas partes, mas em grau superior ao delimitado por elas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 36 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 3) Citra Petita: o juiz deixa de se manifestar sobre matéria que as partes lhe apresentaram para apreciação e julgamento. A decisão judicial também pode ser viciada por si só em razão de outros motivos, como falta de fundamentação ou outros requisitos essenciais (relatório, dispositivo, magistrado impedido, órgão julgador incompleto etc.). Nessas situações, além de outras inúmeras possibilidades, não há que se falar em necessidade de prequestionamento, pois a discussão a ser tratada em RR não se refere a uma matéria debatida, mas, sim, ao defeito do acórdão do TRT. Veja um exemplo retirado de precedente da SDI-I do TST: JURISPRUDÊNCIA “AGRAVO INTERNO. EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA INTERPOSTOS PELA RECLAMADA. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE ÀS SÚMULAS DE N.ºs 126 E 297 DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO. ACÓRDÃO PROLATADO POR TURMA DO TST, MEDIANTE O QUAL SE CONHECEU DO RECURSO DE REVISTA OBREIRO QUANTO À ARGUIÇÃO DE JULGAMENTO ULTRA PETITA PERPETRADO PELO TRIBUNAL REGIONAL DE ORIGEM. VÍCIO PROCEDIMENTAL NASCIDO NA DECISÃO RECORRIDA. ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL N.º 119 DA SBDI-1 DO TST. INVOCAÇÃO, NO ACÓRDÃO DA TURMA, DAS RAZÕES DE RECURSO ORDINÁRIO, TRANSCRITAS NA DECISÃO PROFERIDA PELA CORTE REGIONAL. 1. Nos termos da diretriz sufragada na Orientação Jurisprudencial n.º 119 da SBDI-1 do TST, “ é inexigível o prequestionamento quando a violação indicada houver nascido na própria decisão recorrida. Inaplicável a Súmula n.º 297 do TST “. A partir de tal entendimento, conclui-se que eventual julgamento ultra petita, perpetrado pelo Tribunal Regional do Trabalho no julgamento do Recurso Ordinário, consubstancia erro procedimental passível de exame pela Turma do TST no julgamento do Recurso de Revista interposto pela parte prejudicada, sem que se exija, para tanto, manifestação do colegiado de origem acerca de eventual vício nascido na sua própria decisão. Precedentes da SBDI-1 do TST. [...] (Ag-E-ED-RR-317500-64.2001.5.17.0004, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Relator Ministro Lelio Bentes Correa, DEJT 23/04/2021). 5 .1 .2 . DIaleTIcIDaDe O pressuposto da Dialeticidade – por alguns chamado de “Princípio da Dialeticidade” – consiste na necessidade de que o recorrente, nas razões do RR, impugne todos os fundamentos invocados pelo acórdão recorrido (do TRT) a respeito da matéria que a parte pretende impugnar no RR. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 37 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos O pressuposto – ou “princípio” – da dialeticidade é insculpido nas Súmulas 23 e 422 do TST: JURISPRUDÊNCIA Súmula 23 do TST Não se conhece de recurso de revista ou de embargos, se a decisão recorrida resolver determinado item do pedido por diversos fundamentos e a jurisprudência transcrita não abranger a todos. JURISPRUDÊNCIA Súmula 422 do TST I – Não se conhece de recurso para o Tribunal Superior do Trabalho se as razões do recorrente não impugnam os fundamentos da decisão recorrida, nos termos em que proferida. II – O entendimento referido no item anterior não se aplica em relação à motivação secundária e impertinente, consubstanciada em despacho de admissibilidade de recurso ou em decisão monocrática. III – Inaplicável a exigência do item I relativamente ao recurso ordinário da competência de Tribunal Regional do Trabalho, exceto em caso de recurso cuja motivação é inteiramente dissociada dos fundamentos da sentença. Veja: não basta que a parte, no RR, impugne somente parte dos fundamentos do TRT referentes à matéria impugnada por meio do RR. TODOS os fundamentos do TRT devem ser impugnados. Logo, se a parte fundamentar o RR em suposta divergência jurisprudencial, deverá demonstrar a existência dessa divergência em relação a todos os fundamentos que embasam a tese utilizada pelo Tribunal Regional em julgamento do recurso ordinário. Se a divergência jurisprudencial for demonstrada em relação a um fundamento, mas a tese continuar subsistente à luz de outro fundamento, o RR não será conhecido. Ademais, quando a parte interpuser o RR com fundamento em suposta violação de dispositivo de lei ou da Constituição Federal, deverá demonstrar essa violação, na peça do recurso de revista, de modo a atacar todos os fundamentos utilizados pelo Regional para a adoção da tese contrária ao interesse do recorrente. Se um dos fundamentos continuar intocável, mesmo exaurida a argumentação do recorrente, o RR não será conhecido. Veja um exemplo extraído da jurisprudência do TST: JURISPRUDÊNCIA “RECURSOS INTERPOSTOS SOB A ÉGIDE DAS LEIS N. 13.015/2014, 13.105/2015 E 13.467/2017. I - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DA EMPRESA. RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR - DOENÇA OCUPACIONAL - DANO PATRIMONIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DO FUNDAMENTO ADOTADO NA DECISÃO MEDIANTE A QUAL SE DENEGOU SEGUIMENTO AO RECURSO DE REVISTA. APELO O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br38 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos DESFUNDAMENTADO. SÚMULA 422, I, DO TST. ANÁLISE DE TRANSCENDÊNCIA PREJUDICADA. O recurso de revista, por ostentar natureza eminentemente técnica, tem sua admissibilidade subordinada ao atendimento de requisitos que não podem ser transigidos pelo julgador. Assim, se a parte veicula pretensão sem se ater à obrigatoriedade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão recorrida, há de reconhecer que seu apelo não atende ao pressuposto da regularidade formal. Destarte, incide o óbice do item I da Súmula n. 422 do TST, segundo o qual “Não se conhece de recurso para o Tribunal Superior do Trabalho se as razões do recorrente não impugnam os fundamentos da decisão recorrida, nos termos em que proferida”. Não se credencia ao prosseguimento o recurso de revista, porquanto desfundamentado, ante a inobservância do princípio da dialeticidade que informa os recursos. Inviabilizado o exame formal do recurso, fica prejudicada a análise da transcendência. Agravo de instrumento conhecido e desprovido. [...] (ARR-1000649-12.2017.5.02.0473, 8ª Turma, Relator Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT 09/08/2022). 5 .1 .3 . TRaNsceNDÊNcIa O pressuposto da transcendência existe na CLT desde 2001, mas não era aplicado em razão da falta de parâmetros para sua aferição. A Lei n. 13.467/2017 (Reforma Trabalhista) tratou de conferir parâmetros à transcendência, tornando-a, a partir de então, aplicável. O termo “transcendência”, semanticamente, guarda diversos significados possíveis. Processualmente falando, a transcendência é um pressuposto de admissibilidade relativo a um contexto processual que, considerado em si mesmo, ultrapassa (transcende) os interesses das partes do processo. Explico com outras palavras: alguma coisa que está acontecendo no processo configura um interesse comum da sociedade, e não apenas das partes. Logo, eventual decisão judicial a respeito dessa “coisa de interesse comum” seria um acontecimento de interesse da sociedade como um todo, refletindo nela direta ou indiretamente. Você terá exemplos nos comentários a seguir. Abaixo, apresentarei comentários a cada dispositivo da CLT pertinente ao pressuposto da transcendência. Alerto que os dispositivos citados e comentados abaixo (com exceção do caput do art. 896- A) foram inseridos pela Reforma Trabalhista. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 39 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Art. 896-A - O Tribunal Superior do Trabalho, no recurso de revista, examinará previamente se a causa oferece transcendência com relação aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica. § 1º São indicadores de transcendência, entre outros: I – econômica, o elevado valor da causa; II – política, o desrespeito da instância recorrida à jurisprudência sumulada do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal; III – social, a postulação, por reclamante-recorrente, de direito social constitucionalmente assegurado; IV – jurídica, a existência de questão nova em torno da interpretação da legislação trabalhista. Os indicadores de transcendência (elementos que indicam a existência de transcendência), no § 1º, são EXEMPLIFICATIVOS. No entanto, as espécies de transcendência, na CLT, são taxativas. Tome muito cuidado para não confundir essas informações: 1) As espécies de transcendência (econômica, política, social e jurídica) são taxativas. Por isso, não é possível que outros tipos de transcendência sejam construídos pela jurisprudência, como transcendência “cultural”, “tecnológica”, dentre outros vários imagináveis. 2) Os indicadores de transcendência, por sua vez, são exemplificativos. Por isso, a transcendência econômica, por exemplo, pode ser demonstrada de variadíssimas formas, e não apenas por meio da demonstração de que o valor da causa é elevado. TRANSCENDÊNCIA ECONÔMICA: um elemento configurador desse tipo de transcendência é “o elevado valor da causa”. No caso concreto, podem ser identificados outros elementos, como a possibilidade de contingenciamento de empregados no âmbito da empresa (demissão em massa), possibilidade de falência de uma empresa com muitos empregados, dentre outros. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA: O inciso II fala que um elemento configurador desse tipo de transcendência é o desrespeito às súmulas do TST ou do STF. Nesse ponto, tratar-se-ia de política judiciária. Mas é claro que pode haver outros elementos, como, por exemplo, matéria sobre eleições em confederações sindicais. Obs.: A transcendência política é normalmente reconhecida, também, quando o acórdão do Tribunal Regional é contrário à jurisprudência predominante do TST, seja de Turmas ou de Seções, mesmo que não consubstanciada em súmula ou OJ. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 40 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos TRANSCENDÊNCIA SOCIAL: O inciso III, por sua vez, fala que um elemento configurador desse tipo de transcendência é a postulação de direito social assegurado pela Constituição. Há outros elementos configuradores dessa espécie de transcendência, como por exemplo matéria sobre contribuição e recolhimento de contribuições sociais ou para previdência privada. Obs.: Parte das Turmas do TST considera que a transcendência social somente é possível de se extrair de recursos de revista interpostos por reclamantes. Afinal, quando uma empresa postula, em recurso de revista, a redução ou a exclusão de uma condenação, o resultado do provimento do recurso não teria nenhuma utilidade à tutela de direitos sociais previstos na Constituição Federal. É que a tutela desses direitos é aumentada mediante ampliação da proteção do trabalhador, e não o contrário. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA: O inciso IV fala que um elemento configurador dessa espécie de transcendência é a existência de questão nova acerca da interpretação das leis trabalhistas. Muitos elementos poderiam configurar esse tipo de transcendência, como a existência de lacunas na lei, a vigência e a aplicabilidade temporal e espacial de uma lei, dentre outros. Obs.: É frequente o reconhecimento da transcendência jurídica quando o recurso de revista envolve uma questão jurídica com poucos precedentes, ou nenhum precedente, no TST. O recurso de revista será considerado transcendente, e conhecido (se atendidos todos os demais pressupostos), quando presente, pelo menos, uma espécie de transcendência. Portanto, se, por exemplo, o recurso tiver apenas transcendência jurídica, ele já poderá ser conhecido e processado. Basta um tipo de transcendência. A taxatividade das espécies de transcendência decorre da regra do caput do art. 896-A da CLT, que apresenta, exatamente, quais são os reflexos gerais que justificam o exame da causa na instância extraordinária. Logo, a transcendência pode ser somente econômica, política, social ou jurídica. Por outro lado, cada uma dessas espécies de transcendência pode ser sustentada e demonstrada, no RR, ou no acórdão da Turma, de diferentes formas. Não é necessário que a transcendência jurídica seja sustentada e demonstrada somente no sentido de que o processo envolva uma questão nova concernente à interpretação da legislação trabalhista, embora essaseja a forma tipicamente prevista em lei para a demonstração de transcendência jurídica. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 41 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Esse raciocínio, caro(a) aluno(a), tem uma exceção, à luz da jurisprudência do TST. Se o RR tiver por objeto a sustentação de que o TRT perpetrou negativa de prestação jurisdicional, por não apreciar determinado pedido, ou por provocar cerceamento de defesa, o reconhecimento da transcendência poderá ocorrer sem enquadramento em uma espécie exata de transcendência. Para a situação de negativa de prestação jurisdicional, o TST admite que a transcendência seja inominada, isto é, sem uma especificação quanto a ser econômica, política, social ou jurídica. No entanto, o reconhecimento da transcendência diante de alegação de negativa de prestação jurisdicional é intrinsecamente dependente da procedência dessa alegação. Na prática, funciona da seguinte forma: se a Turma, ao analisar o recurso de revista, observar que a alegação de negativa de prestação jurisdicional é correta e procedente, a transcendência será reconhecida. Logo, se a alegação de negativa de prestação jurisdicional não tiver atendido a pressupostos processuais ou não for procedente, a transcendência não será reconhecida. É como se a transcendência, nesse caso excepcional, fosse apreciada apenas depois do mérito. Para declarar a existência de transcendência do recurso de revista nessa excepcionalíssima hipótese, é como se o TST considerasse que a transcendência da causa fosse um pouco econômica, um pouco política, um pouco social e um pouco jurídica. Para que fique o mais claro possível, apresento um exemplo da jurisprudência do TST: JURISPRUDÊNCIA II – AGRAVO DE INSTRUMENTO DA RECLAMANTE. RECURSO DE REVISTA SOB A ÉGIDE DA LEI 13.467/2017. NULIDADE POR NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. TRANSCENDÊNCIA RECONHECIDA. Com relação ao tema nulidade do acórdão regional por negativa de prestação jurisdicional, o exame dos critérios de transcendência está ligado à perspectiva de procedência da alegação. Vale ressaltar, ainda, que a Sexta Turma tem utilizado a fórmula ampliativa da expressão “entre outros”, prevista no art. 896-A, § 1º, da CLT, para reconhecer transcendência a causas em que seja reconhecida a nulidade por negativa de prestação jurisdicional. In casu, a arguição de nulidade por negativa de prestação jurisdicional é procedente. Transcendência reconhecida. (RR-1002291-37.2016.5.02.0026, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto Cesar Leite de Carvalho, DEJT 03/06/2022). § 2º Poderá o relator, monocraticamente, denegar seguimento ao recurso de revista que não demonstrar transcendência, cabendo agravo desta decisão para o colegiado. Antes de explicar a regra deste parágrafo, adianto que o § 6º proíbe os TRTs de, no primeiro juízo de admissibilidade, avaliar se há ou não há transcendência no RR, O TRT (Presidente ou Vice) só pode avaliar os pressupostos intrínsecos e extrínsecos genéricos do RR, deixando a transcendência para o TST analisar. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 42 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Portanto, o primeiro que analisará a transcendência será o relator designado no TST. Se o relator entender que não existe transcendência no RR, a parte recorrente poderá interpor Agravo Interno para a Turma, que decidirá de forma colegiada, e não mais monocrática, sobre a existência ou não de transcendência no RR. Confira, abaixo, mapa mental a respeito da regra do § 2º: Algumas Turmas do TST somente adentram ao exame da transcendência quando o recurso de revista preenche os pressupostos recursais básicos (intrínsecos ou extrínsecos). Portanto, se um recurso de revista é deserto (por ausência de preparo), a transcendência não é examinada por algumas Turmas do TST. O mesmo raciocínio é válido para as situações de ausência de outros pressupostos recursais, como, por exemplo, o prequestionamento. EXEMPLO Se, em recurso de revista, a parte não indicar o trecho do acórdão do TRT que consubstancie o prequestionamento da controvérsia objeto do RR, nos termos do art. 896, § 1º-A, I, da CLT, o RR não será conhecido por ausência de prequestionamento. Nessa situação, a transcendência terá seu exame prejudicado, e, portanto, não será analisada. Veja exemplos em que a análise da transcendência foi prejudicada: JURISPRUDÊNCIA “AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA SOB A ÉGIDE DA LEI 13.467/2017. GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO. INCORPORAÇÃO. QUEBRA DE CAIXA. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 896, § 1º-A, DA CLT. PREJUDICADO O EXAME DA TRANSCENDÊNCIA. A recorrente limitou-se a transcrever, na peça recursal, breves trechos do acórdão recorrido, os quais, isoladamente, não são capazes de demonstrar de modo completo o entendimento que o Regional adotou para apreciar a questão relativa à incorporação O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 43 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos de gratificação de função percebida pela reclamante por mais de dez anos, na forma da Súmula 372 do TST. Vários dos fundamentos em que se baseou o Regional não constam dos trechos transcritos pela recorrente. Apesar de o art. 896-A da CLT estabelecer a necessidade de exame prévio da transcendência do recurso de revista, a jurisprudência da Sexta Turma do TST evoluiu para entender que esta análise fica prejudicada quando o apelo carece de pressupostos processuais extrínsecos ou intrínsecos que impedem o alcance do exame meritório do feito, como no caso em tela. Agravo de instrumento não provido” (AIRR-20917-39.2017.5.04.0024, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto Cesar Leite de Carvalho, DEJT 20/06/2022). JURISPRUDÊNCIA “AGRAVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMADA NA VIGÊNCIA DA LEI 13.467/2017 1 - NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR. MULTA POR EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. AUSÊNCIA DE TRANSCRIÇÃO DO TRECHO DO ACÓRDÃO REGIONAL QUE CONSUBSTANCIA O PREQUESTIONAMENTO DA CONTROVÉRSIA. EXAME DA TRANSCENDÊNCIA PREJUDICADO. 1.1. Quanto aos temas, nas razões de recurso de revista, a parte não observou os requisitos do art. 896, § 1º-A, I, da CLT, deixando de indicar os trechos da decisão que consubstanciam o prequestionamento da controvérsia objeto do recurso de revista. 1. 2. Resta prejudicado o exame dos indicadores da transcendência previstos no art. 896-A, §1º, I a IV, da CLT. Agravo não provido. [...] (Ag-AIRR-18230-20.2016.5.16.0015, 8ª Turma, Relatora Ministra Delaide Alves Miranda Arantes, DEJT 09/08/2022). § 3º Em relação ao recurso que o relator considerou não ter transcendência, o recorrente poderá realizar sustentação oral sobre a questão da transcendência, durante cinco minutos em sessão. O RR subiu para o TST. Até aí, tudo perfeito. No TST, o relator resolve dizer que o RR não possui transcendência, inadmitindo-o. Nesse contexto, o recorrente interpõe Agravo Interno para a Turma. Na sessão de julgamento do Agravo Interno,o advogado do recorrente terá CINCO MINUTOS para, oralmente, sustentar as razões demonstrativas da existência de transcendência, seja ela econômica, jurídica, social, política ou outra diferenciada. § 4º Mantido o voto do relator quanto à não transcendência do recurso, será lavrado acórdão com fundamentação sucinta, que constituirá decisão irrecorrível no âmbito do tribunal. No julgamento do Agravo Interno, pela Turma do TST, feita ou não a sustentação oral do advogado do recorrente, a Turma (órgão colegiado) poderá não ficar convencida da existência de transcendência, mantendo, por conseguinte, o voto do relator no sentido de que a causa não apresenta transcendência econômica, política, social ou jurídica. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 44 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Nesse caso, após a decisão colegiada da Turma, não caberá nenhum outro recurso no âmbito do TST acerca da transcendência. Logo, o RR não poderá ser conhecido. e agora, professor, tudo estaria acabado para a parte recorrente?e agora, professor, tudo estaria acabado para a parte recorrente? Você lembra o que pode ser feito quando determinada decisão é irrecorrível (tendo alcançado sua última instância) no âmbito de tribunais superiores? Exatamente: RECURSO EXTRAORDINÁRIO AO STF, desde que exista alguma das hipóteses do art. 102, inciso III, da Constituição Federal. É por isso que o legislador tomou o cuidado de dizer que a decisão seria irrecorrível “no âmbito do tribunal”, apenas. “§ 5º É irrecorrível a decisão monocrática do relator que, em agravo de instrumento em recurso de revista, considerar ausente a transcendência da matéria.” O § 5º foi declarado inconstitucional pelo Tribunal Pleno do TST. Confira a ementa do julgamento de arguição de inconstitucionalidade, pelo TST, em que foi declarada a inconstitucionalidade do § 5º do art. 896-A da CLT: JURISPRUDÊNCIA “ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 896-A, § 5º, DA CLT. NORMA QUE DISCIPLINA A IRRECORRIBILIDADE DE DECISÃO UNIPESSOAL PROFERIDA PELO RELATOR EM RECURSO DE COMPETÊNCIA DO COLEGIADO. AFRONTA AOS PRINCÍPIOS DO JUIZ NATURAL (ARTIGOS 5º, LIII, E 111, II, CF/88); DO DEVIDO PROCESSO LEGAL (ARTIGO 5º, LIV E LV, CF/88) DA ISONOMIA (ARTIGO 5º, CAPUT, CF/88); DA COLEGIALIDADE (DE ACORDO COM O STF, INTEGRANTE DA FORMAÇÃO HISTÓRICA DA ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA NACIONAL, PORTANTO, PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL IMPLÍCITO); DAS GARANTIAS DA SEGURANÇA JURÍDICA E DA PROTEÇÃO DA CONFIANÇA (ARTIGO 5º, CAPUT, CF/88). ÓBICE AO EXAME DA MATÉRIA OBJETO DO APELO PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INCONGRUÊNCIA DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS PELA LEI NO JULGAMENTO DOS RECURSOS DE REVISTA E DE AGRAVOS DE INSTRUMENTO. FALTA DE RAZOABILIDADE DA INTERPRETAÇÃO LITERAL DO DISPOSITIVO (STF, ADI N. 1.511-MC). É inconstitucional a regra inserida no artigo 896-A, § 5º, da CLT, ao prever a irrecorribilidade da decisão monocrática proferida pelo relator que rejeita a transcendência da questão jurídica versada no agravo de instrumento em recurso de revista. Tal prática viola os princípios da colegialidade, O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 45 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos do juiz natural, do devido processo legal, da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia; impede o exame futuro da controvérsia pelo Supremo Tribunal Federal; revela a incongruência de procedimentos adotados no julgamento de recursos de revista e de agravos de instrumento, o que viola o princípio da razoabilidade; obstaculiza o exercício da competência reservada, por lei, às Turmas deste Tribunal; dificulta a fixação de precedentes por este Tribunal, considerando a ausência de parâmetros objetivos fixados para o reconhecimento da transcendência e a atribuição de elevado grau de subjetividade por cada relator - que não constitui órgão julgador, mas, sim, instância de julgamento, cuja atuação decorre de delegação do Colegiado. Arguição acolhida, para se declarar a inconstitucionalidade do dispositivo, no caso concreto. [...]” (ArgInc-Ag-AIRR-1000845-52.2016.5.02.0461, Tribunal Pleno, Relator Ministro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 17/12/2020). A validade do § 5º acarretava a seguinte situação: em agravos de instrumento interpostos para destrancar recursos de revista, o relator podia afirmar que não reconhece a transcendência da causa. Nessa situação, não cabia nenhum recurso, nem mesmo o agravo interno. Essa restrição era irracional e rígida, já que impossibilitava o prosseguimento do processo por força de uma decisão monocrática, proferida por um só magistrado integrante de um órgão jurisdicional colegiado. Configurava-se violação ao princípio da colegialidade, segundo o qual, nos tribunais, as decisões somente adquirem caráter de definitividade quando tomadas por órgão colegiado, seja Turma, Seção ou órgão de composição plenária. O TST, pelos fundamentos expostos na ementa acima transcrita, declarou o § 5º inconstitucional. A consequência disso é que, atualmente, é cabível agravo interno contra decisão monocrática do relator, no TST, que não reconheça a transcendência da causa, em agravo de instrumento em recurso de revista (AIRR). Na parte dispositiva do acórdão da arguição de inconstitucionalidade referida (ArgInc- Ag-AIRR-1000845-52.2016.5.02.0461), constou: ACORDAM os Ministros do Tribunal Pleno do Tribunal Superior do Trabalho, por maioria, acolher o presente incidente e declarar a inconstitucionalidade do artigo 896-A, § 5º, da CLT, a fim de que se admita, no caso, a interposição de agravo interno contra a decisão unipessoal do Relator - que negou seguimento ao agravo de instrumento em recurso de revista, por ausência de transcendência da causa -, por violação dos artigos 5º, caput, LIII, LIV e LV, 111 e 113 da Constituição Federal, além do Princípio da Colegialidade, inscrito na tradição do sistema constitucional brasileiro. § 6º O juízo de admissibilidade do recurso de revista exercido pela Presidência dos Tribunais Regionais do Trabalho limita-se à análise dos pressupostos intrínsecos e extrínsecos do apelo, não abrangendo o critério da transcendência das questões nele veiculadas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 46 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos No âmbito do TRT, quem exerce o Primeiro Juízo de Admissibilidade do RR é o Presidente ou Vice-Presidente do TRT, a depender do que disponha o regimento interno. Nesse primeiro juízo, somente os pressupostos intrínsecos e extrínsecos genéricos devem ser analisados. A transcendência é um pressuposto específico de análise exclusiva do TST, e só ele pode dizer se há ou não transcendência no caso concreto. 5.1.4. PRESSUPOSTOS INOMINADOS DO ART. 896, § 1º-A, DA CLT O § 1º-A do art. 896 da CLT estabelece um rol de deveres que a parte recorrente deve atender para que o RR seja conhecido. Portanto, tais deveres configuram verdadeiros pressupostos específicos de admissibilidade do RR, embora não recebam um nome individualizado. Logo,tais pressupostos são ditos “inominados”. São eles: § 1º-A. Sob pena de não conhecimento, é ônus da parte: I – indicar o trecho da decisão recorrida que consubstancia o prequestionamento da controvérsia objeto do recurso de revista; II – indicar, de forma explícita e fundamentada, contrariedade a dispositivo de lei, súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho que conflite com a decisão regional; III – expor as razões do pedido de reforma, impugnando todos os fundamentos jurídicos da decisão recorrida, inclusive mediante demonstração analítica de cada dispositivo de lei, da Constituição Federal, de súmula ou orientação jurisprudencial cuja contrariedade aponte. IV – transcrever na peça recursal, no caso de suscitar preliminar de nulidade de julgado por negativa de prestação jurisdicional, o trecho dos embargos declaratórios em que foi pedido o pronunciamento do tribunal sobre questão veiculada no recurso ordinário e o trecho da decisão regional que rejeitou os embargos quanto ao pedido, para cotejo e verificação, de plano, da ocorrência da omissão. Todos esses incisos do § 1º-A, em minha visão, parecem ser mais uma forma de demonstração dos pressupostos do que pressupostos propriamente ditos. Todavia, há vozes na doutrina indicando tais incisos como pressupostos de natureza intrínseca do RR (Bezerra Leite, em especial). Por força do inciso I, não é conhecido o recurso de revista que, embora profundamente fundamentado, não cite, textualmente, os trechos do acórdão do TRT que tratem da controvérsia objeto do recurso de revista. Trata-se de uma providência “CTRL+C e CTRL+V”. Deve a parte copiar e colar os trechos do acórdão do TRT que apresentem a controvérsia já prequestionada. É uma forma de demonstrar o prequestionamento. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 47 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos O inciso II indica que não pode a parte, simplesmente, afirmar que o TRT violou determinado artigo de lei ou da Constituição Federal sem fundamentar, de forma razoável, a suposta violação. Apenas dizer que a decisão “violou” ou “contrariou” determinado dispositivo não é suficiente. O recurso de revista, que é complexo, deve conter fundamentação explícita e coerente. Ademais, o dispositivo tido por violado deve ser indicado expressamente. JURISPRUDÊNCIA Súmula 221 do TST A admissibilidade do recurso de revista por violação tem como pressuposto a indicação expressa do dispositivo de lei ou da Constituição tido como violado. O inciso III tem aplicação prática que coincide com a Súmula 422 do TST, que insculpe o princípio da dialeticidade. Se o acórdão do TRT for embasado em três fundamentos, não será conhecido o RR que tiver argumentação em sentido de atacar apenas dois desses fundamentos. Cada fundamento primário e autônomo do acórdão, se suficiente para embasar a decisão recorrida, deve ser impugnado no RR. Todos os fundamentos do acórdão do Tribunal Regional, portanto, devem ser impugnados, com a pertinente fundamentação. O inciso IV é direcionado especificamente aos recursos de revista que tenham alegação de negativa de prestação jurisdicional. São as situações em que o problema está no fato de o TRT, supostamente, persistir em omissão, sem enfrentar determinadas pretensões, defesas ou fatos alegados pelas partes. Para que a negativa de prestação jurisdicional tenha seu mérito analisado, é imprescindível que a parte copie e cole, em sua peça recursal, o trecho dos embargos de declaração em que foi pedido o pronunciamento do TRT sobre questão veiculada no recurso ordinário e o trecho da decisão regional que rejeitou os embargos. Logo, é necessário que o recorrente copie e cole o corpo de seus embargos de declaração, de modo a mostrar que, efetivamente, pediu ao TRT que analisasse determinada matéria. Logo em seguida, deve o recorrente copiar e colar o acórdão do TRT proferido em julgamento de embargos de declaração, a fim de deixar claro que o TRT, mesmo após os embargos de declaração, não analisou a matéria. É essa a técnica de demonstração, na prática, de prequestionamento virtual. A ausência de cumprimento desses requisitos, nos recursos de revista, acarreta o não conhecimento do RR. Para os recursos de revista em geral, analisa-se o cumprimento dos incisos I, II e III. O inciso IV, por sua vez, é analisado apenas nos recursos de revista que tenham capítulo em que se alegue negativa de prestação jurisdicional. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 48 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 5 .2 . cabIMeNTo Do RR No PRoceDIMeNTo oRDINÁRIo5 .2 . cabIMeNTo Do RR No PRoceDIMeNTo oRDINÁRIo As hipóteses de cabimento do RR, no procedimento ordinário, são elencadas no art. 896 da CLT, abaixo citadas: Art. 896 - Cabe Recurso de Revista para Turma do Tribunal Superior do Trabalho das decisões proferidas em grau de recurso ordinário, em dissídio individual, pelos Tribunais Regionais do Trabalho, quando: a) derem ao mesmo dispositivo de lei federal interpretação diversa da que lhe houver dado outro Tribunal Regional do Trabalho, no seu Pleno ou Turma, ou a Seção de Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho, ou contrariarem súmula de jurisprudência uniforme dessa Corte ou súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal; A alínea “a” apresenta a hipótese de cabimento do RR denominada “divergência jurisprudencial”. Em se tratando de procedimento ordinário, já adianto que é cabível o RR quando a interpretação dada pelo TRT à lei federal contrariar, também, Orientação Jurisprudencial (OJ) do TST, embora a OJ não seja expressamente mencionada nesta alínea. O cabimento de RR, no procedimento ordinário, por contrariedade a Orientação Jurisprudencial (OJ) é esclarecido, curiosamente, numa OJ da SDI-I do TST, que enuncia: JURISPRUDÊNCIA OJ 219 da SDI-I do TST É válida, para efeito de conhecimento do recurso de revista ou de embargos, a invocação de Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho, desde que, das razões recursais, conste o seu número ou conteúdo. A OJ 219 da SDI-I do TST aplica-se somente aos recursos de revista interpostos em procedimento ordinário. Sinteticamente, as hipóteses desta alínea indicam que o RR é cabível contra o Acórdão do TRT, proferido em julgamento de RO, em dissídio individual, quando a interpretação do TRT à lei federal (como a CLT) contrariar: 1) Interpretação dada ao mesmo dispositivo legal por Turma, Órgão Especial ou Tribunal Pleno de outro TRT Obs.: Órgão Especial, para relembrar, é um órgão fracionário com competências delegadas do Pleno, por isso o mencionei aqui. