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Prática dos
recursos ao
TRT
Profa. Julia Rodrigues
Descrição
Você vai aprender, com uma abordagem prático-teórica, a elaborar os
principais recursos direcionados ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT),
a saber: recurso ordinário, embargos de declaração e agravo de
instrumento.
Propósito
O recurso é o meio processual para que a decisão seja impugnada na
Justiça do Trabalho. O recurso ordinário, os embargos de declaração e o
agravo de instrumento são os principais recursos dirigidos ao Tribunal
Regional do Trabalho (TRT). Por isso, é essencial que os profissionais do
direito tenham conhecimento teórico e prático sobre a sua elaboração.
Preparação
Antes de iniciar o estudo, tenha em mãos a Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT) e o Código de Processo Civil (CPC).
Objetivos
Módulo 1
Recursos trabalhistas
Analisar princípios, características, efeitos e requisitos do sistema
processual de recursos trabalhistas.
Módulo 2
Recursos ao TRT
Reconhecer os principais recursos dirigidos ao TRT.
Módulo 3
Elaboração dos recursos ao TRT
Elaborar, com um viés prático e teórico, os recursos dirigidos ao TRT.
Introdução
O recurso é o principal meio processual para que a decisão seja
impugnada pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo
Ministério Público do Trabalho na Justiça do Trabalho.
Os principais recursos dirigidos ao Tribunal Regional do Trabalho
(TRT) são o recurso ordinário, os embargos de declaração e o
agravo de instrumento, que serão aqui apresentados com um viés
prático-teórico.
Os recursos trabalhistas são baseados em princípios gerais e
específicos do direito do trabalho que regem a sua sistemática e

possuem algumas características peculiares. Os recursos
trabalhistas, em regra, têm efeito meramente devolutivo, sendo
permitida a execução até a penhora (art. 899, caput, da CLT), e
são submetidos ao duplo juízo de admissibilidade recursal. Os
recursos trabalhistas também devem observar os pressupostos
recursais de previsão legal (cabimento), adequação,
tempestividade, preparo e depósito recursal.
Aqui, vamos ver as hipóteses de cabimento dos recursos ao TRT,
com um conteúdo prático-teórico importante para o profissional
do direito acerca da interposição do recurso ordinário, oposição
dos embargos de declaração e interposição do agravo de
instrumento trabalhista. A ênfase é na elaboração das peças
processuais adequadas para a formulação dos recursos a serem
dirigidos ao TRT.
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1 - Recursos trabalhistas
Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar princípios,
características, efeitos e requisitos do sistema processual de recursos
trabalhistas.
Sistema processual de
recursos trabalhistas
Confira, neste vídeo, os princípios e as características dos recursos
trabalhistas.
Primeiras observações
O recurso é um meio processual disponível para que a decisão seja
impugnada pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo
Ministério Público do Trabalho. O recurso trabalhista tem natureza
jurídica de prolongamento do exercício do direito de ação. Desse modo,
a decisão impugnada poderá ser reformada, esclarecida, invalidada ou
integrada na mesma relação jurídico-processual.
Conheça as diversas razões que fundamentam a necessidade de
existência dos recursos!
Inconformismo da parte vencida
Diante disso, configura-se um amplo sistema processual de recursos
trabalhistas, formado por:
Embargos de declaração (art. 897-A da CLT)
Recurso ordinário (art. 895 da CLT)
Agravo de instrumento (art. 897, b, da CLT)
Agravo de petição (art. 897, a, da CLT)
Recurso de revista (arts. 896, 896-A, 896-B e 896-C da CLT)
Embargos no TST (art. 894 da CLT)
Agravo regimental ou interno (art. 709, § 1º, da CLT; art. 1.021 do
CPC; Súmula 435 do TST e OJ 412 da SDI-1/TST)
Recurso de revisão (art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 5.584/1970)
Falibilidade humana
Aprimoramento das decisões
judiciais
Controle dos atos jurisdicionais
pelas instâncias superiores
Recurso extraordinário (art. 102, III, da CF; e arts. 1.029 a 1.041 do
CPC)
Recurso ordinário constitucional (art. 102, II, da CF; e arts. 1.027 e
1.028 do CPC)
Recurso adesivo (art. 997 do CPC; e Súmula 283 do TST)
Princípios dos recursos
trabalhistas
Os recursos trabalhistas estão permeados por uma vasta gama de
princípios gerais e específicos do direito do trabalho. Confira alguns dos
mais relevantes princípios que regem a sistemática recursal trabalhista!
 Duplo grau de jurisdição
Assegura o controle das decisões judiciais
proferidas pelas instâncias inferiores realizado
pelos órgãos superiores. A decisão contrária à
Fazenda Pública será submetida ao duplo grau de
jurisdição obrigatório, também denominado
reexame necessário (Decreto-lei nº 779/1969 e art.
496 do CPC), que não se trata de recurso por não
objetivar reformar, aclarar ou anular a decisão. É
uma condição de eficácia da decisão.
 Taxatividade ou legalidade
Estabelece que será cabível apenas o recurso em
lei, mais especificamente na CLT ou em legislação
extravagante. Por isso, o rol dos recursos
trabalhistas é taxativo (numerus clausus).
 Unirrecorribilidade, singularidade
ou unicidade recursal
Ad it bi t d ú i ífi
Características de recursos
trabalhistas
As principais características dos recursos na Justiça do Trabalho são:
uniformidade dos prazos recursais trabalhistas; irrecorribilidade
Admite o cabimento de um único recurso específico
para cada decisão. Ressalta-se que parte da
doutrina entende que esse princípio não é absoluto,
pois são possíveis, por exemplo, embargos de
declaração e recurso (ordinário, de revista,
embargos de divergência ou extraordinário) da
mesma decisão.
 Fungibilidade ou conversibilidade
Possibilita que um recurso interposto de forma
incorreta seja admitido como se fosse o correto. A
sua aplicação se deve ao caráter instrumental do
processo, que é instrumento para aplicação do
direito material ao caso concreto. Para que esse
princípio seja aplicado, é necessário observar os
seguintes requisitos ou pressupostos: ausência de
erro grosseiro ou de má-fé; dúvida plausível sobre o
recurso cabível no caso concreto; e que o recurso
interposto de forma errada observe o prazo do
recurso correto.
