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HISTAMINA E ANTI-HISTAMÍNICOS Sandra Y. Fukada Alves “Amina biogênica encontrada em muitos tecidos” ‘Mediador químico de uma ampla variedade de respostas celulares incluindo reações inflamatórias e secreção ácida gástrica.’ Histamina histus amina tecido grupamento químico Sir Henry Hallet Dale Histamina Descoberta em 1910 - Sir Henry Hallet Dale e Sir Patrick Playfair Laidlaw. Identificada como mediadora da reação anafilática em 1932. Amplo espectro de ações fisiológicas da histamina: • músculo liso • endotélio vascular • terminações nervosas aferentes • coração • trato gastrintestinal • SNC Fisiologia da histamina • Sintetizada a partir do aminoácido L-histidina. • Armazenada em grânulos. • Metabolizada no fígado (ac. Imidazolacético) Síntese e armazenamento da histamina • Reservatório de renovação lenta. (mastócitos e basófilos) • Reservatório de renovação rápida. (Células ECL e neurônios histaminérgicos) Presença da histamina Tecidos Pele Pulmões Endotélio vascular Trato gastrintestinal SNC- neurônios Células Mastócitos Basófilos Cel. enterocromafins Mastócitos Neurônios Síntese e armazenamento da histamina CSE MASTÓCITO ARMAZENAMENTO Complexo Histamina e proteínas ácidas (heparina de alto peso molecular ou proteoglicanos ) MASTÓCITOS BASÓFILOSGrânulos - Comidas; - Fármacos; - Venenos; - Proteínas estranhas; - Corantes; - Traumas; - Outras reações idiopáticas. Induzem liberação da histamina ↑ secreções Histamina: mediador de processos alérgicos Histamina: mediador de processos alérgicos respiratórios Histamina Girassóis, Van Gogh • Broncoconstrição (receptor H1) • Aumenta secreção de liquido no pulmão Rinite alérgica (prurido, espirros, rinorréia) Manifestações clínicas da fisiopatologia • Rinite alérgica; • Urticárica aguda; • Anafilaxia; Reação de hipersensibilidade mediada por IgE Liberação Imunológica - Sensibilização IgE Reação anafilática Sensibilização prévia + segundo contato + Liberação de Histamina Liberação Imunológica - Reação anafilática Reação anafilática • Adrenalina • Corticosteróides Estratégia farmacológica: Normal Inflamado Perfil do foco inflamatório Aumento do fluxo sanguíneo local Marginalização de leucócitos 19 Aumento de permeabilidade vascular: edema Retração das junções endoteliais: Venular Saída de proteínas para espaço extravascular, e consequente saida de líquido e células Ação da histamina no pulmão A histamina causa contração do músculo liso brônquico. Pacientes com asma são significativamente mais sensíveis à broncoconstrição mediada pela histamina do que indivíduos não asmáticos. Ação mediada por receptores H1 aumenta da concentração de cálcio Ação bloqueada pelos anti-histamínicos Antagonistas H1 são inefetivos para tratar a bronco-constrição decorrente da asma. Resposta tríplice de Lewis - H1 e H2 Histamina - agente modulador da resposta inflamatória Rubor Calor Vasodilatação e aumento permeabilidade na área adjacente à lesão Tumor Extravasamento de fluídos Lesão tecidual – liberação de Histamina Histamina (H1) e dor estímulo Prurido: epiderme Prurido mais dor: derme Histamina induz aumento da secreção ácida gástrica (H2) Boron & Boulpaep, 2004. Medical Physiology. Histamina: mediador da secreção gástrica Histamina: regulação do ciclo sono-vigília Hipotálamo e projeções pelo cérebro e medula espinhal Manutenção do estado de vigilia, processo cognitivo (atenção, memória e aprendizado) e comportamental (supressão do apetite). Receptores Histaminérgicos H1 H2 H3 H4 Tipo Gq (↑Ca2+, ↑AMPc) Gs (↑ AMPc) Gi (↓ AMPc) Gi (↓ AMPc) Distribuição M. liso, endotélio, SNC Cel. Parietais e cardíacas, mastócitos, SNC SNC, plexo mioentérico Cels. hematopoiéticas Receptores histamínicos acoplados à proteína G Goodman and Gilman, 13ed Ações da histamina Fármacos Anti-histamínicos -Antagonistas de receptores H1 -Antagonistas de receptores H2 - Antagonistas de receptores H3 - Antagonistas de receptores H4 Antagonistas de receptores H1 Goodman and Gilman, 12ed Anti-histamínicos – Anti H1 1a geração Cloridrato de Difenidramina Benadril/ Dramin Cloridrato de Prometazina Fenergan Maleato de Pirilamina Etanolaminas Fenotiazinas (tricíclicos) Etilenodiaminas Piperazinas Cloridrato de meclizina Desclorfeniramina Polaramina Alquilaminas Anti-histamínicos – Anti H1 2a geração não atravessa a BHE Fexofenadina (Allegra) Loratadina (Claritin) Cetirizina (Zyrtec, Alernix) Levocetirizina (Zyxem) Desloratadina (Desalex) Farmacocinética - Boa absorção oral e rápida distribuição; - Penetra SNC * (1ª geração); - Metabolização pelo fígado; - Excreção pela urina. Antagonistas de receptores H1 Fármaco Administração Duração ação (h) Cetirizina Oral, 12-24 Clorfeniramina * Oral, injeção ~24 Desloratadina Oral ~24 Difenidramina * Oral, injeção, tópico 12 Fexofenadina Oral 12-24 Loratadina Oral 24 Prometazina * Oral, injeção 4-6 Ações da histamina - Reações alérgicas (rinite, urticária, conjuntivite) - Dermatose alérgicas (urticária, prurido) - Asma (menor efeito) - Reação anafilática (papel coadjuvante secundário) Utilidade clínica dos Antagonistas de receptores H1 Efeitos Farmacológicos ↓ edema ↓ secreções Asma: Efeito pouco importante em humanos! (agonistas Beta) Permeabilidad e vascular Efeitos “anti-alérgios” Antagonistas de receptores H1 Indicação: Anti-alérgicos (rinite, conjuntivite, urticária) Sedação Inibição do enjôo e do vômito - Efeito colateral de anti- histamínicos de 1ª. geração (Ex.: etilenodiaminas e etanolaminas, como difenidramina); - Anti-histaminicos de 2ª. geração produzem menos sedação porque não atravessam a BHE (Ex.: loratadina). Inibição de receptores na área postrema Ex.: prometazina Antagonistas de receptores H1 - Náusea - Vômitos - Cinetose - Sedação - Insônia Utilidade clínica dos Antagonistas de receptores H1 de primeira geração (ação anticolinérgica) Efeitos colaterais • Primeira geração (antagonista H1): sedação. • Ingestão associada a álcool ou outros depressores do SNC: redução das habilidades motoras. • Outros efeitos centralmente mediados: tontura, fatiga, incordenação, euforia, diplopia, visão borrada, nervosismo, insônia e tremores. • Outros efeitos potenciais: perda de apetite, náusea, vômito, diarreia ou constipação, desconforto gástrico. • Efeitos associados à atividade anticolinérgica de representantes da primeira geração: boca seca, retenção urinária, ressecamento das vias aéreas (tosse). • Dermatite. • Complicações hematológicas são raras. Usos terapêuticos : anti-H1 • Reações de Hipersensibilidade Imediata • Alergias Gastrointestinais • Rinite (sazonal) • Urticária (crônica menos responsiva) • conjuntivites • dermatite atópica • dermatite de contacto • picadas de insetos (tópica) • enjôo de viagem, labirintite (ciclizina, meclizina, prometazina) • Sedação (pré-medicação: Alimemazine) Outros usos clínicos: Pela ação central: • medicação pré-anestésica (prometazina, alimemazine) • prevenção de náusea e vômitos (prometazina) • redução das secreções salivares Pelo efeito anestésico: • em indivíduos sensíveis aos anestésicos locais (prometazina: + eficiente; doses muito maiores do que a necessário para o efeito Anti-H1) Tratamento de reações alérgicas da mucosa oral: • Edema angioneurótico: lábio superior e face • Evitar uso local: reações alérgicas Antagonistas de receptores H2 Metiamida, Burimamida, Cimetidina, Ranitidina Efeitos Farmacológicos Antagonistas de receptores H2 Diminuição da secreção ácida gástrica estimulada por betazol Binder et al., 1978 (Rang et al., 2003. Farmacologia, 5 ed.) Efeitos Farmacológicos Antagonistas de receptores H2 Usos Terapêuticos - Refluxo ácido - Úlcera péptica Efeitos colaterais -Inibição de enzimas do P450 -Efeito no SNC e mm cardíaco (insignificante)Pesquisa clínica de protótipos de anti H3: •Distúrbio de sono e vigília (narcolepsia e insônia) •Doença neuropsiquiátrica (Alzheimer, TDAH, demência, depressão e esquizofrenia) •Distúrbios neurológicos (epilepsia) •Processo nociceptores (dor neuropática) •Homeostasia da alimentação e energia (obesidade e diabetes). Pesquisa clínica de protótipos de anti H4: •Tratamento de condições inflamatórias, prurido e dor neuropáticas