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 49 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 2) Interpretação dada ao mesmo dispositivo legal pela SDI do TST 3) Súmula do TST 4) OJ do TST 5) Súmula VINCULANTE do STF (e não outras súmulas) Não é cabível RR por divergência jurisprudencial (alínea “a”) relativamente a decisão de Turma do TST. Portanto, não é capaz de demonstrardivergência jurisprudencial a oposição de entendimentos entre uma Turma de TRT e uma Turma do TST. O cabimento do RR com fundamento na alínea “a” exige divergência entre o TRT recorrido e outro TRT ou a SDI (I ou II) do TST, exclusivamente. A demonstração, na prática, de divergência jurisprudencial depende de algumas providências por parte do recorrente. Essas providências são esclarecidas na Súmula 337 do TST: JURISPRUDÊNCIA Súmula 337 do TST I – Para comprovação da divergência justificadora do recurso, é necessário que o recorrente: a) Junte certidão ou cópia autenticada do acórdão paradigma ou cite a fonte oficial ou o repositório autorizado em que foi publicado; e b) Transcreva, nas razões recursais, as ementas e/ou trechos dos acórdãos trazidos à configuração do dissídio, demonstrando o conflito de teses que justifique o conhecimento do recurso, ainda que os acórdãos já se encontrem nos autos ou venham a ser juntados com o recurso. II – A concessão de registro de publicação como repositório autorizado de jurisprudência do TST torna válidas todas as suas edições anteriores. III – A mera indicação da data de publicação, em fonte oficial, de aresto paradigma é inválida para comprovação de divergência jurisprudencial, nos termos do item I, “a”, desta súmula, quando a parte pretende demonstrar o conflito de teses mediante a transcrição de trechos que integram a fundamentação do acórdão divergente, uma vez que só se publicam o dispositivo e a ementa dos acórdãos; IV – É válida para a comprovação da divergência jurisprudencial justificadora do recurso a indicação de aresto extraído de repositório oficial na internet, desde que o recorrente: a) transcreva o trecho divergente; b) aponte o sítio de onde foi extraído; e O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 50 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos c) decline o número do processo, o órgão prolator do acórdão e a data da respectiva publicação no Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho. V – A existência do código de autenticidade na cópia, em formato pdf, do inteiro teor do aresto paradigma, juntada aos autos, torna-a equivalente ao documento original e também supre a ausência de indicação da fonte oficial de publicação. b) derem ao mesmo dispositivo de lei estadual, Convenção Coletiva de Trabalho, Acordo Coletivo, sentença normativa ou regulamento empresarial de observância obrigatória em área territorial que exceda a jurisdição do Tribunal Regional prolator da decisão recorrida, interpretação divergente, na forma da alínea a; A alínea “b” também apresenta hipótese de cabimento de RR por “divergência jurisprudencial”, mas direcionada a situações bem específicas. Sinteticamente, as hipóteses desta alínea indicam que o RR é cabível contra o Acórdão do TRT, proferido em julgamento de RO, em dissídio individual, quando: 1) Der a um dispositivo de lei estadual de observância obrigatória em área maior que a do TRT prolator do acórdão recorrido interpretação diversa da que uma Turma, Órgão Especial ou Tribunal Pleno de outro TRT houver dado Obs.: A possibilidade de uma lei estadual extrapolar o território de jurisdição de um TRT existe no Estado de São Paulo, onde há dois TRTs. 2) Der a um dispositivo de lei estadual de observância obrigatória em área maior que a do TRT prolator do acórdão recorrido interpretação diversa da SDI do TST 3) Der a um dispositivo de lei estadual de observância obrigatória em área maior que a do TRT prolator do acórdão recorrido interpretação contrária a: • Súmula do TST • OJ do TST • Súmula Vinculante do STF 4) Der interpretação diversa da que uma Turma, Órgão Especial ou Tribunal Pleno de outro TRT houver dado a um dispositivo de: • CCT de observância obrigatória em área maior que a do TRT prolator do acórdão recorrido • ACT de observância obrigatória em área maior que a do TRT prolator do acórdão recorrido • Sentença Normativa de observância obrigatória em área maior que a do TRT prolator do acórdão recorrido • Regulamento Empresarial de observância obrigatória em área maior que a do TRT prolator do acórdão recorrido O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 51 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 5) Der interpretação diversa da SDI do TST a um dispositivo de: • CCT de observância obrigatória em área maior que a do TRT prolator do acórdão recorrido • ACT de observância obrigatória em área maior que a do TRT prolator do acórdão recorrido • Sentença Normativa de observância obrigatória em área maior que a do TRT prolator do acórdão recorrido • Regulamento Empresarial de observância obrigatória em área maior que a do TRT prolator do acórdão recorrido 6) Der interpretação contrária a Súmula do TST, OJ do TST ou Súmula Vinculante do STF a um dispositivo de: • CCT de observância obrigatória em área maior que a do TRT prolator do acórdão recorrido • ACT de observância obrigatória em área maior que a do TRT prolator do acórdão recorrido • Sentença Normativa de observância obrigatória em área maior que a do TRT prolator do acórdão recorrido • Regulamento Empresarial de observância obrigatória em área maior que a do TRT prolator do acórdão recorrido Para a hipótese da alínea “b”, é imprescindível que a lei estadual, a norma coletiva ou o regulamento da empresa, tidos como objeto da controvérsia, tenham âmbito de aplicabilidade territorial maior que o território de jurisdição do TRT prolator do acórdão objeto do recurso de revista. Tal esclarecimento também é lançado na OJ n. 147 da SDI-I do TST: JURISPRUDÊNCIA OJ 147 da SDI-I do TST LEI ESTADUAL, NORMA COLETIVA OU NORMA REGULAMENTAR. CONHECIMENTO INDEVIDO DO RECURSO DE REVISTA POR DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL (nova redação em decorrência da incorporação da Orientação Jurisprudencial n. 309 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I – É inadmissível o recurso de revista fundado tão-somente em divergência jurisprudencial, se a parte não comprovar que a lei estadual, a norma coletiva ou o regulamento da empresa extrapolam o âmbito do TRT prolator da decisão recorrida. (ex-OJ n. 309 da SDI-1 - inserida em 11.08.03) II – É imprescindível a arguição de afronta ao art. 896 da CLT para o conhecimento de embargos interpostos em face de acórdão de Turma que conhece indevidamente de recurso de revista, por divergência jurisprudencial, quanto a tema regulado por lei estadual, norma coletiva ou norma regulamentar de âmbito restrito ao Regional prolator da decisão. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 52 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Em todas as hipóteses de cabimento do RR que envolvem divergência jurisprudencial (interpretações divergentes entre si), deve-se observar a regra do § 7º do art. 896 da CLT: A divergência apta a ensejar o recurso de revista deve ser atual, não se considerando como tal a ultrapassada por súmula do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal, ou superada por iterativa e notória jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho. Portanto,ao alegar que TRTs divergem na interpretação de algum dispositivo, não pode a parte simplesmente invocar um acórdão já superado pelo posicionamento do TST ou do STF há tempos. Imagine: seria engraçado que a parte alegasse interpretações divergentes entre TRTs, por exemplo, utilizando como paradigma um acórdão de 1980, sendo que o TST já superou aquele entendimento há décadas. Ademais, deve ser observada também, no caso de divergência jurisprudencial, a autoexplicativa regra do § 8º do art. 896: Quando o recurso fundar-se em dissenso de julgados, incumbe ao recorrente o ônus de produzir prova da divergência jurisprudencial, mediante certidão, cópia ou citação do repositório de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que houver sido publicada a decisão divergente, ou ainda pela reprodução de julgado disponível na internet, com indicação da respectiva fonte, mencionando, em qualquer caso, as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados. A apresentação da divergência jurisprudencial ocorrerá mediante apresentação (transcrição, de copiar e colar) de precedentes de outros TRTs (pode ser de apenas um TRT, ou de vários, a critério do recorrente) ou da SDI do TST. No entanto, os precedentes transcritos na peça do RR devem conter uma divergência específica. EXEMPLO Se o RR é fundado em divergência jurisprudencial, entre dois TRTs, a respeito da configuração de danos morais em decorrência de assalto de carteiro em via pública durante a prestação dos serviços, os dois precedentes deverão tratar dessa mesma premissa fática: dois carteiros assaltados em via pública, durante a prestação dos serviços. Se, em um precedente, a premissa fática é de que o carteiro foi assaltado em via pública durante o horário de trabalho, e em outro precedente o assalto ocorreu quando o carteiro já estava dirigindo-se até sua casa, não mais trabalhando, o aresto (precedente) transcrito na peça do RR será considerado inespecífico, e a divergência jurisprudencial não será reconhecida. Por fim, a inespecificidade dos arestos acarreta o não conhecimento do RR. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 53 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos A situação exemplificada acima representa aquelas mais simples. Em outros casos, os problemas discutidos nos processos até podem ser diferentes, mas a controvérsia de cunho jurídico deve ser a mesma. Veja um exemplo de recurso de revista provido por divergência jurisprudencial: JURISPRUDÊNCIA Fundamentação do acórdão proferido no processo TST-RR-10709-83.2018.5.03.0025 O aresto paradigma apontado pelo autor (primeiro dos supracitados) expressa, como principal razão de decidir, a compreensão de que o sistemático e reiterado desrespeito às normas trabalhistas é suficiente a revelar ofensa de dimensão coletiva à ordem jurídica, enquanto o acórdão recorrido tem por principal alicerce a imprescindibilidade da demonstração de dano concreto a fim de que surja o dever de indenizar. Portanto, apesar da diversidade das irregularidades constatadas nos casos examinados pelo acórdão recorrido e pelo acórdão paradigma da SDI-I do TST, tenho por específico o aresto invocado pelo autor para a demonstração da divergência jurisprudencial. Afinal, a modificação do entendimento adotado pelo Regional depende do enfrentamento do dilema consistente na possibilidade, ou não, de caracterização do dano moral coletivo, no caso concreto, como in re ipsa, ou seja, sem demonstração de prejuízo objetivamente palpável à coletividade. Por conseguinte, o Regional adotou interpretação diversa da prevalecente na jurisprudência da SDI-I do TST, o que viabiliza o conhecimento do recurso por divergência jurisprudencial. Dou provimento ao agravo de instrumento para determinar o processamento do recurso de revista. [...] (RR-10709-83.2018.5.03.0025, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto Cesar Leite de Carvalho, DEJT 29/04/2022). Neste exemplo, a controvérsia jurídica era: caracteriza-se dano moral coletivo in re ipsa (independente de prova) em caso de descumprimento reiterado e sistemático de normas trabalhistas? O caso concreto apresentava o descumprimento de normas trabalhistas sobre terceirização, enquanto o aresto transcrito apresentava situação de descumprimento de normas trabalhistas de outro assunto. De toda forma, embora as normas trabalhistas descumpridas sejam distintas, os dilemas enfrentados em ambos os precedentes de TRTs eram os mesmos: caracteriza-se dano moral coletivo in re ipsa (independente de prova) em caso de descumprimento reiterado e sistemático de normas trabalhistas? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 54 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos A necessidade de o aresto (precedente) ser específico é esclarecida e explicada na Súmula 296 do TST: JURISPRUDÊNCIA Súmula 296 do TST I – A divergência jurisprudencial ensejadora da admissibilidade, do prosseguimento e do conhecimento do recurso há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, embora idênticos os fatos que as ensejaram. II – Não ofende o art. 896 da CLT decisão de Turma que, examinando premissas concretas de especificidade da divergência colacionada no apelo revisional, conclui pelo conhecimento ou desconhecimento do recurso. Agora, veremos a hipótese da alínea “c”, que insculpe o cabimento de recurso de revista por “violação legal ou constitucional”. “c) proferidas com violação literal de disposição de lei federal ou afronta direta e literal à Constituição Federal.” A alínea “c” apresenta a hipótese de cabimento de RR mais comum, que é o recurso de revista por “violação legal ou constitucional”. Pela letra desta alínea, a violação à lei ou à Constituição Federal deve ser literal, isto é, deve contrariar os termos expressos da lei. A contrariedade a determinado dispositivo legal ou constitucional decorre da atividade típica do TST em julgamento de recursos de revista: o enquadramento jurídico de fatos registrados no acórdão do TRT. Obs.: Se a parte invocar o fundamento de que a interpretação dada por um TRT diverge da interpretação dada por outro TRT ou pela SDI do TST, o recurso de revista será cabível, por força da alínea “a” do art. 896. O fato é que só reclamar da interpretação dada à lei não assegura possibilidade de admissão do RR. A interpretação dada pelo TRT, para ser reformada, deve violar dispositivo de lei ou da Constituição Federal. Perceba que o RR tem entre suas hipóteses de cabimento a ofensa à Constituição Federal. É por esta razão que não cabe recurso extraordinário ao STF contra o acórdão do TRT, porque a discussão de matéria constitucional tem sua última instância no TST. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 55 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos O recurso extraordinário, estudado em Direito Constitucional, só cabe contra decisões de única ou última instância, e o acórdão do TRT, para discussão de matériaconstitucional, não é a última instância. Portanto, o processo do trabalho não comporta aquela lógica do processo civil que permite a interposição de recurso especial (aqui, seria recurso de revista) e recurso extraordinário ao mesmo tempo contra o acórdão do TJ (aqui, seria TRT). Veja um exemplo de recurso de revista provido por violação: JURISPRUDÊNCIA “AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. TUTELA INIBITÓRIA. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES EMPRESARIAIS. IRRELEVÂNCIA. DESNECESSIDADE DE DANO PRESENTE. POSSIBILIDADE DE CONCESSÃO. Agravo de instrumento provido ante a violação dos arts. 497 do CPC e 11 da Lei 7.347/1985. RECURSO DE REVISTA. TUTELA INIBITÓRIA. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES EMPRESARIAIS. IRRELEVÂNCIA. DESNECESSIDADE DE DANO PRESENTE. POSSIBILIDADE DE CONCESSÃO. No caso em tela, o debate acerca da possibilidade de concessão de tutela inibitória em face de empresa que encerrou as atividades no respectivo Estado detém transcendência política, nos termos do art. 896-A, § 1º, II, da CLT. Transcendência reconhecida. TUTELA INIBITÓRIA. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES EMPRESARIAIS. IRRELEVÂNCIA. DESNECESSIDADE DE DANO PRESENTE. POSSIBILIDADE DE CONCESSÃO. O Regional manteve a sentença que julgou improcedentes os pedidos de tutela inibitória em razão de a empresa ter encerrado suas atividades no Estado do Pará, único local onde foram comprovadas as irregularidades constatadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Todavia, prevalece no TST que o simples fato de a empresa, ré em ação civil pública, ter encerrado suas atividades em dado lugar não implica prejuízo à concessão de tutela inibitória destinada a impedir a prática, a reiteração ou a continuação de um ilícito, no lugar em que antes operara ou em outro qualquer, ao alcance da jurisdição. Afinal, a tutela inibitória tem função essencialmente preventiva, destinada a produzir efeitos prospectivos, isto é, para o futuro. Não foi por outra razão que o legislador tornou irrelevante a demonstração da ocorrência de dano para a concessão da tutela inibitória (art. 497, parágrafo único, CPC). O Regional lançou mão de entendimento conflitante com o desta Corte a respeito das tutelas inibitórias postuladas pelo MPT em face da ré. Ademais, depreende-se que tanto o juízo de primeiro grau como o Tribunal Regional não apreciaram a questão do encerramento das atividades empresariais da ré sob a ótica das condições da ação, mas, sim, do próprio mérito. Precedentes. Recurso de revista conhecido e provido” (RR-699-44.2019.5.08.0012, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto Cesar Leite de Carvalho, DEJT 25/03/2022). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 56 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos No precedente acima citado, o TRT recorrido havia entendido que o fato de a empresa ter encerrado suas atividades no Estado do Pará impedia a concessão de tutelas inibitórias, que, no caso, eram medidas direcionadas a evitar a continuação de violação de direitos de trabalhadores, tanto os situados naquele Estado como os que trabalhassem em outros Estados. Este era o fato já consignado no acórdão do TRT. Obs.: No TST, o fato “empresa fechou suas atividades no Estado do Pará” já era inquestionável. Afinal, no TST, não se pode reexaminar fatos e provas. Esse fato, consignado no acórdão do TRT, é tido por certo. Não seria conhecido o RR se o recorrente tivesse alegado que a empresa não fechou suas atividades no Estado do Pará. O papel do TST, naquele caso concreto, era dizer: “o fato de a empresa ter encerrado suas atividades no Estado do Pará impede a concessão de tutelas inibitórias?”. Diante disso, o TST devia realizar o enquadramento jurídico desse fato. Podia o TST entender que o TRT violou o art. 497 do CPC (que trata do cabimento da tutela inibitória) ao não permitir a concessão da tutela inibitória, ou adotar o entendimento de que o TRT não violou nenhum dispositivo, e que a rejeição da tutela inibitória no caso era medida correta. No caso, o TST entendeu que a rejeição da tutela inibitória, com fundamento apenas do fato de que a empresa parou de exercer suas atividades no Estado do Pará (onde foi ajuizada a ação pelo MPT), não impede a concessão de tutela inibitória. Logo, o TST entendeu que o Tribunal Regional violou o art. 497 do CPC, que dispõe sobre o cabimento da tutela inibitória para evitar a continuação de um ato ilícito, como o descumprimento de normas trabalhistas, que é um exemplo de ato ilícito. 5 .3 . cabIMeNTo Do RR No PRoceDIMeNTo suMaRÍssIMo5 .3 . cabIMeNTo Do RR No PRoceDIMeNTo suMaRÍssIMo No procedimento sumaríssimo, as hipóteses de cabimento são mais restritas. Elas são previstas expressamente no art. 896, § 9º, da CLT: Art. 896, § 9º: Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal. No sumaríssimo, não existe toda aquela classificação de interpretação divergente daquela dada por outro TRT, pela SDI etc. Exclusivamente, e somente nestas taxativas hipóteses (redundância proposital), cabe RR no procedimento sumaríssimo: • Acórdão do TRT, em julgamento de RO, em dissídio individual, contrariar: − Súmula do TST − Súmula Vinculante do STF − Constituição Federal (violação deve ser DIRETA, e não reflexa/indireta). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 57 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos NÃO CABE Recurso de Revista por violação de uma lei federal qualquer. A violação de lei federal só pode ser suscitada em RR se o dispositivo dito “violado” for abordado por Súmula do TST ou por Súmula Vinculante do STF. Não sendo abordado por esses verbetes jurisprudenciais, o dispositivo de lei federal NÃO viabilizará cabimento do RR. No procedimento sumaríssimo, NÃO CABE Recurso de Revista com fundamento em contrariedade a OJ do TST. Neste sentido, é a regra da Súmula 442 do TST: “Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, a admissibilidade de recurso de revista está limitada à demonstração de violação direta a dispositivo da Constituição Federal ou contrariedade a Súmula do Tribunal Superior do Trabalho, não se admitindo o recurso por contrariedade a Orientação Jurisprudencial deste Tribunal (Livro II, Título II, Capítulo III, do RITST), ante a ausência de previsão no art. 896, § 6º, da CLT.”. CUIDADO: o texto desta Súmula é anterior à alteração feita pela Lei n. 13.015/2014, que deslocou a regra do RR no procedimento sumaríssimo ao § 9º e incluiu, dentre as hipóteses de cabimento, a contrariedade a Súmula Vinculante do STF! 5 .4 . cabIMeNTo Do RR Na Fase De eXecuÇÃo5 .4 . cabIMeNTo Do RR Na Fase De eXecuÇÃo Se você achou muito restritas as hipóteses de cabimento do RR no sumaríssimo, prepare-se: Na fase de execução, o Recurso de Revista contra o acórdão do TRT proferido em julgamento de Agravo de Petição somente será cabível com fundamento em OFENSA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL, e só! Esta regra está no art. 896, § 2º, da CLT: Das decisões proferidas pelos Tribunais Regionais do Trabalho ou por suas Turmas, em execução de sentença, inclusive em processo incidente de embargos de terceiro, não caberá Recurso de Revista, salvo na hipótese de ofensa direta e literal de normada Constituição Federal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 58 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Obs.: A ofensa à Constituição deve ser DIRETA e LITERAL. Logo, não caberá o RR se a ofensa for meramente reflexa/indireta, ou fundar-se em insatisfação com interpretação razoável dada pelo TRT à lei, ainda que tal interpretação não seja a melhor. Ademais, o § 2º somente aborda o caso de Embargos de Terceiro opostos já na fase de execução. Essa observação é necessária, pois os Embargos de Terceiro cabem, também, na fase de conhecimento. Existe exceção à regra acima enfatizada! Se o processo for de EXECUÇÃO FISCAL regida em parte pela Lei n. 6.830/1980, ou envolver discussão sobre o Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas (CNDT), o RR será cabível, também, nas seguintes hipóteses: • Ofensa à Constituição Federal (não precisa ser direta nem literal) • Violação à LEI FEDERAL (não precisa ser direta nem literal) • Decisão que recaia em DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL Esta regra consta do art. 896, § 10º, da CLT: Cabe recurso de revista por violação a lei federal, por divergência jurisprudencial e por ofensa à Constituição Federal nas execuções fiscais e nas controvérsias da fase de execução que envolvam a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas (CNDT). Para sintetizar: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 59 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 5 .5 . PRoceDIMeNTo Do RR5 .5 . PRoceDIMeNTo Do RR O Recurso de Revista deve ser interposto no prazo de 8 DIAS, a contar da ciência do acórdão do TRT. Conforme o § 1º do art. 896 da CLT, o recurso de revista, dotado de efeito apenas devolutivo, será interposto perante o Presidente do Tribunal Regional do Trabalho, que, por decisão fundamentada, poderá recebê-lo ou denegá-lo. Devo mencionar que esta incumbência, em alguns casos, é exercida pelo Vice-Presidente do TRT, quando o respectivo Regimento Interno assim determinar. Se o TRT admitir o RR, ele será normalmente remetido ao TST, onde ocorrerá o Segundo Juízo de Admissibilidade. Consoante o § 14º, o relator do RR poderá denegar seguimento ao RR, em decisão monocrática, nas hipóteses de intempestividade, deserção, irregularidade de representação ou de ausência de qualquer outro pressuposto extrínseco ou intrínseco de admissibilidade. Caso, no Primeiro Juízo de Admissibilidade, o TRT denegue o RR, o recorrente poderá interpor Agravo de Instrumento (AIRR), visando que o TST destranque o RR e o julgue. De acordo com o § 11º do art. 896 da CLT, se o RR contiver defeito formal que não se repute grave, o TST poderá desconsiderar o vício ou mandar saná-lo, julgando o mérito. A gravidade ou não do defeito formal, na prática, é assim considerada consoante a interpretação do próprio julgador. A correção do vício ocorrerá em prazo dado pelo relator, se necessário for. De acordo com o § 12º, se o Ministro Relator, no TST, denegar seguimento ao RR, o recorrente poderá interpor Agravo Interno, em 8 DIAS, para que o órgão colegiado (Turma) revise o Segundo Juízo de Admissibilidade. Na prática, isso é quase um “terceiro” juízo de admissibilidade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 60 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Para que você visualize na prática este ponto, apresento mapa mental do procedimento do RR: Caro(a) aluno(a), agora, que você aprendeu o conteúdo relativo ao recurso de revista, em especial as hipóteses de cabimento desse recurso, preciso transmitir-lhe uma informação muito importante. O TST, em seu Regimento Interno, dispôs que, para fins de cabimento do recurso de revista, as teses jurídicas aprovadas em incidentes de recursos repetitivos, de assunção de competência e de resolução de demandas repetitivas têm a mesma natureza de súmulas do TST. Portanto, quando a CLT afirma que o recurso de revista é cabível por contrariedade a Súmula do TST, deve-se dar à palavra “súmula” sentido que abranja, além das súmulas do TST propriamente ditas, as teses jurídicas aprovadas em incidentes de recursos repetitivos (IRRR), de assunção de competência (IAC) e de resolução de demandas repetitivas (IRDR). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 61 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Essa determinação consta do art. 297, parágrafo único, do Regimento Interno do TST: JURISPRUDÊNCIA Art. 297. Caso a questão afetada e julgada sob o rito dos recursos repetitivos também contenha questão constitucional, a decisão proferida pelo Tribunal Pleno não obstará o conhecimento de eventuais recursos extraordinários sobre a questão constitucional. Parágrafo único. As teses jurídicas aprovadas em incidentes de recursos repetitivos, de assunção de competência e de resolução de demandas repetitivas têm sua natureza equiparada à súmula do colendo TST para o exame do conhecimento do recurso de revista. (Incluído pelo Ato Regimental n. 3, de 29 de novembro de 2021) Professor, afinal de contas, para quê serve a equiparação desses precedentes às sú-Professor, afinal de contas, para quê serve a equiparação desses precedentes às sú- mulas do TsT?mulas do TsT? É que a Lei n. 13.467/2017 (Reforma Trabalhista) incluiu à CLT dispositivo que restringia muito a possibilidade de o TST criar ou alterar súmulas. Trata-se do art. 702, I, “f”, da CLT, que dispõe: Estabelecer ou alterar súmulas e outros enunciados de jurisprudência uniforme, pelo voto de pelo menos dois terços de seus membros, caso a mesma matéria já tenha sido decidida de forma idêntica por unanimidade em, no mínimo, dois terços das turmas em pelo menos dez sessões diferentes em cada uma delas, podendo, ainda, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de sua publicação no Diário Oficial”. No ano de 2022, o TST declarou a inconstitucionalidade de tal dispositivo. Logo, tal barreira à criação e à alteração de súmulas deixou de existir. No entanto, antes desse posicionamento, o TST encontrava-se em situação de extrema dificuldade de consolidação de sua jurisprudência dominante, e isso, com o passar dos anos, impossibilitaria que diversas matérias chegassem ao TST em recursos de revista. Em 2023, o STF formou maioria para adotar entendimento sobre a validade do art. 702, I, “f”, da CLT, ocasião em que, assim como o TST, tornou predominante a tese de sua inconstitucionalidade1. É muito importante considerarmos que as disposições da CLT que condicionavam o cabimento de recursos de revista, dentre outras hipóteses, à contrariedade às súmulas do TST eram anteriores ao CPC de 2015, que instituiu um inédito sistema de precedentes no direito processual brasileiro, como o IRDR e o IAC.para a continuidade da produção e edição de aulas, como fonte fidedigna e transparente de informações quanto à qualidade do material. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 6 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Peço-lhe que fique à vontade para avaliar as aulas do curso, demonstrando seu grau de satisfação relativamente aos materiais. Seu feedback é importantíssimo para nós. Caso você tenha ficado com dúvidas sobre pontos deste material, ou tenha constatado algum problema, por favor, entre em contato comigo pelo Fórum de Dúvidas antes de realizar sua avaliação. Procuro sempre fazer todo o possível para sanar eventuais dúvidas ou corrigir quaisquer problemas nas aulas. Cordialmente, torço para que a presente aula que seja de profunda valia para você e sua prova, uma vez que foi elaborada com muita atenção, zelo e consideração ao seu esforço, que, para nós, é sagrado. Caso fique com alguma dúvida após a leitura da aula, por favor, envie-a a mim por meio do Fórum de Dúvidas, e eu, pessoalmente, a responderei o mais rápido possível. Será um grande prazer verificar sua dúvida com atenção, zelo e profundidade, e com o grande respeito que você merece. Bons estudos! Seja imparável! O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 7 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos RECURSOS TRABALHISTAS – PARTE IIRECURSOS TRABALHISTAS – PARTE II 1 . NaTuReZa oRDINÁRIa e eXTRaoRDINÁRIa Dos 1 . NaTuReZa oRDINÁRIa e eXTRaoRDINÁRIa Dos RecuRsosRecuRsos Dentre os recursos em espécie que estudaremos nesta aula, há recursos que possuem natureza ordinária e outro(s) com natureza extraordinária. Afinal, qual é a diferença entre esses dois tipos de natureza? RECURSOS DE NATUREZA ORDINÁRIA: São os recursos que podem ser interpostos com a finalidade de discutir, sobretudo, três tópicos: 1) Fatos narrados no processo; 2) Acerto ou desacerto do julgador ao interpretar os fatos e o direito; 3) Correção do direito invocado pelo julgador ao apreciar a causa. RECURSOS DE NATUREZA EXTRAORDINÁRIA: São os recursos interpostos a fim de discutir, estritamente, dois tópicos: 1) Acerto ou desacerto do julgador ao interpretar o direito; 2) Correção do direito invocado pelo julgador ao apreciar a causa. Em tese, os recursos têm duas grandes razões de existência: proporcionar melhor prestação jurisdicional à parte e aprimorar a aplicação do direito no Brasil. Obs.: Por “direito”, entenda a Constituição, todas as leis, atos normativos, princípios e demais disposições de caráter cogente. Perceba: os recursos de natureza ordinária existem muito mais para favorecer as partes do que para favorecer o direito brasileiro. Por outro lado, os recursos de natureza extraordinária têm serventia espacialmente destinada ao aprimoramento da aplicação do direito brasileiro, proporcionando-se correções de equívocos na jurisprudência, evolução da interpretação das normas, mudanças de perspectivas, e quaisquer outros elementos favoráveis ao engrandecimento da prestação jurisdicional como um todo (sem foco direto nas partes recorrentes). Em síntese: os julgadores, nos recursos de natureza ordinária, preocupam-se com os interesses das partes e com a aplicação do direito; já nos recursos de natureza extraordinária, eles se preocupam tão somente com a aplicação do direito. Ao longo da aula, você terá indicação de quais são os recursos de natureza ordinária e extraordinária. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 8 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 2. RECURSO ORDINÁRIO (RO)2. RECURSO ORDINÁRIO (RO) 2 .1 . cabIMeNTo2 .1 . cabIMeNTo O recurso ordinário (RO) é um recurso de fundamentação livre. A argumentação que incorpora a peça recursal pode versar sobre qualquer tema do processo, seja relacionado a fatos ou provas, seja relacionado a apenas questões jurídicas. Tudo pode ser alegado no RO, desde que observados, é claro, os limites da própria lide em si considerada (partes, causas de pedir e pedidos). O cabimento do RO está disciplinado no art. 895 da CLT: Art. 895 - Cabe recurso ordinário para a instância superior: I – das decisões definitivas ou terminativas das Varas e Juízos, no prazo de 8 (oito) dias; e II – das decisões definitivas ou terminativas dos Tribunais Regionais, em processos de sua competência originária, no prazo de 8 (oito) dias, quer nos dissídios individuais, quer nos dissídios coletivos. A principal finalidade de utilização do RO é para impugnar a sentença proferida pelo juiz do trabalho de primeiro grau (art. 895, inciso I), no prazo de 8 dias, contados da publicação da sentença. O RO interposto contra a sentença do juiz da Vara do Trabalho é processado e julgado pelo Tribunal Regional do Trabalho da respectiva região (TRT). Segundo o inciso I do art. 895, a sentença recorrível mediante RO pode ser Terminativa ou Definitiva. SENTENÇA TERMINATIVA: Tecnicamente, é a sentença de extinção do processo sem resolução do mérito. A grosso modo, é aquela que termina o feito sem definir nada sobre a relação jurídica posta ao julgamento do juiz. Alguns casos de sentença terminativa encontram-se no art. 485 do CPC, que valem como exemplos. SENTENÇA DEFINITIVA: É a sentença que resolve o mérito da reclamação, definindo-se disposições imperativas sobre a relação jurídica posta a julgamento. A clássica sentença definitiva é a que julga PROCEDENTES ou IMPROCEDENTES os pedidos formulados na reclamação. Outros exemplos de sentença definitiva encontram-se no art. 487 do CPC. Por mais redundante que possa parecer, devo alertar que o RO só é cabível contra SENTENÇAS. Já estudamos em outras aulas o Princípio da Irrecorribilidade Imediata das Decisões Interlocutórias, que proíbe a interposição de recursos contra tal espécie de decisão judicial, que só pode ser impugnada nas razões do recurso interposto contra a decisão definitiva (decisão interlocutória deve ser impugnada, em regra, juntamente com os fundamentos da sentença final). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 9 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Apenas em algumas hipóteses especialíssimas poderá ser interposto recurso de imediato contra decisões interlocutórias. O TST fixou na Súmula 214 exceções à regra de que as decisões interlocutórias seja irrecorríveis. Veja: JURISPRUDÊNCIA Súmula 214 do TST, alínea a “Na Justiça do Trabalho, nos termos do art. 893, § 1º, da CLT, as decisões interlocutórias não ensejam recurso imediato, salvo nas hipóteses de decisão: a) de Tribunal Regional do Trabalho contrária à Súmula ou Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho; Se a decisão interlocutória do TRT for contrária a Súmula ou OJ do TST, caberá recurso imediato. O recursoO CPC, inclusive, outorgou a esses precedentes uma obrigatoriedade de observância pelos juízes e tribunais (art. 927, III, CPC). É a mesma força que o CPC atribuiu às súmulas (art. 927, IV, CPC). 1 ADI 6.188, STF. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 62 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Logo, se os precedentes de força vinculante, decorrentes do inédito sistema instituído pelo CPC de 2015, têm força legalmente equiparada à das súmulas, por que o recurso de revista somente seria cabível por contrariedade a súmulas? Afinal, os demais precedentes de força vinculante não pertenceriam à mesma categoria definidora de jurisprudência dominante? Outro questionamento que cercava a controvérsia era o seguinte: se os precedentes vinculantes são de observância obrigatória, e o recurso de revista destina-se à tutela do direito objetivo mediante enquadramento jurídico dos fatos, por que não é cabível recurso de revista por contrariedade a esses precedentes? Para o TST, a equiparação desses precedentes às súmulas do TST é, exatamente, o atual espírito do direito processual e das regras sobre o sistema recursal. Hoje em dia, portanto, é cabível RR por contrariedade a tese firmada pelo TST em Incidente de Recursos de Revista Repetitivos (IRRR), Incidente de Assunção de Competência (IAC) ou Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR). Se as questões mencionarem apenas as súmulas, além das demais hipóteses de cabimento, sem entrar no mérito dos precedentes vinculantes, considere a redação correta, já que esses precedentes são contidos no significado juridicamente atribuído à palavra “súmula”, que consta do texto da CLT. Afinal, nesta situação, a banca estará a trabalhar apenas com a redação da CLT. No entanto, se a questão entrar no mérito dos precedentes vinculantes, afirmando que não seria cabível recurso de revista por contrariedade a eles, considere a afirmação errada. Afinal, a banca não chegaria a esse assunto se não estivesse tomando em consideração o parágrafo único do art. 297 do Regimento Interno do TST. Por fim, para você conhecer como são esses precedentes vinculantes, apresento, a título simplesmente ilustrativo, dois deles: JURISPRUDÊNCIA IRRR 17 O art. 193, § 2º, da CLT foi recepcionado pela Constituição Federal e veda a cumulação dos adicionais de insalubridade e de periculosidade, ainda que decorrentes de fatos geradores distintos e autônomos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 63 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos JURISPRUDÊNCIA IRRR 14 A redução eventual e ínfima do intervalo intrajornada, assim considerada aquela de até 5 (cinco) minutos no total, somados os do início e término do intervalo, decorrentes de pequenas variações de sua marcação nos controles de ponto, não atrai a incidência do artigo 71, § 4º, da CLT. A extrapolação desse limite acarreta as consequências jurídicas previstas na lei e na jurisprudência. Observe que a funcionalidade e a estrutura desses precedentes é a mesma das súmulas. Caso deseje conhecer mais desses precedentes, acesse a fonte oficial do TST: https://www. tst.jus.br/presidencia-nurer/recursos-repetitivos. 5 .6 . ouTRas sÚMulas e oJs Do TsT sobRe o RR5 .6 . ouTRas sÚMulas e oJs Do TsT sobRe o RR JURISPRUDÊNCIA OJ 152 da SDI-II do TST A interposição de recurso de revista de decisão definitiva de Tribunal Regional do Trabalho em ação rescisória ou em mandado de segurança, com fundamento em violação legal e divergência jurisprudencial e remissão expressa ao art. 896 da CLT, configura erro grosseiro, insuscetível de autorizar o seu recebimento como recurso ordinário, em face do disposto no art. 895, “b”, da CLT. O recurso de revista somente é cabível e possível em dissídios individuais, já que a decisão recorrida, objeto do RR, é sempre uma decisão de TRT que tenha julgado recurso ordinário e eventuais embargos de declaração opostos contra o seu acórdão. Um acórdão de TRT proferido em julgamento de ação rescisória ou mandado de segurança, que são ações cujo processo e julgamento compete originariamente ao TRT, é impugnável mediante recurso ordinário ao TST. Se a parte interpuser recurso de revista em processo de competência originária do TRT, ficará configurado erro grosseiro. E o erro grosseiro é uma circunstância que impede o recebimento de um recurso como se fosse outro. Portanto, não se aplica o princípio da fungibilidade entre recurso ordinário e recurso de revista. Como um deles tem natureza ordinária e outro tem natureza extraordinária, e seus requisitos são muito distintos (os do RR são bem mais complexos), não pode um RR ser recebido como se fosse RO. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 64 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Se for interposto RR em ação rescisória ou mandado de segurança, ele não será conhecido, por ausência de cabimento (pressuposto intrínseco de todo recurso). JURISPRUDÊNCIA OJ 334 da SDI-I do TST Incabível recurso de revista de ente público que não interpôs recurso ordinário voluntário da decisão de primeira instância, ressalvada a hipótese de ter sido agravada, na segunda instância, a condenação imposta. Alguns processos que envolvem entes públicos contemplam a remessa necessária, ou “reexame necessário”. É a necessidade de que a condenação de um ente público, ou a procedência de embargos à execução fiscal, seja revista pelo Tribunal Regional (art. 496 do CPC), ressalvadas algumas situações. A remessa necessária, como o próprio nome já sugere, não depende da vontade do ente público. O reexame da sentença condenatória do ente público é feito, de forma obrigatória, pelo TRT. Não é necessário que o ente público interponha recurso ordinário (RO) para que o reexame seja feito, nesses casos. No entanto, mesmo em hipótese de remessa necessária, é possível que o ente público interponha RO, a fim de que o TRT analise a controvérsia com outros argumentos. Se, em determinado processo trabalhista, um ente público for condenado, e a condenação for mantida pelo TRT em julgamento de remessa necessária, não caberá RR se o ente público não tiver interposto RO voluntariamente. Portanto, se o ente público tiver optado por não interpor RO, deixando que a controvérsia seja revista pelo TRT apenas em sede de remessa necessária, não poderá o ente público interpor RR. Somente em uma hipótese o RR do ente público será cabível quando não tiver interposto RO na segunda instância: se a condenação do ente público tiver sido aumentada/agravada. Neste caso, mesmo que o ente público não tenha levado a discussão ao TRT mediante RO voluntariamente interposto, caberá RR. Mas essa é a exceção à regra. JURISPRUDÊNCIA Súmula 218 do TST É incabível recurso de revista interposto de acórdão regional prolatado em agravo de instrumento. Você sabe que o RO enfrenta um primeiro juízo de admissibilidade feito pelo juiz do trabalho da Vara do Trabalho, certo? Nesta situação, se o juiz do trabalho denegar seguimento ao RO, e o TRT, ao julgaragravo de instrumento interposto para destrancá-lo, não der provimento ao agravo de instrumento, não será cabível RR. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 65 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 6. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (ED)6. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (ED) Os Embargos de Declaração (ED) não têm uma instância específica. Seu cabimento não leva em conta o grau de jurisdição ou o procedimento da reclamação. 6 .1 . cabIMeNTo e PRoceDIMeNTo6 .1 . cabIMeNTo e PRoceDIMeNTo O cabimento e o procedimento dos ED são delineados no art. 897-A da CLT: Art. 897-A Caberão embargos de declaração da sentença ou acórdão, no prazo de cinco dias, devendo seu julgamento ocorrer na primeira audiência ou sessão subsequente a sua apresentação, registrado na certidão, admitido efeito modificativo da decisão nos casos de omissão e contradição no julgado e manifesto equívoco no exame dos pressupostos extrínsecos do recurso. § 1º Os erros materiais poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento de qualquer das partes. § 2º Eventual efeito modificativo dos embargos de declaração somente poderá ocorrer em virtude da correção de vício na decisão embargada e desde que ouvida a parte contrária, no prazo de 5 (cinco) dias. § 3º Os embargos de declaração interrompem o prazo para interposição de outros recursos, por qualquer das partes, salvo quando intempestivos, irregular a representação da parte ou ausente a sua assinatura. Desde já, veja que o prazo para a oposição dos ED é diferente de todos os outros prazos recursais trabalhistas: é de 5 DIAS, a contar da ciência da decisão judicial. Obs.: Os ED são o único recurso trabalhista com prazo que não é de oito dias. O Recurso Extraordinário ao STF, embora também tenha prazo diferente (15 dias), não é um recurso propriamente trabalhista, mas, sim, constitucional. Os ED podem ser opostos contra Sentença do juiz da Vara do Trabalho ou Acórdão de TRT ou TST. A matéria alegável na peça dos ED é ponto que merece certo aprofundamento. O art. 9º da Instrução Normativa n. 39 do TST (objeto de aula específica no nosso curso) diz que as disposições do CPC referentes aos ED são aplicáveis ao processo do trabalho de forma supletiva, com exceção do prazo em dobro para os litisconsortes. Pois então: o art. 897-A da CLT diz que, nos ED, pode a parte alegar: 1) Omissão; 2) Contradição; 3) Manifesto equívoco na análise dos pressupostos extrínsecos do recurso. O art. 1.022, inciso I, do CPC ainda diz que os ED podem ser opostos em caso de OBSCURIDADE na decisão judicial. Pelo fato de a CLT não apresentar essa hipótese de cabimento, a grande maioria da jurisprudência entende-a aplicável ao processo do trabalho. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 66 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos O mesmo não ocorre quanto ao inciso III do referido artigo do CPC (erro material). Conforme o § 1º do art. 897-A da CLT, os erros materiais podem ser sanados de ofício pelo juiz ou por simples requerimento das partes. Logo, não é necessário que a parte oponha ED para buscar a correção de erro material no processo do trabalho. Ela pode fazer isso por simples petição. Por conseguinte, cabem ED nos casos de a sentença ou acórdão apresentar OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE ou MANIFESTO EQUÍVOCO NA ANÁLISE DE PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS DO RECURSO. Sempre que o juiz ou o tribunal, ao julgar os ED, corrigir algum vício na decisão embargada (omissão, contradição ou manifesto equívoco), alterando a parte dispositiva da sentença ou acórdão, ocorrerá o chamado EFEITO MODIFICATIVO da decisão judicial. Com o efeito modificativo, será modificado algum comando impositivo da decisão, que diga respeito aos pedidos deferidos ou indeferidos, aos ônus sucumbenciais e às consequências acessórias que envolvam terceiros (como a necessidade de intimação do INSS, de instituição financeira, do Ministério da Economia etc.). Obs.: Ponto doutrinário Há significativa tendência da doutrina a dizer que o efeito modificativo não poderia ocorrer na seguinte hipótese: quando os embargos de declaração forem embasados em obscuridade, e o julgamento procedente dos embargos de declaração tiverem por única consequência o acréscimo de um ou mais fundamentos na sentença ou acórdão embargado. Dessa forma, a essência do efeito modificativo reside na alteração da parte dispositiva da decisão. Se a alteração ocorrer somente na fundamentação, sem que haja nenhuma modificação na parte dispositiva (pedidos deferidos e indeferidos, procedência ou improcedência), os embargos de declaração não teriam efeito modificativo. Acerca do tema, discorrem Nelson Nery Júnior, Rosa Maria de Andrade Nery e Mônica Tonetto Fernandez2. Nos casos em que os embargos de declaração forem procedentes e não ocorrer efeito modificativo, por mera alteração na fundamentação da decisão (caso do esclarecimento de obscuridade, narrado acima), haverá somente o chamado juízo integrativo retificador do julgado, e não sua modificação. 2 NERY JÚNIOR, Nelson e NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil comentado e legislação processual civil extravagante em vigor. 7ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, p. 924/926. FERNANDEZ, Mônica Tonetto. (2001). Dos embargos de declaração. Revista da Procuradoria do Estado de São Paulo, n.º 5. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 67 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Efeito Modificativo é DIFERENTE de “efeito substitutivo”. O primeiro ocorre quando o mesmo órgão jurisdicional prolator da decisão corrige vício percebido. O segundo, por sua vez, ocorre quando órgão jurisdicional diverso (hierarquicamente superior) altera a decisão recorrida. O Efeito Modificativo somente poderá ocorrer quando a parte contrária se manifestar sobre os ED opostos pela parte embargante. Eventual ausência de intimação da outra parte para se manifestar sobre os ED é causa de nulidade da decisão judicial que der o efeito modificativo. É a regra da OJ 142 da SDI-I do TST: JURISPRUDÊNCIA OJ 142, SDI-I, TST É passível de nulidade decisão que acolhe embargos de declaração com efeito modificativo sem que seja concedida oportunidade de manifestação prévia à parte contrária. Portanto, é imprescindível que a parte contrária receba o prazo de 5 DIAS para se manifestar sobre os ED opostos pelo embargante (art. 897-A, § 2º, CLT). Se os ED forem tempestivos (opostos dentro de 5 dias) e a representação processual da parte estiver regular (procuração do advogado juntada aos autos, com poderes necessários, salvo se a parte estiver litigando pelo jus postulandi), eles causarão um importantíssimo efeito no processo: INTERRUPÇÃO de todo e qualquer prazo para interposição de recursos naquele processo. EXEMPLO Roberto ajuizou reclamação trabalhista contra a empresa Queijos ME, postulando verbas rescisórias e indenização por danos morais. Na sentença, o juiz julgou totalmente improcedentes os pedidos de Roberto. Todavia, Roberto percebeu que o juiz se esqueceude analisar a procedência, ou não, do pedido de indenização por danos morais. Em razão disso, Roberto, NO QUARTO DIA APÓS A CIÊNCIA DA SENTENÇA, opôs Embargos de Declaração para corrigir a omissão identificada. Regularmente intimada para se manifestar em 5 dias, a empresa deixou de se apresentar qualquer manifestação. O juiz percebe sua omissão e dá efeito modificativo à sentença, acrescentando a fundamentação e o dispositivo referente ao pedido de danos morais, dando procedência ao pedido. Os ED haviam sido interpostos no quarto dia do prazo (tempestivos). Durante o mesmo período, corria o prazo para a interposição do Recurso Ordinário (8 dias). Após a ciência das partes da decisão judicial que corrigiu a omissão na sentença, o prazo de 8 dias para o RO voltará a correr desde o início (desde seu primeiro dia, como se nunca tivesse sido contado antes). Voltará ao zero. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 68 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 6 .2 . sÚMulas e oJs Do TsT sobRe os eD6 .2 . sÚMulas e oJs Do TsT sobRe os eD JURISPRUDÊNCIA Súmula 278 do TST A natureza da omissão suprida pelo julgamento de embargos declaratórios pode ocasionar efeito modificativo no julgado. O efeito modificativo tem lugar quando, na decisão, é afetada a sua parte dispositiva como consequência da procedência dos embargos de declaração. Quando a parte dispositiva não é alterada, mas, sim, é alterada somente a fundamentação ou o relatório, não ocorre efeito modificativo. JURISPRUDÊNCIA Súmula 184 do TST Ocorre preclusão se não forem opostos embargos declaratórios para suprir omissão apontada em recurso de revista ou de embargos. JURISPRUDÊNCIA Súmula 421 do TST I – Cabem embargos de declaração da decisão monocrática do relator prevista no art. 932 do CPC de 2015 (art. 557 do CPC de 1973), se a parte pretende tão somente juízo integrativo retificador da decisão e, não, modificação do julgado. II – Se a parte postular a revisão no mérito da decisão monocrática, cumpre ao relator converter os embargos de declaração em agravo, em face dos princípios da fungibilidade e celeridade processual, submetendo-o ao pronunciamento do Colegiado, após a intimação do recorrente para, no prazo de 5 (cinco) dias, complementar as razões recursais, de modo a ajustá-las às exigências do art. 1.021, § 1º, do CPC de 2015. O item I da Súmula supracitada explica que, contra as decisões monocráticas proferidas pelo relator, no Tribunal, somente caberão embargos de declaração quando a pretensão do embargante não envolver efeito modificativo: envolver somente efeito integrativo retificador, por mera alteração na fundamentação da decisão, sem nenhuma interferência na parte dispositiva da decisão, como explicado anteriormente. O efeito modificativo dos ED, no Tribunal, somente ocorrerá quando opostos contra acórdãos, isto é, decisões colegiadas. Neste sentido é o teor do item II da Súmula 421 do TST: quando for postulado efeito modificativo em face de decisão monocrática do relator, os ED serão convertidos em Agravo Interno. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 69 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Esta conversão fundamenta-se no princípio da fungibilidade, que consiste em receber um recurso interposto erroneamente como se fosse o recurso correto, em razão de o erro cometido pela parte não ser grosseiro (ser justificável). O tribunal, todavia, não poderá simplesmente converter os ED em Agravo Interno e diretamente proferir julgamento desse agravo: ele deverá intimar o embargante (que dali em diante será o agravante) para, em 5 dias, complementar as razões de seu recurso, adaptando-o às exigências legais do agravo interno. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 70 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos QUESTÕES DE CONCURSOQUESTÕES DE CONCURSO 001. 001. (FCC/PREFEITURA DE TERESINA-PI/PROCURADOR DO MUNICÍPIO/2022) A empresa Troia Metalúrgica, após ter sido condenada em reclamação trabalhista por sentença de primeiro grau, decidiu recorrer para o Tribunal Regional. Entretanto, o recurso devido não foi processado pelo Juiz que proferiu a sentença, com a justificativa de que teria sido apresentado fora do prazo legal. Nesse caso, em relação ao despacho que denegou a interposição do recurso da empresa, caberá a) agravo de petição, no prazo de 08 dias. b) agravo de instrumento, no prazo de 08 dias. c) agravo de instrumento, no prazo de 05 dias. d) recurso ordinário, no prazo de 08 dias. e) o recurso de revista, no prazo de 15 dias. 002. 002. (CEBRASPE/FUNPRESP-EXE/ANALISTA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR - ÁREA JURÍDICA/2022) Acerca dos procedimentos nos dissídios individuais, julgue o item a seguir. Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, será admitida a interposição de recurso de revista somente por contrariedade a súmula de jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho e violação direta à Constituição Federal. 003. 003. (CEBRASPE/FUNPRESP-EXE/ANALISTA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR - ÁREA JURÍDICA/2022) No tocante a execução trabalhista, julgue o item a seguir. Considere que, durante a execução definitiva, após a garantia do juízo, a executada tenha oposto embargos à execução por não concordar com os cálculos homologados, e que, decidindo os embargos, o juiz da execução deles os tenha conhecido e negado provimento. Nessa situação, o embargante poderá interpor recurso de agravo de petição no prazo de oito dias. 004. 004. (VUNESP/PREFEITURA DE PRESIDENTE PRUDENTE-SP/PROCURADOR MUNICIPAL/2022) Em relação ao requisito de transcendência que deve ser identificado no Recurso de Revista, nos termos da CLT, é correto afirmar: a) os indicadores de transcendência de natureza econômica, política, social ou jurídica são taxativos. b) em relação ao recurso que o relator considerou não ter transcendência, o recorrente poderá realizar sustentação oral sobre a questão da transcendência, durante quinze minutos em sessão. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 71 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos c) os indicadores de transcendência de natureza econômica, política, social ou jurídica são cumulativos. d) poderá o relator, monocraticamente, denegar seguimento ao recurso de revista que não demonstrar transcendência, cabendo agravo desta decisão para o colegiado. e) quanto à transcendência social, o recorrente não poderá postular direito social já garantido pela Constituição Federal. 005. 005. (FCC/PREFEITURA DE CARUARU-PE/PROCURADOR DO MUNICÍPIO/2018) No tocante ao recurso de revista, considere: I – O relator do recurso de revista poderá denegar-lhe seguimento, em decisão monocrática, nas hipóteses de intempestividade, deserção,irregularidade de representação ou de ausência de qualquer outro pressuposto extrínseco ou intrínseco de admissibilidade. II – Nas causas sujeitas ao rito sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por violação direta da Constituição Federal. III – O Tribunal Superior do Trabalho examinará previamente se a causa oferece transcendência com relação aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica, podendo, por decisão monocrática do ministro Relator, denegar seguimento se entender não configurada a transcendência. Está correto o que se afirma em: a) I, II e III. b) I e III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) III, apenas. 006. 006. (FCC/TRT-15ª REGIÃO (SP)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Artur é empregado temporário da empresa Gestão de Negócios Ltda. e prestou serviços temporários para Abóbora com Coco Doces Ltda. como empacotador. Moveu ação trabalhista contra ambas as empresas pleiteando diferenças salariais e pagamento de Plano de Participação nos Lucros, as quais se defenderam por meio de advogados distintos. A Reclamação foi julgada procedente, condenando a Gestão de Negócios Ltda. ao pagamento dos pedidos e a Abóbora com Coco Doces Ltda. de forma subsidiária, por ser a tomadora dos serviços temporários. Ambas pretendem ingressar com recurso ordinário, sendo que a empregadora temporária se insurgirá contra a condenação e a tomadora de serviços pedira sua exclusão da lide, por não ter sido a empregadora de Artur. O prazo, contado da intimação da sentença e não sendo interpostos Embargos de Declaração, será: a) 8 dias úteis para ambas as reclamadas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 72 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos b) 16 dias úteis para ambas as reclamadas, pelo litisconsórcio passivo, independentemente de possuírem advogados distintos. c) os primeiros 8 dias para Gestão de Negócios Ltda. e os 8 dias subsequentes para a Abóbora com Coco Doces Ltda. d) os primeiros 8 dias para a Abóbora com Coco Doces Ltda. e os 8 dias subsequentes para Gestão de Negócios Ltda., tendo em vista que a matéria se trata de exclusão da lide. e) 16 dias úteis para ambas as reclamadas, uma vez que possuem advogados distintos, única hipótese em que é permitida a dobra do prazo processual. 007. 007. (FCC/TRT-2ª REGIÃO (SP)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA/2018) No tocante ao Recurso de Revista, considere: I – O Tribunal Superior do Trabalho examinará previamente se a causa oferece transcendência com relação aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica. II – São indicadores de transcendência econômica somente o elevado valor da causa e o proveito econômico advindo ao reclamante. III – Poderá o relator, monocraticamente, denegar seguimento ao recurso de revista que não demonstrar transcendência, cabendo agravo desta decisão para o colegiado. Está correto o que se afirma APENAS em a) II e III. b) I e II. c) I e III. d) I. e) II. 008. 008. (FCC/TRT-2ª REGIÃO (SP)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Considere as seguintes decisões interlocutórias proferidas em reclamações trabalhistas: I – Decisão interlocutória de Tribunal Regional do Trabalho contrária à Súmula ou Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho. II – Decisão interlocutória que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado. De acordo com o entendimento Sumulado do Tribunal Superior do Trabalho, a) ambas as decisões, apesar de interlocutórias, ensejam recurso imediato. b) nenhuma das decisões enseja recurso imediato em razão do princípio da irrecorribilidade das decisões interlocutórias vigente no Direito Processual do Trabalho. c) somente a decisão interlocutória descrita no item “I” enseja recurso imediato. d) somente a decisão interlocutória descrita no item “II” enseja recurso imediato. e) as referidas decisões interlocutórias somente ensejariam recurso imediato se proferidas em reclamações trabalhistas em que uma das partes é Sindicato. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 73 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 009. 009. (FCC/TRT-2ª REGIÃO (SP)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Considere as seguintes hipóteses: I – Recurso de revista com fundamento em violação literal a dispositivo da Constituição Federal. II – Recurso de revista com fundamento em contrariedade à Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. III – Recurso de revista com fundamento em contrariedade à Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho. De acordo com o entendimento Sumulado do Tribunal Superior do Trabalho, nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo será admissível o recurso de revista nas hipóteses indicadas em a) I, apenas. b) I, II e III. c) II e III, apenas. d) I e II, apenas. e) I e III, apenas. 010. 010. (FCC/TRT-6ª REGIÃO (PE)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Diana ajuizou reclamação trabalhista requerendo o pagamento de horas extras sonegadas por sua empregadora Empresa Delta Confecções. A sentença julgou procedente seu pedido. Inconformada com a decisão de primeiro grau, a reclamada resolveu recorrer. Entretanto, não efetuou o depósito recursal e não recolheu as custas processuais devidas, razão pela qual, por falta de preparo, o seu recurso não obteve processamento. Nesta situação, o recurso cabível para a reclamada é a) embargos declaratórios, em 5 dias. b) agravo de instrumento, em 8 dias. c) agravo de petição, em 8 dias. d) recurso ordinário, em 15 dias. e) agravo de instrumento, em 5 dias. 011. 011. (FCC/PGE-TO/PROCURADOR DO ESTADO/2018) Quanto aos recursos no Processo Judiciário do Trabalho, conforme normas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho: a) O agravo de instrumento interposto contra o despacho que não receber agravo de petição suspende a execução da sentença até o seu julgamento. b) A interposição de recurso para o Supremo Tribunal Federal prejudicará a execução do julgado trabalhista. c) No Tribunal Superior do Trabalho cabem embargos, no prazo de cinco dias, das decisões das Turmas que divergirem entre si. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 74 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos d) O agravo de petição só será recebido quando o agravante delimitar, justificadamente, as matérias e os valores impugnados, permitida a execução imediata da parte remanescente até o final, nos próprios autos ou por carta de sentença. e) Das decisões proferidas pelos Tribunais Regionais do Trabalho em execução de sentença, inclusive em processo incidente de embargos de terceiro, não caberá Recurso de Revista, mesmo na hipótese de ofensa direta e literal de norma da Constituição Federal. 012. 012. (FCC/TST/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2017) O artigo 893 da CLT estabelece o cabimento do recurso de revista dentre os recursos em espécie admitidos no processo do trabalho. Combase na Consolidação das Leis do Trabalho e nas Súmulas e Orientações Jurisprudenciais do TST, conclui-se: a) É cabível recurso de revista adesivo no procedimento sumaríssimo, desde que a matéria nele veiculada esteja relacionada com a do recurso interposto pela parte contrária. b) No procedimento sumaríssimo, a parte recorrente, para admissibilidade do recurso de revista, deverá demonstrar a violação direta a dispositivo da Lei Federal ou contrariedade a Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. c) Não se admite recurso de revista fundado tão somente em divergência jurisprudencial, se a parte não comprovar que a lei estadual, a norma coletiva ou o regulamento da empresa extrapolam o âmbito do TRT prolator da decisão recorrida. d) No procedimento ordinário, é cabível, como regra geral, recurso de revista calcado em divergência jurisprudencial de aresto oriundo do mesmo Tribunal Regional do Trabalho. e) A admissibilidade do recurso de revista interposto de acórdão proferido em agravo de petição, na liquidação de sentença, depende de demonstração inequívoca de ofensa direta à lei federal. 013. 013. (FGV/OAB/2019) Francisco trabalhou em favor de uma empresa em Goiânia/GO. Após ser dispensado, mudou-se para São Paulo e neste Estado ajuizou reclamação trabalhista contra o ex-empregador. Este, após citado em Goiânia/GO, apresentou petição de exceção de incompetência territorial logo no segundo dia. Em razão disso, o juiz suspendeu o processo e conferiu vista ao excepto. Em seguida, proferiu decisão acolhendo a exceção e determinando a remessa dos autos ao juízo distribuidor de Goiânia/GO, local onde os serviços de Francisco foram prestados e que, no entendimento do magistrado, seria o juízo competente para julgar a reclamação trabalhista. Diante da situação retratada e do entendimento consolidado do TST, assinale a afirmativa correta. a) O reclamante nada poderá fazer por se tratar de decisão interlocutória. b) Francisco poderá interpor de imediato Recurso Ordinário no prazo de 8 dias. c) Sendo as decisões interlocutórias irrecorríveis, Pedro deverá impetrar Mandado de Segurança. d) O recurso cabível para tentar reverter a decisão é o Agravo de Petição. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 75 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 014. 014. (FGV/OAB/2019) No curso de uma ação trabalhista que se encontra em fase de execução de sentença, a executada, citada para pagar e garantir o juízo, apresentou exceção de pré-executividade almejando a nulidade de todos os atos, uma vez que não havia sido regularmente citada. Após regular trâmite, o juiz julgou procedente a exceção de pré-executividade e anulou todos os atos processuais praticados desde a citação, concedendo ainda prazo para a reclamada contestar a reclamação trabalhista. Sobre a hipótese, assinale a opção que indica o recurso cabível, a ser manejado pelo exequente, contra a decisão da exceção de pré-executividade. a) Apelação. b) Recurso Ordinário. c) Agravo de Instrumento. d) Agravo de Petição. 015. 015. (FGV/OAB/2019) Prolatada a sentença em uma reclamação trabalhista, o autor opõe embargos de declaração no 3º dia contado da publicação e afirma que existe erro material no julgado, pois o número do processo encontra-se equivocado, assim como o nome das partes. Diante da situação retratada e dos termos da CLT, assinale a afirmativa correta. a) O juiz não precisará dar vista dos embargos à parte contrária, diante da natureza do erro. b) A Lei é omissa a respeito, daí porque o juiz usará da equidade para ver se é o caso de conferir vista à parte adversa. c) Havendo, no caso em exame, possibilidade de efeito modificativo do julgado, a parte contrária poderá se manifestar em 8 dias. d) Independentemente do recurso e seu efeito perante o julgado, é direito da parte contrária se manifestar sobre os embargos em 10 dias. 016. 016. (FGV/OAB/2018) Em uma reclamação trabalhista, o autor afirmou ter sido vítima de discriminação estética, pois fora dispensado pelo ex-empregador por não ter querido raspar o próprio bigode. Requereu, na petição inicial, tutela de urgência para ser imediatamente reintegrado em razão de prática discriminatória. O juiz, não convencido da tese de discriminação, indeferiu a tutela de urgência e determinou a designação de audiência, com a respectiva citação. Como advogado(a) do autor, assinale a opção que contém, de acordo com a Lei e o entendimento consolidado do TST, a medida judicial a ser manejada para reverter a situação e conseguir a tutela de urgência desejada. a) Interpor recurso ordinário seguido de medida cautelar b) Nada poderá ser feito, por tratar-se de decisão interlocutória, que é irrecorrível na Justiça do Trabalho. c) Impetrar mandado de segurança. d) Interpor agravo de instrumento. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 76 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 017. 017. (FGV/OAB/2018) Em determinada Vara do Trabalho foi prolatada uma sentença que, após publicada, não foi objeto de recurso por nenhum dos litigantes. Quinze meses depois, uma das partes ajuizou ação rescisória perante o Tribunal Regional do Trabalho local, tendo o acórdão julgado improcedente o pedido da rescisória. Ainda inconformada, a parte deseja que o TST aprecie a demanda. Assinale a opção que indica, na hipótese, o recurso cabível para o Tribunal Superior do Trabalho. a) Recurso Ordinário. b) Recurso de Revista. c) Recurso Especial. d) Agravo de Instrumento. 018. 018. (FGV/OAB/2017) Contra ato de Juiz do Trabalho que determinou a antecipação de honorários periciais do seu cliente, mesmo não tendo ele condições financeiras para arcar com esse custo, você, na defesa dos interesses do cliente, impetrou mandado de segurança contra o ato judicial, mas, por unanimidade, não teve a segurança concedida. De acordo com a CLT, assinale a opção que indica o procedimento a ser adotado para tentar reverter a decisão. a) Interpor Recurso Ordinário para o TST. b) Interpor Agravo de Instrumento para o STF. c) Interpor Agravo Interno para o próprio TRT. d) Nada mais pode ser feito, porque se trata de decisão irrecorrível. 019. 019. (FGV/OAB/2017) Em reclamação trabalhista que se encontra na fase de execução, o executado apresentou exceção de pré- executividade. Após ser conferida vista à parte contrária, o juiz julgou-a procedente e reconheceu a nulidade da citação e de todos os atos subsequentes, determinando nova citação para que o réu pudesse contestar a demanda. Considerando essa situação e o que dispõe a CLT, assinale a opção que indica o recurso que o exequente deverá apresentar para tentar reverter a decisão. a) Apelação. b) Agravo de Petição. c) Recurso de Revista. d) Recurso Ordinário. 020. 020. (FGV/OAB/2016) Em reclamação trabalhista o juiz atende ao pedido expresso do autor na petição inicial e, de plano, defere tutela de urgência para que a empresa entregue ao trabalhador o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) e, com isso, ele possa requerer aposentadoria especial junto ao INSS. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br77 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Intimada da decisão, a empresa o contrata para tentar impedir o efeito da tutela de urgência deferida, pois teme que os demais empregados sigam o mesmo destino, especialmente porque ela não reconhece que haja condição desfavorável no ambiente de trabalho. De acordo com o entendimento consolidado do TST, assinale a opção que apresenta a medida a ser adotada. a) Interpor agravo de instrumento. b) Opor embargos declaratórios. c) Impetrar mandado de segurança. d) Interpor recurso ordinário. 