 Proibição da reformatio in pejus
Prevê que o tribunal competente para o julgamento
do recurso não poderá agravar a situação do
recorrente. A decisão do tribunal no julgamento do
recurso não poderá ser mais desfavorável ao
recorrente do que a recorrida.
imediata das decisões interlocutórias; irrecorribilidade no procedimento
sumário (dissídio de alçada); e inexigibilidade de fundamentação.
Vamos saber mais sobre cada uma delas!
São uniformes, razão pela qual o prazo para interpor e contra-
arrazoar é de oito dias. Contudo, existem algumas exceções à
uniformidade dos prazos recursais trabalhistas, por exemplo: os
embargos de declaração com cinco dias (art. 897-A da CLT); o
recurso extraordinário com 15 dias (art. 1.003, § 5º, do CPC); o
recurso ordinário constitucional com 15 dias (art. 1.003, § 5º, do
CPC); o recurso de revisão com 48 horas (art. 2º, § 2º, da Lei nº
5.584/1970); a Fazenda Pública (art. 183 do CPC); e Ministério
Público do Trabalho com prazos em dobro (art. 180 do CPC).
Estabelece que a apreciação do merecimento das decisões
interlocutórias ocorrerá apenas em recurso da decisão definitiva.
O princípio não é absoluto como se observa nas exceções à
irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias da Súmula
214 do TST.
Consiste na impossibilidade de interposição de recurso das
sentenças proferidas no dissídio de alçada (art. 2º, § 4º, da Lei
nº 5.584/1970), com exceção daquelas que tratarem de matéria
constitucional à qual caberá recurso extraordinário (art. 102, III, a,
da CF).
Não é exigida, pois a CLT prevê que os recursos trabalhistas são
interpostos porsimples petição (art. 899 da CLT). Contudo, a
doutrina entende que é necessária a sua fundamentação para
Prazos recursais trabalhistas 
Irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias (art.
893, § 1º, da CLT) 
Irrecorribilidade no procedimento sumário 
Inexigibilidade de fundamentação 
que o recorrido possa contra-arrazoar e o tribunal apreciar as
razões do inconformismo devido aos princípios constitucionais
do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LV, da CF). A
necessidade de fundamentação dos recursos está relacionada
ao princípio da dialeticidade ou discursividade recursal. Para
exemplificar, a Súmula 422 do TST não conhece recurso para o
TST sem fundamento ou com fundamento deficiente.
Regras processuais dos
recursos trabalhistas
Confira, neste vídeo, os principais aspectos dos efeitos dos recursos
trabalhistas, assim como de seus requisitos de admissibilidade.
Efeito devolutivo dos recursos
trabalhistas
Os recursos trabalhistas possuem efeito meramente devolutivo,
permitida a execução até a penhora (art. 899, caput, da CLT). O recurso
devolve ao tribunal o conhecimento da matéria que foi impugnada, e,
devido ao efeito devolutivo, o julgamento será realizado pelo órgão
prolator competente, observados os limites das razões recursais.
Os efeitos dos recursos podem ser compreendidos com relação à
extensão (prisma horizontal) e profundidade (prisma vertical). Vamos
conhecê-los!
Efeito devolutivo em extensão ou
horizontal
Limita o órgão competente para julgamento do recurso ao que
está adstrito aos pedidos apresentados nas razões recursais.
Contudo, o processo que já estiver em condições de imediato
julgamento terá o seu mérito decidido desde logo pelo tribunal
(art. 1.013, §§ 3º e 4º, CPC/2015).
Efeito devolutivo em profundidade ou
vertical
Permite que o tribunal aprecie todas as questões suscitadas e
discutidas no processo, mesmo que a sentença ainda não as
tenha julgado por completo.
É importante ressaltar que, devido ao efeito devolutivo em profundidade
ou vertical, o juiz poderá acolher apenas um pedido ou a defesa quando
houver mais de um fundamento, e o recurso devolverá ao tribunal o
conhecimento dos demais (art. 1.013, §§ 1º e 2º, CPC). Quanto ao
pedido ou à defesa que forem compostos por mais de um fundamento,
em que o magistrado tiver acolhido somente um deles, o recurso
também devolverá as demais referentes ao capítulo que foi impugnado
(Súmula 393 do TST).
O efeito devolutivo compreende a devolução da matéria impugnada pelo
recorrente (prisma horizontal), porém o juízo ad quem poderá adentrar
todas as teses jurídicas sustentadas no processo (prisma vertical).
Em regra, os recursos trabalhistas possuem apenas efeito devolutivo,
mas existem algumas exceções em que poderá ser atribuído o efeito
suspensivo. Ou seja, em algumas situações haverá a suspensão da
eficácia da sentença proferida, como nas hipóteses do art. 9 da Lei nº
7.701/1988 e da Súmula 414, I, do TST.
Pressupostos recursais
Os recursos são submetidos ao duplo juízo de admissibilidade recursal.
Veja!
Juízo a quo
Primeiro juízo de
admissibilidade
recursal.
juízo ad quem
Segundo juízo de
admissibilidade
recursal.
Isso significa que o exame de admissibilidade será realizado em dois
momentos. A seguir, você verá as classificações dos pressupostos
recursais ou requisitos de admissibilidade recursal, que devem ser
preenchidos pelo recorrente para a interposição do recurso.
Objetivos ou extrínsecos
Abarcam os fatores externos à decisão judicial que se busca
impugnar. Tais fatores se referem a: previsão legal (cabimento),
adequação, tempestividade, preparo, regularidade formal
(regularidade de representação), inexistência de fato impeditivo,
modificativo ou extintivo do direito de recorrer.
Subjetivos ou intrínsecos
Contemplam os fatores internos à decisão judicial que se busca
impugnar. Esses fatores são a legitimidade para recorrer, a
capacidade e o interesse recursal.
Os principais pressupostos recursais são:
Previsão legal (cabimento)
Adequação
Tempestividade
Preparo e depósito recursal
O ato deve ser recorrível e somente as sentenças e os acórdãos são
recorríveis. Existem algumas exceções em que poderá ser interposto
recurso de decisões interlocutórias apresentadas na Súmula 214 do
TST.
O recurso adequado para atacar a decisão deverá ser interposto no
prazo legal. Os recursos trabalhistas seguem o prazo unificado de oito

dias, com exceção dos embargos de declaração, do recurso
extraordinário para o STF, do recurso ordinário constitucional e do
pedido de revisão do valor da causa nos dissídios de alçada.
O preparo requer que o recorrente recolha as custas e realize o depósito
recursal sob pena de o recurso ser considerado deserto.
As custas são relativas aos pagamentos de despesas com porte de
remessa e retorno dos autos e despesas postais, e serão pagas pelo
vencido após o trânsito em julgado da decisão. As custas são pagas
pelo recorrente, seja empregado ou empregador. O beneficiário da
justiça gratuita (art. 790-A da CLT) não pagará custas.
Sobre o depósito recursal, acompanhe as seguintes considerações!
 Possui natureza jurídica de garantia de juízo, e é
com o seu pagamento que se pretende assegurar a
execução. É devido somente ao empregador que
queira interpor recurso.
 É feito em conta vinculada ao juízo, corrigido com
os mesmos índices da poupança (art. 899, § 4º, da
CLT) e comprovado seu recolhimento no prazo do
recurso (art. 7º da Lei nº 5.584/1970 e Súmula 245
do TST).
 É reduzido à metade para entidades sem fins
lucrativos, empregadores domésticos,
i d d i di id i i
A partir das alterações introduzidas pela Reforma Trabalhista (Lei nº
13467/2017), o depósito recursal poderá ser substituído por fiança
bancária ou seguro garantia judicial (art. 899, §11, da CLT).
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
(XXXV Exame da OAB) Em sentença prolatada pela 89ª Vara do Trabalho
de Floriano/PI, nos autos da reclamação trabalhista número 0101010-
50.2021.5.22.0089, movida por Benício Pérolas contra a Transportadora
Rapidinha Ltda., o pedido foi julgado procedente em parte nos seguintes
termos: (i) não foi conhecida a prejudicial de prescrição parcial porque
suscitada pela sociedade empresária em razões finais, e não na
contestação, ocorrendo, na ótica do magistrado, preclusão; (ii) foi
indeferida a anulação do pedido de demissão feito pelo ex-empregado,
em 10/02/2021, após 10 anos de trabalho, porque o autor não provou
qualquer vício na sua manifestação de vontade; (iii) foi deferido o
pagamento de 1 hora extra diária, com adicional de 50% (cinquenta por
cento), pelo intervalo interjornada desrespeitado, pois o juiz se
convenceu que o autor trabalhava de segunda a sexta-feira, das 8 às 20
h, com intervalo de 1 hora para refeição; (iv) foi indeferido o pagamento
do 13º salário de 2019, porque a empresa comprovou documentalmente
nos autos, a quitação regular deste direito; (v) foi deferida a reintegração
do autor ao emprego, porque ele comprovou ser, à época, dirigente, com
mandato em vigor, de uma associação desportiva criada pelos
empregados da Transportadora Rapidinha Ltda.; (vi) foi deferido o
depósito do FGTS na conta vinculada para o período de 5 meses no qual
o autor ficou afastado pelo INSS em auxílio por incapacidade temporária
previdenciária (antigo auxílio-doença comum, código B-31), período em
microempreendedores individuais, microempresas
e empresas de pequeno porte (art. 899, § 9º, da
CLT). Além disso, são isentos do recolhimento do
depósito recursal os beneficiários da justiça
gratuita, as entidades filantrópicas e as empresas
em recuperação judicial (art. 899, § 10, da CLT).
que a empresa não recolheu o FGTS; (vii) foi indeferido o pedido de
férias 2018/2019, em razão da grande quantidade de faltas
injustificadas que o trabalhador teve no período aquisitivo, comprovada
documentalmente nos autos;(viii) foi deferida a integração da ajuda de
custo à remuneração do autor, porque ela era paga mensalmente pela
empresa, conforme se verificou dos contracheques que foram juntados
aos autos; (ix) foi deferida, de julho de 2020 a fevereiro de 2021, a
equiparação salarial do autor com o empregado Raul Flores Raras, que
exercia a mesma função do reclamante e atuava na filial da empresa
localizada em Goiás; (x) foi deferido o pagamento de insalubridade
desde a sua supressão, porque, em que pese ter havido
comprovadamente a reclassificação da atividade pelo órgão
competente durante o contrato de trabalho, o juiz entendeu que havia
direito adquirido porque o trabalhador já contava com essa verba no seu
orçamento, além de ofensa ao princípio da irredutibilidade salarial; e (xi)
foram deferidos honorários advocatícios em favor do advogado do
reclamante, na ordem de 30% (trinta por cento) sobre o valor da
liquidação e de 15% (quinze por cento) em favor do advogado da
empresa sobre os pedidos julgados improcedentes.
Entende-se que o(a) advogado(a) deverá apresentar um recurso
ordinário, elaborando a petição de interposição à 89ª Vara do Trabalho
de Floriano/PI e as razões recursais ao TRT. Diante do caso
apresentado, explique qual será o preparo necessário para a
interposição do recurso ordinário.
Digite sua resposta aqui
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O preparo para a interposição do recurso ordinário requer que a
recorrente, a Transportadora Rapidinha Ltda., recolha as custas e
realize o depósito recursal sob pena de o recurso ser considerado
deserto. As custas são referentes aos pagamentos de despesas
com porte de remessa e retorno dos autos e as despesas postais.
O depósito recursal visa à garantia de juízo, e seu pagamento
assegurará a execução. O depósito recursal será feito em conta
vinculada ao juízo e corrigido com os mesmos índices da
poupança (art. 899, § 4º, da CLT) e comprovado seu recolhimento
no prazo do recurso (art. 7º da Lei nº 5.584/1970 e Súmula 245 do
TST).
2 - Recursos ao TRT
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os principais
recursos dirigidos ao TRT.
Recurso ordinário no
processo trabalhista
Confira, neste vídeo, os principais aspectos do recurso ordinário
trabalhista.