021. 021. (FGV/OAB/2012) Carlos José Pereira teve julgados procedentes os pedidos de equiparação salarial e de pagamento das diferenças salariais daí decorrentes. Iniciada a execução provisória, Carlos apresentou seus cálculos de liquidação, requerendo a sua homologação. O juiz, contudo, abriu prazo para que a parte contrária se manifestasse sobre os cálculos. Feito o contraditório, o juiz acabou por homologar os cálculos apresentados pela demandada e, com base nesse valor, expediu o mandado de citação, penhora e avaliação. Vinte e quatro horas após a expedição, o executado garantiu o juízo e requereu a expedição de alvará para o exequente, com a consequente extinção da execução. O juiz indeferiu o requerimento do executado, sob o argumento de que deveria aguardar o decurso de cinco dias a contar da garantia efetuada. Passados os cinco dias, o juiz julgou extinta a execução pelo cumprimento da obrigação e determinou a expedição de alvará em favor do exequente, intimando-o dessa decisão. Com base na situação acima descrita, é correto afirmar que o exequente tem o direito de interpor a) apelação no prazo de 15 dias, uma vez que não foi intimado da garantia do juízo e, portanto, não lhe foi dada a oportunidade de impugnar a sentença de homologação dos cálculos. b) agravo de petição no prazo de 8 dias, uma vez que não foi intimado da garantia do juízo e, portanto, não lhe foi dada a oportunidade de impugnar a sentença de homologação dos cálculos. c) recurso ordinário no prazo de 8 dias, uma vez que não foi intimado da garantia do juízo e, portanto, não lhe foi dada a oportunidade de impugnar a sentença de homologação dos cálculos. d) agravo de instrumento no prazo de 10 dias, uma vez que não foi intimado da garantia do juízo e, portanto, não lhe foi dada a oportunidade de impugnar a sentença de homologação dos cálculos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 78 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 022. 022. (FGV/OAB/2015) No bojo de uma execução trabalhista, a sociedade empresária executada apresentou uma exceção de pré-executividade, alegando não ter sido citada para a fase de conhecimento. Em razão disso, requereu a nulidade de todo o processo, desde a citação inicial. O juiz conferiu vista à parte contrária para manifestação e, em seguida, determinou a conclusão dos autos. Após analisar as razões da parte e as provas produzidas, convenceu- se de que a alegação da sociedade empresária era correta e, assim, anulou todo o feito desde o início. Diante desse quadro, assinale a afirmativa correta. a) Contra essa decisão caberá agravo de petição. b) Trata-se de decisão interlocutória e, portanto, não passível de recurso imediato. c) Caberá a interposição de recurso ordinário. d) Caberá a interposição de agravo de instrumento. 023. 023. (FGV/OAB/2014/ATUALIZADA) Em ação que tramitou sob o procedimento sumaríssimo, o juiz decidiu determinado pedido de forma contrária ao disposto em orientação jurisprudencial do TST. Em sede de recurso ordinário, com o mesmo fundamento, o TRT manteve a decisão de primeiro grau. Diante disso, a parte entendeu por bem interpor recurso de revista. A partir do caso apresentado, assinale a opção correta. a) O recurso de revista não deverá ser admitido, pois o fundamento da decisão não é contrário à Constituição Federal, à Súmula Vinculante do STF ou à Súmula do TST. b) É cabível o recurso, pois a decisão é contrária ao entendimento do TST. c) O recurso de revista é incabível no procedimento sumaríssimo. Logo, não deverá ser admitido. d) Deverá ser admitido o recurso de revista, em razão do princípio do duplo grau de jurisdição obrigatório. 024. 024. (CESPE/OAB/2008) Alfredo, advogado da empresa Casa Nova, apresentou recurso de revista contra acórdão do tribunal regional do trabalho (TRT) que teria sido desfavorável à empresa. Nos fundamentos do recurso, Alfredo argumentou que o depoimento da única testemunha apresentada pelo reclamante não havia comprovado o direito alegado na inicial e que, portanto, a sentença de 1º grau, confirmada no TRT, deveria ser reformada. Considerando a situação hipotética acima, assinale a opção correta. a) O recurso de revista deve ser conhecido e provido pelo TST, já que a prova apresentada pelo reclamante no processo não foi suficiente para comprovar o seu direito. b) O advogado da empresa deveria ter interposto, juntamente com o recurso de revista, o recurso extraordinário para o STF. c) Não é cabível a interposição de recurso de revista para reexame de fatos e provas. d) Como a sentença de 1º grau foi confirmada pelo TRT, não seria cabível a interposição de qualquer recurso para o TST. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 79 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 025. 025. (FGV/OAB/2013) Uma reclamação trabalhista é ajuizada em São Paulo (TRT da 2ª Região) e, na audiência designada, a reclamada apresenta resposta escrita sob a forma de contestação e exceção de incompetência relativa em razão do lugar, pois o autor sempre trabalhara em Minas Gerais, que na sua ótica deve ser o local onde tramitará o feito. Após conferida vista ao exceto, na forma do Art. 800, da CLT, e confirmada a prestação dos serviços na outra localidade, o juiz acolhe a exceção e determina a remessa dos autos à capital mineira (MG – TRT da 3ª Região). Dessa decisão, de acordo com o entendimento do TST, e independentemente do seu mérito, a) cabe de imediato recurso de agravo de instrumento para o TRT de São Paulo, por tratar- se de decisão interlocutória. b) nada há a fazer, pois das decisões interlocutórias, na Justiça do Trabalho, não é possível recurso imediato. c) compete à parte deixar consignado o seu protesto e renovar o inconformismo no recurso ordinário que for interposto após a sentença que será proferida em Minas Gerais. d) cabe de imediato a interposição de recurso ordinário para o TRT de São Paulo. 026. 026. (CESPE/OAB/2007) No que diz respeito ao recurso de revista, assinale a opção correta. a) O prazo para a interposição do recurso, em razão de sua natureza extraordinária, é de 15 dias. b) Nas razões do recurso de revista, é vedada a discussão a respeito de afronta direta e literal à Constituição Federal, já que tal matéria cabe apenas a análise do STF. c) Não cabe recurso de revista para discutir interpretação de cláusula de contrato de trabalho. d) Em sede de recurso de revista, não é cabível nenhum tipo de depósito recursal. 027. 027. (FEPESE/PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS-SC/PROCURADOR MUNICIPAL/2022) De acordo com o processo do trabalho, assinale a alternativa que indica corretamente hipóteses de cabimento do recurso ordinário em razão de decisão proferida por TribunalRegional do Trabalho em matéria de competência originaria. a) Decisão definitiva das varas do trabalho. b) Decisão terminativa proferida pelos órgãos colegiados em sede de cumprimento de sentença. c) Decisão terminativa proferida em ação rescisória ou em mandado de segurança. d) Decisão não terminativa cujo objetivo seja analisar, exclusivamente, questão processual. e) Decisão não definitiva proferida em dissídio coletivo para o reexame de matéria de fato ou de prova. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 80 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 028. 028. (CESPE/OAB/2008) O prazo para a oposição de embargos de declaração, no processo do trabalho, é de a) 5 dias. b) 8 dias. c) 10 dias. d) 15 dias. 029. 029. (FGV/TRT-12ª REGIÃO (SC)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2017) Armando ajuizou ação trabalhista em face do Município de Sucupira, postulando o pagamento de verbas decorrentes da ruptura imotivada de seu contrato de trabalho. A sentença julgou procedente a pretensão. A decisão submeteu-se à remessa obrigatória em duplo grau de jurisdição, sem a interposição de recurso ordinário voluntário pelas partes. O Tribunal Regional do Trabalho manteve a sentença. À luz da jurisprudência do TST, é correto afirmar que: a) é incabível a interposição de recurso de revista pelo Município para impugnar a decisão proferida pelo TRT; b) é cabível a interposição de recurso ordinário pelo Município para impugnar a decisão proferida pelo TRT; c) é cabível a interposição de agravo de petição pelo Município para impugnar a decisão proferida pelo TRT; d) é cabível a interposição de agravo de instrumento pelo Município para impugnar a decisão proferida pelo TRT; e) ainda que tivesse sido agravada, na segunda instância, a condenação imposta ao Município, não seria cabível a interposição de recurso de revista pelo ente público para impugnar a decisão proferida pelo TRT. 030. 030. (FUNDATEC/CEASA-RS/ANALISTA - ADVOGADO/2022) No processo do trabalho, o recurso de agravo de instrumento: a) Não possui previsão normativa. b) Pode ser interposto em relação às decisões interlocutórias em geral desde que proferidas em audiência. c) É cabível para atacar sentença sem julgamento do mérito. d) É cabível frente à decisão de não recebimento do agravo de petição. e) É cabível em relação à decisão que indefere a petição inicial. 031. 031. (FGV/TRT-12ª REGIÃO (SC)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2017) Márcia ajuizou ação trabalhista em face da empresa Maravilha S.A., com pedido liminar, postulando sua imediata reintegração no emprego, por ter sido dispensada grávida. O juiz indeferiu o pedido liminar, mas concedeu a tutela de urgência quando da prolação da sentença, determinando sua imediata reintegração. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 81 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos À luz da jurisprudência uniforme do TST, é correto afirmar que a tutela provisória concedida na sentença: a) pode ser impugnada por recurso ordinário, sem possibilidade de obtenção de efeito suspensivo. b) não pode ser impugnada porque havia sido originalmente indeferida. c) pode ser impugnada por recurso ordinário, com possibilidade de obtenção de efeito suspensivo mediante requerimento dirigido ao tribunal, ao relator, presidente ou vice- presidente do tribunal recorrido. d) pode ser impugnada por mandado de segurança. e) pode ser impugnada por exceção de pré-executividade, evitando-se que opere efeitos imediatos. 032. 032. (FGV/CODEBA/ANALISTA PORTUÁRIO - ADVOGADO/2016) O recurso de revista é de natureza extraordinária, cabível em face de acórdãos proferidos pelos Tribunais Regionais do Trabalho, tendo por objetivo uniformizar a interpretação das legislações estadual, federal e constitucional no âmbito da competência da Justiça do Trabalho. Trata-se de recurso com pressupostos rígidos de conhecimento, não se destinando à apreciação de fatos e provas. Acerca da sistemática do recurso de revista e de acordo com a CLT e o entendimento consolidado do TST, assinale a afirmativa correta. a) A parte pode ser valer do jus postulandi na interposição do recurso de revista, ciente de que arcará com os efeitos danosos caso não consiga cumprir os requisitos técnicos. b) No procedimento sumaríssimo cabe recurso de revista por violação de Súmula ou OJ do TST, à Súmula vinculante do STF e por violação direta da CRFB/88. c) Cabe recurso de revista em face dos acórdãos prolatados em dissídio coletivo pelos Tribunais Regionais do Trabalho, no prazo de 8 dias, contados em dobro se a parte for a Fazendo Pública. d) Na fase executória cabe recurso de revista por violação à lei federal, por divergência jurisprudencial e por ofensa à CRFB/88 nas execuções fiscais e nas controvérsias que envolvam a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas. e) Na Justiça do Trabalho o juízo de admissibilidade primário do recurso de revista é feito pelo Relator do acórdão no TRT, que aprecia apenas os pressupostos processuais extrínsecos e intrínsecos. 033. 033. (FGV/CODEBA/ANALISTA PORTUÁRIO - ADVOGADO/2016) No decorrer de uma causa trabalhista que se encontra na fase executória, e sem que o juízo fosse garantido, o executado apresenta exceção de pré-executividade, ventilando três matérias de ordem pública. Duas dessas matérias são rejeitadas, mas uma delas (a tese de nulidade de citação) é acolhida, sendo então julgada procedente, em parte a exceção. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 82 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Sobre a situação retratada e a sistemática recursal trabalhista, assinale a afirmativa correta. a) A situação problema está equivocada, uma vez que está pacificado que não cabe exceção de pré-executividade na Justiça do Trabalho. b) Caberá recurso ordinário para atacar a parte que pôs fim ao processo. c) Em razão do princípio da celeridade, não caberá qualquer recurso da decisão de exceção de pré-executividade narrada. d) Da decisão citada, a parte inconformada poderá de imediato ajuizar embargos de devedor. e) Na situação retratada, caberá a interposição de recurso de agravo de petição. 034. 034. (FCC/PGE-GO/PROCURADOR DO ESTADO SUBSTITUTO/2021) Isis ajuizou uma reclamatória trabalhista em face da empresa Nuvens Esparsas na Vara do Trabalho do município de Catalão-GO. A reclamada apresentou exceção de incompetência em razão do local. Após oitiva da parte excepta a exceção foi acolhida com a decisão judicial de remessa dos autos para a comarca de Brasília-DF. Para reverter a referida decisão judicial, cabe à reclamante excepta a) ajuizar Mandado de Segurança, por se tratar de decisão interlocutória que não comporta recurso imediato no Processo do Trabalho. b) interpor recurso ordinário no prazo de 8 dias para ser analisado pelo TRT. c) interpor agravo de instrumento no prazo de 5 dias para ser apreciado pelo TRT. d) apresentar reclamação correcional por ato tumultuário ao andamento processual, no prazo de 5 dias. e) opor embargos de declaração para o Juiz de Catalão requerendoo efeito modificativo, no prazo de 8 dias. 035. 035. (CESPE/MPU/ANALISTA DO MPU – DIREITO/2018) Acerca de procedimentos nos dissídios individuais e coletivos e de recursos no processo trabalhista, julgue o próximo item, à luz da CLT e da jurisprudência dos tribunais superiores. O relator do recurso de revista poderá, por decisão monocrática, denegar seguimento ao recurso com irregularidade de representação. 036. 036. (CESPE/DPU/DEFENSOR PÚBLICO FEDERAL/2017) Em relação aos recursos no processo do trabalho, à execução trabalhista e ao mandado de segurança na justiça do trabalho, julgue o item que se segue à luz do entendimento do TST. O agravo de petição só será recebido se o recorrente delimitar as matérias e os valores impugnados e apresentar a respectiva monta atualizada até a data de interposição do recurso. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 83 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 037. 037. (CESPE/SEDF/ANALISTA DE GESTÃO EDUCACIONAL - DIREITO E LEGISLAÇÃO/2017) Em relação aos recursos, à execução, ao mandado de segurança e à ação rescisória na justiça do trabalho, julgue o item a seguir. Havendo violação de lei ou divergência jurisprudencial, caberá interposição de recurso de revista de decisão definitiva de TRT em ação rescisória ou em mandado de segurança. 038. 038. (CESPE/FUNPRESP-EXE/ÁREA JURÍDICA/2016) A respeito do rito sumaríssimo e dos recursos no processo do trabalho, julgue o item seguinte. No procedimento sumaríssimo, é possível a interposição de recurso de revista quando a decisão de TRT contrariar orientação jurisprudencial do TST. 039. 039. (CESPE/TELEBRAS/ADVOGADO/2015) Com relação ao procedimento sumaríssimo na justiça do trabalho, julgue o item que se segue. Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, as possibilidades de admissão de interposição de recurso de revista estão circunscritas às seguintes situações: decisões que contrariem súmula do TST e decisões que violem diretamente a Constituição Federal, não se admitindo outras hipóteses. 040. 040. (CESPE/TELEBRAS/ADVOGADO/2015) Acerca dos recursos cabíveis perante a justiça trabalhista, julgue o próximo item considerando o entendimento do TST. Situação hipotética: Durante um processo de execução, após a garantia do juízo, a executada opôs embargos à execução por discordar dos cálculos homologados. Após análise, o juiz da execução negou provimento aos embargos. Assertiva: Nessa situação, o embargante tem prazo de oito dias para interpor recurso de agravo de petição. 041. 041. (CESPE/TELEBRAS/ADVOGADO/2015) Acerca dos recursos cabíveis perante a justiça trabalhista, julgue o próximo item considerando o entendimento do TST. A oposição de embargos de declaração interrompe a contagem do prazo para interposição de recurso, seja ele ordinário seja de revista, o que prejudica a validade de recurso tempestivo que houver sido apresentado pela outra parte, fato já reconhecido pela jurisprudência do TST. 042. 042. (FGV/OAB/2019) Augusto foi empregado de uma lavanderia por 2 anos, tendo sido desligado em setembro de 2018. Após receber as verbas da ruptura, procurou um advogado com a intenção de ajuizar reclamação trabalhista para postular horas extras não recebidas durante o pacto laboral. Após a entrevista e colheita de todas as informações, o advogado de Augusto entrou em contato com a ex-empregadora na tentativa de formular um acordo, que, após debatido e negociado, teve sucesso e foi reduzido a termo. Então, as partes ajuizaram uma homologação O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 84 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos de acordo extrajudicial na Justiça do Trabalho, em petição conjunta assinada pelo advogado de cada requerente, mas que não foi homologado pelo juiz, por este entender que o valor da conciliação era desfavorável ao trabalhador. Desse modo, o magistrado extinguiu o feito sem resolução do mérito. Diante da situação e dos termos da CLT, assinale a afirmativa correta. a) Agiu corretamente o juiz, porque não há previsão desse tipo de demanda na Justiça do Trabalho. b) As partes poderão interpor recurso ordinário da decisão que negou a homologação desejada. c) Augusto e seu ex-empregador deverão propor novamente a ação, que deverá ser levada à livre distribuição para outro juízo. d) Nada poderá ser feito na ação proposta, porque o juiz não é obrigado a homologar acordo. 043. 043. (FGV/OAB/2019) Em março de 2019, durante uma audiência trabalhista que envolvia a sociedade empresária ABC S/A, o juiz indagou à pessoa que se apresentou como preposto se ela era empregada da empresa, recebendo como resposta que não. O juiz, então, manifestou seu entendimento de que uma sociedade anônima deveria, obrigatoriamente, fazer-se representar por empregado, concluindo que a sociedade empresária não estava adequadamente representada. Decretou, então, a revelia, excluiu a defesa protocolizada e sentenciou o feito na própria audiência, julgando os pedidos inteiramente procedentes. Diante desse quadro e do que prevê a CLT, assinale a afirmativa correta. a) Nada há a ser feito, porque uma S/A, por exceção, precisa conduzir um empregado para representá-la. b) O advogado da ré deverá interpor recurso ordinário no prazo de 8 dias, buscando anular a sentença, pois o preposto não precisa ser empregado da reclamada. c) O advogado da ré deverá impetrar mandado de segurança, porque a exigência de que o preposto seja empregado, por não ser prevista em Lei, violou direito líquido e certo da empresa. d) Uma vez que a CLT faculta ao juiz aceitar ou não como preposto pessoa que não seja empregada, o advogado deverá formular um pedido de reconsideração judicial. 044. 044. (FGV/OAB/2019) Em sede de impugnação à sentença de liquidação, o juiz julgou improcedente o pedido, ocorrendo o mesmo em relação aos embargos à execução ajuizados pela executada. A princípio, você, na qualidade de advogado(a) da executada, entendeu por bem não apresentar recurso. Contudo, foi apresentado o recurso cabível pelo exequente. Diante disso, assinale a afirmativa correta. a) A parte exequente interpôs agravo de petição, e a executada poderá interpor agravo de petição na modalidade de recurso adesivo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 85 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos b) Ambas as partes poderiam interpor agravo de petição na hipótese, porém não mais existe essa possibilidade para a executada, pois esta não apresentou o recurso no prazo próprio. c) A parte autora interpôs recurso de revista, e não resta recurso para a parte executada. d) A parte autora apresentou recurso ordinário, e a executada poderá apresentar agravo de petição. 045. 045. (CESPE/PGM/CAMPO GRANDE-MS/PROCURADOR MUNICIPAL/2019) Julgue o item que se segue, acerca de recursos no processo do trabalho. O seguimento de recurso de revista que não demonstre transcendência com relação aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica poderá ser denegado monocraticamentepelo relator, não cabendo recurso dessa decisão. 046. 046. (CESPE/PGM/CAMPO GRANDE-MS/PROCURADOR MUNICIPAL/2019) Julgue o item que se segue, acerca de recursos no processo do trabalho. Em geral, não se admite recurso de revista em execução fiscal: o cabimento de recurso de revista na execução é restrito à hipótese de ofensa direta e literal à Constituição Federal de 1988. 047. 047. (CESPE/PGM/CAMPO GRANDE-MS/PROCURADOR MUNICIPAL/2019) Julgue o item que se segue, acerca de recursos no processo do trabalho. Das decisões definitivas ou terminativas de vara do trabalho cabe recurso ordinário para o respectivo tribunal regional do trabalho, com efeito exclusivamente devolutivo, não se admitindo a obtenção de efeito suspensivo. 048. 048. (CESPE/PREFEITURA DE BOA VISTA-RR/PROCURADOR MUNICIPAL/2019) Pedro ajuizou uma reclamação trabalhista em desfavor da empresa Alfa Ltda. Citada, a empresa reclamada fez-se representar por um ex-empregado que tinha conhecimento do fato, devidamente acompanhado por um advogado, que apresentou defesa e documentos; no entanto, por entender que a empresa reclamada não poderia ser representada por um ex-empregado, o juízo declarou a sua revelia e, assim, não recebeu a contestação e os documentos, tendo havido o registro de protesto pela reclamada. Sobreveio aos autos sentença que julgou procedentes os pedidos iniciais e, irresignada, a empresa reclamada interpôs recurso ordinário quinze dias úteis após a publicação da referida decisão. Considerando essa situação hipotética, julgue o item que se segue à luz da legislação aplicável. A empresa reclamada observou o prazo legal para a interposição do recurso ordinário, razão pela qual o ato processual deverá ser considerado tempestivo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 86 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 049. 049. (CESPE/PREFEITURA DE BOA VISTA-RR/PROCURADOR MUNICIPAL/2019) Pedro ajuizou uma reclamação trabalhista em desfavor da empresa Alfa Ltda. Citada, a empresa reclamada fez-se representar por um ex-empregado que tinha conhecimento do fato, devidamente acompanhado por um advogado, que apresentou defesa e documentos; no entanto, por entender que a empresa reclamada não poderia ser representada por um ex-empregado, o juízo declarou a sua revelia e, assim, não recebeu a contestação e os documentos, tendo havido o registro de protesto pela reclamada. Sobreveio aos autos sentença que julgou procedentes os pedidos iniciais e, irresignada, a empresa reclamada interpôs recurso ordinário quinze dias úteis após a publicação da referida decisão. Considerando essa situação hipotética, julgue o item que se segue à luz da legislação aplicável. O recurso ordinário interposto não deverá ser conhecido por ser inaplicável à espécie, visto que, em desfavor de decisões definitivas prolatadas pela primeira instância, deve ser interposto recurso de revista. 050. 050. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO - CONSULTOR LEGISLATIVO ÁREA V/2014) Com relação aos recursos trabalhistas, julgue o seguinte item. Conforme entendimento pacificado pelo TST, considera-se prequestionada a questão jurídica invocada no recurso principal sobre a qual se omita o tribunal, a despeito dos embargos de declaração, de pronunciar tese. 051. 051. (CESPE/TRT-17ª REGIÃO (ES)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) Julgue os itens subsequentes, com relação aos recursos e à execução no processo do trabalho. Embora o recurso de agravo de petição deva delimitar justificadamente a matéria e os valores objeto de discordância, segundo entendimento do TST, o prosseguimento da execução quanto aos tópicos e valores não especificados no agravo fere direito líquido e certo. 052. 052. (CESPE/TRT-17ª REGIÃO (ES)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) Julgue os itens subsequentes, com relação aos recursos e à execução no processo do trabalho. A admissibilidade do recurso de revista interposto contra acórdão proferido em agravo de petição, na liquidação de sentença ou em processo incidente na execução, incluindo-se os embargos de terceiro, depende de demonstração inequívoca de violação direta à CF. 053. 053. (FCC/TRT-21ª REGIÃO (RN)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) Margarida moveu reclamação trabalhista em face da sua ex-empregadora Lanches Master Tudo Ltda. para cobrança de diferenças de horas extras, no valor total de R$ 20.000,00. Tendo em vista a legislação vigente, a) somente será possível a interposição de recurso de revista nesta reclamação por contrariedade à súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou à súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 87 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos b) somente será possível a interposição de recurso ordinário nesta reclamação por contrariedade à súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou à súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal. c) somente será possível a interposição de recurso de revista nesta reclamação por violação direta da Constituição Federal. d) somente será possível a interposição de recurso ordinário nesta reclamação por violação direta da Constituição Federal. e) não é possível a interposição de recurso nesta reclamação, sob nenhum fundamento, tendo em vista sua celeridade. 054. 054. (FCC/TST/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) Temerosa de que seus ativos financeiros fossem bloqueados, após receber o Mandado de Citação e Pagamento em execução de uma reclamação trabalhista a qual não tinha nenhuma responsabilidade, a Empresa B interpôs exceção de pré- executividade. Após cumpridas as formalidades legais, o juiz julgou-a procedente e excluiu a Empresa B da lide, determinando que o exequente indicasse outros meios para prosseguimento da execução. Neste caso, e em conformidade com a CLT, o recurso cabível pelo exequente contra a referida decisão é a) Agravo de Instrumento. b) Recurso Ordinário. c) Recurso de Revista. d) Agravo de Petição. e) Mandado de Segurança. 055. 055. (CESPE/PG-DF/PROCURADOR/2013) Julgue os itens subsequentes, relativos ao procedimento sumaríssimo na justiça do trabalho. Não é admissível a interposição de recurso de revista em procedimento sumaríssimo quando o fundamento do recurso for a contrariedade a orientação jurisprudencial do TST. 056. 056. (CESPE/SERPRO/ANALISTA - PERÍCIA EM CÁLCULO JUDICIAL/2013) Com base na CLT e na jurisprudência do TST, julgue os próximos itens, referentes a direito material e processual do trabalho. Caberá recurso ordinário apenas em decisões definitivas ou terminativas dos tribunais regionais do trabalho, nos processos de sua competência originária em demandas de dissídios individuais. 057. 057. (CESPE/TELEBRAS/ESPECIALISTA EM GESTÃO DE TELECOMUNICAÇÕES – ADVOGADO/2013) Uma empresa entendeu ser devedora de determinado crédito a um ex-empregado. Para honrar seu compromisso, promoveu demanda à altura. Considerando essa situação hipotética, julgue os itens subsequentes. Se for interposto recurso ordinário contra a decisão e o julgado não restar claro, será viável interpor embargos previsto no art. 894 da CLT, no prazo de cinco dias. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciadopara Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 88 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 058. 058. (CESPE/PGE-BA/PROCURADOR DO ESTADO/2014) Acerca de recursos, execução trabalhista e dissídio coletivo, julgue os itens seguintes. É cabível recurso ordinário caso o juiz declare a incompetência absoluta em razão da matéria da justiça do trabalho e determine a remessa dos autos à justiça comum. 059. 059. (CESPE/SERPRO/ANALISTA – ADVOCACIA/2013) No que concerne ao direito processual do trabalho, julgue os itens seguintes. Segundo a CLT, o recurso de agravo de instrumento é adequado para impugnar decisão interlocutória proferida na justiça do trabalho. 060. 060. (CESPE/TRT-17ª REGIÃO (ES)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) Julgue os itens subsequentes, com relação aos recursos e à execução no processo do trabalho. Não é cabível recurso ordinário de decisão que homologa acordo entre as partes, pois tal decisão é irrecorrível. 061. 061. (CESPE/TELEBRAS/ESPECIALISTA EM GESTÃO DE TELECOMUNICAÇÕES – ADVOGADO/2013) Uma empresa entendeu ser devedora de determinado crédito a um ex-empregado. Para honrar seu compromisso, promoveu demanda à altura. Considerando essa situação hipotética, julgue os itens subsequentes. Caso seja aviado recurso, o efeito será devolutivo e propiciará execução até a penhora do bem ofertado pelo devedor. 062. 062. (FCC/TRT-18ª REGIÃO (GO)/ANALISTA JUDICIÁRIO - OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2023) A empresa de transportes rodoviários Carga Total interpõe agravo de petição contra decisão do juiz na execução de processo do trabalho movido por Afrodite, sua ex-empregada. O juiz denega seguimento ao agravo de petição, sob fundamento de intempestividade do mesmo. Pretendendo recorrer desta decisão, a empresa poderá apresentar a) agravo de instrumento no prazo de 8 dias, sem a suspensão da execução. b) recurso ordinário no prazo de 8 dias, sem a suspensão da execução. c) agravo de instrumento no prazo de 10 dias, sem a suspensão da execução. d) recurso ordinário no prazo de 10 dias, ficando suspensa a execução até decisão final acerca do mesmo. e) agravo de instrumento no prazo de 5 dias, ficando suspensa a execução até decisão final acerca do mesmo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 89 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 063. 063. (FCC/TRT-18ª REGIÃO (GO)/ANALISTA JUDICIÁRIO - OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2023) O Tribunal Regional do Trabalho julgou improcedente um dissídio coletivo de greve, condenando o Sindicato autor a uma multa de R$ 100.000,00 por dia em caso de não restabelecimento das atividades consideradas essenciais. O autor pretende recorrer da decisão. Nessa hipótese, poderá interpor a) recurso ordinário ao Tribunal Superior do Trabalho no prazo de 8 dias. b) recurso de revista ao Tribunal Superior do Trabalho no prazo de 10 dias. c) agravo de petição ao Tribunal Superior do Trabalho no prazo de 8 dias. d) recurso ordinário ao Tribunal Superior do Trabalho no prazo de 10 dias. e) recurso de revista ao Tribunal Superior do Trabalho no prazo de 8 dias. 064. 064. (FCC/TRT-5ª REGIÃO (BA)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2022) Gibraltar é uma entidade filantrópica e teve contra si uma sentença trabalhista de um ex-empregado desfavorável em parte. Recorre ordinariamente da parte em que a ação foi procedente, o seu recurso tem segmento denegado por intempestividade. Nessa hipótese, com base no que prevê a Consolidação das Leis do Trabalho, a reclamada poderá interpor agravo a) de instrumento no prazo de 10 dias, devendo recolher depósito recursal à base de 50% do valor do depósito do recurso ao qual pretende destrancar. b) de instrumento no prazo de 8 dias, estando isenta de proceder ao depósito recursal na situação narrada. c) de petição no prazo de 8 dias, estando isenta de proceder ao depósito recursal na situação narrada. d) de instrumento no prazo de 10 dias, devendo recolher depósito recursal à base de 25% do valor do depósito do recurso ao qual pretende destrancar. e) de petição no prazo de 10 dias, estando isenta de proceder ao depósito recursal na situação narrada. 065. 065. (FCC/TRT-22ª REGIÃO (PI)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2022) Aparecida está estudando para um concurso e, no tema recurso de revista, nos termos da CLT e do entendimento sumulado do TST, é certo que: a) esse recurso não é cabível contra decisões proferidas pelos Tribunais Regionais do Trabalho ou por suas Turmas, em execução de sentença. b) não é cabível a interposição de recurso de revista nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo. c) dada a relevância da matéria, tal recurso possui efeitos devolutivo e suspensivo em todos os casos. d) para ser conhecido, o TST examinará se o recurso de revista oferece transcendência com reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica. e) da decisão do Presidente do Tribunal Regional do Trabalho que denegar seguimento ao recurso de revista, poderá ser interposto agravo de instrumento, no prazo de 10 dias úteis. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 90 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 066. 066. (FCC/TRT-22ª REGIÃO (PI)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2022) Na reclamação trabalhista movida em face de Lojas Sinceridade Ltda., foi proferida sentença de procedência parcial pela Vara do Trabalho, sendo que nenhuma das partes recorreu. Um ano depois, a reclamada ajuizou ação rescisória perante o Tribunal Regional do Trabalho, tendo o acórdão julgado improcedente o pedido. Ainda inconformada, pretendem as Lojas Sinceridade Ltda. ingressar com novo recurso. Nos termos da legislação vigente e entendimento sumulado do TST, a) poderá ingressar com embargos para o Tribunal Superior do Trabalho. b) poderá ingressar com recurso de revista para o Tribunal Superior do Trabalho. c) deverá valer-se do agravo interno para o próprio Tribunal Regional do Trabalho. d) deverá interpor agravo de instrumento para o Tribunal Regional do Trabalho. e) poderá ingressar com recurso ordinário para o Tribunal Superior do Trabalho. 067. 067. (FCC/TRT-22ª REGIÃO (PI)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2022) Claudete está executando sua ex-empregadora, tendo requerido a penhora da conta bancária de um dos sócios da empresa. A juíza indeferiu de plano tal pedido, sob fundamento que a referida conta recebia os proventos da aposentadoria desse sócio, pois o mesmo informou, sem nenhuma prova, que era aposentado. Contra tal decisão, de acordo com a CLT, Claudete poderá interpor a) embargos de terceiro. b) mandado de segurança. c) recurso ordinário. d) agravo de instrumento. e) agravo de petição. 