Principais características
O recurso ordinário (art. 895 da CLT) é o principal recurso dirigido ao
TRT. É o mais comum e o mais importante na prática trabalhista. É
considerado a “apelação” do processo trabalhista. O recurso ordinário
atende ao princípio da uniformidade, e o prazo para a sua interposição é
de oito dias.
Além disso, ele não está isento de preparo, o que significa que o
recorrente deverá recolher as custas e o depósito recursal. O recurso
ordinário trabalhista, previsto no art. 895 da CLT, é cabível nas decisões
definitivas (com resolução do mérito) ou terminativas (sem resolução do
mérito), que são:
As proferidas pelo juiz do trabalho, com julgamento pelo TRT;
As proferidas pelo TRT em ações de competência originária nos
dissídios individuais e coletivos, com julgamento pelo TST.
Conheça os dois tipos de hipótese de cabimento do recurso ordinário!
Prevista no art. 895 da CLT, contra as decisões definitivas ou
terminativas das Varas e Juízos, é a mais comum na Justiça do
Trabalho.
Prevista no art. 895 da CLT, é contra decisões definitivas ou
terminativas proferidas pelos TRTs, quer nos dissídios
individuais, quer nos dissídios coletivos. Essa hipótese é
observada nos processos de competência originária dos TRTs,
compreendendo os dissídios individuais e os dissídios coletivos,
por exemplo: ação rescisória (Súmula 158 do TST); mandado de
segurança (Súmula 201 do TST); ação anulatória de cláusula
convencional; e dissídio coletivo.
Primeira hipótese 
Segunda hipótese 
O recurso ordinário poderá ser julgado pelo TRT ou pelo Tribunal
Superior do Trabalho (TST); por essa razão, é importante atentar para a
hipótese de cabimento.
Os recursos trabalhistas observam a regra geral do duplo juízo de
admissibilidade. Na primeira hipótese de cabimento do recurso
ordinário (contra decisões terminativas ou definitivas proferidas pelas
Varas ou Juízos), observe o seguinte:
O juízo a quo
(primeiro juízo de
admissibilidade
recursal)
É a Vara do Trabalho ou
o Juízo de Direito.
O juízo ad quem
(segundo juízo de
admissibilidade
recursal)
É o Tribunal Regional do
Trabalho.
Na segunda hipótese (contra decisões terminativas ou definitivas
proferidas pelos TRTs, nos dissídios individuais ou coletivos), perceba
que:
O juízo a quo
(primeiro juízo de
admissibilidade
recursal)
É o Tribunal Regional do
Trabalho.
O juízo ad quem
(segundo juízo de
admissibilidade
recursal)
É o Tribunal Superior do
Trabalho.
Com a aplicação do art. 1.010, § 3º, do CPC ao processo do trabalho, o
recurso ordinário poderia ser objeto de um triplo juízo de
admissibilidade recursal: dois realizados no juízo a quo e um realizado
no juízo ad quem. Confira!


 No primeiro juízo de admissibilidade, pela Vara do
Trabalho, após a protocolização do recurso.
Por estar submetido à regra geral do duplo juízo de admissibilidade, é
importante notar que o recurso ordinário requer a elaboração dessas
duas peças:
A petição de interposição ou peça de encaminhamento, que deverá
ser direcionada ao juízo a quo, que é o primeiro juízo de
admissibilidade recursal.
As razões recursais, que deverão ser endereçadas ao juízo ad quem,
que é o segundo juízo de admissibilidade recursal.
O preparo do recurso ordinário trabalhista poderá consistir em custas
e/ou depósito; informações que deverão constar na petição de
interposição. Veja as informações que devem constar no recurso
ordinário, segundo as condições a seguir.
O pagamento das custas e o depósito recursal foram
efetuados, conforme comprovantes anexos, se o recorrente for
empresa.
Apenas o pagamento das custas foi realizado, pois o
reclamante é isento de depósito recursal.
O pagamento das custas ou depósito recursal não foi realizado,
pois trata-se de beneficiário da justiça gratuita (art. 790, § 4º,
da CLT).
 No segundo juízo de admissibilidade, pela Vara do
Trabalho, após o recebimento das contrarrazões.
 No terceiro juízo de admissibilidade, pelo Tribunal
Regional do Trabalho.
As espécies de vícios da decisão judicial que podem ensejar a
interposição de recurso são o error in procedendo e o error in judicando.
A sua identificação é importante para a elaboração do pedido a ser feito
no recurso, que poderá ser de reforma (no error in judicando) ou de
anulação (no error in procedendo).
Embargos de declaração no
processo trabalhista
Entenda, neste vídeo, os embargos de declaração e suas peculiaridades
no processo do trabalho.
Signi�cação e elementos dos
embargos de declaração
Os embargos de declaração também são muito comuns na prática
trabalhista, e a sua previsão legal encontra-se no art. 897-A da CLT
combinado com os arts. 1.022 a 1.026 do CPC/2015. Tais embargos
têm natureza recursal, conforme entendimento doutrinário e
jurisprudencial. Diante disso, considere as hipóteses nas quais o
embargo de declaração é cabível.
Suprir omissão, contradição ou
obscuridade do julgado (efeito
integrativo ou completivo) na
t f id l j i
Confira algumas das principais características dos embargos de
declaração!
Possui prazo de interposição diferenciado (o seu prazo é de cinco
dias).
Não possui contrarrazões (estas ocorrerão apenas quando houver
resposta ao recurso na existência de efeitos infringentes, conforme
a Súmula 278 do TST).
sentença proferida pelo juiz ou
no acórdão prolatado pelo TRT,
TST ou STF, dirigidos ao juiz ou
ao relator que publicou a
decisão.
Reformar ou modificar o julgado
quando houver omissão,
contradição ou manifesto
equívoco no exame dos
pressupostos extrínsecos do
recurso (efeito modificativo ou
infringente).
Prequestionar a matéria,
objetivando a futura interposição
de recursos de natureza
extraordinária – recurso de
revista,embargos no TST e
recurso extraordinário
(prequestionamento).
Admite a interrupção do prazo para outros recursos (efeito
interruptivo).
Prevê multa por utilização protelatória ao recorrente de má-fé (art.
1.026, § 2º, do CPC).
Permite a possibilidade de efeitos infringentes.