068. 068. (FCC/TRT-22ª REGIÃO (PI)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2022) Considerando as peculiaridades do rito sumaríssimo no processo do trabalho, o legislador impôs uma maior celeridade e uma menor formalidade ao procedimento, inclusive em relação aos recursos interpostos das decisões nele proferidas. Considerando essas previsões legais e o entendimentoserá aquele cabível na hipótese, tendo em vista o regimento interno do tribunal. JURISPRUDÊNCIA b) suscetível de impugnação mediante recurso para o mesmo Tribunal; Se os regimentos internos dos tribunais previrem recursos dentro do próprio tribunal para matérias decididas por decisões interlocutórias, elas serão recorríveis, nos termos do regimento. Na grande maioria dos casos, trata-se de agravo interno. JURISPRUDÊNCIA c) que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, da CLT.” EXEMPLO Moisés ajuizou reclamação trabalhista em Curitiba (PR). A empresa ré, no entanto, opôs exceção de incompetência territorial, porque Moisés teria prestado serviços em Natal (RN), razão pela qual a reclamação deveria ser remetida a uma das Varas do Trabalho de Natal. O juiz acolhe a exceção e remete os autos a uma das Varas de Natal. Nesse caso, a decisão do juiz é interlocutória terminativa do feito na Vara do Trabalho de Curitiba, razão pela qual cabe Recurso Ordinário contra essa decisão interlocutória ao TRT da 9ª Região (Paraná). Exatamente o mesmo raciocínio valeria para o caso de remessa do processo a tribunal distinto que seja de outro ramo do Poder Judiciário (como Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal). Esta última hipótese é abordada também em caráter legal, especificamente no art. 799, § 2º, da CLT: Das decisões sobre exceções de suspeição e incompetência, salvo, quanto a estas, se terminativas do feito [contra a qual caberá recurso – acréscimo do professor], não caberá recurso, podendo, no entanto, as partes alegá-las novamente no recurso que couber da decisão final. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 10 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos DICA Conclusão: REGRA GERAL: não cabe recurso imediato contra decisão interlocutória . EXCEÇÕES: Decisão interlocutória do TRT contrária a Súmula ou OJ do TST Decisão interlocutória recorrível dentro do mesmo tribunal Decisão terminativa que remeta o processo para Tribunal diferente (TRT/TJ/TRF/TRe) daquele em que o processo se encontra (se for decisão do juiz do trabalho, cabe RECURSO ORDINÁRIO) . Em síntese, a primeira hipótese de cabimento do RO pode ser demonstrada da seguinte forma: A hipótese do inciso II do art. 895 é menos comum, mas deve ser estudada com muita atenção. Em alguns casos específicos, o TRT detém a competência originária para processar e julgar a ação. Para relembrá-lo, caso não recorde, conceituo abaixo os tipos de competência jurisdicional quanto ao momento de apreciação da causa (ou quanto à função): • COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA: o órgão originariamente competente detém a incumbência de processar e julgar aquela matéria logo de início, desde que a respectiva ação é ajuizada. EXEMPLO O julgamento de ações rescisórias destinadas a desconstituir sentença de juiz do trabalho ou acórdão de TRT compete originariamente ao TRT. Logo, o juiz do trabalho da Vara jamais exercerá jurisdição em ação rescisória, sob pena de nulidade absoluta por incompetência funcional. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 11 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos • COMPETÊNCIA DERIVADA: o órgão é competente para processar e julgar uma ação em decorrência da interposição de algum recurso. EXEMPLO A Vara do Trabalho é originariamente competente para processar e julgar reclamações trabalhistas comuns em que se discutem verbas rescisórias. O TRT detém a competência derivada para apreciar tais reclamações, pois o exercício de sua jurisdição deriva (decorre, depende) da interposição do RO. Grandes exemplos de competência originária do TRT para processar e julgar são, dentre outros: • Ação Rescisória ajuizada para desconstituir sentença de juiz do trabalho ou acórdão do próprio TRT – Dissídio Individual. • Mandado de Segurança contra ato de juiz do trabalho ou do próprio TRT – Dissídio Individual. • Reclamação para preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões (art. 988 do CPC). – Dissídio Individual. • DISSÍDIOS COLETIVOS, envolvendo interesses que não ultrapassem o território de jurisdição do respectivo TRT. Nos processos em que o TRT detenha competência originária – isto é, tenha competência para apreciar a causa pela primeira vez –, caberá RO ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), também no prazo de 8 DIAS a contar da publicação do acórdão do TRT. Perceba que não é só o TRT quem pode apreciar Recursos Ordinários! O TST também pode! Sinteticamente, esta segunda hipótese de RO pode ser demonstrada da seguinte forma: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 12 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 2 .2 . PRoceDIMeNTo2 .2 . PRoceDIMeNTo Na primeira hipótese de cabimento do RO (contra sentença de juiz), a interposição deverá ocorrer dentro do prazo de 8 dias da publicação da sentença, prazo este que, conforme nosso estudo da aula sobre os Prazos, terá sua contagem iniciada a partir da ciência efetiva do teor da sentença, com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento. A interposição do RO deve ocorrer mediante Simples Petição (art. 899 da CLT). Ademais, o RO deve ser interposto com endereçamento AO JUIZ DO TRABALHO RECORRIDO. O RO é composto por duas peças: 1) PEÇA DE INTERPOSIÇÃO, que é dirigida ao juiz recorrido, solicitando admissão do recurso e remessa ao TRT. 2) PEÇA DE RAZÕES RECURSAIS, esta sim endereçada ao TRT, com menção ao “Egrégio Tribunal” e aos “Nobres Desembargadores do Trabalho”, ou outras alcunhas de preferência do advogado e razoabilidade. Assim que o juiz do trabalho recorrido tomar conhecimento da interposição do recurso, ele dará à parte recorrida o mesmo prazo do RO (8 DIAS) para que apresente CONTRARRAZÕES AO RO. A previsão legal das contrarrazões está no art. 900 da CLT: “Art. 900 – Interposto o recurso, será notificado o recorrido para oferecer as suas razões, em prazo igual ao que tiver tido o recorrente.” DICA o prazo das contrarrazões será sempre o mesmo prazo que o recorrente tiver tido para interpor o recurso . esta regra parece decorrer do Princípio da Igualdade Processual (paridade de armas) . Após o término do prazo para que a parte recorrida apresente suas Contrarrazões ao RO, o juiz exercerá o PRIMEIRO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE, analisando se estão presentes os Pressupostos de Admissibilidade Intrínsecos e Extrínsecos (estudados detalhadamente na Primeira Aula sobre o Sistema Recursal Trabalhista). Se o juiz entender que tais pressupostos de admissibilidade estão presentes, ele remeterá os autos do processo ao TRT, para processamento do recurso. Por outro lado, se o juiz entender que falta o preenchimento de algum pressuposto de admissibilidade, deverá inadmitir o recurso. Essa inadmissão também pode ser identificada como denegação de seguimento. Verificando a parte recorrente que o RO foi inadmitido/denegado pelo juiz no primeirosumulado pelo Tribunal Superior do Trabalho, a) os prazos recursais são contados em dias corridos. b) o recurso ordinário será imediatamente recebido no Tribunal, devendo o relator liberá-lo no prazo máximo de 5 dias e o revisor, nos 5 dias subsequentes. c) somente será admitido recurso de revista por violação direta da Constituição Federal. d) no recurso de revista não será feito exame prévio da transcendência da causa, com relação aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social e jurídica. e) somente será admitido recurso de revista por violação direta da Constituição Federal ou contrariedade a Súmula do Tribunal Superior do Trabalho, não se admitindo o recurso por contrariedade a Orientação Jurisprudencial deste Tribunal, ante a ausência de previsão legal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 91 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 069. 069. (FCC/TRT-22ª REGIÃO (PI)/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2022) Maiara, devidamente representada por advogado, move reclamação trabalhista contra a empresa Cosméticos & Afins Ltda., pleiteando o pagamento de diferenças de horas extras e plano de participação nos lucros e resultados. Proferida a sentença, a juíza do trabalho não apreciou o pedido da participação nos lucros, sendo que o advogado de Maiara interpôs embargos de declaração tempestivamente para sanar a omissão do julgado, por meio de assinatura digital, tendo em vista que o processo é eletrônico. Nesse caso, de acordo com a legislação federal vigente, a) suspende-se o prazo para a interposição do recurso ordinário no caso de serem julgados meramente protelatórios. b) suspende-se o prazo para a interposição do recurso ordinário. c) interrompe-se o prazo para a interposição do recurso ordinário. d) a contagem do prazo não é afetada para a interposição do recurso ordinário. e) interrompe-se o prazo para interposição do recurso ordinário, salvo se forem julgados improcedentes, quando Maiara perderá o prazo para interposição de seu recurso. 070. 070. (FCC/TRT-4ª REGIÃO (RS)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA/2022) A empresa Verdes Mares Comércio de Pescados Ltda. é ré em ação trabalhista, tendo sido condenada a pagar ao autor verbas rescisórias decorrentes da rescisão do contrato de trabalho, além de multa de 1% por litigância de má-fé. A empresa pretende recorrer desta decisão, entendendo injustificada a condenação. Nessa hipótese, conforme o que prevê a Consolidação das Leis do Trabalho e a jurisprudência sumulada do Tribunal Superior do Trabalho, caberá a) agravo de instrumento no prazo de 8 dias úteis em relação à multa por litigância de má- fé, e recurso ordinário no mesmo prazo, não sendo necessário o depósito da multa por litigância de má-fé para interposição do recurso. b) recurso ordinário no prazo de 8 dias corridos, devendo a empresa, além das custas processuais e depósito recursal, efetuar o depósito da multa por litigância de má-fé, sob pena de o recurso não ser admitido. c) agravo de instrumento no prazo de 8 dias corridos em relação à multa por litigância de má-fé, e recurso ordinário no mesmo prazo, não sendo necessário o depósito da multa por litigância de má-fé para interposição do recurso. d) recurso ordinário no prazo de 8 dias úteis, devendo a empresa, além das custas processuais e depósito recursal, efetuar o depósito da multa por litigância de má-fé, sob pena de o recurso não ser admitido. e) recurso ordinário no prazo de 8 dias úteis, devendo a empresa, arcar com as custas processuais e depósito recursal, não sendo pressuposto recursal o depósito da multa por litigância de má-fé. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 92 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos GABARITOGABARITO 1. b 2. E 3. C 4. d 5. b 6. a 7. c 8. a 9. d 10. b 11. d 12. c 13. b 14. d 15. a 16. c 17. a 18. a 19. b 20. c 21. b 22. a 23. a 24. c 25. d 26. c 27. c 28. a 29. a 30. d 31. c 32. d 33. e 34. b 35. C 36. E 37. E 38. E 39. E 40. C 41. E 42. b 43. b 44. a 45. E 46. E 47. E 48. E 49. E 50. C 51. E 52. C 53. a 54. d 55. C 56. E 57. E 58. C 59. E 60. E 61. C 62. a 63. a 64. b 65. d 66. e 67. e 68. e 69. c 70. e O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 93 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos GABARITO COMENTADOGABARITO COMENTADO 001. 001. (FCC/PREFEITURA DE TERESINA-PI/PROCURADOR DO MUNICÍPIO/2022) A empresa Troia Metalúrgica, após ter sido condenada em reclamação trabalhista por sentença de primeiro grau, decidiu recorrer para o Tribunal Regional. Entretanto, o recurso devido não foi processado pelo Juiz que proferiu a sentença, com a justificativa de que teria sido apresentado fora do prazo legal. Nesse caso, em relação ao despacho que denegou a interposição do recurso da empresa, caberá a) agravo de petição, no prazo de 08 dias. b) agravo de instrumento, no prazo de 08 dias. c) agravo de instrumento, no prazo de 05 dias. d) recurso ordinário, no prazo de 08 dias. e) o recurso de revista, no prazo de 15 dias. Trata-se de agravo de instrumento, cabível contra decisões que denegam seguimento a recursos (art. 897, “b”, CLT). Letra b. 002. 002. (CEBRASPE/FUNPRESP-EXE/ANALISTA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR - ÁREA JURÍDICA/2022) Acerca dos procedimentos nos dissídios individuais, julgue o item a seguir. Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, será admitida a interposição de recurso de revista somente por contrariedade a súmula de jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho e violação direta à Constituição Federal. Também é cabível recurso de revista, em procedimento sumaríssimo, por contrariedade a Súmula Vinculante (art. 896, § 9º, CLT). Errado. 003. 003. (CEBRASPE/FUNPRESP-EXE/ANALISTA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR - ÁREA JURÍDICA/2022) No tocante a execução trabalhista, julgue o item a seguir. Considere que, durante a execução definitiva, após a garantia do juízo, a executada tenha oposto embargos à execução por não concordar com os cálculos homologados, e que, decidindo os embargos, o juiz da execução deles os tenha conhecido e negado provimento. Nessa situação, o embargante poderá interpor recurso de agravo de petição no prazo de oito dias. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 94 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Trata-se da hipótese de cabimento clássica e típica do agravo de petição (art. 897, “a”, CLT). Certo. 004. 004. (VUNESP/PREFEITURA DE PRESIDENTE PRUDENTE-SP/PROCURADOR MUNICIPAL/2022) Em relação ao requisito de transcendência que deve ser identificado no Recurso de Revista, nos termos da CLT, é correto afirmar: a) os indicadores de transcendência de natureza econômica,política, social ou jurídica são taxativos. b) em relação ao recurso que o relator considerou não ter transcendência, o recorrente poderá realizar sustentação oral sobre a questão da transcendência, durante quinze minutos em sessão. c) os indicadores de transcendência de natureza econômica, política, social ou jurídica são cumulativos. d) poderá o relator, monocraticamente, denegar seguimento ao recurso de revista que não demonstrar transcendência, cabendo agravo desta decisão para o colegiado. e) quanto à transcendência social, o recorrente não poderá postular direito social já garantido pela Constituição Federal. a) Errada. Os indicadores das diversas espécies de transcendência são apenas exemplificativos, dado o comando “entre outros”, constante do § 1º do art. 896-A da CLT. b) Errada. O tempo da sustentação oral é de até cinco minutos (art. 896-A, § 3º, CLT. c) Errada. Não é necessário que todas as espécies de transcendência sejam demonstradas. Basta uma delas, apenas. d) Certa. É a regra literal do art. 896-A, § 2º, da CLT. e) Errada. A postulação de direito social constitucionalmente assegurado é, exatamente, o principal indicador de transcendência social. Letra d. 005. 005. (FCC/PREFEITURA DE CARUARU-PE/PROCURADOR DO MUNICÍPIO/2018) No tocante ao recurso de revista, considere: I – O relator do recurso de revista poderá denegar-lhe seguimento, em decisão monocrática, nas hipóteses de intempestividade, deserção, irregularidade de representação ou de ausência de qualquer outro pressuposto extrínseco ou intrínseco de admissibilidade. II – Nas causas sujeitas ao rito sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por violação direta da Constituição Federal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 95 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos III – O Tribunal Superior do Trabalho examinará previamente se a causa oferece transcendência com relação aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica, podendo, por decisão monocrática do ministro Relator, denegar seguimento se entender não configurada a transcendência. Está correto o que se afirma em: a) I, II e III. b) I e III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) III, apenas. I – Certo. Trata-se da literalidade do art. 896, § 14, da CLT. II – Errado. Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal (art. 896, § 9º, CLT). III – Certo. Poderá o relator, monocraticamente, denegar seguimento ao recurso de revista que não demonstrar transcendência, cabendo agravo desta decisão para o colegiado (art. 896-A, § 2º, CLT). Letra b. 006. 006. (FCC/TRT-15ª REGIÃO (SP)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Artur é empregado temporário da empresa Gestão de Negócios Ltda. e prestou serviços temporários para Abóbora com Coco Doces Ltda. como empacotador. Moveu ação trabalhista contra ambas as empresas pleiteando diferenças salariais e pagamento de Plano de Participação nos Lucros, as quais se defenderam por meio de advogados distintos. A Reclamação foi julgada procedente, condenando a Gestão de Negócios Ltda. ao pagamento dos pedidos e a Abóbora com Coco Doces Ltda. de forma subsidiária, por ser a tomadora dos serviços temporários. Ambas pretendem ingressar com recurso ordinário, sendo que a empregadora temporária se insurgirá contra a condenação e a tomadora de serviços pedira sua exclusão da lide, por não ter sido a empregadora de Artur. O prazo, contado da intimação da sentença e não sendo interpostos Embargos de Declaração, será: a) 8 dias úteis para ambas as reclamadas. b) 16 dias úteis para ambas as reclamadas, pelo litisconsórcio passivo, independentemente de possuírem advogados distintos. c) os primeiros 8 dias para Gestão de Negócios Ltda. e os 8 dias subsequentes para a Abóbora com Coco Doces Ltda. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 96 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos d) os primeiros 8 dias para a Abóbora com Coco Doces Ltda. e os 8 dias subsequentes para Gestão de Negócios Ltda., tendo em vista que a matéria se trata de exclusão da lide. e) 16 dias úteis para ambas as reclamadas, uma vez que possuem advogados distintos, única hipótese em que é permitida a dobra do prazo processual. A banca procurou inserir informações variadas, apenas com o fim de aumentar o custo de processamento mental da questão. O prazo recursal não se relaciona com a matéria que a parte pretenda alegar no recurso. Ademais, era importante conhecer a regra de que, no processo do trabalho, não se aplica a dobra do prazo nos processos com diversos reclamados assistidos por diferentes advogados (OJ 310 da SDI-I do TST). Como a questão não envolve a temática do depósito recursal, não tinha relevância o fato de uma das reclamadas postular a exclusão da lide. Letra a. 007. 007. (FCC/TRT-2ª REGIÃO (SP)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA/2018) No tocante ao Recurso de Revista, considere: I – O Tribunal Superior do Trabalho examinará previamente se a causa oferece transcendência com relação aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica. II – São indicadores de transcendência econômica somente o elevado valor da causa e o proveito econômico advindo ao reclamante. III – Poderá o relator, monocraticamente, denegar seguimento ao recurso de revista que não demonstrar transcendência, cabendo agravo desta decisão para o colegiado. Está correto o que se afirma APENAS em a) II e III. b) I e II. c) I e III. d) I. e) II. I – Certo. É o disposto no art. 896-A, caput, da CLT. II – Errado. Um indicador de transcendência econômica é o elevado valor da causa (art. 896-A, § 1º, I, CLT). No entanto, os indicadores de transcendência são exemplificativos (art. 896-A, § 1º, CLT). III – Certo. É a regra literal do art. 896-A, § 2º, da CLT. Letra c. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 97 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 008. 008. (FCC/TRT-2ª REGIÃO (SP)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Considere as seguintes decisões interlocutórias proferidas em reclamações trabalhistas: I – Decisão interlocutória de Tribunal Regional do Trabalho contrária à Súmula ou Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho. II – Decisão interlocutória que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado. De acordo com o entendimento Sumulado do Tribunal Superior do Trabalho, a) ambas as decisões, apesar de interlocutórias, ensejam recurso imediato. b) nenhuma das decisões enseja recurso imediato em razão do princípio da irrecorribilidade das decisões interlocutórias vigente no Direito Processual do Trabalho. c) somente a decisão interlocutória descrita no item “I” enseja recurso imediato.d) somente a decisão interlocutória descrita no item “II” enseja recurso imediato. e) as referidas decisões interlocutórias somente ensejariam recurso imediato se proferidas em reclamações trabalhistas em que uma das partes é Sindicato. São duas das hipóteses constantes da Súmula 214 do TST, que apresenta hipóteses excepcionais em que decisões interlocutórias são impugnáveis de imediato por recurso. Letra a. 009. 009. (FCC/TRT-2ª REGIÃO (SP)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Considere as seguintes hipóteses: I – Recurso de revista com fundamento em violação literal a dispositivo da Constituição Federal. II – Recurso de revista com fundamento em contrariedade à Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. III – Recurso de revista com fundamento em contrariedade à Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho. De acordo com o entendimento Sumulado do Tribunal Superior do Trabalho, nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo será admissível o recurso de revista nas hipóteses indicadas em a) I, apenas. b) I, II e III. c) II e III, apenas. d) I e II, apenas. e) I e III, apenas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 98 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos De acordo com o art. 896, § 9º, Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal. Ademais, conforme a Súmula 442 do TST, a OJ do TST não pode ser invocada como fundamento para o recurso de revista no procedimento sumaríssimo. Letra d. 010. 010. (FCC/TRT-6ª REGIÃO (PE)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Diana ajuizou reclamação trabalhista requerendo o pagamento de horas extras sonegadas por sua empregadora Empresa Delta Confecções. A sentença julgou procedente seu pedido. Inconformada com a decisão de primeiro grau, a reclamada resolveu recorrer. Entretanto, não efetuou o depósito recursal e não recolheu as custas processuais devidas, razão pela qual, por falta de preparo, o seu recurso não obteve processamento. Nesta situação, o recurso cabível para a reclamada é a) embargos declaratórios, em 5 dias. b) agravo de instrumento, em 8 dias. c) agravo de petição, em 8 dias. d) recurso ordinário, em 15 dias. e) agravo de instrumento, em 5 dias. Trata-se de agravo de instrumento, cabível contra decisões que denegam seguimento a recursos (art. 897, “b”, CLT). Letra b. 011. 011. (FCC/PGE-TO/PROCURADOR DO ESTADO/2018) Quanto aos recursos no Processo Judiciário do Trabalho, conforme normas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho: a) O agravo de instrumento interposto contra o despacho que não receber agravo de petição suspende a execução da sentença até o seu julgamento. b) A interposição de recurso para o Supremo Tribunal Federal prejudicará a execução do julgado trabalhista. c) No Tribunal Superior do Trabalho cabem embargos, no prazo de cinco dias, das decisões das Turmas que divergirem entre si. d) O agravo de petição só será recebido quando o agravante delimitar, justificadamente, as matérias e os valores impugnados, permitida a execução imediata da parte remanescente até o final, nos próprios autos ou por carta de sentença. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 99 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos e) Das decisões proferidas pelos Tribunais Regionais do Trabalho em execução de sentença, inclusive em processo incidente de embargos de terceiro, não caberá Recurso de Revista, mesmo na hipótese de ofensa direta e literal de norma da Constituição Federal. a) Errada. O agravo de instrumento interposto contra o despacho que não receber agravo de petição não suspende a execução da sentença (art. 897, § 2º, CLT). b) Errada. A interposição de recurso para o Supremo Tribunal Federal não prejudicará a execução do julgado (art. 893, § 2º, CLT). c) Errada. O prazo dos embargos à SDI é de oito dias (art. 894, caput, CLT). d) Certa. Trata-se da regra literal do art. 897, § 1º, da CLT. e) Errada. Em caso de violação direta à Constituição Federal, o recurso de revista será cabível em fase de execução (art. 896, § 2º, CLT). Letra d. 012. 012. (FCC/TST/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2017) O artigo 893 da CLT estabelece o cabimento do recurso de revista dentre os recursos em espécie admitidos no processo do trabalho. Com base na Consolidação das Leis do Trabalho e nas Súmulas e Orientações Jurisprudenciais do TST, conclui-se: a) É cabível recurso de revista adesivo no procedimento sumaríssimo, desde que a matéria nele veiculada esteja relacionada com a do recurso interposto pela parte contrária. b) No procedimento sumaríssimo, a parte recorrente, para admissibilidade do recurso de revista, deverá demonstrar a violação direta a dispositivo da Lei Federal ou contrariedade a Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. c) Não se admite recurso de revista fundado tão somente em divergência jurisprudencial, se a parte não comprovar que a lei estadual, a norma coletiva ou o regulamento da empresa extrapolam o âmbito do TRT prolator da decisão recorrida. d) No procedimento ordinário, é cabível, como regra geral, recurso de revista calcado em divergência jurisprudencial de aresto oriundo do mesmo Tribunal Regional do Trabalho. e) A admissibilidade do recurso de revista interposto de acórdão proferido em agravo de petição, na liquidação de sentença, depende de demonstração inequívoca de ofensa direta à lei federal. a) Errada. O trecho final da Súmula 283 do TST é claro ao afirmar que é “desnecessário que a matéria nele veiculada esteja relacionada com a do recurso interposto pela parte contrária”. O rito do processo, se ordinário ou sumaríssimo, não tem relevância para a definição dos critérios para a interposição de recurso adesivo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 100 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos b) Errada. De acordo com o art. 896, § 9º, Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal. c) Certa. Trata-se do entendimento consolidado na OJ 147 da SDI-I do TST. d) Errada. A divergência jurisprudencial sustentada em recurso de revista deve envolver acórdãos de diferentes TRTs, ou um acórdão do TRT e outro da SDI-I do TST. e) Errada. Em fase de execução, apenas a violação à Constituição Federal possibilita o cabimento de recurso de revista (art. 896, § 2º, CLT). Ademais, a alternativa troca “execução” por “liquidação”. Letra c. 013. 013. (FGV/OAB/2019) Francisco trabalhou em favor de uma empresa em Goiânia/GO. Após ser dispensado, mudou-se para São Paulo e neste Estado ajuizou reclamação trabalhista contra o ex-empregador. Este, após citado em Goiânia/GO, apresentou petição de exceçãode incompetência territorial logo no segundo dia. Em razão disso, o juiz suspendeu o processo e conferiu vista ao excepto. Em seguida, proferiu decisão acolhendo a exceção e determinando a remessa dos autos ao juízo distribuidor de Goiânia/GO, local onde os serviços de Francisco foram prestados e que, no entendimento do magistrado, seria o juízo competente para julgar a reclamação trabalhista. Diante da situação retratada e do entendimento consolidado do TST, assinale a afirmativa correta. a) O reclamante nada poderá fazer por se tratar de decisão interlocutória. b) Francisco poderá interpor de imediato Recurso Ordinário no prazo de 8 dias. c) Sendo as decisões interlocutórias irrecorríveis, Pedro deverá impetrar Mandado de Segurança. d) O recurso cabível para tentar reverter a decisão é o Agravo de Petição. O caso narrado pelo enunciado enquadra-se em uma das hipóteses excepcionais em que a decisão interlocutória pode ser objeto de recurso imediato. No caso, é o Recurso Ordinário ao TRT, porque a decisão foi proferida pelo juiz da Vara. A referida hipótese está na Súmula 214, item c, do TST: JURISPRUDÊNCIA Na Justiça do Trabalho, nos termos do art. 893, § 1º, da CLT, as decisões interlocutórias não ensejam recurso imediato, salvo nas hipóteses de decisão (...) que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, da CLT. Letra b. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 101 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 014. 014. (FGV/OAB/2019) No curso de uma ação trabalhista que se encontra em fase de execução de sentença, a executada, citada para pagar e garantir o juízo, apresentou exceção de pré-executividade almejando a nulidade de todos os atos, uma vez que não havia sido regularmente citada. Após regular trâmite, o juiz julgou procedente a exceção de pré-executividade e anulou todos os atos processuais praticados desde a citação, concedendo ainda prazo para a reclamada contestar a reclamação trabalhista. Sobre a hipótese, assinale a opção que indica o recurso cabível, a ser manejado pelo exequente, contra a decisão da exceção de pré-executividade. a) Apelação. b) Recurso Ordinário. c) Agravo de Instrumento. d) Agravo de Petição. O juiz julgou a exceção de pré-executividade na fase de execução, e contra decisões do juiz na fase de execução, em primeiro grau, cabe Agravo de Petição (art. 897, a, CLT). Letra d. 015. 015. (FGV/OAB/2019) Prolatada a sentença em uma reclamação trabalhista, o autor opõe embargos de declaração no 3º dia contado da publicação e afirma que existe erro material no julgado, pois o número do processo encontra-se equivocado, assim como o nome das partes. Diante da situação retratada e dos termos da CLT, assinale a afirmativa correta. a) O juiz não precisará dar vista dos embargos à parte contrária, diante da natureza do erro. b) A Lei é omissa a respeito, daí porque o juiz usará da equidade para ver se é o caso de conferir vista à parte adversa. c) Havendo, no caso em exame, possibilidade de efeito modificativo do julgado, a parte contrária poderá se manifestar em 8 dias. d) Independentemente do recurso e seu efeito perante o julgado, é direito da parte contrária se manifestar sobre os embargos em 10 dias. De acordo com o art. 897-A, § 1º, da CLT, o erro material pode ser corrigido a requerimento das partes, por simples petição, ou inclusive de ofício pelo juiz. Portanto, a alegação de erro material não precisa ocorrer necessariamente mediante embargos de declaração. No caso do enunciado, a parte usou, mesmo assim, os ED para suprir o erro material. Já que o juiz pode, inclusive, sanar o erro material de ofício, não há que se falar em necessidade de manifestação da parte contrária sobre o erro material, porque desde o princípio tal erro poderia ser corrigido de ofício, sem manifestação de ninguém. Letra a. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 102 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 016. 016. (FGV/OAB/2018) Em uma reclamação trabalhista, o autor afirmou ter sido vítima de discriminação estética, pois fora dispensado pelo ex-empregador por não ter querido raspar o próprio bigode. Requereu, na petição inicial, tutela de urgência para ser imediatamente reintegrado em razão de prática discriminatória. O juiz, não convencido da tese de discriminação, indeferiu a tutela de urgência e determinou a designação de audiência, com a respectiva citação. Como advogado(a) do autor, assinale a opção que contém, de acordo com a Lei e o entendimento consolidado do TST, a medida judicial a ser manejada para reverter a situação e conseguir a tutela de urgência desejada. a) Interpor recurso ordinário seguido de medida cautelar b) Nada poderá ser feito, por tratar-se de decisão interlocutória, que é irrecorrível na Justiça do Trabalho. c) Impetrar mandado de segurança. d) Interpor agravo de instrumento. Quando não existir recurso cabível, poderá ser impetrado Mandado de Segurança, desde que preenchidos os requisitos especiais desse remédio. Ademais, aplica-se à hipótese a Súmula 414, item II, do TST: “ JURISPRUDÊNCIA No caso de a tutela provisória haver sido concedida ou indeferida antes da sentença, cabe mandado de segurança, em face da inexistência de recurso próprio. Letra c. 017. 017. (FGV/OAB/2018) Em determinada Vara do Trabalho foi prolatada uma sentença que, após publicada, não foi objeto de recurso por nenhum dos litigantes. Quinze meses depois, uma das partes ajuizou ação rescisória perante o Tribunal Regional do Trabalho local, tendo o acórdão julgado improcedente o pedido da rescisória. Ainda inconformada, a parte deseja que o TST aprecie a demanda. Assinale a opção que indica, na hipótese, o recurso cabível para o Tribunal Superior do Trabalho. a) Recurso Ordinário. b) Recurso de Revista. c) Recurso Especial. d) Agravo de Instrumento. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 103 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Você viu que o julgamento da ação rescisória ajuizada para desconstituir sentença de primeiro grau é de competência do TRT, originariamente. Logo, do acórdão do TRT proferido em tal ação, cabe RO ao TST (art. 895, inciso II, CLT). Letra a. 018. 018. (FGV/OAB/2017) Contra ato de Juiz do Trabalho que determinou a antecipação de honorários periciais do seu cliente, mesmo não tendo ele condições financeiras para arcar com esse custo, você, na defesa dos interesses do cliente, impetrou mandado de segurança contra o ato judicial, mas, por unanimidade, não teve a segurança concedida. De acordo com a CLT, assinale a opção que indica o procedimento a ser adotado para tentar reverter a decisão. a) Interpor Recurso Ordinário para o TST. b) Interpor Agravo de Instrumento para o STF. c) Interpor Agravo Interno para o próprio TRT. d) Nada mais pode ser feito, porque se trata de decisão irrecorrível. O julgamento de mandado de segurança impetrado contra ato de juiz dotrabalho compete ao TRT, originariamente. Logo, do acórdão do TRT proferido no mandado de segurança, cabe RO ao TST (art. 895, inciso II, CLT). Letra a. 019. 019. (FGV/OAB/2017) Em reclamação trabalhista que se encontra na fase de execução, o executado apresentou exceção de pré- executividade. Após ser conferida vista à parte contrária, o juiz julgou-a procedente e reconheceu a nulidade da citação e de todos os atos subsequentes, determinando nova citação para que o réu pudesse contestar a demanda. Considerando essa situação e o que dispõe a CLT, assinale a opção que indica o recurso que o exequente deverá apresentar para tentar reverter a decisão. a) Apelação. b) Agravo de Petição. c) Recurso de Revista. d) Recurso Ordinário. Veja como as questões se repetem. O juiz julgou a exceção de pré-executividade na fase de execução, e contra decisões do juiz na fase de execução, em primeiro grau, cabe Agravo de Petição (art. 897, a, CLT). Letra b. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 104 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 020. 020. (FGV/OAB/2016) Em reclamação trabalhista o juiz atende ao pedido expresso do autor na petição inicial e, de plano, defere tutela de urgência para que a empresa entregue ao trabalhador o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) e, com isso, ele possa requerer aposentadoria especial junto ao INSS. Intimada da decisão, a empresa o contrata para tentar impedir o efeito da tutela de urgência deferida, pois teme que os demais empregados sigam o mesmo destino, especialmente porque ela não reconhece que haja condição desfavorável no ambiente de trabalho. De acordo com o entendimento consolidado do TST, assinale a opção que apresenta a medida a ser adotada. a) Interpor agravo de instrumento. b) Opor embargos declaratórios. c) Impetrar mandado de segurança. d) Interpor recurso ordinário. Quando não existir recurso cabível, poderá ser impetrado Mandado de Segurança, desde que preenchidos os requisitos especiais desse remédio. Ademais, aplica-se à hipótese a Súmula 414, item II, do TST: JURISPRUDÊNCIA No caso de a tutela provisória haver sido concedida ou indeferida antes da sentença, cabe mandado de segurança, em face da inexistência de recurso próprio. Letra c. 021. 021. (FGV/OAB/2012) Carlos José Pereira teve julgados procedentes os pedidos de equiparação salarial e de pagamento das diferenças salariais daí decorrentes. Iniciada a execução provisória, Carlos apresentou seus cálculos de liquidação, requerendo a sua homologação. O juiz, contudo, abriu prazo para que a parte contrária se manifestasse sobre os cálculos. Feito o contraditório, o juiz acabou por homologar os cálculos apresentados pela demandada e, com base nesse valor, expediu o mandado de citação, penhora e avaliação. Vinte e quatro horas após a expedição, o executado garantiu o juízo e requereu a expedição de alvará para o exequente, com a consequente extinção da execução. O juiz indeferiu o requerimento do executado, sob o argumento de que deveria aguardar o decurso de cinco dias a contar da garantia efetuada. Passados os cinco dias, o juiz julgou extinta a execução pelo cumprimento da obrigação e determinou a expedição de alvará em favor do exequente, intimando-o dessa decisão. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 105 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Com base na situação acima descrita, é correto afirmar que o exequente tem o direito de interpor a) apelação no prazo de 15 dias, uma vez que não foi intimado da garantia do juízo e, portanto, não lhe foi dada a oportunidade de impugnar a sentença de homologação dos cálculos. b) agravo de petição no prazo de 8 dias, uma vez que não foi intimado da garantia do juízo e, portanto, não lhe foi dada a oportunidade de impugnar a sentença de homologação dos cálculos. c) recurso ordinário no prazo de 8 dias, uma vez que não foi intimado da garantia do juízo e, portanto, não lhe foi dada a oportunidade de impugnar a sentença de homologação dos cálculos. d) agravo de instrumento no prazo de 10 dias, uma vez que não foi intimado da garantia do juízo e, portanto, não lhe foi dada a oportunidade de impugnar a sentença de homologação dos cálculos. O enunciado esclarece que, embora o reclamante tenha apresentado seus cálculos, o juiz optou por homologar os cálculos da reclamada, sem dar prazo ao reclamante para que se manifestasse sobre estes. Chegamos a estudar esse ponto na primeira aula sobre a Execução Trabalhista, que está na mesma aula da Liquidação. Se o juiz não der prazo para manifestação aos cálculos na fase de liquidação, a impugnação aos cálculos ocorrerá na execução, no mesmo prazo dos embargos à execução. Portanto, o exequente poderá interpor Agravo de Petição alegando nulidade na decisão judicial, que não oportunizou sua manifestação sobre os cálculos homologados (art. 897, a, CLT). Letra b. 022. 022. (FGV/OAB/2015) No bojo de uma execução trabalhista, a sociedade empresária executada apresentou uma exceção de pré-executividade, alegando não ter sido citada para a fase de conhecimento. Em razão disso, requereu a nulidade de todo o processo, desde a citação inicial. O juiz conferiu vista à parte contrária para manifestação e, em seguida, determinou a conclusão dos autos. Após analisar as razões da parte e as provas produzidas, convenceu- se de que a alegação da sociedade empresária era correta e, assim, anulou todo o feito desde o início. Diante desse quadro, assinale a afirmativa correta. a) Contra essa decisão caberá agravo de petição. b) Trata-se de decisão interlocutória e, portanto, não passível de recurso imediato. c) Caberá a interposição de recurso ordinário. d) Caberá a interposição de agravo de instrumento. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 106 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos O juiz julgou a exceção de pré-executividade na fase de execução, e contra decisões do juiz na fase de execução, em primeiro grau, cabe Agravo de Petição (art. 897, a, CLT). Letra a. 023. 023. (FGV/OAB/2014/ATUALIZADA) Em ação que tramitou sob o procedimento sumaríssimo, o juiz decidiu determinado pedido de forma contrária ao disposto em orientação jurisprudencial do TST. Em sede de recurso ordinário, com o mesmo fundamento, o TRT manteve a decisão de primeiro grau. Diante disso, a parte entendeu por bem interpor recurso de revista. A partir do caso apresentado, assinale a opção correta. a) O recurso de revista não deverá ser admitido, pois o fundamento da decisão não é contrário à Constituição Federal, à Súmula Vinculante do STF ou à Súmula do TST. b) É cabível o recurso, pois a decisão é contrária ao entendimento do TST. c) O recurso de revista é incabível no procedimento sumaríssimo. Logo, não deverá ser admitido. d) Deverá ser admitido o recurso de revista, em razão do princípio do duplo grau de jurisdição obrigatório. De acordo com o art. 896, § 9º, Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por contrariedadea súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal. Ademais, conforme a Súmula 442 do TST, a OJ do TST não pode ser invocada como fundamento para o recurso de revista no procedimento sumaríssimo. Letra a. 024. 024. (CESPE/OAB/2008) Alfredo, advogado da empresa Casa Nova, apresentou recurso de revista contra acórdão do tribunal regional do trabalho (TRT) que teria sido desfavorável à empresa. Nos fundamentos do recurso, Alfredo argumentou que o depoimento da única testemunha apresentada pelo reclamante não havia comprovado o direito alegado na inicial e que, portanto, a sentença de 1º grau, confirmada no TRT, deveria ser reformada. Considerando a situação hipotética acima, assinale a opção correta. a) O recurso de revista deve ser conhecido e provido pelo TST, já que a prova apresentada pelo reclamante no processo não foi suficiente para comprovar o seu direito. b) O advogado da empresa deveria ter interposto, juntamente com o recurso de revista, o recurso extraordinário para o STF. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 107 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos c) Não é cabível a interposição de recurso de revista para reexame de fatos e provas. d) Como a sentença de 1º grau foi confirmada pelo TRT, não seria cabível a interposição de qualquer recurso para o TST. De acordo com a Súmula 126 do TST, é “incabível o recurso de revista ou de embargos (arts. 896 e 894, “b”, da CLT) para reexame de fatos e provas”. Portanto, eventual acerto ou não da aferição dos julgamentos anteriores da força probatória do depoimento não pode ser discutido em grau de RR. Letra c. 025. 025. (FGV/OAB/2013) Uma reclamação trabalhista é ajuizada em São Paulo (TRT da 2ª Região) e, na audiência designada, a reclamada apresenta resposta escrita sob a forma de contestação e exceção de incompetência relativa em razão do lugar, pois o autor sempre trabalhara em Minas Gerais, que na sua ótica deve ser o local onde tramitará o feito. Após conferida vista ao exceto, na forma do Art. 800, da CLT, e confirmada a prestação dos serviços na outra localidade, o juiz acolhe a exceção e determina a remessa dos autos à capital mineira (MG – TRT da 3ª Região). Dessa decisão, de acordo com o entendimento do TST, e independentemente do seu mérito, a) cabe de imediato recurso de agravo de instrumento para o TRT de São Paulo, por tratar- se de decisão interlocutória. b) nada há a fazer, pois das decisões interlocutórias, na Justiça do Trabalho, não é possível recurso imediato. c) compete à parte deixar consignado o seu protesto e renovar o inconformismo no recurso ordinário que for interposto após a sentença que será proferida em Minas Gerais. d) cabe de imediato a interposição de recurso ordinário para o TRT de São Paulo. O caso narrado pelo enunciado enquadra-se em uma das hipóteses excepcionais em que a decisão interlocutória pode ser objeto de recurso imediato. No caso, é o Recurso Ordinário ao TRT, porque a decisão foi proferida pelo juiz da Vara. A referida hipótese está na Súmula 214, item c, do TST: JURISPRUDÊNCIA Na Justiça do Trabalho, nos termos do art. 893, § 1º, da CLT, as decisões interlocutórias não ensejam recurso imediato, salvo nas hipóteses de decisão (...) que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, da CLT. Letra d. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 108 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 026. 026. (CESPE/OAB/2007) No que diz respeito ao recurso de revista, assinale a opção correta. a) O prazo para a interposição do recurso, em razão de sua natureza extraordinária, é de 15 dias. b) Nas razões do recurso de revista, é vedada a discussão a respeito de afronta direta e literal à Constituição Federal, já que tal matéria cabe apenas a análise do STF. c) Não cabe recurso de revista para discutir interpretação de cláusula de contrato de trabalho. d) Em sede de recurso de revista, não é cabível nenhum tipo de depósito recursal. a) Errada. O prazo é de 8 dias. A natureza ordinária do RR não se confunde com o “recurso extraordinário” dirigido ao STF. b) Errada. A afronta direta e literal à CF é justamente uma das hipóteses de cabimento do RR (art. 896, alínea c, CLT). c) Certa. Dentre as hipóteses de cabimento do RR previstas nas alíneas do art. 896 da CLT, não consta como parâmetro o contrato individual de trabalho. d) Errada. É devido, sim, depósito recursal no RR. Aprofundamos nesse tema na primeira aula sobre Recursos. Letra c. 027. 027. (FEPESE/PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS-SC/PROCURADOR MUNICIPAL/2022) De acordo com o processo do trabalho, assinale a alternativa que indica corretamente hipóteses de cabimento do recurso ordinário em razão de decisão proferida por Tribunal Regional do Trabalho em matéria de competência originaria. a) Decisão definitiva das varas do trabalho. b) Decisão terminativa proferida pelos órgãos colegiados em sede de cumprimento de sentença. c) Decisão terminativa proferida em ação rescisória ou em mandado de segurança. d) Decisão não terminativa cujo objetivo seja analisar, exclusivamente, questão processual. e) Decisão não definitiva proferida em dissídio coletivo para o reexame de matéria de fato ou de prova. Um acórdão do TRT somente pode ser objeto de recurso à instância superior quando tiver apreciado definitivamente a controvérsia (decisão definitiva), ou tiver causado a extinção do processo (decisão terminativa). Ademais, para que o recurso cabível seja o recurso ordinário (RO), deve o processo ser de competência originária do TRT. Dentre as alternativas, apenas a “c” apresenta processos dessa condição. A letra “b” fala em cumprimento de sentença, cuja discussão, em TRTs, ocorre apenas em sede de agravo de petição, e não de forma originária. Letra c. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 109 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 028. 028. (CESPE/OAB/2008) O prazo para a oposição de embargos de declaração, no processo do trabalho, é de a) 5 dias. b) 8 dias. c) 10 dias. d) 15 dias. É de 5 dias, conforme o art. 897-A da CLT. Aliás, os ED correspondem ao único recurso trabalhista com prazo diferente de oito dias. Letra a. 029. 029. (FGV/TRT-12ª REGIÃO (SC)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2017) Armando ajuizou ação trabalhista em face do Município de Sucupira, postulando o pagamento de verbas decorrentes da ruptura imotivada de seu contrato de trabalho. A sentença julgou procedente a pretensão. A decisão submeteu-se à remessa obrigatória em duplo grau de jurisdição, sem a interposição de recurso ordinário voluntário pelas partes. O Tribunal Regional do Trabalho manteve a sentença. À luz da jurisprudência do TST, é correto afirmar que: a) é incabível a interposição de recurso de revista pelo Município para impugnar a decisãoproferida pelo TRT; b) é cabível a interposição de recurso ordinário pelo Município para impugnar a decisão proferida pelo TRT; c) é cabível a interposição de agravo de petição pelo Município para impugnar a decisão proferida pelo TRT; d) é cabível a interposição de agravo de instrumento pelo Município para impugnar a decisão proferida pelo TRT; e) ainda que tivesse sido agravada, na segunda instância, a condenação imposta ao Município, não seria cabível a interposição de recurso de revista pelo ente público para impugnar a decisão proferida pelo TRT. Nos termos da OJ 334 do TST, é “incabível recurso de revista de ente público que não interpôs recurso ordinário voluntário da decisão de primeira instância, ressalvada a hipótese de ter sido agravada, na segunda instância, a condenação imposta”. Como o TRT manteve a sentença, não houve agravamento da condenação imposta. Logo, não cabe RR. Letra a. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 110 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 030. 030. (FUNDATEC/CEASA-RS/ANALISTA - ADVOGADO/2022) No processo do trabalho, o recurso de agravo de instrumento: a) Não possui previsão normativa. b) Pode ser interposto em relação às decisões interlocutórias em geral desde que proferidas em audiência. c) É cabível para atacar sentença sem julgamento do mérito. d) É cabível frente à decisão de não recebimento do agravo de petição. e) É cabível em relação à decisão que indefere a petição inicial. Diferentemente do que se vê em direito processual civil, o agravo de instrumento, no processo do trabalho, serve ao desbloqueio de recursos cujo seguimento tenha sido denegado. A letra “d” é a única que apresenta hipótese de recurso denegado na origem. Letra d. 031. 031. (FGV/TRT-12ª REGIÃO (SC)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2017) Márcia ajuizou ação trabalhista em face da empresa Maravilha S.A., com pedido liminar, postulando sua imediata reintegração no emprego, por ter sido dispensada grávida. O juiz indeferiu o pedido liminar, mas concedeu a tutela de urgência quando da prolação da sentença, determinando sua imediata reintegração. À luz da jurisprudência uniforme do TST, é correto afirmar que a tutela provisória concedida na sentença: a) pode ser impugnada por recurso ordinário, sem possibilidade de obtenção de efeito suspensivo. b) não pode ser impugnada porque havia sido originalmente indeferida. c) pode ser impugnada por recurso ordinário, com possibilidade de obtenção de efeito suspensivo mediante requerimento dirigido ao tribunal, ao relator, presidente ou vice- presidente do tribunal recorrido. d) pode ser impugnada por mandado de segurança. e) pode ser impugnada por exceção de pré-executividade, evitando-se que opere efeitos imediatos. Verifique que a tutela provisória, nesse contexto, foi concedida já na sentença, e da sentença cabe RO. Se fosse caso de tutela provisória concedida antes da sentença, poderia ser impetrado mandado de segurança, por inexistir recurso próprio (Súmula 414, item II, TST). Conforme a Súmula 414, item I, do TST, O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 111 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos JURISPRUDÊNCIA A tutela provisória concedida na sentença não comporta impugnação pela via do mandado de segurança, por ser impugnável mediante recurso ordinário. É admissível a obtenção de efeito suspensivo ao recurso ordinário mediante requerimento dirigido ao tribunal, ao relator ou ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, por aplicação subsidiária ao processo do trabalho do artigo 1.029, § 5º, do CPC de 2015. Letra c. 032. 032. (FGV/CODEBA/ANALISTA PORTUÁRIO - ADVOGADO/2016) O recurso de revista é de natureza extraordinária, cabível em face de acórdãos proferidos pelos Tribunais Regionais do Trabalho, tendo por objetivo uniformizar a interpretação das legislações estadual, federal e constitucional no âmbito da competência da Justiça do Trabalho. Trata-se de recurso com pressupostos rígidos de conhecimento, não se destinando à apreciação de fatos e provas. Acerca da sistemática do recurso de revista e de acordo com a CLT e o entendimento consolidado do TST, assinale a afirmativa correta. a) A parte pode ser valer do jus postulandi na interposição do recurso de revista, ciente de que arcará com os efeitos danosos caso não consiga cumprir os requisitos técnicos. b) No procedimento sumaríssimo cabe recurso de revista por violação de Súmula ou OJ do TST, à Súmula vinculante do STF e por violação direta da CRFB/88. c) Cabe recurso de revista em face dos acórdãos prolatados em dissídio coletivo pelos Tribunais Regionais do Trabalho, no prazo de 8 dias, contados em dobro se a parte for a Fazendo Pública. d) Na fase executória cabe recurso de revista por violação à lei federal, por divergência jurisprudencial e por ofensa à CRFB/88 nas execuções fiscais e nas controvérsias que envolvam a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas. e) Na Justiça do Trabalho o juízo de admissibilidade primário do recurso de revista é feito pelo Relator do acórdão no TRT, que aprecia apenas os pressupostos processuais extrínsecos e intrínsecos. a) Errada. Como estudamos em outras aulas, o jus postulandi das partes NÃO alcança o recurso de revista, devendo as partes, nessa instância, serem assistidas por advogado. b) Errada. De acordo com o art. 896, § 9º, Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 112 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Ademais, conforme a Súmula 442 do TST, a OJ do TST não pode ser invocada como fundamento para o recurso de revista no procedimento sumaríssimo. c) Errada. Recursos de revista só existem em processos de dissídios individuais, para impugnar acórdãos de TRTs proferidos em grau de RO. d) Certa. É a regra do art. 896, § 10º, da CLT. e) Errada. Na verdade, o primeiro juízo de admissibilidade é feito pelo Presidente ou Vice do TRT (art. 896, § 1º, CLT). Letra d. 033. 033. (FGV/CODEBA/ANALISTA PORTUÁRIO - ADVOGADO/2016) No decorrer de uma causa trabalhista que se encontra na fase executória, e sem que o juízo fosse garantido, o executado apresenta exceção de pré-executividade, ventilando três matérias de ordem pública. Duas dessas matérias são rejeitadas, mas uma delas (a tese de nulidade de citação) é acolhida, sendo então julgada procedente, em parte a exceção. Sobre a situação retratada e a sistemática recursal trabalhista, assinale a afirmativa correta. a) A situação problema está equivocada, uma vez que está pacificado que não cabe exceção de pré-executividade na Justiça do Trabalho. b) Caberá recurso ordinário para atacar a parte que pôs fim ao processo. c) Em razão do princípio da celeridade, não caberá qualquer recurso da decisão de exceção depré-executividade narrada. d) Da decisão citada, a parte inconformada poderá de imediato ajuizar embargos de devedor. e) Na situação retratada, caberá a interposição de recurso de agravo de petição. Veja como as questões se repetem, de novo! O juiz julgou a exceção de pré-executividade na fase de execução, e contra decisões do juiz na fase de execução, em primeiro grau, cabe Agravo de Petição (art. 897, a, CLT). Letra e. 034. 034. (FCC/PGE-GO/PROCURADOR DO ESTADO SUBSTITUTO/2021) Isis ajuizou uma reclamatória trabalhista em face da empresa Nuvens Esparsas na Vara do Trabalho do município de Catalão-GO. A reclamada apresentou exceção de incompetência em razão do local. Após oitiva da parte excepta a exceção foi acolhida com a decisão judicial de remessa dos autos para a comarca de Brasília-DF. Para reverter a referida decisão judicial, cabe à reclamante excepta a) ajuizar Mandado de Segurança, por se tratar de decisão interlocutória que não comporta recurso imediato no Processo do Trabalho. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 113 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos b) interpor recurso ordinário no prazo de 8 dias para ser analisado pelo TRT. c) interpor agravo de instrumento no prazo de 5 dias para ser apreciado pelo TRT. d) apresentar reclamação correcional por ato tumultuário ao andamento processual, no prazo de 5 dias. e) opor embargos de declaração para o Juiz de Catalão requerendo o efeito modificativo, no prazo de 8 dias. Lembre-se: quando existe recurso cabível contra o ato judicial, não cabe mandado de segurança, dada a característica da subsidiariedade. No caso, como a decisão foi terminativa do feito e remeteu os autos a Tribunal distinto, cabia recurso ordinário, mesmo que a decisão tenha natureza interlocutória (Súmula 214, III, TST). Nessas questões, as bancas frequentemente envolvem o candidato no raciocínio do cabimento do mandado de segurança. Letra b. 035. 035. (CESPE/MPU/ANALISTA DO MPU – DIREITO/2018) Acerca de procedimentos nos dissídios individuais e coletivos e de recursos no processo trabalhista, julgue o próximo item, à luz da CLT e da jurisprudência dos tribunais superiores. O relator do recurso de revista poderá, por decisão monocrática, denegar seguimento ao recurso com irregularidade de representação. Conforme o art. 896, § 14º, O relator do recurso de revista poderá denegar-lhe seguimento, em decisão monocrática, nas hipóteses de intempestividade, deserção, irregularidade de representação ou de ausência de qualquer outro pressuposto extrínseco ou intrínseco de admissibilidade. Certo. 036. 036. (CESPE/DPU/DEFENSOR PÚBLICO FEDERAL/2017) Em relação aos recursos no processo do trabalho, à execução trabalhista e ao mandado de segurança na justiça do trabalho, julgue o item que se segue à luz do entendimento do TST. O agravo de petição só será recebido se o recorrente delimitar as matérias e os valores impugnados e apresentar a respectiva monta atualizada até a data de interposição do recurso. A apresentação de monta atualizada até a interposição do AP não é um pressuposto específico de admissibilidade. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 114 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 037. 037. (CESPE/SEDF/ANALISTA DE GESTÃO EDUCACIONAL - DIREITO E LEGISLAÇÃO/2017) Em relação aos recursos, à execução, ao mandado de segurança e à ação rescisória na justiça do trabalho, julgue o item a seguir. Havendo violação de lei ou divergência jurisprudencial, caberá interposição de recurso de revista de decisão definitiva de TRT em ação rescisória ou em mandado de segurança. Tais ações competem originariamente aos tribunais. Portanto, como é impossível o conhecimento de tais ações em grau de RO pelo TRT, não há que se falar em recurso de revista nelas. Vide súmulas 201 e 158 do TST. Errado. 038. 038. (CESPE/FUNPRESP-EXE/ÁREA JURÍDICA/2016) A respeito do rito sumaríssimo e dos recursos no processo do trabalho, julgue o item seguinte. No procedimento sumaríssimo, é possível a interposição de recurso de revista quando a decisão de TRT contrariar orientação jurisprudencial do TST. De acordo com o art. 896, § 9º, Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal. Ademais, conforme a Súmula 442 do TST, a OJ do TST não pode ser invocada como fundamento para o recurso de revista no procedimento sumaríssimo. Errado. 039. 039. (CESPE/TELEBRAS/ADVOGADO/2015) Com relação ao procedimento sumaríssimo na justiça do trabalho, julgue o item que se segue. Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, as possibilidades de admissão de interposição de recurso de revista estão circunscritas às seguintes situações: decisões que contrariem súmula do TST e decisões que violem diretamente a Constituição Federal, não se admitindo outras hipóteses. Outra hipótese existe: contrariedade a Súmula Vinculante do STF. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 115 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 040. 040. (CESPE/TELEBRAS/ADVOGADO/2015) Acerca dos recursos cabíveis perante a justiça trabalhista, julgue o próximo item considerando o entendimento do TST. Situação hipotética: Durante um processo de execução, após a garantia do juízo, a executada opôs embargos à execução por discordar dos cálculos homologados. Após análise, o juiz da execução negou provimento aos embargos. Assertiva: Nessa situação, o embargante tem prazo de oito dias para interpor recurso de agravo de petição. Das decisões dos juízes nas execuções, cabe AP (art. 897, a, CLT). Certo. 041. 041. (CESPE/TELEBRAS/ADVOGADO/2015) Acerca dos recursos cabíveis perante a justiça trabalhista, julgue o próximo item considerando o entendimento do TST. A oposição de embargos de declaração interrompe a contagem do prazo para interposição de recurso, seja ele ordinário seja de revista, o que prejudica a validade de recurso tempestivo que houver sido apresentado pela outra parte, fato já reconhecido pela jurisprudência do TST. A primeira parte está perfeita: os ED interrompem o prazo recursal. Todavia, eventual recurso interposto ANTES dos ED será, sim considerado tempestivo e será admitido, se tudo depender apenas da tempestividade (art. 218, § 4º, CPC). Errado. 042. 042. (FGV/OAB/2019) Augusto foi empregado de uma lavanderia por 2 anos, tendo sido desligado em setembro de 2018. Após receber as verbas da ruptura, procurou um advogado com a intenção de ajuizar reclamação trabalhista para postular horas extras não recebidas durante o pacto laboral. Após a entrevista e colheita de todas as informações, o advogado de Augusto entrou em contato com a ex-empregadora na tentativa de formular um acordo, que, após debatido e negociado, teve sucesso e foi reduzido a termo. Então, as partes ajuizaram uma homologação de acordoextrajudicial na Justiça do Trabalho, em petição conjunta assinada pelo advogado de cada requerente, mas que não foi homologado pelo juiz, por este entender que o valor da conciliação era desfavorável ao trabalhador. Desse modo, o magistrado extinguiu o feito sem resolução do mérito. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 116 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Diante da situação e dos termos da CLT, assinale a afirmativa correta. a) Agiu corretamente o juiz, porque não há previsão desse tipo de demanda na Justiça do Trabalho. b) As partes poderão interpor recurso ordinário da decisão que negou a homologação desejada. c) Augusto e seu ex-empregador deverão propor novamente a ação, que deverá ser levada à livre distribuição para outro juízo. d) Nada poderá ser feito na ação proposta, porque o juiz não é obrigado a homologar acordo. Foi surpreendente por parte da FGV a cobrança da recorribilidade de decisão proferida em sede de homologação de acordo extrajudicial, pois ainda há divergência doutrinária sobre o cabimento de recursos neste procedimento. Bezerra Leite, em particular, defende a aplicação analógica das regras da conciliação ordinária ( judicial). Todavia, a banca já deixou claro seu entendimento: tal procedimento admite a interposição de recursos. O fundamento desse entendimento é o de que a decisão judicial proferida sobre a homologação ou não homologação do acordo extrajudicial ter natureza de sentença (art. 855-D da CLT). Logo, da sentença cabe Recurso Ordinário. Letra b. 043. 043. (FGV/OAB/2019) Em março de 2019, durante uma audiência trabalhista que envolvia a sociedade empresária ABC S/A, o juiz indagou à pessoa que se apresentou como preposto se ela era empregada da empresa, recebendo como resposta que não. O juiz, então, manifestou seu entendimento de que uma sociedade anônima deveria, obrigatoriamente, fazer-se representar por empregado, concluindo que a sociedade empresária não estava adequadamente representada. Decretou, então, a revelia, excluiu a defesa protocolizada e sentenciou o feito na própria audiência, julgando os pedidos inteiramente procedentes. Diante desse quadro e do que prevê a CLT, assinale a afirmativa correta. a) Nada há a ser feito, porque uma S/A, por exceção, precisa conduzir um empregado para representá-la. b) O advogado da ré deverá interpor recurso ordinário no prazo de 8 dias, buscando anular a sentença, pois o preposto não precisa ser empregado da reclamada. c) O advogado da ré deverá impetrar mandado de segurança, porque a exigência de que o preposto seja empregado, por não ser prevista em Lei, violou direito líquido e certo da empresa. d) Uma vez que a CLT faculta ao juiz aceitar ou não como preposto pessoa que não seja empregada, o advogado deverá formular um pedido de reconsideração judicial. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 117 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos A Reforma Trabalhista alterou a regra dos prepostos, permitindo que qualquer empresa reclamada seja representada por qualquer terceiro com conhecimento dos fatos (art. 843, § 3º, CLT). Logo, a sentença é nula, porque houve erro de procedimento por parte do magistrado (inobservância do devido processo legal). Pelo fato de o vício ser impugnável mediante Recurso Ordinário ao TRT, não cabe mandado de segurança, que é um remédio subsidiário, para os casos em que a decisão impugnada seja irrecorrível de imediato. Neste caso, como ela é recorrível de imediato, cabe RO, e não MS. Letra b. 044. 044. (FGV/OAB/2019) Em sede de impugnação à sentença de liquidação, o juiz julgou improcedente o pedido, ocorrendo o mesmo em relação aos embargos à execução ajuizados pela executada. A princípio, você, na qualidade de advogado(a) da executada, entendeu por bem não apresentar recurso. Contudo, foi apresentado o recurso cabível pelo exequente. Diante disso, assinale a afirmativa correta. a) A parte exequente interpôs agravo de petição, e a executada poderá interpor agravo de petição na modalidade de recurso adesivo. b) Ambas as partes poderiam interpor agravo de petição na hipótese, porém não mais existe essa possibilidade para a executada, pois esta não apresentou o recurso no prazo próprio. c) A parte autora interpôs recurso de revista, e não resta recurso para a parte executada. d) A parte autora apresentou recurso ordinário, e a executada poderá apresentar agravo de petição. a) Certa. A impugnação do exequente e os embargos do executado são julgados pela mesma sentença (art. 884, § 4º, da CLT). Ademais, das decisões do juiz, na execução, cabe agravo de petição (art. 897, a, CLT). Como a executada deixou transcorrer o prazo para apresentar Agravo de Petição autônomo, ela poderá, apenas, se quiser, apresentar Agravo de Petição na modalidade adesiva, dentro do prazo de 8 dias para apresentar sua contraminuta ao agravo de petição do exequente. b) Errada. Vide comentário à letra a. c) Errada. O recurso de revista é cabível contra a decisão definitiva do TRT em sede de execução, apenas quando houver violação da Constituição Federal. d) Errada. Não é adequado o Recurso Ordinário na fase de execução. Só o é o Agravo de Petição (art. 897, a, CLT). No mais, remeto ao comentário à letra a. Letra a. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 118 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 045. 045. (CESPE/PGM/CAMPO GRANDE-MS/PROCURADOR MUNICIPAL/2019) Julgue o item que se segue, acerca de recursos no processo do trabalho. O seguimento de recurso de revista que não demonstre transcendência com relação aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica poderá ser denegado monocraticamente pelo relator, não cabendo recurso dessa decisão. Muito cuidado para não confundir, caro(a) aluno(a): a decisão monocrática do relator que denega o recurso de revista por falta de transcendência é recorrível por agravo interno. A irrecorribildiade existe somente quando o relator considerar ausente a transcendência em sede de agravo de instrumento em recurso de revista (AIRR). Errado. 046. 046. (CESPE/PGM/CAMPO GRANDE-MS/PROCURADOR MUNICIPAL/2019) Julgue o item que se segue, acerca de recursos no processo do trabalho. Em geral, não se admite recurso de revista em execução fiscal: o cabimento de recurso de revista na execução é restrito à hipótese de ofensa direta e literal à Constituição Federal de 1988. Nas execuções comuns, o recurso de revista é cabível somente em caso de ofensa direta e literal à CF/88. Todavia, nas execuções fiscais, existe uma regra específica. Confira o que dispõe o art. 896, § 10º, da CLT: Cabe recurso de revista por violação a lei federal, por divergência jurisprudencial e por ofensa à Constituição Federal nas execuções fiscais e nas controvérsias da fase de execução que envolvam a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas (CNDT), criada pela Lei no 12.440, de 7 de julho de 2011. Errado. 047. 