Evita a preclusão quanto à matéria.
É isento de preparo (custas e depósito recursal).
Os recursos trabalhistas são submetidos a dois juízos de
admissibilidade recursal (o juízo a quo e o juízo ad quem), que analisam
o preenchimento dos pressupostos recursais. Contudo, os embargos de
declaração são uma exceção, pois são submetidos a um único juízo de
admissibilidade recursal.
A competência para os embargos de declaração é do mesmo juízo a
quo que recebe, admite e julga o recurso. Nesse caso, não há remessa
para órgão ad quem. Para exemplificar, quando o juízo que proferiu a
decisão for o Tribunal Regional do Trabalho de Alagoas, o juízo
competente para o julgamento dos embargos de declaração será o
próprio Tribunal Regional do Trabalho de Alagoas. Por isso, de modo
distinto do recurso ordinário, que possui duas peças (interposição e
razões), os embargos de declaração possuem apenas uma única peça.
Agravo de instrumento no
processo trabalhista
Confira, neste vídeo, o agravo de instrumento na Justiça do Trabalho,
com destaque para seus aspectos mais relevantes.
O ataque às decisões
interlocutórias
O agravo de instrumento é apropriado para impugnar as decisões
interlocutórias, inclusive as que não admitem outros recursos (art.
1.015, CPC). Note que o processo do trabalho admite a utilização do
agravo de instrumento de forma mais restrita do que o processo civil
devido à irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias, cujas
exceções estão dispostas na Súmula 214 do TST.
Conheça agora algumas de suas características!
 É utilizado no processo do trabalho quando outro
recurso é inadmitido e deste não é cabível, por
exemplo, agravo regimental ou embargos de
declaração. É apropriado para “destrancar” outros
recursos, isto é, para impugnar decisão de
inadmissão de outros recursos quando proferida
pelo juízo a quo. O recurso não recebido terá o seu
ingresso reivindicado pelo agravo de instrumento,
no prazo de oito dias úteis, a ser julgado pelo
mesmo tribunal responsável pela tramitação do
recurso não recebido.
 Está previsto no art. 897, b, da CLT, e deverá ser
formado com os documentos relacionados no art.
897, § 5º, da CLT. O agravo de instrumento requer a
realização de depósito recursal, em 50% da quantia
depositada para o recurso que se busca destrancar,
e, eventualmente, será necessária apenas a sua
complementação.
 É interposto perante o juízo a quo. Esse é o juízo
que proferiu a decisão, ou seja, que inadmitiu o
recurso cuja decisão está sendo impugnada no
agravo de instrumento.
Para a interposição do agravo de petição, será necessária a elaboração
de duas peças: a petição de interposição e a petição das razões.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Em uma ação judicial trabalhista, estabelecida na cidade do Rio de
Janeiro, o processamento do recurso ordinário interposto pelo
reclamante foi indeferido, o que suscitou a necessidade de interposição
de recurso de agravo de instrumento. O último dia do prazo para a
interposição do agravo de instrumento foi 20 de janeiro, feriado
municipal na cidade do Rio de Janeiro. Por isso, a sua petição foi
apresentada apenas no dia útil seguinte. No julgamento do agravo de
instrumento, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) não se atentou ao
fato de que 20 de janeiro havia sido feriado municipal. O agravo de
instrumento não foi conhecido, tendo em vista que o tribunal o
considerou intempestivo.
Diante disso, na condição de advogado(a) do reclamante, explique qual
será a peça processual cabível, devido ao não conhecimento do agravo
de instrumento pelo TRT, a ser analisado pelo próprio tribunal.
 Seu fundamento está relacionado ao equívoco do
juiz na análise. O juiz poderá exercer a retratação e,
assim, revogar a decisão anteriormente proferida.
Com a retratação, o recorrido será intimado para
apresentar contrarrazões ao recurso que havia sido
inadmitido, subindo os autos para julgamento. Se
não houver a retratação, o recorrido será intimado
para apresentar contrarrazões. Destaca-se que deve
ser observada a especificidade do § 6º do art. 897
da CLT, pois serão apresentadas duas
contrarrazões, no prazo de oito dias, ao agravo de
instrumento e ao recurso inadmitido.
Digite sua resposta aqui
Exibir solução
No caso apresentado, deverão ser opostos embargos de
declaração por omissão, ao mesmo tribunal, para que este
modifique a decisão de não conhecimento do agravo de
instrumento e, assim, tenha o seu regular processamento e o
mérito apreciado. Os embargos de declaração deverão ser
fundamentados nos arts. 1.022 a 1.026 do CPC, que serão
aplicados subsidiária e supletivamente ao processo do trabalho
por força do art. 769 da CLT e do art. 15 do CPC.
3 - Elaboração dos recursos ao TRT
Ao �nal deste módulo, você será capaz de elaborar, com um viés prático e
teórico, os recursos dirigidos ao TRT.
Noções gerais para a
elaboração de recursos
trabalhistas
Confira, neste vídeo, as regras gerais de como deve ser elaborado um
recurso trabalhista.
Pontos comuns para os
recursos
Os recursos são interpostos em duas peças, à exceção dos embargos
de declaração, que possuem apenas uma. Assim, para a interposição
dos recursos será necessário elaborar a petição de interposição e as
razões recursais. A elaboração da petição de interposição deve atentar
aos seguintes pontos:
Endereçamento
Tempestividade
Comprovação do recolhimento de custas e depósito
Recebimento e encaminhamento do recurso
Encerramento
A petição de interposição é dirigida ao juiz prolator da decisão (juízo a
quo); assim, o seu endereçamento poderá ser elaborado das seguintes
formas!
Vara do trabalho
“EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DO TRABALHO DA ...
VARA DO TRABALHO DE ...”.
TRT
“EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR,
PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO
DA ... REGIÃO”.
TST
“EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO, PRESIDENTE
DO COLENDO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO”.
Observe que, para a elaboração da peça de interposição, não há
necessidade de apresentar a qualificação das partes, pois estas foram
devidamente qualificadas nos autos.
Recomendação
Deve-se mencionar, na elaboração da peça, a tempestividade do recurso,
e, necessariamente, deverá ser citada a comprovação do recolhimento
das custas e do depósito recursal, se forem cabíveis.