047. (CESPE/PGM/CAMPO GRANDE-MS/PROCURADOR MUNICIPAL/2019) Julgue o item quese segue, acerca de recursos no processo do trabalho. Das decisões definitivas ou terminativas de vara do trabalho cabe recurso ordinário para o respectivo tribunal regional do trabalho, com efeito exclusivamente devolutivo, não se admitindo a obtenção de efeito suspensivo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 119 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos O efeito suspensivo, embora não seja a regra do recurso ordinário, pode vir a ser requerido ao tribunal, conforme o entendimento da Súmula 414, item I, do TST, parte final: JURISPRUDÊNCIA É admissível a obtenção de efeito suspensivo ao recurso ordinário mediante requerimento dirigido ao tribunal, ao relator ou ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, por aplicação subsidiária ao processo do trabalho do artigo 1.029, § 5º, do CPC de 2015. Errado. 048. 048. (CESPE/PREFEITURA DE BOA VISTA-RR/PROCURADOR MUNICIPAL/2019) Pedro ajuizou uma reclamação trabalhista em desfavor da empresa Alfa Ltda. Citada, a empresa reclamada fez-se representar por um ex-empregado que tinha conhecimento do fato, devidamente acompanhado por um advogado, que apresentou defesa e documentos; no entanto, por entender que a empresa reclamada não poderia ser representada por um ex-empregado, o juízo declarou a sua revelia e, assim, não recebeu a contestação e os documentos, tendo havido o registro de protesto pela reclamada. Sobreveio aos autos sentença que julgou procedentes os pedidos iniciais e, irresignada, a empresa reclamada interpôs recurso ordinário quinze dias úteis após a publicação da referida decisão. Considerando essa situação hipotética, julgue o item que se segue à luz da legislação aplicável. A empresa reclamada observou o prazo legal para a interposição do recurso ordinário, razão pela qual o ato processual deverá ser considerado tempestivo. O prazo do recurso ordinário é de oito dias úteis (art. 895, inciso I, CLT). Portanto, é intempestivo o recurso interposto no prazo afirmado no enunciado. Errado. 049. 049. (CESPE/PREFEITURA DE BOA VISTA-RR/PROCURADOR MUNICIPAL/2019) Pedro ajuizou uma reclamação trabalhista em desfavor da empresa Alfa Ltda. Citada, a empresa reclamada fez-se representar por um ex-empregado que tinha conhecimento do fato, devidamente acompanhado por um advogado, que apresentou defesa e documentos; no entanto, por entender que a empresa reclamada não poderia ser representada por um ex-empregado, o juízo declarou a sua revelia e, assim, não recebeu a contestação e os documentos, tendo havido o registro de protesto pela reclamada. Sobreveio aos autos sentença que julgou procedentes os pedidos iniciais e, irresignada, a empresa reclamada interpôs recurso ordinário quinze dias úteis após a publicação da referida decisão. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 120 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Considerando essa situação hipotética, julgue o item que se segue à luz da legislação aplicável. O recurso ordinário interposto não deverá ser conhecido por ser inaplicável à espécie, visto que, em desfavor de decisões definitivas prolatadas pela primeira instância, deve ser interposto recurso de revista. O recurso cabível é o Recurso Ordinário (RO), no prazo de 8 dias úteis, com fulcro no art. 895, I, da CLT. Errado. 050. 050. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO - CONSULTOR LEGISLATIVO ÁREA V/2014) Com relação aos recursos trabalhistas, julgue o seguinte item. Conforme entendimento pacificado pelo TST, considera-se prequestionada a questão jurídica invocada no recurso principal sobre a qual se omita o tribunal, a despeito dos embargos de declaração, de pronunciar tese. O item aborda o prequestionamento virtual, consolidado na Súmula 297, item III, do TST: JURISPRUDÊNCIA Considera-se prequestionada a questão jurídica invocada no recurso principal sobre a qual se omite o Tribunal de pronunciar tese, não obstante opostos embargos de declaração. Certo. 051. 051. (CESPE/TRT-17ª REGIÃO (ES)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) Julgue os itens subsequentes, com relação aos recursos e à execução no processo do trabalho. Embora o recurso de agravo de petição deva delimitar justificadamente a matéria e os valores objeto de discordância, segundo entendimento do TST, o prosseguimento da execução quanto aos tópicos e valores não especificados no agravo fere direito líquido e certo. É permitido o prosseguimento da execução relativamente aos tópicos não impugnados no agravo de petição. É a regra do 897, § 1º, da CLT. Ademais, confira o que dispõe a Súmula 416 do TST: JURISPRUDÊNCIA Devendo o agravo de petição delimitar justificadamente a matéria e os valores objeto de discordância, não fere direito líquido e certo o prosseguimento da execução quanto aos tópicos e valores não especificados no agravo. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 121 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 052. 052. (CESPE/TRT-17ª REGIÃO (ES)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) Julgue os itens subsequentes, com relação aos recursos e à execução no processo do trabalho. A admissibilidade do recurso de revista interposto contra acórdão proferido em agravo de petição, na liquidação de sentença ou em processo incidente na execução, incluindo-se os embargos de terceiro, depende de demonstração inequívoca de violação direta à CF. Por ser o recurso de revista interposto na fase de execução ( já que se destina a impugnar acórdão proferido em agravo de petição, recurso próprio da execução), ele somente poderá se embasar em ofensa direta e literal à CF/88. Confira a redação da Súmula 266 do TST: JURISPRUDÊNCIA A admissibilidade do recurso de revista interposto de acórdão proferido em agravo de petição, na liquidação de sentença ou em processo incidente na execução, inclusive os embargos de terceiro, depende de demonstração inequívoca de violência direta à Constituição Federal. Certo. 053. 053. (FCC/TRT-21ª REGIÃO (RN)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) Margarida moveu reclamação trabalhista em face da sua ex-empregadora Lanches Master Tudo Ltda. para cobrança de diferenças de horas extras, no valor total de R$ 20.000,00. Tendo em vista a legislação vigente, a) somente será possível a interposição de recurso de revista nesta reclamação por contrariedade à súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou à súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal. b) somente será possível a interposição de recurso ordinário nesta reclamação por contrariedade à súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou à súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal. c) somente será possível a interposição de recurso de revista nesta reclamação por violação direta da Constituição Federal. d) somente será possível a interposição de recurso ordinário nesta reclamação por violação direta da Constituição Federal. e) não é possível a interposiçãojuízo de admissibilidade, poderá interpor o recurso de AGRAVO DE INSTRUMENTO ao TRT, requerendo o destrancamento do recurso para que ele seja analisado. Estudaremos este recurso em título específico da aula. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 13 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Abaixo, apresento mapa mental do procedimento (processamento) do RO em sua primeira hipótese de cabimento (contra sentença do juiz): Em se tratando da segunda hipótese de cabimento do RO (contra acórdão do TRT proferido em ação de sua competência originária), a lógica é exatamente a mesma quanto ao prazo para contrarrazões à parte recorrida e quanto ao Primeiro Juízo de Admissibilidade – o qual nesse caso será exercido pelo TRT. Basicamente, o papel que o Juiz do Trabalho da Vara exerce no caso de RO contra sua sentença será exercido pelo TRT, nesta hipótese. Outrossim, o papel que seria exercido pelo TRT na outra hipótese de RO (destinatário) será exercido pelo TST (que receberá o RO). Há um só ponto que merece detalhamento a respeito da remessa do processo ao TST: o órgão interno do TST que deverá apreciar o mérito do RO. O Regimento Interno do TST determina o órgão interno competente de acordo com a natureza do dissídio: se individual ou coletivo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 14 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Em se tratando de Dissídio Individual (ação rescisória de sentença ou acórdão de dissídio individual, mandado de segurança, reclamação etc.), a competência funcional para processar e julgar o RO, dentro do TST, será da Subseção de Dissídios Individuais n. II (SbDI-II) – que alguns nomeiam resumidamente como SDI-II. Já quanto aos Dissídios Coletivos, a competência funcional para processar e julgar o RO, dentro do TST, será da Seção de Dissídios Coletivos (SDC). De maneira sintética e propositalmente comparada com o mapa acima, apresento abaixo o mapa mental válido para a segunda hipótese de cabimento do RO (contra acórdão do TRT em ações de sua competência originária): O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 15 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 2 .3 . Ro No PRoceDIMeNTo suMaRÍssIMo2 .3 . Ro No PRoceDIMeNTo suMaRÍssIMo Tanto no procedimento ordinário como no sumaríssimo, a ordem de elementos do processamento do RO ( juízo de admissibilidade, prazo para contrarrazões etc.) é igual. Algumas diferenças constam na CLT, e consistem em detalhes de funcionamento do trâmite do RO no âmbito do TRT. Abaixo, farei comentários individualizados aos §§ 1º e 2º do art. 895 da CLT: § 1º - Nas reclamações sujeitas ao procedimento sumaríssimo, o recurso ordinário: I – (VETADO). II – será imediatamente distribuído, uma vez recebido no Tribunal, devendo o relator liberá-lo no prazo máximo de dez dias, e a Secretaria do Tribunal ou Turma colocá-lo imediatamente em pauta para julgamento, sem revisor; No procedimento ordinário, não há um prazo para que o relator libere o RO para julgamento. No sumaríssimo, o relator deve fazer tal liberação no PRAZO MÁXIMO de 10 DIAS, a contar da distribuição do RO ao relator, que deverá ocorrer de imediato (distribuição imediata, designando-se um relator logo que o RO chega ao TRT). III – terá parecer oral do representante do Ministério Público presente à sessão de julgamento, se este entender necessário o parecer, com registro na certidão; No procedimento ordinário, o parecer do MPT, quando necessário, pode ser oferecido por petição nos autos. No procedimento sumaríssimo, o MPT deverá expor seu parecer de forma ORAL na Sessão de Julgamento, havendo registro desse parecer na Certidão de Julgamento. IV – terá acórdão consistente unicamente na certidão de julgamento, com a indicação suficiente do processo e parte dispositiva, e das razões de decidir do voto prevalente. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a certidão de julgamento, registrando tal circunstância, servirá de acórdão. A Certidão de Julgamento é um documento lavrado pelo Secretário do órgão julgador (Turma, Câmara, Pleno etc.). Neste certidão, o Secretário certifica que o órgão proferiu determinada decisão, fazendo citação direta à decisão (negou provimento, deu provimento, converteu o feito em diligência etc.). 1) Se a sentença de primeiro grau for reformada em algum ponto, os termos da Certidão de Julgamento devem ser acompanhados da indicação suficiente dos pontos do processo discutidos, da formulação parte dispositiva que ordena a alteração daquele ponto da decisão e das razões de decidir que prevaleceram para a modificação da decisão de primeiro grau. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 16 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 2) Se a sentença de primeiro grau for mantida por seus próprios fundamentos (nenhuma alteração), o acórdão consistirá nos termos da própria Certidão de Julgamento. Obs.: Por não haver prejuízo, não existirá nenhuma nulidade se, mesmo no procedimento sumaríssimo, o acórdão tiver todos seus elementos completos, como se a causa tramitasse sob o rito ordinário. A previsão do inciso IV do § 1º é uma ferramenta de economia processual e celeridade, apenas. § 2º Os Tribunais Regionais, divididos em Turmas, poderão designar Turma para o julgamento dos recursos ordinários interpostos das sentenças prolatadas nas demandas sujeitas ao procedimento sumaríssimo. Pode o TRT, assim querendo, determinar que uma Turma específica fique incumbida de processar e julgar unicamente recursos ordinários interpostos contra sentenças em reclamações de procedimento sumaríssimo. 2 .4 . sÚMulas e oJs Do TsT sobRe o RecuRso oRDINÁRIo2 .4 . sÚMulas e oJs Do TsT sobRe o RecuRso oRDINÁRIo JURISPRUDÊNCIA Súmula 201 do TST Da decisão de Tribunal Regional do Trabalho em mandado de segurança cabe recurso ordinário, no prazo de 8 (oito) dias, para o Tribunal Superior do Trabalho, e igual dilação para o recorrido e interessados apresentarem razões de contrariedade. Estudamos que já ações de competência originária dos TRTs, nas quais eventual RO deverá ser interposto para o TST. O mandado de segurança contra ato de juiz do trabalho ou do TRT foi justamente um dos exemplos apontados acerca dessa hipótese especial. Logo, a Súmula 201 esclarece, tendo em vista a organização judiciária, que o mandado de segurança julgado pelo TRT sujeita-se a RO para o TST. JURISPRUDÊNCIA Súmula 393 do TST I – O efeito devolutivo em profundidade do recurso ordinário, que se extrai do § 1º do art. 1.013 do CPC de 2015 (art. 515, §1º, do CPC de 1973), transfere ao Tribunal a apreciação dos fundamentos da inicial ou da defesa, não examinados pela sentença, ainda que não renovados em contrarrazões,de recurso nesta reclamação, sob nenhum fundamento, tendo em vista sua celeridade. O recurso ordinário (RO) não tem sua fundamentação vinculada a determinadas violações ou contrariedades, pois é um recurso de fundamentação livre, em que se pode discutir fatos e provas. No entanto, no recurso de revista (RR), a fundamentação é vinculada a determinados O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 122 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos parâmetros. No rito sumaríssimo (caso da questão, dado o valor da causa não excedente a quarenta salários mínimos), o RR somente é cabível por contrariedade a súmula do TST, súmula vinculante ou por violação à Constituição Federal (art. 896, § 9º, CLT). Letra a. 054. 054. (FCC/TST/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) Temerosa de que seus ativos financeiros fossem bloqueados, após receber o Mandado de Citação e Pagamento em execução de uma reclamação trabalhista a qual não tinha nenhuma responsabilidade, a Empresa B interpôs exceção de pré- executividade. Após cumpridas as formalidades legais, o juiz julgou-a procedente e excluiu a Empresa B da lide, determinando que o exequente indicasse outros meios para prosseguimento da execução. Neste caso, e em conformidade com a CLT, o recurso cabível pelo exequente contra a referida decisão é a) Agravo de Instrumento. b) Recurso Ordinário. c) Recurso de Revista. d) Agravo de Petição. e) Mandado de Segurança. Se o resultado da exceção de pré-executividade provocou a extinção do processo sob o aspecto subjetivo (exclusão de um dos executados da lide), é cabível o agravo de petição (art. 897, I, CLT). Letra d. 055. 055. (CESPE/PG-DF/PROCURADOR/2013) Julgue os itens subsequentes, relativos ao procedimento sumaríssimo na justiça do trabalho. Não é admissível a interposição de recurso de revista em procedimento sumaríssimo quando o fundamento do recurso for a contrariedade a orientação jurisprudencial do TST. De fato, no rito sumaríssimo, existe tal restrição. Confira a regra do art. 896, § 9º, da CLT: Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal.. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 123 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Ademais, confira o entendimento fixado na Súmula 442 do TST: JURISPRUDÊNCIA Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, a admissibilidade de recurso de revista está limitada à demonstração de violação direta a dispositivo da Constituição Federal ou contrariedade a Súmula do Tribunal Superior do Trabalho, não se admitindo o recurso por contrariedade a Orientação Jurisprudencial deste Tribunal (Livro II, Título II, Capítulo III, do RITST), ante a ausência de previsão no art. 896, § 6º, da CLT. Certo. 056. 056. (CESPE/SERPRO/ANALISTA - PERÍCIA EM CÁLCULO JUDICIAL/2013) Com base na CLT e na jurisprudência do TST, julgue os próximos itens, referentes a direito material e processual do trabalho. Caberá recurso ordinário apenas em decisões definitivas ou terminativas dos tribunais regionais do trabalho, nos processos de sua competência originária em demandas de dissídios individuais. Além das decisões proferidas pelos TRTs em processos de sua competência originária, também cabe recurso ordinário em face de decisões terminativas ou definitivas proferidas pelos juízes do trabalho de primeiro grau, em dissídios individuais da fase de conhecimento (art. 895, I, CLT). Errado. 057. 057. (CESPE/TELEBRAS/ESPECIALISTA EM GESTÃO DE TELECOMUNICAÇÕES – ADVOGADO/2013) Uma empresa entendeu ser devedora de determinado crédito a um ex-empregado. Para honrar seu compromisso, promoveu demanda à altura. Considerando essa situação hipotética, julgue os itens subsequentes. Se for interposto recurso ordinário contra a decisão e o julgado não restar claro, será viável interpor embargos previsto no art. 894 da CLT, no prazo de cinco dias. Esta questão, por utilizar somente a palavra “embargos”, cria uma grande pegadinha. A rigor, quando se diz somente “embargos”, está-se referindo ao recurso de Embargos ao TST (art. 894 da CLT), e não aos embargos de declaração (art. 897-A da CLT) ou aos embargos de execução. Estes dois últimos, quando envolvidos nas questões, devem ser nominados de forma completa. Portanto, a questão está errada, pois a impugnação das decisões judiciais por omissão, contradição, obscuridade ou manifesto equívoco na análise de pressupostos extrínsecos recursais deve ocorrer mediante embargos de declaração (art. 897-A da CLT). Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 124 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 058. 058. (CESPE/PGE-BA/PROCURADOR DO ESTADO/2014) Acerca de recursos, execução trabalhista e dissídio coletivo, julgue os itens seguintes. É cabível recurso ordinário caso o juiz declare a incompetência absoluta em razão da matéria da justiça do trabalho e determine a remessa dos autos à justiça comum. Trata-se de uma excepcional hipótese de recorribilidade imediata de decisão interlocutória (recurso ordinário ao TRT). A Súmula 214, item c, do TST estabelece a seguinte hipótese de recurso imediato contra tais decisões: “que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, da CLT.”. Certo. 059. 059. (CESPE/SERPRO/ANALISTA – ADVOCACIA/2013) No que concerne ao direito processual do trabalho, julgue os itens seguintes. Segundo a CLT, o recurso de agravo de instrumento é adequado para impugnar decisão interlocutória proferida na justiça do trabalho. No processo do trabalho, vigora o princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias. Logo, a sistemática civilista do agravo de instrumento não se aplica ao processo do trabalho. Nas raras hipóteses em que tais decisões são recorríveis, o recurso cabível é o ordinário ou o agravo interno, e não o agravo de instrumento. Errado. 060. 060. (CESPE/TRT-17ª REGIÃO (ES)/TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) Julgue os itens subsequentes, com relação aos recursos e à execução no processo do trabalho. Não é cabível recurso ordinário de decisão que homologa acordo entre as partes, pois tal decisão é irrecorrível. Esta é uma questão em que o examinador buscou ser o mais malicioso possível. De fato, a sentença homologatória de acordo é irrecorrível, mas a parte final do art. 831, parágrafo único, da CLT dispõe: “salvo para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas.”. Logo, é cabível recurso ordinário contra a sentença homologatória de acordo, desde que por parte do INSS, e não pelas partes. O professor entende que esta questão não é tão capaz de bem selecionar um candidato, uma vez que do enunciado da questão é praticamente impossível saber se o examinadorestá cobrando a regra geral ou sua exceção. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 125 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 061. 061. (CESPE/TELEBRAS/ESPECIALISTA EM GESTÃO DE TELECOMUNICAÇÕES – ADVOGADO/2013) Uma empresa entendeu ser devedora de determinado crédito a um ex-empregado. Para honrar seu compromisso, promoveu demanda à altura. Considerando essa situação hipotética, julgue os itens subsequentes. Caso seja aviado recurso, o efeito será devolutivo e propiciará execução até a penhora do bem ofertado pelo devedor. A questão apresentou a regra geral: os recursos trabalhistas detêm, como regra, efeito meramente devolutivo, o que possibilita a execução provisória, que é assim caracterizada por limitar-se à penhora, sem expropriação de bens, que deve ocorrer, como regra, somente na execução definitiva. Certo. 062. 062. (FCC/TRT-18ª REGIÃO (GO)/ANALISTA JUDICIÁRIO - OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2023) A empresa de transportes rodoviários Carga Total interpõe agravo de petição contra decisão do juiz na execução de processo do trabalho movido por Afrodite, sua ex-empregada. O juiz denega seguimento ao agravo de petição, sob fundamento de intempestividade do mesmo. Pretendendo recorrer desta decisão, a empresa poderá apresentar a) agravo de instrumento no prazo de 8 dias, sem a suspensão da execução. b) recurso ordinário no prazo de 8 dias, sem a suspensão da execução. c) agravo de instrumento no prazo de 10 dias, sem a suspensão da execução. d) recurso ordinário no prazo de 10 dias, ficando suspensa a execução até decisão final acerca do mesmo. e) agravo de instrumento no prazo de 5 dias, ficando suspensa a execução até decisão final acerca do mesmo. O destrancamento de recursos ocorre mediante agravo de instrumento, inclusive em se tratando de agravo de petição com seguimento denegado. Ademais, o art. 897, § 2º, da CLT dispõe: “O agravo de instrumento interposto contra o despacho que não receber agravo de petição não suspende a execução da sentença”. Letra a. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 126 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 063. 063. (FCC/TRT-18ª REGIÃO (GO)/ANALISTA JUDICIÁRIO - OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2023) O Tribunal Regional do Trabalho julgou improcedente um dissídio coletivo de greve, condenando o Sindicato autor a uma multa de R$ 100.000,00 por dia em caso de não restabelecimento das atividades consideradas essenciais. O autor pretende recorrer da decisão. Nessa hipótese, poderá interpor a) recurso ordinário ao Tribunal Superior do Trabalho no prazo de 8 dias. b) recurso de revista ao Tribunal Superior do Trabalho no prazo de 10 dias. c) agravo de petição ao Tribunal Superior do Trabalho no prazo de 8 dias. d) recurso ordinário ao Tribunal Superior do Trabalho no prazo de 10 dias. e) recurso de revista ao Tribunal Superior do Trabalho no prazo de 8 dias. Por se tratar de processo de competência originária do TRT, cabe recurso ordinário ao TST, em 8 dias (art. 895, II, CLT). Letra a. 064. 064. (FCC/TRT-5ª REGIÃO (BA)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2022) Gibraltar é uma entidade filantrópica e teve contra si uma sentença trabalhista de um ex-empregado desfavorável em parte. Recorre ordinariamente da parte em que a ação foi procedente, o seu recurso tem segmento denegado por intempestividade. Nessa hipótese, com base no que prevê a Consolidação das Leis do Trabalho, a reclamada poderá interpor agravo a) de instrumento no prazo de 10 dias, devendo recolher depósito recursal à base de 50% do valor do depósito do recurso ao qual pretende destrancar. b) de instrumento no prazo de 8 dias, estando isenta de proceder ao depósito recursal na situação narrada. c) de petição no prazo de 8 dias, estando isenta de proceder ao depósito recursal na situação narrada. d) de instrumento no prazo de 10 dias, devendo recolher depósito recursal à base de 25% do valor do depósito do recurso ao qual pretende destrancar. e) de petição no prazo de 10 dias, estando isenta de proceder ao depósito recursal na situação narrada. O destrancamento de recursos ocorre mediante agravo de instrumento (art. 897, “b”, CLT). Letra b. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 127 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 065. 065. (FCC/TRT-22ª REGIÃO (PI)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2022) Aparecida está estudando para um concurso e, no tema recurso de revista, nos termos da CLT e do entendimento sumulado do TST, é certo que: a) esse recurso não é cabível contra decisões proferidas pelos Tribunais Regionais do Trabalho ou por suas Turmas, em execução de sentença. b) não é cabível a interposição de recurso de revista nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo. c) dada a relevância da matéria, tal recurso possui efeitos devolutivo e suspensivo em todos os casos. d) para ser conhecido, o TST examinará se o recurso de revista oferece transcendência com reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica. e) da decisão do Presidente do Tribunal Regional do Trabalho que denegar seguimento ao recurso de revista, poderá ser interposto agravo de instrumento, no prazo de 10 dias úteis. a) Errada. Cabe recurso de revista na fase de execução, embora com fundamentação vinculada, nos termos do art. 896, § 2º, da CLT. b) Errada. Cabe recurso de revista no rito sumaríssimo, embora com fundamentação mais restrita, conforme o art. 896, § 9º, da CLT. c) Errada. Como os demais recursos, o recurso de revista tem, em regra, apenas efeito devolutivo. d) Certa. É a regra do art. 896-A, caput, da CLT. e) Errada. O prazo é de 8 dias (art. 896, caput, da CLT). Letra d. 066. 066. (FCC/TRT-22ª REGIÃO (PI)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2022) Na reclamação trabalhista movida em face de Lojas Sinceridade Ltda., foi proferida sentença de procedência parcial pela Vara do Trabalho, sendo que nenhuma das partes recorreu. Um ano depois, a reclamada ajuizou ação rescisória perante o Tribunal Regional do Trabalho, tendo o acórdão julgado improcedente o pedido. Ainda inconformada, pretendem as Lojas Sinceridade Ltda. ingressar com novo recurso. Nos termos da legislação vigente e entendimento sumulado do TST, a) poderá ingressar com embargos para o Tribunal Superior do Trabalho. b) poderá ingressar com recurso de revista para o Tribunal Superior do Trabalho. c) deverá valer-se do agravo interno para o próprio Tribunal Regional do Trabalho. d) deverá interpor agravo de instrumento para o Tribunal Regional do Trabalho. e) poderá ingressar com recurso ordinário para o Tribunal Superior do Trabalho. Como a ação rescisória competia ao TRT, caberá recurso ordinário ao TST (art. 895, II, CLT). Letra e. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.https://www.grancursosonline.com.br 128 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 067. 067. (FCC/TRT-22ª REGIÃO (PI)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2022) Claudete está executando sua ex-empregadora, tendo requerido a penhora da conta bancária de um dos sócios da empresa. A juíza indeferiu de plano tal pedido, sob fundamento que a referida conta recebia os proventos da aposentadoria desse sócio, pois o mesmo informou, sem nenhuma prova, que era aposentado. Contra tal decisão, de acordo com a CLT, Claudete poderá interpor a) embargos de terceiro. b) mandado de segurança. c) recurso ordinário. d) agravo de instrumento. e) agravo de petição. Na visão do professor, o entendimento da banca FCC (que já foi adotado em outros concursos) é questionável, uma vez que tal decisão, embora proferida em fase de execução, não extingue a execução, nem cria um óbice intransponível ao seu andamento. Logo, para o professor, a medida cabível seria, apenas, a impetração de mandado de segurança, dada a inexistência de recurso próprio contra tal decisão interlocutória, conforme a jurisprudência da SbDI-II do TST. De toda forma, a banca FCC vem entendendo que as decisões interlocutórias em fase de execução são sujeitas a agravo de petição, sempre, com fundamento no art. 897, I, da CLT. Letra e. 068. 068. (FCC/TRT-22ª REGIÃO (PI)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA/2022) Considerando as peculiaridades do rito sumaríssimo no processo do trabalho, o legislador impôs uma maior celeridade e uma menor formalidade ao procedimento, inclusive em relação aos recursos interpostos das decisões nele proferidas. Considerando essas previsões legais e o entendimento sumulado pelo Tribunal Superior do Trabalho, a) os prazos recursais são contados em dias corridos. b) o recurso ordinário será imediatamente recebido no Tribunal, devendo o relator liberá-lo no prazo máximo de 5 dias e o revisor, nos 5 dias subsequentes. c) somente será admitido recurso de revista por violação direta da Constituição Federal. d) no recurso de revista não será feito exame prévio da transcendência da causa, com relação aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social e jurídica. e) somente será admitido recurso de revista por violação direta da Constituição Federal ou contrariedade a Súmula do Tribunal Superior do Trabalho, não se admitindo o recurso por contrariedade a Orientação Jurisprudencial deste Tribunal, ante a ausência de previsão legal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 129 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos a) Errada. Todos os prazos recursais contam-se em dias úteis. b) Errada. Não existe revisor nos recursos trabalhistas. c) Errada. Tal restrição somente se aplica aos recursos de revista em fase de execução. d) Errada. A transcendência deve ser examinada em todos os recursos, inclusive do rito sumaríssimo, quando não for prejudicada por outros óbices processuais. e) Certa. É o entendimento fixado na Súmula 442 do TST. Letra e. 069. 069. (FCC/TRT-22ª REGIÃO (PI)/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2022) Maiara, devidamente representada por advogado, move reclamação trabalhista contra a empresa Cosméticos & Afins Ltda., pleiteando o pagamento de diferenças de horas extras e plano de participação nos lucros e resultados. Proferida a sentença, a juíza do trabalho não apreciou o pedido da participação nos lucros, sendo que o advogado de Maiara interpôs embargos de declaração tempestivamente para sanar a omissão do julgado, por meio de assinatura digital, tendo em vista que o processo é eletrônico. Nesse caso, de acordo com a legislação federal vigente, a) suspende-se o prazo para a interposição do recurso ordinário no caso de serem julgados meramente protelatórios. b) suspende-se o prazo para a interposição do recurso ordinário. c) interrompe-se o prazo para a interposição do recurso ordinário. d) a contagem do prazo não é afetada para a interposição do recurso ordinário. e) interrompe-se o prazo para interposição do recurso ordinário, salvo se forem julgados improcedentes, quando Maiara perderá o prazo para interposição de seu recurso. O efeito dos embargos de declaração é o interruptivo, quanto a prazos recursais (art. 897- A, § 3º, da CLT). Letra c. 070. 070. (FCC/TRT-4ª REGIÃO (RS)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA/2022) A empresa Verdes Mares Comércio de Pescados Ltda. é ré em ação trabalhista, tendo sido condenada a pagar ao autor verbas rescisórias decorrentes da rescisão do contrato de trabalho, além de multa de 1% por litigância de má-fé. A empresa pretende recorrer desta decisão, entendendo injustificada a condenação. Nessa hipótese, conforme o que prevê a Consolidação das Leis do Trabalho e a jurisprudência sumulada do Tribunal Superior do Trabalho, caberá a) agravo de instrumento no prazo de 8 dias úteis em relação à multa por litigância de má- fé, e recurso ordinário no mesmo prazo, não sendo necessário o depósito da multa por litigância de má-fé para interposição do recurso. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 130 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos b) recurso ordinário no prazo de 8 dias corridos, devendo a empresa, além das custas processuais e depósito recursal, efetuar o depósito da multa por litigância de má-fé, sob pena de o recurso não ser admitido. c) agravo de instrumento no prazo de 8 dias corridos em relação à multa por litigância de má-fé, e recurso ordinário no mesmo prazo, não sendo necessário o depósito da multa por litigância de má-fé para interposição do recurso. d) recurso ordinário no prazo de 8 dias úteis, devendo a empresa, além das custas processuais e depósito recursal, efetuar o depósito da multa por litigância de má-fé, sob pena de o recurso não ser admitido. e) recurso ordinário no prazo de 8 dias úteis, devendo a empresa, arcar com as custas processuais e depósito recursal, não sendo pressuposto recursal o depósito da multa por litigância de má-fé. Por ser uma sentença de Vara do Trabalho, cabe recurso ordinário (art. 895, I, CLT), em 8 dias. Ademais, a multa por litigância de má-fé não precisa ser depositada, por não ser pressuposto de admissibilidade inerente ao preparo, ao contrário do depósito recursal (OJ 409 da SbDI-I do TST). Letra e. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br Abra caminhos crie futuros gran.com.br O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Sumário Apresentação Recursos Trabalhistas – Parte II 1. Natureza Ordinária e Extraordinária dos Recursos 2. Recurso Ordinário (RO) 2.1. Cabimento 2.2. Procedimento 2.3. RO no Procedimento Sumaríssimo 2.4. Súmulas e OJs do TST sobre o Recurso Ordinário 3. Agravo de Petição (AP) 3.1. Cabimento 3.2. Procedimento 3.3. Súmulas e OJs do TST sobre o Agravo de Petição 4. Agravo de Instrumento (AI) 4.1.Cabimento e Procedimento 4.2. Depósito recursal do Agravo de Instrumento 4.3. Súmulas e OJs do TST sobre o Agravo de Instrumento 5. Recurso de Revista (RR) 5.1. Pressupostos de Admissibilidade Específicos do Recurso de Revista (RR) 5.2. Cabimento do RR no Procedimento Ordinário 5.3. Cabimento do RR no Procedimento Sumaríssimo 5.4. Cabimento do RR na Fase de Execução 5.5. Procedimento do RR 5.6. Outras Súmulas e OJs do TST sobre o RR 6. Embargos de Declaração (ED) 6.1. Cabimento e Procedimento 6.2. Súmulas e OJs do TST sobre os ED Questões de Concurso Gabarito Gabarito Comentadodesde que relativos ao capítulo impugnado. II – Se o processo estiver em condições, o tribunal, ao julgar o recurso ordinário, deverá decidir desde logo o mérito da causa, nos termos do § 3º do art. 1.013 do CPC de 2015, inclusive quando constatar a omissão da sentença no exame de um dos pedidos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 17 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Segundo o item I, o RO tem efeito devolutivo em profundidade. A profundidade do efeito devolutivo é interpretada do seguinte modo: o juízo ad quem recebe em devolução toda a matéria envolvida pelo recorrente no recurso, inclusive com todos os fundamentos trazidos na petição inicial e na contestação, mesmo que a sentença não tenha adotado tais fundamentos e ainda que as contrarrazões do recurso não mencionem tais fundamentos. O item II, por sua vez, trata do Efeito Expansivo do RO. Este efeito teve origem na Teoria da Causa Madura. Tal teoria dizia que o órgão competente para julgar o recurso poderia, desde logo, apreciar o mérito das questões do processo quando o juízo a quo nem mesmo entrou nesse mérito. Essa atitude só poderia ser tomada pelo órgão recursal (ad quem) se a matéria a ser decidida de imediato fosse unicamente de direito ou, se fosse de fato, já houvesse ampla e suficiente dilação probatória sobre o fato. Em palavras técnicas, o juízo ad quem só poderia fazer isso se o processo já estivesse em condições de imediato julgamento. EXEMPLO Tiago ajuíza reclamação trabalhista contra Rocha Construções, postulando verbas rescisórias. Após o término da instrução processual com ampla produção de provas, a reclamação de Tiago é extinta sem resolução do mérito, porque o juiz entendeu haver coisa julgada, uma vez que já tinha tramitado processo anterior com as mesmas partes, que deram quitação integral ao contrato de trabalho. Todavia, esse processo anterior tinha como reclamante uma pessoa homônima de Tiago, isto é, com iguais prenome e sobrenome, fato que levou o juiz a confundir-se. Tiago interpõe Recurso Ordinário. Neste caso, o TRT, verificando que realmente não existe coisa julgada, pode julgar imediatamente o mérito do processo (procedência ou improcedência verbas rescisórias postuladas por Tiago), pois há plenas condições de imediato julgamento da causa, uma vez que toda a instrução probatória se esgotou e as partes declararam não ter outras provas a produzir. JURISPRUDÊNCIA Súmula 158 do TST Da decisão de Tribunal Regional do Trabalho, em ação rescisória, é cabível recurso ordinário para o Tribunal Superior do Trabalho, em face da organização judiciária trabalhista. Esta é outra súmula editada para esclarecer a organização judiciária da Justiça do Trabalho. Como a ação rescisória desconstitutiva de sentença do juiz ou acórdão do TRT é um dissídio individual de competência do TRT, eventual recurso contra o acórdão final do TRT será o RO para o TST. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 18 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos JURISPRUDÊNCIA OJ n. 100 da SDI-II do TST Não cabe recurso ordinário para o TST de decisão proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho em agravo regimental interposto contra despacho que concede ou não liminar em ação cautelar ou em mandado de segurança, uma vez que o processo ainda pende de decisão definitiva do Tribunal “a quo”. A partir do Novo CPC, não devemos mais falar em “ação cautelar”, mas sim em Tutela Provisória. Portanto, esta OJ permanece válida somente para o caso de Mandado de Segurança. No TRT, é possível que a parte impetre Mandado de Segurança contra ato de juiz do trabalho ou do próprio TRT e peça concessão de Tutela Provisória, demonstrando seus requisitos especiais (probabilidade do direito e perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo). O relator, no TRT, pode indeferir o pedido de tutela provisória formulado liminarmente no Mandado de Segurança. Muitos regimentos internos de TRTs permitem que seja interposto Agravo Regimental contra a decisão que denega a concessão de tutela provisória (liminar). A parte que pediu a tutela provisória pode interpor o Agravo Regimental, e este Agravo pode não ser provido. Não sendo provido o Agravo, a parte que ajuizou o Mandado de Segurança NÃO PODE interpor RO ao TST, porque a matéria ainda não foi decidida de forma definitiva no âmbito do TRT. Só poderá ser interposto RO ao TST neste processo de Mandado e Segurança quando o MS for definitivamente julgado pelo TRT, com mérito e tudo, não havendo mais o que se discutir nesta instância. JURISPRUDÊNCIA OJ n. 69 da SDI-II do TST Recurso ordinário interposto contra despacho monocrático indeferitório da petição inicial de ação rescisória ou de mandado de segurança pode, pelo princípio de fungibilidade recursal, ser recebido como agravo regimental. Hipótese de não conhecimento do recurso pelo TST e devolução dos autos ao TRT, para que aprecie o apelo como agravo regimental. De acordo com o entendimento fixado nesta OJ (que, alerto, não é seguido de forma unânime na jurisprudência), podemos tomar como exemplo de aplicação do Princípio da Fungibilidade o seguinte contexto: Ajuíza-se uma ação rescisória ou impetra-se mandado de segurança perante o TRT, originariamente. O relator, no TRT, indefere a petição inicial da ação rescisória ou do mandado de segurança por algum motivo legal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 19 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Nesse caso, se a parte autora interpuser RO ao TST, este RO poderá ser recebido como se fosse Agravo Regimental (recurso correto), por não se tratar de erro grosseiro (seria um erro acompanhado de dúvida razoável). Este é, essencialmente, o Princípio da Fungibilidade: receber um recurso interposto erroneamente como se fosse o recurso correto, em razão de o erro cometido pela parte não ser grosseiro (ser justificável). 3. AGRAVO DE PETIÇÃO (AP)3. AGRAVO DE PETIÇÃO (AP) O Agravo de Petição é um recurso exclusivo da Fase de Execução no processo do trabalho. Não existe nenhuma hipótese de cabimento do AP na fase de conhecimento. 3 .1 . cabIMeNTo3 .1 . cabIMeNTo A disciplina do cabimento do AP está em alguns dispositivos do art. 897 da CLT, que aborda, conjuntamente, o Agravo de Petição e o Agravo de Instrumento. No que toca ao AP, o art. 897 dispõe o seguinte: “Art. 897 - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias: a) de petição, das decisões do Juiz ou Presidente, nas execuções;” O AP é o recurso cabível para pedir a reforma da sentença proferida pelo Juiz do Trabalho em sede de execução trabalhista. Obs.: A impugnação de sentença proferida por Juiz do Trabalho na fase de execução é o caso mais corriqueiro e comum de cabimento do AP, mas não é o único caso. Na CLT, há possibilidade de que o AP seja interposto contra outra decisão específica. Trabalharemos sobre este ponto específico no comentário ao § 3º do art. 897, logo abaixo. Na fase de execução, o juiz proferirá sentença sempre que o executado opuser Embargosà Execução e/ou quando o exequente apresentar Impugnação. Havendo Embargos ou Impugnação, o juiz deverá proferir sentença para resolver as questões invocadas nas respectivas peças. Em nossa primeira aula sobre a Execução Trabalhista, estudamos que o juiz resolve os Embargos e a Impugnação NA MESMA SENTENÇA, na fase de execução. É contra esta sentença – que julga os Embargos e a Impugnação ao mesmo tempo – que o AP aparece como o recurso cabível. O AP deve ser interposto no prazo de 8 DIAS, a contar da ciência da decisão em execução impugnada. (...) § 1º - O agravo de petição só será recebido quando o agravante delimitar, justificadamente, as matérias e os valores impugnados, permitida a execução imediata da parte remanescente até o final, nos próprios autos ou por carta de sentença. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 20 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Neste parágrafo, está presente um Pressuposto de Admissibilidade ESPECÍFICO do Agravo de Petição. O AP só pode ser recebido (admitido) se o agravante apresentar delimitação objetiva de quais são as matérias discutidas no agravo e os valores que o agravante entende incorretos. Portanto, o AP não é um recurso de fundamentação livre, pois deve observar algumas limitações para que sua argumentação possa incorporar o recurso. EXEMPLO Imagine que Renata foi vencedora de reclamação trabalhista ajuizada contra a empresa Love Love S/A, que foi condenada a pagar determinadas verbas rescisórias, além de uma verba fixada em Convenção Coletiva, chamada de “14º salário”. Após o trânsito em julgado, iniciada a fase de execução, o STF, em sede de repercussão geral, declarou inconstitucional toda e qualquer norma coletiva que assegurasse o 14º salário aos trabalhadores. Sabendo disso, a empresa Love Love, que já havia oposto Embargos à Execução e foi derrotada, resolve interpor AGRAVO DE PETIÇÃO para convencer o Tribunal a excluir do título executivo judicial a verba “14º salário”, tendo em vista que o STF a declarou inconstitucional e, logo, a parte da sentença que assegura tal verba deve ser considerada inexigível, por força do art. 884, § 5º, da CLT. Ao mencionar o 14º salário, a agravante está delimitando a matéria impugnada. Ademais, já na fase de execução, o juiz determinou a correção do valor da execução pelo índice INPC, enquanto o art. 879, § 7º, da CLT impõe que a TR seja o índice utilizado. Logo, a empresa impugna o valor integral da execução. Ao agravar com base na incorreção do índice utilizado para atualização do valor da execução, a empresa está delimitando, também, o valor impugnado (que neste exemplo seria o valor integral da execução). Portanto, ao apreciar o AP, o TRT verificará que a empresa pretende excluir da execução a matéria “14º salário” e alterar o restante do valor devido. O AP não é um recurso admissível para que a parte demonstre inconformismo com o estado do processo. Portanto, se no exemplo acima a empresa não houvesse delimitado a matéria e os valores impugnados, o AP nem mesmo seria recebido. Outro exemplo, muito recorrente na prática, é o da penhora de bem público. Às vezes, mesmo ao julgar Embargos à Execução opostos pela Fazenda Pública, os juízes mantêm a penhora sobre determinado bem, entendendo que aquele bem específico poderia ser penhorado (bens dominicais, por exemplo). Nesse caso, a entidade fazendária costuma interpor o AP ao TRT (delimitação da matéria: impenhorabilidade de bem público). Portanto, é de se concluir que o AP possui efeito devolutivo limitado às matérias e aos valores impugnados. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 21 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos o que isso quer dizer, professor?o que isso quer dizer, professor? Quer dizer que, enquanto o AP é processado no TRT, as matérias e os valores não impugnados poderão ser normalmente executados em primeira instância. Somente as matérias e os valores impugnados poderão ser reanalisados pelo TRT (devolvidos ao TRT). A parte não impugnada pelo AP pode ser objeto de Execução Definitiva perante o juiz do trabalho. Professor, por que a execução da parte não impugnada é Professor, por que a execução da parte não impugnada é definitiva? Não deveria ser ? Não deveria ser ““provisória”?”? Veja: na fase de execução, o processo já transitou em julgado, certo? Portanto, a execução sempre será definitiva, embora seja parcial. Somente seria provisória a execução se a fase de conhecimento ainda não tivesse acabado. Para maiores aprofundamentos sobre Execução Provisória x Execução Definitiva, remeto à primeira aula sobre a Execução Trabalhista. Abaixo, apresento ilustração para te ajudar a memorizar esses pressupostos de admissibilidade específicos do AP, tomando como modelo a hipótese de cabimento mais corriqueira do AP: contra sentença do juiz de primeiro grau (embora não seja a única). (...) § 3º Na hipótese da alínea a deste artigo, o agravo será julgado pelo próprio tribunal, presidido pela autoridade recorrida, salvo se se tratar de decisão de Juiz do Trabalho de 1ª Instância ou de Juiz de Direito, quando o julgamento competirá a uma das Turmas do Tribunal Regional a que estiver subordinado o prolator da sentença, observado o disposto no art. 679, a quem este remeterá as peças necessárias para o exame da matéria controvertida, em autos apartados, ou nos próprios autos, se tiver sido determinada a extração de carta de sentença. Agora, você pode ver que o Agravo de Petição tem cabimento contra DUAS DECISÕES: 1) SENTENÇA do juiz do trabalho que julga os Embargos à Execução e a Impugnação, na execução (hipótese mais comum) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 22 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 2) ACÓRDÃO do TRT que apreciou Embargos e Impugnação, quando a execução for de sua competência originária. Obs.: Vimos na primeira aula sobre a Execução Trabalhista que a competência para execução é a do órgão jurisdicional que apreciou a matéria originariamente. Na grande maioria dos casos, tal órgão é o Juiz do Trabalho. Todavia, há algumas exceções especialíssimas em que o Tribunal aprecia a matéria de forma originária. Logo, nesses casos especiais, será do Tribunal – que apreciou a matéria originariamente – a competência para a execução. O trâmite do AP nos tribunais é delimitado nos Regimentos Internos de cada tribunal. Carlos Henrique Bezerra Leite leciona que, quando a autoridade agravada no Tribunal for o seu Presidente, a competência para julgamento do AP será do Tribunal Pleno ou do Órgão Especial. O órgão competente para julgar o AP interposto contra sentença de juiz do trabalho é uma das TURMAS do TRT. (...) § 8º Quando o agravo de petição versar apenas sobre as contribuições sociais, o juiz da execução determinará a extração de cópias das peças necessárias, que serão autuadas em apartado, conforme dispõe o § 3º, parte final, e remetidas à instância superior para apreciação, após contraminuta. De acordo com o § 1º (acima comentado),as matérias e os valores que não forem impugnados poderão ser executados definitivamente, mesmo durante a tramitação do AP no TRT. Logo, quando o AP referir-se somente a Contribuições Sociais devidas à União (que nem aumentam e nem diminuem o crédito do exequente), o juiz providenciará cópias das peças importantes do processo para que a execução dos valores devidos ao exequente seja normalmente processada, enquanto as contribuições sociais são discutidas no TRT. 3 .2 . PRoceDIMeNTo3 .2 . PRoceDIMeNTo O Agravo de Petição deve ser interposto no prazo de 8 DIAS a contar da ciência da decisão em fase de execução, com endereçamento ao órgão jurisdicional recorrido (Juiz do Trabalho, se for contra sua sentença, que é o caso mais comum). Como em qualquer outro recurso, o juiz recorrido fará o Primeiro Juízo de Admissibilidade do AP, verificando se estão presentes os pressupostos de admissibilidade genéricos extrínsecos e intrínsecos (regularidade de representação, legitimidade etc.) e, também, o pressuposto de admissibilidade específico do AP (delimitação de matérias e valores). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 23 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Interposto o AP, o juiz dará à parte agravada o mesmo prazo do AP (8 DIAS) para que apresente CONTRAMINUTA AO AGRAVO DE PETIÇÃO, peça que equivale às “Contrarrazões” do RO. Obs.: Na prática, alguns dão à Contraminuta o nome de “Contrarrazões”, que é o nome da resposta recursal da fase de conhecimento. Os TRTs geralmente recebem as “contrarrazões” ao AP como Contraminutas (nome técnico), sem maiores problemas, mas você deve ser que o nome correto da resposta do agravado ao AP é CONTRAMINUTA. Apresentada a Contraminuta ou passado o seu prazo sem apresentação, o juiz, entendendo presentes os pressupostos de admissibilidade do AP (genéricos e específicos), remeterá o processo ao TRT. Se o juiz entender que falta algum pressuposto de admissibilidade ao AP, ele não receberá (inadmitirá) o AP. Neste caso, a parte agravante terá o prazo de 8 DIAS para interpor AGRAVO DE INSTRUMENTO, para destrancar o AP inadmitido (denegado). Neste caso, a execução definitiva da sentença NÃO será suspensa em razão da interposição do Agravo de Instrumento. Neste sentido dispõe o art. 897, § 2º, da CLT: “O agravo de instrumento interposto contra o despacho que não receber agravo de petição não suspende a execução da sentença.” Diferentemente dos recursos cabíveis na fase de conhecimento, o Agravo de Petição NÃO se sujeita a preparo (custas ou depósito recursal). Veja o que enuncia a Súmula 128, item II, do TST: JURISPRUDÊNCIA Súmula 128, item II, do TST Garantido o juízo, na fase executória, a exigência de depósito para recorrer de qualquer decisão viola os incisos II e LV do art. 5º da CF/1988. Havendo, porém, elevação do valor do débito, exige-se a complementação da garantia do juízo. Se o executado havia conseguido opor Embargos, com certeza ele garantiu a execução, depositando o valor devido, nomeado bem à penhora ou apresentando seguro-garantia judicial. DICA Conclusão: NÃo eXIsTe depósito recursal no agravo de Petição . O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 24 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Eventual cobrança de depósito recursal para interpor AP configuraria violação aos Princípios do Contraditório (art. 5º, LV, CF) e da Legalidade (art. 5º, II, CF). Entretanto, se no julgamento dos Embargos e da Impugnação o juiz elevar o valor devido em execução, o Agravo de Petição só será recebido se o executado complementar a garantia do juízo (garantia da execução), depositando o valor da diferença entre o valor já depositado e o valor que, doravante, é devido em razão da elevação do valor pelo juiz. EXEMPLO Diana venceu reclamação trabalhista contra a empresa Sono Bom S/A. Liquidadas as parcelas da condenação, resultou que a empresa deveria pagar a Diana o valor total de R$ 12.500,00. Os cálculos foram homologados e Diana promoveu a execução. A empresa Sono Bom S/A opôs Embargos à Execução, alegando que já havia pago o valor executado pessoalmente a Diana, em sua residência. Diana, em sua resposta, comprova que, no dia apontado pela empresa como dia do pagamento pessoal, estava fazendo turismo na Arábia Saudita. Convencido de que o ato da empresa em alegar falsamente o cumprimento da decisão configura litigância de má-fé, o juiz arbitra multa por tal ato, no valor de 5% sobre o valor da condenação. Logo, o valor do débito elevou-se para R$ 13.125,00, sendo posteriormente atualizado pela TR. Para interpor AP, a empresa executada, agora, deve depositar os R$ 625,00 acrescidos ao débito em razão da multa aplicada. Perceba: esse valor a mais NÃO É depósito recursal, mas sim GARANTIA DO JUÍZO. Ademais, não há necessidade de recolhimento de custas processuais para interpor o AP. Conforme o art. 789-A da CLT, as custas na fase de execução são pagas sempre AO FINAL. Portanto, a exigência de custas processuais como pressuposto para o AP seria, também ilegal. DICA Síntese: NÃO é devido depósito recursal no aP NÃO são devidas custas processuais no aP DEVE SER DEPOSITADO o valor decorrente da ELEVAÇÃO do valor devido, por força da sentença do juiz na execução . Obs.: Se não houver elevação do valor devido na execução após a citação para pagamento, não será devida nenhuma complementação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 25 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Abaixo, apresento mapa mental do trâmite do Agravo de Petição, até chegar ao TRT. 3 .3 . sÚMulas e oJs Do TsT sobRe o aGRaVo De PeTIÇÃo3 .3 . sÚMulas e oJs Do TsT sobRe o aGRaVo De PeTIÇÃo JURISPRUDÊNCIA Súmula 416 do TST Devendo o agravo de petição delimitar justificadamente a matéria e os valores objeto de discordância, não fere direito líquido e certo o prosseguimento da execução quanto aos tópicos e valores não especificados no agravo. Vimos que as matérias e valores não envolvidos no AP pode constituir objeto de Execução Definitiva de imediato, correto? Esta é a disposição do art. 897, § 1º, da CLT: executa-se definitivamente a parte não discutida no Agravo de Petição. Portanto, como a lei permite essa execução definitiva, o executado NÃO pode impetrar mandado de segurança contra a decisão judicial que ordena a Execução Definitiva (se requerida pelo exequente, ou de ofício se o exequente não tiver advogado). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 26 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 4. AGRAVO DE INSTRUMENTO (AI)4. AGRAVO DE INSTRUMENTO (AI) O recurso de Agravo de Instrumento (AI) no processo do trabalho basicamente tem a função de DESTRANCAR RECURSOS INADMITIDOS (não recebidos) porausência de algum(ns) pressuposto(s) de admissibilidade do respectivo recurso. Obs.: Este recurso (Agravo de Instrumento) é o mais estranhado pelos alunos que começam a estudar processo do trabalho, porque, no processo civil, o Agravo de Instrumento tem a finalidade de impugnar determinadas decisões interlocutórias, previstas no rol do art. 1.015 do CPC. Aqui, no processo do trabalho, a função do AI é totalmente diferente: resume-se a destrancar recursos cujo prosseguimento for denegado, por ausência de pressuposto de admissibilidade. O AI não tem uma instância específica, e não tem uma natureza bem determinada (ordinária ou extraordinária). A função do AI repete-se em todas as instâncias. Isso ocorre porque o AI pode ser manejado para destrancar Agravo de Petição, Recurso Ordinário, Recurso de Revista e até Recurso Extraordinário. 4 .1 . cabIMeNTo e PRoceDIMeNTo4 .1 . cabIMeNTo e PRoceDIMeNTo Na CLT, o cabimento do AI está disciplinado em alguns parágrafos do art. 897, abaixo citados e comentados: Art. 897 - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias: (...) b) de instrumento, dos despachos que denegarem a interposição de recursos. Aqui, é oportuno ressaltar que o recurso de Agravo de Instrumento (AI) no processo do trabalho basicamente tem a função de DESTRANCAR RECURSOS INADMITIDOS (não recebidos) por ausência de um ou mais pressupostos de admissibilidade recursais, tanto os pressupostos genéricos (intrínsecos e extrínsecos, estudados na primeira aula sobre os Recursos) como os específicos, previstos para um determinado recurso (como a transcendência no recurso de revista, ou a delimitação de matéria e valores, no Agravo de Petição). O texto da alínea b fala em “despachos” que denegarem a interposição dos recursos. Todavia, a maioria da doutrina (especialmente Carlos Henrique Bezerra Leite) posiciona-se no sentido de que a decisão judicial que denega a interposição de um recurso é, tecnicamente, uma autêntica DECISÃO INTERLOCUTÓRIA, pois consiste num pronunciamento judicial que possui conteúdo decisório (art. 203, § 2º, CPC). Logo, a interpretação desta alínea deve ser sistemática, e não gramatical. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 27 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Para afirmar sua posição, Bezerra Leite apresenta os seguintes fundamentos: Ora, se há algum ato judicial que, incidentalmente, impede a interposição de recurso, obstaculizando esse fluxo normal do processo, parece-nos que esse ato é juridicamente uma decisão interlocutória. Daí por que contra tal ato cabe, (...) no processo do trabalho, agravo de instrumento (grifo do professor). § 2º - O agravo de instrumento interposto contra o despacho que não receber agravo de petição não suspende a execução da sentença. Se o juiz entender que falta algum pressuposto de admissibilidade ao Agravo de Petição, ele não receberá (inadmitirá) o Agravo de Petição. Neste caso, a parte agravante poderá interpor o AI para destrancar o Agravo de Petição inadmitido (denegado). Neste caso, a execução definitiva da sentença NÃO será suspensa em razão da interposição do AI. § 4º - Na hipótese da alínea b deste artigo, o agravo será julgado pelo Tribunal que seria competente para conhecer o recurso cuja interposição foi denegada. Entenda: 1) Se o TRT seria o órgão competente para julgar o RO, seria o TRT quem deveria julgar o AI interposto para destrancar o RO denegado. 2) Se o TST seria o órgão competente para julgar Recurso de Revista, seria o TST quem deveria julgar o AI interposto para destrancar o RR denegado. Para aplicar na prática a regra do § 4º, de modo que você a visualize, apresento o seguinte exemplo: EXEMPLO José ajuizou reclamação trabalhista contra Maria Souza EPP, postulando verbas rescisórias. Na sentença, o juiz julgou totalmente improcedentes os pedidos de José, condenando-o a pagar honorários advocatícios de sucumbência ao advogado da reclamada. Inconformado, José interpôs RO ao TRT, pedindo a substituição dos termos da sentença, excluindo-se, por consequência, a condenação ao pagamento de honorários sucumbenciais. O juiz do trabalho recorrido, entendendo que o RO interposto por José não contém todos os pressupostos de admissibilidade, denega seguimento ao RO (inadmite-o). Nesse contexto, José poderá interpor AI em 8 DIAS. O AI será imediatamente remetido ao TRT, que o julgará. Se o TRT der razão a José, dando provimento ao AI, deverá julgar, em seguida, o RO cujo prosseguimento havia sido denegado pelo juiz a quo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 28 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos O juiz a quo (ou tribunal a quo, a depender do caso) NÃO FAZ juízo de admissibilidade sobre o Agravo de Instrumento! O órgão judiciário recorrido deve, obrigatoriamente, remeter o AI ao órgão superior que seria competente para julgar o recurso denegado, caso ele fosse normalmente remetido. Ademais, o AI tem apenas Efeito Devolutivo. O tribunal somente pode analisar a (in) validade da decisão judicial que denegou seguimento ao recurso principal. Eventuais análises do mérito do recurso principal só poderão acontecer no julgamento do recurso principal, se o AI for provido, destrancando, por consequência, o recurso denegado. § 5º Sob pena de não conhecimento, as partes promoverão a formação do instrumento do agravo de modo a possibilitar, caso provido, o imediato julgamento do recurso denegado, instruindo a petição de interposição: I – obrigatoriamente, com cópias da decisão agravada, da certidão da respectiva intimação, das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado, da petição inicial, da contestação, da decisão originária, do depósito recursal referente ao recurso que se pretende destrancar, da comprovação do recolhimento das custas e do depósito recursal a que se refere o § 7º do art. 899 desta Consolidação; II – facultativamente, com outras peças que o agravante reputar úteis ao deslinde da matéria de mérito controvertida. Primeiramente, este parágrafo é a fonte da regra que estudamos acima: o recurso “trancado”, após ser destrancado pelo AI, será imediatamente julgado pelo tribunal. As demais disposições deste parágrafo tratam de documentos que devem ser traslados (copiados e impressos) juntamente com a peça de interposição do AI. Essa regra que elenca documentos cujas cópias deveriam acompanhar a petição do AI tem fundamento na realidade dos processos físicos. Tais cópias formariam os chamados “autos suplementares”. Para que o tribunal só tivesse acesso aos documentos indispensáveis ao julgamento do AI, remeter-se-iam somente os autos suplementares ao tribunal, e não os autos principais, com todos seus volumes. Sabe-se que, atualmente, os processos judiciais eletrônicos estão dominando a rotina judiciária. Portanto, diante da realidade do processo eletrônico, a exigência das referidas cópias que deveriam obrigatoriamente acompanhar a peça de interposição do AI perdeu sua razão. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 29 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalhoRecursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Em razão disso, o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) dispôs na Resolução n. 185/2017 a seguinte regra: Art. 26. Fica dispensada a formação de autos suplementares em casos de exceção de impedimento ou suspeição, agravos de instrumento, agravos regimentais e agravo previsto no art. 1.021 do CPC, exceto quanto: I – ao agravo de instrumento em mandado de segurança, na forma do art. 7º, § 1º, da Lei n. 12.016/09; e II – ao pedido de revisão do valor da causa, na forma do art. 2º, § 2º, da Lei n. 5.584/70. Portanto, no que toca ao Agravo de Instrumento, os autos suplementares só deverão ser formados no caso de Agravo de Instrumento interposto em processo de MANDADO DE SEGURANÇA, quando o AI for interposto contra a decisão do juiz de primeiro grau que conceder ou denegar a liminar. Obs.: O inciso I do art. 26 da Res. 185/2017 é de duvidosa correção jurídica, porque no processo do trabalho o Agravo de Instrumento NÃO TEM a função de impugnar decisões interlocutórias, como acontece no Processo Civil. Portanto, preciso registrar que não entendo correto que o CSJT textualmente admita a interposição de AI contra a decisão judicial que conceda ou negue liminar em Mandado de Segurança. Para sua prova, leve a regra de que o Agravo de Instrumento serve somente para DESTRANCAR RECURSOS. O AI NÃO É cabível para impugnar decisões interlocutórias, nem mesmo as que disponham sobre tutelas provisórias (liminares). O inciso I do art. 26 da Res. 185/2017 carece de técnica jurídica, e não deve ser tomado como fonte para entendimento do funcionamento do Agravo de Instrumento. § 6º O agravado será intimado para oferecer resposta ao agravo e ao recurso principal, instruindo-a com as peças que considerar necessárias ao julgamento de ambos os recursos. O agravado deve, no mesmo prazo, apresentar: • CONTRAMINUTA ao Agravo de Instrumento; • CONTRARRAZÕES ao recurso denegado (RO, RR, AP etc.). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 30 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos Obs.: Se o agravado já tiver oferecido Contrarrazões ao recurso principal antes da sua inadmissão, ele só precisará apresentar a CONTRAMINUTA ao AI, em razão de incidência analógica do Princípio da Unirrecorribilidade (se o recorrente só pode interpor um recurso, o recorrido também só pode apresentar contrarrazões ao recurso uma única vez). § 7º Provido o agravo, a Turma deliberará sobre o julgamento do recurso principal, observando- se, se for o caso, daí em diante, o procedimento relativo a esse recurso. Conforme o § 5º, comentado acima, o provimento do AI acarretará o imediato julgamento do recurso que havia sido trancado e que, agora, seria destrancado. Logo, será observado o procedimento normal do recurso principal, como se ele tivesse sido normalmente remetido ao tribunal (como se nada tivesse acontecido com ele). Abaixo, apresento mapa mental do procedimento do AI. Para tornar o mapa mais prático para você, partirei do pressuposto de que o recurso “trancado” é um Recurso Ordinário. Mas você sabe de que o AI pode ser interposto para destrancar qualquer recurso. 4 .2 . DePÓsITo RecuRsal Do aGRaVo De INsTRuMeNTo4 .2 . DePÓsITo RecuRsal Do aGRaVo De INsTRuMeNTo Chegamos a trabalhar a regra do depósito recursal no AI na nossa primeira aula, mas, para tornar seu estudo mais dinâmico e poupar-lhe de voltar à aula anterior, apresentarei o conteúdo que nela foi apresentado a respeito deste tópico. Para maiores aprofundamentos sobre o instituto do Depósito Recursal, remeto-lhe à primeira aula sobre o Sistema Recursal Trabalhista (Parte I). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 31 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos O depósito recursal do Agravo de Instrumento é regido pelos §§ 7º e 8º do art. 899 da CLT: § 7º No ato de interposição do agravo de instrumento, o depósito recursal corresponderá a 50% (cinquenta por cento) do valor do depósito do recurso ao qual se pretende destrancar. EXEMPLO Imobiliária Casas Novas, reclamada, é condenada a pagar R$ 40.000,00 a um ex-empregado pelo juiz do trabalho. Inconformada, a empresa interpõe recurso ordinário, em agosto de 2022, efetuando o depósito de R$ R$ 12.296,38, limite máximo fixado pelo TST na época. O juiz do trabalho, ao realizar o primeiro juízo de admissibilidade, denega seguimento ao recurso ordinário, apontando ausência de alguns pressupostos recursais. Não concordando com a denegação do juiz, a empresa interpõe Agravo de Instrumento para destrancar o Recurso Ordinário. Nesse caso, o valor do depósito recursal do Agravo de Instrumento será a metade do valor do depósito devido para interpor Recurso Ordinário, ou seja, R$ 6.148,19. O valor de R$ 6.148,19 é a metade do valor do depósito do recurso que a empresa quer destrancar, que é o recurso ordinário. Lembre-se sempre de que o limite máximo global é o valor da condenação ainda não depositado. Neste exemplo, o valor da condenação está longe de ser atingido (R$ 40.000,00). § 8º Quando o agravo de instrumento tem a finalidade de destrancar recurso de revista que se insurge contra decisão que contraria a jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho, consubstanciada nas suas súmulas ou em orientação jurisprudencial, não haverá obrigatoriedade de se efetuar o depósito referido no § 7º deste artigo. Este privilégio é previsto especificamente para o recurso AIRR (Agravo de Instrumento em Recurso de Revista). Às vezes, o recurso de revista é denegado pelo Presidente do TRT, que entende não terem sido preenchidos pressupostos de admissibilidade. Nesse caso, a parte pode interpor Agravo de Instrumento, para destrancar o Recurso de Revista e levá-lo ao TST. Para não precisar efetuar o depósito recursal, basta que a parte, nas razões recursais, aponte violação a alguma Súmula ou OJ do TST. Este privilégio existe em prol de um bem maior, na visão do legislador: pacificação da jurisprudência da Corte Superior (TST). Logo, é necessário dar à parte a oportunidade de acusar a inobservância da jurisprudência pacificada, a fim de prevenir conflitos jurisprudenciais graves. Repito: esse privilégio (isenção do depósito recursal em AIRR) só existirá se a decisão contrariar, especificamente, teor de Súmula ou OJ. Fundamentações em acórdãos esparsos não possibilitam ao recorrente invocar esse privilégio. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Eike mattiuzzo - 38083539880, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br 32 de 131www.grancursosonline.com.br DIReITo PRocessual Do TRabalho Recursos Trabalhistas - Parte II Gustavo Deitos 4 .3 . sÚMulas e oJs Do TsT sobRe o aGRaVo De INsTRuMeNTo4 .3 . sÚMulas e oJs Do TsT sobRe o aGRaVo De INsTRuMeNTo JURISPRUDÊNCIA OJ 283 da SDI-I do TST É válido o traslado de peças essenciais efetuado pelo agravado, pois a regular formação do agravo incumbe às partes e não somente ao agravante. JURISPRUDÊNCIA OJ 282 da SDI-I do TST No julgamento de Agravo de Instrumento, ao afastar o óbice apontado pelo TRT para o processamento do recurso de revista, pode o juízo “ad quem” prosseguir no exame dos demais pressupostos extrínsecos