O recebimento e o encaminhamento do recurso para o tribunal
competente devem ser requeridos na peça de interposição com a
indicação do tribunal competente. Para a indicação do TRT
correspondente ao estado, observe o art. 674 da CLT.
Como de praxe, o encerramento da petição de interposição
compreenderá local, data, assinatura, advogado e inscrição na OAB.
A peça de razões recursais é a petição que será dirigida ao tribunal
superior competente. Note que a peça das razões recursais não possui
o endereçamento da mesma forma que a de interposição. A elaboração
do seu endereçamento deverá apresentar os seguintes elementos.
Vejamos!
 Nome do recurso
“RAZÕES DE RECURSO ORDINÁRIO”
Na peça de razões recursais, são feitas, ainda, as seguintes saudações:
“Egrégio Tribunal”, “Colenda Turma” e “Nobres Julgadores”. No recurso
dirigido ao TST e ao STF, a saudação “Nobres Julgadores” será
substituída por “Ínclitos Ministros”.
Na sequência, você vai entender, com mais detalhes, a elaboração dos
seguintes recursos ao TRT: recurso ordinário, embargos de declaração e
agravo de instrumento.
Elaboração do recurso
ordinário ao TRT
Confira, neste vídeo, as regras para a elaboração de um recurso
ordinário trabalhista.
Como fazer um recurso
ordinário?
 Identi�cação das partes
“RECORRENTE” e“RECORRIDO”
 Identi�cação do processo
“ORIGEM” e “NÚMERO DO PROCESSO”
O recurso ordinário requer a elaboração de duas peças: a petição de
interposição e a petição das razões recursais.
Para a elaboração da petição de interposição, os seguintes elementos
devem constar na peça:
Endereçamento
Número do processo
Menção às partes recorrente e recorrida
Nome do recurso e fundamento legal
Informações sobre a admissibilidade
Requerimentos e encerramento
Confira como a petição de interposição pode ser elaborada!
A petição de interposição será endereçada à Vara do Trabalho
que proferiu a decisão impugnada.
O número do processo deverá ser informado.
O nome da parte (recorrente) pode apenas ser informado com a
expressão “já devidamente qualificado nos autos”. Ressalta-se
que não há necessidade de qualificar novamente a parte
(recorrente), pois essas informações constam na petição inicial
ou contestação.
Endereçamento 
Número do processo 
Qualificação da parte recorrente 
Nome do recurso e fundamento legal 
O nome do recurso interposto deverá ser indicado (em letras
maiúsculas) com a sua fundamentação legal, que nessa peça
será: o “RECURSO ORDINÁRIO”, com fulcro no art. 895, I, da CLT.
O nome da parte recorrida, na peça de interposição, pode
somente ser exposto como “também qualificado nos autos”.
Também não há necessidade de qualificar a parte recorrida
novamente, uma vez que suas informações constam na petição
inicial ou contestação.
As informações sobre a admissibilidade, em especial o preparo,
com a sua devida comprovação do pagamento das custas e
depósito, deve constar na peça de interposição. Observe, ainda,
que, na peça em que não houver preparo, deverá ser exposto o
motivo do não pagamento das despesas.
A intimação do recorrido deve ser requerida na peça de
interposição, para, se desejar, apresentar contrarrazões e, após
regular processamento, os autos serem remetidos à instância ad
quem para julgamento do mérito do recurso.
As informações como data, local e assinatura do advogado e
número de inscrição na OAB deverão ser indicadas após o
fechamento.
Para a elaboração da petição das razões recursais, deverão ser
desenvolvidos os seguintes elementos:
Qualificação da parte recorrida 
Admissibilidade 
Requerimentos 
Encerramento 
Indicação do processo
Partes e origem
Menção aos julgadores
Fundamentos do recurso
Requerimentos
Encerramento
Agora, observe a estrutura de elaboração da peça de petição das razões
recursais.
A petição das razões recursais deverá indicar o número do
processo, nome do recorrente, nome do recorrido e origem do
processo.
A peça deverá fazer menção aos julgadores, conforme o recurso.
Os fundamentos devem ser expostos na petição, com a
indicação do equívoco da decisão, que pode ser um error in
procedendo ou um error in judicando. Além disso, é preciso expor
como foi a decisão e como deveria ser, comparando a norma
jurídica para esclarecer que a decisão está errada e, por isso,
deverá ser reformada ou anulada.
A petição deverá requerer que o recurso seja ADMITIDO e
PROVIDO para reformar ou anular a decisão que está sendo
Indicação do processo, partes e origem 
Menção aos julgadores 
Fundamentos do recurso 
Requerimentos 
recorrida devido ao error in judicando ou procedendo
demonstrado na fundamentação.
As informações como data, local e assinatura do advogado e
número de inscrição na OAB deverão ser indicadas após o
fechamento.
Elaboração dos embargos de
declaração ao TRT
Confira, neste vídeo, os principais cuidados que você deve tomar ao
elaborar embargos de declaração no processo do trabalho.
Principais elementos
Os embargos de declaração são submetidos a um único juízo de
admissibilidade, isto é, são opostos perante o próprio juízo ou tribunal
que proferiu a decisão a ser atacada. Por esse motivo, possuem apenas
uma única peça (sem a petição de interposição ou de
encaminhamento). Desse modo, os embargos de declaração são
opostos em peça única, que apresentará as razões recursais.
Confira, agora, um modelo de estrutura para a elaboração da peça de
embargos de declaração.
Encerramento 
Endereçamento 
Será direcionado à Vara do Trabalho, ao desembargador relator
ou ao ministro relator que proferiu a decisão impugnada.
Deverá ser informado.
Não precisa ser totalmente feita na peça, tendo em vista que os
dados já constam no processo anteriormente mencionado. É
preciso apenas informar que a autora (reclamante) já consta
devidamente qualificada nos autos do processo.
É essencial que seja informado o recurso que está sendo oposto
(em letras maiúsculas) e o seu fundamento legal, que aqui serão
os arts. 897-A da CLT e 1.022 do CPC, aplicados subsidiária e
supletivamente ao processo do trabalho por força do art. 769 da
CLT e do art. 15 do CPC.
É suficiente informar apenas o nome da parte contrária, pois já
está devidamente qualificada nos autos do processo.
É regra os embargos de declaração serem isentos de preparo
(custas e depósito recursal).
Número do processo 
Qualificação da parte autora (reclamante) 
Identificação e previsão legal da peça processual 
Qualificação da parte ré (reclamado) 
Menção aos pressupostos recursais (requisitos de
admissibilidade recursal) 
Deverá ser apresentado um breve relato da demanda.
Devem os embargos de declaração apresentar a descrição do
vício, ou seja, omissão, obscuridade, contradição e/ou equívoco
manifesto na análise dos pressupostos extrínsecos de
admissibilidade. Em síntese, trata-se da sustentação da tese de
omissão, contradição e/ou obscuridade do julgado.
É preciso requerer que o recurso seja conhecido e provido para
saneamento de omissão, contradição e/ou obscuridade do
julgado.
É preciso que sejam feitos fechamento, seguido de data, local,
advogado com o número de inscrição na OAB e assinatura.
Elaboração do agravo de
instrumento ao TRT
Confira, neste vídeo, como elaborar um agravo de instrumento na
Justiça do Trabalho.
Resumo da demanda 
Fundamento do recurso (razões recursais) 
Requerimentos (pedidos ou conclusões) 
Encerramento 
Requisitos do agravo de
instrumento
O agravo de instrumento trabalhista é o recurso cabível contra decisão
que denega o seguimento de recurso no juízo a quo, sendo, portanto,
utilizado para destrancar recurso (art. 897, b, da CLT). O agravo de
instrumento trabalhista requer a elaboração de duas peças para a sua
interposição: a petição de interposição e a petição das razões.
A petição de interposição do recurso de agravo de instrumento deve ser
elaborada de acordo com a estrutura a seguir. Veja!
Deve ser dirigido ao juiz prolator da decisão impugnada (Vara do
Trabalho, TRT ou TST). Por exemplo, o endereçamento padrão ao
TRT poderá ser elaborado da seguinte forma: “EXCELENTÍSSIMO
SENHOR DESEMBARGADOR, PRESIDENTE DO EGRÉGIO
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA ... REGIÃO”.
Deve ser indicado abaixo do endereçamento.
Devem ser mencionados na peça o agravante e agravado, mas
não é necessário qualificação completa, pois já estão
qualificados nos autos.
Endereçamento 
Indicação do número do processo 
Qualificação das partes 
Deve constar na peça, com endereço profissional, para receber
as notificações.
Deve ser informado (em letras maiúsculas) o nome da peça,
além de seu fundamento legal (art. 897, b, da CLT).
Deve ser informada a juntada das peças necessárias para
formação do instrumento, descritas no art. 897, § 5º, da CLT.
Deve ser comprovado na peça o recolhimento do depósito
recursal, correspondente a 50% do valor do depósito do recurso
que se pretende destrancar (art. 899, § 7º, da CLT).
Deve ser requerido, por meio da peça, o conhecimento do agravo
de instrumento, reconsiderando-se a decisão que negou
seguimento ao recurso ou, sucessivamente, o encaminhamento
do agravo de instrumento ao tribunal.
Deve apresentar local, data e assinatura do advogado com o seu
nome e inscrição na OAB.
Indicação do advogado 
Identificaçãoda peça e fundamentos legais 
Cópias para formação do instrumento 
Preparo 
Requerimentos finais 
Encerramento 
Agora, confira a estrutura para a elaboração da petição das razões do
agravo de instrumento.
O encaminhamento padrão deve conter menção ao agravante, ao
agravado, origem e número do processo, bem como as
expressões de respeito.
De maneira breve, deve ser informado que estão preenchidos os
pressupostos recursais objetivos (extrínsecos) e subjetivos
(intrínsecos).
Um relato dos fatos deve ser apresentado de forma sucinta.
A peça deverá informar os motivos justificadores da reforma do
despacho denegatório de seguimento do recurso principal no
juízo a quo.
O conhecimento e o provimento do agravo de instrumento, o
conhecimento do recurso trancado e a determinação da
apreciação de seu mérito devem ser requeridos nos pedidos.
Encaminhamento ou cabeçalho 
Pressupostos recursais ou requisitos de admissibilidade
recursal 
Resumo da demanda 
Razões recursais 
Pedidos 
Encerramento 
Local, data, advogado com assinatura e número da OAB deverão
ser informados após o fechamento.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
(XXXI Exame da OAB) Débora Pimenta trabalhou como auxiliar de
coveiro na sociedade empresária Morada Eterna Ltda., de 30/03/2018 a
07/01/2019, quando foi dispensada sem justa causa, recebendo, por
último, o salário de R$ 1.250,00 mensais, conforme anotado na CTPS.
Em razão disso, ela ajuizou reclamação trabalhista em face da
sociedade empresária. A ação foi distribuída ao juízo da 90ª Vara do
Trabalho de Teresina/PI, recebendo o número 0050000-
80.2019.5.22.0090. Débora formulou vários pedidos, que assim foram
julgados: o juízo declarou a incompetência material da Justiça do
Trabalho para apreciar o pedido de recolhimento do INSS do período
trabalhado; foi reconhecido que a jornada se desenvolvia de 2ª a 6ª
feira, das 10 às 16 horas, com intervalo de 10 minutos para refeição,
conforme confessado pelo preposto em interrogatório, sendo, então,
deferido o pagamento de 15 minutos com adicional de 50%, em razão
do intervalo desrespeitado, e reflexos nas demais verbas salariais; não
foi reconhecido o salário oficioso de mais R$ 2.000,00 alegado na
petição inicial, já que o julgador entendeu não haver prova de qualquer
pagamento “por fora”; foi deferido o pagamento de horas extras pelos
feriados, conforme requerido pela trabalhadora na inicial, que pediu
extraordinário em “todo e qualquer feriado brasileiro”, sendo rejeitada a
preliminar suscitada na defesa contra a forma desse pedido; foi deferida
indenização de R$ 6.000,00 a título de dano moral por acidente do
trabalho em razão de doença degenerativa da qual a trabalhadora foi
vítima, conforme laudos médicos juntados aos autos; foi indeferido o
pagamento de adicional noturno, já que a autora não comprovou que
houvesse enterro, ou preparação para tal fim, no período compreendido
entre 22 e 5 horas; foi deferido o pagamento do vale-transporte em todo
o período trabalhado, sendo que, na instrução, o magistrado indeferiu a
oitiva de duas testemunhas trazidas pela sociedade empresária, que
seriam ouvidas para provar que ela entregava o valor da passagem em
espécie diariamente à trabalhadora; foi julgado procedente o pedido de
devolução em dobro, como requerido na exordial, de 5 dias de faltas
justificadas por atestados médicos, pois a preposta reconheceu que a
empresa se negou a aceitar os atestados porque não continham CID
(Classificação Internacional de Doenças); foi deferido o pagamento
correspondente a 1 cesta básica mensal, porque sua entrega era
prevista na convenção coletiva que vigorou no ano anterior (de janeiro
de 2017 a janeiro de 2018) e, no entendimento do julgador, uma vez que
não houve estipulação de uma nova norma coletiva, a anterior foi,
automaticamente, prorrogada no tempo; foram deferidos honorários
advocatícios em favor do advogado da autora na razão de 20% da
liquidação e, em favor do advogado da ré, no importe de 10% em relação
aos pedidos julgados improcedentes.
Diante disso, na condição de advogado da ré, redija a peça prático-
profissional para a defesa dos interesses da sua cliente em juízo, ciente
de que, na sentença, não havia vício ou falha estrutural que
comprometesse sua integridade.
Digite sua resposta aqui
Exibir solução
O advogado deverá apresentar um recurso ordinário, por parte da
sociedade empresária, elaborando a petição de interposição ao
juízo da 90ª Vara do Trabalho de Teresina/PI, e as razões recursais,
ao TRT. Deverá indicar as partes (recorrente e recorrido), citar o art.
895, inciso I, da CLT, e indicar o recolhimento das custas e do
depósito recursal. Deverá ser apresentada preliminar de
cerceamento de defesa pelo indeferimento da oitiva das
testemunhas da empresa, com a consequente anulação do
processo e retorno à Vara de origem para oitiva delas e prolação
de nova sentença, conforme o art. 5º, inciso LV, da CRFB/88 e art.
369 do CPC. Deverá ser renovada a preliminar de inépcia em
relação aos feriados, pois foram indicados de forma genérica,
visto que “todo e qualquer feriado” brasileiro abrange, inclusive, os
feriados locais e regionais do país inteiro, aplicando-se o art. 330,
inciso I, o art. 330, § 1º, inciso II, do CPC; e o art. 840, § 1º, da CLT.
Em relação à pausa alimentar, deve ser sustentado ser indevido o
pagamento integral do intervalo, mas apenas o correspondente ao
tempo suprimido e, ainda assim, com caráter indenizatório, sem
repercussão em outras parcelas, na forma do art. 71, § 4º, da CLT.
Quanto à indenização por dano extrapatrimonial, deve ser
sustentado que doença degenerativa não é considerada doença do
trabalho, conforme previsto no art. 20, § 1º, alínea a, da Lei nº
8.213/91, não gerando responsabilidade do empregador. No que
se refere à devolução dos descontos em dobro, o advogado(a)
deverá se insurgir contra a determinação da dobra porque não
existe previsão legal na CLT para tanto, sendo, então, de se
observar o princípio da legalidade previsto no art. 5º, inciso II, da
CRFB/88. Em relação à cesta básica, deve ser sustentado que a
norma coletiva não tem ultratividade, na forma do art. 614, § 3º, da
CLT, daí o porquê de ser indevida para a autora, pois ela foi
admitida após o término da convenção coletiva anterior. Acerca
dos honorários advocatícios, deve ser sustentado que o percentual
deferido em favor do advogado da autora suplanta o limite legal,
que é de 15%, conforme o art. 791-A, da CLT, devendo, portanto, ser
reduzido. Após isso, efetuar requerimentos finais pela
admissibilidade do recurso, renovação das preliminares e, no
mérito, pelo provimento do recurso. E, por fim, fazer o fechamento.
Considerações �nais
Vimos os principais recursos dirigidos ao TRT: recurso ordinário,
embargos de declaração e agravo de instrumento, por meio de uma
abordagem prático-teórica.
Além de conhecer princípios, características, efeitos e requisitos do
sistema processual de recursos trabalhistas, foram apresentadas as
hipóteses de cabimento de cada um dos recursos ao TRT.
O estudo dos principais recursos dirigidos ao TRT propiciou os
conhecimentos necessários para a elaboração das peças processuais
adequadas para interpor o recurso ordinário, opor os embargos de
declaração e interpor o agravo de instrumento ao TRT. As peças
processuais foram sistematicamente expostas para que fosse
entendida a estrutura de cada uma delas por um viés prático-teórico.
Por fim, com a ênfase aplicada na elaboração das peças processuais
para a formulação dos recursos ao TRT, foi apresentado um conteúdo
relevante para a atuação prática do profissional do direito na Justiça do
Trabalho.
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Quer saber mais sobre como recorrer na Justiça do Trabalho? Então,
confira os trâmites e seus andamentos no site do TST, na aba Justiça do
Trabalho, seção Conheça a Justiça do Trabalho.
Veja, no portal do TRT4, a divulgaçãoComo tramita um processo para
conhecer melhor a tramitação dos processos no TRT. Basta digitar
“como tramita” na área de pesquisa (lupa) do portal.
Referências
CRAMACON, H. Como passar na OAB 2ª fase: prática trabalhista.
Coordenadores Wander Garcia e Ana Paula Garcia. 8. ed. Indaiatuba, SP:
Foco Jurídico, 2021.
DELGADO, M. G. Curso de direito do trabalho. 17. ed. São Paulo: LTr,
2018.
PEREIRA, L. Prática jurídica: trabalhista. 9. ed. São Paulo: Saraiva
Educação, 2019.
RALIN, P. Prática forense: prática trabalhista. São Paulo: Saraiva
Educação, 2019.
SCHIAVI, M. A reforma trabalhista e o processo do trabalho: aspectos
processuais da Lei nº 13.467/17. São Paulo: LTr, 2017.
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